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domingo, 13 de janeiro de 2008

Prescrição de placebos é prática frequente, diz estudo

A prescrição de placebos é uma prática comum entre a classe médica, revela um estudo realizado em Chicago, nos Estados Unidos da América, de acordo com o qual 45 por cento dos médicos admitiu já ter receitado um placebo a um paciente, pelo menos uma vez. Os resultados da investigação, publicados na edição deste mês do “Journal of General Internal Medicine”, foram noticiados pelo jornal The Globe and Mail.

Inquéritos anteriores, realizados com a participação de médicos israelitas e dinamarqueses, tinham já revelado que 60 e 85 por cento destes profissionais, respectivamente, admitiam confiar no “efeito placebo”. Apesar da prescrição de comprimidos placebo ser muitas vezes encarada como uma prática eticamente duvidosa, o efeito placebo pode funcionar, refere o jornal. Tomografias axiais computorizadas (TAC), que examinaram o cérebro dos pacientes, indicaram que os placebos desencadeiam o funcionamento das endorfinas, substâncias responsáveis pelo bloqueio da dor no cérebro.

No entanto, é preciso esclarecer que os médicos não andam por aí a distribuir comprimidos de açúcar como se estes fossem medicamentos reais, salienta Rachel Sherman, a principal responsável pela investigação, e estudante do 4ª ano de medicina da Universidade de Chicago. O que acontece frequentemente é o médico recomendar a um paciente a ingestão de ibuprofeno para o alívio da dor quando nada mais funciona, porque “pode resultar e mal não faz”, assevera a responsável. Mesmo que o médico não acredite que o fármaco alivie os sintomas físicos, o efeito placebo poderá fazer com que, apesar de tudo, o paciente se sinta melhor.

Sherman acredita que a sua pesquisa, que contou com a participação de 231 médicos, vai fazer sobressair a necessidade de uma discussão mais aberta sobre o assunto. “Talvez isto seja algo que se venha a tornar mais amplamente conhecido”, acrescentou.

Entre os 231 médicos da região de Chicago inquiridos pelo estudo:

45% admitem prescrever placebos aos seus pacientes;
15% prescreveram placebos entre 1 e 10 vezes em 2007;
85 prescreveram placebos mais de 10 vezes em 2007;
22% não prescreveram qualquer placebo em 2007.

Quando questionados acerca das práticas de outros colegas e enfermeiros:

80% dizem acreditar que os seus colegas utilizam placebo durante os cuidados de rotina;
60% acreditam que estes o fazem rotineiramente;
185 referem que estes o fazem algumas vezes;
2% acreditam que o fazem muitas vezes.

No que respeita às circunstâncias de prescrição:

18% fazem-no para acalmar o paciente
185 admitem fazê-lo enquanto suplemento ao tratamento
15% quando são confrontados com um pedido não justificado para que prescrevam um medicamento
13% por queixas não especificadas
11% depois de todas as possibilidades de tratamento terem sido esgotadas
6% para controlar a dor
6% para fazer com que o paciente para de se queixar
4% enquanto ferramenta de diagnóstico

Marta Bilro

Fonte: The Globe and Mail, Pharmalot.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Desfibriladores em locais públicos multiplicam sobrevivência a falhas cardíacas

A colocação de desfibriladores automáticos externos em locais públicos multiplica as possibilidades de sobreviver a uma falha cardíaca, revela um estudo norte-americano da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

A investigação, apresentada durante o Congresso da Associação Americana do Coração, analisou as circunstâncias em que ocorreram 10 mil paragens cardio-respiratórias socorridas pelos serviços de urgência, entre Dezembro de 2005 e Novembro de 2006. Deste total, apenas 7 por cento conseguiram sobreviver, porém, entre os que beneficiaram da instalação dos aparelhos de reanimação, a taxa de sobrevivência subiu para os 36 por cento.

Os responsáveis pelo estudo defendem, por isso, que a colocação de desfibriladores externos em centros geriátricos, hospitais, estádios desportivos, complexos comerciais, hotéis e edifícios de escritórios poderia salvar 522 vidas por anos nos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá.

Esta não é a primeira investigação a sugerir a colocação destes dispositivos em pontos com muita afluência de público ou em locais em que as pessoas apresentam um elevado risco cardíaco. No entanto, nem sempre se encontra presente uma pessoa com conhecimentos suficientes para poder utilizá-los, salienta Fernando Arribas, presidente do Departamento de Arritmias e Electrofisiologia da Sociedade Espanhola de Cardiologia, citado pelo Correo Farmacéutico. Para além disso, acrescenta o responsável, a situação nos EUA não é, de todo, comparável com o panorama europeu, uma vez que este país se encontra muito mais avançado em questões de sensibilização social, desenvolvimento legislativo e na extensão de instalação destes aparelhos.

Actualmente não existem dados conclusivos sobre os benefícios de colocar desfibriladores em zonas públicas. “Os dados são contraditórios”, afirmou Juan López Mesa, secretário e director do Plano nacional de Reanimação Pulmonar da Sociedade Espanhola de Medicina Intensiva, de Crise e Unidades Coronárias, em declarações ao Correo Framacéutico. “Existem estudos que afirmam que [a colocação dos aparelhos nos locais mencionados] reduziria as mortes por enfarte do miocárdio em 30 por cento, e outros falam numa redução de apenas 2 por cento ou menos. Não nos podemos esquecer que este é um assunto controverso, no qual se misturam interesses económicos”, frisou.

Em Portugal, as informações sobre a presença destes dispositivos são escassas. Dados avançados pelo jornal Público, no final de Agosto do ano corrente, indicavam que os desfibriladores automáticos externos estavam presentes em apenas 37 das 244 ambulâncias do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e nas 37 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) em funcionamento.

O mesmo artigo falava ainda no interesse demonstrado por várias empresas privadas em adquirir estes aparelhos, como é o caso dos hotéis. Mas é necessário que haja alguém com formação adequada para permitir a vigilância e boa utilização em cada caso. Para além disso, e ao contrário do que acontece nos EUA, em Portugal a aplicação dos desfibriladores automáticos externos é considerada um acto médico e só por delegação pode ser usado por não médicos.

Marta Bilro

Fonte: Correo Farmacéutico, Público.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Jovens diabéticos dão lições de alimentação saudável

A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP) vai dar conselhos nutricionais. A iniciativa, que se realiza esta sexta-feira, insere-se nas comemorações da Semana do Diabético, a decorrer até ao dia 14 de Novembro, no Amoreiras Shopping, em Lisboa, e conta com o apoio da Associação Portuguesa de Dietistas (APD) e da Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa.

Num debate aberto a toda a população, dietistas e jovens diabéticos juntam-se, durante toda a manhã do dia 9 de Novembro, para, em conversa aberta, dar conselhos e tirar dúvidas para uma alimentação mais saudável. Depois, entre as 14h30 e 15h30 as dietistas da APD, Vânia Costa e Rute Borrego, darão um curso prático sobre alimentação saudável com explicação dinâmica e tridimensional da pirâmide alimentar. Os responsáveis pretendem assim alertar para os benefícios de um estilo de vida saudável na prevenção da diabetes tipo 2.

“O nosso objectivo é sensibilizar os portugueses para a diabetes, incentivando a população através das actividades da Semana do Diabético, a prevenir a diabetes tipo 2 e a compreender as implicações da diabetes tipo 1, diferenciando-a da tipo 2”, frisou Paulo Madureira, presidente da AJDP.

Entre as diversas actividades a decorrer no âmbito da Semana do Diabético destacam-se também a exposição de fotografias, patente no Amoreiras Shopping, sobre a expedição de 26 diabéticos ao Toubkal, o ponto mais alto da Cordilheira do Atlas, no Norte de África; ou a realização de rastreios gratuitos à diabetes nas principais estações de metro de Lisboa, na quarta-feira, dia 14 de Novembro.

Marta Bilro

Fonte: Comunicado da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Cancro da mama: IPO-Porto aposta no bem-estar dos pacientes

Clínica de Mama concentra todos os meios de diagnóstico e tratamento

O IPO do Porto está empenhado em apostar no bem-estar dos pacientes com cancro da mama. Para dar forma a este objectivo é amanhã inaugurada a nova unidade daquela estrutura, um espaço único no qual convergem todos os meios técnicos e humanos para o diagnóstico, tratamento e seguimento das pacientes.

Uma das principais mudanças inerentes á criação da Clínica de Mama do IPO-Porto é a atenção que recai sobre o doente. "O Instituto Português de Oncologia do Porto já tratava bem o cancro da mama. Com esta alteração, iremos tratar bem o cancro da mama e a paciente com cancro da mama", afirmou o coordenador do espaço, Joaquim Abreu de Sousa, citado pelo jornal Expresso. Os pacientes tornam-se, assim, no centro de toda a actividade assistencial.

A concentração, num mesmo local, de todos os meios técnicos e humanos necessários ao diagnóstico, tratamento, seguimento e aconselhamento evita aos pacientes o incómodo de percorrer vários espaços para realizar exames ou consultas com diferentes especialistas.

Conforme explicou Abreu de Sousa em declarações àquele semanário, até este momento, a organização da actividade assistencial, centrada nas várias especialidades de oncologia, obrigava o paciente a ir ao seu encontro. “A nova clínica de mama será um espaço de interacção das diferentes especialidades [Cirurgia, Radioterapia, Oncologia Médica, Imagiologia, Psico-Oncologia, Anatomia Patológica, etc.], mas também um espaço de maior conforto para as pacientes”, salientou.

O ambiente foi pensado para promover a “interacção com o paciente”, tendo em vista a “humanização” e “dignidade” no tratamento das mulheres. "Procurámos que a clínica saísse dos padrões habituais. Até o próprio mobiliário foi pensado em função disso. Os cantos das mesas, por exemplo, são redondos e não quadrados, eliminando a separação entre médico e paciente", referiu o clínico, especialista em Oncologia Cirúrgica.

A rapidez no diagnóstico é outra das apostas da nova clínica. “Na maioria das situações poderá ser feito no próprio dia. Isso é inovador”, afirmou Abreu de Sousa. No total, foram investidos perto de 1,5 milhões de euros [financiados a 50% pelo Programa Operacional da Saúde - Saúde XXI].

Todos os anos são diagnosticados em Portugal cerca de 4500 novos casos de cancro da mama, dos quais 75 por cento são tratados com sucesso. Em 2006, a unidade de cancro da mama do IPO-Porto efectuou perto de 22.000 consultas e tratou cerca de 900 novos casos.

Marta Bilro

Fonte: Expresso.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Descoberto método que amplia concepção de novos fármacos

Estudo de cientista portuguesa abre caminho a preparação, manipulação, reacção e inovação de compostos

Foi descoberto um novo método que permite a concepção de novos medicamentos. O mérito é de uma investigadora portuguesa, cujo estudo está publicado nas revistas internacionais de referência no domínio da química orgânica, catapultando, assim, o seu contributo para os laboratórios científicos de todo o mundo.

Face à crescente necessidade de encontrar novos tratamentos e os problemas associados com a resistência dos medicamentos existentes, “este é um contributo interessante para alargar a variedade de métodos existentes para o desenvolvimento de novos fármacos", avaliou à Agência Lusa a investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Teresa Pinho e Melo.

De acordo com um comunicado distribuído pela FCTUC a que o farmacia.com.pt teve acesso, a investigação de Teresa Pinho e Melo – iniciada, em 1995, e que contou com a colaboração de técnicos do país Basco – resultou na descoberta de “um novo método selectivo de preparação de beta-aminoácidos quirais” (uma classe de compostos com propriedades únicas), fundamental para o desenvolvimento de novos medicamentos.

Segundo destaca a nota de imprensa, o novo método de síntese de preparação de compostos orgânicos da cientista poderá ser explorado mundialmente, “facultando o aparecimento de novos compostos de referência para a indústria farmacêutica ou para outras aplicações industriais" e “permitindo o desenvolvimento de novos medicamentos a longo prazo.”

O trabalho de Teresa Pinho e Melo contou com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia e prolongar-se-á ao longo de mais três anos, informa a FCTUC.

Raquel Pacheco
Fonte: FCTUC/Lusa

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Stress na gravidez aumenta hipóteses de ter meninas

Estudo constatou que probabilidade aumentou 5% face a “ansiedade” maternal

"O stress durante a gravidez é um provável candidato envolvido na redução da relação entre os sexos observada em diversos países", afirmam os investigadores da Universidade de Aarhus, Dinamarca, no estudo publicado na revista médica «Human Reproduction».

De acordo com a investigação – que envolveu exames a 8.719 mulheres e mais de seis mil bebés entre 1989 e 1992 – “o stress durante os primeiros meses de gravidez pode reduzir a probabilidade de ter meninos”. Uma descoberta que, segundo os cientistas dinamarqueses salientaram, não se fica pelo “stress psicológico acentuado”, mas também, níveis “moderados e até comuns.”

Deste modo, o estudo permitiu constatar que as grávidas mais “nervosas” podiam ter até 5% mais de hipóteses de ter meninas: “As mulheres mais stressadas deram à luz 47% de meninos, enquanto as menos stressadas tiveram 52% de meninos”, revelaram os cientistas, ressalvando, contudo, não ter sido possível explicar como este factor pode influenciar na determinação do sexo dos filhos, “uma vez que, é sabido que o género dos bebés é ditado pelos cromossomas contidos no esperma paterno.”

No entanto, os investigadores dinamarqueses realçaram outro facto: “Existem suspeitas de que altos níveis hormonais do stress dificultem a fixação de embriões masculinos – levando a um maior número de abortos espontâneos de meninos.”

Sexos à parte, referira-se que, outros estudos sugerem que o stress, ansiedade ou nervosismo durante a gestação podem potenciar futuros problemas de saúde da criança, nomeadamente, hipertensão, obesidade e diabetes.

Raquel Pacheco
Fontes: BBC/«Human Reproduction»

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Fractura óssea: suplemento de cálcio reduz risco em idosos

Estudo australiano revela que tratamento realizado em voluntários foi benéfico em 24%

É mais um estudo que reforça a teoria de que um suplemento de cálcio puro reduz o risco de fractura óssea em idosos. Desta vez, a investigação é australiana e foi, recentemente, publicada na revista «The Lancet».

O número de fracturas da anca, favorecidas pela fragilidade óssea ou por osteoporose relacionada com o envelhecimento, pode triplicar no mundo, entre 1990 e 2050, passando de 1,7 milhão a 6,3 milhões. Uma realidade alarmante que tem vindo a ser objecto de estudo pela comunidade científica e cujos resultados o farmacia.com.pt tem vindo a divulgar.

Benjamin Tang, da University of Western Sydney, na Austrália, e um dos principais autores do estudo, anunciou àquela revista científica ter comprovado que “o suplemento de cálcio puro ou combinado com a vitamina D reduz em 12% o risco de fractura provocada pela osteoporose após os 50 anos.”

Segundo informou o investigador, o resultado teve por base a análise de 29 pesquisas que envolveram cerca de 64 mil idosos, revelando que “nos estudos onde os voluntários cumpriram correctamente o tratamento (taxas de pelo menos 80%), o risco de fractura foi reduzido em cerca de 24%.”

Tang explicou à «The Lancet» que os 29 ensaios analisados referiam-se, unicamente, ao suplemento de cálcio, excluindo o impacto da alimentação. Sublinhando que “para uma terapêutica de duração média de três a cinco anos, a redução do risco de fractura é acompanhada de uma redução da perda óssea na anca e da coluna vertebral”, o cientista australiano ressalvou que “a adição de vitamina D ao cálcio não afecta significativamente a eficácia do resultado.”

Raquel Pacheco
Fonte: «The Lancet»

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Os compostos farmacêuticos no meio ambiente

Índia no centro das preocupações dos investigadores

Nem tudo são rosas para a indústria farmacêutica indiana. Uma investigação da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, acusa o sector de estar a libertar para o meio ambiente quantidades substancialmente preocupantes de compostos farmacêuticos activos. O estudo, publicado no “Journal of Hazardous Materials”, coloca a Ciprofloxacina no topo das substâncias presentes nas águas em maior abundância.

Os resultados levaram os investigadores suecos a pedir “investigações aprofundadas acerca da qualidade das águas residuais, incluindo sobre a libertação de compostos farmacêuticos activos a partir de instalações de produção em diferentes regiões do mundo”. Até porque, há o risco de que o problema detectado em solo indiano seja apenas a ponta do icebergue.

“O estudo demonstra que existem unidades de produção que libertam quantidades substanciais de medicamentos no meio aquático”, afirmam os cientistas que, até ao momento, dizem não possuir informações suficientes para determinar a extensão do problema.

A equipa de investigadores testou os níveis de compostos farmacêuticos activos presentes nas águas residuais provenientes de uma estação de tratamento de águas residuais que serve cerca de 90 farmacêuticas localizada em Patancheru, perto de Hyderabad, um local privilegiado de produção de medicamentos genéricos que fornece o mercado mundial.

Na análise feita às amostras de água provenientes da Índia, os investigadores procuraram a presença de 59 substâncias farmacêuticas, observando que 21 das quais estavam presentes em concentrações superiores a 1μg/L (microgramas por litro). Até então, os níveis detectados nas águas residuais situavam-se entre 1ng/L (nanogramas por litro) e algumas μg/L.

O laboratório quantificou também os níveis das 11 substâncias presentes em maior abundância e realizou testes de toxicidade padrão que demonstraram que os níveis da presença desses medicamentos eram superiores a 100μg/L.

Entre os culpados estão o antibiótico Ciprofloxacina, com níveis entre os 28,000 e os 31, 000μg/L; o Losartan, um antagonista do receptor (tipo AT1) da angiotensina II, com níveis entre os 2,400 e os 2,500μg/L; o anti-histamínico Cetirizina, presente em níveis entre 1,300 e 1,400μg/L; o beta-bloqueador Metoprolol, presente em 800 a 950 μg/L; o antibiótico Enrofloxacin acusou níveis entre 780 e 900μg/L; o Citalopram, um antidepressivo inibidor selectivo da recaptação de serotonina, com 770 a 840μg/L; e dois antibióticos, a Norfloxacina e a Lomefloxacina, com níveis de 390-420μg/L e 50-300μg/L respectivamente.

“Daquilo que temos conhecimento, as concentrações destes 11 medicamentos eram superiores aos valores mais altos alguma vez registados em quaisquer efluentes de esgotos”, escrevem os autores da pesquisa, acrescentando que não têm conhecimento que tal informação tenha sido divulgada em nenhum outro artigo.

Os responsáveis deixam clara a intenção de salientar a “concentração de fluoroquinolonas detectadas, em particular da Ciprofloxacina – um antibiótico produzido por várias empresas da região”.

Para transmitir uma ideia mais concreta relativamente ao significado destes valores, os cientistas referem que “a descarga de Ciprofloxacina corresponde aproximadamente a 45 kg de compostos farmacêuticos activos por dia, o que equivale à quantidade total consumida na Suécia (com nove milhões de habitantes) durante um período de cinco dias”.

Marta Bilro

Fonte: US-Pharmatechnologist.com, Infarmed.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Atrasar corte do cordão umbilical é benéfico para o bebé

Estudo constata redução de casos anémicos e de risco de icterícia

Uma investigação publicada no «Journal of the American Medical Association» (JAMA) sugere que, atrasar o corte do cordão umbilical é benéfico para o bebé. Reduzir a tendência para desenvolver anemia e diminuir os riscos de icterícia são as mais valias apontadas.

De acordo com o estudo conduzido por Eileen Hutton, da Hamilton University, nos Estados Unidos, os benefícios da espera (em apenas alguns minutos) da incisão do cordão umbilical “reflectiram-se no melhoramento dos níveis de ferro no sangue dos bebés” sustentando que, “um maior volume de sangue circula da mãe para o filho.”

A diminuição da tendência para desenvolver anemia (entre os dois e os seis meses) e a redução do risco de icterícia (uma condição fisiológica que afecta, aproximadamente, dois terços dos recém-nascidos saudáveis), foram os resultados destacados pela equipa de Eileen Hutton nos bebés cujo o corte foi atrasado.

Segundo informa o JAMA, a investigação envolveu 1.912 bebés, sendo que, em 1.001 o cordão umbilical foi cortado dois minutos após o parto e, na restante amostra de recém-nascidos, o corte foi imediato ao parto.

Raquel Pacheco
Fonte: JAMA/OM-Norte

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Next Safety vaticina fim da era do tabaco

Dispositivo inovador de distribuição de nicotina começará a ser testado

Um dispositivo pulmonar - inovador na distribuição de nicotina - vai começar a ser testado no próximo dia 14. O aparelho pertence à empresa Next Safety e é apresentado como um “substituto” do tabaco, mas sem carcinógeneos.

Comprovada a eficácia do novo aparelho face aos cigarros, a empresa norte-americana anunciou o início da fase de experimentação em humanos para a semana. Garantindo que o dispositivo “é diferente dos outros produtos à base de tabaco”, a Next Safety, Inc. sublinha que uma das mais valias do dispositivo é a ausência de carcinógenos.

Segundo esclareceu a empresa, os dispositivos serão testados “com a finalidade de seleccionar jornalistas em Boston (dias 14 e 15 de Agosto); em Washington (dias 16 e 17); e em Nova Iorque (dia 20), informando ainda que realizará um debate, dia 21, em Nova Iorque, que contará com a participação de pneumonologistas, oncologistas, jornalistas, representantes das principais companhias de tabaco e fumadores e não fumadores.

A Organização Mundial de Saúde prevê que as mortes provocadas pelo tabaco aumentem 53 por cento até 2030. O cancro do pulmão é a segunda maior causa de morte em todo o mundo, estimando-se que, os actuais 600 milhões de fumadores, morrerão prematuramente devido ao vício. Em Portugal, de acordo com os números da Marktest, morrem 12 mil pessoas todos os anos.

Raquel Pacheco
Fonte: PR Newswire/www.nextsafety.com/Performance Online

terça-feira, 31 de julho de 2007

Produtos de beleza biológicos preferidos entre as mulheres

A maioria das mulheres espanholas prefere um cosmético natural a um produto sintético. Um estudo do Centro de Investigação sobre Fitoterapia (INFITO) revela que entre 540 mulheres questionadas, 73 por cento são mais favoráveis aos cosméticos produzidos com substâncias naturais em detrimento dos de procedência química.

Mais de 80 por cento das inquiridas mostraram-se dispostas a substituir os seus produtos de beleza actuais por um com ingredientes naturais baseados em plantas de cultivo biológico. As mulheres mais favoráveis a esta mudança encontram-se na faixa etária entre os 35 e os 44 anos.

Um questionário semelhante realizado com mulheres francesas revelou que estas estão menos interessadas do que as espanholas na aplicação da fitoterapia de qualidade à cosmética. De acordo com o estudo, apenas 54 por cento das mulheres francesas preferia um cosmético natural a um químico e 43 por cento demonstravam-se dispostas a trocar o que utilizavam.

“As plantas medicinais representaram uma parte da cosmética durante muitos anos, mas a exigência de uma certificação de controlo de qualidade destes produtos deve ser semelhante à dos fármacos de origem natural”, refere Concha Navarro, professora de Farmacologia na Universidade de Granada, e presidente do INFITO. Actualmente, o Ecocert é o único certificado reconhecido pela União Europeia que assegura que a fórmula contém ingredientes naturais de origem biológica e que produção respeita o meio ambiente.

Pelos seus conhecimentos, o farmacêutico é quem melhor pode aconselhar a utilização destas substâncias. “As plantas medicinais têm muitas aplicações terapêuticas e cosméticas para a pele e, tal como acontece com os medicamentos elaborados a partir de plantas medicinais, o farmacêutico pode ser um bom conselheiro no que diz respeito a estes cosméticos que contêm extractos ou compostos obtidos a partir das mesmas substâncias”, sublinha a professora catedrática.

Marta Bilro

Fonte: PM Farma

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Vitamina A ajuda a reduzir os sinais de envelhecimento

O resultado de investigações conduzidas por cientistas da Universidade de Michigan (EUA), confirma que os cremes que contêm vitamina A ajudam a reduzir os sinais de envelhecimento da pele.

O estudo norte-americano, publicado na «Archives of Dermatology», incidiu sobre 36 voluntários com uma idade média de 87 anos, que usaram um creme com vitamina A debaixo de um dos braços e um creme sem nenhum componente activo debaixo do outro.

A avaliação feita, depois de 24 semanas, revelou que o retinol, a forma pura da vitamina A, não apenas reduziu as rugas na grande maioria dos voluntários, mas também aumentou os níveis de substâncias químicas importantes na regeneração da pele, ajudou a pele a reter mais água, e menos susceptível a lesões cutâneas, um problema comum em pessoas mais velhas.

Raquel Pacheco

Fonte: «Archives of Dermatology»

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Bulas de medicamentos são confusas, difíceis de ler e contraditórias

A linguagem utilizada pelos laboratórios nas bulas de medicamentos é “confusa, difícil de ler e desactualizada”, conclui um estudo da Deco numa análise a 18 embalagens e folhetos informativos. Apesar de 82 por cento dos doentes consultar os folhetos informativos sempre que compra um fármaco, se o fizer em países diferentes pode encontrar indicações contraditórias.

O estudo desta associação de defesa dos consumidores realizado em Portugal, Espanha, Bélgica e Itália, observou que mesmo havendo directrizes iguais por parte da Comissão Europeia, os folhetos apresentam, por vezes, informações contrárias. Um dos exemplos salientados pela investigação refere-se ao Vicks Syrup (Dextrometorfano) que em Portugal é desaconselhado a crianças com menos de seis anos, em Itália e Espanha com menos de 2 anos e na Bélgica na faixa abaixo dos 12. Por sua vez, o limite diário para a toma de Aspirina são oito comprimidos de 500mg, em Portugal, e apenas seis na Bélgica.

De acordo com a Deco, as embalagens e folhetos informativos ainda deixam algo a desejar, uma vez que incluem a principal informação obrigatória, mas esquecem recomendações comunitárias importantes, como é o caso da obrigação de referirem a frequência das reacções adversas. O antibiótico Augmentin (Amoxicilina + Ácido clavulânico) destaca-se pela positiva, já que é o único que faz bem a separação por frequência.

Há ainda os casos em que o mesmo folheto é utilizado para diversas dosagens e formas farmacêuticas (xarope, comprimidos, etc.), dificultando leitura. Isso mesmo acontece com o Zyrtec (Cetirizina), em comprimidos e xarope. Apenas metade dos medicamentos analisados pela Deco referem a influência do álcool. Uma das situações mais graves é a da Gabapentina, para a epilepsia, dado que a interacção entre o álcool e o fármaco aumenta o risco de sonolência. Já no caso do Fastum (Cetoprofeno) é sublinhada a falta de uma referência importante para o facto de não se apanhar sol, nem frequentar o solário durante o tratamento, por risco de reacções graves.

Há situações de medicamentos sem qualquer referência à duração máxima do tratamento e outros com dosagens ou apresentações diferentes a serem distribuídos com o mesmo folheto informativo. A Deco deixa assim um apelo ao Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) e à Agência Europeia do Medicamento (EMEA) para que “assegurem uma informação mais homogénea, clara e legível ao consumidor”.

Marta Bilro

Fonte: Deco, Diário de Notícias.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Estudo aponta benefícios ao consumo de vinho

Composto fenólico pode harmonizar triglicerídeos e colesterol

Bebido com moderação e em carácter regular, o vinho tem efeitos benéficos sobre o metabolismo do colesterol, segundo noticiou o jornal espanho «La Vanguardia».

Os procionídeos, um dos compostos fenólicos que o vinho contém, podem servir para amenizar os triglicerídeos e o colesterol do corpo, e assim para reduzir os riscos de enfermidades cardiovasculares. A tese foi defendida, recentemente, na Universitat Rovira i Virgili (URV), de Tarragona, Espanha.

A investigação que sustentou a tese conseguiu determinar o mecanismo molecular pelo qual os procionídeos - de origem vegetal e bastante presentes na dieta mediterrânea - interagem no fígado, e como controlam a expressão dos genes.

Josep Maria del Bas, autor da tese, intitulada «Modulation of Hepatic Lipoprotein Metabolism by Dietary Procyanidins», (Modulação do metabolismo de lipoproteínas hepáticas por procionídeos dietéticos) explicou que “a análise das mudanças induzidas em genes permitiram determinar como os procionídeos conseguem harmonizar a expressão, o que, em longo prazo, permite projectar dietas personalizadas a fim de ajudar a prevenir e, em certos casos, tratar, diferentes patologias relacionadas a desajustes metabólicos."

O trabalho enquadra-se numa disciplina científica emergente, (Genética da Nutrição) a qual emprega técnicas da biologia molecular, bioquímica e biologia de sistemas "para entender como os nutrientes podem interagir com as vias de sinalização intracelulares", esclareceu Maria Cintra Bladé, co-orientadora da tese e professora do departamento de bioquímica e biotecnologia da URV.

Na pesquisa foram utilizados procionídeos obtidos de uvas, e por isso os resultados estendem-se ao consumo de vinho, ainda que por enquanto os efeitos tenham sido constatados apenas em laboratório, e o caminho até se comprovem em testes com animais e pessoas deva ser longo.

Raquel Pacheco
Fonte: Jornal «La Vanguardia»

segunda-feira, 16 de julho de 2007

DGS prevê realização de 20 mil abortos por ano

De acordo com cálculos da Direcção-Geral de Saúde deverão realizar-se, em Portugal, 20 mil interrupções voluntárias da gravidez (IVG) por ano, número que as autoridades pretendem reduzir para o mínimo possível dentro de cinco anos.

Em conferência de imprensa, o director-geral de Saúde, Francisco Jorge, afirmou que as previsões apontam para a realização de 20 mil abortos a pedido da mulher, por ano, garantindo que os responsáveis irão trabalhar para reduzir esse número sem, no entanto, estabelecer uma meta específica. Para que isso possa acontecer, salientou, são necessárias análises a realizar durante a aplicação de um novo programa de planeamento familiar.

Na mesma ocasião, Francisco Jorge disse ainda que há 38 hospitais públicos e duas clínicas privadas, no Continente, prontos para realizar IVG’s. Na lista de excluídos estão o hospital da Guarda, o de Matosinhos, o de Évora e o São Francisco Xavier, em Lisboa. Esta é, porém, uma “rede flexível”, capaz de sofrer alterações mediante a disponibilidade dos hospitais, salientou o responsável.

No caso dos Açores, o hospital do Faial é o único das três unidades que está preparado para realizar a interrupção da gravidez a pedido da mulher. De fora fica a Região Autónoma da Madeira, onde a lei não será aplicada, uma vez que o governo regional decidiu esperar que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre o diploma. Este é, segundo Francisco Jorge, um problema que “só pode ser resolvido politicamente”, já que o director regional da Madeira se escusou a participar nas reuniões preparatórias do processo de aplicação da IVG até às 10 semanas.

Lista de estabelecimentos públicos oficiais credenciados para realizar a IVG

Norte:

• H S Marcos (Braga)
• C H Alto Ave (Braga)
• C H Médio Ave (Braga)
• C H Nordeste (Bragança)
• H G S António (Porto)
• C H V N Gaia / Espinho (Porto)
• H S João (Porto)
• M Júlio Dinis (Porto)
• H Vale Sousa (Porto)
• C H Póvoa Varzim / Vila Conde (Porto)
• C H Trás os Montes e Alto Douro (Vila Real)

Centro

• H Infante D Pedro (Aveiro)
• H S Sebastião / S Maria da Feira (Aveiro)
• H S Miguel / Oliveira Azeméis (Aveiro)
• H Amato Lusitano (Castelo Branco)
• C H Cova da Beira / Covilhã (Castelo Branco)
• HUC / M Daniel de Matos (Coimbra)
• C H Coimbra / M Bissaya Barreto (Coimbra)
• H D Figueira da Foz (Coimbra)
• H S André (Leiria)
• C H Caldas da Rainha (Leiria)
• H S Teotónio (Viseu)

Lisboa e Vale do Tejo

• C H Lisboa Central / H D Estefânia (Lisboa)
• M Dr. Alfredo da Costa (Lisboa)
• H S Maria (Lisboa)
• H Fernando da Fonseca (Lisboa)
• C H Cascais (Lisboa)
• H Reynaldo dos Santos (Lisboa)
• H D Torres Vedras (Lisboa)
• C H Médio Tejo (Santarém)
• H D Santarém (Santarém)
• H N S do Rosário (Setúbal)
• H S Bernardo (Setúbal)
• H Garcia de Orta (Setúbal)

Alentejo

• C H Baixo Alentejo (Beja)
• H Dr. José Maria Grande (Portalegre)

Algarve

• H Central de Faro (Faro)
• C H Barlavento Algarvio (Faro)

Açores

• Hospital do Faial

Lista de clínicas privadas credenciadas para realizar a IVG

• Clínica dos Arcos, em Lisboa
• Clínica de Oiã, em Aveiro

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, TSF, SIC online, Direcção-Geral da Saúde.

sábado, 14 de julho de 2007

Ácido fólico nas farinhas diminui risco de deficiências congénitas em 46%


A adição de ácido fólico à farinha provoca uma diminuição de 46 por cento da incidência de anomalias congénitas do tubo neural dos bebés, principalmente da ocorrência de anencefalias e espinha bífida, revela um estudo da Universidade Laval, no Canadá.

Os defeitos abertos do tubo neural (DTN), anomalias congénitas da espinha ou do cérebro do bebé, são frequentemente causados pela carência de ácido fólico, podendo resultar em malformações do cérebro ou da espinal medula e dos seus revestimentos. Este problema ocorre quando a coluna vertebral do feto não se encerra adequadamente nos primeiros 28 dias após a concepção.

O ácido fólico (ácido peteroilglutâmico), pertencente ao grupo das vitaminas do complexo B, encontra-se na composição dos vegetais verdes, da fruta, dos cereais completos ou da carne. Porém, mesmo uma dieta equilibrada não fornece a quantidade suficiente de ácido fólico necessário às grávidas e ao bebé, explica Philippe De Wals, um dos autores do estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

Conscientes da relevância desta vitamina, as autoridades canadianas decidiram “adicionar ácido fólico a todas as farinhas produzidas no país, uma vez que a formação do tubo neural dos embriões é particularmente intensa durante as primeiras quatro semanas de gravidez, altura em que muitas das mulheres ainda não sabem que estão grávidas”, afirmou De Wals. Metade das gravidezes no Canadá não são planeadas e o corpo humano não tem capacidade para armazenar ácido fólico suficiente, sendo, por isso, importante integrá-lo na cadeia alimentar em vez de tomar exclusivamente suplementos vitamínicos, destaca a investigação.

Os especialistas compararam a incidência das deformações no tubo neural em mais de 2 milhões de nascimentos no Canadá, antes e depois de serem introduzidas no mercado as farinhas enriquecidas com ácido fólico. Entre 1993 e 1997, a incidência de malformações situava-se nos 1,58 por cento por cada 1.000 nascimentos. Por sua vez, entre 2000 e 2002, a taxa sofreu uma diminuição de 46 por cento para os 0,86 pontos percentuais por cada 1.000 nascimentos. Actualmente, a adição de ácido fólico às farinhas é uma realidade disponível apenas para os cidadãos dos Estados Unidos da América, Canadá e Chile.

Espinha bífida, quais as consequências?

A espinha bífida é uma afecção pertencente a um conjunto de alterações conhecido como defeitos do tubo neural. Nos casos mais graves, a criança pode apresentar fraqueza muscular ou mesmo paralisia abaixo do nível do não encerramento completo da coluna, perda de sensibilidade e incapacidade de controlar os esfíncteres anal e/ou vesical. Para além disto, há ainda a possibilidade do líquido cefalo-raquidiano (LCR), líquido que envolve o cérebro e a medula, poder acumular-se no cérebro, originando uma condição conhecida como hidrocéfalo, que se não for tratada pode levar a lesões cerebrais, com cegueira e convulsões.

Porém, os sintomas não são apenas físicos, sendo que, por vezes surgem também problemas de aprendizagem, entre os quais se destacam as dificuldades de atenção, expressão e compreensão da linguagem falada, dificuldades de leitura, de compreensão dos conceitos matemáticos ou ao nível da organização da informação. Entre as condições mais frequentes apresentadas pelas pessoas com espinha bífida estão ainda as tendinites, os problemas cutâneos, gastrointestinais, a obesidade e a depressão.

De acordo com dados do Instituto Médico de Radiologia Clínica, nascem cerca de 1 a 2 bebés em cada 1000 com DTN. A maioria (95 por cento) surge em famílias sem história anterior de DTN. Todos os anos, são registados cerca de 200 mil casos de espinha bífida e anencefalia a nível mundial. Os resultados deste estudo sugerem que a adição de ácido fólico aos alimentos poderia reduzir esse número para metade.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, United Press International, Science Daily, Bayer, Administração Regional de Saúde do Centro, Instituto Médico de Radiologia Clínica.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Estudo de investigadores espanhóis alerta para perigo em fetos
100% das grávidas tem um pesticida na placenta

Cem por cento das mulheres grávidas têm, pelo menos, um tipo de pesticida na placenta. O alerta foi dado por cientistas espanhóis que defendem, agora, uma investigação intensa sobre os danos associados às contaminações nesta camada que deveria proteger o feto.

Um estudo da Universidade de Granada, na Espanha, mostrou que 100 por cento das gestantes têm, pelo menos, um tipo de pesticida na placenta, mas muitas chegavam a ter oito ou mais tipos dessas substâncias.

Os investigadores analisaram 308 grávidas atendidas no hospital universitário de Granada, de 2000 a 2002, tendo sido extraídas amostras de placentas no parto.

Segundo informaram os cientistas espanhóis ao jornal «El Pais», a investigação focalizou-se nos contaminantes que afectam o funcionamento de hormônios, como os compostos presentes em certos pesticidas organoclorados disruptivos.

Segundo a coordenadora do estudo, María José López Espinosa, os seres humanos criam, por ano, cerca de duas mil novas substâncias. “A maioria são poluentes presentes no ar, na água, no solo e nos alimentos, sendo que, muitos são, inadvertidamente, absorvidos pelo corpo humano todos os dias, seja pela simples inalação ou pela ingestão de alimentos”, esclareceu.

“Boa parte dessas substâncias é eliminada pelo organismo, mas uma parte pode ser assimilada e acumulada nos tecidos”, afirmou a investigadora sublinhando que este acumulo “é particularmente perigoso” para as mulheres grávidas. “Durante a gestação, os contaminantes acumulados pela mãe passam para o feto em desenvolvimento”, frisou.

No entanto, a equipa de investigadores espanhóis admitiu desconhecer que tipo de consequência a exposição a pesticidas organoclorados poderá ter sobre os bebés, defendendo, por isso, um outro estudo que considere “com maior pormenor” os danos ambientais e os reflexos na grávida e no feto.

María José López acredita, contudo, que essas consequências “podem ser graves” sustentando que “a exposição acontece desde os primeiros momentos da formação do embrião.”
Para os investigadores espanhóis, outra possibilidade é que certos problemas sejam conhecidos, mas nunca tenham sido relacionados à exposição fetal a pesticidas organoclorados.

O grupo de pesquisa – que já fez estudos que associavam a exposição a pesticidas a malformações nos aparelhos genital e urinário – sugere que a contaminação pode ser evitada por meio de dieta equilibrada, exercícios diários e controle do tabagismo.

Raquel Pacheco

Fonte: El Pais/Correofarmaceutico.com/OGlobo

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Nasceu o primeiro bebé a partir de óvulo amadurecido e congelado em laboratório

Nasceu no Canadá o primeiro bebé concebido com a ajuda de um novo método de fertilidade que utiliza um óvulo da mulher, preservado e amadurecido em laboratório e posteriormente congelado. Este recente avanço oferece uma esperança às mulheres que sofrem de cancro e às que se submetem a tratamentos de fertilidade que por vezes se revelam fatais.

Os cientistas sublinham que a chegada deste bebé representa o sucesso das primeiras células de óvulos que conseguiram sobreviver ao processo e serem fertilizadas com êxito. O recém-nascido apresenta uma boa progressão e há mais três bebés a caminho, fruto de gravidezes concebidas através da mesma metodologia, revelaram os especialistas durante uma conferência de imprensa em Lyon, França.

A maturação de ovócitos fora do organismo é já uma ferramenta importante na reprodução medicamente assistida. O novo método acrescenta a possibilidade de congelar óvulos, oferecendo às mulheres que não conseguem amadurecê-los no organismo, uma oportunidade de preservarem a sua fertilidade.

Para Hananel Holzer, do Centro Reprodutivo McGill, em Montreal, Canadá, e o principal orientador da investigação, este método “tem potencial para se tornar numa das principais opções de preservação da fertilidade, especialmente no caso das pacientes que não têm estimulação ovariana ou daquelas que não têm tempo para se submeter a ela”.

A fertilização in vitro envolve a utilização de elevadas doses de hormonas para estimular os ovários e produzir vários óvulos, procedimentos que se tornam demasiado dispendiosos. Por outro lado, as mulheres com cancro, muitas vezes, não dispõem de tempo suficiente para se submeter à estimulação ovariana, ou podem sofrer de uma condição médica que torna perigosa essa estimulação, como é o caso do cancro da mama sensível a hormonas.

Para levar a cabo este processo os cientistas recolheram óvulos de 20 mulheres com uma média de idades que rondava os 30 anos e que padeciam que uma disfunção ovariana que lhes dificultava a tarefa de engravidar. Os óvulos foram amadurecidos em laboratório durante 24 a 48 horas e congelados durante alguns meses e depois descongelados. Cerca de 69 por cento dos ovócitos sobreviveram ao procedimento e foram fertilizados, e mais de um embrião foi implantado em cada paciente.

Ainda assim, o responsável adverte que a investigação está em fase preliminar e que não foi testada em doentes com cancro. “Precisamos de informar os pacientes acerca da fase precoce em que se encontram estes tratamentos sem lhes transmitir falsas esperanças”, destacou Holzer.

Por sua vez, uma equipa de cientistas de Israel anunciou que conseguiu extrair e congelar óvulos, a partir de ovários de raparigas com 5 anos de idade, o que poderá permitir a jovens que tenham sobrevivido a um cancro terem filhos, um dia mais tarde. Os resultados desta investigação serão apresentados durante a reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Lyon.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, News Scientist, Reuters.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Maça na gravidez pode proteger feto da asma

Grávidas que comem muitas maçãs estarão menos predispostas a ter um filho asmático. A conclusão é de um estudo feito por uma universidade escocesa e foi apresentada durante a conferência da Associação Torácica Americana.

A investigação conduzida pelos cientistas da Universidade de Aberdeen, na Escócia, assentou em entrevistas sobre os hábitos alimentares de duas mil grávidas e, posterior acompanhamento da saúde dos filhos por um período cinco anos.

Os investigadores constataram que os bebés cujas mães comeram quatro ou mais maçãs por semana, tiveram menos hipóteses de sofrer de asma, em comparação com aquelas que comeram a fruta menos de uma vez por semana.

No mesmo estudo, os cientistas sugerem que comer peixe durante a gravidez diminui os riscos de a criança desenvolver eczema. “Os filhos de mulheres que tenham comido, pelo menos, uma vez por semana, uma porção de qualquer tipo de peixe durante a gravidez, viram reduzido para metade o risco de desenvolvimento de eczema, pelas crianças, nos primeiros cinco anos de vida”, afirmaram os cientistas, considerando que “nenhuma outra comida parece estar ligada a quedas nos índices de asma e eczema.”

A equipa escocesa ressalvou, porém, que provar as ligações entre dieta materna e a saúde do bebé “é uma tarefa muito difícil”, reconhecendo “o grande número de outros factores que influenciam o desenvolvimento da criança.”

Que a maçã – devido às suas propriedades antioxidantes - pode ter efeitos positivos sobre a saúde pulmonar dos adultos, não é uma descoberta nova para nutricionistas e médicos, assim como, os efeitos benéficos do peixe - devido ao elemento Ômega 3 -, nomeadamente, os mais oleosos.

Sumo de maçã


Um outro estudo publicado no «European Respiratory Journal» - e, na altura, divulgado pelo FARMACIA.COM.PT – revela que, crianças que bebam muito sumo de maçã estão menos propensas a desenvolver sintomas asmáticos.
Segundo a investigação elaborada pelo Instituto Nacional de Coração e Pulmões, do Reino Unido, as crianças que tinham bebido sumo de maçã, pelo menos, uma vez por dia, mostraram metade da probabilidade de desenvolver sintomas asmáticos do que as crianças que o ingeriam apenas uma vez por mês.
Os cientistas envolvidos no estudo, sugeriram que “os flavonóides e ácidos fenólicos encontrados nas maçãs ajudaram a acalmar inflamações nas vias respiratórias, um mecanismo essencial na asma.”

Raquel Pacheco e Pedro Capão


Fonte: Notícias.Terra.com/Correio.web/BBC News

Transmissão heterossexual do HIV aumenta em Portugal

O HIV Meeting Point reuniu em Óbidos vários especialistas nacionais e internacionais que analisaram a situação do HIV/Sida em Portugal. Uma das principais conclusões deste encontro alerta para o facto da transmissão heterossexual estar a aumentar a nível nacional, ocupando já o segundo lugar na tabela dos principais grupos de contágio.

Elizabeth Pádua, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, encarregou-se de chamar a atenção para a expressividade dos números. De acordo com esta investigadora, “a 31 de Março de 2007, encontravam-se notificados 31.132 casos de infecção VIH / SIDA nos vários estádios de infecção. O total acumulado de casos de SIDA era de 13.762 dos quais 452 causados pelo vírus VIH-2”.

Apesar do maior número de casos notificados se referir a toxicodependentes, o aumento da transmissão heterossexual é uma realidade, sendo já considerada a segunda maior causa de infecção. De acordo com os padrões epidemiológicos registados em 2002, a tendência, afirmam os especialistas, é o aumento proporcional do número de casos de transmissão heterossexual e uma diminuição dos casos associados à toxicodependência.

Durante o encontro, promovido pela Gilead Sciences, foram debatidas as terapêuticas Anti-retrovirais e as suas alterações metabólicas, as suas resistências, as alterações renais e a qualidade de vida dos doentes. Alguns dos presentes deram a conhecer casos clínicos que procuraram servir como exemplo dos resultados obtidos com as actuais terapêuticas praticadas em Portugal.

O HIV Meeting Point ’07, que se realizou no Hotel Marriott, em Óbidos, no dia 23, procurou promover a troca de conhecimentos e experiencias entre os mais de cem profissionais de saúde presentes. O simpósio contou com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas, do Núcleo VIH da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida.

Marta Bilro

Fonte: Saúde na Internet, Jornal do Oeste.