quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer
Jantar solidário no Casino da Póvoa

A Associação Alzheimer Portugal assinala, a 21 deste mês, com um jantar e um baile de gala agendado para o Casino da Póvoa de Varzim, no Norte do País, o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer. Trata-se de uma iniciativa que visa a angariação de donativos para a associação, reportando-se à sua missão de prestar apoio a portadores de demência e dos seus cuidadores.

Numa nota de agenda enviada ao farmacia.com.pt, a Associação Alzheimer Portugal refere, citando a sua presidente, Maria do Rosário Zincke dos Reis, que “é importante demarcar este dia de uma forma positiva, com esperança no desenvolvimento da ciência e com orgulho no trabalho diariamente desenvolvido por técnicos, cuidadores e pessoas com demência que não desistem de fazer valer o seu esforço na luta contra a doença e contra o estigma ainda a ela associado”. As inscrições para o jantar e baile, que terá um custo associado de 50 euros (jantar e donativo), estão abertas a todos os interessados, que deverão fazer as suas reservas através do telefone 960003410, contactando Daniel Martins.

Carla Teixeira
Fonte: Associação Alzheimer Portugal
Infarmed veicula alerta de entidade reguladora francesa
Próteses de esforço Microval 2D contrafeitas


O Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), por indicação do seu departamento de Dispositivos Médicos, acaba de emitir uma circular informativa destinada a divulgação junto do público em geral de um alerta inicialmente veiculado pela entidade reguladora do sector em França, à luz da qual terá sido detectada, no mercado egípcio, a existência de próteses de esforço contrafeitas da marca Microval.

De acordo com o exposto na nota emitida pelo Infarmed, que vem assinada por Luísa Carvalho, vice-presidente do seu conselho directivo, o problema terá sido diagnosticado pela própria empresa fabricante dos equipamentos, que estará neste momento a fazer uma recolha de elementos com vista a poder divulgar a situação junto da sua rede de distribuição. Em Portugal, de acordo com a entidade reguladora nacional, está também em marcha o processo de averiguação da eventual presença de próteses contrafeitas da marca Microval, e embora pela informação existente não haja evidência da entrada daquele produto contrafeito no mercado europeu, o Infarmed ressalva que, em virtude da livre circulação de bens e mercadorias poder-se-á ter dado uma introdução irregular daquelas próteses em países da Europa, e concretamente em Portugal.
A Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde exorta assim quem eventualmente encontrar aquele tipo de produtos à venda em Portugal a contactar de imediato o seu departamento de dispositivos médicos. Para reconhecer as próteses da Microval efectivamente contrafeitas convém saber que a referência 411515 não faz parte da gama 2D da Microval, que o lote de esterilização 010405E corresponde a um número real, mas a data limite de utilização 2010/05 não é a correcta, que deveria ser 2006/03, que o número de série MC090325 é real, mas associado a outra prótese 2D de reforço, e que o autocolante indicador de esterilidade aplicado na rotulagem foi substituído por uma simples bola verde impressa.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

CEL promove conferências sobre cancro e doenças infecciosas

Instituto Gulbenkian de Ciência e Universidade de Lisboa recebem especialistas internacionais

Matti Hakama, professor de epidemiologia da Universidade de Tampere, na Finlândia, e um dos mais conceituados investigadores em epidemiologia do cancro vai estar em Portugal para falar da doença e das várias questões que a envolvem. A conferência, que se realiza segunda-feira (10 de Setembro), às 17 horas, no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, marca o primeiro dia da apresentação do Consórcio de Epidemiologia de Lisboa (CEL).

No mesmo âmbito, o Complexo Interdisciplinar da Universidade de Lisboa recebe, terça-feira, (11 de Setembro), às 17 horas, Graham Medley, da Universidade de Warwick, no Reino Unido. O especialista, cujos trabalhos publicados contribuíram para o planeamento de medidas de combate ao HIV e à BSE no Reino Unido, vai proferir uma conferência dedicada ao tema dos modelos matemáticos na compreensão das doenças infecciosas e o seu impacto na saúde pública.

Dedicado à investigação epidemiológica e à formação avançada, o CEL nasceu de uma joit venture entre a Universidade de Lisboa e o Instituto Gulbenkian da Ciência. É uma rede multidisciplinar que congrega especialistas internacionais em áreas como a epidemiologia matemática, a biologia evolutiva, a informática biomédica, a física estatística, a epidemiologia clínica ou os sistemas dinâmicos.

Entre as unidades de investigação que integram este consórcio estão o Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais, o Instituto de Medicina Molecular, o Instituto de Ciências Sociais, o Centro de Física Teórica e Computacional, o Centro de Estatística Aplicada e o Instituto Gulbenkian de Ciência.

Marta Bilro

Fonte: Ciência na Internet, http://cel.igc.gulbenkian.pt/.

Corantes alimentares fomentam hiperactividade nas crianças

Os corantes e aditivos alimentares contribuem para aumentar o nível de hiperactividade nas crianças. A conclusão resulta de um estudo da Universidade de Southampton, no Reino Unido, publicado na edição online da revista médica “Lancet”.

Num ensaio clínico em que algumas crianças tomaram um cocktail com aditivos alimentares geralmente presentes na alimentação e outras apenas um simples sumo de fruta, os investigadores observaram que este tipo de produtos produz um efeito de hiperactividade nas crianças. “Demonstrámos um efeito desfavorável dos aditivos alimentares sobre o comportamento hiperactivo das crianças de 3 anos e de 8-9 anos», referem os cientistas.

O estudo, realizado a pedido da agência para a segurança alimentar britânica, a Food Standard Agency, confirma resultados obtidos em trabalhos anteriores que analisaram as crianças que sofrem de perturbações da hiperactividade.

Os investigadores acreditam que os efeitos desfavoráveis produzidos por este tipo de produtos, acrescentados aos alimentos para melhorar a sua conservação, gosto e aspecto, ou alterar a cor, “não são apenas constatados em crianças com hiperactividade, mas também podem ser constatados na população em geral”.

O estudo, que envolveu 153 crianças de três anos e 144 crianças entre os oito e os nove anos de idade, analisou a actuação de aditivos que continham o conservante benzoato de sódio (referenciado como E211 na União Europeia) e diferentes corantes alimentares: cor de laranja amarelado (E110), carmim (E122), cor de vinho (E102), cor de papoila 4R (E124), amarelo quinoleína (E104) e allura red AC (E129).

A hiperactividade é uma problemática a que se associam dificuldades na aprendizagem e na adaptação do indivíduo ao meio nos seus primeiros anos de vida e que, na maioria dos casos, se prolonga pela vida adulta. É uma perturbação do desenvolvimento que afecta o comportamento, a atenção e o autocontrolo. Estima-se que cerca de 4 a 8 por cento das crianças em idade escolar apresentam critérios de diagnóstico para hiperactividade com défice de atenção. Calcula-se também que em aproximadamente 50 por cento destas crianças tais sintomas persistem na vida adulta.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, Médicos de Portugal.

Próteses de reforço contrafeitas à venda no mercado egípcio

Infarmed diz que não há indicações da presença do produto em Portugal

Há próteses de reforço contrafeitas da marca MICROVAL 2D a circularem no mercado egípcio. O alerta é dado pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), que teve conhecimento da situação através de informação disponibilizada pela autoridade competente francesa. Até ao momento, não há indicações da presença deste produto em Portugal, no entanto, o Infarmed admite a hipótese do mesmo ter chegado ao mercado nacional por vias paralelas.

De acordo com uma circular informativa divulgada pelo Infarmed esta quinta-feira (6 de Setembro), a situação foi detectada pelo próprio fabricante francês, MICROVAL, que está a reunir todos os elementos para poder efectuar uma divulgação através da sua rede de distribuição.

O Infarmed entrou já em contacto com o distribuidor que deverá adoptar medidas para verificação da possível existência destes produtos contrafeitos junto dos seus clientes. Conforme refere a nota emitida, não há evidência da introdução deste produto contrafeito no mercado Europeu. Porém, a livre circulação de dispositivos médicos no Espaço Económico Europeu e a eventual importação por vias paralelas poderão ter colocado ilegalmente os produtos no mercado português.

Nessa eventualidade, o Infarmed divulgou uma lista de características que permitem identificar os produtos contrafeitos. Caso sejam detectados no mercado a situação deve ser de imediato comunicada ao Departamento de Dispositivos Médicos do Infarmed.

Os produtos contrafeitos são identificados com a referência número 411515, designação que não existe na gama 2D MICROVAL; o nº de lote da esterilização 010405E é um número real mas a data limite de utilização 2010-05 não é a correspondente (a correcta deveria ser 2006-03); o Número de Série MC090325 é um número real mas associado a outra prótese 2D de reforço; e o autocolante indicador de esterilidade aplicado na rotulagem está substituído por uma simples bola verde impressa.

Marta Bilro

Fonte: Infarmed.

Ventana adquire Spring BioScience

A Ventana Medical Systems adquiriu a Spring BioScience Corp. por 21,1 milhões de euros, um negócio que deverá impulsionar os lucros da empresa em 2008 e 2009.

A compra da Spring BioScience, que desenvolve e fornece anticorpos monoclonais derivados de coelhos, permitirá à Ventana expandir a sua influência no sector da medicina personalizada, um ramo em crescente ascensão que prevê a adaptação dos tratamentos a cada paciente baseando-se nas especificidades genéticas.

De acordo com o director de operações financeiras da empresa, Larry Mehren, o negócio começou a ser preparado há cerca de um ano, na sequência de uma tentativa falhada de adquirir uma outra empresa especializada no desenvolvimento de anticorpos.

A Ventana está a ser alvo de uma oferta pública de aquisição por parte da Roche, que oferece 2,2 mil milhões de euros pelas acções da empresa norte-americana especializada em histopatologia. Porém, a operação foi considerada hostil. Em declarações à Reuters, Mehren escusou-se a comentar a proposta da farmacêutica suíça, mas salientou que foram apenas postas à disposição 13.430 acções desde o dia 23 de Agosto, o prazo estabelecido pela Roche para a concretização da oferta que foi posteriormente prolongado até 20 de Setembro. Para garantir o sucesso da operação a Roche precisa de obter 18 milhões de acções.

Alex Morozov, analista da Monrningstar, não acredita que a aquisição da Spring BioScience possa beneficiar ou prejudicar as perspectivas da Roche. De acordo com Morozov, esta é uma forma da Ventana demonstrar que continua a operar de acordo com a normalidade, como que fazendo um apelo para que a proposta da Roche seja ignorada.

Marta Bilro

Fonte: Reuters.

Antidepressivo vilazodona apresenta resultados positivos em Fase III

A Clinical Data Inc. anunciou que o fármaco experimental vilazodona demonstrou reduzir os sintomas de depressão durante o ensaio clínico. Na Fase III do estudo, o fármaco atingiu os “endpoints” primário e secundário, além de que o perfil de segurança do fármaco, que é tanto um inibidor selectivo de recaptação da serotonina como um agonista parcial dos 5HT1A (receptores de serotonina), parece ser semelhante aos inibidores selectivos de recaptação da serotonina (ISRS) que são comercializados actualmente.

No estudo, 410 adultos com perturbação depressiva grave foram randomizados para receber vilazodona ou placebo. Os dados demonstraram que o fármaco reduziu os sintomas de depressão em duas escalas diferentes de classificação nos pacientes que tomaram vilazodona, em relação ao grupo do placebo. A companhia também adiantou que o estudo identificou biomarcadores que poderão ser utilizados para prever se os pacientes individuais irão responder ou não ao tratamento.

O vilazodona, o único que actua de duas formas, enquanto que outros fármacos só têm uma abordagem, caso seja aprovado, pode competir no mercado com o Paxil, Prozac e outros tratamentos semelhantes. Um dos mecanismos do vilazodona opera ao aumentar os níveis de serotonina, enquanto que o outro, o agonista parcial dos 5HT1A, actua na questão da ansiedade e em pacientes deprimidos que não obtêm resultados com as terapias tradicionais.

A Clinical Data adquiriu os direitos do vilazodona à Merck KGaA em Setembro de 2004 e irá considerar a possibilidade de encontrar um parceiro para comercializar o fármaco em conjunto. Este estudo foi a terceira de três fases normalmente necessárias para a FDA considerar a candidatura para aprovação. A companhia planeia submeter uma candidatura para o registo de um novo medicamento à FDA em 2009.

O “Surgeon General’s Office” estima que 5,3 por cento dos americanos adultos, aproximadamente 17 milhões de pessoas, sofrem de doença depressiva. De acordo com estimativas, os antidepressivos geraram vendas de mais de 12 mil milhões de dólares em 2006, nos Estados Unidos.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.clda.com

União das Misericórdias desaprova novo regime da propriedade das farmácias

Responsáveis alegam que documento é inconstitucional

A União das Misericórdias tem dúvidas quanto ao novo decreto-lei da propriedade das farmácias e pretende pedir ao Presidente da República para avaliar a constitucionalidade do mesmo. As novas directrizes legais obrigam as farmácias das Misericórdias a transformarem-se em sociedades comerciais, de forma a garantir a igualdade fiscal com as demais farmácias.

«Consideramos que o diploma viola o artigo 65 da Constituição porque não respeita o sector social», afirmou Lusa Rui Rebelo, da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), em declarações à agência Lusa.

Com a aprovação do novo decreto-lei, que entra em vigor a partir de 30 de Outubro, a propriedade das farmácias deixa de estar limitada exclusivamente a farmacêuticos, passando a estar também reservada a pessoas singulares e a sociedades comerciais, numa concentração máxima de quatro estabelecimentos. As instituições particulares de solidariedade social que detêm farmácias ficam obrigadas a constituir-se em sociedades comerciais, dispondo de um prazo de cinco anos para a alteração do tipo de propriedade das unidades já existentes.

“É uma medida de grande insensibilidade social. Nós temos uma característica de gestão diferente da do sector privado. Não temos lucros ou dividendos para distribuir pelos sócios. Tudo o que conseguimos de resultados sociais positivos reinvestimos em acção social, nomeadamente em hospitais”, justificou Rui Rebelo.

O que não pode acontecer, considera a União das Misericórdias, é a equiparação, em termos de regime fiscal, destas entidades com o sector privado, obrigando-as ao pagamento de impostos. “Isto não é constitucional nem é justo. E obviamente nós não fazemos concorrência desleal, uma vez que praticamos os mesmos preços que as farmácias do sector privado”, acrescentou Rui Rebelo.

Os responsáveis não estão dispostos a transformarem em sociedades comerciais as 35 farmácias que actualmente detêm. Nesse sentido, vai ser solicitada uma audiência à comissão parlamentar de Saúde e Finanças e será escrita uma petição para sensibilizar o Presidente da República para esta questão, que esperam enviar na próxima semana.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, Farmacia.com.pt.

Desodorizantes antitranspirantes propiciam cancro da mama, diz estudo

Não são completamente novas as suspeitas de uma possível ligação entre alguns dos químicos presentes na composição dos antitranspirantes e o desenvolvimento de cancro da mama. Um estudo publicado no “Journal of Inorganic Biochemistry” vem agora afirmar que uso frequente de desodorizante com efeito antitranspirante pode propiciar o aparecimento da doença.

A investigação, realizada por cientistas da “Keele University”, no Reino Unido, baseou-se na análise de 17 mulheres que tinham sido submetidas a uma Mastectomia no Wythenshawe Hospital, na localidade inglesa de Manchester. A observação permitiu-lhes detectar, nos tecidos mamários dessas mulheres, elevados níveis de alumínio, substância que compõe 90 por cento dos agentes antitranspirantes da maioria dos desodorizantes.

De acordo com os investigadores, as maiores concentrações de alumínio, substância que já tinha sido relacionada ao cancro da mama em estudos anteriores, encontravam-se na zona do peito próxima às axilas, na qual, geralmente, se aplica este tipo de produtos e onde se detectam a maioria de tumores deste tipo.

Apesar de admitir as limitações do estudo devido ao reduzido número de participantes, Chris Exley, responsável pela investigação, considera que “os dados que mostram uma maior concentração de alumínio na região próxima às axilas são estatisticamente significantes”. Os resultados não podem ter sido fruto do acaso, garante o cientista, até porque “a maior concentração de alumínio na parte exterior da mama pode ser explicada pela proximidade desta região à axila, onde se costuma aplicar a maior parte das substâncias antitranspirantes”.

Para além disso, há estudos anteriores que indicam uma permeabilidade da pele face a este elemento, lembra Exley. Apesar de não terem ainda conseguido estabelecer totalmente a relação entre a utilização do antitranspirante e o aparecimento de cancro da mama, os cientistas estão a analisar a hipótese do tecido que já envolveu o tumor servir de porta de entrada para o alumínio, originando a alta concentração desta substância.

Marta Bilro

Fonte: Saúde na Internet.

Mistura de células humanas e animais com fins terapêuticos
Reino Unido autoriza embriões híbridos


A medida é polémica do ponto de vista científico, e no plano religioso já foi classificada pelo Vaticano como “monstruosa”. Dias depois de um grupo de especialistas britânicos em células-tronco ter avisado que o Reino Unido poderá perder o seu pioneirismo nesta área se o governo não autorizar a criação de embriões híbridos de animais e humanos, os reguladores anunciaram que provavelmente decidirão a favor daquele procedimento.

A Autoridade Britânica de Fertilidade Humana e Embriologia anunciou, na última quarta-feira, que “em princípio” dará a sua aprovação à polémica intenção do desenvolvimento de embriões híbridos, a partir da integração de ADN humano em óvulos de animais, com o objectivo de investigar aspectos ligados a patologias como Alzheimer ou Parkinson. A medida visa colmatar uma grave lacuna em termos de ovócitos humanos destinados à clonagem de embriões com fins terapêuticos, prática que já é permitida no Reino Unido, ao contrário do que ainda acontece na generalidade dos países europeus e do mundo. A ser autorizada a medida, os embriões híbridos terão 99,9 por cento de material genético humano e apenas 0,01 por cento de origem animal, e todas as experiências com aquele ADN terão de ser previamente autorizadas.
Os pedidos para a utilização daquelas células remontam a Novembro de 2006, e foram apresentados por grupos de cientistas do King’s College de Londres e da Universidade de NewCastle. Dizem respeito a óvulos de coelha ou vaca, “esvaziados” de quase toda a informação genética original, nos quais serão implantados núcleos com ADN de vários tipos de células humanas. Os investigadores pretendem extrair células embrionárias que lhes permitirão um combate mais eficaz contra algumas doenças neurodegenerativas e lesões graves da espinal-medula. A decisão oficial relativa a este polémico tema deverá ser tomada nos próximos dias, devendo depois passar pelo parlamento inglês onde, até final do ano, será legislada. Segundo a autoridade que regula as questões da bioética no Reino Unido a maioria dos especialistas consultados mostrou-se “favorável à criação de embriões híbridos citoplásmicos”.
A Santa Fé foi a primeira instância da esfera não política ou científica a reagir à notícia, considerando que, a confirmar-se a decisão de autorização do Reino Unido, estar-se-á a dar corpo a um “acto monstruoso”. Monsenhor Elio Sgreccia, presidente da Academia Pontifical para a Vida no Vaticano, frisou, em declarações à Rádio Vaticano, que “é um acto monstruoso que atenta contra a dignidade humana”, exortando nessa medida a comunidade científica a “mobilizar-se o mais rapidamente possível. Acreditamos que o governo britânico cedeu diante dos pedidos imorais de um grupo de cientistas”, vincou.

Carla Teixeira
Fonte: Ciência Hoje, RTP, AFP, Radio Vaticano, Globo Online
Para tratar infecções hospitalares potencialmente fatais
Cubicin aprovado na Europa


A companhia farmacêutica suíça Novartis obteve resposta positiva da Agência Europeia do Medicamento para expandir a utilização do Cubicin (daptomycin) no apoio a doentes que sofram de dois tipos de infecções bacterianas potencialmente fatais desenvolvidas normalmente em ambiente hospitalar, incluindo a infecção causada pelo staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM ou MRSA, sigla inglesa para “methicillin-resistant staphylococcus aureus”).

As duas novas indicações terapêuticas para administração do Cubicin são a endocardite infecciosa resultante da acção do staphylococcus aureus, que se localiza na válvula do coração, e a infecção bacteriana do sistema sanguíneo. De acordo com a Novartis, se a infecção não for tratada rápida e adequadamente, cerca de um terço dos doentes acaba por morrer, mas a gradual capacidade de resistência aos actuais métodos terapêuticos tem transformado este tipo de infecções num problema cada vez mais grave em termos de saúde pública.

Carla Teixeira
Fonte: Novartis Media Relations, Wikipedia
Medicamento para tratamento de problemas cardiovasculares
FDA aprova primeira versão genérica do Coreg

A Food and Drug Administration (FDA), entidade reguladora do sector do medicamento nos Estados Unidos, aprovou o desenvolvimento da primeira versão genérica do Coreg (carvedilol), um medicamento de ampla utilização no tratamento da pressão sanguínea elevada, do risco cardiovascular moderado a severo e da disfunção ventricular comum após uma síncope cardíaca.

Num comunicado publicado na sua página online, a FDA refere que “os medicamentos genéricos são seguros e eficazes”, porque “resultam de um rigoroso processo científico e regulamentar”. Citado no documento, o director do departamento de medicamentos genéricos da agência reguladora norte-americana, Gary J. Buehler, atesta que aqueles fármacos “usam as mesmas substâncias activas utilizadas no desenvolvimento dos medicamentos de marca e actuam da mesma maneira, oferecendo uma alternativa aos doentes no que toca à escolha dos produtos com que podem ser tratados”.
Ainda de acordo com a nota, as placas de comprimidos de carvediol – que hoje existem nas versões de 3,125mg, 6,25mg, 12,5mg e 25mg – são desenvolvidas por diversas companhias do sector farmacêutico norte-americano, tendo agora sido dada autorização a outras empresas, a saber: Actavis Elizabeth LLC, Apotex Inc., Aurobindo Pharma Limited, Caraco Pharmaceutical Laboratories Limited, Dr. Reddy’s Laboratories, Glenmark Pharmaceuticals Limited, Lupin Limited, Mylan Pharmaceuticals Inc., Ranbaxy Laboratories Ltd., Sandoz Inc., Taro Pharmaceutical Industries Ltd., Teva Pharmaceuticals USA, Watson Laboratories Inc. e Zydus Pharmaceuticals USA Inc.

Carla Teixeira
Fonte: FDA

Fumadores de tabaco de enrolar correm maior risco de sofrer de cancro do pulmão

Um novo estudo norueguês, apresentado na Conferência Mundial sobre Cancro do Pulmão em Seul, concluiu que os fumadores de tabaco de enrolar correm um maior risco de vir a desenvolver cancro do pulmão, do que os fumadores de cigarros industrializados. Este tipo de cigarros tende a ter menos tabaco, mas tem uma quantidade maior de nicotina e alcatrão porque são enrolados sem filtro, dai que a maior incidência de cancro do pulmão tenha sido registada em consumidores deste tabaco.

Na Noruega as vendas de tabaco de enrolar correspondem a um terço do tabaco comercializado no país, sendo ainda um dos poucos países ocidentais onde o seu consumo continua elevado.

O estudo, dirigido por Heidi Rolke, do Hospital Sorlandet na Noruega, baseou-se na observação de 333 indivíduos com cancro do pulmão e concluiu que os fumadores de cigarros enrolados à mão “consomem menos cigarros e estatisticamente fumam há menos anos”. Contudo o alto grau cancerígeno destes cigarros “resulta numa maior incidência do desenvolvimento de cancro do pulmão”, garante Rolke.

Mais de 80 por cento dos indivíduos participantes da análise eram fumadores de tabaco de enrolar. Para Jonathan Samet, da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, estes resultados só podem ser equiparados às descobertas documentadas entre mulheres hispânicas, no sudoeste dos EUA, que tendem a enrolar à mão seus cigarros e por isso contam também com uma elevada taxa de incidência da doença.

O cancro do pulmão é um dos cancros mais comuns no mundo, matando 1,3 milhões de pessoas por ano. Na Ásia, morrem mais de 570 mil pessoas por ano, uma a cada minuto.


Inês de Matos

Fonte: Sol

Bayer retira acções da bolsa de Nova Iorque

A farmacêutica alemã Bayer vai deixar de negociar as suas acções na bolsa de Nova Iorque. A decisão, anunciada à imprensa esta quarta-feira (5 de Setembro), deverá concretizar-se já no final do mês de Setembro ou no início de Outubro e tem como principal objectivo a redução de custos.

Conforme foi divulgado, a empresa deverá solicitar a retirada da cotação das suas acções depositárias no Dow Jones, bem como a respectiva inscrição. A Bayer espera assim poder economizar 15 milhões de euros por ano.

O director financeiro da farmacêutica, Klaus Kühn, veio a público afirmar que “a Bayer preservará a transparência nas suas informações e cumprirá as exigências dos investidores internacionais”. De acordo com a empresa, os accionistas norte-americanos podem manter-se na posse dos seus títulos que futuramente poderão transaccionar fora da bolsa de valores.

Marta Bilro

Fonte: Último Segundo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Hospital da Força Aérea recebe Pneumobil contra a DPOC

Unidade móvel promove rastreios gratuitos para fumadores

O Hospital da Força Aérea, localizado no Paço do Lumiar, em Lisboa, vai receber, nos dias 6 e 7 de Setembro, o Pneumobil, uma unidade móvel, equipada com os recursos técnicos e humanos necessários para realização de espirometrias, exame que permite o rastreio à Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). A iniciativa é promovida pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pelo GOLD (Iniciativa Global para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e tem como principal objectivo alertar e prevenir a população.

O Hospital Pulido Valente, em Lisboa, foi a primeira unidade de saúde a receber o projecto, no passado dia 17 de Maio. Desde então, o Pneumobil já percorreu o pais, promovendo rastreios gratuitos à DPOC para pessoas com mais de 40 anos, fumadores e ex-fumadores, entre as 9h00 e as 18h00.

Cerca de 500 mil portugueses sofrem de DPOC, uma doença fatal que é já a sexta causa de morte em Portugal, estimando-se que em 2020 seja a terceira causa de morte em todo o mundo. Devido à gravidade da situação, o GOLD encontra-se já a desenvolver um estudo internacional para avaliar os factores de risco e a incidência da doença.

O estudo internacional, denominado Burden of Lung Disease, deverá representar também a realidade portuguesa, possibilitando assim um conhecimento mais aprofundado da realidade nacional, no que toca ao conhecimento da incidência da doença.

A DPOC é uma doença crónica e silenciosa, altamente incapacitante, cujos principais sintomas traduzem-se essencialmente por limitações na fluidez respiratória, dispneia ou falta de ar, tosse e aumento da produção de expectoração. Normalmente este tipo de sintomas manifestam-se apenas numa fase avançada da doença, contudo, se o diagnóstico for feito atempadamente, é possível travar o seu desenvolvimento.

Esta patologia afecta sobretudo indivíduos com mais de 40 anos de idade e surge geralmente associada a hábitos tabágicos, sendo estimado que cerca de 20 por cento dos fumadores vão sofrer de DPOC.

Inês de Matos

Fonte: Sociedade Portuguesa de Pneumologia
Hospital espanhol faz ablação controlada do tecido tumorado
Técnica pioneira previne cancro do esófago


O Hospital Universitário de Vall d’Hebron, principal complexo hospitalar da Catalunha e um dos maiores de toda a Espanha, é também pioneiro a nível europeu na utilização de uma inovadora técnica endoscópica destinada a prevenir o surgimento do cancro do esófago e a tratar outras doenças gastroenterológicas. A nova metodologia terapêutica foi baptizada com a designação de «Halo» e consiste numa ablação caracterizada por eliminação da “capa” do tecido esofásico afectado pelo tumor, de modo uniforme e controlado, permitindo a substituição e a regeneração da área tumorada por novas células saudáveis. A nova técnica não pressupõe qualquer incisão nem obriga ao internamento do paciente.

Os tumores benignos do esófago são muito raros e os cancros, espinocelulares ou escamosos, também não têm prevalência significativa em Portugal, acontecendo quase sempre em doentes com mais de 60 anos de idade. Mais frequente nos alcoólicos e nos fumadores, em indivíduos que sofrem de estenose (aperto) do esófago, causada pela ingestão de cáusticos, nos doentes de acalásia e com esófago de Barrett, é um tumor bastante comum no Irão, na China, na África do Sul e em Moçambique. Pensa-se que deficiências alimentares e eventuais contaminações dos alimentos por fungos possam estar na origem da variação geográfica. O cancro do esófago manifesta-se normalmente pela dificuldade em deglutir os alimentos (disfagia), barrados antes de chegar ao estômago, pela perda de peso, pela dor no peito e por uma regurgitação do que é ingerido.

Carla Teixeira
Fonte: AZ Prensa, GastroAlgarve

Fármaco experimental nebivolol demonstra reduzir a pressão sanguínea

A Forest Laboratories Inc. anunciou que o fármaco experimental nebivolol demonstrou reduzir significativamente a pressão sanguínea sistólica e diastólica, no primeiro estudo nos Estados Unidos, em pacientes com hipertensão ligeira a moderada, em comparação com placebo.

Neste ensaio, os 909 pacientes com hipertensão receberam uma de seis doses do nebivolol (um bloqueador selectivo de beta-1 com propriedades vasodilatadoras), ou placebo, uma vez por dia durante 12 semanas. O nebivolol em doses de 1,25 a 20 miligramas uma vez por dia reduziu significantemente a pressão sanguínea, sem afectar de forma adversa os níveis de glucose no sangue. Os resultado do ensaio foram publicados na edição deste mês da “Journal of Clinical Hypertension”.

Actualmente, a FDA está a rever o nebivolol e a Forest espera uma decisão no dia 1 de Novembro. O analista da Jefferies & Co., David Windley, estima que o fármaco, caso seja aprovado nos Estados Unidos, possa atingir um pico anual de vendas de aproximadamente 200 milhões de dólares. O produto já é comercializado para a hipertensão em mais de 50 países fora da América do Norte. A Forest poderá apresentar posteriormente uma candidatura para o nebivolol ser utilizado em pacientes com doença cardíaca.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg

Shire e Noven retiram voluntariamente alguns lotes de adesivos Daytrana do mercado americano

A Shire Plc e a Noven Pharmaceuticals Inc. estão a retirar voluntariamente uma quantidade limitada do adesivo Daytrana (sistema transdérmico de metilfenidato) para o tratamento do distúrbio de deficiência de atenção com hiperactividade (ADHD, sigla em inglês). Esta decisão deve-se ao facto de ter havido queixas relativas à dificuldade em remover a película protectora de alguns adesivos, e não devido a qualquer questão de segurança ou eficácia.

Estima-se que os custos envolvidos nesta acção de retirar o produto do mercado sejam entre os 4 milhões e os 6 milhões de dólares, afectando cerca de 30 000 adesivos. Segundo o porta-voz da Shire, Souheil Salah, a companhia irá operar conjuntamente com médicos, farmacêuticos e pacientes para reaver essas embalagens.

Contudo, todos os adesivos Daytrana, incluindo os que fazem parte dos lotes a ser retirados, podem continuar a ser utilizados, a não ser que a película protectora não possa ser removida, ou no caso dos adesivos ficarem danificados ao tentar retirá-la.

Este adesivo, somente disponível nos Estados Unidos, administra o estimulante metilfenidato, que também está presente na Ritalina, através da pele, para reduzir os sintomas do distúrbio de deficiência de atenção com hiperactividade nas crianças. O Daytrana gerou vendas de 19,9 milhões de dólares no segundo trimestre.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.shire.com

Cancro da tiróide: Incidência aumentou 200% em dez anos

A incidência do cancro da tiróide está a aumentar em todo o mundo, representando actualmente 2 por cento dos casos de cancro no mundo. Calcula-se que, em alguma altura na sua vida, 60 por cento da população mundial tenha nódulos na tiróide, referem dados apresentado esta semana durante o 21º Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, que reúne em Florianópolis especialistas de todo o mundo.

A doença registou, na última década, um aumento na incidência de 200 por cento, sendo responsável por 2 por cento de todos os casos de cancro a nível mundial. Manuel Sobrinho Simões, chefe do sector de patologia do Hospital da Universidade de Porto e um dos cerca de 1.500 especialistas presentes, acredita que esse aumento no número de casos está relacionado com a falta de consultas médicas preventivas que é um hábito apenas em países europeus. A detecção precoce dos nódulos através da palpação da tiróide ou a realização de um exame ultrassonográfico representam um papel fundamental na cura.

O responsável salienta ainda o caso das mulheres que, estando cinco vezes mais propensas a este tipo de cancro, poderiam evitar a doença através de exames hormonais requisitados pelo ginecologista. “Numa simples consulta o médico ginecologista além de pedir exames para detectar o cancro de mama e do colo de útero deve solicitar também exames de taxas hormonais. São procedimentos simples que podem auxiliar na descoberta precoce da doença”, defende Sobrinho Simões.

O congresso, que teve início segunda-feira (3 de Setembro) e se prolonga até amanhã (6 de Setembro), reúne cirurgiões, fisioterapeutas, endocrinologistas, oncologistas, dentistas e terapeutas da fala provenientes de vários países para debater a patologia, em especial as novas tecnologias para a retirada dos nódulos e o tratamento multidisciplinar da doença.

Marta Bilro

Fonte: Portal Fator Brasil.

REPORTAGEM

15 de Setembro: Dia Europeu das Doenças da Próstata
Um cancro em cada 20 homens examinados



Aproximadamente 30 por cento dos homens portugueses com idade superior a 50 anos desenvolvem, a dada altura das suas vidas, o cancro da próstata. São 130 mil doentes e quatro mil novos casos anuais de um carcinoma que inicialmente surge assintomático, e que, depois do cancro do pulmão, é a doença oncológica mais comum no sexo masculino no nosso país, com uma prevalência de três por cento. Os especialistas dividem-se quanto à importância do rastreio, numa altura em que uma nova combinação de fármacos parece trazer boas notícias aos doentes, associando-se ao tratamento já existente: a braquiterapia. No dia 15 a Associação Portuguesa de Urologia assinala o Dia Europeu das Doenças da Próstata.

À luz dos resultados de um estudo divulgado na última terça-feira na XXIX Reunião da Sociedade Internacional de Urologia, que decorreu em Paris, a combinação dos fármacos dutasterida e tansulosina demonstrou eficácia alargada no tratamento da hiperplasia benigna da próstata quando comparada com a monoterapia, motivando uma melhoria significativa do quadro sintomático dos doentes. No estudo CombAT estiveram envolvidos 4800 homens com sintomatologia grave a moderada de HBP, que foram medicados com Avodart (durasterida), um inibidor da 5-reductase (5ARi) desenvolvido e comercializado pela GlaxoSmithKline, e tansulosina, um bloqueador alfa-adrenergico. O objectivo primacial do estudo, com um programa calculado para dois anos, foi o de aferir a eficácia da dutasterida e da tansulosina em associação versus a monoterapia, e avaliar os benefícios em termos de sintomatologia”, mas o estudo ainda está em marcha, depois de aferidos estes primeiros dados, visando determinar, a quatro anos, a eficácia daquela terapêutica combinada na redução da progressão da HBP, da incidência de episódios de retenção urinária aguda e da diminuição da necessidade de cirurgia associada à HBP.
Ao terceiro mês do estudo pôde ser verificado pelos cientistas responsáveis pelo estudo um primeiro sinal da “superioridade do regime combinado” no que respeita à melhoria significativa dos sintomas do aparelho urinário, resultante da comparação com a dutasterida isoladamente. O mesmo viria a acontecer, ao nono mês, no que toca à comparação com a tansulosina, também isoladamente. Os dois benefícios apurados mantiveram-se constantes até final da primeira fase do estudo CombAT, que demonstrou ainda, segundo os investigadores, que “a dutasterida é o unico 5ARi que condiciona uma redução dos sintomas mais consistente, se comparada com a tansulosina (bloqueador alfa), durante os dois anos de tratamento. Segundo os especialistas, os efeitos secundários decorrentes do prosseguimento do estudo “foram os esperados tendo em conta o perfil farmacológico das terapêuticas usadas em monoterapia. A incidência global de recções adversas e de efeitos colaterais graves foi idêntica nos três grupos de tratamento.

Braquiterapia
A mortalidade associada ao cancro da próstata tem vindo a aumentar no contexto europeu desde a década de 1980, e em Portugal é a segunda doença oncológica mais frequente nos homens, afectando cerca de 30 por cento daquela população com mais de 50 anos. Na Europa é diagnosticado um cancro da próstata em cada 20 homens rastreados, com uma cadência de três minutos entre cada sentença, e a cada seis minutos há uma vítima mortal da doença. O Hospital do Desterro, em Lisboa, realizou em 2004 um estudo que levou à identificação de tumores malignos em 43 pacientes, de um total de 828 rastreados. Foi aquela a primeira unidade de saúde pública portuguesa a disponibilizar o tratamento por braquiterapia, que além de evitar um longo período de hospitalização permite aos doentes uma recuperação mais rápida, mais cómoda e com menor custo.
Desde 2003 o Hospital do Desterro realizou centenas de intervenções cirúrgicas de braquiterapia, que consiste na implantação na próstata, mediante o uso de agulhas, de pequenas sementes radioactivas, que libertam altas doses de radiação. Durante o processo o médico é guiado por ultra-sons, a fim de posicionar adequadamente a emissão de radiações, que causam menor dano às células circundantes e actuam durante semanas ou meses sem necessidade de serem removidas. Com recurso a este tratamento os efeitos secundários associados à remoção da próstata, como a impotência sexual ou a incontinência, são muito reduzidos. De entre as técnicas de braquiterapia existentes actualmente em Portugal, aquela que se tem generalizado mais, pela sua relativa simplicidade, baixa taxa de complicações e reduzido tempo de internamento, é o implante permanente das pequenas sementes de Iodo-125. O procedimento é seguro, dada a relativamente baixa actividade e energia das partículas emitidas.

Dia da Próstata
Do vasto rol de actividades desenvolvidas pela Associação Portuguesa de Urologia faz parte a celebração anual do Dia Europeu das Doenças da Próstata, sempre ao dia 15 de Setembro. O objectivo desta jornada prende-se essencialmente com uma aposta na sensibilização dos profissionais de saúde e das populações para dados importantes como a prevalência das doenças da próstata e a forma de as evitar. A associação realiza habitualmente uma conferência de imprensa na véspera, e este ano não é excepção, estando o encontro marcado para a sede da APU em Lisboa. No encontro serão transmitidos alguns números actualizados e as informações de maior relevância sobre as patologias da próstata, que serão depois acompanhadas por campanhas nos vários meios de Comunicação Social, além da distribuição de cartazes e folhetos informativos nos centros de saúde, nos hospitais e na rede nacional de farmácias.

Carla Teixeira
Fonte: Estudo CombAT, Associação Portuguesa de Urologia, Agência Lusa, «Diário de Notícias», Jasfarma

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Número de jovens bipolares aumentou 40 vezes na última década

Um grupo de investigadores americanos chegou à conclusão de que o número de jovens a quem foi diagnosticada a doença bipolar, uma doença psiquiátrica grave que envolve períodos de humor muito elevado e de depressão, tem vindo a aumentar ao longo da última década, período em que foi registado um aumento da doença de cerca de 40 vezes.

Os investigadores da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, liderados por Mark Olfson, e o Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova Iorque compararam os números dos anos entre 1994-1995 e 2002-2003, com base em consultas que culminaram em diagnósticos de desordem bipolar, em jovens até aos 19 anos. A conclusão mostrou que em 1994-1995 o número de casos numa população de 100 mil pessoas era de 25, enquanto que em 2002-2003 a realidade mostrava um aumento da incidência da doença superior a 40 vezes, com 1003 casos, em cada 100 mil indivíduos.

Como justificação para o aumento exponencial do número de casos, os especialistas apontam a subdiagnosticação da doença, que só recentemente foi completamente reconhecida, registando-se apenas agora a rectificação do problema. Por outro lado, este súbito reconhecimento da doença pode ser também um problema, pois os diagnósticos que estão agora a ser feitos podem ser exagerados. No entanto, os investigadores reclamam que"sem testes independentes dos diagnósticos sistemáticos, não conseguimos escolher com confiança uma destas hipóteses".

Na maioria dos casos os pacientes são medicados com fármacos psicotrópicos, como estabilizadores de humor, antipsicóticos e antidepressivos. Mas os cientistas têm duvidas sobre os benefícios deste tipo de medicamentos e alertam que "é urgente" avaliar a eficácia e segurança destas drogas.

Inês de Matos

Fonte: Jornal de Noticias

Vacina contra a gastroenterite infantil demonstra eficácia de quase 100 por cento

A eficácia da vacina contra o vírus que provoca a gastroenterite pediátrica é de quase 100 por cento, pelos menos os resultados obtidos ao longo dos dois anos posteriores à sua administração revelaram-se muito positivos, tal como foi adiantado no 25º Congresso Internacional de Pediatria, em Atenas.

A avaliação dos resultados esteve a cabo de um estudo europeu sobre a eficácia de rotavirus e testes de segurança (REST), que concluiu que a vacina oral pentavalente contra o rotavírus é eficaz em 98 por cento dos casos, prevenindo a evolução para estados mais graves da doença, nas duas estações após a vacinação.

Na análise foram avaliados mais de trinta mil lactentes europeus e verificou-se que a administração da vacina proporcionou a diminuição de 95 por cento das hospitalizações e consultas de urgência, diminuindo ainda em 87 por cento as consultas médicas.

Devido ao excelente desempenho da vacina e à sua eficácia e segurança, a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) anunciou, no início de Agosto, a sua intenção de emitir em breve recomendações sobre o uso da vacina. Fernanda Rodrigues, da secção de Infecciologia Pediátrica da SPP, admite que estas vacinas “são eficazes”, ainda que os tipos de rotavírus em circulação tenham uma variação local e temporal, adiantando ainda que “estão já programados estudos epidemiológicos a nível nacional que permitam avaliar a situação no país e monitorizar a eficácia da vacina".

"O rotavírus é o agente causal mais frequentemente implicado e as gastroenterites agudas provocadas por este vírus têm um importante impacto nos sistemas de saúde e nas famílias. Em 2006 foram aprovadas para utilização duas vacinas contra este vírus, eficazes e seguras para os tipos de rotavírus mais frequentemente encontrados", defende Fernanda Rodrigues.

Para a pediatra Filipa Prata, do Hospital de Santa Maria (Lisboa), a questão que se põe agora prende-se com a relação custo/beneficio da vacina, “para que as comissões técnicas possam avaliar a sua possível integração no Plano Nacional de Vacinação". Todavia, para a pediatra esta não é uma prioridade, pois existem “outras vacinas importantes como a vacina pneumocócica conjugada (mais conhecida pelo nome comercial Prevenar para evitar septicemia, meningite ou pneumonia bacteriemica) ou a indicada para o Papilomavírus Humano (que provoca o cancro do colo do útero)".

O que se torna imperativo é pois que os pais tenham consciência que “a gastroentrite pediátrica existe, que há uma vacina eficaz e que é a única medida através da qual se pode diminuir a morbilidade associada à doença", considera Filipa Prata.

A vacina contra o rotavírus deve ser administrada até às 26 semanas, registando-se a incidência da gastroenterite abaixo dos cinco anos, mas o seu pico regista-se entre os seis e os 24 meses. Em Portugal, estão disponíveis duas vacinas cujo custo varia entre os 160 (duas doses) e os 170 euros (três doses).

A infecção, cujos principais sintomas são diarreia aquosa, vómitos, febre e dor abdominal, provoca cerca de meio milhão de mortes todos os anos em crianças com menos de cinco anos.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

AVC: Bayer estuda benefícios de toma diária de aspirina

Os benefícios da Aspirina na redução do primeiro episódio cardiovascular e de acidente vascular cerebral (AVC) estão a ser alvo de um ensaio clínico recentemente iniciado pela farmacêutica alemã Bayer. O estudo, que envolve 12 mil pacientes, prolongando-se por cinco anos, foi anunciado durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Viena, Áustria.

A investigação está a ser levada a cabo em cinco países - Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos da América (EUA) - e pretende analisar os efeitos da ingestão de uma dose diária de aspirina na redução da ocorrência de ataques cardíacos em fase inicial, fatais e não fatais, e de AVC em pacientes em risco moderado.

“Esperamos expandir significativamente o já consistente conjunto de provas que sustentam a utilização da aspirina na prevenção primária de episódios cardiovasculares – desta vez numa população de indivíduos com risco moderado”, afirmou Michael Gaziano, do “Brigham and Women's Hospital”, em Boston, nos EUA, e presidente do comité que fiscaliza o estudo.

O facto de este ser um dos maiores ensaios clínicos a avaliar os efeitos da aspirina na prevenção de episódios cardiovasculares faz com que “o recrutamento dos doentes apropriados em diversos países” seja um dos ingredientes essenciais de sucesso para a investigação, salienta a farmacêutica responsável.

Os dados da Organização Mundial de saúde são conta de números alarmantes no que toca às doenças do coração e aos AVC, identificando-os como as principais causas de morte a nível mundial, responsáveis por 17,5 milhões, ou 30 por cento, das mortes anuais. Para além disso, “os encargos financeiros associados são enormes”, afirma a Bayer, dado que só a União Europeia gastou, em 2006, 169 mil milhões de euros em despesas anuais associadas às doenças cardiovasculares.

Marta Bilro

Fonte: Pharma Times.

AstraZeneca vai ter Unidade de Farmacologia Clínica na China

A AstraZeneca prepara-se para estabelecer uma parceria estratégica com o 3rd Hospital da Universidade de Pequim. A manobra vai permitir à farmacêutica criar a sua primeira Unidade de Farmacologia Clínica na China.

O novo projecto dá ao laboratório a possibilidade de aumentar as capacidades de investigação clínica no local e acelerar o acesso a novos medicamentos que possam beneficiar os pacientes chineses. A unidade deverá centrar-se na realização de ensaios clínicos de Fase I, incluindo a análise das evoluções ao nível da farmacologia clínica e da segurança, passos essenciais para o lançamento de um novo medicamento no mercado chinês.

Segundo os termos do acordo, a AstraZeneca vai proporcionar formação de pessoal em auditoria de sistemas e serviços de consultadoria aos profissionais do 3rd Hospital da Universidade de Pequim. Para além disso, a empresa deverá também investir na actualização das instalações, alterações necessárias para a investigação clínica de fármacos destinados ao tratamento de infecções, da diabetes e doenças cardiovasculares.

Esta parceria vai permitir à AstraZeneca expandir a capacidade de investigação ao nível dos ensaios clínicos de primeira fase para as empresas locais de farmacologia clínica, proporcionando à China a oportunidade de desenvolver o sector da investigação e desenvolvimento através do contacto directo e da troca de experiências entre profissionais.

Marta Bilro

Fonte: Market Watch.

Atriance aprovado na Europa

O Atriance (solução de nelarabina para infusão) recebeu aprovação por parte da Comissão Europeia (CE) para o tratamento de pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda de células T (LLA-T) e Linfoma Linfoblástico das células T (LBL-T), nos casos em que os pacientes não responderam ao tratamento de, pelo menos, dois regimes de quimioterapia, ou que tenham tido uma recaída após esses tratamentos.

Como tinha sido noticiado no farmacia.com.pt, no dia 27 de Junho, a EMEA já tinha emitido uma opinião positiva relativamente ao Atriance. A aprovação deste fármaco da GlaxoSmithKline baseou-se nos dados de dois ensaios fundamentais de Fase II. Num dos estudos, seis pessoas de um subgrupo de 28 pacientes adultos, com recaída ou persistência das doenças, apresentaram uma resposta completa com ou sem restauração dos níveis normais de células do sangue, enquanto que um recebeu um transplante de células estaminais.

Esta aprovação por parte da CE tem como resultado uma autorização de comercialização única com rotulagem unificada que é imediatamente válida em todos os 27 Estados-Membros, bem como licenças nacionais idênticas normalmente emitidas na Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Segundo o Professor Dieter Hoelzer, da Universidade J.W.Goethe, na Alemanha, esta é uma aprovação importante e significativa para os pacientes afectados e para os seus médicos em toda a Europa. A nelarabina pode oferecer uma oportunidade valiosa para pacientes com poucas opções, para avançarem para um tratamento potencialmente curativo. Muitas terapias que são actualmente utilizadas são combinações de fármacos citotóxicos que têm uma elevada taxa de toxicidade. A nelarabina administrada sem ser conjugada com outros fármacos tem demonstrado ser activa e com um perfil previsível de efeitos secundários, e a forma como é administrada permite a alguns pacientes voltar a casa entre os ciclos de tratamento.

Isabel Marques

Fontes: PMFarma, www.gsk.com

Schering-Plough adquire licença de fármaco experimental de acadesina

Fármaco destina-se à prevenção das complicações associadas à cirurgia cardíaca

A Schering-Plough adquiriu a licença mundial de desenvolvimento e comercialização relativa à acadesina, um agente regulador da adenosina (ARA), um novo princípio activo da propriedade da PeriCor Therapeutics. Contudo, os valores envolvidos na transacção não foram revelados.

Actualmente, a acadesina está a ser investigada em ensaios clínicos de Fase III como uma infusão intravenosa, para a prevenção de resultados cardiovasculares e cerebrovasculares adversos que possam ocorrer como complicações associadas a isquemia/reperfusão, em pacientes submetidos a uma cirurgia de derivação coronária (bypass coronário) de tipo cardiopulmonar. Esta grave complicação põe em risco a vida dos pacientes submetidos a este tipo de intervenção cirúrgica, não existindo ainda um tratamento.

Ainda que esta técnica tenha melhorado, tendo-se assim reduzido a morbilidade e mortalidade associadas, as complicações que advêm deste procedimento, como a isquemia por derrame, são ainda muito elevadas. Segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Cardíaca, nos 30 dias após a intervenção existe um risco de 13,4 por cento de apresentar complicações mais graves e inclusive risco de morte.

A acadesina tem sido estudada em ensaios controlados por placebo que incluíram mais de 4 000 pacientes. A Schering-Plough irá conduzir ainda outro ensaio de Fase III, randomizado e controlado por placebo, uma vez que é necessário para obter aprovação. Um agente como a acadesina, que demonstrou reduzir as complicações cirúrgicas como AVC, falha cardíaca e morte, que podem surgir na cirurgia coronária, irá representar uma grande contribuição para o bem-estar dos pacientes, assim como também ajudará a reduzir os custos em cuidados de saúde.

Isabel Marques

Fontes: PMFarma, www.pericortherapeutics.com

Xoma concede licença de tecnologia de anticorpos à Pfizer

A Xoma Ltd., farmacêutica norte-americana, concedeu à Pfizer os direitos mundiais não exclusivos da sua tecnologia patenteada de expressão da célula bacteriana para expressão de fagos (phage display, em inglês) e para a investigação, desenvolvimento e fabrico de outros produtos de anticorpos.

Segundo os termos do acordo, a Xoma irá receber um pagamento adiantado por inteiro, de 30 milhões de dólares em dinheiro, e outros pagamentos relativos a regalias, e ainda quando forem atingidos objectivos decorrentes das vendas de todos os produtos envolvidos neste acordo, incluindo os produtos que estão actualmente nas fases finais de desenvolvimento clínico. A tecnologia de expressão da célula bacteriana é utilizada para descobrir e monitorar, assim como para desenvolver e fabricar, anticorpos recombinantes para uso comercial.

Isabel Marques

Fontes: PMFarma, www.xoma.com
Novo medicamento disponível no mercado nacional
Suboxone bloqueia efeito da heroína


Já se encontra disponível no mercado farmacêutico português, e pode ser administrado em adultos e crianças com mais de 15 anos de idade, no tratamento da dependência da heroína. O Suboxone, medicamento que tem como princípios activos a buprenorfina e a naloxona, recebeu do Infarmed a comparticipação no escalão C (37 por cento), e revela como maior benefício face às alternativas terapêuticas para aqueles doentes o facto de permitir uma maior autonomia no tratamento, que pode ser feito em casa, de forma a dar aos pacientes um elevado grau de reintegração social e laboral.

Como a metadona, também o Suboxone age como substituto de heroína, uma vez que combina a buprenorfina, um agonista opiáceo, com a naxolona, um antagonista opiáceo ministrado em caso de sobredosagem, mas apresenta como principal vantagem o facto de não obrigar o doente a deslocar-se a ao consultório médico ou centro de atendimento de toxicodependentes para fazer a sua administração. A buprenorfina era utilizada como terapia de substituição em regime de monoterapia, sob a designação de Subutex. Serve de alternativa à metadona, visto que permite uma desabituação mais fácil. Depois de ter sido positivamente avaliado pela Agência Europeia do Medicamento (EMEA) e de agora ter recebido o escalão C de comparticipação do Infarmed, o Suboxone deverá ser posto à venda em Portugal em finais deste mês ou meados do próximo, segundo informações entretanto avançadas ao jornal «Correio da Manhã» por Ana Nogueira, que representa o laboratório que comercializa o produto.
No nosso país a heroína surge ainda como a principal droga de consumo nos chamados contextos problemáticos, e entre 2005 e a actualidade, segundo números do Instituto da Droga e da Toxicodependência, aquela era a substância aditiva referida como consumo principal por 54 a 87 por cento dos utentes dos centros de reabilitação portugueses. Em declarações ao jornal o director do Centro de Acompanhamento de Toxicodependentes das Taipas, Luís Patrício, explicou que “a vantagem deste novo medicamento reside na impossibilidade de utilização indevida por via endovenosa, ao contrário da buprenorfina por si só”, acrescentando que na Finlândia, o único país europeu onde o Suboxone já foi testado, os médicos “não observaram diferenças ao nível de privação entre o fármaco e o anterior Subutex”. Ana Nogueira contrapõe, frisando que “a naloxona não é absorvida por via sublingual, e por isso não faz efeito. No entanto, segundo frisa a especialista, se os comprimidos forem injectados “produzem uma sensação de privação ou de ressaca, dissuadindo o uso indevido”.
No «Relatório europeu de avaliação público», a que o farmacia.com.pt teve acesso, os peritos do Comité dos Medicamentos de Uso Humano da EMEA dão conta de uma série de conclusões resultantes de estudos realizados com o novo fármaco, e explicam o que é, para que serve, que finalidade tem, como se usa, como foi estudado e por que razão foi aprovado. Assim, escrevem os especialistas, Suboxone é um novo medicamento que diz respeito a Comprimidos sublinguais brancos e hexagonais, contêm duas substâncias activas – buprenorfina e naloxona – e estão disponíveis em duas versões diferentes, de acordo com as dosagens: 2mg de buprenorfina e 0,5mg de naloxona ou 8mg da primeira e 2mg da segunda. Deverá ser utilizado por toxicodependentes que tenham concordado em submeter-se a tratamento com substitutos dos opiáceos que normalmente usam, de que se destacam a heroína e a morfina.
Indissociável da obrigatoriedade de apresentação de uma receita médica especial, a administração do Suboxone só está prevista em adultos e crianças de idade superior a 15 anos, e deverá ter lugar sempre sob a supervisão de um médico com experiência no tratamento de opiáceos, refere a EMEA. Os efeitos de medicamento foram testados em modelos experimentais, antes de serem usados em seres humanos, demonstrando que tem efeitos mais eficazes do que um placebo. Como riscos secundários eventuais, há a destacar insónias, obstipação, náuseas, suores, dores de cabeça e síndrome de abstinência. O Suboxone não deve também ser utilizado em pessoas que possam ser hipersensíveis à buprenorfina, à naloxona ou a qualquer outro dos outros componentes, nem em portadores de formas graves de insuficiência pulmonar ou hepática, intoxicação aguda pelo álcool ou delirium tremens provocado pela abstinência.

Carla Teixeira
Fonte: e-mail do Farmácia Press, «Correio da Manhã», «Relatório europeu de avaliação público» da EMEA

Economia e saúde em debate na Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, recebe, entre os dias 22 e 24 de Novembro, a 10ª Conferência Nacional da Associação Portuguesa de Economia da Saúde (APES). O evento insere-se na comemoração do vigésimo aniversário da associação e pretende proporcionar um fórum de debate sobre os temas mais actuais em economia, gestão e política da saúde.

De acordo com a organização, esta é uma oportunidade para confirmar o caminho percorrido pela Economia da saúde em Portugal durante os 20 anos que decorreram desde que foi fundada a APES. Pretende-se também dar a conhecer o trabalho de investigadores portugueses e estrangeiros no campo da análise económica dos sistemas de saúde e discutir assuntos que interessam a todos os profissionais do sector da saúde, académicos e sociedade em geral.

A conferência está aberta a todos os temas no âmbito da disciplina de Economia da Saúde, onde se incluem os estudos teóricos, aplicados ou casos que possam interessar a profissionais e académicos dentro ou fora do sector da saúde. A APES quer fomentar a partilha de ideias, experiências e resultados de investigação não apenas entre a comunidade de economistas da saúde mas também entre todos os que são responsáveis pelo desenvolvimento, articulação e implementação das políticas em saúde.

Entre os conferencistas estão Robert Evans, professor catedrático no Departamento de Economia da University of British Columbia e um dos mais reputados economistas da saúde a nível mundial; Michael Drummond, professor catedrático de Economia da Saúde e ex-director do Centre for Health Economics da Universidade de York; e Patricia Danzon, professora catedrática na Wharton School of Management, na Universidade da Pensilvânia, internacionalmente reconhecida nos domínios da prestação de cuidados de saúde, indústria farmacêutica, seguros e negligência médica.

O programa da conferência, bem como todos os detalhes sobre a participação no evento e o boletim de inscrição podem ser obtidos em www.es2007.org.

Marta Bilro

Fonte: Jasfarma, Associação Portuguesa de Economia da Saúde.

Taxotere benéfico no tratamento do cancro do pulmão de não pequenas células

O Taxotere (docetaxel) demonstrou eficácia enquanto tratamento de primeira linha do cancro do pulmão de não pequenas células em sete ensaios clínicos. De acordo com a Sanofi-Aventis, o medicamento melhorou significativamente as taxas globais de sobrevivência, relativamente aos tratamentos existentes.

Os dados da meta-análise, que envolveu a observação de dados individuais de pacientes, incluindo 2.867 doentes de sete ensaios clínicos, foram apresentados durante a 12º Conferência Mundial de Cancro do Pulmão, em Seul, na Coreia do Sul.

O Taxotere, um citotóxico que interfere com a tubulina, é o quarto medicamento mais bem sucedido do grupo francês. O medicamento encontra-se actualmente disponível no mercado europeu e norte-americano para o tratamento de diversos tipos de cancro, incluindo o cancro da mama, pulmão, próstata e cancro gástrico.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money, Pharma Times, Reuters, Infarmed.

UE aprova Arixtra no tratamento da síndrome coronária aguda

A Agência Europeia do Medicamento (EMEA) aprovou a utilização do anticoagulante Arixtra (Fondaparinux sódico), da GlaxoSmithKline, destinado ao tratamento da síndrome coronária aguda (SCA).

O medicamento era já utilizado na prevenção e tratamento de outro tipo de coágulos. A nova aprovação inclui a aplicação do fármaco no tratamento de dores no peito e em determinadas situações de ataque cardíaco.

A decisão da entidade reguladora europeia surge menos de três meses depois de ter sido emitido um parecer positivo por parte do Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da EMEA para a utilização do Arixtra no tratamento da SCA.

De acordo com a farmcêutica britânica, durante os ensaios clínicos, o Arixtra demonstrou eficácia semelhante à do Lovenox (Enoxaparina sódica) produzido pela Sanofi-Aventis, quando administrado a pessoas com dores no peito instáveis e determinado tipo de ataques cardíacos, tendo sido associado a uma diminuição do risco de hemorragia e morte. Noutros casos, o fármaco apresentou uma eficácia superior ao tratamento habitual (heparina não fraccionada ou placebo) sem aumentar o risco de hemorragia.

As vendas do Arixtra renderam à GlaxoSmithkline perto de 86 milhões de euros em 2006. O Lovenox garantiu à Sanofi-Aventis vendas no valor de 2,4 mil milhões de euros.

O Arixtra está também a ser avaliado pela Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos para o tratamento da SCA, porém ainda não foi proferida uma decisão final.

Marta Bilro

Fonte: Market Watch, Farmacia.com.pt.

Suboxone disponível no mercado português

Novo tratamento para heroinómanos recebe comparticipação no escalão C

Está disponível em Portugal a partir desta quarta-feira (5 de Setembro) um novo fármaco destinado a combater a dependência de heroína. O Suboxone, que obteve comparticipação no escalão C por parte da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), tem como princípios activos a buprenorfina que, tal como a metadona, faz de substituto, e a naloxona, que pretende impedir o consumo incorrecto por via intravenosa.

O novo tratamento para heroinómanos é especialmente benéfico por permitir ao doente uma maior autonomia, uma vez que pode ser tomado em casa, contribuindo para a reintegração social e laboral do indivíduo, contrariamente à metadona, que obrigava a uma deslocação diária ao Centro de Atendimento de Toxicodependentes.

Aprovado em Maio pela União Europeia, o Suboxone aguardava apenas comparticipação financeira do Infarmed que decide agora incluí-lo no escalão C, o que, de acordo com o Artigo 150.º da alteração ao Decreto-Lei n.º 118/92, de 25 de Junho, confere ao medicamento uma comparticipação do Estado de 37 por cento do preço de venda ao público.

O fármaco destina-se aos adultos e adolescentes portugueses, com mais de 15 anos de idade, que tenham concordado ser submetidos a tratamento da toxicodependência como substituição dos opiáceos que normalmente utilizam. Para além disso, é necessário que estejam também a receber apoio médico, social e psicológico.

A buprenorfina, um agonista/antagonista parcial opiáceo inibe a actuação da heroína, fazendo com que o doente deixe de ter necessidade de a consumir, já que esta não produz o efeito de euforia pretendido porque foi bloqueada pelo medicamento. Desta forma são evitados os sintomas de ressaca e a necessidade de consumo de heroína. Por sua vez, a naloxona, um antagonista dos receptores μ (mu)-opiáceos, administrada por via intravenosa a indivíduos com dependência de opiáceos induz efeitos antagonistas dos opiáceos marcados e abstinência dos opiáceos, impedindo desta forma o consumo incorrecto por via intravenosa.

O medicamento representa uma alternativa no tratamento dos cerca de um milhão de dependentes de opiáceos existentes nos países europeus, dos quais 70 por cento não recebem terapia. Os dados do Instituto da Droga e da Toxicodependência indicam que, em Portugal, entre os utentes que em 2005 recorreram às diferentes estruturas de tratamento da toxicodependência, a heroína continua a ser a substância mais referida como droga principal, entre 54 e 87 por cento.

Marta Bilro

Fonte: E-mail do farmácia-press, Farmacia.com.pt, Diário da República - Lei n.º 53-A/2006 de 29 de Dezembro.

Tratamento da dor oncológica: Médicos evitam opióides

A utilização de analgésicos opióides pode estar a ser negligenciada em situações em que poderia beneficiar o tratamento de alguns doentes oncológicos. O problema, que está a preocupar os especialistas em Espanha, ocorre devido ao facto de muitos doentes com cancro não serem tratados por especialistas do ramo, que optam maioritariamente pela administração de medicamentos menos invasivos.

De acordo com a presidente da Fundação Internacional da Dor, María Isabel Eraso, “50 por cento dos pacientes com cancro em estado inicial não recebe o tratamento para a dor através de um médico da especialidade”. Esta situação pode pôr em risco a eficácia do tratamento, afirma a responsável, lamentando o facto dos “não especialistas preferirem prescrever medicamentos mais suaves”.

Citado pelo “Correo Farmacéutico”, Alfredo Carrato, presidente da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), considera que os opióides são “os fármacos mais eficazes na luta contra a dor”. Esta é uma opinião que vai ao encontro da de José María Muñoz, chefe da unidade de dor do Hospital de la Paz, em Madrid, para quem estes fármacos são “fundamentais” no alívio da dor. Ainda assim, não são devidamente administrados, especialmente nos cuidados primários.

As razões apontadas pelos especialistas são de diversas ordens. Se nalguns casos a culpa é atribuída ao desconhecimento dos profissionais de cuidados de saúde, há situações em que reinam as crenças erradas relacionadas com a possível toxicidade dos referidos medicamentos, a sua capacidade para causar dependência ou a utilização para fins ilegais. Porém, a burocracia que envolve a utilização destas substâncias é consensualmente o principal motivo mencionado pelo conjunto de especialistas inquiridos pela publicação espanhola.

Conforme explica Eraso, o processo de prescrição de opiáceos ou morfina no país vizinho envolve várias etapas, sendo necessárias receitas especiais, obtidas através de um colégio de médicos e mediante a apresentação do cartão do doente. Durante a consulta, é preciso indicar rigorosamente o paciente ao qual se administram, a quantidade, o motivo, a data e devolver essas informações ao colégio de médicos. Embora estes motivos possam parecer insuficientes para evitar a prescrição destas substâncias, a verdade é que se tornam incómodos para os profissionais não especializados que não estão habituados a lidar com este tipo de receituário.

Por outro lado, a desconfiança de alguns pacientes face a estas substâncias é também um dos motivos que leva à escassa utilização das mesmas. Os doentes, alimentados por “mitos e presunções erróneas”, acreditam que o uso destas substâncias os tornará dependentes para toda a vida, acrescenta Antonio Matas, responsável pelo departamento de publicações do Cadime. O limite e a determinação da dose correcta são definidos através do equilíbrio entre a eficácia e a segurança, “se conseguirmos esse equilíbrio, as doses elevadas não têm que ser motivo de preocupação”, defende José María Muñoz.

O caso português

Em Portugal, o técnico de saúde tem-se “tornado involuntariamente num dos primeiros obstáculos ou barreiras ao tratamento da dor oncológica”, principalmente devido à falta de formação, refere um documento do primeiro P.A.I.N. (Pain Associates International Network) workshop realizado em território nacional, em 2004, sob o tema “Barreiras ao adequado tratamento da Dor Oncológica em Portugal”. No entanto, este não é o maior problema, que reside no facto do tratamento da dor “não constituir prioridade e standard de cuidados”, uma vez que “a legislação inadequada tem contribuído para a falta de acessibilidade”, encarregando-se de “manter o ciclo”, sublinha o mesmo documento.

O relatório aponta cinco grupos de barreiras que se colocam tanto por parte do doente como do profissional de saúde: mitos (dor, doença, tratamento, fármacos), falta de acessibilidade (aos prestadores e à medicação), falta de formação profissional (pré e pós-graduada) e falta de informação (doente e comunidade), défice de comunicação (entre as estruturas, entre os profissionais, com os doentes) e constrangimentos estruturais (escassez de recursos humanos, económicos e outros).

A esta situação acresce o facto de, na maioria dos países comunitários os medicamentos para a doença crónica, onde se inclui a doença e a dor oncológica serem comparticipados a 100 por cento pelo Estado (incluem-se os analgésicos opióides), “enquanto que em Portugal, e à luz da legislação vigente, o doente de ambulatório tem que suportar um encargo financeiro de pelo menos 45 por cento, da sua medicação antiálgica”.

Marta Bilro

Fonte: Correo Farmacêutico, P.A.I.N. 1 PORTUGAL: Dor oncológica, Fundação Günenthal.

Bayer lança website informativo para terminais móveis
Notícias farmacêuticas de bolso


A companhia farmacêutica alemã Bayer acaba de anunciar o lançamento de um website destinado a difundir notícias relativas à própria empresa e ao sector dos medicamentos em terminais móveis como telefones celulares, blackberries, PDA, palmtops e smartphones. A nova ferramenta está disponível em alemão e inglês, nos endereços online www.mobil.bayer.de e www.mobile.bayer.com.

É a mais recente tecnologia colocada ao serviço dos que têm de estar sempre a par das inovações num mercado tão competitivo como o do medicamento. Nesta nova versão do site serão disponibilizados novos lançamentos da marca alemã e divulgados os press releases e demais informação geral que possa ser útil, quer sobre a movimentação em bolsa das acções da companhia, quer no que respeita a outros dados sobre o grupo farmacêutico com sede na cidade de Leverkusen. A página online está centrada especificamente nos meios de Comunicação Social e nos analistas do sector, mas poderá ser alargado a qualquer curioso que queira saber mais sobre a Bayer.

Carla Teixeira
Fonte: Baynews

Problemas mentais afectam 2,3 milhões de portugueses

Em Portugal, existem 2,3 milhões de pessoas com problemas psicológicos, quase 28 por cento da população, de acordo com os resultados do último inquérito nacional de saúde. No entanto, os especialistas alertam para a necessidade de se fazer uma distinção entre problemas psicológicos e situações de foro psiquiátrico, pois só assim será possível compreender a realidade.

Francisco George, director-geral da Saúde considera que, de facto “os problemas de saúde mental assumem proporções epidémicas”, relembrando as estimativas da Direcção-Geral da Saúde, que apontam para “que cerca de 20 por cento dos frequentadores dos centros de saúde tenham um problema de foro mental”. Contudo, na opinião do médico, é preciso diferenciar esses casos “das situações de foro psiquiátrico mais graves”.

Numa visão à escala global, cerca de 30 por cento da população mundial sofre de uma doença mental, refere um relatório, que contou com a contribuição de 39 especialistas internacionais e que deverá ser publicado pela revista ‘The Lancet’.

António Leuschner, director do Hospital Magalhães Lemos, no Porto, corrobora a opinião de George e revela que em 2008 talvez seja possível obter um retrato fiel da realidade, pois está já a ser realizado um inquérito exaustivo em Portugal sobre saúde mental. Quanto aos números avançados pelo estudo internacional, Leuschner não se mostra preocupado, pois considera que são apenas “projecções de estudos feitos numa escala menor que depois são aplicados a Portugal”.

O artigo que a 'The Lancet' vai publicar chama também a atenção para a falta de tratamento destas doenças, que nos países em desenvolvimento se aproxima dos 90 por cento, o que não espanta António Leuschner, pois só com um maior “acesso e um número de serviços de saúde mental” mais alargado, será possível inverter a tendência registada.

Inês de Matos

Fonte: Correio da Manhã

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Kits do programa de troca de seringas vão ter dois novos utensílios

Na próxima sexta-feira, serão apresentados em Lisboa os novos kits do programa de troca de seringas que passam a contar com mais dois utensílios: recipientes e carteiras de ácido cítrico, que quando partilhados podem transmitir doenças como o VIH/sida ou a hepatite C.

Até agora os kits eram compostos por duas seringas, dois toalhetes, desinfectantes com álcool, um preservativo, uma ampola de água bidestilada, um filtro e um folheto informativo. No entanto, as recomendações da Organização Mundial de Saúde apontavam há já alguns anos, para a necessidade de introduzir novos utensílios nos kits, tal como revelou um estudo piloto realizado em 2004 em Lisboa, Porto e Algarve, que considerou "indispensável" o seu fornecimento.

O programa de troca de seringas encontra-se em funcionamento desde 1993 e no final do ano passado faziam parte deste programa 1.341 farmácias e 35 entidades governamentais e não governamentais que levam para o terreno os kits aos utilizadores de droga. Desde a sua criação até Dezembro do ano passado, foram já recolhidas mais de 38 milhões de seringas.

Em 2002, a Associação Nacional de Farmácias apresentou uma estimativa acerca das vantagens do programa, segundo a qual a troca de seringas evita sete mil novos casos de sida por cada 10 mil utilizadores de drogas injectáveis, o que permitiu ao Estado poupar entre 400 a 1.700 milhões de euros, desde o lançamento do programa.

Inês de Matos

Fonte: Lusa e Sol

Jovens diabéticos à conquista do monte Toubkal

A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP) convidou 25 jovens diabéticos portugueses a subir a montanha mais alta do norte de África, o monte Toubkal. O projecto, que conta com o apoio do prestigiado alpinista português João Garcia, foi hoje apresentado e tem como principal objectivo alertar a população para a diabetes, que é já a quarta causa de morte nos países desenvolvidos.

Segundo Paulo Madureira, jovem diabético e presidente da AJDP, “o principal objectivo desta iniciativa é alertar contra o sedentarismo (uma das principais causas da diabetes do tipo 2), promovendo também a prática de exercício físico como forma de ter uma vida mais saudável e evitar eventuais complicações na saúde que muitas vezes surgem devido a uma má gestão da saúde”.

A montanha Toubkal tem mais de quatro mil metros de altura e encontra-se situada em território marroquino. A iniciativa reúne um total de 35 pessoas, 25 jovens portadores de diabetes do tipo 1 e tipo 2 e ainda dez profissionais de saúde.

O projecto da AJDP será oficialmente apresentado no próximo dia 10, pelas 16 horas, no Hotel Altis, em Lisboa, onde estará também presente João Garcia, padrinho da iniciativa.

A diabetes afecta 194 milhões pessoas em todo o mundo e em Portugal estima-se que o número de doentes se situe na ordem das 650 mil pessoas.

Inês de Matos

Fonte: Associação de Jovens Diabéticos de Portugal

Farmacêuticas indianas apostam no mercado dermatológico dos EUA

O sector dos produtos cosméticos norte-americanos está a despertar o interesse da indústria farmacêutica indiana que procura consolidar a sua presença num mercado em célere desenvolvimento. Recentemente, a Ranbaxy, adquiriu os direitos de comercialização de 13 produtos dermatológicos da Bristol-Myers Squibb naquele mercado. Agora, a Sun Pharma tem planos para comprar a Taro Pharma, empresa israelita líder no fornecimento de medicamentos dermatológicos tropicais nos Estados Unidos da América (EUA).

Porém, estas não são as únicas movimentações no ramo. De acordo com o “The Economic Times”, o laboratório Dr Reddy terá feito uma proposta não vinculativa com vista à aquisição da Bradley Pharmaceuticals, empresa com uma forte presença no segmento dermatológico, possibilidade que, aliás, já tinha sido avançada pelo Farmacia.com.pt num artigo publicado no dia 28 de Agosto de 2007.

“O mercado dermatológico é um segmento em crescimento nos EUA” afirma o director executivo e director de operações da Ranbaxy, Atul Sobti citado pelo jornal indiano. Para além disso, os fármacos dermatológicos têm um amplo espectro terapêutico, “a competição é escassa, existem poucos dermatologistas e estes medicamentos fornecem uma boa margem”, acrescenta o responsável.

Esta é uma mais-valia da qual o director de operações financeiras da Dr Reddy, Saumen Chakrabarty, pretende retirar contrapartidas, até porque “quanto menor é o número de investidores no sector, menor é a competição”, afirma.

O mercado de produtos dermatológicos nos EUA está estimado em 7,3 mil milhões de euros, apresentando um crescimento anual de 10 por cento, um número que ganha ainda mais expressividade quando comparado com os 5 a 6 por cento de expansão anual do restante sector farmacêutico norte-americano. Muitos dos produtos cosméticos e para os cuidados da pele são de venda livre, uma ramificação do mercado também em ascensão.

O desenvolvimento de uma presença sólida neste segmento vai permitir que estas empresas ampliem o portfolio de produtos disponíveis no mercado norte-americano. No caso da Sun Pharma, uma possível aquisição da Taro permitir-lhe-á começar a investir no sector dermatológico norte-americano. Este não é o caso da Ranbaxy, que conta já com uma representação significativa no ramo dos produtos para a acne nos EUA, onde o Sotret Isotretinoin ocupa 36 por cento do share de mercado no segmento das Isotretinoínas.

Marta Bilro

Fonte: The Ecomonic Times, Infarmed, Farmacia.com.pt.

Portugueses utilizam pouco o preservativo

Dados do último INS indicam que apenas 14% escolhem este método contraceptivo

É preciso incentivar a utilização do preservativo, um método contraceptivo que, em Portugal, não tem ganho novos adeptos, defendem os especialistas. Apresar da implementação das aulas de educação sexual e dos avanços ao nível do planeamento familiar, a percentagem de utilizadores deste método de contracepção manteve-se, na última década, praticamente inalterada, rondando os escassos 14 por cento.

A taxa de utilização sofreu mesmo uma ligeira quebra nos últimos anos. De acordo com os dados do 4.º Inquérito Nacional de Saúde (INS) recentemente divulgados, a percentagem de utilizadores situa-se nos 13,4 por cento, quando no último inquérito à Fecundidade e Família, realizado em 1997, era de 14 por cento.

Ao contrário dos espanhóis, que elegem este método como favorito, em Portugal “não houve grandes avanços ao longo da última década”, admite Duarte Vilar, da Associação para o Planeamento da Família.

Em 2005 venderam-se em Portugal 16,1 milhões de preservativos, mais 2,48 por cento do que em 2004, um número ainda assim muito distante “dos 129,5 milhões de preservativos vendidos em Espanha para o mesmo período”, refere o jornal Público citando o último relatório de actividades da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida. O que se traduz num "consumo anual médio per capita de 3,1 em Espanha e 1,6 em Portugal".

Embora os dois estudos mencionados não sejam estritamente comparáveis, uma vez que o Inquérito de Saúde não exclui os casos de mulheres sem actividade sexual, grávidas ou inférteis, é explicito o facto da pílula continuar a ser o método contraceptivo de eleição em território nacional. A percentagem de utilizadoras deste método contraceptivo manteve-se quase inalterada, com 67 por cento em 1997, face aos 65,9 do último INS.

O preço parece ser uma das principais justificações para a exclusão do preservativo por parte de muitos portugueses admite Henrique Barros, responsável pela Coordenação Nacional para a InfecçãoVIH/Sida. Porém, o problema pode estar prestes a ser resolvido com a chegada, em 2008, dos preservativos de marcas brancas, cujo preço não deverá ultrapassar os 25 cêntimos, tal como foi noticiado pelo Farmacia.com.pt, no dia 1 de Agosto de 2007.

Para além dos riscos de uma gravidez indesejada é preciso ter em conta as DST salienta obstetra Miguel Oliveira e Silva. Um dos exemplos é a elevada taxa de cancro do colo do útero existente em Portugal, que acaba por ser um dos piores reflexos deste comportamento dos portugueses. Em declarações àquela publicação, o especialista defende que "em vez de colocarmos toda a ênfase na vacina contra esta doença, deveríamos investir em campanhas do uso do preservativo".

Marta Bilro

Fonte: Público, Farmacia.com.pt.

Novo composto da Eli Lilly benéfico no tratamento da esquizofrenia

Um novo fármaco experimental da Eli Lilly demonstrou resultados positivos no tratamento da esquizofrenia. O medicamento, que poderá vir a substituir o Zyprexa (olanzapina), utiliza um novo método de combate à doença que desencadeia menos efeitos secundários.

Contrariamente a outros medicamentos para o tratamento da esquizofrenia que actualmente se encontram no mercado, a nova substância não tem como alvo a dopamina. O LY2140023, designação atribuída ao fármaco, afecta o glutamato, um neurotransmissor excitatório responsável pela memória e aprendizagem.

Um ensaio clínico de fase II demonstrou que o medicamento é tão eficaz como o Zyprexa na redução de sintomas como as alucinações ou o afastamento social. Para além disso, o fármaco não deu origem a movimentos involuntários, rigidez muscular ou aumento de peso, efeitos adversos inerentes a tratamento habitual da doença.

De acordo com a empresa, este será o primeiro candidato a fármaco para o tratamento da esquizofrenia que interfere com os glutamatos. O Zyprexa, com vendas 3,2 mil milhões de euros em 2006, verá a patente expirar em 2011.

De acordo com Steven Paul, vice-presidente do departamento de ciência e tecnologia da Eli Lilly, são ainda necessários “estudos adicionais para confirmar e aprofundar esta descoberta”. No entanto, acrescenta, “os dados sugerem que [o medicamento] pode representar uma nova alternativa” para o tratamento desta patologia.

A descoberta poderá ajudar a farmacêutica norte-americana a fazer frente ao Risperdal Consta (risperidona), um medicamento injectável produzido pela Johnson & Johnson, que num estudo recente, demonstrou mais benefícios no tratamento da esquizofrenia do que o Zyprexa.

O novo composto da Eli Lilly vai ainda competir com o bifeprunox, um medicamento da Wyeth em fase experimental, que também não provoca aumento de peso. A aprovação do medicamento foi recentemente rejeitada pela Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) que o considerou ineficaz requisitando mais informações sobre a actuação do medicamento no metabolismo humano.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Bloomberg, Infarmed, Farmacia.com.pt.

Fomentar a comunicação médico/paciente diminui risco de doenças cardiovasculares

Comunicar com os doentes acerca dos riscos calculados da sua patologia e fornecer-lhes informações sobre as implicações desses mesmos riscos pode encorajá-los a alterarem os seus hábitos e estilos de vida de forma a reduzirem as hipóteses de doença cardiovascular. As conclusões são fruto de uma investigação patrocinada pela Pfizer e que envolveu mais de 1.000 doentes.

O estudo prospectivo, no qual foram analisados 1.100 pacientes de nove países europeus, demonstra que uma avaliação, implementada pelo médico e focada no paciente, acerca da evolução do risco de doença coronária, bem como a aplicação de um programa de comunicação, diminuíram significativamente o risco de doença cardiovascular em 11,7 por cento dos pacientes, comparativamente aos cuidados habituais.

O ensaio clínico distribuiu aleatoriamente os médicos em dois grupos. Utilizando um calculador de risco, os clínicos inseridos no grupo de comunicação forneceram aos pacientes informações sobre a avaliação do risco, esclareceram-nos acerca dos resultados e informaram-nos sobre estratégias de controlo dos riscos durante um período de seis meses. Por sua vez, os médicos no grupo de controlo não informaram os pacientes acerca dos riscos que correm, nem lhes forneceram uma avaliação do risco, sendo que os pacientes receberam os cuidados habituais. Durante o estudo, todos os doentes foram medicados de acordo com a avaliação clínica da sua situação feita pelo médico.

“Estes resultados sugerem que quando os médicos informam os pacientes acerca dos riscos cardiovasculares como parte da administração do tratamento para a doença, o risco de problemas cardiovasculares pode ser significativamente reduzido”, afirma o director médico da Pfizer, Jan Buch. No entanto, adverte o especialista, “a redução de 11,7 por cento não normaliza o risco do paciente, pelo que, são necessárias medidas adicionais para melhorar a terapia”.

Marta Bilro

Fonte: Market Watch.

Sector dos medicamentos genéricos tem nova empresa
Actavis formaliza actividade em Portugal


A companhia farmacêutica islandesa Actavis, uma das empresas de liderança mundial na área dos medicamentos genéricos, anunciou a aquisição do negócio da Alpharma e a formalização da sua presença em Portugal. O mercado nacional passa assim a contar com mais uma empresa de grande revelância à escala planetária.

Fundada em 1956 e consolidada entretanto como uma das cinco maiores empresas de desenvolvimento, produção e comercialização de fármacos sem marca mais importantes do mundo, a Actavis conta actualmente mais de 11 mil colaboradores, espalhados por unidades de laboração que se distribuem por quatro dezenas de países. Na sua página na internet a companhia farmacêutica garante disponibilizar “um dos maiores portfolios de medicamentos genéricos” e “uma grande variedade de produtos em desenvolvimento e processo de registo, de forma a oferecer aos seus clientes uma grande variedade de fármacos de qualidade”. No âmbito do seu estruturado plano de expansão, a aActavis já protagonizou mais de 20 aquisições desde 1999, perpetuando uma contínua tendência de forte crescimento. Em 2006 teve um volume de vendas de aproximadamente 1.4 mil milhões de euros, estimando para este ano atingir os 1.6 mil milhões.
É no âmbito desse programa de expansão que a Actavis chega finalmente a Portugal. A empresa tem como onjectivo criar valor no mercado farmacêutico nacional, quer para os seus colaboradores, mediante a oferta de projectos ambiciosos e novos desafios, e para os seus clientes e para os utentes dos seus produtos, disponibilizando medicamentos genéricos de qualidade. A aquisição dos negócios da Alpharma, cujos produtos passam agora a assumir o logotipo da Actavis, inscreve-se nessa estratégia de alargamento da marca, que passa a totalizar 38 medicamentos (30 dos quais genéricos em várias áreas terapêuticas e 21 apresentações de produtos OTC e dermocosméticos) no mercado luso da Farmácia.

Carla Teixeira
Fonte: Actavis, MediaHealth Portugal, Médicos de Portugal

Merck quer alargar aplicação do Erbitux

Farmacêutica submeteu um pedido de aprovação à EMEA

A Merck KGaA submeteu um pedido de aprovação à Agência Europeia do Medicamento para alargar as indicações de utilização do Erbitux (cetuximab). A farmacêutica alemã pretende que o medicamento seja aplicado enquanto terapia de primeira linha no tratamento do cancro colo-rectal metastático, revela a empresa num comunicado divulgado esta segunda-feira.

O medicamento, utilizado em Portugal desde 2004, é indicado no tratamento de doentes com cancro colo-rectal metastático em associação com irinotecano. “Caso seja aprovada, a utilização do Erbitux enquanto tratamento de primeira linha vai proporcionar uma maior esperança de cura para esses pacientes”, afirma o vice-presidente executivo do departamento de oncologia da Merck Serono, Wolfgang Wein.

A candidatura vai ser avaliada pelo Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) e, se receber parecer positivo, o fármaco pode começar a ser utilizado como terapia de primeira linha ainda no segundo semestre do ano, refere o mesmo documento.

As pretensões do laboratório são sustentadas pelo estudo Crystal que demonstrou que, quando associado à quimioterapia comum com irinotecano em primeira linha, o Erbitux aumenta significativamente a taxa de sobrevivência, resposta e reacção.

A Merck comprou à ImClone Systems os direitos do fármaco na Europa e noutros mercados chave.

Marta Bilro

Fonte: Merck, Reuters.

REPORTAGEM

Princípio incluído na lei para a liberalização das farmácias
Medicamentos na internet e ao domicílio


Começou a falar-se no assunto em Março, quando o Governo anunciou a sua intenção de, a breve trecho, proceder à liberalização do sector da farmácia, designadamente no que toca à propriedade e ao esquema de funcionamento daqueles estabelecimentos. No seguimento das primeiras medidas, que despojaram os farmacêuticos da exclusividade da venda de genéricos e medicamentos sem receita, o Executivo de José Sócrates está agora a preparar a venda de medicamentos na internet e ao domicílio. Há anos que a Associação Nacional de Farmácias tem em marcha o Farma 24...

De acordo com o que o farmacia.com.pt conseguiu apurar junto de diversas fontes do sector farmacêutico e da própria Associação Nacional de Farmácias, o serviço Farma 24 consiste exactamente na entrega de medicamentos ao domicílio e funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano. O doente pode accionar o serviço por telefone, directamente para a farmácia da sua zona de residência ou para o número nacional 808262728 (chamada local), e duas a três horas depois de feito o pedido recebe comodamente, em sua casa, os fármacos e produtos dermofarmacêuticos de que necessita, mediante pagamento de uma taxa. O Farma 24 está disponível desde 2004, inicialmente numa área geográfica muito limitada, mas que depois se foi expandido, devendo ascender actualmente a um número muito próximo das mil farmácias. No Norte, por exemplo, há já muitas farmácias aderentes ao projecto na zona do Grande Porto, que além da metrópole inclui concelhos como Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Póvoa do Varzim, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia.
Nas palavras dos responsáveis da ANF, o Farma 24 foi “concebido para dar apoio aos utentes e ajudá-los a ultrapassar eventuais dificuldades com a deslocação à farmácia”. O serviço assenta num bem desenvolvido esquema informático e reforça o contacto dos utentes com os farmacêuticos, sendo a coordenação das entregas processada através de um serviço próprio, especificamente criado para o efeito. O pagamento é realizado no momento da entrega da encomenda, podendo o utente optar por liquidação em dinheiro, cheque ou multibanco, uma vez que o operador estará sempre munido de um terminal de pagamento por aquela via. O Governo parece agora ter-se inspirado nesta medida da Associação Nacional de Farmácias para anunciar que, dentro de pouco tempo, todos os portugueses poderão optar por fazer as suas compras de farmácia ao domicílio ou, em alternativa, na cada vez mais presente internet.
À luz da nova lei da liberalização das farmácias, que deverá entrar em vigor no dia 30 de Outubro, por essa altura já deverá ser possível encomendar determinados produtos pela internet, desde que não se trate de medicamentos sujeitos a receita médica, alargando o âmbito da comercialização dos produtos que actualmente já são vendidos em farmácias, parafarmácias e supermercados. “É preciso garantir que os doentes terão a informação necessária para poderem comprar medicamentos sem apoio de um farmacêutico”, disse em Março, em declarações ao «Diário de Notícias», António Faria Vaz, administrador da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), salientando que “comprar medicamentos através da internet não é muito diferente de comprá-los no supermercado”. De acordo com aquele técnico, “se 40 por cento da população compra medicamentos no supermercado, por que não online?”.

Medidas polémicas
Com a entrada em vigor destas novas regras, Portugal deverá aproximar-se de países como o Reino Unido, a Alemanha, a Holanda e a Irlanda, onde já é possível comprar produtos farmacêuticos na internet, contrastando com Espanha e Bélgica, cada vez mais isoladas da “vertente farmacêutica europeia”. Também de acordo com a nova lei, deverá passar a ser possível nas farmácias a administração de vacinas e a prestação de outros serviços de saúde (que o diploma ainda não especifica), que se encontravam previstos já no chamado «Compromisso para a Saúde», que a tutela e a Associação Nacional de Farmácias assinaram há alguns meses, e que no seu ponto 13 refere que “as farmácias podem evoluir para unidades prestadoras de serviços farmacêuticos, para além da dispensa de medicamentos e, nessa medida, deve ser actualizado e ampliado o objecto da sua actividade”.
No mesmo ponto, um dos mais polémicos daquele acordo, lê-se ainda que, “para além da dispensa de medicamentos, passam a constituir objecto da actividade da farmácia os produtos e serviços seguintes: serviços farmacêuticos, designadamente domiciliários, em especial para apoio àterceira idade; produtos naturais; produtos veterinários; produtos de saúde e conforto; vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação da Direcção-Geral de Saúde, administração de medicamentos e primeiros socorros; meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica; campanhas de informação e programas de cuidados farmacêuticos”.
São vários entre os 28 pontos do «Compromisso para a Saúde» os que suscitaram viva polémica desde o momento em que foram enunciados, e que entroncou logo na alegada impossibilidade de os farmacêuticos realizarem exames complementares de diagnóstico e prestarem primeiros socorros. O ponto 13 é, no âmbito daquele protocolo, o que mais desagradou aos médicos, que solicitaram a intervenção do Provedor de Justiça, dando conta do que definiram como uma “colisão de competências profissionais”. Nascimento Rodrigues foi instado a apreciar o documento e a enviar a sua posição aos órgãos de soberania, com o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos a avisar que “meios complementares de diagnóstico podem ser muita coisa, desde uma análise laboratorial a uma radiografia”, frisando por esse motivo a necessidade de “que seja bem claro o que é possível realizar nas farmácias, por questões técnicas, e porque cada uma dessas práticas exige profissionais especializados, desde médicos a técnicos de diagnóstico e terapêutica, que não foram sequer ouvidos”, justificou José Pedro Moreira da Silva, asseverando que, nos moldes em que foi concebido, o «Compromisso para a Saúde» “é ilegal”.

Carla Teixeira
Fonte: «Diário Económico», Associação Nacional de Farmácias, «Compromisso para a Saúde», discurso do ministro da Saúde na apresentação da nova proposta de lei