quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Será que a homossexualidade está nos genes?

Esta é a questão a que um estudo, que se encontra a decorrer nos Estados Unidos, pretende responder e para isso estão a ser observados mil pares de irmãos homossexuais. O objectivo é encontrar genes que possam influenciar a orientação sexual dos participantes, a quem foram realizadas análises ao sangue e à saliva.

O estudo é financiado por fundos federais e conduzido por investigadores da zona de Chicago, mas só deverá estar concluído no próximo ano e não se espera que indique uma resposta final.

Alan Sanders, o psiquiatra responsável pelo estudo, adiantou que suspeita de que não existe um "gene gay", mas considera que ”se houver um gene que tenha uma contribuição assinalável”, a investigação em curso têm “uma bela hipótese de o encontrar”.

De acordo com Sanders, “é mais provável que existam vários genes que actuam reciprocamente com factores não genéticos, incluindo as influências psicológicas e sociais para determinar a orientação sexual”.

Investigações anteriores demonstraram que a orientação sexual tende a agrupar-se em famílias; contudo, nenhuma concluiu que a origem é genética.

Um estudo muito citado nos anos 90 mostra que se um de dois gémeos verdadeiros for homossexual, o outro tem 52 por cento de hipóteses de ser «gay». Em contrapartida, o resultado num par de irmãos não gémeos era de apenas nove por cento, percentagem que é ainda mais baixa noutro estudo que observou dois mil gémeos australianos monozigóticos.

Devido à subjectividade dos resultados alcançados em estudos anteriores, cujo objecto de estudo era também a questão genética da homossexualidade, os cépticos mostraram já a sua relutância, face aos métodos utilizados e a presumíveis resultados.

Inês de Matos

Fontes: Reuters, Jornal de Noticias, Lusa, Diário Digital

Cientista seguem a evolução do VIH desde o nascimento até à morte

Um grupo de investigadores norte-americanos seguiram a forma como o VIH evolui ao longo da vida de uma pessoa, e as descobertas podem abrir o caminho a novos fármacos que combatam o vírus no início da doença, antes que esta evolua e provoque a morte.

A equipa de cientistas da Universidade da Florida seguiu quarto crianças com VIH, recolhendo amostras de sangue à nascença, durante as suas vidas e logo após terem morrido, tendo nessa altura também recolhido amostras de tecidos. Os investigadores estão muito interessados em perceber como o vírus se transforma numa forma mais mortal, quando o VIH dá lugar à SIDA avançada. Esta equipa está entre os primeiros a seguir o vírus em pacientes humanos, uma vez que os estudos anteriores basearam-se em culturas de células ou experiências em animais.


Através da utilização de uma técnica computacional de alta resolução, a “phylodynamics”, os investigadores monitorizaram as mutações na proteína gp120, que ajuda o VIH a ligar-se às células humanas, e depois categorizaram o vírus em dois grupos, R5 e X4. A população de vírus R5 está normalmente presente em grande número durante as fases iniciais da infecção. Contudo, a população de vírus X4 aparece depois, mesmo antes do VIH dar lugar à SIDA. Os investigadores seguiram os vírus em cada paciente para descobrir quando e onde a população X4 aparece primeiro.

Segundo a principal autora da investigação, Dra. Maureen Goodenow, o dogma geral tem sido que os vírus X4 são mais patogénicos do que os vírus R5, se bem que na realidade isso não é verdade, pois as pessoas também morrem devido aos R5. Contudo, a Dra. Goodenow acrescentou que determinadas evoluções dos vírus X4 não são um bom indicador do prognóstico. Desta forma, se for possível perceber as pressões selectivas que levam os vírus a desenvolverem-se dessa maneira, e os passos envolvidos na conversão dos vírus, poderá ser possível preparar novos alvos para o desenvolvimento de fármacos.

Para que o vírus infecte uma célula humana, uma proteína envolvente na sua superfície, a gp120, tem de se ligar a uma proteína na superfície da célula, a CD4, e também aos receptores da quemoquina, CCR5 ou CXCR4. A Pfizer recentemente recebeu aprovação para o Selzentry/Celsentri (maraviroc), o primeiro fármaco no mundo a direccionar-se e bloquear o CCR5. A companhia decidiu apontar para este alvo, uma vez que a versão R5 do VIH é predominante na infecção inicial e crónica. O vírus X4, que utiliza o CXCR4 para entrar na célula, aparece mais tarde, em cerca de metade dos pacientes com VIH-1 subtipo B, e está associado com o começo da SIDA.


À medida que o estudo revelava novas informações acerca da evolução do VIH, os cientistas aperceberam-se que as alterações virais aconteciam no timo, um pequeno órgão localizado atrás do esterno que é responsável pelo desenvolvimento das células imunitárias.

A equipa descobriu que os vírus da última fase, os X4, estavam localizados predominantemente no timo, segundo revelou a Dra. Goodenow. Isto demonstra que o timo é o sítio onde estes vírus se desenvolvem ou, pelo menos, onde estão localizados e se reproduzem.

Para a Dra. Goodenow, está-se a começar a ver o que parece ser um programa de desenvolvimento do vírus ao longo do tempo. Não tendo importância de que pessoa se trata, nem do período de tempo. Estes dados aumentam a possibilidade da trajectória evolucionária do vírus não ser totalmente aleatória. Pode existir realmente um programa de desenvolvimento pelo qual o vírus passa.

Apesar dos recentes avanços, no que se refere aos medicamentos que podem prevenir a transmissão do VIH entre mãe e filho, para as crianças deste estudo chegaram tarde demais. Estas receberam medicação mínima e desenvolveram SIDA até ao primeiro aniversário. Sendo assim, os resultados desta investigação foram verificados sem os efeitos causados pelas terapias anti-retrovirais.

A Dra. Goodenow adiantou que o próximo passo irá ser seguir a evolução do VIH em adultos antes e depois do tratamento. Os investigadores esperam que as descobertas levem ao desenvolvimento de novos fármacos que sejam capazes de interferir na capacidade do vírus envolver o timo.

Segundo outro dos investigadores, o Dr. Oliver Pybus, este é um excelente estudo que revela padrões pormenorizados na evolução e adaptação do VIH durante a infecção. Pela primeira vez, demonstra como o movimento das células imunitárias está relacionado ao comportamento evolucionário do vírus que, por sua vez, determina o resultado clínico da infecção.

Isabel Marques

Fontes: www.drugresearcher.com, www.HealthNewsDigest.com

Portugal já importou 50 unidades de sangue umbilical para transplantes

quarta-feira Isabel Leal Barbosa, investigadora do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, que falava na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, durante o V Simpósio de Análises Clínicas e Saúde Pública.

De acordo com esta investigadora, apenas seis unidades de sangue colhidas nos IPO (quatro no de Lisboa e duas no do Porto) foram utilizadas para transplantes em familiares dos dadores, pelo que foi necessário recorrer a dadores estrangeiros.

No IPO do Porto as colheitas de sangue do cordão umbilical realizam-se desde 1993 e desde 1998 que as amostras passaram a ser congelada. No entanto, apenas as grávidas que tenham familiares com indicação para transplante ("dádivas dirigidas"), maioritariamente crianças com leucemia, costumam pedir a colheita do sangue umbilical.

Segundo Isabel Leal Barbosa, das dezenas de unidades congeladas pelo IPO/Porto, só duas foram utilizadas em transplantes, por se terem revelado compatíveis com o sangue dos familiares doentes. Por este motivo, a investigadora defende a criação de um banco público de sangue de cordão umbilical, tal como foi proposto pelo IPO do Porto e pelo Centro de Histocompatibilidade.

A proposta apresentada ao Ministério da Saúde pelo IPO do Porto e pelo Centro de Histocompatibilidade visa a criação de um banco público de sangue do cordão umbilical, o Lusocord, onde será feita a colheita e o congelamento, gratuito, de "dádivas não dirigidas" de sangue de cordão umbilical, perdendo a grávida qualquer direito sobre essas células estaminais, uma vez que serão destinadas a qualquer doente compatível.

"Pretendemos não estar tão dependentes do estrangeiro", afirmou a investigadora, referindo que a entrada em funcionamento do Lusocord está dependente apenas da aprovação pelo Ministério da Saúde e Alta Autoridade para a Transplantação.

Isabel Leal Barbosa adiantou ainda que assim que a criação do Lusocord seja aprovada, será lançada uma ampla campanha de apelo à dádiva altruísta de sangue de cordão umbilical, pois o objectivo é chegar às 5.000 unidades de cordão umbilical congeladas, quantidade mínima para que o processo seja "economicamente viável".

"A manutenção de um banco de sangue é cara. Precisamos da ajuda de mecenas e do Ministério da Saúde", afirmou Isabel Barbosa, acrescentando que cada colheita e congelação custa cerca de 500 euros, sem contar com o equipamento e a sua manutenção.

A investigadora garante que "não há concorrência" entre os bancos públicos dos vários países, porque "os preços são estabelecidos internacionalmente" pelo Netcord, que escolhe o dador que, a nível mundial, é o mais compatível, independentemente do local onde esteja.

Contudo, até à criação do Lusocord, a grávida que quiser congelar o sangue do cordão umbilical tem de recorrer aos "vários bancos privados" que têm surgido em Portugal, que muitas vezes fazem "grande publicidade" à colheita de sangue do cordão umbilical, apresentando-a como "seguro de vida" para o próprio e não como uma dádiva altruísta para qualquer ser humano que venha a precisar daquelas células, critica a investigadora do IPO/Porto.

Isabel Leal Barbosa disse esperar que Portugal venha a alcançar um nível de dádivas altruístas de sangue de cordão umbilical semelhante ao registado pela medula óssea, uma vez que somos já o terceiro pais na Europa com mais dadores de medula óssea, uma posição que foi alcançada em apenas quatro anos.

Inês de Matos

Fontes: Lusa, Diário Digital

FDA aprova genérico de quimioterapia da Abraxis

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) autorizou a companhia biofarmacêutica Abraxis BioScience Inc. a comercializar a versão genérica do fármaco de quimioterapia da Pfizer, o Ellence (hidrocloreto de epirrubicina injectável), em quatro formas de dosagens, duas das quais são novas no mercado. A Abraxis espera lançar o fármaco durante o quarto trimestre deste ano.

Duas das formas de dosagem (2mg/mL - 5mL e 2mg/mL - 75mL) são códigos únicos e ainda não estão disponíveis no mercado. As outras duas dosagens (2mg/mL - 25mL e 2mg/mL - 100mL) são comercializadas pela Pfizer Inc. sob o nome Ellence. De acordo com dados da IMS, as vendas deste produto, em todas as formulações e por todos os fabricantes, foram de aproximadamente 64 milhões de dólares em 2006.

A epirrubicina pertence à classe de fármacos denominados antraciclinas, e é a base de muitos regimes de quimioterapia. É indicado como componente de terapia adjuvante para pacientes com evidências de que o cancro se espalhou para os nódulos linfáticos, após ressecção do cancro da mama em fase inicial.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, CNNMoney, Business Wire

Depressão: médicos desvalorizam sintomas de dor e ansiedade

Estudo europeu revela discrepância entre psiquiatra e paciente na avaliação inicial da gravidade geral da doença e da melhora durante tratamento farmacológico

Os médicos que tratam doentes com depressão consideram apenas os sintomas depressivos. Avaliação que difere da feita pelos doentes que, relevam também, a dor e ansiedade na análise da sua própria melhora. A conclusão saiu de estudo apresentado na conferência de Neuropsicofarmacologia realizada, esta semana, em Viena, na Áustria.

Apesar de ser uma das mais frequentes queixas nos consultórios psiquiátricos, no ambiente de tratamento é, geralmente, sub-diagnosticada ou não recebe o tratamento adequado. Agora, um estudo promovido pelos laboratórios Eli Lilly and Company e Boehringer Ingelheim GmbH sugere que os médicos possam estar a desvalorizar sintomas de depressão que são relevantes para os doentes, nomeadamente, a dor e a ansiedade.

Com a investigação pretendeu-se comparar como ambos (clínico e doente) avaliam a gravidade geral da doença no início e a melhora dos sintomas durante um tratamento de curto prazo de uma depressão grave, independentemente do grupo de terapia. De acordo com os dados divulgados, quer no estado inicial da doença, quer durante o tratamento farmacológico, os médicos não encaram a dor como um factor no prognóstico da gravidade da doença.

Segundo destacou Koen Demyttenaere, professor do Departamento de Psiquiatria do Hospital Universitário Gasthuisberg, Bélgica, e principal autor do estudo, "evidências anteriores sugerem que tratar os sintomas emocionais e físicos da depressão aumenta a possibilidade de remissão", reforçando que os resultados “enfatizam a necessidade de avaliar, também, um amplo espectro de sintomas, inclusive, a dor e ansiedade, no tratamento de pacientes com transtorno depressivo maior e dor associada."

As conclusões qualitativas basearam-se numa análise «post-hoc» de um estudo europeu multicêntrico - realizado na Bélgica, Finlândia, França, Alemanha e Eslováquia - em 327 doentes adultos que apresentavam transtorno depressivo maior e dor não específica (gravidade da doença no início definida segundo a Escala de Avaliação da Depressão de Montgomery & Asperg [MADRS].

Discrepância em 44,7% dos casos

O estudo revelou ainda que a comparação entre a melhora da doença do ponto de vista do doente e a melhora avaliada pelo médico foi feita através de estatísticas descritivas e um modelo de prognóstico. Em 44,7% dos casos, houve discrepância nas avaliações. Nos casos de clivagem, a melhora média foi geralmente considerada mais alta pelos médicos que pelos pacientes (36,3% versus 8,4%), independentemente do tratamento.

A depressão maior afecta cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a depressão seja uma das principais causas de invalidez nos países desenvolvidos até 2020. Tal como noticiou oportunamente o farmacia.com.pt, em Portugal, esta doença do foro psíquico atinge cerca de 25 por cento da população. Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), Adriano Vaz Serra, "é provável que a depressão venha a ultrapassar a gripe no século XXI.”

Raquel Pacheco
Fontes: PRNewswire/OMS/farmacia.com.pt

Transação de patentes e compostos entre DARA e Bayer

A DARA BioSciences, Inc. e a Bayer Pharmaceuticals Corporation - uma subsidiária da Bayer HealthCare AG nos Estados Unidos - assinaram um contrato de licenciamento onde é concedido à primeira farmacêutica os direitos mundiais exclusivos sobre uma série de patentes e compostos para o tratamento de doenças do metabolismo, especialmente, diabetes tipo 2 e dislipidemia.

De acordo com os termos do contrato, a DARA BioSciences desenvolverá e comercializará produtos, enquanto que a farmacêutica alemã receberá um adiantamento, pagamentos por etapas concluídas e royalties durante o desenvolvimento e comercialização. A Bayer mantém, contudo, certos direitos de comercialização de produtos decorrentes deste programa de desenvolvimento.

Encarando com “grande expectativa” a oportunidade de trabalhar com a Bayer", Richard A. Franco, presidente da DARA BioSciences, frisou que “o licenciamento via DARA BioSciences da tecnologia Bayer comprova o nosso compromisso em explorar novas alternativas no tratamento das doenças metabólicas, inclusive a diabetes”, concretizando que esta transação “confirma também o nosso sucesso continuado na execução da estratégia de identificar novas oportunidades para expandir e diversificar a nossa carteira de produtos.”

A DARA BioSciences(TM), Inc. (DARA) é uma empresa com sede na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, dedicada ao estágio de desenvolvimento de produtos farmacêuticos. Concentra a sua investigação em moléculas pequenas desde as fases adiantadas de desenvolvimento pré-clínico, até à fase II dos ensaios clínicos.
Na “carteira de terapias” consta o tratamento de dores neuropáticas, de doenças metabólicas inclusive a diabetes tipo 2.


Diabetes afecta 170 milhões
A diabetes é um problema crescente que carece de novos tratamentos. Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mais de 170 milhões de pessoas sofrem de diabetes em todo o mundo. A diabetes tipo 2 responde por 90 a 95% de todos os casos de diabetes. As previsões apontam para o dobro da prevalência da diabetes até 2030, impulsionada por mudanças prejudiciais no estilo de vida, que provocaram uma explosão na incidência de obesidade, um reconhecido factor de risco da diabetes tipo 2.

Raquel Pacheco

APODEMO realiza seminário “Saúde e Research”

A Associação Portuguesa de Empresas de Estudos de Mercado e de Opinião (APODEMO) promove, nos dias 15 e 16 de Novembro, um seminário dedicado ao tema “Saúde e Research”. O evento, que vai decorrer no Centro Cultural de Belém, destina-se a todos os profissionais directamente ligados ao sector da Saúde, quer a nível médico ou no sector do grande consumo, especialmente na área dos estudos de mercado.

Vários profissionais do sector deverão reunir-se para abordar diversas temáticas distribuídas por diferentes categorias, entre as quais, a crescente limitação no acesso às fontes de informação, que por vezes inviabilizam a realização de investigações de mercado, ou os desafios actuais que se colocam à indústria farmacêutica quer ao nível da confiança dos doentes, da investigação ou dos genéricos.

Em cima da mesa vão estar também as mais recentes alterações reguladoras sentidas no mercado farmacêutico e a sua relação com as políticas de contenção orçamental do Estado, bem como o aumento da quota de medicamentos genéricos nos mercados nacional e internacional e algumas questões relacionadas à adesão, eficácia e relação custo/benefício das terapêuticas.

Os organizadores propõem também um balanço aos dois anos que passaram após a abertura da comercialização de medicamentos a outros locais que não a Farmácia, e uma sessão que irá abordar a importância crescente dos produtos funcionais das empresas de grande consumo, quer em projectos de investigação, no bem-estar e na saúde dos consumidores, e junto dos seus concorrentes no mercado.

A comissão organizadora - da qual fazem parte Nidia Afonso, da Boehringer; Rui Salinas, da Centralcer; Filomena Martins, da IMS; Marina Petrucci, da Apeme; Carmen Castro, da MetrisGfK; Paulo Caldeira da Tns euroteste; António Pais Ruivo, da Prime Focus e Hugo Mendes, da IMS, em representação da direcção da APODEMO – está ainda a ultimar o programa.

Marta Bilro

Fonte: E-mail Farmacia Press, APODEMO, Marketing Farmacêutico.

Burocracia e sistema legal atrasam aprovação de biosimilares nos EUA

Os Estados Unidos da América (EUA) estão a perder terreno face à Europa no que toca à aprovação de biosimilares. De acordo com o relatório “Biosimilars: Regulatory Issues”, elaborado pela Datamonitor, o país está preso á burocracia e continua a caminhar a passo de caracol por entre um sistema legal sobrecarregado.

Desde 2004, altura em que a Comissão Europeia adoptou uma directiva comunitária para consentir o desenvolvimento de versões genéricas de medicamentos biológicos, a Europa aprovou cinco medicamentos biosimilares.

Enquanto isso, este ano nos EUA já foram apresentadas três propostas de lei distintas para delinear um caminho baseado em leis que conduzisse à aprovação de biosimilares, porém as mesmas têm sido barradas por questões políticas e pelo difícil relacionamento entre os produtores de biofármacos inovadores e as empresas de genéricos, afirma o relatório.

“Nos EUA, os problemas políticos e o braço-de-ferro entre os inovadores e as empresas de genéricos têm atrasado a criação de legislação que contemple a aprovação de leis que regulem os biosimilares, e a Adminsitração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos tem-se mantido relutante em propor qualquer tipo de guia de acção”, salientou Tijana Ignjatovic, analista especializada no sector farmacêutico na Datamonitor e autora do estudo.

Em Fevereiro, foi introduzida no Congresso a Lei de Acesso a Medicamentos que Salvam Vidas, posteriormente, em Abril, foi inserida a Lei de Protecção de Patente e Medicamentos Biológicos Inovadores. Nenhuma das propostas foi aprovada.

Em Junho, estabeleceu-se um compromisso com a introdução da Lei de Preços e Competição dos Biológicos e Inovação, uma proposta que pretendia estabelecer o equilíbrio entre os interesses do público, da indústria de biosimilares e da indústria farmacêutica de inovação, disse Ignjatovic.

A proposta prevê que sejam garantidos “12 anos de exclusividade para os detentores das patentes mas também um ano de exclusividade para o primeiro biosimilar a ser aprovado a com a possibilidade de substituir o produto de referência”, esclareceu a responsável.

Na opinião de Ignjatovic, “esta legislação é claramente muito mais detalhada do que a directiva da Comissão Europeia, uma vez que engloba aspectos como a exclusividade de mercado e o litígio de patentes”. Ao mesmo tempo, acrescenta a analista, “propõe que seja dada liberdade à FDA para estabelecer os requisitos para a aprovação de biosimilares e é de esperar que a FDA actue tendo em consideração a forma como a EMEA (Agência Europeia do Medicamento) encara o assunto”.

Previa-se a proposta fosse aprovada como parte da Lei da Taxa de Utilização de Medicamentos Prescritos (PDUFA), que foi autorizada no final do mês de Setembro, mas tal não se verificou. Assim, os EUA continuam a não possuir legislação sobre os biosimilares.

Segundo a análise do relatório, a proposta era controversa e, caso fosse aprovada, provocaria “ramificações importantes no potencial sucesso comercial dos biosimilares”. Se por um lado a exclusividade de um ano concedida ao primeiro biosimilar poderia tornar o mercado bastante competitivo, por outro a proposta poderia criar um ambiente deveras litigioso e dissuadir os pequenos investidores de entrarem no mercado. Para além disso, “há falta de clareza em questões como a designação dos biossimilares” e a diferença proposta entre os similares e os biogenéricos, refere Ignjatovic.

Conforme salienta o relatório, os biosimilares são feitos em organismos vivos e os processos de produção são mantidos em segredo, logo, as versões genéricas dos fármacos biológicos não podem receber designações idênticas aos produtos de referência. Por outro lado também não são “verdadeiros genéricos” e precisam de receber uma denominação distinta da dos genéricos produzidos através de pequenas moléculas de medicamentos.

Há ainda a questão dos 12 anos de exclusividade de mercado que não agrada aos produtores de genéricos por ser um período de tempo demasiado logo, nem aos produtores de medicamentos inovadores por ser muito curto.

Os produtores de biológicos de marca têm desfrutado deste vazio legal que os deixa sem a competição dos biosimilares, refere Ignjatovic. Já a “indústria de genéricos quer ver aprovada legislação que autorize a produção de biosimilares, porém não sem antes se assegurar que são dados incentivos suficientes aos produtores” deste tipo de fármacos, conclui.

Face à inexistência de consenso no Congresso, a proposta provavelmente não deverá ser discutida antes do final do ano corrente, podendo mesmo ser adiada para depois das eleições presidenciais marcadas para 2008, afirma o relatório.

Marta Bilro

Fonte: In-PharmaTechnologist.com, Farmacia.com.pt.

Linha saúde 24 vai disponibilizar informação e aconselhamento sobre medicamentos

A linha telefónica Saúde 24 vai passar a disponibilizar informação e aconselhamento sobre medicamentos, recorrendo ao auxílio de técnicos de farmácia, revelaram esta quarta-feira os responsáveis pelo serviço. A iniciativa nasce da necessidade dos utentes em conhecer melhor os fármacos que tomam.

“Verificámos que muitos dos cidadãos que nos ligavam gostavam de ver esclarecidas dúvidas sobre os medicamentos que estavam a tomar”, referiu Ramiro Martins, responsável da empresa que gere a linha Saúde 24 (808 24 24 24), que funciona 24 horas por dia e sete dias por semana.

Desta forma ficará garantido o aconselhamento sobre medicamentos de venda livre mas também de fármacos sujeitos a receita médica fornecido por técnicos de farmácia. Em nenhum dos casos será feita prescrição de medicamentos, asseguram os responsáveis.

O entro de atendimento Saúde 24 foi criado em Maio de 2007 com o objectivo de “servir o cidadão, aconselhando-o”, conforme afirmou o Ministro da Saúde Correia de Campos durante a cerimónia inaugural.

Um telefonema para o 808 24 24 24 tem o preço de uma chamada local. O atendimento funciona todos os dias do ano, sem interrupções, e as chamadas são obrigatoriamente gravadas, com a prévia autorização do utente.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, Portal da Saúde.

Abraxis vai comercializar genéricos do Fludara

A empresa de biotecnologia Abraxis BioScience recebeu autorização da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) para comercializar duas versões genéricas do Fludara (Fludarabina).

A Abraxis poderá colocar no mercado uma versão líquida e uma liofilizada de Fosfato de fludarabina, um medicamento utilizado no tratamento de leucemia linfocítica crónica das células B e cujas variantes de marca são comercializadas pela Bayer e pela Teva.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money, Reuters.

Merck, ImClone e Bristol-Myers firmam acordo no Japão

A farmacêutica norte-americana Merck estabeleceu um acordo com a ImClone Systems e a Bristol-Myers Squib com vista ao desenvolvimento e comercialização conjuntos do Erbitux (Cetuximab) no Japão.

Caso a parceria seja aprovada pela entidade reguladora japonesa, a ImClone e a Bristol-Myers Squib vão comercializar o medicamento em parceria naquele país. A Merck deverá receber 50 por cento dos lucros resultantes das vendas no Japão, sendo que a ImClone Systems e a Bristol-Myers têm direito a 25 por cento cada.

Para além disso, a ImClone Systems deverá ainda receber da Merck um royalty de 4,75 por cento do total das vendas líquidas naquele país. A Merck Serono Japão ficará responsável pela distribuição do produto, revela a empresa num comunicado enviado ao Farmacia.com.pt.

A ImClone, a Bristol-Myers e a Merck submeteram, este ano, uma candidatura para a utilização do fármaco, no Japão, em pacientes com cancro colo-rectal metastático que expressa o receptor do factor de crescimento epidérmico.

“Estamos satisfeitos pelos planos de desenvolvimento e comercialização do Erbitux no Japão terem sido confirmados”, afirmou Wolfgang Wein, vice-presidente executivo da Merck Serono. “O acordo vai assegurar que possamos fornecer aos pacientes japoneses uma nova e importante opção de tratamento para o cancro colo-rectal metastático logo que a nossa candidatura seja aprovada pelas autoridades reguladoras”, acrescentou o responsável.

Marta Bilro

Fonte: Merck.

Rinite alérgica: Dois terços das crianças estão por diagnosticar

Regiões de Lisboa e Vale do Tejo apresentam maior taxa de prevalência da doença

Dois terços das crianças entre os três e os cinco anos de idade que sofrem de rinite alérgica estão por diagnosticar e consequentemente por tratar, revela o estudo ARPA KIDS levado a cabo pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e que envolveu a participação de 5.018 crianças.

Entre as crianças em idade pré-escolar, 21,5 por cento apresentavam queixas de rinite no último ano, mas destas apenas 35,8 por cento estão diagnosticadas e 36,5 por cento medicadas, revelou Mário Morais de Almeida, presidente SPAIC e um dos autores do estudo.

Os resultados deste trabalho demonstraram também que 79 por cento das crianças sofria de formas intermitentes da doença e 21 por cento de casos persistentes, ou seja com sintomas nasais em mais de quatro dias por semana ou mais de quatro semanas por ano. As diferenças entre rapazes e raparigas são quase inexistentes, ao contrário do que se verifica entre as populações adolescente e adulta, nas quais a prevalência é superior entre as mulheres.

“Habitualmente aponta-se a infância como o período de início das alergias, mas ainda não existia uma medição e foi o que quisemos fazer. Esta é uma doença transversal a todos os grupos etários, mas quanto mais cedo se trata o problema, mais se evitam infecções graves e doenças relacionadas como a asma», afirmou o especialista em declarações à agência Lusa.

A desvalorização dos sintomas por parte dos próprios doentes leva muitas vezes à ausência de diagnóstico. “As pessoas parecem não achar estranho que as suas constipações existam no Inverno e continuem na Primavera e Verão. Há uma falta de reconhecimento e, quando se queixam ao seu médico assistente de sintomas como infecções, febres, dores de cabeça ou nariz constantemente congestionado, acaba por se apagar um incêndio, mas não se resolve um problema muito mais grave”, frisou.

As crianças com rinite são também um alvo fácil para a prevalência de outros problemas como a asma, alergias alimentares e a medicamentos, salientou o especialista. As conclusões do inquérito mostram que 25 por cento das crianças com rinite sofreu um episódio de falta de ar ao nível dos brônquios no último ano e 10 por cento de quatro crises.

Segundo explicou o mesmo responsável, apesar da doença poder ter antecedentes familiares, os pais podem não reconhecer os mesmos sintomas da patologia nos seus filhos e não associam as dificuldades em dormir e o facto de as crianças acordarem cansadas ou ressonarem à patologia crónica.

É nas regiões urbanas de Lisboa e Vale do Tejo (40 por cento) que a doença mais prevalece, por oposição à zona do Alentejo, com apenas 8 por cento, mas onde as queixas são mais persistentes. “Há uma menor percentagem no Alentejo, mas maior gravidade”, sublinhou o responsável, indicando que há 76,9 por cento de situações persistentes, das quais 48 por cento são moderadas ou graves.

Apesar de não desprezar a necessidade de sub-estudos nesta região para melhor avaliar a situação, Mário Morais de Almeida considera que a exposição marcada ao pólen pode ser a responsável pela persistência das queixas. No que toca à rinite intermitente ligeira os valores mais elevados encontram-se no Algarve, com 82,4 por cento.

Os autores sublinham, por isso, a necessidade de uma “actuação proactiva, alertando a comunidade médica e a sociedade em geral, de modo a reconhecer e a controlar precocemente as patologias alérgicas, fonte de significativo impacto pessoal e social”.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, Farmacia.com.pt.

Líder mundial na área dos medicamentos oncológicos
Vendas da Roche abaixo das previsões


A quebra na procura do Tamiflu, tratamento tido como preferencial na prevenção de uma eventual pandemia de gripe das aves, e a desaceleração no crescimento das vendas do Herceptin, indicado no tratamento do cancro da mama, impulsionaram a Roche Holding, o maior fabricante mundial de medicamentos oncológicos, para um volume de vendas inferior às estimativas avançadas pelos analistas para o terceiro trimestre deste ano.

Segundo dados avançados pela própria empresa, as receitas da companhia farmacêutica suíça sofreram uma subida de 5,7 pontos percentuais naquele período, atingindo os 11,1 milhões de francos suíços, cifrando-se um pouco acima dos 10,5 milhões registados no período homólogo de 2006, apesar de os especialistas consultados pela agência Bloomberg terem inicialmente previsto, para os meses de Julho, Agosto e Setembro, um volume de vendas na ordem dos 11,4 milhões de francos suíços.
Na bolsa, e cerca de um ano depois de o laboratório ter informado que as vendas do Tamiflu tinham atingido o seu maior pico e que as receitas provenientes da comercialização do Herceptin tinham tido um aumento de 18 por cento (o ritmo mais lento dos últimos cinco trimestres), as acções da Roche registaram a sua maior queda ao final da manhã de ontem: 6,1 francos suíços (2,8 por cento), para um valor unitário de apenas 210,6 francos, em Zurique. Embora o Herceptin e o Avastin, medicamento indicado para o tratamento do cancro do intestino grosso, tenham contribuído para o crescimento mais acelerado do laboratório suíço do que o dos concorrentes, as acções da Roche estão actualmente a ser transaccionadas a custo superior ao das farmacêuticas GlaxoSmithKline e Sanofi-Aventis. Os resultados, afirmou Denise Anderson, analista da Landsbanki Kepler, “não são tão empolgantes quanto esperávamos”.

Carla Teixeira
Fonte: Bloomberg

FDA aprova Ixempra para o cancro de mama avançado

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) autorizou a comercialização do fármaco para o tratamento do cancro de mama avançado, o Ixempra (ixabepilona), da Bristol-Myers Squibb. O fármaco injectável foi aprovado pela FDA para ser utilizado sozinho ou em combinação com outras terapias, como Xeloda (capecitabina), da Roche, para pacientes com cancro da mama metastizado que não responderam ao tratamento com outros três tipos de quimioterapia. A companhia espera que o Ixempra esteja disponível dentro de dias.

Estudos demonstraram que o Ixempra pode ajudar as pacientes com tumores incuráveis a viver mais tempo após outras terapias deixarem de funcionar, tais como, o Taxol e genéricos. Uma combinação de ixabepilona e capecitabina, um comprimido de quimioterapia que atrasa o crescimento do tumor, prolongou a sobrevivência livre de progressão numa média de 5,8 meses, em comparação com os 4,2 meses em pacientes que receberam somente capecitabina, segundo o estudo apresentado em Junho no encontro da “American Society of Clinical Oncology”, em Chicago. Esta investigação envolveu 752 mulheres com cancro da mama metastizado que deixaram de responder a outras terapias.

Este novo fármaco pertence à família das epotilonas, que bloqueiam o crescimento do tumor ao ligar-se a uma proteína, denominada tubulina, necessária para a divisão celular, e é a primeira nova terapia em 14 anos para o tratamento do cancro da mama.

A FDA concedeu revisão prioritária à ixabepilona em Junho, reduzindo o processo de aprovação para seis meses, em vez de dez, devido ao seu potencial para tratar necessidades médicas ainda não atendidas.

A Bristol-Myers também está a estudar a possibilidade da ixabepilona ser vantajoso para tratar as pacientes com cancro da mama em fase inicial, e como terapia para outros tumores, incluindo cancro da próstata, pulmões e ovários. O fármaco poderá gerar vendas anuais de 500 milhões de dólares até 2012.

As mulheres da América do Norte apresentam a taxa mais alta de cancro da mama. Aproximadamente 180 mil novos casos serão diagnosticados, este ano, nos Estados Unidos, e mais de 400 mil mulheres irão morrer devido à doença, segundo a “American Cancer Society”. Cerca de 120 mil mulheres nos Estados Unidos têm cancro da mama metastizado. A nível mundial, aproximadamente 1,15 milhões de novos casos são diagnosticados anualmente, e 475 mil mulheres morrem. Em Portugal, há 4 500 novos casos do cancro da mama por ano, e 1 500 mulheres morrem todos os anos devido à doença.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Bloomberg, Reuters, The Wall Street Journal Online, www.laco.pt

EUA: Produtos cosméticos apresentam níveis de chumbo acima do recomendado

A Campanha Pela Segurança dos Produtos Cosméticos testou 33 batons de marca nos Estados Unidos da América, e concluiu que mais de metade dos produtos analisados contêm níveis de chumbo detectáveis.

As autoridades sanitárias norte americanas não estabelecem quaisquer limites aos níveis detectáveis de chumbo nos cosméticos. No entanto, a agência reguladora de produtos alimentares e medicamentos estabelece um limite de 0,1ppm para os doces, de forma a proteger as crianças da ingestão directa de chumbo.

A Associação de Consumidores Norte-Americana responsável pela denuncia, baseou-se no facto dos níveis de chumbo presentes nos batons excederem o limite permitido para os doces.

Na Europa, a presença de chumbo em produtos cosméticos é proibida, uma vez que acumulação no organismo de quantidades elevadas deste metal constitui um risco para a saúde, em especial de crianças e de grávidas.

Em declarações ao Portugal Diário, o Infarmed garantiu que não dispõe de informaçãos sobre casos destes em Portugal e assegura estar a "verificar se algum destes produtos está no mercado nacional e se tem chumbo".

A "Cover Girl", "Dior", "Maybelline", "Peacekeeper" e "L'Oreal", foram algumas das marcas referenciadas no estudo.

A L’Oreal reagiu já aos resultados desta análise e afirmou que "o chumbo e os seus derivados não são usados como ingredientes em nenhum produto de cosmética, e que as referências mencionadas no estudo não estão em Portugal".

Inês de Matos

Fontes: Portugal Diário, Jornal de Noticias

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Byetta pode estar ligado a casos de pancreatite aguda em alguns pacientes

FDA lança alerta sobre o fármaco da Amylin Pharmaceuticals e Eli Lilly

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) lançou um aviso para o facto de que o fármaco para o tratamento da diabetes tipo 2, o Byetta, da Eli Lilly e da companhia biotecnológica Amylin Pharmaceuticals, poder estar ligado a casos de pancreatite aguda em alguns pacientes. A Amylin concordou adicionar informação, acerca da pancreatite aguda, à secção de precauções do Byetta, segundo a FDA.

O Byetta (exenatida) foi relacionado com 30 casos de inflamação do pâncreas, o que levou as farmacêuticas a recomendar precauções na utilização do tratamento. Cinco dos pacientes tiveram graves complicações, como falha renal, e 22 apresentaram melhoras após pararem com o tratamento.

A FDA aconselhou os médicos a monitorar os pacientes e a descontinuar o Byetta se houvesse sinais de inflamação, tais como, dores abdominais fortes e persistentes que podem entender-se até às costas, e que podem ser acompanhadas de náuseas e vómitos. Contudo, são necessários testes para confirmar a pancreatite aguda. Os casos graves de pancreatite podem provocar hemorragias, danos nos tecidos, infecções, e levar à libertação de toxinas e enzimas na corrente sanguínea que podem danificar o coração, pulmões, rins e outros órgãos. A pancreatite aguda é principalmente causada por cálculos biliares, outras doenças da vesícula biliar, e uso de álcool.

O Byetta é uma hormona sintética injectável, administrada duas vezes por dia, que estimula as células no pâncreas a produzir insulina, quando o nível de açúcar no sangue está elevado, ajudando a converter esse açúcar em energia. O fármaco foi aprovado nos Estados Unidos, em Abril de 2005, para adultos com diabetes tipo 2, e tem sido utilizado até agora por aproximadamente 700 mil pessoas a nível mundial. A Amylin e a Lilly já tinham acrescentado, no ano passado, alguns dados sobre a doença à informação de prescrição fornecida com o fármaco.

O fármaco gerou vendas de 430,2 milhões de dólares, no ano passado, representando 90 por cento dos lucros da Amylin, e sendo um dos medicamentos da Lilly com um crescimento mais rápido.

Isabel Marques

Fontes:
www.networkmedica.com, Bloomberg, Reuters, The Wall Street Journal Online

Composto presente na fruta pode ser determinante no combate ao cancro

Que o consumo de fruta é essencial para uma alimentação saudável já toda a gente sabia, mas o que se desconhecia era o papel que alguns frutos podem desempenhar no combate ao cancro. Frutos como a manga, as uvas e os morangos contêm um componente denominado Lupeol capaz de impedir que os tumores localizados na zona da cabeça e do pescoço cresçam e se espalhem.

Uma experiência realizada por uma equipa de investigadores da Universidade de Hong Kong testou o lupeol em ratos e mostrou que o desempenho deste componente, principalmente quando combinado com a quimioterapia, não só foi muito animador, como não apresentou efeitos secundários relevantes.

De acordo com Anthony Yuen, professor do departamento cirúrgico da Universidade de Hong Kong, “o lupeol consegue suprimir o movimento das células cancerígenas, bem como o seu crescimento, mostrando resultados mais positivos do que os medicamentos convencionais”.

“O lupeol é até mais eficaz se for combinado com a quimioterapia, apresentando efeitos secundários muito ligeiros”, continua o investigador.

A equipa responsável pelo estudo, que foi publicado no passado mês de Setembro no jornal “Cancer Research”, tenciona agora realizar mais experiências com animais e admite que, no futuro, a possibilidade de realizar testes em seres humanos não está posta de parte.

Os tumores localizados no pescoço e na cabeça englobam o cancro no nariz,, na cavidade oral, na garganta, nas cordas vocais, na tiróide e nas glândulas salivares, tipos de tumores que afectam mais a população asiática do que a ocidental.

O consumo excessivo de álcool, o tabagismo e uma alimentação deficitária são alguns dos principais factores de risco para estas doenças, cujo tratamento se tem revelado muito difícil.

Em 50 por cento dos casos os tumores só são diagnosticados em fases já muito avançadas, quando a cura já é muito difícil e os tumores já cresceram tanto que se tornaram inoperáveis.

A cirurgia para remover tumores nestas zonas do corpo humano é muito complicada, desde logo porque implica a remoção de grandes quantidades de pele que tenha sido afectada pela doença, pelo que os cirurgiões têm que planear muito bem, antes de realizar a cirurgia, de que forma vão depois cobrir toda a área de onde foi retirada a pele.

Yuen acredita que o lupeol, que também se encontra em alguns vegetais como é o caso da azeitona, consegue bloquear a proteína natural denominada NFKB, cuja acção auxilia o crescimento das células, incluindo das células cancerígenas.

Neste estudo, o lupeol foi administrado em ratos infectados com células cancerígenas nas zonas do pescoço e da cabeça e permitiu concluir que este componente dos frutos e vegetais “não apenas suprime o crescimento do tumor, como também leva à sua diminuição. Comparado com os medicamentos convencionais, o lopeol reduz o tamanho do tumor num período de tempo muito menor”, explica Terence Lee, outro dos investigadores participantes no estudo.

Por outro lado, “os fármacos convencionais levaram ao emagrecimento dos ratos, ao contrário do que sucedeu com o lupeol, uma vez que os animais mantiveram a sua massa corporal”, adiantou ainda Lee, explicando que no combate ao cancro, o emagrecimento excessivo dos pacientes é sempre visto como um mau sinal.

Os especialistas esperam agora que o lupeol seja aplicado a outros tipos de cancro, que dependam também da acção da proteína NFKB para crescer e se espalhar. “Poderá ser possível aplicar o lupeol noutros cancros, uma vez que este composto consegue suprimir o efeito da proteína NFKB, cuja acção é determinante também no cancro da próstata e da mama”, acredita Yuen.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

Lucros da Genentech aumentam 21 por cento no terceiro trimestre de 2007

A companhia biotecnológica californiana Genentech Inc. apresentou um aumento nos lucros na ordem dos 21 pontos percentuais no terceiro trimestre de 2007. Os dados da facturação, relativos a este período, destacam as vendas do fármaco oncológico para o cancro colorectal e do pulmão, o Avastin, que pela primeira vez alcançou o marco de ser o medicamento mais vendido pela companhia, maioritariamente controlada pela Roche.

Os lucros líquidos do terceiro trimestre da segunda maior companhia biotecnológica cresceram até aos 685 milhões de dólares, 64 cêntimos por acção, em comparação com os 568 milhões de dólares, 53 cêntimos por acção, no mesmo período do ano anterior.

Os ganhos aumentaram para os 2,91 mil milhões de dólares, liderados por um salto de 37 por cento nas vendas do Avastin, que atingiram os 597 milhões de dólares. Conjuntamente, o Avastin, aprovado em 2004, e o Rituxan, um tratamento para o Linfoma de Não-Hodgkin, já com dez anos, que apresentou vendas de 572 milhões de dólares (aumento de 12%), geraram mais de metade das vendas da Genentech, nos Estados Unidos.

As vendas do Avastin também excederam os 564 milhões de dólares do segundo trimestre. Alguns analistas temiam que as vendas do fármaco descessem em relação ao trimestre anterior, uma vez que dados tinham demonstrado que doses mais baixas funcionavam tão bem como as doses mais elevadas no tratamento do cancro do pulmão.

O Herceptin, para o cancro da mama, teve vendas de 320 milhões de dólares, um aumento de 6 por cento. As vendas do Lucentis, o novo fármaco para a degeneração macular, aprovado em Junho de 2006, atingiram os 198 milhões de dólares, mas estiveram abaixo do trimestre anterior e longe das estimativas de 210 milhões de dólares dos analistas.

Não tendo em conta despesas, incluindo aquelas relacionadas com a aquisição da companhia biotecnológica Tanox Inc., no valor de 919 milhões de dólares, no trimestre passado, a Genentech ganhou 778 milhões de dólares, ou 73 cêntimos por acção.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, Bloomberg, Los Angeles Times

Desfibrilhadores da Medtronic: Doentes correm risco “mínimo” de disfunção

IPRC diz que pacientes portugueses não necessitam de observação urgente

O Instituto Português do Ritmo Cardíaco (IPRC) considera que os doentes que possam ter implantados aparelhos desfibrilhadores da firma Medtronic correm um risco mínimo de disfunção. Num comunicado enviado ao Farmacia.com.pt os responsáveis referem que os dados até agora disponíveis não justificam uma observação urgente dos pacientes.

O mesmo documento dá ainda a conhecer a posição sustentada pela Associação Europeia do Ritmo Cardíaco da Sociedade Europeia de Cardiologia que “não recomenda a substituição dos sistemas implantados, considerando que o risco da sua remoção ou da implantação de outro eléctrodo é superior ao da sua manutenção”.

Apesar de defender a necessidade de divulgar as recomendações europeias junto dos electrofisiologistas cardíacos, o IPCR refere que relativamente aos doentes portugueses “não se justifica a sua observação urgente”. Os pacientes devem manter a conduta que lhes é habitualmente recomendada, entrando em contacto com o médico caso notem algum sintoma ou descarga eléctrica efectuada pelo aparelho e comparecerem às suas consultas de seguimento nas datas programadas, salienta a nota assinada por Daniel Bonhorst e Pedro Adragão, presidente e vice-presidente do IPRC, respectivamente.

A reacção do IPRC surge depois da Medtronic ter retirado do mercado mundial aparelhos de desfibrilhação, utilizados na correcção de arritmias, por terem sido detectadas falhas no equipamento. De acordo com a empresa norte-americana, os problemas verificados dizem respeito aos eléctrodos de desfibrilhação Sprint Fidelis, uma espécie de cabos que ligam o coração ao desfibrilhador, pelo que, os desfibrilhadores “não têm qualquer problema e podem ser usados com outros eléctrodos”.

Marta Bilro

Fonte: Instituto Português do Ritmo Cardíaco.

Quando rir pode ser um bom remédio…

Especialista defende que terapia do riso diminui dor, aumenta defesas, promeve saúde mental e melhor funcionamento do organismo


Diminuição da dor e aumento da auto-estima e de sentimentos de felicidade são os resultados preliminares anunciados pela Associação Oncológica do Algarve (AOA) que, recentemente, abraçou a terapia do riso.

“O humor é um factor protector da saúde.” Uma conclusão inequívoca que Arlete Lourenço, terapeuta do riso na AOA, garantiu chegar logo na primeira sessão: "Após a primeira sessão de terapia do riso havia menos dores, nomeadamente nas articulações, e maiores sentimentos de felicidade e de auto-estima."

Entre os benefícios de dar umas boas gargalhadas, a especialista destacou o também “o aumento das defesas imunológicas e a capacidade de reagir às doenças, promovendo a saúde mental evitando a sua degeneração.”

Arlete Lourenço – que é ainda enfermeira na Psiquiatria do Hospital de Faro - reforça a sua tese abordando outros estudos que monstraram que “a terapia do riso altera para melhor o nível cardíaco, pulmonar, digestivo e músculo-esquelético das pessoas.”

De acordo com a terapeuta, as sessões de terapia “seguem o método indiano «Madan Kataria» (fundador do Clube Internacional do Riso), ou seja, baseiam-se na execução de exercícios de riso que estimulem a auto-estima e são seguidos por uma fase de relaxamento”, explicou.

Segundo revelou Arlete Lourenço, mas suas formações, já encontrou desde enfermeiros e administradores de hospitais, até economistas ou de profissionais das medicinas tradicionais.

«Madan Kataria» diz que rir é "uma energia positiva que traz saúde, felicidade e bem estar", como sendo, a melhor prevenção contra a doença.


Rir antes de amamentar torna leite materno mais saudável

Uma investigação conduzida por cientistas japoneses permitiu constatar que mães que deram uma boa gargalhada horas antes de amamentar os bebés produziram um leite mais saudável. O estudo foi publicado no NewScientist.com.

Comparativamente com as mães mais sisudas, o resultado evidenciado foi a nível da prevenção de alergias na pele. De acordo com a equipa japonesa, os bebés com eczema e que foram amamentados por mamãs sorridentes “apresentaram sintomas bastante mais atenuados.”

Foi ainda comprovado que, o leite da “mãe feliz”, também, contém maiores níveis de melatonina, uma hormona associada ao relaxamento.


Raquel Pacheco
Fontes: AOA/Lusa/ NewScientist.com/www.pubmed.com

Doenças oncológicas não são mistério em Coimbra

Cancro da mama é o que mais preocupa e mulheres são as mais "preventivas"; Helena Gervásio quer estudo na região Sul

Em Coimbra, as pessoas estão bem informadas sobre as doenças oncológicas. A conclusão saiu de um estudo divulgado, hoje, onde cerca de 65,5 por cento da população disse estar informada e, 27 por cento destes, considera-se bem ou muito bem informado. O cancro da mama é o que espoleta maior preocupação, avançou a Agência Lusa.

O inquérito – promovido Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) e a Sociedade Portuguesa de Senologia e a Novartis Oncology - envolveu 142 cidadãos residentes em Coimbra. O cancro da mama é a doença que mais preocupa os inquiridos (77,5 por cento), seguindo-se o cancro da próstata (44 por cento), o cancro do pulmão (43 por cento) e o cancro do útero (41,5 por cento).

Durante a sessão de apresentação das conclusões do estudo, Maria Helena Gervásio, presidente da SPO, revelou que “em 90 por cento dos casos” os inquiridos estão conscientes de que a vigilância médica pode evitar o cancro, assim como, reconhecem na informação um meio para a detecção precoce. No entanto, segundo foi divulgado “um terço” assumiu não adoptar posturas de prevenção.

No que concerne aos meios de informação onde os inquiridos assimilam conhecimentos sobre a doença, a televisão lidera as respostas com (71 por cento), seguindo-se os folhetos informativos (60 por cento) e os jornais (47 por cento).

Relativamente ao perfil dos “mais preocupados”, o inquérito traça que “são cidadãos com idade mais avançada e com mais elevadas habilitações literárias, e com maior incidência - as mulheres.”

"Hoje a doença já não é igual a morte, como antigamente. Muitas vezes consegue-se a cura, daí a importância do estar informado", vincou Helena Gervásio, apelando para que seja feita, também, uma pesquisa que cubra o Sul do país no sentido de “se obter um visão mais genérica dos comportamentos dos cidadãos portugueses.”

De referir que, o Grande Porto já foi palco de um estudo similar.

Raquel Pacheco
Fonte: Agência Lusa

Lucros da Johnson & Johnson caem 7,7% no terceiro trimestre de 2007

A Johnson & Johnson, empresa norte-americana de produtos de saúde e higiene pessoal, sofreu uma quebra nos lucros de 7,7 por cento no terceiro trimestre de 2007, comparativamente a igual período do ano anterior. Num comunicado divulgado esta terça-feira, o grupo informa que os lucros líquidos relativos ao terceiro trimestre foram de 1,8 mil milhões de euros, relativamente aos 1,9 mil milhões de euros registados no terceiro trimestre de 2006.

As reestruturações da empresa, que envolvem a supressão de mais de 4 mil postos de trabalho, e a diminuição da procura do Procrit, um medicamento utilizado no tratamento da anemia, são apontadas com as principais justificações para este decréscimo nos lucros J&J. Ainda assim, os resultados superaram as expectativas de Wall Street.

Por outro lado, as vendas do grupo aproximaram-se dos 10,5 mil milhões de euros no terceiro trimestre deste ano, uma subida de 12,7 por cento face ao período homólogo de 2006. Nos nove primeiros meses de 2007 as vendas da J&J atingiram os 31,8 mil milhões de euros, mais 13,6 pontos percentuais que em igual período do ano anterior.

Apesar da descida nos lucros, a empresa elevou as expectativas relativas aos resultados para o cômputo do ano para um lucro de 2,89 a 2,91 euros por acção, excluindo o impacto dos custos com a investigação e desenvolvimento e as reestruturações. A J&J detém actualmente mais de 250 empresas que operam em 57 países e empregam cerca de 120 mil funcionários.

Marta Bilro

Fonte: elEconomista.es, Reuters, Pharmalot, Folha de São Paulo.

Descoberto método que amplia concepção de novos fármacos

Estudo de cientista portuguesa abre caminho a preparação, manipulação, reacção e inovação de compostos

Foi descoberto um novo método que permite a concepção de novos medicamentos. O mérito é de uma investigadora portuguesa, cujo estudo está publicado nas revistas internacionais de referência no domínio da química orgânica, catapultando, assim, o seu contributo para os laboratórios científicos de todo o mundo.

Face à crescente necessidade de encontrar novos tratamentos e os problemas associados com a resistência dos medicamentos existentes, “este é um contributo interessante para alargar a variedade de métodos existentes para o desenvolvimento de novos fármacos", avaliou à Agência Lusa a investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Teresa Pinho e Melo.

De acordo com um comunicado distribuído pela FCTUC a que o farmacia.com.pt teve acesso, a investigação de Teresa Pinho e Melo – iniciada, em 1995, e que contou com a colaboração de técnicos do país Basco – resultou na descoberta de “um novo método selectivo de preparação de beta-aminoácidos quirais” (uma classe de compostos com propriedades únicas), fundamental para o desenvolvimento de novos medicamentos.

Segundo destaca a nota de imprensa, o novo método de síntese de preparação de compostos orgânicos da cientista poderá ser explorado mundialmente, “facultando o aparecimento de novos compostos de referência para a indústria farmacêutica ou para outras aplicações industriais" e “permitindo o desenvolvimento de novos medicamentos a longo prazo.”

O trabalho de Teresa Pinho e Melo contou com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia e prolongar-se-á ao longo de mais três anos, informa a FCTUC.

Raquel Pacheco
Fonte: FCTUC/Lusa

Vendas da Roche cresceram 12% nos primeiros nove meses de 2007

A farmacêutica suíça Roche anunciou um crescimento de 12 por cento nas vendas durante os primeiros nove meses de 2007, para os 20,2 mil milhões de euros, um número que, de acordo com a empresa, reflecte já o abrandamento nas encomendas do Tamiflu (Oseltamivir).

Em igual período do ano anterior as vendas da Roche registaram um crescimento na ordem dos 19 por cento, tendo sido fortemente impulsionadas pelas vendas do medicamento contra a gripe sazonal e pandémica. Nos primeiros nove meses de 2007 a comercialização do Tamiflu terá sofrido uma quebra de 2 por cento. No que diz respeito ao terceiro trimestre a diminuição ascendeu aos 60 por cento, comparativamente ao período homólogo do ano anterior.

No entanto, a Roche afirma que esta quebra era já esperada à medida que os stocks dos governos ficaram completos no que toca ao armazenamento do fármaco para fazer frente a possíveis pandemias.

O grupo registou também uma redução nas vendas do Herceptin, que subiram apenas 18 por cento, a taxa mais baixa desde os últimos cinco trimestres, refere a Bloomberg. Ao contrário, as vendas do Avastin (Bevacizumab), utilizado no tratamento de primeira linha de doentes com carcinoma metastizado do cólon ou do recto, cancro da mama metastático e cancro do pulmão de células não pequenas, subiram 41 por cento a nível mundial, face ao mesmo período do ano anterior.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Forbes, Roche, Market Watch, Farmacia.com.pt.

Tribunal condena Wyeth por tratamentos hormonais que causaram cancro da mama

A farmacêutica norte-americana Wyeth foi esta segunda-feira condenada a pagar quase 134 milhões de dólares (94,3 milhões de euros) a três mulheres que contraíram cancro da mama devido a tratamentos hormonais contra a menopausa.

A Wyeth já anunciou que vai recorrer da sentença, uma vez que considera que os tratamentos, aprovados pelas autoridades de saúde norte-americanas, eram "seguros e eficazes quando utilizados segundo as indicações", informou o grupo farmacêutico em comunicado.

As mulheres alegaram em tribunal que contraíram a doença devido ao tratamento com Premarin e Prempro, duas terapias hormonais de substituição de estrogénio.

De acordo com o advogado das queixosas, cerca de nove mil mulheres já apresentaram queixa nos tribunais contra o grupo Wyeth.

Os dois medicamentos em causa neste processo não são comercializados em Portugal.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Medtronic recolhe desfibrilhadores com defeito

Aparelhos podem ter causado a morte de cinco pacientes

A Medtronic, empresa norte-americana de equipamentos de tecnologia médica, retirou do mercado mundial aparelhos de desfibrilhação, utilizados na correcção de arritmias, por terem sido detectadas falhas no equipamento, que poderão ter estado na origem de cinco mortes, confirmou a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed). O dispositivo está também à venda em Portugal.

A distribuição dos eléctrodos de desfibrilhação Sprint Fidelis foi suspensa voluntariamente pela empresa “devido ao risco de ruptura dos mesmos”, informa a Medtronic. Os dispositivos são usados para detectar uma alteração do ritmo cardíaco, sendo capazes de provocar automaticamente uma descarga eléctrica para corrigir a alteração detectada, informa a agência Lusa citando fonte oficial do Infarmed.

Ainda assim, a Medtronic “não aconselha aos doentes a substituição profilática dos eléctrodos Sprint Fidelis, pois os riscos de remoção ou inserção de outro eléctrodo são muito superiores ao risco mínimo para o doente que constitui a fractura do eléctrodo”, refere a empresa em comunicado.

Os pacientes que suspeitem ter um eléctrodo Sprint Fidelis deverão consultar os seus médicos, aconselha a Medtronics, salientando que não há qualquer problema com os doentes que têm um pacemaker da marca.

De acordo com dados da empresa, em todo o mundo deverão ter sido implantados perto de 268 mil eléctrodos deste género, 506 dos quais em Portugal. O Infarmed afirmou que "em conjunto com a empresa responsável, está a efectuar todas as diligências necessárias com vista, quer à correcta informação dos profissionais de saúde que implantaram ou acompanham os doentes implantados, quer à operacionalização das medidas correctivas”.

“Não há qualquer problema com os desfibrilhadores”

Na sequência destes acontecimentos, a Medtronics já veio a público esclarecer que apenas retirou do mercado um tipo de eléctrodos dos seus desfibrilhadores, pelo que não há qualquer problema com os aparelhos propriamente ditos.

Os problemas verificados dizem respeito aos eléctrodos de desfibrilhação Sprint Fidelis da Medtronic, que são uma espécie de cabos que ligam o coração ao desfibrilhador, um aparelho para corrigir arritmias.

A empresa garante, por isso, que os desfibrilhadores “não têm qualquer problema e podem ser usados com outros eléctrodos”.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, AFP.

Pfizer, Sanofi-Aventis e J&J podem estar interessadas na aquisição da Biogen Idec

Propostas deverão ascender aos 21 mil milhões de euros

A Biogen Idec anda à procura de comprador e os analistas prevêem que as propostas de aquisição se possam situar entre os 17,7 e os 21,2 mil milhões de euros. Na corrida figuram algumas das farmacêuticas de topo a nível mundial que pretendem expandir o seu portfolio de medicamentos biológicos.

De acordo com analistas do sector bancário e farmacêutico, tanto a Pfizer, como a Sanofi-Aventis ou a Johnson & Johnson (J&J) beneficiariam da aquisição da empresa norte-americana pelo facto de lhes permitir ganhar relevo na produção, comercialização e investigação de proteínas e fármacos de anticorpos.

Apesar da sua colaboração com a Biogen no desenvolvimento do MabThera (Rituximab), a Roche poderá ser das menos interessadas no negócio, uma vez que já possui uma presença significativa na produção de medicamentos biotecnológicos. “Muitos estão interessados em obter capacidade biológica. Os que já a têm provavelmente não farão ofertas, por isso considero que a Roche e a AstraZeneca podem ser eliminadas”, afirmou Bem Yeoh, analista do sector na Dresdner Kleinwort.

A britânica GlaxoSmithKline poderia ser outra das potenciais compradoras, no entanto, tal não deverá verificar-se, uma vez que a empresa está a concentrar-se noutras prioridades, avançam os especialistas do sector. A Novartis, por sua vez, já foi apontada por alguns analistas como uma possível compradora, porém, a sua presença competitiva no sector dos tratamentos para a esclerose múltipla poderia excluí-la.

“Um grande número de empresas afirmaram recentemente que ainda não têm uma presença significativa na biotecnologia, por isso penso que deverão surgir bastantes interessados”, referiu Paul Diggle, da Nomura Code Securities.

A aquisição, não será, no entanto, um investimento pouco dispendioso. Os 11,1 mil milhões de euros que a AstraZeneca pagou pela MedImmune - equivalentes a 11 vezes o valor das vendas anuais da empresa - são exemplo do apetite das grandes farmacêuticas relativamente ao investimento biotecnológico. A mesma escala de valorização colocaria a possível aquisição da Biogen nos 24 mil milhões de euros.

Ainda assim, os analistas defendem uma avaliação mais modesta, até porque, as terapias alvo da Biogen para o tratamento da esclerose múltipla enfrentam a concorrência de outros produtos, o mesmo acontece com o Avonex (Interferão beta-1a), que está a ser ameaçado pelos biogenéricos. Por outro lado, alguns acreditam agora que as vendas anuais do Tysabri (Natalizumab), desenvolvido pela Biogen em parceria coma a Elan Corp, poderão render milhões de dólares.

A Biogen anunciou na última sexta-feira que está à procura de um comprador, um comunicado que surge quatro anos depois da empresa ter sido adquirida pela Idec Pahrmaceutical por 4,7 mil milhões de euros.

Marta Bilro

Fonte: Yahoo Finance, Reuters.

Carácter humano do farmacêutico é o aspecto mais valorizado pelo utente

As características humanas dos serviços farmacêuticos e o interesse demonstrado pelo farmacêutico no impacto que os problemas de saúde do doente provocam na sua vida activa são os aspectos mais valorizados pelos pacientes no que toca ao atendimento. As conclusões resultam de um estudo apresentado por Djenane Ramalho de Olivera, professora do departamento de Farmácia Social da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil, durante o V Congresso Nacional de Atendimento Farmacêutico, que decorreu em Oviedo, Espanha.

O estudo pretendeu avaliar “as experiencias vividas pelos pacientes face ao atendimento farmacêutico em dois países muito distintos como são o Brasil e os Estados Unidos da América” (EUA), explicou a responsável, citada pelo Correo Farmacéutico. Nesse sentido, foi realizada uma meta-análise de dois estudos qualitativos nos quais se analisou os pacientes, o seu pensamento e sentimentos depois do atendimento prestado pelo farmacêutico.

O primeiro estudo, realizado nos EUA, consistia numa investigação etnográfica dos serviços de atendimento farmacêutico em clínicas e farmácias comunitárias, durante oito meses e realizado através de entrevistas aos utentes. No segundo, lavado a cabo no Brasil, foram entrevistados 33 utentes de farmácias de Belo Horizonte.

Depois de observar os dados das duas investigações, Djenane Ramalho de Olivera constatou que, na altura de avaliar a atenção recebida, todos os utentes, destacavam, em primeiro lugar, o carácter humano dos farmacêuticos e o interesse demonstrado pelos pacientes e pela sua doença. As vivências relatadas podem, segundo a autora, estar a indicar “novos caminhos para o progresso da prática do atendimento farmacêutico e chamam a atenção para a necessidade de haver alterações no ensino que permitam formar farmacêuticos mais competentes humana e tecnicamente”.

Marta Bilro

Fonte: Correo Farmacéutico.

50% dos fármacos em desenvolvimento são biotecnológicos

Os medicamentos biotecnológicos representam já 20 por cento do mercado farmacêutico, sendo que 50 por cento dos compostos que actualmente se encontram em investigação são fármacos de origem biológica. As conclusões resultam de uma reunião mundial de especialistas do sector organizada pela Ifpma e que decorreu a semana passada em Genebra, na Suíça.

De acordo com os participantes do encontro, entre os biológicos já comercializados encontram-se hormonas, anticorpos monoclonais, enzimas terapêuticas, vacinas, terapia génica, imunoterapias ou interferência de ARN. Os dados apresentados pelos especialistas indicam ainda que a maior parte da investigação e desenvolvimento que está a ser realizada na área biotecnológica tem como alvo a luta contra o cancro. Logo depois seguem-se das novas moléculas para doenças infecciosas, desordens do sistema auto-imune, HIV/Sida, doenças cardiovasculrares, problemas neurológicos, diabetes e problemas digestivos.

“Mais de 325 milhões de pessoas no mundo foram beneficiadas por mais de 155 fármacos e vacinas biotecnológicas”, salientou Kenneth B. Seamon, do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Cambridge, citado pelo Correo Farmacéutico. Segundo explicou o responsável, a eficácia e segurança destes fármacos estão amplamente comprovadas e os mesmos fornecem soluções para as doenças mais importantes.

Seamon acredita que “a biotecnologia está preparada para enfrentar os reptos actuais com tratamentos inovadores” e salienta que o caminho a seguir deve ser o de conseguir resolver problemas como o facto de só existir tratamento para 10 mil das 30 mil doenças conhecidas actualmente. Para além disso, pretende-se conseguir obter mais alvos terapêuticos, para passar dos 500 que actualmente existem para perto de 10 mil num futuro próximo e desenvolver mecanismos poderosos de diagnóstico e tratamento para os cerca de 30 milhões de europeus que sofrem de doenças raras.

A tecnologia recombinante, por exemplo, está a ser crucial no desenvolvimento de vacinas para doenças infecciosas, ao mesmo tempo que se estuda a sequenciação genómica dos patogénios para perceber melhor a sua estrutura biológica e identificar novos antimicrobianos, escreve o portal. A bioinformática, por sua vez, está a ser vital na identificação de novos alvos, e a tecnologia recombinante é uma parte fundamental da elaboração de produtos terapêuticos.

Tudo isto está a reflectir-se na saúde do paciente, considera Seamon. “Os fármacos biotecnológicos estão a oferecer uma oportunidade única e prometedora para prover tratamentos para doenças graves e dar resposta às exigências dos sistemas de saúde”, sublinhou. A isto, acresce ainda o facto da segurança e qualidade dos medicamentos biotecnológicos não ficar atrás da segurança e qualidade dos fármacos que se obtêm por processos químicos, até porque consegue superá-las.

Marta Bilro

Fonte: Correo Farmacéutico.

APED preconiza aumento para os 95 por cento
Comparticipação de analgésicos é muito baixa


Os analgésicos actualmente disponíveis nas farmácias portuguesas são dos mais caros de toda a Europa. Em causa está o facto de no nosso país a comparticipação daqueles fármacos ser de apenas 37 por cento, quando há estados em que chega muito perto ou mesmo aos 100 por cento. A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor demanda um aumento daquela taxa para os 95 por cento.

Considerando que a sintomatologia da dor não pode continuar a ser desvalorizada, como tem sucedido até aqui, quer pelos profissionais de saúde, quer pelos próprios doentes, e tendo em conta que a taxa máxima de comparticipação actualmente admitida pelo Ministério da Saúde português é de 95 por cento, já que o governo português não prevê a gratuitidade daqueles fármacos, decorrente de um apoio na ordem dos 100 por cento, a APED estabelece a comparação entre a realidade nacional e o cenário comum na generalidade dos países da Europa, para demandar uma subida substancial do apoio estatal à aquisição de analgésicos.
José Romão, médico do Hospital Geral de Santo António, no Porto, e elemento da direcção da Associação para o Estudo da Dor, atesta que “a taxa de comparticipação de analgésicos em Portugal é muito baixa relativamente à da esmagadora maioria dos países europeus, já que em alguns desses países os analgésicos opióides chegam a ser gratuitos, usufruindo de comparticipações que atingem os 100 por cento”. Na opinião da APED, a comparticipação “adequada” aos analgésicos é de 95 por cento, sendo “inaceitável” que doentes com dor crónica possam ser impedidos de receber tratamento por falta de recursos económicos.
O clínico vai mais longe e compara a taxa de comparticipação dos analgésicos com a dos anti-inflamatórios, de 69 por cento, apesar de aqueles medicamentos revelarem “muitos efeitos secundários que são potencialmente graves”, tais como sangramentos e úlceras pépticas. Dados da Organização Mundial de Saúde relativos a 2004 demonstraram que o consumo de analgésicos opióides em Portugal é inferior ao que ocorre na grande maioria dos países europeus: seis vezes menos do que em Espanha, 12 vezes menos do que em França, 15 vezes menos do que na Alemanha e 20 vezes menos do que no Reino Unido. A associação exorta por isso a tutela a rever o apoio dado aos doentes que sofrem de dor crónica e que têm nos medicamentos analgésicos a principal fonte de alívio dos sintomas e de conforto no quotidiano.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, APED

Liga dos Amigos do Hospital São Bernardo vai oferecer 15 cadeiras terapêuticas para Oncologia

A Liga dos Amigos do Hospital São Bernardo (LAHSB) anunciou segunda-feira que pretende adquirir 15 cadeiras terapêuticas para equipar as novas instalações do serviço de oncologia daquela unidade hospitalar, situada em Setúbal, um objectivo que deverá estar cumprido até ao final do ano.

De acordo com Cândido Teixeira, presidente da LAHSB, a aquisição das 15 cadeiras terapêuticas, com um valor global de 30.000 euros, é um dos objectivos da Liga e deverá ser alcançado durante a campanha de sensibilização para a prevenção do cancro da mama, que decorre de 18 a 20 de Outubro, em Setúbal.

Cândido Teixeira falou aos jornalistas durante a apresentação pública de uma acção de prevenção contra o cancro da mama, promovida pela LAHSB e pela Sociedade Portuguesa de Senologia, no âmbito de uma campanha nacional que decorre ao longo do mês de Outubro.

Esta campanha de prevenção do cancro da mama deverá contar com a ajuda da antiga primeira-dama Maria José Ritta, que participa, sexta-feira, num passeio pela baixa da cidade de Setúbal, a que se seguem outras iniciativas, que terão lugar sábado à tarde no Auditório Charlot.

“O melhor diagnóstico do cancro da mama nas mulheres é a prevenção através do auto-exame, de preferência nos cinco dias após o período menstrual”, uma vez que a detecção precoce permite o tratamento de mais de 805 por cento dos casos, adianta a médica Emília Vaz Pereira, da Sociedade Portuguesa de Senologia.

“Em 2006 operámos 107 mulheres no Hospital São Bernardo, para além de muitas outras que foram tratadas sem cirurgia”, disse Emília Vaz Pereira, reforçando a ideia de que o auto-exame, feito pela própria mulher, é fundamental.

Emília Vaz Pereira lembra ainda que todas as mulheres com mais de 40 anos devem fazer uma mamografia todos os anos e que “qualquer mulher que detecte um corrimento mamilar, um nódulo palpável, uma alteração de cor ou de calor da mama, deve recorrer de imediato ao seu médico de família”.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Fármaco contra o cancro pode travar doenças vasculares

Investigadoras portuguesas descobrem novo efeito do "imatinib"; estudo vai ser publicado na revista «Angiogenesis»

O imatinib – composto usado no tratamento de alguns tipos de cancro – pode combater também doenças vasculares. A descoberta da nova terapêutica deste fármaco pertence a três investigadoras portuguesas. O estudo será publicado na revista biomédica «Angiogenesis».

Sabiam que o fármaco era utilizado em células tumorais e decidiram investigar se, também, teria o mesmo efeito no combate à aterosclerose. A equipa de investigadoras do Serviço de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) partiu de uma probabilidade, cujo estudo veio a validar. “O imatinib pode ser um bom agente terapêutico contra a arterosclerose, a restenose e outras doenças do foro vascular”, anunciou Ana Sofia Rocha, bióloga que desenvolveu a investigação.

Caracterizadas pelo crescimento anormal das células do músculo liso (as células de revestimento dos vasos sanguíneos) as doenças vasculares, especificamente, a aterosclerose continua entre as principais causas de doença e morte, em Portugal, embora já existam outros medicamentos capazes de bloquear o processo aterosclerótico.

Este facto não dissuadiu a equipa do Porto na procura de mecanismos alternativos. “Os resultados mostraram que o imatinib pode reverter a aterosclerose”, reforçou Raquel Soares (bioquímica que orientou o estudo), destacando ainda que o fármaco “pode evitar o reaparecimento de obstrução do vaso” (restenose) – que acontece, em muitos casos, após cirurgia.

Segundo explicou Ana Sofia Rocha, “nos ensaios constatámos que a incubação com imatinib reduzia a capacidade e viabilidade de migração das células do músculo liso”, revelando ainda que “foi encontrado um aumento significativo da percentagem de células mortas após o tratamento com o fármaco.”

Ressalvando que os ensaios feitos pertencem a uma fase preliminar, a investigadora antecipou que, o próximo passo de um longo caminho de ensaios clínicos, será “a utilização de modelos animais, nomeadamente, ratos com predisposição para a doença.”

Caso vingue, a descoberta de Ana Rocha, Raquel Soares e Isabel Azevedo pode significar um meio para reduzir o número drástico de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e enfartes do miocárdio.

De acordo com dados da Fundação Portuguesa de Cardiologia, 60% dos portugueses tem os níveis sanguíneos de colesterol elevados. Hipertensão arterial, obedidade, sedentarismo, tabagismo são factores que, equacionados ao colesterol, potenciam o risco de doenças vasculares.


Raquel Pacheco
Fontes: FMUP/Fundação Portuguesa de Cardiologia

Baldacci já retirou do mercado os lotes 05006 e 26605 de Lauroderme Creme

A Farmoquímica Baldacci anunciou esta segunda-feira que já retirou do mercado nacional os dois lotes do produto Lauroderme Creme, conforme havia anunciado a semana passada, devido à existência de granulosidade, que pode provocar desconforto ao tacto, mas não representa qualquer perigo para a saúde pública, disse à Lusa Vítor Coelho, responsável pela divisão de "Consumer Health" da empresa.

De acordo com o responsável, em causa estão os lotes 05006 e 26605, à venda em Portugal desde o ano passado, e que correspondem a uma forma de apresentação do medicamento com pouca representatividade em termos de vendas.

"A forma de apresentação em questão deve representar 1,5 a dois por cento das vendas totais em Portugal e não tem grande expressão quando comparada, por exemplo, com a pasta cutânea", explicou Vítor Coelho.

A recolha dos lotes em causa foi decidida na semana passada, imediatamente depois de detectado o anormal aspecto final granuloso, e contou com o acompanhamento da Autoridade Nacional do Medicamento (INFARMED).

"Este é um aspecto mais ligado à cosmética, uma vez que não estão em causa a saúde pública, a eficácia e segurança do produto", acrescentou

O Lauroderme Creme não está sujeito a receita médica e é usado como protector da pele, estando disponível em pasta, liquido, pó cutâneo e creme.

A empresa recomenda aos consumidores que estejam a usar estes lotes que se dirijam a uma farmácia para proceder à sua substituição da embalagem.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Afinal tomar a pílula não aumenta o risco de cancro da mama

Afinal os métodos anticoncepcionais orais não parecem estar directamente relacionados com o cancro da mama, pois a taxa de sobrevivência à doença não varia conforme as mulheres tomem ou não a pílula. A conclusão foi divulgada na passada sexta-feira pelo jornal Obstetrics and Gynecology e contraria estudos anteriores que apontavam a pílula anticoncepcional como um dos principais factores de risco do cancro da mama.

Segundo Herbert R. Peterson, um dos responsáveis pelo estudo, os resultados apurados são “muito tranquilizantes”, pois permitiram também concluir que “não parece existir nenhum motivo de preocupação sobre o facto de as mulheres tomarem a pílula em idades jovens, pelo menos relativamente ao problema do cancro da mama”.

A crença de que o cancro da mama está relacionado com a utilização de métodos anticoncepcionais orais surgiu em 1996, depois de uma análise a 54 estudos ter detectado que as mulheres que tomam a pílula têm um risco acrescido de desenvolver a doença.

Contudo, o estudo agora levado a cabo por uma equipa de investigadores da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, EUA, sugere que o facto de as mulheres tomarem a pílula as aproxima dos cuidados de saúde, o que pode conduzir a um diagnóstico precoce, contribuindo para a diminuição da taxa de mortalidade da doença, pois evitaria que o tumor chegasse a um estado avançado.

Actualmente, a taxa de mortalidade por cancro da mama, em mulheres entre os 20 e os 54 anos, que tomam a pílula, é de 4,292 mulheres.

No entanto, os investigadores não encontraram um aumento da mortalidade nem associado ao uso da pílula, nem à duração da sua utilização, ou tão pouco a alguma formulação especifica deste método anticoncepcional. Aliás, as mulheres que utilizem correntemente este método podem ter um decréscimo de 10 por cento na probabilidade de virem a sofrer da doença, ainda que os investigadores não tenham percebido exactamente como se dá esta relação.

De facto, um outro estudo realizado em 2002 também não encontrou maiores riscos de cancro da mama, em mulheres que tomem a pílula, relembra Peterson.

“Existem dúzias e dúzias de estudos que abordam a relação entre a pílula e o cancro da mama, mas quando analisamos as suas conclusões de forma comparativa percebemos que o resultado é muito tranquilizante, pelo menos no que respeita à mortalidade da doença”, constata o investigador.

No entanto, os investigadores não conseguiram ainda apurar qual o real efeito da pílula durante a menopausa, isto apesar de um estudo recente ter indicado que as mulheres que recorram a terapias de compensação hormonal, nesta altura, têm um risco acrescido de virem a desenvolver a doença.

Pelo sim pelo não, Peterson acredita que “para as mulheres até aos 40 anos, que não sejam fumadoras, os métodos de contracepção oral continuam a ser a solução, para muitas uma boa solução”, mas para ter a certeza serão ainda necessários mais estudos que venham comprovar esta conclusão e que esclareçam a segurança da pílula em mulheres mais velhas.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

Rede virtual sobre fármacos e tratamentos
Pfizer associa-se a fórum online para médicos


A Pfizer, multinacional suíça do sector farmacêutico, associou-se ao fórum online Sermo, uma página dedicada exclusivamente à classe médica (www.sermo.com), a quem visa fornecer informações detalhadas sobre a área do medicamento e dos dados clínicos a ele respeitantes.

Na rede virtual os médicos participam em debates, que resultam da sugestão dos utentes do site, trocam informações com os colegas, designadamente sobre a evolução registada nos tratamentos ou a posologia mais indicada para determinados casos clínicos. Há ainda a possibilidade de debater opiniões e pedir conselhos no que toca a diagnósticos e terapias. “Através desta associação com o Sermo, a Pfizer tenta descobrir, com ajuda dos médicos, a melhor maneira de trocar informações pela internet”, explicou o laboratório à Agence France-Presse. O Sermo está disponível online desde 2006 para os clínicos, mediante uma assinatura gratuita, estimando-se que tenha actualmente cerca de 30 mil assinantes.

Carla Teixeira
Fonte: AFP, Sermo.com

Crucell entra em acordo com a MedImmune para desenvolver anticorpos

A compania biotecnológica holandesa Crucell entrou num acordo exclusivo de licenciamento e investigação com a MedImmune, unidade da AstraZeneca, para desenvolver e comercializar anticorpos bacterianos para o tratamento e prevenção de infecções adquiridas nos hospitais.

A Crucell anunciou que a MedImmune irá efectuar pagamentos iniciais, anuais e quando forem atingidos objectivos, que poderão exceder os 40 milhões de dólares, para além do financiamento para investigação e desenvolvimento, e ainda regalias relativas às vendas, num valor não revelado.

Segundo a companhia, esta parceria combina as capacidades únicas de investigação, descoberta e desenvolvimento de anticorpos da Crucell com o conhecimento em desenvolvimento clínico e comercialização de anticorpos anti-infecciosos da MedImmune.

A MedImmune irá poder trabalhar com a tecnologia de anticorpos MAbstract da Crucell, que utiliza um método de subtracção de selecção para gerar anticorpos humanos, que a companhia afirma não estar disponível com outra tecnologia. Esta tecnologia pode ser utilizada para uma selecção mais rápida de especificidades monoclonais, e para identificar alvos únicos em proteínas, vírus, bactérias e células vivas ou tecidos. Também pode ser usada para identificar as regiões de ligação de anticorpos e antigénios, para ajudar no desenvolvimento de vacinas ou inibidores de pequenas moléculas.

Apesar dos resultados desta colaboração não serem esperados até daqui a alguns anos, este acordo é visto como uma validação importante da tecnologia da Crucell, e uma extensão positiva do seu negócio.

Segundo um analista da SNS, Marcel Wijma, os mercados para os tratamentos contra este tipo de infecções é substancial. No geral, este acordo é uma extensão positiva da pipeline actual de vacinas e anticorpos.

Segundo a Crucell, este acordo com a MedImmune tem como objectivo trabalhar numa das cinco áreas específicas de infecções adquiridas nos hospitais, sendo que a Crucell irá trabalhar independentemente nas outras quarto áreas.

A Crucell afirmou que as infecções bacterianas adquiridas nos hospitais afectam aproximadamente 2 milhões de pacientes por ano nos Estados Unidos e na Europa, provocando mais de 200 mil mortes.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, www.in-pharmatechnologist.com, Reuters, Forbes
Farmácia portuense quer facilitar acesso à imunização
Vacina contra o VPH a preço de custo


No mesmo dia em que começou a ser comercializada em Portugal a segunda vacina contra o Vírus do Papiloma Humano (VPH), agente responsável pelo cancro do colo do útero, uma farmácia portuense decidiu vender a imunização mais antiga a preço de custo. A ideia é democratizar o acesso a um medicamento que, pelo elevado preço, se torna indisponível para muitas famílias. O crédito também é uma opção…

A entrada no mercado farmacêutico português da segunda vacina contra o Vírus do Papiloma Humano levou a direcção da Farmácia de Santa Catarina, na cidade do Porto, a optar por vender as duas imunizações ao mesmo preço, sendo que a vacina que já existia no mercado confere imunidade relativamente a quatro tipos de vírus (6, 11, 16 e 18), enquanto a nova apenas protege das estirpes 16 e 18. O preço do novo tratamento ronda os 433 euros, divididos entre três doses de 144,41 euros cada, mas a farmácia portuense vai vendê-la a 399 euros, o preço que paga por ela, e que equivale a um custo de 130 euros por cada uma das três doses.
Na prática as duas vacinas passam a custar exactamente o mesmo, o que, para os responsáveis por esta iniciativa traduz um esforço no sentido da democratização do acesso ao medicamento por parte da população mais carenciada, tendo em conta que o cancro do útero é actualmente uma das doenças mais mortíferas para as mulheres lusitanas, e considerando ainda que nas famílias em que haja mais do que uma menina em idade de ser vacinada a situação assumirá contornos de grande problemática, visto que a despesa aumenta de modo considerável.
Numa iniciativa que demonstra o elevado espírito de solidariedade da direcção da Farmácia Santa Catarina para com os seus clientes, que na grande maioria recusavam comprar a vacina por não terem disponibilidade financeira para a pagar, o estabelecimento abdicou totalmente da sua faixa de lucro, possibilitando ainda a aquisição da imunização a crédito. Nas palavras do director técnico da Farmácia Santa Catarina, Carlos Almeida, além de esta ideia materializar “um serviço de utilidade pública”, contribuirá previsivelmente para atrair um maior número de clientes ao estabelecimento, fidelizando-os na aquisição daquele e de outros medicamentos, agora e no futuro. Nos últimos dias o responsável admitiu já ter percebido um aumento do número de pessoas que cruzaram a porta da farmácia em busca da vacina ou de outro tipo de produtos.
Porque “a prevenção do cancro do colo do útero não pode ser um privilégio dos ricos”, e tendo em conta que, mesmo custando 390 euros a imunização continua a ter um preço demasiado elevado para a generalidade das carteiras portuguesas, o farmacêutico do Porto entendeu permitir ainda a celebração de contratos de crédito, que são firmados ao balcão do estabelecimento, com vista a que ninguém seja obrigado a deixar de se vacinar por não dispor de meios financeiros para tal.

Carla Teixeira
Fonte: JornalismoPortoNet

FDA aprova Hycamtin Oral para o cancro do pulmão de pequenas células

Primeira terapia oral aprovada pela FDA irá permitir aos pacientes serem tratados em casa

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) aprovou o Hycamtin Oral (topotecano), da GlaxoSmithKline (GSK), para o tratamento da reincidência do cancro do pulmão de pequenas células, uma forma bastante rara da doença. A GSK declarou que o fármaco estará disponível em 2008.

A Glaxo sublinhou que o Hycamtin oral é o primeiro agente-único de quimioterapia aprovado para o tratamento do cancro do pulmão de pequenas células, após falha da terapia de primeira linha, e que irá permitir que os pacientes sejam tratados em casa. Especificamente, as cápsulas orais de Hycamtin foram aprovadas para o tratamento de pacientes que responderam total ou parcialmente ao tratamento de primeira linha com quimioterapia, e que estão, pelo menos, a 45 dias de terminar o tratamento. As cápsulas de Hycamtin pertencem à classe de fármacos conhecidos por inibidores da topoisomerase I (topo-I).

A GSK indicou que esta aprovação baseou-se nos resultados positivos da Fase III do estudo que comparou os pacientes com reincidência do cancro do pulmão de pequenas células, que receberam cápsulas de Hycamtin mais cuidados de suporte, com pacientes que só receberam cuidados de suporte, para além dos resultados adicionais dos estudos de Fase II e III.

A GSK anunciou que já submeteu pedidos de registo para o Hycamtin Oral na Europa, Canadá e noutros mercados mundiais.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, www.rttnews.com, CNNMoney