domingo, 21 de outubro de 2007
Deputados debatem actividade farmacêutica
A Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República acolhe nesta terça-feira um colóquio que visa discutir as diversas visões relativas à actividade farmacêutica em Portugal e na Europa, no contexto do novo regime jurídico das farmácias de oficina, que se encontra em fase de regulamentação.
Segundo uma notícia avançada ao farmacia.com.pt por fonte da Ordem dos Farmacêuticos, e confirmada já na página electrónica daquele organismo e também no site da Assembleia da República, o colóquio, intitulado «Enquadramento da actividade farmacêutica», terá entrada livre, sendo aberto a todos os interessados, tenham ou não ligação profissional ao sector farmacêutico, e contará com as presenças e intervenções de muitas e destacadas personalidades daquela área de actividade, entre as quais se destacam o ministro da Saúde, António Correia de Campos, a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Maria Irene Silveira, e a presidente da comissão parlamentar, Maria de Belém Roseira.
As alocuções dos três responsáveis lançam o colóquio, em que terá também lugar, na conferência inaugural, prevista para pouco depois das 10 horas, uma abordagem ao modelo das farmácias na Europa, pela voz do presidente do Pharmaceutical Group of the European Union (PGEU), Leopold Schmudermaier. Pelas 11h15 entra o painel seguinte, subordinado ao tema «Regulação da farmácia no contexto nacional e europeu», que terá como moderador Victor Baptista (PS) e como intervenientes o ex-ministro da Economia Augusto Mateus, o actual presidente do Consejo General dos Colégios Oficiales de Farmacêuticos, Pedro Capilla, e os representantes do Infarmed, da Autoridade da Concorrência e da União das Misericórdias Portuguesas.
Segue-se um momento de debate, em que serão analisadas as posições dos parceiros – a Associação Nacional das Farmácias, a Associação das Farmácias de Portugal, o Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, o Sindicato Nacional dos Profissionais de Farmácia e Paramédicos e a Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia. Os farmacêuticos interessados em participar no evento deverão confirmar a sua presença para a Ordem, quer através do telefone, para o número 213191381, quer por correio electrónico, para o endereço dirnacional@ordemfarmaceuticos.pt.
Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos, Assembleia da República
Genéricos criam problemas de armazenamento
O exagerado volume de medicamentos genéricos disponíveis no mercado português, que não tem correspondência com a quota de mercado daqueles fármacos, que gira em torno de uns ainda pouco expressivos 18 por cento, constitui um dos mais graves problemas com que se defrontam as farmácias nacionais.
Descrevendo uma trajectória de crescimento exponencial ao longo dos últimos anos, o mercado dos genéricos criou um problema aos estabelecimentos de dispensa de medicamentos no que respeita ao armazenamento daqueles produtos. Segundo dados de uma lista da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), há determinados princípios activos que têm um número muito elevado de genéricos em comercialização, como é o caso da sinvastatina, indicada para a redução dos níveis de colesterol, que é usada em 319 medicamentos genéricos actualmente disponíveis no mercado farmacêutico nacional, em várias apresentações.
Fonte oficial da Associação Nacional de Farmácias disse à Agência Lusa que este será um dos maiores problemas com que se debate a rede nacional de farmácias, tendo em conta o facto de que não é possível ter sempre todos os genéricos indicados para um mesmo problema, razão pela qual muitas vezes não podem ser satisfeitos os legítimos anseios dos pacientes que procuram um determinado fármaco. Uma técnica de Farmácia de Cascais citada pela Agência Lusa explicou que, por motivos logísticos, nem sempre é possível ter numa farmácia todos os genéricos existentes para um mesmo problema de saúde.
Na base desta situação, que a Associação Nacional de Farmácias define como “preocupante”, estará, segundo declarações da fonte daquele organismo, o incumprimento, por parte do Estado, de uma parte do Compromisso para a Saúde, assinado entre o Executivo e a ANF a 26 de Maio deste ano. “Um dos pontos mais importantes e que não foi cumprido tem a ver com a necessidade de legislação que obrigue à prescrição por Denominação Comum Internacional, ou seja, por principio activo”, acrescentou a mesma fonte, segundo a qual, porque “o Estado não confere ao utente a possibilidade de escolher”, ele acaba muitas vezes por pagar mais.
Maior cobertura
De acordo com a lista do Infarmed, as 10 substâncias activas com maior valor de vendas no período acumulado de Janeiro a Agosto deste ano integram-se na área dos medicamentos para tratamento de doenças psiquiátricas, colesterol e problemas digestivos. Além da substância activa sinvastatina, que conta 319 apresentações de medicamentos genéricos, há outros princípios activos com grande volume de fármacos daquele tipo: a amlodipina (241), a risperidona (237), a ciprofloxacina (231), a sertralina (225), o lansoprazol (204), a pravastatina (170), o omeprazol (136), a fluoxetina (104) e o ácido alendrónico (75).
Um cenário que merece críticas por parte do Infarmed, que defende a necessidade de uma maior cobertura dos genéricos em termos de áreas terapêuticas, em vez da actual proliferação de fármacos sem marca comercial em tão poucas áreas, apesar de reconhecer que já existem genéricos para a maioria das patologias, designadamente para as mais importantes.
Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa
Não farmacêuticos já podem aderir à ANF
A Associação Nacional de Farmácias já procedeu a uma alteração dos seus estatutos para permitir que, diante das novas regras de funcionamento do sector, por força da liberalização da propriedade dos estabelecimentos de dispensa de fármacos e do novo regime jurídico da actividade, os proprietários de farmácias que não sejam farmacêuticos possam aderir à ANF.
A alteração estatutária foi aprovada em assembleia-geral, com votos a favor de 95 por cento dos associados, e foi anunciada num comunicado daquela entidade, que esclarece que esta medida vem alargar os critérios de admissão à ANF, que passa a abrir portas a qualquer dono de farmácia, independentemente de se tratar de um farmacêutico ou de qualquer outro profissional. Os novos membros da ANF têm a vantagem de poder aderir à associação sem estarem sujeitos ao pagamento da jóia de inscrição relativa à parte fixa da quota associativa, sendo que, em contrapartida, também não terão direito ao património associativo do organismo.
Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa
“É uma boa medida, mas podia ir mais longe”
O anúncio, feito há dias pelo Ministério da Saúde, de que o Governo está neste momento a preparar a entrada em vigor, previsivelmente ainda no decurso deste ano, da comparticipação a 100 por cento do Enbrel (etanercept), imunomodulador indicado para o tratamento de várias doenças crónicas incapacitantes, gerou reacções moderadas de satisfação nos doentes destinatários da medida.
De acordo com um despacho assinado pelo secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, a implementação da gratuitidade daquele fármaco, por via da total comparticipação do Estado, no tratamento de pessoas que sofrem de doenças como artrite reumatóide, artrite psoriática, artrite idiopática juvenil poliarticular, psoríase em placas ou espondilite anquilosante justifica-se por haver “interesse público” no apoio a uma franja da população que até agora, e não obstante o elevado custo dos medicamentos de que necessitam e o facto de a despesa na farmácia ter impacto significativo no seu orçamento familiar, não tinham qualquer ajuda estatal.
O despacho já seguiu para publicação em «Diário da República», prevendo-se que entre em vigor cinco dias depois da divulgação no jornal oficial, e segundo a Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) está a ser analisada a hipótese de alargamento da medida a mais medicamentos num futuro mais ou menos próximo. Na reacção à notícia, João Cunha, presidente da Associação Portuguesa de Psoríase, considerou que a medida vai beneficiar uma minoria dos pacientes, lembrando que a doença afecta somente dois por cento da população.
Também na opinião do secretário-geral da Associação Nacional da Espondilite Anquilosante, Jorge Nunes, a decisão anunciada pelo Governo constitui “uma boa medida, mas que podia ir mais longe”, já que a comparticipação de apenas um dos fármacos que aqueles doentes utilizam poderá não traduzir um benefício real para muitos deles, que não farão reacção ao Enbrel, e que, à luz do despacho agora assinado, não terão direito a substituir aquele medicamento por outro que seja mais indicado ao seu caso concreto.
Em Junho passado, no rescaldo do II Encontro Luso-Espanhol da Associação Nacional da Espondilite Anquilosante, que decorreu no Estoril, Jorge Nunes revelava ao farmacia.com.pt que os doentes espondilíticos preconizavam a criação de um fundo autónomo por parte do Ministério da Saúde, com vista a uma melhor distribuição dos medicamentos de que necessitam para viver com menos dor. O secretário-geral da ANEA dizia, nessa altura, que os doentes com espondilite anquilosante se sentiam “esquecidos”, designadamente em termos de comparticipações e nas listas de espera.
A dificuldade comum no diagnóstico – a espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crónica da coluna que não tem cura nem causa conhecida e que frequentemente, durante anos, «empurra» o doente de médico para médico, sem que os especialistas consigam perceber a sintomatologia – e a sua prevalência pouco significativa – só 30 a 50 mil portugueses sofrerão desta patologia – poderia, na opinião de Jorge Nunes, explicar a pouca atenção dada pelo Estado à doença. Contudo, e frisando a necessidade de “chamar a atenção da tutela para o facto de a espondilite anquilosante não ser tão rara quanto se pensa”, a ANEA preconizou, no encontro de três dias no Estoril, a “implementação de um sistema de tratamento” semelhante ao que já é aplicado em Espanha, lamentando que aqueles doentes não tivessem acesso gratuito a fármacos de que outros pacientes usufruem sem pagar nada. O Ministério da Saúde acaba por atender parte das solicitações da associação, que ainda pedia um maior debate sobre os medicamentos biológicos, mas para Jorge Nunes a medida agora anunciada ainda peca por defeito…
Carla Teixeira
Fonte: Rádio Renascença, «Diário de Notícias», «O Primeiro de Janeiro», farmácia.com.pt, contactos telefónicos
sábado, 20 de outubro de 2007
CHMP recomenda aprovação do Abraxane para o cancro da mama metastizado
A recomendação baseou-se nos dados do ensaio clínico que suportaram a aprovação do Abraxane nos Estados Unidos e Canadá. O ensaio evidenciou que o fármaco demonstrou uma superioridade significativa nos endpoints clínicos da taxa de resposta, sobrevivência livre de progressão e sobrevivência quando comparado com o Taxol, comercializado pela Bristol-Myers Squibb para o tratamento do cancro da mama metastizado.
A opinião positiva do CHMP é o último passo antes da aprovação formal para a comercialização do Abraxane na Europa. A Abraxis espera receber a aprovação final nos próximos três ou quatro meses, e começou a estabelecer infra-estruturas europeias para comercializar o Abraxane na Europa. O lançamento do fármaco na Europa irá focar-se inicialmente no Reino Unido, França, Espanha, Itália e Alemanha.
A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) aprovou, em Janeiro de 2005, o Abraxane para suspensão injectável para o tratamento do cancro da mama, após a falha de quimioterapia de combinação para a forma metastizada da doença ou recaída no período de seis meses de quimioterapia adjuvante.
Isabel Marques
Fontes: www.rttnews.com, PharmaLive
EMEA emite opinião positiva sobre dois biossimilares para a anemia
O CHMP recomendou a aprovação de comercialização do Silapo, solução para injecção (1000/0.3ml, 2000/0.6ml, 3000/0.9ml, 4000/0.4ml, 5000/0.5ml, 6000/0.6ml, 8000/0.8ml, 10000 IU /1.0 ml, 20000 IU /0.5 ml, 30000 IU /0.75 ml e 40000 IU /1.0 ml) numa seringa pré-cheia, delineada para o tratamento da anemia associada com doença renal crónica, e para pacientes oncológicos para tratar a anemia e reduzir a necessidade de transfusões sanguíneas.
A EMEA recomendou ainda a aprovação do Retacrit para o tratamento da anemia associada a falha renal crónica, e para a anemia induzida por quimioterapia.
A Stada e a Hospira esperam que os fármacos sejam aprovados nos países da União Europeia (UE) até ao final de 2007. A Stada irá começar a comercializar o Silapo na Alemanha no primeiro trimestre de 2008. A Hospira planeia lançar o Retacrit, que será o seu primeiro biossimiar a ser comercializado, em diversos países da UE também no início de 2008.
O Silapo, que estimula a eritropoiese ao interagir com o receptor de eritropoietina nas células progenitoras na medula óssea, é um produto terapêutico biológico similar ao Erypo/Eprex aprovado na UE. Estudos demonstraram que o Silapo tem um perfil equivalente de qualidade, segurança e eficácia ao Erypo/Eprex (epoetin alfa).
Nos finais de 2006, a Hospira e a STADA Arzneimittel AG anunciaram acordos de desenvolvimento, fabrico e distribuição para o epoetin zeta. A Hospira obteve direitos exclusivos de distribuição em países como os Estados Unidos, e diversos da Europa, com a excepção da Alemanha, onde ambas as companhias irão comercializar o produto.
A Hospira tem investido significativamente na expansão das suas competências no desenvolvimento, fabrico e comercialização de similares biológicos.
As opiniões positivas são emitidas pelo CHMP, e a EMEA, que aprova os fármacos, normalmente segue as recomendações do comité. A Comissão Europeia aprova biossimilares que demonstram qualidade, eficácia e segurança equivalentes aos produtos biofarmacêuticos disponíveis actualmente para as indicações aprovadas.
Automonitorização: diabéticos têm dificuldade em analisar resultados
Cientistas britânicos defendem orientação e acompanhamento médico
A frequência da automonitorização do açúcar no sangue - em diabéticos - decresceu com o tempo. Estes doentes têm ainda dificuldades em interpretar os resultados. Conclusões que saíram de um estudo britânico publicado na revista British Medical Journal (BMJ).
Investigadores da Aston University, no Reino Unido, avaliaram os resultados da automonitorização dos níveis de açúcar no sangue, realizados por indivíduos diabéticos. Analisados foram, também, o papel da orientação do especialista, a capacidade de interpretação dos resultados e as reacções a serem adoptadas perante os valores anormais de açúcar no sangue.
De acordo com o artigo científico da BMJ, os autores do estudo constataram, não só, uma baixa na frequência da automonitorização, como também, identificaram nos doentes dificuldades em interpretar os resultados.
Neste sentido, a equipa britânica concluiu que “a automonitorização do açúcar sanguíneo, efectuada pelos diabéticos, depende de treino adequado, orientação e acompanhamento profissional, para culminar em benefícios e melhora do prognóstico da doença.”
Portugal: 650 mil diabéticos
O diabetes mellitus é uma doença caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar do sangue. Esta disfunção metabólica acaba por gerar alterações vasculares em diversos tecidos e órgãos, elevando o risco de doenças do coração, derrame cerebral, alterações na sensibilidade periférica, distúrbios renais e visuais. Estima-se que o número de indivíduos diabéticos irá sofrer um processo de crescimento, em consonância com o aumento da obesidade e hábitos de vida pouco saudáveis.
Todos os dias são diagnosticadas 200 crianças com diabetes tipo 1 e estima-se que, em todo o mundo, mais de 440 mil crianças com menos de 14 anos têm diabetes tipo 1. Em Portugal, existem cerca de 650 mil portugueses diagnosticados com diabetes. Estima-se que 20 mil sejam jovens portugueses com diabetes tipo 1, informou Paulo Madureira, presidente da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP).
Raquel Pacheco
Fonte: BMJ/AJDP
Tratamento gratuito para doenças crónicas incapacitantes
Os medicamentos destinados ao tratamento de diversas doenças crónicas altamente incapacitantes, como artrite reumatóide, artrite psoriática, artrite idiopática juvenil poliarticular, psoríase em placas e espondilite anquilosante, vão ser gratuitos. A medida responde a um velho anseio daqueles doentes, e foi anunciada num despacho do Ministério da Saúde, devendo entrar em vigor dentro de um mês.
Por ora a decisão do Ministério da Saúde traduz-se na dispensa de um único fármaco: o Enbrel (etanercept), imunomodulador que está disponível em Portugal desde 2000, e que até ao momento tem sido comercializado com o preço de 695 euros por cada embalagem de quatro frascos, ou a 721 euros cada vacina pré-carregada daquele produto, sempre sem qualquer comparticipação por parte do Estado português. O despacho agora anunciado representa um importante apoio àqueles doentes crónicos, cuja despesa na farmácia tem hoje um peso considerável no orçamento familiar.
O despacho já seguiu para publicação em «Diário da República», prevendo-se que entre em vigor cinco dias depois da divulgação no jornal oficial. Tidas no seu conjunto, estas cinco doenças afectam mais de um por cento da população nacional, e há outros fármacos que podem ajudar estes doentes, e cuja integração no âmbito deste despacho está nesta altura a ser avaliada pela Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed). Assinado por Francisco Ramos, secretário de Estado da Saúde, o documento vem reconhecer o “interesse público” da dispensa gratuita daqueles medicamentos.
No entanto, e porque, como atesta o despacho, “a especificidade dos tratamentos disponíveis e o risco dos próprios medicamentos impõem que a sua administração deva ser iniciada e controlada por médicos com experiência no diagnóstico e no tratamento” destas patologias, por enquanto a dispensa gratuita dos fármacos deverá ser limitada aos hospitais, onde os doentes poderão levantá-los se forem prescritos em consultas da especialidade.
Carla Teixeira
Fonte: «Diário de Notícias»
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Clamídia causa infertilidade
O professor catedrático de genética, da Universidade Autônoma de Madri, Jaime Gosálvez, co-autor da pesquisa, desenvolveu, em colaboração com investigadores do Hospital Juan Canalejo de La Coruña (Espanha), uma técnica que prova a correlação entre a clamídia e a infertilidade.
O resultado da investigação será publicado na "Fertility and Sterility", mas foi já apresentado na Conferência da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e revelou que o sémen dos homens afectados pela bactéria Chlamydia trachomatis apresenta graus de fragmentação de ADN que variam entre os 35% e os 45%. Em pessoas sem a doença, esses níveis são de aproximadamente 15%.
Apesar de os homens afectados com clamídia apresentarem uma fragmentação do esperma três vezes superior à de um homem saudável, a infecção decorrente não provoca sintomas nem altera os parâmetros de concentração, morfologia e mobilidade do sémen e dos espermatozóides.
No entanto, depois de terem sido medicados com antibiótico durante três a quatro meses, os homens infectados conseguiram uma regeneração parcial do esperma, existindo mesmo a hipótese de recuperarem a fertilidade.
Segundo o cientista, a descoberta é importante tanto por causa da quantidade de pessoas afectadas pela bactéria (dois terços das mulheres e metade dos homens do mundo) como pela dificuldade em sua detecção.
A infecção por Chlamydia trachomatis surge por contacto sexual desprotegido e o local da infecção depende do tipo da relação sexual que originou o contágio. No homem, aparece corrimento uretral escasso e ardor mais ou menos intenso ao urinar, sintomas estes mais frequentes de manhã.
Na mulher, na grande maioria dos casos, a infecção não produz sintomas, podendo ocasionar corrimento ligeiro. No entanto, se a infecção não for tratada a tempo, pode alastrar, ocasionando uma inflamação nas trompas e nos ovários, que pode originar infertilidade.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, em todo o mundo, surjam cerca de 250 milhões de novos casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST), por ano. Destes, cerca de três milhões são infecções por clamídia.
Inês de Matos
Fonte: Folha de São Paulo, Focus, Fórum Enfermagem, Médicos na Internet
Excesso de vitamina E pode agravar processo inflamatório
Cientistas registam efeito antagónico e alertam para riscos do consumo indiscriminadoQuanto maior for o consumo de vitamina E, pior poderá ser o efeito num quadro clínico de inflamação, ou seja, administrada em doses elevadas, afinal o seu papel não é “anti”, mas pró-inflamatório. A descoberta saiu de um estudo conduzido por investigadores do Instituto Oswaldo Cruz, no Brasil, noticiado na Agência FAPESP.
A vitamina E é reconhecida como potencial antioxidante e anti-inflamatório, no entanto, um estudo realizado no Laboratório de Imunofarmacologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fundação Oswaldo Cruz, apontou um possível papel antagónico em processos inflamatórios, levando ao alerta: a administração de uma dosagem excessiva pode ter como consequência um agravamento do quadro clínico.
De acordo com a investigação brasileira, a vitamina E tem um efeito inibitório na actividade do receptor nuclear PPAR gama - proteínas existentes no núcleo das células e que são importantes na comunicação celular - somente quando administrada em baixa quantidade.
Segundo explicou a bióloga Adriana Ribeiro Silva - coordenadora da investigação que durou dois anos -, “constatámos que o efeito anti-inflamatório da vitamina E pode ocorrer por meio do receptor PPAR gama, porém, verificámos que, quando administrada em altas doses, a vitamina não tem efeito sobre a proteína e permite a inflamação”, concretizando que, “o carácter anti-inflamatório da vitamina seria devido ao efeito inibitório na activação do receptor."
Na investigação, os cientistas utilizaram ratos como modelo experimental, nos quais provocaram um processo inflamatório e avaliaram o efeito do tratamento com vitamina E depois da administração de fármacos usados em tratamentos clínicos.
“Constatou-se que uma dose de 40 microgramas por cavidade (por animal) tem efeito anti-inflamatório mas, se a dose for aumentada para 120 microgramas por cavidade, a vitamina E passa a ter actividade pró-inflamatória”, revelou Adriana Silva, destacando que o facto é “muito relevante porque esta dose mais elevada é a mais frequentemente prescrita para humanos.”
Estudo traz “luz” a novos fármacos
Outro aspecto a destacar é o contributo destes resultados face aos medicamentos que se ligam ao receptor PPAR gama e que são utilizados clinicamente e aceites comercialmente como anti-diabéticos. “O próprio estudo começou com a proposta de avaliar o uso desses fármacos no tratamento da diabetes”, informou a bióloga.
Para a investigadora, a investigação traz uma outra vantagem: "Hoje temos dificuldade em produzir fármacos que tenham efeitos desejados e não apresentem os efeitos colaterais. Cada vez mais se tem tentado encontrar alvos moleculares, como o PPAR gama, com actividades dentro da célula", salientou.
À Agência FASPEP, Adriana Ribeiro Silva adiantou ainda que, a equipa do IOC pretende destacar os efeitos antioxidantes da vitamina E e “propor a sua aplicação como um anti-inflamatório que possa ser utilizado de forma mais ampla”, inclusive, em doenças do foro infeccioso, nomeadamente, por bactérias e outros microrganismos. Está já planeada também uma nova etapa da investigação que será investigar as actividades pró e anti inflamatória da vitamina E com foco na sepsia.
Raquel Pacheco
Fontes: Agência FAPESP
Modificar microorganismos para obter moléculas farmacêuticas
Cientistas norte-americanos focam investigação em sistemas microbianos como futuras "fábricas" de compostos químicosOs microorganismos podem ser usados como "pequenas e eficientes fábricas" de moléculas farmacêuticas para combater o cancro, o envelhecimento e a obesidade. A garantia é dada por cientistas da Universidade de Buffalo (Estados Unidos) que estão a investigar a modificação genética de microorganismos para estes fins.
Mostrar o potencial da modificação de organismos, focando as investigações na obtenção de isoflavonóides é a missão desta equipa norte-americana, estimando que, já no final deste ano, seja obtida uma escala de produção piloto de isoflavonóides.
“O objectivo é utilizar enzimas para que a bactéria Escherichia coli seja capaz de fabricar o composto químico de que precisamos”, explicou Matheos A. G. Koffas, professor na Universidade de Buffalo.
De acordo com o investigador, os sistemas microbianos “permitem que grandes quantidades de compostos químicos de importância farmacêutica sejam fabricadas por meio de processos mais eficientes, mais baratos e mais ambientalmente amigáveis.”
Matheos Koffas advogou que fabricar produtos químicos por esta via “reduz a dependência de derivados de petróleo, assim como, a necessidade de uso de temperaturas elevadas, de metais pesados, de condições de acidez extrema e de solventes perigosos”, acrescentando que, “poderiam ainda ser realizadas reacções químicas muito complexas nas bactérias, necessárias para a síntese de certos fármacos e que são muito difíceis de serem executadas por métodos químicos convencionais.”
Neste sentido, os investigadores norte-americanos revelaram que esperam produzir 400 miligramas de flavonóides por litro de cultivos de bactérias, um número que ultrapassa em larga escala os 20 miligramas obtidos por outros sistemas de produção.
Segundo anunciou a equipa, está a ser utilizada a mesma estratégia para a produção de outros compostos, “como certos pigmentos naturais que poderiam substituir os sintéticos que são usados como aditivos alimentares.”
Isoflavonóides interessam indústria farmacêutica
Os isoflavonóides são fitoestrogénios, os quais apresentam alguns efeitos estrogénicos nas células. Existem três classes: lignans, flavonóides e isoflavonóides. Os primeiros encontram-se nos cereais, grãos, frutos e vegetais . Os lignans, depois de metabolizados pela microflora intestinal, aumentam no plasma sanguíneo constituintes tais como as enterolactonas e o enterodiol. Os fitoestrogénios podem interferir no metabolismo e biodisponibilidade dos esteróides, e inibir algumas enzimas cruciais para a proliferação celular.
Assim, os flavonóides são considerdos compostos interessantes para a indústria farmacêutica pelas suas propriedades antioxidantes e anticancerígenas e muits são difíceis de serem produzidos pelos métodos actuais.
Os cientistas trabalham em colaboração com a companhia First Wave Technologies que recebeu um subsídio da National Science Foundation (Estados Unidos) para levar a cabo esta investigação que foi divulgada dias depois do anúncio do Nobel da Medicina.
Raquel Pacheco
Prisfar apela à prevenção da osteoporose
Por ocasião do Dia Mundial da Osteoporose, que se assinala neste sábado, a Prisfar (companhia farmacêutica portuguesa vocacionada para o mercado da automedicação que faz a distribuição do Osteocare®, o primeiro suplemento completo de cálcio) lança um apelo junto dos cidadãos, no sentido da prevenção de uma doença que, apesar de silenciosa, afecta significativamente a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo, atingindo também cerca de 500 mil portugueses.
Tendo em conta que as mulheres na fase de pré-menopausa são as principais vítimas da osteoporose, que vai enfraquecendo os ossos e aumentando o risco da ocorrência de fracturas, sendo quase sempre coadjuvada, nessa missão destruidora, por hábitos alimentares pouco saudáveis, onde normalmente é gritante a falta o leite e dos seus derivados, a Prisfar alerta para o facto de os efeitos da doença, perversos e por vezes irreversíveis, fazem dela “uma das mais comuns, debilitantes e dispendiosas doenças crónicas”, e atesta que “a melhor forma de a evitar é fazendo a sua prevenção”, desde a infância, com algumas medidas simples que devem continuar durante toda a vida, e entre as quais avultam a prática de exercício físico regular, a abstinência do tabaco e a contenção no que toca ao consumo excessivo de álcool, a par de uma alimentação essencialmente rica em cálcio.
Quando, mesmo levando a cabo um programa preventivo bem definido, nem sempre se consegue atingir os níveis adequados de cálcio no organismo, entram em cena os suplementos de cálcio, que assumem “um importante papel” na luta contra a doença. A Prisfar informa que o Osteocare® foi o primeiro suplemento completo de cálcio a ser introduzido no mercado farmacêutico português, tendo sido desenvolvido para ajudar a manter os ossos fortes e saudáveis, ao mesmo tempo que fornece os nutrientes mais importantes para o metabolismo ósseo, como cálcio, magnésio, zinco e vitamina D. De acordo com a empresa farmacêutica, dois comprimidos de Osteocare® por dia equivalem à Dose Diária Recomendada de cálcio, magnésio, vitamina D, zinco, cobre, manganês, selénio e boro. Além da apresentação em comprimidos, o medicamento está também disponível sob a forma de líquido, com sabor a laranja.
Carla Teixeira
Fonte: MediaHealth, APOROS
Osteoporose afecta meio milhão de portugueses
Especialistas reforçam que combate à doença começa na juventudeNo âmbito do Dia Mundial da Osteoporose, que se assinala neste sábado, a Universidade do Porto (UP) divulgou um estudo nacional que dita uma realidade dramática: a osteoporose atinge meio milhão de pessoas e afecta uma em cada três mulheres, após os 50 anos de idade.
Normalmente associada à velhice, esta é uma doença que, segundo os especialistas, pode ser prevenida na juventude. “Esta patologia não é uma consequência do envelhecimento, se for prevenida precocemente. O objectivo é fortalecer os ossos enquanto somos jovens, com vista à sua preservação à medida que envelhecemos”, alertaram.
De acordo com a investigação da UP, em Portugal, ocorrem, anualmente, cerca de 3000 fracturas osteoporóticas do colo do fémur. A prevenção médica da doença passa pela administração de medicamentos adequados a cada pessoa. O objectivo é reduzir o risco de fracturas, sendo os bisfosfonatos, nomeadamente, o risedronato, os tratamentos de primeira linha a este nível.
“Nunca é demasiado cedo para prevenir a osteoporose nem demasiado tarde para tratá-la”, frisou Eugénia Simões, reumatologista do Instituto Português de Reumatologia (IPR).
Conhecida como epidemia silenciosa, devido à ausência de sintomas, é frequente que o seu diagnóstico seja feito tardiamente, na sequência de uma fractura inesperada. A osteoporose caracteriza-se pela diminuição da resistência do osso, que o torna mais frágil e susceptível de fracturar. As fracturas vertebrais podem até acontecer sem que a pessoa se aperceba.
Raquel Pacheco
Fonte: UP/IPR/Manual Merck
Tabaco, álcool, pouco peso e má nutrição prejudicam ossos
Novo relatório da Fundação Internacional de Osteoporose prevê que incidência de fractura de quadril aumente em 310% e 240% em homens e mulheres, até 2050"Em todo o mundo, a incidência da osteoporose está a aumentar em proporções epidémicas. Agora sabemos que, uma entre três mulheres, e um entre cinco homens acima dos cinquenta anos irão ter uma fractura osteoporótica", revelou o autor do relatório «Vença a Quebra: Conheça e Reduza Seus Factores de Risco de Osteoporose», Cyrus Cooper.
A advertência de Cooper foi reforçada com o alerta do dirigente da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF - sigla inglesa de International Osteoporosis Foundation). Segundo Daniel Navid, "até 2050, estima-se que a incidência de fractura de quadril - uma das grandes consequências da doença - irá aumentar em 310 e 240 por cento em homens e mulheres”, destacando que “as fracturas relacionadas com a osteoporose, frequentemente, implicam em dor, perda da função e, nos piores casos, em morte."
«Vença a Quebra» é, também, o lema do Dia Mundial da Osteoporose de 2007, (WOD - World Osteoporosis Day) que, amanhã (dia 20), é assinalado em mais de 80 países. Nesta data, a IOF relembra que, “para vencer a quebra e evitar as fracturas” as pessoas devem seguir “um estilo de vida amigo dos ossos, com uma dieta nutricional que inclua cálcio e vitamina D em doses suficientes, fazer exercícios regulares, evitar o tabaco e o álcool em excesso.” Outra recomendação é realizar o teste de Um Minuto Sobre o Risco da Osteoporose da IOF, disponível em: (http://www.iofbonehealth.org/patients-public/risk-test.html)
Factores de risco modificáveis e fixos
Aos factores de risco modificáveis da osteoporose relaciona-se um estilo de vida incorrecto, nomeadamente, nutrição deficiente, índice baixo de massa corporal, distúrbios alimentares, álcool, fumo e quantidade insuficiente de exercícios. No que concerne aos indicadores fixos são aqueles que nascem com o indivíduo e, por isso, inalteráveis. Incluem idade, sexo, histórico familiar de fracturas, a presença de uma fractura anterior, etnia e o início de menopausa precoce.
O WOD 2007 tem o apoio de uma doação educacional sem restrições concedida por quatro patrocinadores de Ouro Globais: Fonterra Brands, Novartis, MSD e Tetra Pak.
Raquel Pacheco
Fontes: PRNewswire/ International Osteoporosis Foundation
DGS quer consultas para deixar o vício do tabaco em todos os centros de saúde
As consultas destinam-se aos funcionários e aos utentes do Serviço Nacional de Saúde e já se encontram em funcionamento em algumas unidades de saúde.
No entanto, a recomendação da DGS é extensível também aos hospitais públicos, em particular aos serviços de cardiologia, pneumologia, psiquiatria, oncologia, obstetrícia, psiquiatria e centros de atendimento a alcoólicos e toxicodependentes.
"Sempre que a dimensão dos serviços e da população atendida não justifique a criação de uma consulta especializada, devem ser estabelecidos protocolos com outras consultas especializadas, de modo a garantir o acesso adequado dos fumadores que necessitem deste tipo de apoio", refere a circular assinada pelo director-geral da Saúde.
Com a entrada em vigor da nova lei do tabaco, os hospitais e serviços psiquiátricos deverão criar áreas exclusivamente dedicadas a pacientes fumadores, isto apesar de a nova lei ter uma vertente preventiva e proibir o acto de fumar nos estabelecimentos de saúde. Estas áreas devem estar fisicamente separadas das restantes instalações ou disporem de um sistema de ventilação que evite que o fumo se espalhe às áreas contíguas.
Para protecção dos não fumadores, os estabelecimentos de saúde deverão garantir ventilação directa para o exterior através de um sistema de extracção de ar e, para além disto, a Direcção-Geral da Saúde recomenda ainda que os espaços criados para os fumadores sejam "completamente compartimentados e isolados das zonas de não fumadores" e que sejam apenas destinados ao acto de fumar.
De acordo com a lei, os órgãos directivos ou dirigentes máximos dos estabelecimentos de saúde que não façam uma correcta divisão das zonas para pacientes fumadores podem pagar uma multa de 2.500 a 10 mil euros.
Também para os fumadores que não respeitem a lei e que fumem fora das áreas ao ar livre e das destinadas a fumadores existem multas, contra-ordenações que podem ir dos 50 aos 750 euros.
Inês de Matos
Fonte: Lusa
Atripla recebe opinião positiva do CHMP
O Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) emitiu um parecer positivo para o Atripla, uma terapia anti-HIV que resulta da associação entre o Sustiva (Efavirenz), o Viread (Tenofovir) e a Emtriva (Emtricitabina).
O Viread e o Emtriva, ambos produzidos pela Gilead Sciences, são actualmente vendidos combinados sob o nome de Truvada. O Sustiva é fabricado pelo laboratório norte-americano Bristol-Myers Squibb, porém os direitos de comercialização do medicamento pertencem à Merck.
De acordo com as farmacêuticas responsáveis pelo medicamento, a recomendação do CHMP aplica-se especificamente ao tratamento da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana -1 em pacientes adultos com supressão virológica para os níveis RNA superiores a 50 cópias/ml na sua terapia actual de combinação antiretroviral durante um período superior a três meses.
O fármaco combina três componentes da terapia anti-retroviral altamente activa, ou HAART, – dois inibidores não competitivos da transcriptase reversa e um inibidor da transcriptase reversa não nucleósido – em apenas um comprimido de toma diária única.
A recomendação do comité de especialistas da EMEA vai agora ser reavaliada pela Comissão Europeia. A decisão acerca da autorização de comercialização do Atripla deverá surgir próximo do final do ano corrente.
Também denominado como comprimido “três em um”, o Atripla é comercializado nos Estados Unidos da América desde Junho de 2006. Durante o primeiro ano de vendas no mercado norte-americano o fármaco rendeu 122 milhões de euros.
Marta Bilro
Fonte: CNN Money, StreetInsider.com, Trading Markets, RTT News, Farmacia.com.pt.
DGS quer consultas de cessação tabágica em todos os centros de saúde
Estas consultas, que já podem ser acedidas nalguns serviços, destinam-se a funcionários e utentes do Serviço Nacional de Saúde, sendo que, a recomendação estende-se também a alguns serviços hospitalares públicos, em particular aos serviços de cardiologia, pneumologia, psiquiatria, oncologia, obstetrícia, psiquiatria e centros de atendimento a alcoólicos e toxicodependentes.
O importante é “garantir o acesso adequado dos fumadores que necessitem deste tipo de apoio”, pelo que, quando a “dimensão dos serviços e da população atendida não justifique a criação de uma consulta especializada, devem ser estabelecidos protocolos com outras consultas especializadas”, refere a circular assinada pelo director-geral da Saúde citada pela agência Lusa.
Apesar da nova lei de prevenção do tabagismo deliberar a proibição de fumar em estabelecimentos de saúde, os hospitais e serviços psiquiátricos terão permissão para criarem áreas exclusivamente dedicadas a pacientes fumadores.
Estes espaços devem estar fisicamente separados das restantes instalações ou disporem de um sistema de ventilação que evite que o fumo se espalhe às áreas contíguas. Para garantir a protecção dos não fumadores, deve também ser garantida a instalação de um sistema de extracção de ar com ventilação directa para o exterior.
À parte do que é estabelecido pela lei, as recomendações da DGS falam ainda na criação de espaços destinados aos fumadores que sejam “completamente compartimentados e isolados das zonas de não fumadores” e que sejam apenas destinados ao acto de fumar.
De acordo com a lei, os órgãos directivos ou dirigentes máximos dos estabelecimentos de saúde que não cumpram as directivas para a correcta divisão das zonas para pacientes fumadores poderão sujeitar-se ao pagamento de uma multa que oscila entre os 2.500e os 10 mil euros.
Já no caso das pessoas que resolvam fumar nos estabelecimentos de saúde fora das áreas ao ar livre e das destinadas a fumadores a contra-ordenação pode ir dos 50 aos 750 euros.
Marta Bilro
Fonte: Diário Digital, Lusa, Público.
UE autoriza reintrodução do Viracept no mercado
A farmacêutica suíça Roche recebeu autorização da União Europeia (UE) para voltar a comercializar o Viracept (nelfinavir), um anti-retroviral utilizado no tratamento de doentes infectados com o vírus da Sida.
De acordo com um comunicado divulgado esta sexta-feira pela Roche, o laboratório está pronto para proceder á distribuição do fármaco, cuja autorização de introdução no mercado (AIM) foi suspensa no dia 6 de Agosto de 2007, depois de ter sido detectada, em alguns lotes do fármaco, a presença de mesilato de etilo, uma substância que provoca alterações tóxicas no ADN celular.
Tal como tinha sido noticiado pelo Farmacia.com.pt, no final do mês de Setembro a Agência Europeia do Medicamento (EMEA) tinha já levantado a suspensão da autorização de comercialização do medicamento que agora volta ao mercado com autorização da UE.
Nessa altura, o Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da EMEA realizou uma inspecção no local de fabrico do medicamento, durante a qual foram verificadas as medidas preventivas levadas a cabo pela farmacêutica suíça para corrigir a situação, tendo concluído que a causa da contaminação tinha sido eliminada.
A decisão já foi aplaudida pelo director executivo de operações farmacêuticas da empresa, Williams Burns. “As nossas equipas trabalharam com diligência na produção e em estreita colaboração com as autoridades de saúde, prestadores de cuidados de saúde, organizações não governamentais e grupos de pacientes com a intenção de voltar a fornecer este medicamento”, afirmou.
Marta Bilro
Fonte: Market Watch, Forbes, Reuters, Diário Digital, Farmacia.com.pt.
CHMP dá parecer positivo ao Avamys
O Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) emitiu uma opinião positiva para o Avamys (fluticasona furoato), um spray nasal desenvolvido pela GlaxoSmithKline e destinado ao tratamento dos sintomas da rinite alérgica em pacientes adultos, adolescentes e crianças entre os 6 e os 11 anos de idade.
De acordo com um comunicado publicado no portal da farmacêutica britânica, os ensaios clínicos de Fase III indicaram que o medicamento demonstrou eficácia superior ao placebo no tratamento dos sintomas de alergia nasal, incluindo o congestionamento, os espirros, a comichão e o corrimento.
Para além disso, acrescenta o laboratório, o Avamys é o único corticoesteróide em spray a revelar melhorias no alívio dos sintomas dos olhos associados às alergias sazonais, como a vermelhidão, a comichão, o ardor e o lacrimejamento.
O parecer da entidade reguladora é importante “para os 60 milhões de europeus cuja qualidade de vida sofre um sério impacto devido à rinite alérgica”, salientou Andrew Witty, presidente da GlaxoSmithKline Europa.
Segundo afirmou o mesmo responsável, o fármaco permite tratar 70 por cento dos casos de rinite alérgica que afectam tanto o nariz como os olhos.
Marta Bilro
Fonte: GlaxoSmithKline, Hemscott, PharmaLive.
Lucros da Eli Lilly sobem 6% no terceiro trimestre do ano
Por sua vez, as vendas da empresa alcançaram um aumento de 19 por cento para os 3,2 mil milhões de euros, face aos 2,7 mil milhões de euros obtidos no período homólogo de 2006.
As previsões dos analistas da Thomson Financial indicavam que, em média, os ganhos da Eli Lilly deveriam chegar aos 60,9 cêntimos por acção, com receitas de 3,17 mil milhões de euros.
De acordo com a empresa, os resultados foram impulsionados pelo sucesso das vendas de medicamentos destinados ao tratamento da depressão. Exemplo disso é o Cymbalta (Duloxetina), cujas vendas cresceram 47 por cento entre Julho e Setembro de 2007, para os 359,4 milhões de euros.
O antipsicótico Zyprexa (Olanzapina) também alcançou bons resultados, com as vendas a subirem 8 por cento no terceiro trimestre do ano, para os 1,17 mil milhões de euros. O mesmo aconteceu com as vendas do Cialis (Tadalafil), que subiram 27 por cento, para os 217,8 milhões de euros.
Marta Bilro
Fonte: CNN Money, Market Watch, Gazeta Mercantil.
«Jesus Cristo Superstar» com desconto
A Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos e o Rivoli Teatro Municipal, incontornável sala de espectáculos da cidade do Porto, firmaram uma parceria que permitirá aos farmacêuticos assistir ao espectáculo «Jesus Cristo Superstar», de Filipe La Féria, a preços reduzidos.A iniciativa é válida até ao dia 28 deste mês, para as sessões das 21h30 de terças, quartas e quintas-feiras, e consubstancia-se numa redução de 50 por cento do custo do bilhete para os profissionais de Farmácia, que previamente deverão reservar o seu lugar através de um dos seguintes números de telefone: 222071265 ou 222031074, procedendo ao levantamento do ingresso no balcão de atendimento do Rivoli, no dia escolhido para assistirem ao espectáculo. Além do desconto de 50 por cento nos dias anunciados, o Rivoli concede um desconto de 10 por cento aos farmacêuticos que pretendam assistir à peça encenada por La Féria nas sessões das sextas, sábados ou domingos.
Num país onde há tantos anos se ouve falar da crise do teatro, e de um divórcio dos cidadãos face à cultura, «Jesus Cristo Superstar» é já um fenómeno de sucesso, com lotações esgotadas diariamente no Rivoli, por onde já passaram mais de 60 mil espectadores desde a estreia da ópera-rock que revolucionou o mundo da música pop na década de 1970, e que tem, nesta encenação de Filipe La Féria, uma leitura contemporânea, com a acção a decorrer no cenário das Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque, destruídas nos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001.
Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos, site oficial do espectáculo
Medicamentos com clobutinol retirados do mercado Europeu
A Agência Europeia do Medicamento (EMEA) chegou à conclusão que os riscos associados à toma de clobutinol são superiores aos benefícios e recomenda, por isso, a recolha do medicamento de todos os mercados da União Europeia (UE), bem como de todas as Autorizações de Introdução no Mercado (A.I.M.) de medicamentos para a tosse contendo clobutinol.
Apesar de, em Portugal, o Silomat ser o único fármaco à venda que tem como princípio activo o clobutinol, estão disponíveis, noutros mercados europeus, vários medicamentos contendo esta substância com o estatuto de dispensa de medicamento não sujeito a receita médica, indicados para o tratamento sintomático de curta duração da tosse irritativa, não produtiva.
A reavaliação dos medicamentos contendo clobutinol iniciou-se em Setembro do ano corrente, quando a autoridade reguladora alemã suspendeu as AIMs destes fármacos depois dos mesmos terem sido associados a efeitos adversos cardíacos.
Na altura, a Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), ordenou a suspensão imediata da sua comercialização no mercado português, exortando os doentes que estivessem a fazer tratamento com o Silomat a interromper de imediato a sua administração. Agora, face à reavaliação levada a cabo pelo Comité Científico de Medicamentos de Uso Humano (CHMP) o medicamento vai ser retirado de todo o mercado Europeu.
Na base desta decisão estão as conclusões obtidas pelo CHMP que indicam que “a utilização do clobutinol está associada a risco de prolongamento do intervalo QT, o que conduz a alterações no batimento cardíaco e é conhecido por estar associado a abrandamento e interrupção do ritmo cardíaco, especialmente quando utilizado em doses elevadas”, afirma uma nota informativa emitida pelo Infarmed.
Uma vez que estão disponíveis alternativas terapêuticas, “o CHMP considera que os benefícios destes medicamentos não superam os riscos”, pelo que recomenda a suspensão na EU de todas as AIMs de medicamentos contendo clobutinol. O parecer está agora a ser enviado à Comissão Europeia para adopção da decisão, a qual será posteriormente aplicada a todos os Estados Membros da UE.
Disponível em xarope, solução oral e comprimido revestido, o Silomat é desenvolvido e comercializado pela farmacêutica alemã Boehringer Ingelheim e distribuído em Portugal pela União Internacional Laboratórios Farmacêuticos Lda. (Unilfarma) que pediu a recolha do mesmo.
Em declarações à Agência Lusa, o director médico da empresa farmacêutica, Carlos Trabulo, sublinhou a ausência de registo de casos fatais devido à toma do medicamento e explicou que o potencial risco de arritmias cardíacas existe apenas durante a acção do fármaco já que o "medicamento é eliminado da circulação em 24 horas e não há qualquer efeito prolongado, nem há sequelas".
Em 2006 foram vendidas em Portugal 320 mil unidades do Silomat, o que representou um valor líquido de cerca de 1,2 milhões de euros. Em 46 anos de comercialização, o Silomat registou 200 milhões de administrações em todo o mundo.
Marta Bilro
Fonte: Infarmed, Farmacia.com.pt.
Bomba de insulina disponível em Portugal

Poderá constituir-se numa verdadeira revolução na qualidade de vida dos doentes diabéticos. Já se encontra disponível em Portugal um inovador dispositivo de administração de insulina que apresenta como vantagem primacial a possibilidade de acabar com as muitas e incómodas injecções a que aqueles pacientes estão tantas vezes sujeitos. A bomba de insulina já é uma realidade no nosso país.
A principal mais-valia do novo método salta de imediato à vista: com a bomba de insulina o diabético vê abolida a necessidade da picada diária, tendo como consequência imediata uma melhor qualidade de vida e, por inerência, um mais eficaz controlo da diabetes. A terapia com base neste pequeno aparelho substitui a tradicional injecção diária por uma injecção de três em três dias, o que equivale a dizer que serão cerca de 120 menos picadas por mês, associadas a uma menor taxa de complicações. Se o facto de ser menos picado do que o estritamente necessário é algo que previsivelmente agrada a qualquer um dos cerca de 20 mil doentes diabéticos, no caso das crianças essa mais-valia ganha contornos ainda mais expressivos, como lembra Paulo Madureira, presidente da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal.
O pequeno aparelho, com o tamanho de um “pager” e apenas 100 gramas de peso, administra as doses diárias de insulina de forma permanente durante as 24 horas do dia, e é programado de acordo com as necessidades específicas de cada doente. A bomba dispõe de um pequeno reservatório de insulina de acção rápida que, ligada a um tubo muito fino, conduz a medicação a um cateter colocado debaixo da pele, que tem, esse sim, de ser substituído a cada três dias. O dispositivo electrónico permite aos doentes diabéticos uma nova qualidade de vida, já que poderá fazer as suas refeições, levar a cabo a actividade física que entender e gerir o seu próprio stress, fazendo variar a quantidade de insulina administrada sem ter de se sujeitar a mais picadas, como explica Helena Cardoso, especialista em endocrinologia e nutrição médica do Hospital de Santo António, na cidade do Porto.Porque “o bom controlo da diabetes é a melhor prevenção das suas complicações”, Francisco Carrilho, endocrinologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra, atesta também que “investir no bom controlo da diabetes é também uma forma de poupar recursos, pois evita-se complicações e doenças que, além do sofrimento humano que provocam, obrigam também ao gasto de recursos profissionais e económicos muito elevados”.
Dados da Federação Internacional da Diabetes estimam em cerca de 230 milhões o número de pessoas que, à escala mundial, sofrem desta doença, prevendo-se que esse número possa atingir os 350 milhões em 2025. Diariamente, segundo a mesma fonte, são feitos aproximadamente 200 diagnósticos de diabetes de tipo I (insulino-dependente) em crianças, sendo que actualmente haverá mais de 440 mil em todo o mundo que, com menos de 14 anos de idade, já são portadoras da doença. Em Portugal a realidade também não é animadora, estimando-se uma prevalência de 650 mil diabéticos, 20 mil dos quais serão jovens com a forma mais grave da doença.
Carla Teixeira
Fonte: Hill and Knowlton
FDA: Perda súbita de audição relacionada com Viagra, Cialis e Levitra
A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) anunciou que os medicamentos para o tratamento da disfunção eréctil, Viagra (Sildenafil), Cialis (Tadalafil), e Levitra (Vardenafil) irão ter avisos proeminentes na rotulagem sobre o risco de perda súbita de audição.A FDA comunicou que os avisos nos fármacos da Pfizer Inc., da Eli Lilly & Co. e da Bayer AG irão ser expostos na informação de prescrição. As companhias reafirmaram a segurança dos seus medicamentos.
A FDA encontrou 29 relatórios de perda súbita de audição em pessoas que tomaram os fármacos para a disfunção eréctil desde 1996. A agência reguladora norte-americana ainda não tem a certeza de que os fármacos provocaram a perda de audição e vai continuar a investigar. A perda de audição foi temporária em cerca de um terço dos casos.
A FDA também declarou que nos ensaios clínicos destes fármacos alguns pacientes relataram perda de audição, acrescentando ainda que na maioria dos casos a perda súbita de audição ocorreu num ouvido.
Estes fármacos já vêm com informação de prescrição que alerta para raras ocorrências de perda súbita de visão. O Viagra vem acompanhado de avisos sobre surdez, e o novo alerta será mais proeminente.
Todos estes medicamentos pertencem à categoria dos inibidores da fosfodiesterase cinco (PDE5). Apesar de nenhuma relação causal ter sido estabelecida, a FDA acredita que a forte relação temporal entre a utilização de inibidores da PDE5 e a perda súbita de audição nestes casos justificou as revisões da rotulagem dos produtos desta classe.
Os pacientes a tomar medicamentos para a disfunção eréctil que sofrerem uma perda de audição devem descontinuar a sua utilização. Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo utilizaram estes medicamentos.
A FDA também está a negociar com a Pfizer relativamente à linguagem de aviso do Revatio, um fármaco que utiliza o ingrediente activo do Viagra para tratar a hipertensão da artéria pulmonar. Os pacientes a tomar Revatio devem consultar imediatamente um médico, caso sofram este efeito secundário.
Isabel Marques
Fontes: Bloomberg, CNNMoney
Vacina experimental contra a malária da GSK apresenta resultados positivos
A vacina experimental contra a malária da GlaxoSmithKline (GSK) demonstrou ser segura e efectiva na redução do risco de morte em bebés e crianças. A vacina, a RTS,S/AS02D, foi testada em Moçambique e demonstrou uma redução de novas infecções na ordem dos 65 por cento.O ensaio decorreu entre 2005 e 2007, e envolveu 214 bebés entre as 10 e as 18 semanas de vida. As crianças receberam aleatoriamente a vacina contra a malária, também conhecida como Mosquirix, ou a vacina da GSK contra a hepatite B, a Engerix-B, em três doses nas semanas 10, 14 e 18. Três meses após a última dose os dados demonstraram que a RTS,S/AS02D reduziu as novas infecções da malária em 65 por cento, em comparação com a terapia de controlo. Adicionalmente, a vacina reduziu a incidência de malária clínica em 35 por cento após seis meses de seguimento.
A companhia planeia lançar os testes de última fase da vacina experimental contra a malária na segunda metade de 2008, e espera que esta envolva 16 000 bebés e crianças de sete países africanos. Potencialmente a GSK irá procurar a aprovação em 2011. Caso seja aprovada, a vacina será a primeira contra a malária, uma doença que infecta 350 milhões de pessoas anualmente a nível mundial.
O principal autor do estudo, Pedro Alonso, da Universidade de Barcelona, afirmou que isto é um grande avanço. Os bebés carregam um peso desproporcionado da doença, e a taxa de fatalidades da doenças é muito mais elevada nos bebés do que em crianças mais velhas. Os investigadores não sabiam se as crianças pequenas podiam desenvolver defesas contra o parasita da malária, o Plasmodium falciparum. Alonso sublinhou que é a primeira vez que isto é observado e os investigadores pensam que é uma situação muito importante. Esta descoberta pode ajudar a prevenir 800 mil mortes de crianças por ano no continente africano.
A vacina da GSK prepara o organismo para reconhecer e destruir a forma da malária que inicia a infecção humana, esta viaja desde picada de mosquito até às células do fígado. A vacina actua em duas partes do sistema imunitário: anticorpos e células T que combatem a infecção.
Fontes: www.networkmedica.com, First Word, Bloomberg
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Identificado novo gene ligado ao cancro da mama
Uma equipa internacional de investigadores identificou um novo gene que, quando sofre mutação, pode aumentar em mais de 30 por cento o risco cancro da mama. A descoberta incide na interacção do gene HMMR com um conhecido gene da doença - o BRCA1.
“As variações nos dois genes causam instabilidade genética e interferem na divisão celular, podendo abrir portas ao desenvolvimento do cancro da mama”, explicaram os cientistas na revista «Nature Genetics».
Stephen Gruber, um dos autores da investigação e professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, revelou que “esta descoberta fez acreditar que o HMMR pode, também, ser um gene de susceptibilidade à manifestação deste tumor.”
O estudo – fruto de uma colaboração internacional entre Espanha, Israel e diversos centros nos Estados Unidos – representa, para estes cientistas, um potencial alvo para o tratamento e o diagnóstico da doença: “Se podemos identificar alternâncias em genes que aumentam o risco de cancro da mama e são mais comuns na população, teremos maior impacto ao usarmos esses genes como alvo para a detecção precoce ou para o tratamento “, frisou Kristen Stevens, outra investigadora de Michigan.
De acordo com a «Nature Genetics», o HMMR tem mutação em cerca de 10% da população, sendo que, nos dois principais genes susceptíveis de espoletar o cancro (o BRCA1 e o BRCA2) as mutações ocorrem apenas em cerca de um a cada 300 indivíduos.
Estudo entre Haifa e EUA
Segundo informa a revista, para saber se a variação no HMMR aumenta o risco do cancro de mama, a equipa de cientistas comparou os genes de mulheres judias israelenses com e sem tumor, num estudo coordenado por Gadi Rennert, diretor do Centro Nacional de Controle do Cancro de Haifa, (Israel). Facto a salientar é que a população de origem judaica ashkenazi de Israel tem um risco mais elevado de desenvolver a doença do que outras etnias.
Partindo da observação de um modelo de interacção dos quatro genes associados ao cancro da mama (BRCA1, BRCA2, ATM e CHEK2) com outros do corpo, os investigadores conseguiram comprovar que o HMMR tinha um papel-chave no surgimento da doença.
O estudo mostrou que as mulheres com uma variação no gene HMMR tinham um maior risco de desenvolver cancro, mesmo depois de considerar mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. Foram ainda avaliadas um grupo de mulheres judias ashkenazi em Nova Iorque, nos Estados Unidos, que tinham um histórico familiar da doença, mas não tinham mutações identificadas nos genes BRCA1 ou BRCA2.
A equipa internacional alcançou as seguintes conclusões do estudo que envolveu um total de 4393 participantes: o risco de cancro de mama foi 23% mais alto em mulheres que tinham uma cópia da variante genética e 46% mais alto em mulheres que herdaram duas cópias.
Raquel Pacheco
Fonte: «Nature Genetics»/Agência FAPESP
FFUP vai testar eficácia de cremes anti-rugas
Estudo precisa da colaboração de 264 voluntáriasA Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) vai iniciar um estudo comparativo sobre «Eficácia de cremes anti-rugas» entre produtos que estão no mercado.
Para o efeito, a FFUP está a recrutar a colaboração de 264 voluntárias com idade entre 30 e 70 anos. A instituição de ensino adverte para um dos requisitos das candidatas – que não usem creme anti-rugas pelo menos durante 15 dias.
Para mais informações, as voluntárias deverão contactar Rosa Pena do Serviço de Tecnologia Farmacêutica (Telefone: 222078911; E-mail: rpena@ff.up.pt).
Raquel Pacheco
Fonte: FFUP
EMEA diz que benefícios da rosiglitazona superam riscos
Os benefícios da rosiglitazona são superiores aos riscos e, por isso, o medicamento deve continuar a ser utilizado respeitando as indicações aprovadas. A conclusão resulta de uma avaliação levada a cabo Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) e divulgada pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) depois de terem surgido suspeitas sobre a segurança cardíaca do Avandia (maleato de rosiglitazona).
Numa circular informativa emitida esta quinta-feira, o Infarmed informa que a EMEA concluiu a revisão dos benefícios e riscos da tiazolidinediona, rosiglitazona e pioglitazona e confirmou que “os benefícios destes medicamentos antidiabéticos continuam a ser superiores aos riscos decorrentes da sua utilização”.
Ainda assim, a informação relativa à rosiglitazona deverá sofrer alterações, pelo que a entidade reguladora europeia vai pôr em prática “novas iniciativas para melhorar o conhecimento científico sobre a segurança destes medicamentos”, indica o comunicado divulgado pelo Infarmed a que o Farmacia.com.pt teve acesso.
No âmbito da monitorização contínua da segurança destes medicamentos e na sequência da inserção de novas informações, o Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP) efectuou uma revisão aos efeitos provenientes da utilização dos mesmos.
Na sequência desta nova verificação, os responsáveis concluíram que “a informação para a prescrição da rosiglitazona deverá ser actualizada no sentido de incluir uma advertência relativamente aos doentes com doença isquémica cardíaca, na medida em que este medicamento apenas poderá ser administrado nestas situações após rigorosa avaliação dos riscos individuais do doente”, indica o Infarmed.
Para além disso, a rosiglitazona só deverá ser administrada em associação com a insulina “apenas em situações excepcionais e sob rigorosa vigilância”. No caso da pioglitazona constatou-se não haver necessidade de proceder a alterações.
Para além do Avandia, estão actualmente disponíveis no mercado outros fármacos contendo rosiglitazona, como o Avandamet (maleato de rosiglitazona e cloridrato de metformina), e o Avaglim (maleato de rosiglitazona e glimepirida).
Recorde-se que o Avandia, produzido pela GlaxoSmithKline, tem estado envolvido em polémica desde o mês de Maio de 2007, depois de um estudo publicado no “New England Journal of Medicine” ter indicado que a substância aumentava em 43 por cento o risco de ataque cardíaco. Na sequência destas suspeitas a Administração Norte-Americana dos Alimento e Fármacos procedeu a uma reavaliação dos riscos do medicamento chegado à conclusão que benefícios são maiores que os riscos e obrigando apenas o laboratório a alterar a rotulagem.
Marta Bilro
Fonte: Infarmed, Farmacia.com.pt.
Galenica oferece 654 milhões de euros para adquirir Aspreva
A Aspreva concentra a sua actuação no sector da investigação, desenvolvimento e comercialização de novas indicações terapêuticas para medicamentos existentes, especialmente em áreas nas quais existem poucas opções de tratamento ou nas doenças raras.
“A aquisição é estrategicamente uma soma importante ao portfolio de empresas da Galenica. As competências especializadas da Aspreva Pharmaceutical e o conhecimento prático são um complemento ao poder das empresas farmacêuticas do Grupo Galenica. A integração oferece novas oportunidades para desenvolvimentos futuros e abre novas perspectivas de crescimento”, afirma um comunicado emitido pela Galenica.
A aquisição vai também permitir à Vifor, uma subsidiária da Galenica, desenvolver a sua linha de investigação de produtos já existente e aumentar as indicações de produtos, ao mesmo tempo que penetra em novos mercados, acrescenta o mesmo documento.
A Aspreva está actualmente a colaborar com a Roche numa investigação para determinar a eficácia do do CellCept (Micofenolato de mofetil), um medicamento para evitar a rejeição em caso de transplantes de órgãos, como tratamento para a nefrite lúpica.
Se não houver objecções, a transacção deverá estar concluída no dia 3 de Janeiro de 2008.
Marta Bilro
Fonte: DrugResearcher.com, CNN Money, Reuters.
Obesidade Infantil motiva seminário na Lourinhã
O seminário tem como principal objectivo sensibilizar a população para este problema e dará especial enfoque às questões da saúde, da nutrição e da importância do exercício físico no desenvolvimento da criança.
Integrada no projecto Escola Saudável, que já compreendeu a realização de um seminário sobre a Dislexia, esta actividade pretende debater a obesidade infantil, uma temática que está na ordem do dia e que preocupa os especialistas, traçando uma estratégia de combate à nova epidemia do século XXI.
Segundo a Comissão Europeia, Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças com excesso de peso, tendo mais de 30 por cento dos menores com idades entre os sete e os 11 anos com excesso de peso e obesidade.
Em 2004, existiam na Europa 14 milhões de crianças em idade escolar com excesso de peso. Três milhões eram obesas.
Inês de Matos
Fontes: Jornal Lourinhã, Público
Lucros da Pfizer registam quebra de 77% no terceiro trimestre
Os lucros da Pfizer caíram 77 por cento no terceiro trimestre do ano, uma quebra acentuada pelo facto da farmacêutica norte-americana ter terminado as vendas do Exubera (Insulina humana), um medicamento utilizado no tratamento da diabetes, e pelo lançamento de versões genéricas de alguns dos medicamentos mais bem sucedidos do laboratório.
De acordo com os resultados divulgados pela empresa, os lucros do último trimestre desceram para os 533 milhões de euros, ou 7,7 cêntimos por acção, face aos 2,35 mil milhões de euros, ou 32,2 cêntimos por acção, registados no período homólogo de 2006.
“Apesar dos nossos esforços o Exubera não obteve aceitação por parte dos doentes ou dos médicos”, afirmou o director executivo da Pfizer, Jeff Kindler. “Concluímos, por isso, que não se justifica um investimento futuro neste produto”, acrescentou.
O fármaco, desenvolvido em parceria com a Nektar Therapeutics, foi aprovado nos Estados Unidos da América e na Europa em Janeiro de 2006 e ficou na história como a primeira fórmula de insulina inalada. A empresa diz agora que vai devolver à Nektar os direitos mundiais sobre a venda do medicamento e trabalhar junto da classe médica para, durante os próximos três meses, ajudar a trocar o Exubera por outro tratamento para a diabetes.
Aquando do lançamento do fármaco os analistas previam que se tornasse num dos mais bem sucedidos, baseando-se na teoria de que os diabéticos iriam preferir a insulina inalada à tradicional fórmula injectável. No entanto, o Exubera revelou-se um fracasso.
Os lucros da farmacêutica foram também prejudicados pelo surgimento no mercado de genéricos de alguns dos seus fármacos mais bem sucedidos, como o Lipitor, cujas vendas desceram 3 por cento a nível mundial.
Marta Bilro
Fonte: CNN Money, Reuters, Bloomberg, Diário Económico.
Soja pode ajudar a reduzir gordura abdominal na pós-menopausa
A gordura abdominal é aquela que apresenta mais riscos para a saúde, aumentando as hipóteses de contrair doenças relacionadas com a obesidade, como é o caso da diabetes ou da ocorrência de ataques cardíacos. De acordo com a investigação, ao reduzir este tipo de gordura no organismo, a soja ajuda a diminuir os riscos de doença cardiovascular e de diabetes.
Os cientistas observaram os efeitos de suplementos de soja vegetal na saúde de 15 mulheres pós-menopausicas. Durante o estudo, nove participantes ingeriram diariamente um batido de soja com 120 calorias, enquanto as outras seis tomaram um batido placebo.
Três meses depois foi observada pouca diferença de peso entre os dois grupos de mulheres. No entanto, os exames médicos revelaram uma diferença significativa no que diz respeito à quantidade de gordura em volta da cintura. Enquanto as participantes que tomaram o batido de soja perderam gordura abdominal no decorrer do estudo, as do outro grupo registaram um aumento.
Os investigadores acreditam, por isso, que a descoberta poderá melhorar a saúde das mulheres mais velhas que por norma ganham sempre alguns quilos extra após a menopausa. “O nosso ensaio sugere uma nova opção de dieta para a prevenção do aumento do tecido adiposo abdominal que ocorre depois da menopausa”, afirmaram os autores citados pelo jornal “Fertility and Sterility”.
Conforme explicou David Christie, da Universidade do Alabama, em Birmingham, e um dos colaboradores do estudo, os batidos utilizados nesta investigação continham uma quantidade de soja superior àquela a que as pessoas normalmente têm acesso numa dieta regular e para que o mesmo efeito fosse obtido em casa seriam necessários suplementos.
Ainda assim, Christie admite que este foi um pequeno estudo com números muito limitados. “Se houvesse números mais abrangentes, [a descoberta] teria implicações mais alargadas em relação à recomendação de soja a mulheres na menopausa”, afirmou.
Marta Bilro
Fonte: Daily Mail, The Earth Times, News Post India.
Novartis anuncia despedimentos face à quebra nos lucros do terceiro trimestre
Os lucros líquidos da empresa caíram 12 por cento entre Julho e Setembro de 2007, para os 1,1 mil milhões de euros, comparativamente aos 1,25 mil milhões de euros registados em igual período do ano anterior. Os resultados são justificados com a recolha do Zelnorm, que foi retirado do mercado norte-americano, e pelo lançamento de versões genéricas de alguns medicamentos da Novartis, como é o caso do Famvir (Famciclovir), do Lotrel e do Lamisil (Terbinafina). A isto acresce ainda o insucesso do Prexige, que não recebeu aprovação da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos e foi associado a várias mortes de pacientes.
A Novartis anunciou que vai proceder a uma remodelação na gestão da empresa, sendo que o director da unidade farmacêutica, Thomas Ebeling, passa a gerir o departamento de saúde do consumidor. Por sua vez, Joe Jimenez vai assumir, com efeito imediato, o controlo do sector dos medicamentos.
Ainda assim, a venda da Gerber, unidade de alimentação para bebés, e do sector de nutrição médica da empresa à Nestlé ajudaram a impulsionar os lucros líquidos para os 4,82 mil milhões de euros.
“Os resultados salientam o que acontece quando se perde lucro proveniente de medicamentos chave”, afirmou Denise Anderson, analista da Landsbanki Kepler, em Zurique, em declarações à Bloomberg. “O quarto trimestre é tradicionalmente fraco para a Novartis, não assumam que o pior já passou”, acrescentou a especialista.
Marta Bilro
Fonte: Bloomberg, Forbes, CNN Money, Reuters, BBC News.
Medicamento para a diabetes tem novas indicações nos EUA
A farmacêutica norte-americana Merck recebeu autorização da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) para alargar as indicações do Januvia (Sitagliptina), um medicamento utilizado no tratamento da diabetes tipo 2.
O fármaco, que já era administrado como um complemento à dieta e exercício físico em associação com a metformina, pode agora também ser combinado com uma sulfonilureia quando a utilização dessa substância por si só não proporciona um adequado controlo da glicemia.
A nova rotulagem do medicamento inclui também a utilização do Januvia enquanto terapia adjuvante para uma combinação dupla de sulfonilureia e metformina quando a terapia individual não permite o controlo adequado da glicemia.
De acordo com o laboratório, a inclusão de novas indicações obrigou também a uma actualização dos avisos e precauções do medicamento que incluem agora relatos de casos de hipersensibilidade em alguns pacientes, entre os quais anafilaxia, angiodema e pele escamada, incluindo síndrome de Stevens-Johnson.
Segundo avançou John Amatruda, vice-presidente para o desenvolvimento clínico da Merck, durante os ensaios clínicos com Januvia não foram detectados casos de síndrome de Stevens-Johnson, porém registaram-se relatos de “algumas” situações desde que o medicamento foi aprovado. “Não é possível estabelecer uma relação causal”, afirmou o responsável, uma vez que não se sabe “que outros medicamentos esses pacientes estavam a tomar”. A farmacêutica continua a monitorizar qualquer possível risco para os doentes, disse Amatruda.
O Januvia actua de forma semelhante ao Galvus (vildagliptina), da Novartis. Os dois medicamentos inibidores da dipeptidil peptidase 4 (DPP-4) foram desenvolvidos com o objectivo de aumentar a capacidade do próprio organismo para reduzir os níveis de açúcar no sangue.
Marta Bilro
Fonte: CNN Money, Business Week, Reuters, Farmacia.com.pt.
Boston Scientific elimina 2.300 postos de emprego
A empresa produtora de dispositivos médicos tem vivido uma situação complicada desde a aquisição da Guidant Corp por 18,9 mil milhões de euros e da quebra nas vendas dos seus aparelhos médicos mais lucrativos, pelo que o corte de funcionários deverá atingir os 13 por cento no final do próximo ano, revelaram os responsáveis.
Para além disso, a Boston Scientific tem também intenções de vender algumas das suas áreas de negócio, como é o caso do sector de oncologia e das unidades de cirurgia vascular e cardíaca.
A Boston aproveitou a oportunidade de adquirir o maior grupo de dispositivos médicos, um negócio que lhe permitiu diversificar o investimento na área cardíaca através dos aparelhos implantáveis da Guidance, capazes de regular o batimento cardíaco, aliando-lhes a sua própria tecnologia ao nível dos stents coronários.
No entanto, desde então teve que lutar contra algumas questões de segurança dos produtos da Guidance e em alguns dos seus próprios dispositivos.
“As reduções de custos e postos de trabalho que estamos a anunciar pretendem colocar as nossas despesas ao nível das receitas”, afirmou o director executivo da empresa, Jim Tobin.
Marta Bilro
Fonte: Yahoo Finance, Reuters, MSNBC.
Apoio aos idosos na compra de medicamentos
A Câmara Municipal de Vidigueira, município do distrito alentejano de Beja, vai, em Janeiro do próximo ano, passar a apoiar os idosos do seu concelho na compra de medicamentos. A medida de âmbito social pretende auxiliar os mais carenciados a fazer face à despesa na farmácia, que muitas daqueles cidadãos, por terem pensões de reforma demasiado baixas, não conseguem suportar.
No âmbito desta medida de forte pendor social, a Câmara Municipal de Vidigueira vai, em Janeiro do próximo ano, começar a atribuir um subsídio anual aos idosos que comprovem a sua debilitada situação financeira, que para formalizar a sua candidatura ao apoio terão de se dirigir ao Gabinete de Acção Social do município, que analisará o seu processo individual, a fim de determinar se há de facto lugar à concessão de ajuda por parte da autarquia.
Em declarações à Rádio Voz da Planície o presidente da Câmara Municipal de Vidigueira, Manuel Narra, afirmou que esta medida é uma das deliberações da autarquia que está “integrada na política de acção social” do executivo, tendo em vista os cidadãos que no concelho vivem em situação mais desfavorecida. Porque em norma recebem pensões muito baixas, canalizando uma boa parte desse montante para a farmácia, o executivo municipal entendeu que tinha cabimento apoiar os mais velhos na compra dos medicamentos de que necessitam para assegurar um patamar mínimo de qualidade de vida àquela população.
Carla Teixeira
Fonte: Rádio Voz da Planície
Farmácias fiscalizadas na Madeira
Vários estabelecimentos de dispensa de medicamentos da Região Autónoma da Madeira têm sido, nos últimos meses, alvo de acções de fiscalização por parte da Administração Fiscal que, embora não sejam ilegítimas, são anormais, na medida em que não é comum a intervenção do Governo numa área tão estreitamente tutelada, por várias entidades, como é o sector do medicamento.
De acordo com uma notícia avançada na edição desta quinta-feira do «Diário de Notícias da Madeira», nestas acções os fiscais têm passado “a pente fino” as contas e os stocks das várias farmácias que têm visitado, com muitos dos proprietários a garantir que o seu maior cliente é justamente o Estado, que pelo facto de proceder ao pagamento das comparticipações a posteriori, já exerce um controlo directo e indirecto sobre as contas e os volumes de medicamentos transaccionados naqueles estabelecimentos. Os proprietários dizem que “há alguns anos” não assistiam a uma fiscalização tão rigorosa das contas das farmácias como tem acontecido desde Março deste ano na região.
No centro das atenções da acção das equipas fiscalizadoras, à luz do que informou a própria Administração Fiscal, estarão as contas relativas aos exercícios dos últimos quatro anos, desconhecendo-se se, até ao momento, foi detectada qualquer irregularidade. Segundo Paulo Sousa, líder da delegação regional da Madeira da Ordem dos Farmacêuticos, a situação “pode ser frequente”, na medida em que as farmácias, como empresas que são, “podem ser fiscalizadas a qualquer momento”, e como em qualquer outro sector de actividade também naqueles estabelecimentos podem ser detectadas algumas irregularidades.
No entanto, aquele responsável recorda que o controlo do negócio farmacêutico é “muito apertado”, pelo que não é fácil que possa ser registada qualquer tentativa de fuga ao «Fisco». A fiscalização das farmácias há algum tempo era apontada pela Inspecção Tributária como uma das prioridades para este ano, tendo em conta uma série de situações que a tutela entendeu averiguar, entre as quais são de destacar “as rendibilidades baixas com custos elevados, os comuns inventários empolados, trespasses realizados com base em valores considerados muito baixos ou os lucros não distribuídos”. Segundo uma notícia que tinha já sido avançada pelo «Jornal de Negócios», havendo suspeitas num ou em vários destes items, os inspectores farão visitas aos estabelecimentos onde elas ocorram.
Carla Teixeira
Fonte: «Diário de Notícias da Madeira», Serviço Regional de Saúde, «Jornal de Negócios»
Novartis licencia direitos de imunodiagnósticos da hepatite C à Innogenetics
Paralelamente, as companhias chegaram a um acordo para terminar a litigação pendente relativa a uma patente que envolvia as duas companhias. Os acordos mantêm os direitos comerciais nos territórios onde a Innogenetics tem interesses de negócios.
No final de 1998, a Innogenetics foi sujeita a acções descritivas e de apreensão baseadas nas alegações de que a companhia teria infringido duas patentes europeias relacionadas com o vírus da hepatite C. As acções foram originalmente lançadas pela Chiron, que foi adquirida pela Novartis em 2006.
Os imunodiagnósticos da hepatite C são um elemento chave para a detecção e confirmação do vírus da hepatite C. Na actualidade, a técnica é utilizada de forma rotineira em diagnósticos clínicos e sorologia.
Actualmente, aproximadamente 190 milhões de pessoas estão infectados dom o VHC e estima-se que cerca de 3 a 4 milhões de pessoas fiquem infectadas anualmente.
Isabel Marques
Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, Forbes, www.biotech-intelligence.com
Dr Reddy's procura parceiro para entrar no mercado japonês
A Dr Reddy's Laboratories está a finalizar planos para entrar no mercado japonês, o segundo maior mercado farmacêutico do mundo. A companhia indiana está à procura de um parceiro para lançar os seus produtos no Japão, até ao próximo ano fiscal.O CEO da companhia, G V Prasad, declarou que a Dr Reddy's tem estado em conversações com algumas companhias farmacêuticas, mas ainda não finalizou nenhum acordo. Segundo o presidente, o mercado japonês representa uma grande oportunidade para as farmacêuticas de genéricos. Contudo, também é um mercado muito complicado.
Com vendas anuais de 58 mil milhões de dólares, o Japão representa aproximadamente 11 por cento do mercado farmacêutico mundial. Todavia, os fabricantes de fármacos indianos ainda têm uma presença muito ténue neste mercado, visto os fármacos genéricos não serem muito bem aceites pelos pacientes e médicos. Contrariamente aos Estados Unidos e Europa, os medicamentos genéricos no Japão ainda são vistos como sendo inferiores aos produtos de marca, e representam uma porção muito pequena do mercado farmacêutico.
Segundo Shivani Shukla, da Frost & Sullivan, os médicos na universidade são ensinados a identificar os produtos pelo nome de marca em vez do nome genérico. De acordo com a actual lei, os farmacêuticos não podem substituir o produto original de marca por um fármaco genérico, a não ser por indicação médica. Ainda segundo a Frost & Sullivan, em 2006 os medicamentos genéricos representaram 3,8 por cento do mercado farmacêutico total no Japão. Não obstante, à medida que as despesas de saúde do país aumentam, o governo está cada vez mais a encorajar a utilização dos genéricos.
A Dr Reddy’s espera acompanhar as outras farmacêuticas indianas que marcaram o Japão como um mercado lucrativo. A Ranbaxy Laboratories foi a primeira companhia indiana a entrar no mercado farmacêutico japonês. A Nihon Pharmaceutical Industry, uma joint-venture entre a Ranbaxy e a Nippon Chemiphar, lançou o seu primeiro produto no Japão em Julho de 2005. Na semana passada, a Lupin Laboratories anunciou a aquisição da Kyowa Pharmaceutical Industry, a companhia japonesa que desenvolve, fabrica e comercializa genéricos no Japão. Igualmente, no início deste ano, a Cadila Healthcare adquiriu a Nippon Universal Pharmaceuticals reforçando a sua posição no Japão.
Isabel Marques
Fontes: http://economictimes.indiatimes.com, www.pharmatimes.com
Investigadora portuguesa descobre método para criar novos medicamentos
A descoberta consiste num método selectivo de preparação de beta-aminoácidos quirais (uma classe com propriedades únicas), que é fundamental para o desenvolvimento de novos medicamentos e foi já publicada em revistas internacionais de referência, no domínio da química orgânica.
“É um contributo interessante para alargar a variedade de métodos existentes para o desenvolvimento de novos fármacos”, explicou a autora do estudo, Teresa Pinho e Melo.
A cientista da FCTUC desenvolveu uma investigação que permitiu a descoberta de um novo “método de síntese de preparação de compostos orgânicos que faculta o aparecimento de novos compostos de referência para a indústria farmacêutica ou para outras aplicações industriais”.
A importância da investigação é tanto maior se for tido em conta que a maioria dos fármacos comercializados actualmente, são compostos por heterocíclicos e que é grande a resistência de muitos seres humanos aos mesmos. “Com a crescente necessidade de encontrar novos tratamentos e os muitos problemas associados com a resistência aos fármacos existentes, a procura de novos compostos de referência é um tópico de extrema relevância”, admite a investigadora
Para desenvolver o novo método de preparação dos beta-aminoácidos, a investigadora partiu da síntese de allenes quirais, utilizando-os como blocos de construção em síntese orgânica. Os beta-aminoácidos quirais estão presentes em inúmeras moléculas bioactivas, nomeadamente nos antibióticos penicilinas e cefalosporinas e no taxol, um dos agentes anti-tumorais mais activos.
«A capacidade de produzir e manipular é extremamente importante para a produção de novos fármacos, porque ao estudar uma nova reacção há maior probabilidade de introduzir inovação», adianta a FCTUC, em comunicado.
Iniciada em 1995, esta investigação contou também com a colaboração de técnicos da Universidade do país Basco e está previsto que decorra ainda por mais três anos, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Para já, vai permitir que cientistas de todo o mundo possam explorar os novos métodos de síntese para a concepção de novos fármacos.
A investigadora, que admite ser sempre «uma procura incrível, a de encontrar novas bases para ultrapassar dificuldades, como a resistência a antibióticos», lembrou ainda que o processo, entre esta fase e a utilização e comercialização de novos medicamentos, é «muito moroso, levando sempre muitos anos».
Inês de Matos
Fonte: Diário de Coimbra