Segundo Ivo Martins, antes deste trabalho, que foi publicado na “The EMBO Journal”, as placas eram vistas como relativamente inofensivas, como a última etapa da doença, mas os investigadores descobriram que, na realidade, são “bombas-relógio” prontas a serem despoletadas ao interagirem com lípidos.
Até ao momento, pensava-se que as fibrilas, e as placas provocadas por estas, eram estáveis e que, uma vez formadas, não podiam transformar-se noutra estrutura. Os investigadores demonstraram que determinados lípidos, que aparecem no cérebro, podem desestabilizar as fibrilas e, por consequência, as placas típicas da Doença de Alzheimer. A acumulação da proteína beta-amilóide é responsável pela formação de placas que provocam a destruição de neurónios.
A investigação demonstrou ainda que são os componentes solúveis que provocam a morte dos neurónios, e não as placas insolúveis. Estes resultados identificam estes componentes solúveis protofibrilares como novos alvos para abordar a doença, e alertam ainda para o facto das placas insolúveis serem reservatórios de toxicidade que podem ser controlados.
A descoberta possibilita a criação novos métodos de combate a esta doença, especialmente no que diz respeito ao controlo do metabolismo lipídico e à neutralização da formação e toxicidade das protofibrilas.
Segundo o estudo, os distúrbios no metabolismo lipídico do doente têm o potencial para influenciar o desenvolvimento da doença, e pode ser a razão pela qual, muitas vezes, a extensão das placas insolúveis no cérebro de doentes com Alzheimer não corresponde à gravidade da doença.
O investigador Ivo Martins declarou que a equipa já está a trabalhar no próximo passo, isto é, na produção de novos fármacos e/ou anticorpos capazes de controlar as fibrilas neurotóxicas.
Isabel Marques
Fontes: Diário Digital, Público




