sexta-feira, 29 de junho de 2007

Asma: tratamento inovador sob investigação

Termoplastia brônquica: aquecer vias respiratórias indiciou melhoras

Chama-se termoplastia brônquica e pode ser uma grande ajuda para os asmáticos. É um tratamento endoscópico inovador - através do aquecimento das vias respiratórias - cujo procedimento (ambulatório) demora 30 minutos. Um estudo efectuado deu provas de melhoras.

“A termoplastia brônquica usa um ‘bronquioscópio’ para fornecer energia térmica às paredes das vias respiratórias, a fim de reduzir a dilatação do músculo liso destas vias, uma vez que, este tecido é que contribui para a contracção das vias e para a dificuldade respiratória dos pacientes com asma”, explicou Sperb Rubin, do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre (Brasil).

O especialista brasileiro examinou a eficácia e a segurança da termoplastia brônquica no tratamento de asmáticos, a maioria dos quais com asma severa. A investigação incluiu 112 doentes de quatro países, entre 18 e 65 anos. Sperb Rubin acompanhou ainda estes pacientes, durante um ano, após o tratamento.

No artigo de sua autoria intitulado «Asthma Control during the Year after Bronchial Thermoplasty» (Controle da asma durante o ano após a termoplastia brônquica) - publicado no «New England Journal of Medicine» (NEJM) -, o especialista descreve o processo: “É introduzido na boca ou no nariz um bronquioscópio (um tubo flexível) e é guiado até aos pulmões, depois, a energia de radiofrequência é enviada através de um cateter que aquece a via de passagem, reduzindo, assim, a quantidade de músculo na passagem do ar sem provocar lesões de longo prazo ou cicatrizes”, concretizando “com menos músculo há menos hipóteses de contracção das vias respiratórias ou de espasmos, ou seja, alívio.”

Redução de crises nos doentes tratados


De acordo com o relatório divulgado no NEJM, os doentes tratados com termoplastia brônquica demonstraram melhoras, comparativamente, com o grupo de controlo que não recebeu o tratamento. “Os dados recolhidos, durante um ano, demonstraram que os asmáticos tratados tiveram, aproximadamente, 10 crises de asma a menos por ano, estiveram livres dos sintomas em menos 86 dias (por ano), e exigiram uma quantidade de medicamento de alívio significativamente menor. Relataram ainda uma melhoria significativa na qualidade de vida e no controle da doença”, lê-se no artigo.

A termoplastia brônquica é um procedimento que usa o sistema Alair® - um dispositivo sob investigação e com marca comercial registrada da Asthmatx, Inc.

Portugal

A asma é uma doença crónica e representa um grave problema de saúde pública. Afecta mais de 150 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, estima-se que mais de 600 mil pessoas sofram de asma.

No nosso País, os medicamentos têm de ser receitados pelo médico, havendo vários tipos: inaladores ou bombas e comprimidos ou xaropes. Só os médicos podem determinar que comprimidos, xaropes, inaladores ou aerossóis são adequados a cada caso, em que doses devem ser tomados e aplicados e qual a duração do tratamento.

Existem também vacinas, aplicáveis quando é determinado o agente que provoca a alergia, o que as torna uma possibilidade de tratamento eficaz. Os doentes com asma de alto risco têm acesso facilitado às Consultas Diferenciadas de Asma, com atendimento nas primeiras 24 horas após a sua identificação.

Raquel Pacheco

Fonte: New England Journal of Medicine/Jornal de Pneumologia/PortaldaSaúde

Maça na gravidez pode proteger feto da asma

Grávidas que comem muitas maçãs estarão menos predispostas a ter um filho asmático. A conclusão é de um estudo feito por uma universidade escocesa e foi apresentada durante a conferência da Associação Torácica Americana.

A investigação conduzida pelos cientistas da Universidade de Aberdeen, na Escócia, assentou em entrevistas sobre os hábitos alimentares de duas mil grávidas e, posterior acompanhamento da saúde dos filhos por um período cinco anos.

Os investigadores constataram que os bebés cujas mães comeram quatro ou mais maçãs por semana, tiveram menos hipóteses de sofrer de asma, em comparação com aquelas que comeram a fruta menos de uma vez por semana.

No mesmo estudo, os cientistas sugerem que comer peixe durante a gravidez diminui os riscos de a criança desenvolver eczema. “Os filhos de mulheres que tenham comido, pelo menos, uma vez por semana, uma porção de qualquer tipo de peixe durante a gravidez, viram reduzido para metade o risco de desenvolvimento de eczema, pelas crianças, nos primeiros cinco anos de vida”, afirmaram os cientistas, considerando que “nenhuma outra comida parece estar ligada a quedas nos índices de asma e eczema.”

A equipa escocesa ressalvou, porém, que provar as ligações entre dieta materna e a saúde do bebé “é uma tarefa muito difícil”, reconhecendo “o grande número de outros factores que influenciam o desenvolvimento da criança.”

Que a maçã – devido às suas propriedades antioxidantes - pode ter efeitos positivos sobre a saúde pulmonar dos adultos, não é uma descoberta nova para nutricionistas e médicos, assim como, os efeitos benéficos do peixe - devido ao elemento Ômega 3 -, nomeadamente, os mais oleosos.

Sumo de maçã


Um outro estudo publicado no «European Respiratory Journal» - e, na altura, divulgado pelo FARMACIA.COM.PT – revela que, crianças que bebam muito sumo de maçã estão menos propensas a desenvolver sintomas asmáticos.
Segundo a investigação elaborada pelo Instituto Nacional de Coração e Pulmões, do Reino Unido, as crianças que tinham bebido sumo de maçã, pelo menos, uma vez por dia, mostraram metade da probabilidade de desenvolver sintomas asmáticos do que as crianças que o ingeriam apenas uma vez por mês.
Os cientistas envolvidos no estudo, sugeriram que “os flavonóides e ácidos fenólicos encontrados nas maçãs ajudaram a acalmar inflamações nas vias respiratórias, um mecanismo essencial na asma.”

Raquel Pacheco e Pedro Capão


Fonte: Notícias.Terra.com/Correio.web/BBC News

Emea restringe o uso de medicamentos com piroxicam

O Infarmed informou hoje que a Agência Europeia de Medicamentos (Emea) decidiu recomendar a restrição do uso do piroxicam, a substância activa dos medicamentos Brexin, Feldene, Flexar, Flogocan, Remisil, Reumoxican e Roxazin, devido a reacções adversas gastrointestinais e cutâneas.

O piroxicam “não deverá continuar a ser usado no tratamento de curta duração de situações dolorosas e inflamatórias”, “devido ao risco de reacções adversas gastrointestinais e cutâneas graves", alertou o Infarmed em comunicado.

"A prescrição do piroxicam deverá sempre ser iniciada por um médico com experiência no tratamento de pessoas com doenças reumáticas inflamatórias ou degenerativas, devendo ser utilizada a menor dose (não mais do que 20 mg por dia) e durante o mais curto período de tempo possível", recomenda a Emea, salientando também a necessidade de rever o tratamento decorridos 14 dias após o seu início.

No entanto, apesar das contra-indicações, o fármaco pode continuar "a ser prescrito para o alívio sintomático da osteoartrose, artrite reumatóide e espondilite anquilosante", embora não deva "ser o anti-inflamatório não esteróide de primeira linha para estas situações".

Em Portugal, os medicamentos com piroxicam que maior procura registam apresentam-se sob a forma de comprimidos, cápsulas, soluções injectáveis, supositórios, cremes ou gel, não sendo possivel no entanto, “facultar números de imediato ou saber qual é mais utilizado", de acordo com Carlos Pires, assessor de imprensa do Infarmed.

Nas recomendações da Emea encontra-se também a inclusão de novas contra-indicações e o reforço das advertências relativas ao piroxicam, cujas vendas ocorrem já há vários anos.

A Emea irá agora enviar a sua lista de recomendações à Comissão Europeia, na expectativa que esta motive uma decisão legal vinculativa e aplicável a todos os Estados-membros.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Iogurte Actimel evita diarreia causada por antibióticos

Um grupo de investigadores britânicos descobriu que o Actimel, um iogurte liquido produzido pelo grupo francês Danone, contêm uma bactéria benéfica que ajuda a prevenir a diarreia causada pelos tratamentos com antibióticos.

Uma em cada 250 mortes ocorridas nos hospitais é causada pela bactéria Clostridium difficile, particularmente resistente ao efeito dos antibióticos, que provoca fortes diarreias nos pacientes, resultando por vezes em sérias complicações médicas.

Os pacientes sujeitos a tratamentos com antibióticos sofrem frequentemente de diarreia, entre 5 a 25 por cento, o que se deve ao facto dos fármacos destruírem as bactérias intestinais. Como tal, diversos médicos têm vindo a recomendar aos seus pacientes a ingestão de iogurtes, de forma a repor estas bactérias benéficas.

De acordo com o estudo hoje publicado no British Medical Journal, os pacientes em tratamento com antibióticos que ingeriram o iogurte Actimel da Danone registam um processo de recuperação mais rápido

O Actimel contêm três tipos de bactérias benéficas, Lactobacillus casei, L. bulgaricus and Streptococcus thermophilus. Um grupo de investigadores, liderados por Mary Hickson, dietista do Imperial College e do Hammersmith Hospital, em Londres, aperceberam-se que estas bactérias poderiam ajudar a evitar a diarreia e como tal decidiram testar a eficácia do Actimel.

O estudo envolveu a observação de 135 individuos de meia idade e idosos, que concordaram em tomar Actimel ou outro produto similar, duas vezes ao dia, durante o período de tratamento e ao longo da semana seguinte.

Os resultados foram animadores, já que apenas 12 por cento dos pacientes que tomaram Actimel tiveram diarreia, contrariamente aos 34 por cento registados nos pacientes que tomaram outra bebida semelhante.

O Actimel “não tem efeitos adversos e é bem aceite”, garantem os investigadores, representando uma redução muito substancial nos gastos com o tratamento da diarreia, que custam cerca de oito mil dólares por paciente aos hospitais, enquanto que o Actimel representa uma despesa de apenas 120 dólares por pessoa.

Apesar de os investigadores ainda não terem percebido exactamente como funciona o iogurte, os resultados falam por si, no entanto, as conclusões não podem ser extrapoladas para outros produtos probióticos, que precisam ainda de ser testados através de premissas idênticas.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

Cientistas dão mais um passo em direcção à cura do HIV

Uma equipa de cientistas conseguiu construir uma enzima que reverte o processo através do qual o vírus do HIV insere o seu material genético no ADN do hospedeiro. A descoberta, publicada na revista “Science”, sugere que um tratamento com enzimas semelhantes poderia eliminar o vírus das células infectadas com HIV, representando um primeiro passo para a cura.

Os especialistas alemães criaram uma enzima que ataca o ADN do vírus do HIV eliminando-o das células infectadas. Para tratar infecções reais através deste método seria necessário controlar a capacidade do vírus para se esconder do sistema imunitário, permanecendo inactivo durante meses ou anos em células hospedeiras. Até ao momento, as pesquisas no âmbito do HIV/Sida têm-se centrado em melhorar as formas de combater a propagação da infecção do vírus do HIV, para assim ir adiando o início da Sida. Porém, enquanto isso, outras infecções apoderam-se do sistema imunitário fragilizado do organismo.

A utilização desta enzima está ainda longe de poder ser utilizada enquanto tratamento, porém oferece uma ponta de esperança aos mais de 40 milhões de pessoas infectadas com o vírus em todo o mundo. “Uma enzima personalizada que efectivamente consiga extirpar in vitro o HIV-1 das células infectadas poderá, um dia, ajudar a erradicar o vírus dos doentes com Sida”, explicou Alan Engelman, do Instituto de Cancro Dana-Farber da Universidade de Harvard, numa nota que acompanha o estudo publicado.

Convertendo o seu genoma em cadeias duplas de ADN e utilizando a enzima integrase para inserir esse ADN no genoma de uma célula T, o HIV infecta o sistema imunitário do organismo eliminando essas mesmas células. Os cientistas prevêem que este processo poderia ser revertido através de bactérias que eliminem as enzimas do ADN que eles adaptaram para adicionar e subtrair genes de ratos e de outros organismos multicelulares.

Para tornar possível este método, os investigadores do Instituto para a Biologia Celular, Molecular e Genética Max Planck, e do Instituto Heinrich Pette para a Virologia e Imunologia Experimental da Universidade de Hamburgo, começaram pela enzima bacteriana Cre recombinase, que troca um dos dois fragmentos de ADN em qualquer das extremidades por um determinado padrão de nucleótidos (subunidades de ADN) designados como loxP.

Por natureza, o HIV não contém marcadores loxP, por isso a equipa de investigadores criou um complexo híbrido das duas moléculas de ADN, que foram utilizadas para seleccionar um conjunto de enzimas Cre modificadas capazes de reconhecer a combinação de ADN. Cerca de três meses depois, a enzima final, denominada Tre, removeu todos os vestígios de HIV das células cervicais humanas cultivadas. Apesar dos resultados serem promissores, Engelman fez questão de sublinhar que ainda terão de certificar-se que a acção lenta da enzima Tre funciona em cadeias reais de HIV, e posteriormente descobrir a forma de a administrar no gene de forma segura e precisa, dando-lhe tempo suficiente para actuar.

Marta Bilro

Fonte: The Australian, Forbes, Scientific American, Aidsportugal.com.

Genmab volta a conseguir os direitos do HuMax-CD4

A Genmab volta a conseguir os direitos do HuMax-CD4, da Merck Serono, e tem previsto ampliar o desenvolvimento da sua gama para o tratamento do cancro e criar um UniBody para o VIH.

A Genmab anunciou que voltou a conseguir todos os direitos do anticorpo HuMax-CD4 (zanolimumab) da Merck Serono S.A. A Genmab prevê continuar a avançar com o desenvolvimento do HuMax-CD4, em programas clínicos já existentes, para o Linfoma Subcutâneo de Células T e para o Linfoma Cutâneo de Células T (CTCL), para além de o estender a pacientes numa fase inicial, em combinação com PUVA e noutras combinações com terapias aprovadas para o CTCL.

Para além disso, a Genmab está a realizar planos para levar a cabo o desenvolvimento de um UniBody para fazer frente ao receptor CD4. O HuMax-CD4 liga-se à molécula CD4 com uma elevada afinidade e bloqueia de forma eficaz e neutraliza a infecção através de um painel amplo de vírus isolados de VIH-1 de algumas pessoas infectadas. Os estudos realizados em laboratórios em ratos com imunodeficiência severa combinada (SCID), em que os animais foram reconstituídos com células de sangue humanas, demonstraram que o HuMax-CD4 bloqueia de forma eficaz a multiplicação de VIH-1 e reduz o desgaste das células CD4+ T pelo vírus. Um UniBody que atinge a CD4 representa um candidato a fármaco que se revela promissor para prevenir ou reduzir a infecção por VIH-1, a SIDA e as células T em excesso.

Os responsáveis da Genmab estão entusiasmados por poder voltar a contar com HuMax-CD4 nas mãos da equipa de desenvolvimento clínico da farmacêutica, que trabalhou de forma diligente para conseguir avançar com o programa. O HuMax-CD4 é um acréscimo à restante gama da Genmab e pode proporcionar uma oportunidade comercial adicional para o avanço da companhia, no que diz respeito às vendas e marketing.

Os direitos mundiais do HuMax-CD4 foram licenciados anteriormente à Merck Serono S.A, em Agosto de 2005, e não irão interferir com as directrizes financeiras da Genmab para 2007.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire, www.genmab.com

Genentech triplica investimentos em Singapura

A Genentech, líder mundial no sector da biotecnologia e produção de medicamentos anti-cancerígenos, prepara-se para aumentar o seu investimento em Singapura para mais do triplo. A empresa norte-americana anunciou que vai gastar 266 milhões de euros na compra de uma unidade biotecnológica desenvolvida pelo Lonza Group, para produzir fármacos, entre os quais estão o Avastin (bevacizumab) e o Herceptin (trastuzumab).

O investimento vai juntar-se a outro que a empresa tem actualmente em mãos na pequena cidade-estado, e que envolve 104 milhões de euros para construir instalações onde será produzido o Lucentis (ranibizumab), o novo fármaco da Genentech para tratar doenças oculares. O anúncio foi feito pelo presidente das operações de produtos da Genentech, Patrick Yang.

A Genentech pretende utilizar Singapura como uma base pare desenvolver fármacos anti-cancerígenos e causadores de cegueira, que deverão chegar ao mercado norte-americano em 2010. Os responsáveis mostraram-se confiantes de que poderão atrair outros gigantes da biotecnologia para Singapura, especialmente para desenvolverem trabalho de alto nível. De acordo com Yang, as novas instalações deverão suportar cerca de 40 por cento do total das vendas globais de fármacos da empresa e empregar 400 funcionários.

As vendas do Avastin, destinado ao tratamento do cancro do pulmão e do cólon, renderam à Genentech, no ano passado, cerca de 1,3 mil milhões de euros. Por sua vez, o Herceptin registou, em 2006, vendas no valor de 888 milhões de euros. O Lucentis, comercializado em Portugal pela Novartis, recebeu autorização para entrar no mercado em Janeiro deste ano. Nos Estados Unidos da América a substância é utilizada, desde há um ano, no tratamento da degeneração macular relacionada com a idade, uma das principais causas de incapacidade nos idosos e a maior responsável pela perda de visão nos adultos.

“Para além da produção, a nossa intenção é atrair desenvolvimento para impulsionar a área comercial”, afirmou Philip Yeo, Conselheiro Especial para o Desenvolvimento Económicos do gabinete do primeiro-ministro singapuriano. Desde que no ano 2000, o governo de Singapura assumiu as ciências biomédicas como um motor de crescimento da economia, a produção de medicamentos e dispositivos médicos quadruplicou, atingindo os 11 mil milhões de euros.

Os fármacos equivalem a mais de 22 por cento da produção do país asiático, que está a levar a cabo uma tentativa de atrair as empresas químicas, farmacêuticas e de biotecnologia para reduzir a sua dependência do mercado electrónico. De acordo com o S. Iswaran, Ministro de Estado para as Trocas Comerciais e Indústria, Singapura acolhe 24 instalações farmacêuticas representativas da maioria das empresas de topo do sector.

Marta Bilro

Fonte: First World, Bloomberg, Channel NewsAsia, The Hindu.

Paxil desencadeia onda de suicídios no Japão

O número de pacientes que cometeram suicídio depois de ingerirem Paxil (paroxetina), comercializado em Portugal como Seroxat, está a aumentar no Japão. O anti-depressivo fez crescer as tentativas de atentado contra a própria vida em 39 por cento no ano passado, revelou o ministro nipónico da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.

Ao longo de 2006, 15 pacientes aos quais foi administrado o fármaco da GlaxoSmithKline cometeram suicídio, comparativamente aos 11 registados no ano anterior, e a apenas um caso em 2004. Yuko Fuke, porta-voz da unidade japonesa da farmacêutica britânica, revelou que a GlaxoSmithKline tem recomendado precaução aos médicos relativamente às quantidades prescritas.

O medicamento é eficaz no tratamento da depressão e distúrbios de pânico mas tende a induzir algumas pessoas a cometerem suicídio, um efeito secundário que é mencionado pelo laboratório nas contra-indicações inerentes à utilização do produto. De acordo com o responsável pela pasta da saúde, em 2005, cerca de 920 mil pessoas sofriam de depressões no Japão.

Desde o ano 2000, altura em que o Paxil começou a ser comercializado no país, o medicamento rendeu aos cofres da unidade japonesa da Glaxo cerca de 337 milhões de euros (57 mil milhões de ienes). No ano passado, as vendas globais do Paxil ascenderam aos 917 milhões de euros (1,24 mil milhões de dólares norte-americanos).

De acordo com os especialistas, este aumento acentuado fica a dever-se ao facto dos médicos não fazerem um diagnóstico correcto das condições dos doentes depois de lhes prescreverem a substância, ao mesmo tempo que o número de pacientes que ingerem o medicamento tem aumentado vertiginosamente. O ministério já divulgou um alerta para que os profissionais examinem as alterações às condições dos pacientes aos quais foi administrado o medicamento.

“O Paxil é eficiente para o tratamento da depressão, e apenas um número limitado de pacientes é induzido a cometer suicídio. No entanto, é importante examinar as condições dos pacientes durante um período de nove dias a seguir à dosagem inicial”, salientou Osamu Tajima, professor da Universidade de Kyorin. Por sua vez, a GSK refere que o médico deve ser consultado para decidir se o paciente deverá ou não cessar o tratamento. “Se os pacientes pararem a toma de Paxil sem autorização médica, a sua condição pode piorar”, acrescentou um representante do laboratório.

Marta Bilro

Fonte: First World, Bloomberg, Mainichi Daily News.

Transmissão heterossexual do HIV aumenta em Portugal

O HIV Meeting Point reuniu em Óbidos vários especialistas nacionais e internacionais que analisaram a situação do HIV/Sida em Portugal. Uma das principais conclusões deste encontro alerta para o facto da transmissão heterossexual estar a aumentar a nível nacional, ocupando já o segundo lugar na tabela dos principais grupos de contágio.

Elizabeth Pádua, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, encarregou-se de chamar a atenção para a expressividade dos números. De acordo com esta investigadora, “a 31 de Março de 2007, encontravam-se notificados 31.132 casos de infecção VIH / SIDA nos vários estádios de infecção. O total acumulado de casos de SIDA era de 13.762 dos quais 452 causados pelo vírus VIH-2”.

Apesar do maior número de casos notificados se referir a toxicodependentes, o aumento da transmissão heterossexual é uma realidade, sendo já considerada a segunda maior causa de infecção. De acordo com os padrões epidemiológicos registados em 2002, a tendência, afirmam os especialistas, é o aumento proporcional do número de casos de transmissão heterossexual e uma diminuição dos casos associados à toxicodependência.

Durante o encontro, promovido pela Gilead Sciences, foram debatidas as terapêuticas Anti-retrovirais e as suas alterações metabólicas, as suas resistências, as alterações renais e a qualidade de vida dos doentes. Alguns dos presentes deram a conhecer casos clínicos que procuraram servir como exemplo dos resultados obtidos com as actuais terapêuticas praticadas em Portugal.

O HIV Meeting Point ’07, que se realizou no Hotel Marriott, em Óbidos, no dia 23, procurou promover a troca de conhecimentos e experiencias entre os mais de cem profissionais de saúde presentes. O simpósio contou com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas, do Núcleo VIH da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida.

Marta Bilro

Fonte: Saúde na Internet, Jornal do Oeste.

Rastreios gratuitos à osteoporose chegam ao distrito de Setúbal

O distrito de Setúbal recebe, em Julho, a iniciativa Rastreios ao Risco da Osteoporose que pretende promover a prevenção e detecção precoce desta doença. Ao abrigo da campanha nacional de rastreios gratuitos à população, cerca de 100 farmácias em todo o país vão acolher o projecto.

O farmacêutico começa por preencher um questionário com os dados do doente que foca alguns dos hábitos do indivíduo e posteriormente é realizado o exame de medição de densiometria óssea.

Os resultados são anexados ao questionário previamente preenchido e o processo é entregue ao paciente rastreado que, deverá dirigir-se ao seu médico de família. O objectivo é apenas avaliar o risco de incidência, sendo que o diagnóstico fica a cargo do médico.

A iniciativa conta com o apoio da Ratiopharm, multinacional alemã líder no mercado de genéricos, que disponibiliza os recursos humanos e materiais necessários à realização do evento. A campanha teve início em Outubro de 2006 nas farmácias aderentes e chega agora à Farmácia Tavares de Matos, em Pinhal Novo nos dias 9 e 10 de Julho.

Marta Bilro

Fonte: Rostos

EMEA autoriza comercialização do Invega para o tratamento da esquizofrenia

Primeiro medicamento oral de libertação prolongada para o tratamento da esquizofrenia

A Comissão Europeia concedeu autorização para a comercialização do Invega (comprimidos de libertação prolongada de paliperidona), um novo medicamento antipsicótico atípico para o tratamento da esquizofrenia. Este fármaco de toma diária única é delineado especificamente para distribuir paliperidona - o ingrediente activo do Invega - através do inovador sistema osmótico de distribuição (OROS), conseguindo uma eficácia considerável, segurança e perfil de tolerância demonstráveis e uma melhoria na funcionalidade do paciente.

Os comprimidos de libertação prolongada serão comercializados na Europa pela Janssen-Cilag. Esta autorização representa outro passo importante no compromisso a longo prazo da farmacêutica para o desenvolvimento de novas e melhoradas opções de tratamento para doenças mentais graves.

Os comprimidos de libertação prolongada de paliperidona são o primeiro e único tratamento para a esquizofrenia que utiliza o sistema osmótico de distribuição (OROS). Este sistema distribui paliperidona de forma permanente durante um período de 24 horas, conseguindo uma libertação suave do fármaco, ao longo do dia, com picos mínimos e através de concentrações de plasma. Este fármaco é um importante acréscimo à gama de opções disponíveis para as pessoas que sofrem de esquizofrenia.

A decisão da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), de conceder a autorização para a comercialização dos comprimidos de libertação prolongada de paliperidona, na União Europeia, baseia-se na eficácia, segurança e nos resultados de longo prazo de um programa extensivo de desenvolvimento clínico, que incluiu três ensaios clínicos de seis semanas controlados por um placebo, no qual foram envolvidos mais de 1 600 pacientes com esquizofrenia aguda precedentes de 23 países; um ensaio de longo prazo (40 semanas), duplamente cego e controlado por placebo que procurava a prevenção da ocorrência dos sintomas, em 207 pacientes seleccionados de forma aleatória e outro estudo duplamente cego e controlado por placebo que avaliou a segurança e tolerância em 114 pacientes mais idosos que sofriam de esquizofrenia.

Nos ensaios pivot de seis semanas, os comprimidos de libertação prolongada de paliperidona reduziram de forma considerável os sintomas da esquizofrenia, tal como se avaliou na Escala de Síndrome Positiva e Negativa (PANSS), uma ferramenta utilizada habitualmente nas investigações da esquizofrenia para avaliar a gravidade dos sintomas psicopatológicos positivos, negativos e gerais. A redução dos sintomas foi observada logo após o quarto dia de tratamento. A funcionalidade dos pacientes também melhorou, tal como indicou a escala de Rendimento Pessoal e Social (PSP), uma escala de avaliação médica que avalia a capacidade dos pacientes de levar a cabo a sua vida diária. Todas as doses mostraram uma melhoria importante e relevante, desde o ponto de vista clínico, em relação ao placebo, tal como se avaliou através da escala PSP.

O estudo a longo prazo demonstrou que os comprimidos de libertação prolongada de paliperidona foram mais eficazes do que o placebo, no que respeita à prevenção da recorrência dos sintomas e o tratamento continuado foi associado à manutenção do controlo dos sintomas. Este estudo confirmou também que estes comprimidos são seguros e bem tolerados em geral, a longo prazo.

O estudo realizado nos pacientes mais idosos, com 65 anos ou mais, com esquizofrenia, demonstrou que um tratamento baseado em comprimidos de libertação prolongada de paliperidona é eficaz e tolerado de forma correcta nesta população, que poderia ser mais vulnerável aos efeitos secundários.

A esquizofrenia é uma das doenças mentais mais graves. É relativamente frequente e a sua prevalência é semelhante em todo o mundo. Uma em cada 100 pessoas desenvolve esquizofrenia antes de chegar aos 45 anos, estando tanto os homens como as mulheres na mesma situação de risco.

Em Portugal não existem estatísticas que providenciem dados precisos do número de portugueses com esta doença, no entanto estima-se que cerca de 60 mil portugueses sofram de esquizofrenia.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive, www.noticiasdamanha.net

Senado norte-americano atento à influência das farmacêuticas nos médicos

Numa audiência apresentada ao Comité Especial do Envelhecimento do Senado Norte-Americano, um grupo de especialistas sugeriu que as farmacêuticas deveriam ser obrigadas a revelar os pagamentos aos médicos. À medida que a competição aumenta, numa indústria que gasta anualmente cerca de 18,6 mil milhões de euros em campanhas de marketing, muitas das quais dirigidas aos médicos e à influência nos hábitos de prescrição, acrescem também as preocupações com a transparência.

Herb Kohl, presidente do comité de senadores, propôs a criação de um registo nacional no qual as empresas farmacêuticas revelassem os pagamentos e ofertas concedidas aos médicos. Os laboratórios têm sido os maiores patrocinadores da formação médica contínua nos últimos anos, o que, de acordo com os especialistas, eleva os custos com a saúde, influencia as prescrições dos médicos e corrompe o tratamento dos pacientes.

“A maioria do conhecimento médico acerca dos fármacos provém da indústria, e isso não é saudável”, salientou Jerry Avorn, professor da Escola de Medicina de Harvard e um crítico deste tipo de financiamentos. “As instituições académicas associam o seu nome a cursos que não passam de publicidade informativa”, acrescentou. Essa tendência foi ainda impulsionada depois de o governo, em 2002, se ter recusado a apoiar um plano para limitar os patrocínios comerciais no auge da indústria, referem os investigadores do senado.

Por sua vez, Scott Lassman, conselheiro geral da Fundação Americana de Pesquisa e Produtores Farmacêuticos (PhRMA, na sigla inglesa), alegou que os cursos de formação médica contínua “são encarados independentemente das empresas farmacêuticas”. Segundo o responsável, “a empresa pode financiá-los mas não influencia o seu conteúdo”. Para além disso, as dissertações acerca dos medicamentos genéricos são sempre um “benefício para os médicos, desde que sejam independentes e que a ciência por detrás dos fármacos seja sólida”, acrescentou.

Porém, para os médicos, os patrocínios das farmacêuticas “fazem com que seja difícil saber qual a investigação em que se deve acreditar”, considera J. Gregory Rosenthal, especialista em cirurgia da retina e fundador dos Médicos pela Responsabilidade Clínica, um grupo que defende fiscalizações mais apertadas ao nível dos conflitos de interesse na medicina. “Parece que todos lucram com este sistema permissivo de presentes e pagamentos, excepto o consumidor”, alertou Kohl.

Sobre a mesma questão, Robert Sade, presidente do painel de ética da Associação Médica Americana, defendeu que algumas das ofertas são aceitáveis, como é o caso das amostras grátis, apesar da sua equipa ainda não ter tomado uma posição.

Marta Bilro

Fonte: First World, The New York Times, The Union Tribune, Washington Post.

ANF promove formação à distância nos meses de Verão

A Associação Nacional das Farmácias (ANF) vai lançar uma campanha de formação à distância durante os meses de Julho e Agosto, em parceria com a Escola de Pós-Graduação em Saúde e Gestão.

A campanha de formação, intitulada “Aproveite o Verão – Faça Formação”, é composta por nove cursos e tem como objectivo principal a actualização científica e prática em áreas como a Infecção por Vírus herpes Simplex, a Asma, a Diabetes, a Tosse, o Planeamento Familiar e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, entre outras.

De acordo com o a ANF, a campanha de formação tem também uma vertente social, uma vez que pretende “reforçar as competências dos farmacêuticos e das Farmácias, enquanto agentes prestadores de cuidados à comunidade”.

A iniciativa é dirigida aos farmacêuticos associados da ANF, que beneficiarão de descontos de 30% sobre o valor habitual destas acções de formação.

Para mais informações consulte:
http://www.anf.pt

Inês de Matos

Fonte: ANF

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Nanomedicina é a nova era

Maior laboratório ibérico de nanotecnologia abre em Portugal em 2009

Um exército de robôs com proporções microscópicas entram pelo corpo e atacam células cancerígenas, destroem bactérias e vírus, inserem medicamentos em células específicas, desobstruem artérias e realizam cirurgias minimamente invasivas – em tempos foi ficção, hoje, são dados passos dado rumo à realidade.

A nanomedicina é a nova era da medicina. Consiste em usar nanopartículas, nanorobôs e outros elementos em escala nanométrica para curar, diagnosticar ou prevenir doenças.
A utilização da medicina em escala nanométrica (nanoescala) é uma alternativa de tratamento e diagnóstico que, segundo vaticinam os especialistas, será uma realidade “entranhada” dentro de 10 a 15 anos.

No entanto, nos últimos anos, a nanociência e a nanotecnologia têm atraído a atenção de investigadores e cientistas em todo o mundo. São vários os casos de nanorobôs médicos programáveis que têm sido propostos para uso terapêutico, aplicações gerontológicas, pesquisas farmacêuticas e diagnósticos clínicos.

Fazer de Braga uma potência à escala global

José Rivas Rey da Universidade de Santiago de Compostela será o presidente do novo Laboratório Internacional e Ibérico de Nanotecnologia (INL nas siglas em Inglês) que vai nascer em Braga. O centro de investigação deverá entrar em funcionamento pleno em 2009.

De acordo com o investigador, a aposta passa pela “excelência”, sublinhando que o processo de recrutamento procurará atrair “os melhores do mundo” de modo a transformar o laboratório ibérico numa “potência no campo da nanotecnologia à escala global.”

Para isso, Rey garantiu que vai orientar-se pelo princípio de “excelência”, anunciando ainda outras apostas: “Reforçar a boa colaboração científica actualmente existente entre Portugal e Espanha, estimular a criação de empresas de base tecnológica e atrair o investimento privado.”

Segundo o futuro presidente do Laboratório Internacional e Ibérico de Nanotecnologia, a área de intervenção do centro de investigação de Braga incidirá na nanomedicina, ambiente, controlo de qualidade alimentar e nanoelectrónica.

No sentido de se envolverem no projecto, diversos institutos universitários e centros de investigação ibero-americanos e asiáticos, juntamente com centros espanhóis e portugueses, estão já a estabelecer contactos.
O laboratório ibérico está ficará sediado na área, actualmente, ocupada pela Bracalândia.

Raquel Pacheco

Fonte: Tecnet/CiênciaHoje/Nanomedicine.com/Médicos na Internet

Brasil na vanguarda dos nanofármacos

Primeiro produto nanotecnológico chega ao mercado em dois anos
Na área de nanofármacos ou nanotecnológica farmacêutica, nanobiotecnologia e biologia molecular, o Brasil é o país que tem as investigações em estágio mais acelerado. O primeiro produto brasileiro nanotecnológico para a saúde deverá chegar ao mercado em dois anos - um anestésico para pequenas cirurgias na pele.

A inovação - desenvolvida pela Incrementha em parceria com as cientistas Sílvia Guterres e Adriana Pohlmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - está numa nanocápsula biodegradável que transporta o medicamento para regiões específicas. "Com o veículo nanotecnológico, o anestésico penetra e concentra-se apenas nas terminações nervosas da pele, evitando ser absorvido pela circulação sanguínea e diminuindo, assim, as hipóteses dos efeitos colaterais", explicaram.

De acordo com Henry Suzuki, director técnico da Incrementha (empresa responsável pelo produto) “a nanotecnologia está no controlo da absorção e da liberação do princípio activo”, revelando - sobre o produto em causa – que “apesar de os testes clínicos ainda não terem começado, o desenvolvimento tecnológico do nanofármaco está concluído. O produto em escala comercial deverá chegar ao mercado em menos de dois anos.”

Entre os benefícios do nanofármaco, o responsável apontou a diminuição da dose recomendada e o aumento da potência do princípio activo e do tempo de duração do efeito terapêutico.

Realçando que um dos objectivos da Incrementha é “desenvolver plataformas tecnológicas que possam servir como veículo-padrão para o transporte de outros medicamentos”, Henry Suzuky sublinhou que vencidas as “barreiras tecnológicas” deste primeiro produto, “vamos abrir caminho para outros que possam se beneficiar da nanotecnologia.”


Nanotecnologia
Recentemente, no Brasil, o Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq na sigla brasileira) deu um importante passo para acelerar o desenvolvimento das investigações nesta área. Induziu uma iniciativa nacional em Nanociências e Nanotecnologias, com a criação de redes cooperantes - com informações disponíveis no site http://www.cnpq.br/ - que abordam problemas relacionados à nanotecnologia molecular.

O programa brasileiro em nanociência e nanotecnologia, em fase de implantação pelo CNPq, já é devidamente reconhecido, internacionalmente, facilitando o intercâmbio e a troca de informações entre cientistas.

Raquel Pacheco

Fontes: BBC/BiotechBrasil/Cnpq/Terra.com

Assembleia da República aprova nova lei do tabaco

A nova lei do tabaco foi hoje aprovada em votação final na Assembleia da República com os votos favoráveis do PS, PSD, PCP, Verdes e um deputado do CDS-PP. Os votos contra foram apenas cinco e o Bloco de Esquerda, bem como a maioria da bancada parlamentar do CDS-PP, optaram pela abstenção.

Dos cinco deputados que votaram contra a aprovação da nova lei do tabaco, três pertencem à bancada social democrata, nomeadamente, António Carlos Monteiro, Mota Soares e João Rebelo. Além dos deputados sociais democratas, também os dois deputados do Movimento Partido da Terra (MPT), eleitos nas listas do PSD, Quartin Graça e Carloto Marques, votaram contra a aprovação da lei.

Apesar da abstenção registada na bancada do partido popular, que se registou inclusive no voto do líder, Paulo Portas, o partido permitiu a liberdade do voto, o que levou o deputado José Paulo de Carvalho a votar de forma favorável.

Os socialistas Vítor Baptista e Manuel Mota anunciaram de imediato que entregariam as respectivas declarações de voto por escrito, isto apesar do voto favorável apresentados pela bancada do PS.

A lei agora aprovada acaba por ser menos proibitiva do que inicialmente se previa, pois prevê coimas máximas de 750 euros para fumadores transgressores, em vez dos mil euros previstos no diploma inicial do governo, e dá aos proprietários dos estabelecimentos mais pequenos a opção de permitir ou não o consumo de tabaco.

Os proprietários têm a liberdade de escolha, mas os que optem por permitir o consumo de tabaco nos seus estabelecimentos, terão de arranjar forma de garantir a qualidade do ar. Na mesma linha seguem os estabelecimentos com mais de 100 metros quadrados, que continuam a manter a obrigatoriedade de proibir o consumo de tabaco, ainda que possam criar uma área para fumadores, desde que não ultrapasse os 30 por cento da área total.

Maria de Belém, deputada socialista e presidente da Comissão de Saúde, considera que o diploma traduz “uma lei equilibrada”, que possibilita que “quem nunca fumou não fique com vontade de começar a fumar e que quem já fuma tenha vontade de deixar de fumar”.

Na perspectiva social democrata, “de uma solução proibicionista, inconsequente, radical e abrupta (...) evoluiu-se para uma solução em que se garante espaços públicos livres de fumo, mas que salvaguarda em determinadas condições o direito de escolha e o princípio da responsabilidade”.

O deputado democrata cristão Hélder Amaral considera a aprovação da lei um “sinal positivo”, ainda que não tenham sido ponderados os direitos dos fumadores, relembrando que as multas previstas para quem fumar em locais proibidos são muito superiores às do consumo de drogas. “Não é proibido fumar e a nicotina não é uma substância ilícita”, notou Hélder Amaral.

Da parte do Bloco de Esquerda fica um “sentimento de frustração”. João Semedo, deputado esquerdista considerou que se “facilitou onde não se devia facilitar e proibiu-se o que não vale a pena proibir”.

Apesar das criticas, a nova lei do tabaco foi mesmo aprovada e o diploma legal deverá entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2008.



Inês de Matos

Fonte: Lusa e Sol

Risco de transmissão de esclerose múltipla é igual em pais e mães

Os homens e mulheres que sofrem de esclerose múltipla têm probabilidades iguais de transmitir a doença aos filhos, revela um estudo do Neurology, o jornal Sociedade Americana de Neurologia, e que contraria uma investigação recente que alegava que o risco da doença ser transmitida através do pai era duas vezes superior.

A equipa de especialistas analisou 3.088 famílias canadianas nas quais um dos pais era portador de esclerose múltipla. Das 8.401 crianças inseridas nessas famílias, 798 sofriam de esclerose múltipla. Os cientistas observaram que os números de transmissão da doença eram muito semelhantes, com 9,41 por cento para o pai e 9,76 por cento para a mãe. “Curiosamente, observámos também que quando meios-irmãos são ambos portadores de esclerose múltipla, há claramente um maior efeito maternal, com a mãe a ser tendencialmente a progenitora comum”, frisou George Ebers, professor de neurologia clínica na Universidade de Oxford.

Os investigadores não encontraram qualquer evidência que apoiasse a teoria recentemente divulgada de que os homens eram mais resistentes à esclerose múltipla por comportarem uma carga genética mais pesada sendo, por isso, mais aptos à transmissão do risco genético aos filhos. “O nosso estudo envolveu 16 vezes mais pessoas do que o anteriormente publicado e desfaz possíveis dúvidas acerca da teoria amplamente divulgada do modelo de susceptibilidade à hereditariedade de esclerose múltipla através dos genes múltiplos”, afirmou Ebers.

Segundo dados da Associação Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM), a doença afecta mais de um milhão de pessoas em todo o mundo. Os estudos epidemiológicos apontam para a existência de 450 mil pessoas com esclerose múltipla só na Europa, sendo a incidência maior nos países nórdicos. Estima-se que o número de doentes em Portugal se aproxime dos cinco mil.

De acordo com a ANEM, a esclerose múltipla é uma doença inflamatória crónica, desmielinizante e degenerativa, do sistema nervoso central que interfere com a capacidade do mesmo em controlar funções como a visão, a locomoção, e o equilíbrio. Denomina-se esclerose pelo facto de, em resultado da doença, se formar um tecido parecido com uma cicatriz, que endurece, formando uma placa em algumas áreas do cérebro e medula espinal. Denomina-se múltipla, porque várias áreas dispersas do cérebro e medula espinal são afectadas. Os sintomas podem ser leves ou severos, e aparecem e desaparecem, total ou parcialmente, de maneira imprevisível.

Para além de um programa de exercícios e ginástica muscular, os medicamentos são também imprescindíveis, nomeadamente os relaxantes musculares, pois permitem reduzir a tensão dos músculos e melhorar os movimentos. São também utilizados imunomoduladores, como os interferões-beta ou o acetato de glatiramero, que actuam no sistema imunitário. O Grupo de Estudos de Esclerose Múltipla (GEEM) refere que «o Estado português gasta anualmente pelo menos cerca de 35 milhões de euros» a tratar esses doentes, à razão de dez mil euros por cada um.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, CTV.ca, Reuters, Associação Nacional de Esclerose Múltipla.

DECO dá nota negativa aos seguros de saúde vendidos em Portugal

Na sua edição de Junho, a revista Dinheiro & Direitos, da associação de defesa do consumidor (DECO), publica um estudo onde conclui que os seguros de saúde à venda em Portugal não têm qualidade, depois de ter analisado 88 planos de saúde privados.

O estudo aponta diversos factores que diminuem substancialmente a qualidade dos seguros, nomeadamente o elevado número de exclusões, os limites de idade, os períodos de carência alargados e a duração anual dos contratos. De acordo com a revista, todos estes pontos deixam o consumidor desprotegido, podendo “ficar sem protecção na altura em que provavelmente mais precisa”.

Os seguros de saúde privados têm cativado os portugueses, no entanto, “o aumento da oferta nos últimos anos e a criação de planos mais acessíveis à bolsa dos portugueses não tem sido acompanhado de uma melhoria da qualidade das apólices”.

Um dos principais pontos apontados pela Dinheiro & Direitos é a duração do contrato, já que “como são renovados anualmente, a seguradora pode pôr fim ao contrato se o cliente começar a dar muita despesa, por exemplo, devido a uma doença prolongada”, alegando que “os seguros deveriam tornar-se vitalícios após três ou quatro anos de vigência”.

Contudo, para além da duração do contrato, são apontados também problemas na cobertura dos seguros, uma vez que existem diversas excepções, pois a maioria das apólices não paga despesas relacionadas com doenças psiquiátricas, tuberculose e hepatite, transplante de órgãos, hemodiálise, sida e hérnias, fisioterapia e tratamentos de obesidade e infertilidade.

Por outro lado, os seguros de saúde deixam de lado os idosos, muitas vezes os mais carentes, já que a extinção automática do seguro acontece aos 65 ou 70 anos. Deste modo, a DECO considera a situação “inaceitável”, pois os seguros apenas beneficiam os jovens em perfeitas condições de saúde e “de pouco ou nada servem a quem deles realmente precisa”.

A Dinheiro & Direitos denuncia que a situação já dura há quase uma década e meia, existindo uma total falta de vontade e inércia por parte das autoridades fiscalizadoras.

As conclusões do estudo foram enviadas para o Instituto de Seguros de Portugal (ISP), grupos parlamentares com assento na Assembleia da República e Secretaria de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, uma vez que a DECO pretende ver alterada a lei que propicia a situação, obrigando as seguradoras a criar produtos que realmente protejam os consumidores

Apesar da fraca qualidade, a DECO admite que os seguros privados são sempre uma alternativa ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente em situações dispendiosas como internamentos e partos ou simplesmente para consultas de especialidade. Segundo a DECO, as apólices da Açoreana, Allianz, Axa, Império Bonança, Médis e Victoria são aquelas que apresentam melhor relação qualidade/preço.

Inês de Matos

Fonte: Agência Financeira
Medinfar mantém apoio à desportista
Elisabete Jacinto trocou Trifene 200 por Oleoban

Ao cabo de mais de 10 anos de ligação ao Trifene 200, Elisabete Jacinto tem nova imagem, desta feita associada à marca Oleoban, uma gama de produtos de higiene diária da Medinfar. A equipa da desportista veste agora de azul, o mesmo tom das embalagens do novo patrocinador, e também a imagem do camião que conduz foi alterada, num trabalho de design da Brand & Advise.

A gama de produtos Oleoban está há mais de 20 anos no mercado, e em Outubro a piloto nacional assumirá o estatuto de rosto da marca, numa campanha que visa alavanca o processo de comunicação da Oleoban junto do público, segundo disse ao jornal «Meios & Publicidade» Edite Santos, group product manager da Medinfar Mulher, área específica focalizada no feminino e criada pela firma farmacêutica que além do Trifene 200 e da Oleoban inclui a marca Clearblue (testes de gravidez) e o serviço Cytothera (criopreservação das células estaminais do cordão umbilical).

Carla Teixeira
Fonte: Medinfar, Meios e Publicidade

Cervarix protege contra lesões pré-cancerígenas

O Carvarix, vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), que deverá ser lançada pela GlaxoSmithKline até ao final do ano corrente, revelou 100 por cento de eficácia na prevenção antecipada de lesões cancerígenas, em resultados preliminares de um ensaio clínico de Fase III. Os resultados podem representar uma ameaça para o Gradasil, vacina produzida pela Sanofi Pasteur MSD que já se encontra disponível do mercado, mas que oferece protecção apenas contra os tipos 16 e 18 do HPV.

O vírus do papiloma humano é responsável pelo aparecimento de 99 por cento dos casos de cancro do colo do útero, que em Portugal tem maior incidência do que em todos os outros países da Europa. Os dados do estudo, publicado no jornal “Lancet”, demonstram também que o Carvarix fornece protecção significativa contra infecções aliadas a vírus capazes de provocar cancro. O cancro cervical, ou cancro do colo do útero, é causado por vários tipos de HPV que se desenvolvem através do contacto sexual. A persistência de infecções provocadas por este vírus pode conduzir ao desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas, que por sua vez podem gerar o aparecimento do cancro cervical, o segundo mais frequente entre todas as mulheres e o mais comum entre as mulheres mais jovens.

“A descoberta é muito aliciante porque as mulheres que participaram no estudo são representativas das pacientes analisadas pelos médicos no seu dia-a-dia”, salientou Jorma Paavonent, o principal responsável pela investigação e professor do departamento de ginecologia e obstetrícia no Hospital Central da Universidade de Helsinquia, na Finlândia. Para além disso, acrescentou o especialista, “isto fornece fortes indícios de que esta vacina pode proteger as mulheres contra as infecções que se podem gerar um cancro cervical”.

Os tipos 16 e 18 do vírus do papiloma humano são os principais alvos do Carvarix, que representam cerca de 70 por cento dos casos de cancro do colo do útero. Esta última fase de ensaios envolve 18.644 mulheres, com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos, oriundas de 14 países da Europa, Ásia e Pacífico, América do Norte e América Latina. De acordo com a farmacêutica britânica este é o ensaio clínico mais amplo realizado até à data, no que diz respeito à vacina do cancro cervical.

De acordo com os resultados temporários, o Carvarix deu provas de conferir uma protecção eficaz contra infecções persistentes caudas pelos tipos 45, 31 e 52 do HPV, que contribuem igualmente para o aparecimento do cancro do colo do útero. No entanto, um comentário adicional que acompanha a publicação do estudo, sublinha que apesar dos dados serem animadores, as suas interpretações são limitadas, dado o curto período de tempo que decorreu após o ensaio clínico, que em média costuma demorar 15 meses.

Por norma, são necessários vários anos para que células normais do cérvix (colo uterino) se transformem em células cancerígenas. O Cervarix, que aguarda aprovação das autoridades reguladoras norte-americanas e europeias, obteve, em Maio, a sua primeira licença de comercialização na Austrália, onde a sua utilização foi recomendada em mulheres com idades compreendidas entre os 10 e os 45 anos.

Marta Bilro

Fonte: The Australian, CNN Money, United Press International, Manual Merck.

Genzyme prossegue com aquisição da Bioenvision

A Genzyme, uma das empresas que lidera o mercado mundial de biotecnologia, anunciou que a moção jurídica que pretendia atrasar o processo de aquisição da Bioenvision foi retirada voluntariamente depois das duas empresas terem revelado mais informações.

A Genzyme, que efectuou uma proposta de aquisição da Bioenvision que ascende aos 256 milhões de euros, não revelou quem interpôs o processo em tribunal para impedir a transacção, mas mostrou-se confiante que o negócio possa ser concretizado no dia 2 de Julho. A proposta foi avançada no dia 29 de Maio e com ela a Genzyme pretende obter acesso total ao Evoltra (Clofarabina), um fármaco da Bioenvision utilizado no tratamento da leucemia.

“Estamos muito satisfeitos com esta acção e estamos confiantes que em breve estaremos em posição de encerrar a transacção”, afirmou Mark Enyedy, presidente da Genzyme Oncology, uma das unidades da Genzyme. “Muitos dos accionistas já ofereceram os seus títulos e estamos ansiosos que outros façam o mesmo dentro dos próximos dias”, acrescentou o mesmo responsável.

Por sua vez, a SCO Capital Partners, que detém uma fatia de 13,4 por cento na empresa, reafirmou que irá rejeitar a oferta da Genzyme, que corresponde a cerca de 4,16 euros por acção, por considerar que o valor é demasiado baixo.

As acções da Genzyme registaram uma subida de 0,92 euros, ou 1,9 por cento, para os 48,98 euros na bolsa de Nasdaq. Os títulos da Bioenvision mantiveram-se inalterados nos 4,16 euros.

Marta Bilro

Fonte: First World, Bloomberg, CNBC, Boston Business Journal.

Proposta de lei inflama mercado farmacêutico nos EUA

O Comité de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado dos Estados Unidos da América ratificou uma proposta de lei que permitirá à Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration - FDA) aprovar versões biológicas de medicamentos, também denominados como biogenéricos. A medida não agrada às empresas de biotecnologia e também não satisfaz todas as exigências das produtoras de genéricos.

As empresas de biotecnologia, que se opõem à ideia, alegam que os seus produtos são demasiados difíceis de copiar sem incorrer no risco de provocar vários efeitos secundários. A medida confere à FDA uma larga margem de manobra para determinar que tipos de testes serão necessários para aprovar um biogenérico.

De acordo com a medida, as empresas produtoras de genéricos que procurem autorização para comercializar biogenéricos têm que fornecer à FDA dados analíticos e, pelo menos, um ensaio clínico que demonstre que a segurança e eficácia do produto se equiparam às do fármaco original. Ainda assim o requerimento pode ser recusado pela autoridade reguladora norte-americana. Para além disso, os produtores de genéricos estão obrigados a esperar 12 anos após um medicamento de marca ter entrado no mercado antes de submeter uma aprovação para comercializar uma versão biogenérica.

A presidente e directora executiva da Associação Farmacêutica de Genéricos (GPhA na sigla inglesa), Kathleen Jaeger, aplaudiu a medida apesar de considerar que algumas das componentes da proposta são “arbitrárias e excessivas”. “Continuamos a opor-nos aos 12 anos de exclusividade de mercado que esta legislação garante às empresas de biotecnologia”, salientou a responsável, por considerar que esse factor atrasa o acesso à competição sustentável e à escolha dos consumidores.

As previsões dos analistas indicam que o Herceptin (Trastuzumab), da Genentech, e o Epogen (Darbepoetina alfa) da Amgen, comercializado em Portugal com a designação Aranesp, deverão ser os primeiros fármacos biotecnológicos a ser produzidos pelas empresas de genéricos. Megan Peace, porta-voz da norte-americana Genentech, afirmou que a empresa não “acredita que os doentes tenham que se submeter a maiores riscos ou incertezas inerentes à utilização de um semelhante”.

Marta Bilro

Fonte: First World, Bloomberg, GPhA, Market Watch.

Células estaminais em foco em Portugal

Biocant Park recebe especialistas mundiais nos próximo dias 9 e 10

O Biocant Park, em Cantanhede, receberá nos dias 9 e 10 de Julho, alguns dos maiores especialistas mundiais na área das Células Estaminais e da Biotecnologia. A missão deste encontro é debater os últimos contributos da investigação na área para a saúde humana.

Numa altura em que a empresa Crioestaminal anunciou a realização do primeiro transplante em Portugal com células estaminais do sangue do cordão umbilical criopreservadas num banco privado português, Portugal vai ser palco de uma reunião científica nesta matéria. Intitula-se «Stem Cells in Health Biotechnology», e é uma iniciativa conjunta da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular (SPCE-TC), da Crioestaminal e da Associação Portuguesa de Bioindústrias (APBio).

Segundo apurou o FARMACIA.COM.PT, no primeiro painel do encontro – que decorre entre as 9h00 e as 18h00 do dia 10 - serão abordados temas como a aplicação de células estaminais na medicina regenerativa; a clonagem terapêutica; as células estaminais neuronais e as aplicações clínicas presentes e futuras dos vários tipos de células estaminais existentes.

No segundo painel, vão estar também em cima da mesa as mais recentes estratégias de engenharia de tecidos e medicina regenerativa, a expansão das células estaminais e a importância crescente das que se encontram no sangue do cordão umbilical.

De acordo com comunicado do Biocant Park, a visão europeia do papel destas células na Biotecnologia e na Saúde será exposta pela representante da Associação Europeia de Bioindústrias (EuropaBio).

Gonçalo Castelo-Branco do Karolinska Institute (Suécia), Lino Ferreira do Massachusetts Institute of Technology (EUA), Alexandra Capela, do Stem Cells Inc., (EUA), João Ramalho Santos do Centro de Neurociências de Coimbra, Rui Reis, do SPCE-TC (Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular) e Joaquim Cabral do Instituto Superior Técnico são alguns dos nomes dos especialistas portugueses participantes.

A nota revela ainda que, entre os investigadores estrangeiros estão: Stephen Minger, Massachusetts Institute of Technology (EUA), Mark Furth, Wake Forest Institute of Regenerative Medicine (EUA), Christian Breyman, University Hospital of Zurich, (Suíça) e Stefanie Pingitzer da EuropaBio.

Biocant Park
O Biocant é um centro de investigação e desenvolvimento aplicado em Ciências da Vida com o objectivo de criar produtos e serviços inovadores em biotecnologia.
Recorde-se que, o Biocant apresentou-se, este mês, em Colónia (Alemanha), como um dos primeiros centros de biotecnologia no Mundo que implementou Cadernos de Laboratório Electrónicos.

Raquel Pacheco

Fonte: Biocant Park/SPCE-TC

Desperdício nas farmácias aumentou 22%

Ministério da Saúde não tem dados sobre hospitais


O desperdício dos medicamentos vendidos nas farmácias aumentou mais de 22 por cento em 2006, face ao ano anterior. Quanto aos fármacos desperdiçados nos hospitais, o Ministério da Saúde, admite que possam existir, mas não dispõe de quaisquer dados.

Fonte do gabinete do ministro da Saúde, Correia de Campos, confirmou hoje, ao FARMACIA.COM.PT - a notícia avançada pela TSF - de que o ministério não dispõe de qualquer relatório que contabilize o desperdício de fármacos nos hospitais. “Admitimos a existência”, afirmou, alegando que “muitos dos medicamentos fornecidos nos hospitais não são tomados na íntegra.”

Em 2006, foram recolhidas 576 toneladas de resíduos de embalagens e medicamentos fora de prazo, o que correspondeu a um aumento de 22,3 por cento face a 2005. Os dados foram divulgados pela Valormed - empresa de recolha e gestão de resíduos de embalagens e medicamentos.

Raquel Pacheco

Fonte: Ministério da Saúde/TSF/Valormed

Semelhanças entre células estaminais humanas e de ratos podem conduzir a tratamento de doenças

Duas equipas independentes de investigadores britânicos descobriram semelhanças entre um determinado tipo de células estaminais em embriões de ratos e células estaminais embrionárias humanas. Os cientistas acreditam que poderão utilizar as células para pesquisar as causas de doenças humanas. Outra das vantagens é a possibilidade de produzir mais facilmente tecido para pesquisas e, um dia, substituir os tecidos danificados em doentes de Alzheimer, Parkinson e na diabetes.

Segundo explicou Roger Pedersen, do grupo de pesquisa de Cambridge, as novas células estaminais embrionárias dos roedores poderão fornecer um modelo útil para futuramente perceber as células estaminais humanas que ainda representam uma “ligação desconhecida” entre as células estaminais embrionárias humanas e as dos ratos. Estudos anteriores tinham demonstrado que apenas células retiradas dos embriões dos ratos, antes de serem implantadas no útero, poderiam produzir células estaminais embrionárias com potencial para se transformarem em qualquer célula.

No entanto, o estudo conduzido por Richard Gardner, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, revelou que as células do epiblasto, um tecido que se desenvolve depois do embrião estar no útero, têm propriedades que são tão poderosas quanto a pré-implantação de células estaminais embrionárias. Para além disso, as suas propriedades são mais semelhantes às células estaminais embrionárias humanas do que as células estaminais embrionárias dos ratos pré-implantadas.

“A principal vantagem é que agora temos um outro modelo no qual podemos analisar os mecanismos de suporte relacionados com as células estaminais para perceber as diferenças”, afirmou Paul Sanberg, professor de neurocirurgia e director do Centro de Envelhecimento e Reparação Cerebral em Tampa, da Universidade do Sul da Flórida. “Não é um estudo orientado clinicamente, mas pode ser utilizado para pesquisas mais importantes”, salientou.

Os estudos, publicados na revista “Nature”, fornecem aos cientistas a possibilidade de desenvolverem modelos de ratos mais valiosos enquanto ferramentas de investigação. Os especialistas da Universidade de Cambridge e Oxford acreditam que o segredo pode estar no “timing”: eles colheram as células dos embriões dos ratos dois dias depois do que é habitual os investigadores fazerem.

As células embrionárias são pluripotentes, o que significa que têm capacidade para virtualmente se desenvolverem e transformarem em qualquer célula do corpo. Os investigadores estão confiantes de que estas células possam conduzir a tratamentos ou curas para doenças como a diabetes, falha hepática, lesão na medula espinal, enfarte, doença de Alzheimer e doenças cardiovasculares.

Marta Bilro

Fonte: Medical News, Science News, Xinhua.

Torneio de Golfe organizado pela Associação Laço

A Associação Laço promove, no próximo dia 29, o 7º Laço Golf Challenge, um torneio que terá lugar na Quinta da Marinha Oitavos Golfe, patrocinado este ano pela Tranquilidade.

O torneio pretende reunir 72 jogadores, figuras públicas e amantes do golfe em torno de uma causa, a luta contra o cancro da mama.
Entre os convidados estão o deputado europeu João de Deus Pinheiro, o guarda-redes do Sporting Ricardo, o social-democrata Manuel Dias Loureiro, os embaixadores dos Estados Unidos e os Embaixadores da Suiça,

Este ano o torneio conta com algumas novidades. Uma delas é a partida shotgun às 14h30m com cocktail e jantar logo a seguir.
Haverá também um sorteio, que acontecerá durante o jantar com prémios variados, desde viagens, estadias, jantares, equipamentos e vinhos.

As receitas do evento serão utilizadas para apoiar a luta contra o cancro da mama em Portugal que é o cancro com maior taxa de incidência em no nosso país.
No ano passado, a Laço angariou mais de €350.000 para apoiar vários projectos: optimização do rastreio em famílias portuguesas com Síndrome Hereditário de Cancro da Mama; obras de Expansão da Unidade de Aferição do Rastreio do Cancro da Mama – LPCC (NRN) no Porto e digitalização das Unidades de Aferição do Rastreio do Cancro da Mama – LPCC (NRC) em Coimbra e LPCC (NRS) em Lisboa.

Liliana Duarte

Fonte: JASFarma

Seminário «Prevenir a obesidade infantil. Sem mitos»

O “Meu 1.º Festival” é o primeiro festival dirigido a crianças e realiza-se entre os dias 28 e 1 de Julho, no Parque dos Poetas, em Oeiras.

Neste espaço vão decorrer concertos com diversas personagens que as crianças adoram, tais como o Noddy, Ruça e Leopoldina.

Diversas actividades ao ar livre e seminários orientados por especialistas de diversas áreas estão no programa do festival. No dia 30 a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e a Lilly Portugal realizam o Seminário “Prevenir a Obesidade Infantil. Sem Mitos.”A partir das 11h00, o Director Clínico da APDP, Dr. José Manuel Boavida e a Nutricionista da APDP, Dra. Maria João Afonso, vão abordar este tema e desmistificar algumas questões relacionadas com a alimentação e a obesidade infantil, associadas também à diabetes.

Este tema preocupa todos, uma vez que a obesidade infantil tem aumentado de ano para ano, provocando também outras doenças, como é o caso do diabetes tipo 2.Portugal é o país europeu que se encontra numa das posições mais desfavoráveis, ao apresentar mais de metade da população com excesso de peso, ao registar uma maior prevalência de obesidade infantil e de diabetes.

Para saber mais sobre o festival consulte o sitio http://www.meu1festival.com/

Liliana Duarte

Fonte: JASFarma

Banana ajuda a combater depressão

Um estudo realizado por cientistas das Filipinas, do Instituto de Pesquisa de Alimento e Nutrição, detectou que a ingestão de duas ou três bananas por dia ajuda a combater a depressão, devido a uma substância altamente presente neste fruto.
A substância designada de trytophan é um anti depressivo natural da fruta, que pode manter os níveis normais de serotonina (a serotonina é um neurotransmissor, isto é, uma molécula envolvida na comunicação entre as células do cérebro), no organismo.
A banana possui ainda altos níveis de vitamina A, C, K e B6, que quando se encontra em défice pode provocar insónia, fraqueza e irritabilidade.
O estudo afirma ainda que a banana não produz colesterol, não causa obesidade e diminui os riscos de ataques cardíacos.
Desta forma é um óptimo alimento para todos, especialmente crianças, pois ajuda a reforçar a massa muscular e dá energia.

Liliana Duarte

Fontes: Wikipédia
Portal Saúde em Movimento

Suplementos nutritivos beneficiam doentes oncológicos

Um conjunto de estudos apresentados durante a reunião anual da Sociedade Norte-Americana de Oncologia Clínica (ASCO na sigla inglesa) chamou a atenção para os benefícios e eficácia dos suplementos nutritivos no tratamento do cancro.

O consumo de doses diárias de ginseng já tinha demonstrado vantagens para ajudar a reduzir a fadiga e a melhorar os níveis de energia e o bem-estar emocional dos doentes oncológicos, de acordo com uma pesquisa elaborada por especialistas da Clínica Mayo em Rochester, no Minnesota.

Por sua vez, “as sementes de linhaça são ricas em ómega 3, igualmente presente no pescado, e actuariam sobre a produção de membranas celulares reduzindo a sua multiplicação”, explicou Wendy Demark-Wahnefried, da Universidade Duke, na Carolina do Norte, e autora de um dos estudos sobre o assunto.

Uma hormona presente na composição das sementes tem capacidade para neutralizar outras como a testosterona ou os estrogéneos. Um ensaio clínico de fase II, que envolveu a participação de 161 pessoas com cancro da próstata, revelou que aqueles aos quais foram administradas diariamente 30 gramas de sementes de linhaça, tiveram uma progressão mais lenta dos tumores, entre 30 e 40 por cento, relativamente àqueles a quem foi administrado um placebo.

Em 2002, a importância dos suplementos nutritivos tinha igualmente sido salientada por uma equipa de investigadores espanhóis que demonstraram que suplementos nutritivos enriquecidos com péptidos e alguns ácidos gordos ajudam doentes infectados pelo VIH a ganhar peso e a melhorar a sua função imunológica.

Marta Bilro

Fonte: Saúde na Internet, Aidsportugal.com

Consumidos pela mãe durante a gravidez
Anti-depressivos podem ser inócuos para o bebé


O consumo de medicamentos anti-depressivos pela mulher durante os primeiros meses de gravidez poderá não ter um impacto significativo no desenvolvimento do bebé. Dois estudos publicados no «The New England Journal of Medicine» fizeram uma avaliação dos riscos eventuais da toma daqueles fármacos por mulheres no primeiro trimestre de gestação, e aferiram que, apesar de alguns medicamentos parecerem desencadear um perigo acrescido do surgimento de defeitos congénitos no feto, o aumento dessa probabilidade é pequeno.

Julio Vallejo Ruiloba, presidente da Sociedade Española de Psiquiatria e director do serviço daquela especialidade no Hospital Universitário de Bellvitge, em Barcelona, aconselhou “muita prudência” na extrapolação das conclusões dos dois estudos, e lembrou que “às mulheres que estão em tratamento por depressão recomendamos sempre que não engravidem”. Acrescentou no entanto que, se a gravidez acontece, “diminui-se o mais possível a administração de medicamentos, até à sua exclusão se essa eventualidade for possível, sem agravamento significativo do quadro clínico da paciente”.
No final de 2005 a empresa farmacêutica britânica GlaxoSmithKline advertiu para o resultado de um estudo que apontava a detecção de maior risco de malformações congénitas nos bebés cujas mães tinham sido tratadas com paroxetina, um inibidor selectivo da recaptação da serotonina, durante os primeiros meses de gestação. A descoberta fez com que, desde essa altura, as autoridades sanitárias de diversos países tivessem promovido a alteração do prospecto daquela substância activa, de modo a que fosse indicado esse risco para as crianças.

Carla Teixeira
Fonte: El Mundo
Benfica e Escola Superior de Saúde do Alcoitão organizam
Jornadas de Saúde no Desporto


Um workshop da empresa farmacêutica Novartis, sobre «Ultra-sons e sonofurese», e a intervenção de Jorge Barbosa, licenciado em Farmácia/Toxicologia e reputado investigador do Instituto Nacional de Investigação Veterinária, sobre a problemática «Doping e alimentação», constituem os pontos altos do primeiro dia de trabalhos das Jornadas de Saúde no Desporto, que arrancam amanhã no Pavilhão Açoreana Seguros, em Lisboa, numa organização conjunta do Departamento de Modalidades do Benfica e da Escola Superior de Saúde do Alcoitão.

A primeira iniciativa, orientada pelo fisioterapeuta Telmo Firmino, tem início previsto para as nove horas e deverá prolongar-se por toda a manhã, estando a alocução de Jorge Barbosa agendada para as 15h30. Na assistência é esperada a presença de centenas de participantes, interessados no contacto com vários profissionais de renome mundial em áreas directa ou indirectamente relacionadas com o desporto, como a alimentação, o doping, o treino, a fisioterapia ou a psicologia. Em paralelo terá lugar no Pavilhão EDP uma feira de exposição técnica destinada às empresas e instituições, para divulgação dos seus produtos e serviços.
Os principais destinatários do evento, que termina no sábado, são médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e profissionais do desporto, estudantes de saúde e de desporto, atletas e dirigentes das áreas de Educação, Saúde e Desporto, técnicos de saúde e acção social. Mais informações poderão ser obtidas através do número de telefone 217219570 ou do endereço de correio electrónico modalidades@slbenfica.pt.

Carla Teixeira
Fonte: Jasfarma, Sport Lisboa e Benfica, Escola Superior de Saúde de Alcoitão

REPORTAGEM

Brasil já vende medicamentos fraccionados há mais de um ano
Solução para evitar o desperdício de fármacos


Todos os dias, em todo o mundo, há milhões de pessoas que se dirigem à farmácia e são confrontadas com o mesmo problema: de acordo com a receita prescrita pelo médico precisam de uma determinada quantidade de fármacos, mas a embalagem do medicamento correspondente contém muito mais do que a quantidade prescrita. Inevitavelmente, quando finda o tratamento as unidades remanescentes vão para o lixo ou acumulam-se nos armários até ultrapassarem a validade ou serem usadas num eventual episódio de auto-medicação posterior. Um desperdício a que a venda fraccionada de medicamentos poderia dar resposta.

No Brasil a medida já está a ser aplicada desde 2005, e apesar da polémica inicial, motivada pelo desacordo das empresas farmacêuticas, que alegavam ter elevados custos de adaptação das linhas de fabrico para a modificação das embalagens, parece ter encontrado consenso na sociedade. O objectivo da venda fraccionada de medicamentos – o farmacêutico dispensa ao utente apenas o número de comprimidos ou a exacta quantidade de outros produtos que é indicada na receita médica, em vez de obrigar à compra de toda a embalagem – é eminentemente social, e visa apenas evitar o desperdício de dinheiro por parte de quem compra o fármaco, mas poderia ser uma boa opção, também em Portugal, evitando a acumulação de restos de embalagens que é comum nos armários de qualquer família.
Em vigor desde Maio de 2005 no Brasil, na sequência de um despacho da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a venda fraccionada de medicamentos dá ao doente a hipótese de adquirir apenas o número de comprimidos necessários, de acordo com a receita que apresenta, para o tratamento indicado pelo médico, mas só pode ser efectuada em farmácias e laboratórios adequados a essa prática, ou seja, que disponham de um ambiente exclusivo para a divisão dos medicamentos e tenham à disposição do público um farmacêutico devidamente identificado, que é o único profissional capacitado para essa tarefa.

O caso português
A venda nas farmácias portuguesas da quantidade exacta de medicamentos que foi prescrita pelo médico, em embalagens destacáveis que permitissem a divisão das quantidades, evitaria o enorme e recorrente desperdício de dinheiro e produtos, ao mesmo tempo que favoreceria o ambiente, visto que muitas vezes as embalagens que sobram são depositadas em lixeiras onde podem, inclusivamente, contaminar o solo e captar a atenção das crianças, colocando a sua saúde em risco. No nosso país a solução para as embalagens de medicamentos remanescentes é hoje outra, e passa pela sua revalorização energética, mas nem sempre a população adere às iniciativas de entrega dos fármacos não utilizados.
O sistema integrado de recolha de embalagens e medicamentos fora de uso criado pela Valormed potenciou, apenas em 2005, a reciclagem de mais de 90 por cento das 4202 toneladas de resíduos produzidas pela fileira do medicamento. De acordo com dados de um estudo realizado pela Business Unlimited para aquela empresa, os fabricantes, armazenistas e distribuidores e importadores de medicamentos em Portugal produziram, naquele ano, 4202 toneladas de resíduos, entre plástico, madeira, metal, vidro, mistura de embalagens vazias ou embalagens contaminadas por resíduos de medicamento (cerca de metade dos resíduos).
Na passada segunda-feira a sociedade Valormed informou que 98 por cento das farmácias portuguesas integram já o projecto ambiental de recolha de resíduos de embalagens e medicamentos fora de prazo. O anúncio foi feito no âmbito da quinta edição da entrega dos Prémios Valormed, que visam distinguir as farmácias que, a nível distrital, mais se destacaram na promoção de iniciativas de sensibilização da população para os comportamentos de protecção ambiental em termos de resíduos de embalagens e medicamentos fora de uso.
Numa sessão que contou com as presenças dos presidentes do Infarmed, da ANF, da Apifarma, da Groquifar e da Fecofar, os directores técnicos e os representantes das farmácias premiadas em todo o país, o director-geral da Valormed, José Carapeto, considerou que “neste processo de formação para um comportamento ecológico na fileira do medicamento, o farmacêutico e os profissionais de saúde que exercem funções nas farmácias comunitárias desempenham papel crucial, porque são o rosto visível da Valormed, aconselhando e sensibilizando os utentes para a mais valia ambiental deste sistema”.

Carla Teixeira
Fonte: Boehringer Ingelheim, Correio da Bahia, Valormed
Ministro da Saúde fez declarações polémicas
Fármacos fora de prazo para os pobres


António Correia de Campos, titular da pasta da Saúde e um dos ministros mais contestados do actual governo, volta a estar envolvido numa situação polémica. De acordo com informações avançadas pela TSF Rádio, aquele responsável terá dito, quando interpelado por uma pessoa da assistência no âmbito de uma conferência, que a entrega de medicamentos fora de prazo “a pobres” seria uma forma de evitar o desperdício.

Os factos remontam à passada quinta-feira. Segundo a rádio, Correia de Campos usava da palavra num evento dinamizado pela Ordem dos Economistas quando um elemento da assistência, alegadamente pertencente à Associação Nacional de Farmácias, exibiu um saco contendo medicamentos fora de prazo no valor de 1700 euros, questionando o governante sobre o que fazer com eles. O ministro da Saúde terá então respondido que “toda a gente sabe” que há desperdício de fármacos, já que os utentes compram unidades a mais do que aquelas de que efectivamente necessitam, sugerindo então, para surpresa de todos os presentes, que a ANF “tem certamente pobres inscritos da quinta ou da sexta-feira”, acrescentando que “talvez pudesse facultar esses produtos farmacêuticos para serem utilizados”…

Carla Teixeira
Fonte: Sapo/Lusa

Fim do acordo da Migenix com a Schering para o tratamento do vírus da Hepatite C

A Migenix Inc., uma companhia farmacêutica focada no desenvolvimento de medicamentos para doenças infecciosas, recebeu a notícia de que a Schering-Plough Corporation não irá entrar no segundo período de exclusividade para negociar os termos do acordo da licença para o fármaco para o vírus da Hepatite C (VHC), celgosivir, da Migenix.

A Migenix está, assim, livre para avançar negociações com outras partes interessadas. A Schering expressou a vontade de considerar providenciar à Migenix orientação no que se refere ao desenvolvimento de estudos e fornecimento de fármacos para sustentar o desenvolvimento clínico adicional do celgosivir.

O Presidente da Migenix, Jim DeMesa, declarou que os resultados do estudo de não-resposta demonstraram benefícios clínicos significativos quando o celgosivir foi adicionado às terapias habituais (interferon peguilado mais ribavirina). Estes resultados aumentaram o interesse tanto da parte da comunidade clínica, como de várias companhias farmacêuticas e biotécnicas activas no desenvolvimento de produtos para o vírus da Hepatite C. Visto que o celgosivir oferece um mecanismo único de acção, numa dosagem única diária, um bom perfil de segurança, e tem demonstrado sinergias com outros tratamentos do VHC, a Migenix está optimista acerca do potencial do celgosivir na contribuição no tratamento dos pacientes com VHC.

Celgosivir (MX-3253)
O celgosivir, um inibidor oral de alphaglucosidase I, é actualmente o único fármaco anti-VHC em desenvolvimento clínico que actua na glicosilação sitio-dirigida. Nos estudos pré-clínicos, o celgosivir mostrou sinergias in vitro excelentes com vários interferons clínicos ou em desenvolvimento, incuindo Pegasys, Peg-Intron, Infergen, Alferon e IFN omega (com ou sem ribavirina) e outros fármacos em desenvolvimento para o tratamento do VHC (por exemplo, inibidores de polimerase) e, por isso, tem o potencial para ser incluído em várias terapias de combinação para melhorar a eficácia em tratamentos anti-VHC.

Vírus da Hepatite C
O VHC causa inflamação do fígado e pode progredir para complicações mais graves, tais como cirrose do fígado, cancro do fígado e em última instância, a morte. A Organização Mundial de Saúde estima que, em todo o mundo, 170 milhões de indivíduos sofram de Hepatite Crónica C, com três a quarto milhões de novos casos todos os anos. Calcula-se que em Portugal haja cerca de 150.000 pessoas infectadas pelo VHC com cerca de 700 novos casos por ano.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive, Portal do Cidadão com Deficiência

3i quer comprar laboratórios farmacêuticos em Portugal

Plano: investir mais de 1,5 mil milhões de euros já este ano
A britânica 3i, a maior sociedade europeia de capital privado, pretende adquirir laboratórios farmacêuticos em Portugal, a notícia foi avançada pelo Diário Económico (DE). O fundo tem em vista a construção de quatro ou cinco laboratórios farmacêuticos na Península Ibérica.

De acordo com o jornal, o maior fundo europeu do sector de capital privado espera investir, este ano, mais de 1,5 mil milhões de euros em operações de “venture” capital, que passam pela entrada num projecto em fase de lançamento, ou “buyouts” compra e venda de participações em empresas com o objectivo de realizar mais-valias.

Parte deste orçamento - que visa a internacionalização do 3i -, destina-se também ao mercado português onde está “à procura das melhores operações”, afirmou em entrevista ao DE, Maite Ballester, parceira do grupo em Espanha, e responsável pelo escritório que faz o trabalho de prospecção em Portugal.

Segundo anunciou a representante da 3i, os planos do grupo para Portugal, (onde detém cerca de três ou quatro grandes operações), passam, também, pela área da Saúde: “Queremos constituir um fundo com quatro ou cinco laboratórios farmacêuticos em Portugal e Espanha.”

Recorde-se que, em Portugal, a 3i investiu já 75 milhões de euros e admite gastar mais 20 milhões. O primeiro investimento da 3i em Portugal consistiu na compra de uma posição minoritária na Multiópticas, hoje, uma empresa líder de mercado.

Raquel Pacheco
Fonte: DE/DD

Vacina do colo do útero previne 90% das doenças

Investigadores da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, comprovaram que a vacina de prevenção do cancro do colo do útero tem 90,4% de eficácia. Os resultados do estudo foram publicados na revista «The Lancet».


Nos testes, os cientistas vacinaram contra o vírus que provoca o cancro no útero, o papilomavírus humano (HPV) tipo 16 e 18, 9. 258 mil mulheres e contra a hepatite A cerca de 9. 267 mil.

Quinze meses depois, verificaram que 90,4% não tinha nenhuma neoplasia intra-epitelial cervical grave, uma alteração do colo do útero provocada pelos tipos 16/18 do HPV.

Os investigadores concluem então que a vacina tem elevada eficácia e é bem tolerada por uma vasta população de mulheres, pelo que é útil na prevenção do cancro do colo do útero.

Esta é a segunda doença que vítimas mais mulheres depois no cancro da mama.

Sara Pelicano

Fontes: UOL

Seminário «Novas regras de alegações nutricionais e de saúde da União Europeia»

O seminário «Novas regras de alegações nutricionais e de saúde da União Europeia» é organizado pelo Instituto Becel e tem como objectivo explicar as novas rotulagens nutricionais dos alimentos e sublinhar as principais mudanças que vão surgir com a nova regulamentação.

No próximo dia 1 de Julho entram em vigor as novas regras que definem as alegações nutricionais e de saúde que vêm na rotulagem nos alimentos. A partir desta data, toda a informação sobre um determinado alimento tem de vir escrita de forma clara na embalagem.

Assim, o consumidor reunirá melhores condições para poder decidir com maior conhecimento o que está a comprar.

O seminário vai ter lugar no hotel Pestana Palace, em Lisboa.

Programação:

09h10 - Abertura:

- Dr.ª Helena Cid Nutricionista e Directora do Instituto Becel

09h20 – Como é que os consumidores lidam e entendem os rótulos ?

Oradora: Dra. Lúcia Lima Especialista em estudos de mercado - Unilever Jerónimo Martins

09h50 - Apresentação do novo Regulamento Europeu sobre alegações nutricionais e de saúde

Oradora: Eng.ª Teresa Ferreira Technical Advisor Foods - Unilever Jerónimo Martins 1

0h30 – Tea break

10h45 - Como descodificar a informação nutricional

Oradora: Prof. Maria Daniel Vaz de Almeida Presidente dos Conselhos Directivo e Científico da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

11h15 - Rotulagem, que futuro?

Orador: Eng.º Dante Lacerda Dias Lead Technical Director - Unilever Jerónimo Martins

11h45 - Debate e Fecho:

- Drª Helena Cid Nutricionista e Directora do Instituto Becel

Sara Pelicano

Fonte: Jasfarma

Leishmaniose: Pistas para futuros tratamentos

Cientistas identificaram novos genes ao comparar três espécies de parasitas

Um grupo internacional de investigadores identificou genes que poderão ajudar a indicar novos tratamentos da leishmaniose. A doença afecta, por ano, cerca de dois milhões de pessoas e ameaça um quinto da população mundial.

Num artigo publicado, este mês, na revista «Nature Genetics», os cientistas compararam os genomas da Leishmania infantum e da Leishmania braziliensis, que causam, respectivamente, a leishmaniose visceral e a monocutânea – formas que podem causar a morte –, com a sequência genómica, produzida em 2005, da Leishmania major, que causa a forma cutânea da doença, menos severa.

De acordo com a equipa de investigadores, apesar de as grandes diferenças entre os tipos de doença, apenas 200 dos mais de oito mil genes de cada genoma apresentaram distribuição diferenciada entre as três espécies.
Foi esta variação, - excepcionalmente pequena no conteúdo genético - que proporcionou novas hipóteses sobre os processos que determinam a severidade da doença em humanos.

“Identificar factores que permitem uma manifestação clínica muito diferente para três organismos tão semelhantes é uma investigação importante”, afirmou o autor principal do estudo, Matt Berriman, do Instituto Wellcome Trust Sanger.

Na revista «Nature Genetics», os cientistas revelam que identificaram apenas cinco genes do genoma da Leishmania major que estavam completamente ausentes nas outras duas espécies.
“É evidente que deve ter havido uma pressão evolucionária considerável no decorrer do tempo para manter a estrutura e a sequência dos genomas de Leishmania. O grau de similaridade entre as espécies foi algo inesperado”, explicou Deborah Smith, uma das autoras do estudo.

Para a investigadora da Universidade de Nova York, “talvez apenas poucos genes dos parasitas sejam importantes para determinar que tipo de doença se desenvolve depois da infecção. É possível que o genoma do hospedeiro tenha um papel mais importante na manifestação clínica da doença.”

Estudo representa esperança

A leishmaniose é uma das doenças consideradas negligenciadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que destaca a necessidade do desenvolvimento de novos tratamentos. Faltam estudos biológicos sobre a função de metade dos genes da Leishmania, por isso, o estudo comparativo de genomas representa um caminho para descobrir aqueles que são essenciais para cada espécie.

Um alvo potencial é o gene CFAS, que codifica uma enzima envolvida na produção de componentes da membrana celular. O CFAS está presente nos genomas da Leishmania braziliensis e da Leishmania infantum, mas está ausente no genoma humano. Acredita-se que os genes do parasita tenham sido adquiridos de espécies bacterianas que têm sequências muito similares.

Jeremy Mottram, colaborador do projecto e docente na Universidade de Glasgow, na Escócia, esclarece que “o CFAS está envolvido com a virulência e a persistência no Mycobacterium, (agente causador da tuberculose)”, concretizando que, “a identificação deste gene na Leishmania levanta a possibilidade de que alguns factores de virulência sejam conservados entre patogénicos, intracelulares bacterianos e eucarióticos.”

“Além da função relativa à diferença dos quadros clínicos, o número limitado de genes específicos para cada espécie poderá levar a uma identificação mais rápida de sequências envolvidas em aspectos especializados da biologia da Leishmania” considerou outro investigador, David Sacks, director do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas de Bethesda, nos Estados Unidos.


Portugal: leishmaníase visceral
A leishmaniose ou leishmaníase ou calazar ou úlcera de Bauru é a doença provocada pelos parasitas unicelulares do género Leishmania. Há três tipos de leishmaníase: visceral, que ataca os orgãos internos, cutânea, que ataca a pele, e mucocutânea, que ataca as mucosas e a pele. No Brasil existem as três formas, enquanto que em Portugal existe principalmente a leishmaníase visceral e alguns casos (muito raros) de leishmaníase cutânea. Esta raridade é relativa, visto ocorrer uma subnotificação dos casos de Leishmaniose cutânea. Uma razão para esta subnotificação é o facto de a maioria dos casos de Leishmaniose cutânea humana serem autolimitantes, embora possam demorar até vários meses a resolverem-se.
As Leishmania são transmitidas pelos insectos fêmeas dos géneros Phlebotomus (Velho Mundo) ou Lutzomyia (Novo Mundo). A Leishmaniose também pode afectar o cão. Aliás, na Europa, este é considerado o reservatório da doença.

Raquel Pacheco

Fonte: BBC/Agência FAPESP/Biotecnologia.com/