Os investigadores descobriram que uma história familiar de melanoma parece estar relacionada com uma susceptibilidade genética para desenvolver a Doença de Parkinson.
O Dr. Xiang Gao, da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston, referiu à Reuters Health que a co-ocorrência de Parkinson e melanoma tem sido relatada em diversos estudos, sendo que este estudo é o primeiro que demonstra que esta co-ocorrência pode dever-se a mecanismos genéticos comuns a estas duas doenças.
Os investigadores analisaram dados de dois estudos a decorrer: o estudo de seguimento de profissionais de saúde masculinos e o estudo de saúde de enfermeiras.
Todos os participantes, cerca de 132 mil homens e mulheres, não sofriam de Parkinson no início dos estudos, mas nos seguintes 14 a 20 anos ocorreram 543 casos.
Os participantes tinham fornecido informações sobre a existência de quaisquer casos de melanoma nos seus pais ou irmãos. Os investigadores descobriram que uma história familiar de melanoma quase duplicou a probabilidade de desenvolver Parkinson, tendo concluído que ambas as doenças partilham componentes genéticos comuns.
O Dr. Gao referiu que, relativamente aos possíveis mecanismos subjacentes nas duas doenças, o metabolismo dos pigmentos e os genes que codificam as proteínas neste processo, pelo menos em parte, explicam esta associação.
A equipa de investigadores demonstrou recentemente que as pessoas com cabelo ruivo ou com uma variante do gene de pigmentação, denominado MC1R, tinham duas a três vezes mais probabilidade de desenvolver a Doença de Parkinson. O Dr. Gao explicou que tanto o cabelo ruivo como o gene MC1R são factores de risco bem estabelecidos para o melanoma.
O investigador acrescentou que será importante confirmar estas descobertas em outras populações, pois se estas forem confirmadas poderão ajudar os médicos a identificar populações de risco elevado de Doença de Parkinson.
O melanoma é o tipo de cancro da pele mais grave. O melanoma tem início nas células da pele, os melanócitos (células pigmentares), quando estes se tornam malignos. Em Portugal, surgem anualmente cerca de 700 novos casos de melanoma maligno.
Isabel Marques

