quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Descoberta de “sensor de açúcar” no intestino poderá beneficiar o combate à diabetes

Investigadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, identificaram uma molécula no intestino que consegue detectar o conteúdo doce da dieta alimentar. Até agora, os únicos receptores conhecidos dos sabores doces encontravam-se na língua. Esta investigação foi publicada na "Proceeding of the National Academy of Sciences” (PNAS).

Os investigadores descobriram que o receptor do sabor doce que sente o açúcar e adoçantes artificiais não está somente na língua, mas também no intestino. Esta descoberta deixa em aberto a possibilidade de novas abordagens para o tratamento da diabetes e da obesidade. Além disso, também poderá explicar a razão pela qual os alimentos e bebidas com edulcorantes artificiais por vezes não conseguem ajudar a reduzir o peso.

Os investigadores observaram que a absorção de açúcares no intestino é mediada por uma proteína – transportadora de açúcar – que varia a sua resposta consoante o conteúdo do açúcar das comidas. O intestino utiliza um sistema de sensores de glicose para medir as variações, mas até agora a natureza deste sistema era desconhecido.

A professora Soraya Shirazi-Beechey, uma das investigadoras, declarou que a equipa descobriu que o receptor dos sabores doces e a proteína do gosto, a gustducin, encontram-se nas células gustativas do intestino. Estas proteínas que detectam o sabor doce permitem aos humanos e aos animais detectar a glicose presente no intestino. Os investigadores descobriram que os ratos que não têm o gene destas proteínas são incapazes de processar a produção do açúcar intestinal, sendo por isso também incapazes de regular a capacidade intestinal de absorver os açúcares.

A investigadora acrescentou ainda que, surpreendentemente, também foi observado que este receptor era capaz de detectar açúcares artificiais nas comidas e nas bebidas, resultando no aumento da capacidade do intestino de absorver os açúcares. Isto pode ajudar a explicar a razão pela qual os adoçantes se revelam ineficazes a ajudar as pessoas a perder peso.

A equipa de investigação está agora a pesquisar mecanismos nos quais estes receptores poderão ser adaptados para beneficiar as pessoas com distúrbios relacionados com a dieta alimentar, como por exemplo, na diabetes, uma vez que nesta doença o nível de açúcar no sangue é mais elevado do que o normal. Para esta condição, caso fosse possível utilizar o receptor de sabor como um interruptor, poderia ser possível programá-lo de maneira a que só a quantidade apropriada de açúcar fosse absorvida pelo organismo.

Isabel Marques

Fontes: www.dmedicina.com, www.liv.ac.uk
Alerta da Sociedade Americana de Geriatria
Anti-ácidos podem acelerar degeneração cerebral


Um estudo desenvolvido por especialistas da Associação Americana de Geriatria aferiu que alguns medicamentos anti-ácidos usados e outros fármacos utilizados no tratamento da gastrite podem acelerar o processo de degeneração da actividade cerebral nos mais idosos.

A investigação, cujos resultados foram publicados na última edição da revista daquela associação, partiu do acompanhamento de 1500 afro-americanos com mais de 65 anos de idade, e analisou os efeitos da administração de vários compostos químicos usados no combate à gastrite e à úlcera péptica. De acordo com os investigadores, os cidadãos mais velhos que usavam frequentemente aquele tipo de medicamentos apresentavam uma propensão 2,5 vezes maior para apresentar problemas relacionados com as suas capacidades cognitivas. Entre os participantes deste estudo havia 275 consumidores regulares de anti-ácidos, e todos eles apresentavam problemas cerebrais em níveis considerados patológicos.
Em Dezembro uma outra investigação, desenvolvida por especialistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, indicou que o uso de anti-ácidos do tipo inibidores de bomba de protões poderá desencadear o enfraquecimento dos ossos, prejudicando a absorção de cálcio pelo organismo. O estudo partiu da análise dos registos médicos de cerca de 145 mil pessoas, todas residentes no Reino Unidio e com idade superior a 50 anos, tendo os investigadores descoberto que a probabilidade de sofrer de uma fractura da bacia era 44 por cento superior nas pessoas que tomavam anti-ácidos há pelo menos um ano, com tendência a aumentar nas pessoas em que esse consumo era ainda mais prolongado.

Carla Teixeira
Fonte: BBC Brasil, «Folha Online»

Obesidade pode ter origem em infecção viral

Estudo descobre gene específico no AD36 responsável pela formação das células de gordura

Responsável pelas infecções respiratórias, gastroenterites e conjuntivites, o adenovírus-36 (AD36) aparece, agora, relacionado com a obesidade. O estudo é norte-americano e foi apresentado, esta semana, durante o encontro da Sociedade Americana de Química que decorreu, em Boston. Um novo passo que poderá abrir caminho à descoberta de uma vacina.

De acordo com o «The Boston Globe», a investigação foi conduzida por investigadores da Universidade de Lousiana (EUA) e sugere que, um vírus comum - o adenovírus-36 (AD36) - é também responsável pelo contágio da obesidade. Um resultado que, para os cientistas, poderá acoplar uma outra descoberta: uma vacina ou um tratamento antiviral para combater a doença.

Segundo relataram os investigadores, o vírus transformou as células principais do tecido adiposo em células de gordura, apontando como origem do “efeito obeso”, a identificação de um gene específico (E4Orfl) no adenovírus-36.

Citada pelo jornal, Magdalena Pasarica, da equipa de Lousiana, explicou que na investigação “foram usadas células estaminais adultas de tecido de gordura de pessoas submetidas a uma lipoaspiração”, acrescentando que “metade destas células foram expostas ao vírus e, após uma semana, a maioria converteu-se em células de gordura.”

Ressalvando que o estudo não é indicativo de que “um vírus seja a única causa da doença, nem que todas as pessoas infectadas fiquem obesas”, a investigadora destacou, contudo, o resultado como sendo “prova segura de as infecções virais estão relacionadas com alguns casos.”

Anteriormente, a associação do adenovírus à obesidade já tinha sido provada em animais. Agora, os cientistas estimam que, até 30 por cento das pessoas obesas e 11 por cento de indivíduos magros possam estar infectados com o AD36.

Raquel Pacheco
Fontes: Medscape/«The Boston Globe»

Novartis adquire direitos de tecnologia de genética reversa da MedImmune

A MedImmune, unidade da farmacêutica britânica AstraZeneca, licenciou os direitos de propriedade intelectual de uma tecnologia de genética reversa à Novartis que servirá de apoio ao desenvolvimento de novas estirpes de vacinas que darão origem à produção de vacinas conta a gripe.

Os detalhes financeiros do acordo não foram divulgados pela MedImmune que disse apenas que deverá receber um pagamento adiantado, havendo também possibilidades de vir a arrecadar os royalties referentes a algumas das vacinas ou às vendas de outros produtos contra a gripe desenvolvidos através da tecnologia em causa.

A genética reversa é o método pelo qual os vírus são gerados através de segmentos de ADN. A tecnologia pode ser bastante útil no desenvolvimento de potenciais vacinas para a pandemia da gripe, uma vez que o processo não obriga os produtores a trabalharem directamente com estirpes pandémicas altamente infecciosas, estando apenas em contacto com segmentos do genoma do vírus.

Marta Bilro

Fonte: Market Watch, CNN Money.

Roche volta a prolongar prazo de oferta sobre a Ventana

A farmacêutica suíça Roche prolongou, pela segunda vez, a oferta de aquisição das acções da Ventana Medical Systems. Desta feita o prazo foi alargado até ao dia 20 de Setembro. A Ventana continua a considerar que os 54,5 euros oferecidos por cada acção são “totalmente inadequados”.

Num comunicado emitido a Roche refere que, até ao momento, foram postas à disposição cerca de 13.430 das cerca de 34 milhões de acções da Ventana. A oferta pública de aquisição (OPA) foi lançada em Junho e posteriormente protelada até 23 de Agosto. O director executivo do departamento farmacêutico da Roche, William Burns, considera que a proposta é “justa”, porém afirma que a empresa está “pronta para dialogar” caso a Ventana considere que a oferta não é suficientemente elevada.

A proposta inicial, que foi considerada hostil pela empresa norte americana especialista em histopatologia, atingia os 2,2 mil milhões de euros. “Mantemo-nos fiéis à nossa posição de que a oferta da Roche é totalmente desadequada e o nosso quadro de directores continua a recomendar que os accionistas não disponibilizem nenhuma das suas acções”, refere um comunicado divulgado pela Ventana.

À margem desta decisão de adiamento, um tribunal norte-americano deu razão à Roche numa audiência preliminar proibindo a Ventana de utilizar uma lei estatal para impedir a OPA lançada pelo laboratório suíço. A farmacêutica processou a Ventana em Junho, alegando que a lei é inconstitucional.

Marta Bilro

Fonte: First Word, Reuters, Bloomberg, CNN Money, Forbes.

Euglucon e Semi-Euglucon ainda à venda nos Açores

Farmácias alegam não ter recebido qualquer notificação para recolher medicamento

Um medicamento só é retirado da prateleira das farmácias quando a Associação Nacional das Farmácias (ANF) emite uma nota informativa da decisão da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) e, anexa a esta, a circular oficial da mesma entidade.

A explicação foi dada por um farmacêutico na sequência do avolumar de episódios de recolha de fármacos do mercado, nos últimos dias. Segundo apurou o farmacia.com.pt, um dos medicamentos que consta nesta “lista negra” do Infarmed continua à venda nos Açores: o Euglucon e Semi-Euglucon (glibenclamida)- um antidiabético oral administrado em doentes não insulino dependentes (Tipo 2).

Recentemente, o Infarmed ordenou a retirada de todos os lotes destes medicamentos para diabéticos, ressalvando, porém, que os doentes já medicados não deveriam parar com a terapêutica antidiabética “por risco de descompensação da sua diabetes.”

O certo é que, de acordo com informações avançadas pela imprensa açoriana, pelo menos, às farmácias da ilha de S.Miguel ainda não chegou qualquer notificação da ANF no sentido de recolher aquele medicamento, ou seja, desde o passado dia 14 (altura em que a nota foi emitida no site do Infarmed) que é esperada uma nota oficial.

Contactadas pela imprensa local, várias farmácias confirmaram não terem recebido o comunicado – refira-se que a nota do Infarmed foi classificada de “muito urgente” – da Associação Nacional das Farmácias, representada na ilha por Aires Raposo e, por isso, mantêm o fármaco à venda.

“Perante este grave cenário, a defesa da saúde pública, infelizmente, passa a depender de dois factores: da informação que pode chegar (ou não) ao responsável pela Farmácia através da Comunicação Social e da consciencialização que este deverá ter perante a responsabilidade do acto que lhe é inerente”, esclareceu um profissional (farmacêutico) ao farmacia.com.pt, considerando que, neste caso, “a culpa de algum incidente poderá recair na alegada falha do documento.”

Em S.Miguel - segundo denuncia a imprensa açoriana - embora não tenham sido notificadas, há farmácias que, por iniciativa própria, não comercializam o medicamento em causa, mas outras sim. É o caso da Farmácia Nossa Senhora dos Anjos, na Fajã de Baixo, e da Farmácia Vieira e Botelho, em Ponta Delgada, onde a venda do Euglucon e Semi-Euglucon está acessível a qualquer utente.

Tal como noticiou o farmacia.com.pt, a recolha voluntária do fármaco da Roche e produzido em Espanha, pela Kern Pharma – Euglucon (comprimidos, 5 mg) e Semi-Euglucon (comprimidos, 2,5 mg) - foi justificada com base numa análise que veio a detectar a “existência de resultados fora de especificações relativas aos parâmetros de dureza do produto acabado e à presença de uma impureza (a sulfonamida) associada a reacções adversas e interacções medicamentosas quando administrada em altas doses.”

Recorde-se que, na segunda nota informativa (emitida a 17 de Agosto), o Infarmed aconselhou os doentes com a diabetes “a contactar o seu médico assistente para que seja feita a substituição imediata do medicamento por outro disponível no mercado com a mesma substância activa ou outra apropriada a cada caso.”

Raquel Pacheco
Fonte: sites de imprensa - Açores/contacto telefónico/Infarmed/ANF

Efeitos secundários dos medicamentos: Médicos desvalorizam queixas dos doentes

Os médicos tendem a ignorar as queixas dos pacientes relativas a possíveis efeitos secundários relacionados com a toma de medicamentos. A conclusão resulta de um estudo que envolveu a participação de 650 doentes, aos quais foi prescrito um fármaco para o colesterol, e que, em 87 por cento dos casos, registaram sintomas adversos, como dores neurológicas ou perda de memória.

De acordo com as conclusões da investigação – a que o Farmacia.com.pt teve acesso-, durante a consulta os doentes referem a possibilidade de existir uma relação entre o fármaco e os efeitos secundários observados, porém, na maioria dos casos, os médicos tendem a desvalorizar essa hipótese, mesmo quando a bula sustenta as suspeitas dos pacientes.

“Alguns doentes referiram que o médico atribuiu os problemas relatados à idade ou à imaginação, desvalorizando a importância dos sintomas ou excluindo a possibilidade de existir uma ligação entre os sintomas e as estatinas”, refere a última edição do “Drug Safety”, um relatório que pretende avaliar a forma como os médicos reagem quando confrontados com reacções adversas provocadas pelos medicamentos.

Face à constatação dos resultados, que indicam a escassa probabilidade dos médicos relatarem os efeitos secundários dos medicamentos nestas circunstâncias, o relatório sugere que incentivar os pacientes a informar acerca dos efeitos secundários poderá ser a solução para melhorar os sistemas de avaliação das reacções adversas dos fármacos. As queixas dos pacientes seriam, neste caso, dirigidas à Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) que as poderia avaliar e endereçar ao departamento responsável.

Marta Bilro

Fonte: Pharmalot, “Physician Response to Patient Reports of Adverse Drug Effects”.

Shoppings da saúde: Grupo privado pretende convergir serviços

Projecto prevê uma Casa de Saúde por cada distrito do país

Ainda não passou do papel mas começa já a despertar o interesse de alguns profissionais do sector. A ideia consiste na criação de um espaço comum onde será possível fazer análises clínicas, radiografias, ir ao oftalmologista ou a uma consulta de clínica geral e também fazer uma refeição num restaurante, ir ao banco, à lavandaria ou mesmo ao ginásio. O conceito é aliciante e nasce da vontade de um grupo privado que pretende criar em Portugal 25 "centros comerciais da saúde" nos próximos anos.

O projecto, coordenado por Nuno Delerue, ex-deputado social-democrata, engloba todos os distritos do país e tem já entidades clínicas interessadas em ocupar metade dos espaços. "A sala de espera lúgubre desaparece", salienta o responsável, para dar lugar a um espaço apetrechado com equipamento electrónico que permite ao utente saber daí a quanto tempo terá consulta. Nesse compasso de tempo será possível deslocar-se pelo espaço envolvente e ir à farmácia, ao oculista, ao cabeleireiro ou à lavandaria.

Pretende-se desenvolver uma "loja do cidadão da saúde", refere Delerue, que rejeita a expressão shopping de saúde. Em declarações ao jornal Público, o responsável lança no ar uma questão que pretende servir de explicação ao conceito: porquê é que as pessoas vão logo às urgências? Sabem que é onde lhes fazem tudo o que é necessário num só sítio.

Na opinião de Nuno Delarue, estas Casa de Saúde não vão pôr em causa a sobrevivência dos pequenos consultórios privados, isto porque, muitos deles terão interesse em transferir-se para estes espaços. Este também não é um apelo ao consumismo clínico, defende, justificando que "não se trata de autoconsumo", já que a triagem é médica e assenta na prescrição de exame ou análises.

A pré-selecção para a criação das referidas Casas de Saúde apontou 68 concelhos como alvos principais, mas é garantida a construção de uma por distrito, mesmo nas zonas do país menos convidativas em termos económicos. O grupo estima que o número de visitantes oscile entre os dois mil e os cinco mil por dia. Espera-se que sejam criados 4865 novos empregos, excluindo as profissões de saúde, sendo que, o número de médicos poderá rondar os 100 profissionais por unidade. Os responsáveis ambicionam avançar com a primeira Casa de Saúde ainda este ano e ter prontas seis casas até 2009. Numa segunda fase, avançarão as 19.

O Grupo Sanusquali, criado em Maio deste ano especificamente para este projecto, conta com o envolvimento de vários médicos e empresários ligados ao ramo da saúde, como é o caso de José Vila Nova (Grupo Hospital da Trofa), Teófilo Leite (Casa de Saúde de Guimarães), Albano Mendonça (Hospital Internacional do Algarve) e Germano de Sousa, ex-bastonário da Ordem. O valor total, que envolve 1239 milhões de euros, ainda não está reunido e estão na mesa várias hipóteses de financiamento, referiu Delerue.

Marta Bilro

Fonte: Público

Astellas aposta em Advagraf para fazer frente aos genéricos

A Astellas Pharma está a apostar na nova fórmula do imunomodulador Prograf (Tacrolimus), o Advagraf, para proteger as vendas do medicamento no mercado norte-americano, no qual a patente está prestes a expirar. O novo imunomodulador é utilizado em pacientes adultos na prevenção da rejeição de transplantes de fígado, rim ou coração e implica apenas uma toma diária.

O presidente da farmacêutica japonesa, Masafumi Nogimori, está a aguardar aprovação das autoridades dos Estados Unidos da América para comercializar o tratamento de acção prolongada utilizado na prevenção da rejeição de órgãos em pacientes transplantados. As vendas do Prograf, cuja protecção de patente termina em 2008, renderam mais de 312 milhões de euros no trimestre que terminou em Junho.

Na opinião de Nogimori, uma versão do Prograf que implique uma única toma diária, em vez de duas, pode impedir os doentes de mudarem para um medicamento genérico. “Queremos colocar o fármaco de acção prolongada no mercado o mais rapidamente possível de forma a manter o mercado de imunossupressores que ainda detemos”, afirmou o responsável que acredita que estes doentes não deverão aderir a um genérico tão facilmente como acontece com outros fármacos porque “o transplante de órgãos é arriscado”.

O Advagraf rececebu autorização de comercialização da União Europeia a 7 de Junho de 2007. O medicamento resulta de uma combinação entre as garantias do principal agente imunossupressor, o Prograf, mediante uma fórmula que permite aos pacientes uma única toma diária.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Infarmed.

Centros de Saúde privados chegam em 2008

Está dado o primeiro passo para a criação de centros de saúde geridos por entidades privadas, sociais ou por cooperativas de médicos. Face à legislação, publicada esta quarta-feira, que os enquadra nas unidades de saúde familiar (USF), os primeiros centros de saúde geridos pelos próprios profissionais poderão surgir já no próximo ano. Os principais beneficiários são os utentes das zonas onde haja falta de clínicos.

O objectivo é colmatar a falta de médicos de família nos locais em que estes são em número insuficiente para as necessidades, refere o coordenador da Missão para a Reforma dos Cuidados Primários (MRCP), Luís Pisco, em declarações ao jornal Diário de Notícias. Até porque, as estimativas indicam que há mais de 500 mil portugueses sem médico de família, sendo que Lisboa, Porto, Braga e Setúbal são os distritos mais afectados. É aqui que deverão nascer as USF não públicas de acordo com os actuais moldes e através das candidaturas dos interessados. Resta agora esperar pela regulamentação que em breve deverá chegar ao gabinete do ministro Correia de Campos.

Em “número residual” e abstendo-se de entrar em concorrência directa com o Serviço Nacional de Saúde, estas unidades podem, por exemplo, ser compostas por cooperativas de “médicos de família que atingiram a idade da reforma”, explica Luís Pisco. Segundo garante o responsável, o sistema remuneratório será igual para o público e para o privado para que não haja fugas de médicos. Misericórdias, grupos de médicos e algumas clínicas já se mostraram interessados em abraçar a oportunidade, porém, de acordo com a lei, as autarquias vão também ter permissão para gerir as USF. Excluídos da nova legislação estão os grandes grupos de saúde.

Os utentes sem médico serão um factor determinante para a escolha dos locais onde vão ser instaladas as USF de modelo C, decisão que cabe às Administrações Regionais de Saúde.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias

Após notificações de reacções adversas hepáticas graves
Novas restrições à prescrição de lumiracoxib


O Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) reagiu às preocupações geradas pelas notificações recentes de efeitos adversos graves, a nível hepático, da utilização do lumiracoxib, fabricado e comercializado no mercado farmacêutico português pela Novartis Farma sob a designação de Prexige, e emitiu uma circular informativa em que impõe novas restrições à prescrição daquele fármaco.

No comunicado, datado desta quinta-feira e dirigido aos profissionais de saúde e ao público, o Infarmed informa que, “na sequência da notificação de casos raros de reacções adversas hepáticas graves, a maioria das quais associada a doses diárias superiores às autorizadas na União Europeia”, tem-se gerado uma onda de preocupação em torno da segurança do lumiracoxib. Nessa medida, entendeu a entidade reguladora nacional encetar contactos com a MHRA (agência britânica do medicamento) e outras autoridades regulamentares do sector a nível europeu, após os quais anunciou novas regras para o receituário do lumiracoxib.
Assim, e ainda de acordo com a nota – enviada ao farmácia.com.pt – o Infarmed decidiu impor uma monitorização regular da função hepática nos doentes que estejam a tomar aquele medicamento, que não deve ser usado em pacientes com hepatopatia actual, nem em pessoas que devido a antecedentes, possam estar em risco. Também a relação benefício/risco do lumiracoxib para o tratamento da osteoartrose deverá ser avaliada em maior profundidade no próximo mês, pelas autoridades regulamentares europeias, estimando-se que desse processo possa advir uma actualização das indicações terapêuticas.
No documento do Conselho Directivo do Infarmed, que vem assinado por Luísa Carvalho, vice-presidente daquele órgão de gestão, exorta-se os profissionais de saúde e os doentes que possam necessitar de mais informações sobre o assunto a contactar o Centro de Informação do Medicamento e dos Produtos de Saúde do Infarmed, através da Linha Verde do Medicamento, pelo telefone 800222444, ou por e-mail, para o endereço centro.informacao@infarmed.pt. Em alternativa, os interessados poderão optar por canalizar as suas dúvidas para o Departamento de Farmacovigilância da Autoridade Nacional do Medicamento, pelo telefone 217987140, ou por correio electrónico, para farmacovigilancia@infarmed.pt.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed
Produtos sem registo eram comercializados na internet
Anvisa suspende venda de quatro medicamentos


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entidade reguladora do sector do medicamento no Brasil, emitiu na última sexta-feira uma ordem de suspensão de quatro produtos fabricados por uma empresa desconhecida, que eram comercializados através de páginas electrónicas. Considerando que “quem compra na internet corre riscos”, os reguladores brasileiros advertiram os consumidores para a necessidade de mais atenção e cuidado no que diz respeito à aquisição de medicamentos.

Num despacho datado do dia 16 deste mês, mas que apenas foi tornado público no dia seguinte, a Anvisa concretiza que os quatro medicamentos em questão são o Lipostabil (fosfatidilcolina), injectável utilizado ilegalmente em tratamentos estéticos, o Winstrol e o Nabolic Strong (ambos têm como princípio activo o stanozolol) e o Deca Vet (substância activa desconhecida). Nenhum tem registro naquela autoridade brasileira, pelo que a sua venda online estaria a ser feita de forma ilegal. Num comunicado da assessoria da Anvisa é dito aos utentes que devem observar sempre atentamente as embalagens dos fármacos que adquirem, no sentido de aferir se ela ostenta o número de registo. Caso se suspeite da proveniência do produto, o consumidor deve accionar o departamento de vigilância sanitária.
A Anvisa refere ainda que “o consumidor deve tomar cuidado com compras feitas pela internet”, garantindo que “o baixo custo e a facilidade de acesso têm como contrapartida a insegurança quanto à qualidade dos medicamentos adquiridos”. Nas compras online, continua a nota, é impossível saber a proveniência do medicamento, bem como se o seu armazenamento foi feito nas condições ideais, não sendo igualmente possível obter os esclarecimentos adicionais que um farmacêutico pode sempre fornecer, ou pedir a troca, no caso de o produto apresentar qualquer anomalia. “O utente perde todos os direitos legais”, destacam os reguladores brasileiros.

Carla Teixeira
Fonte: Anvisa
Brasmed fabrica medicamentos fitoterápicos
Bio Redux em lata com sistema de vácuo


A Brasmed, companhia que produz medicamentos fitoterápicos e desde 1999 actua no sector de produção e comercialização de produtos nutricêuticos e alimentos funcionais, acaba de lançar uma nova embalagem do Bio Redux, um composto à base de vitaminas e minerais, em latas de aço com sistema vácuo.

A nova embalagem permite uma mais eficaz conservação do aroma e das propriedades organolépticas do Bio Redux. Para criar a condição de vácuo, a nova versão, concebida de acordo com um design da própria empresa, recorreu à utilização de um vedante que já tem sido usado em embalagens de alimentos e bebidas, e que consegue garantir um encerramento hermético e o vácuo residual. Actualmente a Brasmed centraliza a sua actividade na produção e na comercialização de nutricêuticos e alimentos funcionais, e desde 2004 investe na produção de medicamentos fitoterápicos.

Carla Teixeira
Fonte: Brasmed, EmbalagemMarca

Eli Lilly tenta aprovação do Cymbalta para a fibromialgia

A Eli Lilly apresentou um pedido à FDA para a aprovação do antidepressivo Cymbalta (duloxetina) para o controlo da fibromialgia, uma doença ainda pouco conhecida que provoca dores e fadiga debilitantes. Os resultados de estudos demonstraram que o Cymbalta ajudou a reduzir a dor nos pacientes com esta doença, em comparação com os que receberam o placebo.

No estudo que envolveu 874 pacientes com fibromialgia, com ou sem depressão, aqueles a quem foi administrado o Cymbalta apresentaram uma maior redução da intensidade da dor, após uma semana desde o início do tratamento, em comparação com aqueles que receberam o placebo. Passados três meses, os pacientes que receberam o fármaco tiveram um aumento significativo da redução da dor, em comparação com os pacientes do grupo de controlo. Em seis meses, o Cymbalta reduziu a dor crónica para metade em 33 a 36 por cento dos pacientes, em comparação com os 22 por cento que tomaram o placebo. Estes dados foram apresentados no Congresso da International MYOPAIN Society, no dia 21 de Agosto de 2007.

O Cymbalta, que atingiu vendas de 1,3 mil milhões de dólares em 2006, está actualmente aprovado nos Estados Unidos para adultos com doença depressiva grave, perturbação de ansiedade generalizada, e neuropatia periférica diabética dolorosa. O fármaco pertence à família dos inibidores da recaptação da serotonina e da noradrenalina (SNRIs), que actuam em dois químicos do cérebro para atenuar a depressão. A Eli Lilly também está a investigar as possibilidades de utilizar o Cymbalta como tratamento para dor de costas e artrite.

Os pacientes com fibromialgia podem ter dor crónica, confusão mental e rigidez matinal, e serem incapazes de realizar as actividades quotidianas normalmente. Esta doença afecta dois a oito por cento da população adulta dependendo dos países, e a maioria dos casos, entre 80 a 90 por cento, são diagnosticados em mulheres com idade entre os 30 e os 50 anos. Apesar de não haver estatísticas rigorosas para Portugal, estima-se que cinco a seis por cento da população sofra da doença, com predominância nas mulheres acima dos 40 anos.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.apdf.com.pt
Dados do Observatório do Medicamento do Infarmed
Consumo de genéricos aumentou em Portugal


O mais recente relatório do Observatório da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde revelou que a quota de mercado dos genéricos se encontra em linha ascendente no nosso país. Durante os primeiros sete meses deste ano os portugueses consumiram mais medicamentos sem marca comercial. Só o mês de Julho representou uma subida da quota de mercado para os 18,34 por cento, cenário que coloca o sector farmacêutico português no bom caminho para o cumprimento do objectivo traçado pelo Infarmed para 2008: uma franja de 20 por cento do mercado.

Entre Janeiro e Julho, de acordo com os números do relatório, avançados na edição de hoje do «Correio da Manhã», a quota de mercado dos medicamentos genéricos cifrou-se nos 17,75 por cento, que corresponde a mais de 340 milhões de euros. No período homólogo de 2006 a quota de mercado daqueles fármacos era de 14,91 por cento, com quase 274 milhões de euros resultantes da sua comercialização. Em 2006 o mercado total de medicamentos foi de três mil milhões de euros, tendo-se registado, entre Janeiro e Março, face ao período homólogo, um crescimento de 3,9 pontos percentuais. À luz do relatório agora divulgado, há pelo menos 10 substâncias activas em que os genéricos são responsáveis por mais de 60 por cento das vendas.
A lista divulgada pelo Infarmed refere que o citalopram (antidepressivo), o omeprazol (problemas digestivos) e a ciprofloxacina (antibiótico) conseguiram ultrapassar os medicamentos de marca. Por outro lado, a glimepirida (diabetes), a isotretinoína (acne), a sinvastatina (colesterol), a fluoxetina (antidepressivo), a flutamida (cancro da próstata), o ácido alendrónico (osteoporose) e a sertralina (antidepressivo) vendem mais de 60 por cento em relação aos fármacos de marca. Para o próximo ano, e de acordo com informações avançadas por Vasco Maria, líder da entidade reguladora nacional, o Infarmed traçou uma meta que prevê atingir uma quota de mercado de 20 por cento.

Carla Teixeira
Fonte: «Correio da Manhã», Infarmed, Agência Lusa, RTP

FDA concede designação de medicamento órfão ao MGCD0103 para o Linfoma de Hodgkin

A FDA concedeu a designação de medicamento órfão ao inibidor da histona deacetilase (HDAC), o MGCD0103, da MethylGene Inc. e da Pharmion Corporation, para o tratamento do Linfoma de Hodgkin nos Estados Unidos.

Os dados preliminares do ensaio clínico de Fase II do MGCD0103 em monoterapia, em pacientes com Linfoma de Hodgkin refractário ou que tiveram uma recaída, foram apresentados, em Junho, no Congresso Anual de 2007 da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), e foram incluídos no pedido para a designação de medicamento órfão.

Os dados demonstraram uma taxa objectiva de resposta completa mais resposta parcial de 40 por cento, e uma taxa de controlo da doença de 45 por cento numa população de 20 pacientes avaliáveis que tiveram uma recaída ou eram refractários a todos os tratamentos anteriores, incluindo, na maioria dos casos, o transplante de medula óssea. Na lista de efeitos secundários mais comuns constam problemas gastrointestinais e fadiga; uma alteração da dosagem foi eficaz em muitos dos pacientes com estes efeitos adversos.

Os critérios para a obtenção da designação de medicamento órfão requerem que o produto se destine ao tratamento de uma doença que afecte menos de 200 000 pessoas nos Estados Unidos, e o pedido deve incluir uma base de sustentação para a utilização em doenças raras.

Esta designação permite incentivos especiais para patrocinadores que planeiem testar o produto para ser utilizado em doenças raras. Estes incentivos incluem benefícios fiscais, concessão de financiamentos para investigação e desenvolvimento, e redução das taxas de candidatura durante o desenvolvimento ou na altura do pedido de aplicação para aprovação de comercialização. Uma vez aprovado, o produto pode preencher as condições necessárias para deter sete anos de exclusividade na comercialização nos Estados Unidos.

O MGCD0103 é um fármaco de administração oral inibidor da histona deacetilase (HDAC). O composto está actualmente em dois ensaios clínicos de Fase I/II, em combinação com o Vidaza para doenças hematológicas e com o Gemzar em tumores sólidos, e em quatro ensaios clínicos de monoterapia de Fase II em doenças hematológicas.

Linfoma de Hodgkin

O Linfoma de Hodgkin é um tipo de cancro do sistema linfático que começa nos nódulos linfáticos e que progride para outros órgãos, incluindo os pulmões, fígado, ossos e medula óssea, e caracteriza-se pela presença de células de Reed-Sternberg.

Actualmente, desconhece-se a causa desta doença, mas têm sido identificadas alterações epigenéticas, incluindo acetilação das histonas. Adicionalmente, o vírus de Epstein-Barr, o VIH e antecedentes familiares são factores de risco conhecidos. A doença é ligeiramente mais prevalente nos homens do que nas mulheres, e a idade em que, em média, a doença é diagnosticada é de 38 anos.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive

FDA aprova utilização de Risperdal em crianças com esquizofrenia e mania bipolar

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) aprovou a utilização pediátrica do Risperdal (Risperidona) como tratamento de primeira linha em adolescentes com esquizofrenia e em crianças e adolescentes que sofrem de mania bipolar.

De acordo com as novas indicações da entidade reguladora norte-americana, o fármaco pode ser administrado a adolescentes com esquizofrenia com idades entre os 13 e os 17 anos, e em doentes com mania bipolar entre os 10 e os 17 anos de idade.

O Risperdal, produzido pela farmacêutica Johnson & Johnson, era já utilizado no tratamento de doentes adultos que sofrem de esquizofrenia. Até ao momento, os adolescentes portadores de mania bipolar tinham apenas disponível uma terapia que consistia na ingestão de lítio.

Os dados da IMS Health colocam o Risperdal no terceiro lugar da tabela dos anti-psicóticos mais comercializados a nível mundial, com vendas que se aproximaram dos 1,7 mil milhões de euros em 2005.

A esquizofrenia é uma perturbação mental grave caracterizada por uma perda de contacto com a realidade (psicose), alucinações, delírios, pensamento anormal e alteração do funcionamento social e laboral. O início da doença é geralmente precoce, afectando jovens entre os 16 e 25 anos de idade. Pode, contudo, aparecer mais tarde, mas é muito raro que ocorra antes dos 10 anos ou após os 50 anos de idade. A doença é muito comum em todo o mundo, afectando cerca de 1 por cento da população adulta.

A perturbação bipolar é, vulgarmente, designada como uma perturbação maníaco-depressiva. A doença que manifesta-se através de alterações opostas do estado de humor que alternam entre a euforia e a depressão, intervalando com períodos normais e de relativa estabilidade. Devido à sua imprevisível natureza, a perturbação bipolar tem um impacto significativo nos doentes e na vida dos seus familiares. Estima-se que entre 25 a 50 por cento dos doentes com perturbação bipolar tentam o suicídio, sendo que em 10 a 20 por cento as tentativas são bem sucedidas. A doença afecta entre 1,3 e 1,6 por cento da população mundial, sendo mulheres e homens igualmente afectados. Na maior parte dos casos, a doença é diagnosticada entre o grupo dos jovens adultos.

Marta Bilro

Fonte: TheStreet.com, Forbes, Manual Merck, Associação e Educação e Apoio na Esquizofrenia. Médicos de Portugal.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Estudo: Tysabri demonstra benefícios inovadores no tratamento da esclerose múltipla

“Annals of Neurology” publica resultados da investigação

O Tysabri (natalizumab) melhora significativamente a qualidade de vida e saúde dos doentes com esclerose múltipla (EM), reduzindo o risco de deterioração causada pela doença, demonstra um novo estudo publicado no “Annals of Neurology”. O fármaco, recentemente reintroduzido no mercado, tinha sido retirado em 2005, altura em que foi relacionado com três casos de leucoencefalopatia multifocal progressiva que se revelaram fatais.

Mesmo depois do medicamento ter sido devolvido ao mercado português as opiniões sobre a sua utilização continuaram a divergir. João Casais, presidente da Associação Nacional de Esclerose Múltipla desaconselha a utilização do Tysabri, porque, tal como afirmou em declarações ao Farmacia.com.pt, “o que aconteceu com os doentes que morreram é muito estranho”. No entanto, ensaios clínicos aleatórios de Fase III, que envolveram a participação de 2.113 doentes, portadores de formas reincidentes de EM, revelaram que a substância provoca melhorias significativas nos pacientes.

Segundo explicou Richard Rudick, Director do Centro Mellen Para Tratamento e Investigação da Esclerose Múltipla da Cleveland Clinic e o principal investigador do estudo, os dados permitem observar que “os doentes tratados com o natalizumab registaram melhorias estatisticamente importantes” no que diz respeito à qualidade de vida. Os resultados são inéditos, salienta o responsável, uma vez que “nunca tinham sido observados dados semelhantes em estudos clínicos anteriormente realizados envolvendo doentes com EM”. As conclusões indicam também que, quando associado ao Avonex (Interferon beta-1a), o Tysabri demonstra igualmente benefícios na melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Produzido e comercializado pelas empresas Biogen Idec e Elan Pharmaceuticals, o Tysabri está disponível em Portugal desde o dia 1 de Junho e é a única terapêutica indicada na modificação da patologia em doentes com EM muito activa, em monoterapia. O medicamento contribui para a redução dos surtos característicos da EM e para a redução da progressão da incapacidade, sendo indicado em doentes que apresentaram uma resposta inadequada a outras terapêuticas e agentes modificadores da doença ou que têm uma forma de EM muito activa, caracterizada por surtos frequentes.

Marta Bilro

Fonte: e-mail do Farmacia-press

Gripe das aves poderá transformar-se numa ameaça global
Identicados marcadores para mutação do H5N1


Uma equipa de investigadores norte-americanos descobriu algumas das mutações que o agente causador da variante mais grave da gripe das aves para os seres humanos – o vírus H5N1 – terá de sofrer para assumir um carácter mortal que transformará a doença numa ameaça pandémica à escala global, mas apuraram que, até ao momento, apenas uma dessas alterações ocorreu.

David Finkelstein conduziu o estudo realizado por uma equipa do Saint Jude Children's Research Hospital, no Estado norte-americano do Tennessee, que analisou amostras do H5N1 colhidas de pessoas que tinham sido infectadas pela gripe das aves. Segundo o especialista, citado pela Agência Reuters, e concluíram que nenhuma delas tinha sequer um paralelismo com os vírus mutantes que estiveram na origem das três mais recentes pandemias, nomeadamente da chamada “gripe espanhola”, que em 1918 matou milhões de pessoas em todo o planeta. Num artigo publicado na última edição do «Journal of Virology», David Finkelstein explicou que há 23 alterações que permitem diferenciar a variante humana do vírus da influenza daquele que está presente nos animais.
O investigador concretizou ainda que, quando o H5N1 infecta pessoas, terá sofrido uma ou duas dessas mutações, no máximo, quando “seriam necessárias pelo menos 13 para fazer com que o vírus seja realmente perigoso para a espécie humana”. De acordo com o especialista, eram de facto 13 as mutações que evidenciava o agente causador da gripe espanhola, e nunca depois disso se assistiu a qualquer pandemia com dimensões aproximadas daquelas. O H5N1 infectou milhões de aves em todo o mundo e resultou na morte de 194 das 321 pessoas a que foi contagiado desde 2003. Em Portugal não houve notícia de qualquer caso da doença em seres humanos ou em animais.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Reuters
Soluções avançadas de controlo da diabetes
Medtronic and Bayer HealthCare anunciam aliança


A norte-americana Medtronic e a alemã Bayer HealtCare, subsidiária da Bayer AG, vão formar uma aliança para distribuir e comercializar um novo dispositivo de medição dos níveis de glucose no sangue fora dos Estados Unidos, proporcionando, numa primeira instância, opções terapêuticas avançadas para os doentes diabéticos do Canadá e da Europa.

O novo aparelho, produzido pela Medtronic com base na plataforma do Contour da Bayer, permitirá a transmissão wireless dos resultados dos testes aos níveis de glucose directamente para os sistemas de monitorização da glucose (Guardian Real-Time) e da insulina (MiniMed Paradigm). Num comunicado conjunto enviado ao farmacia.com.pt, as duas companhias farmacêuticas esclarecem que, como parte do acordo, a Bayer HealtCare adquire direitos exclusivos sobre o protocolo de comunicações wireless da Medtronic em determinados mercados fora dos Estados Unidos.
O novo medidor de glucose, mais conveniente e de utilização mais fácil para os doentes, será inicialmente introduzido nos mercados alemão e canadiano, e depois disso, de uma forma faseada, noutros países que venham a ser seleccionados mediante um acordo a formalizar entre as duas empresas. Os termos financeiros desta colaboração não foram divulgados à imprensa, mas Sandra Peterson, presidente da Bayer HealthCare, explicou que “a forte implantação da Bayer em mercados de grande relevância, como o Canadá, a Europa, a América Latina e a Ásia, permitirão à Medtronic fornecer as suas estratégias de apoio no combate à diabetes a um número acrescido de doentes em todo o mundo”, acrescentando que “esta aliança suporta também o compromisso assumido pela Bayer HealhCare no sentido de ajudar clientes da Medtronic a manter a sua boa saúde através de testes frequentes aos seus níveis de glucose”.

Carla Teixeira
Fonte: Comunicado da BayNews
Alfa Ossigeno SRL não autorizou acesso às instalações
Retirado Certificado CE de Conformidade


O organismo notificado italiano CERMET (código 0476) retirou há dias o Certificado CE de Conformidade emitido no âmbito do Sistema de Garantia de Qualidade (anexo II da directiva comunitária 93/42/CE), ao fabricante de dispositivos médicos italiano Alfa Ossigeno SRL, por aquela entidade não ter autorizado o acesso às suas instalações. A denúncia foi feita pela entidade reguladora do sector do medicamento em Itália e levou o Infarmed a emitir uma circular informativa para divulgação geral.

Na nota, assinada pela vice-presidente do Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde, Luísa Carvalho, o Infarmed refere que a notícia tem origem na sua congénere italiana, e que o CERMET procedeu à retirada daquele certificado, medida com efeito desde o passado dia 30 de Abril. Segundo o comunicado, o Infarmed não possui informação sobre distribuidores que comercializem dispositivos médicos daquele fabricante em Portugal, mas avisa que, no caso de aqueles produtos serem detectados no mercado nacional, devem os profissionais abster-se se os utilizar, e contactar o Departamento de Dispositivos Médicos do Infarmed, através do telefone (217987235) do fax (217987281) ou por email (daps@infarmed.pt).

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed
USA Dental Diamonds SRL denunciado em Itália
Falsificado certificado CE de conformidade


O Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) emitiu nesta semana uma nota informativa assinada pela sua vice-presidente, Luísa Carvalho, que dá conta da apresentação, em Itália, pela empresa fabricante de dispositivos médicos norte-americana USA Dental Diamonds SRL, de um certificado CE de conformidade falsificado.

A denúncia, oriunda da entidade reguladora italiana do medicamento, foi recebida pelo Departamento de Dispositivos Médicos do Infarmed, e concretiza que o fabricante norte-americano apresentou um documento emitido em nome do organismo notificado alemão Medical Device Certification GmbH (código 0483), referente a pontas diamantadas para uso odontológico Dental diamond burs. No comunicado, destinado à divulgação geral de profissionais e do público, o Infarmed explica ainda que não possui informações relativas à presença dos distribuidores e comerciantes dos dispositivos médicos que originaram a denúncia no mercado farmacêutico português, mas avisa que, “caso estes produtos sejam detectados no nosso mercado”, deverão os seus eventuais utilizadores abster-se dessa utilização e contactar o Infarmed. Mais se avisa que os equipamentos em questão poderão ostentar uma marcação CE indevida, sendo portanto mais difícil de aferir a sua proveniência errónea, e deverão pôr em causa a sua avaliação quanto à segurança e qualidade. A entidade reguladora portuguesa poderá ser contactada através do telefone (217987235), por fax (217987281) ou email (daps@infarmed.pt).

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

Nexavar recebe revisão prioritária da FDA

A FDA concedeu revisão prioritária ao Nexavar (sorafenib) um fármaco oncológico da Bayer e da Onyx para o tratamento do Carcinoma Hepatocelular (CHC), a forma mais comum de cancro do fígado. O pedido de autorização para comercialização baseou-se nos dados da Fase III do ensaio clínico, que demonstraram que o Nexavar aumentou a sobrevivência geral na ordem dos 44 por cento, em pacientes com CHC, em comparação com o placebo.

Uma revisão prioritária por parte da FDA pode reduzir a tempo de aprovação para seis meses. Como este pedido foi efectuado em Junho, uma possível aprovação pode ocorrer em Dezembro. As companhias também submeteram um pedido de aprovação junto da Agência Europeia do Medicamento (EMEA) em Junho, como noticiou o farmacia.com.pt, no artigo "
EMEA avalia Nexavar para tratar cancro do fígado”, do dia 25 de Junho de 2007.

Susan Kelley, vice-presidente da área terapêutica de oncologia da Bayer, sublinhou que, caso o tratamento seja aprovado para esta indicação, o Nevaxar será a primeira terapia disponível nos Estados Unidos para pacientes com CHC.

O Nexavar actualmente está aprovado em mais de 50 países para o tratamento do cancro do rim em estado avançado. A Bayer e a Onyx comercializam em conjunto o fármaco nos Estados Unidos, enquanto que a Bayer detém os direitos exclusivos de comercialização em todos os outros países, com excepção do Japão. O fármaco atingiu os 81 milhões de dólares nas vendas do segundo trimestre.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, Forbes
Empresa disponibiliza aplicações para investigação
Microsoft apoia luta contra a sida


A Microsoft, multinacional norte-americana do ramo da Informática, está a disponibilizar no seu site (www.microsoft.com) quatro novas aplicações destinadas aos investigadores na área da sida, designadamente com vista a apoiar o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a doença. São ferramentas de análise estatística do agente causador da síndroma da imunodeficiência adquirida modificáveis pelos utilizadores, especificamente desenhadas para analisar o padrão de mutabilidade do HIV.

Os quatro novos programas – «PhyloD», «Epitope Prediction», «HLA Assignment» e «HLA Completion» – correspondem a quatro novas formas de permitir aos cientistas que se dedicam àquela área encontrar correlações entre o sistema imunitário do doente e o vírus, localizar determinadas partes do sistema e defini-las de uma forma mais precisa. Desenvolvidos ao longo de dois anos, ao longo dos quais uma vasta equipa se debruçou sobre o assunto, colaborando com universidades e investigadores de todo o mundo, as novas ferramentas visam concretamente dar apoio ao objectivo do desenvolvimento de uma vacina. Nessa medida, a Microsoft anunciou já que continuará a estudar medidas e programas para apoiar aquela causa, adiantando que está já em fase de preparação uma aplicação que deverá permitir o acompanhamento e o registo cronológico da evolução do vírus nos indivíduos infectados.

Carla Teixeira
Fonte: El Pais

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Bactéria na flora intestinal da grávida pode infectar bebé

Pediatra alerta para risco de transmissão durante o parto e defende inclusão de mais um exame na rotina pré-natal

Na rotina pré-natal das grávidas deveria ser incluído mais um exame - um teste que serve para detectar a presença de uma bactéria (streptococcus) que pode ser transmitida para o bebé durante o parto. A mãe pode estar isenta de sintomas mas, no bebé, a contaminação acarreta risco de infecção grave e até morte.

Detectar a presença da bactéria chamada Streptococcus agalactea (beta-hemolítico do grupo B) na mulher grávida pode ser vital para o recém-nascido. O alerta é de Jaqueline Dário Capobiango, pediatra e infectologista brasileira, sublinhando que a taxa de transmissão da mãe para o bebé “ronda os 50 por cento.”

Ao «Folha Londrina», a médica explicou que o tipo de bactéria em causa costuma colonizar o trato gastrointestinal. “Umas pessoas têm, outras não, mas trata-se de uma bactéria que faz parte da flora intestinal”, ressalvando que, “na mulher, pela proximidade com a vagina, a bactéria também pode estar presente no trato genito-urinário, e causar ou não infecção urinária.”

De acordo com a pediatra, dos 50 por cento de casos possíveis de transmissão, entre 1 a 3 por cento, vão desenvolver infecção: “Parece pouco, mas o risco de uma sepse precoce (infecção bacteriana grave) é 30 vezes maior no bebé cuja mãe tem a bactéria, do que naquele cuja mãe não está colonizada”, referiu, realçando que “a mortalidade das infecções precoces (em bebés com até sete dias de vida) é de até 50%.”

Segundo informa a ginecologista e obstetra, Viviane Magalhães, “o exame da secreção vaginal e anal é feito entre a 35 e a 37 semana de gestação”, esclarecendo ao «Folha Londrina» que “se é detectada a cultura de bactéria é preciso administrar um antibiótico específico para esse tipo de bactéria, antes do nascimento do bebé, cuja eficácia ultrapassa os 80 por cento.”

Ao que o farmacia.com.pt conseguiu apurar o exame pré-natal para detecção desta bactéria é feito nos Estados Unidos, rotineiramente, desde 2002. Na Argentina, o exame também é obrigatório por lei em vários Estados. No Brasil, - e segundo avançou há instantes a Agência Estado - o Hospital e Maternidade Estadual Interlagos será a primeira maternidade pública a realizar o exame de diagnóstico em todas as utentes que fizerem o pré-natal naquela unidade. Em Portugal, este exame pré-natal continua sem ser obrigatório.

Raquel Pacheco
Fontes: Bondenews/«Folha Londrina»/Agência Estado

Nova técnica não invasiva pode dispensar biópsias

Novo composto químico (fluorina) pode trazer benefícios ao diagnóstico de doenças cancerígenas

Uma nova técnica que usa um novo composto de químico poderá vir a substituir as biópsias. O método foi criado por cientistas da Universidade de Durham, no Reino Unido, e publicado no jornal académico «Chemical Communications». O trabalho pode trazer benefícios no diagnóstico de doenças como os cancros da mama, fígado ou próstata.

Identificar a extensão de progressão de doenças como o cancro, sem necessidade de recorrer a técnicas invasivas do corpo humano é a mais valia da investigação britânica. A equipa de cientistas acredita que esta técnica poderá ser utilizada daqui a dez anos.

“Nós demos um passo muito importante para se desenvolverem novos métodos de imagem”, avaliou um dos investigadores envolvidos no trabalho. David Parker, do Departamento de Química, revelou que a inovação prende-se com um novo composto químico (fluorina) que - segundo revelou - poderá ser utilizado "como uma espécie de imagem de ressonância magnética química."

Antes de realizarem uma ressonância magnética "os doentes são injectados com um composto que contém fluorina. Substância esta que responde de maneira diferente consoante os níveis de acidez que encontra no organismo, por isso, os tumores poderão aparecer destacados no decorrer da ressonância”, esclareceu o David Parker num comunicado divulgado no site da Universidade de Durham.

No sentido de desenvolver a pesquisa, aquela instituição de ensino e investigação procura, agora, parceiros comerciais.

Raquel Pacheco
Fonte: «Chemical Communications»/Comunicado Durham University - http://www.dur.ac.uk
Desde 2003 era vendida nas farmácias mediante receita médica
Alemanha autoriza uso terapêutico da marijuana


As autoridades sanitárias da Alemanha deram luz verde à utilização da marijuana como medicamento analgésico e relaxante. Depois de 14 anos consecutivos a sofrer os efeitos da esclerose múltipla, uma doente recebeu do departamento de estupefacientes do governo alemão autorização para adquirir, na farmácia, marijuana em gotas, que pela primeira vez é administrada com finalidade terapêutica naquele país.

A partir do final deste mês, e durante um ano, Claudia H. poderá comprar regularmente o seu medicamento à base de cannabis sativa, com o objectivo de ajudar a minimizar as dores e os transtornos decorrentes da esclerose múltipla. A notícia, veiculada pelo jornal diário «Süddeutsche Zeitung», foi confirmada frente às câmaras da cadeia de televisão SWR por Johannes Lutz, do departamento de estupefacientes. O responsável disse que eventuais autorizações futuras terão de ser analisadas e decididas casuisticamente, em razão dos argumentos e da situação específica de cada paciente, salientando que o uso da droga só será autorizado nos casos em que for absolutamente imprescindível.
São cada vez mais comuns os estudos que apontam vantagens à utilização de cannabis com fins terapêuticos, enfatizando designadamente o efeito analgésico e tranquilizante da droga, principalmente nos doentes de esclerose múltipla. Muitos especialistas são a favor do uso da marijuana e alertam para o facto de, não conseguindo adquiri-la por vias legítimas, muitos cidadãos acabem por se deixar seduzir pela compra daquela droga no mercado negro.

Carla Teixeira
Fonte: Deutsche Welle

Preço de medicamento priva milhares de tratamento

Reino Unido recusa inclusão de fármaco contra artrite reumatóide no serviço nacional de saúde

O elevado preço do medicamento Orencia (indicado para a artrite reumatóide) está a privar milhares de doentes do tratamento no Reino Unido. O Instituto Nacional de saúde e Excelência Clínica (Nice, em inglês) concluiu que o fármaco “não seria considerado um bom custo-benefício para serviço nacional de saúde”, avançou a imprensa britânica.

De acordo com o jornal «Telegraph», esta recusa não é um caso isolado, denunciando que, para além do medicamento contra artrite reumatóide (Orencia), o Nice já negou também a autorização de novos fármacos contra outras doenças, nomeadamente, cancro do intestino e do pulmão.

O Orencia (abatacept) – medicamento da farmacêutica Bristol-Myers – “não será disponibilizado nos serviços nacionais de saúde britânicos (NHS) por ser muito caro para os recursos dos Serviços Nacionais de Saúde”, declarou ao jornal britânico um porta-voz do instituto.

Tal como noticiou oportunamente o farmacia.com.pt - o fármaco em causa é o primeiro de uma geração de medicamentos biológicos para doenças auto-imunes - e foi licenciado, também, nos Estados Unidos e, em breve, será no Brasil, tendo como alvo doentes que falham em responder a outras terapias.

No entanto, apesar da comprovada eficiência, o preço terá ditado um travão na inclusão do NHS e, por conseguinte, na melhoria dos sintomas de milhares de doentes com artrite reumatóide severa, doença inflamatória crónica que acomete as articulações.

Para evidenciar a evolução terapêutica que o Orencia trouxe à medicina, o «Telegraph» divulgou um estudo cujos testes demonstraram que “os doentes que não responderam à terapia anti-factor de necrose tumoral tiveram redução no dano das articulações e menos dor com a utilização do abatacept.”

Neste sentido, os doentes lançaram um apelo à revisão da decisão do Nice (antes do fim do ano), altura em que a decisão será formalizada. “A decisão é um passo atrás no controle da doença”, considerou também a Associação de Artrite Reumatóide, no Reino Unido.
Segundo informou uma fonte dos laboratórios da Bristol, o medicamento custa, em média, 10 mil libras por ano, ou seja, cerca de 15 mil euros.

Raquel Pacheco
Fonte: «Telegraph»
Contra-informação dissemina ideias erradas
Internet ameaça luta contra a sida


Uma verdadeira “teoria da conspiração” parece estar em curso em numerosas páginas da internet dedicadas a informar ou debater temas relacionados com a sida. Desde dizer que a indústria farmacêutica já desenvolveu a vacina, mas não quer vendê-la, ou que os americanos inventaram a doença, que o HIV nem sequer é a sua causa, e que o uso do preservativo não confere protecção, sendo por isso dispensável, de tudo um pouco pode ser lido em sites pouco fundamentados do ponto de vista científico, mas que estão tão ou mais acessíveis do que os outros ao comum dos cidadãos.

A denúncia é feita na edição desta semana da revista «PLoS Medicine», adverte que as consequências destas acções podem ser fatais e atingir dimensões consideráveis. Num artigo assinado por Tara Smith, especialista da Universidade de Iowa, e Steven Novella, da Universidade de Yale, volvidas mais de duas décadas de sucessivas investigações e avanços no conhecimento de como a patologia funciona, os médicos afirmam que “não pode haver dúvidas de que o HIV é o vírus que causa a sida”, insistindo na evidência de que a prevenção é a melhor maneira de agir no combate à doença. Lamentando que haja grupos de pessoas apostados em desacreditar na rede o trabalho dos numerosos cientistas que ao longo dos anos se têm dedicado a estudar o problema, os dois peritos afirmam que “quem discorda do que se sabe sobre a sida na internet nega a autoridade dos cientistas ou acredita que a maior parte deles se vendeu a outros interesses”. Esse descrédito, concretizam, poderá fazer com que quem acreditar nas mentiras publicadas nesses sites possa ter comportamentos prejudiciais, que coloquem em risco quem está são e sem problemas, designadamente através da prática de sexo desprotegido ou da adesão a terapias alternativas ineficazes e perigosas.

Carla Teixeira
Fonte: PLoS Medicine

Novo tratamento para o acne em desenvolvimento

Investigadores revelaram que um efeito secundário anteriormente desconhecido de um fármaco actualmente no mercado poderá ajudar no tratamento do acne, segundo divulgou a revista “Chemistry & Industry”, da Sociedade da Indústria Química (SCI, sigla em inglês). Uma companhia do Reino Unido, a Summit, está prestes a iniciar a Fase 1 do ensaio clínico com o fármaco em 18 voluntários saudáveis. Prevê-se que os resultados sejam anunciados no final de 2007.

Numa etapa inicial da Fase 1 do estudo em nove voluntários saudáveis, o tratamento demonstrou reduzir até 70 por cento a secreção de sebo pela pele, o que está associado ao desenvolvimento do acne. Os resultados da Fase 1 são surpreendentemente bons, segundo afirmou o director de desenvolvimento clínico da Summit, Nigel Blackburn. A redução da produção de sebo tem sido o alicerce da busca do tratamento para o acne durante 30 anos, mas tem havido pouco sucesso, à parte do Roaccutane, que apesar disso apresenta efeitos secundários significativos, acrescentou ainda Blackburn.

O tratamento privilegiado actualmente para o acne, o Roaccutane, pode provocar um amplo leque de efeitos adversos, incluindo a teratogenicidade, que leva a deficiências no feto em mulheres grávidas, e também tem sido recentemente ligado à depressão e (inconclusivamente) a suicídio nos adolescentes. O mercado para o tratamento do acne está avaliado em muitos milhões de dólares, e qualquer novo tratamento que seja desenvolvido sem efeitos secundários poderá potencialmente atingir vendas muito elevadas.

Apesar da Summit não ter revelado o nome do fármaco que está agora a ser avaliado, a companhia afirma que este representa uma classe de compostos completamente nova para o tratamento do acne. Nigel Blackburn afirmou que com as doses que estão a ser estudadas qualquer tipo de efeito adverso deverá ser ligeiro, em comparação com os que resultam da utilização do tratamento com Roaccutane.

A companhia espera começar os ensaios de Fase 2 no próximo ano, para avaliar a eficácia do fármaco em pessoas que têm acne. Dependendo dos resultados, o fármaco poderá ser formulado como um tratamento tópico individual ou, mais provavelmente, em combinação com outros tratamentos existentes. A Summit já iniciou conversações com diversas companhias que se mostraram interessadas, e que estão à espera de ver se os resultados iniciais podem ser repetidos num grupo de estudo mais alargado.

O acne

O acne é uma doença cutânea frequente, causada pela obstrução dos poros da pele, com a consequente formação de espinhas e abcessos inflamados e infectados (acumulação de pus) na face, pescoço e região anterior e posterior do toráx.

O acne surge geralmente na adolescência, afecta ambos os sexos, tendo uma maior prevalência dos 14 aos 17 anos no sexo feminino, e dos 17 aos 19 no sexo masculino, e atinge cerca de 80 por cento dos jovens e aproximadamente 30 por cento das pessoas continua a ter acne na vida adulta.

O acne afecta os adolescentes devido a uma interacção entre hormonas, sebo e bactérias que vivem na pele. Durante a puberdade aumenta a actividade das glândulas sebáceas da pele, com produção excessiva de sebo.

Isabel Marques

Fontes: www.firstscience.com, www.medicosdeportugal.iol.pt, www.manualmerck.net

Descoberto possível indício para o tratamento da hipertensão

Foi identificado um possível indício para o tratamento da hipertensão quando investigadores do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, nos Estados Unidos, estudavam a razão pela qual os fármacos anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) podem provocar esta doença.

As conclusões deste estudo, publicadas na edição de 16 de Agosto de 2007 na “The Journal of Clinical Investigation”, apontam para o facto de que a inibição de certos factores solúveis poderá abrir caminho a novos tratamentos para a hipertensão.

Segundo os investigadores, a hipertensão está associada a um aumento do risco de ataques cardíacos e de acidentes vasculares cerebrais (AVC), e ao consumo frequente de fármacos anti-inflamatórios não-esteróides. Contudo, os investigadores desconhecem a razão pela qual estes fármacos provocam hipertensão, uma vez que estes inibem a produção de vários factores solúveis, as prostaglandinas, que podem afectar a pressão sanguínea. As prostaglandinas são substâncias semelhantes às hormonas, que alteram o diâmetro dos vasos sanguíneos, elevam a temperatura corporal como resposta à infecção e desempenham um papel crucial na coagulação do sangue. Todavia, desconhecem-se ainda os efeitos da inibição dos receptores individuais das prostaglandinas.

Quando estavam a tentar resolver esta questão, os investigadores identificaram um possível indício para o tratamento da hipertensão. No estudo é demonstrado que os inibidores do receptor EP1 da prostaglandina E2 (PGE2) reduzem a hipertensão em ratos. A descoberta de que os ratos que têm carência de EP1 estão protegidos contra os efeitos hipertensos dos antagonistas específicos da angiotensina II e de EP1 corrobora a descoberta anterior. Os autores sugerem que apontar ao receptor EP1 da PGE2 poderá ser uma forma viável para tratar a hipertensão.

O artigo pode ser consultado na íntegra em: The Journal of Clinical Investigation.

Isabel Marques

Fontes: www.correofarmaceutico.com, www.jci.org, www.manualmerck.net
FDA tinha acusado a Novartis de enganar os doentes
Irregularidades com o Exelon não ocorrem em Portugal


As irregularidades detectadas há alguns dias nos Estados Unidos em diversos folhetos de promoção do Exelon, medicamento da Novartis utilizado no tratamento do Alzheimer, e que suscitaram o envio de uma carta de advertência da Food and Drug Administration à companhia farmacêutica suíça, não se verificam em Portugal. Uma confirmação dada pela Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde, que asseverou que os materiais informativos distribuídos aos profissionais de saúde portugueses são todos fabricados em Portugal.

Tal como o farmacia.com.pt noticiou na passada quinta-feira, dia 16, a FDA notificou a companhia farmacêutica devido a informações falsas sobre o Exelon (rivastigmina), que é actualmente o fármaco mais vendido para o tratamento da doença de Alzheimer, e que está disponível em mais de 70 países, entre os quais Portugal. A FDA acusou a Novartis de proclamar para o medicamento um maior índice de segurança do que aquele que foi efectivamente demonstrado nos ensaios clínicos realizados. Na nota, com data de dia 8, a entidade reguladora norte-americana teceu duras críticas ao laboratório, acusando-a de mentir aos doentes, e pediu que a verdade sobre a eficácia e os riscos inerentes à utilização daquele fármaco fosse reposta, estabelecendo como prazo o dia 22 deste mês para uma reacção da empresa suíça.
Nesse sentido, um porta-voz da Novartis reagiu prontamente ao comunicado, referindo que a empresa estaria a analisar o seu conteúdo e deveria responder, como solicitado, dentro de alguns dias, assegurando que seriam tomadas “as medidas necessárias para garantir que todos os materiais de promoção cumprem escrupulosamente as normas da FDA”. O farmacia.com.pt dava na altura conta de que o Exelon se encontra disponível no mercado farmacêutico internacional desde 1997 e que é actualmente comercializado em mais de 70 países, no tratamento de episódios de demência moderada em pacientes com Alzheimer. No nosso país foi introduzido em 1998 (com renovação em 2003). A um dia de expirar o prazo para uma reacção da Novartis, a entidade reguladora do sector do medicamento em Portugal esclareceu as irregularidades detectadas nos Estados Unidos não se verificam em Portugal, acrescentando que os materiais de promoção do Exelon distribuídos aos profissionais de saúde são produzidos e revistos no país.
Em representação do departamento médico da Novartis, Susana Marques reiterou, em declarações prestadas à Agência Lusa, que “os materiais promocionais distribuídos são produzidos em Portugal, rigorosamente revistos pelo departamentos médico e pelo dos assuntos regulamentares da empresa, e depois confrontados com os dados das revistas médicas e científicas”. Nessa medida, também o Infarmed frisou que, “até ao momento, nenhuma das situações mencionadas no documento emitido pela FDA foi detectada em Portugal”, e que “cabe a cada país a avaliação e monitorização da publicidade feita aos medicamentos, de acordo com a sua legislação”. Os reguladores nacionais adiantaram, no entanto, que acompanharão a situação e actuarão se e quando isso vier a revelar-se necessário”.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, Rádio Comercial, Firstword, FDA, Bloomberg, Agência Efe

Occlutech pede invalidação da patente europeia da AGA

Fabricante alemã alega "diferenças fundamentais" entre dispositivos para oclusão coronária

A Occlutech GmbH, fabricante alemã e líder europeia de dispositivos para oclusão coronária continua o braço-de-ferro com a AGA Medical. Agora, anunciou ter dado início ao processo de não violação de patente (de que foi acusada), onde solicita também a invalidação da patente europeia da AGA no Reino Unido.

Segundo noticia a PRNewswire, “devido à existência de arte anterior, a maioria das reivindicações já interpretadas nas patentes pela AGA Medical não foi aceite pelos revisores do Gabinete Europeu de Patentes no processo original de aprovação de patentes”, motivo este apontado como “mais do que justificativo e significativo” para a Occlutech solicitar a invalidação ao tribunal britânico.

De acordo com a informação avançada pela mesma fonte, a Occlutech terá ainda solicitado que o tribunal do Reino Unido declare que os dispositivos da fabricante alemã estão fora do âmbito da patente da AGA, “devido às diferenças fundamentais entre a patente e às configurações dos dispositivos da Occlutech.”

"Temos uma grande probabilidade de que a patente europeia da AGA seja invalidada por esta acção e devido aos próprios actos e argumentos da AGA perante o Gabinete Europeu de Patentes”, considerou Robert Moszner, representante da Occlutech, argumentando que a base tecnológica da Occlutech é bem distinta da AGA. "Os oclusores são novos e inovadores e são protegidos por uma sólida posição da propriedade intelectual”, frisou. O responsável da companhia alemã apontou, também, a "exclusividade" dos métodos e tecnologia da Occlutech, considerando que “são superiores e bastante diferentes de qualquer outro produto do mercado.”

A data da audiência ainda não foi marcada, mas a Occlutech está confiante na celeridade da decisão e no parecer favorável do tribunal no Reino Unido confirmando a não violação da patente o mais rápido possível e invalidando a única patente europeia concedida à AGA Medical.

Tratamento de doenças cardíacas
Os dispositivos de oclusão são para o tratamento de doenças cardíacas, incluindo os defeitos e anormalidades cardíacas estruturais, tais como Defeitos do Septo Atrial (DSA), ou Forame Oval Patente (FOP), de maneira minimamente invasiva e não cirúrgica.

Raquel Pacheco
Fonte: PRNewswire
Três hospitais de Coimbra, Lisboa e Leiria serão pioneiros
Concursos públicos para abertura de farmácias


O Ministério da Saúde acaba de lançar concursos públicos para a abertura de farmácias no Centro Hospitalar de Coimbra e nos hospitais de Santa Maria, em Lisboa, e de Santo André, em Leiria, que serão das primeiras unidades de prestação de cuidados de saúde a dispor de estabelecimentos de dispensa de medicamentos abertos ao público no seu perímetro.

Tal como o farmacia.com.pt oportunamente noticiou – nas edições de 20 de Junho e 2 de Agosto –, há muito se sabia que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, seria um dos primeiros a estar dotado de uma farmácia comunitária no seu perímetro. O Ministério da Saúde confirmou agora essa informação, mas fez coincidir a abertura do concurso para aquela unidade com os concursos para duas outras, em Coimbra e Leiria. Assim, está a decorrer, até 11 de Setembro, o prazo para a apresentação de propostas no sentido da instalação de duas outras farmácias, no Centro Hospitalar de Coimbra e no Hospital de Santo André. A tutela anunciou igualmente que a abertura das propostas apresentadas deverá ser feita no dia seguinte, e que a escolha dos contemplados terá como principal critério a proposta economicamente mais vantajosa.
As farmácias comunitárias que venham a ser integradas no perímetro de hospitais terão horário de funcionamento permanente (24 horas por dia nos sete dias da semana), e no futuro poderão vir a dispensar medicamentos em unidose, prática ainda não legislada no nosso país (a não ser no ramo da Farmácia Hospitalar), mas que poderá ser autorizada mediante a publicação em «Diário da República» de uma portaria conjunta do Ministério da Saúde e do Ministério da Economia. Entretanto, os interessados em candidatar-se à instalação de uma das três farmácias comunitárias agora submetidas a concurso público poderão consultar o Decreto-Lei 235/2006 – que estabelece o regime de instalação, abertura e funcionamento das farmácias de dispensa de medicamentos ao público nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, e as condições da respectiva concessão –, que se encontra disponível também no site da Ordem dos Farmacêuticos, clicando na página online com o endereço www.ordemfarmaceuticos.pt.

Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos, farmacia.com.pt
Execução orçamental entre Janeiro e Julho
Despesa com medicamentos baixou


Os gastos com medicamentos no Serviço Nacional de Saúde baixaram 0,3 por cento no primeiro semestre deste ano, enquanto as despesas com material clínico sofreram uma quebra de 4,3 pontos percentuais, traduzindo-se numa poupança de cinco milhões de euros para os cofres do Estado. Dados positivos que, no entanto, não foram suficientes para melhorar o excedente do SNS, que caiu 65,9 por cento. São números da «Síntese de Execução Orçamental» da Direcção-Geral do Orçamento, a que o farmacia.com.pt teve acesso.

Nas páginas 12 e 13 da «Síntese de Execução Orçamental» da DGO relativa ao período compreendido entre Janeiro e Julho deste ano, e que foi divulgada há escassos dias, é traçado o quadro evolutivo do Sistema Nacional de Saúde ao longo dos primeiros seis meses que atesta que o excedente do Serviço Nacional de Saúde baixou, devido a um crescimento da despesa superior ao da receita, impulsionado pelos contratos-programa dos hospitais-empresa, que implicaram o acréscimo de 172 milhões de euros num total de 195 milhões de euros em despesas. À luz daqueles dados, o saldo positivo do SNS sofreu uma dura queda, na ordem dos 65,9 por cento, para os 97 milhões de euros. As receitas aumentaram 0,2 por cento e as despesas 5,1 por cento. A execução financeira do SNS no mês de Junho apresentou um saldo de 96,6 milhões de euros, contra 282,9 milhões em 2006.
A despesa com medicamentos foi um dos poucos items a registar melhoria no período em análise. Salienta-se também a redução de 0,9 pontos percentuais na categoria dos produtos vendidos por farmácias, bem como a descida de 0,4 por cento no que toca aos meios complementares de diagnóstico e terapêutica, rubrica que inclui os encargos de farmácias e convencionados da responsabilidade da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano. Nos outros serviços de saúde (hospitais EPE), o relatório destaca o aumento de 13,2 por cento nos valores referentes aos contratos-programa, sublinhando o facto de nos números se encontrar já refelectida a passagem de 12 unidades de prestação de cuidados de saúde à categoria de hospitais-empresa, bem como as revisões que foram efectuadas a contratos-programa de alguns estabelecimentos.

Carla Teixeira
Fonte: «Síntese da Execução Orçamental» da Direcção Geral do Orçamento, Ordem dos Farmacêuticos, Agência Lusa
Dispensa de fármacos controlados é feita em livros...
Anvisa informatiza fiscalização de medicamentos


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entidade reguladora do sector do medicamento no Brasil, está a preparar a entrada em vigor de um sistema nacional de gestão dos produtos controlados (sujeitos a normas especiais, definidas no âmbito da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998). Assim, e pondo termo à situação actual, em que as farmácias registam em livros a dispensa daqueles medicamentos, a nova medida levará à informatização de todos os dados, com actualização imediata nos serviços da Anvisa.

Com a entrada em funcionamento do novo esquema de tratamento de dados, assim que um determinado medicamento sujeito a controlo especial for dispensado numa farmácia ou estabelecimento de venda autorizado, o farmacêutico dará de imediato baixo daquele produto no sistema informático, sendo essa informação, por conseguinte, imediatamente actualizada na rede de informação da autoridade nacional e dos pontos de vigilância do mercado a nível municipal e estatal. Na lista dos medicamentos controlados no Brasil há fármacos antidepressivos e moderadores de apetite. A Anvisa prevê que o novo sistema esteja totalmente operacional em todo o país no prazo máximo de um ano, estimando-se que possa arrancar de forma progressiva nos vários Estados, com natural primazia para a capital, Brasília. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Farmácias do Distrito Federal, Hélio Araújo, que apoiou a medida, “a resolução da Anvisa vai restringir ao máximo a venda indiscriminada dos medicamentos sem receita”.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Brasil, JB Online, Redegoverno.gov.br

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Penicilina lidera reacções adversas

FMUP estudou prevalência das RAM e concluiu que mulheres são mais susceptíveis

Uma investigação realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) intitulada «Prevalência das reacções adversas a medicamentos» revelou que a penicilina foi o medicamento mais apontado pelas pessoas inquiridas. Outro resultado permitiu ainda concluir que as mulheres são, significativamente, mais susceptíveis de apresentarem os “sintomas adversos”.

De acordo com o estudo feito por marcação telefónica aleatória à população adulta do Porto - e que o farmacia.com.pt teve acesso - o fármaco mais apontado no quadro das reacções adversas a medicamentos (RAM) foi a penicilina (47,4%).

Segundo a FMUP, foram realizados 200 contactos telefónicos, dos quais 103 indivíduos (51,5%) responderam ao questionário. A idade dos participantes varia entre 18 e 85 anos e a maioria são mulheres (74,5%). No contexto das adversidades, os inquiridos indicaram ainda outros antibióticos (10,5%) e outros medicamentos não especificados (26,3%). Dos 103 participantes, 9,7% realizaram algum tipo de teste para confirmar a reacção.

A equipa de investigadores portuenses explicou que, as manifestações clínicas referidas no questionário estiveram divididas em cutâneas, respiratórias e digestivas. Os resultados apurados indicaram que as mais comuns são as cutâneas e as digestivas (ambas com 46,2%). As reacções cutâneas foram mais referidas entre as pessoas de 40-50 anos e os medicamentos mais mencionados associados a este tipo de manifestação foram a penicilina (23,1%) e outros não especificados (30,8%).

Entre as pessoas de 30-40 anos, as reacções digestivas são as predominantes. Os medicamentos mais referidos relacionados com esta manifestação foram o Brufen (16,7%) e outros não especificados (25,0%). As reacções respiratórias verificaram-se em 4% dos indivíduos, sendo mais comuns nas idades 18 – 35 anos. A medicação mais comumemte associada a esta manifestação foi a penicilina (66,7%). Em todos os indivíduos esta foi a primeira vez que entraram em contacto com este medicamento, sendo que nenhum teve esta sintomatologia sem o contacto com o medicamento.

“Os testes mais realizados foram os cutâneos e os sanguíneos (60,% e 20%, respectivamente). A doença alérgica mais frequente é a rinite (36,4%). A idade mais comum é entre os 51 e 65 anos (31,2%). No entanto, 34% dos participantes têm outro tipo de reacção que não a medicamentos (pó, animais e alimentos)”, divulgaram os investigadores .

Prevalência de auto-relato: 21,4%

“Nós podemos afirmar com 95% de confiança que, entre as percentagens de 18 a 36%, os indivíduos têm reacções adversas a medicamentos”, destacaram, acrescentando que, a prevalência de auto-relato de reacções alérgicas a medicamentos é de 21,4%, sendo que, 18,4% têm a confirmação do médico.

“Podemos afirmar com 95% de certeza que, entre as percentagens de 13 a 29%, os indivíduos acreditam ser alérgicos a medicamentos, e podemos afirmar ainda com 95% de certeza que entre as percentagens de 11 a 26% os indivíduos têm a confirmação médica de alergia a medicamentos”, asseveraram os investigadores da FMUP.

Outro resultado sugere que as mulheres são, significativamente, mais susceptíveis de apresentarem RAM (78,9%). "Entre 10% e 29% podemos afirmar com 95% de certeza que os indivíduos do sexo feminino apresentam hipersensibilidade a medicamentos", concluiram os cientistas da FMUP.

Raquel Pacheco
Fonte: Estudo da FMUP

Alergia à penicilina mais comum nas mulheres

Estudo norte-americano sugere relação entre antibiótico de Fleming e sexo do doente

A alergia à penicilina é mais comum nas mulheres. A conclusão saiu de um estudo norte-americano publicado na revista «Annals of Allergy, Asthma & Immunology». O resultado dos testes cutâneos efectuados revelou que a intolerância àquele antibiótico esteve 3,6 vezes mais presente no sexo feminino, comparativamente, com o sexo masculino.

Se a alergia à penicilina está relacionada com o sexo do doente - foi a “incerteza” que catapultou a investigação conduzida por uma equipa de cientistas da Mayo Clinic College of Medicine, nos Estados Unidos.

Partiram de duas certezas: de que alergia a medicamentos é uma condição de suprema importância pelas diversas repercussões clínicas que podem espoletar, e que os antibióticos (penicilinas, sulfonamidas) e os anti-inflamatórios (ácido acetil salicílico - AAS), são os fármacos que mais, comumente, se relacionam a um quadro alérgico.

Descobriram que a penicilina – primeiro antibiótico natural derivado de um fungo, o bolor do pão Penicillium chrysogenum (ou P. notatum) – desencadeia mais alergias nas mulheres: 83% dos casos analisados eram do sexo feminino e os 17% restantes eram do sexo masculino.

Segundo informa a «Annals of Allergy, Asthma & Immunology», o estudo envolveu 1.759 participantes com histórico de alergia àquele antibiótico, mas apenas 4% dos doentes avaliados apresentavam teste cutâneo confirmatório de alergia à penicilina, positivo.

Como resultado conclusivo, os investigadores da Mayo Clinic, apontaram o facto de a alergia ter estado 3,6 vezes mais presente no sexo feminino, em comparação com o sexo masculino.

A Penicilina foi descoberta em 22 de Setembro de 1928, pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming e está disponível como fármaco desde 1941, sendo o primeiro antibiótico a ser utilizado com sucesso. O nome penicilina é usado também para outros antibióticos relacionados.

Sintomas mais comuns

A alergia à penicilina manifesta-se de forma imprevisível e variada, desde sintomas discretos até quadros potencialmente fatais, nomeadamente: Erupção na pele - caracterizada pelo aparecimento de “pintinhas” ou lesões rendilhadas e avermelhadas na pele.; Comichão intensa, rubor, urticária; Inchaço dos lábios, pálpebras e face; Casos graves poderão evoluir com envolvimento de múltiplos órgãos e sistemas do organismo, manifestando-se com sintomas graves e variados: asma (broncoespasmo), rinite, sintomas gastro-intestinais, alterações cardiovasculares,etc.

Raquel Pacheco
Fonte: «Annals of Allergy, Asthma & Immunology» (Julho)/Prontuário

Medicamento de toma anual contra a osteoporose
FDA aprovou Reclast da Novartis


A companhia farmacêutica suíça Novartis anunciou a aprovação, por parte da Food and Drug Administration (FDA), do seu pedido de introdução no mercado farmacêutico norte-americano do Reclast, medicamento contra a osteoporose e o enfraquecimento ósseo que só deverá ser administrado uma vez por ano em mulheres que já tenham entrado na menopausa. Uma vantagem face aos tratamentos convencionais, que exigem aplicação semanal ou mensal...

De acordo com as informações avançadas pela companhia farmacêutica na sua página online, a aprovação de entrada no mercado da injecção de Reclast (ácido zoledrónico) é uma boa notícia, que poderá ajudar cerca de oito milhões de mulheres à escala mundial. A autorização expressa pela entidade reguladora norte-americana surge no seguimento dos bons resultados de um ensaio clínico do medicamento em cerca de 7700 mulheres, tendo a Novartis realçado o facto de este ser um fármaco inovador, que vem libertar as doentes de uma submissão semanal ou mensal aos tratamentos. “O facto de o Reclast ser altamente eficaz e de poder ser administrado uma vez por ano representa um passo muito grande em termos de terapia para a osteoporose”, salientou Felicia Cosman, que é professora de Medicina Clínica da Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, para quem a principal vantagem da injecção é a de, “pela primeira vez, podermos garantir às mulheres um ano completo de tratamento necessário à protecção dos seus ossos”.

A Novartis anunciou igualmente que aguarda agora aprovação da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) para introduzir a nova terapia na Europa, onde deverá adoptar a designação comercial de Aclasta. De acordo com a empresa farmacêutica, é de esperar que essa autorização possa ser concedida ainda no decurso deste ano. Na base desta decisão da FDA estão os resultados de um estudo financiado pelo laboratório, que dão conta de uma redução de 70 por cento na ocorrência de fracturas espinhais em 7.700 mulheres que tomaram o Reclast. A investigação demonstrou que cerca de 11 por cento de pacientes tratadas com um placebo sofreram fracturas no intervalo de três anos, mas entre as que receberam o Reclast só 3,3 por cento sofreram do problema.

Carla Teixeira
Fonte: Novartis, FDA, Firstword, Agência Efe
Era uma recomendação de um painel de conselheiros
FDA decide manter Avandia no mercado


Parece sanada a polémica em torno do Avandia (maleato de rosiglitazona) nos Estados Unidos. A Food and Drug Administration, entidade que regula o sector do medicamento naquele país, atendeu a recomendação feita há poucos dias por um painel de peritos, e decidiu manter no mercado o fármaco da GlaxoSmithKline. Tal como o farmacia.com.pt tem vindo a noticiar, sobre o Avandia cai a acusação de potenciar maior risco de doença cardíaca nos doentes diabéticos. A FDA reconhece o risco, mas frisa que os benefícios são maiores, obrigando apenas o laboratório a alterar a rotulagem.

Não obstante o elevado número de estudos que davam conta da maior prevalência de problemas cardiovasculares nos doentes diabéticos medicados com o Avandia, a FDA entendeu dar ouvidos à comissão de especialistas que há poucos dias recomendou a manutenção da disponibilização do medicamento nos Estados Unidos. Depois de ouvir os peritos, a entidade reguladora votou a favor da permanência do Avandia, o fármaco que desde o seu lançamento, em 1999, já terá sido administrado a cerca de seis milhões de pessoas em todo o mundo, tendo sido, no ano passado, o tratamento para a diabetes mais bem sucedido à escala global, com um volume de vendas que ultrapassou os 2,4 mil milhões de euros. Está também disponível em Portugal.

Carla Teixeira
Fonte: «Público», Saúde na Internet, farmacia.com.pt
Estômago cheio nem sempre é a melhor circunstância
Quando e como fazer a medicação oral?


A ideia generalizada de que os medicamentos administrados por via oral devem sempre ser tomados com o estômago cheio está profundamente errada. Embora haja fármacos cuja acção é potenciada nesse cenário, por ser nele que ocorre a absorção máxima, ou que afectam menos o aparelho digestivo se ingeridos sem a presença de alimentos, há outros casos em que essa atitude pode ser muito prejudicial para o doente. O mesmo se passa com os horários de administração do tratamento, que podem ter uma importância crucial ou pouco significativa.

A leitura das indicações terapêuticas constantes no folheto incluso é, também por isso, fundamental. Nela deverão ser explicadas as circunstâncias em que cada medicamento deve ser tomado, e os cenários em que a sua acção máxima é espoletada. Em alguns o efeito é melhorado se forem tomados antes das refeições, porque são inactivados pelos alimentos, noutros se forem tomados em seguida, porque nessa altura o estômago está protegido contra possíveis efeitos irritantes. A anotação dos horários e das condições em que determinados medicamentos devem ser administrados, designadamente quando o mesmo doente está a ser submetido a vários compostos químicos, poderá ser útil para melhor coordenar a toma e potenciar os seus efeitos positivos. No caso da azitromicina, por exemplo, a administração do antibiótico depois de uma refeição fará com que o seu efeito seja retardado.
Há também o risco de determinadas substâncias interagirem entre si ou com alimentos com que sejam ingeridas, adulterando o que deveria ser o efeito de cada uma delas no organismo do paciente. É o caso do leite, que muitas vezes se pensa poder ser útil para proteger o estômago da acção de um medicamento com características mais agressivas para aquele órgão, mas que pode, pelo contrário, inibir a acção de fármacos como, por exemplo, a tetraciclina, que perde eficácia se administrada com leite. A toma conjunta de antibióticos derivados das penicilinas (amoxicilina e ampicilina) e contraceptivos também é incorrecta, podendo comprometer a protecção do anticoncepcional, abrindo caminho a uma gravidez indesejada, e nos casos mais graves pode mesmo provocar hemorragias vaginais mais ou menos intensas.
Um simples descongestionante nasal pode igualmente causar problemas graves se for associado a um antiespasmódico, porque alguns aumentam o ritmo cardíaco e podem causar paragens do coração. Os tratamentos contra a hipertensão também não podem ser associados com anti-inflamatórios, sob pena de terem a sua eficácia reduzida. É o caso do Captopril, por exemplo, mas também de muitos outros medicamentos. Também a toma simultânea de antibióticos e diuréticos ou anti-ácidos pode potenciar uma perda de até 30 por cento no processo de absorção do antibiótico, reduzindo a sua eficácia. O papel do farmacêutico passa também por prestar estes esclarecimentos aos doentes no acto de aquisição dos seus medicamentos.

Carla Teixeira
Fonte: «A Gazeta»