domingo, 26 de agosto de 2007

Espanha aprova comercialização da vacina contra vírus do Papiloma Humano

Depois do Reino Unido, Alemanha, Bélgica, França e Dinamarca, é agora a vez da Espanha autorizar a comercialização da vacina contra o vírus do Papiloma Humano (HPV), responsável pelo desenvolvimento do cancro do colo do útero, que será incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

De acordo com a porta-voz do governo espanhol, Maria Teresa Fernández de la Veja, o Ministério da Saúde espanhol, tudo fará para que a vacina seja comercializada e incluída, o quanto antes, no Programa Nacional de Vacinação daquele país.

Em Portugal a vacina é comercializada desde o inicio do ano, no entanto, o governo decidiu não a incluir no PNV e em Abril passado, Os Verdes viram a Assembleia da República recusar a sua proposta que visava a inclusão da vacina no PNV, ainda que Portugal seja um dos países com uma das mais altas taxas de infecção pelo HPV.

A proposta foi bloqueada pela votação da bancada parlamentar do partido socialista, que a considerou “prematura”, faltando-lhe “informação científica” que permitisse “generalizar a utilização desta vacina”.

A vacina é comercializada em Portugal pela Sanofi Pasteur MSD e custa 481,35 euros (três doses, a um custo de 160,45 euros cada). Para além do cancro do colo do útero previne também contra outras doenças provocadas pelo HPV, nomeadamente os seus quatro tipos de vírus mais cancerígenos: 6, 11, 16 e 18. Se for aplicada correctamente, três doses no espaço de seis meses, a protecção contra o HPV é total.

A vacina deve ser administrada a crianças e adolescentes de ambos os sexos, com idades entre os nove e os 15 anos, e a mulheres dos 16 aos 26 anos. O vírus infecta, principalmente, as áreas genitais femininas e masculinas e tem cerca de 180 tipos já identificados.

Os tipos 16 e 18 são os que estão mais associados ao cancro do colo do útero, sendo responsáveis por 70 por cento destes carcinomas. O cancro do colo do útero mata uma mulher a cada dois minutos em todo o mundo e uma por dia em Portugal, destruindo a vida sexual, familiar e social das sobreviventes deste carcinoma.

Este vírus é muito frequente entre indivíduos sexualmente activos, estimando-se que em alguma altura das suas vidas, cerca de 70 por cento destes indivíduos sejam expostos ao HPV.

Portugal tem a mais alta incidência da Europa deste cancro, cuja principal causa é o vírus HPV, registando anualmente 900 novos casos, do quais mais de 300 são mortais. Na Europa, esta é já a segunda causa de morte entre mulheres jovens, imediatamente a seguir ao cancro da mama.

Inês de Matos

Fonte: Sol

sábado, 25 de agosto de 2007

Cálcio e vitamina D diminuem risco de fracturas em mulheres com osteoporose

O tratamento com suplementos de cálcio e elevadas doses de vitamina D poderá ajudar a reduzir os riscos de fracturas de anca e de vértebras nas mulheres com mais de 65 anos, segundo as conclusões de um estudo da Agência de Avaliação de Tecnologias Sanitárias da Andaluzia (AETSA, sigla em espanhol).

Este estudo pretendia analisar a efectividade e a utilização adequada das diversas intervenções perante os problemas associados à menopausa. Os investigadores concluíram, no que diz respeito à osteoporose, ser aconselhável realizar uma densitometria óssea somente a mulheres com mais de 65 anos que apresentam o risco de ter uma fractura resultante desta doença.

Segundo as conclusões de outro estudo, o CUPOS, a vitamina D reduz até 30 por cento o risco de fractura óssea, no caso da osteoporose, revelando ainda que cerca de 64 por cento das pacientes que estão a receber tratamento para esta doença apresenta níveis inadequados desta vitamina.

Neste estudo, no qual participaram 900 mulheres na pós-menopausa com osteoporose, concluiu-se que não chega a 50 por cento o número de mulheres com osteoporose que seguem de forma correcta a dose prescrita de cálcio e vitamina D, apesar de estes compostos aumentarem os efeitos do tratamento da doença.

Os investigadores revelaram que com níveis adequados de vitamina D é possível reduzir o risco de fracturas em 30 por cento, no caso da anca, pulso, antebraço e coluna. Além disso, a insuficiência desta vitamina e de cálcio favorece o aparecimento de outras doenças, como a diabetes e o cancro.

Os autores deste estudo advertem que nenhum tratamento contra a osteoporose deve prescindir de vitamina D. Segundo o especialista José Manuel Quesada, esta vitamina é fundamental para diminuir a perda de massa óssea associada à osteoporose, assim como para fortalecer a musculatura, evitando desta forma as quedas que provocam as fracturas.

Os especialistas sublinham que a dieta alimentar não contém a quantidade diária recomendada de vitamina D, cerca de 200 unidades para adultos com menos de 50 anos e até 600 para aqueles com mais de 70. Assim sendo, recomenda-se combinar o consumo de produtos lácteos, sumos e cereais com suplementos de vitamina D.

Isabel Marques

Fontes:
www.azprensa.com, www.consumer.es

SNS regista poupança de 9,6 M€ entre Janeiro e Julho face a 2006

Dados relativos aos medicamentos vendidos em farmácias

Entre Janeiro e Julho deste ano o Serviço Nacional de Saúde (SNS) poupou mais de 9,5 milhões de euros nos medicamentos vendidos em farmácias, relativamente ao período homólogo de 2006. Os dados foram divulgados pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

De acordo com o Infarmed, nos primeiros sete meses do ano, a despesa do SNS com medicamentos em ambulatório baixou 0,7 por cento comparativamente ao mesmo período do ano passado. Esta redução traduz-se numa poupança de 9,598 milhões de euros para o Estado.

Os «encargos do Estado com medicamentos, em ambulatório, no período Janeiro/Julho tiveram uma variação de menos 0,7% relativamente a igual período do ano anterior», refere o último relatório do Observatório dos Medicamentos e Produtos de Saúde.

Segundo o mesmo documento, em termos acumulados, o Estado gastou em medicamentos 824.338.747 euros, sendo que, nos mesmos meses do ano anterior os gastos do SNS tinham atingido os 833.937.669 euros.

Conforme menciona a nota divulgada pelo Infarmed, «considerando apenas o mês de Julho, a variação com o mês homólogo foi de 1,5%» (119,2 milhões de euros gastos em Julho de 2007 contra os 118,7 gastos no mesmo mês de 2006).

No que diz respeito às regiões, na zona Norte, durante o mês de Julho, a despesa do Serviço Nacional de Saúde com medicamentos em ambulatório foi de 36,2 milhões de euros, 30,9 milhões no Centro, 41,1 milhões de euros em Lisboa e Vale do Tejo, 6,2 milhões de euros no Alentejo e 4,6 milhões de euros no Algarve.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa.

Ordem critica diploma sobre medicamentos veterinários
“Decreto-lei omite perícia farmacêutica”


A Ordem dos Farmacêuticos considera ter sido “marginalizada” no processo em que a Secretaria de Estado da Agricultura e a Direcção-Geral de Veterinária estão a debater com interlocutores da área da Saúde Animal um projecto de lei sobre os medicamentos veterinários, que deverá transpor para o ordenamento jurídico português uma directiva comunitária relativa àqueles fármacos. No entanto, frisando que “a perícia farmacêutica constitui uma garantia da qualidade e segurança no circuito daqueles medicamentos”, a OF reclama ser ouvida.

Numa primeira nota, veiculada na sua página online (www.ordemfarmaceuticos.pt), a OF concretiza que a proposta de transposição da legislação comunitária para a lei nacional “exige uma profunda e cuidada revisão”, já que, segundo a entidade representativa dos farmacêuticos, poderá colocar em risco a segurança, a qualidade e a racionalidade da utilização daquele tipo de fármacos. A Ordem considera necessário o “envolvimento da perícia farmacêutica no exercício das actividades de produção, armazenamento, registo, distribuição e controlo de especialidades farmacêuticas de uso veterinário”, e argumenta que, por aquelas funções fazerem “parte integrante do acto farmacêutico”, a proposta de lei “deveria consagrar a exigência de um director técnico farmacêutico”. Uma “omissão extensiva da intervenção” daqueles profissionais, que a OF não quer deixar passar em claro...

Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos
Bastonária entre 10 “mulheres extraordinárias” de Coimbra
Irene Silveira homenageada em Braga


É uma homenagem a Coimbra, à mulher, e a 10 “mulheres extraordinárias” formadas na mais antiga academia universitária do país. Numa cerimónia promovida pela Associação de Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra em Braga, a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, a primeira mulher no cargo, representará a Faculdade de Farmácia. Irene Silveira integra assim um vasto rol de personalidades que no próximo dia 22 será recebido na cidade dos arcebispos.

Segundo Maria Piedade Tavarela, presidente da Associação de Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra em Braga, o objectivo da sessão é “prestar tributo à mulher portuguesa, homenageando 10 mulheres com actividades de relevância na sociedade, e que têm em comum o facto de todas serem antigas estudantes de diferentes faculdades da Universidade de Coimbra. O reitor e o vice-reitor da UC, Fernando Seabra Santos e Pedro Saraiva respectivamente, já confirmaram a presença na cerimónia, que tem início previsto para as 12 horas no Hotel da Falperra. Ao «Diário de Coimbra», a representante da AAEUC recordou que “Coimbra e a Universidade prestaram sempre homenagens a homens e mulheres que têm lugares de excelência, mas quase nunca são lembrados”, enfatizando que o facto de ela própria presidir a associação terá tido algum impacto na decisão de promover esta sessão.
Almeida Santos, presidente do PS e ex-líder da Assembleia da República, será o orador principal do evento, tendo a seu cargo uma dissertação sobre «A mulher», antes de ser dada a palavra às homenageadas, que falarão da influência de Coimbra no crescimento humano e profissional de cada uma delas. Além de Irene Silveira, que representa nesta sessão a Faculdade de Farmácia, serão ainda homenageadas, em nome da Faculdade de Letras, Maria Helena Rocha Pereira (Prémio Prestígio da Universidade de Coimbra), Cristina Robalo Cordeiro (vice-reitora), Maria de Belém (ex-ministra da Saúde), Manuela Aguiar (ex-secretária da Estado da Emigração), e Fátima Lencastre (líder da AAEUC em Lisboa).
Na área da Cultura serão alvo de homenagem a escritora Ivete Centeno e a ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues. Como representante da Faculdade de Medicina estará presente a directora do Serviço de Neurociências e Biologia Celular dos Hospitais Universitários de Coimbra, Cristina Reis Oliveira, enquanto Helena Freitas, directora do Departamento de Botânica da UC, terminará o ciclo, em representação da Faculdade de Ciências e Tecnologias. Os interessados em obter mais informações e em participar neste evento deverão contactar a organização, através do número de telefone 966068750, podendo também solicitar esclarecimentos sobre o transporte para Braga e o esquema de alojamentos na cidade nortenha.

Carla Teixeira
Fonte: «Diário de Coimbra»

Descoberto novo mecanismo para combater a hipertensão

Investigadores do King's College, em Londres, descobriram um novo mecanismo para regular a pressão sanguínea. Esta descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos fármacos para combater a hipertensão arterial. O estudo foi publicado online na revista “Science” e foi financiado pela “British Heart Foundation”.

A proteína quinase G (PKG) é uma proteína importante em todos os tecidos, mas no sistema cardiovascular desempenha um papel fundamental na regulação da pressão sanguínea. É conhecida a forma como esta proteína regula a pressão sanguínea, assim como outras funções cardíacas, e que o oxido nítrico produzido nos vasos sanguíneos é crucial neste processo. Contudo, a equipa de investigadores da divisão cardiovascular do King's College descobriu uma nova forma da proteína quinase G poder ser regulada independentemente, em relação ao óxido nítrico.

Os investigadores concentraram-se na actividade dos oxidantes na enzima PKG1alpha. Assim, descobriram que os oxidantes, que são produzidos na maior parte das células do organismo, como o peróxido de hidrogénio, criam uma ligação entre dois aminoácidos que activa a PKG, e isto leva à diminuição da pressão sanguínea.

Para além de sublinhar a importância de um novo mecanismo regulador da pressão sanguínea, esta investigação fornece novos dados sobre o papel dos oxidantes no organismo. Actualmente, os radicais livres e os oxidantes, como o peróxido de hidrogénio, são vistos como prejudiciais, como causadores de doenças. Este estudo sugere que os oxidantes podem apresentar benefícios específicos como, por exemplo, no controlo de importantes processos celulares. A investigação pode ainda ajudar a explicar a razão pela qual os ensaios com antioxidantes têm sido ineficazes no combate a doenças cardíacas.

O Dr Philip Eaton, o investigador que liderou a equipa, destacou que esta investigação pode levar ao desenvolvimento de fármacos que activam este novo caminho. Estes fármacos poderão complementar ainda as terapias já estabelecidas que operam via este caminho do óxido nítrico.

Para além do impacto desta descoberta no controlo da pressão sanguínea, os investigadores planeiam explorar o papel desta nova forma de activar esta proteína nas doenças cardiovasculares, incluindo nos eventos que levam ao ataque cardíaco, acrescentou ainda o Dr. Eaton.

Isabel Marques

Fontes:
www.estadao.com.br, www.kcl.ac.uk

FDA adia decisão relativa à aprovação do rThrombin da ZymoGenetics

A FDA adiou por três meses a decisão respeitante à aprovação da trombina humana recombinante, rThrombin, da ZymoGenetics, para rever informações adicionais, submetidas pela companhia, relativas à manufactura. A ZymoGenetics, que esperava que a decisão acerca do composto destinado a estancar a hemorragia durante a cirurgia fosse conhecida em Outubro, aguarda agora a decisão da FDA para 17 de Janeiro de 2008. Devido a este adiamento, as acções da companhia sofreram uma queda de 9,7 por cento.

A ZymoGenetics e a Bayer entraram, em Junho, num acordo de licenciamento e colaboração relativo ao rThrombin, como noticiou o farmacia.com.pt no dia 20 de Junho de 2007, no artigo “
Bayer e ZymoGenetics chegam a acordo para comercializar rThrombin”. O fármaco é uma cópia geneticamente modificada de uma proteína coagulante humana, e foi delineado para competir com um produto feito a partir do sangue de vaca, da King Pharmaceuticals Inc. O fármaco da King atingiu vendas na ordem dos 247 milhões de dólares nos Estados Unidos e é utilizado em aproximadamente um milhão de cirurgias anualmente.

A ZymoGenetics sublinha que o rThrombin deve substituir o fármaco da King, uma vez que a nova substância não comporta o risco de transmitir doenças sanguíneas, nem provoca o desenvolvimento de anticorpos contra o fármaco. Contudo, este adiamento poderá conceder uma vantagem ao fármaco concorrente da Omrix Biopharmaceuticals Inc. e da Johnson & Johnson, tendo em conta que as companhias esperam introduzir a nova versão do fármaco, derivado de sangue humano, no final do ano.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, TheStreet.com

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Penteado “rasta” pode provocar alopecia, diz estudo

A utilização prolongada de um penteado ao estilo “rasta”, caracterizado por canudos fortes, que não são escovados ou penteados, pode causar uma queda permanente de cabelo. O alerta é dado por um estudo publicado na última edição do “British Journal of Dermatology”.

O cabelo muito esticado para formar o “rabo-de-cavalo” pode também ter as mesmas consequências, revela a investigação que envolveu perto de dois mil alunos e adolescentes na África do Sul. O estudo demonstrou que uma em cada sete estudantes e um terço das mulheres sofrem de alopecia por tracção, perda de cabelo em algumas regiões da cabeça.

O estiramento excessivo e prolongado do cabelo é apontado pelos dermatologistas como o principal responsável. As conclusões referem que parece haver uma maior incidência de alopecia entre as meninas africanas que alisaram o cabelo com produtos químicos para fazer “rabos-de-cavalo”. As mulheres adultas, que se submetem a alisamentos químicos ou fazem tranças no cabelo, em vez de deixá-lo crescer naturalmente, são igualmente mais afectadas pela queda de cabelo.

A alopecia androgenética, frequentemente denominada calvície, é uma situação frequente que, em situações normais, afecta ambos os sexos. Nas mulheres, a progressão da idade pode dar origem a uma diminuição de espessura do cabelo de forma difusa e que se traduz por falta de volume. Embora as mulheres praticamente nunca fiquem calvas, estes fenómenos são mais aparentes após a menopausa.

Já no caso dos homens a situação muda de figura. A alopecia androgenética afecta cerca de 40 por cento da população masculina entre os 18 e os 40 anos. Após os 80, a percentagem sobe para os 90 por cento. Factores hereditários, hormonas sexuais masculinas e idade, são os três factores condicionantes principais.

As opções de tratamento farmacoterapêutico incluem a utilização de Minoxidil, com eficácia em 25 a 30 por cento dos utilizadores; ou de Finasteride, que inibe a transformação da hormona sexual masculina (testosterona) no seu produto activo, anulando assim o efeito negativo junto do folículo piloso.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Infarmed, ABC da Saúde.

Governo: Base de dados de utentes do SNS pronta até ao final do ano

A base de dados dos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deverá estar concluída até ao final do ano, garantiu o coordenador da Missão para os Cuidados Primários do Ministério da Saúde, Luís Pisco, em declarações à Rádio Renascença.

De acordo com o responsável, apesar das estimativas referirem que o número de utentes sem médico de família se aproxima dos 500 mil, o Governo pretende saber exactamente quantas pessoas estão nesta condição.

Conforme explicou Luís Pisco, “até há algum tempo era possível uma pessoa ter cartões diferentes em várias regiões do país e estar inscrito em vários locais”, daí importância da base de dados.

«Quando tivermos uma base de dados única – e esse é um trabalho que está muito adiantado – poderemos ter a noção exacta de quantas são as pessoas e onde. Então, será mais fácil planificar e dar médico de família a quem dele tem necessidade», acrescentou.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital.

Identificado gene relacionado ao comportamento obsessivo-compulsivo em ratos

Dois bioquímicos portugueses estiveram envolvidos na investigação

Uma equipa de cientistas conseguiu curar quase na totalidade um grupo de ratos de laboratório com Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC), que se arranhavam a ponto de arrancar o pêlo e a pele. De acordo com os resultados da investigação, divulgados pela revista “Nature”, o sucesso foi atingido depois de lhes ser injectado um gene que lhes faltava. Cátia Feliciano e João Peça, dois bioquímicos portugueses, estiveram envolvidos na pesquisa.

O estudo, conduzido por Jeffrey Welch e Guoping Feng, da Universidade Duke, na Carolina do Norte, foi realizado com roedores aos quais se retirou previamente o gene 'Sapap3', através de manipulação genética. Nos humanos doentes com TOC são observadas lesões ou diferenças de funcionamento numa zona do cérebro chamada 'estriado', local onde abunda a proteína produzida por este gene. Ao apagarem a proteína nos ratos, os cientistas descobriram que, passados alguns meses, os animais se arranhavam compulsivamente. Por sua vez, depois de lhes ter sido injectado o gene em falta, a maioria de ratos não desenvolveu a doença.

Os investigadores acreditam que o trabalho “sugere novas estratégias terapêuticas”. O Transtorno obsessivo-compulsivo consiste na combinação de obsessões e compulsões. Pensamentos recorrentes insistentes que se caracterizam por serem desagradáveis, repulsivos e contrários à índole do paciente. Entre os sintomas compulsivos mais comuns está a obsessão da limpeza, da simetria, e das dúvidas e medos irracionais. Lavar-se para se descontaminar, repetir determinados gestos, verificar se as coisas estão como deveriam, porta trancada, gás desligado, contar objectos, ordená-los ou arrumá-los de uma determinada maneira, são atitudes comuns entre os 2 por cento da população mundial afectada pelos TOC.

O paciente perde o controlo sobre os pensamentos e, muitas vezes, passa a praticar actos que, por serem repetitivos, tornam-se rituais. Muitas vezes têm a finalidade de prevenir ou aliviar a tensão causada pelos pensamentos obsessivos. Estes gestos repetitivos que o paciente não consegue evitar são chamados «compulsivos». O tratamento usual, que consiste na terapia comportamental associada a anti-depressivos é ineficaz em um terço dos casos.

O TOC é classificado como um transtorno de ansiedade pela forte tensão que é comum surgir quando o paciente é impedido de realizar os seus rituais. O facto do comportamento dos roedores do estudo e da sua ansiedade apresentar muitas semelhanças com o comportamento obsessivo-compulsivo humano, poderá servir aos investigadores como um modelo animal sobre estes problemas.

Porém, “nada permite afirmar que os TOC humanos estão ligados a este gene”, porque eles não são uniformes e revelam elementos complexos, implicando provavelmente muitos genes, adverte o neurobiologista norte-americano Steven Hyman, da Universidade de Harvard. Para além disso, destaca o especialista, “é extremamente pouco provável que modelos animais possam integrar os problemas psiquiátricos humanos na sua totalidade”.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Ciência Hoje, Psicoterapia.

Cadeia francesa retirou produto do mercado colombiano
Dietilenglocol em pasta dentrífica do Carrefour


A cadeia de supermercados francesa Carrefour anunciou a retirada do mercado colombiano da sua pasta de dentes de marca branca, cuja composição inclui dietilenglocol, a substância tóxica que, como o farmacia.com.pt oportunamente noticiou, esteve na base da recente recolha do mercado nacional de diversas pastas dentríficas, e cuja utilização pode mesmo provocar a morte.

O produto agora retirado na Colômbia tem marca Carrefour, mas é importado da China, de acordo com informações avançadas pela porta-voz da multinacional na Colombia, Jimena Botero, que garantiu ter sido a própria empresa a informar as autoridades competentes de que aquele ingrediente fazia parte da composição da sua pasta de dentes. Depois dos recentes escândalos em Espanha, onde mais de uma dezena de marcas de pastas dentríficas foi retirada do mercado, e depois de o Infarmed ter também levado à recolha de alguns exemplares, esta é a primeira vez que a marca Carrefour é envolvida no processo.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa

Medicamentos e embalagens: O peso da aparência na escolha dos consumidores

As embalagens dos medicamentos e a forma como são apresentados os comprimidos e xaropes tem cada vez mais importância na promoção da marca junto dos consumidores. Embora existam casos em que a funcionalidade superou a aparência, a estética é visivelmente uma peça importante no jogo de marketing das empresas.

Os produtores têm vindo a aperceber-se que podem apostar na construção da credibilidade dos fármacos, bem como na relação entre o utente e o produto se estes poderem vê-lo. “Os pacientes adoram ver o produto que estão a consumir. Por isso, as cápsulas transparentes com partes coloridas no interior não são apenas atractivas mas também transmitem mais confiança”, refere Gauri Chaudhari, consultora de marcas da empresa indiana FCB-Ulka Healthcare. Conforme explica a responsável em declarações ao Express Pharma, “um xarope num frasco transparente é preferível a um num frasco âmbar”, o mesmo acontece com as carteiras blister transparentes que agradam mais os consumidores do que as de alumínio. De acordo com Chaudhari, as empresas farmacêuticas estão a responder a esta necessidade, abstendo-se de “esconder os medicamentos por trás de carteiras opacas”.

Em termos de posicionamento do produto há muita coisa que pode ser feita, visto que a embalagem é a imagem de marca da farmacêutica. “Há uma marca que está a ser comercializada numa categoria particular e algumas anfitriãs que se limitam a imitar o formato de embalagem e provavelmente a cor da carteira blister da marca líder”, afirma Avinash Mandale, vice-presidente do departamento de soluções inovadoras da Bilcare Resear. Porém, acrescenta, “não se pode considerá-los produtos contrafeitos ou copiados porque são produtos genuínos produzidos por empresas reputadas com licença própria de produção”.

A intenção destas empresas é competir com a marca líder que já existe há alguns anos, o que, por vezes, acaba por afectar significativamente as vendas da marca principal. Nesse sentido, é urgente que as embalagens dos produtos se tornem muito originais para que não possam ser copiadas por ninguém.

Para além disso, é preciso ter em conta os diferentes grupos de pacientes, de acordo com a idade, o estilo de vida e a sua condição física, que implicam diferentes soluções de embalagens. O caso dos pacientes com artrite é um bom exemplo. Nos Estados Unidos da América o Tylenol (Paracetamol) é comercializado com uma embalagem especial destinada aos doentes com artrite. Este tipo de iniciativas torna a utilização dos medicamentos mais fácil e funcional mas também afecta a vida emocional dos doentes, considera Chaudhari.

A caneta de insulina NovoPen, produzida pela Novo Nordisk, é outro dos casos que deve ser mencionado. Os diabéticos que dependem de uma terapia de insulina podem ter necessidade de transportar a medicação para todo o lado, algo que se torna mais fácil com a Novopen que lhes permite levar consigo a dosagem necessária através de algo que aparenta ser uma simples caneta.

Para combater as cópias há também quem tenha apostado nos hologramas. Ainda assim, essa parece não ser uma solução muito eficaz. Por um lado, não é fácil para um paciente distinguir uma embalagem de um medicamento específico através de um holograma e, por outro, não se pode publicitar um fármaco sujeito a receita médica e dizer aos doentes para estarem atentos ao holograma na altura de o comprarem.

Assim, é preciso puxar pela imaginação e oferecer novas soluções. O design parece estar incluído neste rol de inovações, bem como os materiais utilizados na produção das embalagens. “Os desafios tendem a tornar-se cada vez mais significativos em termos de pressão competitiva”, salienta Mandale. “A competição é muito elevada, por isso, vai haver uma luta constante para diferenciar um produto particular de forma a assegurar a continuação da utilização da terapia”, conclui o mesmo responsável.

Marta Bilro

Fonte: Express Pharma.

Gene Logic celebra acordo de desenvolvimento com a Merck Serono

A Gene Logic Inc estabeleceu um acordo com a Merck Serono, uma divisão da farmacêutica alemã Merck KGaA, que visa a procura de alternativas para o desenvolvimento de vários candidatos a fármacos da Merck Serono.

Os candidatos a medicamentos envolvidos no contrato foram descontinuados ou desprovidos de prioridade nos ensaios clínicos por motivos que ultrapassam a questão da segurança, afirmou a Gene Logic num comunicado emitido.

Segundo os termos do acordo, a Gene Logic poderá vir a receber pagamentos futuros relativos ao cumprimento de objectivos, bem como royalties. Os pormenores financeiros não foram divulgados.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Canadian Business.

UE aprova Avastin no tratamento da forma mais comum de cancro do pulmão

A União Europeia aprovou a utilização do Avastin (Bevacizumab), da farmacêutica suíça Roche, como tratamento de primeira linha em pacientes com cancro do pulmão de não pequenas células em estado avançado, em associação com quimioterapia à base de platina.

O Avastin é o primeiro de uma classe de fármacos cuja actuação se baseia em privar os tumores do sangue e nutrientes. As vendas do medicamento, a nível global, renderam mais de 1,8 mil milhões de euros em 2006.

O cancro do pulmão de não pequenas células em estado avançado é a forma mais comum de cancro do pulmão, responsável pela morte de mais de três mil pessoas por dia em todo o mundo.

O Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) tinha emitido, em Julho, uma avaliação positiva sobre o medicamento, na sequência de dois estudos aprofundados que deram conta da sua eficácia no tratamento destes doentes.

De acordo com as conclusões da investigação, o fármaco mostrou ter capacidade para prolongar a vida dos pacientes, cuja expectativa de sobrevivência ao diagnóstico era, originariamente, de apenas oito a dez meses.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Forbes.

REPORTAGEM

Farmadrive permite comprar medicamentos dentro do carro
Portugal na vanguarda da dispensa de fármacos


Ainda não é um cenário comum em Portugal, mas já há alguns estabelecimentos de dispensa de medicamentos em território nacional dotados de um sistema que permite ao doente dirigir-se à farmácia e, sem sair do carro, ao estilo dos velhos cinemas “drive in” ou dos mais recentes restaurantes de “fast-food”, proceder à compra dos fármacos de que necessita sem sair do carro. O conceito Farmadrive começa a ser uma realidade...

Lisboa, Cascais, Braga e mais recentemente Vila Nova de Gaia (onde funciona a maior farmácia do nosso país, com uma área de cerca de 600 metros quadrados) e Coimbra são as cinco cidades portuguesas que, segundo conseguiu apurar o farmacia.com.pt, já se encontram servidas por um dos mais modernos sistemas de atendimento ao público. Na Farmácia da Liga das Associações de Socorros Mútuos de Gaia, a vanguarda atinge um ponto ainda mais elevado, permitindo a disponibilização dos produtos ao utente através do sistema ProLog, que consiste num automatismo que distribui os medicamentos pedidos ao balcão pelos vários farmacêuticos de serviço, encaminhando-os para uma caixa, de onde passam, sem a intervenção dos profissionais, para um tapete rolante que se encarrega de os levar até junto de quem os pediu.
A inovação liberta os farmacêuticos para um atendimento mais personalizado dos seus clientes, tendo o ProLog tornado exequível também o Farmadrive, um posto de recepção das encomendas localizado num ponto de contacto com o exterior, quase sempre nas traseiras do estabelecimento, onde o utente pode dirigir-se de automóvel e, sem necessidade de sair da viatura, apresentar o receituário e ver a sua pretensão atendida. A modernidade parece ser a palavra de ordem no sector farmacêutico, tendo a Associação Nacional de Farmácias apostado na inovação daqueles espaços como forma de os promover enquanto locais de saúde. A ideia do Farmadrive não difere muito da utilizada já em várias cadeias de “fast-food”: o utente dirige-se de carro a um guiché, onde entrega a lista de produtos que quer adquirir, e depois é atendido como se estivesse ao balcão de um estabelecimento de farmácia tradicional.

Carla Teixeira
Fonte: Farmácia da Liga, «Jornal de Notícias», «O Primeiro de Janeiro», Associação Nacional de Farmácias

REPORTAGEM

Publicidade a medicamentos: um universo muito específico
“O mais vigiado dos produtos de consumo”


A norte-americana Food and Drug Administration, que regula o sector do medicamento e dos produtos de saúde nos Estados Unidos, anunciou há dias a intenção de monitorizar e analisar o impacto dos anúncios publicitários a medicamentos transmitidos diariamente nas estações de televisão locais. Na reacção a essa notícia o farmacia.com.pt foi saber qual a realidade deste tipo de publicidade em Portugal e que grandes preocupações têm os especialistas. Beja Santos, assessor principal do Instituto do Consumidor e autor do livro «Este consumo que nos consome», responde.

Definida como “qualquer forma de comunicação, informação ou incentivo que, directa ou indirectamente, promova a prescrição, dispensa, venda, aquisição ou consumo” de certo medicamento, a publicidade àquele tipo de produtos viu o seu quadro alterado em 2001, quando decorria o processo de aprovação do Código Comunitário relativo a fármacos de uso humano. Nessa altura a Comissão Europeia decidiu autorizar a comunicação directa entre laboratórios e doentes, gerando uma onda de contestação sem precedentes. Para Beja Santos, a definição aprovada por Bruxelas encerra “um equívoco”, porque “mistura no mesmo conceito a comunicação publicitária, a comunicação comercial destinada aos profissionais de saúde e as mensagens direccionadas para públicos diferenciados. Está-se a pedir o impossível a esta publicidade”, explica o assessor principal do Instituto do Consumidor, que foi também vice-presidente do Conselho Consultivo de Consumidores e director da Associação Europeia de Consumidores.
No que diz respeito especificamente à publicidade a medicamentos não prescritos pelo médico, Beja Santos considera que estará ainda por demonstrar a sua utilidade para a saúde pública ou para uma melhor informação dos consumidores/doentes. É imperativo, na sua opinião, “proceder a um estudo rigoroso e independente que permita avaliar os reais benefícios desta comunicação, conhecer também os seus efeitos danosos e actuar em conformidade”, designadamente através da consulta de peritos em comunicação, a fim de saber se é desejável continuar a manter no mesmo conceito e âmbito formas de comunicação como a publicidade e o marketing farmacêutico, e tentando aferir quais os mecanismos mais interessantes para proceder à sua demarcação. Outra falha grave do nosso ordenamento jurídico nesta matéria consiste, avisa o autor de «Este consumo que nos consome», na não existência de um enquadramento legal que permita a proibição da publicidade a fármacos não autorizados, embora a legislação europeia preveja uma interdição para os anúncios a medicamentos a que ainda não tenha sido concedida uma Autorização de Introdução no Mercado.
Tal como o Parlamento Europeu argumentou já, ao chumbar a possibilidade de contacto directo entre laboratórios e doentes – “uma porta aberta para a publicidade directa, que agravaria em espiral os consumos e o número de doentes incorrectamente medicados –, Beja Santos considera essencial que haja fontes de “informação precisa, compreensível e fiável sobre tratamentos e usos dos medicamentos”, sendo desejável o fomento de estruturas de informação independentes que contem com a colaboração de profissionais de saúde, laboratórios e representantes dos consumidores e doentes, trabalhando em cooperação com a Autoridade Nacional do Medicamento”. Porque “o medicamento não é um bem de consumo como os outros”, o seu consumo “pode tornar-se perigoso para o consumidor, quer seja pela sua nocividade intrínseca, quer pela sua má utilização”. Por isso, e porque nenhum outro produto é tão mediático (por fomentar terror e esperança), os fármacos têm de ser “espartilhados por tantas medidas de autorização, controlo e acompanhamento, pautadas por grande rigor e severidade”.

Papel do farmacêutico
Nos folhetos informativos destinados aos doentes, e que Beja Santos considera terem sofrido uma importante melhoria em Portugal ao longo dos últimos anos, importa haver dados actualizados e explicados de forma acessível sobre as características e correctas aplicações dos medicamentos, os seus potenciais efeitos secundários adversos, o que é e como se manifesta uma eventual intolerância, o que fazer caso isso aconteça, definir a alergia que um determinado produto possa causar, o que é a forma farmacêutica, como o mesmo medicamento pode actuar de formas diversas em pessoas diferentes (pelo que não será indicada a automedicação com recurso a fármacos de um amigo ou familiar), e o que é a farmacovigilância, tendo em conta que o uso de medicamentos pressupõe sempre algum tipo de riscos, nomeadamente em termos de interacções com alimentos ou outros compostos químicos.
Beja Santos defende que “o medicamento é o mais vigiado dos bens de consumo”, mas avisa que “não há medicamentos inofensivos”, e nessa medida salienta a importância do diálogo entre o doente e o farmacêutico, devendo este tentar sempre co-responsabilizar o primeiro em matéria de utilização racional dos fármacos e de combate à tendência para a automedicação, que encerra riscos concretos, como a má avaliação dos sintomas e a incorrecta dosagem dos medicamentos. Questões em que a actuação do profissional de Farmácia deverá ser tida como relevante, devendo fomentar-se sempre o diálogo em tom explicativo. Conselhos de um especialista para evitar as consequências nefastas de um fenómeno crescente, em Portugal e no mundo.

Carla Teixeira
Fonte: «Este consumo que nos consome» (Editora Campo das Letras)

Índia pode tornar-se um dos dez maiores mercados farmacêuticos até 2015

O mercado farmacêutico da Índia deverá triplicar até 2015, atingindo os 20 mil milhões de dólares, de acordo com um relatório da firma de consultadoria McKinsey & Co. Este relatório prevê que a Índia irá sofrer uma transformação significativa, de modo a tornar-se num dos dez mercados farmacêuticos mais importantes do mundo, nos próximos dez anos.

O crescimento do mercado farmacêutico na Índia, que poderá expandir-se a um ritmo de mais de 12 por cento por ano, irá dever-se a uma economia em rápido crescimento, a melhores infra-estruturas médicas, a um fortalecimento dos seguros de saúde, assim como a um aumento das doenças relacionadas com o estilo de vida, como a obesidade, levando ao aumento de doenças crónicas. Além disso, o relatório estima que até 2015, as terapias de especialidade podem equivaler a 45 por cento do total do mercado, enquanto que os produtos patenteados podem crescer até atingir os dez por cento do mercado.

Na Índia, o país com a maior população de diabéticos, a prevalência da diabetes irá aumentar para 3,7 por cento até 2015, em relação aos 2,8 por cento de 2005, e as doenças cardíacas irão afectar 4,9 por cento da população até 2015, enquanto que a 50 milhões de pessoas será diagnosticada hipertensão arterial.

A Índia poderá chegar a ultrapassar o Brasil, o México e a Turquia no ranking mundial dos dez maiores mercados farmacêuticos. A Índia irá tornar-se assim um mercado muito importante para as companhias farmacêuticas. Estas tendências têm implicações estratégicas para as companhias farmacêuticas, indianas e multinacionais, e para os reguladores, acrescentou Gautam Kumra, o director da McKinsey & Co.

O mercado farmacêutico dos Estados Unidos, o maior do mundo, estima-se que atinja os 444 mil milhões de dólares até 2015, em relação aos 248 mil milhões de dólares em 2005, segundo a McKinsey. Prevê-se ainda que o mercado japonês cresça até aos 82 mil milhões de dólares, em relação aos 68 mil milhões de dólares, no mesmo período.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, Forbes

Cientistas explicam como pneumonias simples podem ser fatais

Uma equipa de investigadores americanos publicou recentemente um artigo na revista Immunity, onde apontam uma explicação para a ineficiência dos antibióticos utilizados no tratamento de alguns casos de pneumonia. Pneumonias simples podem revelar-se fatais, o que se deve à acção da bactéria ‘Streptococcus pneumoniae’, que produz uma toxina que os antibióticos não conseguem neutralizar e que causa uma grave hemorragia nos pulmões de alguns pacientes, matando-os numa questão de dias.

A descoberta assume um carácter determinante para o tratamento da pneumonia, tal como refere Jian-Dong Li, professor de Microbiologia e Imunologia na Universidade de Rochester (Nova York), participante no estudo, “o que encontramos é um possível mecanismo e uma possível solução para uma pneumonia muito letal”.

De acordo com o investigador, a compreensão deste processo permitirá não só “tratar melhor a doença, como também pensar duas vezes sobre se os tratamentos com drogas-padrão não fazem mais mal”.

Antes da descoberta da vacina contra a pneumonia pneumocócica em 2000, registavam-se anualmente 500 mil casos desta doença nos EUA, dos quais 40 mil casos eram considerados graves.

A doença atinge o tracto respiratório superior, causando pneumonia, meningite e infecções auditivas, sendo responsável pela morte de até cem crianças e milhares de idosos por ano.

Inês de Matos

Fonte: Sol

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Descoberta de “sensor de açúcar” no intestino poderá beneficiar o combate à diabetes

Investigadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, identificaram uma molécula no intestino que consegue detectar o conteúdo doce da dieta alimentar. Até agora, os únicos receptores conhecidos dos sabores doces encontravam-se na língua. Esta investigação foi publicada na "Proceeding of the National Academy of Sciences” (PNAS).

Os investigadores descobriram que o receptor do sabor doce que sente o açúcar e adoçantes artificiais não está somente na língua, mas também no intestino. Esta descoberta deixa em aberto a possibilidade de novas abordagens para o tratamento da diabetes e da obesidade. Além disso, também poderá explicar a razão pela qual os alimentos e bebidas com edulcorantes artificiais por vezes não conseguem ajudar a reduzir o peso.

Os investigadores observaram que a absorção de açúcares no intestino é mediada por uma proteína – transportadora de açúcar – que varia a sua resposta consoante o conteúdo do açúcar das comidas. O intestino utiliza um sistema de sensores de glicose para medir as variações, mas até agora a natureza deste sistema era desconhecido.

A professora Soraya Shirazi-Beechey, uma das investigadoras, declarou que a equipa descobriu que o receptor dos sabores doces e a proteína do gosto, a gustducin, encontram-se nas células gustativas do intestino. Estas proteínas que detectam o sabor doce permitem aos humanos e aos animais detectar a glicose presente no intestino. Os investigadores descobriram que os ratos que não têm o gene destas proteínas são incapazes de processar a produção do açúcar intestinal, sendo por isso também incapazes de regular a capacidade intestinal de absorver os açúcares.

A investigadora acrescentou ainda que, surpreendentemente, também foi observado que este receptor era capaz de detectar açúcares artificiais nas comidas e nas bebidas, resultando no aumento da capacidade do intestino de absorver os açúcares. Isto pode ajudar a explicar a razão pela qual os adoçantes se revelam ineficazes a ajudar as pessoas a perder peso.

A equipa de investigação está agora a pesquisar mecanismos nos quais estes receptores poderão ser adaptados para beneficiar as pessoas com distúrbios relacionados com a dieta alimentar, como por exemplo, na diabetes, uma vez que nesta doença o nível de açúcar no sangue é mais elevado do que o normal. Para esta condição, caso fosse possível utilizar o receptor de sabor como um interruptor, poderia ser possível programá-lo de maneira a que só a quantidade apropriada de açúcar fosse absorvida pelo organismo.

Isabel Marques

Fontes: www.dmedicina.com, www.liv.ac.uk
Alerta da Sociedade Americana de Geriatria
Anti-ácidos podem acelerar degeneração cerebral


Um estudo desenvolvido por especialistas da Associação Americana de Geriatria aferiu que alguns medicamentos anti-ácidos usados e outros fármacos utilizados no tratamento da gastrite podem acelerar o processo de degeneração da actividade cerebral nos mais idosos.

A investigação, cujos resultados foram publicados na última edição da revista daquela associação, partiu do acompanhamento de 1500 afro-americanos com mais de 65 anos de idade, e analisou os efeitos da administração de vários compostos químicos usados no combate à gastrite e à úlcera péptica. De acordo com os investigadores, os cidadãos mais velhos que usavam frequentemente aquele tipo de medicamentos apresentavam uma propensão 2,5 vezes maior para apresentar problemas relacionados com as suas capacidades cognitivas. Entre os participantes deste estudo havia 275 consumidores regulares de anti-ácidos, e todos eles apresentavam problemas cerebrais em níveis considerados patológicos.
Em Dezembro uma outra investigação, desenvolvida por especialistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, indicou que o uso de anti-ácidos do tipo inibidores de bomba de protões poderá desencadear o enfraquecimento dos ossos, prejudicando a absorção de cálcio pelo organismo. O estudo partiu da análise dos registos médicos de cerca de 145 mil pessoas, todas residentes no Reino Unidio e com idade superior a 50 anos, tendo os investigadores descoberto que a probabilidade de sofrer de uma fractura da bacia era 44 por cento superior nas pessoas que tomavam anti-ácidos há pelo menos um ano, com tendência a aumentar nas pessoas em que esse consumo era ainda mais prolongado.

Carla Teixeira
Fonte: BBC Brasil, «Folha Online»

Obesidade pode ter origem em infecção viral

Estudo descobre gene específico no AD36 responsável pela formação das células de gordura

Responsável pelas infecções respiratórias, gastroenterites e conjuntivites, o adenovírus-36 (AD36) aparece, agora, relacionado com a obesidade. O estudo é norte-americano e foi apresentado, esta semana, durante o encontro da Sociedade Americana de Química que decorreu, em Boston. Um novo passo que poderá abrir caminho à descoberta de uma vacina.

De acordo com o «The Boston Globe», a investigação foi conduzida por investigadores da Universidade de Lousiana (EUA) e sugere que, um vírus comum - o adenovírus-36 (AD36) - é também responsável pelo contágio da obesidade. Um resultado que, para os cientistas, poderá acoplar uma outra descoberta: uma vacina ou um tratamento antiviral para combater a doença.

Segundo relataram os investigadores, o vírus transformou as células principais do tecido adiposo em células de gordura, apontando como origem do “efeito obeso”, a identificação de um gene específico (E4Orfl) no adenovírus-36.

Citada pelo jornal, Magdalena Pasarica, da equipa de Lousiana, explicou que na investigação “foram usadas células estaminais adultas de tecido de gordura de pessoas submetidas a uma lipoaspiração”, acrescentando que “metade destas células foram expostas ao vírus e, após uma semana, a maioria converteu-se em células de gordura.”

Ressalvando que o estudo não é indicativo de que “um vírus seja a única causa da doença, nem que todas as pessoas infectadas fiquem obesas”, a investigadora destacou, contudo, o resultado como sendo “prova segura de as infecções virais estão relacionadas com alguns casos.”

Anteriormente, a associação do adenovírus à obesidade já tinha sido provada em animais. Agora, os cientistas estimam que, até 30 por cento das pessoas obesas e 11 por cento de indivíduos magros possam estar infectados com o AD36.

Raquel Pacheco
Fontes: Medscape/«The Boston Globe»

Novartis adquire direitos de tecnologia de genética reversa da MedImmune

A MedImmune, unidade da farmacêutica britânica AstraZeneca, licenciou os direitos de propriedade intelectual de uma tecnologia de genética reversa à Novartis que servirá de apoio ao desenvolvimento de novas estirpes de vacinas que darão origem à produção de vacinas conta a gripe.

Os detalhes financeiros do acordo não foram divulgados pela MedImmune que disse apenas que deverá receber um pagamento adiantado, havendo também possibilidades de vir a arrecadar os royalties referentes a algumas das vacinas ou às vendas de outros produtos contra a gripe desenvolvidos através da tecnologia em causa.

A genética reversa é o método pelo qual os vírus são gerados através de segmentos de ADN. A tecnologia pode ser bastante útil no desenvolvimento de potenciais vacinas para a pandemia da gripe, uma vez que o processo não obriga os produtores a trabalharem directamente com estirpes pandémicas altamente infecciosas, estando apenas em contacto com segmentos do genoma do vírus.

Marta Bilro

Fonte: Market Watch, CNN Money.

Roche volta a prolongar prazo de oferta sobre a Ventana

A farmacêutica suíça Roche prolongou, pela segunda vez, a oferta de aquisição das acções da Ventana Medical Systems. Desta feita o prazo foi alargado até ao dia 20 de Setembro. A Ventana continua a considerar que os 54,5 euros oferecidos por cada acção são “totalmente inadequados”.

Num comunicado emitido a Roche refere que, até ao momento, foram postas à disposição cerca de 13.430 das cerca de 34 milhões de acções da Ventana. A oferta pública de aquisição (OPA) foi lançada em Junho e posteriormente protelada até 23 de Agosto. O director executivo do departamento farmacêutico da Roche, William Burns, considera que a proposta é “justa”, porém afirma que a empresa está “pronta para dialogar” caso a Ventana considere que a oferta não é suficientemente elevada.

A proposta inicial, que foi considerada hostil pela empresa norte americana especialista em histopatologia, atingia os 2,2 mil milhões de euros. “Mantemo-nos fiéis à nossa posição de que a oferta da Roche é totalmente desadequada e o nosso quadro de directores continua a recomendar que os accionistas não disponibilizem nenhuma das suas acções”, refere um comunicado divulgado pela Ventana.

À margem desta decisão de adiamento, um tribunal norte-americano deu razão à Roche numa audiência preliminar proibindo a Ventana de utilizar uma lei estatal para impedir a OPA lançada pelo laboratório suíço. A farmacêutica processou a Ventana em Junho, alegando que a lei é inconstitucional.

Marta Bilro

Fonte: First Word, Reuters, Bloomberg, CNN Money, Forbes.

Euglucon e Semi-Euglucon ainda à venda nos Açores

Farmácias alegam não ter recebido qualquer notificação para recolher medicamento

Um medicamento só é retirado da prateleira das farmácias quando a Associação Nacional das Farmácias (ANF) emite uma nota informativa da decisão da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) e, anexa a esta, a circular oficial da mesma entidade.

A explicação foi dada por um farmacêutico na sequência do avolumar de episódios de recolha de fármacos do mercado, nos últimos dias. Segundo apurou o farmacia.com.pt, um dos medicamentos que consta nesta “lista negra” do Infarmed continua à venda nos Açores: o Euglucon e Semi-Euglucon (glibenclamida)- um antidiabético oral administrado em doentes não insulino dependentes (Tipo 2).

Recentemente, o Infarmed ordenou a retirada de todos os lotes destes medicamentos para diabéticos, ressalvando, porém, que os doentes já medicados não deveriam parar com a terapêutica antidiabética “por risco de descompensação da sua diabetes.”

O certo é que, de acordo com informações avançadas pela imprensa açoriana, pelo menos, às farmácias da ilha de S.Miguel ainda não chegou qualquer notificação da ANF no sentido de recolher aquele medicamento, ou seja, desde o passado dia 14 (altura em que a nota foi emitida no site do Infarmed) que é esperada uma nota oficial.

Contactadas pela imprensa local, várias farmácias confirmaram não terem recebido o comunicado – refira-se que a nota do Infarmed foi classificada de “muito urgente” – da Associação Nacional das Farmácias, representada na ilha por Aires Raposo e, por isso, mantêm o fármaco à venda.

“Perante este grave cenário, a defesa da saúde pública, infelizmente, passa a depender de dois factores: da informação que pode chegar (ou não) ao responsável pela Farmácia através da Comunicação Social e da consciencialização que este deverá ter perante a responsabilidade do acto que lhe é inerente”, esclareceu um profissional (farmacêutico) ao farmacia.com.pt, considerando que, neste caso, “a culpa de algum incidente poderá recair na alegada falha do documento.”

Em S.Miguel - segundo denuncia a imprensa açoriana - embora não tenham sido notificadas, há farmácias que, por iniciativa própria, não comercializam o medicamento em causa, mas outras sim. É o caso da Farmácia Nossa Senhora dos Anjos, na Fajã de Baixo, e da Farmácia Vieira e Botelho, em Ponta Delgada, onde a venda do Euglucon e Semi-Euglucon está acessível a qualquer utente.

Tal como noticiou o farmacia.com.pt, a recolha voluntária do fármaco da Roche e produzido em Espanha, pela Kern Pharma – Euglucon (comprimidos, 5 mg) e Semi-Euglucon (comprimidos, 2,5 mg) - foi justificada com base numa análise que veio a detectar a “existência de resultados fora de especificações relativas aos parâmetros de dureza do produto acabado e à presença de uma impureza (a sulfonamida) associada a reacções adversas e interacções medicamentosas quando administrada em altas doses.”

Recorde-se que, na segunda nota informativa (emitida a 17 de Agosto), o Infarmed aconselhou os doentes com a diabetes “a contactar o seu médico assistente para que seja feita a substituição imediata do medicamento por outro disponível no mercado com a mesma substância activa ou outra apropriada a cada caso.”

Raquel Pacheco
Fonte: sites de imprensa - Açores/contacto telefónico/Infarmed/ANF

Efeitos secundários dos medicamentos: Médicos desvalorizam queixas dos doentes

Os médicos tendem a ignorar as queixas dos pacientes relativas a possíveis efeitos secundários relacionados com a toma de medicamentos. A conclusão resulta de um estudo que envolveu a participação de 650 doentes, aos quais foi prescrito um fármaco para o colesterol, e que, em 87 por cento dos casos, registaram sintomas adversos, como dores neurológicas ou perda de memória.

De acordo com as conclusões da investigação – a que o Farmacia.com.pt teve acesso-, durante a consulta os doentes referem a possibilidade de existir uma relação entre o fármaco e os efeitos secundários observados, porém, na maioria dos casos, os médicos tendem a desvalorizar essa hipótese, mesmo quando a bula sustenta as suspeitas dos pacientes.

“Alguns doentes referiram que o médico atribuiu os problemas relatados à idade ou à imaginação, desvalorizando a importância dos sintomas ou excluindo a possibilidade de existir uma ligação entre os sintomas e as estatinas”, refere a última edição do “Drug Safety”, um relatório que pretende avaliar a forma como os médicos reagem quando confrontados com reacções adversas provocadas pelos medicamentos.

Face à constatação dos resultados, que indicam a escassa probabilidade dos médicos relatarem os efeitos secundários dos medicamentos nestas circunstâncias, o relatório sugere que incentivar os pacientes a informar acerca dos efeitos secundários poderá ser a solução para melhorar os sistemas de avaliação das reacções adversas dos fármacos. As queixas dos pacientes seriam, neste caso, dirigidas à Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) que as poderia avaliar e endereçar ao departamento responsável.

Marta Bilro

Fonte: Pharmalot, “Physician Response to Patient Reports of Adverse Drug Effects”.

Shoppings da saúde: Grupo privado pretende convergir serviços

Projecto prevê uma Casa de Saúde por cada distrito do país

Ainda não passou do papel mas começa já a despertar o interesse de alguns profissionais do sector. A ideia consiste na criação de um espaço comum onde será possível fazer análises clínicas, radiografias, ir ao oftalmologista ou a uma consulta de clínica geral e também fazer uma refeição num restaurante, ir ao banco, à lavandaria ou mesmo ao ginásio. O conceito é aliciante e nasce da vontade de um grupo privado que pretende criar em Portugal 25 "centros comerciais da saúde" nos próximos anos.

O projecto, coordenado por Nuno Delerue, ex-deputado social-democrata, engloba todos os distritos do país e tem já entidades clínicas interessadas em ocupar metade dos espaços. "A sala de espera lúgubre desaparece", salienta o responsável, para dar lugar a um espaço apetrechado com equipamento electrónico que permite ao utente saber daí a quanto tempo terá consulta. Nesse compasso de tempo será possível deslocar-se pelo espaço envolvente e ir à farmácia, ao oculista, ao cabeleireiro ou à lavandaria.

Pretende-se desenvolver uma "loja do cidadão da saúde", refere Delerue, que rejeita a expressão shopping de saúde. Em declarações ao jornal Público, o responsável lança no ar uma questão que pretende servir de explicação ao conceito: porquê é que as pessoas vão logo às urgências? Sabem que é onde lhes fazem tudo o que é necessário num só sítio.

Na opinião de Nuno Delarue, estas Casa de Saúde não vão pôr em causa a sobrevivência dos pequenos consultórios privados, isto porque, muitos deles terão interesse em transferir-se para estes espaços. Este também não é um apelo ao consumismo clínico, defende, justificando que "não se trata de autoconsumo", já que a triagem é médica e assenta na prescrição de exame ou análises.

A pré-selecção para a criação das referidas Casas de Saúde apontou 68 concelhos como alvos principais, mas é garantida a construção de uma por distrito, mesmo nas zonas do país menos convidativas em termos económicos. O grupo estima que o número de visitantes oscile entre os dois mil e os cinco mil por dia. Espera-se que sejam criados 4865 novos empregos, excluindo as profissões de saúde, sendo que, o número de médicos poderá rondar os 100 profissionais por unidade. Os responsáveis ambicionam avançar com a primeira Casa de Saúde ainda este ano e ter prontas seis casas até 2009. Numa segunda fase, avançarão as 19.

O Grupo Sanusquali, criado em Maio deste ano especificamente para este projecto, conta com o envolvimento de vários médicos e empresários ligados ao ramo da saúde, como é o caso de José Vila Nova (Grupo Hospital da Trofa), Teófilo Leite (Casa de Saúde de Guimarães), Albano Mendonça (Hospital Internacional do Algarve) e Germano de Sousa, ex-bastonário da Ordem. O valor total, que envolve 1239 milhões de euros, ainda não está reunido e estão na mesa várias hipóteses de financiamento, referiu Delerue.

Marta Bilro

Fonte: Público

Astellas aposta em Advagraf para fazer frente aos genéricos

A Astellas Pharma está a apostar na nova fórmula do imunomodulador Prograf (Tacrolimus), o Advagraf, para proteger as vendas do medicamento no mercado norte-americano, no qual a patente está prestes a expirar. O novo imunomodulador é utilizado em pacientes adultos na prevenção da rejeição de transplantes de fígado, rim ou coração e implica apenas uma toma diária.

O presidente da farmacêutica japonesa, Masafumi Nogimori, está a aguardar aprovação das autoridades dos Estados Unidos da América para comercializar o tratamento de acção prolongada utilizado na prevenção da rejeição de órgãos em pacientes transplantados. As vendas do Prograf, cuja protecção de patente termina em 2008, renderam mais de 312 milhões de euros no trimestre que terminou em Junho.

Na opinião de Nogimori, uma versão do Prograf que implique uma única toma diária, em vez de duas, pode impedir os doentes de mudarem para um medicamento genérico. “Queremos colocar o fármaco de acção prolongada no mercado o mais rapidamente possível de forma a manter o mercado de imunossupressores que ainda detemos”, afirmou o responsável que acredita que estes doentes não deverão aderir a um genérico tão facilmente como acontece com outros fármacos porque “o transplante de órgãos é arriscado”.

O Advagraf rececebu autorização de comercialização da União Europeia a 7 de Junho de 2007. O medicamento resulta de uma combinação entre as garantias do principal agente imunossupressor, o Prograf, mediante uma fórmula que permite aos pacientes uma única toma diária.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Infarmed.

Centros de Saúde privados chegam em 2008

Está dado o primeiro passo para a criação de centros de saúde geridos por entidades privadas, sociais ou por cooperativas de médicos. Face à legislação, publicada esta quarta-feira, que os enquadra nas unidades de saúde familiar (USF), os primeiros centros de saúde geridos pelos próprios profissionais poderão surgir já no próximo ano. Os principais beneficiários são os utentes das zonas onde haja falta de clínicos.

O objectivo é colmatar a falta de médicos de família nos locais em que estes são em número insuficiente para as necessidades, refere o coordenador da Missão para a Reforma dos Cuidados Primários (MRCP), Luís Pisco, em declarações ao jornal Diário de Notícias. Até porque, as estimativas indicam que há mais de 500 mil portugueses sem médico de família, sendo que Lisboa, Porto, Braga e Setúbal são os distritos mais afectados. É aqui que deverão nascer as USF não públicas de acordo com os actuais moldes e através das candidaturas dos interessados. Resta agora esperar pela regulamentação que em breve deverá chegar ao gabinete do ministro Correia de Campos.

Em “número residual” e abstendo-se de entrar em concorrência directa com o Serviço Nacional de Saúde, estas unidades podem, por exemplo, ser compostas por cooperativas de “médicos de família que atingiram a idade da reforma”, explica Luís Pisco. Segundo garante o responsável, o sistema remuneratório será igual para o público e para o privado para que não haja fugas de médicos. Misericórdias, grupos de médicos e algumas clínicas já se mostraram interessados em abraçar a oportunidade, porém, de acordo com a lei, as autarquias vão também ter permissão para gerir as USF. Excluídos da nova legislação estão os grandes grupos de saúde.

Os utentes sem médico serão um factor determinante para a escolha dos locais onde vão ser instaladas as USF de modelo C, decisão que cabe às Administrações Regionais de Saúde.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias

Após notificações de reacções adversas hepáticas graves
Novas restrições à prescrição de lumiracoxib


O Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) reagiu às preocupações geradas pelas notificações recentes de efeitos adversos graves, a nível hepático, da utilização do lumiracoxib, fabricado e comercializado no mercado farmacêutico português pela Novartis Farma sob a designação de Prexige, e emitiu uma circular informativa em que impõe novas restrições à prescrição daquele fármaco.

No comunicado, datado desta quinta-feira e dirigido aos profissionais de saúde e ao público, o Infarmed informa que, “na sequência da notificação de casos raros de reacções adversas hepáticas graves, a maioria das quais associada a doses diárias superiores às autorizadas na União Europeia”, tem-se gerado uma onda de preocupação em torno da segurança do lumiracoxib. Nessa medida, entendeu a entidade reguladora nacional encetar contactos com a MHRA (agência britânica do medicamento) e outras autoridades regulamentares do sector a nível europeu, após os quais anunciou novas regras para o receituário do lumiracoxib.
Assim, e ainda de acordo com a nota – enviada ao farmácia.com.pt – o Infarmed decidiu impor uma monitorização regular da função hepática nos doentes que estejam a tomar aquele medicamento, que não deve ser usado em pacientes com hepatopatia actual, nem em pessoas que devido a antecedentes, possam estar em risco. Também a relação benefício/risco do lumiracoxib para o tratamento da osteoartrose deverá ser avaliada em maior profundidade no próximo mês, pelas autoridades regulamentares europeias, estimando-se que desse processo possa advir uma actualização das indicações terapêuticas.
No documento do Conselho Directivo do Infarmed, que vem assinado por Luísa Carvalho, vice-presidente daquele órgão de gestão, exorta-se os profissionais de saúde e os doentes que possam necessitar de mais informações sobre o assunto a contactar o Centro de Informação do Medicamento e dos Produtos de Saúde do Infarmed, através da Linha Verde do Medicamento, pelo telefone 800222444, ou por e-mail, para o endereço centro.informacao@infarmed.pt. Em alternativa, os interessados poderão optar por canalizar as suas dúvidas para o Departamento de Farmacovigilância da Autoridade Nacional do Medicamento, pelo telefone 217987140, ou por correio electrónico, para farmacovigilancia@infarmed.pt.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed
Produtos sem registo eram comercializados na internet
Anvisa suspende venda de quatro medicamentos


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entidade reguladora do sector do medicamento no Brasil, emitiu na última sexta-feira uma ordem de suspensão de quatro produtos fabricados por uma empresa desconhecida, que eram comercializados através de páginas electrónicas. Considerando que “quem compra na internet corre riscos”, os reguladores brasileiros advertiram os consumidores para a necessidade de mais atenção e cuidado no que diz respeito à aquisição de medicamentos.

Num despacho datado do dia 16 deste mês, mas que apenas foi tornado público no dia seguinte, a Anvisa concretiza que os quatro medicamentos em questão são o Lipostabil (fosfatidilcolina), injectável utilizado ilegalmente em tratamentos estéticos, o Winstrol e o Nabolic Strong (ambos têm como princípio activo o stanozolol) e o Deca Vet (substância activa desconhecida). Nenhum tem registro naquela autoridade brasileira, pelo que a sua venda online estaria a ser feita de forma ilegal. Num comunicado da assessoria da Anvisa é dito aos utentes que devem observar sempre atentamente as embalagens dos fármacos que adquirem, no sentido de aferir se ela ostenta o número de registo. Caso se suspeite da proveniência do produto, o consumidor deve accionar o departamento de vigilância sanitária.
A Anvisa refere ainda que “o consumidor deve tomar cuidado com compras feitas pela internet”, garantindo que “o baixo custo e a facilidade de acesso têm como contrapartida a insegurança quanto à qualidade dos medicamentos adquiridos”. Nas compras online, continua a nota, é impossível saber a proveniência do medicamento, bem como se o seu armazenamento foi feito nas condições ideais, não sendo igualmente possível obter os esclarecimentos adicionais que um farmacêutico pode sempre fornecer, ou pedir a troca, no caso de o produto apresentar qualquer anomalia. “O utente perde todos os direitos legais”, destacam os reguladores brasileiros.

Carla Teixeira
Fonte: Anvisa
Brasmed fabrica medicamentos fitoterápicos
Bio Redux em lata com sistema de vácuo


A Brasmed, companhia que produz medicamentos fitoterápicos e desde 1999 actua no sector de produção e comercialização de produtos nutricêuticos e alimentos funcionais, acaba de lançar uma nova embalagem do Bio Redux, um composto à base de vitaminas e minerais, em latas de aço com sistema vácuo.

A nova embalagem permite uma mais eficaz conservação do aroma e das propriedades organolépticas do Bio Redux. Para criar a condição de vácuo, a nova versão, concebida de acordo com um design da própria empresa, recorreu à utilização de um vedante que já tem sido usado em embalagens de alimentos e bebidas, e que consegue garantir um encerramento hermético e o vácuo residual. Actualmente a Brasmed centraliza a sua actividade na produção e na comercialização de nutricêuticos e alimentos funcionais, e desde 2004 investe na produção de medicamentos fitoterápicos.

Carla Teixeira
Fonte: Brasmed, EmbalagemMarca

Eli Lilly tenta aprovação do Cymbalta para a fibromialgia

A Eli Lilly apresentou um pedido à FDA para a aprovação do antidepressivo Cymbalta (duloxetina) para o controlo da fibromialgia, uma doença ainda pouco conhecida que provoca dores e fadiga debilitantes. Os resultados de estudos demonstraram que o Cymbalta ajudou a reduzir a dor nos pacientes com esta doença, em comparação com os que receberam o placebo.

No estudo que envolveu 874 pacientes com fibromialgia, com ou sem depressão, aqueles a quem foi administrado o Cymbalta apresentaram uma maior redução da intensidade da dor, após uma semana desde o início do tratamento, em comparação com aqueles que receberam o placebo. Passados três meses, os pacientes que receberam o fármaco tiveram um aumento significativo da redução da dor, em comparação com os pacientes do grupo de controlo. Em seis meses, o Cymbalta reduziu a dor crónica para metade em 33 a 36 por cento dos pacientes, em comparação com os 22 por cento que tomaram o placebo. Estes dados foram apresentados no Congresso da International MYOPAIN Society, no dia 21 de Agosto de 2007.

O Cymbalta, que atingiu vendas de 1,3 mil milhões de dólares em 2006, está actualmente aprovado nos Estados Unidos para adultos com doença depressiva grave, perturbação de ansiedade generalizada, e neuropatia periférica diabética dolorosa. O fármaco pertence à família dos inibidores da recaptação da serotonina e da noradrenalina (SNRIs), que actuam em dois químicos do cérebro para atenuar a depressão. A Eli Lilly também está a investigar as possibilidades de utilizar o Cymbalta como tratamento para dor de costas e artrite.

Os pacientes com fibromialgia podem ter dor crónica, confusão mental e rigidez matinal, e serem incapazes de realizar as actividades quotidianas normalmente. Esta doença afecta dois a oito por cento da população adulta dependendo dos países, e a maioria dos casos, entre 80 a 90 por cento, são diagnosticados em mulheres com idade entre os 30 e os 50 anos. Apesar de não haver estatísticas rigorosas para Portugal, estima-se que cinco a seis por cento da população sofra da doença, com predominância nas mulheres acima dos 40 anos.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.apdf.com.pt
Dados do Observatório do Medicamento do Infarmed
Consumo de genéricos aumentou em Portugal


O mais recente relatório do Observatório da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde revelou que a quota de mercado dos genéricos se encontra em linha ascendente no nosso país. Durante os primeiros sete meses deste ano os portugueses consumiram mais medicamentos sem marca comercial. Só o mês de Julho representou uma subida da quota de mercado para os 18,34 por cento, cenário que coloca o sector farmacêutico português no bom caminho para o cumprimento do objectivo traçado pelo Infarmed para 2008: uma franja de 20 por cento do mercado.

Entre Janeiro e Julho, de acordo com os números do relatório, avançados na edição de hoje do «Correio da Manhã», a quota de mercado dos medicamentos genéricos cifrou-se nos 17,75 por cento, que corresponde a mais de 340 milhões de euros. No período homólogo de 2006 a quota de mercado daqueles fármacos era de 14,91 por cento, com quase 274 milhões de euros resultantes da sua comercialização. Em 2006 o mercado total de medicamentos foi de três mil milhões de euros, tendo-se registado, entre Janeiro e Março, face ao período homólogo, um crescimento de 3,9 pontos percentuais. À luz do relatório agora divulgado, há pelo menos 10 substâncias activas em que os genéricos são responsáveis por mais de 60 por cento das vendas.
A lista divulgada pelo Infarmed refere que o citalopram (antidepressivo), o omeprazol (problemas digestivos) e a ciprofloxacina (antibiótico) conseguiram ultrapassar os medicamentos de marca. Por outro lado, a glimepirida (diabetes), a isotretinoína (acne), a sinvastatina (colesterol), a fluoxetina (antidepressivo), a flutamida (cancro da próstata), o ácido alendrónico (osteoporose) e a sertralina (antidepressivo) vendem mais de 60 por cento em relação aos fármacos de marca. Para o próximo ano, e de acordo com informações avançadas por Vasco Maria, líder da entidade reguladora nacional, o Infarmed traçou uma meta que prevê atingir uma quota de mercado de 20 por cento.

Carla Teixeira
Fonte: «Correio da Manhã», Infarmed, Agência Lusa, RTP

FDA concede designação de medicamento órfão ao MGCD0103 para o Linfoma de Hodgkin

A FDA concedeu a designação de medicamento órfão ao inibidor da histona deacetilase (HDAC), o MGCD0103, da MethylGene Inc. e da Pharmion Corporation, para o tratamento do Linfoma de Hodgkin nos Estados Unidos.

Os dados preliminares do ensaio clínico de Fase II do MGCD0103 em monoterapia, em pacientes com Linfoma de Hodgkin refractário ou que tiveram uma recaída, foram apresentados, em Junho, no Congresso Anual de 2007 da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), e foram incluídos no pedido para a designação de medicamento órfão.

Os dados demonstraram uma taxa objectiva de resposta completa mais resposta parcial de 40 por cento, e uma taxa de controlo da doença de 45 por cento numa população de 20 pacientes avaliáveis que tiveram uma recaída ou eram refractários a todos os tratamentos anteriores, incluindo, na maioria dos casos, o transplante de medula óssea. Na lista de efeitos secundários mais comuns constam problemas gastrointestinais e fadiga; uma alteração da dosagem foi eficaz em muitos dos pacientes com estes efeitos adversos.

Os critérios para a obtenção da designação de medicamento órfão requerem que o produto se destine ao tratamento de uma doença que afecte menos de 200 000 pessoas nos Estados Unidos, e o pedido deve incluir uma base de sustentação para a utilização em doenças raras.

Esta designação permite incentivos especiais para patrocinadores que planeiem testar o produto para ser utilizado em doenças raras. Estes incentivos incluem benefícios fiscais, concessão de financiamentos para investigação e desenvolvimento, e redução das taxas de candidatura durante o desenvolvimento ou na altura do pedido de aplicação para aprovação de comercialização. Uma vez aprovado, o produto pode preencher as condições necessárias para deter sete anos de exclusividade na comercialização nos Estados Unidos.

O MGCD0103 é um fármaco de administração oral inibidor da histona deacetilase (HDAC). O composto está actualmente em dois ensaios clínicos de Fase I/II, em combinação com o Vidaza para doenças hematológicas e com o Gemzar em tumores sólidos, e em quatro ensaios clínicos de monoterapia de Fase II em doenças hematológicas.

Linfoma de Hodgkin

O Linfoma de Hodgkin é um tipo de cancro do sistema linfático que começa nos nódulos linfáticos e que progride para outros órgãos, incluindo os pulmões, fígado, ossos e medula óssea, e caracteriza-se pela presença de células de Reed-Sternberg.

Actualmente, desconhece-se a causa desta doença, mas têm sido identificadas alterações epigenéticas, incluindo acetilação das histonas. Adicionalmente, o vírus de Epstein-Barr, o VIH e antecedentes familiares são factores de risco conhecidos. A doença é ligeiramente mais prevalente nos homens do que nas mulheres, e a idade em que, em média, a doença é diagnosticada é de 38 anos.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive

FDA aprova utilização de Risperdal em crianças com esquizofrenia e mania bipolar

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) aprovou a utilização pediátrica do Risperdal (Risperidona) como tratamento de primeira linha em adolescentes com esquizofrenia e em crianças e adolescentes que sofrem de mania bipolar.

De acordo com as novas indicações da entidade reguladora norte-americana, o fármaco pode ser administrado a adolescentes com esquizofrenia com idades entre os 13 e os 17 anos, e em doentes com mania bipolar entre os 10 e os 17 anos de idade.

O Risperdal, produzido pela farmacêutica Johnson & Johnson, era já utilizado no tratamento de doentes adultos que sofrem de esquizofrenia. Até ao momento, os adolescentes portadores de mania bipolar tinham apenas disponível uma terapia que consistia na ingestão de lítio.

Os dados da IMS Health colocam o Risperdal no terceiro lugar da tabela dos anti-psicóticos mais comercializados a nível mundial, com vendas que se aproximaram dos 1,7 mil milhões de euros em 2005.

A esquizofrenia é uma perturbação mental grave caracterizada por uma perda de contacto com a realidade (psicose), alucinações, delírios, pensamento anormal e alteração do funcionamento social e laboral. O início da doença é geralmente precoce, afectando jovens entre os 16 e 25 anos de idade. Pode, contudo, aparecer mais tarde, mas é muito raro que ocorra antes dos 10 anos ou após os 50 anos de idade. A doença é muito comum em todo o mundo, afectando cerca de 1 por cento da população adulta.

A perturbação bipolar é, vulgarmente, designada como uma perturbação maníaco-depressiva. A doença que manifesta-se através de alterações opostas do estado de humor que alternam entre a euforia e a depressão, intervalando com períodos normais e de relativa estabilidade. Devido à sua imprevisível natureza, a perturbação bipolar tem um impacto significativo nos doentes e na vida dos seus familiares. Estima-se que entre 25 a 50 por cento dos doentes com perturbação bipolar tentam o suicídio, sendo que em 10 a 20 por cento as tentativas são bem sucedidas. A doença afecta entre 1,3 e 1,6 por cento da população mundial, sendo mulheres e homens igualmente afectados. Na maior parte dos casos, a doença é diagnosticada entre o grupo dos jovens adultos.

Marta Bilro

Fonte: TheStreet.com, Forbes, Manual Merck, Associação e Educação e Apoio na Esquizofrenia. Médicos de Portugal.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Estudo: Tysabri demonstra benefícios inovadores no tratamento da esclerose múltipla

“Annals of Neurology” publica resultados da investigação

O Tysabri (natalizumab) melhora significativamente a qualidade de vida e saúde dos doentes com esclerose múltipla (EM), reduzindo o risco de deterioração causada pela doença, demonstra um novo estudo publicado no “Annals of Neurology”. O fármaco, recentemente reintroduzido no mercado, tinha sido retirado em 2005, altura em que foi relacionado com três casos de leucoencefalopatia multifocal progressiva que se revelaram fatais.

Mesmo depois do medicamento ter sido devolvido ao mercado português as opiniões sobre a sua utilização continuaram a divergir. João Casais, presidente da Associação Nacional de Esclerose Múltipla desaconselha a utilização do Tysabri, porque, tal como afirmou em declarações ao Farmacia.com.pt, “o que aconteceu com os doentes que morreram é muito estranho”. No entanto, ensaios clínicos aleatórios de Fase III, que envolveram a participação de 2.113 doentes, portadores de formas reincidentes de EM, revelaram que a substância provoca melhorias significativas nos pacientes.

Segundo explicou Richard Rudick, Director do Centro Mellen Para Tratamento e Investigação da Esclerose Múltipla da Cleveland Clinic e o principal investigador do estudo, os dados permitem observar que “os doentes tratados com o natalizumab registaram melhorias estatisticamente importantes” no que diz respeito à qualidade de vida. Os resultados são inéditos, salienta o responsável, uma vez que “nunca tinham sido observados dados semelhantes em estudos clínicos anteriormente realizados envolvendo doentes com EM”. As conclusões indicam também que, quando associado ao Avonex (Interferon beta-1a), o Tysabri demonstra igualmente benefícios na melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Produzido e comercializado pelas empresas Biogen Idec e Elan Pharmaceuticals, o Tysabri está disponível em Portugal desde o dia 1 de Junho e é a única terapêutica indicada na modificação da patologia em doentes com EM muito activa, em monoterapia. O medicamento contribui para a redução dos surtos característicos da EM e para a redução da progressão da incapacidade, sendo indicado em doentes que apresentaram uma resposta inadequada a outras terapêuticas e agentes modificadores da doença ou que têm uma forma de EM muito activa, caracterizada por surtos frequentes.

Marta Bilro

Fonte: e-mail do Farmacia-press

Gripe das aves poderá transformar-se numa ameaça global
Identicados marcadores para mutação do H5N1


Uma equipa de investigadores norte-americanos descobriu algumas das mutações que o agente causador da variante mais grave da gripe das aves para os seres humanos – o vírus H5N1 – terá de sofrer para assumir um carácter mortal que transformará a doença numa ameaça pandémica à escala global, mas apuraram que, até ao momento, apenas uma dessas alterações ocorreu.

David Finkelstein conduziu o estudo realizado por uma equipa do Saint Jude Children's Research Hospital, no Estado norte-americano do Tennessee, que analisou amostras do H5N1 colhidas de pessoas que tinham sido infectadas pela gripe das aves. Segundo o especialista, citado pela Agência Reuters, e concluíram que nenhuma delas tinha sequer um paralelismo com os vírus mutantes que estiveram na origem das três mais recentes pandemias, nomeadamente da chamada “gripe espanhola”, que em 1918 matou milhões de pessoas em todo o planeta. Num artigo publicado na última edição do «Journal of Virology», David Finkelstein explicou que há 23 alterações que permitem diferenciar a variante humana do vírus da influenza daquele que está presente nos animais.
O investigador concretizou ainda que, quando o H5N1 infecta pessoas, terá sofrido uma ou duas dessas mutações, no máximo, quando “seriam necessárias pelo menos 13 para fazer com que o vírus seja realmente perigoso para a espécie humana”. De acordo com o especialista, eram de facto 13 as mutações que evidenciava o agente causador da gripe espanhola, e nunca depois disso se assistiu a qualquer pandemia com dimensões aproximadas daquelas. O H5N1 infectou milhões de aves em todo o mundo e resultou na morte de 194 das 321 pessoas a que foi contagiado desde 2003. Em Portugal não houve notícia de qualquer caso da doença em seres humanos ou em animais.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Reuters
Soluções avançadas de controlo da diabetes
Medtronic and Bayer HealthCare anunciam aliança


A norte-americana Medtronic e a alemã Bayer HealtCare, subsidiária da Bayer AG, vão formar uma aliança para distribuir e comercializar um novo dispositivo de medição dos níveis de glucose no sangue fora dos Estados Unidos, proporcionando, numa primeira instância, opções terapêuticas avançadas para os doentes diabéticos do Canadá e da Europa.

O novo aparelho, produzido pela Medtronic com base na plataforma do Contour da Bayer, permitirá a transmissão wireless dos resultados dos testes aos níveis de glucose directamente para os sistemas de monitorização da glucose (Guardian Real-Time) e da insulina (MiniMed Paradigm). Num comunicado conjunto enviado ao farmacia.com.pt, as duas companhias farmacêuticas esclarecem que, como parte do acordo, a Bayer HealtCare adquire direitos exclusivos sobre o protocolo de comunicações wireless da Medtronic em determinados mercados fora dos Estados Unidos.
O novo medidor de glucose, mais conveniente e de utilização mais fácil para os doentes, será inicialmente introduzido nos mercados alemão e canadiano, e depois disso, de uma forma faseada, noutros países que venham a ser seleccionados mediante um acordo a formalizar entre as duas empresas. Os termos financeiros desta colaboração não foram divulgados à imprensa, mas Sandra Peterson, presidente da Bayer HealthCare, explicou que “a forte implantação da Bayer em mercados de grande relevância, como o Canadá, a Europa, a América Latina e a Ásia, permitirão à Medtronic fornecer as suas estratégias de apoio no combate à diabetes a um número acrescido de doentes em todo o mundo”, acrescentando que “esta aliança suporta também o compromisso assumido pela Bayer HealhCare no sentido de ajudar clientes da Medtronic a manter a sua boa saúde através de testes frequentes aos seus níveis de glucose”.

Carla Teixeira
Fonte: Comunicado da BayNews
Alfa Ossigeno SRL não autorizou acesso às instalações
Retirado Certificado CE de Conformidade


O organismo notificado italiano CERMET (código 0476) retirou há dias o Certificado CE de Conformidade emitido no âmbito do Sistema de Garantia de Qualidade (anexo II da directiva comunitária 93/42/CE), ao fabricante de dispositivos médicos italiano Alfa Ossigeno SRL, por aquela entidade não ter autorizado o acesso às suas instalações. A denúncia foi feita pela entidade reguladora do sector do medicamento em Itália e levou o Infarmed a emitir uma circular informativa para divulgação geral.

Na nota, assinada pela vice-presidente do Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde, Luísa Carvalho, o Infarmed refere que a notícia tem origem na sua congénere italiana, e que o CERMET procedeu à retirada daquele certificado, medida com efeito desde o passado dia 30 de Abril. Segundo o comunicado, o Infarmed não possui informação sobre distribuidores que comercializem dispositivos médicos daquele fabricante em Portugal, mas avisa que, no caso de aqueles produtos serem detectados no mercado nacional, devem os profissionais abster-se se os utilizar, e contactar o Departamento de Dispositivos Médicos do Infarmed, através do telefone (217987235) do fax (217987281) ou por email (daps@infarmed.pt).

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed
USA Dental Diamonds SRL denunciado em Itália
Falsificado certificado CE de conformidade


O Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) emitiu nesta semana uma nota informativa assinada pela sua vice-presidente, Luísa Carvalho, que dá conta da apresentação, em Itália, pela empresa fabricante de dispositivos médicos norte-americana USA Dental Diamonds SRL, de um certificado CE de conformidade falsificado.

A denúncia, oriunda da entidade reguladora italiana do medicamento, foi recebida pelo Departamento de Dispositivos Médicos do Infarmed, e concretiza que o fabricante norte-americano apresentou um documento emitido em nome do organismo notificado alemão Medical Device Certification GmbH (código 0483), referente a pontas diamantadas para uso odontológico Dental diamond burs. No comunicado, destinado à divulgação geral de profissionais e do público, o Infarmed explica ainda que não possui informações relativas à presença dos distribuidores e comerciantes dos dispositivos médicos que originaram a denúncia no mercado farmacêutico português, mas avisa que, “caso estes produtos sejam detectados no nosso mercado”, deverão os seus eventuais utilizadores abster-se dessa utilização e contactar o Infarmed. Mais se avisa que os equipamentos em questão poderão ostentar uma marcação CE indevida, sendo portanto mais difícil de aferir a sua proveniência errónea, e deverão pôr em causa a sua avaliação quanto à segurança e qualidade. A entidade reguladora portuguesa poderá ser contactada através do telefone (217987235), por fax (217987281) ou email (daps@infarmed.pt).

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

Nexavar recebe revisão prioritária da FDA

A FDA concedeu revisão prioritária ao Nexavar (sorafenib) um fármaco oncológico da Bayer e da Onyx para o tratamento do Carcinoma Hepatocelular (CHC), a forma mais comum de cancro do fígado. O pedido de autorização para comercialização baseou-se nos dados da Fase III do ensaio clínico, que demonstraram que o Nexavar aumentou a sobrevivência geral na ordem dos 44 por cento, em pacientes com CHC, em comparação com o placebo.

Uma revisão prioritária por parte da FDA pode reduzir a tempo de aprovação para seis meses. Como este pedido foi efectuado em Junho, uma possível aprovação pode ocorrer em Dezembro. As companhias também submeteram um pedido de aprovação junto da Agência Europeia do Medicamento (EMEA) em Junho, como noticiou o farmacia.com.pt, no artigo "
EMEA avalia Nexavar para tratar cancro do fígado”, do dia 25 de Junho de 2007.

Susan Kelley, vice-presidente da área terapêutica de oncologia da Bayer, sublinhou que, caso o tratamento seja aprovado para esta indicação, o Nevaxar será a primeira terapia disponível nos Estados Unidos para pacientes com CHC.

O Nexavar actualmente está aprovado em mais de 50 países para o tratamento do cancro do rim em estado avançado. A Bayer e a Onyx comercializam em conjunto o fármaco nos Estados Unidos, enquanto que a Bayer detém os direitos exclusivos de comercialização em todos os outros países, com excepção do Japão. O fármaco atingiu os 81 milhões de dólares nas vendas do segundo trimestre.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, Forbes
Empresa disponibiliza aplicações para investigação
Microsoft apoia luta contra a sida


A Microsoft, multinacional norte-americana do ramo da Informática, está a disponibilizar no seu site (www.microsoft.com) quatro novas aplicações destinadas aos investigadores na área da sida, designadamente com vista a apoiar o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a doença. São ferramentas de análise estatística do agente causador da síndroma da imunodeficiência adquirida modificáveis pelos utilizadores, especificamente desenhadas para analisar o padrão de mutabilidade do HIV.

Os quatro novos programas – «PhyloD», «Epitope Prediction», «HLA Assignment» e «HLA Completion» – correspondem a quatro novas formas de permitir aos cientistas que se dedicam àquela área encontrar correlações entre o sistema imunitário do doente e o vírus, localizar determinadas partes do sistema e defini-las de uma forma mais precisa. Desenvolvidos ao longo de dois anos, ao longo dos quais uma vasta equipa se debruçou sobre o assunto, colaborando com universidades e investigadores de todo o mundo, as novas ferramentas visam concretamente dar apoio ao objectivo do desenvolvimento de uma vacina. Nessa medida, a Microsoft anunciou já que continuará a estudar medidas e programas para apoiar aquela causa, adiantando que está já em fase de preparação uma aplicação que deverá permitir o acompanhamento e o registo cronológico da evolução do vírus nos indivíduos infectados.

Carla Teixeira
Fonte: El Pais

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Bactéria na flora intestinal da grávida pode infectar bebé

Pediatra alerta para risco de transmissão durante o parto e defende inclusão de mais um exame na rotina pré-natal

Na rotina pré-natal das grávidas deveria ser incluído mais um exame - um teste que serve para detectar a presença de uma bactéria (streptococcus) que pode ser transmitida para o bebé durante o parto. A mãe pode estar isenta de sintomas mas, no bebé, a contaminação acarreta risco de infecção grave e até morte.

Detectar a presença da bactéria chamada Streptococcus agalactea (beta-hemolítico do grupo B) na mulher grávida pode ser vital para o recém-nascido. O alerta é de Jaqueline Dário Capobiango, pediatra e infectologista brasileira, sublinhando que a taxa de transmissão da mãe para o bebé “ronda os 50 por cento.”

Ao «Folha Londrina», a médica explicou que o tipo de bactéria em causa costuma colonizar o trato gastrointestinal. “Umas pessoas têm, outras não, mas trata-se de uma bactéria que faz parte da flora intestinal”, ressalvando que, “na mulher, pela proximidade com a vagina, a bactéria também pode estar presente no trato genito-urinário, e causar ou não infecção urinária.”

De acordo com a pediatra, dos 50 por cento de casos possíveis de transmissão, entre 1 a 3 por cento, vão desenvolver infecção: “Parece pouco, mas o risco de uma sepse precoce (infecção bacteriana grave) é 30 vezes maior no bebé cuja mãe tem a bactéria, do que naquele cuja mãe não está colonizada”, referiu, realçando que “a mortalidade das infecções precoces (em bebés com até sete dias de vida) é de até 50%.”

Segundo informa a ginecologista e obstetra, Viviane Magalhães, “o exame da secreção vaginal e anal é feito entre a 35 e a 37 semana de gestação”, esclarecendo ao «Folha Londrina» que “se é detectada a cultura de bactéria é preciso administrar um antibiótico específico para esse tipo de bactéria, antes do nascimento do bebé, cuja eficácia ultrapassa os 80 por cento.”

Ao que o farmacia.com.pt conseguiu apurar o exame pré-natal para detecção desta bactéria é feito nos Estados Unidos, rotineiramente, desde 2002. Na Argentina, o exame também é obrigatório por lei em vários Estados. No Brasil, - e segundo avançou há instantes a Agência Estado - o Hospital e Maternidade Estadual Interlagos será a primeira maternidade pública a realizar o exame de diagnóstico em todas as utentes que fizerem o pré-natal naquela unidade. Em Portugal, este exame pré-natal continua sem ser obrigatório.

Raquel Pacheco
Fontes: Bondenews/«Folha Londrina»/Agência Estado