Um grupo de investigadores norte-americanos seguiram a forma como o VIH evolui ao longo da vida de uma pessoa, e as descobertas podem abrir o caminho a novos fármacos que combatam o vírus no início da doença, antes que esta evolua e provoque a morte.A equipa de cientistas da Universidade da Florida seguiu quarto crianças com VIH, recolhendo amostras de sangue à nascença, durante as suas vidas e logo após terem morrido, tendo nessa altura também recolhido amostras de tecidos. Os investigadores estão muito interessados em perceber como o vírus se transforma numa forma mais mortal, quando o VIH dá lugar à SIDA avançada. Esta equipa está entre os primeiros a seguir o vírus em pacientes humanos, uma vez que os estudos anteriores basearam-se em culturas de células ou experiências em animais.
Para que o vírus infecte uma célula humana, uma proteína envolvente na sua superfície, a gp120, tem de se ligar a uma proteína na superfície da célula, a CD4, e também aos receptores da quemoquina, CCR5 ou CXCR4. A Pfizer recentemente recebeu aprovação para o Selzentry/Celsentri (maraviroc), o primeiro fármaco no mundo a direccionar-se e bloquear o CCR5. A companhia decidiu apontar para este alvo, uma vez que a versão R5 do VIH é predominante na infecção inicial e crónica. O vírus X4, que utiliza o CXCR4 para entrar na célula, aparece mais tarde, em cerca de metade dos pacientes com VIH-1 subtipo B, e está associado com o começo da SIDA.
À medida que o estudo revelava novas informações acerca da evolução do VIH, os cientistas aperceberam-se que as alterações virais aconteciam no timo, um pequeno órgão localizado atrás do esterno que é responsável pelo desenvolvimento das células imunitárias.
A equipa descobriu que os vírus da última fase, os X4, estavam localizados predominantemente no timo, segundo revelou a Dra. Goodenow. Isto demonstra que o timo é o sítio onde estes vírus se desenvolvem ou, pelo menos, onde estão localizados e se reproduzem.
Para a Dra. Goodenow, está-se a começar a ver o que parece ser um programa de desenvolvimento do vírus ao longo do tempo. Não tendo importância de que pessoa se trata, nem do período de tempo. Estes dados aumentam a possibilidade da trajectória evolucionária do vírus não ser totalmente aleatória. Pode existir realmente um programa de desenvolvimento pelo qual o vírus passa.
Apesar dos recentes avanços, no que se refere aos medicamentos que podem prevenir a transmissão do VIH entre mãe e filho, para as crianças deste estudo chegaram tarde demais. Estas receberam medicação mínima e desenvolveram SIDA até ao primeiro aniversário. Sendo assim, os resultados desta investigação foram verificados sem os efeitos causados pelas terapias anti-retrovirais.
A Dra. Goodenow adiantou que o próximo passo irá ser seguir a evolução do VIH em adultos antes e depois do tratamento. Os investigadores esperam que as descobertas levem ao desenvolvimento de novos fármacos que sejam capazes de interferir na capacidade do vírus envolver o timo.
Segundo outro dos investigadores, o Dr. Oliver Pybus, este é um excelente estudo que revela padrões pormenorizados na evolução e adaptação do VIH durante a infecção. Pela primeira vez, demonstra como o movimento das células imunitárias está relacionado ao comportamento evolucionário do vírus que, por sua vez, determina o resultado clínico da infecção.
Isabel Marques
Fontes: www.drugresearcher.com, www.HealthNewsDigest.com




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