terça-feira, 2 de outubro de 2007

iGuard: Portal fornece informação personalizada sobre riscos de medicamentos

Um ex-funcionário da Quintiles, um grupo norte-americano de consultadoria especializado no sector farmacêutico, lançou um portal na internet que fornece aos consumidores informações acerca do risco dos medicamentos de acordo com uma tabela de resultados apresentados sob um código de cores. O iGuard, nome atribuído ao projecto, pretende desmistificar e facilitar o processo, muitas vezes confuso, de perceber se a ingestão de determinado fármaco é ou não segura.

O portal cruza as mais recentes informações médicas com os dados clínicos pessoais dos doentes de forma a gerar uma classificação. O sistema utiliza uma série de níveis de alerta que indicam aos pacientes se devem procurar mais informação ou consultar o medico. Um cinco vermelho pode, por exemplo, ser o equivalente a um atentado terrorista contra o próprio organismo, relata o portal Pharmalot.com.

“O modelo veio da indústria automóvel. A maioria dos consumidores não recebe uma chamada do farmacêutico ou do médico [a indicar informações de segurança]. Cabe-lhe a eles determinar o quanto querem procurar informação…Portanto, se repararmos, a segurança dos medicamentos nos Estados Unidos da América é uma grande questão, principalmente porque os doentes e os médicos sentem que os riscos não foram devidamente comunicados aos consumidores ou num período de tempo adequado”, afirma o criador do portal, Hugo Stephenson, cuja maior apoiante é a própria Quintiles.

Um dos exemplos avançados pelo responsável está relacionado com a informação recentemente divulgada sobre os biofosfonatos, mas que tinha sido publicada no “New England Journal of Medicine” há cerca de cinco meses. De acordo com Stephenson, isto pode levar os pacientes a questionar porque é que tal não lhes foi comunicado. Na televisão “só são apresentados os benefícios”, sublinha, acrescentando que “o desafio é que a indústria não pode falar sobre risco. Apresentar um anúncio de duas páginas numa revista em letras miudinhas não constitui uma divulgação total”.

No caso do novo portal, a informação sobre o risco dos medicamentos está a cargo de um grupo de profissionais isentos com conhecimentos em medicina, bioestatisticas, farmacovigilância e medicina baseada em provas, que funciona como uma equipa de críticos especializados, apesar de pelo menos dois fazerem também consultadoria sobre segurança de medicamentos para dois clientes anónimos. A base de dados resultante poderá ser acedida por investigadores do governo, da indústria ou académicos que pretendam elaborar estudos.

Marta Bilro

Fonte: Pharmalot.com, Clinical Trials Today, iGuard.org.

Fármaco experimental para a psoríase apresenta resultados positivos

O fármaco experimental ABT-874 para a psoríase, da Abbott Laboratories, continuou a ser efectivo após os pacientes terem parado com o tratamento. Os dados de um estudo intermédio demonstraram que os pacientes com psoríase moderada a grave, que tinham respondido inicialmente ao tratamento com a terapia, mantiveram um nível elevado de resposta 12 semanas após terem descontinuado o tratamento.

Os resultados da Fase II do estudo aleatório e controlado por placebo, que envolveu 180 pacientes, demonstraram que 90 por cento dos pacientes que receberam o ABT-874 durante 12 semanas conseguiram uma melhoria dos sintomas da psoríase na ordem dos 75 por cento no final do tratamento. Os novos dados demonstraram que mais de dois terços destes pacientes mantiveram, pelo menos, uma melhoria dos sintomas de 50 por cento até 24 semanas. Os resultados foram apresentados no "World Congress of Dermatology”, em Buenos Aires, Argentina.

A Abbott planeia iniciar, no final deste ano, a última fase de testes do ABT-874, tratamento injectável, que atinge duas proteínas ligadas à inflamação na psoríase, a Interleucina-12 e Interleucina-23, e para outros distúrbios, nos quais o sistema imunitário ataca o próprio organismo.

O fármaco poderá ser comercializado em 2010, e gerar 3 mil milhões de dólares no pico das vendas anuais, segundo um analista da “RBC Capital Markets”, Phil Nalbone.

O ABT-874 está a demonstrar alguns dos melhores resultados de sempre em estudos de terapias para a psoríase, acrescentou Nalbone. Se tudo continuar como planeado, o ABT-874 poderá ser a maior oportunidade comercial para a Abbott em 2010.

A psoríase afecta 125 milhões de pessoas em todo o mundo. Só em Portugal existem 250 mil pessoas que sofrem desta doença. É provocada quando o sistema imunitário não funciona correctamente, pode surgir em qualquer idade e afecta 1 a 3 por cento da população.

A psoríase é uma doença crónica e recorrente da pele, não contagiosa. O seu aspecto, extensão, evolução e gravidade são muito variáveis, caracterizando-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, que afectam preferencialmente os cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo. A escamação resulta de um crescimento e de uma produção anormalmente elevada das células cutâneas.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, Forbes, http://www.psoportugal.com, Manual Merck

“Nariz artificial” pode detectar cancro em 30 segundos

Cientistas israelitas desenvolveram sensor que permite localizar tumor a partir das primeiras células modificadas

De acordo com um estudo publicado no jornal «Yedioth Ahronoth» e avançado pela Agência EFE, cientistas israelitas desenvolveram uma espécie de "nariz artificial" que pode ajudar a detectar tumores em 30 segundos, evitando no futuro as biopsias, radiografias e outros exames para localizar cancros.

A investigação foi levada a cabo por uma equipa de 17 investigadores do Politécnico da cidade de Haifa (Technion) e culminou com a criação de um novo dispositivo, testado com sucesso em pessoas durante a fase experimental de laboratório, e que, segundo cita a agência noticiosa, poderá começar a ser usado "dentro de dois anos."

“É parecido com um telemóvel e permite descobrir, em 30 segundos, por meio da respiração e do cheiro, tumores malignos e onde estão localizados no organismo através de um sensor do tamanho da cabeça de um alfinete”, afirmaram os investigadores ao jornal, explicando que o processo é simples: “O paciente respira através de uma espécie de canudo ligado ao dispositivo que contém um sensor e, em meio minuto, poderá saber o resultado do exame numa tela.”

Husan Jaiek, médico que liderou o estudo, realçou que os métodos actuais só conseguem detectar a doença quando o cancro já está em vias de desenvolvimento ou desenvolvido, asseverando que "isto pode ser mudado". O cientista acredita que ao ser possível detectar o tumor a partir das primeiras células modificadas, “a percentagem de pessoas que podem sobreviver poderá aumentar até 90%."

O projecto, testado em pessoas com cancro e outras saudáveis, está já a ser patenteado e conta com a ajuda de 1,7 milhão de euros do Fundo de Pesquisas da União Europeia, informa a EFE.

Raquel Pacheco
Fonte: Agência EFE

Elefantíase: descodificação de código genético aproxima cura

Descoberta abre caminho ao desenvolvimento de novos medicamentos

Foi descodificado o código genético de um dos parasitas que provoca a elefantíase, doença que, segundo a Organização Mundial de Saúde, já incapacitou e desfigurou mais de 40 milhões de pessoas no mundo. A descoberta foi feita por cientistas norte-americanos e poderá abrir caminho ao desenvolvimento de novos medicamentos.

Segundo o artigo publicado na revista «Science», a equipa de biólogos liderada por Elodie Ghedin do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), nos Estados Unidos, conseguiu sequenciar a maioria do genoma do «Malayi Brugia», (verme em forma de fio) que infecta milhões de pessoas, principalmente, nos países tropicais e em vias de desenvolvimento, com a elefantíase ou filária, mas também a oncocerose, que pode levar à cegueira.

“Ter uma completa impressão digital genética dá-nos uma melhor compreensão de que genes são importantes para os diferentes processos da doença, de forma que possamos atingi-los mais especificamente”, sublinhou Elodie Ghedin.

Anthony S. Fauci, director da NIAID, esclareceu que “as doenças causadas pelos vermes filários são tratáveis, mas os tratamentos correntes foram descobertos há décadas", reforçando a “necessidade urgente de novas descobertas devido às limitações dos actuais fármacos, que incluem toxicidade elevada, além de desenvolvimento de resistência.”

O «Malayi Brugia» tem um ciclo de vida complexo que envolve outros dois anfitriões cujos genomas são já conhecidos - que podem viver dentro do corpo humano durante anos. A longevidade do alojamento do parasita e uma enorme capacidade de reprodução (estima-se que cada fêmea tenha capacidade para gerar mil larvas por dia), tem inquietado e intrigado os investigadores.

A elefantíase (ou filária) é causada pelos parasitas nematóides Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori (que são propagados por mosquitos). Trata-se de uma infecção na qual os parasitas bloqueiam o sistema linfáctico, provocando inchaço dos tecidos, deformação dos membros e espessamento da pele. As doenças provocadas por este género de parasitas foram das primeiras reconhecidas pela Ciência como sendo provocadas por picadas de mosquito. Descoberta que remonta a 1866.

Raquel Pacheco
Fontes: Lusa/«Science»

Cervarix e Gardasil com preços semelhantes

Vacina da GSK lançada no mercado britânico

A GlaxoSmithKline começou esta terça-feira a comercializar o Cervarix no Reino Unido. Cada dose da vacina contra o cancro do colo do útero vai custar perto de 115 euros, um preço semelhante ao cobrado pelo Gardasil, vacina rival produzida pela Merck.

O medicamento não está incluído no plano de vacinação do Sistema Nacional de Saúde britânico, pelo que o custo para os utentes ascende aos 346 euros, uma vez que são necessárias três doses para garantir a eficácia da vacina.

O Cervarix, vacina contra o vírus do Papiloma Humano (HPV), foi aprovado pela Comissão Europeia na semana passada, porém, até ao momento era apenas comercializada na Suécia e Alemanha. Na Austrália, o fármaco recebeu aprovação em Maio de 2007.

De acordo com as previsões dos analistas, as duas vacinas, que protegem contra estirpes causadoras do vírus do Papiloma Humano, deverão gerar lucros avultados às farmacêuticas que as produzem. O Gardasil apresenta alguma em vantagem, uma vez que chegou primeiro aos mercados líder, incluindo o dos Estados Unidos da América, onde o Cervarix não deverá chegar antes de 2008.

Tendo em conta a observação do mercado australiano, o único onde as duas vacinas competem significativamente, os analistas da Morgan Stanley consideram que o Gardasil deverá ganhar a posição de destaque. Isto porque, o Comité de Aconselhamento dos Benefícios Farmacêuticos da Austrália rejeitou a atribuição de um reembolso pelo Cervarix depois de questionar a relação entre o custo e a eficácia da vacina face ao Gardasil.

O Gardasil oferece protecção contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, enquanto o Cervarix protege apenas contra as estirpes 16 e 18 do vírus, responsáveis por cerca de 70 por cento dos casos de cancro do colo do útero.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, The Press Association, Farmacia.com.pt.

Chocolate negro ajuda a reduzir sintomas de fadiga crónica

Uma dose diária de chocolate negro pode ajudar a diminuir os sintomas de fadiga crónica, segundo um estudo piloto realizado por cientistas britânicos da Hull York Medical School. Os pacientes do estudo manifestaram que estavam menos cansados após terem ingerido chocolate negro com elevada concentração de cacau, em comparação com chocolate branco tingido de castanho.

Os investigadores revelaram que os resultados são surpreendentes, mas que o chocolate negro pode ter um efeito na serotonia no cérebro. Contudo, os peritos afirmam que os pacientes devem consumir chocolate com moderação.

O principal investigador do estudo, o professor Steve Atkin, perito em endocrinologia, declarou que a ideia de realizar este estudo surgiu após um paciente ter relatado melhoras, depois de ter mudado do habitual chocolate de leite para chocolate negro com um conteúdo consistente de cacau. Sendo assim, Atkin decidiu verificar se outros pacientes também iriam beneficiar da ingestão deste tipo de chocolate, e desenvolveu um ensaio com 10 pacientes que, durante dois meses, receberam uma dose diária de 45 gramas de chocolate negro ou chocolate branco tingido para parecer chocolate negro.

Os pacientes que ingeriram chocolate negro relataram sentir significativamente menos fadiga, e afirmaram ainda sentir mais cansaço quando pararam de comer o chocolate. O professor Atkin afirmou estar muito surpreendido com a força dos resultados, sublinhando que, apesar de ser um estudo pequeno, dois pacientes voltaram ao trabalho depois de estarem sem trabalhar durante seis meses.

O investigador explicou que o chocolate negro é rico em polifenóis, que têm sido associados a benefícios para a saúde, como a redução da pressão sanguínea. Elevados níveis de polifenóis parecem melhorar os níveis de serotonina no cérebro, que tem sido relacionado com a síndrome de fadiga crónica.

Atkin acrescentou ainda que, apesar de ser necessária mais investigação para confirmar estas descobertas, os pacientes não correm nenhum risco ao comer pequenas quantidades de chocolate negro, e nenhum pacientes ganhou peso durante este estudo. O professor Atkin afirmou que se o paciente retira benefícios, então é uma situação que não faz mal, nem apresenta riscos.

A Síndrome da Fadiga Crónica (SFC), também conhecida como Encefalomielite Miálgica (EM), é uma doença com uma ampla variedade de sintomas, mas é particularmente caracterizada por uma profunda fadiga muscular após esforço físico. Os sintomas incluem ainda dor de cabeça, memória fraca, dificuldade de concentração, perturbação do sono e irritação.

Isabel Marques

Fontes: Diário Digital, BBC News

Inquérito: Executivos e investidores optimistas face ao sector biotecnológico

A visão global do sector biotecnológico mantém-se promissora apesar do futuro parecer menos brilhante do que indicavam as previsões de há um ano, revela um novo estudo divulgado esta terça-feira durante o Fórum de Investimento dos Biotecnológicos da Sachs Associates na Europa, a decorrer em Zurique, na Suíça.

A “Global Life Science Ventures” (GLSV) questionou 200 executivos da área da biotecnologia e membros da comunidade de investidores, 79 por cento dos quais eram Europeus. A análise revelou que entre o grupo dos investidores, 68 por cento encara o futuro do sector biotecnológico europeu como suficiente ou muito positivo, relativamente aos 75 por cento de inquiridos que deram a mesma resposta em 2006. Este optimismo cauteloso é justificado com os resultados de alguns ensaios clínicos e aprovações de fármacos recentes, que são vistos por 34 por cento dos participantes europeus como tendo incutido um impacto negativo no sentimento de mercado, enquanto apenas 20 por cento falam num efeito positivo.

Apesar de algumas falhas importantes em fases finais, a postura das grandes farmacêuticas face às empresas de biotecnologia registou melhorias nos últimos anos na opinião de 80 por cento dos europeus questionados. Por sua vez, 69 por cento consideram que as farmacêuticas utilizaram as inovações biotecnológicas de forma mais eficiente nas suas linhas de investigação.

As conclusões do inquérito mostram também que tem havido uma mudança positiva na percepção do ambiente de financiamentos para empresas europeias biotecnológicas em fase inicial. Se é certo que este parâmetro é ainda descrito por 62 por cento dos europeus inquiridos como difícil ou muito difícil, o número desceu desde os 74 por cento registados no ano passado, enquanto 23 por cento o consideram bom ou excelente, comparativamente aos 13 por cento do ano passado.

O ambiente de financiamentos norte-americano é considerado bom ou excelente por 45 por cento dos europeus inquiridos, sendo que apenas 18 por cento o consideram difícil ou muito difícil, apesar disso, os norte-americanos questionados têm mais apetência para considerar difícil a angariação de fundos. De acordo com a mesma auscultação, a Europa e os Estados Unidos (EUA) têm condições de mercado semelhantes no que diz respeito à primeira fase da oferta pública de uma empresa.

Para a maioria dos inquiridos, os factores de maior relevância para o sucesso de uma oferta pública inicial prendem-se com os produtos em última fase e uma forte equipa de gestão. O número de produtos em investigação aparece em terceiro ligar, seguido pela amplitude do mercado terapêutico. O questionário revelou ainda que a comunidade de investidores tem mais apetência dos que os executivos do ramo da biotecnologia para considerar a Europa mais atractiva dos que os EUA.

Peter Reinisch, parceiro da GLSV, considera que os resultados espelham a maturação do sector biotecnológico europeu, “que continua a ser visto de forma positiva por uma grande maioria de inquiridos, apesar de algumas dificuldades nos ensaios clínicos e na aprovação de fármacos”. Se todos os ingredientes fundamentais estiverem reunidos “o sector vai continuar a crescer e preencher as expectativas que lhe são inerentes enquanto fonte de novos medicamentos inovadores para a linha de investigação da indústria farmacêutica”, concluiu.

Marta Bilro

Fonte: Pharma Times, Pharmalot.

Governo comparticipa vacina contra HPV em 40 %

A comparticipação da vacina contra o cancro do colo do útero poderá ascender aos 40 por cento. O valor está a ser estudado pelo Executivo e a medida custará aos cofres do Estado entre 15 e 75 milhões de euros.

Por sua vez, o Infarmed está já a negociar com o laboratório responsável pela produção da vacina uma possível redução do preço do medicamento, avança a Antena 1. Cada dose da vacina contra o vírus do Papiloma Humano custa actualmente 160,45 euros, porém, para ser eficaz, tem que ser aplicado em três tomas, o que significa um gasto superior a 480 euros.

Desta forma, o Governo pretende integrar a vacina no Plano Nacional de Vacinação, à semelhança do que acontece com as vacinas contra a hepatite «B» e a meningite.

O estudo do Infarmed que permitirá enquadrar a medida deverá ser entregue ao Governo até Junho de 2008, no entanto, a comparticipação está já contemplada nas contas do Serviço Nacional de Saúde para o Orçamento de Estado (OE) do próximo ano.

Marta Bilro

Fonte: Fábrica de Conteúdos, Diário Digital.

PDL BioPharma procura comprador

A PDL BioPharma anunciou esta segunda-feira que está à procura de compradores para a totalidade dos seus bens, a decisão surge na sequência de uma avaliação às alternativas estratégicas da empresa de biotecnologia. No mesmo comunicado PDL dá a conhecer que o director executivo, Mark McDade, se demitiu das suas funções, acção que terá efeito imediato.

“Depois de uma análise global das opções disponíveis, o quadro da PDL concluiu que procurar ofertas para a venda da empresa no seu todo ou dos seus bens principais é o nosso primeiro objectivo estratégico”, referiu Karen Dawes, que vai suceder a L. Patrick Gage no cargo de presidente do quadro da empresa, que, por sua vez, foi nomeado director executivo interino.

A demissão de Mark McDade era conhecida desde Agosto, só não se sabia a data em que tal deveria acontecer. Conforme foi noticiado pelo Farmacia.com.pt, McDade terá decidido demitir-se das suas funções devido a "desgostos pessoais" ligados a investigações internas que estavam a decorrer para avaliar a sua conduta.

A semana passada a “Highland Capital Management”, que detém uma fatia de 4,7 por cento da PDL BioPharma pressionou o quadro para que procedesse à venda da empresa e exigiu a demissão imediata de Gage e McDade. Em Setembro a PDL disse que ia proceder à reestruturação através da venda dos tratamentos cardiovasculares da empresa e de um corte nos postos de trabalho.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money, Bloomber, FirstWord.

FDA reavalia efeito dos biofosfonatos no coração

Medicamentos para osteoporose suspeitos de causar fibrilação auricular grave

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) está a rever a ocorrência de casos de batimentos cardíacos irregulares em doentes medicados com biofosfonatos, uma classe de medicamentos na qual se inserem os fármacos para a osteoporose. A análise foi desencadeada por um estudo publicado no “New England Journal of Medicine” que sugeria que as mulheres que tomaram Reclast (Ácido zoledrónico) ou Fosamax (Ácido alendrónico) apresentavam mais probabilidade de desenvolver fibrilação auricular grave.

“Com base na análise inicial não é clara a forma com os dados sobre fibrilação auricular grave devem ser interpretados. Nesse sentido, a FDA não acredita que os prestadores de cuidados de saúde ou os pacientes devam alterar as suas práticas de prescrição ou a utilização de biofosfonatos nesta altura”, refere uma declaração da FDA.

Um estudo e uma carta publicados, em Maio, pelo “New England Journal of Medicine” davam conta de um aumento das taxas de fibrilação auricular grave em pacientes que tomaram um destes dois biofosfonatos: o Fosamax, produzido pela Merck, ou o Reclast, da Novartis. A FDA diz estar a recolher informação adicional para posteriormente poder elaborar uma análise aprofundada sobre o assunto que envolva toda a classe de medicamentos. De acordo com a entidade reguladora norte-americana, a investigação poderá prolongar-se por 12 meses.

Uma análise aos dados referenciados no estudo publicado no “New England Journal of Medicine” concluíu que “uma verdadeira relação entre a fibrilação auricular e o tratamento com Fosamax foi considerada pouco provável tanto pelos investigadores independentes que avaliaram o estudo como pela Merck”, refere um e-mail enviado pela farmacêutica norte-americana e citado pela Bloomberg. Por sua vez, a Novartis ainda não comentou o assunto.

Os biofosfonatos são utilizados para aumentar a massa óssea e reduzir o risco de fracturas em pacientes com osteoporose. Os fármacos são também aplicados na redução de metástases ósseas e na diminuição do cálcio no sangue em doentes com cancro.

Para além do Fosamax e do Reclast, à classe dos biofosfonatos pertencem também o Bonviva (Ácido ibandrónico), da GlaxoSmithKline; o Actonel (Risedronato de sódio) e o Skelid (Ácido tiludrónico), da Sanofi-Aventis ou o Zometa (Ácido zoledrónico) da Novartis.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Reuters.

“Vírus” e “bactérias” impedem comunicação farmacêutico-doente

Ameaças, exigências, ironias e generalizações devem ficar de fora

Da mesma forma que o organismo pode adoecer devido à invasão de microrganismos patogénicos, a comunicação entre o farmacêutico e o doente pode ser infectada por um conjunto de vírus e bactérias que impedem a chegada da mensagem ao receptor. Esta foi uma analogia utilizada por Joan Carles March, professor da Escola Andaluza de Saúde Pública, para salientar a importância de aprender técnicas que tornem eficaz a comunicação entre o farmacêutico e o doente.

De acordo com March, existem três tipos de vírus e cinco bactérias que atrapalham a comunicação farmacêutico-doente. As acusações, as ameaças, as exigências pertencem ao grupo dos vírus. Por sua vez, os juízos, os menosprezos, as ironias, colocar etiquetas e generalizar pertencem à categoria das bactérias. “Este tipo de atitudes são as que mais precisam de ser evitadas; por exemplo, não se deve culpar um paciente dizendo-lhe «eu disse-lhe» ou «eu adverti-o»; ou ameaçá-lo com expressões como «que seja a última vez que lho digo», ou impor exigências, dizendo-lhe «vai fazê-lo porque eu lho estou a dizer» ”, considera este especialista.

Por outro lado, há um conjunto de atitudes que devem ser adoptadas. “É preciso questionar o paciente e fazê-lo de forma aberta; reforçar as coisas que faz bem, uma vez que para mudar algo é mais eficaz sublinhar o que se faz bem; saber ouvir, que é o mais difícil, e demonstrar que se está a ouvir; é preciso especificar e reconfirmar, de forma que constatemos que o paciente entendeu o que lhe dissemos; criar empatia com a pessoa que estamos a atender, isto é, utilizando expressões como «percebo como isso o deve preocupar por isto ou por aquilo»; é importante acolher o paciente, e isso consegue-se no primeiro contacto, através do olhar e do sorriso; e, finalmente, saber resumir”, destaca o especialista, citado pelo Correo Farmacéutico.

Para o professor há ainda outros parâmetros de extrema relevância e que se prendem com os pequenos detalhes, os gestos, o que não se disse, o silêncio. “O olhar, entregar o medicamento na mão do paciente e não deixá-lo no balcão, fornecer informação ordenada, resumida e de uma forma fácil de entender e gerar um clima de intimidade são aspectos que o farmacêutico deve aprimorar”, refere.

Laura Teneu, do Serviçpo de Farmácias do Hospital de Santa Cruz e San Pablo, de Barcelona, destaca a confiança, o compromisso, a empatia e a reciprocidade como alguns dos principais ingredientes da relação entre o doente e o farmacêutico. É necessário demonstrar “continuidade, acessibilidade, flexibilidade, dedicação, tempo, naturalidade, cordialidade e elevada competência emocional e profissional”, salienta. Até porque, tudo isto permite “rastrear, calibrar e sentir as necessidades do doente, os seus medos, expectativas e preocupações”, justifica.

No que toca aos riscos inerentes a um tratamento, Laura Teneu defende que é preciso destacar os benefícios e nunca misturar conceitos, não utilizar palavras trágicas e falar sempre com positivismo.

Marta Bilro

Fonte: Correo Farmacéutico.

Raríssimas lança hoje livro de contos

Está marcado para esta tarde o lançamento do livro de contos “Histórias Raríssimas”, da Associação Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, pelas 18h30, na FNAC Chiado, em Lisboa.

O livro é o resultado de vivências e da imaginação de 14 personalidades da cultura portuguesa e conta com o alto patrocínio da Dr.ª. Maria Cavaco Silva, que confirmou já a sua presença no lançamento, e com o apoio exclusivo da Novartis Oncology.

Na sessão de lançamento, cuja apresentação está a cargo da jornalista Fernanda Freitas, estarão também presentes a Secretária de Estado Adjunta da Reabilitação, Idália Moniz, assim como os autores do livro, entre os quais Mafalda Arnauth, Carlos Pinto Coelho, Júlio Isidro, Rosa Lobato Faria, José Luís Peixoto, entre outros.

Em todo o mundo, contabilizam-se cerca de 7.200 doenças raras, 300 das quais identificadas em Portugal e todas as semanas são reportadas cinco novas doenças raras no mundo.

A Raríssimas é uma associação existente desde 2002, que pretende prestar apoio a doentes, famílias e amigos, bem como a todos quantos convivam de perto com as doenças mentais e raras.

Inês de Matos

Fonte: Jasfarma

Espanha testa novo tratamento para a fibrose cística

Encontra-se a decorrer em Espanha, desde a semana passada, o ensaio clínico de um tratamento para a doença genética conhecida por fibrose cística (mucoviscidose). Os investigadores pretendem melhorar a resposta médica a esta doença que causa um anormal funcionamento das glândulas produtoras do muco, suor, saliva, lágrima e suco digestivo.

O medicamento que está a ser testado utiliza a molécula miglustat para reabilitar a proteína CFTR, que é atingida pela doença e que não cumprindo com as suas funções, leva a uma maior acumulação de muco nas vias.

De acordo com o investigador Fédéric Becq, na maioria dos casos, cerca de 80 por cento, o problema tem origem na mutação genética delta F508.

O medicamento em teste pretende, sobretudo, tratar os problemas respiratórios ligados à doença, provocados pela obstrução das vias e da acumulação de bactérias. Como tal, a observação acompanhou 25 doentes e assume-se, cada vez mais, como “uma esperança real e uma etapa muito importante”, disse Becq.

Esta doença provoca lesões crónicas nos pulmões, dai que a dificuldade respiratória seja comum, bem como as infecções no aparelho respiratório, pois estes doentes não conseguem limpar as vias respiratórias, uma vez que a secreção dos brônquios (canais que se ramificam nos pulmões) possui pouca água, o que a torna espessa e, portanto, mais aderente às paredes brônquicas.

O tratamento é geralmente longo e dispendioso, conduzindo tanto o doente como a sua família a um processo delicado do ponto de vista afectivo. Contudo, nos últimos tempos diversos estudos têm apontado novos tratamentos que podem representar uma nova esperança para estes doentes.

Em Janeiro de 2006, duas equipas de cientistas apontavam uma solução altamente salina como o tratamento mais simples, eficaz e barato para combater os efeitos da doença. Já este ano, foi a vez de uma equipa de cientistas ingleses afirmarem que através da manipulação do vírus da sida, é possível transportar cópias do gene que, quando falha, causa a fibrose cística, uma experiência já comprovada em ratos de laboratório, que permite uma correcção da doença ainda antes do nascimento.

A fibrose cística é uma doença genética, geralmente diagnosticada na infância, que afecta 1 em cada 2.000 recém-nascidos europeus e entre 30 a 40 bebés nascidos em Portugal. A esperança média de vida destes doentes ronda os 35 anos e na Europa é já a doença genética grave mais frequente, atingindo entre oito a dez mil pessoas.

A nível mundial, estima-se que existam sete milhões de pessoas portadoras desta anomalia genética e cerca de 60 mil doentes com fibrose cística.

Inês de Matos

Fontes: Público, Hospital do Futuro, Farmácia.com.pt, ANFQ, Diário Digital
Maior feira internacional do sector farmacêutico
CPhI Worldwide arranca hoje em Milão

Arranca hoje, na cidade italiana de Milão, a edição deste ano da CPhI Worldwide, o maior certame internacional vocacionado para o sector farmacêutico, onde anualmente marcam presença todos os intervenientes no processo de investigação, concepção, fabrico e comercialização de medicamentos.

Num evento em que, de acordo com as estimativas avançadas pela organização, são aguardados cerca de 21 mil visitantes (o número alcançado na anterior edição da feira, a CPhI é "uma oportunidade única" para estabelecer ou aprofundar laços comerciais, conhecer os rostos e as empresas que tomam as mais importantes decisões no sector e conhecer as últimas descobertas e novidades. A exposição tem a duração de três dias, e decorre em simultâneo com duas outras iniciativas: a ICSE Europe (http://www.icsexpo.com/) e a P-MEC Europe (http://www.p-mec.com/), outros palcos privilegiados para o encontro com uma larga franja de agentes do sector farmacêutico nas suas mais diversas valências, valores que contribuíram para a reputação da CPhI como um certame que atrai visitantes de grande qualidade. Mais informações disponíveis na página electrónica da feira, em http://www.cphi.com/.


Carla Teixeira
Fonte: CPhI

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Cancro digestivo vitima três mil portugueses por ano

O cancro digestivo mata anualmente cerca de três mil portugueses e é já o segundo tipo de cancro mais frequente em Portugal. Mas a frieza dos números pode ser explicada pela dificuldade do diagnóstico, uma vez que os sintomas que provoca são comuns a várias doenças.

Sérgio Barroso, director do serviço de Oncologia do Hospital de Évora, adianta que “só em Portugal, e segundo dados oficiais, são diagnosticados cerca de 5000 novos casos anualmente, sendo que em cerca de 25 por cento dos casos o diagnóstico só é feito quando a doença já está metastizada” (em estado avançado).

De facto, em Portugal apenas três em cada cem pessoas com cancro digestivo em estado avançado sobrevivem mais de cinco anos. Como os sintomas são comuns a várias doenças, são normalmente subvalorizados, o que leva a que o diagnóstico seja feito demasiado tarde.

Os principais sintomas do cancro digestivo passam essencialmente pela falta de apetite, emagrecimento, dores abdominais e perda de sangue nas fezes. “Evitar fumar, beber bebidas alcoólicas e comer em excesso” são alguns dos conselhos deixados pelo responsável para evitar esta doença, que é responsável por 130 mil mortes por ano, só na Europa.

Para o Sérgio Barroso, a solução poderá passar pela promoção de campanhas preventivas, pois “a informação é a arma fundamental para lutar contra uma doença que já é um problema importante em termos de saúde pública em Portugal”.

Inês de Matos

Fonte: Diário de Noticias, Público, Lusa
Empresa líder no mercado farmacêutico brasileiro
Blausiegel prevê crescer 20 por cento

A companhia farmacêutica Blausiegel, que lidera o segmento dos medicamentos biotecnológicos no Brasil, actuando nas vertentes de farmácia hospitalar e comunitária, deverá registar, no ano em curso, um crescimento da ordem dos 20 por cento na sua facturação, face aos números do ano passado, que apontam para uma facturação de 100 milhões de dólares americanos. De acordo com o director de novos negócios da empresa, Roque Ocantos, os grandes objectivos da Blausiegel, que agora começa a colher os frutos do investimento avultado que vem realizando na área da biotecnologia, passam pela intenção de, nos próximos seis anos, transformar a exportação dos seus produtos na origem de 15 a 25 por cento da facturação total da companhia, tornando-a referência naquele domínio.

Carla Teixeira
Fonte: InvestNews
Schering-Plough divulga "bons resultados" nos testes
Medicamento trava propagação do HIV

A companhia farmacêutica norte-americana Schering-Plough está a testar um novo medicamento para combater a propagação do vírus responsável pela sida, e divulgou nesta segunda-feira que os dados disponíveis sobre aquele estudo apontam para "bons resultados" na prossecução daquele objectivo.

O novo medicamento entrou na terceira fase de estudos, com duas experiências internacionais que acompanham, cada uma delas, 375 pacientes de todo o mundo, e as primeiras experiências, de acordo com informações avançadas pelo laboratório norte-americano, alcançaram resultados muito satisfatórios, apesar de terem sido registados alguns casos de cancro entre os voluntários sujeitos ao tratamento experimental, sem que a relação entre o novo fármaco e esse diagnóstico tenha sido comprovada.
As duas experiências internacionais agora em curso visam aferir a validade dos resultados obtidos numa primeira abordagem, que teve a duração de 48 semanas e ficou marcada por uma potente taxa de supressão viral na generalidade dos participantes. Segundo a equipa de cientistas responsável por este projecto, o novo medicamento não actua no combate ao vírus já existente, servindo antes como uma espécie de "rescaldo", bloqueando a proteína CCR5, o principal caminho seguido pelo HIV, e evitando a propagação do vírus, para ajudar os doentes em que o vírus já tenha desenvolvido resistência aos tratamentos actualmente praticados.
De acordo com uma notícia divulgada na edição desta segunda-feira do «Correio da Manhã», os responsáveis portugueses pela área do combate à sida erguem reservas a esta novidade farmacológica. Em declarações ao jornal, o rosto principal da Coordenação Nacional de Infecção VIH para a Sida, Henrique de Barros, diz-se "expectante" face ao novo medicamento, preferindo “esperar que comprovativos dos resultados sejam publicados em revistas científicas”. Na opinião daquele responsável, "é necessário fazer uma análise detalhada dos números, antes de se avançar com tais conclusões”.

Carla Teixeira
Fonte: «Correio da Manhã»

Biblioteca na Universidade da Califórnia quer ampliar arquivo sobre a indústria farmacêutica

A Biblioteca e Centro para a Gestão de Conhecimento da Universidade da Califórnia na Biblioteca de São Francisco quer ampliar o seu arquivo de documentação farmacêutica. A secção actualmente existente, denominada Arquivo de Documentos da Indústria Farmacêutica, possui apenas alguns estudos, relatórios governamentais, documentos de empresas e artigos noticiosos sobre o Neurontin (Gabapentina). Porém, há já uma empresa nova-iorquina disposta a doar 20 milhões de páginas de documentos da Merck sobre o Vioxx (Rofecoxib).

“Queremos adicionar documentos de outras empresas farmacêuticas para que os jornalistas, advogados, grupos de consumidores, investigadores académicos, políticos e outros possam perceber de forma mais aprofundada a investigação científica da indústria farmacêutica, a produção, comercialização, vendas e práticas de relações governamentais”, refere Kim Klausner, gerente da “Tobacco Digital Library”, uma biblioteca de documentação desenvolvida pela mesma instituição, citado pelo portal Pharmalot.com.

De acordo com este responsável, “no final, o público sairá beneficiado” com o projecto. “O grande propósito deste Arquivo de Documentação da Indústria Farmacêutica é disponibilizar um recurso que permite àqueles que estão preocupados com a saúde pública aprender mais acerca da forma como a indústria farmacêutica reprime a saúde pública e permitir-lhes alterar esse comportamento”, afirmou Klausner.

Marta Bilro

Fonte: Pharmalot.com.

Portugal em 19º lugar no ranking dos sistemas de saúde europeus

O sistema de saúde português ocupa o 19º lugar na tabela dos mais amigos do consumidor, entre os 29 países europeus analisados, segundo os resultados do Índice Europeu do Consumidor de Serviços de Saúde divulgado esta segunda-feira.

A Áustria mereceu o primeiro lugar, com o seu serviço de saúde a arrecadar 806 dos 1000 pontos possíveis, seguido pelo sistema holandês (794 pontos) e pelo francês (786 pontos). De acordo com o ranking estabelecido pela organização Health Consumer Powerhouse, Portugal obteve 570 pontos.

As leis dos direitos dos cidadãos, o acesso directo a médicos especialistas ou o direito a uma segunda opinião foram alguns dos parâmetros considerados para estabelecer um ranking dos países cujos sistemas de saúde são mais favoráveis aos utentes. No que diz respeito ao tempo de espera, o serviço de saúde português obteve nota negativa, com apenas sete pontos num máximo de 15 pontos.

Na análise à mortalidade por ataque cardíaco, às operações às cataratas e aos cuidados dentários no sistema público os resultados relativos a Portugal são também negativos. Pela positiva destacam-se os baixos níveis de mortalidade infantil, a vacinação na infância e o sistema de informação de saúde por telefone. O direito a uma segunda opinião médica, o acesso a medicamentos inovadores e a sobrevivência ao cancro durante mais de cinco anos são indicadores que surgem em Portugal com resultado "intermédio".

O relatório sublinha os bons resultados no que diz respeito à mortalidade infantil em Portugal, porém frisa que o sistema de saúde português "não é tão avançado como o dos vizinhos espanhóis". De acordo com os dados do documento relativos ao gasto público anual por pessoa com cuidados de saúde, por cada espanhol o Governo gasta mais 15 por cento do que no caso português.

Marta Bilro

Fonte: RTP, Lusa.

CDS-PP quer vacina contra cancro do colo do útero no plano de vacinação e comparticipada

O CDS-PP quer ver a vacina contra o cancro colo do útero incluída no Plano Nacional de Vacinação. Nesse sentido, os democratas-cristãos vão apresentar no Parlamento um projecto que recomenda ao Governo a adopção da medida, abrangendo já em 2008 as raparigas com 10 e 11 anos.

"Com a evolução da ciência, o cancro do colo do útero - o segundo mais comum entre as mulheres - pode ser prevenido com uma vacina 100 por cento eficaz contra o vírus do papiloma humano, responsável por três quartos do cancro do colo do útero", sublinhou a deputada do CDS-PP, Teresa Caeiro, citada pela Agência Lusa.

A responsável considera “uma tremenda injustiça social” o facto da vacina não estar incluída no plano nacional de vacinação e não ter qualquer comparticipação, uma vez que “quem não tem dinheiro fica sujeito com muito maior probabilidade a este cancro”, alertou, sublinhando que "morre uma mulher por dia em Portugal vítima deste tipo de cancro". A vacina está disponível em Portugal desde o inicio do ano corrente, porém as três doses necessárias para garantir a eficácia da mesma custam perto de 500 euros.

Para contrariar este facto, o CDS-PP vai entregar esta segunda-feira na Assembleia da República um projecto de resolução que faz algumas recomendações ao Governo. "Em primeiro lugar, queremos que o Governo encontre uma forma de baixar o preço da vacina", disse Teresa Caeiro, salientando que em Espanha foi criada uma comissão interministerial que conseguiu baixar o preço para 300 euros.

Consciente de que o alargamento imediato a toda a população feminina teria "custos incomportáveis", o CDS pede uma entrada "progressiva e faseada" da vacina no Plano Nacional de Vacinação. "Todos os especialistas dizem que a vacina é mais eficaz na pré-adolescência e adolescência, ou seja entre os 10 e os 16 anos", explicou, justificando a exigência do CDS para que a vacina seja integrada no Plano Nacional para as raparigas de 10 e 11 anos, em 2009 alargada às que têm 12 e 13 anos e assim sucessivamente de forma a abranger, em 2011, toda a população feminina entre os 10 e 16 anos.

No caso da população feminina não abrangida por esta medida, o CDS propõe uma comparticipação do Estado para a vacina, como acontece no caso das vacinas contra a gripe. Esta é a altura certa para “dar um passo em frente”, afirma a deputada, uma vez que o Orçamento de Estado para 2008 está em fase de preparação e a vacina permite "salvar muitas vidas" e "poupar muito dinheiro" no tratamento futuro de doenças oncológicas.

Esta não é a primeira vez que a proposta chega ao Parlamento. Recorde-se que, em Abril, foi rejeitado um projecto de resolução do Partido Ecologista “Os Verdes” que recomendava ao Governo a inclusão imediata da vacina contra o vírus do Papiloma Humano no Programa Nacional de Vacinação, sem uma perspectiva faseada ou de aplicação apenas a alguns escalões etários. No entanto, a iniciativa foi rejeitada pelo PS, que alegou falta de informação científica e custos financeiros, argumentos que, segundo o CDS, se esbatem face ao diploma que vão agora apresentar.

Marta Bilro

Fonte: Público, Diário Digital, Lusa.

Novartis falha previsão de lançamento de fármacos para 2007

A Novartis não deverá atingir os objectivos traçados para este ano que previam a comercialização de oito novos fármacos no mercado europeu e norte-americano, noticia o “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, que cita Thomas Ebeling, director do departamento farmacêutico do laboratório suíço.

De acordo com comentários proferidos por Ebeling a alguns analistas, refere o jornal, este ano, a empresa deverá ficar-se pelo lançamento de cinco novos medicamentos nos Estados Unidos da América.

Durante a apresentação dos resultados anuais da empresa, em Janeiro deste ano, o director executivo da Novartis, Daniel Vasella, revelou a intenção da farmacêutica em colocar oito novos fármacos no mercado europeu e norte-americano até ao final de 2007, refere o “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, citado pelo portal CNN Money.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money.

VEGF Trap-Eye melhora acuidade visual dos doentes com DMI

A VEGF Trap-Eye, uma injecção que está a ser desenvolvida pela Bayer em conjunto com a Regeneron Pharmaceuticals, demonstrou benefícios durante um ensaio clínico de fase II no tratamento da degenerescência macular relacionada com a idade (DMI), a principal causa de perda irreversível da visão em pessoas adultas.

De acordo com a farmacêutica alemã, a VEGF Trap-Eye provocou um aumento da densidade da retina e melhorou a acuidade visual dos doentes. O estudo, que envolveu 157 pacientes, não revelou efeitos secundários graves inerentes à utilização deste tratamento experimental, que, por norma, foi “bem tolerado”, referiu a Bayer.

As duas empresas responsáveis pelo desenvolvimento desta nova terapia estão já a seleccionar pacientes para dar inicio á última fase de ensaios clínicos necessários para submeter o fármaco a aprovação. O ensaio clínico de fase III vai testar a actuação da VEGF Trap-Eye em comparação com o Lucentis (ranibizumab), da Genentech.

A VEGF Trap-Eye é uma injecção administrada directamente no olho que se destina a impedir o crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina que provocam a DMI. Os resultados do estudo foram apresentados durante a “Retina Society Conference”, em Boston.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money, Hemscott.

Associações de apoio a doentes com HIV temem preço excessivo do Isentress

Activistas pedem à Merck que considere os problemas económicos dos doentes

Vários grupos que se empenham no combate à Sida estão preocupados com os custos do Isentress (raltegravir), o novo medicamento da Merck contra o HIV que deverá ser aprovado pela Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos durante este mês, e organizaram um protesto na internet. Os manifestantes exigem que a farmacêutica alemã “estabeleça um preço que lhe proporcione um lucro razoável sem piorar os problemas económicos enfrentados pelos doentes e por aqueles que pagam os medicamentos”.

“O preço deste tratamento terá um grande impacto em vários programas de saúde públicos, como a Medicaid, a Medicare, e o «AIDS Drug Assistance Program», uma vez que todos se encontram no limite dos seus esforços”, refere a declaração que a “União do Preço Justo” (Fair Pricing Coalition), colocou on-line. O movimento de associações, que manteve reuniões com a Merck, invoca também uma expressão famosa da autoria de Geroge Merck (um dos fundadores da farmacêutica): “Os medicamentos são pelas pessoas. Não são pelos lucros. Os lucros seguem, e se nos tivéssemos lembrado disso, eles nunca teriam deixado de surgir”.

Durante as reuniões com os activistas, a Merck terá aparentemente indicado que o preço do Isentress deveria ser equivalente ao de outros medicamentos semelhantes já disponíveis no mercado. Esta situação exaltou os ânimos, isto porque, a união de associações alega que “não basta que a Merck não estabeleça um preço superior ao dos populares inibidores da protease”, porque estes “são já demasiado caros”. Muitos dos pacientes com HIV precisam de mais do que um medicamento para combater o vírus, pelo que o preço final a cobrar pelo tratamento será muito elevado.

“Compreendemos a natureza do negócio e o interesse dos accionistas. A questão é como é que a Merck vai equilibrar as necessidades das pessoas com HIV, as limitações dos que pagam os medicamentos, e o interesse dos accionistas?”, referem os membros da “União do Preço Justo”. “Suspeitamos mesmo que possam haver pressões económicas especiais devido aos tumultos que a empresa tem enfrentado nos últimos anos. Mas esses factores não alteram de maneira nenhuma as pressões experienciadas pelos doentes e pelos que pagam os medicamentos, quer sejam entidades governamentais ou privadas”, argumentam. Nesse sentido, os activistas pedem que a Merck estabeleça o preço do fármaco de forma responsável e não se baseie nas médias de mercado.

Um preço inferior em menos de metade relativamente aos medicamentos da mesma classe será uma prova evidente de que “pelo menos uma empresa farmacêutica coloca as pessoas À frente dos lucros”, afirmam os responsáveis pela declaração.

Tal com foi noticiado pelo Farmacia.com.pt, a FDA garantiu prioridade de revisão ao Isentrss em Junho por considerar que o produto apresentava avanços potencialmente significativos sobre as terapêuticas já existentes.

Marta Bilro

Fonte: Pharmalot, Farmacia.com.pt.

Campanha alerta homens para o cancro da mama

Está pronta para ser lançada em meados deste mês uma nova campanha publicitária promovida pelo Movimento Vencer Viver, grupo de apoio a mulheres com cancro da mama, familiares e amigos, e que pretende ensinar os homens a abordar a doença. A campanha será constituída por três brochuras e um cartaz, cujos temas são especialmente dirigidos aos filhos, maridos/companheiros e amigos/colegas.

Produzida em regime de pró-bono pela Publicampaign e pela Singapour, “a campanha será direccionada a homens mas trata de um assunto de mulheres”, explicou Stélio Lopes, director de marketing social da Publicampaign, em declarações ao portal Meios & Publicidade. "Queremos passar a ideia que alguns homens também se preocupam com esta temática. Vamos dar-lhes informação, dicas práticas de como tratar a questão", afirmou a mesma fonte. Isto porque, segundo explicou o responsável, muitas vezes o não saber o que fazer ou como abordar o assunto remete os homens para o silêncio que pode ser confundido com não querer saber.

Os materiais vão ser distribuídos nos hospitais onde exista a especialidade e em centros de saúde. "Estamos a tentar chegar a acordo também com a Associação Nacional de Farmácias de maneira a marcar presença também nas farmácias", disse Stélio Lopes.

Haverá ainda um micro-site da campanha que vai permitir uma maior disseminação da informação. "Todas as peças de comunicação farão remissão para o site", revelou o director de marketing social da Publicampaign.

O cancro da mama é um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário. É muito mais frequente nas mulheres, mas pode atingir também os homens. O cancro da mama apresenta-se, muitas vezes, como uma massa dura e irregular que, quando palpada, se diferencia do resto da mama pela sua consistência.

Marta Bilro

Fonte: Meios & Publicidade, Vencerviver.dpp.pt, Liga Portuguesa Contra o Cancro, Portal da Saúde.

domingo, 30 de setembro de 2007

Bristol-Myers Squibb paga 515 milhões de dólares para concluir investigações sobre fraude

A Bristol-Myers Squibb acordou pagar 515 milhões de dólares ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos para que seja concluída a investigação sobre fraude e combinação ilegal de preços, como também acusações sobre a obrigação de armazenamento de medicamentos e sobre a promoção ilegal do Abilify.

Segundo declarou o Departamento de Justiça, o pagamento inclui 499 milhões de dólares mais juros de cerca de 16 milhões de dólares. A Bristol-Myers entrou também num acordo de integridade corporativa de cinco anos, que requer que a companhia mantenha programas de conformidade para monitorar as práticas de negócio.

A investigação norte-americana envolveu actividades relativas à atribuição de preços e de promoção de mais de 50 medicamentos, incluindo 13 fármacos com vendas combinadas de 10,7 mil milhões de dólares, no ano passado, o que corresponde a 69 por cento dos lucros farmacêuticos da Bristol-Myers em 2007. Entre estes encontram-se os fármacos mais vendidos da companhia: o anticoagulante Plavix, o antipsicótico Abilify, o Pravachol para o colesterol e a terapia para o cancro Taxol.

O governo americano acusou ainda a Bristol-Myers de promover o antipsicótico Abilify para utilização em crianças, e como terapia para a demência, duas indicações não aprovadas pela entidade reguladora dos medicamentos. A companhia direccionou a força de vendas para visitar psiquiatras infantis, de modo a promover o fármaco para o uso em crianças, e em casas de repouso para promovê-lo para pacientes idosos, indicou o Departamento de Justiça.

A Bristol-Myers também inflacionou os preços de uma ampla variedade de fármacos para o cancro, tendo ainda recebido pagamentos do governo mais elevados do que devia pelo antidepressivo Serzone.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Bloomberg

FDA aprova nova vacina contra a gripe sazonal

A FDA aprovou a comercialização da vacina antigripal Afluira, da australiana CSL Ltd., indicada para pacientes maiores de 18 anos, aumentando assim para seis o número de imunizações aprovadas para a campanha anual norte-americana.

A vacina Afluria protege contra os vírus da gripe tipos A e B, e é feita a partir do vírus da gripe inactivo cultivado em ovos de galinha. As pessoas que são alérgicas a ovos ou outro componente da vacina não devem receber este fármaco.

A CSL irá fornecer aproximadamente 2 milhões de doses para esta época, que pode começar em Outubro e prolongar-se até Maio. Este fornecimento pode aumentar para os 20 milhões de doses dentro de cinco anos.

Segundo o vice-presidente executivo da unidade de bioterapias da CSL, Paul Perreault, esta situação faz parte da estratégia da companhia de internacionalizar a vacina da gripe, especialmente no hemisfério norte.

A CSL produz, há quase 40 anos, vacinas contra a gripe para o hemisfério sul, e o Afluria recebeu revisão acelerada sob um programa da FDA para novos fármacos para doenças graves ou que podem pôr a vida em risco.

A expansão da disponibilização de vacinas irá ajudar a diminuir as 200 mil hospitalizações e as 36 mil mortes atribuídas todos os anos, nos Estados Unidos, a complicações relacionadas com a gripe. Espera-se que seja produzido um número recorde de 132 milhões doses da vacina da gripe sazonal para a época de 2007/2008, para os Estados Unidos, o que corresponde a mais 10 milhões de doses, em relação ao ano passado, de acordo com o Centers for Disease Control and Prevention.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Bloomberg, Reuters, Forbes

Indústria biofarmacêutica britânica empenhada em acelerar produção de biofármacos

Parceria financia investigação académica

A indústria farmacêutica britânica está empenhada em acelerar o processo de desenvolvimento e produção de biofármacos. Recentemente, um conjunto de entidades do sector criou um fundo monetário que injecta dinheiro nas universidades do país, de forma a superar os atrasos na produção de medicamentos biológicos.

A parceria, denominada “Bioprocessing Research Industry Club” (BRIC), e custeada por fundos públicos e privados, envolve a participação de duas entidades britânicas no ramo da investigação e da indústria biofarmacêutica do Reino Unido e disponibilizou 5 milhões de euros para financiar oito projectos em sete universidades do país, numa tentativa de impulsionar e tornar mais eficiente o processo de desenvolvimento e produção de biofármacos.

De acordo com a Associação Britânica de Bioindústria (BIA na sigla inglesa), cerca de 30 por cento dos medicamentos actualmente em investigação e desenvolvimento e 10 por cento dos fármacos comercializados são de origem biológica. Porém, o processo de produção de biológicos é complexo, dispendioso e exige trabalho intensivo.

“A produção de muitos dos biofármacos actualmente disponíveis já está no limite do ponto de ruptura ao nível da relação técnica e económica, e o avanço rumo à criação de fármacos e terapias biológicas ainda mais sofisticadas deverá agravar este problema”, referiu a Universidade de Birmingham, uma das sete instituições às quais foi atribuído o fundo de investigação.

Todos os projectos têm a duração de três anos e visam melhorar o processo de produção de biofármacos a longo prazo. Esta é a segunda ronda de financiamentos concedidos pela BRIC e será repartido entre oito equipas de investigação de sete universidades: Universidade de Birmingham, Imperial College London, Manchester, Newcastle, Nottingham, Sheffield e Strathclyde.

Há um ano, um investimento semelhante, no valor de 7,1 milhões de euros, apoiou outros nove projectos de investigação em 10 universidades. A terceira e última ronda de financiamentos será anunciada no próximo mês e deverá rondar o valor dos montantes atribuídos até agora, uma vez que a totalidade do fundo se situava entre ou 17,2 e os 20 milhões de euros.

A BRIC nasce da colaboração entre o “Conselho de Investigação de Biotecnologia e Ciências Biológicas”, o “Conselho de Investigação de Engenharia e Ciências Físicas” e a indústria biofarmacêutica do Reino Unido, com o apoio do “bioProcessUK” – a unidade de produção de biológicos da BIA. Criada em 2005, esta parceria pretendeu concentrar-se na distribuição de investimentos na pesquisa académica no ramo do processo de produção de biológicos e é patrocinada por 17 empresas farmacêuticas, entre as quais se encontram a GlaxoSmithKline, a Lonza e a Eden Biodesign.

Marta Bilro

Fonte: BioPharma-Reporter.com

Estudo pôs em causa eficácia da imunização em idosos
DGS recomenda vacina contra a gripe


Um estudo publicado recentemente na revista científica «Lancet» deu como certo que a vacina contra a gripe tem efeito praticamente nulo quando administrada em pessoas com mais de 65 anos, devido à grande fragilidade do seu sistema imunitário. No entanto, a sub-directora-geral de Saúde veio a público aconselhar os mais velhos a tomar a vacina, de modo a obterem um índice mais elevado de protecção face às eventuais cmplicações, e mesmo a nível cardíaco.

Graça Freitas reconheceu que há variações nos efeitos da vacina consoante é administrada em pessoas mais velhas ou mais novas, mas insistiu na necessidade de os idosos se vacinarem, de forma a obterem um nível de protecção mais elevado contra a doença. Em declarações à TSF, a responsável enfatizou que a recomendação da DGS se baseia no entendimento da comunidade médica e científica, que considera útil a imunização dos cidadãos com mais de 65 anos, no sentido de melhor os proteger contra a incidência da gripe.
Tal como o farmacia.com.pt noticiou na sua edição do passado dia 3 de Setembro, a vacina contra a gripe para a época 2007/2008 está desde esta segunda-feira disponível na rede nacional de farmácias, sendo intenção do Ministério da Saúde conseguir um aumento da taxa de cobertura daquela imunização, pelo que as receitas médicas emitidas desde 1 de Setembro vão manter-se válidas até final deste ano. A vacina deverá ser administrada preferencialmente nos meses de Outubro ou Novembro, mas poderá ser aplicada ao longo de todo o período de Outono e Inverno.
Há poucos dias, como o farmacia.com.pt já tinha também avançado, uma equipa de cientistas do Instituto do Coração de São Paulo descobriu, mediante a realização de um estudo que concorre ao Prémio Saúde no Brasil, que a imunização contra a gripe confere aos portadores de insuficiência cardíaca maior protecção contra a pneumonia, complicação comum da gripe e que frequentemente motiva a hospitalização daqueles pacientes. Até agora a Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) deu autorização para a comercialização de sete tipos diferentes de vacinas contra a gripe sazonal em Portugal, país em que anualmente são afectados pela doença cerca de um milhão de pessoas.

Carla Teixeira
Fonte: TSF, «Correio da Manhã», farmacia.com.pt

FDA toma medidas contra produtos não aprovados com hidrocodona

A FDA está a tomar medidas severas contra cerca de 200 fármacos para a tosse, sujeitos a prescrição médica, que contêm o narcótico hidrocodona, muitos dos quais estão a ser administrados erradamente a crianças pequenas.

A agência que regula os medicamentos nos Estados Unidos ameaçou retirar os produtos do mercado, caso as companhias não os parem de fabricar e distribuir dentro de seis meses. Os fármacos são frequentemente prescritos por médicos, algumas vezes por terem nomes semelhantes aos sete medicamentos aprovados pela FDA, incluindo o Tussionex, da UCB SA e o Hycodan, da Endo Pharmaceuticals Holdings Inc.

Os fármacos para a tosse que contêm hidrocodona foram relacionados, em mais de 400 relatórios, a efeitos secundários graves devido a erros nas dosagens, a partir de 2005, de acordo com a FDA. Os fármacos não aprovados apresentam mais riscos, uma vez que podem conter avisos inadequados ou sugerir falsamente que podem ser administrados a crianças com dois anos. Nenhum dos sete supressores da tosse aprovados está autorizado a ser utilizado em crianças com menos de seis anos.

A indústria farmacêutica continua a tentar contornar a lei e a pôr a saúde dos consumidores em risco, afirmou Deborah Autor, directora do gabinete de conformidade de fármacos da FDA. Dosagens incorrectas e/ou confundir os fármacos que não têm aprovação e que têm nomes semelhantes, com os que estão aprovados, pode conduzir a doenças graves, lesões ou até à morte.

A hidrocodona é um narcótico derivado da codeína utilizado geralmente para tratar a dor e suprimir a tosse, mas se for tomado em excesso está relacionado com paragem cardíaca, problemas respiratórios, e danos nas capacidades motoras e de discernimento. A hidrocodona também é um dos principais ingredientes de muitos analgésicos que necessitam prescrição médica, tal como o Vicodin, da Abbott Laboratories.

A FDA recusou nomear qualquer das companhias que fabricam produtos não aprovados ou os nomes das marcas. Alguns deles estão no mercado há décadas, antes da lei ter sido ratificada para obrigar que todos os produtos com hidrocodona estejam aprovados pelos reguladores.

A FDA impôs três prazos às companhias farmacêuticas. Em primeiro lugar, as farmacêuticas têm até 31 de Outubro para retirar do mercado todos os produtos com hidrocodona não aprovados, e que indiquem poder ser utilizados em crianças com menos de seis anos, ou podem estar sujeitos a apreensão por parte da FDA. Em segundo, as companhias têm até 31 de Dezembro para parar de fabricar todos os produtos com hidrocodona que não estão aprovados e, finalmente, até 31 de Março têm de parar a sua distribuição, de modo a não sofrerem penalizações.

Este retardamento irá ajudar a garantir que os fabricantes dos fármacos aprovados possam acelerar a produção, de modo a não haver uma falta de medicamentos.

Isabel Marques

Fontes: Bloomberg, www.medicalnewstoday.com, health.yahoo.com

sábado, 29 de setembro de 2007

Chugai retira candidatura do Epogin no Japão

Companhia necessita conduzir mais testes clínicos em pacientes

A Chugai Pharmaceutical Co, unidade nipónica da Roche, decidiu retirar a candidatura para a aprovação de comercialização do agente estimulante da eritropoiese, o Epogin (epoetina beta) injectável, para a anemia induzida por quimioterapia, no Japão, de modo a poder conduzir mais testes clínicos do composto. A companhia tomou esta decisão após ter dialogado com a entidade que regula os medicamentos no Japão.

A necessidade de ensaios clínicos adicionais foi recomendada a seguir às conversações com o regulador japonês acerca da eficácia do fármaco. A companhia explicou que será apropriado avaliar o balanço entre riscos e benefícios do Epogin através da recolha de novos dados de ensaios clínicos. Consequentemente, a Chugai planeia voltar a submeter a candidatura para a aprovação do fármaco.

Toda a classe de fármacos Epo, que são utilizados para aumentar os glóbulos vermelhos em pacientes com anemia para evitar a necessidade de transfusões sanguíneas, está sob observação devido às preocupações com a segurança e o potencial excesso de utilização.

O fármaco, que já está aprovado no Japão para o tratamento da anemia associada a doença renal, foi originalmente apresentado no país nipónico como indicação para a anemia induzida por quimioterapia, em Dezembro de 2005.

O Epogin, comercializado como NeoRecormon noutras partes do mundo, ainda é uma grande fonte de receitas para a Roche, atingindo vendas de 2,23 mil milhões de francos suíços (1,9 mil milhões de dólares) no ano passado, ligeiramente menos em 2005. A companhia está a tentar expandir o franchise através do lançamento do CERA/Mircera (estimulante contínuo do receptor da eritropoetina), um agente estimulante da eritropoiese de longa duração que foi recomendado para aprovação nos Estados Unidos e na Europa. A Roche encontra-se a meio de um longo processo relativo à patente deste novo produto com a concorrente Amgen.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, Yahoo!News,
www.pharmatimes.com

Coimbra: rastreios gratuitos ao risco cardiovascular e à osteoporose

Compete ao farmacêutico apurar através de um questionário os hábitos e antecedentes familiares do utente

Durante o mês de Outubro, Coimbra é o distrito onde várias farmácias irão possibilitar a realização de rastreios gratuitos ao risco cardiovascular e à osteoporose.

A iniciativa insere-se numa campanha nacional que decorre com o total apoio da empresa farmacêutica Ratiopharm - disponibilizando recursos humanos e materiais necessários aos exame - com o objectivo avaliar o risco de incidência destas patologias e, também, doenças da próstata.

Compete ao farmacêutico (ou técnico) iniciar ambos os rastreios através do preenchimento de um questionário junto do utente que visa apurar os hábitos relativos a perturbações cardiovasculares, sintomatologia e antecedentes familiares.

Posteriormente, cabe a um enfermeiro destacado para a farmácia efectuar um electrocardiograma ao rastreado, cujo resultado é descrito num relatório feito por um médico no local. Para um diagnóstico final, todos os examinados são aconselhados a dirigirem-se ao seu médico assistente, por isso, todos os dados da “consulta” são anexados e entregues à pessoa (inquérito, exame e relatório).

O método repete-se no rastreio da osteoporose: o farmacêutico analisa alguns dos hábitos do indivíduo, seguindo-se um breve exame de medição de densitometria óssea.
Os rastreios à osteoporose realizam-se na próxima segunda-feira, na Farmácia Cortesão (São Silvestre) e na Farmácia Ygeia (Soure), nos dias 3 e 4. A sessão de rastreio ao risco cardiovascular decorre dia 11 de Outubro, na Farmácia Estádio (Coimbra).

Raquel Pacheco
Fonte: CampeãOnline

Diâmetro da cintura pode denunciar risco cardíaco

Estudo relaciona dimensões da barriga com cálcio nas artérias do coração

Um estudo divulgado pelo «Journal of the American College of Cardiology» sugere que o tamanho da cintura, nomeadamente, os quilos a mais na barriga, podem ser um “bom medidor” do risco crescente de um problema cardiovascular.

Para os cientistas do Centro Médico da University of Texas Southwestern (Estados Unidos), os quilos a mais na barriga “reflectem um risco maior de acumulação de placas nas artérias e no coração, mesmo quando o peso de uma pessoa é normal”, frisaram.

Reforçando que, “a resposta está sempre nas dimensões da barriga e isso é o que deveria preocupar as pessoas”, os investigadores acreditam que este indicador é “melhor do que a balança da casa-de-banho.”

O estudo analisou um grupo de 2.744 pessoas, que foram submetidas a testes para detectar a presença de placas nas artérias, sinais básicos de um maior risco de problemas cardiovasculares. O resultado revelou-se uma descoberta: que quanto maior era o diâmetro da cintura, a possibilidade de encontrar cálcio nas artérias do coração aumentava.

De acordo com a equipa norte-americana “o depósito de placas nas veias indica o começo de uma arteriosclerose ou o endurecimento das artérias”, esclarecendo que, “a presença pode ser detectada anos antes de a pessoa apresentar dores toráxicas ou ter um ataque de coração.”

Segundo explicaram, os participantes foram divididos em cinco grupos de acordo com o tamanho da cintura, tendo concluído que “os que possuíam uma barriga maior tinham o dobro da probabilidade de ter depósitos de cálcio nas artérias coronárias.”

Na opinião dos cientistas, a relação entre a placa arterial e o diâmetro da cintura pode relacionar-se com outros factores de risco, nomeadamente, a pressão sanguínea, a diabetes, a idade, o consumo de tabaco e os níveis de colesterol no sangue.

Para James Lemos, professor de medicina e director da Unidade de Cuidados Coronários da universidade, “quando se tratam de doenças cardiovasculares, não há melhor remédio que combatê-las com a redução da massa corporal noutros sectores, incluindo a celulite”, sublinhando que “embora seja uma pequena barriga, esta pode representar um risco maior em comparação com uma zona estomacal totalmente lisa."

As doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 40% dos óbitos em Portugal.

Raquel Pacheco
Fontes: Agência EFE/«Journal of the American College of Cardiology»

“RADAR” apoia médicos na investigação cardiovascular

Sociedade Portuguesa de Cardiologia disponibiliza microsite

Numa altura em que se assinala o Dia Mundial do Coração, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) tem disponível mais um microsite direccionado aos médicos: RADAR - Rede de InvestigAção CarDiovascular na PopulAção PoRtuguesa.

Actuar sobre a vertente epidemiológica e contribuir para uma formação contínua dos médicos envolvidos são os objectivos deste projecto “dinâmico e permanente” – define a organização - "que vem no seguimento do plano estratégico da SPC, inserindo-se no eixo de registos epidemiológicos e outros", esclareceu.

De acordo com a SPC, o RADAR aborda temas formativos que se estendem desde “as Boas Práticas Clínicas em Investigação, Metodologia de Investigação, até aspectos de ordem mais prática, como conceitos gerais de análise estatística ou apresentação de resultados.”

Para além da formação, a implementação do projecto incide na identificação de médicos e centros particularmente motivados para a realização de registos e/ou ensaios clínicos, promovendo a sua realização em Portugal.

Raquel Pacheco
Fonte: www.spc.pt/radar/

FDA aprova fármaco de combinação para a hipertensão

A FDA aprovou a comercialização de um novo fármaco antihipertensor de combinação, o Azor (amlodipina e olmesartan medoxomil), da Daiichi Sankyo, para ser utilizado como tratamento de segunda linha, em monoterapia ou em combinação com outros fármacos antihipertensores.

O Azor combina o bloqueador dos receptores da angiotensina, olmesartan, ingrediente activo do Benicar, da própria companhia, com o bloqueador dos canais de cálcio, amlodipina, do Norvasc, da Pfizer. O fármaco será comercializado pela japonesa Daiichi Sankyo e pela Forest Laboratories, e irá competir com o Exforge, de Novartis.

Os dados de um estudo, que incluiu 1 940 pessoas, demonstraram que os pacientes que receberam o fármaco de combinação de dose única diária experimentaram uma redução na ordem dos 53 por cento da pressão sanguínea sistólica, em comparação com aqueles que apenas receberam amlodipina. O Azor fornece dois mecanismos de acção complementares que baixam a pressão sanguínea mais eficazmente do que qualquer um dos componentes individualmente.

O Azor é um acréscimo valioso ao tratamento, uma vez que muitas pessoas com hipertensão, nos Estados Unidos, não têm a pressão sanguínea controlada adequadamente com os fármacos disponíveis actualmente, afirmou Michael A. Weber, professor de medicina da State University de Nova Iorque.

O Benicar é o produto, da classe de terapias de hipertensão denominadas bloqueadores do receptor de angiotensina, que apresentou um crescimento mais rápido. Estes fármacos baixam a pressão sanguínea ao proteger os vasos sanguíneos de uma hormona que pode provocar que estes se estreitem. As vendas globais do Benicar aumentaram 74 por cento atingindo os 160,3 mil milhões de ienes (1, 36 mil milhões de dólares), no ano fiscal que terminou em 31 de Março.

O Norvasc proporcionou lucros de 4,87 mil milhões de dólares à Pfizer, no ano passado, antes dos genéricos de baixo custo terem entrado no mercado, em Março. Este fármaco é o bloqueador dos canais de cálcio mais utilizado.

A Forest acordou, no mês passado, pagar à Daiichi 20 milhões de dólares para participar na comercialização do Azor, nos Estados Unidos, por um período de três anos. As duas companhias já tinham um acordo de co-promoção para o Benicar.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, MarketWatch

Abbott distinguida com o Prémio Galen 2007

Humira é o melhor produto biotecnológico do ano

A farmacêutica norte-americana Abbott foi agraciada com o Prémio Galen 2007 de Melhor Produto de Biotecnologia atribuído ao Humira (adalimumab). O medicamento, utilizado no tratamento da artrite reumatóide, artrite psoriática, espondilite anquilosante e doença de Crohn, foi o primeiro anticorpo totalmente humano a receber autorização de comercialização.

Considerado equivalente ao Nobel e concedido pela Prix Galien USA, o Prémio Galen é um dos maiores reconhecimentos de excelência em pesquisa e inovação médica e científica no sector farmacêutico e biomédico. Este é o primeiro ano que o prémio, fundado em França em 1970, distinguiu uma inovação desenvolvida por uma empresa farmacêutica norte-americana.

“A Abbott está extremamente honrada por ser vencedora do Prémio Galen, uma vez que ele reconhece a nossa dedicação na descoberta e desenvolvimento de tratamentos inovadores contra doenças imunológicas”, afirmou Lawrence Leonard, vice-presidente do departamento de assuntos médicos e científicos globais da empresa. “O Humira tornou-se uma importante opção de tratamento para muitos pacientes que enfrentam estas doenças”, acrescentou o responsável.

O fármaco actua através do bloqueio do factor de necrose tumoral-alfa (FNT-alfa), uma proteína que, quando produzida em excesso, cumpre uma função central na inflamação associada a doenças auto-imunes. A substância é actualmente utilizada por 190 mil pacientes em todo o mundo.

"O Humira representa anos de pesquisa dedicada como parte do nosso compromisso com a melhoria da condição humana", salientou Jochen Salfeld, vice-presidente do departamento de pesquisa biológica do Abbott Bioresearch Center, unidade da empresa que cumpriu um papel fundamental no desenvolvimento do medicamento. "Acreditamos que o Humira tem a possibilidade de ser eficaz noutras doenças que possuem necessidades significativas não preenchidas, e continuamos a realizar investigações na expectativa de proporcionar alívio a pacientes em todo o mundo", concluiu.

Marta Bilro

Fonte: PR Newswire, Waukegan News Sun.

Hidrogel transporta medicação e acelera cura de doenças
Acção bacteriana, cicatrizante e recuperadora


Dois investigadores da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, desenvolveram um novo conceito que parece saído de filmes de ficção científica, mas que nos próximos anos deverá revolucionar os cuidados de saúde em todo o mundo. Trata-se de um novo biomaterial – o hidrogel – com propriedades antibacterianas, que é capaz de transportar medicamentos para o organismo, potenciando uma maior aceleração da cicatrização de ferimentos internos e externos e até o crescimento de ossos e órgãos, para recuperar partes do corpo danificadas por acidente ou doença.

Uma área afectada por uma biópsia ou intervenção cirúrgica, ou mesmo órgãos de onde tenham sido retirados tumores cancerígenos, deixaram de ser problema para o paciente. O hidrogel apresenta baixa viscosidade, e adquire firmeza logo após a sua aplicação no organismo humano. Uma característica que permite que aquele material seja usado para transporte de diversos géneros de medicação, inclusivamente analgésicos e antibióticos, ou mesmo de cargas de células saudáveis que possam ajudar a acelerar o processo de cicatrização de determinadas áreas ou tecidos, danificados num acidente ou episódio de doença grave. Darrin Pochan e Joel Schneider são os investigadores responsáveis pela inovadora descoberta que, dizem, deverá ser revolucionária nos próximos anos.
Os hidrogeis são formados por redes de polímetros super-absorventes, estruturados na forma de uma corrente. Não são solúveis em água e conseguem absorvê-la em grandes quantidades, permitindo, em virtude da sua estrutura porosa, que os nutrientes e células os atravessem sem ficarem presos no seu interior. Este novo hidrogel, construído à base de peptídeos (pequenas cadeias de aminoácidos, blocos básicos com que são formadas as proteínas) é um polímero biocompatível, da classe utilizada no fabrico das lentes de contacto, agora desenvolvido numa forma que uma vez implantada no corpo humano se transforma numa espécie de “andaime”, capaz de fixar células ao seu redor, e de servir assim de substrato para o crescimento de novas células. Segundo os dois especialistas norte-americanos, as possibilidades teóricas de utilização do hidrogel chegam ao ponto de permitir o crescimento de novos ossos e órgãos, substituindo outros, danificadas por acidente ou doença.

Carla Teixeira
Fonte: «Inovação Tecnológica»
Anvisa quer debater assunto com a sociedade brasileira
Embalagens de medicamentos padronizadas


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entidade reguladora do sector do medicamento no Brasil, anunciou há dias a intenção de chamar a sociedade brasileira a um debate sobre a possibilidade de padronização dos nomes, das aberviaturas e das definições das embalagens utilizadas no registo de medicamentos no país, visando uma facilitação da busca e da compilação dos dados relativos a cada fármaco, garantindo o entendimento comum e diminuindo os erros na publicação desses registros. Segundo informações avançadas pela imprensa brasileira, que cita a agência, a Anvisa pretende que cada proposta de nova embalagem apresentada pelos laboratórios antes do lançamento de novos produtos seja analisada, a fim de verificar a sua conformidade, em termos de certificação, com as normas vigentes, avaliando também se já existe uma embalagem semelhante.

Carla Teixeira
Fonte: Último Segundo
Boas notícias para milhões de doentes em todo o mundo
Anlodipino e ramipril contra a hipertensão


Um estudo inédito envolvendo oito centros de investigação clínica do Brasil revelou que a combinação de dois princípios activos – anlodipino e ramipril – num mesmo fármaco é mais eficaz no controlo dos valores da pressão arterial do que o tratamento que tem por base apenas o anlodipino. O cardiologista brasileiro Roberto Miranda, coordenador da investigação, congratula-se com “o facto de a associação das duas substâncias garantir uma potência anti-hipertensiva maior do que a do anlodipino, que já é reconhecidamente muito eficaz. Agora temos uma fórmula melhor ainda”, vincou.

O estudo «Avaliação da Terapia Combinada entre Anlodipino e Ramipril» (ATAR) foi já apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Hipertensão, na cidade italiana de Milão, e no Congresso Interamericano de Hipertensão, realizado em Miami, e mostra que a combinação dos dois princípios activos foi cerca de 25 por cento mais eficaz na redução da pressão arterial do que o tratamento apenas com o anlodipino. A avaliação do resultado foi feita através de uma monitorização ambulatorial da pressão arterial, uma técnica inovadora identificada pela sigla MAPA. O estudo envolveu 265 doentes durante cerca de quatro meses, nos quais permitiu aferir uma redução de 60 por cento no edema periférico (inchaço das pernas que constitui um dos principais efeitos colaterais adversos da administração do anlodipino, demonstrando, de acordo com aquele especialista, que “o ramipril consegue proteger o paciente desse edema”.
O ensaio clínico da combinação destas duas substâncias foi realizado com o patrocínio da Libbs Farmacêutica, uma companhia que disponibiliza actualmente uma das linhas de medicamentos anti-hipertensivos mais completa do mercado, incluindo alguns que já apresentam a combinação de ramipril e besilato de anlodipino. Estes princípios activos são substâncias de referência nas suas classes: além do seu comprovado efeito anti-hipertensivo o ramipril fornece proteção cardiovascular e metabólica em hipertensos, e o anlodipino é um dos medicamentos com maior volume de prescrição em monoterapia para a hipertensão. Tem um potente efeito anti-hipertensivo e mostra segurança, mesmo nos pacientes de mais alto risco.

Carla Teixeira
Fonte: SEGS.com.br
Doença silenciosa associada a elevado número de mortes
Vacina para a arteriosclerose pode estar iminente

A arterioesclerose é actualmente uma das mais importantes causas de morte no mundo ocidental, mas a breve trecho poderá deixar de constituir uma ameaça tão devastadora, já que deverá estar prestes a entrar na fase de ensaios clínicos uma nova vacina contra aquela doença, cujo maior perigo resulta do facto de ela se desenvolver progressiva e silenciosamente, gerando os primeiros sintomas apenas quando já existe uma obstrução das artérias na ordem dos 75 por cento.

O número de mortes associadas à arterioesclerose, que se manifesta em 10 por cento da população com idade superior a 50 anos (na maioria do sexo masculino), é elevado, nomeadamente antes de a doença ser diagnosticada. Além dos factores genéticos, há a ter em conta outras condições predisponentes para a arterioesclerose: o sedentarismo, o tabagismo, a hipertensão, a diabetes, o colesterol alto e a obesidade são considerados os factores de maior risco, recomendando-se por isso uma alimentação equilibrada, bem como a prática de exercício físico e a opção por não fumar.
O anúncio do arranque iminente da fase de testes clínicos à nova vacina foi feito durante a sessão de abertura do IV Encontro Anual da Rede Europeia de Genómica Vascular, que teve lugar entre os dias 17 e 20 deste mês na Universidade de Bristol, no Reino Unido, e que reuniu, em quatro dias de trabalhos, com fóruns, debates e conferências, mais de 400 investigadores internacionais nesta área. Goran K. Hansson, do Centro de Medicina Molecular do Karolinska Hospital, em Estocolmo, na Suécia, disse, diante dos participantes naquele evento científico, que “hoje sabemos que a arteriosclerose é uma doença inflamatória com desenvolvimento sistémico e genético”, dando conta da sua convicção de que o desenvolvimento da vacina está muito próximo: “Estamos a apenas alguns passos de testar a vacina em humanos”, afirmou.
No entanto, de acordo com aquele especialista, há ainda alguns problemas a resolver: é preciso encontrar o antigene indicado para a imunização, uma partícula ou molécula que revele capacidade para iniciar a produção de um anticorpo específico. Neste momento há “um bom candidato”, a lipoproteína de baixa densidade (LDL, na sigla em inglês), ou o chamado “mau colesterol”, mas essa possibilidade ainda não foi cabalmente explorada pelos cientistas. Outro foco de resistência à criação da vacina consiste na necessidade, ainda não satisfeita, de esclarecer qual o mecanismo de acção da imunização, ou seja, há que decidir se ela deverá reduzir a má circulação de lipoproteínas ou agirá sobre as células que criam a inflamação nas artérias. Um terceiro desafio passa pela identificação da mais eficaz via de administração da vacina: se por via oral, intradérmica, subcutânea ou intramuscular.
De acordo com dados actualizados divulgados no decurso do encontro anual da Rede Europeia de Genómica Vascular 2007, as doenças cardiovasculares são actualmente responsáveis por cerca de 12 milhões de mortes anuais em todo o mundo. Na Europa aquele tipo de patologias assume responsabilidade por mais de 50 por cento dos índices de mortalidade em indivíduos com mais de 65 anos, e em 80 por cento desses casos é a arteriosclerose que dita o trágico desfecho para o paciente.

Carla Teixeira
Fonte: ComCiência

Celíacos querem ver alimentos sem glúten equiparados a medicamentos

A Associação Portuguesa de Celíacos (APC), pessoas com intolerância ao glúten, está a promover uma petição para que os alimentos que não contêm esta substância proteica sejam equiparados aos medicamentos e os seus custos incluídos na declaração de IRS.

A petição é dirigida ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, solicitando a sua a sua intervenção junto da Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (DGCI), de forma a que os recibos dos alimentos sem glúten, específicos para os celíacos, possam ser deduzidos no IRS na rubrica de despesas de saúde.

A Doença Celíaca (DC) "é uma intolerância alimentar crónica e permanente ao glúten", refere a APC, adiantando que a ingestão desta substância “leva o organismo a desenvolver uma reacção imunológica contra o próprio intestino delgado provocando lesões na sua mucosa".

O glúten é uma substância presente em cereais como o trigo, centeio, cevada, aveia e derivados destes, existente em centenas de alimentos, como pão, massas, bolos, bolachas, tostas, cereais de pequeno-almoço, salsichas e na maioria das sopas instantâneas, entre outros.

Estima-se que cerca de um por cento da população europeia seja celíaca e em Portugal “a DC atingirá entre cinco mil e oito mil pessoas", afirmou à Lusa fonte da APC.

A APC entende que os produtos sem glúten se enquadram no conceito de medicamento como "produto natural ou artificial, destinado a prevenir, curar, restabelecer, melhorar ou modificar funções orgânicas" e como tal, pretende uma clarificação e uniformização de critérios.

Uma família com um filho celíaco gasta "no mínimo 25 euros/mês", informou o presidente da associação, Mário Rui Romero. "Uma embalagem de pão de forma sem glúten, com 24 fatias, custa cerca de 3,70 euros e um pacote de massa são quatro euros", disse.

Os produtos dietéticos para celíacos são caros, apesar de serem taxados com IVA de cinco por cento, não estando claro na legislação se estes alimentos podem ser deduzidos no IRS. "Trata-se de uma questão de justiça, porque se outras doenças precisam de medicamentos esta precisa de alimentos específicos", sustentou a APC.

De acordo com a petição, as despesas devem ser apresentadas com um recibo identificando os artigos sem glúten adquiridos, assim como uma declaração médica com indicação do diagnóstico da DC.

A dieta rigorosa sem glúten "é, actualmente, o único tratamento para a DC", garante o responsável.

Nas crianças os principais sintomas passam pelo aparecimento de diarreia ou prisão de ventre, vómitos, emagrecimento, distensão abdominal, atraso no crescimento e irritabilidade/tristeza. Nos adultos os sintomas podem passar também por anemia, aftas recorrentes, dores ósseas e cansaço crónico.

A petição, que começou há uma semana, disponível na Internet, no site da associação (www.celiacos.org.pt) e conta já com mais de 1.800 assinaturas.

Inês de Matos

Fontes: Lusa, RTP