terça-feira, 28 de agosto de 2007

Polémica em torno da IVG nos centros de saúde
Médicos temem banalização do aborto


A realização de interrupções voluntárias da gravidez pelo método medicamentoso nos centros de saúde poderá “banalizar o que não deve ser banalizado”. O aviso é do bastonário da Ordem dos Médicos, para quem a medida pode fomentar o facilitismo e o abandono da contracepção.

O bastonário da Ordem dos Médicos defendeu que realizar interrupções voluntárias da gravidez medicamentosas em centros de saúde “pode banalizar o que não se deve” e acarreta responsabilidades para os médicos de família para as quais não foram preparados. A posição de Pedro Nunes é oposta à defendida pelo presidente do Colégio da Especialidade Ginecologia/Obstetrícia da Ordem, Luís Graça, para quem cerca de 90 por cento das IVG químicas, “tirando os 10 ou 12 por cento de casos eventualmente problemáticos”, deveriam ser realizados em centros de saúde, porque é lá que estão os “médicos que melhor conhecem a população”, e por se tratar de um acto médico simples.
O presidente da Comissão de Saúde Materna e Neonatal, Jorge Branco, afirmou que, além do centro de saúde de Viana do Castelo, mais “três ou quatro” estabelecimentos do Norte do País deverão começar a efectuar abortos a pedido da mulher em Setembro. Até final do ano a IVG medicamentosa será feita em centros de saúde de outras regiões. O bastonário considera que a realização de abortos fora dos hospitais é má em vários aspectos: “Estimula as pessoas a considerar banal o que não deve ser banal, impõe uma pressão sobre os médicos de família insustentável, obrigando-os a assumir responsabilidades para as quais naturalmente não foram treinados, ao mesmo tempo que a proximidade face ao doente dificulta-lhes a alegação de objecção de consciência, ao contrário de um médico hospitalar”.
Todos os “mecanismos convergem para uma eventual facilitação da IVG”, frisou Pedro Nunes, considerando que “a OM defende que o que deveria ser feito, para cumprir a legislação e a vontade dos portugueses, era continuar a definir a IVG como algo negativo que pode servir para resolver um acidente, e não como algo banal, fácil, acessível, que está ao pé da porta e que resolve todos os problemas. Assim, os baixos níveis de contracepção serão ainda mais baixos”, vaticinou. “A OM vê com preocupação que possa haver um aumento dos riscos, e lembra que tem de haver uma articulação perfeita entre serviços de medicina geral e familiar e serviços hospitalares”, vincou o responsável. Já Luís Graça considerou que os abortos deveriam cingir-se aos hospitais “até que fosse atingida uma determinada consistência”, mas contrapôs que, na medida em que “a lei apenas prevê a IVG apenas até às 10 semanas, e em casos que não levantem problemas, os abortos devem ser feitos nos centros de saúde, que contam com a complementaridade dos serviços hospitalares”.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa

Estudo sobre gastrite em crianças garante distinção a investigadores portugueses

Uma equipa de investigadores do Hospital de Santa Maria foi agraciada com o Prémio Científico Hospital de Santa Maria – Sanofi-Aventis. A distinção foi motivado por um projecto de investigação que pretendeu perceber qual a resposta da mucosa gástrica à infecção por Helicobacter pylori, bactéria causadora de gastrite.

“Linfócitos da mucosa e expressão de antigénios HLA-DR na gastrite associada a Helicobacter pylori pediátrica” é o nome do trabalho desenvolvido por José Fernando Gonçalves Ruivo, Ana Isabel Lopes, Rui Victorino e A.M. Palha que mereceu a atribuição do prémio. O estudo pretendeu fornecer esclarecimentos sobre a gastrite por Helicobacter pylori e aos mecanismos de desenvolvimento da doença, não possíveis em adultos (expostos a outros agentes nocivos que podem condicionar a avaliação dos resultados, como o tabaco ou alguns medicamentos).

O galardão tem o intuito de contemplar o melhor trabalho de investigação clínica ou clínico-laboral realizado por profissionais do Hospital de Santa Maria, promovendo a criação e desenvolvimento de projectos nacionais inovadores capazes de fazer a diferença no panorama actual da investigação científica.

“A atribuição destes prémios enquadra-se na política da Administração do Hospital, que entende e muitíssimo bem, que o Hospital de Santa Maria, enquanto Hospital Universitário deve dinamizar, tanto quanto possível, a actividade científica, logo a vertente da investigação, recorrendo para isso à atribuição de bolsas que permitam a execução de trabalhos científicos”, afirmou o Coordenador do Gabinete de Apoio à Investigação, António José Gonçalves Ferreira.

O prémio, anualmente financiado pela farmacêutica francesa Sanofi-Aventis, “tem como único objectivo incentivar os jovens médicos a desbravar caminhos e impulsionar a investigação científica em Portugal”, acrescentou o mesmo responsável.

Marta Bilro

Fonte: Médicos de Portugal.

FDA aceita avaliar tratamento anti-histamínico da Schering-Plough/Merck

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) aceitou a candidatura apresentada pela Schering-Plough Corp e pela Merck & Co Inc para avaliar uma possível autorização de comercialização para o loratadina/montelucaste, um medicamento experimental destinado ao tratamento da rinite alérgica. O fármaco combina dois tratamentos comummente utilizados num único comprimido.

A substância, que está a ser desenvolvida por uma jointventure criada entre as duas farmacêuticas, inclui na sua composição ingredientes activos do Claritine (Loratadina), da Schering-Plough, e do Singulair (Montelucaste) da Merck.

As empresas pretendem garantir a aprovação do loratadina/montelucaste enquanto tratamento dos sintomas da rinite em pacientes que procuram aliviar o congestionamento nasal.

De acordo com os laboratórios, o produto combinado vai ser alvo de uma revisão por parte da entidade reguladora norte-americana, o que, por norma, significa que a FDA deverá emitir uma resposta dentro de 10 meses.

A parceria estabelecida entre a Schering-Plough e a Merck deu já origem ao Zetia (ezetimiba) e ao Vytorin (Ezetimiba+Sinvastatina), dois fármacos redutores do colesterol que se têm revelado verdadeiros motores de lucro para ambas as farmacêuticas.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, Reuters, Infarmed.

Estatinas podem prevenir doença de Alzheimer, diz estudo

A ingestão de estatinas pode ajudar a prevenir a doença de Alzheimer, revela um estudo norte-americano. Os investigadores afirmam ter descoberto uma relação entre os medicamentos de redução do colesterol e um afastamento da doença.

O estudo, realizado na Universidade de Boston desde 2002, demonstrou que as estatinas podem reduzir o risco de desenvolver Alzheimer até 79 por cento, mesmo em pessoas geneticamente predispostas à doença. Algumas investigações anteriores indicavam que a doença de Alzheimer pode ser provocada por um fluxo sanguíneo reduzido e por alterações vasculares cerebrais, condições que podem ser prevenidas através da administração de estatinas.

A equipa de Gail Li, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, examinou 110 cérebros de americanos que faleceram entre os 65 e 79 anos de idade e tinham doado os órgãos para pesquisa. Os cientistas procuraram a presença de sinais característicos da doença de Alzheimer, como a acumulação anormal placas senis que se formam no cérebro e bloqueiam o funcionamento dos neurónios.

A investigação demonstrou que as pessoas que ingeriam estatinas com regularidade tinham um nível reduzido de placas senis em comparação com aqueles que não tomavam esses medicamentos. “As estatinas estão provavelmente mais aptas paraa prevenir a doença em determinado tipo de pessoas do que noutras", afirmou Gail Li que acredita que, um dia, deverá ser possível perceber mais rigorosamente qual o tipo de estatinas adequado a cada indivíduo.

Estima-se que, em Portugal, mais de 70 mil pessoas sofram de doença de Alzheimer. O diagnóstico é difícil sendo feito por exclusão de outras doenças com características semelhantes. Não há ainda tratamento eficaz para a cura da doença nem possibilidade de prevenção.

Marta Bilro

Fonte: Times Online, The Earth Times, Associação Portuguesa de Familiares e Amigos da Doença de Alzheimer.

INSA promove seminário sobre mecanismos de doença na era pós-genómica

No âmbito das actividades de divulgação científica para 2007, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) promove, no dia 27 de Setembro, o seminário de investigação "Mecanismos de doença na era pós-genómica: exemplo da fibrose quística". O evento, apresentado por Margarida Amaral, investigadora no Centro de Genética Humana, realiza-se no auditório do INSA, em Lisboa, a partir das 12h30 e a entrada é livre.

Este é o primeiro do terceiro ciclo de seminários organizados pelo INSA e dedicado a Novas abordagens na investigação em biomedicina, cujo programa foi divulgado pelo Farmacia.com.pt no dia 29 de Maio do ano corrente.

O principal objectivo é dar a conhecer os resultados das actividades de investigação científica do instituto. Pretende-se também fomentar a discussão sobre temas da área das ciências da saúde e promover o diálogo entre grupos de investigação com interesses comuns, dentro e fora desta instituição. À apresentação do trabalho segue-se uma discussão informal sobre o tema, que contará com a presença de um moderador especialista na área de investigação abordada.

O ciclo continua no dia 25 de Outubro, com um seminário subordinado ao tema “Identificação de factores de susceptibilidade para doenças multifactoriais - novos desafios e novas abordagens”; no dia 29 de Novembro, com o “Molecular epidemiology as a forensic technique for HIV and HCV transmission investigation”; e fica concluído a 13 de Dezembro com o seminário “De um laboratório de I&D a uma empresa de base tecnológica”.

Marta Bilro

Fonte: Portal da Saúde, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Farmacia.com.pt.

Ressonância Magnética ajuda diagnóstico de esclerose múltipla

Imagens do cérebro de doentes obtidas através de Ressonância Magnética permitiram a uma equipa de investigadores norte-americanos identificar uma anormalidade relacionada com a progressão da esclerose múltipla (EM). Os resultados do estudo, publicado na última edição da revista “Rediology”, representam uma inovação no diagnóstico da doença.

“Com base nestas descobertas, os médicos poderão diagnosticar a esclerose múltipla de forma mais exacta e identificar pacientes em risco de desenvolver esta doença progressiva”, afirmou Rohit Bakshi, professor assistente de Neurologia e Radiologia da Escola Médica de Harvard.

A Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória crónica, caracterizada pela destruição da mielina, camada protectora que rodeia as células nervosas. A doença interfere com a capacidade do sistema nervoso central para controlar funções como a visão, a locomoção ou o equilíbrio. Os dados da Associação Nacional de Esclerose Múltipla indicam que a doença afecta aproximadamente 2,5 milhões de pessoas no mundo, das quais 450.000 na Europa, a maioria mulheres com idades entre os 20 e os 50 anos, sendo a incidência maior nos países nórdicos. Em Portugal, estima-se que o número de doentes seja cerca de 5.000.

Apesar de existirem quatro classificações de EM, a Recorrente Remissiva, que atinge cerca de 60 por cento dos pacientes com menos de 40 anos, e a Secundariamente Progressiva, que resulta da evolução da anterior, são as duas mais comuns.

Os cientistas analisaram os dados de 145 doentes de EM, 112 mulheres e 33 homens, dos quais 92 estavam na fase Recorrente Remissiva da doença e 49 Secundariamente Progressiva. Em quatro pacientes a classificação da doença era desconhecida. Nos pacientes com EM, as imagens dos cérebros, obtidas por Ressonância Magnética, permitiram observar a frequência de áreas brilhantes chamadas lesões Hiperintensas, também conhecidas por áreas de «redução de T1».

Posteriormente, os investigadores procuraram perceber se haveria uma relação entre a frequência e a localização dessas lesões e a progressão da doença, atrofia do cérebro e incapacidade em pacientes com EM. A análise identificou 340 lesões T1 Hiperintensas em 123 pacientes e revelou que essas lesões são mais comuns em pacientes com EM Secundariamente Progressiva.

Entre os pacientes com EM Secundariamente Progressiva, 71 por cento apresentavam múltiplas lesões T1 Hiperintensas, que eram detectadas por 46 por cento dos pacientes com Recorrente Remissiva.

“As descobertas sugerem que as lesões T1 Hiperintensas ocorrem geralmente em pacientes com EM e que a presença de lesões múltiplas indica um risco de avanço do curso da doença”, referiu Baksh. O especislista considera, por isso que esta forma de diagnóstico é essencial na detecção e acompanhamento da progressão da doença.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Associação Nacional de Esclerose Múltipla.

Infarmed suspende vendas do medicamento Neostigmina Braun

Um pedaço de vidro encontrado numa ampola do medicamento Neostigmina Braun, utilizado no tratamento de problemas musculares causados pelo sistema nervoso central, levou o Infarmed, a Autoridade Nacional do Medicamento, a decretar a suspensão imediata das vendas de um lote deste fármaco.

A ordem de suspensão do Infarmed surge na sequência da decisão da empresa B. Braun Medical que imediatamente após a detecção de um pedaço de vidro de grandes dimensões no interior de uma ampola, iniciou a recolha do lote número A01 do Neostigmina Braun 0,5 mg/ml solução injectável, com validade até Dezembro de 2011.

A suspensão das vendas foi uma decisão tomada pelo Conselho Directivo do Infarmed, que pretende assim salvaguardar a integridade física dos utilizadores deste fármaco.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Teva vai produzir Quinapril genérico

A Teva Pharmaceutical Industries recebeu autorização da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) para produzir uma versão genérica do Acupril (Quinapril), da Pfizer, um medicamento indicado no tratamento da hipertensão e da insuficiência cardíaca congestiva.

A empresa israelita especializada no sector dos genéricos vai produzir todas as dosagens do fármaco que pretende brevemente começar a colocar no mercado. De acordo com a Teva, a substância e todas as fórmulas genéricas já existentes no mercado registaram vendas no valor de 110 milhões de euros nos Estados Unidos da América, durante os 12 meses que terminaram a 30 de Junho.

A autorização de comercialização concedida pela FDA vem na sequência do término da exclusividade pediátrica da patente norte-americana número 4,743,450.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, RTT News.

Novartis aposta na expansão para aumentar produção de anti-hipertensores

A Novartis vai aumentar a capacidade de produção da sua unidade fabril situada perto da cidade de Basileia, na Suíça. O objectivo é impulsionar a produção de tratamentos anti-hipertensores, como o Diovan (Valsartan), o Exforge (Amlodipina + Valsartan) e o Resilez (Aliskiren).

De acordo com a farmacêutica, o grupo pretende investir perto de 183 milhões de euros (300 milhões de francos suíços). O projecto deverá criar 80 novos postos de trabalho na região, afirma a Novartis.

A empresa tem vindo a apostar continuamente na expansão logística. Tal como foi noticiado, no dia 14 de Agosto, pelo Farmacia.com.pt, o laboratório suíço anunciou também um alargamento das instalações de duas fábricas no Brasil, através do qual tem intenções de triplicar o volume de exportações de fármacos nos próximos cinco anos.

O Resilez, aprovado esta segunda-feira pela União Europeia, permite à empresa manter-se na corrida à liderança do mercado de anti-hipertensores, dado que a patente do Diovan, fármaco da empresa com maior número de vendas, verá a patente expirar em 2012.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money, Farmacia.com.pt.

Fármaco experimental para tratamento do cancro dos ossos
FDA negou aprovação ao mifamurtide


A Food and Drug Administration recusou o pedido de aprovação apresentado pela firma IDM Pharma para utilização do medicamento experimental mifamurtide em pacientes do sarcoma dos ossos não metastizado. Na carta em que dá conta da decisão, a entidade reguladora norte-americana solicita mais dados sobre o fármaco e sugere a realização de novos ensaios clínicos para demonstrar os seus alegados benefícios.

A companhia farmacêutica anunciou que pretende submeter à apreciação da autoridade do sector novos dados relativos ao resultado da administração do fármaco em doentes submetidos a um ensaio clínico de fase III, bem como outras informações solicitadas na carta da FDA, cujo painel de especialistas reprovou, com 12 votos contra e dois a favor, a aprovação do mifamurtide. O representante máximo da IDM Pharma, Timothy Walbert, considerou que a decisão da autoridade norte-americana se terá devido a uma “falta de informação completa”, e que a recolha de novos dados permitirá atestar os benefícios da substância e provará a sua eficácia.

Carla Teixeira
Fonte: Firstword
Herpes ocular exige tratamento imediato
Médico recuperou visão de doente com cola


O herpes simplex, vírus comum cuja presença se manifesta através de pequenas lesões e úlceras nos lábios, pode também acometer o nariz e os olhos, neste caso provocando uma gradual perda de visão se não for tratado atempada e convenientemente. A dor nas pálpebras e a inflamação da córnea são os sinais mais comuns da doença, que reincide em momentos de baixa imunidade do doente ou diante de situações de maior stress. No Brasil um médico selou o olho de uma paciente com cola de cianoacrilato.

A técnica aplicada pelo médico Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido e director clínico do do Banco de Olhos de Campinas, na sua paciente Nelida Gomes de Lorenzo, que fora acometida de herpes ocular, evita complicações cirúrgicas e permite o isolamento do olho sem perda do sinal de perfuração da córnea que prioriza a realização do transplante. Foi exactamente por isso que o especialista escolheu esta técnica, tendo em conta que “o cianoacrilato serve de apoio ao crescimento de tecido cicatricial sobre a área perfurada, retarda a necrose e tem ação bactericida”. Neste caso “a perfuração não atingiu três milímetros, que corresponde às dimensões máximas para aplicação daquela cola, que em áreas maiores revela toxicidade.
De acordo com Leôncio Queiroz Neto, o vírus do herpes surge por volta dos cinco anos, mas permanece na sua forma latente, podendo ser accionado através do contacto com um portador, por uma situação de grande stress ou em momentos de quebra do nível de imunidade no organismo. Dor nos olhos, lacrimejamento, sensibilidade à luz e redução da acuidade visual são os principais sintomas da doença, que pode ser “alimentada” por traumas, febres e resfriados, causando inflamações na córnea. A reincidência das crises tem como consequência a cada vez menor expessura da córnea, que pode provocar a formação de cicatrizes e a perfuração, levando à cegueira.
Dias depois de ter sido submetida a esta técnica, Nelida foi submetida a um transplante e recuperou a visão, apesar de o olho não estar ainda totalmente curado. De acordo com Queiroz Neto, a utilização da cola de cianoacrilato poderia ter sido acompanhada da realização de um transplante tectónico – “espécie de curativo biológico feito com uma córnea descartada por não ser adequada para restituir a visão à receptora” – e do recobrimento conjuntival. O problema, explica, é que “o transplante tectónico é muito mais invasivo, porque pode gerar maior número de procedimentos ou aumentar o risco de cataratas, tem uma forte reação inflamatória e a recuperação para o transplante definitivo demoraria, no mínimo, 15 dias. Já a recuperação do recobrimento conjuntival pode variar entre seis a oito meses, período em que a doente ficaria com o olho branco, e teria dificuldades em voltar às suas actividades quotidianas, correndo ainda o risco de ficar em fila de espera por uma córnea, já que o sinal de perfuração poderia desaparecer apesar do comprometimento da visão.

Vírus latente
O herpes é um vírus que tem capacidade para permanecer no organismo durante vários anos sem ser detectado. “Uma vez que o paciente entrou em contacto com o vírus, as feridas poderão surgir sempre que estiver com baixa imunidade ou passar por situações física e emocionalmente stressantes”, explica o oftalmologista Renato Neves, director da rede Eye Care. O tratamento imediato das manifestações do herpes simplex é feito com medicamentos antivirais, que travam a replicação do vírus e a consequente destruição das células epiteliais. A infecção pode atingir camadas profundas da córnea e agravar o quadro clínico. “Repetidas ocorrências dessas manifestações agressivas podem levar à perda de visão”, reitera aquele especialista.
Renato Neves explica que “o vírus do herpes simplex é diferente do herpes associado à doença sexualmente transmissível”, pelo que o chamado herpes ocular não se transmite por aquela via. “Também é importante diferenciá-lo do herpes zoster, que tem sintomas semelhantes, mas é provocado pela varicela”. Mais de metade da população mundial é hospedeira daquele vírus e já teve pelo menos uma crise. Actualmente existem diversos meios de tratamento de todas as formas da doença, através do recurso a antibióticos, comprimidos ou colírios. Nos casos mais graves há ainda a possibilidade de transplante da córnea. Apesar de totalmente tratável, a comunidade científica ainda investiga a cura para a doença.

Carla Teixeira
Fonte: Mail do farmacia.com.pt, Segs.com.br, MedCenter, «Saúde News Journal»
FDA continua processo de avaliação daqueles fármacos
Esomeprazol e omeprazol não afectam o coração


A Food and Drug Administration (FDA), entidade reguladora do sector do medicamento nos Estados Unidos, está a avaliar o impacto das substâncias esomeprazol e omeprazol no desenvolvimento de doenças cardíacas, depois de em Maio deste ano terem surgido dados que levantaram algumas dúvidas a esse respeito. No entanto, investigações mais recentes concluíram que a administração daqueles fármacos não aumenta os riscos da prevalência daquele tipo de patologias.

Uma primeira bateria de testes realizada há cerca de três meses gerou algumas dúvidas sobre os medicamentos, desenvolvidos e comercializados pela companhia anglo-sueca Astrazeneca, relacionando a sua toma com o aumento do risco de enfarte do miocárdio e de morte súbita devida a problemas cardiovasculares. Não obstante, feita uma análise preliminar pelos seus especialistas, a entidade reguladora norte-americana decidiu que, pelo menos até aos resultados finais, aguardados para o próximo mês de Novembro, os dois compostos químicos permanecerão disponíveis no mercado, mediante a obrigatória apresentação de receita médica, considerando que os problemas cardíacos observados em estudos anteriores não consubstanciam um “efeito verdadeiro” da medicação. A FDA aconselha ainda os doentes medicados com esomeprazol e omeprazol a prosseguir o seu tratamento, que não deve ser interrompido sem uma prévia consulta ao médico assistente. O esomeprazol e o omeprazol são antiácidos e anti-ulcerosos, modificadores da secreção gástrica e inibidores da bomba de protões, e estão indicados no tratamento de úlceras pépticas, esofagites de refluxo e na síndroma de Zollinger Ellison.

Carla Teixeira
Fonte: Saúde na Internet, Prontuário Terapêutico
Medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias
Vendas atingiram os 5,6 milhões de euros


O volume de vendas de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias atingiu, no período compreendido entre Janeiro e Julho deste ano, um valor acima dos 5,6 milhões de euros, cerca de cinco vezes mais do que no período homólogo de 2006. São números avançados pela Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde, e correspondem à comercialização de mais de 1,2 milhões de embalagens.

Numa nota divulgada ontem, o Infarmed atesta que a venda daqueles fármacos chegou aos 5.612.543 euros, contabilizando os totais das vendas dos 488 estabelecimentos de dispensa de medicamentos actualmente existentes fora da rede de farmácias (em Julho do ano passado havia apenas 186 daquelas lojas em Portugal). O mercado tem vindo a sofrer um alargamento progressivo desde que o Governo liberalizou a comercialização dos fármacos que não exigem prescrição médica, permitindo que passassem a ser vendidos fora da rede nacional de farmácias. Já no períoro compreendido entre Janeiro e Julho de 2006, as vendas dos chamados OTC (“over the counter”) atingiram, em Portugal, um valor de 1.103.680 euros, cinco vezes abaixo do agora divulgado pelo Infarmed, e que teve como correspondência a disponibilização de apenas 250 mil embalagens.
De acordo com a análise da entidade reguladora, também neste ano os medicamentos mais vendidos foram os analgésicos e os antipiréticos, que totalizaram 23 por cento do volume transaccionado, e o princípio activo mais vendido foi o paracetamol, embora no que diz respeito ao valor tenha sido a nicotina, vendida em pastilhas e pensos com vista a combater o vício do tabaco. Os distritos de Lisboa, Porto e Setúbal – mais populosos e com maior número de estabelecimentos de dispensa de fármacos fora da rede nacional de farmácias – absorveram a maior fatia das vendas realizadas naquele período, tendo a cadeia de hipermercados Modelo/Continente totalizado cerca de 40 por cento daquele mercado, uma realidade abordada num estudo da Deco que, como o farmacia.com.pt oportunamente noticiou, dava justamente conta da prática, nas grandes superfícies, de preços inferiores aos existentes antes da liberalização do sector dos medicamentos sem receita.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed, «O Primeiro de Janeiro», farmacia.com.pt

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Biofarmacêutica quer combater doenças metabólicas
Shire HGT instala-se no Brasil


A companhia biofarmacêutica Shire HGT acaba de se instalar no Brasil. Com um investimento que ascende a cerca de 20 milhões de reais, a unidade de negócios da Shire (a terceira maior empresa do sector em Inglaterra) no mercado brasileiro deverá dedicar os próximos anos ao lançamento de produtos e à realização de ensaios clínicos.

O objectivo da nova empresa será essencialmente o de fazer chegar àquele país da América do Sul soluções inovadoras para o tratamento de doenças genéticas metabólicas como o síndroma de Hunter, que atinge um em cada 2500 recém-nascidos brasileiros. A Shire aguarda que, a breve trecho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entidade reguladora do sector do medicamento no Brasil, dê a sua aprovação ao único medicamento existente à escala mundial para o tratamento daquele síndroma, de que dependem pelo menos 60 pessoas já identificadas no país, e que sem o fármaco estarão simplesmente condenadas à morte. Perseguindo o objectivo estratégico de se transformar na empresa líder do sector biofarmacêutico a nível internacional, a Shire focaliza a sua actividade na busca de respostas para as necessidades da medicina mais especializada, nomeadamente em áreas como a hiperactividade, as terapias genéticas e as desordens gastrointestinais e renais.

Carla Teixeira
Fonte: Portal Fator, Shire.com

Álcool reduz risco de cancro nos rins

O consumo de dois copos de vinho por semana pode reduzir o risco de desenvolver cancro nos rins, pelo menos é esta a conclusão de um relatório publicado no British Journal of Câncer, que faz a comparação entre a associação de diferentes tipos de bebidas alcoólicas e o total de consumo de álcool, com o risco de cancro nos rins. A conclusão aponta que quem bebe mais do que dois copos de vinho por semana tem uma menor probabilidade de vir a sofrer de cancro renal, do que os indivíduos que não ingerem qualquer bebida alcoólica.

O estudo recorreu à observação de 855 indivíduos de nacionalidade sueca, às quais havia já sido diagnosticado cancro nos rins, contando ainda com um grupo de controlo composto por 1024 indivíduos sem cancro.

De acordo com as conclusões da investigação, os indivíduos que bebem vinho tinto têm menos 40 por cento de probabilidade de virem a desenvolver a célula que provoca o cancro, e uma tendência semelhante acontece em relação ao vinho branco e à cerveja considerada mais forte. No que respeita ao consumo de cerveja light, vinho e licor fortes ou cerveja de intensidade média-forte, não foi encontrada qualquer relação com o risco de desenvolver este tipo de cancro.

Segundo a responsável pelo estudo, Alicja Wolk, do Instituto Karolinska em Estocolmo, “o risco reduzido, associado com consumo de vinho e cerveja pode ser originado nos ‘fenólicos’ que contêm, visto que estes possuem propriedades antioxidantes e antimutagénicas”.

“Contudo, o baixo risco que observamos nas três bebidas sugere que é o álcool por si que é responsável pela redução, e não um qualquer tipo de bebida”, esclarecem os investigadores.

Inês de Matos

Fonte: Sol

Hipermercados Modelo e Continente lideram mercado de venda de medicamentos sem receita médica

O Infarmed anunciou que a empresa Modelo Continente Hipermercados, da Sonae SGPS, lidera o mercado de venda de medicamentos sem receita médica, tendo atingido uma quota de mercado na ordem dos 40 por cento, no período compreendido entre Janeiro e Julho de 2007.

“O Modelo Continente Hipermercados é responsável por cerca de 40 por cento do mercado e apresenta um índice de 96,0, o que significa que os seus preços são em média inferiores aos existentes antes da entrada em vigor da liberalização dos preços", refere o Infarmed em comunicado.

Em Portugal existem 488 locais registados no Infarmed para a venda de medicamentos sem receita, cujas vendas atingiram os 5,6 milhões de euros nos primeiros sete meses do ano, registando-se uma maior procura destes fármacos nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.

Na segunda posição encontra-se a Companhia Portuguesa de Hipermercados com 8,4 por cento de quota e a Novapotheke-Produtos de Saúde ocupa a terceira posição com 3,3 por cento. Em sétimo e 13º lugares, com uma percentagem de 1,9 por cento e de 0,7 por cento dos volumes vendidos, encontram-se os poderosos grupos internacionais El Corte Inglés e Carrefour, respectivamente.

Os fármacos mais vendidos são os Analgésicos e Antipiréticos, com uma percentagem de 23,3 por cento, enquanto o paracetamol foi a substância activa mais vendida, em termos de unidades, e a nicotina, a maior em termos de valor.

O distrito de Lisboa conta com o maior número de locais de venda, sendo também a região do pais onde se registam preços mais baixos.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

Ligação entre cancro e sexo oral pode justificar administração de Gardasil em rapazes

O Gardasil, vacina contra o papilomavírus humano (HPV) destinada à prevenção do cancro do colo do útero, pode também vir a ser administrado em rapazes adolescentes para ajudar a evitar os casos de cancro relacionados com o sexo oral, dizem os especialistas.

O número crescente de casos em estudo demonstra que o vírus do papiloma humano, responsável pelo cancro do colo do útero, está também relacionado com cerca de metade dos casos de cancro da garganta ou orofaríngeos. Num artigo de análise publicado no jornal “Cancer”, clínicos do Centro Médico Anderson da Universidade do Texas aconselham os cientistas a apressar os estudos da vacina contra o HPV em adolescentes do sexo masculino, para que possa expandir-se a utilização da vacina.

Os investigadores acreditam que a melhor forma de reduzir os casos de cancro provocados pelo HPV é alargar o âmbito de adolescentes vacinados com Gardasil. De acordo com Kelly Dougherty, porta-voz da farmacêutica norte-americana, a empresa está já a estudar a possível aplicação da vacina em rapazes e tem planos para submeter o medicamento a aprovação nos Estados Unidos da América com essa indicação de utilização.

“Encorajaríamos a industria e os cientistas a estudarem a eficácia em rapazes e homens para que o programa de vacinação possa ser alargado”, afirmou Erich Sturgis, professor de cirurgia de cabeça e pescoço no Centro Médico Anderson e o principal autor do artigo. “Sabemos que os homens estão a ficar expostos e que uma maior proporção de cancros orofaríngeos são causados pelo HPV”, acrescentou.

Descobertas recentes indicam também a existência de uma ligação entre o vírus e o cancro do pénis, ânus e vagina. A relação entre o vírus e os cancros da cabeça e do pescoço, que, na sua maioria, afectam os homens, sublinha a necessidade dos rapazes serem vacinados antes de iniciarem a vida sexual, afirmam os especialistas.

Os dados sobre a utilização da vacina em adolescentes do sexo masculino devem ser divulgados durante o próximo ano, revelou Dougherty. O Gardasil pode, actualmente, ser administrado em rapazes adolescentes na União Europeia, México, Austrália, Nova Zelândia, Indonésia, Costa Rica e Coreia.

O cancro oral e da orofaringe era uma doença exclusiva dos “fumadores e dos alcoólicos”, refere Sturgis, porém, a “alteração das práticas sexuais assim como o aumento da frequência com que os adolescentes e jovens adultos praticam sexo oral pode contribuir para um maior número de casos de cancro orofaríngeos associados ao HPV”, frisam os investigadores.

Em mais de 90 por cento dos casos de cancros orais provocados pelo HPV a infecção foi causada pelo tipo 16 do vírus. O Gardasil protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV e o Cervarix, vacina comercializada pela GlaxoSmithKline oferece protecção contra os tipos 16 e 18. Segundo dados da Sociedade Americana de Cancro, anualmente, cerca de 650 mil pessoas são diagnosticadas com um cancro da cabeça ou do pescoço em todo o mundo, desse total, 350 mil casos revelam-se fatais.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Infarmed.

Após detecção de um pedaço de vidro numa ampola
Recolha voluntária do Neostigmina Braun


O Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) emitiu uma circular informativa com carácter “muito urgente” em que dá conta da recolha voluntária, por parte da firma B. Braun Medical Lda., do lote nº A01, com prazo de validade até Dezembro de 2011, do seu medicamento Neostigmina Braun 0,5 mg/ml solução injectável.

Na nota, destinada às administrações regionais de saúde, aos centros de saúde, grossistas, hospitais e organizações nacionais e assinada pela vice-presidente do Conselho Directivo do Infarmed, Luísa Carvalho, a entidade reguladora dá conta de que na base da medida agora anunciada terá estado a detecção, no interior de uma das ampolas daquele fármaco, de um vidro de grandes dimensões. Perante o inesperado acontecimento, e tendo sido alertado para a situação pela própria empresa farmacêutica, o Conselho Directivo do Infarmed ordenou a suspensão imediata da comercialização daquele lote do medicamento.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

Analistas falam de possível interesse na compra da Bradley

Ranbaxy e Dr Reddy procuram novas aquisições

Na mesma altura em que um relatório coloca a Índia entre os dez mercados farmacêuticos mais importantes do mundo nos próximos dez anos, há relatos de que os produtores locais estão à procura de novas aquisições. A Dr Reddy e a Ranbaxy são as principais candidatas e, de acordo com os analistas, ambas as empresas deverão estar interessadas na norte-americana Bradley Pharmaceuticals.

Apesar de admitir que as aquisições fazem parte da agenda da empresa, uma porta-voz da Dr Reddy escusou-se a comentar aquilo que vem sendo escrito na imprensa acerca de um possível interesse na Bradley, que tem uma capitalização de mercado superior a 240 milhões de euros. “Estaremos sempre receptivos às oportunidades”, afirmou a responsável.

A Dr Reddy adquiriu a alemã Betapharm, no ano passado, um negócio que envolveu perto de 419 milhões de euros. A Ranbaxy, farmacêutica líder em vendas no mercado indiano, comprou a Terapia, na Roménia, por 238 milhões de euros, em 2006, porém este ano, não se registou qualquer aquisição em nenhuma das duas empresas. Na opinião dos analistas, esta ausência de movimentações não está relacionada com o factor financeiro mas antes com a inexistência de um negócio promissor.

“Obter financiamento não é um grande problema para estas empresas”, afirma Sarabjit Kaur Nangra, analista da Angel Broking Ltd que acredita que pode surgir uma proposta de aquisição da Ranbaxy e da Dr Reddy sobre a Bradley. Segundo refere a especialista, a consolidação é um ingrediente essencial para expandir o mercado de acções e qualquer alvo que possa surgir, caso proporcione crescimento, é do interesse destas empresas.

A Dr Reddy's, segunda empresa líder ao nível de vendas no mercado farmacêutico indiano, cresceu cerca de 147 milhões de euros, em 2006, através da emissão de acções americanas. A Pharmaceutical Industries, a maior farmacêutica Indiana por capitalização de mercado, tem planos para crescer 627 milhões de euros de forma a financiar aquisições no mercado internacional de genéricos.

A Ranbaxy, que adquiriu oito empresas no ano passado e desistiu da corrida pela unidade de genéricos da Merck kGaA, no inicio deste ano, demonstrou interesse em aquisições nos Estados Unidos da América e na Europa. “Não podemos comentar especulações. No entanto, o crescimento através de aquisições é uma das nossas estratégias e uma das chaves para seguirmos em direcção à expansão do negócio”, referiu a mesma fonte da empresa.

Marta Bilro

Fonte: Reuters.

Ypsomed processa Sanofi-Aventis por violação de patente

Queixa envolve sistema de dosagem de insulina

Depois da NovoNordisk, chega agora a vez do grupo farmacêutico suíço Ypsomed processar a Sanofi-Aventis devido a uma alegada violação de duas patentes relacionadas com a caneta de insulina SoloStar. A Ypsomed diz ter direito a uma compensação monetária e pretende que o produto seja banido do mercado.

O laboratório francês foi recentemente processado na justiça norte-americana pela NovoNordisk devido a uma alegada violação da patente do referido sistema de dosagem. Desta feita a Ypsomed, que produz a Optiset, a OptiClik e a OptiPen Pro, interpôs uma queixa nos tribunais alemães acusando a Sanofi-Aventis de infringir duas patentes detidas pela TecPharma Licensing AG, uma das suas unidades de negócio.

A Sanofi-Aventis veio a público afirmar que tem intenções de defender os seus direitos para “assegurar a disponibilização” dos seus produtos aos pacientes. “Estamos conscientes do processo judicial mas a nossa leitura da situação é preliminar”, referiu um porta-voz da empresa, acrescentado que é demasiado cedo para dar quaisquer indicações acerca do desenvolvimento dos procedimentos legais.

“A Sanofi-Aventis respeita todos os direitos de patente legalmente válidos”, concluiu o mesmo responsável.

Marta Bilro

Fonte: Forbes.

Resilez aprovado na UE

A União Europeia (UE) deu luz verde ao Rasilez (Aliskiren), um fármaco da Novartis destinado ao tratamento da hipertensão.

O Resilez é o primeiro de uma nova classe de fármacos que actua através da inibição directa da renina, uma enzima que desencadeia um processo que conduz ao aumento da pressão sanguínea.

Comercializado como Tekturna nos Estados Unidos da América, o medicamento foi desenvolvido em parceria com a Speedel AG, uma empresa farmacêutica suíça de pequenas dimensões. De acordo com o laboratório suíço, a aprovação da UE aplica-se à utilização do fármaco no tratamento da hipertensão bem como à administração do medicamento em associação com outros anti-hipertensores.

Esta decisão era aguardada desde Junho, altura em que o Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) emitiu um parecer positivo que recomendava a aprovação do fármaco.

A avaliação foi baseada em 44 estudos clínicos que envolveram mais de 7.800 pacientes e demonstraram que o Resilez actuava de forma eficaz na redução da pressão sanguínea durante 24 horas e, nalguns casos, durante mais tempo.

Actualmente, estima-se que perto de mil milhões de pessoas, em todo o mundo, tenham problemas de hipertensão.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, Reuters.

Fumar duplica risco de desenvolver degeneração macular relacionada com a idade

Fumar aumenta as probabilidades de desenvolver degeneração macular relacionada com a idade (DMI), uma das principais causas de incapacidade nos idosos e a maior responsável pela perda de visão nos adultos. O alerta é dado pela Associação Profissional Alemã de Oftalmologistas.

De acordo com vários estudos, a nicotina é prejudicial para os olhos, sendo que, os fumadores aumentam para o dobro o risco de vir a sofrer de DMI, no entanto, a maioria não está consciente de que este vício pode provocar danos na visão.

Esta não á a primeira vez que a doença é associada aos fumadores. Investigadores da Universidade de Sidney, que acompanharam 2.454 pacientes durante 10 anos, observaram também que, relativamente aos não fumadores, os fumadores tinham quatro vezes mais probabilidades de desenvolver DMI.

Embora não sejam conhecidas as causas desta doença, sabe-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo são afectadas. Em Portugal, estima-se que cerca de 45 mil pessoas entre os 50 e os 59 anos tenham DMI. Este número sobe para perto de 100 mil afectados entre os 60 e os 69 anos e para quase 300 mil acima dos 70 anos. Para além da carga hereditária, da idade, da má dieta, ou da obesidade o tabaco era já apontado como um dos factores passíveis de estar relacionado com o aparecimento desta patologia.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, Forbes.

Número de diabéticos aumentou 40% em sete anos

O número de diabéticos em Portugal cresceu 40 por cento desde há sete anos. Os dados resultam do 4.º Inquérito Nacional de Saúde e apontam para uma incidência da doença em Portugal de 6,5 por cento, entre 2005 e 2006, sendo que em 1998/9 a diabetes afectava apenas 4,7 por cento. Um aumento “substancial” que, ainda assim, é “subestimado”, considera o presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, Luís Gardete.

Esta é uma perspectiva que pode não espelhar a realidade do país já que o inquérito, realizado pelo INE e pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, engloba apenas o total de diagnosticados. Assim, ficam por contabilizar os casos não diagnosticados que Luís Gardete acredita que possam ser 30 a 40 por cento o que, a confirmar-se, elevaria o número para perto de um milhão.

Apesar do aumento acentuado do número de doentes provocar alguma perplexidade, as causas deste acréscimo são bem conhecidas. "As pessoas não se mexem, são sedentárias e o tipo de alimentação tradicional, rico em fibras, foi substituído", diz o especialista em declarações ao jornal Diário de Notícias. O excesso de peso entre a população adulta, mas também em 30 por cento das crianças da sociedade portuguesa, é um dos principais factores que contribui para o surgimento da diabetes.

O envelhecimento da população tem igualmente influência neste aumento. "A partir dos 65 anos, entre 18% e 20% é diabética”, afirma Luís Gardete, acrescentando que tal facto “é natural”, isto porque “vive-se melhor, até mais tarde". Os médicos estão mais alerta relativamente à doença, apostando nos diagnósticos precoces e mais precisos. A incidência da doença não difere entre homens e mulheres, no entanto, a camada mais jovem da população preocupa o médico. "Há duas décadas não havia casos de diabetes antes dos 35 anos e agora já existem. Isto mostra que o panorama é grave", sublinha.

Apesar de haver uma maior sensibilização por parte dos médicos, em Portugal há falhas no que diz respeito ao diagnóstico precoce e à prevenção, afirma Luís Gardete Correia, também coordenador do Programa Nacional do Controlo da Diabetes. "Esta doença evolui silenciosamente, altera os vasos e é uma das principais causas de problemas cardiovasculares. Além disso, é a primeira causa de cegueira, insuficiência renal com recurso a hemodiálise e de amputações não traumáticas", alerta.

De acordo com o responsável a prevenção é crucial: "a prática de exercício e uma alimentação correcta podiam evitar 40% dos casos", salienta. Repartidos pelos internamentos, cirurgias ou medicamentos, os custos da doença representam 8 a 12 por cento do orçamento na área da saúde. Apesar das estatísticas da doença serem desanimadoras, nem tudo é negativo. Segundo afirma Luís Gardete, têm havido iniciativas capazes de contribuir para a detecção de muitos casos de retinopatia e para evitar cegueiras. Um dos exemplos foi uma campanha que fez circular carrinhas de rastreio no centro do país.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias.

Depois da Novartis, Roche anuncia investimento no país
Brasil cativa farmacêuticas suíças

As duas maiores e mais prestigiadas multinacionais do sector farmacêutico com sede na Suíça estão de olhos postos no Brasil. Depois de, tal como o farmacia.com.pt noticiou a seu tempo, a Novartis ter anunciado a intenção de ampliar as suas instalações naquele país, aumentando o desenvolvimento de medicamentos em duas unidades fabris locais, a Roche anuncia agora que está também a preparar uma estratégia para se afirmar no mercado brasileiro.


Reagindo às notícias que, no início deste mês, davam conta de um possível interesse da companhia suíça no mercado brasileiro, para onde teriam inclusivamente viajado vários responsáveis, com o objectivo de avaliar a viabilidade deste projecto, o farmacia.com.pt foi interpelar o assessor da Roche Farmacêutica, João Pereira, que não confirmou o teor daquelas informações, alegando não estar ao corrente de decisões institucionais que só os escritórios centrais da empresa, em Genebra, poderiam tomar e anunciar. Entretanto, a imprensa suíça vem acompanhando com interesse as movimentações da companhia, e anuncia agora que a Roche estará a preparar um aumento do investimento no Brasil, designadamente com o objectivo de ali poder desenvolver projectos de investigação de novos medicamentos.
Sabe-se agora que o grupo de especialistas que no início do mês viajou para o Brasil foi contactar numerosos centros de investigação locais, visando fazer um levantamento das possibilidades de firmar parcerias com aqueles organismos, sobretudo no emergente sector da biotecnologia. Ao longo de cinco dias, os peritos da Roche visitaram entidades como as universidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Campinas, o Instituto do Coração e o Butantã. “Os contactos foram bons, e o nível das apresentações excelente”, sintetizou Ernest Egli, presidente da Roche Brasil, no final da visita. A Roche está presente no Brasil há cerca de 75 anos, mas esta é a primeira vez que demonstra interesse em investigar e desenvolver novos fármacos no país.

Carla Teixeira
Fonte: Swissinfo, farmacia.com.pt, contacto telefónico com João Pereira

Medicamento é comercializado pela Novartis como Famvir
Teva autorizada a produzir genérico do famciclovir


A companhia farmacêutica Teva recebeu resposta afirmativa da norte-americana Food and Drug Administration (FDA) ao seu pedido para iniciar a produção da versão genérica do Famvir (famciclovir) da Novartis, mas reconheceu que não deverá avançar com essa produção antes de 5 de Setembro, altura em que será conhecida a sentença relativa ao medicamento, cuja patente a empresa suíça considera ser válida até 2010, e que esteve na base de um processo lançado contra a Teva em 2005. No mercado farmacêutico dos Estados Unidos aquele fármaco é comercializado com base num acordo entre a Novartis e a TAP, um consórcio constituído pela Abbott e pela Takeda, e tem sido utilizado para o tratamento de episódios agudos de herpes zoster, bem como de certos casos de herpes simplex.

Carla Teixeira
Fonte: Firstword
Tratamento para o cancro microcítico do pulmão
Avastin da Roche aprovado na Europa


A Agência Europeia do Medicamento aprovou o Avastin (bevacizumab), desenvolvido e comercializado pela farmacêutica suíça Roche, como tratamento de primeira linha para doentes em estado avançada do cancro microcítico do pulmão, em associação com a quimioterapia. Os peritos da EMEA tiveram em conta que se trata do único fármaco que demonstrou benefícios em termos de sobrevivência depois de ter sido usado durante um ano naquele tipo de população.

A companhia informou entretanto que na base desta aprovação estarão os resultados de dois estudos que acompanharam pacientes em fase muito avançada da doença, entre os quais terá havido algumas pessoas que não tinham respondido a outros tratamentos, mas que diante da associação do Avastin com a quimioterapia revelaram melhorias na ordem dos 20 a 30 por cento em termos de evolução e sobrevivência ao cancro, quando comparados com os que apenas tinham recebido a quimioterapia. A aprovação europeia do Avastin surge largos meses depois de o medicamento ter sido aprovado nos Estados Unidos (onde é comercializado pela Genentech), em Outubro de 2006. O fármaco é já usado como terapia do cancro da mama metastizado na Europa, e nos Estados Unidos tem aplicação também como tratamento para o cancro colo-rectal.

Carla Teixeira
Fonte: Roche, Firstword, Bloomberg

domingo, 26 de agosto de 2007

Espanha aprova comercialização da vacina contra vírus do Papiloma Humano

Depois do Reino Unido, Alemanha, Bélgica, França e Dinamarca, é agora a vez da Espanha autorizar a comercialização da vacina contra o vírus do Papiloma Humano (HPV), responsável pelo desenvolvimento do cancro do colo do útero, que será incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

De acordo com a porta-voz do governo espanhol, Maria Teresa Fernández de la Veja, o Ministério da Saúde espanhol, tudo fará para que a vacina seja comercializada e incluída, o quanto antes, no Programa Nacional de Vacinação daquele país.

Em Portugal a vacina é comercializada desde o inicio do ano, no entanto, o governo decidiu não a incluir no PNV e em Abril passado, Os Verdes viram a Assembleia da República recusar a sua proposta que visava a inclusão da vacina no PNV, ainda que Portugal seja um dos países com uma das mais altas taxas de infecção pelo HPV.

A proposta foi bloqueada pela votação da bancada parlamentar do partido socialista, que a considerou “prematura”, faltando-lhe “informação científica” que permitisse “generalizar a utilização desta vacina”.

A vacina é comercializada em Portugal pela Sanofi Pasteur MSD e custa 481,35 euros (três doses, a um custo de 160,45 euros cada). Para além do cancro do colo do útero previne também contra outras doenças provocadas pelo HPV, nomeadamente os seus quatro tipos de vírus mais cancerígenos: 6, 11, 16 e 18. Se for aplicada correctamente, três doses no espaço de seis meses, a protecção contra o HPV é total.

A vacina deve ser administrada a crianças e adolescentes de ambos os sexos, com idades entre os nove e os 15 anos, e a mulheres dos 16 aos 26 anos. O vírus infecta, principalmente, as áreas genitais femininas e masculinas e tem cerca de 180 tipos já identificados.

Os tipos 16 e 18 são os que estão mais associados ao cancro do colo do útero, sendo responsáveis por 70 por cento destes carcinomas. O cancro do colo do útero mata uma mulher a cada dois minutos em todo o mundo e uma por dia em Portugal, destruindo a vida sexual, familiar e social das sobreviventes deste carcinoma.

Este vírus é muito frequente entre indivíduos sexualmente activos, estimando-se que em alguma altura das suas vidas, cerca de 70 por cento destes indivíduos sejam expostos ao HPV.

Portugal tem a mais alta incidência da Europa deste cancro, cuja principal causa é o vírus HPV, registando anualmente 900 novos casos, do quais mais de 300 são mortais. Na Europa, esta é já a segunda causa de morte entre mulheres jovens, imediatamente a seguir ao cancro da mama.

Inês de Matos

Fonte: Sol

sábado, 25 de agosto de 2007

Cálcio e vitamina D diminuem risco de fracturas em mulheres com osteoporose

O tratamento com suplementos de cálcio e elevadas doses de vitamina D poderá ajudar a reduzir os riscos de fracturas de anca e de vértebras nas mulheres com mais de 65 anos, segundo as conclusões de um estudo da Agência de Avaliação de Tecnologias Sanitárias da Andaluzia (AETSA, sigla em espanhol).

Este estudo pretendia analisar a efectividade e a utilização adequada das diversas intervenções perante os problemas associados à menopausa. Os investigadores concluíram, no que diz respeito à osteoporose, ser aconselhável realizar uma densitometria óssea somente a mulheres com mais de 65 anos que apresentam o risco de ter uma fractura resultante desta doença.

Segundo as conclusões de outro estudo, o CUPOS, a vitamina D reduz até 30 por cento o risco de fractura óssea, no caso da osteoporose, revelando ainda que cerca de 64 por cento das pacientes que estão a receber tratamento para esta doença apresenta níveis inadequados desta vitamina.

Neste estudo, no qual participaram 900 mulheres na pós-menopausa com osteoporose, concluiu-se que não chega a 50 por cento o número de mulheres com osteoporose que seguem de forma correcta a dose prescrita de cálcio e vitamina D, apesar de estes compostos aumentarem os efeitos do tratamento da doença.

Os investigadores revelaram que com níveis adequados de vitamina D é possível reduzir o risco de fracturas em 30 por cento, no caso da anca, pulso, antebraço e coluna. Além disso, a insuficiência desta vitamina e de cálcio favorece o aparecimento de outras doenças, como a diabetes e o cancro.

Os autores deste estudo advertem que nenhum tratamento contra a osteoporose deve prescindir de vitamina D. Segundo o especialista José Manuel Quesada, esta vitamina é fundamental para diminuir a perda de massa óssea associada à osteoporose, assim como para fortalecer a musculatura, evitando desta forma as quedas que provocam as fracturas.

Os especialistas sublinham que a dieta alimentar não contém a quantidade diária recomendada de vitamina D, cerca de 200 unidades para adultos com menos de 50 anos e até 600 para aqueles com mais de 70. Assim sendo, recomenda-se combinar o consumo de produtos lácteos, sumos e cereais com suplementos de vitamina D.

Isabel Marques

Fontes:
www.azprensa.com, www.consumer.es

SNS regista poupança de 9,6 M€ entre Janeiro e Julho face a 2006

Dados relativos aos medicamentos vendidos em farmácias

Entre Janeiro e Julho deste ano o Serviço Nacional de Saúde (SNS) poupou mais de 9,5 milhões de euros nos medicamentos vendidos em farmácias, relativamente ao período homólogo de 2006. Os dados foram divulgados pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

De acordo com o Infarmed, nos primeiros sete meses do ano, a despesa do SNS com medicamentos em ambulatório baixou 0,7 por cento comparativamente ao mesmo período do ano passado. Esta redução traduz-se numa poupança de 9,598 milhões de euros para o Estado.

Os «encargos do Estado com medicamentos, em ambulatório, no período Janeiro/Julho tiveram uma variação de menos 0,7% relativamente a igual período do ano anterior», refere o último relatório do Observatório dos Medicamentos e Produtos de Saúde.

Segundo o mesmo documento, em termos acumulados, o Estado gastou em medicamentos 824.338.747 euros, sendo que, nos mesmos meses do ano anterior os gastos do SNS tinham atingido os 833.937.669 euros.

Conforme menciona a nota divulgada pelo Infarmed, «considerando apenas o mês de Julho, a variação com o mês homólogo foi de 1,5%» (119,2 milhões de euros gastos em Julho de 2007 contra os 118,7 gastos no mesmo mês de 2006).

No que diz respeito às regiões, na zona Norte, durante o mês de Julho, a despesa do Serviço Nacional de Saúde com medicamentos em ambulatório foi de 36,2 milhões de euros, 30,9 milhões no Centro, 41,1 milhões de euros em Lisboa e Vale do Tejo, 6,2 milhões de euros no Alentejo e 4,6 milhões de euros no Algarve.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa.

Ordem critica diploma sobre medicamentos veterinários
“Decreto-lei omite perícia farmacêutica”


A Ordem dos Farmacêuticos considera ter sido “marginalizada” no processo em que a Secretaria de Estado da Agricultura e a Direcção-Geral de Veterinária estão a debater com interlocutores da área da Saúde Animal um projecto de lei sobre os medicamentos veterinários, que deverá transpor para o ordenamento jurídico português uma directiva comunitária relativa àqueles fármacos. No entanto, frisando que “a perícia farmacêutica constitui uma garantia da qualidade e segurança no circuito daqueles medicamentos”, a OF reclama ser ouvida.

Numa primeira nota, veiculada na sua página online (www.ordemfarmaceuticos.pt), a OF concretiza que a proposta de transposição da legislação comunitária para a lei nacional “exige uma profunda e cuidada revisão”, já que, segundo a entidade representativa dos farmacêuticos, poderá colocar em risco a segurança, a qualidade e a racionalidade da utilização daquele tipo de fármacos. A Ordem considera necessário o “envolvimento da perícia farmacêutica no exercício das actividades de produção, armazenamento, registo, distribuição e controlo de especialidades farmacêuticas de uso veterinário”, e argumenta que, por aquelas funções fazerem “parte integrante do acto farmacêutico”, a proposta de lei “deveria consagrar a exigência de um director técnico farmacêutico”. Uma “omissão extensiva da intervenção” daqueles profissionais, que a OF não quer deixar passar em claro...

Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos
Bastonária entre 10 “mulheres extraordinárias” de Coimbra
Irene Silveira homenageada em Braga


É uma homenagem a Coimbra, à mulher, e a 10 “mulheres extraordinárias” formadas na mais antiga academia universitária do país. Numa cerimónia promovida pela Associação de Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra em Braga, a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, a primeira mulher no cargo, representará a Faculdade de Farmácia. Irene Silveira integra assim um vasto rol de personalidades que no próximo dia 22 será recebido na cidade dos arcebispos.

Segundo Maria Piedade Tavarela, presidente da Associação de Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra em Braga, o objectivo da sessão é “prestar tributo à mulher portuguesa, homenageando 10 mulheres com actividades de relevância na sociedade, e que têm em comum o facto de todas serem antigas estudantes de diferentes faculdades da Universidade de Coimbra. O reitor e o vice-reitor da UC, Fernando Seabra Santos e Pedro Saraiva respectivamente, já confirmaram a presença na cerimónia, que tem início previsto para as 12 horas no Hotel da Falperra. Ao «Diário de Coimbra», a representante da AAEUC recordou que “Coimbra e a Universidade prestaram sempre homenagens a homens e mulheres que têm lugares de excelência, mas quase nunca são lembrados”, enfatizando que o facto de ela própria presidir a associação terá tido algum impacto na decisão de promover esta sessão.
Almeida Santos, presidente do PS e ex-líder da Assembleia da República, será o orador principal do evento, tendo a seu cargo uma dissertação sobre «A mulher», antes de ser dada a palavra às homenageadas, que falarão da influência de Coimbra no crescimento humano e profissional de cada uma delas. Além de Irene Silveira, que representa nesta sessão a Faculdade de Farmácia, serão ainda homenageadas, em nome da Faculdade de Letras, Maria Helena Rocha Pereira (Prémio Prestígio da Universidade de Coimbra), Cristina Robalo Cordeiro (vice-reitora), Maria de Belém (ex-ministra da Saúde), Manuela Aguiar (ex-secretária da Estado da Emigração), e Fátima Lencastre (líder da AAEUC em Lisboa).
Na área da Cultura serão alvo de homenagem a escritora Ivete Centeno e a ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues. Como representante da Faculdade de Medicina estará presente a directora do Serviço de Neurociências e Biologia Celular dos Hospitais Universitários de Coimbra, Cristina Reis Oliveira, enquanto Helena Freitas, directora do Departamento de Botânica da UC, terminará o ciclo, em representação da Faculdade de Ciências e Tecnologias. Os interessados em obter mais informações e em participar neste evento deverão contactar a organização, através do número de telefone 966068750, podendo também solicitar esclarecimentos sobre o transporte para Braga e o esquema de alojamentos na cidade nortenha.

Carla Teixeira
Fonte: «Diário de Coimbra»

Descoberto novo mecanismo para combater a hipertensão

Investigadores do King's College, em Londres, descobriram um novo mecanismo para regular a pressão sanguínea. Esta descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos fármacos para combater a hipertensão arterial. O estudo foi publicado online na revista “Science” e foi financiado pela “British Heart Foundation”.

A proteína quinase G (PKG) é uma proteína importante em todos os tecidos, mas no sistema cardiovascular desempenha um papel fundamental na regulação da pressão sanguínea. É conhecida a forma como esta proteína regula a pressão sanguínea, assim como outras funções cardíacas, e que o oxido nítrico produzido nos vasos sanguíneos é crucial neste processo. Contudo, a equipa de investigadores da divisão cardiovascular do King's College descobriu uma nova forma da proteína quinase G poder ser regulada independentemente, em relação ao óxido nítrico.

Os investigadores concentraram-se na actividade dos oxidantes na enzima PKG1alpha. Assim, descobriram que os oxidantes, que são produzidos na maior parte das células do organismo, como o peróxido de hidrogénio, criam uma ligação entre dois aminoácidos que activa a PKG, e isto leva à diminuição da pressão sanguínea.

Para além de sublinhar a importância de um novo mecanismo regulador da pressão sanguínea, esta investigação fornece novos dados sobre o papel dos oxidantes no organismo. Actualmente, os radicais livres e os oxidantes, como o peróxido de hidrogénio, são vistos como prejudiciais, como causadores de doenças. Este estudo sugere que os oxidantes podem apresentar benefícios específicos como, por exemplo, no controlo de importantes processos celulares. A investigação pode ainda ajudar a explicar a razão pela qual os ensaios com antioxidantes têm sido ineficazes no combate a doenças cardíacas.

O Dr Philip Eaton, o investigador que liderou a equipa, destacou que esta investigação pode levar ao desenvolvimento de fármacos que activam este novo caminho. Estes fármacos poderão complementar ainda as terapias já estabelecidas que operam via este caminho do óxido nítrico.

Para além do impacto desta descoberta no controlo da pressão sanguínea, os investigadores planeiam explorar o papel desta nova forma de activar esta proteína nas doenças cardiovasculares, incluindo nos eventos que levam ao ataque cardíaco, acrescentou ainda o Dr. Eaton.

Isabel Marques

Fontes:
www.estadao.com.br, www.kcl.ac.uk

FDA adia decisão relativa à aprovação do rThrombin da ZymoGenetics

A FDA adiou por três meses a decisão respeitante à aprovação da trombina humana recombinante, rThrombin, da ZymoGenetics, para rever informações adicionais, submetidas pela companhia, relativas à manufactura. A ZymoGenetics, que esperava que a decisão acerca do composto destinado a estancar a hemorragia durante a cirurgia fosse conhecida em Outubro, aguarda agora a decisão da FDA para 17 de Janeiro de 2008. Devido a este adiamento, as acções da companhia sofreram uma queda de 9,7 por cento.

A ZymoGenetics e a Bayer entraram, em Junho, num acordo de licenciamento e colaboração relativo ao rThrombin, como noticiou o farmacia.com.pt no dia 20 de Junho de 2007, no artigo “
Bayer e ZymoGenetics chegam a acordo para comercializar rThrombin”. O fármaco é uma cópia geneticamente modificada de uma proteína coagulante humana, e foi delineado para competir com um produto feito a partir do sangue de vaca, da King Pharmaceuticals Inc. O fármaco da King atingiu vendas na ordem dos 247 milhões de dólares nos Estados Unidos e é utilizado em aproximadamente um milhão de cirurgias anualmente.

A ZymoGenetics sublinha que o rThrombin deve substituir o fármaco da King, uma vez que a nova substância não comporta o risco de transmitir doenças sanguíneas, nem provoca o desenvolvimento de anticorpos contra o fármaco. Contudo, este adiamento poderá conceder uma vantagem ao fármaco concorrente da Omrix Biopharmaceuticals Inc. e da Johnson & Johnson, tendo em conta que as companhias esperam introduzir a nova versão do fármaco, derivado de sangue humano, no final do ano.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, TheStreet.com

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Penteado “rasta” pode provocar alopecia, diz estudo

A utilização prolongada de um penteado ao estilo “rasta”, caracterizado por canudos fortes, que não são escovados ou penteados, pode causar uma queda permanente de cabelo. O alerta é dado por um estudo publicado na última edição do “British Journal of Dermatology”.

O cabelo muito esticado para formar o “rabo-de-cavalo” pode também ter as mesmas consequências, revela a investigação que envolveu perto de dois mil alunos e adolescentes na África do Sul. O estudo demonstrou que uma em cada sete estudantes e um terço das mulheres sofrem de alopecia por tracção, perda de cabelo em algumas regiões da cabeça.

O estiramento excessivo e prolongado do cabelo é apontado pelos dermatologistas como o principal responsável. As conclusões referem que parece haver uma maior incidência de alopecia entre as meninas africanas que alisaram o cabelo com produtos químicos para fazer “rabos-de-cavalo”. As mulheres adultas, que se submetem a alisamentos químicos ou fazem tranças no cabelo, em vez de deixá-lo crescer naturalmente, são igualmente mais afectadas pela queda de cabelo.

A alopecia androgenética, frequentemente denominada calvície, é uma situação frequente que, em situações normais, afecta ambos os sexos. Nas mulheres, a progressão da idade pode dar origem a uma diminuição de espessura do cabelo de forma difusa e que se traduz por falta de volume. Embora as mulheres praticamente nunca fiquem calvas, estes fenómenos são mais aparentes após a menopausa.

Já no caso dos homens a situação muda de figura. A alopecia androgenética afecta cerca de 40 por cento da população masculina entre os 18 e os 40 anos. Após os 80, a percentagem sobe para os 90 por cento. Factores hereditários, hormonas sexuais masculinas e idade, são os três factores condicionantes principais.

As opções de tratamento farmacoterapêutico incluem a utilização de Minoxidil, com eficácia em 25 a 30 por cento dos utilizadores; ou de Finasteride, que inibe a transformação da hormona sexual masculina (testosterona) no seu produto activo, anulando assim o efeito negativo junto do folículo piloso.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Infarmed, ABC da Saúde.

Governo: Base de dados de utentes do SNS pronta até ao final do ano

A base de dados dos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deverá estar concluída até ao final do ano, garantiu o coordenador da Missão para os Cuidados Primários do Ministério da Saúde, Luís Pisco, em declarações à Rádio Renascença.

De acordo com o responsável, apesar das estimativas referirem que o número de utentes sem médico de família se aproxima dos 500 mil, o Governo pretende saber exactamente quantas pessoas estão nesta condição.

Conforme explicou Luís Pisco, “até há algum tempo era possível uma pessoa ter cartões diferentes em várias regiões do país e estar inscrito em vários locais”, daí importância da base de dados.

«Quando tivermos uma base de dados única – e esse é um trabalho que está muito adiantado – poderemos ter a noção exacta de quantas são as pessoas e onde. Então, será mais fácil planificar e dar médico de família a quem dele tem necessidade», acrescentou.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital.

Identificado gene relacionado ao comportamento obsessivo-compulsivo em ratos

Dois bioquímicos portugueses estiveram envolvidos na investigação

Uma equipa de cientistas conseguiu curar quase na totalidade um grupo de ratos de laboratório com Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC), que se arranhavam a ponto de arrancar o pêlo e a pele. De acordo com os resultados da investigação, divulgados pela revista “Nature”, o sucesso foi atingido depois de lhes ser injectado um gene que lhes faltava. Cátia Feliciano e João Peça, dois bioquímicos portugueses, estiveram envolvidos na pesquisa.

O estudo, conduzido por Jeffrey Welch e Guoping Feng, da Universidade Duke, na Carolina do Norte, foi realizado com roedores aos quais se retirou previamente o gene 'Sapap3', através de manipulação genética. Nos humanos doentes com TOC são observadas lesões ou diferenças de funcionamento numa zona do cérebro chamada 'estriado', local onde abunda a proteína produzida por este gene. Ao apagarem a proteína nos ratos, os cientistas descobriram que, passados alguns meses, os animais se arranhavam compulsivamente. Por sua vez, depois de lhes ter sido injectado o gene em falta, a maioria de ratos não desenvolveu a doença.

Os investigadores acreditam que o trabalho “sugere novas estratégias terapêuticas”. O Transtorno obsessivo-compulsivo consiste na combinação de obsessões e compulsões. Pensamentos recorrentes insistentes que se caracterizam por serem desagradáveis, repulsivos e contrários à índole do paciente. Entre os sintomas compulsivos mais comuns está a obsessão da limpeza, da simetria, e das dúvidas e medos irracionais. Lavar-se para se descontaminar, repetir determinados gestos, verificar se as coisas estão como deveriam, porta trancada, gás desligado, contar objectos, ordená-los ou arrumá-los de uma determinada maneira, são atitudes comuns entre os 2 por cento da população mundial afectada pelos TOC.

O paciente perde o controlo sobre os pensamentos e, muitas vezes, passa a praticar actos que, por serem repetitivos, tornam-se rituais. Muitas vezes têm a finalidade de prevenir ou aliviar a tensão causada pelos pensamentos obsessivos. Estes gestos repetitivos que o paciente não consegue evitar são chamados «compulsivos». O tratamento usual, que consiste na terapia comportamental associada a anti-depressivos é ineficaz em um terço dos casos.

O TOC é classificado como um transtorno de ansiedade pela forte tensão que é comum surgir quando o paciente é impedido de realizar os seus rituais. O facto do comportamento dos roedores do estudo e da sua ansiedade apresentar muitas semelhanças com o comportamento obsessivo-compulsivo humano, poderá servir aos investigadores como um modelo animal sobre estes problemas.

Porém, “nada permite afirmar que os TOC humanos estão ligados a este gene”, porque eles não são uniformes e revelam elementos complexos, implicando provavelmente muitos genes, adverte o neurobiologista norte-americano Steven Hyman, da Universidade de Harvard. Para além disso, destaca o especialista, “é extremamente pouco provável que modelos animais possam integrar os problemas psiquiátricos humanos na sua totalidade”.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Ciência Hoje, Psicoterapia.

Cadeia francesa retirou produto do mercado colombiano
Dietilenglocol em pasta dentrífica do Carrefour


A cadeia de supermercados francesa Carrefour anunciou a retirada do mercado colombiano da sua pasta de dentes de marca branca, cuja composição inclui dietilenglocol, a substância tóxica que, como o farmacia.com.pt oportunamente noticiou, esteve na base da recente recolha do mercado nacional de diversas pastas dentríficas, e cuja utilização pode mesmo provocar a morte.

O produto agora retirado na Colômbia tem marca Carrefour, mas é importado da China, de acordo com informações avançadas pela porta-voz da multinacional na Colombia, Jimena Botero, que garantiu ter sido a própria empresa a informar as autoridades competentes de que aquele ingrediente fazia parte da composição da sua pasta de dentes. Depois dos recentes escândalos em Espanha, onde mais de uma dezena de marcas de pastas dentríficas foi retirada do mercado, e depois de o Infarmed ter também levado à recolha de alguns exemplares, esta é a primeira vez que a marca Carrefour é envolvida no processo.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa

Medicamentos e embalagens: O peso da aparência na escolha dos consumidores

As embalagens dos medicamentos e a forma como são apresentados os comprimidos e xaropes tem cada vez mais importância na promoção da marca junto dos consumidores. Embora existam casos em que a funcionalidade superou a aparência, a estética é visivelmente uma peça importante no jogo de marketing das empresas.

Os produtores têm vindo a aperceber-se que podem apostar na construção da credibilidade dos fármacos, bem como na relação entre o utente e o produto se estes poderem vê-lo. “Os pacientes adoram ver o produto que estão a consumir. Por isso, as cápsulas transparentes com partes coloridas no interior não são apenas atractivas mas também transmitem mais confiança”, refere Gauri Chaudhari, consultora de marcas da empresa indiana FCB-Ulka Healthcare. Conforme explica a responsável em declarações ao Express Pharma, “um xarope num frasco transparente é preferível a um num frasco âmbar”, o mesmo acontece com as carteiras blister transparentes que agradam mais os consumidores do que as de alumínio. De acordo com Chaudhari, as empresas farmacêuticas estão a responder a esta necessidade, abstendo-se de “esconder os medicamentos por trás de carteiras opacas”.

Em termos de posicionamento do produto há muita coisa que pode ser feita, visto que a embalagem é a imagem de marca da farmacêutica. “Há uma marca que está a ser comercializada numa categoria particular e algumas anfitriãs que se limitam a imitar o formato de embalagem e provavelmente a cor da carteira blister da marca líder”, afirma Avinash Mandale, vice-presidente do departamento de soluções inovadoras da Bilcare Resear. Porém, acrescenta, “não se pode considerá-los produtos contrafeitos ou copiados porque são produtos genuínos produzidos por empresas reputadas com licença própria de produção”.

A intenção destas empresas é competir com a marca líder que já existe há alguns anos, o que, por vezes, acaba por afectar significativamente as vendas da marca principal. Nesse sentido, é urgente que as embalagens dos produtos se tornem muito originais para que não possam ser copiadas por ninguém.

Para além disso, é preciso ter em conta os diferentes grupos de pacientes, de acordo com a idade, o estilo de vida e a sua condição física, que implicam diferentes soluções de embalagens. O caso dos pacientes com artrite é um bom exemplo. Nos Estados Unidos da América o Tylenol (Paracetamol) é comercializado com uma embalagem especial destinada aos doentes com artrite. Este tipo de iniciativas torna a utilização dos medicamentos mais fácil e funcional mas também afecta a vida emocional dos doentes, considera Chaudhari.

A caneta de insulina NovoPen, produzida pela Novo Nordisk, é outro dos casos que deve ser mencionado. Os diabéticos que dependem de uma terapia de insulina podem ter necessidade de transportar a medicação para todo o lado, algo que se torna mais fácil com a Novopen que lhes permite levar consigo a dosagem necessária através de algo que aparenta ser uma simples caneta.

Para combater as cópias há também quem tenha apostado nos hologramas. Ainda assim, essa parece não ser uma solução muito eficaz. Por um lado, não é fácil para um paciente distinguir uma embalagem de um medicamento específico através de um holograma e, por outro, não se pode publicitar um fármaco sujeito a receita médica e dizer aos doentes para estarem atentos ao holograma na altura de o comprarem.

Assim, é preciso puxar pela imaginação e oferecer novas soluções. O design parece estar incluído neste rol de inovações, bem como os materiais utilizados na produção das embalagens. “Os desafios tendem a tornar-se cada vez mais significativos em termos de pressão competitiva”, salienta Mandale. “A competição é muito elevada, por isso, vai haver uma luta constante para diferenciar um produto particular de forma a assegurar a continuação da utilização da terapia”, conclui o mesmo responsável.

Marta Bilro

Fonte: Express Pharma.

Gene Logic celebra acordo de desenvolvimento com a Merck Serono

A Gene Logic Inc estabeleceu um acordo com a Merck Serono, uma divisão da farmacêutica alemã Merck KGaA, que visa a procura de alternativas para o desenvolvimento de vários candidatos a fármacos da Merck Serono.

Os candidatos a medicamentos envolvidos no contrato foram descontinuados ou desprovidos de prioridade nos ensaios clínicos por motivos que ultrapassam a questão da segurança, afirmou a Gene Logic num comunicado emitido.

Segundo os termos do acordo, a Gene Logic poderá vir a receber pagamentos futuros relativos ao cumprimento de objectivos, bem como royalties. Os pormenores financeiros não foram divulgados.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Canadian Business.

UE aprova Avastin no tratamento da forma mais comum de cancro do pulmão

A União Europeia aprovou a utilização do Avastin (Bevacizumab), da farmacêutica suíça Roche, como tratamento de primeira linha em pacientes com cancro do pulmão de não pequenas células em estado avançado, em associação com quimioterapia à base de platina.

O Avastin é o primeiro de uma classe de fármacos cuja actuação se baseia em privar os tumores do sangue e nutrientes. As vendas do medicamento, a nível global, renderam mais de 1,8 mil milhões de euros em 2006.

O cancro do pulmão de não pequenas células em estado avançado é a forma mais comum de cancro do pulmão, responsável pela morte de mais de três mil pessoas por dia em todo o mundo.

O Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) tinha emitido, em Julho, uma avaliação positiva sobre o medicamento, na sequência de dois estudos aprofundados que deram conta da sua eficácia no tratamento destes doentes.

De acordo com as conclusões da investigação, o fármaco mostrou ter capacidade para prolongar a vida dos pacientes, cuja expectativa de sobrevivência ao diagnóstico era, originariamente, de apenas oito a dez meses.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Forbes.

REPORTAGEM

Farmadrive permite comprar medicamentos dentro do carro
Portugal na vanguarda da dispensa de fármacos


Ainda não é um cenário comum em Portugal, mas já há alguns estabelecimentos de dispensa de medicamentos em território nacional dotados de um sistema que permite ao doente dirigir-se à farmácia e, sem sair do carro, ao estilo dos velhos cinemas “drive in” ou dos mais recentes restaurantes de “fast-food”, proceder à compra dos fármacos de que necessita sem sair do carro. O conceito Farmadrive começa a ser uma realidade...

Lisboa, Cascais, Braga e mais recentemente Vila Nova de Gaia (onde funciona a maior farmácia do nosso país, com uma área de cerca de 600 metros quadrados) e Coimbra são as cinco cidades portuguesas que, segundo conseguiu apurar o farmacia.com.pt, já se encontram servidas por um dos mais modernos sistemas de atendimento ao público. Na Farmácia da Liga das Associações de Socorros Mútuos de Gaia, a vanguarda atinge um ponto ainda mais elevado, permitindo a disponibilização dos produtos ao utente através do sistema ProLog, que consiste num automatismo que distribui os medicamentos pedidos ao balcão pelos vários farmacêuticos de serviço, encaminhando-os para uma caixa, de onde passam, sem a intervenção dos profissionais, para um tapete rolante que se encarrega de os levar até junto de quem os pediu.
A inovação liberta os farmacêuticos para um atendimento mais personalizado dos seus clientes, tendo o ProLog tornado exequível também o Farmadrive, um posto de recepção das encomendas localizado num ponto de contacto com o exterior, quase sempre nas traseiras do estabelecimento, onde o utente pode dirigir-se de automóvel e, sem necessidade de sair da viatura, apresentar o receituário e ver a sua pretensão atendida. A modernidade parece ser a palavra de ordem no sector farmacêutico, tendo a Associação Nacional de Farmácias apostado na inovação daqueles espaços como forma de os promover enquanto locais de saúde. A ideia do Farmadrive não difere muito da utilizada já em várias cadeias de “fast-food”: o utente dirige-se de carro a um guiché, onde entrega a lista de produtos que quer adquirir, e depois é atendido como se estivesse ao balcão de um estabelecimento de farmácia tradicional.

Carla Teixeira
Fonte: Farmácia da Liga, «Jornal de Notícias», «O Primeiro de Janeiro», Associação Nacional de Farmácias

REPORTAGEM

Publicidade a medicamentos: um universo muito específico
“O mais vigiado dos produtos de consumo”


A norte-americana Food and Drug Administration, que regula o sector do medicamento e dos produtos de saúde nos Estados Unidos, anunciou há dias a intenção de monitorizar e analisar o impacto dos anúncios publicitários a medicamentos transmitidos diariamente nas estações de televisão locais. Na reacção a essa notícia o farmacia.com.pt foi saber qual a realidade deste tipo de publicidade em Portugal e que grandes preocupações têm os especialistas. Beja Santos, assessor principal do Instituto do Consumidor e autor do livro «Este consumo que nos consome», responde.

Definida como “qualquer forma de comunicação, informação ou incentivo que, directa ou indirectamente, promova a prescrição, dispensa, venda, aquisição ou consumo” de certo medicamento, a publicidade àquele tipo de produtos viu o seu quadro alterado em 2001, quando decorria o processo de aprovação do Código Comunitário relativo a fármacos de uso humano. Nessa altura a Comissão Europeia decidiu autorizar a comunicação directa entre laboratórios e doentes, gerando uma onda de contestação sem precedentes. Para Beja Santos, a definição aprovada por Bruxelas encerra “um equívoco”, porque “mistura no mesmo conceito a comunicação publicitária, a comunicação comercial destinada aos profissionais de saúde e as mensagens direccionadas para públicos diferenciados. Está-se a pedir o impossível a esta publicidade”, explica o assessor principal do Instituto do Consumidor, que foi também vice-presidente do Conselho Consultivo de Consumidores e director da Associação Europeia de Consumidores.
No que diz respeito especificamente à publicidade a medicamentos não prescritos pelo médico, Beja Santos considera que estará ainda por demonstrar a sua utilidade para a saúde pública ou para uma melhor informação dos consumidores/doentes. É imperativo, na sua opinião, “proceder a um estudo rigoroso e independente que permita avaliar os reais benefícios desta comunicação, conhecer também os seus efeitos danosos e actuar em conformidade”, designadamente através da consulta de peritos em comunicação, a fim de saber se é desejável continuar a manter no mesmo conceito e âmbito formas de comunicação como a publicidade e o marketing farmacêutico, e tentando aferir quais os mecanismos mais interessantes para proceder à sua demarcação. Outra falha grave do nosso ordenamento jurídico nesta matéria consiste, avisa o autor de «Este consumo que nos consome», na não existência de um enquadramento legal que permita a proibição da publicidade a fármacos não autorizados, embora a legislação europeia preveja uma interdição para os anúncios a medicamentos a que ainda não tenha sido concedida uma Autorização de Introdução no Mercado.
Tal como o Parlamento Europeu argumentou já, ao chumbar a possibilidade de contacto directo entre laboratórios e doentes – “uma porta aberta para a publicidade directa, que agravaria em espiral os consumos e o número de doentes incorrectamente medicados –, Beja Santos considera essencial que haja fontes de “informação precisa, compreensível e fiável sobre tratamentos e usos dos medicamentos”, sendo desejável o fomento de estruturas de informação independentes que contem com a colaboração de profissionais de saúde, laboratórios e representantes dos consumidores e doentes, trabalhando em cooperação com a Autoridade Nacional do Medicamento”. Porque “o medicamento não é um bem de consumo como os outros”, o seu consumo “pode tornar-se perigoso para o consumidor, quer seja pela sua nocividade intrínseca, quer pela sua má utilização”. Por isso, e porque nenhum outro produto é tão mediático (por fomentar terror e esperança), os fármacos têm de ser “espartilhados por tantas medidas de autorização, controlo e acompanhamento, pautadas por grande rigor e severidade”.

Papel do farmacêutico
Nos folhetos informativos destinados aos doentes, e que Beja Santos considera terem sofrido uma importante melhoria em Portugal ao longo dos últimos anos, importa haver dados actualizados e explicados de forma acessível sobre as características e correctas aplicações dos medicamentos, os seus potenciais efeitos secundários adversos, o que é e como se manifesta uma eventual intolerância, o que fazer caso isso aconteça, definir a alergia que um determinado produto possa causar, o que é a forma farmacêutica, como o mesmo medicamento pode actuar de formas diversas em pessoas diferentes (pelo que não será indicada a automedicação com recurso a fármacos de um amigo ou familiar), e o que é a farmacovigilância, tendo em conta que o uso de medicamentos pressupõe sempre algum tipo de riscos, nomeadamente em termos de interacções com alimentos ou outros compostos químicos.
Beja Santos defende que “o medicamento é o mais vigiado dos bens de consumo”, mas avisa que “não há medicamentos inofensivos”, e nessa medida salienta a importância do diálogo entre o doente e o farmacêutico, devendo este tentar sempre co-responsabilizar o primeiro em matéria de utilização racional dos fármacos e de combate à tendência para a automedicação, que encerra riscos concretos, como a má avaliação dos sintomas e a incorrecta dosagem dos medicamentos. Questões em que a actuação do profissional de Farmácia deverá ser tida como relevante, devendo fomentar-se sempre o diálogo em tom explicativo. Conselhos de um especialista para evitar as consequências nefastas de um fenómeno crescente, em Portugal e no mundo.

Carla Teixeira
Fonte: «Este consumo que nos consome» (Editora Campo das Letras)

Índia pode tornar-se um dos dez maiores mercados farmacêuticos até 2015

O mercado farmacêutico da Índia deverá triplicar até 2015, atingindo os 20 mil milhões de dólares, de acordo com um relatório da firma de consultadoria McKinsey & Co. Este relatório prevê que a Índia irá sofrer uma transformação significativa, de modo a tornar-se num dos dez mercados farmacêuticos mais importantes do mundo, nos próximos dez anos.

O crescimento do mercado farmacêutico na Índia, que poderá expandir-se a um ritmo de mais de 12 por cento por ano, irá dever-se a uma economia em rápido crescimento, a melhores infra-estruturas médicas, a um fortalecimento dos seguros de saúde, assim como a um aumento das doenças relacionadas com o estilo de vida, como a obesidade, levando ao aumento de doenças crónicas. Além disso, o relatório estima que até 2015, as terapias de especialidade podem equivaler a 45 por cento do total do mercado, enquanto que os produtos patenteados podem crescer até atingir os dez por cento do mercado.

Na Índia, o país com a maior população de diabéticos, a prevalência da diabetes irá aumentar para 3,7 por cento até 2015, em relação aos 2,8 por cento de 2005, e as doenças cardíacas irão afectar 4,9 por cento da população até 2015, enquanto que a 50 milhões de pessoas será diagnosticada hipertensão arterial.

A Índia poderá chegar a ultrapassar o Brasil, o México e a Turquia no ranking mundial dos dez maiores mercados farmacêuticos. A Índia irá tornar-se assim um mercado muito importante para as companhias farmacêuticas. Estas tendências têm implicações estratégicas para as companhias farmacêuticas, indianas e multinacionais, e para os reguladores, acrescentou Gautam Kumra, o director da McKinsey & Co.

O mercado farmacêutico dos Estados Unidos, o maior do mundo, estima-se que atinja os 444 mil milhões de dólares até 2015, em relação aos 248 mil milhões de dólares em 2005, segundo a McKinsey. Prevê-se ainda que o mercado japonês cresça até aos 82 mil milhões de dólares, em relação aos 68 mil milhões de dólares, no mesmo período.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, Forbes

Cientistas explicam como pneumonias simples podem ser fatais

Uma equipa de investigadores americanos publicou recentemente um artigo na revista Immunity, onde apontam uma explicação para a ineficiência dos antibióticos utilizados no tratamento de alguns casos de pneumonia. Pneumonias simples podem revelar-se fatais, o que se deve à acção da bactéria ‘Streptococcus pneumoniae’, que produz uma toxina que os antibióticos não conseguem neutralizar e que causa uma grave hemorragia nos pulmões de alguns pacientes, matando-os numa questão de dias.

A descoberta assume um carácter determinante para o tratamento da pneumonia, tal como refere Jian-Dong Li, professor de Microbiologia e Imunologia na Universidade de Rochester (Nova York), participante no estudo, “o que encontramos é um possível mecanismo e uma possível solução para uma pneumonia muito letal”.

De acordo com o investigador, a compreensão deste processo permitirá não só “tratar melhor a doença, como também pensar duas vezes sobre se os tratamentos com drogas-padrão não fazem mais mal”.

Antes da descoberta da vacina contra a pneumonia pneumocócica em 2000, registavam-se anualmente 500 mil casos desta doença nos EUA, dos quais 40 mil casos eram considerados graves.

A doença atinge o tracto respiratório superior, causando pneumonia, meningite e infecções auditivas, sendo responsável pela morte de até cem crianças e milhares de idosos por ano.

Inês de Matos

Fonte: Sol

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Descoberta de “sensor de açúcar” no intestino poderá beneficiar o combate à diabetes

Investigadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, identificaram uma molécula no intestino que consegue detectar o conteúdo doce da dieta alimentar. Até agora, os únicos receptores conhecidos dos sabores doces encontravam-se na língua. Esta investigação foi publicada na "Proceeding of the National Academy of Sciences” (PNAS).

Os investigadores descobriram que o receptor do sabor doce que sente o açúcar e adoçantes artificiais não está somente na língua, mas também no intestino. Esta descoberta deixa em aberto a possibilidade de novas abordagens para o tratamento da diabetes e da obesidade. Além disso, também poderá explicar a razão pela qual os alimentos e bebidas com edulcorantes artificiais por vezes não conseguem ajudar a reduzir o peso.

Os investigadores observaram que a absorção de açúcares no intestino é mediada por uma proteína – transportadora de açúcar – que varia a sua resposta consoante o conteúdo do açúcar das comidas. O intestino utiliza um sistema de sensores de glicose para medir as variações, mas até agora a natureza deste sistema era desconhecido.

A professora Soraya Shirazi-Beechey, uma das investigadoras, declarou que a equipa descobriu que o receptor dos sabores doces e a proteína do gosto, a gustducin, encontram-se nas células gustativas do intestino. Estas proteínas que detectam o sabor doce permitem aos humanos e aos animais detectar a glicose presente no intestino. Os investigadores descobriram que os ratos que não têm o gene destas proteínas são incapazes de processar a produção do açúcar intestinal, sendo por isso também incapazes de regular a capacidade intestinal de absorver os açúcares.

A investigadora acrescentou ainda que, surpreendentemente, também foi observado que este receptor era capaz de detectar açúcares artificiais nas comidas e nas bebidas, resultando no aumento da capacidade do intestino de absorver os açúcares. Isto pode ajudar a explicar a razão pela qual os adoçantes se revelam ineficazes a ajudar as pessoas a perder peso.

A equipa de investigação está agora a pesquisar mecanismos nos quais estes receptores poderão ser adaptados para beneficiar as pessoas com distúrbios relacionados com a dieta alimentar, como por exemplo, na diabetes, uma vez que nesta doença o nível de açúcar no sangue é mais elevado do que o normal. Para esta condição, caso fosse possível utilizar o receptor de sabor como um interruptor, poderia ser possível programá-lo de maneira a que só a quantidade apropriada de açúcar fosse absorvida pelo organismo.

Isabel Marques

Fontes: www.dmedicina.com, www.liv.ac.uk