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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Autismo: identificados dois genes relacionados com sintomas

Um estudo norte-americano constatou que os roedores portadores de mutações genéticas no PTEN e no gene transportador da serotonina apresentam cérebros de maiores dimensões. Uma situação que parece estar relacionada com os sintomas do autismo.

De acordo com o site Sott.net, investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, afirmam ter identificado dois genes que, em roedores, demonstraram estar relacionados com os sintomas do autismo.

No artigo publicado no jornal Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas reportam a descoberta de que os animais que eram portadores do PTEN e do gene de transporte da serotonina registavam sinais mais severos e tinham o cérebro maior do que os roedores que apenas apresentavam uma das mutações genéticas.

Segundo explica o coordenador do estudo, Damon T. Page, “os resultados providenciam evidências que indicam que a severidade dos sintomas do autismo pode ser o resultado de variações do ADN em diversos locais do genoma”.

Raquel Garcez

Fonte: http://www.sott.net/articles/show/175674-2-Genes-Implicated-in-Autism

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Ômega 3 previne Alzheimer

Estudo indica que alimentação rica em ácido gordo, vegetais, frutas e peixes diminuiu risco de doenças neurodegenerativas

Uma dieta rica em ômega 3 pode reduzir o risco de Alzheimer e outras doenças degenerativas. A conclusão saiu de um estudo publicado pela revista da Academia Americana de Neurologia - «Neurology».

Intitulado «Pascale Barberger-Gateau», o estudo centrou-se na análise dos hábitos alimentares de mais de 8 mil homens e mulheres com mais de 65 anos nas cidades francesas de Montpellier, Dijon e Bordeaux ao longo de 4 anos.

De acordo com os investigadores, no início do estudo, “nenhum dos entrevistados apresentava sinais de problemas neurológicos” mas no fim da pesquisa - revelaram - “183 participantes desenvolveram Alzheimer e 98 tinham outros tipos de demência.”

Perante estes resultados, os investigadores concluíram que: “as pessoas que consumiam regularmente óleos ricos em ômega 3 - como óleo de canola (sementes de flor amarela), óleo de linhaça (sementes de linho) e óleo de nozes - reduziam em 60% o risco de contrair a doença, comparativamente, com as que não ingeriam esses óleos.”

A equipa francesa constatou, ainda, que “os participantes que tinham uma dieta rica em frutas e vegetais reduziram também o risco de apresentar demência em 30% em relação àqueles com uma dieta menos saudável.”

Outro factor importante destacado pelos investigadores refere-se ao consumo de peixe: “O consumo, uma vez por semana, diminuiu o risco de demência em 40% e de Alzheimer em 35%”, frisaram, ressalvando que o facto foi observado apenas em participantes que não tinham uma predisposição genética às doenças.

Segundo destacou um dos autores do estudo, estes resultados assumem “uma importância considerável”, uma vez que, “a maioria das pessoas não têm o gene ApoE4 (que aumenta o risco de Alzheimer), argumentou, advogando a necessidade de aprofundar a investigação “para que se identifique a quantidade e a combinação ideais de nutrientes antes de implementar recomendações nutricionais."

Os dados ventilados pela Associação Portuguesa de Familiares e Amigos da Doença de Alzheimer (APFADA) indicam que, em Portugal, o cenário é preocupante: estima-se que, a doença afecte mais de 70 mil pessoas. Um número que, segundo a associação, agravar-se-á, sustentando que, "as pessoas vivem mais e, por isso, crescem as probabilidades de a patologia se desenvolver."

Esta doença degenerativa atinge, principalmente, idosos. Caracteriza-se pela morte das células cerebrais e consequente atrofia do cérebro, progressiva e irreversível.

Raquel Pacheco

Fontes: Medscape/ Fox News

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cientistas portugueses criam microship para diagnosticar precocemente a espondilite anquilosante

Um grupo de investigadores nacionais encontra-se a desenvolver um microship que irá permitir diagnosticar precocemente a espondilite anquilosante, uma doença que em Portugal afecta entre 30 a 50 mil pessoas e que em média demora cerca de oito anos a ser diagnosticada.

Trata-se de um “novo sistema de classificação com relevância para o diagnóstico, prognóstico e monitorização da actividade da doença através da criação de um microship”, fazem saber os investigadores em comunicado.

Os objectivos do estudo serão apresentados no próximo dia 10, durante o XIX Encontro Nacional de Espondilíticos e seus familiares, que vai ter lugar na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, a partir das 10:00. O evento é promovido pela Associação Nacional de Espondilite Anquilosante e vai contar com a presença do Presidente da Federação Internacional da Espondilite Anquilosante.

A iniciativa está a cargo do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, mas engloba todos os centros de Reumatologia a nível nacional e pretende, pela primeira vez, caracterizar uma população representativa de doentes portugueses com espondilite anquilosante no que diz respeito a dados clínicos, estado funcional e de qualidade de vida.

Por outro lado, “esta investigação irá permitir a caracterização das variantes genicas e será ainda possível estabelecer comparações entre formas familiares versus esporádicas da doença”explica o documento.

“A avaliação dos resultados do estudo poderá estabelecer a importância de diferentes alelos e genótipos na susceptibilidade para a doença e de correlações com variáveis diversas como a idade de início da doença, o tipo de envolvimento, manifestações sistémicas, actividade da doença, compromisso funcional e gravidade radiológica”, acreditam os investigadores.

A espondilite anquilosante é uma doença reumática inflamatória da coluna vertebral e das articulações sacroilíacas (situadas no final da coluna com os ossos da bacia), responsável por dores e rigidez da coluna, podendo levar à perda da mobilidade.

Inês de Matos

Fonte: Comunicado de imprensa

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Depressão: médicos desvalorizam sintomas de dor e ansiedade

Estudo europeu revela discrepância entre psiquiatra e paciente na avaliação inicial da gravidade geral da doença e da melhora durante tratamento farmacológico

Os médicos que tratam doentes com depressão consideram apenas os sintomas depressivos. Avaliação que difere da feita pelos doentes que, relevam também, a dor e ansiedade na análise da sua própria melhora. A conclusão saiu de estudo apresentado na conferência de Neuropsicofarmacologia realizada, esta semana, em Viena, na Áustria.

Apesar de ser uma das mais frequentes queixas nos consultórios psiquiátricos, no ambiente de tratamento é, geralmente, sub-diagnosticada ou não recebe o tratamento adequado. Agora, um estudo promovido pelos laboratórios Eli Lilly and Company e Boehringer Ingelheim GmbH sugere que os médicos possam estar a desvalorizar sintomas de depressão que são relevantes para os doentes, nomeadamente, a dor e a ansiedade.

Com a investigação pretendeu-se comparar como ambos (clínico e doente) avaliam a gravidade geral da doença no início e a melhora dos sintomas durante um tratamento de curto prazo de uma depressão grave, independentemente do grupo de terapia. De acordo com os dados divulgados, quer no estado inicial da doença, quer durante o tratamento farmacológico, os médicos não encaram a dor como um factor no prognóstico da gravidade da doença.

Segundo destacou Koen Demyttenaere, professor do Departamento de Psiquiatria do Hospital Universitário Gasthuisberg, Bélgica, e principal autor do estudo, "evidências anteriores sugerem que tratar os sintomas emocionais e físicos da depressão aumenta a possibilidade de remissão", reforçando que os resultados “enfatizam a necessidade de avaliar, também, um amplo espectro de sintomas, inclusive, a dor e ansiedade, no tratamento de pacientes com transtorno depressivo maior e dor associada."

As conclusões qualitativas basearam-se numa análise «post-hoc» de um estudo europeu multicêntrico - realizado na Bélgica, Finlândia, França, Alemanha e Eslováquia - em 327 doentes adultos que apresentavam transtorno depressivo maior e dor não específica (gravidade da doença no início definida segundo a Escala de Avaliação da Depressão de Montgomery & Asperg [MADRS].

Discrepância em 44,7% dos casos

O estudo revelou ainda que a comparação entre a melhora da doença do ponto de vista do doente e a melhora avaliada pelo médico foi feita através de estatísticas descritivas e um modelo de prognóstico. Em 44,7% dos casos, houve discrepância nas avaliações. Nos casos de clivagem, a melhora média foi geralmente considerada mais alta pelos médicos que pelos pacientes (36,3% versus 8,4%), independentemente do tratamento.

A depressão maior afecta cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a depressão seja uma das principais causas de invalidez nos países desenvolvidos até 2020. Tal como noticiou oportunamente o farmacia.com.pt, em Portugal, esta doença do foro psíquico atinge cerca de 25 por cento da população. Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), Adriano Vaz Serra, "é provável que a depressão venha a ultrapassar a gripe no século XXI.”

Raquel Pacheco
Fontes: PRNewswire/OMS/farmacia.com.pt

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Elefantíase: descodificação de código genético aproxima cura

Descoberta abre caminho ao desenvolvimento de novos medicamentos

Foi descodificado o código genético de um dos parasitas que provoca a elefantíase, doença que, segundo a Organização Mundial de Saúde, já incapacitou e desfigurou mais de 40 milhões de pessoas no mundo. A descoberta foi feita por cientistas norte-americanos e poderá abrir caminho ao desenvolvimento de novos medicamentos.

Segundo o artigo publicado na revista «Science», a equipa de biólogos liderada por Elodie Ghedin do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), nos Estados Unidos, conseguiu sequenciar a maioria do genoma do «Malayi Brugia», (verme em forma de fio) que infecta milhões de pessoas, principalmente, nos países tropicais e em vias de desenvolvimento, com a elefantíase ou filária, mas também a oncocerose, que pode levar à cegueira.

“Ter uma completa impressão digital genética dá-nos uma melhor compreensão de que genes são importantes para os diferentes processos da doença, de forma que possamos atingi-los mais especificamente”, sublinhou Elodie Ghedin.

Anthony S. Fauci, director da NIAID, esclareceu que “as doenças causadas pelos vermes filários são tratáveis, mas os tratamentos correntes foram descobertos há décadas", reforçando a “necessidade urgente de novas descobertas devido às limitações dos actuais fármacos, que incluem toxicidade elevada, além de desenvolvimento de resistência.”

O «Malayi Brugia» tem um ciclo de vida complexo que envolve outros dois anfitriões cujos genomas são já conhecidos - que podem viver dentro do corpo humano durante anos. A longevidade do alojamento do parasita e uma enorme capacidade de reprodução (estima-se que cada fêmea tenha capacidade para gerar mil larvas por dia), tem inquietado e intrigado os investigadores.

A elefantíase (ou filária) é causada pelos parasitas nematóides Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori (que são propagados por mosquitos). Trata-se de uma infecção na qual os parasitas bloqueiam o sistema linfáctico, provocando inchaço dos tecidos, deformação dos membros e espessamento da pele. As doenças provocadas por este género de parasitas foram das primeiras reconhecidas pela Ciência como sendo provocadas por picadas de mosquito. Descoberta que remonta a 1866.

Raquel Pacheco
Fontes: Lusa/«Science»

sábado, 29 de setembro de 2007

Diâmetro da cintura pode denunciar risco cardíaco

Estudo relaciona dimensões da barriga com cálcio nas artérias do coração

Um estudo divulgado pelo «Journal of the American College of Cardiology» sugere que o tamanho da cintura, nomeadamente, os quilos a mais na barriga, podem ser um “bom medidor” do risco crescente de um problema cardiovascular.

Para os cientistas do Centro Médico da University of Texas Southwestern (Estados Unidos), os quilos a mais na barriga “reflectem um risco maior de acumulação de placas nas artérias e no coração, mesmo quando o peso de uma pessoa é normal”, frisaram.

Reforçando que, “a resposta está sempre nas dimensões da barriga e isso é o que deveria preocupar as pessoas”, os investigadores acreditam que este indicador é “melhor do que a balança da casa-de-banho.”

O estudo analisou um grupo de 2.744 pessoas, que foram submetidas a testes para detectar a presença de placas nas artérias, sinais básicos de um maior risco de problemas cardiovasculares. O resultado revelou-se uma descoberta: que quanto maior era o diâmetro da cintura, a possibilidade de encontrar cálcio nas artérias do coração aumentava.

De acordo com a equipa norte-americana “o depósito de placas nas veias indica o começo de uma arteriosclerose ou o endurecimento das artérias”, esclarecendo que, “a presença pode ser detectada anos antes de a pessoa apresentar dores toráxicas ou ter um ataque de coração.”

Segundo explicaram, os participantes foram divididos em cinco grupos de acordo com o tamanho da cintura, tendo concluído que “os que possuíam uma barriga maior tinham o dobro da probabilidade de ter depósitos de cálcio nas artérias coronárias.”

Na opinião dos cientistas, a relação entre a placa arterial e o diâmetro da cintura pode relacionar-se com outros factores de risco, nomeadamente, a pressão sanguínea, a diabetes, a idade, o consumo de tabaco e os níveis de colesterol no sangue.

Para James Lemos, professor de medicina e director da Unidade de Cuidados Coronários da universidade, “quando se tratam de doenças cardiovasculares, não há melhor remédio que combatê-las com a redução da massa corporal noutros sectores, incluindo a celulite”, sublinhando que “embora seja uma pequena barriga, esta pode representar um risco maior em comparação com uma zona estomacal totalmente lisa."

As doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 40% dos óbitos em Portugal.

Raquel Pacheco
Fontes: Agência EFE/«Journal of the American College of Cardiology»

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Ginjas podem prevenir doenças cardíacas e diabetes

Estudo em ratos demonstrou redução dos níveis de colesterol e açúcar no sangue e gordura no fígado

Um estudo conduzido por cientistas norte-americanos, indicou que o consumo de ginjas poderá reduzir os níveis de colesterol e açúcar no sangue e o armazenamento de gordura no fígado, prevenindo, deste modo, o desenvolvimento de doenças do foro cardíaco e a diabetes.

Segundo um comunicado divulgado pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, os investigadores analisaram ratos que tinham uma pré-disposição para colesterol alto e diabetes, mas não obesidade. “Foram observados 48 ratos fêmeas com tendência para pressão sanguínea alta, associada ao consumo de sal, altos níveis de colesterol e problemas de tolerância à glucose”, explicaram.

A mesma nota revela que foi constatado que “ratos fêmeas que consumiram ginjas apresentaram uma diminuição de stress por oxidação, para além de aumentarem a produção de uma molécula que ajuda o organismo a administrar as gorduras e o açúcar, comparativamente com os ratos fêmeas cuja dieta não contemplava ginjas, mas em tudo o resto idêntica.”

De acordo com os cientistas Steven Bolling e Mitchell Seymour (líder a investigação), "esta conclusão junta-se a outros resultados que sugerem uma correlação entre o consumo de anticianina (um antioxidante presente nas ginjas) e a redução dos riscos cardiovasculares e metabólicos."

Ressalvando desconhecer se as dietas ricas em ginjas terão um efeito semelhante em humanos, os investigadores de Michigan anunciaram que planeiam, agora, provar clinicamente essa informação.

Raquel Pacheco
Fonte: Primeira Página/site Universidade de Michigan

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Complicações da diabetes ligadas à falta de vitamina B1

Uma simples deficiência vitamínica pode ser a causa de muitos dos efeitos secundários da diabetes, segundo as conclusões de um estudo.

Investigadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, descobriram que as pessoas com diabetes expelem 15 vezes mais tiamina, vitamina B1, do organismo do que o normal, segundo os resultados de um estudo que envolveu 94 pessoas.

A equipa de investigadores afirmou que a tiamina ajuda a proteger contra complicações, tais como problemas cardíacos e oftalmológicos, segundo publicado no “Diabetologia journal”. Os peritos sugerem que suplementos alimentares enriquecidos com vitamina B1 podem potencialmente ajudar as pessoas com diabetes.

É a primeira vez que uma deficiência da vitamina, que se encontra na carne, nas leveduras e nos cereais, é identificada em pessoas com diabetes. Este facto não foi encontrado antes, devido aos métodos como são medidos os níveis de tiamina. Tradicionalmente, a actividade da enzima transcetolase nos glóbulos vermelhos tem sido utilizada para indicar os níveis de tiamina. Contudo, os investigadores descobriram que um aumento da actividade desta enzima, que é normalmente um sinal de elevados níveis de tiamina, também está associada a uma resposta do organismo a uma deficiência. Assim, a equipa mediu os níveis de tiamina no plasma sanguíneo e descobriu que as concentrações de tiamina eram 76 por cento mais baixas em pessoas com diabetes tipo 1 e 75 por cento mais baixas em pessoas com diabetes tipo 2.

A tiamina é a chave na protecção contra problemas vasculares, tais como danos nos rins, na retina e nos nervos, assim como problemas cardíacos e acidente vascular cerebral, uma vez que actua ao ajudar a proteger as células contra os efeitos dos níveis elevados de glicose.

Actualmente, estão a ser conduzidos ensaios para averiguar se uma dieta com suplementos com tiamina poderá repor os níveis a um estado normal. O principal investigador, o Professor Paul Thornalley, disse que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, mas estas descobertas podem significar uma enorme diferença, acrescentando ainda que dietas com suplementos podem ser uma forma efectiva de minimizar os riscos das complicações derivadas da diabetes.

Matt Hunt, da Diabetes UK, que ajudou a financiar este estudo, disse que ainda é necessária mais investigação, acrescentando que o estudo poderá ter consequências muito entusiasmantes.

Cerca de 80 por cento das pessoas com diabetes morrem de doenças cardiovasculares, e a diabetes é a principal causa de cegueira na população activa no Reino Unido. Por isso, qualquer investigação que possa ajudar deve ser encarada com seriedade, concluiu Hunt.

Mais de dois milhões de pessoas sofrem de diabetes no Reino Unido. Em Portugal, cerca de meio milhão de pessoas sofre de diabetes e corre o risco de vir a desenvolver doenças cardiovasculares.

Isabel Marques

Fontes: Saúde Sapo, BBC

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Identificado gene da comichão

Descoberta abre caminho a novos medicamentos

Cientistas norte-americanos afirmam ter descoberto um gene associado à comichão. O resultado – publicado na última edição da revista «Nature» - pode representar uma esperança no tratamento, abrindo caminho a medicamentos mais eficazes.

A comunidade científica sempre acreditou que a comichão seria uma versão amena de dor, mas o gene agora descodificado provou que as duas sensações estão associadas a mecanismos genéticos separados.

Segundo explicaram os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, “o gene fornece instruções para a criação de um receptor de proteína nas células da medula que reage a sinais de comichão enviados pelo cérebro”, acrescentando que, o gene, chamado GRPR (sigla em inglês de "receptor de peptídeo que liberta gastrina"), foi encontrado em células da medula de ratinhos.

De acordo com a «Nature», “os autores do estudo retiraram o gene GRPR de ratos e descobriram que a reacção deles a estímulos dolorosos não tinha mudado.” Contudo, quando injectaram nos animais um composto que simulava a acção do GRPR, “as cobaias começavam a se coçar freneticamente e foi quando pensámos que o gene pudesse ter relação com a sensação de coceira", esclareceu Zhou-Feng Chen, líder da investigação.

Numa fase posterior, os cientistas informam que realizaram novos testes com ratos sem o GRPR, criados em laboratório: “Quando expostos a agentes que provocavam comichão (coceira), eles coçavam muito menos que cobaias normais, com o gene GRPR actuando normalmente.”

Para Zhou-Feng Chen, a identificação do gene e do seu efeito “pode indicar que fármacos podem ser usados para suprimir a sensação de prurido” sem afectar a sensação de dor, concretizando que "e como a dor pode ser um importante sinal de protecção, que adverte para (sinais de) perigo (no organismo), pode ser vantajoso ter medicamentos ‘anticoceira’ que não comprometam a capacidade de sentir dor."

Tratamentos

Actualmente, os tratamentos disponíveis para o problema são escassos. Os casos de comichão crónica podem estar associados a problemas de pele, como o eczema, ou a doenças mais sérias, como problemas nos rins ou no fígado. Este “prurido” também pode ser um efeito colateral de certas terapias para o cancro ou do uso de analgésicos fortes, como a morfina. Nos casos mais severos, a coceira pode provocar dificuldade de dormir e cicatrizes na pele.

Raquel Pacheco
Fonte: BBCNews/Reuters

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Uso de remédio sem orientação médica poderá elevar o colestrol

O risco de elevação do colesterol devido ao uso de medicamentos sem acompanhamento adequado é um erro de negligência que podemos pagar caro.
Dr.Edson,especialista brasileiro avisa que "Os remédios que mais se relacionam ao aumento da taxa são aparentemente inocentes. São os diuréticos, os anticoncepcionais e os corticosteróides - drogas anti inflamatórias".
Segundo ele, pessoas que sofrem de dislipidemia - alteração na concentração de lipídios, como colesterol e triglicerídios - devem ter cuidado redobrado ao utilizar essas e outras drogas. "Esses pacientes demandam acompanhamento médico periódico", afirma Dr. Edson.
Além do uso das medicações citadas, o aumento das taxas de colesterol está usualmente ligado ao estilo de vida, especialmente nas cidades.
Indivíduos sedentários, obesos,fumadores e aqueles que não adoptam uma alimentação balanceada estão na linha de risco. "Cabe destacar que há também doenças que ocasionam a elevação, como diabetes, alcoolismo, problemas renais e da tiróide", explica o cardiologista.
Porém o nutricionista Rodrigo Valim esclarece que, o colesterol é por um lado,uma gordura muito importante para o funcionamento do organismo. "Há dois tipos: o HDL, que protege o organismo. Já o LDL, chamado de colesterol ruim, é responsável pela formação de placas que, com o tempo, obstruem as artérias".
A Associação Médica Americana insiste em que os níveis de colesterol normais se situem abaixo de 200 mg% e que a HDL colesterol seja acima de 3s%.
As recomendações para quem deseja manter o nível adequado de colesterol são as mesmas para quem quer viver bem e muito: não ingerir alimentos de origem animal em excesso, realizar actividade física com regularidade, manter-se dentro da faixa de peso ideal e não fumar. Em alguns casos, a taxa permanece alta. Para esses, é necessário o uso de medicação específica", esclarece Dr. Edson. Como o colesterol elevado não produz sinais ou sintomas, a visita anual ao médico é o único caminho para a detecção precoce. "Um simples exame de sangue indica a situação do paciente e possibilita a minimização dos riscos", conclui o cardiologista.
O colesterol é a principal causa de doenças cardiovasculares, que por sua vez lideram o ranking de mortalidade no mundo. Como exemplos, destacam- se o enfarto e o acidente vascular cerebral.

Sandra Cunha
Fontes: Canal Rio Claro,Grande Enciclopédia Médica:Saúde da família

terça-feira, 10 de julho de 2007

Variante humana da BSE poderá ser detectada melhor

Investigadores testaram nova técnica que imita e acelera o processo de replicação dos priões

Investigadores escoceses desenvolveram uma técnica que poderá permitir detectar melhor a doença de Creutzfeldt-Jakob, a variante humana da Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE).


De acordo com o trabalho dos cientistas da University of Edinburgh publicado no «Journal of Pathology», foi desenvolvida uma técnica que imita e acelera o processo de replicação dos priões (proteínas anormais que causam a doença) para que se tornem mais facilmente detectáveis nas amostras de tecido.

Actualmente, os médicos determinam a presença dos chamados priões,
eliminando as células do cérebro, cujo tecido adquire, então, a aparência de uma esponja. A nova técnica foi testada em animais, porém, os investigadores acreditam ser possível utilizá-la em trabalhos com a variante humana. Para isso, será necessária a realização de mais estudos para averiguar se a técnica pode ser aplicada também em outros tecidos.

À BBC, James Ironside, da equipa de observação da doença de Creutzfeldt-Jakob, referiu que, “actualmente, a realização do teste exige muito tempo para que possa ser possível chegar a um diagnóstico rápido num centro de recolha de sangue. No entanto, poderia ser utilizado num centro nacional, para confirmar os resultados de testes anteriores e evitar falsos diagnósticos.”

Na opinião dos investigadores escoceses, este método será útil para aumentar o número de priões desta variante da doença de Creutzfeldt-Jakob nas amostras de tecido cerebral humano infectado. “A amostra é incubada e exposta a repetidas aplicações de ultra-som, que fragmenta os priões”, clarificaram.

Recorde-se que, a doença das vacas loucas surgiu no início dos anos 90, no Reino Unido. Foram registadas 161 mortes, entre as quais, três pessoas foram contagiadas por transfusões de sangue.

Raquel Pacheco

Fonte: «Journal of Pathology»/BBC

sábado, 7 de julho de 2007

Adiamento na aprovação do Provenge causa controvérsia nos EUA

O atraso na aprovação do Provenge, por parte da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration), está a causar reboliço nos Estados Unidos da América. A decisão enfureceu muitos dos pacientes que sofrem de cancro da próstata em fase avançada, desencadeando um debate aceso a nível nacional.

O tratamento inovador destina-se a prolongar a vida dos doentes com cancro da próstata em fase avançada através da estimulação do sistema imunitário. De acordo com o matutino The Washington Post, o facto da entidade reguladora do sector ter adiado a autorização de comercialização do Provenge para realizar mais estudos acerca da sua eficácia causou desconforto tanto nos pacientes como nos investidores.

O Provenge recebeu aprovação do conselho científico da autoridade reguladora dos medicamentos em Março, parecer que a FDA não era obrigada a aceitar. Foi o que aconteceu. No dia 15 de Maio, altura em que deveria pronunciar-se sobre essas recomendações, a FDA exigiu mais testes que comprovassem a eficiência da vacina, depois de alguns especialistas a terem questionado.

Howard I. Scher, do “Memorial Sloan-Kettering Cancer Center” e Maha Hussain, da Universidade do Michigan, foram dois dos oncologistas que defenderam a apresentação de mais provas a favor da eficácia da vacina. Os especialistas afirmaram que o estudo apresentado pela Dendreon, a empresa norte-americana de biotecnologia responsável pelo desenvolvimento do produto, era demasiado reduzido o que poderia significar que os resultados podem ter sido fruto de um acaso.

No dia 4 de Junho, vários grupos de pacientes e advogados reuniram-se numa manifestação junto ao Capitólio exigindo uma reunião com o comissário da FDA, Andrew C. von Eschenbach, acto que lhes valeu um encontro, com o próprio, logo nesse dia. Os manifestantes exerceram pressão para que fosse alterada uma legislação sobre a FDA que estava a ser analisada pelo Congresso, de forma a facilitar o acesso a medicamentos experimentais. No entanto, a FDA insistiu que são necessários mais dados científicos.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, Xinhua.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Perda de sensibilidade no olfacto pode prever Alzheimer

A dificuldade em identificar odores como o do limão, da banana ou da canela pode ser um primeiro indicador do desenvolvimento da doença de Alzheimer, revelou um relatório publicado pelo “Archives of General Psychiatry”. Os investigadores acreditam que os adultos de meia-idade que revelam problemas em reconhecer odores comuns podem correr mais riscos de vir a desenvolver problemas de memória, aprendizagem e cognição.

Segundo Robert Wilson, professor de neuropsicologia no “Rush Alzheimer's Disease Center”, em Chicago, a incapacidade de identificar determinados aromas já foi anteriormente relacionada com o défice cognitivo. No entanto, “ninguém elaborou [um estudo] com pessoas que não sofressem qualquer défice cognitivo”, afirmou.

A análise envolveu a participação de 589 idosos, com uma média de idades que rondou os 80 anos. Os participantes foram submetidos a um teste no qual 12 odores comuns lhes eram colocados junto do nariz. Posteriormente foi avaliada com uma escala de 1 a 12 valores a sua capacidade para fazer corresponder os odores a uma de quatro alternativas propostas. Durante cinco anos foram avaliados uma vez por ano através de testes neurológicos e de função cognitiva.

As conclusões da investigação permitiram aos cientistas observar que 30,1 por cento dos participantes desenvolveram uma debilidade cognitiva ligeira, que aumentava à medida que a identificação dos odores era mais imprecisa. Nesse sentido, aqueles que registaram uma média de valores mais diminutos no teste de reconhecimento de aromas tinham 50 por cento mais probabilidades de desenvolver a incapacidade relativamente aos que tiveram resultados acima da média.

De acordo com a Associação Médica Americana, esta relação não se alterou quando foram tidos em conta factores de saúde que pudessem ter influência sobre o olfacto. A inaptidão para identificar odores foi também associada a uma diminuição da avaliação cognitiva e a um declínio mais célere dos episódios de memória relativos a experiencias passadas, da memória semântica relacionada com as palavras e os símbolos e da agilidade de percepção.

As conclusões sugerem que mesmo antes de se desenvolverem os sintomas da doença de Alzheimer, há sinais de desorientação que se expandem em certas zonas cerebrais que podem estar relacionadas com a incapacidade de processar os cheiros. Pelo facto da dificuldade em identificar odores ser muitas vezes associada a outras patologias neurológicas, como é o caso da doença de Parkinson, existem outros mecanismos provavelmente envolvidos, salientam os investigadores. “As descobertas sugerem que a disfunção no olfacto pode ser uma manifestação precoce da doença de Alzheimer e que a avaliação do sentido do olfacto poderá ser útil para uma identificação precoce da doença”, consideram os especialistas.

Marta Bilro

Fonte: The Washington Post, Wapt.com.

Cientistas testam medicamento que pode suprimir memórias traumáticas

Uma equipa de cientistas da Universidade de Harvard e McGill, em Montreal, no Canadá, acredita ter descoberto uma forma de reduzir o impacto das memórias negativas no cérebro das pessoas. Os investigadores estão a trabalhar num medicamento que bloqueia ou apaga essas recordações dolorosas através de uma técnica que permite aos psiquiatras interromper os caminhos bioquímicos que possibilitam que a memória seja lembrada.

Os especialistas utilizaram um fármaco denominado propanolol que atinge as memórias indesejadas deixando intactas as restantes recordações. A substância foi injectada ao mesmo tempo que era pedido a um dos voluntários que recordassem uma memória traumática.

O estudo, publicado no “Journal of Psychiatric Research”, indica que a utilização do fármaco parece impedir o armazenamento das memórias indesejadas. Os investigadores acreditam que a descoberta poderá conduzir a novos tratamentos para doentes com perturbações psiquiátricas, como é o caso do stress pós-traumático. No entanto, alguns especialistas alertam para o facto da investigação ainda se encontrar em fase inicial, e mostraram-se preocupados com a hipótese da utilização do medicamento potenciar o excesso de utilização.

Para realizar a investigação foram analisadas 19 vítimas de violação ou acidente durante 10 dias, algumas tratadas com o medicamento e outras com um placebo. Os cientistas pediram aos participantes que descrevessem as suas recordações do evento traumático que tinha ocorrido 10 dias antes. Uma semana mais tarde, os cientistas observaram que as pessoas que receberam a injecção de propanolol demonstraram menos sintomas de stress quando se recordavam do trauma.

Uma investigação semelhante foi levada a cabo na Universidade de Nova Iorque, mas desta vez aplicada em ratos. Utilizado um fármaco para a amnésia, denominado U0126, os especialistas norte-americanos conseguiram remover uma memória específica do cérebro dos roedores deixando as restantes recordações intactas.

Depois de terem sido administrados com a substância, os ratos foram treinados para associarem dois tons musicais através de um leve choque eléctrico para que quando ouvissem qualquer um dos sons se preparassem para receber um choque. Os investigadores deram o medicamento a metade dos ratos enquanto tocavam um dos tons musicais. Depois de ingerirem o U0126, os animais que tinham tomado o medicamento já não associavam um som particular ao choque mas ainda relacionavam o choque ao segundo tom, demonstrando que apenas uma das memórias tinha sido apagada.

Os especialistas acreditam que as memórias são inicialmente armazenadas no cérebro, em estado fluído e maleável, antes de se tornar parte do circuito. Posteriormente, quando são recordadas, voltam a tornar-se fluidas e aptas a serem alteradas. Os cientistas estão convencidos que o propandolol interrompe os caminhos bioquímicos que permitem que a memória se “solidifique” depois de ser recordada.

Marta Bilro

Fonte: BBC News, Xinhua, Daily India.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Exercício físico rejuvenesce o cérebro

O exercício físico pode ser um trunfo para estimular a produção de novas células cerebrais determinantes na conservação da memória e aprendizagem, revela um estudo realizado por cientistas suecos.

A investigação, orientada por Asrtid Bjornebekk, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, demonstrou que, tanto o exercício físico, como os anti-depressivos aumentam a formação de novas células no cérebro, sendo que a prática de desporto é um bom complemento dos medicamentos.

Depois de uma série de análises científicas elaboradas em ratos, os especialistas observaram que o exercício físico e os anti-depressivos aumentam a produção de novas células. Nesse sentido, os responsáveis sugerem agora a criação de um modelo que permita explicar como é que a prática desportiva produz efeitos significativos em depressões leves e moderadas. “O que é curioso é que os efeitos da terapia anti-depressiva podem ser amplamente fortalecidos pelos factores ambientais externos”, afirmou Bjornebekk.

A conclusão deste estudo vai ao encontro de investigações anteriores que mostraram que as pessoas que abusam da utilização de fármacos apresentam uma diminuição nos níveis do receptor de dopamina D2, o qual pode estar ligado aos sintomas depressivos que são comuns nesses “fármaco-dependentes”. Os estudos revelaram também que as condições genéticas podem influenciar a forma como os factores ambientais externos regulam os níveis do receptor de dopamina D2 no cérebro.

Segundo afirmou a especialista, pessoas diferentes podem apresentar sensibilidades diferenciadas à forma como o stress diminui os níveis do receptor de dopamina. Esta pode ser um ajuda importante para perceber porque é que certos indivíduos estão mais predispostos a desenvolver depressões do que outros, salientou Bjornebekk.

Marta Bilro

Fonte: News Medical, Earth Times, United Press International.

domingo, 1 de julho de 2007

ENSP anuncia parceria para desenvolver novos projectos de investigação

A Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) anunciou que vai estabelecer uma parceria com um laboratório farmacêutico, com vista à promoção de novas linhas de investigação e ao desenvolvimento de vários projectos de investigação de carácter epidemiológico (doenças contagiosas).

A parceria que deverá ser estabelecida segunda-feira, "insere-se num projecto mais amplo de laboratório de técnicas de análise de gestão”, sendo que o primeiro projecto ao abrigo deste acordo passará pela "criação de um sistema integrado de suporte à investigação nas áreas das ciências sociais e de saúde pública", informou Constantino Sakellarides, director da Escola Nacional de Saúde Pública.

De acordo com o professor Sakellarides, a parceria trará "ganhos em termos de interactividade e de tempo", uma vez que a Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa, será reforçada com uma maior capacidade técnica, aumentando assim a sua autonomia tecnológica de apoio às actividades científicas e pedagógicas da instituição.

O projecto prevê a implementação de "técnicas interactivas de análises de aprendizagem, isto é, os alunos passam a trabalhar em rede, colocam as perguntas que quiserem e as respostas obtidas estarão disponíveis on-line para que todos possam usufruir", explicou o professor.

"Se tivermos a informação de um acidente ou a abertura de um novo serviço de saúde passa a ser possível recolher perguntas, fazer um resumo das mesmas e dar respostas em conjunto", concluiu.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Asma: tratamento inovador sob investigação

Termoplastia brônquica: aquecer vias respiratórias indiciou melhoras

Chama-se termoplastia brônquica e pode ser uma grande ajuda para os asmáticos. É um tratamento endoscópico inovador - através do aquecimento das vias respiratórias - cujo procedimento (ambulatório) demora 30 minutos. Um estudo efectuado deu provas de melhoras.

“A termoplastia brônquica usa um ‘bronquioscópio’ para fornecer energia térmica às paredes das vias respiratórias, a fim de reduzir a dilatação do músculo liso destas vias, uma vez que, este tecido é que contribui para a contracção das vias e para a dificuldade respiratória dos pacientes com asma”, explicou Sperb Rubin, do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre (Brasil).

O especialista brasileiro examinou a eficácia e a segurança da termoplastia brônquica no tratamento de asmáticos, a maioria dos quais com asma severa. A investigação incluiu 112 doentes de quatro países, entre 18 e 65 anos. Sperb Rubin acompanhou ainda estes pacientes, durante um ano, após o tratamento.

No artigo de sua autoria intitulado «Asthma Control during the Year after Bronchial Thermoplasty» (Controle da asma durante o ano após a termoplastia brônquica) - publicado no «New England Journal of Medicine» (NEJM) -, o especialista descreve o processo: “É introduzido na boca ou no nariz um bronquioscópio (um tubo flexível) e é guiado até aos pulmões, depois, a energia de radiofrequência é enviada através de um cateter que aquece a via de passagem, reduzindo, assim, a quantidade de músculo na passagem do ar sem provocar lesões de longo prazo ou cicatrizes”, concretizando “com menos músculo há menos hipóteses de contracção das vias respiratórias ou de espasmos, ou seja, alívio.”

Redução de crises nos doentes tratados


De acordo com o relatório divulgado no NEJM, os doentes tratados com termoplastia brônquica demonstraram melhoras, comparativamente, com o grupo de controlo que não recebeu o tratamento. “Os dados recolhidos, durante um ano, demonstraram que os asmáticos tratados tiveram, aproximadamente, 10 crises de asma a menos por ano, estiveram livres dos sintomas em menos 86 dias (por ano), e exigiram uma quantidade de medicamento de alívio significativamente menor. Relataram ainda uma melhoria significativa na qualidade de vida e no controle da doença”, lê-se no artigo.

A termoplastia brônquica é um procedimento que usa o sistema Alair® - um dispositivo sob investigação e com marca comercial registrada da Asthmatx, Inc.

Portugal

A asma é uma doença crónica e representa um grave problema de saúde pública. Afecta mais de 150 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, estima-se que mais de 600 mil pessoas sofram de asma.

No nosso País, os medicamentos têm de ser receitados pelo médico, havendo vários tipos: inaladores ou bombas e comprimidos ou xaropes. Só os médicos podem determinar que comprimidos, xaropes, inaladores ou aerossóis são adequados a cada caso, em que doses devem ser tomados e aplicados e qual a duração do tratamento.

Existem também vacinas, aplicáveis quando é determinado o agente que provoca a alergia, o que as torna uma possibilidade de tratamento eficaz. Os doentes com asma de alto risco têm acesso facilitado às Consultas Diferenciadas de Asma, com atendimento nas primeiras 24 horas após a sua identificação.

Raquel Pacheco

Fonte: New England Journal of Medicine/Jornal de Pneumologia/PortaldaSaúde