domingo, 1 de julho de 2007

Cancro da próstata e diabetes ligados geneticamente

Um estudo realizado por uma equipa de cientistas internacionais revelou que existe um vínculo genético entre a diabetes de tipo 2 e o cancro da próstata. Os responsáveis pela investigação, publicada na revista “Nature Genetics”, conseguiram identificar duas variações genéticas no cromossoma 17 que aumentam “ligeiramente” o risco de desenvolver este tipo de cancro.

Conforme explicou José Ignacio Mayordomo, responsável pelo departamento do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Clínico Universitário de Saragoça e um dos autores da investigação, o facto de os homens com diabetes correrem menos riscos de desenvolver cancro da próstata já era conhecido epidemiologicamente. Porém, “agora foi identificado um gene que protege da diabetes, mas que, por outro lado, faz aumentar o risco de sofrer de cancro da próstata”, explicou.

A variação genética em causa é responsável pelo metabolismo da glicose. Por sua vez, uma das características das células tumorais reside no aumento do gasto de energia e nas modificações no metabolismo da glicose. Este é o principal factor que leva os especialistas a concluir que o estudo desse gene, a médio prazo, poderá conduzir ao desenvolvimento de possíveis terapias para novos tratamentos do cancro e ser uma ferramenta importante no diagnóstico precoce e, consequentemente, na prevenção.

Os autores da investigação centraram-se na identificação das variantes genéticas que predispõem certos homens a sofrer de cancro da próstata. Os indivíduos que sofram de uma das duas variações do cromossoma 17 identificadas pelos cientistas comportam um risco 21 por cento superior de vir a desenvolver a doença ao longo da vida. Segundo Mayordomo, ainda que a presença destas variações não implique “um risco vertiginosamente elevado”, os homens que as possuam devem estar mais atentos às lesões na próstata porque estas podem vir a revelar-se cancerígenas.

Entre o conjunto de causas possíveis para o aparecimento de cancro da próstata, a carga genética tende a ser um factor menos preponderante quando comparado com os factores ambientais. Nesse sentido, não é “absolutamente certo” que as pessoas que padeçam das referidas variantes genéticas venham a desenvolver cancro da próstata, ainda assim, segundo o especialista, o estilo de vida não deve ser descuidado.

Evitar os factores de risco, como a obesidade e as dietas ricas em gorduras animais, é o principal conselho dado pelos especialistas. Os homens com idade superior a 50 anos são os mais afectados, contudo, tem-se assistido ao aparecimento deste tumor em idades cada vez mais precoces. Estima-se que na população masculina acima dos 50 anos, a ocorrência ronde os 3 por cento. Os dados da União Europeia indicam que um em cada seis homens tem probabilidades de contrair cancro da próstata. Em Portugal, surgem 4 mil novos casos por ano, o que representa cerca de 19 por cento do total de tumores.

Marta Bilro

Fonte: Terra.es, Último Segundo, Hospital da Trofa, Médicos de Portugal.

ENSP anuncia parceria para desenvolver novos projectos de investigação

A Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) anunciou que vai estabelecer uma parceria com um laboratório farmacêutico, com vista à promoção de novas linhas de investigação e ao desenvolvimento de vários projectos de investigação de carácter epidemiológico (doenças contagiosas).

A parceria que deverá ser estabelecida segunda-feira, "insere-se num projecto mais amplo de laboratório de técnicas de análise de gestão”, sendo que o primeiro projecto ao abrigo deste acordo passará pela "criação de um sistema integrado de suporte à investigação nas áreas das ciências sociais e de saúde pública", informou Constantino Sakellarides, director da Escola Nacional de Saúde Pública.

De acordo com o professor Sakellarides, a parceria trará "ganhos em termos de interactividade e de tempo", uma vez que a Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa, será reforçada com uma maior capacidade técnica, aumentando assim a sua autonomia tecnológica de apoio às actividades científicas e pedagógicas da instituição.

O projecto prevê a implementação de "técnicas interactivas de análises de aprendizagem, isto é, os alunos passam a trabalhar em rede, colocam as perguntas que quiserem e as respostas obtidas estarão disponíveis on-line para que todos possam usufruir", explicou o professor.

"Se tivermos a informação de um acidente ou a abertura de um novo serviço de saúde passa a ser possível recolher perguntas, fazer um resumo das mesmas e dar respostas em conjunto", concluiu.

Inês de Matos

Fonte: Lusa
Especialistas discutem reactividade dos medicamentos
Universidade do Algarve recebe 250 químicos

A Universidade do Algarve acolhe, entre hoje e a próxima sexta-feira, o XI Simpósio Europeu de Reactividade Orgânica, o maior evento europeu naquela área, que pela primeira vez se realiza em Portugal. Pelo auditório do Campus de Gambelas (Faro) passarão 250 químicos, oriundos de quatro continentes, que discutirão temas como a quimioterapia da malária, a actuação dos medicamentos e a sua interacção com o ADN humano. A sessão de abertura está marcada para as nove horas.

A reactividade orgânica é o “estudo da estrutura de sistemas químicos e das suas reacções, cujos resultados são utilizados em áreas como as ciências da saúde ou o desenvolvimento de novos materiais, com potenciais novas aplicações”, explicou a responsável pela organização do evento, Maria de Lurdes Cristiano, professora do Departamento de Química, Bioquímica e Farmácia da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade do Algarve. De acordo com aquela responsável, este simpósio reveste grande importância para o país, porque “atrai investigadores de renome internacional e permitirá dar visibilidade à investigação científica feita em Portugal, potenciando o intercâmbio de ideias e o surgimento de colaborações internacionais”.
A malária (ou paludismo) é uma doença tropical infecciosa transmitida pela picada do mosquito Anopheles, e mata anualmente cerca de dois milhões de pessoas. No prazo de 50 a 100 anos, de acordo com os especialistas, diversos países do Sul da Europa poderão voltar a ser atingidos pela doença devido ao previsível aumento da temperatura e a outras alterações climáticas. O presidente da Assistência Médica Internacional, Fernando Nobre, disse recentemente que Portugal, Espanha, Itália e Grécia poderão voltar a conviver com a malária, erradicada do nosso país em 1950. O programa do simpósio e toda a informação relevante acerca do evento encontra-se disponível no endereço www.ualg.pt/esorxi

Carla Teixeira
Fonte: Ciência Hoje, Universidade do Algarve


NOTA: O "hoje" a que se refere a notícia é o dia 2 de Julho, segunda-feira.
Fármacos não tiveram os resultados prometidos
China baniu 10 tipos de medicamentos


A imprensa chinesa anunciou esta semana a decisão do governo de Pequim de banir do mercado farmacêutico local 10 tipos de medicamentos cujos resultados não traduziram as promessas feitas pelas empresas fabricantes. De acordo com o jornal «Beijing News», e no momento em que entram em vigor naquele país novas regras relativas à publicidade de medicamentos e produtos farmacêuticos, Pequim resolveu impedir a comercialização de todos os fármacos que, submetidos a testes clínicos, não atestem os resultados publicitados pelas marcas. A venda daqueles produtos foi interdita, e os meios de comunicação que tenham feito publicidade aos medicamentos em causa terão de publicar retratações dessas notícias.

Carla Teixeira
Fonte: MSNBC
Reavaliada a relação risco/benefício da substância
EMEA desaconselha utilização de piroxicam


O Instituto da Farmácia e do Medicamento emitiu ontem uma nota em que noticiou a recomendação feita pela Agência Europeia de Medicamentos no sentido de que a utilização da substância piroxicam seja restringida, em virtude do seu alegado risco de reacções adversas gastrointestinais e cutâneas graves.

De acordo com a nota agora divulgada, e que se destina aos profissionais de saúde e ao público, o Comité de Medicamentos de Uso Humano da EMEA concluiu que o piroxicam não deverá continuar a ser usado no tratamento de curta duração de situações dolorosas e inflamatórias, embora possa continuar a ser prescrito tendo em vista o alívio sintomático de doenças como osteoartrose, artrite reumatóide ou espondilite anquilosante. Nesses casos, porém, o piroxicam não deverá ser o anti-inflamatório não esteróide de primeira linha, segundo os especialistas.
Ainda segundo o comunicado do Infarmed, a prescrição daquela substância deverá sempre ser indicada por um médico com experiência no tratamento de doentes com doenças reumáticas inflamatórias ou degenerativas, devendo ser utilizada a menor dose (nunca mais do que 20 mg por dia), no mais curto período de tempo possível, sendo obrigatoriamente revisto no prazo de 14 dias. Adicionalmente, o CHMP recomendou a inclusão de novas contra-indicações ao medicamento, bem como o reforço das advertências relativas ao piroxicam. Estas indicações não se aplicam aos fármacos contendo aquela substância que se destinem a aplicações tópicas.
Em resposta a uma solicitação da Comissão Europeia, o CHMP iniciou no passado mês de Setembro um processo de reavaliação aprofundada dos benefícios e riscos do piroxicam, depois de se ter verificado que aquele AINE poderia estar associado a uma maior prevalência de efeitos secundários gastrointestinais e de reacções adversas cutâneas graves do que os outros anti-inflamatórios não esteróides não selectivos. Para mais esclarecimentos deve contactar-se o Centro de Informação do Medicamento e Produtos de Saúde do Infarmed, através da Linha Verde do Medicamento (800222444) ou por correio electrónico, para o endereço de e-mail centro.informacao@infarmed.pt, ou o seu departamento de Farmacovigilância, através do telefone 217987140 ou pelo e-mail farmacovigilancia@infarmed.pt.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

Exposição solar não regulariza níveis de vitamina D no organismo

A carência de vitamina D no organismo é muitas vezes associada à pouca exposição solar, mas as conclusões de um estudo recentemente publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, vêm contrariar esta ideia.

O estudo investigou o estado da vitamina D em 93 habitantes bronzeados do Havai, cuja exposição solar é constante, com uma média de mais de vinte horas semanais de exposição.

No entanto, as conclusões do estudo mostraram que 51 por cento dos indivíduos observados apresentavam carência de vitamina D, o que contrariava a ideia concebida até então.

«Isto implica que a recomendação clínica habitual de expor as mãos e a face 15 minutos por dia ao Sol poderá não assegurar vitamina D suficiente», explica Neil Binkley, da Universidade do Winscons, responsável pelo estudo.

O estudo desenvolvido pela equipa do Dr. Neil Binkley veio desta forma desmistificar a ideia incorrecta que associava a carência de vitamina D, à deficiente exposição ao sol.

“Não se pode assumir que os indivíduos com uma exposição solar abundante têm níveis adequados de vitamina D”, alerta o responsável.

Inês de Matos

Fonte: Reuters, Sol

Pomada Dafnegil retirada do mercado

O Departamento de Inspecção do Instituto da Farmácia e do Medicamento ordenou ontem a recolha de todas as embalagens de todos os lotes do medicamento Dafnegil 10m mg/g + 40000UI/g pomada vaginal, com registo de AIM n.º 9519306, cujo titular de AIM é a firma L. Lepori Lda., por terem sido detectados, em análises efectuadas na Direcção de Comprovação de Qualidade do Infarmed, resultados fora das especificações no que toca ao ensaio de Aferição Microbiológica de Antibióticos – difusão para a Nistatina relativamente ao lote n.º64420, com prazo de validade de Julho do próximo ano. Na mesma nota, o Conselho Directivo do Infarmed relatou ter aferido o não cumprimento, para todos os lotes, do método de análise Aferição Microbiológica de Antibióticos – Difusão para a Nistatina, aprovado em sede de Autorização de Introdução no Mercado.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

Canadá: Pastas dentífricas contrafeitas contêm substância tóxica

As autoridades de Saúde do Canadá estão a alertar os consumidores para a presença de dietileno glicol, uma substância tóxica utilizada em anti-congelantes, em pastas dentífricas contrafeitas que são importadas da China e comercializadas sob a marca Colgate.

De acordo com os responsáveis canadianos, 21 pastas de dentes foram encontradas no mercado contendo níveis muito elevados desta substância. O dietileno glicol, utilizado como anti-congelante e solvente, pode provocar “náuseas, dores abdominais, tonturas, problemas urinários, falhas renais, problemas de respiração, letargia, convulsões, coma e mesmo a morte se for ingerido”, alertou Jean Saint-Pierre, porta-voz da “Health Canada”.

Caso seja ingerida, a pasta de dentes pode causar lesões principalmente nas camadas mais “vulneráveis” das populações, como é o caso das crianças ou dos consumidores com problemas renais ou hepáticos. Segundo Saint-Pierre, as pessoas com um sistema imunitário comprometido ou enfraquecido podem sofrer “um impacto grave” caso ingiram a substância.

A “Health Canada” explicou que as pastas dentífricas são originalmente rotuladas em chinês e foram encontradas em mercados chineses um pouco por todo o país, sendo que nenhum dos produtos foi aprovado pela entidade.

Um aviso semelhante foi lançado, no início do mês de Junho, pela Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration - FDA), quando foi detectada a presença da mesma substância tóxica em pastas de dentes falsificadas.

Marta Bilro

Fonte: CTV.ca, Spiritindia.com

«Saúde e migrações» em destaque na presidência portuguesa da UE

A terceira presidência portuguesa da União Europeia, que hoje teve início, vai adoptar como tema, na área da Saúde, “Saúde e Migrações”, avançou José Pereira Miguel, responsável pela coordenação do sector, que acredita que esta é uma aposta através da qual “Portugal pode fazer a diferença”.

O futuro dos serviços de saúde dos Estados-membros é uma das questões que deve ser discutida com profundidade de forma a ser decidida pelos Governos e não por imposição da Comissão Europeia, considera o coordenador da área da Saúde no âmbito da presidência portuguesa.

De acordo com José Pereira Miguel, chamando a atenção para a saúde dos migrantes, “Portugal pode fazer a diferença no campo da saúde com o seu projecto de presidência”. Em declarações à agência Lusa o responsável frisou que o tema está “um bocado esquecido”, porém não deixa de ser de grande utilidade já que a Europa “não tem outro caminho a não ser ajudar os migrantes e os seus países de origem”

Uma das missões da presidência Portuguesa passa por transmitir o estímulo aos outros Estados-membros para que «os ministros da Saúde europeus sejam capazes de subscrever conclusões sobre o trabalho futuro da área da saúde dos migrantes», acrescentou. Para que se saiba como lidar com os migrantes, a “preparação dos profissionais de saúde” também não pode ser esquecida. “Esse lidar refere-se ao trato, à linguagem, à compreensão dos seus valores, das suas atitudes, da sua cultura, mas também em termos técnicos”, afirmou.

Os diagnósticos diferenciais são, segundo José Pereira Miguel, um dos exemplos com maior relevância. “Se o médico não leva em causa que pode estar perante uma doença que, apesar de não ser frequente no nosso país, pode ser importada (uma infecção, por exemplo) terá menos probabilidades de tratar esse doente”, explicou.

O futuro dos serviços de saúde é outra das discussões que José Pereira Miguel considera indispensáveis, porque apesar dos países se demonstrarem «muito ciosos da sua independência» em matéria de saúde, “também têm vindo a definir um conjunto de princípios comuns que gostariam de ver respeitados”.

Os responsáveis pretendem ainda propor uma estratégia de combate a doenças para a União Europeia, promovendo jornadas sobre os aspectos chave dessa estratégia e dando relevo a algumas patologias, como o cancro ou as doenças cardiovasculares. Estão igualmente previstas iniciativas no domínio das drogas, do HIV/Sida e da inovação farmacêutica.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digita, Lusa.

Patologias da tiróide explicadas a “doentes, familiares e curiosos”

Mais de 200 especialistas estiveram reunidos em Lisboa para debater questões relacionadas com o cancro da tiróide, uma patologia que afecta cerca de 500 portugueses e que em 15 por cento dos casos se revela fatal. Segundo explicou o presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), José Luís Medina, ao congresso segue-se um encontro, no Porto, aberto à população, que pretende informar “doentes, familiares e curiosos” sobre a tiróide e as suas doenças.

“As pessoas julgam que a tiróide só tem uma doença, o que não é verdade”, esclareceu o especialista em declarações à agência Lusa, salientando a importância de informar de modo a facilitar uma detecção precoce dos problemas. Este tipo de encontros tem uma função muito importante, considera José Luís Medina, pelo facto de incluir todos os interessados no tema e não apenas os profissionais de saúde.

“É uma forma de promover o diagnóstico precoce” e, simultaneamente, de evitar que as pessoas entrem em pânico de cada vez que detectam um nódulo no pescoço, pensando tratar-se de cancro, afirmou. Até porque, na consulta de endocrinologia, uma em cada 15 mulheres e um em cada 60 homens apresentam nódulos mas apenas uma pequena minoria se revela maligna.

Conforme esclareceu o especialista, existem três grandes grupos de doenças da tiróide, do qual fazem parte as alterações da forma (nódulos), as alterações da função e alterações de ambas. Nas consultas de endocrinologia, em cada 10 doentes, quatro ou cinco têm doenças da tiróide. O hipertiroidismo (quando a tiróide funciona demasiado) e o hipotiroidismo (quando o seu funcionamento é deficitário), são alterações da função que se tratam com medicamentos.

Por sua vez, o cancro da tiróide pode requerer uma intervenção cirúrgica, à qual se segue o tratamento à base de iodo radioactivo. A taxa de mortalidade é reduzida, situando-se nos 15 por cento, e é tanto menor quanto mais cedo for diagnosticada a doença. O tumor afecta mais de 25 mil pessoas por ano em toda a Europa causando cerca de seis mil mortes e é quatro vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens.

Marta Bilro

Fonte: As Beiras

sábado, 30 de junho de 2007

Primeiro Prémio Visão António Champalimaud entregue ao sistema indiano Aravind

A Fundação Champalimaud anunciou hoje que o sistema indiano Aravind Eye Care System foi o vencedor do primeiro prémio de Visão António Champalimaud, o maior prémio mundial no sector da oftalmologia e combate à cegueira.

O sistema Aravind, fundado em 1976, na Índia, por G. Venkataswamy, com a missão de combater a cegueira, integra actualmente cinco hospitais, um centro de produção de produtos oftalmológicos e uma fundação internacional de investigação e formação.

De acordo com a Fundação Champalimaud, "o Aravind integra as maiores e mais produtivas instalações do mundo para tratamento dos olhos", disponibilizando tratamentos oftalmológicos a milhões de pessoas. “Entre Abril de 2006 e Março de 2007, foram tratadas 2,3 milhões de pessoas e feitas 270.444 cirurgias".

O sistema indiano oferece serviços pagos, no entanto, disponibiliza também serviços gratuitos, essencialmente à população rural indiana.

O Prémio de Visão António Champalimaud no valor de um milhão de euros, é este ano atribuído pela primeira vez e o anúncio do vencedor está a ser feito através do site de vídeos You Tube.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Novo software aumenta precisão na análise de mamografias

Um software desenvolvido por investigadores brasileiros permite aceder gratuitamente, através da internet e em tempo real, a um diagnóstico preciso dos primeiros sintomas de cancro da mama. Os cientistas da Universidade de São Paulo, responsáveis pela inovação, acreditam que o CAD.Net evita a realização de biópsias desnecessárias em 80 por cento dos casos.

O protótipo do primeiro software detecta e classifica as estruturas possivelmente ligadas aos tumores malignos ou benignos e tem permitido fazer um diagnóstico exacto de mamografias, identificando as células cancerígenas em estado inicial. O sistema auxilia os profissionais na análise de radiografias digitalizadas e tem-se revelado mais eficiente do que o método tradicional a partir de negativos de raio-X.

Os médicos interessados podem digitalizar as mamografias e enviá-las para os especialistas através do site. Os exames são depois analisados por investigadores do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens Médicas e Odontológicas (LAPIMO).

“Com o CAD.Net, é possível identificar sinais da doença que nem sempre são percebidos pela avaliação médica manual ou pela mamografia”, salientou Michele Ângelo, autora da tese de doutoramento que deu origem ao protótipo elaborado pela Escola de Engenharia Elétrica de São Carlos.

O CAD.Net está disponível na internet 24 horas por dia e pode ser acedido através do site do LAPIMO, sendo para isso necessário um scanner de imagens digitais.

Marta Bilro

Fonte: Saúde Business Web, Link, ComuniWeb.

Nestlé autorizada a adquirir unidade da Novartis

A Comissão Europeia aprovou a proposta da Nestlé para adquirir a unidade de nutrição médica da farmacêutica suíça Novartis. A transacção, que envolve 1,88 mil milhões de euros, está sujeita a algumas condicionantes.

Por considerarem que o negócio entre as duas empresas suíças poderia pôr em causa a competição nos mercados de produtos de nutrição enteral (distribuídos através do trato intestinal) em França e Espanha, os responsáveis europeus só o autorizaram depois de estas terem abdicado das actividades nos países referidos.

De acordo com a entidade reguladora europeia, desta forma foram criadas condições para eliminar as preocupações relativas à concorrência e avançar com o negócio. “À luz destes compromissos, a Comissão concluiu que a proposta de transacção não iria impedir a competição efectiva na Zona Económica Europeia ou em qualquer parte dela”, relataram os responsáveis.

Desta forma a Nestlé passará a deter marcas de suplementos nutritivos, onde se incluem a Boost e a Resource, ou a Optifast no ramo dos produtos dietéticos. Numa oferta separada a Nestlé demonstrou também interesse pela Gerber, a unidade da Novartis dedicada à alimentação infantil.

A operação comercial vai colocar a Nestlé no segundo lugar, a nível global, entre os fornecedores de alimentos especiais para pacientes hospitalares. Os responsáveis da Nestlé já afirmaram que os dois mil funcionários da Novartis, que actualmente trabalham na unidade de medicina nutricional, em Gland, na Suíça, deverão juntar-se à empresa de forma a ampliar a sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, CNN Money, Herald Tribune, Lukor.

Synagis pode contribuir para reduzir complicações respiratórias em prematuros

Um novo estudo publicado no “Journal of Pediatrics” indica que o Synagis (palivizumab) poderá contribuir para reduzir as complicações respiratórias recorrentes em crianças prematuras.

A Abbott e a MedImmune anunciaram os resultados de um novo estudo, publicado na edição de Julho do “Journal of Pediatrics”, que demonstra que o tratamento com Synagis (palivizumab) poderá reduzir quase para metade as complicações respiratórias recorrentes nas crianças prematuras.

O Synagis é uma terapia biológica conhecida como um anticorpo monoclonal administrado mensalmente nas crianças prematuras para prevenir as infecções graves do tracto respiratório inferior causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), uma das principais causas de infecções víricas nas crianças. As complicações respiratórias ou sibilos são reconhecidos através de um assobio produzido quando o ar passa pelas vias respiratórias, que se estreitam por causa da inflamação ou espasmos musculares.

Especificamente, o estudo demonstrou que as crianças prematuras, que não sofrem de doença crónica do pulmão, e que receberam Synagis antes do estudo, experimentaram uma redução de 49 por cento na incidência de complicações respiratórias recorrentes, em relação aos prematuros que não receberam Synagis. O estudo, com a duração de dois anos, permitiu descobrir que se tinha conseguido uma redução de 51 por cento na incidência de complicações respiratórias recorrentes no grupo do Synagis, em comparação com as crianças que não receberam o tratamento.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 64 milhões de pessoas são infectadas com VSR todos os anos e 160 000 irão morrer devido a esta doença. Aproximadamente metade de todas as crianças são infectadas por VSR durante o primeiro ano de vida, e quase todas serão infectadas, pelo menos uma vez, até completarem o segundo aniversário.

As infecções por
VSR manifestam-se normalmente como sendo uma infecção do tracto respiratório superior com sintomas semelhantes aos de uma constipação. Nas crianças prematuras a inflamação apresenta um risco acrescido de progressão da infecção para o tracto respiratório inferior, pelo que é frequente a hospitalização, ventilação mecânica e cuidados intensivos. Para além das consequências agudas da infecção, os dados epidemiológicos sugerem uma relação entre hospitalização associada ao VSR inicial e complicações respiratórias crónicas, tais como sibilos recorrentes e asma, que poderiam chegar até à adolescência.

O Synagis, quando administrado a prematuros como profilaxia do
VSR, tinha demonstrado anteriormente uma redução de 55 por cento nas hospitalizações devido ao VSR. Os investigadores do actual estudo puseram a hipótese de o Synagis, ao prevenir as doenças graves provocadas pelo VSR, poder ser responsável pela redução das complicações respiratórias recorrentes ao longo da vida.

Na recente pesquisa, os investigadores estudaram um grupo de prematuros (nascidos com menos de 35 semanas de gestação) que receberam, pelo menos, três doses de Synagis para a profilaxia do
VSR, durante o primeiro ano de vida, e um grupo semelhante que não recebeu tratamento com Synagis. O grupo do Synagis tinha 191 prematuros com menos de 36 meses e que não estavam hospitalizados por causa do VSR. O grupo de controlo era formado por 230 prematuros que foram emparelhados cronologicamente por idade e por gestação: 76 foram hospitalizados com VSR, ao contrário de 154. Os sujeitos do estudo submeteram-se a um acompanhamento durante 24 meses, sendo a idade média de 19 meses.

O principal objecto deste estudo foi a incidência de complicações respiratórias recorrentes, definidas por três ou mais episódios nos 12 meses posteriores. Um episódio de complicações respiratórias define-se por um ou mais dias consecutivos de complicações, precedidos e seguidos por um período saudável de, pelo menos, uma semana.

Depois do acompanhamento destas crianças durante dois anos, os resultados demonstraram que a incidência de complicações respiratórias recorrentes foi 49 por cento inferior nas crianças que receberam Synagis, em comparação com os que não receberam (13% versus 26%, p=0,001). Houve também significativamente menos complicações respiratórias diagnosticadas por médicos no grupo que recebeu Synagis (8% versus 16%, p=0,011).

O Synagis foi aprovado para comercialização nos Estados Unidos em 1998, na Europa em 1999 e no Japão em 2002, estando actualmente disponível em 62 países.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire, www.abbott.com

Exposição ao fumo passivo pode provocar cancro do pulmão

Ao mesmo tempo que Portugal acaba de aprovar a nova Lei do Tabaco, um estudo norte-americano revela que breves exposições ao fumo passivo, em bares e restaurantes, podem provocar a acumulação no organismo de níveis consideráveis de uma toxina responsável pelo cancro do pulmão. A conclusão resulta de uma investigação realizada por cientistas do “Multnomah County Health Department”, no Oregon.

O estudo, que analisou um grupo de trabalhadores não-fumadores, observou que aqueles que trabalhavam num bar ou restaurante onde era permitido fumar tinham mais probabilidades de possuir níveis de uma substância cancerígena no organismo relacionada com o desenvolvimento do cancro do pulmão, do que os que eram funcionários de estabelecimentos livres de fumo.

Conforme explicou Michael Stark, um dos responsáveis pela pesquisa, a referida substância “só é encontrada no organismo dos fumadores ou daqueles que respiram o fumo de outras pessoas”. O estudo envolveu 52 não fumadores que estavam expostos ao fumo nos locais de trabalho e comparou os resultados com os de 32 não fumadores que trabalhavam em locais sem fumo.

Os trabalhadores forneceram amostras de urina imediatamente antes de cada turno, o que permitiu aos cientistas detectar que 75 por cento dos participantes que tinham trabalhado num estabelecimento onde fumar era permitido continham níveis da substância carcinogénea no organismo.

“Quatro em cada cinco pessoas pertencentes ao grupo dos não fumadores que trabalhavam num ambiente com fumo tinham vestígios da substância química fatal no organismo e, por cada hora que trabalhavam, o nível aumentava 6 por cento”, referiu Stark. Outros estudos demonstraram que os não fumadores expostos ao fumo passivo correm um risco 20 por cento maior de desenvolver cancro do pulmão e um risco acrescido de sofrer de asma e complicações perinatais, no caso das mulheres.

Os malefícios não se ficam por aqui, segundo os especialistas, os fumadores passivos estão expostos a mais de quatro mil substâncias químicas, das quais 69 podem provocar cancro. Por sua vez, os regulamentos sobre a limpeza do ar no interior dos espaços fechados protegem cerca de 70 por cento dos trabalhadores da exposição ao fumo do tabaco, conclui a mesma investigação.

A nova Lei do Tabaco, aprovada no dia 28 de Junho, no Parlamento português, parece vir em defesa dessa camada de trabalhadores, uma vez que prevê que cada proprietário possa decidir se o seu estabelecimento será para não fumadores, para fumadores ou para ambos, desde que fique garantida a qualidade do ar para os não fumadores.

Marta Bilro

Fonte: Medical News, The Vancouver Sun, eMaxHealth.

Infarmed recebe autoridades europeias dos medicamentos

Reuniões decorrem nos dias 10 e 11 de Julho em Lisboa

O grupo dos Chefes das Agências de Medicamentos da União Europeia (UE) vai reunir-se, em Lisboa, nos próximos dias 10 e 11. O Infarmed (Antoridade Nacional do Medicamento) acolhe o encontro que, decorrerá já, sob a égide da presidência portuguesa do Conselho da UE.

Trata-se de uma reunião de dirigentes máximos (ou seus representantes) das agências que, na Europa, regulam os medicamentos de uso humano e de uso veterinário.

A missão é dedicar especial atenção à liderança de processos no âmbito do Sistema Regulamentar Comunitário de Medicamentos e assegurar um fórum de troca de opiniões sobre assuntos do interesse comum.

Os Chefes das Agências de Medicamentos da UE (Heads of Medicines Agencies - HMA) e da Área Económica Europeia (EEA - Islândia, Liechtenstein e Noruega) da Comissão Europeia e da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) reúnem-se duas vezes por presidência. Deste modo, a primeira discussão está agendada para os dias 10 e 11 de Julho e, a segunda, para os dias 6 e 7 de Novembro, no Funchal (Madeira).

O encontro das autoridades europeias tem como finalidade discutir sobre questões políticas e estratégicas relacionadas com os medicamentos de uso humano e veterinário, com vista a reforçar a Saúde Pública na Europa.


Questões de natureza política e estratégica relacionadas com a autorização, segurança e qualidade dos medicamentos de uso humano e veterinário serão temas igualmente discutidos, assim como, medidas de melhoria da eficiência e de desempenho da rede europeia do medicamento. Está ainda prevista a adoptação de programas conjuntos de divisão e partilha de trabalho.


Em particular, o grupo assegura: apoio ao sistema comunitário através da contribuição com recursos profissionais e científicos de elevada qualidade; a formulação de uma perspectiva equilibrada no funcionamento dos procedimentos de autorização europeus bem como nas suas implicações para as agências dos Estados membros; a capacidade de liderança e uma visão global do procedimento de reconhecimento mútuo no âmbito do sistema europeu; reflexão e proposta de soluções práticas para fazer face aos problemas que emergem no sistema, os quais afectam os Estados membros.

Raquel Pacheco

Fonte: Infarmed/HMA

Universidade do Algarve recebe XI Simpósio Europeu de Reactividade Orgânica

A Universidade do Algarve vai receber, de 1 a 6 de Julho, o XI Simpósio Europeu de Reactividade Orgânica, que deverá contar com a presença de mais de 250 químicos, oriundos dos quatro cantos do mundo.

O evento que irá ter lugar no Campus de Gambelas, da Universidade do Algarve, em Faro, pretende aprofundar o estudo da reactividade dos sistemas químicos, nomeadamente ao nível dos efeitos dos medicamentos, mas também no que respeita à sua interacção com o ADN humano.

O simpósio, considerado o maior evento cientifico na Europa, nasceu de uma parceria entre a Universidade do Algarve e do Centro de Ciências do Mar e apresenta em cartaz temas também relacionados com o ambiente, como a discussão das estratégias para sintetizar compostos sem recurso a solventes poluentes.

“Quando falamos de reactividade orgânica, falamos do estudo da estrutura de sistemas químicos e das suas reacções, conhecimento que depois vai poder ser aplicado em áreas tão fundamentais como as ciências da saúde ou o desenvolvimento de novos materiais com potenciais novas aplicações”, explica a Prof. Maria de Lurdes Cristiano, responsável pela organização do evento em Portugal.

De acordo com a responsável, o simpósio vai “potenciar o intercâmbio de ideias e, sobretudo, proporcionar novas colaborações internacionais”, permitindo também maior visibilidade para a investigação cientifica portuguesa.

A sessão de abertura está marcada para as 09:00 horas do dia 2 de Julho, devendo contar com a presença de diversos especialistas de renome mundial.

A Universidade do Algarve disponibiliza o programa do simpósio e a toda a informação sobre o evento, no site www.ualg.pt/esorxi.

Inês de Matos

Fonte: Região Sul, Universidade do Algarve

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Pergoveris aprovado na UE como tratamento de fertilidade

Pergoveris é único tratamento para a infertilidade que oferece os benefícios da Hormona Folículo-Estimulante (FSH) recombinante humana e da Hormona Luteinizante (LH) numa única injecção.

A Merck Serono S.A. anunciou que a Comissão Europeia concedeu autorização de comercialização para o Pergoveris destinado à estimulação do desenvolvimento folicular, em mulheres com graves deficiências de Hormona Luteinizante (LH) e Hormona Folículo-Estimulante (FSH). O Pergoveris é o primeiro produto biotecnológico baseado na combinação de FSH recombinante humana (r-hFSH ou folitropina alfa 150 UI) e LH recombinante humana (r-hLH ou lutropina alfa 75 UI), que permite a administração de ambas as substâncias numa única injecção subcutânea.

Segundo a Merck Serono, a autorização da Comissão Europeia para o Pergoveris são boas notícias para as mulheres que sofrem de infertilidade na Europa, que sofrem de graves deficiências endógenas de FSH e LH. O Pergoveris é o único tratamento de fertilidade que combina os benefícios de dois produtos recombinantes puros e consistentes – r-hFSH e r-hLH. O desenvolvimento do Pergoveris mostra a liderança inovadora da Merck nos tratamentos de fertilidade e a capacidade de fornecer produtos puros e de alta qualidade.

A decisão da Comissão Europeia é aplicável a todos os 27 países da União Europeia, assim como à Islândia, Liechtenstein e Noruega. O lançamento do Pergoveris nos vários países da UE irá acontecer no terceiro trimestre de 2007.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire, Merck

Asma: tratamento inovador sob investigação

Termoplastia brônquica: aquecer vias respiratórias indiciou melhoras

Chama-se termoplastia brônquica e pode ser uma grande ajuda para os asmáticos. É um tratamento endoscópico inovador - através do aquecimento das vias respiratórias - cujo procedimento (ambulatório) demora 30 minutos. Um estudo efectuado deu provas de melhoras.

“A termoplastia brônquica usa um ‘bronquioscópio’ para fornecer energia térmica às paredes das vias respiratórias, a fim de reduzir a dilatação do músculo liso destas vias, uma vez que, este tecido é que contribui para a contracção das vias e para a dificuldade respiratória dos pacientes com asma”, explicou Sperb Rubin, do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre (Brasil).

O especialista brasileiro examinou a eficácia e a segurança da termoplastia brônquica no tratamento de asmáticos, a maioria dos quais com asma severa. A investigação incluiu 112 doentes de quatro países, entre 18 e 65 anos. Sperb Rubin acompanhou ainda estes pacientes, durante um ano, após o tratamento.

No artigo de sua autoria intitulado «Asthma Control during the Year after Bronchial Thermoplasty» (Controle da asma durante o ano após a termoplastia brônquica) - publicado no «New England Journal of Medicine» (NEJM) -, o especialista descreve o processo: “É introduzido na boca ou no nariz um bronquioscópio (um tubo flexível) e é guiado até aos pulmões, depois, a energia de radiofrequência é enviada através de um cateter que aquece a via de passagem, reduzindo, assim, a quantidade de músculo na passagem do ar sem provocar lesões de longo prazo ou cicatrizes”, concretizando “com menos músculo há menos hipóteses de contracção das vias respiratórias ou de espasmos, ou seja, alívio.”

Redução de crises nos doentes tratados


De acordo com o relatório divulgado no NEJM, os doentes tratados com termoplastia brônquica demonstraram melhoras, comparativamente, com o grupo de controlo que não recebeu o tratamento. “Os dados recolhidos, durante um ano, demonstraram que os asmáticos tratados tiveram, aproximadamente, 10 crises de asma a menos por ano, estiveram livres dos sintomas em menos 86 dias (por ano), e exigiram uma quantidade de medicamento de alívio significativamente menor. Relataram ainda uma melhoria significativa na qualidade de vida e no controle da doença”, lê-se no artigo.

A termoplastia brônquica é um procedimento que usa o sistema Alair® - um dispositivo sob investigação e com marca comercial registrada da Asthmatx, Inc.

Portugal

A asma é uma doença crónica e representa um grave problema de saúde pública. Afecta mais de 150 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, estima-se que mais de 600 mil pessoas sofram de asma.

No nosso País, os medicamentos têm de ser receitados pelo médico, havendo vários tipos: inaladores ou bombas e comprimidos ou xaropes. Só os médicos podem determinar que comprimidos, xaropes, inaladores ou aerossóis são adequados a cada caso, em que doses devem ser tomados e aplicados e qual a duração do tratamento.

Existem também vacinas, aplicáveis quando é determinado o agente que provoca a alergia, o que as torna uma possibilidade de tratamento eficaz. Os doentes com asma de alto risco têm acesso facilitado às Consultas Diferenciadas de Asma, com atendimento nas primeiras 24 horas após a sua identificação.

Raquel Pacheco

Fonte: New England Journal of Medicine/Jornal de Pneumologia/PortaldaSaúde

Maça na gravidez pode proteger feto da asma

Grávidas que comem muitas maçãs estarão menos predispostas a ter um filho asmático. A conclusão é de um estudo feito por uma universidade escocesa e foi apresentada durante a conferência da Associação Torácica Americana.

A investigação conduzida pelos cientistas da Universidade de Aberdeen, na Escócia, assentou em entrevistas sobre os hábitos alimentares de duas mil grávidas e, posterior acompanhamento da saúde dos filhos por um período cinco anos.

Os investigadores constataram que os bebés cujas mães comeram quatro ou mais maçãs por semana, tiveram menos hipóteses de sofrer de asma, em comparação com aquelas que comeram a fruta menos de uma vez por semana.

No mesmo estudo, os cientistas sugerem que comer peixe durante a gravidez diminui os riscos de a criança desenvolver eczema. “Os filhos de mulheres que tenham comido, pelo menos, uma vez por semana, uma porção de qualquer tipo de peixe durante a gravidez, viram reduzido para metade o risco de desenvolvimento de eczema, pelas crianças, nos primeiros cinco anos de vida”, afirmaram os cientistas, considerando que “nenhuma outra comida parece estar ligada a quedas nos índices de asma e eczema.”

A equipa escocesa ressalvou, porém, que provar as ligações entre dieta materna e a saúde do bebé “é uma tarefa muito difícil”, reconhecendo “o grande número de outros factores que influenciam o desenvolvimento da criança.”

Que a maçã – devido às suas propriedades antioxidantes - pode ter efeitos positivos sobre a saúde pulmonar dos adultos, não é uma descoberta nova para nutricionistas e médicos, assim como, os efeitos benéficos do peixe - devido ao elemento Ômega 3 -, nomeadamente, os mais oleosos.

Sumo de maçã


Um outro estudo publicado no «European Respiratory Journal» - e, na altura, divulgado pelo FARMACIA.COM.PT – revela que, crianças que bebam muito sumo de maçã estão menos propensas a desenvolver sintomas asmáticos.
Segundo a investigação elaborada pelo Instituto Nacional de Coração e Pulmões, do Reino Unido, as crianças que tinham bebido sumo de maçã, pelo menos, uma vez por dia, mostraram metade da probabilidade de desenvolver sintomas asmáticos do que as crianças que o ingeriam apenas uma vez por mês.
Os cientistas envolvidos no estudo, sugeriram que “os flavonóides e ácidos fenólicos encontrados nas maçãs ajudaram a acalmar inflamações nas vias respiratórias, um mecanismo essencial na asma.”

Raquel Pacheco e Pedro Capão


Fonte: Notícias.Terra.com/Correio.web/BBC News

Emea restringe o uso de medicamentos com piroxicam

O Infarmed informou hoje que a Agência Europeia de Medicamentos (Emea) decidiu recomendar a restrição do uso do piroxicam, a substância activa dos medicamentos Brexin, Feldene, Flexar, Flogocan, Remisil, Reumoxican e Roxazin, devido a reacções adversas gastrointestinais e cutâneas.

O piroxicam “não deverá continuar a ser usado no tratamento de curta duração de situações dolorosas e inflamatórias”, “devido ao risco de reacções adversas gastrointestinais e cutâneas graves", alertou o Infarmed em comunicado.

"A prescrição do piroxicam deverá sempre ser iniciada por um médico com experiência no tratamento de pessoas com doenças reumáticas inflamatórias ou degenerativas, devendo ser utilizada a menor dose (não mais do que 20 mg por dia) e durante o mais curto período de tempo possível", recomenda a Emea, salientando também a necessidade de rever o tratamento decorridos 14 dias após o seu início.

No entanto, apesar das contra-indicações, o fármaco pode continuar "a ser prescrito para o alívio sintomático da osteoartrose, artrite reumatóide e espondilite anquilosante", embora não deva "ser o anti-inflamatório não esteróide de primeira linha para estas situações".

Em Portugal, os medicamentos com piroxicam que maior procura registam apresentam-se sob a forma de comprimidos, cápsulas, soluções injectáveis, supositórios, cremes ou gel, não sendo possivel no entanto, “facultar números de imediato ou saber qual é mais utilizado", de acordo com Carlos Pires, assessor de imprensa do Infarmed.

Nas recomendações da Emea encontra-se também a inclusão de novas contra-indicações e o reforço das advertências relativas ao piroxicam, cujas vendas ocorrem já há vários anos.

A Emea irá agora enviar a sua lista de recomendações à Comissão Europeia, na expectativa que esta motive uma decisão legal vinculativa e aplicável a todos os Estados-membros.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Iogurte Actimel evita diarreia causada por antibióticos

Um grupo de investigadores britânicos descobriu que o Actimel, um iogurte liquido produzido pelo grupo francês Danone, contêm uma bactéria benéfica que ajuda a prevenir a diarreia causada pelos tratamentos com antibióticos.

Uma em cada 250 mortes ocorridas nos hospitais é causada pela bactéria Clostridium difficile, particularmente resistente ao efeito dos antibióticos, que provoca fortes diarreias nos pacientes, resultando por vezes em sérias complicações médicas.

Os pacientes sujeitos a tratamentos com antibióticos sofrem frequentemente de diarreia, entre 5 a 25 por cento, o que se deve ao facto dos fármacos destruírem as bactérias intestinais. Como tal, diversos médicos têm vindo a recomendar aos seus pacientes a ingestão de iogurtes, de forma a repor estas bactérias benéficas.

De acordo com o estudo hoje publicado no British Medical Journal, os pacientes em tratamento com antibióticos que ingeriram o iogurte Actimel da Danone registam um processo de recuperação mais rápido

O Actimel contêm três tipos de bactérias benéficas, Lactobacillus casei, L. bulgaricus and Streptococcus thermophilus. Um grupo de investigadores, liderados por Mary Hickson, dietista do Imperial College e do Hammersmith Hospital, em Londres, aperceberam-se que estas bactérias poderiam ajudar a evitar a diarreia e como tal decidiram testar a eficácia do Actimel.

O estudo envolveu a observação de 135 individuos de meia idade e idosos, que concordaram em tomar Actimel ou outro produto similar, duas vezes ao dia, durante o período de tratamento e ao longo da semana seguinte.

Os resultados foram animadores, já que apenas 12 por cento dos pacientes que tomaram Actimel tiveram diarreia, contrariamente aos 34 por cento registados nos pacientes que tomaram outra bebida semelhante.

O Actimel “não tem efeitos adversos e é bem aceite”, garantem os investigadores, representando uma redução muito substancial nos gastos com o tratamento da diarreia, que custam cerca de oito mil dólares por paciente aos hospitais, enquanto que o Actimel representa uma despesa de apenas 120 dólares por pessoa.

Apesar de os investigadores ainda não terem percebido exactamente como funciona o iogurte, os resultados falam por si, no entanto, as conclusões não podem ser extrapoladas para outros produtos probióticos, que precisam ainda de ser testados através de premissas idênticas.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

Cientistas dão mais um passo em direcção à cura do HIV

Uma equipa de cientistas conseguiu construir uma enzima que reverte o processo através do qual o vírus do HIV insere o seu material genético no ADN do hospedeiro. A descoberta, publicada na revista “Science”, sugere que um tratamento com enzimas semelhantes poderia eliminar o vírus das células infectadas com HIV, representando um primeiro passo para a cura.

Os especialistas alemães criaram uma enzima que ataca o ADN do vírus do HIV eliminando-o das células infectadas. Para tratar infecções reais através deste método seria necessário controlar a capacidade do vírus para se esconder do sistema imunitário, permanecendo inactivo durante meses ou anos em células hospedeiras. Até ao momento, as pesquisas no âmbito do HIV/Sida têm-se centrado em melhorar as formas de combater a propagação da infecção do vírus do HIV, para assim ir adiando o início da Sida. Porém, enquanto isso, outras infecções apoderam-se do sistema imunitário fragilizado do organismo.

A utilização desta enzima está ainda longe de poder ser utilizada enquanto tratamento, porém oferece uma ponta de esperança aos mais de 40 milhões de pessoas infectadas com o vírus em todo o mundo. “Uma enzima personalizada que efectivamente consiga extirpar in vitro o HIV-1 das células infectadas poderá, um dia, ajudar a erradicar o vírus dos doentes com Sida”, explicou Alan Engelman, do Instituto de Cancro Dana-Farber da Universidade de Harvard, numa nota que acompanha o estudo publicado.

Convertendo o seu genoma em cadeias duplas de ADN e utilizando a enzima integrase para inserir esse ADN no genoma de uma célula T, o HIV infecta o sistema imunitário do organismo eliminando essas mesmas células. Os cientistas prevêem que este processo poderia ser revertido através de bactérias que eliminem as enzimas do ADN que eles adaptaram para adicionar e subtrair genes de ratos e de outros organismos multicelulares.

Para tornar possível este método, os investigadores do Instituto para a Biologia Celular, Molecular e Genética Max Planck, e do Instituto Heinrich Pette para a Virologia e Imunologia Experimental da Universidade de Hamburgo, começaram pela enzima bacteriana Cre recombinase, que troca um dos dois fragmentos de ADN em qualquer das extremidades por um determinado padrão de nucleótidos (subunidades de ADN) designados como loxP.

Por natureza, o HIV não contém marcadores loxP, por isso a equipa de investigadores criou um complexo híbrido das duas moléculas de ADN, que foram utilizadas para seleccionar um conjunto de enzimas Cre modificadas capazes de reconhecer a combinação de ADN. Cerca de três meses depois, a enzima final, denominada Tre, removeu todos os vestígios de HIV das células cervicais humanas cultivadas. Apesar dos resultados serem promissores, Engelman fez questão de sublinhar que ainda terão de certificar-se que a acção lenta da enzima Tre funciona em cadeias reais de HIV, e posteriormente descobrir a forma de a administrar no gene de forma segura e precisa, dando-lhe tempo suficiente para actuar.

Marta Bilro

Fonte: The Australian, Forbes, Scientific American, Aidsportugal.com.

Genmab volta a conseguir os direitos do HuMax-CD4

A Genmab volta a conseguir os direitos do HuMax-CD4, da Merck Serono, e tem previsto ampliar o desenvolvimento da sua gama para o tratamento do cancro e criar um UniBody para o VIH.

A Genmab anunciou que voltou a conseguir todos os direitos do anticorpo HuMax-CD4 (zanolimumab) da Merck Serono S.A. A Genmab prevê continuar a avançar com o desenvolvimento do HuMax-CD4, em programas clínicos já existentes, para o Linfoma Subcutâneo de Células T e para o Linfoma Cutâneo de Células T (CTCL), para além de o estender a pacientes numa fase inicial, em combinação com PUVA e noutras combinações com terapias aprovadas para o CTCL.

Para além disso, a Genmab está a realizar planos para levar a cabo o desenvolvimento de um UniBody para fazer frente ao receptor CD4. O HuMax-CD4 liga-se à molécula CD4 com uma elevada afinidade e bloqueia de forma eficaz e neutraliza a infecção através de um painel amplo de vírus isolados de VIH-1 de algumas pessoas infectadas. Os estudos realizados em laboratórios em ratos com imunodeficiência severa combinada (SCID), em que os animais foram reconstituídos com células de sangue humanas, demonstraram que o HuMax-CD4 bloqueia de forma eficaz a multiplicação de VIH-1 e reduz o desgaste das células CD4+ T pelo vírus. Um UniBody que atinge a CD4 representa um candidato a fármaco que se revela promissor para prevenir ou reduzir a infecção por VIH-1, a SIDA e as células T em excesso.

Os responsáveis da Genmab estão entusiasmados por poder voltar a contar com HuMax-CD4 nas mãos da equipa de desenvolvimento clínico da farmacêutica, que trabalhou de forma diligente para conseguir avançar com o programa. O HuMax-CD4 é um acréscimo à restante gama da Genmab e pode proporcionar uma oportunidade comercial adicional para o avanço da companhia, no que diz respeito às vendas e marketing.

Os direitos mundiais do HuMax-CD4 foram licenciados anteriormente à Merck Serono S.A, em Agosto de 2005, e não irão interferir com as directrizes financeiras da Genmab para 2007.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire, www.genmab.com

Genentech triplica investimentos em Singapura

A Genentech, líder mundial no sector da biotecnologia e produção de medicamentos anti-cancerígenos, prepara-se para aumentar o seu investimento em Singapura para mais do triplo. A empresa norte-americana anunciou que vai gastar 266 milhões de euros na compra de uma unidade biotecnológica desenvolvida pelo Lonza Group, para produzir fármacos, entre os quais estão o Avastin (bevacizumab) e o Herceptin (trastuzumab).

O investimento vai juntar-se a outro que a empresa tem actualmente em mãos na pequena cidade-estado, e que envolve 104 milhões de euros para construir instalações onde será produzido o Lucentis (ranibizumab), o novo fármaco da Genentech para tratar doenças oculares. O anúncio foi feito pelo presidente das operações de produtos da Genentech, Patrick Yang.

A Genentech pretende utilizar Singapura como uma base pare desenvolver fármacos anti-cancerígenos e causadores de cegueira, que deverão chegar ao mercado norte-americano em 2010. Os responsáveis mostraram-se confiantes de que poderão atrair outros gigantes da biotecnologia para Singapura, especialmente para desenvolverem trabalho de alto nível. De acordo com Yang, as novas instalações deverão suportar cerca de 40 por cento do total das vendas globais de fármacos da empresa e empregar 400 funcionários.

As vendas do Avastin, destinado ao tratamento do cancro do pulmão e do cólon, renderam à Genentech, no ano passado, cerca de 1,3 mil milhões de euros. Por sua vez, o Herceptin registou, em 2006, vendas no valor de 888 milhões de euros. O Lucentis, comercializado em Portugal pela Novartis, recebeu autorização para entrar no mercado em Janeiro deste ano. Nos Estados Unidos da América a substância é utilizada, desde há um ano, no tratamento da degeneração macular relacionada com a idade, uma das principais causas de incapacidade nos idosos e a maior responsável pela perda de visão nos adultos.

“Para além da produção, a nossa intenção é atrair desenvolvimento para impulsionar a área comercial”, afirmou Philip Yeo, Conselheiro Especial para o Desenvolvimento Económicos do gabinete do primeiro-ministro singapuriano. Desde que no ano 2000, o governo de Singapura assumiu as ciências biomédicas como um motor de crescimento da economia, a produção de medicamentos e dispositivos médicos quadruplicou, atingindo os 11 mil milhões de euros.

Os fármacos equivalem a mais de 22 por cento da produção do país asiático, que está a levar a cabo uma tentativa de atrair as empresas químicas, farmacêuticas e de biotecnologia para reduzir a sua dependência do mercado electrónico. De acordo com o S. Iswaran, Ministro de Estado para as Trocas Comerciais e Indústria, Singapura acolhe 24 instalações farmacêuticas representativas da maioria das empresas de topo do sector.

Marta Bilro

Fonte: First World, Bloomberg, Channel NewsAsia, The Hindu.

Paxil desencadeia onda de suicídios no Japão

O número de pacientes que cometeram suicídio depois de ingerirem Paxil (paroxetina), comercializado em Portugal como Seroxat, está a aumentar no Japão. O anti-depressivo fez crescer as tentativas de atentado contra a própria vida em 39 por cento no ano passado, revelou o ministro nipónico da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.

Ao longo de 2006, 15 pacientes aos quais foi administrado o fármaco da GlaxoSmithKline cometeram suicídio, comparativamente aos 11 registados no ano anterior, e a apenas um caso em 2004. Yuko Fuke, porta-voz da unidade japonesa da farmacêutica britânica, revelou que a GlaxoSmithKline tem recomendado precaução aos médicos relativamente às quantidades prescritas.

O medicamento é eficaz no tratamento da depressão e distúrbios de pânico mas tende a induzir algumas pessoas a cometerem suicídio, um efeito secundário que é mencionado pelo laboratório nas contra-indicações inerentes à utilização do produto. De acordo com o responsável pela pasta da saúde, em 2005, cerca de 920 mil pessoas sofriam de depressões no Japão.

Desde o ano 2000, altura em que o Paxil começou a ser comercializado no país, o medicamento rendeu aos cofres da unidade japonesa da Glaxo cerca de 337 milhões de euros (57 mil milhões de ienes). No ano passado, as vendas globais do Paxil ascenderam aos 917 milhões de euros (1,24 mil milhões de dólares norte-americanos).

De acordo com os especialistas, este aumento acentuado fica a dever-se ao facto dos médicos não fazerem um diagnóstico correcto das condições dos doentes depois de lhes prescreverem a substância, ao mesmo tempo que o número de pacientes que ingerem o medicamento tem aumentado vertiginosamente. O ministério já divulgou um alerta para que os profissionais examinem as alterações às condições dos pacientes aos quais foi administrado o medicamento.

“O Paxil é eficiente para o tratamento da depressão, e apenas um número limitado de pacientes é induzido a cometer suicídio. No entanto, é importante examinar as condições dos pacientes durante um período de nove dias a seguir à dosagem inicial”, salientou Osamu Tajima, professor da Universidade de Kyorin. Por sua vez, a GSK refere que o médico deve ser consultado para decidir se o paciente deverá ou não cessar o tratamento. “Se os pacientes pararem a toma de Paxil sem autorização médica, a sua condição pode piorar”, acrescentou um representante do laboratório.

Marta Bilro

Fonte: First World, Bloomberg, Mainichi Daily News.

Transmissão heterossexual do HIV aumenta em Portugal

O HIV Meeting Point reuniu em Óbidos vários especialistas nacionais e internacionais que analisaram a situação do HIV/Sida em Portugal. Uma das principais conclusões deste encontro alerta para o facto da transmissão heterossexual estar a aumentar a nível nacional, ocupando já o segundo lugar na tabela dos principais grupos de contágio.

Elizabeth Pádua, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, encarregou-se de chamar a atenção para a expressividade dos números. De acordo com esta investigadora, “a 31 de Março de 2007, encontravam-se notificados 31.132 casos de infecção VIH / SIDA nos vários estádios de infecção. O total acumulado de casos de SIDA era de 13.762 dos quais 452 causados pelo vírus VIH-2”.

Apesar do maior número de casos notificados se referir a toxicodependentes, o aumento da transmissão heterossexual é uma realidade, sendo já considerada a segunda maior causa de infecção. De acordo com os padrões epidemiológicos registados em 2002, a tendência, afirmam os especialistas, é o aumento proporcional do número de casos de transmissão heterossexual e uma diminuição dos casos associados à toxicodependência.

Durante o encontro, promovido pela Gilead Sciences, foram debatidas as terapêuticas Anti-retrovirais e as suas alterações metabólicas, as suas resistências, as alterações renais e a qualidade de vida dos doentes. Alguns dos presentes deram a conhecer casos clínicos que procuraram servir como exemplo dos resultados obtidos com as actuais terapêuticas praticadas em Portugal.

O HIV Meeting Point ’07, que se realizou no Hotel Marriott, em Óbidos, no dia 23, procurou promover a troca de conhecimentos e experiencias entre os mais de cem profissionais de saúde presentes. O simpósio contou com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas, do Núcleo VIH da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida.

Marta Bilro

Fonte: Saúde na Internet, Jornal do Oeste.

Rastreios gratuitos à osteoporose chegam ao distrito de Setúbal

O distrito de Setúbal recebe, em Julho, a iniciativa Rastreios ao Risco da Osteoporose que pretende promover a prevenção e detecção precoce desta doença. Ao abrigo da campanha nacional de rastreios gratuitos à população, cerca de 100 farmácias em todo o país vão acolher o projecto.

O farmacêutico começa por preencher um questionário com os dados do doente que foca alguns dos hábitos do indivíduo e posteriormente é realizado o exame de medição de densiometria óssea.

Os resultados são anexados ao questionário previamente preenchido e o processo é entregue ao paciente rastreado que, deverá dirigir-se ao seu médico de família. O objectivo é apenas avaliar o risco de incidência, sendo que o diagnóstico fica a cargo do médico.

A iniciativa conta com o apoio da Ratiopharm, multinacional alemã líder no mercado de genéricos, que disponibiliza os recursos humanos e materiais necessários à realização do evento. A campanha teve início em Outubro de 2006 nas farmácias aderentes e chega agora à Farmácia Tavares de Matos, em Pinhal Novo nos dias 9 e 10 de Julho.

Marta Bilro

Fonte: Rostos

EMEA autoriza comercialização do Invega para o tratamento da esquizofrenia

Primeiro medicamento oral de libertação prolongada para o tratamento da esquizofrenia

A Comissão Europeia concedeu autorização para a comercialização do Invega (comprimidos de libertação prolongada de paliperidona), um novo medicamento antipsicótico atípico para o tratamento da esquizofrenia. Este fármaco de toma diária única é delineado especificamente para distribuir paliperidona - o ingrediente activo do Invega - através do inovador sistema osmótico de distribuição (OROS), conseguindo uma eficácia considerável, segurança e perfil de tolerância demonstráveis e uma melhoria na funcionalidade do paciente.

Os comprimidos de libertação prolongada serão comercializados na Europa pela Janssen-Cilag. Esta autorização representa outro passo importante no compromisso a longo prazo da farmacêutica para o desenvolvimento de novas e melhoradas opções de tratamento para doenças mentais graves.

Os comprimidos de libertação prolongada de paliperidona são o primeiro e único tratamento para a esquizofrenia que utiliza o sistema osmótico de distribuição (OROS). Este sistema distribui paliperidona de forma permanente durante um período de 24 horas, conseguindo uma libertação suave do fármaco, ao longo do dia, com picos mínimos e através de concentrações de plasma. Este fármaco é um importante acréscimo à gama de opções disponíveis para as pessoas que sofrem de esquizofrenia.

A decisão da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), de conceder a autorização para a comercialização dos comprimidos de libertação prolongada de paliperidona, na União Europeia, baseia-se na eficácia, segurança e nos resultados de longo prazo de um programa extensivo de desenvolvimento clínico, que incluiu três ensaios clínicos de seis semanas controlados por um placebo, no qual foram envolvidos mais de 1 600 pacientes com esquizofrenia aguda precedentes de 23 países; um ensaio de longo prazo (40 semanas), duplamente cego e controlado por placebo que procurava a prevenção da ocorrência dos sintomas, em 207 pacientes seleccionados de forma aleatória e outro estudo duplamente cego e controlado por placebo que avaliou a segurança e tolerância em 114 pacientes mais idosos que sofriam de esquizofrenia.

Nos ensaios pivot de seis semanas, os comprimidos de libertação prolongada de paliperidona reduziram de forma considerável os sintomas da esquizofrenia, tal como se avaliou na Escala de Síndrome Positiva e Negativa (PANSS), uma ferramenta utilizada habitualmente nas investigações da esquizofrenia para avaliar a gravidade dos sintomas psicopatológicos positivos, negativos e gerais. A redução dos sintomas foi observada logo após o quarto dia de tratamento. A funcionalidade dos pacientes também melhorou, tal como indicou a escala de Rendimento Pessoal e Social (PSP), uma escala de avaliação médica que avalia a capacidade dos pacientes de levar a cabo a sua vida diária. Todas as doses mostraram uma melhoria importante e relevante, desde o ponto de vista clínico, em relação ao placebo, tal como se avaliou através da escala PSP.

O estudo a longo prazo demonstrou que os comprimidos de libertação prolongada de paliperidona foram mais eficazes do que o placebo, no que respeita à prevenção da recorrência dos sintomas e o tratamento continuado foi associado à manutenção do controlo dos sintomas. Este estudo confirmou também que estes comprimidos são seguros e bem tolerados em geral, a longo prazo.

O estudo realizado nos pacientes mais idosos, com 65 anos ou mais, com esquizofrenia, demonstrou que um tratamento baseado em comprimidos de libertação prolongada de paliperidona é eficaz e tolerado de forma correcta nesta população, que poderia ser mais vulnerável aos efeitos secundários.

A esquizofrenia é uma das doenças mentais mais graves. É relativamente frequente e a sua prevalência é semelhante em todo o mundo. Uma em cada 100 pessoas desenvolve esquizofrenia antes de chegar aos 45 anos, estando tanto os homens como as mulheres na mesma situação de risco.

Em Portugal não existem estatísticas que providenciem dados precisos do número de portugueses com esta doença, no entanto estima-se que cerca de 60 mil portugueses sofram de esquizofrenia.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive, www.noticiasdamanha.net

Senado norte-americano atento à influência das farmacêuticas nos médicos

Numa audiência apresentada ao Comité Especial do Envelhecimento do Senado Norte-Americano, um grupo de especialistas sugeriu que as farmacêuticas deveriam ser obrigadas a revelar os pagamentos aos médicos. À medida que a competição aumenta, numa indústria que gasta anualmente cerca de 18,6 mil milhões de euros em campanhas de marketing, muitas das quais dirigidas aos médicos e à influência nos hábitos de prescrição, acrescem também as preocupações com a transparência.

Herb Kohl, presidente do comité de senadores, propôs a criação de um registo nacional no qual as empresas farmacêuticas revelassem os pagamentos e ofertas concedidas aos médicos. Os laboratórios têm sido os maiores patrocinadores da formação médica contínua nos últimos anos, o que, de acordo com os especialistas, eleva os custos com a saúde, influencia as prescrições dos médicos e corrompe o tratamento dos pacientes.

“A maioria do conhecimento médico acerca dos fármacos provém da indústria, e isso não é saudável”, salientou Jerry Avorn, professor da Escola de Medicina de Harvard e um crítico deste tipo de financiamentos. “As instituições académicas associam o seu nome a cursos que não passam de publicidade informativa”, acrescentou. Essa tendência foi ainda impulsionada depois de o governo, em 2002, se ter recusado a apoiar um plano para limitar os patrocínios comerciais no auge da indústria, referem os investigadores do senado.

Por sua vez, Scott Lassman, conselheiro geral da Fundação Americana de Pesquisa e Produtores Farmacêuticos (PhRMA, na sigla inglesa), alegou que os cursos de formação médica contínua “são encarados independentemente das empresas farmacêuticas”. Segundo o responsável, “a empresa pode financiá-los mas não influencia o seu conteúdo”. Para além disso, as dissertações acerca dos medicamentos genéricos são sempre um “benefício para os médicos, desde que sejam independentes e que a ciência por detrás dos fármacos seja sólida”, acrescentou.

Porém, para os médicos, os patrocínios das farmacêuticas “fazem com que seja difícil saber qual a investigação em que se deve acreditar”, considera J. Gregory Rosenthal, especialista em cirurgia da retina e fundador dos Médicos pela Responsabilidade Clínica, um grupo que defende fiscalizações mais apertadas ao nível dos conflitos de interesse na medicina. “Parece que todos lucram com este sistema permissivo de presentes e pagamentos, excepto o consumidor”, alertou Kohl.

Sobre a mesma questão, Robert Sade, presidente do painel de ética da Associação Médica Americana, defendeu que algumas das ofertas são aceitáveis, como é o caso das amostras grátis, apesar da sua equipa ainda não ter tomado uma posição.

Marta Bilro

Fonte: First World, The New York Times, The Union Tribune, Washington Post.

ANF promove formação à distância nos meses de Verão

A Associação Nacional das Farmácias (ANF) vai lançar uma campanha de formação à distância durante os meses de Julho e Agosto, em parceria com a Escola de Pós-Graduação em Saúde e Gestão.

A campanha de formação, intitulada “Aproveite o Verão – Faça Formação”, é composta por nove cursos e tem como objectivo principal a actualização científica e prática em áreas como a Infecção por Vírus herpes Simplex, a Asma, a Diabetes, a Tosse, o Planeamento Familiar e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, entre outras.

De acordo com o a ANF, a campanha de formação tem também uma vertente social, uma vez que pretende “reforçar as competências dos farmacêuticos e das Farmácias, enquanto agentes prestadores de cuidados à comunidade”.

A iniciativa é dirigida aos farmacêuticos associados da ANF, que beneficiarão de descontos de 30% sobre o valor habitual destas acções de formação.

Para mais informações consulte:
http://www.anf.pt

Inês de Matos

Fonte: ANF

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Nanomedicina é a nova era

Maior laboratório ibérico de nanotecnologia abre em Portugal em 2009

Um exército de robôs com proporções microscópicas entram pelo corpo e atacam células cancerígenas, destroem bactérias e vírus, inserem medicamentos em células específicas, desobstruem artérias e realizam cirurgias minimamente invasivas – em tempos foi ficção, hoje, são dados passos dado rumo à realidade.

A nanomedicina é a nova era da medicina. Consiste em usar nanopartículas, nanorobôs e outros elementos em escala nanométrica para curar, diagnosticar ou prevenir doenças.
A utilização da medicina em escala nanométrica (nanoescala) é uma alternativa de tratamento e diagnóstico que, segundo vaticinam os especialistas, será uma realidade “entranhada” dentro de 10 a 15 anos.

No entanto, nos últimos anos, a nanociência e a nanotecnologia têm atraído a atenção de investigadores e cientistas em todo o mundo. São vários os casos de nanorobôs médicos programáveis que têm sido propostos para uso terapêutico, aplicações gerontológicas, pesquisas farmacêuticas e diagnósticos clínicos.

Fazer de Braga uma potência à escala global

José Rivas Rey da Universidade de Santiago de Compostela será o presidente do novo Laboratório Internacional e Ibérico de Nanotecnologia (INL nas siglas em Inglês) que vai nascer em Braga. O centro de investigação deverá entrar em funcionamento pleno em 2009.

De acordo com o investigador, a aposta passa pela “excelência”, sublinhando que o processo de recrutamento procurará atrair “os melhores do mundo” de modo a transformar o laboratório ibérico numa “potência no campo da nanotecnologia à escala global.”

Para isso, Rey garantiu que vai orientar-se pelo princípio de “excelência”, anunciando ainda outras apostas: “Reforçar a boa colaboração científica actualmente existente entre Portugal e Espanha, estimular a criação de empresas de base tecnológica e atrair o investimento privado.”

Segundo o futuro presidente do Laboratório Internacional e Ibérico de Nanotecnologia, a área de intervenção do centro de investigação de Braga incidirá na nanomedicina, ambiente, controlo de qualidade alimentar e nanoelectrónica.

No sentido de se envolverem no projecto, diversos institutos universitários e centros de investigação ibero-americanos e asiáticos, juntamente com centros espanhóis e portugueses, estão já a estabelecer contactos.
O laboratório ibérico está ficará sediado na área, actualmente, ocupada pela Bracalândia.

Raquel Pacheco

Fonte: Tecnet/CiênciaHoje/Nanomedicine.com/Médicos na Internet

Brasil na vanguarda dos nanofármacos

Primeiro produto nanotecnológico chega ao mercado em dois anos
Na área de nanofármacos ou nanotecnológica farmacêutica, nanobiotecnologia e biologia molecular, o Brasil é o país que tem as investigações em estágio mais acelerado. O primeiro produto brasileiro nanotecnológico para a saúde deverá chegar ao mercado em dois anos - um anestésico para pequenas cirurgias na pele.

A inovação - desenvolvida pela Incrementha em parceria com as cientistas Sílvia Guterres e Adriana Pohlmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - está numa nanocápsula biodegradável que transporta o medicamento para regiões específicas. "Com o veículo nanotecnológico, o anestésico penetra e concentra-se apenas nas terminações nervosas da pele, evitando ser absorvido pela circulação sanguínea e diminuindo, assim, as hipóteses dos efeitos colaterais", explicaram.

De acordo com Henry Suzuki, director técnico da Incrementha (empresa responsável pelo produto) “a nanotecnologia está no controlo da absorção e da liberação do princípio activo”, revelando - sobre o produto em causa – que “apesar de os testes clínicos ainda não terem começado, o desenvolvimento tecnológico do nanofármaco está concluído. O produto em escala comercial deverá chegar ao mercado em menos de dois anos.”

Entre os benefícios do nanofármaco, o responsável apontou a diminuição da dose recomendada e o aumento da potência do princípio activo e do tempo de duração do efeito terapêutico.

Realçando que um dos objectivos da Incrementha é “desenvolver plataformas tecnológicas que possam servir como veículo-padrão para o transporte de outros medicamentos”, Henry Suzuky sublinhou que vencidas as “barreiras tecnológicas” deste primeiro produto, “vamos abrir caminho para outros que possam se beneficiar da nanotecnologia.”


Nanotecnologia
Recentemente, no Brasil, o Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq na sigla brasileira) deu um importante passo para acelerar o desenvolvimento das investigações nesta área. Induziu uma iniciativa nacional em Nanociências e Nanotecnologias, com a criação de redes cooperantes - com informações disponíveis no site http://www.cnpq.br/ - que abordam problemas relacionados à nanotecnologia molecular.

O programa brasileiro em nanociência e nanotecnologia, em fase de implantação pelo CNPq, já é devidamente reconhecido, internacionalmente, facilitando o intercâmbio e a troca de informações entre cientistas.

Raquel Pacheco

Fontes: BBC/BiotechBrasil/Cnpq/Terra.com

Assembleia da República aprova nova lei do tabaco

A nova lei do tabaco foi hoje aprovada em votação final na Assembleia da República com os votos favoráveis do PS, PSD, PCP, Verdes e um deputado do CDS-PP. Os votos contra foram apenas cinco e o Bloco de Esquerda, bem como a maioria da bancada parlamentar do CDS-PP, optaram pela abstenção.

Dos cinco deputados que votaram contra a aprovação da nova lei do tabaco, três pertencem à bancada social democrata, nomeadamente, António Carlos Monteiro, Mota Soares e João Rebelo. Além dos deputados sociais democratas, também os dois deputados do Movimento Partido da Terra (MPT), eleitos nas listas do PSD, Quartin Graça e Carloto Marques, votaram contra a aprovação da lei.

Apesar da abstenção registada na bancada do partido popular, que se registou inclusive no voto do líder, Paulo Portas, o partido permitiu a liberdade do voto, o que levou o deputado José Paulo de Carvalho a votar de forma favorável.

Os socialistas Vítor Baptista e Manuel Mota anunciaram de imediato que entregariam as respectivas declarações de voto por escrito, isto apesar do voto favorável apresentados pela bancada do PS.

A lei agora aprovada acaba por ser menos proibitiva do que inicialmente se previa, pois prevê coimas máximas de 750 euros para fumadores transgressores, em vez dos mil euros previstos no diploma inicial do governo, e dá aos proprietários dos estabelecimentos mais pequenos a opção de permitir ou não o consumo de tabaco.

Os proprietários têm a liberdade de escolha, mas os que optem por permitir o consumo de tabaco nos seus estabelecimentos, terão de arranjar forma de garantir a qualidade do ar. Na mesma linha seguem os estabelecimentos com mais de 100 metros quadrados, que continuam a manter a obrigatoriedade de proibir o consumo de tabaco, ainda que possam criar uma área para fumadores, desde que não ultrapasse os 30 por cento da área total.

Maria de Belém, deputada socialista e presidente da Comissão de Saúde, considera que o diploma traduz “uma lei equilibrada”, que possibilita que “quem nunca fumou não fique com vontade de começar a fumar e que quem já fuma tenha vontade de deixar de fumar”.

Na perspectiva social democrata, “de uma solução proibicionista, inconsequente, radical e abrupta (...) evoluiu-se para uma solução em que se garante espaços públicos livres de fumo, mas que salvaguarda em determinadas condições o direito de escolha e o princípio da responsabilidade”.

O deputado democrata cristão Hélder Amaral considera a aprovação da lei um “sinal positivo”, ainda que não tenham sido ponderados os direitos dos fumadores, relembrando que as multas previstas para quem fumar em locais proibidos são muito superiores às do consumo de drogas. “Não é proibido fumar e a nicotina não é uma substância ilícita”, notou Hélder Amaral.

Da parte do Bloco de Esquerda fica um “sentimento de frustração”. João Semedo, deputado esquerdista considerou que se “facilitou onde não se devia facilitar e proibiu-se o que não vale a pena proibir”.

Apesar das criticas, a nova lei do tabaco foi mesmo aprovada e o diploma legal deverá entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2008.



Inês de Matos

Fonte: Lusa e Sol

Risco de transmissão de esclerose múltipla é igual em pais e mães

Os homens e mulheres que sofrem de esclerose múltipla têm probabilidades iguais de transmitir a doença aos filhos, revela um estudo do Neurology, o jornal Sociedade Americana de Neurologia, e que contraria uma investigação recente que alegava que o risco da doença ser transmitida através do pai era duas vezes superior.

A equipa de especialistas analisou 3.088 famílias canadianas nas quais um dos pais era portador de esclerose múltipla. Das 8.401 crianças inseridas nessas famílias, 798 sofriam de esclerose múltipla. Os cientistas observaram que os números de transmissão da doença eram muito semelhantes, com 9,41 por cento para o pai e 9,76 por cento para a mãe. “Curiosamente, observámos também que quando meios-irmãos são ambos portadores de esclerose múltipla, há claramente um maior efeito maternal, com a mãe a ser tendencialmente a progenitora comum”, frisou George Ebers, professor de neurologia clínica na Universidade de Oxford.

Os investigadores não encontraram qualquer evidência que apoiasse a teoria recentemente divulgada de que os homens eram mais resistentes à esclerose múltipla por comportarem uma carga genética mais pesada sendo, por isso, mais aptos à transmissão do risco genético aos filhos. “O nosso estudo envolveu 16 vezes mais pessoas do que o anteriormente publicado e desfaz possíveis dúvidas acerca da teoria amplamente divulgada do modelo de susceptibilidade à hereditariedade de esclerose múltipla através dos genes múltiplos”, afirmou Ebers.

Segundo dados da Associação Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM), a doença afecta mais de um milhão de pessoas em todo o mundo. Os estudos epidemiológicos apontam para a existência de 450 mil pessoas com esclerose múltipla só na Europa, sendo a incidência maior nos países nórdicos. Estima-se que o número de doentes em Portugal se aproxime dos cinco mil.

De acordo com a ANEM, a esclerose múltipla é uma doença inflamatória crónica, desmielinizante e degenerativa, do sistema nervoso central que interfere com a capacidade do mesmo em controlar funções como a visão, a locomoção, e o equilíbrio. Denomina-se esclerose pelo facto de, em resultado da doença, se formar um tecido parecido com uma cicatriz, que endurece, formando uma placa em algumas áreas do cérebro e medula espinal. Denomina-se múltipla, porque várias áreas dispersas do cérebro e medula espinal são afectadas. Os sintomas podem ser leves ou severos, e aparecem e desaparecem, total ou parcialmente, de maneira imprevisível.

Para além de um programa de exercícios e ginástica muscular, os medicamentos são também imprescindíveis, nomeadamente os relaxantes musculares, pois permitem reduzir a tensão dos músculos e melhorar os movimentos. São também utilizados imunomoduladores, como os interferões-beta ou o acetato de glatiramero, que actuam no sistema imunitário. O Grupo de Estudos de Esclerose Múltipla (GEEM) refere que «o Estado português gasta anualmente pelo menos cerca de 35 milhões de euros» a tratar esses doentes, à razão de dez mil euros por cada um.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, CTV.ca, Reuters, Associação Nacional de Esclerose Múltipla.

DECO dá nota negativa aos seguros de saúde vendidos em Portugal

Na sua edição de Junho, a revista Dinheiro & Direitos, da associação de defesa do consumidor (DECO), publica um estudo onde conclui que os seguros de saúde à venda em Portugal não têm qualidade, depois de ter analisado 88 planos de saúde privados.

O estudo aponta diversos factores que diminuem substancialmente a qualidade dos seguros, nomeadamente o elevado número de exclusões, os limites de idade, os períodos de carência alargados e a duração anual dos contratos. De acordo com a revista, todos estes pontos deixam o consumidor desprotegido, podendo “ficar sem protecção na altura em que provavelmente mais precisa”.

Os seguros de saúde privados têm cativado os portugueses, no entanto, “o aumento da oferta nos últimos anos e a criação de planos mais acessíveis à bolsa dos portugueses não tem sido acompanhado de uma melhoria da qualidade das apólices”.

Um dos principais pontos apontados pela Dinheiro & Direitos é a duração do contrato, já que “como são renovados anualmente, a seguradora pode pôr fim ao contrato se o cliente começar a dar muita despesa, por exemplo, devido a uma doença prolongada”, alegando que “os seguros deveriam tornar-se vitalícios após três ou quatro anos de vigência”.

Contudo, para além da duração do contrato, são apontados também problemas na cobertura dos seguros, uma vez que existem diversas excepções, pois a maioria das apólices não paga despesas relacionadas com doenças psiquiátricas, tuberculose e hepatite, transplante de órgãos, hemodiálise, sida e hérnias, fisioterapia e tratamentos de obesidade e infertilidade.

Por outro lado, os seguros de saúde deixam de lado os idosos, muitas vezes os mais carentes, já que a extinção automática do seguro acontece aos 65 ou 70 anos. Deste modo, a DECO considera a situação “inaceitável”, pois os seguros apenas beneficiam os jovens em perfeitas condições de saúde e “de pouco ou nada servem a quem deles realmente precisa”.

A Dinheiro & Direitos denuncia que a situação já dura há quase uma década e meia, existindo uma total falta de vontade e inércia por parte das autoridades fiscalizadoras.

As conclusões do estudo foram enviadas para o Instituto de Seguros de Portugal (ISP), grupos parlamentares com assento na Assembleia da República e Secretaria de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, uma vez que a DECO pretende ver alterada a lei que propicia a situação, obrigando as seguradoras a criar produtos que realmente protejam os consumidores

Apesar da fraca qualidade, a DECO admite que os seguros privados são sempre uma alternativa ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente em situações dispendiosas como internamentos e partos ou simplesmente para consultas de especialidade. Segundo a DECO, as apólices da Açoreana, Allianz, Axa, Império Bonança, Médis e Victoria são aquelas que apresentam melhor relação qualidade/preço.

Inês de Matos

Fonte: Agência Financeira
Medinfar mantém apoio à desportista
Elisabete Jacinto trocou Trifene 200 por Oleoban

Ao cabo de mais de 10 anos de ligação ao Trifene 200, Elisabete Jacinto tem nova imagem, desta feita associada à marca Oleoban, uma gama de produtos de higiene diária da Medinfar. A equipa da desportista veste agora de azul, o mesmo tom das embalagens do novo patrocinador, e também a imagem do camião que conduz foi alterada, num trabalho de design da Brand & Advise.

A gama de produtos Oleoban está há mais de 20 anos no mercado, e em Outubro a piloto nacional assumirá o estatuto de rosto da marca, numa campanha que visa alavanca o processo de comunicação da Oleoban junto do público, segundo disse ao jornal «Meios & Publicidade» Edite Santos, group product manager da Medinfar Mulher, área específica focalizada no feminino e criada pela firma farmacêutica que além do Trifene 200 e da Oleoban inclui a marca Clearblue (testes de gravidez) e o serviço Cytothera (criopreservação das células estaminais do cordão umbilical).

Carla Teixeira
Fonte: Medinfar, Meios e Publicidade

Cervarix protege contra lesões pré-cancerígenas

O Carvarix, vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), que deverá ser lançada pela GlaxoSmithKline até ao final do ano corrente, revelou 100 por cento de eficácia na prevenção antecipada de lesões cancerígenas, em resultados preliminares de um ensaio clínico de Fase III. Os resultados podem representar uma ameaça para o Gradasil, vacina produzida pela Sanofi Pasteur MSD que já se encontra disponível do mercado, mas que oferece protecção apenas contra os tipos 16 e 18 do HPV.

O vírus do papiloma humano é responsável pelo aparecimento de 99 por cento dos casos de cancro do colo do útero, que em Portugal tem maior incidência do que em todos os outros países da Europa. Os dados do estudo, publicado no jornal “Lancet”, demonstram também que o Carvarix fornece protecção significativa contra infecções aliadas a vírus capazes de provocar cancro. O cancro cervical, ou cancro do colo do útero, é causado por vários tipos de HPV que se desenvolvem através do contacto sexual. A persistência de infecções provocadas por este vírus pode conduzir ao desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas, que por sua vez podem gerar o aparecimento do cancro cervical, o segundo mais frequente entre todas as mulheres e o mais comum entre as mulheres mais jovens.

“A descoberta é muito aliciante porque as mulheres que participaram no estudo são representativas das pacientes analisadas pelos médicos no seu dia-a-dia”, salientou Jorma Paavonent, o principal responsável pela investigação e professor do departamento de ginecologia e obstetrícia no Hospital Central da Universidade de Helsinquia, na Finlândia. Para além disso, acrescentou o especialista, “isto fornece fortes indícios de que esta vacina pode proteger as mulheres contra as infecções que se podem gerar um cancro cervical”.

Os tipos 16 e 18 do vírus do papiloma humano são os principais alvos do Carvarix, que representam cerca de 70 por cento dos casos de cancro do colo do útero. Esta última fase de ensaios envolve 18.644 mulheres, com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos, oriundas de 14 países da Europa, Ásia e Pacífico, América do Norte e América Latina. De acordo com a farmacêutica britânica este é o ensaio clínico mais amplo realizado até à data, no que diz respeito à vacina do cancro cervical.

De acordo com os resultados temporários, o Carvarix deu provas de conferir uma protecção eficaz contra infecções persistentes caudas pelos tipos 45, 31 e 52 do HPV, que contribuem igualmente para o aparecimento do cancro do colo do útero. No entanto, um comentário adicional que acompanha a publicação do estudo, sublinha que apesar dos dados serem animadores, as suas interpretações são limitadas, dado o curto período de tempo que decorreu após o ensaio clínico, que em média costuma demorar 15 meses.

Por norma, são necessários vários anos para que células normais do cérvix (colo uterino) se transformem em células cancerígenas. O Cervarix, que aguarda aprovação das autoridades reguladoras norte-americanas e europeias, obteve, em Maio, a sua primeira licença de comercialização na Austrália, onde a sua utilização foi recomendada em mulheres com idades compreendidas entre os 10 e os 45 anos.

Marta Bilro

Fonte: The Australian, CNN Money, United Press International, Manual Merck.