quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Fumar provoca danos genéticos irreversíveis

Ex-fumadores mantêm risco de sofrer cancro do pulmão

O consumo de tabaco provoca danos irreversíveis mesmo naqueles que abandonaram o hábito de fumar. Um estudo canadiano demonstra que, após a cessação tabágica, há alguns genes que nunca mais voltam a funcionar correctamente. Os investigadores afirmam, por isso, que os ex-fumadores mantêm um risco de sofrer cancro do pulmão relativamente às pessoas que nunca fumaram.

Desenvolvido por uma equipa de cientistas do British Columbia Cancer Research, o estudo analisou amostras de células de tecidos do pulmão de oito fumadores, doze ex-fumadores e de quatro pessoas que nunca fumaram. O objectivo era identificar determinados genes e perceber se a expressão dos mesmos sofria alterações ao longo do tempo, entre os vários participantes da investigação, e após a cessação tabágica.

Os resultados demonstraram que a expressão de alguns dos genes era reversível depois do indivíduo deixar de fumar, mas noutros as alterações causadas pelo fumo do tabaco permanecem mesmo alguns anos depois do abandono do hábito de fumar.

De acordo com os autores da investigação, publicada no jornal científico BMC Genomics, “os níveis de expressão de alguns dos genes relacionados com o fumo do tabaco voltaram a níveis semelhantes aos das pessoas que nunca fumaram após a cessação tabágica, enquanto que, a expressão de outros parece estar permanentemente alterada apesar da longa cessação”.

Entre os genes analisados, “as expressões aumentadas do TFF3, CABYR e ENTPD8 descobriram-se ser reversíveis após a cessação tabágica”, sendo que “a expressão do GSK3B que regula a expressão do COX2 foi irreversivelmente diminuída”, e a “expressão do MUC5AC foi apenas parcialmente reversível”, referem os responsáveis.

Apesar da cessação tabágica, “estas alterações irreversíveis podem contribuir para o risco persistente do cancro do pulmão”, sublinham os cientistas. No entanto, o facto dos riscos de desenvolvimento de cancro no pulmão não desaparecerem por completo nos ex-fumadores, este não deve ser um motivo para que se desista de deixar de fumar, até porque, só por si, essa atitude já diminui significativamente o risco de desenvolvimento de cancro no pulmão comparativamente com os fumadores activos.

Marta Bilro

Fonte: TV Ciência.

Cirurgia abdominal pode eliminar diabetes, diz estudo

A cirurgia abdominal, utilizada no tratamento da obesidade, pode também ser benéfica na eliminação da diabetes, revela um estudo publicado na revista britânica "New Scientist".

A equipa de cientistas brasileiros, italianos e franceses observou que, em 98 por cento dos diabéticos submetidos a uma cirurgia abdominal, a diabetes dissipava-se rapidamente, algo que não poderia ter acontecido unicamente devido à perda de peso.

Para proceder à realização do estudo, a equipa de investigadores realizou um desvio gástrico em sete pessoas com diabetes tipo 2, e cujo peso se encontrava entre o normal e o moderadamente obeso. Nove meses depois da cirurgia, os dois primeiros pacientes sujeitos à intervenção deixaram de receber medicação contra a diabetes, dado que, em apenas um mês, os níveis de açúcar no sangue e insulina apresentaram uma redução drástica.

Durante uma cirurgia abdominal é removido o duodeno, parte superior do intestino delgado. O orientador do estudo, Francesco Rubino, da Universidade Católica de Roma, especula que o duodeno poderia ser a causa da resistência à insulina, responsável pela diabetes. A confirmarem-se estas suspeitas, a solução pode estar na realização de um "desvio" gástrico, que elimine a resistência à insulina e restabeleça o balanço normal entre os níveis de insulina e de açúcar.

A descoberta é significativamente importante face ao célere avanço da doença nos países desenvolvidos. A diabetes tipo 2 é a mais frequente, sendo representativa de 90 por cento dos casos. Estima-se que, em Portugal, existam entre 250 mil a 500 mil diabéticos, muitos deles, ainda por diagnosticar.

Marta Bilro

Fonte: Último Segundo, Saúde na Internet, Portal da Saúde.

CE aprova nova fórmula de Rebif

A Merck Serono, unidade da farmacêutica alemã Merck KGaA, recebeu aprovação da Comissão Europeia para comercializar uma nova fórmula do Rebif (Interferão beta-1a), um medicamento utilizado no tratamento da esclerose múltipla recidivante.

A nova fórmula do medicamento, que deve ser lançada no próximo mês, foi desenvolvida para aumentar os benefícios do tratamento e pensada para melhorar a tolerabilidade da terapia quando injectada, refere a Merck num comunicado emitido esta quinta-feira (30 de Agosto).

A aprovação europeia é “um passo importante” nos esforços da empresa para “continuar a fornecer soluções terapêuticas melhoradas aos doentes com esclerose múltipla”, afirmou o chefe de operações europeias da empresa, Roberto Gradnik, numa nota a que o Farmacia.com.pt teve acesso.

De acordo com a Merck, a autorização de comercialização aplica-se a todos os 27 países da União Europeia, bem como à Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Marta Bilro

Fonte: Merck, Forbes, Reuters.

Dona Estefânia promove 1asJ ornadas de Neuro-Genética

O Hospital de Dona Estefânia (HDE) promove, nos dias 21 e 22 de Setembro, as 1asJ ornadas de Neuro-Genética. O evento vai centrar-se na abordagem de alguns aspectos organizacionais relacionados com a temática principal e as consultas de neurogenética, não esquecendo as doenças raras, assunto que estará em discussão no final do primeiro dia de jornadas.

O evento, que terá lugar na sala de conferências do HDE, prevê a realização de vários debates com a participação de especialistas. No primeiro painel de discussão, subordinado ao tema dos aspectos organizacionais da neurogenética, têm lugar três exposições temáticas que abordam a “Estruturação dos Serviços de Genética Médica”, os “Custos/ benefícios dos testes genéticos” e a “Uniformização dos testes genéticos-perspectiva do Geneticista”.

Para analisar as “Doenças Genéticas no período pré-natal” vão estar reunidas a geneticista clínica Maria de Jesus Feijó, a cardiologista pediátrica Graça Nogueira e o citogeneticista Sérgio Castedo, num debate moderado por Maximina Pinto, Eufémia Ribeiro e Ivone Dias. Clara Barbot e Leonor Bastos participarão num debate sobre “Ataxias hereditárias: aspectos neurológicos na criança”. Ainda no primeiro dia deverão ser discutidos os aspectos genéticos, clínicos e neurológicos associados à doença de Huntington, sessão que termina com uma exposição de Margarida Reis Lima sobre a “ORPHANET Portugal - Base de Dados de Doenças Raras – divulgar e estimular o seu uso na prática clínica”.

Para o último dia foi reservado o debate sobre “Genética e Epilepsia”, com uma exposição oral de Ana Isabel Dias sobre a “Clínica das epilepsias geneticamente determinadas”; de Conceição Robalo e Lina Ramos sobre o “Diagnóstico genético das epilepsias: o estado da arte”; e de José Pedro Vieira sobre “Epilepsia: abordagem terapêutica baseada na Genética”.

As “Malformações do SNC (Brain malformations)” são o tema que encerra estas jornadas, com debates sobre “Clínica e diagnóstico molecular”, “Diagnóstico ecográfico prenatal” e “Diagnóstico neuroradiológico”. Os interessados em participar podem entrar em contacto com Serviço Genética do Hospital D. Estefânia, através do e-mail jneurogenetica@gmail.com.

Marta Bilro

Fonte: e-mail do Farmacia-press, Raríssimas.

Pretensão da farmacêutica derrotada em tribunal
Roche proibida de publicitar o Xenical


Um tribunal australiano deu razão a um grupo de especialistas que em Fevereiro tinha votado a favor da interdição da campanha publicitária ao medicamento Xenical (orlistat), fabricado e comercializado pela Roche, e proibiu a companhia farmacêutica suíça de fazer publicidade àquele fármaco. Em causa está o apelo que os anúncios teriam sobre os mais jovens, que os peritos consideraram inadequado, mas a polémica em torno do fármaco é bem mais antiga, e tem a ver com efeitos secundários muito sérios.

Inicialmente os especialistas tinham defendido publicamente a não comercialização do medicamento pelas farmácias, apesar de o Xenical estar devidamente autorizado pelas autoridades locais do sector. Considerando que os adolescentes seriam o alvo principal da campanha (em Portugal não está em marcha qualquer tipo de estratégia publicitária a este produto), os peritos defenderam o fim da publicidade ao medicamento, tendo a Roche interposto um recurso, por entender que o corte atentava contra o interesse público na área da saúde. O tribunal indeferiu o pedido, e ainda condenou a empresa a pagar as despesas jurídicas do comité de especialistas.
O Xenical surgiu no mercado farmacêutico mundial na década de 1990 e foi “aclamado” como uma panaceia para o tratamento da obesidade, tais eram as esperanças que nele se depositavam. O modo de agir diferente do da maioria dos inibidores de apetite – por não mexer com o sistema nervoso nem causar habituação e dependência – terá sido a sua grande mais-valia, sabendo-se que o medicamento foi submetido a rigorosos testes até ter sido aprovado na Europa e nos Estados Unidos, e que a sua utilização depende de prescrição médica. Um artigo publicado na revista científica «Lancet» relatou então os efeitos positivos do fármaco em pessoas que tinham tomado três cápsulas diárias de 120mg, em associação com uma dieta de baixas calorias, e que tinham perdido 70 por cento do peso excessivo anterior ao início da toma do Xenical, conseguindo manter o peso até dois anos depois de terem interrompido o tratamento.


No entanto, nem tudo são rosas na história do orlistat, e entre os efeitos secundários de maior relevância relatados por doentes que o consumiram constam quebras no sistema imunitário, eczema, urticária crónica, alergia a determinados alimentos, cosméticos e champôs (que antes do tratamento tinham sido consumidos sem problemas), comichão, vermelhidão na pele, elevada pressão sanguínea e palpitações. Carita Ovelius (na foto) ficou conhecida por ter vindo a público divulgar os problemas que o Xenical lhe causou, e que persistiam, segundo disse na altura, mesmo depois de volvidos dois anos sobre o fim da administração do fármaco.
Antes de iniciar o tratamento, a utente entrou em contacto com a agência reguladora do sector do medicamento na Suíça, que lhe garantiu que os efeitos adversos do Xenical só surgiriam se ela consumisse alimentos muito gordos. Actualmente a Roche admite que “raros” efeitos secundários, como prurido, reacções cutâneas, urticária e edema poderão surgir. Carita avisa que não serão assim tão raros os efeitos negativos do medicamento, e deixa que as suas imagens circulem na internet, exactamente para o provar...

Carla Teixeira
Fonte: InvestNews, Editora Saraiva, Drugs.com, SecondOpinion.co.uk
Estudo indicia relação de causalidade...
Remoção de ovários ligada a doenças neurológicas


As mulheres a quem foram removidos os ovários antes da menopausa correm maior risco de desenvolver problemas de memória, demência e dificuldades de movimento como o parkinsonismo, revelam dois estudos publicados no jornal da academia norte-americana de Neurologia.

Depois de seguirem mulheres durante 30 anos e realizado perto de três mil entrevistas no maior estudo do género até agora, investigadores da Clínica Mayo, em Rochester, no Minnesota, verificaram que as mulheres sujeitas à remoção de um ou dois ovários antes da menopausa por razões não relacionadas com cancro enfrentam maior risco de a longo termo terem problemas cognitivos ou demência, se comparadas com as mulheres que mais tardiamente foram submetidas à remoção dos ovários. Porém, salienta o estudo, as mulheres que, apesar de terem retirado ambos os ovários, são tratadas com estrogénio até pelo menos aos 50 anos não viram esse risco aumentado.
A investigação ajuda a clarificar o papel do estrogénio na saúde antes da idade natural da menopausa e a sua “habilidade” para proteger o funcionamento do cérebro. “É possível que o estrogénio tenha efeito protector no cérebro, e que a sua falta devido à remoção dos ovários possa aumentar o risco de problemas de memória”, disse Walter Rocca, neurologista da Clínica Mayo, autor principal do estudo. Muitas das participantes foram também incluídas num estudo mais vasto que descobriu que as mulheres que tiveram um ou mais ovários removidos antes da menopausa tinham duas vezes mais hipóteses de desenvolver parkinsonismo, síndroma que envolve tremor, rigidez muscular e lentidão de movimentos. O risco do parkinsonismo aumenta com a remoção precoce dos ovários.
Em declarações ao «Expresso», o director do Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria, e também professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, disse que os resultados do estudo norte-americano agora divulgado, aconselham “prudência” no que diz respeito à remoção dos ovários no período anterior à menopausa, tendo justamente em conta a ideia de que essa remoção poderá desencadear problemas neurológicos graves. De acordo com José Ferro, esta investigação chegou ainda à conclusão de que as pacientes que, depois da cirurgia extractiva, e antes dos 50 anos, receberam tratamentos farmacológicos à base de estrogénio revelaram menor propensão para o surgimento de doenças do foro neurológico em fases posteriores da sua vida. Aquele médico do Hospital Santa Maria considera que “nas mulheres em idade fértil o estrogénio tem efeito neuroprotector”.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, «Expresso»

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

França contesta qualidade dos produtos alimentares chineses

O prestigiado jornal francês Le Monde publicou hoje um estudo da revista L'Expansion, onde são postos em causa diversos produtos de origem chinesa. A par dos brinquedos, pastas de dentes, comida para cães e gatos nos Estados Unidos e produtos com ervas medicinais no Canadá, é agora a vez dos produtos alimentares importados da China serem rotulados como perigosos para a saúde dos consumidores.

Na origem do alerta estão os corantes proibidos encontrados em molhos e bolos de arroz, os fungos cancerígenos descobertos em frutos secos, os resíduos de antibióticos detectados em frascos de mel e os vestígios de mercúrio em enguias, além das massas com componentes geneticamente modificados. No entanto, o risco ultrapassa os próprios alimentos, pois também os utensílios de cozinha provenientes da China são contestados por alegadamente conterem vestígios de níquel, de manganês ou de crómio susceptíveis de contaminar os alimentos.

De acordo com Gilles Martin, proprietário do laboratório Eurofins, a funcionar na China, neste pais existe uma "inacreditável falta de formação e de educação sobre os perigos de contaminação e sobre as boas práticas a adoptar para garantir a segurança dos consumidores".

A par da falta de formação, a falsificação de produtos alimentares na China é outro dos problemas apontados pelo estudo, uma vez que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que "em dois milhões de produtos alimentares contrafeitos registados em 2006, entre 16 e 20 por cento” eram oriundos daquele pais.

Em 2006, os produtos alimentares importados da China foram objecto de um número recorde de alertas em solo europeu, tendo-se registado 263 notificações relativas a produtos retirados do mercado ou bloqueados nas alfândegas. Desde o inicio do ano, foram já contabilizadas 209 ocorrências, dai que se preveja um agravamento da situação, que até ao final de 2007 deverá atingir um novo recorde.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Novo surto de febre hemorrágica matou já mais de cem pessoas no Congo

Em Mweka, uma área remota da República Democrática do Congo, registaram-se já mais de cem mortes por febre hemorrágica, causada por um vírus que ataca o sistema nervoso central, dando origem a hemorragias dos olhos, ouvidos e outras partes do corpo.

Nesta região africana, os familiares têm por tradição lavar os cadáveres, o que na opinião de Jean-Constatin Kanow, inspector de saúde da província, terá levado à contaminação de mais de 217 pessoas, das quais 103 morreram (cem adultos e três crianças). As mortes começaram a acontecer depois dos funerais de dois chefes de aldeia, vitimando alguns dos acompanhantes desses funerais.

A República Democrática do Congo tem já um largo historial de surtos de febres hemorrágicas, responsáveis por milhares de vitimas mortais, como sucedeu aquando dos surtos de Ébola e de Marburgo.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Amgen vence batalha judicial contra a Roche

Farmacêutica suíça não desiste de lançar Mircera nos EUA

A justiça norte-americana deu razão à Amgen ao deliberar que um produto rival da farmacêutica suíça Roche infringe a patente de um medicamento do grupo, destinado ao tratamento da anemia. Ainda assim, a Roche mantém-se firme face à decisão e não desiste de lançar o fármaco naquele mercado.

De acordo com a sentença, o Mircera (Metoxi polietilenoglicol-epoetina beta), produzido pela Roche, infringe a patente número 5,955,422 do composto farmacêutico detida pela Amgen. No entanto, a Roche continua decidida a comercializar o medicamento, algo que deverá acontecer logo que seja emitida uma aprovação por parte da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA).

O laboratório suíço reafirma que a actuação do Mircera tem uma duração mais prolongada do que outros fármacos para a anemia e que a substância não viola qualquer patente. Por sua vez, a Amgen diz ter provas convincentes de que o fármaco infringe seis das patentes da empresa e não apresenta quaisquer benefícios que superem os do Epogen (Darbepoetina) e do Aranesp (Darbepoetina alfa).

Conforme noticiou o Farmacia.com.pt, num artigo publicado no dia 27 de Julho, o Mircera foi aprovado pela Comissão Europeia no final do mês de Julho no tratamento da anemia associada à doença renal crónica.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, CNN Money, Farmacia.com.pt.

Identificado papel-cheve de gene da metástase do cancro colo-rectal

Investigadores israelitas descobriram o papel-chave desempenhado por um determinado gene na metástase do cancro colo-rectal, aquele que é um dos tipos de cancro mais comuns no mundo ocidental e a segunda causa de morte mais frequente.

A maioria dos casos de cancro colo-rectal tem inicio em alterações numa proteína-chave, denominada beta-catenin, cuja função é entrar no núcleo das células e activar a expressão de um gene. Porém, ao acumular-se em excesso nas células, acaba por activar os genes inapropriadamente, conduzindo ao cancro. Avri Ben-Ze´ev e Nancy Gavert, do Departamento de Biologia Molecular e Celular do Weizmann Institute, em Rehovot, Israel, e os principais autores do estudo, revelam os resultados da investigação num artigo publicado no jornal “Cancer Research”.

Conforme explicam os investigadores, um dos genes activado pela beta-catenin - que já tinha sido previamente identificado pela equipa de Ben-Ze´ev como presente no cancro colo-rectal - codifica um receptor chamado L1-CAM. Este receptor é uma proteína usualmente encontrada nas células nervosas, desempenhando o papel de reconhecimento e mobilidade das mesmas.

Em pesquisas anteriores, Ben-Ze´ev tinha já observado que o gene L1-CAM poderia ter um papel importante na metástase, uma vez que aparece expresso em determinadas células situadas na frente invasiva do tecido do tumor. A nova investigação revelou que as células do cancro colo-rectal concebidas para expressar o gene L1-CAM se espalharam até ao fígado, o que não aconteceu com as células às quais faltava o L1-CAM.

Foi então que os cientistas resolveram comprar a expressão dos genes induzidos pelo L1-CAM em células cancerosas de 170 amostras de cancro colo-rectal (removido de pacientes) e em 40 amostras de tecido do cólon normal. Dos cerca de 160 genes induzidos pelo L1-CAM, perto de 60 estavam expressos no tecido canceroso, mas não no tecido normal. Ben-Ze´ev tem planos para conduzir mais pesquisas sobre a função destes genes.

Dados da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva indicam que em Portugal, morrem por ano cerca de 3000 indivíduos com cancro colo-rectal. Na Europa surgem, anualmente, 300 mil novos casos, 50 por cento dos quais morrerão em cinco anos.

A alimentação pobre em vegetais, legumes, frutas e cereais, consumo excessivo de gorduras, obesidade, sedentarismo, presença de pólipos (pequenas massas de tecido) no intestino grosso e casos de doença em familiares próximos são apontados como os principais factores que contribuem para o aparecimento da doença, que tende a surgir maioritariamente depois dos 50 anos de idade.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva.

Brasil desiste da venda obrigatória em unidose

Caíram por terra as tentativas do governo brasileiro para colocar no mercado medicamentos fraccionados. As autoridades do país pretendiam forçar a indústria farmacêutica a comercializar fármacos em unidose, porém, a pressão do sector no Congresso está a limitar essa possibilidade.

O projecto de lei do Ministério da Saúde brasileiro foi eliminado, no final de 2006, durante uma comissão da Câmara, tendo sido substituído por um documento que tornaria facultativa a venda em unidose. Apesar das críticas das associações de defesa do consumidor, o novo texto, que torna opcional a venda fraccionada, deverá ser votado esta quarta-feira (29 de Agosto) e tudo indica que seja aprovado.

O Ministério da Saúde foi obrigado a adoptar uma solução intermédia depois de ter concluído que não conseguiria vencer o lobby farmacêutico. Assim, o Governo desistiu do fraccionamento obrigatório com a condição de que as empresas colocassem no mercado um mesmo medicamento com embalagens de diversas quantidades de comprimidos. Esta foi a forma encontrada para sair “do impasse”, considera José Miguel do Nascimento Jr., coordenador de Assistência Farmacêutica Básica.

De acordo com o mesmo responsável, o Ministério da Saúde reuniu com vários deputados da Comissão de Desenvolvimento Económico para expor sua nova proposta.

Em Portugal, o primeiro-ministro José Sócrates anunciou, no Parlamento, no inicio de 2006, a intenção de implementar a distribuição de medicamentos em unidose, medida que continua por cumprir.

Marta Bilro

Fonte: Estadao.co.br, Farmacia.com.pt.

Organização de farmacêuticos lança guia de boas práticas para indústria biotecnológica

A chegada ao mercado de medicamentos biotecnológicos genéricos parece estar cada vez mais iminente. Entre as revisões da legislação e o término da protecção de algumas patentes, o tempo é cada vez mais escasso. Tendo em vista algumas dessas questões e a crescente tensão entre os produtores de medicamentos de marca e os de genéricos, a Sociedade Internacional de Engenheiros Farmacêuticos (ISPE) publicou um guia de boas práticas para o sector.

De acordo com os responsáveis da ISPE, o guia “vai ter em conta os assuntos mais importantes com que se depara uma empresa biofarmacêutica no transporte de produtos de terapia biológica do laboratório para os ensaios clínicos e além disso”. A publicação engloba um largo espectro de áreas no sector da produção biofarmacêutica, incluindo o processo de desenvolvimento dos produtos, a produção, a cadeia de gestão investigacional de fornecimento de produtos, o controlo e garantias de qualidade e os requisitos de regulação globais.

O documento centra-se, principalmente, na gestão e planeamento de projectos; estudos de relação e compatibilidade, processo de desenvolvimento dos compostos farmacêuticos activos, medicamentos, produtos e placebos; produção pré-clínica, clínica e fases comerciais dos produtos; processo de validação, gestão da cadeia de fornecimento, controlo de qualidade/considerações de requisitos de qualidade, refere o ISPE.

Foram também tidas em conta durante a elaboração deste guia todas as indicações e regulamentações dos Estados Unidos da América, União Europeia, Canadá, Japão, e da Conferência Internacional de Harmonização (ICH), afirmaram os responsáveis. Há, no entanto, algumas exclusões, é o caso das terapias celulares e de genes.

O guia, intitulado “Desenvolvimento dos Produtos de Terapia Biológica Investigacional”, surge numa altura em que o mercado se movimenta a passos largos, com previsões que indicam que os biológicos podem vir a representar 60 por cento das receitas das empresas farmacêuticas já em 2010. Actualmente, o mercado está já avaliado em mais de 41 mil milhões de euros.

“Com o aumento do número de produtos biológicos a serem aprovados no mercado global, colocam-se novos desafios a muitas empresas farmacêuticas, especialmente durante o processo crítico das fases de desenvolvimento e produção dos produtos”, salienta o ISPE.

Marta Bilro

Fonte: Us-Pharmatechnologist.com

Uma aposta na segurança dos medicamentos

Indústria quer prever falhas de toxicidade no início do processo de desenvolvimento

A segurança dos medicamentos tem sido, desde sempre, uma questão chave na investigação. Porém, desde que, em 2004, a Merck foi forçada a retirar do mercado o anti-inflamatório Vioxx, por se ter verificado que o fármaco aumentava o risco de acidentes cardiovasculares, o tema está frequentemente debaixo da atenção pública.

Os erros do passado parecem ter funcionado como um caderno de falhas a não repetir e contribuíram para que as farmacêuticas melhorassem a sua capacidade para prever antecipadamente, a toxicidade de uma substância durante o processo de desenvolvimento.

Dimitri Mikhailov, responsável pela equipa norte-americana de software de informática para pesquisa e descoberta de novos medicamentos, no Instituto para Investigação Biomédica da Novartis, explicou como é que a empresa organiza o processo que lhe permite prever a segurança dos candidatos a fármacos.

Embora estejam comercialmente disponíveis diversas ferramentas de previsão da toxicidade que se têm revelado uma boa base para a pesquisa, elas não incluem conhecimento científico interno, explicou Mikhailov numa conferência recente sobre Descoberta e Desenvolvimento de Terapias inovadoras, em Boston, nos Estados Unidos da América.

Há um rol infinito de razões que podem justificam os problemas de segurança de um medicamento. Entre elas estão factores como as propriedades das moléculas (absorção, distribuição, metabolismo e excreção); o género das espécies e o fenótipo; o estado da doença, o estilo de vida e a idade; a interacção com outros medicamentos; e também a toxicidade idiossincrática.

Em 2003, a Novartis começou a desenvolver o ToxCheck, o seu próprio programa computacional para ajudar a prever alguns destes problemas. Esta é uma ferramenta que fornece dados excelentes mas que se tornam inúteis nas mãos dos utilizadores não especializados, visto que, estes não sabem interpretar as informações obtidas. Nesse sentido, referiu Mikhailov, o principal objectivo é garantir que os investigadores da Novartis consigam utilizar esses resultados.

“A segurança clínica e a toxicologia representam cerca de 30 por cento das falhas no desenvolvimento de medicamentos, isto porque, apesar dos modelos de toxicidade serem frequentemente fáceis de utilizar, podem ser difíceis de interpretar”, salientou o mesmo responsável.

A empresa dedicou-se então ao desenvolvimento de um programa capaz de ser acedido a partir de qualquer ambiente de trabalho de um computador, fácil de interpretar, rápido e interactivo. Algo que poderia representar uma parte fundamental na decisão do processo de produção a todos os níveis. Através da utilização de dados públicos e internos acerca de milhares de compostos, a farmacêutica suíça desenvolveu um sistema que consegue correlacionar a estrutura de um composto com as potenciais propriedades tóxicas, como a cardiotoxicidade e a genotoxicidade. A informação foi posteriormente utilizada para desenvolver alertas baseados em perto de 160 substruturas de moléculas que a Novartis acredita serem capazes de provocar problemas ao nível da segurança dos medicamentos.

Ainda assim, esta parecia não ser a solução perfeita para o problema. A empresa começou, por isso, a proceder a uma actualização do software. Foram criados e introduzidos, em modelos computacionais, um índice de reacções adversas e dados sobre o perfil in vitro, de acordo com as propriedades químicas já mencionadas. Estes estão agora a ser utilizados para prever efeitos secundários e combinações não detectadas.

Conforme explicou Mikhailov, relacionando as previsões com as características estruturais, mesmo que uma molécula esteja identificada por um alerta tóxico, há a hipótese dos cientistas da Novartis conseguirem alterar essa parte da molécula e resolver o problema, ao mesmo tempo que é mantido o potencial terapêutico.

Com as preocupações de segurança a crescerem de dia para dia, o sector aumenta a procura para assegurar aos consumidores que tudo está a ser feito para assegurar que os medicamentos são seguros quando chegam ao mercado. Para além disso, é urgente começar a reduzir os custos com as substâncias falhadas, especialmente em fase final de desenvolvimento. Uma das melhores formas de o fazer passa por aperfeiçoar a capacidade dos cientistas para antecipar os problemas o mais cedo possível. Associar a ultima tecnologia informática à experiencia científica permite que isto aconteça durante a fase de optimização, antes do fármaco ser testado em animais ou humanos.

Marta Bilro

Fonte: In-Pharmatechnologist.com.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

REPORTAGEM

As intenções por detrás dos nomes dos medicamentos…
Escolha aleatória ou efeito placebo?


A escolha da designação comercial dos medicamentos não é inocente. Há diversas regras por que se rege o processo de escolha do nome a dar a cada novo fármaco, que poderá levantar questões éticas importantes. Uma equipa de investigadores de vários organismos ibéricos estudou o assunto, analisando os nomes comerciais das substâncias disponíveis no mercado farmacêutico português, e concluiu que grande parte tem nomes que evocam algum tipo de sugestão ou uma informação assertiva, quer para os profissionais de saúde, quer para os doentes.

Aspirina, Ben-u-ron, Brufen ou Aspegic são alguns exemplos de nomes comerciais de medicamentos com que todos os cidadãos estão mais ou menos familiarizados. São fáceis de dizer e de memorizar, e normalmente “circulam” nas conversas entre amigos sempre que surge um daqueles episódios de pedidos de aconselhamento e de automedicação, tão comuns em Portugal. Há, porém, muitos outros fármacos de designação simplesmente impronunciável para a maioria dos cidadãos, que muitas vezes de questionam sobre as razões de tal escolha por parte dos laboratórios que desenvolvem e que comercializam o produto.
A curiosidade “contagiou” uma equipa de investigadores de Portugal e Espanha, e esteve na base de um estudo, cujos resultados foram publicados recentemente na «Revista Portuguesa de Clínica Geral», e a que o farmacia.com.pt teve acesso. A investigação atesta que a escolha da designação comercial a atribuir aos fármacos “não é inocente”, pautando-se em regra por uma estratégia que passa, em grande parte das vezes, por conceber um nome que desperte algum tipo de sugestão junto do doente ou do profissional de saúde, ou por passar uma mensagem informativa de carácter mais assertivo.
Os especialistas – do Departamento de Farmacologia, Terapêutica e Toxicologia da Universidade Autónoma de Barcelona, da firma de consultoria científica KeyPoint e do Serviço de Pediatria do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) – foram ao âmago do assunto, questionando-se sobre as intenções que presidem à escolha dos nomes dos medicamentos, tentando perceber se essa escolha ocorre de modo aleatório ou se, pelo contrário, tem um efeito placebo, chegando ao consumidor e ao profissional de saúde de forma discreta, mas funcional. A partir da consulta da listagem de medicamentos registados no Índice Nacional Terapêutico, a equipa de investigadores analisou mais de 1300 nomes comerciais de fármacos pertencentes a 12 grupos terapêuticos.
Desse processo analítico concluíram que 26 por cento dos compostos disponíveis no mercado farmacêutico nacional obtiveram a sua designação comercial segundo o nome químico da substância activa preponderante na sua composição. Em igual percentagem de casos, o nome escolhido teve por base as indicações terapêuticas ou a acção do fármaco, estando em quatro por cento dos casos associado ao seu nome químico, e em um por cento dos casos ao nome do laboratório fabricante. O tipo de nome varia consoante o grupo terapêutico, mas em 40 por cento dos casos é considerado um “nome opaco”. Os especialistas concluíram que “uma elevada percentagem de fármacos apresenta nomes comerciais que evocam algum tipo de sugestão, quer seja directa ao consumidor, quer mais dirigida aos profissionais de saúde, ou ainda a um tipo de informação mais assertiva”.

O nome certo...
A equipa de cientistas ibéricos considera que a escolha do “nome certo” para cada medicamento é importante, na medida em que será por essa designação que será referenciado, num processo que contribuirá para a imagem individual do fármaco, mas também para a imagem corporativa da companhia que o representa, podendo ter, por si só, algum impacto no volume de vendas, condicionar os mecanismos da sua divulgação ou a captação da prescrição médica, sobretudo em áreas onde haja várias alternativas terapêuticas. “A escolha de um bom nome não é fácil”, frisam os cientistas.
Por outro lado, o conhecimento da forma como tem lugar a escolha da designação comercial dos medicamentos ajuda a perceber melhor as indicações terapêuticas contidas no folheto incluso e na rotulagem exterior. Cada fármaco tem pelo menos três designações: um primeiro nome químico, que descreve a estrutura atómica ou molecular da substância, descrevendo com precisão o produto, mas normalmente demasiado complexo, e por isso inconveniente para uso geral, um nome genérico, que não é registado e que tem geralmente uma associação directa com o princípio activo, e um nome comercial, registado: a chamada marca.

Carla Teixeira
Fonte: «Revista Portuguesa de Clínica Geral», estudo «Nome dos fármacos: escolha aleatória ou efeito placebo?», Manual Merck
Resultados da investigação serão divulgados no fim de 2009
Vacina que simula infecção por HIV em testes


Investigadores norte-americanos anunciaram, numa conferência dirigida à comunidade científica da cidade brasileira do Rio de Janeiro, que chegaram a um estádio inédito em estudos com vacinas para travar a progressão do vírus da sida. Pela primeira vez, disse Edécio Cunha Neto, cientista da Universidade de São Paulo e organizador do seminário, um ensaio clínico incidirá no acompanhamento de grupos de mais de três mil pessoas. A divulgação dos resultados deverá ter lugar no final de 2009.

Os testes à vacina terapêutica contra a sida – dado que não é ainda expectável a aposta no desenvolvimento de uma vacina preventiva para a doença – serão realizados através de uma parceria entre a companhia farmacêutica Merck e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, que na passada semana tornaram públicos resultados positivos de testes que têm vindo a ser feitos, com grupos de até seis dezenas de pessoas. No caso de os novos testes funcionarem como prevêem as duas entidades envolvidas, quem for inoculado com a vacina obterá, na eventualidade de vir a ser infectado pelo HIV, uma taxa de sobrevida maior do que a que teria sem a vacina, revelando-se também menos dependente da toma de medicamentos anti-retrovirais.
No seguimento das pesquisas realizadas até agora, que demonstraram uma melhoria na capacidade do organismo para combater um vírus criado pelos cientistas em laboratório, e que contém fragmentos de ADN do HIV, assemelhando-se a uma espécie de vírus da sida simulado. A vacina foi bem tolerada em 70 por cento dos voluntários submetidos ao primeiro estudo. Agora, a Merck está a preparar a chamada fase 2B dos testes, testando a mesma vacina em grupos alargados de pessoas. Edécio Cunha Neto explica que esta vacina deverá, depois injectar no músculo de ADN a solução que codifica as proteínas do HIV, fazer com que ela se transforme em RNA no interior das células humanas, e em seguida assumir a forma de proteínas que farão o sistema imune iniciar a proliferação de linfócitos específicos para combater os fragmentos do vírus da sida”.

Carla Teixeira
Fonte: «Folha de São Paulo»

Os compostos farmacêuticos no meio ambiente

Índia no centro das preocupações dos investigadores

Nem tudo são rosas para a indústria farmacêutica indiana. Uma investigação da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, acusa o sector de estar a libertar para o meio ambiente quantidades substancialmente preocupantes de compostos farmacêuticos activos. O estudo, publicado no “Journal of Hazardous Materials”, coloca a Ciprofloxacina no topo das substâncias presentes nas águas em maior abundância.

Os resultados levaram os investigadores suecos a pedir “investigações aprofundadas acerca da qualidade das águas residuais, incluindo sobre a libertação de compostos farmacêuticos activos a partir de instalações de produção em diferentes regiões do mundo”. Até porque, há o risco de que o problema detectado em solo indiano seja apenas a ponta do icebergue.

“O estudo demonstra que existem unidades de produção que libertam quantidades substanciais de medicamentos no meio aquático”, afirmam os cientistas que, até ao momento, dizem não possuir informações suficientes para determinar a extensão do problema.

A equipa de investigadores testou os níveis de compostos farmacêuticos activos presentes nas águas residuais provenientes de uma estação de tratamento de águas residuais que serve cerca de 90 farmacêuticas localizada em Patancheru, perto de Hyderabad, um local privilegiado de produção de medicamentos genéricos que fornece o mercado mundial.

Na análise feita às amostras de água provenientes da Índia, os investigadores procuraram a presença de 59 substâncias farmacêuticas, observando que 21 das quais estavam presentes em concentrações superiores a 1μg/L (microgramas por litro). Até então, os níveis detectados nas águas residuais situavam-se entre 1ng/L (nanogramas por litro) e algumas μg/L.

O laboratório quantificou também os níveis das 11 substâncias presentes em maior abundância e realizou testes de toxicidade padrão que demonstraram que os níveis da presença desses medicamentos eram superiores a 100μg/L.

Entre os culpados estão o antibiótico Ciprofloxacina, com níveis entre os 28,000 e os 31, 000μg/L; o Losartan, um antagonista do receptor (tipo AT1) da angiotensina II, com níveis entre os 2,400 e os 2,500μg/L; o anti-histamínico Cetirizina, presente em níveis entre 1,300 e 1,400μg/L; o beta-bloqueador Metoprolol, presente em 800 a 950 μg/L; o antibiótico Enrofloxacin acusou níveis entre 780 e 900μg/L; o Citalopram, um antidepressivo inibidor selectivo da recaptação de serotonina, com 770 a 840μg/L; e dois antibióticos, a Norfloxacina e a Lomefloxacina, com níveis de 390-420μg/L e 50-300μg/L respectivamente.

“Daquilo que temos conhecimento, as concentrações destes 11 medicamentos eram superiores aos valores mais altos alguma vez registados em quaisquer efluentes de esgotos”, escrevem os autores da pesquisa, acrescentando que não têm conhecimento que tal informação tenha sido divulgada em nenhum outro artigo.

Os responsáveis deixam clara a intenção de salientar a “concentração de fluoroquinolonas detectadas, em particular da Ciprofloxacina – um antibiótico produzido por várias empresas da região”.

Para transmitir uma ideia mais concreta relativamente ao significado destes valores, os cientistas referem que “a descarga de Ciprofloxacina corresponde aproximadamente a 45 kg de compostos farmacêuticos activos por dia, o que equivale à quantidade total consumida na Suécia (com nove milhões de habitantes) durante um período de cinco dias”.

Marta Bilro

Fonte: US-Pharmatechnologist.com, Infarmed.

Polémica em torno da IVG nos centros de saúde
Médicos temem banalização do aborto


A realização de interrupções voluntárias da gravidez pelo método medicamentoso nos centros de saúde poderá “banalizar o que não deve ser banalizado”. O aviso é do bastonário da Ordem dos Médicos, para quem a medida pode fomentar o facilitismo e o abandono da contracepção.

O bastonário da Ordem dos Médicos defendeu que realizar interrupções voluntárias da gravidez medicamentosas em centros de saúde “pode banalizar o que não se deve” e acarreta responsabilidades para os médicos de família para as quais não foram preparados. A posição de Pedro Nunes é oposta à defendida pelo presidente do Colégio da Especialidade Ginecologia/Obstetrícia da Ordem, Luís Graça, para quem cerca de 90 por cento das IVG químicas, “tirando os 10 ou 12 por cento de casos eventualmente problemáticos”, deveriam ser realizados em centros de saúde, porque é lá que estão os “médicos que melhor conhecem a população”, e por se tratar de um acto médico simples.
O presidente da Comissão de Saúde Materna e Neonatal, Jorge Branco, afirmou que, além do centro de saúde de Viana do Castelo, mais “três ou quatro” estabelecimentos do Norte do País deverão começar a efectuar abortos a pedido da mulher em Setembro. Até final do ano a IVG medicamentosa será feita em centros de saúde de outras regiões. O bastonário considera que a realização de abortos fora dos hospitais é má em vários aspectos: “Estimula as pessoas a considerar banal o que não deve ser banal, impõe uma pressão sobre os médicos de família insustentável, obrigando-os a assumir responsabilidades para as quais naturalmente não foram treinados, ao mesmo tempo que a proximidade face ao doente dificulta-lhes a alegação de objecção de consciência, ao contrário de um médico hospitalar”.
Todos os “mecanismos convergem para uma eventual facilitação da IVG”, frisou Pedro Nunes, considerando que “a OM defende que o que deveria ser feito, para cumprir a legislação e a vontade dos portugueses, era continuar a definir a IVG como algo negativo que pode servir para resolver um acidente, e não como algo banal, fácil, acessível, que está ao pé da porta e que resolve todos os problemas. Assim, os baixos níveis de contracepção serão ainda mais baixos”, vaticinou. “A OM vê com preocupação que possa haver um aumento dos riscos, e lembra que tem de haver uma articulação perfeita entre serviços de medicina geral e familiar e serviços hospitalares”, vincou o responsável. Já Luís Graça considerou que os abortos deveriam cingir-se aos hospitais “até que fosse atingida uma determinada consistência”, mas contrapôs que, na medida em que “a lei apenas prevê a IVG apenas até às 10 semanas, e em casos que não levantem problemas, os abortos devem ser feitos nos centros de saúde, que contam com a complementaridade dos serviços hospitalares”.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa

Estudo sobre gastrite em crianças garante distinção a investigadores portugueses

Uma equipa de investigadores do Hospital de Santa Maria foi agraciada com o Prémio Científico Hospital de Santa Maria – Sanofi-Aventis. A distinção foi motivado por um projecto de investigação que pretendeu perceber qual a resposta da mucosa gástrica à infecção por Helicobacter pylori, bactéria causadora de gastrite.

“Linfócitos da mucosa e expressão de antigénios HLA-DR na gastrite associada a Helicobacter pylori pediátrica” é o nome do trabalho desenvolvido por José Fernando Gonçalves Ruivo, Ana Isabel Lopes, Rui Victorino e A.M. Palha que mereceu a atribuição do prémio. O estudo pretendeu fornecer esclarecimentos sobre a gastrite por Helicobacter pylori e aos mecanismos de desenvolvimento da doença, não possíveis em adultos (expostos a outros agentes nocivos que podem condicionar a avaliação dos resultados, como o tabaco ou alguns medicamentos).

O galardão tem o intuito de contemplar o melhor trabalho de investigação clínica ou clínico-laboral realizado por profissionais do Hospital de Santa Maria, promovendo a criação e desenvolvimento de projectos nacionais inovadores capazes de fazer a diferença no panorama actual da investigação científica.

“A atribuição destes prémios enquadra-se na política da Administração do Hospital, que entende e muitíssimo bem, que o Hospital de Santa Maria, enquanto Hospital Universitário deve dinamizar, tanto quanto possível, a actividade científica, logo a vertente da investigação, recorrendo para isso à atribuição de bolsas que permitam a execução de trabalhos científicos”, afirmou o Coordenador do Gabinete de Apoio à Investigação, António José Gonçalves Ferreira.

O prémio, anualmente financiado pela farmacêutica francesa Sanofi-Aventis, “tem como único objectivo incentivar os jovens médicos a desbravar caminhos e impulsionar a investigação científica em Portugal”, acrescentou o mesmo responsável.

Marta Bilro

Fonte: Médicos de Portugal.

FDA aceita avaliar tratamento anti-histamínico da Schering-Plough/Merck

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) aceitou a candidatura apresentada pela Schering-Plough Corp e pela Merck & Co Inc para avaliar uma possível autorização de comercialização para o loratadina/montelucaste, um medicamento experimental destinado ao tratamento da rinite alérgica. O fármaco combina dois tratamentos comummente utilizados num único comprimido.

A substância, que está a ser desenvolvida por uma jointventure criada entre as duas farmacêuticas, inclui na sua composição ingredientes activos do Claritine (Loratadina), da Schering-Plough, e do Singulair (Montelucaste) da Merck.

As empresas pretendem garantir a aprovação do loratadina/montelucaste enquanto tratamento dos sintomas da rinite em pacientes que procuram aliviar o congestionamento nasal.

De acordo com os laboratórios, o produto combinado vai ser alvo de uma revisão por parte da entidade reguladora norte-americana, o que, por norma, significa que a FDA deverá emitir uma resposta dentro de 10 meses.

A parceria estabelecida entre a Schering-Plough e a Merck deu já origem ao Zetia (ezetimiba) e ao Vytorin (Ezetimiba+Sinvastatina), dois fármacos redutores do colesterol que se têm revelado verdadeiros motores de lucro para ambas as farmacêuticas.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, Reuters, Infarmed.

Estatinas podem prevenir doença de Alzheimer, diz estudo

A ingestão de estatinas pode ajudar a prevenir a doença de Alzheimer, revela um estudo norte-americano. Os investigadores afirmam ter descoberto uma relação entre os medicamentos de redução do colesterol e um afastamento da doença.

O estudo, realizado na Universidade de Boston desde 2002, demonstrou que as estatinas podem reduzir o risco de desenvolver Alzheimer até 79 por cento, mesmo em pessoas geneticamente predispostas à doença. Algumas investigações anteriores indicavam que a doença de Alzheimer pode ser provocada por um fluxo sanguíneo reduzido e por alterações vasculares cerebrais, condições que podem ser prevenidas através da administração de estatinas.

A equipa de Gail Li, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, examinou 110 cérebros de americanos que faleceram entre os 65 e 79 anos de idade e tinham doado os órgãos para pesquisa. Os cientistas procuraram a presença de sinais característicos da doença de Alzheimer, como a acumulação anormal placas senis que se formam no cérebro e bloqueiam o funcionamento dos neurónios.

A investigação demonstrou que as pessoas que ingeriam estatinas com regularidade tinham um nível reduzido de placas senis em comparação com aqueles que não tomavam esses medicamentos. “As estatinas estão provavelmente mais aptas paraa prevenir a doença em determinado tipo de pessoas do que noutras", afirmou Gail Li que acredita que, um dia, deverá ser possível perceber mais rigorosamente qual o tipo de estatinas adequado a cada indivíduo.

Estima-se que, em Portugal, mais de 70 mil pessoas sofram de doença de Alzheimer. O diagnóstico é difícil sendo feito por exclusão de outras doenças com características semelhantes. Não há ainda tratamento eficaz para a cura da doença nem possibilidade de prevenção.

Marta Bilro

Fonte: Times Online, The Earth Times, Associação Portuguesa de Familiares e Amigos da Doença de Alzheimer.

INSA promove seminário sobre mecanismos de doença na era pós-genómica

No âmbito das actividades de divulgação científica para 2007, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) promove, no dia 27 de Setembro, o seminário de investigação "Mecanismos de doença na era pós-genómica: exemplo da fibrose quística". O evento, apresentado por Margarida Amaral, investigadora no Centro de Genética Humana, realiza-se no auditório do INSA, em Lisboa, a partir das 12h30 e a entrada é livre.

Este é o primeiro do terceiro ciclo de seminários organizados pelo INSA e dedicado a Novas abordagens na investigação em biomedicina, cujo programa foi divulgado pelo Farmacia.com.pt no dia 29 de Maio do ano corrente.

O principal objectivo é dar a conhecer os resultados das actividades de investigação científica do instituto. Pretende-se também fomentar a discussão sobre temas da área das ciências da saúde e promover o diálogo entre grupos de investigação com interesses comuns, dentro e fora desta instituição. À apresentação do trabalho segue-se uma discussão informal sobre o tema, que contará com a presença de um moderador especialista na área de investigação abordada.

O ciclo continua no dia 25 de Outubro, com um seminário subordinado ao tema “Identificação de factores de susceptibilidade para doenças multifactoriais - novos desafios e novas abordagens”; no dia 29 de Novembro, com o “Molecular epidemiology as a forensic technique for HIV and HCV transmission investigation”; e fica concluído a 13 de Dezembro com o seminário “De um laboratório de I&D a uma empresa de base tecnológica”.

Marta Bilro

Fonte: Portal da Saúde, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Farmacia.com.pt.

Ressonância Magnética ajuda diagnóstico de esclerose múltipla

Imagens do cérebro de doentes obtidas através de Ressonância Magnética permitiram a uma equipa de investigadores norte-americanos identificar uma anormalidade relacionada com a progressão da esclerose múltipla (EM). Os resultados do estudo, publicado na última edição da revista “Rediology”, representam uma inovação no diagnóstico da doença.

“Com base nestas descobertas, os médicos poderão diagnosticar a esclerose múltipla de forma mais exacta e identificar pacientes em risco de desenvolver esta doença progressiva”, afirmou Rohit Bakshi, professor assistente de Neurologia e Radiologia da Escola Médica de Harvard.

A Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória crónica, caracterizada pela destruição da mielina, camada protectora que rodeia as células nervosas. A doença interfere com a capacidade do sistema nervoso central para controlar funções como a visão, a locomoção ou o equilíbrio. Os dados da Associação Nacional de Esclerose Múltipla indicam que a doença afecta aproximadamente 2,5 milhões de pessoas no mundo, das quais 450.000 na Europa, a maioria mulheres com idades entre os 20 e os 50 anos, sendo a incidência maior nos países nórdicos. Em Portugal, estima-se que o número de doentes seja cerca de 5.000.

Apesar de existirem quatro classificações de EM, a Recorrente Remissiva, que atinge cerca de 60 por cento dos pacientes com menos de 40 anos, e a Secundariamente Progressiva, que resulta da evolução da anterior, são as duas mais comuns.

Os cientistas analisaram os dados de 145 doentes de EM, 112 mulheres e 33 homens, dos quais 92 estavam na fase Recorrente Remissiva da doença e 49 Secundariamente Progressiva. Em quatro pacientes a classificação da doença era desconhecida. Nos pacientes com EM, as imagens dos cérebros, obtidas por Ressonância Magnética, permitiram observar a frequência de áreas brilhantes chamadas lesões Hiperintensas, também conhecidas por áreas de «redução de T1».

Posteriormente, os investigadores procuraram perceber se haveria uma relação entre a frequência e a localização dessas lesões e a progressão da doença, atrofia do cérebro e incapacidade em pacientes com EM. A análise identificou 340 lesões T1 Hiperintensas em 123 pacientes e revelou que essas lesões são mais comuns em pacientes com EM Secundariamente Progressiva.

Entre os pacientes com EM Secundariamente Progressiva, 71 por cento apresentavam múltiplas lesões T1 Hiperintensas, que eram detectadas por 46 por cento dos pacientes com Recorrente Remissiva.

“As descobertas sugerem que as lesões T1 Hiperintensas ocorrem geralmente em pacientes com EM e que a presença de lesões múltiplas indica um risco de avanço do curso da doença”, referiu Baksh. O especislista considera, por isso que esta forma de diagnóstico é essencial na detecção e acompanhamento da progressão da doença.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Associação Nacional de Esclerose Múltipla.

Infarmed suspende vendas do medicamento Neostigmina Braun

Um pedaço de vidro encontrado numa ampola do medicamento Neostigmina Braun, utilizado no tratamento de problemas musculares causados pelo sistema nervoso central, levou o Infarmed, a Autoridade Nacional do Medicamento, a decretar a suspensão imediata das vendas de um lote deste fármaco.

A ordem de suspensão do Infarmed surge na sequência da decisão da empresa B. Braun Medical que imediatamente após a detecção de um pedaço de vidro de grandes dimensões no interior de uma ampola, iniciou a recolha do lote número A01 do Neostigmina Braun 0,5 mg/ml solução injectável, com validade até Dezembro de 2011.

A suspensão das vendas foi uma decisão tomada pelo Conselho Directivo do Infarmed, que pretende assim salvaguardar a integridade física dos utilizadores deste fármaco.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Teva vai produzir Quinapril genérico

A Teva Pharmaceutical Industries recebeu autorização da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) para produzir uma versão genérica do Acupril (Quinapril), da Pfizer, um medicamento indicado no tratamento da hipertensão e da insuficiência cardíaca congestiva.

A empresa israelita especializada no sector dos genéricos vai produzir todas as dosagens do fármaco que pretende brevemente começar a colocar no mercado. De acordo com a Teva, a substância e todas as fórmulas genéricas já existentes no mercado registaram vendas no valor de 110 milhões de euros nos Estados Unidos da América, durante os 12 meses que terminaram a 30 de Junho.

A autorização de comercialização concedida pela FDA vem na sequência do término da exclusividade pediátrica da patente norte-americana número 4,743,450.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, RTT News.

Novartis aposta na expansão para aumentar produção de anti-hipertensores

A Novartis vai aumentar a capacidade de produção da sua unidade fabril situada perto da cidade de Basileia, na Suíça. O objectivo é impulsionar a produção de tratamentos anti-hipertensores, como o Diovan (Valsartan), o Exforge (Amlodipina + Valsartan) e o Resilez (Aliskiren).

De acordo com a farmacêutica, o grupo pretende investir perto de 183 milhões de euros (300 milhões de francos suíços). O projecto deverá criar 80 novos postos de trabalho na região, afirma a Novartis.

A empresa tem vindo a apostar continuamente na expansão logística. Tal como foi noticiado, no dia 14 de Agosto, pelo Farmacia.com.pt, o laboratório suíço anunciou também um alargamento das instalações de duas fábricas no Brasil, através do qual tem intenções de triplicar o volume de exportações de fármacos nos próximos cinco anos.

O Resilez, aprovado esta segunda-feira pela União Europeia, permite à empresa manter-se na corrida à liderança do mercado de anti-hipertensores, dado que a patente do Diovan, fármaco da empresa com maior número de vendas, verá a patente expirar em 2012.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money, Farmacia.com.pt.

Fármaco experimental para tratamento do cancro dos ossos
FDA negou aprovação ao mifamurtide


A Food and Drug Administration recusou o pedido de aprovação apresentado pela firma IDM Pharma para utilização do medicamento experimental mifamurtide em pacientes do sarcoma dos ossos não metastizado. Na carta em que dá conta da decisão, a entidade reguladora norte-americana solicita mais dados sobre o fármaco e sugere a realização de novos ensaios clínicos para demonstrar os seus alegados benefícios.

A companhia farmacêutica anunciou que pretende submeter à apreciação da autoridade do sector novos dados relativos ao resultado da administração do fármaco em doentes submetidos a um ensaio clínico de fase III, bem como outras informações solicitadas na carta da FDA, cujo painel de especialistas reprovou, com 12 votos contra e dois a favor, a aprovação do mifamurtide. O representante máximo da IDM Pharma, Timothy Walbert, considerou que a decisão da autoridade norte-americana se terá devido a uma “falta de informação completa”, e que a recolha de novos dados permitirá atestar os benefícios da substância e provará a sua eficácia.

Carla Teixeira
Fonte: Firstword
Herpes ocular exige tratamento imediato
Médico recuperou visão de doente com cola


O herpes simplex, vírus comum cuja presença se manifesta através de pequenas lesões e úlceras nos lábios, pode também acometer o nariz e os olhos, neste caso provocando uma gradual perda de visão se não for tratado atempada e convenientemente. A dor nas pálpebras e a inflamação da córnea são os sinais mais comuns da doença, que reincide em momentos de baixa imunidade do doente ou diante de situações de maior stress. No Brasil um médico selou o olho de uma paciente com cola de cianoacrilato.

A técnica aplicada pelo médico Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido e director clínico do do Banco de Olhos de Campinas, na sua paciente Nelida Gomes de Lorenzo, que fora acometida de herpes ocular, evita complicações cirúrgicas e permite o isolamento do olho sem perda do sinal de perfuração da córnea que prioriza a realização do transplante. Foi exactamente por isso que o especialista escolheu esta técnica, tendo em conta que “o cianoacrilato serve de apoio ao crescimento de tecido cicatricial sobre a área perfurada, retarda a necrose e tem ação bactericida”. Neste caso “a perfuração não atingiu três milímetros, que corresponde às dimensões máximas para aplicação daquela cola, que em áreas maiores revela toxicidade.
De acordo com Leôncio Queiroz Neto, o vírus do herpes surge por volta dos cinco anos, mas permanece na sua forma latente, podendo ser accionado através do contacto com um portador, por uma situação de grande stress ou em momentos de quebra do nível de imunidade no organismo. Dor nos olhos, lacrimejamento, sensibilidade à luz e redução da acuidade visual são os principais sintomas da doença, que pode ser “alimentada” por traumas, febres e resfriados, causando inflamações na córnea. A reincidência das crises tem como consequência a cada vez menor expessura da córnea, que pode provocar a formação de cicatrizes e a perfuração, levando à cegueira.
Dias depois de ter sido submetida a esta técnica, Nelida foi submetida a um transplante e recuperou a visão, apesar de o olho não estar ainda totalmente curado. De acordo com Queiroz Neto, a utilização da cola de cianoacrilato poderia ter sido acompanhada da realização de um transplante tectónico – “espécie de curativo biológico feito com uma córnea descartada por não ser adequada para restituir a visão à receptora” – e do recobrimento conjuntival. O problema, explica, é que “o transplante tectónico é muito mais invasivo, porque pode gerar maior número de procedimentos ou aumentar o risco de cataratas, tem uma forte reação inflamatória e a recuperação para o transplante definitivo demoraria, no mínimo, 15 dias. Já a recuperação do recobrimento conjuntival pode variar entre seis a oito meses, período em que a doente ficaria com o olho branco, e teria dificuldades em voltar às suas actividades quotidianas, correndo ainda o risco de ficar em fila de espera por uma córnea, já que o sinal de perfuração poderia desaparecer apesar do comprometimento da visão.

Vírus latente
O herpes é um vírus que tem capacidade para permanecer no organismo durante vários anos sem ser detectado. “Uma vez que o paciente entrou em contacto com o vírus, as feridas poderão surgir sempre que estiver com baixa imunidade ou passar por situações física e emocionalmente stressantes”, explica o oftalmologista Renato Neves, director da rede Eye Care. O tratamento imediato das manifestações do herpes simplex é feito com medicamentos antivirais, que travam a replicação do vírus e a consequente destruição das células epiteliais. A infecção pode atingir camadas profundas da córnea e agravar o quadro clínico. “Repetidas ocorrências dessas manifestações agressivas podem levar à perda de visão”, reitera aquele especialista.
Renato Neves explica que “o vírus do herpes simplex é diferente do herpes associado à doença sexualmente transmissível”, pelo que o chamado herpes ocular não se transmite por aquela via. “Também é importante diferenciá-lo do herpes zoster, que tem sintomas semelhantes, mas é provocado pela varicela”. Mais de metade da população mundial é hospedeira daquele vírus e já teve pelo menos uma crise. Actualmente existem diversos meios de tratamento de todas as formas da doença, através do recurso a antibióticos, comprimidos ou colírios. Nos casos mais graves há ainda a possibilidade de transplante da córnea. Apesar de totalmente tratável, a comunidade científica ainda investiga a cura para a doença.

Carla Teixeira
Fonte: Mail do farmacia.com.pt, Segs.com.br, MedCenter, «Saúde News Journal»
FDA continua processo de avaliação daqueles fármacos
Esomeprazol e omeprazol não afectam o coração


A Food and Drug Administration (FDA), entidade reguladora do sector do medicamento nos Estados Unidos, está a avaliar o impacto das substâncias esomeprazol e omeprazol no desenvolvimento de doenças cardíacas, depois de em Maio deste ano terem surgido dados que levantaram algumas dúvidas a esse respeito. No entanto, investigações mais recentes concluíram que a administração daqueles fármacos não aumenta os riscos da prevalência daquele tipo de patologias.

Uma primeira bateria de testes realizada há cerca de três meses gerou algumas dúvidas sobre os medicamentos, desenvolvidos e comercializados pela companhia anglo-sueca Astrazeneca, relacionando a sua toma com o aumento do risco de enfarte do miocárdio e de morte súbita devida a problemas cardiovasculares. Não obstante, feita uma análise preliminar pelos seus especialistas, a entidade reguladora norte-americana decidiu que, pelo menos até aos resultados finais, aguardados para o próximo mês de Novembro, os dois compostos químicos permanecerão disponíveis no mercado, mediante a obrigatória apresentação de receita médica, considerando que os problemas cardíacos observados em estudos anteriores não consubstanciam um “efeito verdadeiro” da medicação. A FDA aconselha ainda os doentes medicados com esomeprazol e omeprazol a prosseguir o seu tratamento, que não deve ser interrompido sem uma prévia consulta ao médico assistente. O esomeprazol e o omeprazol são antiácidos e anti-ulcerosos, modificadores da secreção gástrica e inibidores da bomba de protões, e estão indicados no tratamento de úlceras pépticas, esofagites de refluxo e na síndroma de Zollinger Ellison.

Carla Teixeira
Fonte: Saúde na Internet, Prontuário Terapêutico
Medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias
Vendas atingiram os 5,6 milhões de euros


O volume de vendas de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias atingiu, no período compreendido entre Janeiro e Julho deste ano, um valor acima dos 5,6 milhões de euros, cerca de cinco vezes mais do que no período homólogo de 2006. São números avançados pela Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde, e correspondem à comercialização de mais de 1,2 milhões de embalagens.

Numa nota divulgada ontem, o Infarmed atesta que a venda daqueles fármacos chegou aos 5.612.543 euros, contabilizando os totais das vendas dos 488 estabelecimentos de dispensa de medicamentos actualmente existentes fora da rede de farmácias (em Julho do ano passado havia apenas 186 daquelas lojas em Portugal). O mercado tem vindo a sofrer um alargamento progressivo desde que o Governo liberalizou a comercialização dos fármacos que não exigem prescrição médica, permitindo que passassem a ser vendidos fora da rede nacional de farmácias. Já no períoro compreendido entre Janeiro e Julho de 2006, as vendas dos chamados OTC (“over the counter”) atingiram, em Portugal, um valor de 1.103.680 euros, cinco vezes abaixo do agora divulgado pelo Infarmed, e que teve como correspondência a disponibilização de apenas 250 mil embalagens.
De acordo com a análise da entidade reguladora, também neste ano os medicamentos mais vendidos foram os analgésicos e os antipiréticos, que totalizaram 23 por cento do volume transaccionado, e o princípio activo mais vendido foi o paracetamol, embora no que diz respeito ao valor tenha sido a nicotina, vendida em pastilhas e pensos com vista a combater o vício do tabaco. Os distritos de Lisboa, Porto e Setúbal – mais populosos e com maior número de estabelecimentos de dispensa de fármacos fora da rede nacional de farmácias – absorveram a maior fatia das vendas realizadas naquele período, tendo a cadeia de hipermercados Modelo/Continente totalizado cerca de 40 por cento daquele mercado, uma realidade abordada num estudo da Deco que, como o farmacia.com.pt oportunamente noticiou, dava justamente conta da prática, nas grandes superfícies, de preços inferiores aos existentes antes da liberalização do sector dos medicamentos sem receita.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed, «O Primeiro de Janeiro», farmacia.com.pt

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Biofarmacêutica quer combater doenças metabólicas
Shire HGT instala-se no Brasil


A companhia biofarmacêutica Shire HGT acaba de se instalar no Brasil. Com um investimento que ascende a cerca de 20 milhões de reais, a unidade de negócios da Shire (a terceira maior empresa do sector em Inglaterra) no mercado brasileiro deverá dedicar os próximos anos ao lançamento de produtos e à realização de ensaios clínicos.

O objectivo da nova empresa será essencialmente o de fazer chegar àquele país da América do Sul soluções inovadoras para o tratamento de doenças genéticas metabólicas como o síndroma de Hunter, que atinge um em cada 2500 recém-nascidos brasileiros. A Shire aguarda que, a breve trecho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entidade reguladora do sector do medicamento no Brasil, dê a sua aprovação ao único medicamento existente à escala mundial para o tratamento daquele síndroma, de que dependem pelo menos 60 pessoas já identificadas no país, e que sem o fármaco estarão simplesmente condenadas à morte. Perseguindo o objectivo estratégico de se transformar na empresa líder do sector biofarmacêutico a nível internacional, a Shire focaliza a sua actividade na busca de respostas para as necessidades da medicina mais especializada, nomeadamente em áreas como a hiperactividade, as terapias genéticas e as desordens gastrointestinais e renais.

Carla Teixeira
Fonte: Portal Fator, Shire.com

Álcool reduz risco de cancro nos rins

O consumo de dois copos de vinho por semana pode reduzir o risco de desenvolver cancro nos rins, pelo menos é esta a conclusão de um relatório publicado no British Journal of Câncer, que faz a comparação entre a associação de diferentes tipos de bebidas alcoólicas e o total de consumo de álcool, com o risco de cancro nos rins. A conclusão aponta que quem bebe mais do que dois copos de vinho por semana tem uma menor probabilidade de vir a sofrer de cancro renal, do que os indivíduos que não ingerem qualquer bebida alcoólica.

O estudo recorreu à observação de 855 indivíduos de nacionalidade sueca, às quais havia já sido diagnosticado cancro nos rins, contando ainda com um grupo de controlo composto por 1024 indivíduos sem cancro.

De acordo com as conclusões da investigação, os indivíduos que bebem vinho tinto têm menos 40 por cento de probabilidade de virem a desenvolver a célula que provoca o cancro, e uma tendência semelhante acontece em relação ao vinho branco e à cerveja considerada mais forte. No que respeita ao consumo de cerveja light, vinho e licor fortes ou cerveja de intensidade média-forte, não foi encontrada qualquer relação com o risco de desenvolver este tipo de cancro.

Segundo a responsável pelo estudo, Alicja Wolk, do Instituto Karolinska em Estocolmo, “o risco reduzido, associado com consumo de vinho e cerveja pode ser originado nos ‘fenólicos’ que contêm, visto que estes possuem propriedades antioxidantes e antimutagénicas”.

“Contudo, o baixo risco que observamos nas três bebidas sugere que é o álcool por si que é responsável pela redução, e não um qualquer tipo de bebida”, esclarecem os investigadores.

Inês de Matos

Fonte: Sol

Hipermercados Modelo e Continente lideram mercado de venda de medicamentos sem receita médica

O Infarmed anunciou que a empresa Modelo Continente Hipermercados, da Sonae SGPS, lidera o mercado de venda de medicamentos sem receita médica, tendo atingido uma quota de mercado na ordem dos 40 por cento, no período compreendido entre Janeiro e Julho de 2007.

“O Modelo Continente Hipermercados é responsável por cerca de 40 por cento do mercado e apresenta um índice de 96,0, o que significa que os seus preços são em média inferiores aos existentes antes da entrada em vigor da liberalização dos preços", refere o Infarmed em comunicado.

Em Portugal existem 488 locais registados no Infarmed para a venda de medicamentos sem receita, cujas vendas atingiram os 5,6 milhões de euros nos primeiros sete meses do ano, registando-se uma maior procura destes fármacos nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.

Na segunda posição encontra-se a Companhia Portuguesa de Hipermercados com 8,4 por cento de quota e a Novapotheke-Produtos de Saúde ocupa a terceira posição com 3,3 por cento. Em sétimo e 13º lugares, com uma percentagem de 1,9 por cento e de 0,7 por cento dos volumes vendidos, encontram-se os poderosos grupos internacionais El Corte Inglés e Carrefour, respectivamente.

Os fármacos mais vendidos são os Analgésicos e Antipiréticos, com uma percentagem de 23,3 por cento, enquanto o paracetamol foi a substância activa mais vendida, em termos de unidades, e a nicotina, a maior em termos de valor.

O distrito de Lisboa conta com o maior número de locais de venda, sendo também a região do pais onde se registam preços mais baixos.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

Ligação entre cancro e sexo oral pode justificar administração de Gardasil em rapazes

O Gardasil, vacina contra o papilomavírus humano (HPV) destinada à prevenção do cancro do colo do útero, pode também vir a ser administrado em rapazes adolescentes para ajudar a evitar os casos de cancro relacionados com o sexo oral, dizem os especialistas.

O número crescente de casos em estudo demonstra que o vírus do papiloma humano, responsável pelo cancro do colo do útero, está também relacionado com cerca de metade dos casos de cancro da garganta ou orofaríngeos. Num artigo de análise publicado no jornal “Cancer”, clínicos do Centro Médico Anderson da Universidade do Texas aconselham os cientistas a apressar os estudos da vacina contra o HPV em adolescentes do sexo masculino, para que possa expandir-se a utilização da vacina.

Os investigadores acreditam que a melhor forma de reduzir os casos de cancro provocados pelo HPV é alargar o âmbito de adolescentes vacinados com Gardasil. De acordo com Kelly Dougherty, porta-voz da farmacêutica norte-americana, a empresa está já a estudar a possível aplicação da vacina em rapazes e tem planos para submeter o medicamento a aprovação nos Estados Unidos da América com essa indicação de utilização.

“Encorajaríamos a industria e os cientistas a estudarem a eficácia em rapazes e homens para que o programa de vacinação possa ser alargado”, afirmou Erich Sturgis, professor de cirurgia de cabeça e pescoço no Centro Médico Anderson e o principal autor do artigo. “Sabemos que os homens estão a ficar expostos e que uma maior proporção de cancros orofaríngeos são causados pelo HPV”, acrescentou.

Descobertas recentes indicam também a existência de uma ligação entre o vírus e o cancro do pénis, ânus e vagina. A relação entre o vírus e os cancros da cabeça e do pescoço, que, na sua maioria, afectam os homens, sublinha a necessidade dos rapazes serem vacinados antes de iniciarem a vida sexual, afirmam os especialistas.

Os dados sobre a utilização da vacina em adolescentes do sexo masculino devem ser divulgados durante o próximo ano, revelou Dougherty. O Gardasil pode, actualmente, ser administrado em rapazes adolescentes na União Europeia, México, Austrália, Nova Zelândia, Indonésia, Costa Rica e Coreia.

O cancro oral e da orofaringe era uma doença exclusiva dos “fumadores e dos alcoólicos”, refere Sturgis, porém, a “alteração das práticas sexuais assim como o aumento da frequência com que os adolescentes e jovens adultos praticam sexo oral pode contribuir para um maior número de casos de cancro orofaríngeos associados ao HPV”, frisam os investigadores.

Em mais de 90 por cento dos casos de cancros orais provocados pelo HPV a infecção foi causada pelo tipo 16 do vírus. O Gardasil protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV e o Cervarix, vacina comercializada pela GlaxoSmithKline oferece protecção contra os tipos 16 e 18. Segundo dados da Sociedade Americana de Cancro, anualmente, cerca de 650 mil pessoas são diagnosticadas com um cancro da cabeça ou do pescoço em todo o mundo, desse total, 350 mil casos revelam-se fatais.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Infarmed.

Após detecção de um pedaço de vidro numa ampola
Recolha voluntária do Neostigmina Braun


O Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) emitiu uma circular informativa com carácter “muito urgente” em que dá conta da recolha voluntária, por parte da firma B. Braun Medical Lda., do lote nº A01, com prazo de validade até Dezembro de 2011, do seu medicamento Neostigmina Braun 0,5 mg/ml solução injectável.

Na nota, destinada às administrações regionais de saúde, aos centros de saúde, grossistas, hospitais e organizações nacionais e assinada pela vice-presidente do Conselho Directivo do Infarmed, Luísa Carvalho, a entidade reguladora dá conta de que na base da medida agora anunciada terá estado a detecção, no interior de uma das ampolas daquele fármaco, de um vidro de grandes dimensões. Perante o inesperado acontecimento, e tendo sido alertado para a situação pela própria empresa farmacêutica, o Conselho Directivo do Infarmed ordenou a suspensão imediata da comercialização daquele lote do medicamento.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

Analistas falam de possível interesse na compra da Bradley

Ranbaxy e Dr Reddy procuram novas aquisições

Na mesma altura em que um relatório coloca a Índia entre os dez mercados farmacêuticos mais importantes do mundo nos próximos dez anos, há relatos de que os produtores locais estão à procura de novas aquisições. A Dr Reddy e a Ranbaxy são as principais candidatas e, de acordo com os analistas, ambas as empresas deverão estar interessadas na norte-americana Bradley Pharmaceuticals.

Apesar de admitir que as aquisições fazem parte da agenda da empresa, uma porta-voz da Dr Reddy escusou-se a comentar aquilo que vem sendo escrito na imprensa acerca de um possível interesse na Bradley, que tem uma capitalização de mercado superior a 240 milhões de euros. “Estaremos sempre receptivos às oportunidades”, afirmou a responsável.

A Dr Reddy adquiriu a alemã Betapharm, no ano passado, um negócio que envolveu perto de 419 milhões de euros. A Ranbaxy, farmacêutica líder em vendas no mercado indiano, comprou a Terapia, na Roménia, por 238 milhões de euros, em 2006, porém este ano, não se registou qualquer aquisição em nenhuma das duas empresas. Na opinião dos analistas, esta ausência de movimentações não está relacionada com o factor financeiro mas antes com a inexistência de um negócio promissor.

“Obter financiamento não é um grande problema para estas empresas”, afirma Sarabjit Kaur Nangra, analista da Angel Broking Ltd que acredita que pode surgir uma proposta de aquisição da Ranbaxy e da Dr Reddy sobre a Bradley. Segundo refere a especialista, a consolidação é um ingrediente essencial para expandir o mercado de acções e qualquer alvo que possa surgir, caso proporcione crescimento, é do interesse destas empresas.

A Dr Reddy's, segunda empresa líder ao nível de vendas no mercado farmacêutico indiano, cresceu cerca de 147 milhões de euros, em 2006, através da emissão de acções americanas. A Pharmaceutical Industries, a maior farmacêutica Indiana por capitalização de mercado, tem planos para crescer 627 milhões de euros de forma a financiar aquisições no mercado internacional de genéricos.

A Ranbaxy, que adquiriu oito empresas no ano passado e desistiu da corrida pela unidade de genéricos da Merck kGaA, no inicio deste ano, demonstrou interesse em aquisições nos Estados Unidos da América e na Europa. “Não podemos comentar especulações. No entanto, o crescimento através de aquisições é uma das nossas estratégias e uma das chaves para seguirmos em direcção à expansão do negócio”, referiu a mesma fonte da empresa.

Marta Bilro

Fonte: Reuters.

Ypsomed processa Sanofi-Aventis por violação de patente

Queixa envolve sistema de dosagem de insulina

Depois da NovoNordisk, chega agora a vez do grupo farmacêutico suíço Ypsomed processar a Sanofi-Aventis devido a uma alegada violação de duas patentes relacionadas com a caneta de insulina SoloStar. A Ypsomed diz ter direito a uma compensação monetária e pretende que o produto seja banido do mercado.

O laboratório francês foi recentemente processado na justiça norte-americana pela NovoNordisk devido a uma alegada violação da patente do referido sistema de dosagem. Desta feita a Ypsomed, que produz a Optiset, a OptiClik e a OptiPen Pro, interpôs uma queixa nos tribunais alemães acusando a Sanofi-Aventis de infringir duas patentes detidas pela TecPharma Licensing AG, uma das suas unidades de negócio.

A Sanofi-Aventis veio a público afirmar que tem intenções de defender os seus direitos para “assegurar a disponibilização” dos seus produtos aos pacientes. “Estamos conscientes do processo judicial mas a nossa leitura da situação é preliminar”, referiu um porta-voz da empresa, acrescentado que é demasiado cedo para dar quaisquer indicações acerca do desenvolvimento dos procedimentos legais.

“A Sanofi-Aventis respeita todos os direitos de patente legalmente válidos”, concluiu o mesmo responsável.

Marta Bilro

Fonte: Forbes.

Resilez aprovado na UE

A União Europeia (UE) deu luz verde ao Rasilez (Aliskiren), um fármaco da Novartis destinado ao tratamento da hipertensão.

O Resilez é o primeiro de uma nova classe de fármacos que actua através da inibição directa da renina, uma enzima que desencadeia um processo que conduz ao aumento da pressão sanguínea.

Comercializado como Tekturna nos Estados Unidos da América, o medicamento foi desenvolvido em parceria com a Speedel AG, uma empresa farmacêutica suíça de pequenas dimensões. De acordo com o laboratório suíço, a aprovação da UE aplica-se à utilização do fármaco no tratamento da hipertensão bem como à administração do medicamento em associação com outros anti-hipertensores.

Esta decisão era aguardada desde Junho, altura em que o Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) emitiu um parecer positivo que recomendava a aprovação do fármaco.

A avaliação foi baseada em 44 estudos clínicos que envolveram mais de 7.800 pacientes e demonstraram que o Resilez actuava de forma eficaz na redução da pressão sanguínea durante 24 horas e, nalguns casos, durante mais tempo.

Actualmente, estima-se que perto de mil milhões de pessoas, em todo o mundo, tenham problemas de hipertensão.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, Reuters.

Fumar duplica risco de desenvolver degeneração macular relacionada com a idade

Fumar aumenta as probabilidades de desenvolver degeneração macular relacionada com a idade (DMI), uma das principais causas de incapacidade nos idosos e a maior responsável pela perda de visão nos adultos. O alerta é dado pela Associação Profissional Alemã de Oftalmologistas.

De acordo com vários estudos, a nicotina é prejudicial para os olhos, sendo que, os fumadores aumentam para o dobro o risco de vir a sofrer de DMI, no entanto, a maioria não está consciente de que este vício pode provocar danos na visão.

Esta não á a primeira vez que a doença é associada aos fumadores. Investigadores da Universidade de Sidney, que acompanharam 2.454 pacientes durante 10 anos, observaram também que, relativamente aos não fumadores, os fumadores tinham quatro vezes mais probabilidades de desenvolver DMI.

Embora não sejam conhecidas as causas desta doença, sabe-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo são afectadas. Em Portugal, estima-se que cerca de 45 mil pessoas entre os 50 e os 59 anos tenham DMI. Este número sobe para perto de 100 mil afectados entre os 60 e os 69 anos e para quase 300 mil acima dos 70 anos. Para além da carga hereditária, da idade, da má dieta, ou da obesidade o tabaco era já apontado como um dos factores passíveis de estar relacionado com o aparecimento desta patologia.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, Forbes.

Número de diabéticos aumentou 40% em sete anos

O número de diabéticos em Portugal cresceu 40 por cento desde há sete anos. Os dados resultam do 4.º Inquérito Nacional de Saúde e apontam para uma incidência da doença em Portugal de 6,5 por cento, entre 2005 e 2006, sendo que em 1998/9 a diabetes afectava apenas 4,7 por cento. Um aumento “substancial” que, ainda assim, é “subestimado”, considera o presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, Luís Gardete.

Esta é uma perspectiva que pode não espelhar a realidade do país já que o inquérito, realizado pelo INE e pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, engloba apenas o total de diagnosticados. Assim, ficam por contabilizar os casos não diagnosticados que Luís Gardete acredita que possam ser 30 a 40 por cento o que, a confirmar-se, elevaria o número para perto de um milhão.

Apesar do aumento acentuado do número de doentes provocar alguma perplexidade, as causas deste acréscimo são bem conhecidas. "As pessoas não se mexem, são sedentárias e o tipo de alimentação tradicional, rico em fibras, foi substituído", diz o especialista em declarações ao jornal Diário de Notícias. O excesso de peso entre a população adulta, mas também em 30 por cento das crianças da sociedade portuguesa, é um dos principais factores que contribui para o surgimento da diabetes.

O envelhecimento da população tem igualmente influência neste aumento. "A partir dos 65 anos, entre 18% e 20% é diabética”, afirma Luís Gardete, acrescentando que tal facto “é natural”, isto porque “vive-se melhor, até mais tarde". Os médicos estão mais alerta relativamente à doença, apostando nos diagnósticos precoces e mais precisos. A incidência da doença não difere entre homens e mulheres, no entanto, a camada mais jovem da população preocupa o médico. "Há duas décadas não havia casos de diabetes antes dos 35 anos e agora já existem. Isto mostra que o panorama é grave", sublinha.

Apesar de haver uma maior sensibilização por parte dos médicos, em Portugal há falhas no que diz respeito ao diagnóstico precoce e à prevenção, afirma Luís Gardete Correia, também coordenador do Programa Nacional do Controlo da Diabetes. "Esta doença evolui silenciosamente, altera os vasos e é uma das principais causas de problemas cardiovasculares. Além disso, é a primeira causa de cegueira, insuficiência renal com recurso a hemodiálise e de amputações não traumáticas", alerta.

De acordo com o responsável a prevenção é crucial: "a prática de exercício e uma alimentação correcta podiam evitar 40% dos casos", salienta. Repartidos pelos internamentos, cirurgias ou medicamentos, os custos da doença representam 8 a 12 por cento do orçamento na área da saúde. Apesar das estatísticas da doença serem desanimadoras, nem tudo é negativo. Segundo afirma Luís Gardete, têm havido iniciativas capazes de contribuir para a detecção de muitos casos de retinopatia e para evitar cegueiras. Um dos exemplos foi uma campanha que fez circular carrinhas de rastreio no centro do país.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias.

Depois da Novartis, Roche anuncia investimento no país
Brasil cativa farmacêuticas suíças

As duas maiores e mais prestigiadas multinacionais do sector farmacêutico com sede na Suíça estão de olhos postos no Brasil. Depois de, tal como o farmacia.com.pt noticiou a seu tempo, a Novartis ter anunciado a intenção de ampliar as suas instalações naquele país, aumentando o desenvolvimento de medicamentos em duas unidades fabris locais, a Roche anuncia agora que está também a preparar uma estratégia para se afirmar no mercado brasileiro.


Reagindo às notícias que, no início deste mês, davam conta de um possível interesse da companhia suíça no mercado brasileiro, para onde teriam inclusivamente viajado vários responsáveis, com o objectivo de avaliar a viabilidade deste projecto, o farmacia.com.pt foi interpelar o assessor da Roche Farmacêutica, João Pereira, que não confirmou o teor daquelas informações, alegando não estar ao corrente de decisões institucionais que só os escritórios centrais da empresa, em Genebra, poderiam tomar e anunciar. Entretanto, a imprensa suíça vem acompanhando com interesse as movimentações da companhia, e anuncia agora que a Roche estará a preparar um aumento do investimento no Brasil, designadamente com o objectivo de ali poder desenvolver projectos de investigação de novos medicamentos.
Sabe-se agora que o grupo de especialistas que no início do mês viajou para o Brasil foi contactar numerosos centros de investigação locais, visando fazer um levantamento das possibilidades de firmar parcerias com aqueles organismos, sobretudo no emergente sector da biotecnologia. Ao longo de cinco dias, os peritos da Roche visitaram entidades como as universidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Campinas, o Instituto do Coração e o Butantã. “Os contactos foram bons, e o nível das apresentações excelente”, sintetizou Ernest Egli, presidente da Roche Brasil, no final da visita. A Roche está presente no Brasil há cerca de 75 anos, mas esta é a primeira vez que demonstra interesse em investigar e desenvolver novos fármacos no país.

Carla Teixeira
Fonte: Swissinfo, farmacia.com.pt, contacto telefónico com João Pereira

Medicamento é comercializado pela Novartis como Famvir
Teva autorizada a produzir genérico do famciclovir


A companhia farmacêutica Teva recebeu resposta afirmativa da norte-americana Food and Drug Administration (FDA) ao seu pedido para iniciar a produção da versão genérica do Famvir (famciclovir) da Novartis, mas reconheceu que não deverá avançar com essa produção antes de 5 de Setembro, altura em que será conhecida a sentença relativa ao medicamento, cuja patente a empresa suíça considera ser válida até 2010, e que esteve na base de um processo lançado contra a Teva em 2005. No mercado farmacêutico dos Estados Unidos aquele fármaco é comercializado com base num acordo entre a Novartis e a TAP, um consórcio constituído pela Abbott e pela Takeda, e tem sido utilizado para o tratamento de episódios agudos de herpes zoster, bem como de certos casos de herpes simplex.

Carla Teixeira
Fonte: Firstword
Tratamento para o cancro microcítico do pulmão
Avastin da Roche aprovado na Europa


A Agência Europeia do Medicamento aprovou o Avastin (bevacizumab), desenvolvido e comercializado pela farmacêutica suíça Roche, como tratamento de primeira linha para doentes em estado avançada do cancro microcítico do pulmão, em associação com a quimioterapia. Os peritos da EMEA tiveram em conta que se trata do único fármaco que demonstrou benefícios em termos de sobrevivência depois de ter sido usado durante um ano naquele tipo de população.

A companhia informou entretanto que na base desta aprovação estarão os resultados de dois estudos que acompanharam pacientes em fase muito avançada da doença, entre os quais terá havido algumas pessoas que não tinham respondido a outros tratamentos, mas que diante da associação do Avastin com a quimioterapia revelaram melhorias na ordem dos 20 a 30 por cento em termos de evolução e sobrevivência ao cancro, quando comparados com os que apenas tinham recebido a quimioterapia. A aprovação europeia do Avastin surge largos meses depois de o medicamento ter sido aprovado nos Estados Unidos (onde é comercializado pela Genentech), em Outubro de 2006. O fármaco é já usado como terapia do cancro da mama metastizado na Europa, e nos Estados Unidos tem aplicação também como tratamento para o cancro colo-rectal.

Carla Teixeira
Fonte: Roche, Firstword, Bloomberg

domingo, 26 de agosto de 2007

Espanha aprova comercialização da vacina contra vírus do Papiloma Humano

Depois do Reino Unido, Alemanha, Bélgica, França e Dinamarca, é agora a vez da Espanha autorizar a comercialização da vacina contra o vírus do Papiloma Humano (HPV), responsável pelo desenvolvimento do cancro do colo do útero, que será incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

De acordo com a porta-voz do governo espanhol, Maria Teresa Fernández de la Veja, o Ministério da Saúde espanhol, tudo fará para que a vacina seja comercializada e incluída, o quanto antes, no Programa Nacional de Vacinação daquele país.

Em Portugal a vacina é comercializada desde o inicio do ano, no entanto, o governo decidiu não a incluir no PNV e em Abril passado, Os Verdes viram a Assembleia da República recusar a sua proposta que visava a inclusão da vacina no PNV, ainda que Portugal seja um dos países com uma das mais altas taxas de infecção pelo HPV.

A proposta foi bloqueada pela votação da bancada parlamentar do partido socialista, que a considerou “prematura”, faltando-lhe “informação científica” que permitisse “generalizar a utilização desta vacina”.

A vacina é comercializada em Portugal pela Sanofi Pasteur MSD e custa 481,35 euros (três doses, a um custo de 160,45 euros cada). Para além do cancro do colo do útero previne também contra outras doenças provocadas pelo HPV, nomeadamente os seus quatro tipos de vírus mais cancerígenos: 6, 11, 16 e 18. Se for aplicada correctamente, três doses no espaço de seis meses, a protecção contra o HPV é total.

A vacina deve ser administrada a crianças e adolescentes de ambos os sexos, com idades entre os nove e os 15 anos, e a mulheres dos 16 aos 26 anos. O vírus infecta, principalmente, as áreas genitais femininas e masculinas e tem cerca de 180 tipos já identificados.

Os tipos 16 e 18 são os que estão mais associados ao cancro do colo do útero, sendo responsáveis por 70 por cento destes carcinomas. O cancro do colo do útero mata uma mulher a cada dois minutos em todo o mundo e uma por dia em Portugal, destruindo a vida sexual, familiar e social das sobreviventes deste carcinoma.

Este vírus é muito frequente entre indivíduos sexualmente activos, estimando-se que em alguma altura das suas vidas, cerca de 70 por cento destes indivíduos sejam expostos ao HPV.

Portugal tem a mais alta incidência da Europa deste cancro, cuja principal causa é o vírus HPV, registando anualmente 900 novos casos, do quais mais de 300 são mortais. Na Europa, esta é já a segunda causa de morte entre mulheres jovens, imediatamente a seguir ao cancro da mama.

Inês de Matos

Fonte: Sol