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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Fumadores de tabaco de enrolar correm maior risco de sofrer de cancro do pulmão

Um novo estudo norueguês, apresentado na Conferência Mundial sobre Cancro do Pulmão em Seul, concluiu que os fumadores de tabaco de enrolar correm um maior risco de vir a desenvolver cancro do pulmão, do que os fumadores de cigarros industrializados. Este tipo de cigarros tende a ter menos tabaco, mas tem uma quantidade maior de nicotina e alcatrão porque são enrolados sem filtro, dai que a maior incidência de cancro do pulmão tenha sido registada em consumidores deste tabaco.

Na Noruega as vendas de tabaco de enrolar correspondem a um terço do tabaco comercializado no país, sendo ainda um dos poucos países ocidentais onde o seu consumo continua elevado.

O estudo, dirigido por Heidi Rolke, do Hospital Sorlandet na Noruega, baseou-se na observação de 333 indivíduos com cancro do pulmão e concluiu que os fumadores de cigarros enrolados à mão “consomem menos cigarros e estatisticamente fumam há menos anos”. Contudo o alto grau cancerígeno destes cigarros “resulta numa maior incidência do desenvolvimento de cancro do pulmão”, garante Rolke.

Mais de 80 por cento dos indivíduos participantes da análise eram fumadores de tabaco de enrolar. Para Jonathan Samet, da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, estes resultados só podem ser equiparados às descobertas documentadas entre mulheres hispânicas, no sudoeste dos EUA, que tendem a enrolar à mão seus cigarros e por isso contam também com uma elevada taxa de incidência da doença.

O cancro do pulmão é um dos cancros mais comuns no mundo, matando 1,3 milhões de pessoas por ano. Na Ásia, morrem mais de 570 mil pessoas por ano, uma a cada minuto.


Inês de Matos

Fonte: Sol

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Arimidex recomendado como alternativa custo-eficaz ao tamoxifeno

Os últimos dados publicados no “British Journal of Cancer” confirmam que o Arimidex (anastrozol) é um tratamento custo-eficaz para o cancro da mama inicial e revelam que o custo por Ano de Vida Ajustado pela Qualidade (AVAQ) com este inibidor da aromatase é menor que o indício utilizado pelo Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica (NICE). Estas últimas descobertas, baseadas nas directrizes metodológicas mais recentes do NICE, corroboram ainda mais as recomendações iniciais do NICE e aumentam a crescente evidência de que o Arimidex oferece uma alternativa custo-eficaz ao tamoxifeno, no tratamento adjuvante nas mulheres na pós-menopausa com cancro da mama em fase inicial e hormono-dependente.

Um estudo recente estima que o custo anual do tratamento hormonal no Reino Unido seja de 64,6 milhões de libras. Contudo, somente o custo do fármaco não reflecte a carga financeira total que o cancro da mama representa para o sistema de saúde de um país. A recorrência da doença também tem um impacto negativo, aumentando significativamente o custo total do tratamento, mais concretamente no que diz respeito ao diagnóstico, consultas clínicas, cuidados de pacientes internados e em ambulatório, necessidade de cirurgia/quimioterapia/radioterapia adicionais, gestão dos efeitos adversos e seguimento.

O professor Robert Mansel, do serviço de Cirurgia do Hospital de Cardiff (Reino Unido), comentou que a recorrência é o factor mais significativo no aumento do custo total do tratamento do cancro da mama. Portanto, a redução da recorrência é o aspecto que teria maior influência no custo do cancro da mama. Este modelo demonstra que ao prescrever-se um tratamento mais eficaz, que reduz o risco de recorrência nas mulheres na pós-menopausa, em comparação com o tamoxifeno, pode-se reduzir potencialmente a carga económica global que o cancro da mama tem no sistema de saúde.

O tamoxifeno tem sido considerado como sendo uma opção terapêutica eficaz e barata para o cancro da mama em fase inicial e hormono-dependente em mulheres na pós-menopausa. Todavia, os resultados do estudo ATAC demonstraram que o Arimidex é superior ao tamoxifeno, no que se refere à redução do risco de recorrência e na melhoria da tolerabilidade, e têm levado a uma aproximação deste fármaco como tratamento padrão privilegiado.

Estes novos dados proporcionam um apoio económico adicional para a recomendação por parte da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, sigla em inglês) que manifesta que o tratamento adjuvante para mulheres na pós-menopausa com cancro da mama hormono-dependente deverá incluir um inibidor de aromatase, de modo a reduzir o risco de recorrência do cancro. Para além disso, as directrizes da ASCO reconhecem que os inibidores de aromatase não deverão ser utilizados de forma intercalada, favorecendo assim a utilização deste agente, que mais dados relevantes oferece individualmente a cada situação clínica.

Isabel Marques

Fontes: PMFarma

terça-feira, 19 de junho de 2007

Erros na quimioterapia com crianças

Investigadores da Universidade John Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, concluíram que entre 1999 e 2004 houve pelo menos 300 erros de medicação de crianças em tratamento de quimioterapia em diversos hospitais, clínicas e outras instituições de saúde daquele país. O estudo foi publicado na revista «Cancer».

A dose a administrar aos pacientes de quimioterapia infantil é calculada com base no seu peso, altura e idade, mas são relativamente frequentes os erros de cálculo quanto à quantidade de medicamento a administrar, a melhor altura para o fazer ou a frequência com que os pequenos doentes têm de receber o fármaco. Apesar de não haver muitos estudos que abordem com profundidade esta matéria, o grupo de cientistas da universidade norte-americana liderado por Marlene Miller avaliou uma base de dados que documenta precisamente a ocorrência de erros de medicação, e constatou que, naquele período, foram registados mais de 829 mil erros daquele tipo, sendo que 30 mil afectavam doentes com menos de 18 anos de idade, e pelo menos 300 diziam respeito a problemas relacionados com a quimioterapia.
De acordo com os dados apurados no estudo agora divulgado, uma faixa de 85 por cento dos erros relatados afectou significativamente os doentes, enquanto em 16 por cento dos casos os enganos foram suficientemente graves para exigir atenção médica imediata. Cerca de metade dos procedimentos errados teve origem na escolha errada do momento para a administração do medicamento, 23 por cento deveram-se a doses erradas, e outros 23 por cento tiveram por base equívocos relativos à frequência da toma ou ao timming da sua administração.

Carla Teixeira
Fonte: El Mundo