Nem tudo são rosas para a indústria farmacêutica indiana. Uma investigação da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, acusa o sector de estar a libertar para o meio ambiente quantidades substancialmente preocupantes de compostos farmacêuticos activos. O estudo, publicado no “Journal of Hazardous Materials”, coloca a Ciprofloxacina no topo das substâncias presentes nas águas em maior abundância.
Os resultados levaram os investigadores suecos a pedir “investigações aprofundadas acerca da qualidade das águas residuais, incluindo sobre a libertação de compostos farmacêuticos activos a partir de instalações de produção em diferentes regiões do mundo”. Até porque, há o risco de que o problema detectado em solo indiano seja apenas a ponta do icebergue.
“O estudo demonstra que existem unidades de produção que libertam quantidades substanciais de medicamentos no meio aquático”, afirmam os cientistas que, até ao momento, dizem não possuir informações suficientes para determinar a extensão do problema.
A equipa de investigadores testou os níveis de compostos farmacêuticos activos presentes nas águas residuais provenientes de uma estação de tratamento de águas residuais que serve cerca de 90 farmacêuticas localizada em Patancheru, perto de Hyderabad, um local privilegiado de produção de medicamentos genéricos que fornece o mercado mundial.
Na análise feita às amostras de água provenientes da Índia, os investigadores procuraram a presença de 59 substâncias farmacêuticas, observando que 21 das quais estavam presentes em concentrações superiores a 1μg/L (microgramas por litro). Até então, os níveis detectados nas águas residuais situavam-se entre 1ng/L (nanogramas por litro) e algumas μg/L.
O laboratório quantificou também os níveis das 11 substâncias presentes em maior abundância e realizou testes de toxicidade padrão que demonstraram que os níveis da presença desses medicamentos eram superiores a 100μg/L.
Entre os culpados estão o antibiótico Ciprofloxacina, com níveis entre os 28,000 e os 31, 000μg/L; o Losartan, um antagonista do receptor (tipo AT1) da angiotensina II, com níveis entre os 2,400 e os 2,500μg/L; o anti-histamínico Cetirizina, presente em níveis entre 1,300 e 1,400μg/L; o beta-bloqueador Metoprolol, presente em 800 a 950 μg/L; o antibiótico Enrofloxacin acusou níveis entre 780 e 900μg/L; o Citalopram, um antidepressivo inibidor selectivo da recaptação de serotonina, com 770 a 840μg/L; e dois antibióticos, a Norfloxacina e a Lomefloxacina, com níveis de 390-420μg/L e 50-300μg/L respectivamente.
“Daquilo que temos conhecimento, as concentrações destes 11 medicamentos eram superiores aos valores mais altos alguma vez registados em quaisquer efluentes de esgotos”, escrevem os autores da pesquisa, acrescentando que não têm conhecimento que tal informação tenha sido divulgada em nenhum outro artigo.
Os responsáveis deixam clara a intenção de salientar a “concentração de fluoroquinolonas detectadas, em particular da Ciprofloxacina – um antibiótico produzido por várias empresas da região”.
Para transmitir uma ideia mais concreta relativamente ao significado destes valores, os cientistas referem que “a descarga de Ciprofloxacina corresponde aproximadamente a 45 kg de compostos farmacêuticos activos por dia, o que equivale à quantidade total consumida na Suécia (com nove milhões de habitantes) durante um período de cinco dias”.
Marta Bilro
Fonte: US-Pharmatechnologist.com, Infarmed.


Reagindo às notícias que, no início deste mês, davam conta de um possível interesse da companhia suíça no mercado brasileiro, para onde teriam inclusivamente viajado vários responsáveis, com o objectivo de avaliar a viabilidade deste projecto, o farmacia.com.pt foi interpelar o assessor da Roche Farmacêutica, João Pereira, que não confirmou o teor daquelas informações, alegando não estar ao corrente de decisões institucionais que só os escritórios centrais da empresa, em Genebra, poderiam tomar e anunciar. Entretanto, a imprensa suíça vem acompanhando com interesse as movimentações da companhia, e anuncia agora que a Roche estará a preparar um aumento do investimento no Brasil, designadamente com o objectivo de ali poder desenvolver projectos de investigação de novos medicamentos.
A companhia farmacêutica Teva recebeu resposta afirmativa da norte-americana Food and Drug Administration (FDA) ao seu pedido para iniciar a produção da versão genérica do Famvir (famciclovir) da Novartis, mas reconheceu que não deverá avançar com essa produção antes de 5 de Setembro, altura em que será conhecida a sentença relativa ao medicamento, cuja patente a empresa suíça considera ser válida até 2010, e que esteve na base de um processo lançado contra a Teva em 2005. No mercado farmacêutico dos Estados Unidos aquele fármaco é comercializado com base num acordo entre a Novartis e a TAP, um consórcio constituído pela Abbott e pela Takeda, e tem sido utilizado para o tratamento de episódios agudos de herpes zoster, bem como de certos casos de herpes simplex.

