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terça-feira, 27 de novembro de 2007

OncoMethylome e GSK desenvolvem biomarcadores de ADN para tratamentos oncológicos

A companhia biotecnológica belga OncoMethylome Sciences e a britânica GlaxoSmithKline (GSK) Biologicals entraram num acordo de colaboração para o desenvolvimento de biomarcadores de ADN, para a identificação de fármacos para imunoterapias oncológicas.

O objectivo desta colaboração é desenvolver biomarcadores de metilação do ADN para serem utilizados na personalização do tratamento do cancro, com determinadas imunoterapias que estão a ser desenvolvidas pela GSK Biologicals.

A colaboração é suportada por uma bolsa de investigação Wallonia (BioWin) que foi anunciada em Abril deste ano. Os restantes detalhes financeiros do acordo não foram revelados.

Metilação e biomarcadores de metilação

A metilação é um mecanismo de controlo natural que regula a expressão dos genes no ADN. A metilação anormal de certos genes pode silenciar a expressão do gene, e está associada ao desenvolvimento do cancro e à resposta à terapia oncológica. Os genes cuja metilação está ligada ao cancro são geralmente denominados de biomarcadores de metilação. Os biomarcadores de metilação delineados para serem utilizados em diagnósticos de acompanhamento estão associados à resposta à terapia com fármacos oncológicos.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, www.abnnewswire.net

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Organismo pode suspender cancro

Estudo comprova existência de fase em que o sistema imunitário mantém células cancerosas dormentes; novas terapias poderão advir da descoberta

À luz da comunidade científica há, sumariamente, três estados de desenvolvimento no processo de formação de cancro: iniciação, promoção, progressão. Entretanto, um novo estudo norte-americano publicado, este mês, na revista «Nature», sugere a existência de um outro: o de suspensão.

De acordo com a investigação - coordenada por Robert Schreiber, da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington (FMW), nos Estados Unidos - neste novo estado as células são potencialmente nocivas, mas ainda estão proibidas de actuarem. “Quem as proíbe é o sistema imunitário que as mantém num estado de dormência e em equilíbrio. Aquelas que escapam, são as que acabam por se desenvolver como tumores”, explicou.

Segundo destaca a «Nature», o trabalho norte-americano identificou um “estágio crucial na batalha das células, um ponto no qual o mecanismo de defesa trava a expansão do cancro que conseguiu escapar à monitorização inicial feita pelo organismo.” A revista salienta ainda que o estudo poderá “ajudar no desenvolvimento de terapias para ampliar o equilíbrio e evitar a manifestação da doença.”

A equipa de Robert Schreiber, do Departamento de Patologia e Imunologia da FMUW usou ratinhos para mostrar que o sistema imunitário dos animais é capaz de manter o crescimento do tumor “em xeque” por um longo período: “É como se, de um lado, houvesse uma corda a ser puxada pelas células que se querem transformar em cancro e, do outro, pelo sistema imunitário”, clarificaram.

No artigo intitulado «Adaptive immunity mantains occult cancer in an equilibrium state», os investigadores informam, terem usado “um modelo animal de carcinogénese química primária”, relatando terem verificado que o equilíbrio ocorre. “Demonstrámos que células tumorais em equilíbrio não estão editadas [no sentido do arranjo genético], mas passam a estar quando escapam espontaneamente do controlo e crescem em tumores clinicamente aparentes.”

Explicar tumor próstata assintomático

Os cientistas acreditam ainda que o estado agora confirmado “deverá ajudar a explicar a presença de células cancerosas ocultas, especificamente, os tumores na próstata (em indivíduos que não apresentem sintomas da doença).

Outra esperança refere-se ao facto da descoberta poder abrir caminho a novos tratamentos. “Estamos convictos de que o estudo pode ser usado para o desenvolvimento de terapias imunológicas que permitam ampliar o controle do crescimento de tumores próprio do organismo”, afirmaram.

De referir que, estudos anteriores haviam sugerido a existência desse estado de equilíbrio, devido ao facto de que tipos dormentes de cancro costumam manifestar-se quando transferidos, inadvertidamente, de um determinado doador para um receptor com imunossupressão, durante transplante de órgão.

Raquel Pacheco

Fonte: http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature06309.html
Foto: DR

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Descoberta anomalia que causa cancro do colón em jovens

Telómetro curto pode indicar risco e ajudar na prevenção e tratamento da doença

Um estudo apresentado à American Society of Human Genetics (Sociedade Americana de Genética Humana) revelou que uma anormalidade nos cromossomas característicos do envelhecimento está vinculada ao cancro do cólon em pessoas com menos de 50 anos.

A investigação foi conduzida por investigadores da Clínica Mayo que examinaram 114 doentes com cancro, com menos de 50 anos, nos quais, 98 não apresentavam antecedentes da doença. Nestes pacientes, analisaram a estrutura dos telómeros - que se encontram nas extremidades dos cromossomas e mantêm a sua estrutura.

Segundo anunciou Lisa Boardman, coordenadora do estudo e especialista em Gastroenterologia, a equipa da Clínica Mayo verificou que, “apesar da sua juventude, os doentes com cancro do cólon tinham telómeros curtos” esclarecendo que, geralmente, “os telómeros encolhem com a passagem dos anos e estão relacionados a algumas doenças, entre elas o cancro.”

De acordo com outro resultado divulgado, a doença afectou em maior medida os homens que as mulheres.

Na opinião dos investigadores, a relação entre o cancro e o encurtamento do telómero permite que esta estrutura cromossómica seja “um marcador da doença e um sistema de alarme para antecipar o risco.”

Neste sentido, para os cientistas, a descoberta representa uma “luz de alerta” para potenciais doentes jovens e abre portas a novas investigações para prevenir e tratar a doença.

O cancro do cólon e do recto é, em Portugal, o cancro mais frequente nos homens, embora, neste mesmo grupo, seja a quarta causa de morte oncológica. Já nas mulheres é o segundo tipo de cancro bem como a segunda causa de morte oncológica.

Raquel Pacheco


Fonte: Agência EFE/Portal da Saúde

Pequena molécula propaga cancro pelo organismo

Cientistas acreditam que microRNA (miR-10b) é agente da metástase

À luz de um estudo publicado na revista «Nature», uma pequena molécula desempenha um papel crucial na metástase (movimento ou disseminação de tecidos doentes de um órgão para outro). Segundo avança a publicação, o próximo passo dos investigadores é descobrir os alvos “para que seja possível determinar o grau de perigo que determinado tumor oferece, como age e como contê-lo.”

Na investigação conduzida por Robert Weinberg, do Instituto Whitehead (EUA) a acção do microRNA é relacionada com a propagação do cancro pelo corpo. “Uma associação (do microRNA) com um dado clínico não é trivial”, considerou a bióloga molecular Dirce Maria Carraro, investigadora do Hospital A.C. Camargo (Brasil), frisando que “é um trabalho muito bom.”

Para testar a ligação, Weinberg e mais dois cientistas analisaram diversos tecidos cancerosos de mama, alguns mais malignos do que outros. De acordo com os investigadores, um microRNA específico, chamado miR-10b, era especialmente evidente nas amostras com grande potencial metastático, ou seja, que lançaram células doentes pelo corpo.

O RNA é um dos principais actores da genética, formado por uma fita de bases químicas. Na forma de mensageiro, carrega as informações do seu primo DNA para fora do núcleo da célula, onde se formam os “tijolos” do corpo, as proteínas. Por sua vez, o microRNA parece um recorte dessa fita: tem apenas cerca de 20 bases. Ainda assim, consegue bloquear o trabalho do RNA mensageiro como sugerem estudos recentes que ligam esta pequena molécula com a morte de células.

Segundo revelou a «Nature», o miR-10b apareceu em 9 de 18 mulheres que tinham um cancro de mama desse tipo, enquanto era quase ausente em cinco pacientes com tipos menos agressivos. A mesma fonte esclarece que o grupo testou a sua teoria em ratos. “Os animais receberam células cancerígenas humanas com o miR-10b, que se espalharam pelos vasos sanguíneos. Por outro lado, quando foram injectadas células de cancro humanas sem a molécula, nenhuma migração aconteceu.”

Os investigadores acreditam que esse microRNA afecta a actuação de um gene chamado «twist», ligado à metástase por outros estudos - inclusive do próprio Weinberg. No entanto, a equipa norte-americana afirma não conhecer exactamente o que acontece dentro das células para produzir comportamentos tão distintos. “É ainda possível que o miR-10b controle alvos adicionais”, referem no artigo.

Weinberg adiantou à «Nature» que descobrir o alvo é o passo seguinte: “Se conseguirmos, será possível determinar o grau de perigo que determinado tumor oferece, como age e como contê-lo.”

Raquel Pacheco
Fonte: «Nature»/NewsTin

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Composto presente na fruta pode ser determinante no combate ao cancro

Que o consumo de fruta é essencial para uma alimentação saudável já toda a gente sabia, mas o que se desconhecia era o papel que alguns frutos podem desempenhar no combate ao cancro. Frutos como a manga, as uvas e os morangos contêm um componente denominado Lupeol capaz de impedir que os tumores localizados na zona da cabeça e do pescoço cresçam e se espalhem.

Uma experiência realizada por uma equipa de investigadores da Universidade de Hong Kong testou o lupeol em ratos e mostrou que o desempenho deste componente, principalmente quando combinado com a quimioterapia, não só foi muito animador, como não apresentou efeitos secundários relevantes.

De acordo com Anthony Yuen, professor do departamento cirúrgico da Universidade de Hong Kong, “o lupeol consegue suprimir o movimento das células cancerígenas, bem como o seu crescimento, mostrando resultados mais positivos do que os medicamentos convencionais”.

“O lupeol é até mais eficaz se for combinado com a quimioterapia, apresentando efeitos secundários muito ligeiros”, continua o investigador.

A equipa responsável pelo estudo, que foi publicado no passado mês de Setembro no jornal “Cancer Research”, tenciona agora realizar mais experiências com animais e admite que, no futuro, a possibilidade de realizar testes em seres humanos não está posta de parte.

Os tumores localizados no pescoço e na cabeça englobam o cancro no nariz,, na cavidade oral, na garganta, nas cordas vocais, na tiróide e nas glândulas salivares, tipos de tumores que afectam mais a população asiática do que a ocidental.

O consumo excessivo de álcool, o tabagismo e uma alimentação deficitária são alguns dos principais factores de risco para estas doenças, cujo tratamento se tem revelado muito difícil.

Em 50 por cento dos casos os tumores só são diagnosticados em fases já muito avançadas, quando a cura já é muito difícil e os tumores já cresceram tanto que se tornaram inoperáveis.

A cirurgia para remover tumores nestas zonas do corpo humano é muito complicada, desde logo porque implica a remoção de grandes quantidades de pele que tenha sido afectada pela doença, pelo que os cirurgiões têm que planear muito bem, antes de realizar a cirurgia, de que forma vão depois cobrir toda a área de onde foi retirada a pele.

Yuen acredita que o lupeol, que também se encontra em alguns vegetais como é o caso da azeitona, consegue bloquear a proteína natural denominada NFKB, cuja acção auxilia o crescimento das células, incluindo das células cancerígenas.

Neste estudo, o lupeol foi administrado em ratos infectados com células cancerígenas nas zonas do pescoço e da cabeça e permitiu concluir que este componente dos frutos e vegetais “não apenas suprime o crescimento do tumor, como também leva à sua diminuição. Comparado com os medicamentos convencionais, o lopeol reduz o tamanho do tumor num período de tempo muito menor”, explica Terence Lee, outro dos investigadores participantes no estudo.

Por outro lado, “os fármacos convencionais levaram ao emagrecimento dos ratos, ao contrário do que sucedeu com o lupeol, uma vez que os animais mantiveram a sua massa corporal”, adiantou ainda Lee, explicando que no combate ao cancro, o emagrecimento excessivo dos pacientes é sempre visto como um mau sinal.

Os especialistas esperam agora que o lupeol seja aplicado a outros tipos de cancro, que dependam também da acção da proteína NFKB para crescer e se espalhar. “Poderá ser possível aplicar o lupeol noutros cancros, uma vez que este composto consegue suprimir o efeito da proteína NFKB, cuja acção é determinante também no cancro da próstata e da mama”, acredita Yuen.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Excesso de glóbulos brancos na menopausa inflaciona risco de cancro

Mulheres com um elevado grau de glóbulos brancos no sangue, durante a menopausa, correm um maior risco de vir a sofrer de vários tipos de cancro, como o cancro da mama, colorectal, endometrial e do pulmão. Esta é a conclusão de um estudo norte-americano, recentemente apresentado, que estabelece a relação entre o número de glóbulos brancos e a incidência do cancro.

De forma a procederem à elaboração do estudo, os investigadores da Fundação HealthPartners Research observaram 143.748 mulheres registradas numa iniciativa de promoção da saúde das mulheres (WHI), todas na faixa etária dos 50 aos 79 anos e que de inicio não revelavam quaisquer problemas cancerígenos.

Depois de efectuada a contagem dos glóbulos brancos em cada uma das mulheres, os investigadores verificaram que aquelas que apresentavam uma maior concentração destas células tinham maiores probabilidades de sofrerem de cancro, relativamente às mulheres que apresentaram contagens mais baixas. No que respeita ao cancro da mama o risco era 15 por cento mais elevado, 19 por cento no caso do cancro colorectal, 42 por cento quanto ao cancro endometrial e 63 por cento no caso do cancro do pulmão.

A taxa de mortalidade destes quatro tipos de cancro é também mais elevada entre as mulheres com mais glóbulos brancos, tal como acontece com a taxa global de mortalidade por cancro.

De acordo com Karen L. Margolis, uma das responsáveis pelo estudo, “uma contagem de glóbulos brancos superior ao normal, acima de 7 por exemplo, é sempre alarmante e deve ser um caso constantemente vigiado, principalmente se tiver um carácter persistente e desconhecido”.

Todavia, apesar dos resultados do estudo demonstrarem a existência de uma relação entre um elevado grau de glóbulos brancos e o desenvolvimento de cancro, não significa que todas as pessoas que apresentarem resultados altos venham a sofrer de cancro. Este continua a ser um risco muito reduzido, comparativamente com o consumo de tabaco, por exemplo.

De qualquer forma, os investigadores advertem que o aumento de glóbulos brancos na circulação sanguínea indica quase sempre o desenvolvimento de infecções e inflamações.


Inês de Matos

Fonte: Reuters

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Composto da casca de tangerina revela-se eficaz no combater ao cancro

Um grupo de investigadores da Escola de Farmácia de Leicester anunciou hoje, durante o British Pharmaceutical Conference, em Manchester, que a casca da tangerina pode ajudar a combater vários tipos de cancro, como o cancro da mama, do pulmão, da próstata ou dos ovários. Depois de vários testes, os cientistas descobriram que na casca deste fruto se encontra um composto, o Salvestrol Q40, que consegue destruir as células cancerígenas compostas pela enzima P450 CYP1B1.

De acordo com Hoon L. Tan, um dos cientistas responsáveis pela investigação, esta descoberta representa um grande passo para o tratamento do cancro através dos alimentos. “É muito emocionante encontrar um composto num alimento que consegue atingir especificamente as células cancerígenas”, realça Tan.

Para os investigadores, os hábitos alimentares da população são determinantes para o aparecimento da doença, pois antigamente, os povos tinham o hábito de ingerir a casca dos frutos, mas nos dias de hoje tal não acontece, dai que se registe um aumento no número de casos de cancro. A dieta moderna não engloba a casca dos alimentos e como tal, a percentagem de salvestrol que os indivíduos ingerem é muito reduzida, não conseguindo combater as células afectadas por esta patologia.

Apesar dos resultados animadores, os investigadores preferem manter-se prudentes, pois serão precisos ainda muitos testes para confirmar esta descoberta e o estudo poderá prolongar-se por mais cinco a sete anos.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Nova terapia fotodinâmica para Doença de Bowen

Cientistas garantem melhor recuperação do doente com tumor cutâneo

Uma equipa de investigadores brasileiros anunciou a descoberta de um tratamento alternativo para a Doença de Bowen (um tipo de cancro de pele). Trata-se de uma terapia fotodinâmica, não cirúrgica, e que, garantem, resulta na melhor recuperação do doente.

A nova alternativa para o tratamento da Doença de Bowen - uma forma de carcinoma de células escamosas confinado à epiderme – foi alvo de investigação, ao longo de seis meses, por uma equipa do Serviço de Dermatologia do Hospital da PUC-Campinas (Brasil), que assegura “a melhor recuperação do doente.”

De acordo com os especialistas em dermatologia, o trabalho consistiu em relatar “a cura clínica e histológica” da Doença de Bowen através da terapia fotodinâmica (TFD) “um tratamento não cirúrgico, que não deixa cicatriz e que trata, também, as lesões não visíveis ao médico”, informaram.

Esclarecendo que para a realização da TFD é necessária a aplicação de uma substância que se impregna nas células cancerígenas após algum tempo, os investigadores desvendaram o processo: "Antes de iniciar a exposição é possível identificar mais precisamente os limites da doença, por meio de uma iluminação especial (lâmpada de Wood). Em seguida, com a exposição à luz, essas células impregnadas pela substância (inclusive as das margens mais difíceis de delimitar) são conduzidas à morte e, com isso, à cura da lesão."

Sylvia Ypiranga Rodrigues, investigadora envolvida no estudo da TFD, referiu que um doente pode realizar até duas sessões. Segundo explicou a dermatologista, a doença surge associada, principalmente, à a exposição solar, mas também, a factores genéticos e ao tabagismo."

Portugal: 800 casos anuais

Correm maior risco de contrair esta doença as pessoas que sofreram de queimaduras solares na infância e adolescência, as pessoas com pele, olhos e cabelo claros e antecedentes de cancro de pele na família e os trabalhadores ao ar livre (pescadores, trabalhadores agrícolas, construção civil, por exemplo).

A Doença de Bowen é uma forma de tumor cutâneo maligno, cujos principais sintomas são uma mancha avermelhada, espinha e ferida que não cicatriza. A incidência está a aumentar em Portugal e em mais de 90% dos casos a doença tem origem no Sol. Actualmente, estima-se que, cerca de 800 novos casos surjam por ano.

Raquel Pacheco
Fontes: SEGS - Portal Nacional de Seguros & Saúde/Manual Merck/Infocancro.com

sábado, 4 de agosto de 2007

Peregrine Pharmaceuticals inicia Fase II do Cotara para o cancro cerebral, na Índia

A Peregrine Pharmaceuticals, Inc. anunciou que foi administrado Cotara ao primeiro paciente de um novo ensaio clínico, a decorrer na Índia, delineado para avaliar a segurança e eficácia desta nova terapia para a necrose tumoral, que está a ser desenvolvida para o tratamento do glioblastoma multiforme (GBM), uma forma mortal de cancro cerebral.

Este estudo de segurança e eficácia, multicentrado e de rótulo aberto de Fase II está delineado para inscrever até 40 pacientes com glioblastoma que experimentaram uma primeira recaída. O objectivo principal do estudo é confirmar a dose máxima tolerada de Cotara nestes pacientes. Os objectivos secundários incluem a estimativa da sobrevivência geral dos pacientes, sobrevivência livre de progressão e a proporção de pacientes vivos ao fim de seis meses. Os pacientes do estudo estão a receber uma infusão única de Cotara por “convection-enhanced delivery” (CED), uma técnica desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla inglesa), que administra o agente no tumor, com grande precisão, atingindo uma concentração até 10.000 vezes maior na exposição local da terapia do que numa administração intravenosa convencional, enquanto minimiza a exposição indesejada aos tecidos saudáveis. Espera-se que este método de administração aumente posteriormente o potencial do Cotara para matar tumores.

O Cotara é um novo tratamento experimental para o cancro cerebral que liga uma substância radioactiva destinada à utilização médica, um isótopo radioactivo, a um anticorpo monoclonal direccionado. Este anticorpo monoclonal está destinado a ligar-se a um tipo de ADN que fica exposto unicamente nas células mortas ou a morrer. Os tumores sólidos, incluindo os tumores cerebrais, têm um número significativo de células mortas e a morrer no seu centro e o mecanismo de direccionamento do Cotara permite-lhe apontar a estas células cancerígenas a morrer, administrando a sua carga radioactiva directamente no centro da massa do tumor. O Cotara destrói assim o tumor de dentro para fora, com uma exposição mínima de radiação para os tecidos saudáveis.

Neste estudo, 25 por cento dos 28 pacientes recorrentes sobreviveram por mais de um ano após o tratamento, e 10 por cento dos pacientes sobreviveram por mais de três anos. Estes dados são considerados como sendo um desenvolvimento promissor nesta doença grave e mortal, que mata metade das suas vítimas em 14 semanas após o dianóstico. A Peregrine acredita que os dados positivos combinados, deste novo estudo na Índia e dos ensaios para o glioblastoma que estão a decorrer nos Estados Unidos, irão fornecer uma base para avançar para os ensaios de Fase III.

Segundo o presidente da Peregrine, Steven W. King, a companhia está satisfeita pelo facto do tratamento de pacientes ter começado nesta importante Fase II do ensaio clínico, que foi delineada para confirmar os indícios encorajadores de actividade anti-tumor observados nos estudos iniciais do Cotara para o cancro cerebral. O presidente da Peregrine acrescentou ainda que, dado o elevado nível de interesse nos locais de participação clínica, a companhia está optimista que a inscrição e a dosagem de pacientes irão decorrer em passo acelerado.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Cancro da próstata: Brócolos e couve-flor atenuam risco em 50%

Primeiro estudo sobre forma mais agressiva do tumor com resultados consistentes
Um estudo publicado no «Journal of the National Cancer Institute» sugere que se um homem comer regularmente brócolos e couve-flor poderá ver reduzido em cerca de 50% o risco de desenvolver a forma mais agressiva de cancro na próstata.

A incidência do cancro da próstata tem vindo a aumentar em todo o mundo ocidental. Em Portugal, corresponde a cerca de 12% dos óbitos por cancro, e surge como a segunda causa de mortalidade, por cancro, no sexo masculino, só ultrapassado em número de mortes pelo carcinoma do pulmão.

Embora a relação entre o consumo de verduras e a redução no risco de desenvolver cancro da próstata já tenha sido anunciada noutros estudos, nenhum, até ao momento, tinha alcançado resultados tão consistentes. A investigação em causa envolveu 1.300 voluntários diagnosticados com a doença que foram questionados sobre os seus hábitos alimentares.

De acordo com a BBC, a investigação - feita nos Estados Unidos e conduzida por cientistas do National Cancer Institute (EUA) e do Cancer Care de Ontário (Canadá) – permitiu concluir que estas duas verduras específicas (brócolos e couve-flor) “são as que oferecem maior protecção contra tumores agressivos na próstata.”

Segundo informa a mesma fonte, “os cientistas notaram uma ligação entre um maior consumo de verduras de coloração verde escura, nomeadamente os brócolos e a couve-flor (da família das crucíferas) com a diminuição do risco de desenvolver tumores agressivos na próstata.”

O estudo permitiu aos investigadores norte-americanos e canadianos apurarem que “uma porção semanal de couve-flor foi associada a uma redução de 52% no risco de desenvolver uma forma agressiva da doença; a mesma quantidade de brócolos levaria a uma redução de 45% nesse risco.”

Lembrando que o cancro agressivo da próstata está relacionado com os piores prognósticos por ser “biologicamente virulento” Victoria Kirsch, investigadora canadiana que liderou o estudo, apontou o consumo destes alimentos como uma possível prevenção primária de forma a reduzir o impacto da doença.

No entanto, Kirsch ressalvou que os homens que queiram prevenir o cancro “não devem apenas comer brócolos e couve-flor”, nem atribuir importância excessiva a um alimento específico, mas sim “ter um estilo de vida mais saudável de forma geral”, assim como, ter uma dieta equilibrada.

Novos tratamentos

Entretanto, como tem vindo a noticiar o farmacia.com.pt, uma nova técnica de tratamento do cancro da próstata está a revelar grandes benefícios nos casos precoces da doença e nos recorrentes, que geralmente se revelam dez anos após uma cirurgia radical. O HIFU (High Intensity Focused Ultrasound) é um tratamento menos invasivo e seguro e tem menos riscos de disfunção eréctil e incontinência.

A nova técnica consiste na utilização de ultrasons de elevada intensidade para eliminar os tecidos cancerígenos. O tratamento é menos lesivo do que a radioterapia ou do que a prostatectomia radical. Milhares de doentes vão poder beneficiar deste método em Portugal.

Também foi anunciado que a farmacêutica AstraZeneca vai iniciar a Fase III do desenvolvimento do novo agente oral ZD4054 em homens com cancro da próstata hormono-resistentes, antes do fim de 2007.

Raquel Pacheco

Fonte: BBCNews/Portal da Saúde/Infocancro.com

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Threshold Pharmaceuticals inicia Fase 1 do TH-302 em pacientes com tumores sólidos

A Threshold Pharmaceuticals Inc. iniciou um ensaio clínico de Fase 1 para avaliar a segurança do TH-302, o primeiro profármaco activado por hipóxia (HAP, sigla em inglês) da companhia, em pacientes com tumores sólidos em estado avançado.

O TH-302 é uma nova terapêutica contra o cancro activada especificamente em condições de pouco oxigénio ou “hipóxia”, típicas das células cancerígenas de tumores sólidos, segundo afirmou o presidente da Threshold, Dr. Barry Selick. As células hipóxicas dos tumores normalmente escapam aos tradicionais fármacos anti-cancro que atacam rapidamente as células que se dividem, levando, em última instância, à resistência aos fármacos, a recaídas e a metástases. Se o TH-302 puder reduzir o potencial dos tumores se metastizarem ou prevenir o aumento de células cancerígenas resistentes aos fármacos, poderá ser um avanço clínico significativo para o tratamento de uma variedade de cancros.

Os objectivos principais do estudo são determinar a dose máxima tolerada e dose limitada de toxicidades do TH-302 em pacientes com tumores sólidos em estado avançado, e estabelecer a dose apropriada para testes de uma potencial Fase 2 dos estudos clínicos. Os objectivos secundários do ensaio incluem estabelecer a farmacocinética e avaliar a actividade anti-tumor do TH-302, medida através da taxa de resposta objectiva, duração da resposta, sobrevivência livre de progressão, sobrevivência geral, e vários parâmetros de segurança. Os tumores serão avaliados no início e a cada oito semanas utilizando o Critério de Avaliação de Resposta em Tumores Sólidos (RECIST, sigla em inglês).

O TH-302 tem mostrado ser eficiente, assim como bem tolerado, em estudos pré-clínicos. O vice-presidente sénior da Threshold, Dr. Mark Matteucci, disse que o TH-302 tem demonstrado uma actividade considerável em modelos animais dos cancros humanos do pâncreas e da próstata, e é activo contra uma vasta diversidade de outros tipos de tumores baseados em células e também em modelos animais. A Threshold espera que o TH-302, tanto sozinho como em combinação com outras terapias anti-tumores, forneça uma melhoria significativa no tratamento de pacientes oncológicos.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive

terça-feira, 24 de julho de 2007

Compostos fotodinâmicos activados por laser para o tratamento do cancro em desenvolvimento

A Theralase Technologies Inc. anunciou que entrou num acordo com a University Health Network (UHN) e com o Center Of Excellence for Photonics do Ontario Centres of Excellence (OCE), para expandir em conjunto a pesquisa e o desenvolvimento dos componentes fotodinâmicos patenteados (PDC, sigla em inglês) da companhia, que são activados por tecnologia laser de biofeedback super-pulsed, o TLC-3000 PDC, que poderá ser utilizado no tratamento do cancro.

A Theralase desenha, desenvolve e fabrica tecnologia laser super-pulsed patenteada que é utilizada num amplo leque de aplicações clínicas de bio-estimulação e bio-destruição. A plataforma tecnológica da Theralase aponta para diversos sectores da saúde: em primeiro lugar, para controlar a dor de forma não invasiva, e terapia clínica, em centenas de doenças neuro-musculares e esquelético-musculares, incluindo artrite; em segundo, para bio-estimular e acelerar o tratamento de feridas e cicatrização, incluindo regeneração óssea pós-fractura e doenças osteoartríticas e, por último, combinando compostos fotodinâmicos com tecnologia laser biofeedback super-pulsed para atacar especificamente cancros seleccionados, bactérias, vírus e células adiposas.

O presidente da Theralase Technologies Inc., Roger White, afirmou que este é um marco significativo para a companhia, que posteriormente irá expandir a pesquisa e o desenvolvimento dos compostos fotodinâmicos combinados e da tecnologia laser para a destruição selectiva de cancros, bactérias, vírus e células adiposas. As aplicações clínicas desta tecnologia, caso seja bem sucedida, poderão ter um impacto significativo numa das doenças mais devastadoras dos nossos tempos.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Gordura do corpo para reconstituir a mama

Retirar gordura da barriga e nádegas, através da lipoaspiração, pode ser uma nova técnica para reconstruir o peito de uma mulher a quem tenham retirado parte, ou a totalidade da mama, devido a um tumor maligno (mastectomia).


O uso de gordura do próprio corpo é muito comum na cirurgia plástica, mas na reconstituição mamária não tem sido bem sucedida, porque a gordura é absorvida pelo corpo. A nova técnica adiciona a esta matéria gorda as suas próprias células mãe. Assim, quando são injectadas no peito, vão estimular a irrigação sanguínea local, dando origem à formação de um tecido que num prazo aproximado de seis meses vai encher a mama.


No Japão, já foram submetidas a esta cirurgia 19 mulheres. Todas tiveram resultados positivos. Apesar dos resultados positivos, há cientistas que estão cépticos porque consideram um implante de gordura pode dar um aspecto de caroço à mama. Neste sentido, os estudos vão continuar. A entrada no novo método na Europa está prevista para 2008.

O estudo foi publicado na revista Chemistry and Industry.

sara pelicano

fontes: BBC

Cientistas identificam o gene que provoca cancro no intestino

O gene identificado pode aumentar em 20% o risco de desenvolver cancro no intestino. O estudo, publicado na revista Nature Genetics, foi realizado por cientistas escoceses a 30 mil doentes oncológicos.

No estudo participaram pessoas com cancro no intestino e pessoas saudáveis. Os investigadores realizaram testes de ADN ao genoma de cada um, então verificaram que um apresentava sempre a mesma mutação, inexistente nas pessoas saudáveis.

Ainda numa fase inicial o responsável pela investigação, Ian Tomlinson, sublinha que «este é um primeiro passo importante, mas nós ainda temos um longo caminho a percorrer até termos um quadro completo de todos os genes envolvidos na transmissão do risco do cancro no intestino».

Actualmente estão identificados diversos genes que podem contribuir para o aparecimento do cancro no intestino, mas são raros na população, sendo causa de apenas 5% dos casos.

«No futuro estudos como este com vários tipos de cancro podem vir a ajudar as pessoas com risco elevado de desenvolvimento da doença, através de programas de análise do ADN e novos meios de tratamento», esclarece Harpal Kumar, director-executivo da Cancer Research do Reino Unido.

Sara Pelicano

Fontes: BBC

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Cancro: "Fórmula" matemática decifra padrão de crescimento

Cientistas analisaram estratégia do tumor para ajudar a desenvolver novas terapias

O grande enigma da proliferação das células cancerígenas é porque alguns tumores se desenvolvem, enquanto outros acabam por estabilizar. Matemáticos norte-americanos afirmam agora ter decifrado a fórmula que permite perceber esse padrão de desenvolvimento.

Cientistas da Universidade da Califórnia Irvine (UCI), nos Estados Unidos, lançaram-se ao desafio: compreender como os cancros prosperam. Deste modo, propuseram-se a compreender qual a estratégia utilizada pelo tumor através de modelos matemáticos.

Ao perceberem melhor o padrão desenvolvimento/crescimento, os investigadores norte-americanos acreditam chegar a técnicas de tratamento mais eficazes para o controlo das doenças cancerígenas.

De acordo com o «Journal of the Royal Society Interface», a equipa de matemáticos analisou – a estabilidade ou instabilidade – com base no método matemático «Teoria de Controlo Óptimo».

Segundo o artigo publicado pelos investigadores naquele jornal, o ponto de partida foi o do conceito da instabilidade genética, que leva a que mutações celulares ocorram com um grande índice de velocidade.

Asseverando que “a instabilidade genética no cancro é ‘um pau de dois bicos”», os especialistas clarificam que esta “pode aumentar o índice de progressão do cancro (ao aumentar a probabilidade de mutações cancerígenas) e diminuir o índice de crescimento do tumor (ao impor uma ferramenta de morte generalizada em células que se dividem).”

Na procura da fórmula, os cientistas admitiram uma série de características do tumor e depois alteraram a variável da mutação celular para compreenderem qual o melhor padrão de crescimento do tumor.

Num comunicado da UCI, uma cientista participante no estudo, Natalia Komarova, explicou que “os índices de mutação servem como um botão de controlo. Depois, podemos calcular matematicamente quanto tempo demora um tumor com determinados parâmetros a alcançar um determinado tamanho.”

Instabilidade no ínicio do tumor é "vantajosa"
Revelando a descoberta: “Em estágios iniciais do crescimento do tumor, a instabilidade é vantajosa, mais tarde, torna-se um impedimento”, Komarova argumenta que “isto explica porque muitos tumores exibem um grande nível de instabilidade ao início e tornam-se estáveis mais tarde no seu desenvolvimento.”

No artigo, a equipa de matemáticos defende que, para o tumor, “a estratégia mais bem sucedida é começar com um grande índice de mutações e depois mudar para a estabilidade, sustentando que “está de acordo com a evidência de crescimento biológico que a instabilidade genética, prevalente nos cancros iniciais, se transforma em estabilidade mais tarde no seu processo de progressão.”

Raquel Pacheco

Fonte: Journal of the Royal Society Interface UCI