sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Tratamento para a incontinência urinária
A colocação de dois pequenos balões ajustáveis de ambos os lados da uretra, mediante uma pequena intervenção cirúrgica, poderá devolver a esperança numa vida normal às mulheres que sofrem de incontinência urinária, estando ainda a ser estudada a possível aplicação deste método aos homens que também sofrem do problema, designadamente depois de serem operados à próstata.
Segundo uma equipa de investigadores da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, liderada pelo urologista Niall Galloway, uma série de ensaios clínicos preliminares aferiu a eficácia de um “aparelho pouco invasivo” no tratamento daquela incómoda patologia. A grande maioria das 160 mulheres acompanhadas nesta fase do estudo, e que antes não tinham respondido a outros tratamentos disponíveis para a doença, revelaram melhorias significativas no seu estado de saúde e no controlo da incontinência, com um “diminuto” registo de complicações. A Food and Drug Administration (FDA) está agora a analisar os resultados dos ensaios clínicos do Adjustable Continence Therapy, dispositivo divulgado no âmbito do encontro anual da Associação Americana de Urologia. Niall Galloway é da opinião de que este aparelho “pode ser uma nova esperança para milhares de mulheres que sofrem de incontinência urinária, especialmente as que têm os músculos da uretra enfraquecidos”. No futuro a nova técnica deverá poder ser aplicável também a homens que sofrem do mesmo problema após terem sido submetidos a cirurgias na próstata.
Carla Teixeira
Fonte: Jornal «Público», Saúde na Internet
«Biotecnologia para a Saúde e o bem-estar»
Tem início no próximo dia 19, e prolonga-se até ao dia 23, na cidade norte-americana de Boston, a reunião anual da Sociedade Americana de Química, cujo programa deverá ter como pontos principais as questões da Saúde e do bem-estar, tocando também temas como a energia e o ambiente. «Biotecnologia para a Saúde e o bem-estar» é o lema do encontro, que deverá reunir mais de 16 mil investigadores de diversas áreas.
No âmbito daquele que é já o 234º encontro nacional dinamizado por aquela sociedade (a maior entidade do género em todo o mundo tendo em conta o número de associados, mais de 16 mil), e que terá uma vez mais lugar no Centro de Congressos e Exposições de Boston, serão apresentadas mais de 9500 comunicações e explanados os últimos avanços científicos em áreas como a nutrição ou a nanotecnologia. Um dos pontos altos do encontro deverá ter lugar ainda durante o primeiro dia dos trabalhos, no momento em que Catherine T. Hunt, presidente da Sociedade Americana de Química, introduzir no programa do evento um simpósio em que os cientistas discutirão os novos desafios e as oportunidades da comercialização das novas descobertas nas áreas da biotecnologia e da nanotecnologia, mas são muitos os temas a abordar nesta reunião, entre os quais as novas abordagens do tratamento dos doentes de Alzheimer, a investigação em nutrição e em células estaminais, novos medicamentos, o emprego de nanomateriais na prática médica e na veiculação de fármacos ou a prevenção da obesidade. Mais informações sobre este encontro estão disponíveis em http://chemistry.org/meetings/boston2007.
Carla Teixeira
Fonte: Eurekalert
Abraxis BioScience inicia acordo para a comercialização do Abraxane na Índia
Segundo os termos do acordo, a Biocon também terá o direito de comercializar o Abraxane no Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e outros determinados países na Ásia do Sul e do Golfo Pérsico. Como parte deste acordo, a Abraxis irá receber regalias da parte da Biocon baseadas nas vendas líquidas do Abraxane nestes países.
Este acordo representa um passo importante no desenvolvimento de uma estrutura de comercialização global que incorpora as necessidades únicas de cada país, afirmou Bruce Wendel, vice-presidente executivo da área de desenvolvimento corporativo da Abraxis. A companhia está satisfeita que esta parceria com a Biocon conceda a oportunidade de levar o Abraxane, que representa um importante avanço na quimioterapia, a estes países, enquanto alarga a relação com a Biocon, acrescentou ainda Wendel.
Em Julho de 2007, a Abraxis submeteu ao Ministério da Saúde e Bem-Estar da Família indiano uma candidatura para comercializar o Abraxane na Índia, para o tratamento do cancro da mama.
A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) aprovou, em Janeiro de 2005, o Abraxane para suspensão injectável para o tratamento do cancro da mama, após a falha de quimioterapia de combinação para a forma metastizada da doença ou recaída no período de seis meses de quimioterapia adjuvante.
Isabel Marques
Fontes: Pharmlive
Nova Hemosol BioPharma Inc. procura parcerias, aquisições e licenciamentos
A Hemosol BioPharma Inc. foi formada no dia 6 de Julho de 2007, a seguir à aquisição de substancialmente todos os bens da Hemosol Corp., uma companhia biofarmacêutica canadiana, por parte da Catalyst Fund Limited Partnership II, sedeada em Toronto e gerida pelo The Catalyst Capital Group Inc. Os bens únicos da Hemosol incluem instalações de manufactura de cGMP de escala comercial localizadas em Mississauga, e um portefólio substancial de propriedade intelectual no apoio a uma pipeline de novos produtos.
A Hemosol BioPharma Inc. é uma companhia de desenvolvimento integrado de produtos biofarmacêuticos e fabricante de produtos biológicos, particularmente de terapêuticas baseadas em proteínas relacionadas com sangue. A companhia está a perseguir uma estratégia para fabricar e comercializar produtos terapêuticos na América do Norte com o seu próprio rótulo ou em parceria com outros. A longa pipeline de produtos da Hemosol concentra necessidades médicas ainda não atendidas em grandes mercados medicinais, incluindo terapêuticas baseadas em proteínas para tratar doenças infecciosas, cancro e anemia.
A Hemosol tenciona continuar o desenvolvimento de proteínas de plasma terapêuticas, assim como da sua própria pipeline de produtos. A companhia planeia crescer com base nas actuais relações de negócio e actividades de desenvolvimento, através do licenciamento e aquisição de produtos complementares com o potencial de receitas iminentes.
Através deste programa estratégico de parcerias, licenciamento e aquisição, a Hemosol irá criar uma companhia geradora de receitas que será um participante significativo na biotecnologia da América do Norte, declarou o Dr. David Bell, vice-presidente da área de desenvolvimento de fármacos da Hemosol.
O Dr. Dirk Alkema, vice-presidente de operações, sublinhou que a Hemosol está numa posição de impulsionar as instalações de cGMP e o “know-how” na manufactura e em testes de produtos biofarmacêuticos, para oferecer serviços a potenciais clientes, gerar receitas e acelerar o crescimento da companhia.
Newton Glassman, sócio gerente da Catalyst, salientou que o The Catalyst Capital Group Inc. está extremamente satisfeito por acrescentar a Hemosol ao seu portefólio de companhias. A Catalyst acredita que, com o seu sólido apoio financeiro e suporte estratégico, a Hemosol esteja em boa posição para fazer aquisições e parcerias estratégicas e para continuar a desenvolver o seu negócio de plasma e a diversificada pipeline de produtos.
Isabel Marques
Fontes: Pharmalive
Prevenção e Segurança Infantil nas praias de Cascais
Durante o mês de Agosto, quatro praias do concelho de Cascais vão disponibilizar aos seus utentes informação sobre a prevenção de acidentes com crianças, uma iniciativa da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) e da Câmara de Cascais, que em conjunto pretendem dinamizar Clínicas de Segurança nestes locais, pois os acidentes continuam a ser a maior causa de morte e incapacidade permanente em crianças e jovens em Portugal.
O objectivo é ensinar a prevenir os acidentes com crianças na praia, piscina, no automóvel, em casa e em outros ambientes frequentados por crianças, numa altura em que os acidentes com crianças tendem a aumentar.
A Praia da Conceição foi a primeira a contar com os serviços de uma Clínica de Segurança, que disponibilizou consultas sobre segurança infantil a pais e filhos de 1 a 3 de Agosto. Actualmente o serviço está disponível na praia de Carcavelos, até dia 10, seguindo depois para a Praia de S. Pedro onde estará disponível de dia 14 a 17, indo terminar na Praia do Tamariz, entre os dias 22 e 24 de Agosto, sempre no horário das 9h30 às 11h30.
A APSI espera com esta iniciativa ensinar pais e filhos, contribuindo para um ambiente mais seguro e com menos acidentes.
Inês de Matos
Fonte: Jasfarma
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Alergias urbanas não contribuem para o agravamento da asma nos adultos
Juan P. Wisnivesky, responsável pela investigação, adiantou que as conclusões do estudo não corresponderam às expectativas que a equipa tinha à partida, pois esperavam encontrar um relação entre as alergias e os tipos mais graves de asma, como acontece nas crianças, o que não sucedeu.
Os investigadores observaram 245 indivíduos adultos, habitantes no centro de uma área urbana, na sua maioria mulheres, que sofriam de asma persistente. Foram realizados diversos testes para avaliar a sensibilidade a algumas alergias típicas das áreas urbanas, a baratas, aos ácaros do pó, gatos e ratos. Os resultados mostraram que 152 indivíduos, (62 por cento) apresentaram um resultado positivo em pelo menos uma destas alergias.
Todavia, os resultados de um questionário destinado a avaliar a gravidade da asma mostraram que a doença não atinge um estado significantemente avançado nos indivíduos que apresentaram uma reacção alérgica num ambiente tipicamente urbano.
Apesar dos resultados, os investigadores avisam que estas alergias representam sempre um forte contributo para o aparecimento da asma. “O facto é que estes factores podem ser mais relevantes para as crianças do que para os adultos”, adianta Wisnivesky.
Na opinião do investigador, este estudo representa um importante passo para que se passe a prestar maior atenção a outros factores, para além do meio ambiente em que os pacientes estão inseridos, como a forma de inalação dos corticosteroides, concedendo mais informação, de forma a que os paciente compreendam que a asma é uma doença crónica.
Inês de Matos
Fonte: Reuters
Indústria farmacêutica «de olho» nas fontes hidrotermais
Açores: cientistas procuram descobrir propriedades anti-cancerígenas nos organismos férteis e em espécies únicas de profundidade
As fontes hidrotermais no Atlântico estão a merecer a atenção da indústria farmacêutica. A garantia é dada pelo cientista Ricardo Serrão Santos afirmando que, hoje, Portugal “dá cartas no Mundo” na investigação científica destes campos a grande profundidade.
Em todo o mundo, cada vez mais, os laboratórios farmacêuticos estão associados às grandes missões científicas. A indústria financia parte dos trabalhos e, mais tarde, procura tirar o lucro das descobertas.
Em declarações à agência Lusa, o director do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, considerou que um dos objectivos da investigação científica “é encontrar respostas para sectores como a medicina e a indústria farmacêutica, que continuam a financiar as grandes missões aos campos hidrotermais dos oceanos.”
Asseverando que Portugal “dá cartas no mundo em termos de investigação científica nas fontes hidrotermais”, Ricardo Serrão Santos sustentou com o facto de o País ser “o nono em termos de produtividade de artigos científicos.”
Estudo genético de mexilhões
O investigador frisou que a prestação portuguesa deve-se ao papel da Universidade dos Açores, reforçando a existência de domínios específicos em que a UA é mesmo a primeira a nível mundial, nomeadamente, “no estudo dos mexilhões das hidrotermais, porque instalou na Horta um laboratório único que lhe permite fazer estudos sobre fisiologia e genética.”Ricardo Serrão Santos destacou a recente aprovação pela Convenção OSPAR (entidade encarregue da protecção marinha no Atlântico) das fontes hidrotermais de profundidade existentes ao largo das ilhas açorianas. Para o director do DOP, o campo «Rainbow» (situado a 2.300 metros de profundidade) “trata-se de uma área muito importante”, salientando “trazer uma mais valia” para a investigação científica.
De acordo com a explicação do cientista, trata-se de uma fonte “fértil em espécies únicas, que suscitam o interesse dos investigadores, que procuram descobrir propriedades anti-cancerígenas nos organismos de profundidade.”
Recordando que Portugal poderá vir a ter jurisdição sobre uma área do fundo do mar até 350 milhas náuticas (mais 150 milhas do que a actual Zona Económica Exclusiva) o investigador defendeu o investimento de Portugal na construção de um submersível “para que possa ter alguma autonomia na investigação que faz”, concluiu.
Raquel Pacheco
Fonte: Agência Lusa/DOP-UA
EMBARGO até às 20h de hoje
Medir a resistência a tratamentos e antibióticos
Isabel Gordo, Lília Perfeito, Lisete Fernandes e Catarina Mota, investigadoras do Instituto Gulbenkian de Ciência, com sede em Oeiras, são autoras de um estudo que poderá ter grande impacto na saúde pública. Em causa está a descoberta de que as bactérias se adaptam a uma velocidade mil vezes superior à estimada até aqui, que poderá ajudar a medir a capacidade de resistência dos microrganismos a tratamentos e antibióticos. O estudo «Adaptive mutations in bacteria: high rate and small effects» é publicado na edição desta sexta-feira da revista «Science».Isabel Gordo, investigadora que conduziu o estudo, totalmente financiado e feito em Portugal, explicou à Agência Lusa que “as bactérias adaptam-se muito mais rapidamente do que até agora se admitia”, concretizando que a velocidade a que essa adaptação ocorre é superior em cerca de mil vezes à estimada. A equipa do Instituto Gulbenkian de Ciência utilizou uma técnica para identificar as mutações das bactérias que lhes conferem vantagens na capacidade de resistência, o que demonstra que aqueles organismos têm potencial adaptativo extraordinariamente elevado. A cientista considerou que este estudo é “um contributo substancial para a compreensão de um problema central na teoria da evolução”.
A mesma responsável assegura que as implicações práticas desta descoberta ao nível da saúde pública têm a ver essencialmente com a resistência das bactérias aos tratamentos e antibióticos prescritos para fazer face a determinadas doenças, asseverando que “seriam precisos cerca de 20 mil anos para tirar conclusões de um processo semelhante na espécie humana, uma vez que o estudo analisou mil gerações de bactérias” (nos humanos a separação entre gerações é de cerca de duas décadas). Esta é a quinta publicação do Instituto Gulbenkian de Ciência na revista «Science» e em títulos do grupo «Nature» só no decurso deste ano.
Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, Instituto Gulbenkian de Ciência, página pessoal de Isabel Gordo (http://eao.igc.gulbenkian.pt/EB/EB_Isabel.html) e site de investigação do Instituto Gulbenkian de Ciência (http://www.igc.gulbenkian.pt/research/unit/61).
Nova terapia fotodinâmica para Doença de Bowen
Cientistas garantem melhor recuperação do doente com tumor cutâneo
Uma equipa de investigadores brasileiros anunciou a descoberta de um tratamento alternativo para a Doença de Bowen (um tipo de cancro de pele). Trata-se de uma terapia fotodinâmica, não cirúrgica, e que, garantem, resulta na melhor recuperação do doente.
A nova alternativa para o tratamento da Doença de Bowen - uma forma de carcinoma de células escamosas confinado à epiderme – foi alvo de investigação, ao longo de seis meses, por uma equipa do Serviço de Dermatologia do Hospital da PUC-Campinas (Brasil), que assegura “a melhor recuperação do doente.”
De acordo com os especialistas em dermatologia, o trabalho consistiu em relatar “a cura clínica e histológica” da Doença de Bowen através da terapia fotodinâmica (TFD) “um tratamento não cirúrgico, que não deixa cicatriz e que trata, também, as lesões não visíveis ao médico”, informaram.
Esclarecendo que para a realização da TFD é necessária a aplicação de uma substância que se impregna nas células cancerígenas após algum tempo, os investigadores desvendaram o processo: "Antes de iniciar a exposição é possível identificar mais precisamente os limites da doença, por meio de uma iluminação especial (lâmpada de Wood). Em seguida, com a exposição à luz, essas células impregnadas pela substância (inclusive as das margens mais difíceis de delimitar) são conduzidas à morte e, com isso, à cura da lesão."
Sylvia Ypiranga Rodrigues, investigadora envolvida no estudo da TFD, referiu que um doente pode realizar até duas sessões. Segundo explicou a dermatologista, a doença surge associada, principalmente, à a exposição solar, mas também, a factores genéticos e ao tabagismo."
Portugal: 800 casos anuais
Correm maior risco de contrair esta doença as pessoas que sofreram de queimaduras solares na infância e adolescência, as pessoas com pele, olhos e cabelo claros e antecedentes de cancro de pele na família e os trabalhadores ao ar livre (pescadores, trabalhadores agrícolas, construção civil, por exemplo).
A Doença de Bowen é uma forma de tumor cutâneo maligno, cujos principais sintomas são uma mancha avermelhada, espinha e ferida que não cicatriza. A incidência está a aumentar em Portugal e em mais de 90% dos casos a doença tem origem no Sol. Actualmente, estima-se que, cerca de 800 novos casos surjam por ano.
Raquel Pacheco
Fontes: SEGS - Portal Nacional de Seguros & Saúde/Manual Merck/Infocancro.com
Grávida obesa potencia problemas congénitos
Estudo indica que risco de malformações aumenta de 3% para 4%
O excesso de peso de uma grávida pode representar um risco para o bebé. Um estudo feito por investigadores norte-americanos sugere que as mulheres obesas que engravidam têm mais hipóteses de ter filhos com problemas congénitos. A falta de membros e corações malformados são alguns dos exemplos…
A investigação feita pelos cientistas da University of Texas (Estados Unidos) – noticiada na BBC - é considerada “a maior e mais abrangente” sobre a matéria: ao longo de um período de cinco anos foram entrevistadas mais de 15 mil mães - 10 mil que deram à luz filhos com problemas e cinco mil que tiveram crianças saudáveis. As mulheres tinham de informar aos cientistas o peso e a altura que tinham quando ficaram grávidas.
Analisadas as informações, a equipa liderada por Kim Walker constatou que sete tipos de problemas eram mais comuns em bebés de mulheres obesas. Segundo afirmou o cientista, os resultados confirmam a conexão: “O risco de ter bebés com graves problemas congénitos aumenta de 3%, no caso de mulheres de peso saudável, para 4%, entre as obesas.”
Os especialistas revelaram que alguns dos problemas detectados foram a espinha bífida (falha na formação das vértebras na coluna do feto), anormalidades genitais e de intestino, além de atrofia ou falta de dedos dos pés e das mãos, braços e pernas.
Ressalvando que a obesidade pode não ser o factor directo relacionado às malformações, os investigadores admitem ponderar ainda a interferência da dieta da mãe obesa durante o período gestacional. “Não temos uma explicação conclusiva sobre os resultados, pois será precisarão de ser analisados noutro estudo”, rematou Walker.
Raquel Pacheco
Fonte: BBC
Next Safety vaticina fim da era do tabaco
Dispositivo inovador de distribuição de nicotina começará a ser testado
Um dispositivo pulmonar - inovador na distribuição de nicotina - vai começar a ser testado no próximo dia 14. O aparelho pertence à empresa Next Safety e é apresentado como um “substituto” do tabaco, mas sem carcinógeneos.
Comprovada a eficácia do novo aparelho face aos cigarros, a empresa norte-americana anunciou o início da fase de experimentação em humanos para a semana. Garantindo que o dispositivo “é diferente dos outros produtos à base de tabaco”, a Next Safety, Inc. sublinha que uma das mais valias do dispositivo é a ausência de carcinógenos.
Segundo esclareceu a empresa, os dispositivos serão testados “com a finalidade de seleccionar jornalistas em Boston (dias 14 e 15 de Agosto); em Washington (dias 16 e 17); e em Nova Iorque (dia 20), informando ainda que realizará um debate, dia 21, em Nova Iorque, que contará com a participação de pneumonologistas, oncologistas, jornalistas, representantes das principais companhias de tabaco e fumadores e não fumadores.
A Organização Mundial de Saúde prevê que as mortes provocadas pelo tabaco aumentem 53 por cento até 2030. O cancro do pulmão é a segunda maior causa de morte em todo o mundo, estimando-se que, os actuais 600 milhões de fumadores, morrerão prematuramente devido ao vício. Em Portugal, de acordo com os números da Marktest, morrem 12 mil pessoas todos os anos.
Raquel Pacheco
Fonte: PR Newswire/www.nextsafety.com/Performance Online
Comissão Europeia promove consulta pública sobre sector farmacêutico
“O Futuro dos Medicamentos para Uso Humano na Europa”, documento emitido no âmbito do programa de melhoria de regulação do sector - a que o Farmacia-com.pt teve acesso - enumera os desafios que actualmente se colocam à indústria respeitantes à globalização, ao funcionamento do mercado interno e aos avanços científico-tecnológicos.
A crescente emergência de ameaças à saúde global, o aumento do número de medicamentos contrafeitos e a pandemia da gripe, aliados ao surgimento de novos protagonistas a nível global aumentam a necessidade de intensificar a cooperação internacional. Para fazer face à globalização a CE acredita que é necessário alterar o centro de gravidade da indústria de investigação e desenvolvimento que está muito concentrada nos Estados Unidos da América e na Ásia. A Europa deve, por isso, esforçar-se para reconquistar o território que lhe pertenceu durante a maior parte do século XX, quando era porto de abrigo da inovação farmacêutica.
No mercado interno europeu há ainda entraves ao livre movimento de produtos medicinais, barreiras que, segundo a CE, devem ser eliminadas através de requisitos de monitorização mais eficientes.
A Comissão destaca ainda a emergência das novas tecnologias, terapias e fármacos, entre os quais se incluem a medicina regenerativa, os tratamentos personalizados e o desenvolvimento da nanomedicina, que estão a alterar o funcionamento de todo o sector farmacêutico. A consulta pública, que termina a 12 de Outubro, deverá originar sugestões de medidas que podem ser implementadas para melhorar a segurança destes produtos dentro do espaço comunitário.
Assim, a CE pretende ouvir as sugestões de associações de pacientes, autoridades dos Estados-Membros, organismos internacionais, associações da indústria e empresas privadas (no ramo da inovação, dos genéricos e do sector da auto-medicação), profissionais de saúde ou qualquer outra pessoa ou entidade legal interessada nesta área. Aqueles que pretenderem oferecer o seu contributo devem enviar um e-mail para o endereço nicolas.rossignol@ec.europa.eu. Todas as sugestões serão disponibilizadas on-line no portal da União Europeia.
Marta Bilro
Fonte: iGov, “The Future Of Pharmaceuticals For Human Use In Europe”.
Apotex vai produzir genéricos anti-HIV para o Ruanda
O consentimento dado pela GlaxoSmithKline (GSK), detentora dos direitos de patente de duas moléculas presentes na composição dos medicamentos, vai permitir criar um antiretroviral para o tratamento dos 250 mil pacientes infectados com HIV, no Ruanda. De acordo com o director executivo da empresa, Paul Lucas, esta decisão insere-se no compromisso da empresa de combater a crise mundial relacionada com a Sida.
O programa “Acesso a Medicamentos 2004” dá luz verde ao governo para autorizar a produção de determinados medicamentos patenteados, com o objectivo de os exportar para países onde a escassez de medicamentos abunda, de forma a ajudar a controlar a pandemia. Porém, a iniciativa tem vindo a ser alvo de críticas por alguns activistas, uma vez que, desde a sua implementação, há três anos, ainda não foi exportado um único comprimido.
A farmacêutica britânica concordou em abdicar dos royalties do produto já que a Apotex vai fornecer o medicamento sem obter qualquer lucro. Caso se concretize, este acordo vai permitir que sejam enviadas 15 a 16 mil comprimidos do antiretroviral produzido pela Apotex, o suficiente para tratar 21 mil ruandeses durante um ano ou 200 mil durante um mês, afirmou Elie Betito, director do departamento de assuntos públicos e governamentais da empresa.
No entanto, o responsável adverte que é ainda necessário chegar a acordo com um outro grupo que detém os direitos de patente sobre a nevirapina, fármaco que também está incluído na terapia de tripla combinação anti-HIV.
Marta Bilro
Fonte: CTV.ca, The Globe and Mail.
Conjuntivite viral: Crianças mais vulneráveis durante o inverno
Propícias a ambientes populosos e às temperaturas invernais, a gripe e as conjuntivite encontram nas crianças um alvo fácil para a sua disseminação. Face a um sistema imunológico ainda em desenvolvimento, as formas virais de conjuntivite tornam-se comuns na infância e caracterizam-se frequentemente pelos olhos lacrimejantes, olhos colados ao acordar, pálpebras inchadas ou aversão à luz. Para não pôr a visão em risco é preciso estar atento aos sintomas e evitar a colocação de um mero colírio adquirido na farmácia.
De acordo com Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier, é necessário analisar a situação e avaliar que se trata realmente de uma conjuntivite viral. Até porque, segundo afirma, esta inflamação é fácil de distinguir por produzir uma secreção transparente. No caso da conjuntivite bacteriana, mais comum no verão, a secreção torna-se amarelada. Utilizar colírio antibiótico para tratar a conjuntivite viral é um erro frequente cometido por 3 em cada 10 pacientes, refere o especialista. Uma falha de diagnóstico que pode sair cara, já que, para além do antibiótico não surtir efeito, o paciente torna-se resistente ao fármaco e pode desenvolver ceratite tóxica.
O tratamento ideal para a conjuntivite viral, defende Queiroz Neto, é aplicar compressas nos olhos feitas com gaze e água filtrada quente, já que os vírus se tornam mais resistentes em ambientes frios. Em casos mais graves é utilizada uma terapia com lágrimas artificiais, colírios anti-inflamatórios hormonais ou não hormonais.
No que diz respeito à conjuntivite alérgica, as compressas colocadas sobre o olho devem estar frias, porém, qualquer desconforto deve ser comunicado ao médico numa consulta oftalmológica. O tempo seco e a poluição fazem com que a mucosa ocular fique ressequida, contribuindo para o aparecimento da conjuntivite alérgica e do olho seco. É por isso que Queiroz Neto sugere a colocação de recipientes com água nas diversas divisões da habitação e junto da cama durante o sono, como forma de aliviar a baixa humidade do ar. O aumento do consumo de líquidos também ajuda a evitar esta situação, bem como evitar as plantas, os animais com pelo e as almofadas de penas, mantendo o ambiente arejado e limpo.
A conjuntivite viral surge geralmente num contexto epidémico (um aperto de mão a pessoa atingida, a limpeza das mãos a uma toalha contaminada), mas também por auto-contaminação (quando estamos com gripe, o vírus pode infectar os olhos). Evitar a partilha de toalhas e maquilhagem, assim como trocar diariamente as fronhas das almofadas e usar lenços descartáveis são dicas importantes que devem ser consideradas. Para além disso, os utilizadores de lentes de contacto devem redobrar os cuidados durante o inverno, uma vez que a diminuição do filme lacrimal os torna mais vulneráveis à conjuntivite papilar gigante que provoca ardor, comichão, aversão à luz e redução da acuidade visual. O tratamento implica a não utilização das lentes, a aplicação de compressas geladas e de um colírio corticóide.
Marta Bilro
Fonte: E-mail do farmácia-press, ABC da Saúde, Manual Merck.
Merck perde recurso em caso que envolve Vioxx
Um tribunal da Nova Jérsia confirmou o veredicto contra a farmacêutica Merck, que tinha apresentado recurso num caso em que foi condenada a pagar 9,88 milhões de euros a um casal que processou a empresa por danos causados pela toma do anti-inflamatório Vioxx (Rofecoxib).
O juíz Carol Higbee recusou o pedido interposto pela Merck que requeria a realização de um novo julgamento ou uma redução do valor da indemnização que incluía uma recompensa para o júri no valor de 6,6 milhões de euros. A justiça norte-americana ordenou ainda a restituição de 1,5 milhões de euros ao casal, relativos a custos de processo e despesas com o advogado e 1.886 euros, por dia, em juros.
“A Merck alega que põe os interesses dos doentes em primeiro lugar. Penso que isso não se aplica aos que sofreram um ataque cardíaco em resultado da toma de Vioxx”, afirmou o advogado dos queixosos, Jerry Kristal.
O processo que opõe John e Irma McDarby ao laboratório norte-americano remonta a 2005 quando John McDarby, que utilizou Vioxx durante quatro anos, sofreu um ataque cardíaco. Este é apenas um entre os cerca de 10 mil processos judiciais que a Merck enfrenta actualmente.
O Vioxx foi retirado do mercado em Setembro de 2004, quando um estudo interno demonstrou que após 18 meses de tratamento, a toma do medicamento aumentava o risco de acidentes cardiovasculares.
Marta Bilro
Fonte: Bloomberg
Nanotherapeutics desenvolve vacina oral anti-HIV através de nanopartículas
A empresa vai utilizar a sua tecnologia de distribuição de medicamentos NanoDry para desenvolver uma candidata a vacina peptídica oral que tem como alvo o trato gastrointestinal inferior. Em declarações à US-PharmaTechnologist.com, o presidente e co-fundador da Nanotherapeutics, James Talton, revelou que a fórmula actual da vacina, desenvolvida pela unidade de vacinas do NCI, não estava a demonstrar uma resposta imunológica tão elevada como era esperado nos ratos e o NCI pretendia que a vacina fosse desenvolvida numa fórmula oral.
A Nanotherapeutics vai criar uma fórmula da vacina que permita que a molécula candidata permaneça no interior de uma cápsula em forma de nanopartículas que, por sua vez, é envolvida numa cápsula com uma partícula sensível ao pH que tem como alvo o trato gastrointestinal inferior, posteriormente incorporado dentro da cápsula. As nanopartículas serão compostas por um copolímero sintético biocompatível e biodegradável, que em estudos tem demonstrado ser eficazmente absorvido pelas células imunes do trato gastrointestinal, a mesma área que a vacina tem como alvo. Conforme explicou Talton, “este tipo de moléculas demonstrou capacidade para atingir áreas específicas do trato gastrointestinal dependendo da forma como são embaladas”.
De acordo com Talton, a fórmula oral da vacina, que será testada em ratos ainda este ano, tem várias vantagens. Para além da técnica de distribuição dirigida, a vacina comporta níveis altos de absorção pelas células imunes alvo, é não invasiva e fácil de produzir. A fórmula oral da vacina promete torná-la potencialmente mais eficaz do que outras vacinas anti-HIV.
O acordo de cooperação em investigação e desenvolvimento entre a Nanotherapeutics e o NCI marca um avanço importante na história das duas entidades e o desenvolvimento de novas vacinas anti-HIV. “Temos estado interessados em trabalhar com o NIC. Porém, não é fácil consegui-lo. Estamos muito lisonjeados por terem vindo ter connosco e proposto uma parceria. Isto ajuda a publicitar o ramo das nanopartículas orais”, acrescentrou Talton.
Marta Bilro
Fonte: BioPharma-Reporter.com, US-PharmaTechnologist.com.
China investe €1,23 mil milhões para garantir segurança dos medicamentos
Como parte de um esforço de correcção, o país pretende tornar o sistema verdadeiramente eficiente no que diz respeito à monitorização da qualidade dos alimentos e fármacos produzidos dentro das suas fronteiras. Para que tais intenções se concretizem a China tem tentado consertar algumas práticas duvidosas de forma a angariar pontos para a sua reputação e modificar uma visão generalizada a nível internacional que a engloba no cenário dos produtores de medicamentos contrafeitos e inseguros.
O fundo monetário, disponibilizado pelos governos central e locais, deverá ser aplicado na melhoria das infra-estruturas de controlo de segurança dentro dos próximos três a cinco anos, afirmou Yan Jiangying, porta-voz da SFDA, numa conferência de imprensa em Pequim. O mesmo responsável garantiu ainda que durante os próximos três anos deverão ser disponibilizados mais apoios financeiros para permitir um maior investimento na segurança da indústria alimentar e farmacêutica.
De acordo com o matutino “Shanghai Daily”, há objectivos específicos que definem onde será aplicado o dinheiro. Os principais pontos de investimento focam a recolocação e reconstrução do Instituto Nacional de Controlo dos Produtos Farmacêuticos e Biológicos, em Pequim; a reedificação e aquisição de equipamentos para os laboratórios biológicos em 16 institutos de controlo de fármacos; ou a compra de novos instrumentos médicos para 10 centros de controlo de qualidade. Os responsáveis pretendem também estabelecer um sistema de monitorização que registe as reacções adversas a medicamentos que irá ligar um centro nacional a 31 secções locais. Está ainda previsto um projecto para a construção de infra-estruturas locais que inclui novas instalações para a SFDA e laboratórios na parte ocidental e central do país.
A nação liderada por Hu Jintao parece ter pensado em todos os parâmetros. Segundo avançou Yan Jiangying, as leis estão a ser revistas de forma a apertar o controlo das exportações e importações de medicamentos e dispositivos médicos e a facilitar a revisão de produtos perigosos. Para além disso, há planos para lançar uma campanha contra os sites na internet envolvidos na venda ilegal de medicamentos, muitos dos quais são produtos falsos.
Recorde-se que a fiscalização das autoridades chinesas tem vindo a ser cada vez mais intransigente. Recentemente foi eliminado Zheng Xiaoyu, o ex-director da SFDA condenado à pena de morte sob acusações de corrupção relacionada com a aprovação de fármacos que não cumpriam os padrões de qualidade, acabando por conduzir à morte vários cidadãos chineses.
Marta Bilro
Fonte: BioPharma-reporter.com
Pfizer partilha tecnologia SDD com Bend Research
Farmacêuticas firmam parceria para superar os desafios científicos da baixa solubilidade e biodisponibilidadePara superar os desafios da descoberta de novos medicamentos e melhorar o valor clínico de compostos experimentais, a Bend Research e a Pfizer anunciaram uma parceria que pressupõe a partilhar da nova tecnologia de dispersão por secagem a spray - SDD (sigla em inglês para Spray-Dried Dispersions).
A baixa biodisponibilidade (velocidade e o grau com que uma substância activa é absorvida a partir de um medicamento e se torna disponível no local de acção) e baixa solubilidade de compostos – muitos deles potencialmente valorosos – representam, por vezes, uma dificuldade na descoberta de novos medicamentos.
No entanto, a tecnologia SDD da Pfizer - que será agora partilhada com a farmacêutica Bend Research - tem sido aplicada com sucesso em mais de 200 compostos com baixa solubilidade na água, além disso, foi verificada uma biodisponibilidade oral melhorada em 17 ensaios clínicos conduzidos pela Pfizer, incluindo um ensaio da Fase III.
Na sequência da parceria, John L. LaMattina, presidente do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Pfizer afirmou que "esta nova iniciativa mostra que podemos partilhar especialização científica para ajudarmos na descoberta de novos medicamentos."
Para Marshall Crew, vice-presidente da Bend Research, a tecnologia SDD constitui “uma oportunidade significativa para o aperfeiçoamento de compostos insolúveis com baixa biodisponibilidade", sublinhando que “é amplamente aplicável a compostos insolúveis e é compatível com as fórmulas convencionais de dosagem sólida.”
A farmacêutica Bend Research abre agora portas a novas colaborações e lança o convite a novos investigadores para testarem a aplicação da tecnologia SDD nos seus compostos experimentais. Caso os resultados sejam promissores, os parceiros terão a oportunidade de negociar acordos de licenciamento com a Pfizer.
Raquel Pacheco
67º Congresso da Federação Internacional de Farmacêuticos
Arranca no ultimo dia deste mês, e prolonga-se até 6 de Setembro em Pequim, na China, o 67º Congresso da Federação Internacional de Farmacêuticos (FIP na sigla em inglês), que deverá subordinar-se à discussão do papel daqueles profissionais de saúde, concretamente no que diz respeito à forma como podem ajudar o doente a fazer uma melhor utilização dos medicamentos.Num convite assinado por Sang Guowei, presidente da Associação Farmacêutica Chinesa, e Kamal Midha, líder da FIP, a organização deste evento considera que o momento actual é de extrema relevância e oportunidade para a classe, que detém o poder de influenciar significativamente o estado de saúde e a qualidade de vida das pessoas e das comunidades. Considerando que este é o principal encontro de farmacêuticos, investigadores, académicos, estudantes e outros parceiros de várias áreas no domínio da saúde, a FIP salienta que há grandes expectativas e desafios a vencer, sendo dever dos farmacêuticos preparar-se para enfrentar uma mudança de paradigma que se avizinha.
Abrangendo áreas tão diversas como a farmácia comunitária e hospitalar, a política e a administração do sector, a indústria farmacêutica, a investigação científica e as suas aplicações clínicas e a farmácia militar e de emergência, o 67º congresso da FIP visa essencialmente o intercâmbio e a actualização de conhecimentos, a fim de potenciar um desenvolvimento mais eficaz do sector e alavancar uma melhoria na prestação de cuidados aos doentes. Mais informações sobre o evento poderão ser consultadas no site http://www.fip.org/CONGRESS/beijing2007/?id=600.
Carla Teixeira
Fonte: FIP
FDA chumbou dose mais elevada de Advair
A companhia farmacêutica GlaxoSmithKline informou que a norte-americana Food and Drug Administration recusou o pedido daquele laboratório para permitir a administração de doses mais altas do Advair Diskus (fluticasone/salmeterol) no tratamento da doença pulmonar obstrutiva crónica. Face às preocupações demonstradas pela FDA, que têm a ver essencialmente com o risco associado à toma de doses tão elevadas de fármacos (a GKS pretendia aumentar para o dobro a actual), a companhia contrapõe a desilusão e a surpresa...Katharine Knobil, vice-presidente da área de desenvolvimento de novos medicamentos para a DPOC na GlaxoSmithKline, lembrou que, em Maio, um painel de 11 especialistas foi unânime na consideração de que o Advair reduz o risco daquela doença pulmonar, que pode provocar bronquite e enfizema. Normalmente a FDA acolhe os pareceres dos especialistas, mas neste caso decidiu de forma contrária, o que surpreendeu a empresa farmacêutica. A autoridade norte-americana do sector considerou que a dose proposta “não é aprovável”.
O Advair resulta de uma combinação de um esteróide com um broncodilatador, e actua através do relaxamento dos músculos nas vias respiratórias, melhorando a respiração. É usado para prevenir ataques de asma (mas só actua antes do seu início, não tendo efeito se administrado depois), e é actualmente o medicamento mais vendido pela Glaxo para o tratamento da DPOC associada à bronquite crónica, gerando lucros anuais na ordem dos 3,3 mil milhões de dólares americanos.
Carla Teixeira
Fonte: Firstword, Bloomberg, Hemscott, Houston Chronicle, Drugs.com
Galapagos extende colaboração com a AstraZeneca
Este anúncio marca a terceira colaboração entre a AstraZeneca e a BioFocus DPI. Em Agosto de 2006, a Galapagos tinha anunciado a primeira colaboração com a AstraZeneca no campo da descoberta de fármacos. No seguimento de um segundo programa, iniciado em Abril de 2007, a BioFocus DPI está a fornecer a interpretação química e suporte de biologia, e serviços ADME para um programa “hit-to-lead” da AstraZeneca. Enquanto que estas colaborações se focam na divisão de Investigação e Desenvolvimento (I&D) sedeada na Europa, da AstraZeneca, o recente acordo expande os serviços de descoberta de fármacos da BioFocus DPI para a área de I&D da AstraZeneca nos Estados Unidos.
O presidente da Galapagos, Onno van de Stolpe, sublinhou que agora a companhia tem uma relação global com a AstraZeneca, trabalhando em diversos locais na Europa e nos Estados Unidos. Este tipo de expansão acenta muito bem na estratégia da Galapagos para o crescimento da divisão BioFocus DPI.
Trevor Trust, vice-presidente da área de descoberta de infecções da AstraZeneca nos Estados Unidos, acrescentou que os colegas europeus estão satisfeitos com o progresso dos programas de descoberta de fármacos a decorrer, em colaboração com a BioFocus DPI. A decisão da divisão de I&D dos Estados Unidos de iniciar esta colaboração com a BioFocus DPI baseia-se na produtividade e na boa relação de trabalho entre as duas companhias demonstradas até agora.
Isabel Marques
Fontes: Pharmalive
Complicações da diabetes ligadas à falta de vitamina B1
Investigadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, descobriram que as pessoas com diabetes expelem 15 vezes mais tiamina, vitamina B1, do organismo do que o normal, segundo os resultados de um estudo que envolveu 94 pessoas.
A equipa de investigadores afirmou que a tiamina ajuda a proteger contra complicações, tais como problemas cardíacos e oftalmológicos, segundo publicado no “Diabetologia journal”. Os peritos sugerem que suplementos alimentares enriquecidos com vitamina B1 podem potencialmente ajudar as pessoas com diabetes.
É a primeira vez que uma deficiência da vitamina, que se encontra na carne, nas leveduras e nos cereais, é identificada em pessoas com diabetes. Este facto não foi encontrado antes, devido aos métodos como são medidos os níveis de tiamina. Tradicionalmente, a actividade da enzima transcetolase nos glóbulos vermelhos tem sido utilizada para indicar os níveis de tiamina. Contudo, os investigadores descobriram que um aumento da actividade desta enzima, que é normalmente um sinal de elevados níveis de tiamina, também está associada a uma resposta do organismo a uma deficiência. Assim, a equipa mediu os níveis de tiamina no plasma sanguíneo e descobriu que as concentrações de tiamina eram 76 por cento mais baixas em pessoas com diabetes tipo 1 e 75 por cento mais baixas em pessoas com diabetes tipo 2.
A tiamina é a chave na protecção contra problemas vasculares, tais como danos nos rins, na retina e nos nervos, assim como problemas cardíacos e acidente vascular cerebral, uma vez que actua ao ajudar a proteger as células contra os efeitos dos níveis elevados de glicose.
Actualmente, estão a ser conduzidos ensaios para averiguar se uma dieta com suplementos com tiamina poderá repor os níveis a um estado normal. O principal investigador, o Professor Paul Thornalley, disse que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, mas estas descobertas podem significar uma enorme diferença, acrescentando ainda que dietas com suplementos podem ser uma forma efectiva de minimizar os riscos das complicações derivadas da diabetes.
Matt Hunt, da Diabetes UK, que ajudou a financiar este estudo, disse que ainda é necessária mais investigação, acrescentando que o estudo poderá ter consequências muito entusiasmantes.
Cerca de 80 por cento das pessoas com diabetes morrem de doenças cardiovasculares, e a diabetes é a principal causa de cegueira na população activa no Reino Unido. Por isso, qualquer investigação que possa ajudar deve ser encarada com seriedade, concluiu Hunt.
Mais de dois milhões de pessoas sofrem de diabetes no Reino Unido. Em Portugal, cerca de meio milhão de pessoas sofre de diabetes e corre o risco de vir a desenvolver doenças cardiovasculares.
Isabel Marques
Fontes: Saúde Sapo, BBC
Governo limita prescrição de medicamentos
O despacho 4250/2007 do Ministério da Saúde, publicado em «Diário da República» no passado dia 7 de Março, pretende limitar o acto de prescrição dos fármacos abrangidos pelo escalão C do regime especial de comparticipação aos psiquiatras e neurologistas, deixando de fora os médicos de clínica geral. A medida, que deverá afectar cerca de 70 mil doentes em Portugal, já está a gerar polémica. É que o tratamento de um doente de Alzheimer tem um custo médio de 100 euros por embalagem de medicamentos, que não são suficientes para um mês...
Os doentes de Alzheimer queixam-se da atitude do Ministério da Saúde, e garantem que estão a ser esquecidos e maltratados pela tutela. Salientam que uma visita a um médico especialista é difícil e onerosa, traduzindo-se numa nova despesa, para muitos doentes insuportável. Rosário Zincke, presidente da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA), disse, em declarações ao jornal «Correio da Manhã», que várias vezes aquela entidade se reuniu com responsáveis do Infarmed, a fim de sensibilizar a tutela para o problema dos doentes, mas até agora sem qualquer sucesso, acrescentando que é muito difícil, nomeadamente nas regiões do Interior, mas também nas grandes cidades, que os doentes tenham acesso a médicos especialistas em neurologia ou psiquiatria.
Difícil também, de acordo com a responsável, é a compra de fraldas, de que muitos dos doentes de Alzheimer precisam. Dadas as dificuldades com que se debatem diariamente aquelas pessoas, Rosário Zincke diz não compreender por que razão o ministério não inclui a doença na lista de patologias crónicas, medida que traria enormes benefícios para milhares de pessoas no que diz respeito ao acesso à terapia. Para tentar minorar os problemas, a APFADA, em parceria com a Associação Nacional de Farmácias e os Laboratórios Pfizer, desenvolveu o programa «Ajudar é cuidar», que apoia os doentes na compra do Aricept (donepezilo), cujo preço de venda ao público é de 87,72 euros. Trata-se de um projecto integrado no plano de ajuda desenvolvido pela associação, que suporta mais de 90 por cento do custo do fármaco quando o doente tem um rendimento inferior ao salário mínimo.
A iniciativa «Ajudar é cuidar» apoia actualmente cerca de 900 doentes, estimando-se que o custo mensal do projecto ascenda aos 26 mil euros. O medicamento é dispensado a doentes de Alzheimer em fase ligeira a moderadamente grave com indicação médica para a sua utilização, desde que façam prova da situação clínica e da condição económica desfavorecida.
Carla Teixeira
Fonte: «Correio da Manhã», APFADA
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Chá verde eficaz no tratamento de inflamações da pele
Nas doenças de pele, como a psoríase, que se reconhece pelas suas formações escamosas prateadas e pelas placas de diversos tamanhos, dá-se uma produção anormalmente elevada de células cutâneas. As células imunitárias do organismo são também activadas, permitindo que a inflamação se instale.
Os cientistas do “Medical College of Georgia” dividiram um conjunto de ratos em dois grupos - um deles recebeu banhos frequentes de água quente, o outro foi lavado com uma mistura de extracto de chá verde e água. Este último grupo desenvolveu lesões na pele muito mais tardiamente do que os roedores que foram lavados apenas com água quente. Para além disso, os ratos que tomaram banho com a mistura de chá verde e água registaram lesões menores e menos inflamadas.
Os cientistas observaram que o chá verde atrasa a produção de células da pele através da regulação da actividade da enzima caspase-14, envolvida no ciclo de vida das células da pele. Conforme explicou Stephen Hsu, orientador do estudo publicado no “Experimental Dermatology”, estas conclusões são muito relevantes para os doentes portadores de psoríase ou caspa, cujos tratamentos comportam sérios efeitos secundários. De acordo com este especialista, o chá verde pode ser uma alternativa, no entanto, são precisas mais investigações para superar algumas barreiras relacionadas com o tratamento e para avaliar todos os possíveis efeitos.
Os elementos químicos presentes na composição do chá verde são muito activos o que faz com que oxidem muito rapidamente quando associados a outros ingredientes. É também preciso ter em conta que estes elementos se dissolvem em água, impedindo-os de penetrar a barreira da pele. Para fazer face a estas contrariedades os investigadores estão a trabalhar numa fórmula equilibrada, capaz de ser dissolvida na gordura, e que possa penetrar na pele.
Marta Bilro
Fonte: Xinhua, CBC News.
Aquisição da Pliva provoca quebra de 45% nos lucros da Barr
Os resultados líquidos relativos ao segundo trimestre de 2007 desceram para os 32,8 milhões de euros, ou 29 cêntimos por acção, dos 59,5 milhões de euros, ou 55 cêntimos por acção, registados no período homólogo do ano anterior.
A Barr adquiriu a croata Pliva em Outubro de 2006 para conseguir aceder aos mercados europeus, a matérias-primas a preços mais reduzidos e à prática de cópias de medicamentos produzidos através da biotecnologia. A operação valeu-lhe o terceiro lugar entre as maiores fabricantes de genéricos a nível mundial.
Por sua vez, entre Abril e Junho do ano corrente, as receitas da farmacêutica norte-americana cresceram 81 por cento, para os 461 milhões de euros, comparativamente aos mesmos meses de 2006, antes da empresa concluir a aquisição da Pliva. As vendas da Barr aumentaram para mais do dobro comparativamente ao segundo trimestre do ano anterior, atingindo os 353 milhões de euros. As expectativas da empresa, no que toca às receitas relativas ao cômputo do ano, mantêm-se entre os 1,77 e os 1,81 mil milhões de euros. O mesmo acontece com os ganhos por acção relativos ao 12 meses do ano, que a Barr estima que se mantenham entre os 2,17 e os 2,39 euros.
Na semana passada, a Barr anunciou que o director de operações, Paul Bisaro, se prepara para abandonar a empresa e assumir o cargo de director executivo na rival Watson Pharmaceuticals Inc.
Marta Bilro
Fonte: Bloomberg, Reuters.
Canadá aprova utilização de Sativex no alívio da dor em doentes com cancro
O medicamento, derivado da cannabis, está já disponível no Canadá para tratar a dor neuropática em pacientes com esclerose múltipla e encontra-se actualmente em ensaios clínicos de última fase, nos Estados Unidos da América, para aliviar a dor em doentes com cancro, referiu a empresa britânica GW Pharmaceuticals.
“Isto comprova aquilo em que muitos médicos acreditam, que o Sativex funciona e tem uma ampla aplicação”, salientou Ibraheem Mahmood, um analista da Investec Securities citado pela Bloomberg que estima que, em cinco anos, o pico de vendas do medicamento atinja os 17,2 milhões de euros. O Sativex é o único produto farmacêutico derivado de componentes da cannabis.
Dados de estudos recentes demonstraram que o Sativex alcançou melhorias estatisticamente significativas no alívio da dor, em comparação com um placebo, referiu o laboratório. O medicamento é administrado através de um spray borrifado debaixo da língua ou no interior da bochecha, permitindo uma dosagem mais flexível relativamente a um comprimido de administração oral.
Marta Bilro
Fonte: Bloomberg, First Word, Hemscott.
Avaliação clínica pode justificar utilização de Remodulin
Infarmed mantém recolha do fármaco
A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) divulgou uma nota de carácter “muito urgente” através da qual informa que apesar do Remodulin (treprostinilo) ter sido retirado do mercado, poderá haver situações em que a relação benefício risco se mantenha, dependendo do julgamento clínico em cada caso.
Todos os lotes e dosagens do medicamento foram retirados do mercado devido à ausência de realização de testes de esterilidade na União Europeia (UE). O Remodulin é fabricado nos Estados Unidos da América, país sem Acordo de Reconhecimento Mútuo com a UE, e os ensaios de esterilidade não foram repetidos em território comunitário. Esta é uma inconformidade que, segundo refere o Infarmed, resultou na recolha do produto do mercado, situação que se mantém.
A circular informativa agora emitida refere que, depois de considerar as alternativas terapêuticas, e para que seja autorizada a utilização do fármaco recolhido, o médico deve emitir uma declaração que atesta que os benefícios superam os riscos. Nesse caso, serão disponibilizadas as unidades necessárias do produto à unidade hospitalar. Se esta situação se verificar, os Laboratórios Azevedo – Indústria Farmacêutica, S.A, titulares da AIM do medicamento, deverão dar conhecimento ao Infarmed.
O Remodulin é utilizado no tratamento da hipertensão arterial pulmonar primária para melhorar a tolerância ao exercício físico e os sintomas da doença, em doentes classificados como pertencendo à Classe III da New York Heart Association.
Marta Bilro
Fonte: Infarmed
Merck e KineMed parceiras contra a arteriosclerose
A KineMed poderá receber perto de 4 milhões de euros da Merck, relativos a pagamentos iniciais de investigação, e mais de 50 milhões por cumprimento de objectivos por cada um dos 10 compostos em investigação desenvolvidos através da tecnologia de transporte reverso de colesterol, desenvolvida pela KineMed. “Este é um acordo fulcral para o futuro da KineMed”, afirmou o presidente e director executivo, David Fineman, que revelou estar “muito satisfeito por ir trabalhar com a Merck na identificação e desenvolvimento de compostos que possam tem impacto no tratamento da arteriosclerose através desta tecnologia”.
Segundo afirmam as duas empresas envolvidas na parceria, a tecnologia de transporte reverso de colesterol é o único caminho metabólico através do qual o excesso de colesterol pode ser removido dos tecidos, razão pela qual “tem recebido atenção considerável por parte dos investigadores e da comunidade de pesquisa clínica como um alvo terapêutico”.
A arteriosclerose surge com o avançar da idade, e sob determinados factores de risco porque as artérias tendem a alterar as características das suas paredes que se tornam mais espessas, duras, e com menor elasticidade. Estas alterações são geralmente acompanhadas pela deposição, no seu interior, de placas mais ou menos extensas formadas por gorduras (como o colesterol), ou aglomerações de plaquetas, cálcio e outros constituintes do sangue.
Entre os principais factores de risco estão a hipertensão, elevados níveis de colesterol e de outras gorduras no sangue, tabaco, diabetes e obesidade. De acordo com o portal da Administração Regional de Saúde do Centro, para além da medicação necessária no caso de hipertensão, está indicada ainda medicação para prevenção da formação de coágulos, como é o caso dos antiagregantes, sendo o mais popular a aspirina. Há, no entanto, outros medicamentos para o mesmo efeito, dos quais se destaca o clopidrogrel (Plavix, comercializado em Portugal pela Sanofi Pharma e pela Bristol-Myers Squibb ou o Iscover, comercializado pela Bristol-Myers Squibb).
Marta Bilro
Fonte: PharmaTimes, MSN Money.
Cientistas desenvolvem comprimido contra a obesidade infantil
"Se agirmos antecipadamente, talvez sejamos capazes de programar o metabolismo dos bebés, tornando-os mais resistentes ao excesso de peso" defende Michael Cawthorne, director do laboratório que, preocupado com o crescente fenómeno resolveu estudar uma forma de inverter esta situação.
A hormona "leptin" é a responsável pela programação de uma glândula, localizada no cérebro, que suprime a fome e estimula a queima de calorias. Esta programação acontece em tenra idade, dai que os investigadores acreditem que este comprimido pode activar a hormona tornando-a capaz de estimular a tendência, a longo-prazo, do corpo para usar as calorias em vez de transformá-las em gordura.
No entanto, a segurança do tratamento com a hormona leptin não está ainda garantida, bem como não foi ainda estipulada a quantidade e a hora de cada dose ou a avaliação a longo prazo dos seus efeitos.
Inês de Matos
Fonte: Jornal de Noticias
Jogo chinês "Mahjong" pode causar epilepsia
Os investigadores observaram 23 casos de pacientes, cuja média de idades rondava os 54 anos e onde apenas dois indivíduos eram do sexo feminino que, durante um jogo "Mahjong", sofreram crises de epilepsia.
A conclusão final do estudo revelou que a epilepsia deste jogo de mesa é uma síndrome isolada, um problema que se deve unicamente ao jogo. Os investigadores acreditam que estas crises epilépticas se poderão dever ao som das peças ou aos seus padrões, excluindo hipóteses como o stress ou o reduzido tempo de sono.
De forma a evitar os ataques, os especialistas aconselham a que se evite a prática deste jogo, pois acreditam que este é um tipo de epilepsia desenvolvido pela cognição.
Inês de Matos
Fonte: Jornal de Noticias
terça-feira, 7 de agosto de 2007
LLA: novo tratamento aumenta taxa de sobrevivência
A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é um tipo de cancro agressivo frequente em crianças e adolescentes. Cientistas holandeses descobriram, agora, um novo tratamento que aumenta a taxa de sobrevivência de crianças com um ano de idade.
Segundo revela um estudo da União Internacional contra o Cancro, a doença oncológica afecta 438 crianças, por dia, em todo o mundo, tendo-se tornado na segunda causa de mortalidade infantil.
Em Portugal, a leucemia - tipo de cancro que afecta o sistema responsável pela formação das células sanguíneas, incluindo o sistema linfático e a medula óssea - é diagnosticada em cerca de 29 mil adultos e 2.000 crianças, sendo a Leucemia Linfoblástica (ou Linfóide) Aguda o tipo oncológico mais predominante em menores.
Biologicamente distinta, em bebés até doze meses de idade, a LLA tem um tratamento altamente complexo, no entanto, investigadores holandeses anunciaram ter descoberto um novo tratamento que, segundo asseveram, aumenta a taxa de sobrevivência de crianças com um ano.
Rob Pieters, do Hospital Infantil Erasmus MC-Sofia, (Roterdão) coordenou a equipa de cientistas que efectuou um estudo que envolveu 482 bebés (com menos de um ano) nascidos em 22 países.
Citados pela EFE - num artigo da edição da revista «The Lancet» -, os especialistas revelaram que, numa primeira fase, aplicaram um tratamento padrão à base de prednisolona (corticosteróides) durante sete dias. Posteriormente, os bebés foram submetidos a um tratamento híbrido que incorporava alguns medicamentos habitualmente usados para combater a LLA.
Admitindo que serão precisos mais estudos com crianças, os cientistas consideram, contudo, que “o tratamento acabará por se tornar num padrão”, concretizando que, passados três anos, “constatámos que 58% das crianças que receberam o novo tratamento não apresentavam nenhum sintoma da doença e que, no ano seguinte, essa taxa era de 47%.”
De acordo com os dados divulgados no site http://www.infocancro.com/, a LLA é responsável por cerca de 3800 novos casos de leucemia, todos os anos. Embora, nos últimos 40 anos, a taxa de cura de crianças com LLA tenha sofrido uma redução de 10% para 80%, em bebés com menos de 12 meses, a taxa de sobrevivência é menos entusiasta no período após o tratamento (quando a doença desaparece) variando de 17% a 45%.
A equacionar à esperança depositada nesta cura, há ainda – como foi noticiado pelo farmacia.com.pt – um novo medicamento a ser estudado no Brasil que visa tratar especificamente esta doença.
Raquel Pacheco
Fonte: EFE/«The Lancet»/infocancro.com
Flurizan promete revolucionar tratamento da doença de Alzheimer
Actualmente, há alguns fármacos indicados para o tratamento sintomático da doença de Alzheimer, é o caso do Aricept (Donepezilo), da Pfizer, do Exelon (Rivastigmina), da Novartis ou do Namenda (Memantina, comercializado em Portugal pela H. Lundbeck A/S como Ebixa). Porém, estes medicamentos apenas atrasam a deterioração da memória causada pelo avanço da doença. A substância experimental, desenvolvida pela Myriad, representa uma inovação, uma vez que tem como alvo a própria doença e não apenas a perda de memória associada a esta.
A empresa norte-americana de biotecnologia está actualmente a realizar um ensaio clínico de última fase com a substância, que conta com a participação de 1.600 pacientes. O estudo que envolve o Flurizan é considerado pelos analistas do sector como um dos mais importantes de sempre na área dos medicamentos. A investigação está a avaliar a capacidade do fármaco para atrasar o progresso da doença de Alzheimer. Os resultados devem ser anunciados durante os primeiros seis meses de 2008.
A doença de Alzheimer conduz a uma deterioração mental progressiva, afectando regiões do cérebro, que alteram, mais frequentemente, o comportamento físico, mental e a linguagem conduzindo à demência. A necessidade de terapias que combatam esta patologia torna-se mais urgente à medida que os anos avançam, já que, um estudo da Universidade Johns Hopkins indica que, em 2050, o número de portadores da doença deverá ascender aos 100 milhões.
A Schering-Plough, a AstraZeneca, a Elan, a Wyeth e a Accera estão a desenvolver investigações experimentais com fármacos para a doença de Alzheimer, mas o Flurizan é colocado pelos especialistas na linha da frente no que diz respeito às terapias mais avançadas. William Ho, analista do Banco da América, prevê que a aprovação do Flurizan possa fazer subir as acções da Myriad para os 50,1 cêntimos de euro por acção, dos 30,1 cêntimos que regista actualmente.
Marta Bilro
Fonte: CNN Money, Portal da Saúde, Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer.
Viracept deve voltar ao mercado até Outubro
A interrupção da autorização de comercialização do anti-retroviral foi anunciada, esta terça-feira (7 de Agosto), pela Comissão Europeia, uma medida que se seguiu à recolha do medicamento do mercado europeu, em Junho de 2007, por indicação da Agência Europeia do Medicamento (EMEA).
A Roche, farmacêutica responsável pelo produto, referiu que a retirada do Viracept do mercado se ficou a dever à contaminação de alguns lotes com mesilato de etilo, uma substância que provoca alterações tóxicas no ADN celular. Conforme explicou um comissário europeu, a suspensão só pode ser anulada por decisão da comissão e depois de serem avaliados novos dados submetidos pela EMEA.
A farmacêutica suíça afirma que está a cooperar com as autoridades para melhorar o processo de produção do medicamento.
Marta Bilro
Fonte: Forbes, CNN Money.
Richard A. Gonzalez abandona Abbott
Gonzalez, de 53 anos de idade, planeia cessar as suas actividades a partir do dia 30 de Setembro, porém a posição não deverá ser reocupada. Como tem vindo a acontecer em várias empresas norte-americanas, os cargos de presidente e director de operações são assumidos pelo presidente e director executivo.
“O Rick é um líder perfeito e tem tido uma carreira notável na Abbott, na qual se inclui o seu trabalho para ajudar a conceber e pôr em prática a estratégia de sucesso no âmbito dos produtos médicos da Abbott”, afirmou Miles White, presidente e director executivo da empresa.
Segundo Melissa Brotz, porta-voz da Abbott, Gonzalez tinha planeado a sua retirada há cerca de um ano ou um ano e meio, porém, foi-lhe solicitado que permanecesse em funções para ajudar a lidar com a aquisição da Guidant à Boston Scientific, operação que ocorreu em Abril de 2006.
Marta Bilro
Fonte: Waukegan News Sun, CNN Money.
Bayer triplicou lucro líquido no primeiro semestre
O desempenho da companhia farmacêutica Bayer no primeiro semestre deste ano teve como consequência um lucro líquido que ascendeu aos 3,4 milhões de euros, traduzindo um crescimento superior a 230 por cento face a igual período do ano passado. Segundo a empresa química alemã, na base da melhoria dos resultados estarão os rendimentos provenientes da venda da divisão de diagnósticos, do departamento de materiais de construção Wolff Walsrode e da unidade de produtos químicos H.C. Starck, alienada em Novembro de 2006 para financiar a compra da Schering, por 17 mil milhões de euros.Na sequência daquela operação, a Bayer transformou-se no maior fabricante alemão de medicamentos de prescrição obrigatória. No primeiro semestre deste ano a divisão de farmácia da multinacional – Bayer HealthCare – facturou um volume total de 7,3 milhões de euros, subindo 64 por cento face ao mesmo período do ano transacto. Na origem da subida no volume de negócios daquela subsidiária estiveram os resultados das vendas do Betaseron (novo tratamento para a esclerose múltipla) e da Yasmin (anticoncepcional oral). Para o conjunto do ano em curso, a Bayer previu já um aumento da sua facturação na ordem de mais de 10 por cento relativamente aos 28,9 mil milhões de euros de 2006.
Carla Teixeira
Fonte: Agência Efe, Diário Económico
REPORTAGEM
Prescrição de psicofármacos em crescendo
Ansiedade, depressão e perturbações do sono são os diagnósticos mais frequentes nos casos de prescrição de psicofármacos na medicina geral e familiar. Um estudo realizado pelo Observatório de Saúde do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge na Rede Médicos-Sentinela em Março deste ano concluiu que o medicamento mais receitado pelos clínicos é o alprazolam, e nos casos depressivos a fluoxetina. São problemas com incidência crescente em todo o mundo.
A esmagadora maioria dos distúrbios mentais exige a instituição de terapêuticas à base de psicofármacos, mas, e apesar da crescente importância do uso daqueles medicamentos, continua a ser muito pouca a informação disponível sobre eles em Portugal. O estudo «Prescrição de psicofármacos em medicina geral e familiar», do Observatório de Saúde de INSA, teve como objectivo aferir o padrão de utilização daquele tipo de produtos, analisando aquela problemática no âmbito da Rede Médicos-Sentinela, um grupo de médicos de família que participa voluntariamente em programas anuais de notificação contínua de doenças e situações relacionadas com a saúde, bem como em projectos de investigação clínica e epidemiológica. A recolha dos dados que estiveram na base deste estudo – a que o farmacia.com.pt teve acesso – foi realizada durante o primeiro trimestre de 2004.Assinado por Isabel Marinho Falcão (chefe do Serviço de Medicina Geral e Familiar do Observatório), Ana Monsanto (assistente graduada de Clínica Geral no Centro de Saúde de Ourique), Baltazar Nunes (estatista do ONSA/INSA), Josefina Marau (chefe do Serviço de Medicina Geral e Familiar do Centro de Saúde de Sintra), e José Marinho Falcão (chefe do Serviço de Saúde Pública e assessor do ONSA do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge), refere que “o aumento da incidência de doenças mentais, afectando qualquer indivíduo em qualquer parte do mundo, é um problema de saúde pública com dimensão crescente e uma enorme carga social e económica, que preocupa governos, autoridades e técnicos de saúde”, sendo hoje “facilmente aceite que o envelhecimento das populações aumenta, por si só, o risco de ocorrência de doenças mentais, como Alzheimer, Parkinson e outras”.
O estudo tipifica ainda a depressão grave como uma das causas mais importantes de incapacidade em todo o mundo, e atesta que “uma em cada quatro pessoas será afectada por um distúrbio mental ao longo da vida, e que raras são as famílias poupadas a um encontro com transtornos mentais”. São problemas que, em regra, demandam terapêuticas centradas na administração de psicofármacos, substâncias psicoactivas que quando tomadas podem alterar o estado de consciência, o humor e os processos cognitivos dos indivíduos. Nos últimos 10 anos houve um aumento significativo do consumo de psicofármacos na Europa, e no final da última década Portugal encontrava-se em terceiro lugar daquele «ranking» europeu, precedido apenas pela Irlanda e pela Bélgica.
No que respeita especificamente aos antidepressivos, um relatório do IMS Health de 2002 colocava aquela classe de medicamentos como a terceira mais prescrita a nível mundial, com um aumento de 18 por cento só no decurso do ano 2000, e que representava uma quota de 4,2 por cento do mercado farmacêutico a nível global. Alguns estudos norte-americanos sugerem que, “apesar da elevada prevalência da depressão em todo o mundo, os médicos de família falham no diagnóstico de 30 a 50 por cento dos doentes com epidódios depressivos major”. Em Portugal os dados sobre este assunto são escassos, de acordo com os especialistas, mas é apontada uma incidência anual de síndroma depressivo de 6,2/103 nos indivíduos com mais de 15 anos.
Números
O estudo «Prescrição de psicofármacos em medicina geral e familiar» aferiu que na área dos psicofármacos antipsicóticos, o zyprexa (olanzepina) foi em 2002 o quarto que mais contribuiu para os encargos do Serviço Nacional de Saúde. Em 2005 as benzodiazepinas (que integram o subgrupo dos ansiolíticos, sedativos e hipnóticos) apresentavam um dos maiores níveis de utilização a nível europeu, que entre 2000 e 2004 aumentou 3,9 por cento no mercado total de medicamentos em Portugal. A taxa de utilização daqueles fármacos em Portugal foi considerada preocupante pelo International Narcoting Board no seu relatório de 2004.Àquela conclusão não terá sido alheio o aumento de 26 pontos percentuais no uso de psicofármacos daquele grupo terapêutico entre 1995 e 2001, segundo informa o estudo «Evolução do consumo de benzodiazepinas em Portugal de 1995 a 2001», apresentado pelo Observatório do Medicamento e dos Produtos de Saúde no ano seguinte. Entre 2000 e 2004 verificou-se uma subida de 3,9 por cento na utilização daquele tipo de psicofármacos em Portugal, e desde 2002 parece ter-se desenhado uma tendência de estabilização do nível de utilização de benzodiazepinas.
No período analisado neste estudo (Janeiro a Março de 2004), os diagnósticos de ansiedade, depressão e perturbações do sono motivaram a maior parte do volume de prescrições de psicofármacos, com 2556, 1675 e 1348 respectivamente, por 105 utentes. O medicamente prescrito a um maior número de utentes foi o alprazolam (1095/105 utentes), e entre os antidepressivos foi a fluoxetina (332/105 utentes). A mesma pesquisa refere que mais de 95 por cento dos utentes a quem foi feito um diagnóstico exclusivo de perturbações do sono ou de ansiedade, ou um diagnóstico paralelo de ansiedade e perturbações de sono foram tratados com psicofármacos do grupo dos psicolépticos.
Carla Teixeira
Fonte: Estudo «Prescrição de psicofármacos em medicina geral e familiar»
UE suspende autorização de comercialização do Viracept
De acordo com os responsáveis europeus, a decisão surge na sequência da recolha do medicamento do mercado da União Europeia em Junho de 2007, depois de ter sido detectada, em alguns lotes da substância, a presença de mesilato de etilo, uma substância que provoca alterações tóxicas no ADN celular.
A decisão é baseada em conclusões científicas da Agência Europeia do Medicamento (EMEA), depois de terem sido consultados vários países membros. “A suspensão só pode ser anulada por decisão da Comissão, depois de avaliação de novos dados fornecidos pela EMEA”, afirmou um responsável europeu.
O Viracept pertence a uma classe de medicamentos anti-HIV denominados inibidores da protease. O medicamento está indicado no tratamento combinado anti-retrovírico de adultos, adolescentes e crianças com idade igual ou superior a 3 anos, infectados com o vírus da imunodeficiência humana (VIH-1). O fármaco tem autorização de comercialização na Europa desde 1998.
Fonte: Forbes, Reuters, Infarmed.
Encysive contesta decisão da FDA pelo atraso na aprovação do Thelin
De acordo com um comunicado divulgado pela empresa, o pedido entregue à entidade reguladora exige uma resolução em disputa formal, no qual a farmacêutica pode recorrer das decisões da FDA junto dos supervisores deste organismo. O mesmo documento serviu para anunciar que a empresa tem intenções de eliminar 150 postos de trabalho nos Estados Unidos da América.
A Encysive recebeu, em Junho, a terceira “carta de aprovação” na qual a FDA exigia informações adicionais sobre o fármaco para que a sua aprovação pudesse ser considerada. A missiva indicava que o medicamento não demonstrou eficácia suficiente nos ensaios clínicos para garantir aprovação. Caso o recurso interposto pela empresa seja recusado, a farmacêutica terá que realizar ensaios clínicos adicionais que podem prolongar-se por dois anos. “Continuamos a acreditar que o estudo cumpre totalmente as exigências e correcções exigidas pelas directivas da FDA”, afirmou o director executivo da empresa, George Cole.
Em Julho, e na sequência da recepção da carta relativa ao Thelin, enviada pela FDA, a Encysive contratou Morgan Stanley, um banco de investimento e provedor de serviços financeiros, para explorar uma possível venda da companhia farmacêutica. Na mesma altura a empresa anunciou uma redução de 70 por cento nos postos de trabalho como parte de um novo plano de reestruturação.
O Thelin é utilizado para tratar doentes adultos com hipertensão arterial pulmonar da classe III, é indicado no tratamento da hipertensão pulmonar primária (sem outras causas) e da hipertensão pulmonar associada a doença do tecido conjuntivo. O medicamento recebeu Autorização de Introdução no Mercado europeu em Agosto de 2006 e foi designado “medicamento órfão” pela Agência Europeia do Medicamento no tratamento da hipertensão pulmonar primária.
Marta Bilro
Fonte: First Word, Bloomberg, Forbes, Infarmed, EMEA.
Cafeína ajuda a conservar a memória
Os benefícios da cafeína têm vindo a ser frequentemente comprovados em várias áreas da saúde. Tal como noticiou o Farmacia.com.pt, um estudo recente revelou que em, conjunto com o exercício físico, a cafeína pode ajudar a aumentar a protecção contra o cancro da pele. Uma outra investigação indicava que quanto maior é o consumo de café, menor é o risco do desenvolvimento de gota. Agora, tal como explicou Karen Ritchie, do Instituto Nacional Francês para a Saúde e Investigação Médica em Montpellier, por ser um psicoestimulante, a cafeína “parece reduzir o declínio cognitivo nas mulheres”.
Os cientistas analisaram 7.000 homens e mulheres ao longo de quatro anos, avaliando as suas capacidades cognitivas e os hábitos de consumo de café. No final observaram que as mulheres que consumiam três chávenas de café por dia tinham menos probabilidades de sofrer de declínio mental quando comparadas com aquelas que bebiam, diariamente, apenas uma chávena ou menos. Para além disso, os consumidores de café registaram 30 por cento menos de probabilidade de sofrer de declínio mental aos 65 anos de idade e 70 por cento menos hipóteses de declínio mental aos 80 anos de idade.
No entanto, os investigadores desaconselham que se comecem a consumir cafés e galões desmesuradamente. “Precisamos de perceber melhor como é que a cafeína afecta o cérebro antes de começarmos a promover o consumo desta substância como uma solução para a redução do declínio cognitivo”, frisou Ritchie. Apesar das precauções indicadas, esta investigadora considera que “os resultados são interessantes – a utilização da cafeína é um hábito frequente e tem menos efeitos secundários do que outros tratamentos para o declínio cognitivo, para além disso requer uma quantidade relativamente reduzida em prol de um efeito benéfico”.
Ainda assim, são precisos mais estudos, até porque os cientistas não conhecem a razão pela qual a cafeína demonstra efeitos positivos nas mulheres. Ritchie refere que pode dever-se ao facto de estas serem mais sensíveis aos efeitos da substância. “Os seus organismos podem reagir de forma diferente a este estimulante, ou metabolizá-lo de maneira diferente”, concluiu a investigadora.
Marta Bilro
Fonte: The Earth Times, Scientific American.
IV Congresso da Sociedade Europeia de Doenças Emergentes e Infecciosas, em Lisboa
Neste Congresso os principais temas em debate versam sobre as infecções respiratórias emergentes (como a gripe aviária) e outras doenças emergentes, doenças e infecções transmitidas por vectores, agentes infecciosos susceptíveis de serem utilizados em ataques bioterroristas, doenças de transmissão alimentar e a resistência a antibióticos. O programa completo do Congresso está disponível no site da ESEI em www.esei2007.com/programme_1.html.
Para mais informações ou inscrições contactar a Eurocongressos, Rua Castilho, 44, 5º Andar, em Lisboa, ou através do telefone 213 244 883, pelo fax 213 432 993, pelo e-mail meet@eurocongressos.pt ou no site da ESEI em www.esei2007.com.
Isabel Marques
Fontes: Jasfarma, www.esei2007.com
Investigadores descobrem ponto no cérebro que desencadeia a febre
Quando as pessoas ficam doentes, os glóbulos brancos enviam sinais químicos, as citoquinas, para organizar a defesa do organismo. Estes mensageiros emitem uma mensagem aos vasos sanguíneos no cérebro para produzirem uma segunda hormona, a prostaglandina E2. Isto espoleta as respostas do cérebro durante uma infecção ou inflamação, explica o Dr. Clifford Saper, investigador da Harvard Medical School, em Boston, cujo estudo está publicado na revista “Nature Neuroscience”.
O Dr. Saper e os colegas queriam descobrir quais das células nervosas no cérebro geravam a febre. Para isso, utilizaram ratos de laboratório e eliminaram sistematicamente genes para os receptores específicos de EP3, uma parte do cérebro que é sensível à hormona prostaglandina E2. Muitas células no cérebro criam receptores EP3, o que o Dr. Saper pensa poder desencadear outros sintomas, tais como fadiga, perda de apetite, e fadiga associada a infecção. Os investigadores sabem que a prostaglandina E2 actua no hipotálamo, uma área do cérebro que controla as funções básicas tais como comer, beber, sexo e a temperatura corporal.
Em entrevista telefónica à Reuters, o Dr. Saper disse que descobriram que se se retirar o receptor EP3 deste ponto, que é aproximadamente do tamanho de uma cabeça de alfinete, deixa de se ter uma resposta febril. Os investigadores esperam que seja mesmo isto que se passa no cérebro humano.
Os actuais analgésicos, como a aspirina, actuam em todos os receptores de prostaglandina no corpo, mas também têm muitos outros efeitos, continua o Dr. Saper. Sabendo como encontrar e eliminar os receptores ligados à febre poderá ajudar ao desenvolvimento de fármacos altamente específicos que actuam num receptor específico. Poderá ainda levar ao desenvolvimento de fármacos que previnem a perda de apetite ou a fadiga associados a infecções. Por fim, poderá ser possível manipular esses circuitos com medicamentos, só sendo preciso saber quais dos circuitos estiveram envolvidos em cada uma destas coisas, acrescentou ainda o Dr. Saper.
Isabel Marques
Fontes: Saúde Sapo, Reuters
