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segunda-feira, 2 de março de 2009

Sprays nasais podem despoletar enxaquecas

As pessoas que sofrem de febre dos fenos, ou rinite alérgica, podem ficar com enxaquecas após utilizarem um spray nasal esteróide para o alívio do nariz entupido.

A Dr. Jitka Pokladnikova, da Universidade Charles, em Praga, e colegas reviram a base de dados global da Organização Mundial de Saúde (OMS), e outras fontes, e descobriram um grupo inesperado de 38 casos de enxaquecas suspeitas de estarem relacionadas com a utilização de corticosteróides intranasais.

Os corticosteróides intranasais sob suspeita incluem seis fármacos diferentes: fluticasona, beclometasona, budesonida, mometasona, flunisolida e triancinolona. Os investigadores relataram, na “Cephalalgia”, que em 24 casos o corticosteróide intranasal foi o único fármaco utilizado.

A reexposição ao corticosteróide intranasal levou a uma reincidência da enxaqueca em oito pacientes. Nenhum dos fármacos excedeu a dose máxima diária recomendada em qualquer caso relatado.

Nos 16 relatórios onde o tempo até ao despoletar foi registado, a enxaqueca desenvolveu-se no início do tratamento com corticosteróide intranasal em 12 casos, à volta dos quatro primeiros dias.

Uma associação entre a rinite alérgica e a enxaqueca já tinha sido estabelecida, mas as novas descobertas sugerem que, adicionalmente, os corticosteróides intranasais podem provocar ou pior a enxaqueca ou as dores de cabeça.

Isabel Marques

Fontes:
www.reutershealth.com/archive/2009/03/02/eline/links/20090302elin025.html

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Medicamentos homeopáticos podem ser uma resposta eficaz contra a tosse

A tosse trata-se de um reflexo do organismo provocado pela acumulação de expectoração ou pela irritação das vias respiratórias, que pode aparecer por diversos motivos: exposição ao frio, humidade, correntes de ar, ar acondicionado, pó, pólenes, contaminação, entre outros.

A tosse pode ser mucosa ou produtiva, sendo que, neste caso, é necessário ajudar o organismo a expulsar a expectoração com medicamentos de acção mucolítica e expectorante, ou pode ser seca ou irritativa, sendo preciso acalmar e limitar a irritação. Muitas vezes, a tosse tende a ser seca no princípio, tornando-se produtiva passados dois a três dias.

O Dr. Guillermo Basauri, médico homeopata, explica que, para acabar com esta reacção incómoda do organismo, os medicamentos homeopáticos actuam sobre a tosse de duas formas: aliviando a irritação das mucosas, que produz o reflexo da tosse, e estimulando a eliminação da mucosidade das vias respiratórias.

O Dr. Basauri afirma que os medicamentos homeopáticos não apresentam efeitos secundários, como trastornos digestivos ou sonolência, e têm uma boa tolerância, inclusive em bebés e grávidas, sendo recomendados tanto para as crianças como para os adultos.

Além disso, são eficazes no alívio da dor irritativa da garganta que a tosse produz, assim como da sensação de picadas e dor muscular que, frequentemente, aparecem como sequela.

De acordo com o Dr. Basauri, devido à sua rapidez, eficácia e porque actuam ao estimular o próprio organismo do paciente, os medicamentos homeopáticos são um grande aliado para toda a família, que, além disso, desenvolve uma maior resistência perante os seguintes processos catarrais.

Estes medicamentos apresentam-se em dois formatos: o tradicional xarope e os tubos de grânulos. Os grânulos, que são a forma farmacêutica específica dos medicamentos homeopáticos, são pequenas esferas de sacarose e lactose que, graças à sua facilidade de levar para qualquer lado, facilitam o seguimento do tratamento.

Na actualidade, os antitússicos homeopáticos são, em alguns países europeus, uma das opções mais frequentes dos pacientes para o alívio da tosse. De facto, em França, o terceiro medicamento não sujeito a receita médica para a tosse é um medicamento homeopático.

Isabel Marques

Fontes:
http://espana.pmfarma.com/noticias/noti.asp?ref=9671

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Spray nasal de água do mar ajuda a curar constipações em crianças

Uma solução salina nasal feita a partir de água do mar processada pode melhorar mais depressa os sintomas nasais e diminuir a tosse e sintomas da constipação em crianças, segundo investigadores checos.

Os investigadores do Hospital Universitário de Brno, na República Checa, distribuíram aleatoriamente 401 crianças, com idades compreendidas entre os seis e os dez anos, com constipação ou gripe por dois grupos de tratamento. Um grupo recebeu medicação habitual, tais como descongestionantes nasais, e o outro para além disso também recebeu uma lavagem nasal com uma solução de água do mar processada.

Os pacientes foram observados num total de 12 semanas, desde Janeiro a Abril de 2006, durante os quais foram avaliados o seu estado de saúde, os sintomas e a utilização de medicação, em quatro visitas no decorrer do ensaio.
As crianças do grupo da solução salina receberam a fórmula seis vezes por dia durante a primeira fase e três vezes por dia durante a fase de prevenção, em uma das três doses.

O estudo, publicado na edição de Janeiro da “Archives of Otolaryngology”, descobriu que na altura da segunda visita os narizes dos pacientes que estavam a utilizar a solução salina estavam menos congestionados e com menos corrimento. Durante a fase de prevenção, oito semanas após o estudo ter iniciado, os do grupo da solução salina apresentava gargantas inflamadas, tosses, obstruções nasal e secreções significativamente menos graves do que aqueles com tratamento standard.

Poucas crianças no grupo da solução tiveram de utilizar fármacos antipiréticos, descongestionantes nasais e medicamentos para dissolver o muco ou antibióticos, segundo revelaram os investigadores. Adicionalmente, as crianças que utilizaram o spray ficaram menos vezes doentes e faltaram menos dias à escola.

Os autores, o Dr. Ivo Slapak e colegas, afirmaram que esta solução preserva as concentrações de iões e elementos vestigiais a níveis comparáveis aos da água do mar. Pode ser que a água do mar tenha um simples efeito mecânico de limpar o muco, ou pode ser que elementos vestigiais na água tenham um papel mais significante, apesar de não ser conhecida a razão exacta pela qual a solução funciona.

Isabel Marques

Fontes: www.upi.com, Reuters

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Descoberta proteína que pode ser chave para controlar alergias

Investigadores da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, descobriram que a activação de uma proteína, a Siglec-8, que está presente em algumas células imunes, poderá ser a chave para acabar com as reacções alérgicas que levam à asma.

A proteína Siglec-8, que se encontra na superfície de algumas células imunes, denominadas eosinófilos, basófilos e mastócitos, tem um papel importante nas reacções alérgicas, podendo parar o mecanismo normal destas células de libertar substâncias que causam reacções alérgicas.

Estas células têm funções distintas, mas complementares. Enquanto os eosinófilos combatem agentes externos, como os parasitas, os basófilos e os mastócitos armazenam e libertam substâncias como a histamina, prostaglandinas e citoquinas, que são as responsáveis por comunicar com outras células do sistema imunitário para iniciar o combate.

Normalmente estas células mantêm o organismo saudável e livre de infecções, contudo, no caso de reacções alérgicas, as células evidenciam uma resposta intensa que demonstra ser mais prejudicial do que útil para o organismo.

Em estudos anteriores, descobriu-se que quando a Siglec-8, presente na superfície dos eosinófilos, foi activada resultou na morte dessas células. Os investigadores, esperando uma resposta semelhante, testaram a teoria num novo estudo em mastócitos humanos e em tecidos que contêm estas células. A equipa utilizou anticorpos para activar a Siglec-8 nos mastócitos criados em laboratório. Contudo, estas células continuaram vivas.

Posteriormente, a equipa de investigadores, liderada por Bruce Bochner, director da Divisão de Alergia e Imunologia Clínica da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, estendeu a experiência aos tecidos utilizando pedaços de pulmões humanos. As células foram então despoletadas a libertar as suas cargas, um acto que normalmente faz com que as vias áreas se constrinjam, tendo as contracções sido aproximadamente 25 por cento mais fracas, em comparação com o tecido pulmonar onde a Siglec-8 não estava activa.

Todavia, ainda não é claro como a Siglec-8 inibe os mastócitos de libertar os químicos que despoletam efeitos imunes.

Segundo Bochner, estes resultados podem eventualmente ser utilizados para desenvolver um fármaco com este mesmo efeito. Um fármaco deste tipo teria o duplo efeito de bloquear, ou reduzir, as reacções alérgicas ao matar os eosinófilos e ao prevenir que os mastócitos libertem as suas substâncias.

Apesar de existirem fármacos que afectam ou os eosinófilos ou os mastócitos, desenvolver um único medicamento, que se direcciona a ambos os tipos de células, poderá ser mais efectivo do que as terapias existentes, e poderá também ter um risco reduzido de efeitos secundários.

Isabel Marques

Fontes: www.azfarmacia.com, www.thaindian.com, www.innovations-report.de

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Tratamentos comuns para sinusite aguda e placebo têm efeitos semelhantes

Um estudo comparativo, publicado na última edição do “Journal of the American Medical Association (JAMA)”, revelou que a administração de alguns dos tratamentos mais comuns para a sinusite aguda, que incluem um corticosteróide e um antibiótico, não são mais eficazes do que a toma de um placebo.

Ian Williamson, da Universidade de Southampton, em Inglaterra, levou a cabo um ensaio clínico aleatório duplamente cego no qual utilizou um placebo para controlar a eficácia da amoxiciclina (um antibiótico) e da budesonida (um corticosteróide) no tratamento da sinusite aguda. O estudo contou com a participação de 240 pacientes adultos, todos sofriam de sinusite não recorrente e estavam a ser tratados por médicos de clínica geral, entre Novembro de 2001 e Novembro de 2005.

A investigação permitiu observar que a proporção de pacientes que apresentavam sintomas dez dias depois situava-se nos 29 por cento para os doentes aos quais foi administrada a amoxiciclina, contra 33,6 por cento entre os que não a tomaram e 31,4 por cento entre os que receberam a budesonida.

“A nossa principal conclusão é que entre os pacientes com sintomas típicos de sinusite aguda bacteriana, nem os antibióticos nem os corticosteróides são eficazes por si só ou em associação na alteração da severidade dos sintomas, da duração, ou do curso natural da doença”. Para além disso, os corticosteróides tendem a ser eficazes apenas entre os casos menos severos, referem os responsáveis pelo estudo.

A mesma investigação sublinha ainda que a sinusite é um problema clínico habitual com sintomas similares aos de outras patologias, o que faz com que a doença seja frequentemente diagnosticada e tratada sem confirmação clínica. Embora não se ateste a possível origem bacteriana da doença, em 92 por cento dos casos no Reino Unido, e em 85 por cento dos casos nos Estados Unidos da América são prescritos antibióticos para tratá-la.

A sinusite é uma inflamação dos seios perinasais provocada por uma alergia ou uma infecção viral, bacteriana ou fúngica. Pode ser causada por bactérias e costuma desenvolver-se depois de uma infecção viral dos canais respiratórios superiores, como a constipação comum.

Marta Bilro

Fonte: Medical News Today, Correo Farmacéutico, Manual Merck.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Identificada proteína que pior a asma

Investigadores identificaram uma substância no organismo que pode aumentar a gravidade da asma. Uma proteína, que pode ter originariamente evoluído para ajudar a proteger as vias aéreas, agora parece ser um biomarcador que indica asma grave, e também pode ter um papel no desenvolvimento da doença. Esta é uma descoberta que pode levar a um melhor tratamento da doença respiratória.

Num estudo com 253 adultos descobriu-se que aqueles com asma tinham níveis mais elevados de uma proteína, a YKL-40, do que os que não sofriam da doença, segundo um relatório publicado na última edição da “New England Journal of Medicine”. Um teste sanguíneo aos níveis da YKL-40 poderá substituir as biopsias invasivas utilizadas actualmente para avaliar as vias aéreas.

Os asmáticos com um nível mais elevado da molécula tiveram ataques mais graves. Grandes quantidades da proteína foram associadas a uma função pulmonar reduzida e a paredes dos brônquios mais espessas que dificultam a respiração, de acordo com a investigação liderada pelas escolas médicas da Universidade de Yale e da Universidade de Paris, e pela MedImmune, unidade da AstraZeneca Plc.

A proteína poderá ser um marcador, facilmente detectável através de uma simples análise de sangue, para monitorar a progressão da doença ou para identificar as pessoas em risco de desenvolver uma forma mais grave de asma, que vitimou 255 mil pessoas, em 2005, e que perturba cerca de 300 milhões em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Contudo, o novo estudo não prova que a YKL-40 é uma causa da asma, somente que os níveis elevados parecem ser um marcador da asma grave.

Algumas companhias, incluindo a MedImmune, estão em testes pré-clínicos de anticorpos que poderão inibir a proteína ou os seus efeitos nos asmáticos. A tecnologia está, pelo menos, a três anos de distância dos testes de última fase em humanos.

A YKL-40 é uma proteína tipo quitinase que se liga à quitina, uma substância abundante encontrada em fungos, crustáceos e insectos, como ácaros e baratas. Os humanos não fabricam quitina, mas produzem quitinases (enzimas que param a quitina) e enzimas tipo quitinase (enzimas que se ligam à quitina, mas que não a param). A presença da quitina nos pulmões pode fazer com que o organismo acredite que tem uma infecção e que precisa de se defender. Infelizmente, este mecanismo de defesa pode estar a reagir a ácaros inofensivos.

Isabel Marques

Fontes: Bloomberg, www.eurekalert.org, Forbes

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Pneumonia matou seis mil portugueses em 2006

A pneumonia é a mais fatal de todas as doenças respiratórias tendo provocado a morte a seis mil portugueses em 2006, indicam os dados do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, citados pelo Diário de Notícias. Embora o número de vítimas provocadas por esta doença se mantenha estável, a lista de afectados não pára de crescer, sendo que, no ano passado o número de internamentos cresceu para os 34 mil, mais 6 por cento do que no ano anterior.

Apesar da mortalidade por pneumonia se manter estável, com cerca de 18 por cento dos doentes internados nos hospitais a falecer, o número de internamentos aumentou no ano passado 6 por cento em relação ao ano anterior, situando-se acima dos 34 mil. O número de internamentos não tem em conta os doentes hospitalizados devido a outras patologias, mas que também tinham pneumonia.

Esta subida no número de internamentos pode ser um indicador do aumento da gravidade da doença. “Ao todo o número de casos sobe aos 50 mil”, disse ao DN pneumologista e presidente da Associação Nacional da Tuberculose e Doenças Respiratórias, Teles Araújo, justificando que, "o acréscimo de casos pode ter a ver com o reforço da resistência aos antibióticos e com a idade dos doentes, na maioria com mais de 65 anos”.

Os dados do relatório indicam ainda que, em 91 por cento dos casos a morte por pneumonia ocorreu em doentes idosos. Relativamente à distribuição geográfica da doença, “o Norte e o Centro do País têm mais casos de internamento do que outras regiões, mas a mortalidade é maior no Centro e na Madeira”, salientou o especialista.

No que diz respeito a outras doenças respiratórias, como o cancro do pulmão, o relatório revela uma tendência de subida, com 4700 casos de internamento registados e 32 por cento de mortalidade. Ainda assim, os óbitos baixaram 1 por cento. Apesar da incidência da doença ser ainda “demasiado alta”, a tuberculose está também a diminuiu, referiu Teles Araújo.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias, TSF, Diário Digital.

sábado, 7 de julho de 2007

Wyeth procura aprovação para o Tygacil para tratamento da Pneumonia Adquirida na Comunidade

A Wyeth irá ainda conduzir um estudo adicional para a Pneumonia Adquirida no Hospital (PAH) e Pneumonia Associada à Ventilação (PAV).

A Wyeth Pharmaceuticals anunciou que planeia submeter um Pedido de Licença de Novo Medicamento (NDA) à FDA, este Verão, para o antibiótico de primeira classe, o Tygacil (tigeciclina), para o tratamento de pacientes com Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC). O NDA é baseado em dois estudos clínicos de fase 3, nos quais a taxa de cura para o Tygacil e levofloxacina foram comparadas para os dois tratamentos.

A PAC é definida como uma pneumonia não adquirida num hospital ou numa unidade de cuidados prolongados. É uma infecção bacteriológica nos pulmões, sendo uma doença respiratória comum, mas grave, que afecta cerca de 5,6 milhões de americanos todos os anos.

Os custos do tratamento dos pacientes com PAC atingem cerca de 10 milhões de dólares por ano, em que as despesas com pacientes internos representam 92 por cento da soma total e pacientes hospitalizados acrescentam cerca de 7.500 dólares cada. A PAC é também responsável por 10 milhões de visitas ao médico, por ano, nos Estados Unidos.

Actualmente, existe a necessidade de novas opções, uma vez que muitas estirpes da bactéria mais comum que causa a PAC tornaram-se resistentes a determinados antibióticos e podem dificultar o tratamento. O Tygacil, uma glicilciclina de primeira classe, é um antibiótico de largo espectro IV (intravenoso) com actividade in-vitro contra gram positivos, gram negativos, anaeróbios, estafilococos áureos meticilino-resistentes e estafilococos áureos susceptíveis à meticilina e enterococcus vancomicina-resistente; o Tygacil não é afectado por beta-lactamases de largo espectro.

A Wyeth, adicionalmente, conduziu um estudo clínico de fase 3 para a Pneumonia Adquirida no Hospital (PAH) e Pneumonia Associada à Ventilação (PAV). Neste estudo, o regime de Tygacil foi comparado com um regime de imipenem/cilastatina. As taxas de cura no regime de Tygacil foram comparadas com o regime de imipenem/cilastatina em apenas um dos dois pontos primários. Num subgrupo de pacientes com PAV, o regime de Tygacil teve taxas de cura mais baixas do que o regime de comparação. Baseado nestes resultados, a Wyeth pretende delinear e iniciar uma nova fase 3 do estudo clínico para a PAH/PAV seguindo o parecer de corpos reguladores globais.

A pneumonia é a terceira maior causa de morte em Portugal, tendo vitimado cerca de 3800 pessoas em 2006. Ao contrário do que se poderia esperar, por se tratar de uma doença vulgar e com tratamento, os casos fatais continuam a aumentar, tornando a pneumonia a doença respiratória mais mortal em Portugal.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive, Diário de Notícias

sábado, 30 de junho de 2007

Synagis pode contribuir para reduzir complicações respiratórias em prematuros

Um novo estudo publicado no “Journal of Pediatrics” indica que o Synagis (palivizumab) poderá contribuir para reduzir as complicações respiratórias recorrentes em crianças prematuras.

A Abbott e a MedImmune anunciaram os resultados de um novo estudo, publicado na edição de Julho do “Journal of Pediatrics”, que demonstra que o tratamento com Synagis (palivizumab) poderá reduzir quase para metade as complicações respiratórias recorrentes nas crianças prematuras.

O Synagis é uma terapia biológica conhecida como um anticorpo monoclonal administrado mensalmente nas crianças prematuras para prevenir as infecções graves do tracto respiratório inferior causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), uma das principais causas de infecções víricas nas crianças. As complicações respiratórias ou sibilos são reconhecidos através de um assobio produzido quando o ar passa pelas vias respiratórias, que se estreitam por causa da inflamação ou espasmos musculares.

Especificamente, o estudo demonstrou que as crianças prematuras, que não sofrem de doença crónica do pulmão, e que receberam Synagis antes do estudo, experimentaram uma redução de 49 por cento na incidência de complicações respiratórias recorrentes, em relação aos prematuros que não receberam Synagis. O estudo, com a duração de dois anos, permitiu descobrir que se tinha conseguido uma redução de 51 por cento na incidência de complicações respiratórias recorrentes no grupo do Synagis, em comparação com as crianças que não receberam o tratamento.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 64 milhões de pessoas são infectadas com VSR todos os anos e 160 000 irão morrer devido a esta doença. Aproximadamente metade de todas as crianças são infectadas por VSR durante o primeiro ano de vida, e quase todas serão infectadas, pelo menos uma vez, até completarem o segundo aniversário.

As infecções por
VSR manifestam-se normalmente como sendo uma infecção do tracto respiratório superior com sintomas semelhantes aos de uma constipação. Nas crianças prematuras a inflamação apresenta um risco acrescido de progressão da infecção para o tracto respiratório inferior, pelo que é frequente a hospitalização, ventilação mecânica e cuidados intensivos. Para além das consequências agudas da infecção, os dados epidemiológicos sugerem uma relação entre hospitalização associada ao VSR inicial e complicações respiratórias crónicas, tais como sibilos recorrentes e asma, que poderiam chegar até à adolescência.

O Synagis, quando administrado a prematuros como profilaxia do
VSR, tinha demonstrado anteriormente uma redução de 55 por cento nas hospitalizações devido ao VSR. Os investigadores do actual estudo puseram a hipótese de o Synagis, ao prevenir as doenças graves provocadas pelo VSR, poder ser responsável pela redução das complicações respiratórias recorrentes ao longo da vida.

Na recente pesquisa, os investigadores estudaram um grupo de prematuros (nascidos com menos de 35 semanas de gestação) que receberam, pelo menos, três doses de Synagis para a profilaxia do
VSR, durante o primeiro ano de vida, e um grupo semelhante que não recebeu tratamento com Synagis. O grupo do Synagis tinha 191 prematuros com menos de 36 meses e que não estavam hospitalizados por causa do VSR. O grupo de controlo era formado por 230 prematuros que foram emparelhados cronologicamente por idade e por gestação: 76 foram hospitalizados com VSR, ao contrário de 154. Os sujeitos do estudo submeteram-se a um acompanhamento durante 24 meses, sendo a idade média de 19 meses.

O principal objecto deste estudo foi a incidência de complicações respiratórias recorrentes, definidas por três ou mais episódios nos 12 meses posteriores. Um episódio de complicações respiratórias define-se por um ou mais dias consecutivos de complicações, precedidos e seguidos por um período saudável de, pelo menos, uma semana.

Depois do acompanhamento destas crianças durante dois anos, os resultados demonstraram que a incidência de complicações respiratórias recorrentes foi 49 por cento inferior nas crianças que receberam Synagis, em comparação com os que não receberam (13% versus 26%, p=0,001). Houve também significativamente menos complicações respiratórias diagnosticadas por médicos no grupo que recebeu Synagis (8% versus 16%, p=0,011).

O Synagis foi aprovado para comercialização nos Estados Unidos em 1998, na Europa em 1999 e no Japão em 2002, estando actualmente disponível em 62 países.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire, www.abbott.com

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Defeito genético pode ser a causa de doença respiratória e doença cardíaca congénita

O mesmo defeito genético que provoca uma doença respiratória rara pode também causar doença cardíaca congénita, segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

A ligação entre as duas doenças começa nas células ciliadas, finas estruturas semelhantes a pêlos, cujos movimentos ajudam a eliminar as partículas e as mucosidades das vias aéreas inferiores. Os investigadores notaram inicialmente a relação em crianças com uma doença respiratória que afecta estas células, a discinesia ciliar primária. Uma mutação genética que prejudica o movimento das células ciliadas causa a doença. Algumas crianças que foram tratadas à discinesia ciliar na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill também tinham heterotaxia – um posicionamento anormal do coração e dos pulmões associado a doença cardíaca congénita.

A equipa de investigadores interrogou-se se a discinesia ciliar primária e a heterotaxia estariam relacionadas, uma vez que se sabe que outros tipos de células ciliadas desenpenham um papel na organização e direccionamento dos órgãos num embrião em desenvolvimento. Contudo, os resultados do novo estudo demonstram que estão relacionadas.

O estudo descobriu que a prevalência de heterotaxia e anomalias cardíacas congénitas era 200 vezes maior em pessoas com discinesia ciliar primária do que na população geral (um em 50 versus um em dez mil).

Segundo um dos investigadores, Dr. Michael Knowles, estes resultados devem incentivar os médicos que tratam pacientes com doença cardíaca congénita a serem mais vigilantes, no que se refere a testar e tratar anomalias respiratórias.
Crianças com heterotaxia e doença cardíaca congénita geralmente são submetidas a cirurgias para reparar os defeitos do coração, e caso tenham complicações respiratórias no pós-operatório, normalmente assume-se que os problemas foram causados pelos problemas cardíacos, acrescenta o Dr. Knowles. Mas o estudo indica que estes problemas respiratórios das crianças podem ter uma causa genética subjacente.

Os investigadores esperam que estas associações entre a função ciliar, os defeitos do coração e a organização dos órgãos no interior do peito e abdómen levem a uma melhor compreensão de como estes defeitos evoluem.

Isabel Marques

Fontes: NewsMax.com e Manual Merck