segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Sem admitir culpa em processo de superfacturação
Sanofi-Aventis paga para encerrar investigação


A companhia farmacêutica francesa Sanofi-Aventis anuiu no pagamento de 190 milhões de dólares para pôr termo a um processo de investigação relativo à superfacturação em serviços de saúde prestados às autoridades sanitárias dos Estados Unidos. De acordo com informações avançadas num comunicado emitido nesta segunda-feira pelas partes envolvidas no litígio, a firma farmacêutica francesa concordou em fazer o pagamento ao governo federal e aos governos estatais, descartando-se assim das acusações de que teria prestado falsas declarações ao Medicare e a outros programas de saúde no que diz respeito a preços de medicamentos.

O caso remonta ao período compreendido entre 1997 e 2004, durante o qual a Sanofi-Aventis terá fixado preços excessivamente elevados para o medicamento Anzemet, destinado ao tratamento de doentes de cancro, contra náuseas e vómitos decorrentes do processo de quimioterapia. “O governo alega que a empresa farmacêutica criou um sistema para manter alto o preço do Anzemet, sabendo que os programas federais de saúde determinam as percentagens de reembolso com base nos preços praticados”, explicou fonte próxima do processo, citada pela agência de notícias AFP. A companhia, num testemunho prestado isoladamente, afirmou que decidiu “resolver o assunto através de um acordo, sem admitir uma conduta inadequada”.

Carla Teixeira
Fonte: AFP

Vinho tinto pode ser decisivo no tratamento do síndroma de MELAS

Que o vinho tinto é benéfico para a saúde, quando consumido com moderação, era já um dado adquirido, mas agora um grupo de investigadores ingleses descobriu que existe nesta bebida alcoólica uma substância associada à longevidade, o resveratrol, que pode representar uma nova esperança para os doentes portadores do síndroma de MELAS (sigla inglesa composta pelas iniciais de encefalopatia mitocondrial, acidose láctica e episódios de ataques).

Os investigadores da Universidade de Newcastle-upon-Tyne decidiram então realizar uma investigação que conta com a participação de 30 pacientes portadores deste transtorno genético progressivo e potencialmente fatal. Normalmente, as pessoas atingidas pela doença começam por desenvolver um tipo de diabetes, mas os efeitos da doença podem estender-se logo a todo o corpo. Como salienta Patrick Chinnery, professor de neurogenética na universidade de Newcastle-upon-Tyne, os pacientes portadores deste síndroma “não podem converter a comida em energia, o que afecta o cérebro, o coração e os músculos dos seus membros”.

Ao longo da investigação, os participantes serão divididos em dois grupos de 15 elementos, sendo que a um dos grupos será administrado um tipo de resveratrol, chamado SRT501, enquanto que o outro grupo tomará um placebo.

Experiências levadas a cabo com ratos de laboratório mostraram que o SRT501 reduz os níveis de glucose em animais expostos a uma dieta rica em calorias e que, quando utilizado em combinação com outros medicamentos contra a diabetes, apresenta maiores benefícios, incrementando ainda a capacidade de corrida e a resistência física (devido ao aumento de mitocôndrias, que ampliam a potência muscular).

A investigação que será agora levada a cabo pelos investigadores ingleses, pretende verificar se os resultados apresentados pelos ratos também se registam em seres humanos, comparação esta que será baseada em imagens obtidas através de ressonância magnética e biópsias musculares.

Estudos recentes vieram comprovar que uma dieta equilibrada, com uma ingestão de menos 40 por cento das calorias, corresponde a um aumento de 50 por cento na longevidade, o que anima os investigadores e traz uma nova esperança aos doentes com síndroma de MELAS.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

90% dos hipers Jumbo com parafarmácia até final do ano

Até ao final do ano, 90 por cento dos hipermercados Jumbo, explorados pelo grupo Auchan, deverão estar equipados com uma parafarmácia. De acordo com o Diário Económico, o investimento insere-se nos planos de expansão da actividade da empresa no país.

O grupo francês, que explora também os supermercados Pão de Açúcar, tem planos para investir em Portugal 600 milhões de euros durante os próximos três anos. A expansão do negócio na área de Saúde e Bem Estar, na qual se inserem as parafarmácias, está contemplada no montante reservado para o investimento.

Actualmente, o Grupo assume, em Portugal, a gestão da cadeia de hipermercados Jumbo e supermercados Pão de Açúcar, constituídas por um parque de 17 lojas – 15 da insígnia Jumbo e 2 da insígnia Pão de Açúcar. De entre os 15 hipermercados Jumbo existentes em território nacional, sete contam já com uma loja de venda de medicamentos.

De acordo com dados da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) referentes ao mês de Julho de 2007, as 335 parafarmácias que comunicaram as vendas facturaram 743 mil euros, sendo que o grosso deste mercado (41%) é detido pela cadeira Modelo Continente, com 31 lojas. Em Portugal há 485 postos autorizados e 35 ainda por abrir.

Marta Bilro

Fonte: Diário Económico, Jumbo, Farmacia.com.pt.

20 mil diabéticos em risco de cegar

Atraso nas consultas agrava sintomas da doença

A ausência de rastreios e a insuficiência de tratamentos estão a colocar em risco a visão de 15 a 20 mil portugueses que sofrem de diabetes. A cegueira é uma consequência previsível da doença que tende a ser agravada pelos atrasos no acesso à terapia. O alerta é dado por vários clínicos em medicina geral e familiar, mas também por oftalmologistas de unidades hospitalares.

De acordo com a edição desta segunda-feira do Diário de Notícias, os doentes estão sujeitos a esperar um ano para ir à consulta e, mais tarde, meses por um tratamento laser. “Há casos graves à espera de rastreio em conjunto com rastreios de rotina e primeiros rastreios», salienta o coordenador do Programa Nacional para a Saúde da Visão, Castanheira Dinis em declarações àquela publicação.

Alguns casos graves estão a ser misturados com consultas de rotina, refere o mesmo responsável, acrescentando que está já a ser trabalhada uma maneira de os distinguir de forma a criar prioridades. No entanto, acredita que «já se salvam mais pessoas da cegueira» e que «há mais controlo da diabetes entre os portugueses».

No Instituto Gama Pinto, instituição que também dirige, “o atendimento é preferencial a diabéticos”. Ali o tempo de espera está entre os três e os seis meses, sendo que, o tratamento é realizado logo que são identificadas as lesões indicadoras de retinopatia diabética.

No Algarve, o número de oftalmologistas não ultrapassa a meia dúzia, referem fontes do hospital citadas pelo jornal. Estabelecer protocolos com centros de saúde para fazer os rastreios, foi a solução encontrada porém, tratar as eventuais lesões pode demorar um ano. O mesmo acontece no Alentejo onde, apesar de haver máquinas para rastreio, “não existe resposta a tratamentos”, afirma Rosa Galego, médica na mesma área. Na zona centro o cenário é mais positivo, com as espera para uma consulta de retinopatia diabética a rondar os três meses.

Marta Bilro

Fonte: Fábrica de Conteúdos, Diário Digital, Diário de Notícias.

FDA quer alterar embalagens de alimentos para combater obesidade

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) vai analisar a possibilidade de criar um novo padrão para as embalagens de alimentos que forneçam aos consumidores dados nutricionais mais claros e concisos. O objectivo é facilitar a leitura das tabelas e, desta forma, combater a obesidade.

Apesar das informações nutricionais nas embalagens de alimentos serem obrigatórias, o Governo dos Estados Unidos da América (EUA) considera que estas indicações são muitas vezes confusas e ineficazes.

Com o fenómeno da obesidade a crescer no país, os responsáveis norte-americanos resolveram juntar empresas, investigadores, associações e Organizações Não Governamentais que, durante esta segunda e terça-feira (10 e 11 de Setembro) discutirão o assunto.

A obesidade é um problema cada vez mais comum nos países desenvolvidos e uma das principais causas do aumento do número de diabéticos. Calcula-se que 90 por cento dos doentes que desenvolvem a doença apresentam um peso 120 por cento superior ao considerado normal.

Este parece ser mais um sinal da preocupação que se tem gerado em torno do assunto e que tem vindo a chamar a atenção das empresas alimentares. Recorde-se que a cadeia norte-americana Dunkin' Donuts anunciou recentemente que todos os seus produtos comercializados nos EUA deixarão de conter gorduras hidrogenadas, associadas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e a problemas de obesidade.

Marta Bilro

Fonte: EmbalagemMarca.com.br, Farmácia.com.pt.

Resolução europeia regula venda de medicamentos on-line

A pensar nas boas práticas da distribuição de medicamentos on-line, o Conselho da Europa adoptou uma resolução que tem como objectivo enquadrar a venda de fármacos através da internet e via e-mail. Este é um grande avanço para a segurança dos pacientes e para a qualidade dos fármacos, referem os responsáveis europeus, salientando que a venda de medicamentos por e-mail não está actualmente regulada por qualquer standard.

A confiança e qualidade são ingredientes essenciais para que os doentes possam ter um acesso “conveniente” aos medicamentos que necessitam, refere a instituição, justificando a medida com o facto das novas directrizes trazerem alguma ordem sobre o crescente volume de transacções e a disparidade de práticas na venda de medicamentos on-line nos vários estados membros da União Europeia.

“Um crescente número de estados membros do Conselho da Europa estão a autorizar a venda de medicamentos através de encomendas e-mail, o que significa que esses medicamentos oferecidos para venda através da Internet podem ser comprados pelo consumidor em encomendas por e-mail. Os consumidores e doentes querem o acesso fácil e conveniente aos medicamentos que precisam e deveriam ter condições de confiar na qualidade dos medicamentos”, refere o comunicado publicado no portal do Conselho da Europa.

Na ausência de regulamentação relativa à venda por e-mail, e enquanto membros da cadeia de distribuição farmacêutica, as autoridades de saúde ficam responsáveis por garantir a segurança dos pacientes e a qualidade dos medicamentos.

Questões como o fornecimento, o aconselhamento dos pacientes, a notificação de efeitos adversos, o marketing e publicidade, a prescrição, ou as devoluções e defeitos devidos ao envio por e-mail estão também contempladas neste manual para a prática saudável da venda de medicamentos on-line.

Marta Bilro

Fonte: Sol, iGov.

Site «Eu quero parar» veicula conselhos e testes
Pfizer ajuda brasileiros a deixar de fumar


A multinacional norte-americana do sector farmacêutico Pfizer tem em marcha no Brasil uma campanha que tem como objectivo apoiar as pessoas que pretendem deixar o vício do tabaco. «Eu quero parar» é o nome da iniciativa, alicerçada numa página online que pode ser acedida de qualquer parte do mundo, e na qual, além de conselhos e testes, é prestada toda a informação necessária para aprender a dizer “não” ao cigarro.

“Sinta mais”, “divirta-se mais”, “participe mais”, “ame mais” e “viva mais” são alguns dos apelos da companhia farmacêutica aos utilizadores da página, disponível no endereço electrónico http://www.euqueroparar.com.br/, onde além dos fumadores também o público em geral e os profissionais de saúde podem encontrar apoio à sua estratégia de divulgação da mensagem de que o vício de fumar tem consequências perniciosas para a saúde do indivíduo que fuma e de todos os que o rodeiam nesse momento. Com testemunhos de especialistas e um fórum em que podem ser debatidos diversos temas em torno deste, o site dinamiza, com imagens apelativas e conteúdos simples e de grande valia técnica, a veiculação de uma mensagem de saúde pública, divulga notícias, dá dicas para travar a dependência, sugere exercícios físicos e permite avaliar, através de testes de saúde, o grau de adição dos fumadores, e ainda fornece wallpapers para o computador, para que o fumador nunca esqueça do seu objectivo de pôr termo ao vício.

Carla Teixeira
Fonte: «Eu quero parar», Pfizer
Sanofi Pasteur assinala aniversário com a criação de um site
Vacina contra a gripe comemora 60 anos



A Sanofi Pasteur, divisão de vacinas do laboratório farmacêutico francês Sanofi-Aventis (o terceiro maior grupo farmacêutico do mundo e o primeiro da Europa), acaba de lançar um site comemorativo dos 60 anos do desenvolvimento da Vaxigrip, a primeira vacina contra a gripe. Disponível em http://www.sanofipasteur.com.br/, o site «60 anos: 1947-2007» traça a perspectiva histórica da Sanofi Pasteur, fornece dados sobre a gripe e o impacto que ela tem na população mundial, aborda o tema das pandemias do século XX e focaliza aspectos como a eficácia da inoculação e os investimentos da empresa para ampliar a oferta de vacinas em todo o mundo.

Corria o ano de 1947 quando a Sanofi Pasteur assumiu, em nome da Sanofi-Aventis, o compromisso do combate ao vírus responsável pela gripe (influenza), com a produção da primeira vacina contra a doença, mas foram precisos cerca de 20 anos para que se desenvolvesse a Vaxigrip, que em 1968 foi licenciada em França, onde a companhia lançou entretanto a Fluzone. Desde então mais de 15 mil milhões de doses daquelas imunizações foram distribuídas à escala mundial. Só em 2006 foram 170 milhões, um número que representa 40 por cento da produção de vacinas contra o vírus Influenza em todo o planeta, estimada pela Organização Mundial de Saúde em 350 milhões de doses. Com eficácia comprovada por cerca de 30 estudos diferentes, realizados ao longo de 12 anos (redução de 67 por cento do risco de morte por qualquer causa em idosos e de 91 por cento no número de mortes associadas a pneumonias ou doenças associadas), a Vaxigrip está actualmente presente em 150 países, tantos quantos aquele em que está representada a própria companhia.
Tendo como titular da Autorização de Introdução no Mercado a Sanofi Pasteur MSD, a Vaxigrip é distribuída em Portugal pela UCB Pharma – Produtos Farmacêuticos Lda., e está disponível, no contexto europeu, em vários países e com várias designações: em Portugal, na Áustria, na Bélgica, na Dinamarca, na Finlândia, em França, na Grécia, em Itália, no Luxemburgo, na Suécia, na Holanda, na Islândia e na Noruega tem o nome de Vaxigrip, mas na Alemanha foi baptizada como “Flu Vaccinol”, e na Irlanda e no Reino Unido recebeu a designação de “Inactivated Influenza Vaccine (Split Virion) BP”. Já em Espanha tem como marca comercial Gripavac. Segundo consta do folheito informativo do medicamento, cuja última actualização foi aprovada pela Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) no último mês de Agosto, trata-se de uma suspensão injectável em seringa pré-cheia com um virião fraccionado, inactivado, e está indicada para a profilaxia da gripe, particularmente em indivíduos com elevado risco de desenvolver complicações associadas.
O folheto refere que, como qualquer medicamento, a Vaxigrip pode ter efeitos adversos, tendo sido relatados nos ensaios clínicos da vacina, com uma incidência superior a um caso em 100, mas inferior a um em 10, dores de cabeça, sudação, dores musculares (mialgia), dores nas articulações (artralgia), febre, mal-estar, arrepios, fadiga, reacções locais como vermelhidão, inchaço, dor, hematoma (equimose), e endurecimento à volta da área de injecção. São reacções que, de acordo com o Infarmed, desaparecem ao fim de um ou dois dias.
Na fase de vigilância pós-comercialização foram também reportados casos de reacções cutâneas que podem espalhar-se a todo o corpo, incluindo comichão (prurido, urticária) e exantema, dor localizada ao longo do trajecto do nervo (nevralgia), alterações de percepção sensorial quando estão envolvidas reacções à palpação, dor, calor e frio, convulsões associadas a febre, perturbações neurológicas que podem ter como resultado rigidez do pescoço, confusão, entorpecimento, dor e fraqueza dos membros, perda de equilíbrio, perda de reflexos, paralisia de parte ou em todo o corpo (encefalomielite, nevrite, Síndrome de Guillain-Barré), redução temporária do número de plaquetas sanguíneas, que podem derivar em hematomas ou hemorragias excessivas (trombocitopénia transitória) e inchaço transitório das glândulas do pescoço, axilas ou virilhas (linfadenopatia transitória).
Nos casos mais graves de reacções alérgicas, a Vaxigrip pode conduzir a emergência médica com falência do sistema circulatório para manter um adequado fluxo sanguíneo para os diferentes órgãos (choque), em casos raros, inchaço mais aparente na cabeça e no pescoço (angiodema da face, lábios, língua, garganta ou qualquer outra parte do organismo) em casos muito raros, vasculite que pode resultar em exantemas cutâneos e, em casos muito raros, problemas renais.

Carla Teixeira
Fonte: SEGS.com.br, Infarmed

Lusíada recebe 13º Simpósio Anual de Doenças Renais

No próximo dia 19 de Outubro, a Universidade Lusiada, em Lisboa, vai receber o 13º Simpósio Anual de Doenças Renais, que este ano será dedicado ao tema Hipertensão arterial: o que há de novo?, tendo em conta uma relação com as doenças dos rins. A organização do encontro está a cabo da Sociedade Portuguesa de Nefrologia que conta já com confirmação da presença de um leque privilegiado de investigadores nacionais e estrangeiros.

Em debate estarão temas como o risco cardiovascular associado à doença renal, os diabetes e as drogas anti-hipertensivas, o panorama nacional e os riscos acrescidos para os idosos, propondo-se ainda uma reflexão sobre as recomendações europeias acerca do tratamento da hipertensão.

De acordo com a organização do evento, o público-alvo deste simpósio são os médicos nefrologistas, de medicina geral e familiar, cardiologistas e de medicina interna, e ainda os enfermeiros destas mesmas áreas. A avaliar pelas edições realizadas no passado, a organização espera uma forte adesão dos especialistas, admitindo mesmo que o encontro possa reunir até 400 participantes.

Para mais informações consultar: http://www.a-p-r.org


Inês de Matos

Fonte: Sociedade Portuguesa de Nefrologia

domingo, 9 de setembro de 2007

Portugueses usam e abusam dos anti-inflamatórios

Segundo dados revelados hoje pela Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, mais de 800 mil portugueses consomem diariamente pelo menos um anti-inflamatório. A banalização destes fármacos pode ter consequências muito graves, causando frequentemente hemorragias no estômago, no fígado ou no duodeno, chegando mesmo a ser mortal em cinco a 10 por cento dos casos.

O vice-presidente da Sociedade, Hermano Gouveia, avisa que “em Portugal anda a banalizar-se demasiado o uso de anti-inflamatórios e as pessoas devem ser alertadas para os riscos. Cerca de 50 por cento dos doentes que tomam anti-inflamatórios têm queixas digestivas e 10 por cento úlceras”.

O risco de morte aumenta com a idade dos consumidores, nas pessoas jovens os riscos são diminutos e na maior parte das vezes os anti-inflamatórios são “inócuos”. Por outro lado, os idosos correm um risco elevado de complicações no uso destes fármacos, já que a idade superior a 60 anos é um dos factores de risco, bem como a existência de um historial de úlcera gástrica ou de problemas cardiovasculares.

Hermano Gouveia alerta para a necessidade de existir sempre uma orientação médica durante o tratamento com anti-inflamatórios, ainda que o “medicamento seja de venda livre”, “sobretudo quando percebemos que a auto-medicação é cada vez mais frequente e que as pessoas tomam muitas vezes um medicamento só porque o vizinho também toma”.

Para além da medicação sem orientação médica, o exagero na dose é outro problema apontado pelo especialista, pois muitas vezes existe a tendência de aumentar a dose do medicamento para rapidamente resolver a dor ou o problema de saúde. No entanto, em situações muito dolorosas, o anti-inflamatório não tem de ser necessariamente a última opção, existindo sempre a alternativa da fisioterapia e cirurgia, bem como o uso de analgésicos, acrescenta o médico.

Inês de Matos

Fonte: Sol

sábado, 8 de setembro de 2007

Vírus Tropical chega à Europa

Nos últimos dois meses a província italiana de Ravenna registou cerca de 200 casos de contagio com o vírus Chikungunya, uma doença infecciosa tropical, transportada para a Europa pelo mosquito Aedes albopicuts. Esta é a primeira vez que uma doença tropical chega à Europa e motivou já um alerta do Centro Europeu para o Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC).

Um idoso de 83 anos terá morrido na sequência das picadas deste insecto e um outro homem está internado em coma, existindo fortes suspeitas de que tenha também sido picado pelo mosquito.

Conhecido como “a doença que paralisa”, o vírus provoca febres, dores crónicas, rigidez nas articulações e inchaços dos membros, podendo mesmo ser mortal. Após a picada ocorre uma infecção que dura entre três a cinco dias e a recuperação pode durar entre uma a 10 semanas.

Depois dos casos detectados em duas aldeias perto da cidade de Cervia, na região de Emilia Romagna, a 200 quilómetros de Roma, o ECDC decidiu emitir um alerta, de forma a exortar os turistas europeus, que viajem para a região, para o uso de repelentes e de redes mosquiteiras.

Apesar do alarmismo os habitantes da região não receiam o pior, pois como relembra o escritor Carlo Lucarelli, que vive na área afectada, "esta é uma zona que já teve de lidar com a malária. Atenção, sim, mas sem exagerar".

A Índia é o pais tropical com mais casos registados, só no ano passado foram detectados mais de 1 milhão de casos de infecção com o Chikungunya, para o qual não existe tratamento nem vacina.

Inês de Matos

Fonte: Diário de Noticias, Sol

Pfizer testa Sutent em combinação com Tarceva da Roche para cancro do pulmão

A Pfizer Inc. irá testar na Fase III do ensaio clínico o Sutent (sunitinib) em combinação com o Tarceva (erlotinib), da Roche Holding AG, como terapia para pacientes com cancro do pulmão de não pequenas células em estado avançado que já receberam tratamento anteriormente.

O estudo aleatório SUN 1087, que envolve 956 pacientes, irá comparar a sobrevivência geral daqueles a quem foi administrada a combinação de fármacos, em relação aos que tomaram Tarceva mais placebo. Este ensaio irá ainda avaliar a eficácia e a segurança do Sutent em combinação com o Tarceva no tratamento do cancro do pulmão avançado.

Os resultados preliminares de uma fase intermédia do ensaio, apresentados na conferência mundial da “Association for the Study of Lung Cancer”, em Seul, Coreia da Sul, forneceram informação acerca da segurança e tolerabilidade do Sutent em combinação com o Tarceva em pacientes com este tipo de cancro do pulmão. O fármaco também está a ser testado no cancro da mama avançado e no cancro colo-rectal avançado.

O Sutent, que atingiu vendas de 146 milhões de dólares no segundo trimestre de 2007, foi aprovado no ano passado nos Estados Unidos para tratar alguns pacientes com carcinoma de células renais e tumores do estroma gastrointestinal.

O cancro do pulmão é o principal tipo de cancro nos homens e mulheres em todo o mundo, segundo afirmou a Pfizer. Mais de metade dos que sofrem de cancro do pulmão de não pequenas células são diagnosticados depois da doença ter avançado e metastizado para outras partes do organismo.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.pfizer.com
II Workshop Nacional sobre Malária em Angola
Peritos recomendam combinações de fármacos


O II Workshop Nacional sobre Malária de Angola, que teve lugar entre quarta e sexta-feira da semana passada, terminou com uma recomendação no sentido da interdição da importação de produtos farmacêuticos que incentivem a monoterapia para o tratamento daquela doença, insistindo também na necessidade de maior investimento nas fases de diagnóstico, tratamento e gestão da situação nos municípios.

A recomendação da proibição de entrada no país de medicamentos que exortem a uma terapia tendo por base um único fármaco terá constituído uma das principais conclusões dos peritos que estiveram reunidos durante dois dias no Centro Nacional de Oncologia, no âmbito de um encontro que contou com a presença da directora nacional de Saúde Pública, Adelaide de Carvalho, na sessão de encerramento. Os congressistas, oriundos de 18 províncias de Angola, defenderam uma maior divulgação da política nacional de tratamento da doença entre parceiros, financiadores e doadores, preconizando um maior envolvimento em acções de formação em diagnóstico, tratamento e gestão do problema, que afecta significativamente o país.
O consultor do Programa Nacional de Luta contra a Malária, Telles Francisco, garantiu que o Coartem, novo medicamento para o combate à malária à base de combinações terapêuticas derivadas de artemisinina, encontra-se actualmente disponível para todos os grupos populacionais de Angola, acrescentando que, desde que aquele fármaco foi introduzido no esquema de tratamento dos doentes de paludismo angolanos, há cerca de um ano, 13 das 18 proivíncias do país estão a fazer uso dele, enquanto as restantes cinco têm recorrido ao Arsucam, que associa amodiaquina e artusinato. O responsável assevera que a totalidade do território nacional está coberta com pelo menos um destes medicamentos, recomendados desde 2006 pelo Programa Nacional de Luta contra a Malária, registando resultados positivos.

Carla Teixeira
Fonte: «Jornal de Angola»

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Análise ao sangue pode detectar cancro

Uma equipa de cientistas britânicos diz ter desenvolvido uma análise ao sangue capaz de detectar a presença de um cancro no organismo muito antes dos primeiros sintomas aparecerem. Os investigadores da Universidade de Southampton conseguiram identificar a presença de biomarcadores em amostras de sangue que podem indicar a presença de cancro da mama.

O exame detectou com antecedência sinais de cancro da mama em algumas mulheres. Os investigadores esperam que as pistas fornecidas pelo teste os ajudem a revolucionar a prevenção do cancro através de exames mais acessíveis financeiramente e de uma técnica de diagnóstico menos invasiva.

Os cientistas analisaram 30 mil amostras de sangue recolhidas de 11 mil mulheres, durante os últimos 30 anos, algumas das quais vieram a desenvolver cancro. Durante a pesquisa, os cientistas procuraram a presença de biomarcadores produzidos pelas células cancerígenas. As amostras obtidas permitiram-lhes observar a presença significativa de biomarcadores de cancro da mama.

“A qualidade das amostras foi fundamental mas ainda é cedo”, refere Paul Townsend, o principal responsável pelo estudo. “Algumas das mulheres que forneceram amostras de sangue eram saudáveis na altura porém, mais tarde desenvolveram cancro. Vamos voltar atrás no tempo para analisar aspectos comuns no sangue que possamos identificar como impressões digitais do cancro”, explicou o especialista.

“Estamos a tentar descobrir se é possível recolher uma amostra de uma pessoa saudável e perceber se essa pessoa poderá desenvolver cancro no futuro”, acrescentou o cientista. O objectivo mais ambicioso dos investigadores passa por conseguir, através de uma análise ao sangue, uma caracterização do que pode acontecer à pessoa num estádio mais avançado na doença.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, Cancer Research UK, The Press Association.

Depressão causa mais prejuízos à saúde do que doenças crónicas, diz estudo

A depressão é mais prejudicial para saúde dos doentes do que algumas doenças crónicas, como a angina de peito, a artrite, a asma e a diabetes. O alerta surge por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS), num estudo publicado na revista médica “The Lancet”. Os homens casados, com baixo nível de escolaridade e com menores rendimentos são, de acordo com a pesquisa, o estereótipo da doença.

A investigação, levada a cabo pela OMS, envolveu 245.404 doentes de vários países e prolongou-se por 12 meses. Entre os casos analisados, 3,2 por cento corresponde a diagnósticos de depressão, um valor inferior ao da angina de peito (4,5) e ao da artrite (4,1). Porém, a depressão está frequentemente associada a uma, ou até duas destas quatro doenças crónicas em simultâneo.

Do total de pacientes analisados, entre 9 e 23 por cento sofriam de uma ou duas doenças crónicas e, também, de depressão. Estes dados permitiram aos investigadores concluir que a depressão fornece um contributo significativo para a diminuição da saúde da população a nível mundial. É por isso que os cientistas consideram que a depressão combinada com a artrite, asma, diabetes ou angina de peito causa muito mais prejuízos à saúde do que ser portador de duas ou mais destas doenças crónicas em conjunto.

De acordo com os investigadores, esta é uma chamada de atenção para a “necessidade urgente de colocar a depressão entre as doenças com prioridade de tratamento no sistemas de saúde, por forma a reduzir os seus efeitos e melhorar a saúde da população mundial”.

A necessidade de promover o apoio psicológico nos sistemas de saúde nacionais dos países menos desenvolvidos não é um tema inovador. Um estudo anterior realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos e igualmente divulgado pela “The Lancet” fazia também uma abordagem da situação.

Dados do Portal da Saúde, indicam que a depressão é a principal causa de incapacidade e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis entre as 107 doenças e problemas de saúde mais relevantes. Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre, sofreu ou vai sofrer de depressão. Um em cada cinco utentes dos cuidados de saúde primários portugueses encontra-se deprimido no momento da consulta.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, Portugal Diário, Portal da Saúde.

Portugueses abusam dos anti-inflamatórios

SPG alerta para os riscos da auto-medicação

Mais de 800 mil portugueses consomem diariamente anti-inflamatórios, entre os quais 228 mil não têm prescrição médica para tal. A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia chama a atenção para a utilização excessiva destes medicamentos que pode provocar hemorragias, problemas gástricos, úlceras e, em alguns casos, a morte.

«Em Portugal andam a banalizar-se demasiado e as pessoas devem ser alertadas para os riscos. 50 por cento dos doentes que tomam anti-inflamatórios têm queixas digestivas e dez por cento úlceras» , afirmou Hermano Gouveia, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG). De acordo com o responsável, só em Coimbra, “80 dos cem casos de hemorragia em 2006 devem-se à toma de anti-inflamatórios” e “entre 5 e 10 por cento destes terminaram mesmo em morte”.

Este fenómeno, muitas vezes resultante da auto-medicação, está a preocupar a SPG. “A maioria das pessoas toma um anti-inflamatório para aliviar uma dor quando em muitos casos resolvia o problema com um paracetamol. Além disso, muitas pessoas aumentam a dose porque a dor não passa ou prolongam o tratamento e acabam por adquirir lesões do fígado. Para saber isso basta fazer uma análise clínica e ver as alterações registadas devido à toma deste tipo de medicamentos”, refere Hermano Gouveia.

Os anti-inflamatórios não esteróides, que podem ser adquiridos sem receita médica, são os protagonistas deste tipo de situações. Para o especialista, "os medicamentos estão cada vez mais disponíveis e, apesar de serem importantes, têm de ser orientados pelo médico. Muitas vezes nem chega perguntar ao farmacêutico, porque não sabe o resto dos medicamentos que a pessoa está a tomar".

O risco de efeitos secundários graves aumenta quando o doente toma estes medicamentos sem a supervisão de um médico, alerta Hermano Gouveia. Numa população envelhecida como é o caso da portuguesa, existem várias patologias que lhe estão associadas. “Se tem mais de 60 anos, toma uma aspirina para proteger o coração, cortisona e um anti-inflamatório, estão reunidos os factores de risco para ter graves problemas, por exemplo uma hemorragia digestiva ou falência do fígado, porque estes medicamentos potenciam os seus efeitos”, explicou o responsável.

O esclarecimento da terapêutica junto do médico é o melhor caminho para evitar este tipo de problemas. Porém, a solução passa também pela escolha do “paracetamol, que não é agressivo", de detrimento dos anti-inflamatórios (como a nimesulida, ibuprofeno, ácido acetilsalicílico).

Marta Bilro

Fonte: DN, Correio da Manhã, Infarmed.

Ensaios divulgados no «New England Journal of Medicine»
Dronedarona mais eficaz contra arritmia cardíaca


Os ensaios clínicos «Euridis» e «Adonis», cujos resultados foram divulgados na última edição do «New England Journal of Medicine», concluíram que o dronedarona, um novo tratamento para a arritmia cardíaca em fase de desenvolvimento pela firma farmacêutica francesa Sanofi-Aventis, é mais eficaz do que o placebo na manutenção da regularidade das contracções cardíacas, sem efeitos tóxicos significativos.

Os dois testes, de características idênticas, acompanharam 1200 pessoas durante um ano e abrangeram o continente europeu, no primeiro caso, e Estados Unidos, Canadá, Austrália e Argentina no segundo. Os investigadores informaram que os efeitos tóxicos nos pulmões, na tiróide e no fígado não aumentaram de forma significativa ao longo do estudo, acrescentando que a fibrilhação auricular é o transtorno do ritmo cardíaco mais frequente em todo o mundo, afectando aproximadamente um por cento da população do planeta, o equivalente a uns seis milhões de europeus e norte-americanos, número que tende a aumentar por efeito do processo de envelhecimento populacional.
Os estudos «Euridis» (European Trial in Atrial Fibrillation Patients receiving Dronedarone for the Maintenance of Sinus Rhythm) e «Adonis» (American-Australian Trial with Dronedarone in Atrial Fibrillation Patients for the Maintenance of Sinus Rhythm) visaram avaliar a capacidade do dronedarona para manter o ritmo sinusal nos pacientes que apresentaram fibrilhação auricular. Em ambos os ensaios, que assentaram na medição do tempo médio até à ocorrência da arritmia como variável principal de avaliação, o uso do dronedarona permitiu sempre tempos muito superiores aos do placebo: no «Euridis» o tempo médio foi de 96 dias com o dronedarona e de 41 dias com o placebo, no estudo «Adonis» a correspondência foi de 158 para 59 dias.
Em Setembro do ano passado a Sanofi-Aventis anunciou a decisão de retirar o dossier de autorização de comercialização do Multaq (dronedarona) na Europa, com o objectivo de avaliar a relação risco/benefício dos comprimidos de 400mg. A decisão foi tomada na sequência de um pedido de dados adicionais feito pelo Comité de Medicamentos de Uso Humano da Agência Europeia de Medicamentos. Nessa altura, a empresa farmacêutica informou que pretendia voltar a submeter à apreciação da EMEA uma solicitação para a introdução do medicamento no mercado no primeiro semestre de 2008.

Carla Teixeira
Fonte: «New England Journal of Medicine», Sanofi-Aventis, PM Farma, Doyma, Guia da Farmácia, CardioAtrio.com

Estudo indica que mudança do Lipitor para sinvastatina aumenta riscos cardiovasculares

Dados de um estudo observacional apontam para o facto de que os pacientes que trocaram de fármacos para a diminuição do colesterol, isto é, do Lipitor (atorvastatina), da Pfizer, para a sinvastatina, apresentaram um aumento de 30 por cento no risco relativo de eventos cardiovasculares graves, em comparação com aqueles que continuaram a tomar Lipitor.

Como parte da análise retrospectiva, os investigadores analisaram uma base de dados do Reino Unido que incluía registos de 11 520 pacientes que tomaram Lipitor durante seis meses ou mais, entre Outubro de 1997 e Junho de 2005, incluindo 2 511 pacientes que mudaram para sinvastatina, e 9 009 pacientes que continuaram com o fármaco da Pfizer. Os resultados demonstraram que existia um aumento de 43 por cento do risco de eventos cardiovasculares graves, incluindo ataques cardíacos, AVC, e determinados tipos de cirurgia cardíaca (como revascularização coronária), ou morte, para aqueles que trocaram para sinvastatina, em comparação com os que continuaram com o Lipitor. Contudo, não houve diferença em todas as causas de morte entre os dois grupos.

Uma análise secundária demonstrou que os pacientes que mudaram de fármaco tinham mais do dobro da possibilidade de descontinuar o tratamento, em comparação com os que se mantiveram com o Lipitor. As razões pelas quais o tratamento era descontinuado não estava disponível na base de dados, o mesmo acontecendo com as causas da mudança de fármaco, explicou a Pfizer. A companhia acrescentou ainda que os pacientes do estudo não foram randomizados para cada grupo, o que limita o significado dos resultados.

Segundo o autor principal do estudo, Peter Jan Lansberg, professor no Hospital Slotervaart, na Holanda, muitos médicos estão a trocar os pacientes para a sinvastatina devido ao facto das companhias de seguros norte-americanas e dos governos europeus estarem sob pressão para reduzir as despesas. Lansberg sublinhou ainda que não é benéfico fazer uma troca universal para as estatinas mais baratas. É necessário fazer uma distinção entre os pacientes que beneficiam com as estatinas genéricas e os pacientes de alto risco que têm a necessidade de uma terapia mais agressiva. Este estudo, que foi financiado pela Pfizer, foi apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia e também será publicado na “The British Journal of Cardiology”.

O Lipitor é o fármaco líder de vendas, tendo atingido valores de aproximadamente 13 mil milhões de dólares em 2006.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.pfizer.com

Bayer Schering e Dyax colaboram para identificar anticorpos terapêuticos

A Bayer Schering e a Dyax iniciaram um acordo de colaboração para descobrir anticorpos terapêuticos. Segundo os termos do acordo, a Dyax irá identificar anticorpos terapêuticos dirigidos a dois alvos fornecidos pela Bayer.

Com este acordo, a Dyax irá receber pagamentos quando forem atingidos determinados objectivos, e regalias resultantes das vendas líquidas que possam derivar do desenvolvimento e comercialização, por parte da Bayer, dos anticorpos descobertos durante esta colaboração. O acordo também fornece à Bayer sublicenças para outras patentes relevantes de anticorpos, identificados através da expressão de fagos, que possam ser utilizados com a tecnologia da Dyax. Os termos financeiros envolvidos não foram revelados.

Isabel Marques

Fontes: First Word, www.dyax.com

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer
Jantar solidário no Casino da Póvoa

A Associação Alzheimer Portugal assinala, a 21 deste mês, com um jantar e um baile de gala agendado para o Casino da Póvoa de Varzim, no Norte do País, o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer. Trata-se de uma iniciativa que visa a angariação de donativos para a associação, reportando-se à sua missão de prestar apoio a portadores de demência e dos seus cuidadores.

Numa nota de agenda enviada ao farmacia.com.pt, a Associação Alzheimer Portugal refere, citando a sua presidente, Maria do Rosário Zincke dos Reis, que “é importante demarcar este dia de uma forma positiva, com esperança no desenvolvimento da ciência e com orgulho no trabalho diariamente desenvolvido por técnicos, cuidadores e pessoas com demência que não desistem de fazer valer o seu esforço na luta contra a doença e contra o estigma ainda a ela associado”. As inscrições para o jantar e baile, que terá um custo associado de 50 euros (jantar e donativo), estão abertas a todos os interessados, que deverão fazer as suas reservas através do telefone 960003410, contactando Daniel Martins.

Carla Teixeira
Fonte: Associação Alzheimer Portugal
Infarmed veicula alerta de entidade reguladora francesa
Próteses de esforço Microval 2D contrafeitas


O Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), por indicação do seu departamento de Dispositivos Médicos, acaba de emitir uma circular informativa destinada a divulgação junto do público em geral de um alerta inicialmente veiculado pela entidade reguladora do sector em França, à luz da qual terá sido detectada, no mercado egípcio, a existência de próteses de esforço contrafeitas da marca Microval.

De acordo com o exposto na nota emitida pelo Infarmed, que vem assinada por Luísa Carvalho, vice-presidente do seu conselho directivo, o problema terá sido diagnosticado pela própria empresa fabricante dos equipamentos, que estará neste momento a fazer uma recolha de elementos com vista a poder divulgar a situação junto da sua rede de distribuição. Em Portugal, de acordo com a entidade reguladora nacional, está também em marcha o processo de averiguação da eventual presença de próteses contrafeitas da marca Microval, e embora pela informação existente não haja evidência da entrada daquele produto contrafeito no mercado europeu, o Infarmed ressalva que, em virtude da livre circulação de bens e mercadorias poder-se-á ter dado uma introdução irregular daquelas próteses em países da Europa, e concretamente em Portugal.
A Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde exorta assim quem eventualmente encontrar aquele tipo de produtos à venda em Portugal a contactar de imediato o seu departamento de dispositivos médicos. Para reconhecer as próteses da Microval efectivamente contrafeitas convém saber que a referência 411515 não faz parte da gama 2D da Microval, que o lote de esterilização 010405E corresponde a um número real, mas a data limite de utilização 2010/05 não é a correcta, que deveria ser 2006/03, que o número de série MC090325 é real, mas associado a outra prótese 2D de reforço, e que o autocolante indicador de esterilidade aplicado na rotulagem foi substituído por uma simples bola verde impressa.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

CEL promove conferências sobre cancro e doenças infecciosas

Instituto Gulbenkian de Ciência e Universidade de Lisboa recebem especialistas internacionais

Matti Hakama, professor de epidemiologia da Universidade de Tampere, na Finlândia, e um dos mais conceituados investigadores em epidemiologia do cancro vai estar em Portugal para falar da doença e das várias questões que a envolvem. A conferência, que se realiza segunda-feira (10 de Setembro), às 17 horas, no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, marca o primeiro dia da apresentação do Consórcio de Epidemiologia de Lisboa (CEL).

No mesmo âmbito, o Complexo Interdisciplinar da Universidade de Lisboa recebe, terça-feira, (11 de Setembro), às 17 horas, Graham Medley, da Universidade de Warwick, no Reino Unido. O especialista, cujos trabalhos publicados contribuíram para o planeamento de medidas de combate ao HIV e à BSE no Reino Unido, vai proferir uma conferência dedicada ao tema dos modelos matemáticos na compreensão das doenças infecciosas e o seu impacto na saúde pública.

Dedicado à investigação epidemiológica e à formação avançada, o CEL nasceu de uma joit venture entre a Universidade de Lisboa e o Instituto Gulbenkian da Ciência. É uma rede multidisciplinar que congrega especialistas internacionais em áreas como a epidemiologia matemática, a biologia evolutiva, a informática biomédica, a física estatística, a epidemiologia clínica ou os sistemas dinâmicos.

Entre as unidades de investigação que integram este consórcio estão o Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais, o Instituto de Medicina Molecular, o Instituto de Ciências Sociais, o Centro de Física Teórica e Computacional, o Centro de Estatística Aplicada e o Instituto Gulbenkian de Ciência.

Marta Bilro

Fonte: Ciência na Internet, http://cel.igc.gulbenkian.pt/.

Corantes alimentares fomentam hiperactividade nas crianças

Os corantes e aditivos alimentares contribuem para aumentar o nível de hiperactividade nas crianças. A conclusão resulta de um estudo da Universidade de Southampton, no Reino Unido, publicado na edição online da revista médica “Lancet”.

Num ensaio clínico em que algumas crianças tomaram um cocktail com aditivos alimentares geralmente presentes na alimentação e outras apenas um simples sumo de fruta, os investigadores observaram que este tipo de produtos produz um efeito de hiperactividade nas crianças. “Demonstrámos um efeito desfavorável dos aditivos alimentares sobre o comportamento hiperactivo das crianças de 3 anos e de 8-9 anos», referem os cientistas.

O estudo, realizado a pedido da agência para a segurança alimentar britânica, a Food Standard Agency, confirma resultados obtidos em trabalhos anteriores que analisaram as crianças que sofrem de perturbações da hiperactividade.

Os investigadores acreditam que os efeitos desfavoráveis produzidos por este tipo de produtos, acrescentados aos alimentos para melhorar a sua conservação, gosto e aspecto, ou alterar a cor, “não são apenas constatados em crianças com hiperactividade, mas também podem ser constatados na população em geral”.

O estudo, que envolveu 153 crianças de três anos e 144 crianças entre os oito e os nove anos de idade, analisou a actuação de aditivos que continham o conservante benzoato de sódio (referenciado como E211 na União Europeia) e diferentes corantes alimentares: cor de laranja amarelado (E110), carmim (E122), cor de vinho (E102), cor de papoila 4R (E124), amarelo quinoleína (E104) e allura red AC (E129).

A hiperactividade é uma problemática a que se associam dificuldades na aprendizagem e na adaptação do indivíduo ao meio nos seus primeiros anos de vida e que, na maioria dos casos, se prolonga pela vida adulta. É uma perturbação do desenvolvimento que afecta o comportamento, a atenção e o autocontrolo. Estima-se que cerca de 4 a 8 por cento das crianças em idade escolar apresentam critérios de diagnóstico para hiperactividade com défice de atenção. Calcula-se também que em aproximadamente 50 por cento destas crianças tais sintomas persistem na vida adulta.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, Médicos de Portugal.

Próteses de reforço contrafeitas à venda no mercado egípcio

Infarmed diz que não há indicações da presença do produto em Portugal

Há próteses de reforço contrafeitas da marca MICROVAL 2D a circularem no mercado egípcio. O alerta é dado pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), que teve conhecimento da situação através de informação disponibilizada pela autoridade competente francesa. Até ao momento, não há indicações da presença deste produto em Portugal, no entanto, o Infarmed admite a hipótese do mesmo ter chegado ao mercado nacional por vias paralelas.

De acordo com uma circular informativa divulgada pelo Infarmed esta quinta-feira (6 de Setembro), a situação foi detectada pelo próprio fabricante francês, MICROVAL, que está a reunir todos os elementos para poder efectuar uma divulgação através da sua rede de distribuição.

O Infarmed entrou já em contacto com o distribuidor que deverá adoptar medidas para verificação da possível existência destes produtos contrafeitos junto dos seus clientes. Conforme refere a nota emitida, não há evidência da introdução deste produto contrafeito no mercado Europeu. Porém, a livre circulação de dispositivos médicos no Espaço Económico Europeu e a eventual importação por vias paralelas poderão ter colocado ilegalmente os produtos no mercado português.

Nessa eventualidade, o Infarmed divulgou uma lista de características que permitem identificar os produtos contrafeitos. Caso sejam detectados no mercado a situação deve ser de imediato comunicada ao Departamento de Dispositivos Médicos do Infarmed.

Os produtos contrafeitos são identificados com a referência número 411515, designação que não existe na gama 2D MICROVAL; o nº de lote da esterilização 010405E é um número real mas a data limite de utilização 2010-05 não é a correspondente (a correcta deveria ser 2006-03); o Número de Série MC090325 é um número real mas associado a outra prótese 2D de reforço; e o autocolante indicador de esterilidade aplicado na rotulagem está substituído por uma simples bola verde impressa.

Marta Bilro

Fonte: Infarmed.

Ventana adquire Spring BioScience

A Ventana Medical Systems adquiriu a Spring BioScience Corp. por 21,1 milhões de euros, um negócio que deverá impulsionar os lucros da empresa em 2008 e 2009.

A compra da Spring BioScience, que desenvolve e fornece anticorpos monoclonais derivados de coelhos, permitirá à Ventana expandir a sua influência no sector da medicina personalizada, um ramo em crescente ascensão que prevê a adaptação dos tratamentos a cada paciente baseando-se nas especificidades genéticas.

De acordo com o director de operações financeiras da empresa, Larry Mehren, o negócio começou a ser preparado há cerca de um ano, na sequência de uma tentativa falhada de adquirir uma outra empresa especializada no desenvolvimento de anticorpos.

A Ventana está a ser alvo de uma oferta pública de aquisição por parte da Roche, que oferece 2,2 mil milhões de euros pelas acções da empresa norte-americana especializada em histopatologia. Porém, a operação foi considerada hostil. Em declarações à Reuters, Mehren escusou-se a comentar a proposta da farmacêutica suíça, mas salientou que foram apenas postas à disposição 13.430 acções desde o dia 23 de Agosto, o prazo estabelecido pela Roche para a concretização da oferta que foi posteriormente prolongado até 20 de Setembro. Para garantir o sucesso da operação a Roche precisa de obter 18 milhões de acções.

Alex Morozov, analista da Monrningstar, não acredita que a aquisição da Spring BioScience possa beneficiar ou prejudicar as perspectivas da Roche. De acordo com Morozov, esta é uma forma da Ventana demonstrar que continua a operar de acordo com a normalidade, como que fazendo um apelo para que a proposta da Roche seja ignorada.

Marta Bilro

Fonte: Reuters.

Antidepressivo vilazodona apresenta resultados positivos em Fase III

A Clinical Data Inc. anunciou que o fármaco experimental vilazodona demonstrou reduzir os sintomas de depressão durante o ensaio clínico. Na Fase III do estudo, o fármaco atingiu os “endpoints” primário e secundário, além de que o perfil de segurança do fármaco, que é tanto um inibidor selectivo de recaptação da serotonina como um agonista parcial dos 5HT1A (receptores de serotonina), parece ser semelhante aos inibidores selectivos de recaptação da serotonina (ISRS) que são comercializados actualmente.

No estudo, 410 adultos com perturbação depressiva grave foram randomizados para receber vilazodona ou placebo. Os dados demonstraram que o fármaco reduziu os sintomas de depressão em duas escalas diferentes de classificação nos pacientes que tomaram vilazodona, em relação ao grupo do placebo. A companhia também adiantou que o estudo identificou biomarcadores que poderão ser utilizados para prever se os pacientes individuais irão responder ou não ao tratamento.

O vilazodona, o único que actua de duas formas, enquanto que outros fármacos só têm uma abordagem, caso seja aprovado, pode competir no mercado com o Paxil, Prozac e outros tratamentos semelhantes. Um dos mecanismos do vilazodona opera ao aumentar os níveis de serotonina, enquanto que o outro, o agonista parcial dos 5HT1A, actua na questão da ansiedade e em pacientes deprimidos que não obtêm resultados com as terapias tradicionais.

A Clinical Data adquiriu os direitos do vilazodona à Merck KGaA em Setembro de 2004 e irá considerar a possibilidade de encontrar um parceiro para comercializar o fármaco em conjunto. Este estudo foi a terceira de três fases normalmente necessárias para a FDA considerar a candidatura para aprovação. A companhia planeia submeter uma candidatura para o registo de um novo medicamento à FDA em 2009.

O “Surgeon General’s Office” estima que 5,3 por cento dos americanos adultos, aproximadamente 17 milhões de pessoas, sofrem de doença depressiva. De acordo com estimativas, os antidepressivos geraram vendas de mais de 12 mil milhões de dólares em 2006, nos Estados Unidos.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.clda.com

União das Misericórdias desaprova novo regime da propriedade das farmácias

Responsáveis alegam que documento é inconstitucional

A União das Misericórdias tem dúvidas quanto ao novo decreto-lei da propriedade das farmácias e pretende pedir ao Presidente da República para avaliar a constitucionalidade do mesmo. As novas directrizes legais obrigam as farmácias das Misericórdias a transformarem-se em sociedades comerciais, de forma a garantir a igualdade fiscal com as demais farmácias.

«Consideramos que o diploma viola o artigo 65 da Constituição porque não respeita o sector social», afirmou Lusa Rui Rebelo, da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), em declarações à agência Lusa.

Com a aprovação do novo decreto-lei, que entra em vigor a partir de 30 de Outubro, a propriedade das farmácias deixa de estar limitada exclusivamente a farmacêuticos, passando a estar também reservada a pessoas singulares e a sociedades comerciais, numa concentração máxima de quatro estabelecimentos. As instituições particulares de solidariedade social que detêm farmácias ficam obrigadas a constituir-se em sociedades comerciais, dispondo de um prazo de cinco anos para a alteração do tipo de propriedade das unidades já existentes.

“É uma medida de grande insensibilidade social. Nós temos uma característica de gestão diferente da do sector privado. Não temos lucros ou dividendos para distribuir pelos sócios. Tudo o que conseguimos de resultados sociais positivos reinvestimos em acção social, nomeadamente em hospitais”, justificou Rui Rebelo.

O que não pode acontecer, considera a União das Misericórdias, é a equiparação, em termos de regime fiscal, destas entidades com o sector privado, obrigando-as ao pagamento de impostos. “Isto não é constitucional nem é justo. E obviamente nós não fazemos concorrência desleal, uma vez que praticamos os mesmos preços que as farmácias do sector privado”, acrescentou Rui Rebelo.

Os responsáveis não estão dispostos a transformarem em sociedades comerciais as 35 farmácias que actualmente detêm. Nesse sentido, vai ser solicitada uma audiência à comissão parlamentar de Saúde e Finanças e será escrita uma petição para sensibilizar o Presidente da República para esta questão, que esperam enviar na próxima semana.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, Farmacia.com.pt.

Desodorizantes antitranspirantes propiciam cancro da mama, diz estudo

Não são completamente novas as suspeitas de uma possível ligação entre alguns dos químicos presentes na composição dos antitranspirantes e o desenvolvimento de cancro da mama. Um estudo publicado no “Journal of Inorganic Biochemistry” vem agora afirmar que uso frequente de desodorizante com efeito antitranspirante pode propiciar o aparecimento da doença.

A investigação, realizada por cientistas da “Keele University”, no Reino Unido, baseou-se na análise de 17 mulheres que tinham sido submetidas a uma Mastectomia no Wythenshawe Hospital, na localidade inglesa de Manchester. A observação permitiu-lhes detectar, nos tecidos mamários dessas mulheres, elevados níveis de alumínio, substância que compõe 90 por cento dos agentes antitranspirantes da maioria dos desodorizantes.

De acordo com os investigadores, as maiores concentrações de alumínio, substância que já tinha sido relacionada ao cancro da mama em estudos anteriores, encontravam-se na zona do peito próxima às axilas, na qual, geralmente, se aplica este tipo de produtos e onde se detectam a maioria de tumores deste tipo.

Apesar de admitir as limitações do estudo devido ao reduzido número de participantes, Chris Exley, responsável pela investigação, considera que “os dados que mostram uma maior concentração de alumínio na região próxima às axilas são estatisticamente significantes”. Os resultados não podem ter sido fruto do acaso, garante o cientista, até porque “a maior concentração de alumínio na parte exterior da mama pode ser explicada pela proximidade desta região à axila, onde se costuma aplicar a maior parte das substâncias antitranspirantes”.

Para além disso, há estudos anteriores que indicam uma permeabilidade da pele face a este elemento, lembra Exley. Apesar de não terem ainda conseguido estabelecer totalmente a relação entre a utilização do antitranspirante e o aparecimento de cancro da mama, os cientistas estão a analisar a hipótese do tecido que já envolveu o tumor servir de porta de entrada para o alumínio, originando a alta concentração desta substância.

Marta Bilro

Fonte: Saúde na Internet.

Mistura de células humanas e animais com fins terapêuticos
Reino Unido autoriza embriões híbridos


A medida é polémica do ponto de vista científico, e no plano religioso já foi classificada pelo Vaticano como “monstruosa”. Dias depois de um grupo de especialistas britânicos em células-tronco ter avisado que o Reino Unido poderá perder o seu pioneirismo nesta área se o governo não autorizar a criação de embriões híbridos de animais e humanos, os reguladores anunciaram que provavelmente decidirão a favor daquele procedimento.

A Autoridade Britânica de Fertilidade Humana e Embriologia anunciou, na última quarta-feira, que “em princípio” dará a sua aprovação à polémica intenção do desenvolvimento de embriões híbridos, a partir da integração de ADN humano em óvulos de animais, com o objectivo de investigar aspectos ligados a patologias como Alzheimer ou Parkinson. A medida visa colmatar uma grave lacuna em termos de ovócitos humanos destinados à clonagem de embriões com fins terapêuticos, prática que já é permitida no Reino Unido, ao contrário do que ainda acontece na generalidade dos países europeus e do mundo. A ser autorizada a medida, os embriões híbridos terão 99,9 por cento de material genético humano e apenas 0,01 por cento de origem animal, e todas as experiências com aquele ADN terão de ser previamente autorizadas.
Os pedidos para a utilização daquelas células remontam a Novembro de 2006, e foram apresentados por grupos de cientistas do King’s College de Londres e da Universidade de NewCastle. Dizem respeito a óvulos de coelha ou vaca, “esvaziados” de quase toda a informação genética original, nos quais serão implantados núcleos com ADN de vários tipos de células humanas. Os investigadores pretendem extrair células embrionárias que lhes permitirão um combate mais eficaz contra algumas doenças neurodegenerativas e lesões graves da espinal-medula. A decisão oficial relativa a este polémico tema deverá ser tomada nos próximos dias, devendo depois passar pelo parlamento inglês onde, até final do ano, será legislada. Segundo a autoridade que regula as questões da bioética no Reino Unido a maioria dos especialistas consultados mostrou-se “favorável à criação de embriões híbridos citoplásmicos”.
A Santa Fé foi a primeira instância da esfera não política ou científica a reagir à notícia, considerando que, a confirmar-se a decisão de autorização do Reino Unido, estar-se-á a dar corpo a um “acto monstruoso”. Monsenhor Elio Sgreccia, presidente da Academia Pontifical para a Vida no Vaticano, frisou, em declarações à Rádio Vaticano, que “é um acto monstruoso que atenta contra a dignidade humana”, exortando nessa medida a comunidade científica a “mobilizar-se o mais rapidamente possível. Acreditamos que o governo britânico cedeu diante dos pedidos imorais de um grupo de cientistas”, vincou.

Carla Teixeira
Fonte: Ciência Hoje, RTP, AFP, Radio Vaticano, Globo Online
Para tratar infecções hospitalares potencialmente fatais
Cubicin aprovado na Europa


A companhia farmacêutica suíça Novartis obteve resposta positiva da Agência Europeia do Medicamento para expandir a utilização do Cubicin (daptomycin) no apoio a doentes que sofram de dois tipos de infecções bacterianas potencialmente fatais desenvolvidas normalmente em ambiente hospitalar, incluindo a infecção causada pelo staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM ou MRSA, sigla inglesa para “methicillin-resistant staphylococcus aureus”).

As duas novas indicações terapêuticas para administração do Cubicin são a endocardite infecciosa resultante da acção do staphylococcus aureus, que se localiza na válvula do coração, e a infecção bacteriana do sistema sanguíneo. De acordo com a Novartis, se a infecção não for tratada rápida e adequadamente, cerca de um terço dos doentes acaba por morrer, mas a gradual capacidade de resistência aos actuais métodos terapêuticos tem transformado este tipo de infecções num problema cada vez mais grave em termos de saúde pública.

Carla Teixeira
Fonte: Novartis Media Relations, Wikipedia
Medicamento para tratamento de problemas cardiovasculares
FDA aprova primeira versão genérica do Coreg

A Food and Drug Administration (FDA), entidade reguladora do sector do medicamento nos Estados Unidos, aprovou o desenvolvimento da primeira versão genérica do Coreg (carvedilol), um medicamento de ampla utilização no tratamento da pressão sanguínea elevada, do risco cardiovascular moderado a severo e da disfunção ventricular comum após uma síncope cardíaca.

Num comunicado publicado na sua página online, a FDA refere que “os medicamentos genéricos são seguros e eficazes”, porque “resultam de um rigoroso processo científico e regulamentar”. Citado no documento, o director do departamento de medicamentos genéricos da agência reguladora norte-americana, Gary J. Buehler, atesta que aqueles fármacos “usam as mesmas substâncias activas utilizadas no desenvolvimento dos medicamentos de marca e actuam da mesma maneira, oferecendo uma alternativa aos doentes no que toca à escolha dos produtos com que podem ser tratados”.
Ainda de acordo com a nota, as placas de comprimidos de carvediol – que hoje existem nas versões de 3,125mg, 6,25mg, 12,5mg e 25mg – são desenvolvidas por diversas companhias do sector farmacêutico norte-americano, tendo agora sido dada autorização a outras empresas, a saber: Actavis Elizabeth LLC, Apotex Inc., Aurobindo Pharma Limited, Caraco Pharmaceutical Laboratories Limited, Dr. Reddy’s Laboratories, Glenmark Pharmaceuticals Limited, Lupin Limited, Mylan Pharmaceuticals Inc., Ranbaxy Laboratories Ltd., Sandoz Inc., Taro Pharmaceutical Industries Ltd., Teva Pharmaceuticals USA, Watson Laboratories Inc. e Zydus Pharmaceuticals USA Inc.

Carla Teixeira
Fonte: FDA

Fumadores de tabaco de enrolar correm maior risco de sofrer de cancro do pulmão

Um novo estudo norueguês, apresentado na Conferência Mundial sobre Cancro do Pulmão em Seul, concluiu que os fumadores de tabaco de enrolar correm um maior risco de vir a desenvolver cancro do pulmão, do que os fumadores de cigarros industrializados. Este tipo de cigarros tende a ter menos tabaco, mas tem uma quantidade maior de nicotina e alcatrão porque são enrolados sem filtro, dai que a maior incidência de cancro do pulmão tenha sido registada em consumidores deste tabaco.

Na Noruega as vendas de tabaco de enrolar correspondem a um terço do tabaco comercializado no país, sendo ainda um dos poucos países ocidentais onde o seu consumo continua elevado.

O estudo, dirigido por Heidi Rolke, do Hospital Sorlandet na Noruega, baseou-se na observação de 333 indivíduos com cancro do pulmão e concluiu que os fumadores de cigarros enrolados à mão “consomem menos cigarros e estatisticamente fumam há menos anos”. Contudo o alto grau cancerígeno destes cigarros “resulta numa maior incidência do desenvolvimento de cancro do pulmão”, garante Rolke.

Mais de 80 por cento dos indivíduos participantes da análise eram fumadores de tabaco de enrolar. Para Jonathan Samet, da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, estes resultados só podem ser equiparados às descobertas documentadas entre mulheres hispânicas, no sudoeste dos EUA, que tendem a enrolar à mão seus cigarros e por isso contam também com uma elevada taxa de incidência da doença.

O cancro do pulmão é um dos cancros mais comuns no mundo, matando 1,3 milhões de pessoas por ano. Na Ásia, morrem mais de 570 mil pessoas por ano, uma a cada minuto.


Inês de Matos

Fonte: Sol

Bayer retira acções da bolsa de Nova Iorque

A farmacêutica alemã Bayer vai deixar de negociar as suas acções na bolsa de Nova Iorque. A decisão, anunciada à imprensa esta quarta-feira (5 de Setembro), deverá concretizar-se já no final do mês de Setembro ou no início de Outubro e tem como principal objectivo a redução de custos.

Conforme foi divulgado, a empresa deverá solicitar a retirada da cotação das suas acções depositárias no Dow Jones, bem como a respectiva inscrição. A Bayer espera assim poder economizar 15 milhões de euros por ano.

O director financeiro da farmacêutica, Klaus Kühn, veio a público afirmar que “a Bayer preservará a transparência nas suas informações e cumprirá as exigências dos investidores internacionais”. De acordo com a empresa, os accionistas norte-americanos podem manter-se na posse dos seus títulos que futuramente poderão transaccionar fora da bolsa de valores.

Marta Bilro

Fonte: Último Segundo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Hospital da Força Aérea recebe Pneumobil contra a DPOC

Unidade móvel promove rastreios gratuitos para fumadores

O Hospital da Força Aérea, localizado no Paço do Lumiar, em Lisboa, vai receber, nos dias 6 e 7 de Setembro, o Pneumobil, uma unidade móvel, equipada com os recursos técnicos e humanos necessários para realização de espirometrias, exame que permite o rastreio à Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). A iniciativa é promovida pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pelo GOLD (Iniciativa Global para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e tem como principal objectivo alertar e prevenir a população.

O Hospital Pulido Valente, em Lisboa, foi a primeira unidade de saúde a receber o projecto, no passado dia 17 de Maio. Desde então, o Pneumobil já percorreu o pais, promovendo rastreios gratuitos à DPOC para pessoas com mais de 40 anos, fumadores e ex-fumadores, entre as 9h00 e as 18h00.

Cerca de 500 mil portugueses sofrem de DPOC, uma doença fatal que é já a sexta causa de morte em Portugal, estimando-se que em 2020 seja a terceira causa de morte em todo o mundo. Devido à gravidade da situação, o GOLD encontra-se já a desenvolver um estudo internacional para avaliar os factores de risco e a incidência da doença.

O estudo internacional, denominado Burden of Lung Disease, deverá representar também a realidade portuguesa, possibilitando assim um conhecimento mais aprofundado da realidade nacional, no que toca ao conhecimento da incidência da doença.

A DPOC é uma doença crónica e silenciosa, altamente incapacitante, cujos principais sintomas traduzem-se essencialmente por limitações na fluidez respiratória, dispneia ou falta de ar, tosse e aumento da produção de expectoração. Normalmente este tipo de sintomas manifestam-se apenas numa fase avançada da doença, contudo, se o diagnóstico for feito atempadamente, é possível travar o seu desenvolvimento.

Esta patologia afecta sobretudo indivíduos com mais de 40 anos de idade e surge geralmente associada a hábitos tabágicos, sendo estimado que cerca de 20 por cento dos fumadores vão sofrer de DPOC.

Inês de Matos

Fonte: Sociedade Portuguesa de Pneumologia
Hospital espanhol faz ablação controlada do tecido tumorado
Técnica pioneira previne cancro do esófago


O Hospital Universitário de Vall d’Hebron, principal complexo hospitalar da Catalunha e um dos maiores de toda a Espanha, é também pioneiro a nível europeu na utilização de uma inovadora técnica endoscópica destinada a prevenir o surgimento do cancro do esófago e a tratar outras doenças gastroenterológicas. A nova metodologia terapêutica foi baptizada com a designação de «Halo» e consiste numa ablação caracterizada por eliminação da “capa” do tecido esofásico afectado pelo tumor, de modo uniforme e controlado, permitindo a substituição e a regeneração da área tumorada por novas células saudáveis. A nova técnica não pressupõe qualquer incisão nem obriga ao internamento do paciente.

Os tumores benignos do esófago são muito raros e os cancros, espinocelulares ou escamosos, também não têm prevalência significativa em Portugal, acontecendo quase sempre em doentes com mais de 60 anos de idade. Mais frequente nos alcoólicos e nos fumadores, em indivíduos que sofrem de estenose (aperto) do esófago, causada pela ingestão de cáusticos, nos doentes de acalásia e com esófago de Barrett, é um tumor bastante comum no Irão, na China, na África do Sul e em Moçambique. Pensa-se que deficiências alimentares e eventuais contaminações dos alimentos por fungos possam estar na origem da variação geográfica. O cancro do esófago manifesta-se normalmente pela dificuldade em deglutir os alimentos (disfagia), barrados antes de chegar ao estômago, pela perda de peso, pela dor no peito e por uma regurgitação do que é ingerido.

Carla Teixeira
Fonte: AZ Prensa, GastroAlgarve

Fármaco experimental nebivolol demonstra reduzir a pressão sanguínea

A Forest Laboratories Inc. anunciou que o fármaco experimental nebivolol demonstrou reduzir significativamente a pressão sanguínea sistólica e diastólica, no primeiro estudo nos Estados Unidos, em pacientes com hipertensão ligeira a moderada, em comparação com placebo.

Neste ensaio, os 909 pacientes com hipertensão receberam uma de seis doses do nebivolol (um bloqueador selectivo de beta-1 com propriedades vasodilatadoras), ou placebo, uma vez por dia durante 12 semanas. O nebivolol em doses de 1,25 a 20 miligramas uma vez por dia reduziu significantemente a pressão sanguínea, sem afectar de forma adversa os níveis de glucose no sangue. Os resultado do ensaio foram publicados na edição deste mês da “Journal of Clinical Hypertension”.

Actualmente, a FDA está a rever o nebivolol e a Forest espera uma decisão no dia 1 de Novembro. O analista da Jefferies & Co., David Windley, estima que o fármaco, caso seja aprovado nos Estados Unidos, possa atingir um pico anual de vendas de aproximadamente 200 milhões de dólares. O produto já é comercializado para a hipertensão em mais de 50 países fora da América do Norte. A Forest poderá apresentar posteriormente uma candidatura para o nebivolol ser utilizado em pacientes com doença cardíaca.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg

Shire e Noven retiram voluntariamente alguns lotes de adesivos Daytrana do mercado americano

A Shire Plc e a Noven Pharmaceuticals Inc. estão a retirar voluntariamente uma quantidade limitada do adesivo Daytrana (sistema transdérmico de metilfenidato) para o tratamento do distúrbio de deficiência de atenção com hiperactividade (ADHD, sigla em inglês). Esta decisão deve-se ao facto de ter havido queixas relativas à dificuldade em remover a película protectora de alguns adesivos, e não devido a qualquer questão de segurança ou eficácia.

Estima-se que os custos envolvidos nesta acção de retirar o produto do mercado sejam entre os 4 milhões e os 6 milhões de dólares, afectando cerca de 30 000 adesivos. Segundo o porta-voz da Shire, Souheil Salah, a companhia irá operar conjuntamente com médicos, farmacêuticos e pacientes para reaver essas embalagens.

Contudo, todos os adesivos Daytrana, incluindo os que fazem parte dos lotes a ser retirados, podem continuar a ser utilizados, a não ser que a película protectora não possa ser removida, ou no caso dos adesivos ficarem danificados ao tentar retirá-la.

Este adesivo, somente disponível nos Estados Unidos, administra o estimulante metilfenidato, que também está presente na Ritalina, através da pele, para reduzir os sintomas do distúrbio de deficiência de atenção com hiperactividade nas crianças. O Daytrana gerou vendas de 19,9 milhões de dólares no segundo trimestre.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.shire.com

Cancro da tiróide: Incidência aumentou 200% em dez anos

A incidência do cancro da tiróide está a aumentar em todo o mundo, representando actualmente 2 por cento dos casos de cancro no mundo. Calcula-se que, em alguma altura na sua vida, 60 por cento da população mundial tenha nódulos na tiróide, referem dados apresentado esta semana durante o 21º Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, que reúne em Florianópolis especialistas de todo o mundo.

A doença registou, na última década, um aumento na incidência de 200 por cento, sendo responsável por 2 por cento de todos os casos de cancro a nível mundial. Manuel Sobrinho Simões, chefe do sector de patologia do Hospital da Universidade de Porto e um dos cerca de 1.500 especialistas presentes, acredita que esse aumento no número de casos está relacionado com a falta de consultas médicas preventivas que é um hábito apenas em países europeus. A detecção precoce dos nódulos através da palpação da tiróide ou a realização de um exame ultrassonográfico representam um papel fundamental na cura.

O responsável salienta ainda o caso das mulheres que, estando cinco vezes mais propensas a este tipo de cancro, poderiam evitar a doença através de exames hormonais requisitados pelo ginecologista. “Numa simples consulta o médico ginecologista além de pedir exames para detectar o cancro de mama e do colo de útero deve solicitar também exames de taxas hormonais. São procedimentos simples que podem auxiliar na descoberta precoce da doença”, defende Sobrinho Simões.

O congresso, que teve início segunda-feira (3 de Setembro) e se prolonga até amanhã (6 de Setembro), reúne cirurgiões, fisioterapeutas, endocrinologistas, oncologistas, dentistas e terapeutas da fala provenientes de vários países para debater a patologia, em especial as novas tecnologias para a retirada dos nódulos e o tratamento multidisciplinar da doença.

Marta Bilro

Fonte: Portal Fator Brasil.

REPORTAGEM

15 de Setembro: Dia Europeu das Doenças da Próstata
Um cancro em cada 20 homens examinados



Aproximadamente 30 por cento dos homens portugueses com idade superior a 50 anos desenvolvem, a dada altura das suas vidas, o cancro da próstata. São 130 mil doentes e quatro mil novos casos anuais de um carcinoma que inicialmente surge assintomático, e que, depois do cancro do pulmão, é a doença oncológica mais comum no sexo masculino no nosso país, com uma prevalência de três por cento. Os especialistas dividem-se quanto à importância do rastreio, numa altura em que uma nova combinação de fármacos parece trazer boas notícias aos doentes, associando-se ao tratamento já existente: a braquiterapia. No dia 15 a Associação Portuguesa de Urologia assinala o Dia Europeu das Doenças da Próstata.

À luz dos resultados de um estudo divulgado na última terça-feira na XXIX Reunião da Sociedade Internacional de Urologia, que decorreu em Paris, a combinação dos fármacos dutasterida e tansulosina demonstrou eficácia alargada no tratamento da hiperplasia benigna da próstata quando comparada com a monoterapia, motivando uma melhoria significativa do quadro sintomático dos doentes. No estudo CombAT estiveram envolvidos 4800 homens com sintomatologia grave a moderada de HBP, que foram medicados com Avodart (durasterida), um inibidor da 5-reductase (5ARi) desenvolvido e comercializado pela GlaxoSmithKline, e tansulosina, um bloqueador alfa-adrenergico. O objectivo primacial do estudo, com um programa calculado para dois anos, foi o de aferir a eficácia da dutasterida e da tansulosina em associação versus a monoterapia, e avaliar os benefícios em termos de sintomatologia”, mas o estudo ainda está em marcha, depois de aferidos estes primeiros dados, visando determinar, a quatro anos, a eficácia daquela terapêutica combinada na redução da progressão da HBP, da incidência de episódios de retenção urinária aguda e da diminuição da necessidade de cirurgia associada à HBP.
Ao terceiro mês do estudo pôde ser verificado pelos cientistas responsáveis pelo estudo um primeiro sinal da “superioridade do regime combinado” no que respeita à melhoria significativa dos sintomas do aparelho urinário, resultante da comparação com a dutasterida isoladamente. O mesmo viria a acontecer, ao nono mês, no que toca à comparação com a tansulosina, também isoladamente. Os dois benefícios apurados mantiveram-se constantes até final da primeira fase do estudo CombAT, que demonstrou ainda, segundo os investigadores, que “a dutasterida é o unico 5ARi que condiciona uma redução dos sintomas mais consistente, se comparada com a tansulosina (bloqueador alfa), durante os dois anos de tratamento. Segundo os especialistas, os efeitos secundários decorrentes do prosseguimento do estudo “foram os esperados tendo em conta o perfil farmacológico das terapêuticas usadas em monoterapia. A incidência global de recções adversas e de efeitos colaterais graves foi idêntica nos três grupos de tratamento.

Braquiterapia
A mortalidade associada ao cancro da próstata tem vindo a aumentar no contexto europeu desde a década de 1980, e em Portugal é a segunda doença oncológica mais frequente nos homens, afectando cerca de 30 por cento daquela população com mais de 50 anos. Na Europa é diagnosticado um cancro da próstata em cada 20 homens rastreados, com uma cadência de três minutos entre cada sentença, e a cada seis minutos há uma vítima mortal da doença. O Hospital do Desterro, em Lisboa, realizou em 2004 um estudo que levou à identificação de tumores malignos em 43 pacientes, de um total de 828 rastreados. Foi aquela a primeira unidade de saúde pública portuguesa a disponibilizar o tratamento por braquiterapia, que além de evitar um longo período de hospitalização permite aos doentes uma recuperação mais rápida, mais cómoda e com menor custo.
Desde 2003 o Hospital do Desterro realizou centenas de intervenções cirúrgicas de braquiterapia, que consiste na implantação na próstata, mediante o uso de agulhas, de pequenas sementes radioactivas, que libertam altas doses de radiação. Durante o processo o médico é guiado por ultra-sons, a fim de posicionar adequadamente a emissão de radiações, que causam menor dano às células circundantes e actuam durante semanas ou meses sem necessidade de serem removidas. Com recurso a este tratamento os efeitos secundários associados à remoção da próstata, como a impotência sexual ou a incontinência, são muito reduzidos. De entre as técnicas de braquiterapia existentes actualmente em Portugal, aquela que se tem generalizado mais, pela sua relativa simplicidade, baixa taxa de complicações e reduzido tempo de internamento, é o implante permanente das pequenas sementes de Iodo-125. O procedimento é seguro, dada a relativamente baixa actividade e energia das partículas emitidas.

Dia da Próstata
Do vasto rol de actividades desenvolvidas pela Associação Portuguesa de Urologia faz parte a celebração anual do Dia Europeu das Doenças da Próstata, sempre ao dia 15 de Setembro. O objectivo desta jornada prende-se essencialmente com uma aposta na sensibilização dos profissionais de saúde e das populações para dados importantes como a prevalência das doenças da próstata e a forma de as evitar. A associação realiza habitualmente uma conferência de imprensa na véspera, e este ano não é excepção, estando o encontro marcado para a sede da APU em Lisboa. No encontro serão transmitidos alguns números actualizados e as informações de maior relevância sobre as patologias da próstata, que serão depois acompanhadas por campanhas nos vários meios de Comunicação Social, além da distribuição de cartazes e folhetos informativos nos centros de saúde, nos hospitais e na rede nacional de farmácias.

Carla Teixeira
Fonte: Estudo CombAT, Associação Portuguesa de Urologia, Agência Lusa, «Diário de Notícias», Jasfarma

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Número de jovens bipolares aumentou 40 vezes na última década

Um grupo de investigadores americanos chegou à conclusão de que o número de jovens a quem foi diagnosticada a doença bipolar, uma doença psiquiátrica grave que envolve períodos de humor muito elevado e de depressão, tem vindo a aumentar ao longo da última década, período em que foi registado um aumento da doença de cerca de 40 vezes.

Os investigadores da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, liderados por Mark Olfson, e o Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova Iorque compararam os números dos anos entre 1994-1995 e 2002-2003, com base em consultas que culminaram em diagnósticos de desordem bipolar, em jovens até aos 19 anos. A conclusão mostrou que em 1994-1995 o número de casos numa população de 100 mil pessoas era de 25, enquanto que em 2002-2003 a realidade mostrava um aumento da incidência da doença superior a 40 vezes, com 1003 casos, em cada 100 mil indivíduos.

Como justificação para o aumento exponencial do número de casos, os especialistas apontam a subdiagnosticação da doença, que só recentemente foi completamente reconhecida, registando-se apenas agora a rectificação do problema. Por outro lado, este súbito reconhecimento da doença pode ser também um problema, pois os diagnósticos que estão agora a ser feitos podem ser exagerados. No entanto, os investigadores reclamam que"sem testes independentes dos diagnósticos sistemáticos, não conseguimos escolher com confiança uma destas hipóteses".

Na maioria dos casos os pacientes são medicados com fármacos psicotrópicos, como estabilizadores de humor, antipsicóticos e antidepressivos. Mas os cientistas têm duvidas sobre os benefícios deste tipo de medicamentos e alertam que "é urgente" avaliar a eficácia e segurança destas drogas.

Inês de Matos

Fonte: Jornal de Noticias

Vacina contra a gastroenterite infantil demonstra eficácia de quase 100 por cento

A eficácia da vacina contra o vírus que provoca a gastroenterite pediátrica é de quase 100 por cento, pelos menos os resultados obtidos ao longo dos dois anos posteriores à sua administração revelaram-se muito positivos, tal como foi adiantado no 25º Congresso Internacional de Pediatria, em Atenas.

A avaliação dos resultados esteve a cabo de um estudo europeu sobre a eficácia de rotavirus e testes de segurança (REST), que concluiu que a vacina oral pentavalente contra o rotavírus é eficaz em 98 por cento dos casos, prevenindo a evolução para estados mais graves da doença, nas duas estações após a vacinação.

Na análise foram avaliados mais de trinta mil lactentes europeus e verificou-se que a administração da vacina proporcionou a diminuição de 95 por cento das hospitalizações e consultas de urgência, diminuindo ainda em 87 por cento as consultas médicas.

Devido ao excelente desempenho da vacina e à sua eficácia e segurança, a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) anunciou, no início de Agosto, a sua intenção de emitir em breve recomendações sobre o uso da vacina. Fernanda Rodrigues, da secção de Infecciologia Pediátrica da SPP, admite que estas vacinas “são eficazes”, ainda que os tipos de rotavírus em circulação tenham uma variação local e temporal, adiantando ainda que “estão já programados estudos epidemiológicos a nível nacional que permitam avaliar a situação no país e monitorizar a eficácia da vacina".

"O rotavírus é o agente causal mais frequentemente implicado e as gastroenterites agudas provocadas por este vírus têm um importante impacto nos sistemas de saúde e nas famílias. Em 2006 foram aprovadas para utilização duas vacinas contra este vírus, eficazes e seguras para os tipos de rotavírus mais frequentemente encontrados", defende Fernanda Rodrigues.

Para a pediatra Filipa Prata, do Hospital de Santa Maria (Lisboa), a questão que se põe agora prende-se com a relação custo/beneficio da vacina, “para que as comissões técnicas possam avaliar a sua possível integração no Plano Nacional de Vacinação". Todavia, para a pediatra esta não é uma prioridade, pois existem “outras vacinas importantes como a vacina pneumocócica conjugada (mais conhecida pelo nome comercial Prevenar para evitar septicemia, meningite ou pneumonia bacteriemica) ou a indicada para o Papilomavírus Humano (que provoca o cancro do colo do útero)".

O que se torna imperativo é pois que os pais tenham consciência que “a gastroentrite pediátrica existe, que há uma vacina eficaz e que é a única medida através da qual se pode diminuir a morbilidade associada à doença", considera Filipa Prata.

A vacina contra o rotavírus deve ser administrada até às 26 semanas, registando-se a incidência da gastroenterite abaixo dos cinco anos, mas o seu pico regista-se entre os seis e os 24 meses. Em Portugal, estão disponíveis duas vacinas cujo custo varia entre os 160 (duas doses) e os 170 euros (três doses).

A infecção, cujos principais sintomas são diarreia aquosa, vómitos, febre e dor abdominal, provoca cerca de meio milhão de mortes todos os anos em crianças com menos de cinco anos.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

AVC: Bayer estuda benefícios de toma diária de aspirina

Os benefícios da Aspirina na redução do primeiro episódio cardiovascular e de acidente vascular cerebral (AVC) estão a ser alvo de um ensaio clínico recentemente iniciado pela farmacêutica alemã Bayer. O estudo, que envolve 12 mil pacientes, prolongando-se por cinco anos, foi anunciado durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Viena, Áustria.

A investigação está a ser levada a cabo em cinco países - Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos da América (EUA) - e pretende analisar os efeitos da ingestão de uma dose diária de aspirina na redução da ocorrência de ataques cardíacos em fase inicial, fatais e não fatais, e de AVC em pacientes em risco moderado.

“Esperamos expandir significativamente o já consistente conjunto de provas que sustentam a utilização da aspirina na prevenção primária de episódios cardiovasculares – desta vez numa população de indivíduos com risco moderado”, afirmou Michael Gaziano, do “Brigham and Women's Hospital”, em Boston, nos EUA, e presidente do comité que fiscaliza o estudo.

O facto de este ser um dos maiores ensaios clínicos a avaliar os efeitos da aspirina na prevenção de episódios cardiovasculares faz com que “o recrutamento dos doentes apropriados em diversos países” seja um dos ingredientes essenciais de sucesso para a investigação, salienta a farmacêutica responsável.

Os dados da Organização Mundial de saúde são conta de números alarmantes no que toca às doenças do coração e aos AVC, identificando-os como as principais causas de morte a nível mundial, responsáveis por 17,5 milhões, ou 30 por cento, das mortes anuais. Para além disso, “os encargos financeiros associados são enormes”, afirma a Bayer, dado que só a União Europeia gastou, em 2006, 169 mil milhões de euros em despesas anuais associadas às doenças cardiovasculares.

Marta Bilro

Fonte: Pharma Times.

AstraZeneca vai ter Unidade de Farmacologia Clínica na China

A AstraZeneca prepara-se para estabelecer uma parceria estratégica com o 3rd Hospital da Universidade de Pequim. A manobra vai permitir à farmacêutica criar a sua primeira Unidade de Farmacologia Clínica na China.

O novo projecto dá ao laboratório a possibilidade de aumentar as capacidades de investigação clínica no local e acelerar o acesso a novos medicamentos que possam beneficiar os pacientes chineses. A unidade deverá centrar-se na realização de ensaios clínicos de Fase I, incluindo a análise das evoluções ao nível da farmacologia clínica e da segurança, passos essenciais para o lançamento de um novo medicamento no mercado chinês.

Segundo os termos do acordo, a AstraZeneca vai proporcionar formação de pessoal em auditoria de sistemas e serviços de consultadoria aos profissionais do 3rd Hospital da Universidade de Pequim. Para além disso, a empresa deverá também investir na actualização das instalações, alterações necessárias para a investigação clínica de fármacos destinados ao tratamento de infecções, da diabetes e doenças cardiovasculares.

Esta parceria vai permitir à AstraZeneca expandir a capacidade de investigação ao nível dos ensaios clínicos de primeira fase para as empresas locais de farmacologia clínica, proporcionando à China a oportunidade de desenvolver o sector da investigação e desenvolvimento através do contacto directo e da troca de experiências entre profissionais.

Marta Bilro

Fonte: Market Watch.

Atriance aprovado na Europa

O Atriance (solução de nelarabina para infusão) recebeu aprovação por parte da Comissão Europeia (CE) para o tratamento de pacientes com Leucemia Linfoblástica Aguda de células T (LLA-T) e Linfoma Linfoblástico das células T (LBL-T), nos casos em que os pacientes não responderam ao tratamento de, pelo menos, dois regimes de quimioterapia, ou que tenham tido uma recaída após esses tratamentos.

Como tinha sido noticiado no farmacia.com.pt, no dia 27 de Junho, a EMEA já tinha emitido uma opinião positiva relativamente ao Atriance. A aprovação deste fármaco da GlaxoSmithKline baseou-se nos dados de dois ensaios fundamentais de Fase II. Num dos estudos, seis pessoas de um subgrupo de 28 pacientes adultos, com recaída ou persistência das doenças, apresentaram uma resposta completa com ou sem restauração dos níveis normais de células do sangue, enquanto que um recebeu um transplante de células estaminais.

Esta aprovação por parte da CE tem como resultado uma autorização de comercialização única com rotulagem unificada que é imediatamente válida em todos os 27 Estados-Membros, bem como licenças nacionais idênticas normalmente emitidas na Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Segundo o Professor Dieter Hoelzer, da Universidade J.W.Goethe, na Alemanha, esta é uma aprovação importante e significativa para os pacientes afectados e para os seus médicos em toda a Europa. A nelarabina pode oferecer uma oportunidade valiosa para pacientes com poucas opções, para avançarem para um tratamento potencialmente curativo. Muitas terapias que são actualmente utilizadas são combinações de fármacos citotóxicos que têm uma elevada taxa de toxicidade. A nelarabina administrada sem ser conjugada com outros fármacos tem demonstrado ser activa e com um perfil previsível de efeitos secundários, e a forma como é administrada permite a alguns pacientes voltar a casa entre os ciclos de tratamento.

Isabel Marques

Fontes: PMFarma, www.gsk.com

Schering-Plough adquire licença de fármaco experimental de acadesina

Fármaco destina-se à prevenção das complicações associadas à cirurgia cardíaca

A Schering-Plough adquiriu a licença mundial de desenvolvimento e comercialização relativa à acadesina, um agente regulador da adenosina (ARA), um novo princípio activo da propriedade da PeriCor Therapeutics. Contudo, os valores envolvidos na transacção não foram revelados.

Actualmente, a acadesina está a ser investigada em ensaios clínicos de Fase III como uma infusão intravenosa, para a prevenção de resultados cardiovasculares e cerebrovasculares adversos que possam ocorrer como complicações associadas a isquemia/reperfusão, em pacientes submetidos a uma cirurgia de derivação coronária (bypass coronário) de tipo cardiopulmonar. Esta grave complicação põe em risco a vida dos pacientes submetidos a este tipo de intervenção cirúrgica, não existindo ainda um tratamento.

Ainda que esta técnica tenha melhorado, tendo-se assim reduzido a morbilidade e mortalidade associadas, as complicações que advêm deste procedimento, como a isquemia por derrame, são ainda muito elevadas. Segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Cardíaca, nos 30 dias após a intervenção existe um risco de 13,4 por cento de apresentar complicações mais graves e inclusive risco de morte.

A acadesina tem sido estudada em ensaios controlados por placebo que incluíram mais de 4 000 pacientes. A Schering-Plough irá conduzir ainda outro ensaio de Fase III, randomizado e controlado por placebo, uma vez que é necessário para obter aprovação. Um agente como a acadesina, que demonstrou reduzir as complicações cirúrgicas como AVC, falha cardíaca e morte, que podem surgir na cirurgia coronária, irá representar uma grande contribuição para o bem-estar dos pacientes, assim como também ajudará a reduzir os custos em cuidados de saúde.

Isabel Marques

Fontes: PMFarma, www.pericortherapeutics.com