sábado, 14 de julho de 2007

REPORTAGEM

Mifepristona, metotrexato e prostaglandina
Fármacos abortivos só nos hospitais

Estimativas internacionais apontam a probabilidade de 43 por cento das mulheres de todo o mundo virem a fazer um aborto antes dos 45 anos de idade, e prevêem igualmente que 47 por cento das que efectivamente abortem não estarão a fazê-lo pela primeira vez. Em Portugal entra amanhã em vigor a lei que, na sequência da consulta popular feita em referendo, viabiliza, em moldes legais, a interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas. O aborto cirúrgico e o medicamentoso são as duas hipóteses oferecidas às mulheres lusitanas. Os fármacos utilizados na segunda opção estão disponíveis apenas nos hospitais.

O aborto provocado poderá ser descrito como a morte prematura e medicamente induzida de um embrião ou feto dentro do ventre materno. Há vários métodos que concorrem para esse desfecho, desde os chamados “micro-abortos”, ocorridos na primeira semana, por acção de algumas substâncias químicas (contraceptivos) e alguns aparelhos intra-uterinos. Nas semanas seguintes, quando o ovo do zigoto já se instalou no útero, existem os abortos não-clínicos induzidos com fármacos como o RU-486 (mifepristona), administrada entre as cinco e as sete semanas de gestação, e o metotrexato, administrado em mulheres grávidas entre as cinco e as nove semanas, em combinação com a prostaglandina.
A mifepristona – medicamento inicialmente concebido para responder ao quadro sintomático de indisposição gástrica – é hoje utilizado sobretudo com o objectivo de induzir o aborto. Administrado por via oral quando a mulher se apercebe da ausência do período menstrual e constata que poderá estar grávida, e pode ser tomado até ao segundo mês de gravidez. Actua bloqueando a progesterona, uma hormona com papel crucial no desenvolvimento de uma gravidez, sem a qual o revestimento uterino não fornece alimento, fluidos e oxigénio ao feto, que naquele cenário acaba por não conseguir sobreviver. Numa segunda etapa deste método abortivo, a mulher ingere a prostaglandina, que estimulará a contracção do útero, para que o feto seja expelido.

Mifepristona
A RU-486 regista sucesso em 60 a 80 por cento das tentativas de aborto, e tem como efeitos secundários comuns náuseas, vómitos, cãimbras, dores, abortos incompletos, ruptura uterina e hemorragias, às vezes tão intensas que tornam necessário o recurso a transfusões de sangue. Em França, por exemplo, todas as clínicas que realizam interrupções voluntárias da gravidez são obrigadas por lei a ter equipamento adequado para a realização de electrocardiogramas, bem como material intra-venoso e desfibrilhador para responder à eventualidade de ataques cardíacos nas mulheres intervencionadas, em consequência da toma daqueles medicamentos. Procedimento que normalmente não se encontra disponível nos hospitais dos países em desenvolvimento, levando a que as hemorragias agudas e os ataques cardíacos sejam, nesse contexto, causa provável de morte.
Ao contrário da ideia de senso comum de que o aborto medicamentoso consiste apenas na toma de comprimidos, e que em poucos minutos resolverá a questão, devolvendo a mulher ao seu quotidiano, a administração da mifepristona obriga normalmente a um processo que dura alguns dias. Na primeira consulta é feita a análise do historial clínico da grávida, um exame físico e análises ao sangue, já que nos casos em que a mulher sofra de anemia, hipertensão, problemas renais, asma ou infecções vaginais, se fumar ou tiver mais de 35 anos, este método não poderá ser utilizado. É depois determinado o tempo de gestação, e a mulher assina o termo de responsabilidade para a realização do aborto, tendo em alguns países de esperar uns dias até à sua consumação.
A segunda consulta é aquela em que normalmente tem lugar a administração da mifepristona, e na terceira é utilizada a prostaglandina, que induz o trabalho de parto e a expulsão do feto, quase sempre no mesmo dia. A quarta consulta é de controlo da situação, sendo que, se a mulher ainda não tiver abortado ou ainda sangrar, terá de realizar uma ecografia para determinar se o útero está vazio e, em caso negativo, submeter-se a um método abortivo invasivo.

Metotrexato
Tal como a mifepristona, o metotrexato não surgiu com o objectivo de facilitar um aborto. Toxina celular que tem sido usada no combate às células cancerígenas, é um antagonista do ácido fólico que interfere na síntese do ADN, e que mata o feto quando o seu coração já bate. Tem um tempo de acção muito semelhante ao da mifepristona, mas actua de modo diverso: enquanto a RU-486 provoca a morte do feto por fome, este medicamento funciona como um veneno, que tem acção directa no feto em desenvolvimento, matando-o. A dose administrada é suficiente para matar o bebé, mas não para causar lesões à mãe, ainda que a sua ingestão possa causar estomatites e úlceras na cavidade bucal.
Tal como a mifepristona, o metotrexato só produz o efeito desejado se combinado com a prostaglandina, tomada uns dias depois da injecção do primeiro fármaco, a fim de provocar a expulsão do feto, pressupondo a realização de três consultas para completar o procedimento. Um estudo internacional realizado para examinar os resultados da administração dos fármacos abortivos a adolescentes apurou que em 96 por cento dos casos os abortos tinham sido bem sucedidos, apesar de algumas mulheres terem relatado episódios de dor e sangramento acima do que inicialmente esperavam, havendo inclusivamente algumas que se arrependeram de ter recorrido a este método.

Só nos hospitais
Em Portugal a lei do aborto, que entra amanhã em vigor, obrigou à importação da mifepristona, que não era de uso legal no nosso país. Tal como o farmacia.com.pt oportunamente noticiou, o Infarmed autorizou a comercialização da mifepristona, também conhecida como “pílula abortiva”, que poderá ser adquirida directamente pelos hospitais à MediRex Pharma, a única empresa nacional que foi autorizada por aquela entidade a introduzir o produto no mercado farmacêutico nacional. De acordo com um comunicado da autoridade nacional do medicamento emitido na altura, e de que o Portal da Farmácia e do Medicamento deu conta, a MediRex Pharma recebeu, a título excepcional, autorização para "comercializar, exclusivamente em meio hospitalar" a substância abortiva.
Fonte interna do Infarmed esclareceu que 25 hospitais portugueses tinham já diligenciado no sentido de adquirir aquele fármaco no estrangeiro, procedimento habitual para a sua obtenção antes da autorização excepcional, enquanto outras duas dezenas de unidades hospitalares já o fizeram no âmbito destas novas regras, dotando-se dos necessários meios para dar resposta às mulheres que, a partir de amanhã, procurem os seus serviços.

Carla Teixeira
Fonte: Alguns médicos do Hospital de São João, Infarmed, tudosobreoaborto.com
Paulo Sousa, presidente da Delegação da OF na Madeira
Governo tem prejudicado as farmácias


O presidente da Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Farmacêuticos, reeleito na votação do passado dia 21 de Junho, considera que a aprovação da lei que altera a regulamentação do sector, designadamente no que concerne a anulação da reserva de propriedade das farmácias para farmacêuticos, “inviabilizou qualquer conversação sobre o assunto”.

Paulo Sousa aponta o perigo de uma concentração de estabelecimentos de dispensa de medicamentos na mão dos grandes grupos económicos, e considera que, uma vez que a legislação vai no sentido de desvalorizar a profissão, cabe aos farmacêuticos valorizá-la e demonstrar a importância do trabalho que desenvolvem. Essa deverá ser, segundo aquele responsável, a principal linha de orientação do mandato de três anos que agora tem início a nível nacional e local. Paulo Sousa refere que a valorização da profissão e a aposta na formação e na qualificação dos seus activos deverão ser as traves mestras da actuação da delegação regional.
Considerando que todas as medidas tomadas recentemente pelo Governo “são a favor dos grandes interesses económicos”, refere que “é importante valorizar o potencial de aconselhamento do farmacêutico”, já que nas grandes superfícies, por exemplo, apesar de agora serem vendidos medicamentos, dificilmente o utente encontrará alguém com a necessária qualificação técnica para prestar esclarecimentos relativos a medicamentos e à sua mais correcta administração. Nesta linha de pensamento, Paulo Sousa diz, num comentário ao último relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde – que acusa o Ministério da Saúde de “falta de sensibilidade social –, que “todas as medidas que têm sido tomadas em relação ao sector têm sido de facto prejudiciais às farmácias”.

Carla Teixeira
Fonte: Tribuna da Madeira

Novartis e Idenix suspendem desenvolvimento da valopicitabina para a hepatite C

A Idenix Pharmaceuticals, Inc. anunciou que, após deliberações da FDA, o desenvolvimento do programa da valopicitabina (NM283), para o tratamento da hepatite C, foi colocado em espera nos Estados Unidos. A decisão teve por base o perfil geral de riscos e benefícios observados até à data nos ensaios clínicos. Os reguladores norte-americanos ordenaram à Novartis AG e à Idenix Pharmaceuticals Inc. que parassem de trabalhar no fármaco experimental devido aos efeitos secundários.

Os dados recentes levantam questões sobre a segurança e sobre a modesta actividade antiviral. A FDA, devido aos problemas relacionados com efeitos secundários e potência ténue, considera que num contexto de múltiplas escolhas, outra opção irá aparecer que será mais atractiva. Segundo a Idenix, os riscos associados ao fármaco incluíam náuseas e vómitos, estando na segunda das três fases de testes, geralmente exigidas para aprovação nos Estados Unidos.

O porta-voz da Idenix, Teri Dahlman, disse que acreditam que os resultados do ensaio de combinação tripla demonstrou eficácia e um bom perfil de segurança, contudo a avaliação da FDA foi diferente da da farmacêutica.

O presidente da Idenix, Jean- Pierre Sommadossi, afirmou que se encontram desapontados com a perspectiva da FDA, em relação ao programa, e estão a trabalhar com a Novartis na avaliação das opções para a valopicitabina, acrescentado que esta decisão pode fazer com que as companhias abandonem o tratamento.

A valopicitabina está delineada para bloquear a proteína polimerase. A Roche também tem um fármaco experimental para a hepatite C que atinge a proteína polimerase. O fármaco para a hepatite C da Vertex, a telaprevir, bloqueia a enzima protease que o vírus precisa para se reproduzir.

A Novartis e a Idenix estão entre, pelo menos, meia dúzia de companhias que concorrem pela produção do primeiro fármaco da década para tratar a hepatite C, a causa do cancro do fígado. As companhias a desenvolver novos medicamentos para a hepatite C incluem a Vertex Pharmaceuticals Inc., a Roche Holding AG, a Pfizer Inc. e a Human Genome Sciences Inc. Os recentes fármacos experimentais atacam a hepatite C de maneira semelhante à dos fármacos da SIDA que atacam o VIH, ao bloquear as proteínas que os vírus utilizam para se reproduzir.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire, Bloomberg, www.abcmoney.co.uk

Investigadores descobrem novo teste para detectar cancro do pulmão

Um grupo de investigadores americanos acredita ter descoberto uma nova forma de detecção do cancro do pulmão, através de um pequeno aparelho que analisa os componentes do ar expirado.

O aparelho de análise consegue detectar os compostos orgânicos voláteis libertados durante a respiração dos pacientes, recorrendo para tal a 36 sensores que mudam de cor, quando entram em contacto com essas partículas.

O principal objectivo do estudo, publicado no jornal médico Thorax, era estabelecer um padrão de cores, que permitisse detectar com exactidão o cancro do pulmão.

De forma a alcançar o objectivo estabelecido, os investigadores procederam à observação de 143 pacientes, dos quais 49 sofriam de cancro do pulmão e 73 de outras doenças respiratórias, sendo os restantes 21 indivíduos perfeitamente saudáveis.

A alteração na cor dos sensores que se verificou em 70 por cento dos indivíduos, foi utilizada pelos investigadores para determinar um padrão de cores que identifica o cancro no pulmão. Os restantes 30 por cento dos indivíduos foram então analisados já de acordo com o padrão estabelecido.

O padrão estabelecido pelos investigadores mostrou-se eficaz na detecção de 73 por cento dos casos cancerígenos. Todavia, o padrão identificou incorrectamente 28 por cento das doenças respiratórias não malignas, como cancro do pulmão.

Para o investigador Peter J. Mazzone, da clínica de Cleveland, Ohio, é preciso “trabalhar mais para esclarecer a natureza dos vários componentes da respiração”.

Apesar do nível significativo de erro, os investigadores acreditam que este estudo constitui um importante contributo para a compreensão da disposição dos sensores e do sistema respiratório, maximizado a exactidão do diagnóstico.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

Instituto alemão desenvolve bioadesivos à base de secreções do mexilhão

Investigadores de um departamento do Instituto Fraunhofer (IFAM), em Bremen, estão a desenvolver um produto à base das propriedades adesivas da secreção produzida pelos mexilhões, que se revelaram ideais para ajudar a cicatrizar feridas abertas e ossos partidos. Na fase actual da investigação, os cientistas estão a reproduzir em laboratório as características das proteínas com propriedades adesivas. O objectivo é produzir posteriormente um material adesivo que também tenha a capacidade de acelerar a cicatrização.

A pesquisa, que está agora numa segunda fase, tem sido desenvolvida para a criação de um composto idêntico, capaz de ser produzido artificialmente, pois a produção sintética tornará viáveis as diversas aplicações médicas, uma vez que, por métodos naturais, se tornaria excessivamente dispendioso generalizar a sua utilização na medicina, além de que seriam precisos dez mil moluscos para obter um grama desta substância aderente.

Os organismos marinhos, como os mexilhões ou as cracas, desenvolveram formas de aderir a diferentes superfícies num ambiente de água salgada. As glândulas do mexilhão produzem uma cola única, que permite a aderência a quase todos os tipos de superfícies, não só a rochas, como a vidro, madeira, metal e mesmo a revestimentos teflon. Tais componentes aderentes são tão robustos que são capazes de resistir às correntes marítimas mais fortes. As questões de maior interesse para a pesquisa são os organismos marinhos que, quando é necessário, são capazes de libertar adesivo de contacto em segundos.

Os componentes principais dos adesivos naturais foram identificados como pertencendo à categoria das proteínas. Estas macromoléculas, formadas por cadeias de aminoácidos, realizam diferentes funções, dependendo da sua composição. Além do mais, as proteínas não só formam a base da adesão direccionada de um organismo, mas também permitem a coesão das células vivas umas entre as outras. Com base nestes mecanismos de aderência, o IFAM está agora a trabalhar na estruturação e síntese de adesivos baseados nestas proteínas. Os possíveis campos de aplicação surgem não só na área da adesão debaixo de água, mas especialmente na medicina, como por exemplo, na cicatrização de feridas. Os investigadores do Instituto alemão Fraunhofer estão a analisar as características aderentes e estão a estudar a possibilidade deste tipo de material substituir os agrafos e os pontos cirúrgicos, de forma eficaz e vantajosa. A resistência da substância também será indicada para o caso de fractura de ossos, fixação de próteses dentárias e mesmo nas operações à retina.

Actualmente, os materiais adesivos utilizados em medicina para ligar e cicatrizar tecidos têm algumas limitações e inconvenientes, visto que podem libertar substâncias tóxicas como o formaldeído. Os investigadores alemães já averiguaram que a substância adesiva proveniente do mexilhão é bem tolerada pelo organismo humano.

De destacar que o Instituto Fraunhofer estabeleceu uma parceria com a Universidade do Porto, e será instalado junto à mesma. A decisão foi tomada após um período de análise das propostas recebidas para a localização do Instituto Fraunhofer Portugal e de visitas de representantes da Sociedade Fraunhofer (Fraunhofer-Gesellschaft) às instituições proponentes. O âmbito desta parceria diz respeito não à área dos materiais de colagem, mas às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A Sociedade Fraunhofer envolve mais de 12 mil pessoas em 56 institutos e, para além da investigação, dedica-se ainda à formação.

Isabel Marques

Fontes: Jornal de Notícias, Ciência Hoje, www.ifam.fraunhofer.de

Autopsia Confirma: Nova variante da doença de Creutzfeldt-Jacob causa primeira morte em Portugal

A autopsia ao cérebro de um rapaz de Famalicão, falecido no passado mês de Abril, confirmou que o óbito foi causado pela nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jacob (DCJ), de acordo com o relatório enviado hoje pelo Hospital S.João, Porto, à Direcção-Geral de Saúde (DGS).

A DGS pediu ao Hospital S.João que procedesse à análise do cérebro do rapaz, logo após a sua morte, de forma a esclarecer as suspeitas que existiam havia já dois anos, altura em que as autoridades anunciaram a existência do primeiro caso provável em Portugal da nova variante da DCJ. A resposta chegou hoje e foi positiva.

"Enviámos hoje à Direcção-Geral de Saúde e ao Hospital S. Marcos (Braga), onde o rapaz estava, o relatório que nos foi pedido, que confirma a morte com a nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jacob", referiu uma fonte hospitalar, em declarações à Lusa.

Entretanto, aumentam as suspeitas quanto ao caso de uma rapariga de 14 anos, também da zona de Famalicão, que apresenta sintomas idênticos aos do rapaz. Aliás, a DGS, apoiada em evidências laboratoriais, havia já anunciado, em Fevereiro, a forte probabilidade de um segundo caso de variante da Doença de Creutzfeldt-Jacob (DCJ), ainda que não tenha sido adiantada mais informação, para além de referir que se tratava de uma jovem portuguesa residente no Continente.

Contudo, a mesma fonte adianta que “no caso da menina, que ainda está viva, não está 100 por cento confirmado que seja a variante da DCJ".

O comunicado da DGS, emitido a 20 de Fevereiro para além de adiantar a possibilidade de existência de um segundo caso, salientava que não existem perigos de contágio, uma vez que a doença não se transmite de pessoa a pessoa.

O director-geral de Saúde, Francisco George explica que é necessário distinguir entre a Creutzfeldt-Jacob geralmente diagnosticada em pessoas de idade e a nova variante da doença, que aparece em pessoas de idade jovem e tem uma relação com o consumo de carne de bovino.

Todos os anos são diagnosticados em Portugal, uma média de 10 novos casos de Creutzfeldt-Jacob tradicional, uma doença que tem um “período de incubação longo e traduz um problema que terá havido há já uns anos”, acrescenta Francisco George.

A BSE é uma doença degenerativa que afecta progressivamente o cérebro dos bovinos e que pode ser transmitida ao homem. O número de casos detectados tem vindo a diminuir e no ano passado registaram-se apenas 31 casos de animais afectados, o número mais baixo desde 1999.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Ácido fólico nas farinhas diminui risco de deficiências congénitas em 46%


A adição de ácido fólico à farinha provoca uma diminuição de 46 por cento da incidência de anomalias congénitas do tubo neural dos bebés, principalmente da ocorrência de anencefalias e espinha bífida, revela um estudo da Universidade Laval, no Canadá.

Os defeitos abertos do tubo neural (DTN), anomalias congénitas da espinha ou do cérebro do bebé, são frequentemente causados pela carência de ácido fólico, podendo resultar em malformações do cérebro ou da espinal medula e dos seus revestimentos. Este problema ocorre quando a coluna vertebral do feto não se encerra adequadamente nos primeiros 28 dias após a concepção.

O ácido fólico (ácido peteroilglutâmico), pertencente ao grupo das vitaminas do complexo B, encontra-se na composição dos vegetais verdes, da fruta, dos cereais completos ou da carne. Porém, mesmo uma dieta equilibrada não fornece a quantidade suficiente de ácido fólico necessário às grávidas e ao bebé, explica Philippe De Wals, um dos autores do estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

Conscientes da relevância desta vitamina, as autoridades canadianas decidiram “adicionar ácido fólico a todas as farinhas produzidas no país, uma vez que a formação do tubo neural dos embriões é particularmente intensa durante as primeiras quatro semanas de gravidez, altura em que muitas das mulheres ainda não sabem que estão grávidas”, afirmou De Wals. Metade das gravidezes no Canadá não são planeadas e o corpo humano não tem capacidade para armazenar ácido fólico suficiente, sendo, por isso, importante integrá-lo na cadeia alimentar em vez de tomar exclusivamente suplementos vitamínicos, destaca a investigação.

Os especialistas compararam a incidência das deformações no tubo neural em mais de 2 milhões de nascimentos no Canadá, antes e depois de serem introduzidas no mercado as farinhas enriquecidas com ácido fólico. Entre 1993 e 1997, a incidência de malformações situava-se nos 1,58 por cento por cada 1.000 nascimentos. Por sua vez, entre 2000 e 2002, a taxa sofreu uma diminuição de 46 por cento para os 0,86 pontos percentuais por cada 1.000 nascimentos. Actualmente, a adição de ácido fólico às farinhas é uma realidade disponível apenas para os cidadãos dos Estados Unidos da América, Canadá e Chile.

Espinha bífida, quais as consequências?

A espinha bífida é uma afecção pertencente a um conjunto de alterações conhecido como defeitos do tubo neural. Nos casos mais graves, a criança pode apresentar fraqueza muscular ou mesmo paralisia abaixo do nível do não encerramento completo da coluna, perda de sensibilidade e incapacidade de controlar os esfíncteres anal e/ou vesical. Para além disto, há ainda a possibilidade do líquido cefalo-raquidiano (LCR), líquido que envolve o cérebro e a medula, poder acumular-se no cérebro, originando uma condição conhecida como hidrocéfalo, que se não for tratada pode levar a lesões cerebrais, com cegueira e convulsões.

Porém, os sintomas não são apenas físicos, sendo que, por vezes surgem também problemas de aprendizagem, entre os quais se destacam as dificuldades de atenção, expressão e compreensão da linguagem falada, dificuldades de leitura, de compreensão dos conceitos matemáticos ou ao nível da organização da informação. Entre as condições mais frequentes apresentadas pelas pessoas com espinha bífida estão ainda as tendinites, os problemas cutâneos, gastrointestinais, a obesidade e a depressão.

De acordo com dados do Instituto Médico de Radiologia Clínica, nascem cerca de 1 a 2 bebés em cada 1000 com DTN. A maioria (95 por cento) surge em famílias sem história anterior de DTN. Todos os anos, são registados cerca de 200 mil casos de espinha bífida e anencefalia a nível mundial. Os resultados deste estudo sugerem que a adição de ácido fólico aos alimentos poderia reduzir esse número para metade.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, United Press International, Science Daily, Bayer, Administração Regional de Saúde do Centro, Instituto Médico de Radiologia Clínica.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Comissão Europeia aprova utilização de Forsteo em homens com osteoporose

A Comissão Europeia concedeu aprovação para ampliar as indicações terapêuticas do Forsteo (Teriparatida) que poderá agora ser utilizado no tratamento da osteoporose em homens que apresentam um risco elevado de fractura. O fármaco passa também a ser indicado na redução da incidência de fracturas não vertebrais, excepto fracturas na anca, em mulheres na pós-menopausa.

A decisão vem no seguimento do parecer positivo emitido pelo Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP), no dia 24 de Maio. O medicamento é comercializado na União Europeia desde 2003, para o tratamento da osteoporose estabelecida em mulheres pós-menopáusicas.

O Forsteo é um agente formador de osso para tratamento da osteoporose. Este é o primeiro de uma classe de fármacos que estimula a formação óssea, através de uma acção directa sobre as células formadoras de osso (osteoblastos), aumentando indirectamente a absorção intestinal de cálcio, assim como, a reabsorção tubular de cálcio e excreção de fosfato pelo rim.

A aprovação foi sustentada pela apresentação de dados clínicos referentes a 437 homens com osteoporose hipogonadal ou idiopática. Os ensaios clínicos realizados demonstraram que o Forsteo provocou melhorias significativas na saúde óssea, uma vez que a densidade mineral óssea da coluna lombar aumentou significativamente num espaço de três meses. Ao fim de 12 meses, registou-se um aumento da densidade mineral óssea na coluna lombar e em todo o quadril de 5 e 1 por cento, respectivamente, quando comparado com a administração de um placebo.

A outra indicação incluída na acção terapêutica do medicamento foi baseada num estudo que contou com a participação de 1.637 mulheres na pós-menopausa portadoras de uma fractura vertebral prévia. As conclusões do estudo revelaram uma diminuição de 53 por cento no risco de fracturas não vertebrais por fragilidade e uma diminuição de 63 por cento do risco de fracturas maiores não vertebrais por fragilidade, incluindo o quadril, os pulsos, braços, costelas e pélvis.

Marta Bilro

Fonte: PM Farma, Infarmed.

Serviço de esterilização do Hospital da Guarda recebe certificação de qualidade

O serviço central de esterilização do hospital da Guarda obteve o certificado de qualidade pela norma ISO 9001-2000, que garante altos padrões de qualidade e permitirá a sua abertura a outras instituições da região. O processo foi desenvolvido ao longo de três anos, envolvendo uma empresa nacional e outra internacional, tendo sido esta última a atribuir o certificado.

A unidade agora certificada foi criada em 1998 e desde então, a limpeza e esterilização de todos os objectos utilizados nos diversos serviços do hospital e artigos têxteis, passou a ser feita neste serviço.

Com este certificado de qualidade, o serviço de esterilização, que de momento serve apenas o Hospital Sousa Martins (HSM), poderá prestar apoio a outras instituições da região, já que “tem capacidade instalada não só para a área do Serviço Nacional de Saúde mas, também, para as instituições particulares de solidariedade social", garantiu Fernando Girão, presidente do Conselho de Administração do HSM.

O responsável considera mesmo que no futuro, este poderá vir a ser um serviço rentável para o HSM, sendo que já existe “um pedido do Hospital da Misericórdia da Guarda, que poderá ser prestado através de um protocolo, com contrapartidas de um e do outro lado”.

Fernando Girão não esconde que gostaria de ver certificados todos os serviços clínicos do HSM, de forma a “criar condições de qualidade no serviço prestado pelo hospital”.

Na opinião de Matilde Cardoso, enfermeira directora do HSM, a certificação obtida permite garantir que “todos os serviços que são servidos pela central de esterilização podem ter a maior confiança", reconhecendo que este é "um serviço credível em que é possível confiar". A enfermeira realça ainda que a eficácia do serviço de esterilização é o “básico para todos os serviços se poderem desenvolver" com qualidade.

O processo de certificação implicou um investimento de cerca de 30 mil euros, comparticipado pelo Programa Saúde XXI e promoveu remodelações ao nível de vários aspectos, "o pessoal recebeu formação, foi aumentado o número de funcionários, os espaços foram redefinidos, foram adquiridos novos equipamentos de ponta, aperfeiçoou-se tudo aquilo que já estava feito", explicou Isabel Cristina, enfermeira responsável pelo serviço.

Em 2005 existiam apenas nove técnicos inseridos neste serviço, mas com o decorrer do processo de certificação os recursos humanos foram aumentados, existindo neste momento 15 técnicos em funções .

O investimento em novos equipamentos e tecnologia foi outro dos aspectos mais relevantes, sendo que neste momento, entre outros equipamentos, o serviço dispõe de três máquinas de lavar e desinfectar e de igual número de esterilizadores.

Os objectos que dão entrada no serviço de esterilização são "lavados, desinfectados, agrupados, empacotados e esterilizados", sendo posteriormente devolvidos à proveniência, explicou Isabel Cristina. No entanto, a certificação não garante a perfeição do serviço pois as falhas continuam a existir, apesar de serem mínimas e aceitáveis.
O serviço funciona 16 horas por dia, das 08:00 às 24:00, realizando em média 15 ciclos de esterilização por dia, divididos por dois turnos de segunda a sábado.

Para além da certificação do serviço de esterilização, o HSM conta também com a certificação do seu serviço de patologia clínica, distinguido em 2000, dai que Matilde Cardoso realce a grande importância da certificação agora obtida, pois “estes dois serviços são o suporte de outros”.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Plano de segurança da Schering-Plough contra aquisições hostis expira

A Schering-Plough anunciou que a direcção decidiu votar a favor da expiração do actual plano de direitos dos accionistas da companhia, ou “pílula de veneno” (poison pill em inglês), uma ferramenta que algumas empresas utilizam para tornar as suas acções menos atraentes em caso de tentativas de aquisição hostis. A mudança faz parte das alterações das políticas de administração da companhia, anunciadas em Dezembro. A farmacêutica não prevê a adopção de um novo plano no futuro.

Num documento enviado à comissão norte-americana de mercado de valores, a farmacêutica disse que também emendou as actuais directrizes de administração da empresa para prevenir a adopção de futuras “pílulas de veneno” sem a aprovação dos accionistas. Qualquer novo plano de direitos dos accionistas não poderá ser posto em prática sem ser submetido à aprovação dos accionistas num prazo de 12 meses.

A Schering-Plough decidiu eliminar a “pílula de veneno” em Dezembro, quando a farmacêutica acabou com os requisitos de votação dos accionistas por “supermaioria” para decisões chave, como retirar um director. A empresa também estabeleceu que os membros da direcção serão eleitos anualmente por uma maioria, em vez de uma pluralidade dos votos. Anteriormente, os directores cumpriam um mandato de três anos.

Isabel Marques

Fontes: Bloomberg, BusinessWeek, MarketWatch
Investigação preliminar com resultados promissores
Fármaco para a doença bipolar em estudo


Uma equipa de cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, está a testar um potencial novo medicamento para a doença maníaco-depressiva, que também é designada como doença afectiva bipolar. Um mal que afecta cerca de um por cento da população mundial, e cujos tratamentos actuais se baseiam em estabilizadores de humor que fazem disparar o peso dos doentes.

Os investigadores estão a tentar encontrar respostas que permitam minimizar os transtornos e efeitos secundários provocados pelas terapias convencionais, mas de acordo com um artigo publicado na revista científica «Nature», ainda terão de ser feitos muitos estudos antes de o potencial novo fármaco poder ser testado em seres humanos. A mesma fonte refere que cerca de um por cento da população mundial deverá sofrer da doença maníaco-depressiva, cujo tratamento pressupõe normalmente a administração de estabilizadores de humor como o lítio e o ácido valpróico, que provocam aumento de peso e grande secura nas mucosas.
Os cientistas norte-americanos tentaram colmatar a lacuna no que diz respeito a alternativas àqueles tratamentos, descobertos há décadas, que actuam através do bloqueio da enzima glycogen synthase kinase-3 (GSK-3) no cérebro. Sabiam que uma nova classe de substâncias podia inibir uma enzima similar à GSK-3, e questionaram-se se não poderia também inibir a própria GSK-3. Uma pergunta a que os testes feitos deram resposta positiva. A revolução terapêutica dos doentes maníaco-depressivos poderá, assim, estar a um passo de se concretizar.

Carla Teixeira
Fonte: Nature

85% dos doentes espanhóis utilizam internet para pesquisar sobre doenças

Um estudo realizado pela Ogilvy Healthworld e pelo Google demonstrou que os motores de buscar na internet são utilizados por 85 por cento dos doentes espanhóis que procuram informações on-line sobre a sua patologia ou a medicação.

A investigação, que pretendeu avaliar a influência da comunicação digital no sector da saúde, revelou também que as doenças pesquisadas com mais frequência são as relacionadas com dietas e controlo de peso, alergias, obesidade, cancro, dores de cabeça ou enxaquecas, ansiedade e depressão. Um em cada quatro espanhóis utiliza o Google para procurar informações sobre saúde.

De acordo com o estudo, os motores de busca são utilizados em todas as fases do processo da doença, desde o diagnóstico ao tratamento. As conclusões referem que 92 por cento dos cibernautas procuram conselhos sobre hábitos de vida saudáveis e 87 por cento estão mais preocupados em saber quais os sintomas específicos. Também em 87 por cento dos casos os utilizadores pretendem perceber melhor o seu próprio diagnóstico e tratamento, enquanto 89 por cento procura mais informações sobre os procedimentos que estão a ser levados a cabo por amigos ou familiares.

Os internautas espanhóis consideram que os motores de busca são uma fonte de informação indispensável, e 85 por cento usam-nos para se esclarecer, foi hoje divulgado na apresentação do estudo em Madrid. “A internet é não só uma fonte de informação prioritária para os consumidores, mas também uma ferramenta revolucionária para a indústria farmacêutica, já que permite que o paciente encontre o profissional sempre que procura por ele”, salienta José María García, director do departamento de Saúde do Google, em Espanha.

As declarações do responsável surgem durante o encontro sobre saúde digital, o primeiro do género organizado para analisar o futuro do sector da saúde no país vizinho. Face aos resultados, os especialistas estão convencidos de que a internet impôs mudanças radicais no comportamento dos doentes e dos médicos e que, necessariamente, acabará por alterar a comunicação da indústria farmacêutica com o seu público.

A internet é, assim, a segunda fonte de informação mais utilizada pelos pacientes, em Espanha, para obterem informações no âmbito da saúde, quase ao nível dos médicos, que representam 88 por cento, e muito acima de outros recursos com é o caso dos farmacêuticos, livros e meios de comunicação tradicionais. “A internet é o suporte mais interactivo, profundo e rico em informação e, sem dúvida, complementar a qualquer actividade de saúde”, destaca José María García.

Marta Bilro

Fonte: PM Farma

Nova técnica imita e acelera a replicação de priões
Diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob facilitado

A doença de Creutzfeldt-Jakob, variante humana da encefalopatia espongiforme bovina, poderá estar a um passo de ser mais facilmente diagnosticável. Cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, desenvolveram uma nova técnica de imitação e aceleração do processo de replicação de priões, onde pode residir a chave para o problema.

De acordo com um estudo publicado no «Journal of Pathology», aquela doença, que é causada pela presença de priões que eliminam as células do cérebro, cujo tecido adquire a aparência de uma esponja, poderá tornar-se detectável de modo mais fácil e rápido com a utilização da técnica agora desenvolvida, que imita e acelera a replicação dos priões. Embora o método só tenha sido experimentado ainda com animais, os investigadores acreditam que será possível a sua aplicação em trabalhos com a variante humana da doença, sendo necessários estudos adicionais para aferir se a nova técnica poderá ter aplicação noutro tipo de tecidos.
O professor James Ironside, da equipa de observação da doença de Creutzfeldt-Jakob, considera que actualmente a realização do teste exige demasiado tempo para que possa permitir um diagnóstico rápido num centro de recolha de sangue. No entanto, disse que ele poderia ser usado num centro nacional, para confirmar os resultados de testes anteriores e evitar falsos diagnósticos. Igualmente designada como BSE ou “doença das vacas loucas”, a Creutzfeldt-Jakob surgiu com força no Reino Unido no início dos anos 90, causando 161 mortes, entre elas as de três pessoas que foram contagiadas por transfusões de sangue.

Cenário nacional
Em Portugal não há notícias de casos desta doença em seres humanos, mas um primeiro diagnóstico em animais surgiu terá surgido em Junho de 1990, apesar de ter sido mantido em segredo durante três anos, altura em que uma audição e um inquérito parlamentar tiveram como resultado a “não conclusão da existência da doença das vacas loucas em Portugal”. Só em Julho de 1994 foi reconhecida a sua existência, com uma distribuição geográfica decalcada da distribuição de bovinos leiteiros, tendo por isso maior concentração nas regiões de Entre-Douro-e-Minho, Beira Litoral e Trás-os-Montes e Alto Douro.
A região autónoma dos Açores, que tem uma grande concentração de bovinos leiteiros, manteve-se isenta até 2000, ano em que a doença foi detectada num boi importado da Alemanha. Até 1994 todos os casos diagnosticados tinham origem em animais importados do Reino Unido, e em 1996 foi constituído um plano de erradicação da BSE, que previa o abate de todos os animais coabitantes com os casos confirmados, com a recolha sistemática de amostras e consequente análise laboratorial.

Carla Teixeira
Fonte: Journal of Pathology, ASAE, Ministério da Agricultura
Recolha voluntária do TechneScan MAG 3

O Departamento de Inspecção do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde anunciou, numa nota com a classificação de “muito urgente”, a recolha das embalagens que faziam parte do lote 267754 do pó para solução inhectável TechneScan MAG 3 de 1mg, com data de validade de 2 de Fevereiro de 2008.

Num comunicado dirigido às organizações nacionais e sub-regiões, administrações regionais de saúde, hospitais, centros de saúde e grossistas na área do fármaco, o Infarmed comunica que, por deliberação do seu conselho directivo, decidiu ordenar a recolha de todas as embalagens daquele medicamento, com o número de registo 4802781, cujo titular de autorização de introdução no mercado é a Mallinckrodt Medical, BV, que tem como representante em Portugal a firma Isoder – Isótopos Derivados, SA, na sequência de ter sido aferido, em análises da Agência Francesa do Medicamento, que o fármaco em causa não cumpre a especificação relativa aos níveis de radioactividade libertada.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed
Recolha voluntária de comprimidos Salofalk

A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde anunciou a recolha voluntária do fármaco Salofalk comprimidos gastro-resistentes de 500 mg que faziam parte do lote n.º 06D02113R, com prazo de validade de Abril de 2009.

Numa circular informativa assinada por Hélder Mota Filipe, em nome do conselho directivo daquela entidade, e com a classificação de “muito urgente”, o Infarmed comunica que a firma Dr. Falk Pharma Portugal – Sociedade Unipessoal, Lda. está a proceder à recolha voluntária do referido medicamento, depois de ter detectado, em algumas amostras integrantes do referido lote, alterações organolépticas (manchas escuras) nos comprimidos. São alterações que não põem em causa a segurança e a saúde dos utentes que entretanto tenham utilizado o medicamento, mas que levaram o Infarmed a ordenar a suspensão imediata da comercialização daquela versão do Salofak.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

Boehring Ingelheim processa Barr por violação da patente do Aggrenox

A Boehring Ingelheim instaurou um processo judicial, na justiça norte-americana, contra a Barr Pharmaceuticals alegando a violação da patente do Aggrenox (Ácido acetilsalicílico + Dipiridamol), um medicamento utilizado na prevenção do risco de ataques cardíacos.

A Barr pretende produzir um semelhante genérico do Aggrenox, tendo submetido, em Janeiro, uma candidatura à Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration - FDA), que em Maio foi aceite para revisão. A empresa de genéricos acredita que deverá ser a primeira a tentar comercializar uma cópia do medicamento, o que lhe poderá garantir seis meses de exclusividade no mercado.

Para além disso, a Barr estima que as vendas anuais do fármaco, nos Estados Unidos da América, possam render-lhe mais de 187 milhões de euros.

A Barr justifica a sua tentativa de produção de um genérico alegando que uma das patentes do medicamento é inválida. Porém, a farmacêutica alemã considera que essas afirmações são “desprovidas de qualquer objectivo de bom senso ou de quaisquer factos legais”.

O medicamento é utilizado por pacientes que já foram vítimas de um ataque cardíaco de forma a prevenir reincidências. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, quase um em cada quatro homens e uma em cada cinco mulheres com 45 anos de idade têm probabilidades de sofrer um ataque cardíaco caso vivam até aos 85 anos.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, Business in the Burbs, United Press International, Bloomberg.

Produto tóxico detectado em Sensodyne à venda no Reino Unido

Vestígios de um químico tóxico foram detectados em pastas de dentes contrafeitas da marca Sensodyne, no Reino Unido. O alerta foi lançado pela Agência Reguladora dos Medicamentos e Cuidados de Saúde (MHRA) depois de mais de 100 embalagens de um lote contaminado terem sido vendidas em mercados e bancas de rua contendo dietileno glicol.

A entidade reguladora britânica referiu que ainda não há quaisquer provas de que alguém tenha sofrido um problema de saúde derivado dos efeitos da pasta de dentes e que não são esperadas reacções graves. Isto porque, apesar de tóxica, a substância só é perigosa se ingerida em grandes quantidades.

Segundo afirmaram as autoridades daquele país, as embalagens do dentífrico falsificado apresentam rotulagem em inglês e em árabe, enquanto que as verdadeiras apenas apresentam o rótulo em inglês. Os produtos afectados contêm a designação Sensodyne Original e Sensodyne Mint 50ml e a MHRA já lançou um apelo aos consumidores que tenham comprado o produto para que este não seja utilizado, uma vez que está contaminado com níveis tóxicos de dietileno glicol.

A GlaxoSmithKline, detentora da marca Sensodyne, emitiu um comunicado no qual assegura não utilizar aquela substância em nenhuma das suas pastas de dentes. “Estes produtos contrafeitos são ilegais e não têm qualquer relação com a GlaxoSmithKline”, referem os responsáveis. A empresa afirma que tem “em séria consideração qualquer relato de contrafacção” e diz já ter contactado a sua cadeia de fornecedores legítimos para se certificar de que não existe qualquer produto falsificado.

Apesar de não ser ainda conhecida a origem dos produtos falsificados, a GSK admite que a China é uma possibilidade, uma vez que recentemente exportou pastas de dentes contaminadas com a referida substância.

Marta Bilro

Fonte: Guardian Unlimited, Scotsman.com, BBC News.

Apifarma opõe-se a campanha governamental de promoção de genéricos

A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) interpôs uma providência cautelar para impedir a progressão de uma campanha de promoção de medicamentos genéricos, que estaria pronta para ser lançada pelo Ministério da Saúde, em Setembro.

A notícia, avançada pelo jornal Sol, adianta que o processo já terá dado entrada no Tribunal Administrativo de Lisboa. A situação deve agora ser analisada por um juiz que, em breve, decide se a campanha será ou não cancelada.

A campanha, que envolve 500 mil euros, divulga os genéricos existentes no mercado bem como as suas vantagens. A Apifarma considera que, por promover um segmento restrito de mercado, a acção vai contra a lei da livre concorrência.

Marta Bilro

Fonte: Sol

O anticoagulante Idraparinux da Sanofi-Aventis apresenta resultados mistos

A Sanofi-Aventis anunciou que os dados de estudos sugerem que o anticoagulante idraparinux é tão eficaz como a varfarina na redução de derrames cerebrais e eventos embólicos sistémicos do sistema nervoso periférico, em pacientes com fibrilação atrial. As descobertas foram apresentadas no congresso da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostase, em Genebra.

Contudo, os resultados dos 4576 pacientes do ensaio AMADEUS também mostraram que os casos de hemorragia clinicamente relevante foram significativamente mais elevados naqueles que receberam idraparinux, em comparação com os que receberam varfarina. Os resultados demonstraram que a hemorragia apareceu com o tempo, e foi mais pronunciada em pacientes mais idosos e naqueles com função renal comprometida.

A farmacêutica sublinhou que os dados referentes a hemorragias indicam a necessidade de reconsiderar uma redução da dose do idraparinux para pacientes identificados como sendo de risco. O principal investigador do estudo, Harry Buller, acrescentou que o novo estudo BOREALIS-AF do fármaco se deverá focar na melhoria do perfil de segurança preservando simultaneamente a sua eficácia.

A Sanofi está a adaptar a terapia de modo a combater os problemas de hemorragias que surgiram nos anteriores testes ao fármaco. A farmacêutica está a adicionar uma substância, que não modifica a estrutura do idraparinux, nem o seu funcionamento, e que irá permitir aos médicos desligar o mecanismo anticoagulante do tratamento em situações que incluam, por exemplo, cirurgias não planeadas.
Isabel Marques

Fontes: FirstWord, Bloomberg, CNN Money

Nutricionistas defendem proibição da publicidade alimentar durante os programas infantis

Como forma de combater a obesidade infantil, um grupo de especialistas em nutrição recomendou à Comissão Europeia a adopção de legislação que restrinja, ou até mesmo proíba, a publicidade a produtos alimentares, durante o tempo de intervalo dos programas televisivos destinados a crianças.

Um estudo desenvolvido em França e apresentado no final do ano passado mostrou que 89 por cento dos anúncios a alimentos exibidos antes, durante e depois dos programas de televisão infantis, eram produtos com altos níveis de açúcar e gorduras, sendo que em apenas 11 por cento desses anúncios eram publicitados produtos com benefícios nutricionais.

Sylvie Pradelle, responsável da maior organização de consumidores de França, lembrou que as crianças são altamente permeáveis aos anúncios e que antes dos sete anos de idade não conseguem distinguir entre a publicidade e a ficção televisiva.

Como tal, a dirigente defende a proibição total da publicidade a alimentos durante os programas infantis e juvenis, considerando também que “deve haver uma definição clara de programas infantis. Esta restrição não se deve limitar aos desenhos animados, mas deve abranger também outros que possam ser vistos pelas crianças, sobretudo na ausência dos pais”.

Opinião igual tem a endocrinologista portuguesa Isabel do Carmo, que considera necessária a criação de legislação específica para o efeito, uma vez que já ficou demonstrado que a auto-regulação não tem funcionado.

“Em relação à televisão, defendo a lei sueca”, que desde 1991 proíbe a publicidade alimentar antes, durante e logo depois de programas infanto-juvenis. Na opinião da médica, a solução passa mesmo pela proibição, pois a restrição continuará a não solucionar o problema, cometendo equívocos, como acontece por exemplo com os produtos lácteos. “Temos publicidade a iogurtes, mas cheios de açúcar e com alegações de saúde erradas”.

Fernanda Santos, especialista em alimentação da associação de consumidores Deco, defende um posição mais flexível, considerando que as restrições à publicidade durante estes programas é o bastante para controlar a questão.

“A Deco tem defendido é a proibição da publicidade a alimentos ricos em sal, gordura e açúcares”. No entanto, Fernanda Santos reconhece a necessidade de “haver uma imposição legal comum”, já que apesar dos alertas, a industria alimentar não tem alterado a sua posição nesta matéria.

Inês de Matos

Fonte: Sol

Envelhecimento Humano em debate no I Congresso Internacional de Gereontologia

O I Congresso Internacional de Gereontologia vai decorrer na Escola Superior de Educação João de Deus, em Lisboa, de 8 a 10 de Novembro, dedicado ao tema (Con)vivências do corpo à alma.

Os principal objectivo do congresso passa pela promoção do debate científico e gerontotecnológico, acerca do envelhecimento humano. Como tal, existirá uma cooperação entre diversas ciências, nomeadamente entre a psicomotricidade, a geriatria e a medicina, por exemplo, de forma a assegurar maior autonomia e cidadania à população envelhecida.

Os progressos da medicina tem levado ao aumento da esperança média de vida e as fracas taxas de natalidade têm proporcionado o envelhecimento da população, no entanto, “a qualidade de vida dos idosos nem sempre é a melhor”, refere o site on-line do Congresso.

“Urge procurar respostas e medidas para o processo de envelhecimento do Homem. Quanto mais não seja pela via educativa e sociocultural, para se recuperar o respeito pelo idoso”, pois apesar da idade, o gereonte “ainda pode adaptar-se e intervir activamente na sociedade que ajudou a construir”, sendo útil e representando uma mais valia.

O congresso pretende alertar para a condição do idoso, promovendo a informação, formação e investigação-acção em Envelhecimento Humano, que deveria “ser uma prioridade na Sociedade Portuguesa e na União Europeia tal como no resto do mundo”, refere o website.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem 580 milhões de idosos em todo o mundo, dos quais 350 milhões (61%) vivem nos países desenvolvidos. Em 2020, deverão existir mil milhões de idosos e no ano 2025, os indivíduos com mais de 60 anos serão mais numerosos do que os jovens com menos de 20 anos.

Para mais informações consultar:
http://www.ese-jdeus.edu.pt/gerontologia/gerontologia.asp

Inês de Matos

Fonte: Jasfarma, http://www.ese-jdeus.edu.pt/gerontologia/gerontologia.asp

Canela no tratamento da diabetes

A farmacêutica espanhola Faes Farma colocou no mercado espanhol um medicamento, feito à base de canela, para tratar a diabetes. O Glusil foi submetido aos testes de qualidade e conseguiu resultados positivos.

Uma vida saudável através de uma correcta alimentação e de prática regular de exercício físico é o método mais recomendado aos diabéticos para controlar nos níveis de glucose no sangue. Contudo, isto exige, na maior parte dos casos, grandes mudanças de hábitos, pelo que as pessoas não praticam esta recomendação.

O Glusil tem precisamente a função de ajudar a manter os níveis de açúcar no sangue. Composto de um extracto aquoso, Cinnamomum Cassia, é a variedade da canela que mostrou melhores resultados na redução da glucose. A toma é fácil, tem um sabor neutro e o valor calórico é baixo, menos de 1 Kcal por dia.

sara pelicano

fontes: pm farma, faes farma

quinta-feira, 12 de julho de 2007

FDA irá rever o Isentress da Merck & Co. em Setembro

Um comité consultivo da FDA, constituído por especialistas em fármacos antiretrovirais, deverá reunir-se no dia 5 de Setembro para rever a segurança e a eficácia do Isentress (raltegravir), o tratamento experimental da Merck & Co. para o VIH. A farmacêutica procura a aprovação para o Isentress, em combinação com outros agentes antiretrovirais, para pacientes com VIH-1 que não respondem às terapias antiretrovirais existentes.

A FDA concedeu revisão prioritária ao inibidor da integrase no mês passado, e a Merck espera a decisão final em meados de Outubro.

A Merck está a competir com a Pfizer Inc. pelo desenvolvimento do primeiro novo tipo de tratamento da década para o VIH, o vírus que causa a SIDA.

O Isentress actua ao bloquear a enzima responsável por inserir material genético do VIH nas células humanas, impedindo que o vírus se reproduza e que infecte outras células. O fármaco, o primeiro a atingir o VIH através deste mecanismo, reduziu a carga viral em mais de 75 por cento dos pacientes que receberam uma terapia combinada, em dois ensaios clínicos.

Por seu lado, a Pfizer não conseguiu a aprovação para o Maraviroc, comprimidos para o VIH, em Junho. A farmacêutica revelou que está a resolver com a FDA questões relacionadas com a rotulagem, um atraso que os analistas pensam que possa demorar três meses. O Maraviroc modifica o formato de uma proteína na superfície das células saudáveis, tornando impossível a entrada do vírus.

Isabel Marques

Fontes: FirstWord, Bloomberg, Forbes

Bayer adopta estratégia virtual

À medida que a concorrência aumenta, a indústria farmacêutica aplica-se, cada vez mais, na procura de novos trunfos. Consciente da importância das tecnologias, a Bayer Healthcare está a utilizar um jogo de computador para atrair a atenção das camadas mais jovens da população, para um analgésico destinado a combater as mazelas do avanço da idade.

O Aleve Liquid Gels, lançado em Março nos Estados Unidos da América, é um medicamento de venda livre, normalmente utilizado por pessoas acima dos 50 anos de idade com o objectivo de aliviar as dores nas costas e as dores provocadas pela artrite. O laboratório pretende agora aproximar o produto da camada de população com idades entre os 25 e os 49 anos.

Acedendo ao portal www.aleviator.com os internautas podem acompanhar uma narrativa ficcional que os conduz através de um conjunto de pistas e lugares na rede, wikis e blogues. Por cada visitante que siga o jogo até ao final, algo que demora cerca de um minuto, a Bayer faz uma doação que varia entre os 3,6 e os 7,3 euros ao “Conservation Fund”, um grupo de defesa ambiental sem fins lucrativos.

“O Aleve tornou-se famoso e é visto pelos consumidores mais velhos como um óptimo produto para a artrite”, salientou Jay Kolpon, vice-presidente do departamento do desenvolvimento de marketing e negócios da Bayher Healthcare, uma divisão da alemã Bayer sedeada nos Estados Unidos da América. “Os géis líquidos destinam-me aos jovens e a condições que antecedem a artrite, tais como as dores no corpo ou dores musculares”, acrescentou.

Para já, a campanha é encarada pela Bayer como algo em fase experimental e que deverá evoluir cuidadosamente. Conforme explicou Kolpon, a adesão e consciência dos visitantes em relação à marca vai ser avaliada, bem como a doação ao “Conservation Fund”. O Aleve (Naproxeno), em comprimidos, é comercializado em Portugal desde 2002.

Marta Bilro

Fonte: The New York Times, The Earth Times, Monsters & Critics.

Óleos solares podem levar a lesões que degeneram em cancros

Especialista alerta e pede retirada de óleos solares do mercado

O presidente da Associação Portuguesa de Cancro de Pele(APCC),Osvaldo Correia, defendeu hoje que as autoridades de saúde deveriam retirar do mercado os óleos solares, porque podem levar a lesões que degeneram em cancros de pele.
Segundo Osvaldo Correia,aqueles produtos "têm um efeito enganoso" sobre os seus utilizadores, já que "ao transmitirem gordura à pele evitam o seu repuxar, transmitindo uma falsa sensação de que a pele não está a envelhecer".Por outro lado, os óleos solares evitam a vermelhidão cutânea, levando a que as pessoas se exponham mais tempo ao sol, julgando que não estão em perigo.
Sublinhando que os índices de protecção aconselháveis "são de 30 para cima", o presidente da APCC acentuou em declarações á Lusa que, independentemente da falsa impressão de segurança transmitida por aqueles dois indicadores, aqueles produtos não evitam a penetração dos raios ultra-violeta (UVA) nas camadas mais profundas da pele.
O êxito daqueles produtos em alguns sectores do mercado deriva da falsa palavra de ordem "Moreno Igual a Beleza" pelo que a sua distribuição está sempre assegurada enquanto esse slogan tiver reflexo social. "São produtos que asseguram uma penetração silenciosa dos raios ultra-violeta, que atingem mais profundamente a pele, que envelhece precocemente", disse. Observou que os índices de protecção daqueles produtos, normalmente muito baixos, "são enganosos", porque complementam a transmissão de uma sensação de segurança.
O presidente aconselhou os portugueses de pele branca mais clara a utilizar sempre protectores solares com um índice mínimo de 30. Mesmo as pessoas de pele morena, aconselhou, "não devem usar protectores inferiores a 20" e até os indivíduos de pele negra "devem usar protectores não inferiores a 15".
Para uma protecção a cima dos 30 é necessário uma indicação médica,uma vez que, apresentam um risco maior de desenvolvimento de sensibilização cutânea devido ao aumento da concentração dos filtros.
O presidente da APCC chamou a atenção para o facto de os próprios protectores solares com índices mais elevados "poderem ser prejudiciais, porque podem levar as pessoas a pensar que não precisam de outros tipos de protecção, como as sombras, as t-shirts e os óculos de sol.De recordar, que nunca é demais os cuidados com os mais pequenos sendo que, a exposição solar na infância até a adolescência é um dos maiores factores de risco para o desenvolvimento de cancro de pele na vida adulta.

Sandra Cunha

Fontes:JN, saúde da família.Enciclopédia médica volume 7

Filtros Solares

Nesta época de calor, é essencial aplicar os protectores solares com frequência,especialmente depois de mergulhos e exercícios físicos.Todos sabemos a importância dos FPS, mas será que sabemos qual usar?


Os filtros solares são substâncias destinadas a proteger a pele do sol .Elas conseguem proteger a pele,a curto prazo, de queimaduras e alergias solares e, a longo prazo,do envelhelhecimento e do cancro da pele.
A loção de bronzeamento é um termo incorrecto para o filtro solar, já que sua função é completamente diferente. A loção de bronzeamento é usada para atrair raios UV para atingir um melhor bronzeado.
Os filtros químicos agem através da absorção dos raios ultravioletas,impedindo assim que a pele seja atingida.
Já os filtros físicos ou de barreira formam uma película sobre a pele e reflectem a luz como um espelho.Não são muito aceites cosmeticamente mas apresentam menor sensibilização,sendo muito indicados para elevar a protecção solar e para as crianças menores.

O que será o Factor de Protecção Solar(FPS) ?

Os Factores de Protecção Solar estão presentes em todos os filtros e indicam o tempo que uma pessoa pode ficar exposta ao sol, sem se queimar. A pele, quando exposta ao sol sem protecção, leva um determinado tempo para ficar vermelha. Quando se usa um filtro solar com FPS 15, por exemplo, a mesma pele leva 15 vezes mais tempo para ficar vermelha.
Eles auxiliam na escolha do produto de acordo com o tipo de pele. Para peles mais claras, o tempo de exposição solar necessária para queimá-las é menor do que para as peles mais resistentes.


As peles mais claras necessitam de filtros com FPS mais altos (FPS 30)mas as peles mais morenas podem utilizar um FPS mais baixo. É aconselhável um FPS 15 no mínimo.
Os filtros com FPS maiores que 30,devido ao aumento da concentração de filtros solares,apresentam um maior risco de desenvolvimento de sensibilização cutânea,ou seja,alergias de pele. A sua utilização deve ser indicada pelo médico assistente,conforme a necessidade do uso.
O FPS 15 a 30 deve ser utilizado regularmente,dependendo do tipo de pele,da presença de doenças de pele,da prática desporto,da altitude da região e das condições ambientais.Superfícies como areia, neve e água podem reflectir muito a luz solar.


O seu uso correcto implica, uma aplicação uniforme e abundante(30 minutos antes da exposição). A dosagem pode ser calculada usando a fórmula para a área de superfície do corpo e subsequentemente subtraindo a área coberta por roupa que dá protecção efectiva contra a radiação UV.
A dose usada pela FDA nos testes de filtro solar é de 2 mg/cm² e com base de uma amostragem, calculada numa monografia de FDA, se assumirmos um adulto mediano com altura de 1,63 m e peso de 68 kg com 82 cm de cintura, ele necessitaria de exactamente 29 g para cobrir sua área corporal não coberta.
É necessário a sua reaplicação frequente de duas a duas horas, após exercício físicos, mergulhos e transpiração excessiva. É de igual importância utilizar os protectores labiais e óculos escuros.


É fundamental o seu uso nas crianças, pois a exposição solar na infância até a adolescência é um dos maiores factores de risco para o desenvolvimento de cancro de pele na vida adulta.
Escolhe com o médico o filtro mais adequado, evite os horários de exposição e utilize os chapéus, camisetas e guarda-sóis no sentido de protegê-los e educá-los para se exporem sempre com segurança ao sol.

A linguagem utilizada nos rótulos dos filtros solares deixa-nos confusos na maioria das vezes,é importante sabermos o significado dos termos e assim escolher o mais adequado:


-Anti UVA e UVB: filtros que protegem contra os raios ultravioleta A e ultravioleta B.
- Hipoalergênico: utiliza substâncias que geralmente não provocam alergias.
-Livre de PABA ou "PABA Free": filtros que não contém a substância PABA,que tem alto poder de causar alergias.
-Livre de òleo ou "oil free":substâncias oleosas. São os mais indicados para pessoas de pele oleosa ou com tendência à formação de cravos e espinhas.
-Não comedogênico: filtros que não obstruem os poros, evitando assim a formação de cravos. São também indicados para pessoas de pele oleosa e com tendência à formação de cravos e espinhas.


Cuidados adicionais

Para além da protecção obtida com a aplicação dos filtros solares,
é igualmente importante evitar a exposição ao sol entre as 10.00 e as 15.00 horas ,sendo o período de maior incidência de radiação ultravioleta.
É importante saber que perto de 50% da radiação solar pode atingir partes do corpo submersas na água,os dias nublados também emitem radiações com riscos de queimadura solar.Superfícies de vidro bloqueiam apenas a radiação UVB e parte da UVA.
Os idosos que utilizem filtros solares recebem radiações solar adequada no que diz respeito ao risco de Osteoporose.
Os guarda-sóis devem ser de tecido de algodão o mais compacto e forrado possível e não os que são confeccionados com nylon fino.
Os tecidos sintéticos oferecem maior protecção.A presença de tintas aumenta a protecção.


Sandra Cunha

Fontes: dermatologia.net,wikipédia
Saúde e família.Grande Enciclopédia Médica,volume7

Wyeth processa Mylan para impedir comercialização de genérico do Effexor XR

A farmacêutica Wyeth apresentou uma queixa na justiça norte-americana contra a Mylan por uma alegada infracção de patente. O objectivo é impedir a Mylan de comercializar um semelhante genérico do antidepressivo Effexor XR (Venlafaxina).

O medicamento é o mais bem sucedido da Wyeth, com vendas anuais que ascendem aos 2,69 mil milhões de euros, e o antidepressivo mais vendido a nível mundial, referem dados da IMS Health.

De acordo com o processo interposto pela Wyeth, a Mylan tê-la-á notificado de que iria submeter, junto da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration - FDA), uma aprovação para comercializar uma versão de um genérico do Effexor XR. A Mylan alega que a as patentes do medicamento são inválidas e que, por isso, não estarão a ser violadas pela sua tentativa de vender um semelhante genérico.

A Wyeth considera que há uma infracção da patente do produto e pede que o tribunal tome medidas para bloquear as tentativas da Mylan para vender versões copiadas, até que a patente expire, o que deverá acontecer em 2017.

Em 2006, a Wyeth chegou a um consenso com o laboratório israelita Teva Pharmaceutical num litígio referente a uma violação da patente do Effexor. Segundo o acordo, a Teva já iniciou as vendas dos genéricos de uma versão do Effexor, que compreende uma pequena porção do total das vendas do medicamento, porém, a fórmula de lançamento alargado só poderá ser comercializada a partir de Julho de 2010, embora a Teva possa colocá-lo mais cedo no mercado obedecendo a determinadas condições.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money

Erbitux não atinge objectivos no tratamento do cancro do pulmão

O Erbitux (cetuximab) é ineficaz no tratamento do cancro do pulmão, não tendo demonstrado benefícios na redução dos tumores, revelaram as conclusões de um ensaio clínico de Fase III. Por outro lado, algumas das finalidades secundárias do medicamento foram atingidas.

O fármaco, desenvolvido pela ImClone Systems e pela Bristol-Myers Squibb, não atingiu o objectivo principal quando administrado com conjunto com taxane e carboplatina, uma vez que não conseguiu atrasar o crescimento de tumores em doentes com carcinoma pulmonar de não pequenas células (CPNPC).

Porém, o comunicado divulgado pelas empresas refere que a substância cumpriu as metas secundárias propostas, entre as quais se incluem a taxa de resposta e a sobrevivência livre de progressão, cujos resultados foram “estatisticamente significativos”.

O estudo, realizado nos Estados Unidos da América e no Canadá, contou com a participação de 600 doentes e é apenas um entre vários ensaios clínicos que testam a eficácia do Erbitux no tratamento do cancro do pulmão. Os dados relativos à investigação mais abrangente que está actualmente a ser realizada, e que analisa a administração do Erbitux em associação com cisplatina e vinorelbina, não se encontram ainda disponíveis.

Em Abril, um ensaio clínico de fase III demonstrou que o medicamento também não conseguiu melhorar a sobrevivência geral dos doentes com cancro do pâncreas. Quando combinado com uma quimioterapia baseada em gemcitabina, a substância não prolongou a vida do doente para lá do que já era atingido pela quimioterapia isolada. O Erbitux, utilizado em Portugal, desde Junho de 2004, é indicado no tratamento de doentes com cancro colorectal metastático em associação com irinotecano. Em associação com radioterapia está indicado para o tratamento de doentes com carcinoma pavimentocelular da cabeça e pescoço, localmente avançado.

Marta Bilro

Fonte: StreetInsider.com, Market Watch, CNN Money, Infarmed.

Merck investe 726 milhões de euros em parceria com a Ariad

A Merck e a Ariad Pharmaceuticals estabeleceram um acordo de colaboração para desenvolverem e comercializarem em conjunto o AP23573, o novo medicamento da Ariad para o tratamento do cancro. A parceria deverá custar à farmacêutica alemã mais de 726 milhões de euros.

Num comunicado conjunto, as empresas referem que os ensaios clínicos de última fase para analisar a eficácia deste medicamento no tratamento de sarcomas metastáticos deverão iniciar-se até ao final de Setembro. Os sarcomas, tumores malignos de células derivadas da mesoderme, desenvolvem-se nos tecidos conectivos de suporte extra-esqueléticos, como é o caso dos músculos, tendões, tecidos sinoviais peri-articulares, gordura, endotélio dos vasos sanguíneos e canais linfáticos, e o mesotélio dos órgãos viscerais.

O AP23573 é um inibidor de pequenas moléculas da proteína mTOR, elemento chave na activação das células cancerígenas. Os termos do acordo prevêem que a norte-americana Ariad receba, de imediato, cerca de 54,5 milhões de euros e outros 328 milhões em pagamentos relativos ao cumprimento de objectivos de desenvolvimento. Caso o tratamento cumpra as metas de venda estabelecidas, a Ariad poderá ainda receber mis 145,2 milhões de euros adicionais, entre outros pagamentos, segundo refere o documento.

O bloqueio da proteína mTOR origina um efeito semelhante à sensação de fome nas células cancerígenas interferindo com o crescimento, divisão e metabolismo das mesmas. O inibidor recebeu as designações de produto de acção rápida e medicamento órfão atribuídas pela Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration - FDA), e de medicamento órfão pela Agência Europeia do Medicamento (EMEA) para o tratamento do sarcoma dos tecidos moles e do sarcoma dos ossos.

Marta Bilro

Fonte: Business Week, Bloomberg, Forbes.

Governo pretende distinguir as boas práticas hospitalares
Premiar desempenho na área do medicamento


O Estado anunciou a intenção de criar um prémio para assinalar o desempenho mais eficaz na área do medicamento hospitalar em Portugal. De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, o Governo aceitou a sugestão avançada pelo Grupo de Trabalho para o Programa do Medicamento Hospitalar, e a breve trecho porá em marcha a medida, que visa enaltecer as boas práticas no seio das unidades de saúde nacionais.

O governante, que falava aos jornalistas nos Hospitais Universitários de Coimbra, onde presidiu a uma apresentação do Programa do Medicamento Hospitalar em que participaram representantes de todos os hospitais do país, explicou que será atribuído anualmente à unidade hospitalar que demonstre merecê-lo, “um prémio de excelência”, que deverá abranger o universo dos hospitais públicos do país. O regulamento que orientará a escolha da entidade galardoada deverá, de acordo com Francisco Ramos, “traduzir uma filosofia de reconhecimento do mérito e das boas práticas” na gestão do medicamento.
O grupo de trabalho coordenado por Rui Crujeira defendeu a instituição de uma linha de financiamento integrada no orçamento do Serviço Nacional de Saúde, a fim de prestar formação aos recursos humanos e de promover a investigação no âmbito do Programa do Medicamento Hospitalar, acrescentando que a dotação orçamental poderia ainda viabilizar a realização de projectos de remodelação de instalações e de aquisição de equipamentos, tendo sempre em vista uma melhor gestão do medicamento nos hospitais públicos portugueses, materializando uma cultura que o secretário de Estado definiu como “uma cultura de meritocracia” e de “denúncia daqueles que têm práticas mais fracas”.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, Ministério da Saúde

Luminex e Exiqon assinam acordo de distribuição para produtos de MicroRNA

A Exiqon vai liderar a distribuição dos produtos FlexmiR enquanto as companhias continuam a desenvolver novas tecnologias de MicroRNA.

A Luminex Corporation, fornecedor líder de soluções multiplex, e a Exiqon A/S, líder no fornecimento de produtos de alta qualidade de análise da expressão de genes, anunciaram a realização de um acordo de distribuição para a linha de produtos FlexmiR, desenvolvida em conjunto pelas duas companhias em 2006. Segundo os termos do acordo, a Exiqon obteve os direitos não exclusivos para distribuir os actuais e os novos produtos FlexmiR e vender sistemas Luminex aos laboratórios por todo o mundo. Para além da assinatura deste novo acordo, as companhias lançaram mais dois produtos FlexmiR: o FlexmiR painel de extensão no rato/ratazana de MicroRNA e o FlexmiR aparelho de controlo de MicroRNA.

Em Dezembro de 2006, a Luminex e a Exiqon lançaram o FlexmiR, uma nova linha de produtos de microRNA que combinam a tecnologia xMAP flexível da Luminex e a tecnologia de Ácido Nucleico Bloqueado (LNA - Locked Nucleic Acid, em inglês) da Exiqon. A linha FlexmiR distribui mais dados em menos tempo do que outros testes e oferece a melhor especificidade na classe e um fluxo de trabalho altamente simplificado. O FlexmiR pode fornecer aos cientistas e investigadores mais de 6.300 dados em quatro horas.

O recentemente lançado FlexmiR painel de extensão no rato/ratazana de MicroRNA aumenta a linha de produtos FlexmiR disponíveis aos cientistas que trabalham com modelos animais de ratos ou ratazanas como pesquisa preliminar antes de passar para amostras humanas armazenadas. O novo FlexmiR aparelho de controlo de MicroRNA oferece aos investigadores a possibilidade de avaliar a integridade dos seus testes sem ideias pré-concebidas acerca da integridade das amostras. Ambos os produtos irão ajudar cientistas e investigadores a poupar tempo e recursos.

Segundo o presidente da Luminex, Patrick J. Balthrop, a linha de produtos FlexmiR que a Luminex co-produziu com a Exiqon tem demonstrado ser uma ferramenta abrangente, precisa e simples para a análise de microRNA, acrescentando que estão ansiosos por trabalhar ainda mais com a Exiqon para fornecer novas ferramentas aos cientistas e investigadores envolvidos em pesquisa de microRNA. Este acordo e os novos produtos, nos quais a empresa está a colaborar com a Exiqon, irão permitir à Luminex continuar a expandir a investigação nesta área vital e emergente de pesquisa.

O presidente da Exiqon, Lars Kongsbak, sublinhou que o FlexmiR é uma inovação importante na investigação de microRNA, caracterizado por ter uma especificidade e eficácia incomparáveis. Kongsbak acrescentou ainda que a empresa está encantada com o lançamento destas duas novas ofertas e por expandir a parceria com a Luminex. A capacidade de não só proporcionar produtos FlexmiR aos clientes, como também fornecer sistemas Luminex, irá permitir abranger uma base mais vasta de cientistas e investigadores.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire, www.luminexcorp.com

Análise ao sangue permite diagnóstico precoce da doença de Alzheimer

Um conjunto de proteínas presentes no sangue de algumas pessoas que as predispõe para desenvolverem a doença de Alzheimer poderá ser a chave para um exame sanguíneo que detecta precocemente sinais da doença. Cientistas britânicos acreditam que o teste poderá estar disponível dentro de cinco anos.

Antecipar o diagnóstico e melhorar os tratamentos são dois dos principais objectivos traçados pelos investigadores, que julgam estar perto de desenvolver um teste de análise ao sangue capaz de identificar sinais desta doença degenerativa. De acordo com os cientistas, os pacientes cujo resultado seja positivo relativamente à presença de determinadas proteínas, poderão corrigir a sua dieta e fazer mais exercício físico para diminuir as probabilidades de desenvolverem a doença.

A equipa de especialistas do King’s College, em Londres, responsável pela elaboração do estudo, afirma que os pacientes portadores da doença numa fase precoce demonstraram níveis elevados de duas proteínas no sangue. A investigação que deu origem a estas conclusões comparou os níveis de proteínas no sangue de mais de 500 portadores da doença com os de pessoas idosas saudáveis. A maior frustração das pessoas está relacionada com o facto de que “quando são diagnosticadas com Alzheimer, já é demasiado tarde para fazer alguma coisa acerca disso”, frisou Madhav Thambisetty, um dos cientistas envolvidos na pesquisa.

O principal desafio que se coloca à investigação reside em “descobrir o que pode causar a doença de Alzheimer e perceber se é possível identificá-la antes de se instalar e, dessa forma, proporcionar aos pacientes uma oportunidade de tratamento eficaz”, destaca Thambisetty. A grande meta, de acordo com o responsável, “é criar um teste sanguíneo simples que possa eventualmente ser administrado num centro de saúde”. Apesar das expectativas serem animadoras, os responsáveis sublinham que são ainda necessários ensaios clínicos rigorosos.

A doença de Alzheimer afecta uma em cada 10 pessoas com idade acima dos 65 anos. Os testes de diagnóstico actualmente disponíveis incluem exames ao cérebro, realizados em hospitais, ou punções lombares que se tornam dolorosas e comportam efeitos secundários. As fases iniciais da doença são muito difíceis de diagnosticar e apesar de “existirem centenas de medicamentos em desenvolvimento”, os custos “são muito elevados e quase proibitivos mesmo para as maiores empresas farmacêuticas”, afirmou Thambisetty. Este factor torna ainda mais aliciante a nova descoberta. “Um exame ao sangue não invasivo para diagnosticar a doença de Alzheimer teria uma importância enorme”, afirma Clive Ballard, director do departamento de investigação da “Alzheimer's Society”. Até porque, “o diagnóstico precoce permite que as pessoas com demência se preparem a si e às suas carreiras para o futuro”, acrescentou.

Marta Bilro

Fonte: Daily Mail, News Post India, Telegraph.com.uk.

Farmacêuticos nem sempre decifram correctamente a receita
“Letra de médico” pode ser fatal


Um estudo recente de um grupo de especialistas da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, aferiu que a chamada “letra de médico” (um tipo de escrita tradicionalmente pouco inteligível para o comum dos cidadãos que os profissionais usam na prescrição de medicamentos), aliada aos erros de transcrição e interpretação da intenção do clínico pelos farmacêuticos, são responsáveis por 61 por cento dos erros de medicação cometidos na rede de hospitais norte-americanos.

À luz do mesmo estudo, publicado no jornal «Health Services Research», os centros hospitalares que já estão dotados do sistema informático que permite a prescrição electrónica de medicamentos conseguiram uma diminuição de 66 por cento na prevalência daquele problema. Os autores da investigação acreditam que 25 por cento dos doentes hospitalares norte-americanos já foram, pelo menos uma vez, alvo de erros de medicação, que podem, em determinadas circunstâncias, produzir efeitos perniciosos bastante graves para os utentes dos serviços de saúde, já que são comuns os enganos em termos de substância, mas também a nível das quantidades administradas.
Em Portugal a prescrição electrónica está já numa fase relativamente avançada de implementação, sendo a indicação dos fármacos a ingerir feita com o recurso a um computador em grande parte das unidades hospitalares desde o início deste ano, quando aquele método de prescrição foi alargado a todo o Serviço Nacional de Saúde, composto por 89 hospitais e cerca de 360 centros de saúde e extensões locais dos mesmos.

Carla Teixeira
Fonte: Health Services Research
Projecto inovador de informação
Revista «FarmaSaúde» nas bancas em Janeiro

A Creativíssima, empresa especialista em marketing e comunicação nas áreas da Farmácia e da Saúde, vai editar, em Janeiro de 2008, o primeiro número da nova revista «FarmaSaúde», que pretende ser um guia informativo semestral sobre os serviços disponibilizados no sector a nível nacional.

Na sua primeira edição, a nova publicação será editada em nove distritos – Beja, Braga, Évora, Faro, Lisboa, Portalegre, Santarém, Setúbal e Viana do Castelo, mas a breve trecho, segundo a empresa editora, deverá estar também disponível nos restantes distritos do território continental e nas regiões autónomas. A revista assume como objectivo principal tornar-se “o veículo de comunicação, divulgação e informação entre farmácias e diversos agentes de saúde e os cidadãos”, tarefa que será sempre complementada pelo site http://www.farmasaude.pt/.
Chamando a si a virtude de ser o único meio no País a oferecer uma compilação de todas as farmácias de Portugal Continental e das Ilhas “de uma forma simples e fácil de consultar, onde também pode pesquisar-se as farmácias de serviço, os diferentes serviços de saúde e urgências e os contactos de aconselhamento e apoio aos utentes”, o projecto deverá ainda disponibilizar notícias e vários artigos de opinião relacionados com as temáticas que cobre.

Carla Teixeira
Fonte: Criativíssima

Cancro da mama: Mutação nos genes BRCA não aumenta risco de mortalidade

A mutação dos genes BRCA1 e BRCA2 que, de acordo com o conhecimento generalizado dos cientistas, predispõe a mulher ao aparecimento de cancro da mama, diminuindo-lhe a oportunidade de vida, está a ser contestada por uma recente descoberta. Um novo estudo demonstrou que a taxa de mortalidade devido ao cancro da mama entre as mulheres israelitas Ashkenazi, que eram portadoras de uma variação nesses genes, não é diferente das que não possuem essa mutação.

A investigação, divulgada no “New England Journal of Medicine” vem desafiar o conhecimento geral ao afirmar que a presença ou de uma variação nos genes BRCA1 ou BRCA2 não influencia a taxa de sobrevivência 10 anos mais tarde. Todas as mulheres são portadoras destes genes à nascença, no entanto, uma alteração hereditária na sua composição é responsável por 5 a 10 por cento dos cancros da mama. Esta condição faz também com que o risco de desenvolver a doença durante a vida seja 3 a 7 vezes mais elevada nas mulheres portadoras de uma mutação nos genes BRCA1 e BRCA2. Por norma, isto verifica-se numa em cada 450 mulheres.

Porém, no caso das mulheres Ashkenazi, as estatísticas são mais elevadas, com cerca de uma em cada 40 mulheres a serem portadoras de uma mutação genética hereditária nesses genes e a desenvolverem cancro. Este facto faz com que a probabilidades de terem uma mutação esteja 10 vezes acima do normal. A elevada concentração de mulheres Ashkenazi em Israel levou Gad Rennert, do Centro Nacional de Controlo de Cancro, em Haifa, a realizar um estudo em 22 hospitais locais.

Depois de recolhido o ADN de 71 por cento do total de 2.514 mulheres envolvidas no estudo, e os registos médicos de 86 por cento das participantes, os investigadores observaram que 10 por cento das amostras eram portadoras de uma mutação no gene BRCA1 ou BRCA2. Ao analisarem a taxa de risco de mortalidade, os cientistas não detectaram uma diferença significativa entre as portadoras de variações genéticas naqueles genes e as não portadoras. “As taxas de morte especificamente relacionadas com o cancro da mama nas mulheres israelitas são semelhantes entre as portadoras de uma mutação nos genes BRCA e as não portadoras”, concluem os especialistas.

Segundo Rennert, “A maioria [das portadoras de BRCA] que desenvolvem cancro da mama vão sobreviver à doença. Essa é uma mensagem importante para as mulheres e para os médicos”. Actualmente, calcula-se que uma em cada 10 mulheres irá desenvolver cancro da mama ao longo da sua vida. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o cancro da mama continua a ser a primeira causa de morte das mulheres entre os 35 e os 55 anos e a segunda entre as mulheres de todas as idades. Na Europa, quase 20 por cento de todas as mortes por causa oncológica são devidas ao cancro da mama.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, Medical News Today, Roche.

Em doentes com cancro da mama operável e HER2
Herceptin ajuda a aumentar sobrevivência


O uso combinado do Herceptin (trastuzumab) com a quimioterapia reduz em 34 por cento a mortalidade entre as mulheres com cancro da mama, contribuindo também para um aumento de 38 por cento da sobrevivência com cura. São dados positivos que resultam de uma revisão de cinco ensaios clínicos, e que foram apresentados em Lugano, na Suíça, no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica.

Segundo a investigadora Issa Dahabreh, da Universidade de Atenas, a revisão dos cinco ensaios clínicos permitiu aferir que a combinação do recurso à quimioterapia com a utilização do Herceptin vem melhorar a sobrevivência entre as mulheres com cancro da mama operável que tenham tido resultado positivo nos testes à presença do HER2, o proto-gene responsável pela produção de uma proteína que tem papel regulador nas células saudáveis, mas que permite, perante um erro aleatório, levar ao surgimento de um cancro.
Issa Dahabreh considera que “estes resultados confirmam que a administração do trastuzumab em associação com a quimioterapia deveria ser a opção de primeira linha no tratamento das mulheres com aquele tipo de carcinoma, designadamente nas que sofrem de doenças cardiovasculares”. Uma convicção que se alicerça nos resultados do acompanhamento de mais de 13 mil mulheres, apesar de em vários outros estudos realizados com aquele fármaco algumas pacientes terem sofrido sérios efeitos colaterais.

Carla Teixeira
Fonte: El pais, Herceptin.com, Roche
Terapias hormonais prejudicam mulheres mais velhas
Risco acrescido de problemas cardíacos

As mulheres mais velhas, que há muito entraram na menopausa, deverão evitar o recurso a terapias hormonais com vista a prevenir doenças do coração. De acordo com um estudo publicado no «British Medical Journal», esses tratamentos só são adequados para alívio dos primeiros sintomas da menopausa, em mulheres mais novas.

Um estudo internacional que incidiu no acompanhamento de mulheres mais velhas confirmou dados recentes que apontavam para um risco acrescido naquela faixa da população do recurso a terapias de substituição hormonal. Os especialistas referem que o início de tratamentos hormonais em mulheres que estejam já na casa dos 60 anos “não é aconselhável”. JoAnn Manson, médica responsável pelo departamento de Medicina Preventiva da Escola Médica de Harvard, em Boston, que fez parte do estudo, explicou que, nessa população, aquele tipo de tratamentos pode mesmo ser prejudicial à saúde.
A especialista falava à margem de uma conferência sobre terapias hormonais, que durante muito tempo colheram, junto da comunidade médica, a convicção de que poderiam ajudar a proteger as mulheres das doenças crónicas, especialmente as de índole cardíaca. No entanto, um estudo divulgado em 2002 veio lançar o alarme entre os cientistas, ao relacionar as doenças do coração com aquelas terapias, que nessa altura foram abandonadas por milhões de mulheres em todo o mundo. Este novo estudo atesta que esses riscos são mais pronunciados nas mulheres que dão início aos tratamentos mais tardiamente, baseando-se nos dados da análise de mais de cinco mil pacientes na Grã-Bretanha, na Austrália e na Nova Zelândia.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Reuters

Centros chineses de colheita de sangue vão ter vídeo vigilância

Depois de sucessivos escândalos, a China decretou a instalação de sistemas de vídeo vigilância em todos os centros de colheita de sangue do país, de forma a combater o mercado paralelo que a venda ilícita de sangue alimenta.

A ordem surge na sequência da prisão de seis pessoas, acusadas de aliciar, de forma ilegal, imigrantes a doar sangue, na província de Guangdong, no sul da China, e da ordem de encerramento de três clínicas, por falsificação dos registos de dadores.

O sistema de vídeo vigilância deverá estar pronto a funcionar em Outubro e é mais uma tentativa do governo chinês de reabilitar o mercado de sangue, que viu a sua credibilidade destruída na década de 90, com o escândalo da contaminação de milhares de pessoas com VIH/Sida, devido a transfusões com sangue não controlado e obtido de forma ilegal.

Mas os escândalos não reportam apenas à década de 90, pois em Junho deste ano, a autoridade chinesa de regulação alimentar e farmacológica, denunciou que em pelo menos 18 hospitais do Norte da China estava a ser utilizado plasma falso.

O governo chinês garante que vai estar alerta e que terá mão pesada para punir este tipo de corrupção, para que sirvam de exemplo, numa tentativa de limpar o nome da marca “made in China”.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

EFSA alerta para o potencial cancerígeno do corante E128

A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) tem-se mostrado preocupada com a utilização do corante E128, também conhecido como Encarnado 2G, em produtos alimentares, nomeadamente em salsichas e hambúrgueres, uma vez que testes de laboratório realizados em ratos, têm mostrado que existe potencial risco de cancro no consumo destes produtos.

O corante em causa tem sido autorizado na Europa para incorporação em salsichas e hamburgueres que tenham 4% a 6% de conteúdo em cereais ou vegetais, no entanto, os resultados dos testes levaram já o conselho de especialistas em aditivos que apoia tecnicamente a EFSA, a recomendar que o corante E128 não seja considerado seguro para consumo humano.

O corante E128 converte-se numa substância de consistência oleosa chamada anilina, durante o processo de digestão e assimilação. Durante os testes de laboratório, foi injectada anilina aos ratos, que acabaram por desenvolver tumores.

Os especialistas consideram que estes resultados não podem ser ignorados, pois mostram claramente o potencial carcinogénico da anilina.

A EFSA encontra-se neste momento a proceder à revisão e confirmação de provas sobre os riscos dos corantes alimentares e ontem foi a vez de o Parlamento Europeu aprovar, na generalidade, uma regulamentação que harmoniza e simplifica o recurso a aditivos pela indústria agro-alimentar, prevendo-se a reavaliação de cerca de 300 destas substâncias.

Inês de Matos

Fonte: Jornal de Noticias

Termómetros e aparelhos de medição arterial com mercúrio

Proibição europeia não deve afectar Portugal

Portugal está preparado para acatar a proibição da utilização de mercúrio em aparelhos de medição arterial e termómetros, decretada terça-feira pelo Parlamento Europeu (ver artigo Parlamento Europeu proíbe uso de mercúrio em termómetros), pois há muito que os serviços do Estado deixaram de usar estes equipamentos, optando por substitutos sem mercúrio, bem como os estabelecimentos farmacêuticos, que deixaram de comercializar estes aparelhos desde o inicio de 2006.

A proibição europeia deve-se ao facto de o mercúrio ser um metal muito tóxico, que pode representar sérios riscos para a saúde pública e para o meio ambiente, e deverá representar uma diminuição anual de 33 toneladas nas emissões de mercúrio, de acordo com a estimativa da Comissão Europeia.

O Estado português começou a substituir, de forma gradual, os aparelhos de medição arterial e termómetros, seguindo uma "orientação nacional de há muitos anos", motivada por uma directiva comunitária, em vigor no direito interno português desde 1999, disse à Lusa o presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, Mário Durval, pelo que a proibição agora decretada não deverá afectar significativamente o país.

No entanto, os novos aparelhos sem mercúrio têm sido alvo de criticas e desconfiança, sendo frequentemente posta em causa a sua fiabilidade e rigor, já que grande parte dos aparelhos à venda no mercado nacional não possui qualquer certificação, o que dificulta a sua calibração.

Se para Mário Durval, os aparelhos que surgiram para substituir o mercúrio são "fidedignos", para o presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), Luís Martins, são duvidosos, nomeadamente os digitais, que apresentam falhas ao nível da calibração.

Para este especialista, "os aparelhos de pulso não prestam para nada" porque "não têm nenhuma fiabilidade". Os aparelhos de melhor qualidade são os de medição da pressão arterial no braço, porque medem a pressão na artéria branquial, sobre a qual recai a ciência em torno destas medições, explicou. Apesar da desconfiança, o presidente da SPH acredita que no futuro a tecnologia vai resolver a falta de rigor dos novos aparelhos.

Para além da classe médica, as criticas têm surgido também por parte da população mais idosa, que receia os novos termómetros e aparelhos de medição da pressão arterial, de acordo com uma ronda feita por farmácias fora do distrito de Lisboa.

"É muito difícil que os idosos aceitem os novos termómetros digitais", contou à Lusa a farmacêutica Ana Maria Rico da Farmácia Central, em Coimbra, contrariamente às gerações mais novas, que preferem os termómetros e aparelhos de medição digitais, por permitirem uma medição mais rápida.

Também a farmacêutica Mariana Paisana da Farmácia Silveira, em Beja, confirma que "há muita resistência nas pessoas mais idosas", no entanto há cerca de dois anos que esta farmácia não tem à venda aparelhos com mercúrio.

As farmácias começaram a evitar a comercialização de aparelhos com mercúrio na sequência do pedido do Infarmed - Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento - emitido em Maio de 2002, que pedia para que fosse evitado o uso e aquisição de termómetros de mercúrio. De acordo com o porta-voz deste organismo, actualmente já não há farmácias que tenham para venda aparelhos com mercúrio.~

Inês de Matos

Fonte: Lusa, RTP

Reavaliação do NICE recomenda Alimta para tratamento do mesotelioma

O Alimta, da Eli Lilly & Co., deverá ser financiado pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido para uma forma de cancro do pulmão associado à exposição ao amianto.

Na sua avaliação final, o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica (NICE) do Reino Unido recomendou que o Alimta (pemetrexed), da Eli Lilly, deve estar disponível no Serviço Nacional de Saúde para determinados pacientes com mesotelioma. A decisão foi tomada após a farmacêutica ter contestado a resolução original de Junho de 2006, de não recomendar o produto para esta situação devido a ser dispendioso.

O director de implementação do NICE, Gillian Leng, explicou que a avaliação inicial das provas sugeria que estas eram insuficientes para demonstrar que o fármaco era melhor do que outros menos dispendiosos. Contudo, Leng acrescentou que, durante o processo de reavaliação, ficou claro um número de factores significativos, o que, tomado em consideração, permitiu que o comité de avaliação independente recomendasse o Alimta como opção de tratamento para a maioria dos pacientes com mesotelioma.

Nas indicações revistas, o NICE recomenda que o Alimta fique disponível para pacientes com mesotelioma pleural maligno que conseguem executar as tarefas diárias, mas cujo cancro está avançado e para os quais a cirurgia não é considerada apropriada. O NICE não recomenda o Alimta para pacientes que estão demasiado doentes para tolerar quimioterapia adicional ao tratamento. As recomendações finais são esperadas para Setembro.

O director-geral da Lilly UK, Andrew Hotchkiss, acrescentou que a avaliação revista mostra que o NICE reconheceu os benefícios que o Alimta pode oferecer em termos de sobrevivência e qualidade de vida. A decisão significa que a maioria das pessoas com mesotelioma poderão agora obter pemetrexed através do Serviço Nacional de Saúde. Um tratamento com o fármaco custa em média 8.000 libras por paciente, quando combinado com o agente de quimioterapia cisplatina. A farmacêutica prevê que o Serviço Nacional de Saúde gaste entre 3,4 milhões e 5,7 milhões de libras por ano com o Alimta.

Mais informações relativas ao Alimta e suas aplicações podem ser consultadas no farmacia.com.pt, no artigo “ALIMTA® útil no tratamento do cancro do pulmão”, publicado no dia 03 de Junho.

Isabel Marques

Fontes: FirstWord, Bloomberg, BBC News