domingo, 15 de julho de 2007

Adolescentes consomem medicamentos em festas

O consumo de medicamentos em festas é a última moda entre os jovens norte-americanos. Depois do consumo de álcool e drogas, os jovens viram-se agora para os analgésicos, estimulantes ou calmantes

Designadas por "pharm parties", este tipo de festas é aparentemente comum a todas as outras. Música alta, copos de plástico, refrigerantes e algumas bebidas alcoólicas, e um grupo de adolescentes. Já era conhecido o uso de drogas em algumas destas festas, mas os jovens viram-se agora para algo mais acessível: os medicamentos. Existem em casa e são fáceis de adquirir, mesmo sem ser preciso receita médica, através da internet.

A Universidade de Colúmbia revelou um relatório que data de 2005 segundo o qual 15 milhões de americanos admitiram o consumo de medicamentos sem qualquer tipo de prescrição ou orientação médica. Três em cada cinco adolescentes garantem ter acesso a uma grande variedade de medicamentos no armário dos pais, podendo facilmente consumi-los muitas vezes sem o conhecimento deles.
Os números revelados neste estudo falam por si mesmos. Entre 1992 e 2003 houve um aumento de 212% do uso de medicamentos para estes fins entre os adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos.
Foram precisos vários casos de overdose para as autoridades americanas começarem a dar importância a esta situação.

Desconhecimento, o principal risco

O consumo de medicamentos só por si sem orientação médica já é fortemente desaconselhado. Mas o principal risco reside no facto do desconhecimento por parte dos jovens ao pensarem que, ao contrário das drogas, os remédios não fazem mal. "Os jovens pensam que os remédios não fazem mal, como o álcool ou as drogas duras. Além disso, não há o perigo de serem apanhados pela polícia", afirma o psicólogo Murilo Battisti, especialista em drogas.

Em Portugal, as "pharm parties" ainda não consideradas como problema. "Muitas vezes há o consumo excessivo de medicamentos, mas não é encarado como consumo de droga. Uma overdose de remédios é sempre classificada como intoxicação", afirma Paula Andrade, do Instituto da Droga e da Toxicodependência.
A especialista alerta ainda para a existência cada vez maior de farmácias online, bem como diversas séries como o Dr House ou Donas de Casa Desesperadas que, de certa forma, incentivam estes comportamentos pois algumas personagens recorrem frequentemente à automedicação.

Caberá, pois, aos pais saber controlar esta situação de forma a impedir que os jovens corram quaisquer tipos de risco. Ficam alguns sinais a ter em conta como alerta:

* o seu filho tem muitas vezes os olhos vermelhos;

* episódios recorrentes de sonolência ou hiperactividade;

* pouco interesse na escola, mau aproveitamento ou um grande absentismo;

* mudanças de humor constantes, tendências depressivas ou falta de auto-estima;

Fontes: Sábado, USAtoday

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