sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Portugal comercializa dois medicamentos para emagrecer que provocam problemas psiquiátricos
O estudo realizado no Canadá, pela Universidade de Alberta, tinha o objectivo de avaliar a eficácia a longo prazo de três medicamentos usados no tratamento da obesidade e do excesso de peso - Rimonabant, Orlistato e Sibutramina - e demonstrou que estes fármacos só permitem uma pequena perda de peso de menos de cinco quilos, provocando um aumento do risco de problemas de humor, como a depressão e a ansiedade.
O Infarmed, apesar de admitir que dois destes medicamentos estão à venda em Portugal e que eles podem realmente provocar estados depressivos e de ansiedade, considera que a questão é secundária, uma vez que "todos os efeitos secundários que tenham sido observados estão descritos nos resumos dos medicamentos", estando por isso os pacientes informados.
"Nenhum medicamento é perfeito, todos têm prós e contras. A recomendação da Infarmed é que qualquer medicamento seja tomado de acordo com aconselhamento médico", sublinha a mesma fonte.
Em relação ao outro estudo, foi realizado pelo departamento de nutrição humana da Universidade de Copenhaga e publicado na revista britânica "The Lancet", tendo revelado que o medicamento Rimonabant, também usado para a cessação tabágica, aumenta o risco de doenças psiquiátricas nos doentes.
Este estudo envolveu 4.105 pacientes, que não tinham até então tendências depressivas e demonstrou que, passado um ano, aqueles que tinham tomado o Rimonabant (20 miligramas por dia) tinham perdido uma média de 4,7 quilos mais do que os que tomaram um placebo, mas que tinham 40 por cento mais de probabilidades de sofrer de um problema psíquico grave.
Verificou-se ainda que a propensão para abandonar o tratamento por motivos de depressão nos doentes medicados, era mais de o dobro quando comparado com o risco nos doentes que tinham tomado o placebo, e que a probabilidade de desistir do medicamento por desenvolvimento de problemas de ansiedade era o triplo.
Ainda que em poucos casos, este medicamento poderá mesmo levar à ideia constante de suicídio e até ao próprio acto tentado.
Em Julho deste ano, a Agência Europeia do Medicamento decidiu manter a comercialização do Rimonabant, excluindo apenas a venda a pacientes com depressão grave e/ou em tratamento com medicamentos anti-depressivos, dado os riscos de danos psiquiátricos.
O Rimonabant está, ainda assim, disponível em países como a Áustria, Dinamarca, Alemanha, Grécia e Reino Unido.
Inês de Matos
Fonte: Lusa
Ingleses descobrem vacina contra o cancro a partir do próprio tumor
A técnica foi descrita terça-feira no British Journal of Câncer e usa raios ultravioletas, num processo conhecido como terapia foto-dinâmica (PDT), para chegar a uma vacina personalizada em menos tempo do que se fosse produzida em laboratório.
A descoberta aconteceu quando os investigadores da British Columbia Cancer Agency, em Vancouver, Canadá, procuravam novas aplicações para a PDT.
Os raios ultra-violeta conseguem activar fármacos quando estes se encontram próximo do tecido alvo, o que permite o uso de doses mais elevadas de medicamentos sem risco de reacções tóxicas noutras partes do corpo e que mostrou estimular uma resposta imune do organismo contra o tumor.
Durante o estudo, os cientistas retiraram amostras de tecido canceroso de ratos com tumores e incidiram nelas a luz ultra-violeta. Depois, as células foram deixadas de um dia para o outro em laboratório para crescerem, sendo posteriormente re-injectadas nos ratos através de raios ultra-violeta, no dia seguinte.
Embora o mecanismo por detrás deste processo não esteja totalmente compreendido, os investigadores descobriram que o brilho da luz ultra-violeta nas células cancerosas cria uma potente vacina contra o cancro e que projectar as células através da técnica PDT produz um aumento da resposta imune nos ratos.
"Esta técnica pode significar que o tratamento é aplicado mais rapidamente e, mais importante, é produzido individualmente para cada cancro", com menos efeitos secundários para o paciente, realçou Mladen Korbelik, o investigador principal do estudo, em declarações ao jornal The Independent.
Inês de Matos
Fonte: Lusa
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Dividas dos hospitais empresa ascendem a quase 600 milhões de euros
O total as dividas ascendem já aos 597,3 milhões de euros, existindo ainda dívidas no valor de 410,5 milhões de euros a médio e longo prazo. As dividas que vão além dos 90 dias também subiram (151 por cento), de 163,5 para 410,5 milhões de euros, enquanto que as dívidas a médio e longo prazo cresceram 48,83 por cento.
A dívida total aumentou e cresceu também o número de hospitais com gestão empresarial, que em média demoram mais de um ano para pagar as contas, existindo mesmo casos de hospitais que levam três anos para efectuar o pagamento.
Analisando cada hospital, em termos de dívida global, o pior pagador é o Centro Hospitalar Lisboa Central, que engloba o Hospital dos Capuchos, São José, Santa Marta e Estefânia, com 74,7 milhões de euros, enquanto no extremo oposto está o Hospital São Sebastião (Santa Maria da Feira), com 877 mil euros.
No "top-3" dos piores pagadores a nível global estão ainda o Hospital de Santa Maria (Lisboa), com 59,3 milhões de euros, e o Centro Hospitalar de Setúbal, com 56,8 milhões. Por outro lado, os EPE com menor volume de dívidas são o Hospital Padre Américo-Vale do Sousa, com 928,5 mil euros, e Hospital de Santo André, com 1,2 milhões de euros.
Entre Outubro de 2006 e Setembro último, a factura total evoluiu de 418,1 para 597 milhões de euros, numa relação entre o primeiro e o último mês de um crescimento de 42,85 por cento. O volume máximo da divida foi atingido em Setembro, com um valor de 597,3 milhões de euros, enquanto o mais baixo é de Dezembro (394 milhões).
Na dívida total, o único decréscimo numa leitura comparativa a nível mensal aconteceu em Dezembro, referente a menos 9,12 por cento, enquanto as maiores taxas de crescimento registam-se em Março, com 17,48 por cento.
Inês de Matos
Fonte: Lusa
Ansiedade materna pode prejudicar parto do primeiro filho
Gestante mais nervosa, parto mais doloroso ... diz estudo norte-americanoÉ natural que o nascimento do primeiro esteja envolto de grande ansiedade, especialmente, para a futura mãe. Todavia, à luz de uma investigação conduzida por investigadores norte-americanos da Escola de Enfermagem da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, este estado pode interferir no desempenho na hora do parto.
De acordo com os resultados do estudo publicado no «Journal of Obstetric, Gynecology, & Neonatal Nursing», durante o acompanhamento das grávidas os investigadores observaram que, o principal factor que interferia no desempenho tranquilo do parto, era a ansiedade.
“Quando uma gestante estava muito ansiosa no final da gravidez, o parto tornava-se mais doloroso. Para além desde facto, verificámos que, normalmente, estas mulheres procuravam os serviços de maternidade em momentos muito precoces, ou seja, ainda com pouca dilatação”, revelaram os investigadores.
Facto contrário observado pela equipa da Califórnia diz respeito às futuras mães que se demonstraram mais calmas e seguras, “permaneciam um período maior em casa, antes de procurar assistência hospitalar e eram atendidas com uma dilatação maior e um trabalho de parto mais adiantado”, relataram.
Perante estes resultados, os autores do estudo consideram que a ansiedade “é um importante factor a ser trabalhado durante a gravidez, em especial entre as mulheres que estão na primeira gestação”, salientando que este “é um passo essencial para que haja um bom desempenho durante o parto e uma experiência tranquila com o nascimento do primeiro filho.”
Segundo explicaram os cientistas, “foram acompanhadas, até ao último trimestre da gestação, mulheres na primeira gravidez. O intuito era verificar quais os factores associados à dor no período pré-hospitalização para o parto, às condições em que essas mulheres chegavam ao hospital para ter os seus bebés e quais as estratégias de intervenção aplicadas a essas gestantes.”
Todas as participantes tinham idades entre 18 e 40 anos e estavam com 38 semanas ou mais de gravidez, sem qualquer complicação. Além disso, possuíam um marido ou parceiro estável e participaram dos programas de educação pré-natal.
O farmacia.com.pt falou com uma grávida, na primeira gestação, que tem o seu parto agendado para este dia 16 de Novembro. Patrícia Afonso demonstrou-se possuidora daquilo que preferiu chamar "uma tranquilidade sob algum exercício de controlo", alegando considerar "fundamental passar isso para o bebé (não só agora, mas durante toda a gravidez) e tentarei passar, amanhã, também, para a equipa médica que me vai assistir na esperança de que ajude o trabalho de parto."
No entanto, embora confiante, esta futura mamã não escondeu que mantém alguma ansiedade: "Encaro tudo com muita naturalidade e serenidade, mas confesso que estou algo apreensiva quanto ao tipo de parto. Vai ser provocado porque já passaram as 40 semanas, e está previsto ser normal mas, tudo pode acontecer, além de que, tudo será novidade para mim", confidenciou.
Raquel Pacheco
Fonte: Journal of Obstetric, Gynecology, & Neonatal Nursing/contacto telefónico
Especialistas europeus debatem hipnose em Coimbra
No âmbito do I Simpósio Ibérico sobre Hipnose Experimental e Clínica, vários especialistas europeus ligados à área vão estar, em Portugal, nos próximos dias 29 e 30.Promover a técnica da hipnose através da difusão das bases científicas entre a classe médica e o público em geral é o objectivo do encontro que decorrerá na Universidade de Coimbra (UC).
Segundo avança o «Diários das Beiras», a missão de vários especialistas europeus - que a iniciativa trará a Portugal - incidirá na “divulgação científica a fim de estabelecer princípios para futuras realizações desta técnica ao nível da investigação como ao nível de encontros científicos.”
De acordo com o jornal, o primeiro dia (29) é dedicado a conferências com diversas intervenções de especialistas e, o segundo dia (30), estará orientado para workshops e uma mesa redonda para debater o tema «O presente e o futuro da Hipnose na Europa e Península Ibérica em particular».
O simpósio resulta de uma colaboração conjunta entre o Research Group on Psycological, Placebo, Hypnosis and Psycopepharmacs, do Centro de Psicopedagogia da UC.
Terapia ajuda Cólon Irritável
Recorde-se que, este mês, o farmacia.com.pt divulgou um estudo britânico que indicava a aposta de cientistas em técnicas de relaxamento como terapia da Síndrome do Cólon Irritável. Os investigadores da universidade King´s College London acreditam que a terapia por hipnose pode ser útil na conexão entre o cérebro e o intestino.
Raquel Pacheco
Fontes: Diário das Beiras/farmacia.com.pt
Medicamento para a leucemia falsificado no Brasil
A polícia brasileira accionou, esta semana, em vários bairros do Rio de Janeiro, 11 mandados de busca e apreensão por falsificações do medicamento Glivec (mesilato de imatinib) produzido pelo laboratório Novartis.De acordo com a denúncia feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Lote Z0047 do Glivec teria sido adulterado por laboratórios clandestinos, “que trocaram o medicamento por uma substância do tipo placebo (sem qualquer influência no organismo).”
Notificado pela Anvisa, a farmacêutica Novartis foi obrigada a recolher todos os produtos do lote no país. A agência brasileira recomendou ainda aos utilizadores do fármaco que, “em caso de suspeita de uso do lote falsificado, procurem imediatamente um médico para fazer uma reavaliação do quadro clínico, e entrem em contato com o Serviço de Informação ao Cliente do laboratório Novartis.”
A adulteração de medicamentos é considerada um crime hediondo contra a Saúde Pública. O Glivec é usado por doentes com leucemia, um tipo de cancro no sangue que, se não for tratado, pode levar à morte.
Raquel Pacheco
Fonte: Agência Brasil
AstraZeneca em maus lençóis
A farmacêutica AstraZeneca enfrenta problemas graves, sendo que, ao longo dos próximos oito anos a performance da empresa deverá destacar-se como “a pior em todo o sector”, afirma um relatório da Dresdner Kleinwort.
As estimativas dos analistas indicam que, entre a actualidade e o ano de 2015, o laboratório deverá sofrer resultados negativos acentuados, com as vendas a atingirem um tecto máximo de subida inferior a 1 por cento, na melhor das hipóteses, podendo mesmo assistir a uma quebra de 3 por cento nas vendas de acordo com o panorama mais pessimista.
“Do nosso ponto de vista, o pior cenário possível não é animador, mas deve ser seriamente tido em consideração… [uma vez que tem] uma probabilidade de 50 por cento de acontecer”, escreveram os analistas no relatório divulgado no inicio desta semana.
Em declarações ao portal Outsourcing-Pharma.com a AstraZeneca escusou-se a comentar o relatório, dizendo apenas que “os analistas têm direito à sua opinião e vamos ter que esperar para ver”.
Os analistas dizem ter baseado as suas estimativas no risco eminente que paira sobre os três fármacos mais importantes da AstraZeneca, que em breve ficarão sujeitos à concorrência dos genéricos, uma situação motivada pela perda da protecção de oito patentes, ao longo dos próximos oito anos, de medicamentos de marca que actualmente representam 60 por cento das vendas da empresa.
“O cenário mais positivo assume que oito produtos estejam protegidos pela patente até 2015. O pior cenário prevê que as versões genéricas do Nexium (Esomeprazol) e do Seroquel (Quetiapina) possam surgir em 2008 e do Crestor (Rosuvastatina) em 2009”, referem os analistas.
O estudo manifesta também preocupação com o facto da AstraZeneca ter apenas oito produtos significativos em desenvolvimento, com lançamento previsto a partir de 2009. Entre estes, apenas metade foram considerados adequados pelos analistas para inclusão nas suas previsões financeiras.
Para além disto, o pior cenário traçado pelo relatório da Dresdner Kleinwort sugere também que um dos novos produtos da AstraZeneca, a Saxagliptina, pode não conseguir obter autorização de comercialização devido a falhas nos critérios de segurança. O produto não foi, por isso, tido em conta nas previsões de vendas dos analistas.
A Saxagliptina, que está a ser desenvolvida em conjunto com a Brystol-Myers Squibb, destina-se ao tratamento da diabetes tipo II e deverá estar pronta para ser lançada em 2009. No entanto, o Galvus (Vildagliptina), um inibidor da dipeptidil peptidase 4 rival, desenvolvido pela Novartis, revelou problemas de segurança para o fígado quando administrado em doses elevadas. Estes resultados podem representar uma ameaça para o medicamento da AstraZeneca devido à “extrema semelhança” entre os produtos.
Marta Bilro
Fonte: In-PharmaTechnologist.com, Outsourcing-Pharma.com, Infarmed, Farmacia.com.pt.
Nova lei aumenta procura de consultas de cessação tabágica
Para o responsável, os números indicam que “as pessoas se estão a habituar à lei”, tomando consciência de que “vão surgir limitações ao fumo no trabalho e nos restaurantes”. Por outro lado, há ainda os casos de pessoas para as quais o abandono do vício é uma necessidade evidente, referiu Luís Rebelo. “Temos uma professora que se sentia incapaz de dar aulas porque fumava três maços por dia”, exemplificou, salientando que “apenas 5% a 10% dos dois milhões de fumadores conseguem abandonar os cigarros sem ajuda de um médico, medicamentos ou a sua combinação”.
"Dos 90% de fumadores que restam, 20% (360 mil) estão preparados para deixar de fumar, desde que tenham condições, ou seja, medicamentos, consultas ou terapias”, acrescentou.
De acordo com a nova lei, cada centro de saúde e hospital deverá disponibilizar uma consulta anti-tabágica, no entanto, actualmente existem apenas 147 consultas no país. Os dados da Direcção-Geral da Saúde apontam para a existência de 187 consultas, sendo que a soma inclui as que ainda vão abrir no Norte.
Apesar do aumento da procura, a cobertura ainda está "longe de ser suficiente, frisou Luís Rebelo. A região de Lisboa conta com 28 consultas, o Algarve com duas e o Alentejo com quatro. Na zona Centro do país contabilizam-se um total de 43 consultas.
Marta Bilro
Fonte: Diário de Notícias, Fábrica de Conteúdos, Diário Digital.
Investigadora portuguesa torna-se primeira galardoada ibérica com o Prémio europeu Eppendorf
O Premio Eppendorf foi criado em 1995 e é atribuído anualmente a jovens cientistas europeus, com menos de 35 anos, como reconhecimento pelas suas investigações na área da biomedicina. A cerimónia de entrega do prémio vai decorrer na feira "Medica" de Dusseldorf, na Alemanha.
A investigadora demonstrou-se surpresa com a notícia, frisando que "na lista de vencedores anteriores estão nomes muito importantes" e que por isso nunca pensou ser escolhida.
A investigadora manifestou-se contente, não só pelo reconhecimento do seu trabalho, dos seus colegas e do Instituto Gulbenkian Ciência (IGC), mas também pela oportunidade de dar visibilidade internacional à ciência portuguesa.
"Hoje já se pode fazer muito boa ciência em Portugal" e este prémio vai contribuir para isso, considerou a cientista, que começou a estudar a multiplicação das células - um processo alterado nos tumores - como Investigadora Associada na Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde esteve cinco anos. Em Outubro de 2006, Mónica Bettencourt Dias iniciou o seu laboratório no IGC, onde tem desenvolvido o seu trabalho.
Desde o inicio do seu trabalho, a cientista portuguesa já identificou várias moléculas envolvidas na multiplicação das células, e desvendou alguns dos segredos do centrossoma, uma estrutura que regula o esqueleto e a multiplicação das células e que está frequentemente alterada no cancro.
Estas descobertas, que poderão levar a novos métodos de diagnóstico e de ataque no combate ao cancro, mereceram publicação nas mais conceituadas revistas internacionais da especialidade, como a "Nature", a "Science" e a "Current Biology".
As investigações em concurso são julgadas por um comité científico composto por quatro peritos na área e presidido pelo Director do Max Planck Institute for Molecular Cell Biology and Genetics, de Dresden (Alemanha). Entre os critérios de avaliação foram tidos em conta a criatividade, o trabalho apresentado, o significado dos resultados para a medicina e o significado dos trabalhos em relação à idade do candidato.
Mónica Bettencourt Dias havia sido recentemente distinguida com o prémio Pfizer de investigação básica 2007, que recebeu juntamente com Ana Rodrigues Martins.
Inês de Matos
Fonte: Lusa
Ômega 3 previne Alzheimer
Estudo indica que alimentação rica em ácido gordo, vegetais, frutas e peixes diminuiu risco de doenças neurodegenerativas
Uma dieta rica em ômega 3 pode reduzir o risco de Alzheimer e outras doenças degenerativas. A conclusão saiu de um estudo publicado pela revista da Academia Americana de Neurologia - «Neurology».
Intitulado «Pascale Barberger-Gateau», o estudo centrou-se na análise dos hábitos alimentares de mais de 8 mil homens e mulheres com mais de 65 anos nas cidades francesas de Montpellier, Dijon e Bordeaux ao longo de 4 anos.
De acordo com os investigadores, no início do estudo, “nenhum dos entrevistados apresentava sinais de problemas neurológicos” mas no fim da pesquisa - revelaram - “183 participantes desenvolveram Alzheimer e 98 tinham outros tipos de demência.”
Perante estes resultados, os investigadores concluíram que: “as pessoas que consumiam regularmente óleos ricos em ômega 3 - como óleo de canola (sementes de flor amarela), óleo de linhaça (sementes de linho) e óleo de nozes - reduziam em 60% o risco de contrair a doença, comparativamente, com as que não ingeriam esses óleos.”
A equipa francesa constatou, ainda, que “os participantes que tinham uma dieta rica em frutas e vegetais reduziram também o risco de apresentar demência em 30% em relação àqueles com uma dieta menos saudável.”
Outro factor importante destacado pelos investigadores refere-se ao consumo de peixe: “O consumo, uma vez por semana, diminuiu o risco de demência em 40% e de Alzheimer em 35%”, frisaram, ressalvando que o facto foi observado apenas em participantes que não tinham uma predisposição genética às doenças.
Segundo destacou um dos autores do estudo, estes resultados assumem “uma importância considerável”, uma vez que, “a maioria das pessoas não têm o gene ApoE4 (que aumenta o risco de Alzheimer), argumentou, advogando a necessidade de aprofundar a investigação “para que se identifique a quantidade e a combinação ideais de nutrientes antes de implementar recomendações nutricionais."
Os dados ventilados pela Associação Portuguesa de Familiares e Amigos da Doença de Alzheimer (APFADA) indicam que, em Portugal, o cenário é preocupante: estima-se que, a doença afecte mais de 70 mil pessoas. Um número que, segundo a associação, agravar-se-á, sustentando que, "as pessoas vivem mais e, por isso, crescem as probabilidades de a patologia se desenvolver."
Esta doença degenerativa atinge, principalmente, idosos. Caracteriza-se pela morte das células cerebrais e consequente atrofia do cérebro, progressiva e irreversível.
Raquel Pacheco
Fontes: Medscape/ Fox News
Estudantes de farmácia promovem congresso sobre oncologia
Ao longo destes dois dias, os especialistas reunidos vão debater várias temáticas, entre as quais as nanotecnologias em oncologia; os novos fármacos no combate ao cancro; a terapia génica; a oncohematologia; a nutrição em doentes oncológicos; ou a importância das plantas e o seu contributo.
As farmácias dos Hospitais da Universidade de Coimbra e do IPO-Coimbra vão ter a seu cargo uma apresentação sobre o tema “Fármacos citostáticos e sua manipulação”.
A iniciativa conta com a colaboração da Sociedade Portuguesa de Oncologia.
Marta Bilro
Fonte: e-mail Farmacia-press
Identificada proteína que pior a asma
Investigadores identificaram uma substância no organismo que pode aumentar a gravidade da asma. Uma proteína, que pode ter originariamente evoluído para ajudar a proteger as vias aéreas, agora parece ser um biomarcador que indica asma grave, e também pode ter um papel no desenvolvimento da doença. Esta é uma descoberta que pode levar a um melhor tratamento da doença respiratória.Os asmáticos com um nível mais elevado da molécula tiveram ataques mais graves. Grandes quantidades da proteína foram associadas a uma função pulmonar reduzida e a paredes dos brônquios mais espessas que dificultam a respiração, de acordo com a investigação liderada pelas escolas médicas da Universidade de Yale e da Universidade de Paris, e pela MedImmune, unidade da AstraZeneca Plc.
A proteína poderá ser um marcador, facilmente detectável através de uma simples análise de sangue, para monitorar a progressão da doença ou para identificar as pessoas em risco de desenvolver uma forma mais grave de asma, que vitimou 255 mil pessoas, em 2005, e que perturba cerca de 300 milhões em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Contudo, o novo estudo não prova que a YKL-40 é uma causa da asma, somente que os níveis elevados parecem ser um marcador da asma grave.
Algumas companhias, incluindo a MedImmune, estão em testes pré-clínicos de anticorpos que poderão inibir a proteína ou os seus efeitos nos asmáticos. A tecnologia está, pelo menos, a três anos de distância dos testes de última fase em humanos.
A YKL-40 é uma proteína tipo quitinase que se liga à quitina, uma substância abundante encontrada em fungos, crustáceos e insectos, como ácaros e baratas. Os humanos não fabricam quitina, mas produzem quitinases (enzimas que param a quitina) e enzimas tipo quitinase (enzimas que se ligam à quitina, mas que não a param). A presença da quitina nos pulmões pode fazer com que o organismo acredite que tem uma infecção e que precisa de se defender. Infelizmente, este mecanismo de defesa pode estar a reagir a ácaros inofensivos.
Isabel Marques
Fontes: Bloomberg, www.eurekalert.org, Forbes
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Acambis e Sanofi-Aventis desenvolvem vacina contra o vírus do Nilo Ocidental
Segundo os termos do acordo, a Acambis irá receber um pagamento adiantado de 10 milhões de dólares, e será elegível para pagamentos pré e pós-comercialização até 70 milhões de dólares quando forem atingidos objectivos, baseados na aprovação do produto e nas vendas no mercado norte-americano. A companhia britânica terá ainda direito a receber financiamento para o desenvolvimento, e regalias sobre as vendas da vacina. A Acambis irá continuar a executar as actividades de desenvolvimento, até ao pedido de registo de licença junto das autoridades norte-americanas (inclusive).
A vacina irá ajudar a luta contra esta doença grave, que altera a qualidade de vida e que é potencialmente fatal. Os cientistas acreditam que uma vacina segura e efectiva poderá ser a estratégia mais custo-eficiente para prevenir a infecção por vírus do Nilo Ocidental. Actualmente, não existe nenhuma vacina humana para a prevenção da doença, nem nenhum tratamento específico. A doença emergiu nos Estados Unidos nos anos 90 e é considerada endémica no país.
A vacina experimental, que começou a ser desenvolvida pela Acambis em 1999, está actualmente na Fase II do ensaio clínico em adultos entre os 41 e os 64 anos e maiores de 65 anos. Os dados preliminares de um ensaio anterior de Fase II, em adultos saudáveis, demonstraram que 98 por cento dos sujeitos desenvolveram anticorpos específicos no soro, 28 dias após uma única vacinação. O perfil de segurança tem-se demonstrado satisfatório.
O vírus do Nilo Ocidental é transmitido pela picada de um mosquito e pode causar uma inflamação fatal no cérebro. Os sintomas mais graves podem incluir febre alta, dor de cabeça, rigidez do pescoço, estado de inconsciência, tremores, convulsões, fraqueza muscular, perda de visão, dormência e paralisia. Estes sintomas podem durar várias semanas, e os efeitos neurológicos podem ser permanentes.
Isabel Marques
Fontes: Reuters, www.tradingmarkets.com, CNNMoney, www.bizjournals.com
Programa de computador vai ajudar cirurgias ortopédicas
Investigadores de Coimbra acreditam que outras cirurgias poderão beneficiar do sistema de navegaçãoInvestigadores da Universidade de Coimbra estão a desenvolver um sistema de navegação assistida por computador que visa ajudar nas cirurgias ortopédicas, principalmente nas de grande melindre, como a reconstrução do ligamento cruzado do joelho, típica nos desportistas.
O projecto «ArthroNav - Navegação Assistida por Computador em Cirurgia Ortopédica» está a ser desenvolvido por uma equipa do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e coordenado por João Barreto e Paulo Menezes, em colaboração com o académico e cirurgião Fernando Fonseca, do Serviço de Ortopedia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
De acordo com uma nota veiculada pela FCTUC - que o farmacia.com.pt teve acesso - a investigação teve início este ano e desenvolver-se-á ao longo de três, centrando-se no desenvolvimento de navegadores cirúrgicos que vão funcionar como um GPS virtual nas salas de cirurgia. “É um sistema de visualização que fornece, em tempo real, a posição e orientação das ferramentas cirúrgicas e os órgãos alvo, neste caso o joelho”, explicam os investigadores.
Segundo esclareceu a equipa de Coimbra, “este tipo de cirurgia é normalmente realizado por artroscopia, o que implica a abertura de dois furos no joelho, um para a introdução de um sistema óptico que vai fortalecer o cirurgião na operação do ligamento roto”, reforçando que o objectivo é “melhorar a percepção dos cirurgiões e a habilidade da navegação dentro da articulação do joelho, através da fusão de sensores ópticos, reconstrução 3D e registo de modelos pré-operativos.”
Em declarações à Agência Lusa, João Barreto complementou que o sistema em desenvolvimento “vai tratar essas imagens recolhidas pela câmara introduzida no joelho e calcular de forma precisa a posição do osso.”
É sabido que a cirurgia de reconstrução dos ligamentos do joelho é muito delicada e exige muitos anos de preparação por parte do cirurgião. Neste sentido, os cientistas destacaram que “esta solução tecnológica não só melhora o desempenho e confiança de cirurgiões experientes, como também diminui as exigências de treino clínico, permitindo que mais médicos operem.”
Outras vantagens apontadas pelos investigadores de Coimbra referem-se à “optimização dos resultados clínicos e, consequentemente, diminuição das listas de espera nesta especialidade.”
Raquel Pacheco
Fonte: Comunicado FCTUC/Lusa
Tuberculose e Malária: inovação inédita em diagnósticos
Partec vai disponibilizar testes para despistar doenças em países pobresNo âmbito do 39.º Fórum Mundial de Medicina que se realiza, desde dia 14 até dia 17, em Dusseldorf, na Alemanha, a Partec - empresa líder global de soluções de diagnósticos dedicados ao combate da sida, tuberculose e malária – vai apresentar um equipamento inovador e inédito para efectuar diagnósticos de alta sensibilidade de tuberculose e malária, em países de baixos e médios recursos.
Trata-se de combinar o primeiro microscópio «CyScope» fluorescente móvel desenvolvido pela Partec com kits para testes dedicados a ambas as doenças. Pela primeira vez, os serviços de diagnósticos vão ser oferecidos a países altamente oprimidos e, também, a doentes que vivem em áreas remotas, longe dos grandes centros.
"O pré-requisito para qualquer melhora nos programas de tratamento no campo da tuberculose e da malária é a disponibilidade de soluções de diagnósticos adaptadas às situações e infra-estruturas regionais específicas, principalmente, nos países em desenvolvimento”, referiu Roland Gohde, director executivo da Partec Essential Healthcare.
De acordo com o representante da empresa alemã, por ter tido “muito sucesso” no lançamento de uma classe totalmente nova de ultra-compacto bastante económico, bem como, de microscópios fluorescentes móveis robustos e fáceis de serem usados, “agora é possível atender as inúmeras pessoas infectadas que, anteriormente, estavam quase sem cobertura para quaisquer testes destas doenças."
Num comunicado de imprensa a que o farmacia.com.pt teve acesso, Roland Gohde esclarece que "devido ao desenvolvimento de tecnologia moderna para componentes, foi possível desenvolver uma unidade de microscópio compacto e único baseado num inovador sistema óptico e novos e ultrabrilhantes Diodos Emissores de Luz” (LEDs em inglês).
O dirigente destacou ainda a oferta de “benefícios significativos não apenas em termos de sensitividade (sensibilidade), durabilidade e robustez, mas também, a nível de preço – o microscópio fluorescente está disponível por um preço de instrumento abaixo de 1000 euros”, rematando que, “os microscópios fluorescentes convencionais normalmente custam mais de 15.000 euros.”
Na nota, a Partec sublinha que disponibiliza, para além dos microscópios fluorescentes, os kits para testes de tuberculose e malária requisitados e aprovados para uso em diagnóstico in vitro (IVD em inglês), sendo que, para os reagentes de tuberculose, foi acordada uma cooperação com a Merck KGaA, em Darmstadt, Alemanha.
De referir que, o «CyScope» já é largamente usado na África, Ásia e Europa e foi clinicamente validado, com resultados positivos, tanto para a tuberculose, como para a malária, por diferentes grupos de investigação internacionais, nomeadamente, do Gana, Benin, Guiana Francesa, Nigéria e pelo conceituado Bernhard-Nocht-Institute for Tropical Medicine de Hamburgo.
Raquel Pacheco
Fontes : PRNewswire/
(http://www.partec.com/preview/cms/front_content.php?idcat=300 )
EMEA concede estatuto de medicamento orfão a fármaco antiviral
O Camvia é um fármaco antiviral potente e selectivo, biodisponível por via oral, com um mecanismo único de acção contra o citomegalovírus, e com um perfil de segurança clínico inicial favorável. Contrariamente aos agentes anti-CMV actualmente disponíveis que inibem a polimerase do ADN do CMV, o Camvia inibe a agregação do ADN viral e inibe a saída dos capsídeos virais do núcleo das células infectadas. O Camvia é activo in vitro contra estirpes do CMV que são resistentes aos fármacos anti-CMV normalmente utilizados. O citomegalovírus pertence a um grupo de vírus que provoca varicela, herpes e outras doenças.
O estatuto de medicamento órfão é delineado para promover o desenvolvimento de fármacos que têm o potencial de fornecer um benefício significativo a doentes que sofrem de doenças raras, identificadas como potencialmente fatais ou muito graves.
A designação fornece ao fármaco 10 anos de exclusividade de comercialização, caso o produto candidato seja aprovado para ser comercializado na União Europeia. Também permite a assistência da EMEA na optimização do desenvolvimento clínico do fármaco candidato, através da participação no delineamento do protocolo clínico e na preparação do pedido de candidatura para comercialização.
Isabel Marques
Fontes: Reuters, CNNMoney, www.tradingmarkets.com
Alunos de Farmácia contra o tabagismo
«Dá o primeiro passo para uma vida sem fumo» é o repto que nesta quinta-feira vai ser lançado pelos alunos da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa aos colegas de sete outras faculdades daquela academia. A iniciativa, com a chancela do Gabinete de Informação, Promoção e Educação para a Saúde da Associação de Estudantes da FFUL, integra o programa da I Campanha de Cessação Tabágica do GIPES, e visa assinalar o Dia do Não Fumador, que acontece no sábado.
O farmacia.com.pt sabe que a campanha tem o apoio de uma marca de produtos de ajuda à desabituação do tabaco, e vai decorrer durante todo o dia. A prevenção da iniciação ao vício, bem como a eliminação às fontes de exposição involuntária ao fumo, a prestação de aos programas de cessação tabágica e o esclarecimento de dúvidas relativas às terapêuticas farmacológica e não farmacológica para deixar de fumar são os grandes objectivos da medida, que hoje parte das instalações da Faculdade de Farmácia para chegar às unidades congéneres de Medicina Dentária, Medicina, Psicologia e Ciências da Educação, Letras, Direito e Ciências, que entre as 10 e as 19 horas receberão a visita dos estudantes promotores da campanha, que tem como público-alvo os estudantes, sendo “mediadores de saúde” os alunos do terceiro, quarto, quinto e sexto anos da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e os alunos da Escola Superior de Tecnologia de Saúde de Lisboa.
Segundo informações avançadas pelo site CiênciaPT, “a iniciativa está dividida em quatro postos de trabalho”: no primeiro é avaliada a dependência face ao tabaco e a motivação do estudante para deixar de fumar; no segundo é feita a medição e a análise do nível de monóxido de carbono; no terceiro é realizado um rastreio para a avaliação das capacidades respiratórias; e no quarto posto de trabalho são dados alguns conselhos com vista a incentivar a adopção de comportamentos saudáveis.
Carla Teixeira
Fonte: CiênciaPT, Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa
Tabaco dá origem a produtos farmacêuticos
A ideia de que o tabaco encerra alguns efeitos positivos para a saúde humana não é nova, sendo preconizada há mais de cinco séculos em vários contextos. Benício Albano Werner, presidente da Associação Internacional de Produtores de Tabaco (ITGA), veio há dias a público argumentar que o uso medicinal da nicotina deverá, a breve trecho, tornar-se uma realidade.
No seguimento das notícias que deram conta dos alegados benefícios da utilização da marijuana no tratamento de diferentes patologias, que alguns países já puseram em marcha, o presidente da ITGA afirmou que também o uso medicinal do tabaco começa a tornar-se uma realidade cada vez premente, já que “todos os dias o fumo dá origem a vários produtos biofarmacêuticos, entre os quais constam a insulina, as hormonas, os anticorpos e diversas vacinas”. Contudo, acrescentou, “a quantidade utilizada, cerca de um milhão de quilos, ainda é muito pequena, quando comparada ao total de tabaco produzido em todo o mundo”, que em 2006 atingiu os quase sete milhões de toneladas.
Em meados do ano passado um cientista chinês tinha já asseverado que a nicotina não só não prejudica a saúde dos fumadores como pode inclusivamente ser usada no tratamento de doenças como Alzheimer ou Parkinson. Na base da convicção de Zhao Baolu, membro da Academia Chinesa das Ciências, figurariam os resultados obtidos em vários estudos, que o investigador vem desenvolvendo desde há duas décadas, que foram nessa altura divulgados em inúmeras publicações científicas, entre as quais o «Jornal Britânico de Farmacologia». Em experiências com ratos, o cientista chinês concluiu que os roedores a quem foram administradas doses de nicotina equivalentes a dois maços de cigarros fumados por um humano por dia se mostravam menos propensos a contrair problemas neurológicos.
Explicando que a nicotina actua como anti-oxidante, fornecendo aos neurónios uma espécie de blindagem e protegendo-os de outras substâncias que causam aquelas doenças, Zhao Baolu aferiu que “a nicotina não é tóxica”, frisando que a substância apenas tem um efeito viciante, como disse, em meados de 2006, numa entrevista à agência noticiosa espanhola Efe, negando qualquer ligação das suas investigações a supostos interesses das empresas tabaqueiras. “Não sou a favor de que se fume, porque há outros componentes do cigarro que prejudicam a saúde”, disse o chinês, apontando como exemplo o alcatrão, e pediu que os resultados do seu trabalho não sejam mal interpretados. “A ideia não é a de fumar para prevenir o aparecimento de doenças neurológicas. Trata-se de utilizar a nicotina, no seu estado puro, em doses calculadas e só em pacientes que precisem dela”, salientou.
Carla Teixeira
Fonte: InvestNews, Agência Lusa
FDA aprova novo fármaco contra HIV-1
Abbott vai registar nova fórmula de lopinavir/ritonavir em mais de 150 países para chegar a milhões de criançasA Abbott recebeu «luz verde» da FDA para registar e disponibilizar o novo medicamento de lopinavir/ritonavir (de menor potência) em mais de 150 países. A farmacêutica quer permitir o amplo acesso ao fármaco a milhões de crianças que vivem com o vírus do HIV em mundo todo.
A farmacêutica norte-americana Abbott anunciou que obteve a aprovação da DFA - Food and Drug Administration (órgão responsável pela administração de alimentos e medicamentos dos EUA) para uma nova fórmula de medicamento de menor potência do Kaletra (lopinavir/ritonavir) - inibidor de protease líder para vírus de imunodeficiência humana (HIV-1) - também comercializado como Aluvia (lopinavir/ritonavir) em países em desenvolvimento.
O fármaco Kaletra, de menor potência, estará disponível nos EUA, já este mês. Contudo, a empresa aguarda a autorização de comercialização dos comprimidos Kaletra/Aluvia de menor potência na região EMEA (Europa, Oriente Médio, África).
Em comunicado de imprensa disponível no site da Abbott, a farmacêutica informa que pretende registar esta nova fórmula “em mais de 150 países”, realçando que “a fórmula de cápsula em gel de LPV/r é o inibidor de protease mais amplamente registado no mundo.”
Recorde-se que, a fórmula original do comprimido já está disponível em 93 países e a Abbott espera, agora, a aprovação noutros 45 países para a nova fórmula no sentido de “ampliar as opções disponíveis para utilizar o primeiro e único fármaco co-formulado inibidor de protease para tratar de crianças afectadas pelo HIV”, frisou a empresa.
Inovação: medicação não exige refrigeração, nem refeição
Para a farmacêutica, a aprovação do novo Kaletra de menor potência constitui “um importante passo no compromisso contínuo da Abbott em relação à luta global contra o vírus do HIV”, destacando um importante avanço no fornecimento de medicação para crianças com HIV localizadas em países em desenvolvimento: “Estes medicamentos não exigem refrigeração e podem ser tomados com ou sem uma refeição.”
Segundo os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), dois milhões de crianças viviam com HIV/Sida na África Subsaariana no final de 2006.
A Abbott revelou que o novo fármaco “é menor que o Kaletra original e contém os mesmos ingredientes activos comprovados que a solução oral Kaletra da Abbott”, sublinhando que o medicamento de menor potência “é aprovado para crianças que pesam 15 kg ou mais e conseguem engolir o comprimido intacto.”
De referir que, no que concerne a preços, custará metade do valor do comprimido original nos países em desenvolvimento.
Raquel Pacheco
Fontes: PRNewswire/ www.abbott.com
Governo vai comparticipar a 100% terapêuticas para diabéticos

Era uma reivindicação antiga que deu lugar a uma vitória neste Dia Mundial dos Diabéticos. O Governo decidiu que vai comparticipar a 100% a terapêutica com bombas infusoras usadas por diabéticos e ainda a insulina de acção lenta.
A boa notícia foi hoje avançada pelo secretário de Estado da Saúde em declarações ao jornal «Público». Francisco Ramos anunciou a medida e garantiu que entrará já em vigor em Janeiro do próximo ano.
Actualmente, apenas cerca de 150 pessoas usam as bombas infusoras, de insulina devido aos elevados custos: mais de três mil euros para as bombas e entre 100 a 150 euros por mês para os consumíveis. No entanto, segundo vaticinou a tutela, esta terapêutica irá chegar a apenas "cerca de 100 diabéticos por ano num prazo de cinco anos."
Por seu turno, e de acordo com a previsão feita pelo director clínico da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, José Manuel Boavida, a insulina de acção - uma injecção para reduzir as hipoglicemias - "irá abranger um universo entre 20 a 30 mil doentes, de uma forma gradual."
Raquel Pacheco
Fonte: Público
Pela comparticipação da bomba de insulina
No seguimento de um primeiro apelo lançado, na última semana, pela Associação de Jovens Diabéticos de Portugal, no sentido da necessidade de comparticipação estatal dos tratamentos com recurso à bomba infusora de insulina, numa posição prontamente secundada por alguns médicos, agora são os pediatras que alertam para a urgência da medida.
A presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica (SPEDP) manifestou a sua “preocupação” face a essa falta de comparticipação, insistindo na ideia de que a diabetes de tipo 1 é a doença mais prevalente entre as crianças do mundo desenvolvido. Frisando que, como tinha dito anteriormente ao nosso portal, “a terapêutica insulínica com bombas infusoras nas crianças e nos adolescentes com a doença é um método com inúmeras vantagens, Ana Fagulha enalteceu o menor risco de hipoglicemia, a maior flexibilidade no estilo de vida e o facto de aquele dispositivo permitir uma menor variabilidade dos valores da glicemia ao longo do dia, asseverando que, “se bem usada, a bomba permite um bom controlo glicémico”.
De acordo com a especialista “a melhoria no controlo da diabetes traduz-se numa menor incidência de complicações agudas e crónicas associadas à doença, como a cegueira, a insuficiência renal, a amputação de membros ou o surgimento de outras doenças, como as cardiovasculares”. Reiterando um dado que o farmacia.com.pt tem vindo a difundir com particular insistência nos últimos dias, que antecederam a celebração à escala global do Dia Mundial da Diabetes nesta quarta-feira, a médica que preside à SPEDP atestou que o tratamento com a bomba infusora de insulina está “indicado em todos os diabéticos de tipo 1, desde que sejam cuidadosamente seleccionados”, uma vez que “a determinação das glicemias capilares pelo menos quatro vezes por dia, a capacidade para lidar com os vários componentes técnicos da bomba, a motivação e o indispensável apoio dos pais, no caso das crianças, são premissas importantes” para o uso correcto deste equipamento.
Em comunicado a SPEDP reforça ainda a importância de o doente ser “seguido por uma equipa multidisciplinar, composta por um médico, um enfermeiro e um dietista ou nutricionista, com conhecimentos e prática na utilização da tecnologia”, sendo fundamental que paciente tenha acesso à equipa durante as 24 horas do dia. Ana Fagulha recorda que já existem, no nosso país, “alguns centros hospitalares com experiência neste método de tratamento em crianças e adolescentes”, e lembra que a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica, pretendendo o “aumento dos conhecimentos teóricos e práticos daquelas unidades de saúde, realizou o seu primeiro curso teórico-prático sobre bombas Infusoras de insulina na criança e no adolescente. A acção de formação teve lugar no passado dia 8 no Porto, tendo comparecido 14 centros hospitalares, cada um representado por três elementos do seu quadro de efectivos.
Salientando que “é objectivo da SPEDP implementar planos para uma actualização constante dos conhecimentos dos profissionais de saúde sobre aquele dispositivo, com o intuito de proporcionar às crianças e aos adolescente com diabetes de tipo 1 a assistência de elevada qualidade a que têm direito, para que possam ter uma boa qualidade de vida, a curto e a longo prazo”, Ana Fagulha lamenta que, no âmbito da sua prática clínica, os profissionais ainda esbarrem com os “graves problemas” que resultam do elevado custo das bombas e da exigência de um orçamento mensal para a aquisição dos seus componentes, frisando que, “infelizmente, nem todas as crianças e adolescentes que têm indicação para este método de tratamento podem beneficiar dele, porque sem sempre têm capacidades económicas”. É mais uma voz que se une ao coro de protestos pela falta de comparticipação deste tipo de tratamento…
Carla Teixeira
Fonte: Comunicado da Hill and Knowlton
Lei atrasa dispensa de medicamentos inovadores
A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) veio a público nesta terça-feira denunciar que o processo de dispensa de medicamentos inovadores nos hospitais portugueses está a ser atrasado pela nova legislação em vigor. De acordo com o presidente daquela entidade, João Almeida Lopes, a tripla avaliação exigida actualmente leva a que as unidades de saúde demorem aproximadamente um ano a disponibilizar ao doente o fármaco pretendido.
Citado pela Agência Lusa, aquele responsável refere que “anteriormente bastava a autorização da comissão de farmácia e terapêutica de cada hospital”, e salienta que “a nova metodologia prevê um prazo mínimo de nove meses entre a avaliação e a primeira utilização do medicamento, por causa das autorizações necessárias”, que, segundo o vice-presidente da Apifarma, Manuel Gonçalves, cabem agora à mesma comissão hospitalar, mas passam a depender igualmente da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed). Se “na teoria os nove meses são realistas, na prática são completamente o oposto”, asseverou o número dois da associação representativa da indústria farmacêutica, acrescentando que os novos mecanismos legais “levam a um atraso de um ano em relação ao passado”.
A Apifarma refere que “estes tempos de avaliação não favorecem ou aceleram o crescimento hospitalar farmacêutico”, criticando as medidas de redução do preço dos medicamentos quando não há oficialização do valor dos mesmos. Para João Almeida Lopes “há uma preocupação com a contenção orçamental de pressão economicista sobre as contas da saúde”. A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica adianta também que, no que toca aos chamados medicamentos de marca, as vendas ao público representaram 2,68 mil milhões de euros em 2006, menos um por cento do que no ano anterior, enquanto o mercado de genéricos representou 479,1 mil milhões de euros no mesmo período, com um crescimento de 22 por cento face a 2005.
Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, Apifarma
Elevado teor de sal nos alimentos preocupa deputados socialistas
Os deputados do PS pretendem estabelecer uma quantidade máxima de sal nos produtos alimentares e uma rotulagem obrigatória dos alimentos, onde deverá estar descriminado o teor de sal presente.
Contudo, os socialistas da Comissão de Saúde equacionam também fiscalizar, através da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), produção e comercialização dos alimentos, bem como realizar campanhas de sensibilização e alerta para o perigo de um consumo elevados de sal, apostando em medidas médicas preventivas.
"Um grama a menos de sal por dia na dieta dos portugueses pouparia 2.560 vidas por ano", referiu o médico e deputado da Comissão de Saúde Joaquim Couto, citando o estudo "Sal no Pão", da Universidade Fernando Pessoa, enfatizando também a relação dos consumos excessivos de sal com o Acidente Vascular Cerebral (AVC), a principal causa de morte em Portugal.
Segundo este estudo, o pão português tem perto de 10 gramas de sal por quilo, muito acima da média de muitos dos pães consumidos na União Europeia. Em análise estiveram 40 tipos de pão, nomeadamente o pão de trigo, de centeio e integral, sendo que os pães portugueses foram comparados de perto com pães de dez países europeus e, nalguns casos, registou mais do dobro do sal.
O estudo "Sal no Pão" sugere, como medida preventiva, a aposta no "pão do coração", um pão que não deverá ter mais que um grama e meio de sal por quilo, número bastante abaixo daqueles que o estudo revela serem os valores normais em Portugal.
Mas para além do pão, muitos são os alimentos ingeridos pelos portugueses que apresentam um elevado teor de sal, de tal forma que, em média, em Portugal consome-se cerca de doze gramas de sal por dia, mais do dobro da quantidade recomendada.
Para Luís Martins, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e um dos responsáveis pelo estudo, os níveis de ingestão de sal são "umas das piores toxicodependências dos portugueses", acrescentando que esta é “uma questão cultural”, que “não pode ser abordada com fundamentalismos”.
"Se quisermos ter benefícios em termos de saúde pública, temos que fazer algo agora", referiu Luís Martins, que se mostrou também preocupado com a relação do consumo de sal com o número de mortes por AVC.
O estudo "Sal no Pão" refere ainda que o AVC "é uma catástrofe evitável", que actualmente é responsável pela morte de 17 a 20 mil portugueses e de 575 mil europeus todos os anos.
Inês de Matos
Fontes: Lusa, Público
Pfizer e Nektar chegam a acordo sobre insulina inalável Exubera
Segundo os termos do acordo, a Pfizer irá fazer um único pagamento, no valor total acordado, à Nektar para satisfazer todas as restantes obrigações contratuais relacionadas com o Exubera e com o produto em desenvolvimento. Caso a Nektar seleccione um novo parceiro para comercializar o Exubera, a Pfizer concordou em transferir os restantes direitos e todos os benefícios económicos, incluindo os registos e candidaturas na FDA e nas autoridades reguladores de outros países. Os ensaios clínicos a decorrer também serão transferidos.
Em Outubro, a Pfizer anunciou que iria terminar o investimento no fármaco para a diabetes da Nektar, e que iria descontinuar a sua comercialização, devido à sua baixa utilização. Contudo, a Pfizer antecipou que a comercialização da insulina inalável será estendida por mais 60 dias.
Isabel Marques
OCDE diz que só na Hungria se morre mais por AVC que em Portugal
Em Portugal, a mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) é de 125,9 homens e de 99,6 mulheres por cada 100.000 pessoas, valores só ultrapassados pela Hungria, onde, em 2003, morreram 160,8 homens e 108,6 mulheres que sofreram um AVC.
A taxa de acidentes vasculares cerebrais é também elevada na Grécia e República Checa e os países onde se morre menos por AVC são a Suiça, a França e o Canadá. A média registada pelo estudo, nos 27 países analisados, foi de 54,4 nas mulheres e de 68,5 nos homens.
Uma alimentação desregrada, aliada ao consumo de tabaco e ao sedentarismo são os principais factores de risco, pois provocam hipertensão e consequentemente um AVC.
Ainda de acordo com o mesmo estudo, Portugal, República Checa, Hungria e Polónia eram os países que, em 2003, tinham mais casos de cáries entre as crianças, conclusão que resultou da soma do número de meninos com dentes estragados, falta de dentes, ou dentes tratados. Pelo contrário, as crianças da Alemanha, Reino Unido, Holanda, Suíça, Luxemburgo e Dinamarca foram aqueles que apresentaram menos problemas de saúde oral.
Tendo também analisado a incidência do cancro do pulmão, o estudo revelou que as mulheres portuguesas são menos morrem com este tipo de cancro ( apenas sete em cada 100 mil), registando-se a mortalidade mais elevada na Dinamarca, Islândia e Estados Unidos.
Inês de Matos
Fonte: Lusa
Venda de medicamentos anti-retrovirais e oncológicos fora das farmácias hospitalares
A Associação Portuguesa de Indústria Farmacêutica (Apifarma) diz que a venda de medicamentos anti-retrovirais ou oncológicos fora das farmácias hospitalares pressupõe um aumento no preço base da margem de lucro da distribuição, que se situa nos 27 por cento, e do IVA destes fármacos.
O presidente da Apifarma, João Almeida Lopes, lembrou hoje que a indústria vende directamente aos hospitais ou centros de saúde sem margem de lucro quanto à distribuição, o que não acontece quando os medicamentos chegam às farmácias correntes.
"Ou as farmácias entregam os medicamentos sem essa margem ou terão que ser mais caros, porque aos 100 por cento do preço são acrescentados 27 por cento da margem de distribuição e mais o IVA", recordou.
A comercialização de medicamentos nas farmácias para a infecção HIV/Sida, artrite reumatóide ou cancro, que até agora eram apenas vendidos em farmácias hospitalares, está prevista para "dentro de alguns meses", confirmou o ministro da Saúde, Correia de Campos, e o presidente da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), Vasco Maria, durante um colóquio no Parlamento.
Manuel Gonçalves, vice-presidente da Apifarma, lembrou que, no âmbito do trabalho de avaliação da dispensa de alguns medicamentos fora dos hospitalares, todas as associações de profissionais, com excepção da Associação Nacional de Farmácias, "não encontraram vantagens na venda de fármacos anti-retrovirais e oncológicos, pois não foram identificadas dificuldades de acesso a estes medicamentos".
"Esta não é apenas uma decisão política, mas também económica", lembrou Almeida Lopes, uma vez que o mercado dos medicamentos para a infecção HIV e patologias oncológicas representa 350 milhões de euros.
Por outro lado, os dirigentes da APIFARMA referem também que existem ainda questões fundamentais por resolver, dando como exemplo a possibilidade de haver menos avaliação/acompanhamento da toma dos medicamentos.
"Já há doentes infectados com Sida que se deslocam de Coimbra para Lisboa ou entre outras localidades para evitar o estigma social, por isso não vemos vantagens da distribuição deste tipo de medicamentos em farmácias. Para a indústria, esta venda não coloca qualquer problema, desde que não nos peçam para fazermos a distribuição", comentaram os responsáveis.
"Os medicamentos não podem ser vistos como custos, mas como investimentos e alternativas a outras intervenções, como os internamentos", referiu Manuel Gonçalves.
Inês de Matos
Fonte: Lusa
Alface geneticamente modificada pode produzir insulina
Investigadores acreditam ter descoberto uma chave para milhões de diabetéticos insulino-dependentesDe acordo com especialistas biomédicos da Universidade da Flórida Central (Estados Unidos), as cápsulas de insulina produzidas duma alface geneticamente modificada podem ser a chave para restaurar a capacidade do corpo em produzir insulina.
É mais uma luz que nasce para milhões de pessoas que sofrem da diabetes dependente de insulina. Se as experiências em humanos forem bem sucedidos como foram em animais, o impacto da investigação poderá reduzir dramaticamente, em todo o mundo, os custos na luta de uma doença que pode levar a doenças cardíacas e renais e cegueira.
Segundo divulgou a revista «Plant Biotechnology», a equipa de investigadores da Florida – liderada por Henry Daniell – projectou geneticamente plantas de tabaco (com um gene da insulina) que foram secas, congeladas e administradas em pó para ratos diabéticos de cinco semanas por oito semanas. “No final do estudo, os ratos diabéticos apresentaram níveis normais de açúcar no sangue e na urina, e suas células produziam níveis normais de insulina”, refere aquela publicação.
A descoberta – que contou com o financiamento do National Institutes of Health em dois milhões de dólares – revelou que “as cápsulas de insulina poderão, um dia, ser usadas para prevenir a diabetes antes do aparecimento dos sintomas e para tratar a doença nos seus estágios mais iniciais”, garantem os autores do estudo, frisando que “há propostas para o uso da alface (em vez do tabaco) para a produção de insulina porque este cultivo pode ser produzido de forma barata e evita o estigma negativo associado ao tabaco.”
A diabetes tipo 1, ou insulino-dependente, é uma doença auto-imune onde o próprio corpo ataca e destrói a insulina e a produção de células beta do pâncreas. A insulina é, pró sua vez, necessário para converter o açúcar, amido e outros alimentos em energia.
Neste sentido, o método de Henry Daniell apresenta-se promissor porque as paredes das células feitas de celulose impedem, inicialmente, que a insulina se degrade. “Quando as células da planta com a insulina alcançam o intestino, as bactérias que vivem lá começam a quebrar lentamente as paredes das células e liberar gradualmente a insulina no sangue”, explicaram os investigadores.
“Produzida na alface, a insulina seria administrada aos doentes humanos como um pó em cápsulas porque a dosagem deve ser controlada com cuidado”, concluíram.
Raquel Pacheco
Fonte: Plant Biotechnology/Biotech
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Nova técnica evita rejeição de transplantes em diabéticos
A longo prazo níveis de açúcar no sangue normalizam, garantem investigadoresUma nova técnica que poderá evitar a rejeição dos transplantes de estruturas pancreáticas (ilhotas de Langerhans) em doentes diabéticos foi desenvolvida por uma equipa norte-americana.
De acordo com um estudo publicado na revista científica «Nature», investigadores da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriram que a combinação de globulina antitimócito (ATG), um composto anticélulas T, com o anticorpo monoclonal rituximab, consegue prolongar a sobrevivência dos transplantes em animais.
É sabido que, até agora, a luta para evitar que o sistema imunitário rejeite os transplantes estava concentrada nos tratamentos de eliminação de algumas células T, encarregues de eliminar os elementos estranhos no organismo.
No entanto, e apesar de o transplante de ilhotas de Langerhans ser uma técnica promissora para muitos doentes com diabetes tipo 1, o certo é que, -- afirmam os especialistas - ainda apresenta entraves “pela dificuldade dos enxertos pancreáticos resistirem a longo prazo.”
Segundo informa a «Nature», a equipa da Pensilvânia analisou, também, em macacos com ilhotas transplantadas, o efeito de reduzir a quantidade de células B, (linfócitos dos quais depende a imunidade).
Os resultados alcançados pelos investigadores conduziram, assim, a uma descoberta promissora: “Foi descoberto que a combinação de globulina antitimócito (ATG), um composto anticélulas T, com o anticorpo monoclonal rituximab, conseguiu prolongar a sobrevivência dos transplantes nos animais”, revelaram.
Ali Naji, coordenador do estudo, destacou ainda que a investigação demonstrou que “a sobrevivência, a longo prazo, das ilhotas pancreáticas - onde se encontram as células beta, produtoras de insulina - transplantadas também consegue normalizar os níveis de açúcar no sangue.”
O rituximab é um anticorpo monoclonal que se une a uma proteína - o antígeno CD20 - na superfície das células B tanto normais como malignas e, a partir dessa união, reúne a acção das defesas naturais do organismo para atacar as células B malignas. Este anticorpo é usado no tratamento de uma forma de Leucemia, o Linfoma Não-Hodgkin.
Os cientistas anunciaram que o próximo passo será avaliar o potencial desta técnica também em humanos.
Raquel Pacheco
Fonte: Nature/Agência EFE
“Pré-diabéticos não recebem atenção devida”
Endocrinologista alerta para a fase pré-diagnóstico em grupos de riscoOs pré-diabéticos constituem um grupo de risco, mas não recebem a atenção devida. O alerta foi lançado pelo endocrinologista Jácome de Castro que, no âmbito do Dia Mundial da Diabetes, defendeu uma maior atenção para a “prevenção e diagnóstico precoce.”
Numa altura em que disparam as vozes quer de reivindicação, quer de informação sobre a diabetes – doença que afecta já cerca de 10% dos portugueses – Jácome de Castro, endocrinologista do Hospital Militar de Lisboa, advertiu para a importância da fase pré-diagnóstico.
“Os pré-diabéticos, pessoas em condições de maior probabilidade de vir a desenvolver a doença, não recebem a atenção devida, apesar de constituíram um grupo de risco”, afirmou o especialista ao «O Primeiro de Janeiro».
Segundo explicou o endocrinologista, a condição de pré-diabético “implica a ocorrência de alterações no metabolismo dos açúcares, deixando as pessoas numa situação intermédia entre o estado normal e o estado diabético”, sublinhando que “podem ser diagnosticadas com a medição dos níveis de açúcar no sangue em jejum, comparando-os depois com os valores que surgem em resposta a uma carga de açúcar padronizada.”
Reconhecendo que as pessoas vão estando “progressivamente consciencializadas para os riscos”, Jácome de Castro reivindicou para uma maior aposta “na prevenção, no diagnóstico precoce e nas terapêuticas agressivas.”
Não é fácil ter de lidar com uma série de alterações quando se tem conhecimento da doença ou, pelo menos, quando se sabe que pertence à condição de pré-diabético. É o caso de João Rodrigues que, embora sabendo ser uma pessoa de risco, descurou a realidade e a negligência conduziu-o a um caminho sem volta: hoje, aos 52 anos é diabético e cego.
Ao farmacia.com.pt, José Rodrigues contou a sua experiência na expectativa de que outros doentes não sigam o seu exemplo, apelando ao controlo precoce da doença."Perdi a visão há mais de dois anos, por ter sido juiz em causa própria e ter descuidado e abandonado, ao longo de 10 anos, o acompanhamento médico. Fui um péssimo pré-diabético e hoje carrego o peso dos meus actos e da assumo a irresponsabilidade", confessou.
Por não quer que outros episódios idênticos ao seu se repitam, João Rodrigues lançou o apelo a todos os que sofrem da doença ou pertencem ao grupo de risco: "Sejam conscientes e vigilantes, a fim de evitar os danos que estão inerentes a um dos maiores problemas de Saúde Pública - a diabetes. Face às exigências da doença, nunca descurem o acompanhamento médico regular e façam uma alimentação responsável", advertiu, concluindo que, "muitos podem reverter o cenário e evitar ficar às escuras em pleno dia..."
Fonte: O Primeiro de Janeiro/contacto telefónico
Especialista alerta para a condição pré-diabética
Na altura em que se assinala o Dia Mundial da Diabetes, são diversos os alertas para o aumento da doença que, segundo estimativas da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, afecta cerca de um milhão de portugueses, mas estando apenas 650 mil conscientes da doença.
O endocrinologista Jácome de Castro, do Hospital Militar de Lisboa, alertou para o facto dos pré-diabéticos, ou seja, as pessoas que apresentam maior probabilidade de desenvolver a doença, não receberem a atenção necessária, apesar de serem um grupo de alto risco, sendo por isso preciso ter atenção à fase de pré-diagnóstico.
Segundo o Dr. Jácome de Castro, "os pré-diabéticos, se não receberem o tratamento devido, correm o risco de desenvolver diabetes, o que aumenta o risco de doenças cardíacas e cerebrovasculares, as doenças que mais matam em Portugal".
O endocrinologista explicou ainda que a condição de pré-diabético envolve a ocorrência de alterações no metabolismo dos açúcares, o que deixa as pessoas numa condição "intermédia entre o estado normal e o estado de diabético". A denominada pré-diabetes pode ser diagnosticada através da medição dos níveis de açúcar no sangue em jejum, e da posterior comparação com “os valores que surgem em resposta a uma carga de açúcar padronizada”.
Antes das pessoas desenvolverem diabetes tipo 2, têm quase sempre pré-diabetes – os níveis de glicose no sangue são mais elevados do que o normal, mas ainda não são suficientemente elevados para serem diagnosticados como diabetes. Contudo, na pré-diabetes a glicose no sangue apresenta variações, e a condição caracteriza-se pela ausência de sintomas. Esta situação pode prolongar-se durante anos, podendo algumas pessoas vir a desenvolver diabetes tipo 2 num período de 10 anos. Investigações recentes demonstraram que alguns danos a longo prazo, especialmente no sistema cardíaco e circulatório, podem já estar a ocorrer durante a pré-diabetes.
O especialista defendeu ainda que através de um diagnóstico antecipado as pessoas vão ficando gradualmente mais conscientes dos riscos, mas é também necessário apostar na prevenção e na alteração dos estilos de vida, visto que o excesso de peso e a vida sedentária constituem as principais causas da diabetes de tipo 2. As pessoas em maior risco são aquelas com mais de 40 anos, com história familiar de diabetes, com excesso de peso e/ou que não praticam qualquer actividade física.
Contudo, é importante sublinhar que a pré-diabetes pode ser revertida. Estudos demonstraram que pessoas com pré-diabetes podem prevenir ou adiar o início da diabetes tipo 2 até 58 por cento, através de alterações no estilo de vida, que incluem perda moderada de peso e exercício regular. Para algumas pessoas, uma intervenção precoce pode realmente ajudar a “fazer marcha-atrás” na doença, restituindo ao normal os níveis elevados de glicose e eliminando o risco de desenvolver diabetes.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existam, a nível mundial, 185 milhões diabéticos, mas que apenas 40 por cento estão diagnosticados e tratados.
Isabel Marques
Fontes: Diário de Notícias, O Primeiro de Janeiro, www.diabetes.org, www.tvi.iol.pt, www.medicosdeportugal.iol.pt
«Diabetes nas crianças e adolescentes» é lema mundial

Tal como tem vindo a divulgar o farmacia.com.pt, por todo o mundo e por todo o país - de Norte a Sul -, há eventos que decorrem alusivos ao dia. O concelho do Barreiro não é excepção, contudo, sob a organização da associação local de diabéticos, as comemorações serão assinaladas apenas no dia 17 de Novembro.
Passeio e palestras no Barreiro
Segundo avança a Rostos.pt, o programa inclui “um passeio pedestre pela cidade do Barreiro, durante a manhã, e a divulgação de apoios técnicos e científicos para os diabéticos. Realizar-se-ão, também, duas palestras sobre Oftalmologia e respectivo envolvimento directo com a doença e ainda um almoço convívio e actividades culturais (Marcha Lúdica ao Barreiro Velho e concerto de musica coral polifónica).
Para hoje (dia 14), está agendada uma conferência de imprensa no Convento da Verderena, “onde se pretende demonstrar a actividade da Associação de Diabéticos do Concelho do Barreiro (ADCB) e dar relevo à comemoração do Dia Mundial da Diabetes” promulgado pela ONU desde de Dezembro de 2006.
Raquel Pacheco
Fonte: Rostos.pt/OMS
Diabetes: AtheroGenics suspende testes com elevada dose de AGI-1067
A empresa de biotecnologia AtheroGenics Inc, anunciou a suspensão dos testes (fase III) com dose elevada (300 miligramas) de AGI-1067 - uma pequena molécula com poder antioxidante – para o tratamento da diabetes.
A AGI-1067 foi originalmente licenciada pela AstraZeneca para investigações no âmbito terapêutico de doenças cardíacas, porém, demonstrou ineficácia ao não reduzir o risco.
Agora, a detecção de raros efeitos colaterias relacionados com o fígado terá levado a AtheroGenerics a suspender os testes já em fase III. Decisão esta que, também, foi tomada na sequência de discussões com a FDA (Food and Drug Administration).
Apesar dos resultados, a empresa não desiste e admitiu continuar a estudar a molécula AGI - 1067 em duas doses mais baixas (a 75 mg e 150 mg), como um novo tratamento antioxidante e anti-iflamatório para doentes diabéticos e também cardíacos.
Raquel Pacheco
GlaxoSmithKline confiante nas vendas de fármaco anti-diabetes
O director-executivo da GlaxoSmithKline, Jean-Pierre Garnier está optimista face às vendas do Avandia (maleato de rosiglitazona). O dirigente do laboratório britânico garantiu, esta terça-feira, que o nível de vendas deste medicamento anti-diabetes vai voltar a alcançar os elevados números anteriores.
Apesar das quebras registadas no lucro do fármaco e das severas advertências da opinião pública para o risco cardíaco associado ao Avandia, Jean-Pierre Garnier, está confiante de que “a GlaxoSmithKline continua no caminho certo para conseguir alcançar os resultados estipulados.”
Raquel Pacheco
Fonte: Network Médica
ICBAS promove sessão para sensibilizar e prevenir a diabetes
Para assinalar o Dia Mundial da Diabetes, a Associação de Estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (AEICBAS), em colaboração com o Serviço de Endocrinologia do Hospital Geral de Santo António (HGSA), promove no dia 14 de Novembro, entre as 9 horas e as 12 horas, uma sessão de esclarecimento sobre a diabetes, denominada “Diabetes na criança e no adolescente”, junto de 270 alunos da Escola Secundária Fontes Pereira de Melo, no Porto.Esta acção tem como objectivo alertar para os perigos desta doença, e sensibilizar os jovens para a importância de uma alimentação saudável e da prática regular de exercício físico na prevenção da diabetes, que já atinge cerca de 900 mil portugueses, estimando-se que 20 mil sejam jovens. A actividade vai ser realizada em colaboração com diversos profissionais de saúde: médicos, enfermeiros e nutricionistas do Serviço de Endocrinologia do HGSA. A sessão de esclarecimento será da responsabilidade dos mesmos.
Os alunos da Escola Secundária Fontes Pereira de Melo, entre os 13 e os 18 anos, poderão ainda determinar o seu índice de massa corporal (IMC), bem como participar em actividades físicas lúdicas. Adicionalmente, serão entregues dois prémios para a melhor ementa realizada previamente pelos alunos e proporcionado um lanche, como exemplo de uma refeição apropriada.
Esta iniciativa da AEICBAS demonstra-se relevante, na medida em que cada vez mais surgem jovens com diabetes e em situações ligadas à obesidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que existam, a nível mundial, 185 milhões de pessoas com diabetes, sendo a doença a quarta causa de morte na maioria dos países desenvolvidos, com uma morte a cada 10 segundos.
Isabel Marques
Fontes: O Primeiro de Janeiro, http://sigarra.up.pt/icbas/, http://aeicbas.blogspot.com/, http://www.jasfarma.pt/
HUC comemoram Dia Mundial da Diabetes
No corolário de uma semana marcada por muitos acontecimentos relacionados com a diabetes, de encontros científicos a reivindicações várias, nomeadamente sobre a necessidade de maior consciencialização das populações e da comparticipação do tratamento com bomba de insulina, assinala-se nesta quarta-feira o Dia Mundial da Diabetes, e os Hospitais da Universidade de Coimbra associam-se às celebrações.
Está assim agendado para as 11 horas o arranque de uma conferência dinamizada pela direcção do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo dos HUC, que visa “debater a incidência da doença nas crianças e nos jovens”, que constituem o ponto nevrálgico das comemorações deste ano, subordinadas justamente ao tema «A diabetes nas crianças e nos adolescentes». Na acção estarão presentes vários membros da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo e da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica, para alertar para aquela patologia e os seus efeitos, designadamente junto dos doentes de mais tenra idade. Num momento em que se discute na comunidade médica portuguesa a oportunidade de uma eventual comparticipação do tratamento com bomba infusora de insulina, um dos interlocutores do evento será Francisco Carrilho, o médico dos HUC que foi responsável pela colocação da primeira bomba de insulina realizada no nosso país, há já vários anos.
Carla Teixeira
Fonte: «Diário As Beiras», entrevista com Helena Cardoso, comunicados de imprensa sobre o Dia Mundial da Diabetes
Placenta pode salvar visão
Um oftalmologista do Instituto Penido Burnier, no Brasil, desenvolveu um método para a recuperação de lesões oculares provocadas por queimaduras químicas e cicatrizes na córnea, que podem ser corrigidas com um implante de células-tronco retiradas da placenta.
Em vez de ir para o lixo, onde invariavelmente são depositadas as placentas depois de concluído o trabalho de parto – e serão milhões os partos realizados todos os dias, em todo o mundo – a membrana amniótica (parte interna da placena) pode ser usada na reabilitação das lesões provocadas por queimaduras químicas, que representam sete a 10 por cento dos acidentes oculares no trabalho, e por cicatrizes na superfície do olho causadas por algumas doenças, que constituem igualmente uma importante causa de deficiência visual. A inovação no tratamento destes problemas surge agora no Brasil, onde o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto garante que aquelas doenças podem ser corrigidas através de implantes de células-tronco retiradas da membrana amniótica.
Pioneiro naquele procedimento cirúrgico, o médico de Campinas explica, em comunicado, que a “cirurgia permite recuperar até 70 por cento dos casos de queimaduras oculares, inclusivamente as decorrentes do contacto com produtos alcalinos como a soda cáustica, a cal e o amoníaco, substâncias que marcam presença na maior parte dos acidentes industriais ocorridos com homens dos 20 aos 40 anos de idade. O especialista assevera que é possível recuperar a visão, já que as células da membrana amniótica conseguem diferenciar-se das restantes e dão a possibilidade de criar tecido na superfície ocular, tendo também propriedades a nível anti-inflamatório e cicatrizante.
Uma investigação científica realizada em Taiwan concluiu que a membrana amniótica não tem capacidade para refazer a totalidade dos 216 tecidos do corpo humano, mas pode diferenciar-se e assumir o lugar de diversos tipos de células, sendo que, na área da Oftalmologia, a placenta “pode ser útil também na reconstrução de pálpebras, bem como na eliminação de inflamações pós-cirúrgicas e tumores, e ainda na conjuntivite, na penfigóide (doença auto-imune que ataca a mucosa dos olhos) e na alergia ocular de Stevens-Johnson, que pode causar cicatrizes na córnea”.
Queiroz Neto explica que depende do grau de destruição da superfície ocular o cálculo da taxa de sucesso da intervenção, mas frisa que “o implante de membrana amniótica é suficiente”. Quando a córnea não está em processo activo de necrose é associado o transplante de limbo, que pode ser retirado do próprio paciente (se apenas um olho tiver sido afectado pelo acidente que motiva a cirurgia), ou de um doador (no caso de ambos os olhos terem ficado lesionados nesse acontecimento).
Carla Teixeira
Fonte: e-mail do farmacia-press
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
ENTREVISTA
“O diabético é o seu próprio médico”
Por ocasião do Dia Mundial da Diabetes, que se comemora nesta quarta-feira, pela primeira vez com o beneplácito das Nações Unidas, o farmacia.com.pt foi ouvir quem lida diariamente com a doença. Helena Cardoso, endocrinologista no Hospital Geral de Santo António, no Porto, é clara: é essencial responsabilizar e envolver o doente no tratamento.Porque a vida moderna é predisponente ao desenvolvimento de muitas e diferentes patologias, a docente no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS) considera que poderá haver um subdiagnóstico da diabetes, tendo em conta que os 650 mil doentes actualmente identificados em Portugal correspondem ao resultado do 4º Inquérito Nacional de Saúde, que assenta numa auto-declaração da doença, quando se sabe que muitas pessoas poderão estar doentes e não saber disso. Em entrevista ao farmacia.com.pt, Helena Cardoso lembrou que “os estudos mostram que existem muitos casos não diagnosticados de diabetes de tipo 2 e de alterações da tolerância à glicose”, um estádio anterior na escala de evolução da doença, pelo que se prevê entre a comunidade médica que o número de doentes diagnosticados poderá ser igual ao de não diagnosticados.
Uma situação que não se esgota no facto simples de desconhecer a realidade, mas que entronca numa dificuldade acrescida: “o diagnóstico tardio conduz ao atraso no tratamento e ao aparecimento de complicações”, ao mesmo tempo que a situação de “pré-diabetes associa-se a muitos factores de risco que são modificáveis, como a hipertensão, a dislipidemia (o aumento da gordura no sangue), a obesidade ou o tabagismo, que devem ser agressivamente corrigidos nestes doentes”. Na diabetes de tipo 2, esclarece a endocrinologista, é a vida moderna que potencia o problema, através do “aumento do sedentarismo” e ao ritmo de “cidades que desencorajam a prática de actividade física”. Por outro lado, acrescenta, “a publicidade, aliada a um mais baixo preço dos alimentos que têm alto valor calórico, bem como a facilidade da sua conservação, tornam os alimentos ricos em fibras como vegetais, legumes e frutas algo que se vai dispensando ou de que não se gosta, também devido à falta de hábito de os comer”.
Considerando que “o principal problema da diabetes não é as injecções diárias de insulina, mas a dificuldade de, tomando todas as medidas necessárias, conseguir controlar a evolução da doença, evitando as suas complicações de médio e longo prazo, essas sim incapacitantes”, Helena Cardoso deixa aos doentes diabéticos um apelo: “É preciso chamar a atenção da sociedade e do poder político para a doença e para a gravidade das suas repercussões”, preconizando ainda a necessidade da criação de “cidades mais saudáveis e da obrigação de proporcionar aos diabéticos as formas de conseguirem a optimização do seu controlo num investimento a curto e a longo prazo”. Diz ainda, em jeito de mensagem de esperança, que “os avanços da Medicina e da Ciência são constantes”, e pede “persistência no tratamento”, por considerar que “o diabético é o seu próprio médico”. Envolver os doentes na terapia só pode, na opinião da especialista, favorecer o seu sucesso. “O médico vai ensinar o que tem de fazer para se tratar, mas é ele que terá de assumir a responsabilidade pelo tratamento, para que, quando mais novidades vierem, possa usufruir em pleno dessas novas realidades”.
Bomba de insulina
Ligada à introdução em Portugal da terapia com bomba de insulina – apesar de não ter sido a primeira médica a apostar naquele tratamento, um mérito que reconhece a Francisco Carrilho, endocrinologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra, a investigadora do ICBAS frisa que aquele método “é cómodo e permite uma maior estabilidade glicémica”, destacando “a eliminação das múltiplas injecções diárias e a maior flexibilidade de horários e conteúdos das refeições” como vantagens. A não comparticipação da bomba de insulina – que tem um custo de cerca de 3500 euros e pressupõe uma despesa mensal de pelo menos 150 euros em consumíveis (cada cateter tem três dias de validade e os adesivos que o fixam à pele têm também de ser mudados), embora alguns doentes falem em verbas bastante superiores – é um grande obstáculo à sua generalização, mas Helena Cardoso assevera que uma vez adquirida a bomba e feita a adaptação ao aparelho “o diabético não tem vontade de abandonar” o tratamento.
Carla Teixeira
Fonte: Entrevista a Helena Cardoso
Jovem de 14 anos dá hoje aula a famosos
Kátia Sopas tem apenas 14 anos e sofre de diabetes do tipo 1. Nesta terça-feira, véspera do Dia Mundial da Diabetes, transforma-se em “professora” e dá uma aula sobre a doença que tão bem conhece. Os “alunos” são diversas personalidades da vida pública portuguesa que, no âmbito da programação da Semana do Diabético, se reúnem a partir das 16h30 no Centro Comercial das Amoreiras, em Lisboa.A iniciativa tem a chancela da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal e tem como principal finalidade “desmistificar os mitos associados à diabetes”, suscitando a consciencialização da população para “a importância de aprender com aqueles que lidam diariamente com a doença”. Os actores da série «Morangos com açúcar» Mafalda Teixeira e Pedro Carvalho, os apresentadores Carolina Patrocínio e Luís Filipe Borges e o cantor Fernando Marques são alguns dos alunos da jovem Kátia, e já admitiram não estar devidamente informados sobre o problema que afecta 650 a 900 mil portugueses. Uma atitude que o presidente da AJDP, em declarações ao farmacia.com.pt, defendeu ser salutar. “É necessário que a população portuguesa em geral admita que ainda não sabe o suficiente sobre a diabetes, as complicações que dela podem resultar, as diferenças entre os dois tipo da doença, a necessidade de gerir a medicação e como lidar com a insulina em casos de diabetes tipo 1, entre outras questões”.
Carla Teixeira
Fonte: Comunicado da Hill and Knowlton, contacto telefónico com Paulo Madureira, presidente da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal