terça-feira, 30 de outubro de 2007

Tempo de balanço e de envolver o homem na luta da mulher
Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama

Todos os anos são diagnosticados em Portugal cerca de quatro mil novos casos de cancro da mama, uma doença que afecta sobretudo mulheres, mas em que um por cento dos casos penaliza homens. Segundo a Sociedade Portuguesa de Senologia, 1500 desses diagnósticos acabam por levar à morte dos doentes. No Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama, que hoje se assinala, é tempo para um balanço das actividades de luta contra aquele carcinoma, e também de chamar os homens a apoiar as mulheres afectadas.

Para assinalar a efeméride, o Núcleo Regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro apresentou, às primeiras horas desta manhã, a campanha de sensibilização «Eles também choram», especificamente dirigida aos maridos, companheiros, filhos e amigos das mulheres vítimas do carcinoma mamário. A sessão de lançamento da iniciativa teve lugar no recinto do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, tendo sido explicado aos presentes que, “para ajudar os homens a ajudar as mulheres”, o Movimento Vencer e Viver, constituído por centenas de mulheres mastectomizadas na sequência da doença, lançou uma campanha que, de acordo com as palavras da coordenadora nacional do movimento, Conceição Matos, pretende sobretudo dar uma ajuda aos “homens que têm na sua vida uma mulher que sofre de cancro da mama”, no sentido de eles “deixarem de fazer parte do problema para passarem a fazer parte da solução”.
No âmbito de uma efeméride a que também a Assembleia da República se associa, com a instalação de uma iluminação cor-de-rosa (a cor da luta contra a doença) na fachada do Palácio de São Bento, numa cerimónia agendada para as 18h30, e que contará com a presença de Jaime Gama e de outras destacadas individualidades, o dia de hoje pretende chamar a atenção da sociedade para o facto de a prevenção do cancro da mama assentar fundamentalmente na realização de rastreios, de que, segundo notícias recentes, mais de 40 por cento das mulheres portuguesas fogem. Além dos rastreios, há também as consultas de rotina, indicadas para as mulheres com mais de 50 anos, e a coordenação entre um grupo pluridisciplinar de médicos que confluem na necessidade de diagnosticar atempadamente esta doença, para agir mais rapidamente sobre ela, evitando as consequências mais penalizadoras, como a extracção de parte ou toda a mama e as metástases para outros órgãos do corpo humano.
No Algarve o Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama é assinalado com um balanço dos dois anos de actividade da unidade móvel de rastreio digital, que já fez exames a 17 mil mulheres dos 16 concelhos da região. O presidente da Associação Oncológica do Algarve, José Santos Pereira, recorda a “luta titânica” travada contra “incompreensões e vontades” que garante ainda não ter compreendido, mas afirma ser hoje “um homem feliz” com os resultados alcançados. Citado pelo Observatório do Algarve, aquele responsável frisa que se trata de “um exame gratuito, a todas as mulheres entre os 50 e os 65 anos, convocadas através de carta da Administração Regional de Saúde, que nem precisam de se candidatar”. A única “candidatura” aos exames de rastreio é a idade da mulher, enuncia José Santos Pereira, salientando que “está previsto o aumento da idade das convocadas”, que a cada ano subirá um ano, de modo a atingir os 70 anos em 2012.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, Infocancro, Observatório do Algarve, «Sol»
Objecção de consciência na dispensa de certos medicamentos…
Farmacêuticos italianos recusam pedido do Papa


O pedido feito por Bento XVI, no sentido de que os farmacêuticos de todo o mundo se abstivessem de dispensar aos seus utentes medicamentos como a “pílula do dia seguinte” ou que auxiliam a morte assistida, não encontrou eco nas associações de farmacêuticos italianas. Os profissionais garantem estar obrigados por lei a garantir o fornecimento de qualquer fármaco prescrito, e frisam que, sem a alteração da lei actual, a objecção de consciência não é possível.

Franco Caprino, secretário nacional da Federfarma, a associação que representa mais de 16 mil farmácias em Itália, explicou que o pedido do Papa não é, para já, exequível, na medida em que a lei estipula uma obrigatoriedade na prestação do serviço de venda de medicamentos com que a objecção de consciência, por força, se incompatibilizaria. De acordo com aquele responsável, Bento XVI deveria ter-se dirigido “a outras sedes”, embora o porta-voz do Vaticano tenha já afirmado que “a objecção de consciência é um direito”, e que as declarações do Sumo Pontífice mais não foram do que uma exortação a que os farmacêuticos católicos assumam esse direito, tal como os médicos, a “não colaborar” com métodos e práticas que de forma directa sejam atentatórios da vida humana, quer no seu início, quer no seu término. Falando aos participantes no V Congresso Internacional de Farmacêuticos Católicos, que decorreu sob o lema «As novas fronteiras do acto farmacêutico», o Papa considerou que a federação era “convidada a enfrentar a questão da objecção de consciência, que deve ser um direito reconhecido na vossa profissão”.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa

REPORTAGEM

Regime jurídico entra em vigor debaixo de contestação
Novas regras nas farmácias portuguesas


“A evolução da sociedade, o dinamismo das farmácias e as profundas alterações no sector do medicamento”, conjugadas com a já desgastada vigência de uma lei que remonta à década de 60 do século passado, confluíram para o que o Governo considerou ser uma reforma aconselhável. O Decreto-Lei nº 307/2007, publicado em «Diário da República» no passado dia 31 de Agosto, entra nesta terça-feira em vigor, alavancando uma profunda mudança nas regras por que se rege a actividade das farmácias de oficina em Portugal.

Considerando que esta reforma vem pôr fim a “um regime jurídico desadequado e injustamente limitador do acesso à propriedade”, como é referido no preâmbulo do decreto-lei que estabelece a nova norma, a que o farmacia.com.pt teve acesso, o Ministério da Saúde, e através dele o Governo, entendem que a legislação agora revogada “foi aprovada num contexto nacional e europeu que não tem paralelo com a actualidade, pelo que importa adaptá-la à nova realidade da sociedade portuguesa”. A questão da propriedade é tema central da nova lei, tanto mais que a tutela mostra, no texto legal que introduz as novas regras, a firme convicção de que a limitação da propriedade das farmácias, até este momento, à classe farmacêutica terá suscitado “a criação de situações fictícias”, em que um farmacêutico assumiria a posse de um estabelecimento que, na verdade, não lhe pertencia.
Esta presunção do Governo, assumida publicamente pelo ministro da Saúde, teve já ampla repercussão junto dos diversos agentes do sector, que criticaram Correia de Campos por ter insinuado a existência de corrupção sem ter concretizado casos e números, que a Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) disse desconhecer, pela voz de Vasco Maria, presidente do conselho de administração daquela entidade, mas que a própria bastonária dos farmacêuticos, Maria Irene Silveira, reconheceu existir, tendo até recordado um caso ocorrido há cerca de seis anos, que a própria testemunhou, quando dirigia a Secção Regional de Coimbra da Ordem dos Farmacêuticos.
A questão da propriedade dos estabelecimentos de dispensa de medicamentos parece ser assim o tema mais quente que o novo regime jurídico espoleta, mas a verdade é que as novas regras mexem com muitos outros aspectos da actividade e da profissão farmacêuticas. A entroncar na questão da propriedade, e tal como tem vindo a ser noticiado pelo farmacia.com.pt, está outro assunto polémico: é que, ao aprovar a aquisição de novas farmácias por qualquer pessoa, independentemente da sua profissão, abolindo a exclusividade do farmacêutico, o Governo abriu portas a uma nova polémica, quando declarações do ministro da tutela fizeram ventilar a ideia, entretanto desmentida por fonte oficial, de que os não farmacêuticos seriam, de algum modo, favorecidos nos concursos para compra de novos espaços de venda de medicamentos.
Por outro lado, o novo regime jurídico vem mexer na regulação da direcção técnica das farmácias, vincando a exigência de aquela ser assegurada, em permanência e exclusividade, por um farmacêutico, e também na questão da autonomia do papel do director técnico. São igualmente alterados os pressupostos relativos ao quadro de pessoal das farmácias, horários e requisitos de licenciamento, e são introduzidos os conceitos de dispensa de medicamentos não sujeitos a receita médica através da internet e ao domicílio, aquisição de fármacos através de concurso, prestação de novos serviços naqueles espaços e transferência de farmácias dentro do mesmo município, independentemente da existência de concurso público.
Inicia-se assim, a partir de hoje, uma nova era no sector farmacêutico em Portugal, com o Governo a ousar ir em frente, indiferente à contestação dos vários agentes do sector e de facções políticas como o PSD e o PCP, que chegaram a pedir uma segunda apreciação da nova legislação na Assembleia da República. Este regime jurídico deverá ainda ser complementado com quatro portarias, segundo apurou o farmacia.com.pt junto de fonte parlamentar. Nessas portarias serão definidos os contornos da venda online de medicamentos (dispensa e entrega deverão ser feitas pelo mesmo profissional que as faria na farmácia), tal como o leque de serviços que as farmácias podem oferecer, como imunizações não incluídas no Plano Nacional de Vacinação, campanhas de informação, programas de cuidados farmacêuticos e colaboração nos programas de educação para a saúde.
Ainda antes disso, a nova lei confere aos utentes a possibilidade de reclamar diante de uma eventual situação de mau atendimento, bastando para isso aceder ao site do Infarmed (http://www.infarmed.pt/) e expor o problema, e abre caminho à existência de farmácias abertas ao público em regime de permanência nos hospitais e ao alargamento de horários, nas restantes, para um período mínimo de 55 horas por semana, acabando com a taxa de serviço nocturno que até agora era cobrada aos utentes que se pretendiam aviar as suas receitas médicas fora do horário normal de funcionamento daqueles estabelecimentos.

Carla Teixeira
Fonte: «Diário da República», «O Primeiro de Janeiro», Agência Lusa, Mobifarm, farmacia.com.pt, contactos telefónicos

FDA aprova Tasigna para o tratamento da leucemia

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) aprovou a comercialização do Tasigna (nilotinib), da Novartis AG, para o tratamento de pacientes com leucemia mielóide crónica (LMC), resistente ou intolerante ao tratamento anterior, incluindo o Glivec/Gleevec (imatinib), fármaco da mesma companhia.

O Tasigna, que irá competir com o Sprycel, da Bristol-Myers Squibb Co, foi aprovado para pacientes com LMC com cromossoma Filadélfia positivo (Ph+). A Novartis declarou que o Tasigna, tratamento oral que é tomado duas vezes por dia, estará disponível nos Estados Unidos dentro de dias.

O Tasigna inibe a produção de células cancerígenas ao direccionar-se à proteína Bcr-Abl. Esta proteína, produzida pelas células que contêm um cromossoma anormal, denominado Filadélfia, é reconhecida como sendo o elemento chave na superprodução de glóbulos brancos que causam cancro nos pacientes com leucemia mielóide crónica.

A aprovação baseou-se num ensaio clínico multicentro e de rótulo aberto que avaliou a segurança do fármaco, e as taxas de resposta citogenética e resposta hematológica. O Tasigna foi especificamente delineado para atingir a proteína Bcr-Abl mais preferencialmente do que o Glivec, sem adicionar novos mecanismos de acção. No sexto mês de seguimento, o Tasigna reduziu ou eliminou as células que continham o cromossoma anormal Filadélfia em 40 por cento dos pacientes na fase crónica da doença.

O Tasigna poderá substituir, em algumas situações, a utilização do Glivec/Gleevec, o segundo fármaco da Novartis mais vendido no ano passado, com vendas de 2,6 mil milhões de dólares. O fármaco poderá gerar vendas de, pelo menos, 500 milhões de dólares por ano. A Novartis declarou que as vendas conjuntas do Glivec/Gleevec e do Tasigna poderão representar mais de 3,5 mil milhões de dólares anualmente.

Espera-se que o Tasigna seja aprovado na União Europeia no final deste ano, sendo que já está aprovado na Suiça, desde Julho de 2007, e está à espera de aprovação no Japão.

A LMC é um dos quatro tipos de causas mais comuns de leucemia, uma forma de cancro no sangue, que afecta aproximadamente 4 500 pessoas nos Estados Unidos todos os anos, e é responsável por cerca de 15 por cento de todos os casos desta doença em todo o mundo.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, www.marketwatch.com, Bloomberg, CNNMoney

CellCept aumenta riscos de aborto e malformações do feto

FDA acrescenta novas contra-indicações ao medicamento

O CellCept (Micofenolato de mofetil), um medicamento da Roche utilizado para evitar a rejeição em caso de transplantes de órgãos, aumenta o risco de aborto no primeiro trimestre de gravidez e a ocorrência de malformações congénitas do feto. O alerta foi dado esta segunda-feira num comunicado emitido pela Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA).

A entidade reguladora do sector dos medicamentos nos Estados Unidos da América resolveu, por isso, alterar o folheto informativo que acompanha o medicamento, fazendo passar o fármaco da categoria C (não pode ser excluído o risco de anomalia fetal) para a categoria D (comprovada a evidência de risco para o feto).

As novas indicações alertam para um acréscimo do risco de deformações do feto ao nível das orelhas e da face e problemas nos membros, coração e outros órgãos. Os avisos tiveram origem em dados recolhidos a partir de um registo nacional de mulheres que às quais foi administrado o medicamento durante a gravidez, indica o documento a que o Farmacia.com.pt teve acesso.

Nesse sentido, a FDA recomenda que o CellCept não seja prescrito sem que um exame prévio exclua uma possível gravidez da paciente. Os profissionais de saúde deverão também ter em consideração que o medicamento pode reduzir a eficácia dos contraceptivos orais, adverte o mesmo documento.

O aviso da FDA cita um relatório posterior à comercialização do fármaco com dados recolhidos entre 1995 e 2007 e que revelou que entre 77 mulheres expostas ao medicamento, 25 sofreram um aborto espontâneo e 14 deram à luz uma criança com malformações.

Marta Bilro

Fonte: FDA, Reuters, Infarmed.

Estudantes de Farmácia do Porto reúnem-se em congresso
«Qualidade para um futuro de excelência»


Arranca nesta terça-feira no auditório da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto o II Congresso Científico da Associação de Estudantes da Faculdade de Farmácia da UP. Subordinado ao tema «Qualidade para um futuro de excelência», o encontro pretende, durante os próximos dois dias, promover “uma reflexão sobre a qualidade em todas as vertentes profissionais” do sector farmacêutico, segundo a direcção da associação académica.

Tendo em conta que “a qualidade é cada vez mais um objectivo fundamental na evolução de qualquer área científica”, e sendo verdade, na óptica da organização deste congresso, que “a quantidade teve lugar no passado, mas «qualidade» é a melhor palavra para definir os objectivos do presente e do futuro”, os estudantes de Farmácia do Porto entendem que a temática abraçada é ambiciosa, “vasta e difícil”, mas consideram que é também, “no actual contexto científico, mais pertinente do que nunca”. Nessa linha, querem expor e debater argumentos sobre o modo mais eficaz de “definir parâmetros de qualidade, saber avaliá-la, ter a qualidade desejada e adequada às exigências actuais, e com que custos”.
Contando com os apoios da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) e da Caixa Geral de Depósitos, o congresso arranca pelas nove horas, com a recepção dos convidados, e prolonga-se durante todo o dia de hoje, retomando amanhã os trabalhos. Pelo auditório da FEUP passarão diversos intervenientes, entre os quais Rui Botelho, da Ordem dos Farmacêuticos, Noélia Duarte, do Instituto da Qualidade em Saúde, Pedro Barosa, da companhia farmacêutica Schering Plough Farma Lda., Sílvia Moutinho, do Hospital Geral de Santo António, e Maria Cristina Antão, dos Laboratórios Equilibrium. Estão igualmente reservados espaços de debate sobre as várias áreas da profissão – farmácia comunitária, farmácia hospitalar, laboratório de análises clínicas, entre outros temas, serão abordados por diversos especialistas no decurso do congresso –, e um momento de animação, na sessão de encerramento, com uma actuação das Sirigaitas e da Tuna de Farmácia do Porto. O programa completo do evento encontra-se disponível no site da Faculdade de Farmácia, no endereço http://www.ffup.pt/.

Carla Teixeira
Fonte: Associação de Estudantes de Farmácia da Universidade do Porto

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Mucinex com codeína recebe carta de aprovação da FDA

A Adams Respiratory Therapeutics Inc. recebeu uma carta de aprovação por parte da agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) para a comercialização do Mucinex com codeína, indicado para o tratamento da tosse com febre e bronquite crónica. A companhia deverá entregar dados adicionais dos comprimidos de libertação prolongada para a tosse à FDA antes da sua aprovação. A Adams não divulgou quanto tempo irá demorar a fornecer os materiais.

A carta de aprovação da FDA especifica as condições que necessitam ser preenchidas antes do produto ser aprovado. Para além da FDA também ter emitido alguns comentários preliminares à rotulagem, a agência solicitou dados que sustentem a utilização do produto com alimentos.

Em Maio, a FDA solicitou às companhias que parassem de fabricar e distribuir determinados medicamentos para a tosse e para a constipação que contenham guaifenesina, e que são vendidos sem a aprovação da agência. A Adams Respiratory Therapeutics é desde então a única companhia autorizada a comercializar especialidades para a gripe que contenham guaifensina, apenas os produtos Mucinex e Humibid têm a aprovação da FDA. Na realidade, os fabricantes destes medicamentos têm até 25 de Novembro para parar de vender estes fármacos, que não foram submetidos ao processo de aprovação da FDA.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Bloomberg, Reuters, www.chron.com

Clima de tensão no Infarmed compromete serviços

Ex-colaboradores confirmam ambiente de animosidade, rupturas e reestruturações frequentes

O afastamento da directora do departamento de Farmacovigilância do Infarmed, em Setembro, terá tido origem numa “animosidade” entre a responsável e um dos elementos do Conselho Executivo daquele organismo. Segundo apurou o farmacia.com.pt, este não é o único caso de ruptura em contornos de um clima de tensão.

Na sequência do despedimento de Regina Carmona (responsável por aquele sector há 15 anos) foi noticiado que o serviço de vigilância sobre a segurança e as Reacções Adversas dos Medicamentos (RAMs) da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) estaria parado.

Em declarações ao semanário «Sol» - jornal que ventilou a notícia - fonte da direcção negou, categoricamente, a paragem do serviço, assegurando que “está de boa saúde” e que o seu funcionamento decorre “dentro da normalidade”. Para justificar a demissão, o motivo apontado foi “reestruturação do sector”.

O certo é que, segundo conseguiu apurar o farmacia.com.pt, a exoneração de Regina Carmona terá sido delineada nos bastidores de uma reunião europeia sobre Farmacovigilância que se realizou, em Setembro, em Lisboa. Uma discussão calorosa que protagonizou com uma superior hierárquica ditou o seu afastamento.

A cena - pouco discreta para muitos presentes -, ter-se-á desencadeado porque Regina Carmona passou a palavra à superior hierárquica quando, na reunião, foi questionada pelos representantes europeus sobre a facto de Portugal ainda não ter adoptado um determinado modelo de gestão de riscos em medicamentos. Atitude que justificou com o facto de considerar a colega melhor preparada para responder. Porém, o imprevisto não agradou à dirigente do Infarmed, nem a resposta esclareceu a plateia. A situação veio, no intervalo do evento, motivar por parte da superior hierárquica, um pedido de satisfações, gerando, assim, o aceso episódio.

Instalada a animosidade, no dia seguinte, o caso foi discutido pelo Conselho Directivo do Infarmed, chegando a decisão de demissão ao conhecimento de Regina Carmona, quatro dias depois.

“Este não é um período fácil para mim. Ficar subitamente afastada da minha equipa de trabalho e da farmacovigilância, à qual me dediquei de corpo e alma desde há 15 anos, é bastante doloroso”, escreveu a ex-directora num email enviado a todos os funcionários do instituto e que o farmacia.com.pt teve acesso.

Em tom de resposta, a direcção do Infarmed emitiu uma circular interna evocando a reestruturação daquele departamento e, consequentemente, o cessar de funções da directora para ser nomeada assessora do Conselho Executivo.

No entanto, a nota oficial não tranquilizou os ânimos, nomeadamente, na maioria dos médicos que trabalhavam directamente com Regina Carmona. Uma onda de demissões provou uma autêntica onda de solidariedade. “A tua demissão nos moldes em que foi efectuada – um verdadeiro saneamento – conduz à minha inexorável saída do Infarmed”, comunicou um dos médicos via email enviado, também, a todos os funcionários.

O farmacia.com.pt sabe que, após a saída da directora de Farmacovigilância, também, o coordenador do serviço de notificações de RAMs abandonou o instituto. De acordo com uma fonte do Infarmed, o substituto de Regina Carmona é Miguel Antunes e trabalha com uma equipa de 19 colaboradores.


Falta de recursos humanos


Entretanto, a escassez de recursos humanos e o incumprimento dos serviços, foram denunciados ao farmacia.com.pt. “O Infarmed não cumpre, literalmente, a sua função no controlo e avaliação dos medicamentos, principalmente, por falta de recursos humanos”, acusou um ex-funcionário que saiu, também, em ruptura com o director de um departamento.

Considerando o caso de Carmona como “a ponta do iceberg”, a mesma fonte confirmou a existência de um “clima de tensão” dentro do organismo, revelando que os episódios de reestruturações são “frequentes”.

“Nunca houve uma equipa sólida e coesa devido às más condições laborais que oferecem, por isso, reina a insatisfação dos funcionários e colaboradores, levantam-se polémicas e dão-se as substituições”, delatou, advertindo que, para além da Farmacovigilância, “há outros departamentos parados, onde só funciona o carimbo.”

O farmacia.com.pt contactou o gabinete de comunicação do Infarmed na tentativa de obter uma reacção, mas o porta-voz encontrava-se indisponível.

Raquel Pacheco

Fonte: Infarmed/Sol/contactos telefónicos

FDA concede aprovação provisória para genérico de valsartan da Ranbaxy

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) concedeu uma aprovação provisória à companhia indiana Ranbaxy Laboratories Ltd para fabricar e comercializar os comprimidos genéricos de valsartan, em várias dosagens (40 mg, 80 mg, 160 mg e 320 mg), para tratar a hipertensão. O anti-hipertensor é comercializado como Diovan pela Novartis.

O valsartan está indicado para o tratamento da hipertensão sozinho, ou em combinação com outros agentes anti-hipertensores, e também para tratar falha cardíaca. O total das vendas dos comprimidos de valsartan atingiu os 1,3 mil milhões de dólares, em Junho de 2007.

Segundo o vice-presidente da Ranbaxy, Jim Meehan, a companhia foi a primeira a entregar o pedido de registo de genérico na FDA substancialmente completo, e irá estar preparada para tirar partido dos 180 dias de exclusividade a que a companhia que entrega primeiro o pedido tem direito.
XXV Congresso Internacional de Farmacêuticos Católicos
Papa pede objecção de consciência na farmácia


Bento XVI apelou ontem aos médicos e farmacêuticos de todo o mundo que optem pela objecção de consciência nas situações em que forem chamados a prescrever ou a fornecer medicamentos destinados a auxiliar a prática de abortos ou da morte assistida. Discursando sobre «As novas fronteiras da actividade farmacêutica», no âmbito do XXV Congresso Internacional de Farmacêuticos Católicos, que decorreu no Vaticano, o Papa pediu que os profissionais não colaborem com a administração de produtos que a Igreja Católica classifica como uma “escolha imoral”.

Salientando que “os farmacêuticos não podem anestesiar as consciências”, ao não abordarem, com os pacientes que os procuram, “os efeitos das moléculas que têm como evitar o acolhimento do embrião ou encurtar a vida de uma pessoa”, e disse que os profissionais de Farmácia devem desempenhar o seu “papel educativo”, e chamar a atenção dos cidadãos, não só para a necessidade de dar um uso correcto aos medicamentos, mas também para lhes transmitir as “implicações éticas” do uso de certos fármacos. Em contrapartida, Bento XVI dirigiu à indústria farmacêutica um repto no sentido de “facilitar o acesso a cuidados e compostos químicos de primeira necessidade a todas as camadas da população, de todos os países, especialmente às mais pobres”.
De acordo com o Papa, a objecção de consciência constitui “um direito”, e é como tal que deve ser encarada, reconhecendo-se igualmente aos farmacêuticos essa prerrogativa, designadamente nos casos de interrupção voluntária da gravidez e de eutanásia. Num balcão de farmácia os utentes devem encontrar apoio e não uma “colaboração directa ou indirecta” no fornecimento de produtos que têm objectivo a materialização de “escolhas claramente imorais”. Entre essas escolhas Bento XVI incluiu as “substâncias que impedem a nidificação de um embrião” (a “pílula do dia seguinte”) e os medicamentos que procuram “abreviar a vida de uma pessoa”, já que “a vida deve ser protegida da sua concepção até à sua morte natural”.

Carla Teixeira
Fonte: Rádio Vaticana, Agência Ecclesia

Avandia, Atripla e biosimilares em destaque na reunião mensal do CHMP

O Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) divulgou esta segunda-feira o relatório da sua reunião mensal referente a Outubro. Entre os principais pontos em análise destacaram-se o Avandia (rosiglitazona) da GlaxoSmithKline, o Atripla (Efavirenz, Tenofovir, Emtricitabina), a recolha dos medicamentos com clobutinol ou as aprovações de biosimilares.

O Avandia tem estado no centro das atenções das entidades reguladoras europeia e norte-americana desde que, em Maio de 2007, um estudo publicado no “New England Journal of Medicine” associou a toma do medicamento a um aumento de 43 por cento do risco de ataque cardíaco. A notícia suscitou dúvidas quanto à segurança do fármaco, e a publicidade negativa provocou uma quebra na quota de mercado e nas receitas do laboratório britânico.

Enquanto a Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) continua a avaliar o risco de ataque cardíaco associado à utilização do medicamento, no mercado Europeu a reapreciação do Avandia sofreu uma demora menos severa.

No mês de Outubro o CHMP recomendou que o medicamento se mantivesse no mercado deliberando que os benefícios são superiores aos riscos. De acordo com a análise do portal In-PharmaTechnologist.com ao plenário mensal do CHMP, os responsáveis anunciaram a conclusão da reavaliação da substância no que diz respeito aos problemas cardiovasculares e confirmaram a opinião anteriormente emitida.

No entanto, a entidade reguladora recomendou que se proceda à alteração do folheto informativo dos medicamentos contendo rosiglitazona, actualizado as indicações de forma a incluir um aviso relativamente aos pacientes com doença isquémica cardíaca, na medida em que este medicamento apenas poderá ser administrado nesta situação após rigorosa avaliação dos riscos individuais.

Para além disso, os peritos europeus aconselharam também a realização de novos estudos para aumentar o nível de conhecimento científico sobre a rosiglitazona e outros fármacos anti-diabéticos, como o Actos (pioglitazona), produzido pela japonesa Takeda.

A nova terapia “3 em 1” contra o HIV, o Atripla, comercializado em parceria pela Bristol-Myers Squibb, Gilead Sciences e Merck Sharp & Dohme, insere-se na lista das sete opiniões positivas emitidas em Outubro pelo CHMP.

O Atripla é o primeiro fármaco a combinar três medicamentos anti-HIV. O Viread (Tenofovir) e o Emtriva (Emtricitabina), ambos produzidos pela Gilead Sciences e o Sustiva (Efavirenz) fabricado pelo laboratório norte-americano Bristol-Myers Squibb, cujos direitos de comercialização pertencem à Merck. O principal benefício, de acordo com os reguladores, reside no facto desta terapia facilitar o regime de tratamento dos pacientes com HIV através da administração de um comprimido de toma diária única.

O encontro mensal do CHMP analisou ainda a recolha dos medicamentos com clobutinol em todos os mercados da União Europeia (UE), bem como de todas as Autorizações de Introdução no Mercado (A.I.M.) de medicamentos para a tosse contendo clobutinol. A maior parte dos fármacos com esta substância eram comercializados pela Boehringer Ingelheim, com a designação de Silomat, que procedeu voluntariamente á recolha dos mesmos no final de Agosto.

As autorizações de comercialização foram suspensas na Alemanha, no mês passado, na sequência da divulgação dos resultados de um estudo que associava a utilização de clobutinol ao risco de prolongamento do intervalo QT, o que conduz a alterações no batimento cardíaco e ao abrandamento e interrupção do ritmo cardíaco, especialmente quando utilizado em doses elevadas

A actividade do CHMP no mês de Outubro ficou ainda marcada pela anulação das autorizações de comercialização de um conjunto de medicamentos genéricos contendo dicloridrato de cetirizina, um anti-histamínico presente na composição de vários tratamentos para a febre dos fenos.

Esta recomendação foi suscitada por uma investigação realizada em 2006 e que originou a suspensão de um conjunto de autorizações de comercialização em vários países devido a preocupações relacionadas com o cumprimento das boas práticas laboratoriais e clínicas. A isto seguiu-se um estudo que indicava que estas questões ainda não tinham sido resolvidas e que a bioequivalência com o produto de referência não podia ser estabelecida. Na sequência destes acontecimentos, o CHMP propôs a total revogação das autorizações de comercialização destes produtos genéricos.

Entre as actividades de Outubro do CHMP ressalta também a emissão de dois pareceres positivos para biosimilares, o Silapo (epoetina zeta), produzido pela Stada Arzneimittel, e o Retacrit (epoetina zeta), da norte-americana Hospira. Ambos os produtos, destinados ao tratamento da anemia associada à doença renal crónica e de pacientes oncológicos com anemia, demonstraram ser similares ao produto de referência, o Exprex (epoetina alfa) da Janssen-Cilag.

Marta Bilro

Fonte: DrugResearcher.com, In-PharmaTechnologist.com, Infarmed, Farmacia.com.pt.

Betaferon 500 não é superior à dose já existente

Bayer abandona planos de comercialização do fármaco

A farmacêutica alemã Bayer pôs de parte as suas intenções de comercializar o Betaferon 500 (Interferão beta-1b) depois de um estudo ter demonstrado que o fármaco não tem quaisquer benefícios no tratamento da esclerose múltipla para além dos obtidos com a dose existente de 250 microgramas.

O ensaio clínico não conseguiu comprovar que o Betaferon 500 mcg era mais eficaz do que o Betaferon 250 mcg ou do que o Copaxone (Acetato de glatirâmero), produzido pela rival Teva, na prevenção das recidivas dos pacientes com esclerose múltipla, revelou o laboratório num comunicado emitido esta segunda-feira.

O abandono dos planos para submeter o medicamento à aprovação da entidade reguladora vai obrigar a empresa enfrentar uma despesa de 152 milhões de euros.

O Betaferon é um dos fármacos com os quais a Bayer conta para impulsionar o seu crescimento enquanto aguarda as receitas provenientes de novos medicamentos, como é o caso do Nexavar destinado ao tratamento do carcinoma hepatocelular e que recentemente recebeu revisão prioritária por parte da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA).

“A dose padrão de Betaferon 250 microgramas é a dose mais adequada de Betaferon”, afirmou Douglas Goodin, professor de neurologia na Universidade da Califórnia, em São Francisco, Estados Unidos da América, em declarações à Bloomberg.

No mesmo documento, a Bayer revela ainda que prevê que as receitas provenientes do Betaferon, cujas vendas atingiram os 500 milhões de euros no primeiro semestre do ano, aumentam entre 7 e 9 por cento em 2007 e 2008.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Reuters, CNN Money.

DGS: Utentes devem vacinar-se contra a gripe ainda em Outubro

Temperaturas quentes não impedem surgimento de época gripal

Apesar das temperaturas elevadas que se têm feito sentir desde o inicio do Outono, os portugueses devem tomar a vacina da gripe já em Outubro, aconselhou a subdirectora-geral de Saúde, Graça Freitas, em declarações à TSF esta segunda-feira. Até porque, segundo salientou a mesma responsável, não há garantias de que não surja uma época gripal em Dezembro ou Janeiro.

“Se tiver que haver uma época gripal não é por estar calor agora que não vai haver uma em Dezembro ou Janeiro. Como as coisas não estão correlacionadas as pessoas devem seguir as indicações. Outubro é o mês ideal para se vacinarem”, explicou Graça Freitas.

O facto de estar calor também não poderá impedir que tenhamos “uma época de gripe com alguma intensidade”, pelo que se mantêm os conselhos da Direcção-Geral de Saúde (DGS) para que as pessoas se vacinem, agora, «em Novembro ou até mais tarde», uma vez que as receitas têm um prazo de validade alargado.

“Sabemos pelos estudos internacionais que nas populações que são vacinadas em relação aquelas que não são, numa mesma época gripal e num mesmo país, os resultados são melhores nas pessoas vacinadas do que nas não vacinadas em termos de gravidade, internamentos e mortalidade”, concluiu a subdirectora-geral da DGS.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, TSF.

Boa higiene oral pode prevenir problemas de coração

A boa higiene oral pode ser um trunfo valioso na prevenção de problemas cardíacos. De acordo com uma equipa de investigadores da Sociedade de Investigação de Cardiologia, Coração e Sistema Circulatório Alemã (DGK), em Colónia, os dentes saudáveis podem ajudar a evitar a endocardite, uma inflamação do revestimento interior liso do coração (endocárdio), quase sempre causada por uma infecção bacteriana.

As endocardites surgem principalmente depois de procedimentos em que há uma invasão do organismo, como é o caso das cirurgias. Actualmente, este é considerado o factor de maior risco para o aparecimento desta patologia, porém as extracções dentárias também não ficam de parte enquanto causa possível.

Este estudo vem agora reforçar a ideia ao revelar que “80 por cento dos pacientes com endocardite não tinham sido submetidos a qualquer cirurgia antes do surgimento da doença”, afirmou Christoph Naber, professor assistente do Centro de Cardiologia da Alemanha Ocidental, em Essen, durante um encontro do DGK.

Uma das teorias afirma que a bactéria consegue entrar na corrente sanguínea quando as pessoas com problemas dentários mastigam. Porém, ainda não há provas conclusivas que possam confirmar essa conjectura, advertem os especialistas.

Ainda assim, foi possível demonstrar que as pessoas com dentes saudáveis sofrem com menos frequência de inflamações transportadas pela corrente sanguínea. Para além disso, uma higiene oral correcta só pode produzir “efeitos secundários positivos”, salientam os responsáveis.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, eMaxHealth, Médicos de Portugal.

Teste de ADN ao HPV mais eficaz que Papanicolau no rastreio ao cancro cervical

O teste de ADN ao Vírus do Papiloma Humano (HPV) é substancialmente mais eficaz a detectar evidências da presença de cancro ou lesões pré cancerosas do que o tradicional exame do Papanicolau, revela um estudo publicado no "New England Journal of Medicine".

A investigação levada a cabo por um grupo de cientistas da Universidade McGill, em Montreal, Canadá, demonstrou que o teste de ADN do HPV, causador do cancro do colo do útero, permitiu detectar 40 a 50 por cento mais lesões cancerosas e pré-cancerosas do que um exame do Papaniculau.

A primeira fase de testes clínicos, liderada por Eduardo Franco, director do Departamento de Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade McGill, concluiu que o teste de ADN do HPV permite detectar 94,6 por cento das lesões pré-cancerosas sem gerar falsos resultados, contra o índice de 55,4 por cento do Papanicolau.

A equipa de investigadores da Universidade McGill sugeriu, por isso, que a universalização deste teste de ADN, associado ao aumento da vacinação contra o HPV, “irá contribuir para um controlo mais eficaz do cancro cervical”, algo que ainda deverá demorar alguns anos a concretizar-se.

Apesar das conclusões não surpreenderem os cientistas, que já tinham conhecimento de que a sensibilidade do exame de Papanicolau não era alta, este não deverá ser imediatamente posto de parte. De acordo com Carolyn Runowicz, ginecologista oncológica na Universidade do Centro de Saúde de Connecticut e ex-presidente da Sociedade Americana de Cancro, ainda não estamos preparados para abandonar o exame tradicional.

“Se olharmos para o horizonte, isto é daqui a cerca de 10 ou 15 anos, penso que estes testes moleculares podem vir a fazer parte dos exames utilizados para detectar o cancro cervical”, afirmou Runowicz, autora do editorial que acompanha o estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

Os investigadores da Universidade de McGill analisaram aleatoriamente 10.154 mulheres com idades entre 30 e 69 anos. Entre as mulheres sujeitas ao exame do Papanicolau, três por cento tinham uma lesão cancerígena ou pré-cancerígena, uma taxa que subiu para os seis por cento no grupo de mulheres submetidas ao teste de ADN do HPV.

O exame do Papanicolau, criado por Georgios Papanicolaou nos anos 40, e também chamado de citologia, é utilizado há 50 anos para detectar o cancro do colo do útero.

Marta Bilro

Fonte: Canadian Press, Insider Medicine, Saúde na Internet.

Estudo revela novidades no diagnóstico do cancro do útero
Teste de ADN mais eficaz do que a citologia


A citologia, tradicional e para muitas mulheres atemorizante exame com vista ao diagnóstico do cancro do útero, poderá afinal estar já ultrapassado. Um estudo agora publicado no «New England Journal of Medicine» concluiu que a realização de um teste de ADN ao vírus do Papiloma Humano é mais eficaz na detecção da doença.

De acordo com os números aferidos no decurso da primeira fase de ensaios clínicos, levada a cabo por uma equipa de especialistas da McGill University, no Canadá, atestam que o teste de ADN é capaz de detectar 94,6 por cento das lesões pré-cancerosas sem gerar falsos resultados, enquanto o índice de eficácia da citologia se fica pelos 55,4 por cento. De acordo com Eduardo Franco, director do Departamento de Oncologia da Faculdade de Medicina da McGill, afirmou que as conclusões não surpreenderam os cientistas, tendo em conta que, antes mesmo de darem início ao estudo, que acompanhou mais de 10 mil mulheres dos 30 aos 69 anos, sabia-se já que a sensibilidade do exame de Papanicolau não era elevada.

Carla Teixeira
Fonte: Saúde na Internet

Novartis vai construir fábrica de biológicos em Singapura

O grupo farmacêutico suíço Novartis vai construir uma unidade de produção em Singapura, num investimento superior a 485 milhões de euros e que lhe servirá de suporte aos negócios no sector dos biofármacos.

O novo complexo vai começar a ser construído no inicio do próximo ano e deverá estar concluído no final de 2012. De acordo com a empresa, a fábrica vai criar 300 postos de emprego. O anúncio foi feito durante a cerimónia de abertura das suas novas instalações de produção de medicamentos naquela cidade-estado.

Segundo afirmou o ministro do comércio e indústria singapuriano, Lim Hng Kiang, este será o quinto investimento com vista à produção de biológicos em Singapura. Em 2006, a produção de biomédicos em Singapura atingiu os 11 mil milhões de euros, um aumento de 30 por cento face ao ano anterior, sublinhou o ministro.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Digital Journal, The Earth Times.

Mudança da hora pode afectar saúde

Estudo alemão aponta interferências no relógio biológico e ciclo circadiano

Um estudo publicado na versão online da revista «Current Biology» sugere que a mudança da hora legal - que aconteceu este domingo - pode ter efeitos prejudiciais na saúde a longo prazo, alegando que o ritmo biológico não se ajusta imediatamente.

"Pensamos que a mudança de tempo forçada pelas transições da mudança da hora é só uma hora, mas essa alteração tem de longe efeitos drásticos, quando vistos no contexto da mudança sazonal nos relógios biológicos ou ciclos circadianos", explicou a equipa alemã de investigadores.

Num primeiro estudo, foram avaliados os padrões de sono de cerca de 55 mil pessoas na Europa Central. De acordo com os cientistas, os resultados permitiram concluir que “o tempo biológico de dormir segue a progressão natural do amanhecer, segundo um tempo padrão que não é o estabelecido pela mudança legal da hora.”

No que concerne ao segundo estudo, este envolveu 50 pessoas e incidiu na análise do tempo de sono e de actividade durante as oito semanas que seguem a cada uma das duas mudanças de hora (Primavera e Outono) “tendo em conta as preferências de cada relógio biológico individual, ou “cronotipos”, das primeiras horas do dia ao horário nocturno”, informa a «Current Biology».

Os cientistas alemães revelaram ter constatado – relativamente à mudança da hora outonal – que “os níveis de actividade do sono se ajustam de forma mais rápida.” Na mudança primaveril, verificaram que “o tempo em que o organismo está activo não se ajusta à alteração da hora, especialmente naqueles que gostam de estar acordados até tarde”, sustentaram.

Face aos resultados, Till Roenneberg, da Universidade Ludwig-Maximilian, em Munique, concluiu que “de uma forma geral, o ciclo circadiano não se ajusta à transição da mudança da hora."

Raquel Pacheco

Fontes: www.current-biology.com/Agência Lusa/MNI
Dados preliminares de um estudo lançam suspeitas…
Vacina contra a sida pode facilitar contágio


Mais de três mil pessoas que participaram como voluntárias num ensaio clínico a uma vacina experimental da Merck contra a sida estão a ser aconselhadas pela companhia farmacêutica a realizar exames, depois de um estudo ter apontado a possibilidade de a própria imunização facilitar a propagação do vírus.

Segundo informações avançadas nesta sexta-feira pelas agências noticiosas Efe e Reuters, os investigadores enfatizaram o facto de ainda não disporem de dados suficientes para poderem afirmar com segurança se os voluntários submetidos à administração da vacina experimental se tornaram mais ou menos vulneráveis a um eventual ataque do vírus, admitindo que os dados preliminares dos ensaios clínicos, que foram interrompidos repentinamente no passado mês de Setembro, “são preocupantes”.
Mark Feinberg, vice-presidente para a área dos assuntos médicos e de saúde pública da Merck, esclareceu que “neste momento há um enorme manancial de dados a ser analisado”, depois de o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, entidade que co-patrocinou o estudo, ter indicado o surgimento de 24 casos de infecção por HIV entre os 741 participantes no estudo, que receberam pelo menos uma dose da vacina, contra apenas 21 infectados entre os 762 voluntários a quem, no ensaio clínico, foi administrado um placebo.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Reuters e Agência Efe

Monóxido de carbono: Alfama prova eficácia terapêutica

Empresa de biotecnologia portuguesa é a única no país e a segunda no mundo a desenvolver moléculas de CO para a saúde


O silêncio tomou conta da sala quando, na década de 90, Leo Otterbein, investigador na Universidade de Harvard, advogava a favor de um papel terapêutico para o monóxido de carbono (CO). Volvidos mais de dez anos, a Alfama – empresa de biotecnologia portuguesa – já deu provas mundiais do enorme potencial terapêutico do CO contra várias doenças.

Artrite reumatóide, aterosclerose, asma, trombose ou Alzheimer são algumas das doenças que estão na mira da Alfama através do desenvolvimento de pequenas moléculas que libertam monóxido de carbono (CORMs – CO Releasing Molecules). Combater as patologias, levando as doses certas, aos sítios certos do organismo humano é a missão da Alfama, há já cinco anos, num mercado (CORMs) que, embora em crescimento, se perspectiva gigantesco.


Fundada em 2002, esta empresa nacional possui uma tecnologia própria e inovadora, protegida por um pedido de patente internacional que cobre classes de moléculas libertadoras de CO, e com aplicação nos principais mercados mundiais. “Deste o início da actividade, a Alfama concebeu 170 CROMs e já sintetizou mais de 60, a maior parte dos quais, foram já testadas para parâmetros químicos e biológicos, com resultados muito positivos”, informa a farmacêutica.

A investigação é levada a cabo nos laboratórios do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) e do Instituto de Medicina Molecular (IMM). Paralelamente, a Alfama conta com parcerias estabelecidas desde a sua criação com várias empresas e institutos de investigação europeus de referência na área farmacêutica e biotecnologia, entre elas, constam entidades como a Serono e a gigante suiça Roche.

Em 2005, foi eleita a melhor start-up europeia, sagrando-se vencedora do Gate2Growth Venture Contest, da Comissão Europeia, a maior competição da Europa para empresas jovens provenientes de áreas tecnológicas que demonstrem alto potencial de crescimento. Nos primeiros meses de existência, a Alfama conseguiu angariar mais de 500 mil euros, sobretudo, provenientes de apoios governamentais.

A empresa tem presença internacional nos EUA através da Alfama, Inc, onde está sediada a organização legal e financeira da empresa. Recentemente, o seu trabalho atraiu o olhar de uma gigante farmacêutica norte-americana (IKARIA) com quem aceitou assinar acordo.


Efeito terapêutico em baixas doses

Não é novidade que o monóxido de carbono tem uma presença natural no organismo humano, desempenhando funções fisiologicamente importantes. A surpresa dá-se quando se fala em terapias com CO, isto porque, é reconhecido como um gás letal se administrado em volumes elevados. Desta forma, compreende-se que, tardiamente, tenha sido feita a descoberta, assim como, depreende-se que não foi tarefa fácil para os cientistas convencer o mundo de que este gás tem propriedades terapêuticas, nomeadamente, vasodilatadoras e anti-inflamatórias, entre outras.

De acordo com os especialistas, o tratamento com monóxido de carbono é tanto mais eficaz, quanto mais directamente for aplicado nos tecidos. Outro dos aspectos que a comunidade científica já assegurou é que o tratamento é feito muito abaixo dos níveis de toxicidade, ou seja, em doses pequenas.

Nuno Arantes-Oliveira é o rosto da Alfama e um dos mais reputados jovens empreendedores de Portugal. Doutorado em Genética, conquistou, também, distinção como cientista, sendo autor e co-autor de trabalhos de grande impacto.

“As moléculas que desenvolvemos têm a particularidade de serem desenhadas e produzidas de modo a poderem entrar no organismo, por exemplo, por via oral, e libertar o CO de uma forma controlável, nos locais onde ele é necessário”, esclareceu fonte da empresa, sublinhando que, com base nos resultados já obtidos em animais “sabemos, hoje, que estas moléculas podem realmente suprimir inflamações de uma forma, extraordinariamente eficaz, tendo, portanto, o potencial de virem a ser usadas no combate a um vasto leque de doenças graves.”

CO inalado para tratar malária

Recorde-se que, em Maio passado, foi noticiado na revista científica «Nature Medicine» que doses de monóxido de carbono (inaladas) podem inibir o surgimento de malária cerebral em animais expostos ao parasita. O mérito dos avanços no tratamento da doença foi português, os investigadores integram a Unidade de Malária do Instituto de Medicina Molecular e do Instituto Gulbenkian de Ciência que, mais tarde, anunciou um trabalho conjunto com a Alfama no sentido de testar a administração de CO por ingestão via oral, injectáveis ou intermusculares.

Em declarações à TVCiência, a autora principal do estudo, Ana Pamplona, explicou: “Neste trabalho nós demonstrámos que quando os ratinhos infectados com malária, neste caso, Plasmodium berghei ANKA, parasita específico de roedores, eram expostos a concentrações baixas de monóxido de carbono não desenvolviam malária cerebral.”

Na altura, a investigadora referia que a inalação “é um possível meio de levar o monóxido de carbono aos tecidos e aos alvos celulares que se pretendem” e destacando que a companhia de biotecnologia Alfama produz moléculas libertadoras de monóxido de carbono, anunciou: “Nós estamos a testar essas moléculas neste modelo experimental de malária cerebral, para ver se observamos os mesmos efeitos que vimos com o monóxido de carbono inalado.”
Recuperação de doentes transplantados

Recorde-se que, o farmacia.com.pt divulgou, recentemente, um outro estudo que reforça as propriedades terapêuticas do CO. Segundo a investigação conduzida por cientistas britânicos, pequenas doses de CO injectáveis ou soluvéis em água são benéficas para tratar doentes transplantados ou casos de artrite reumatóide e hipertensão pulmonar.

Ao que conseguiu apurara o farmacia.com.pt, em todo o mundo, existem apenas duas empresas que se dedicam ao desenvolvimento de CORMs. Ambas estão na fase de crescimento e uma delas é a Alfama. A empresa já publicou perto de 200 artigos científicos em revistas internacionais, entre elas, constam as famosas «Nature» e a «Science».

Raquel Pacheco

Fontes: http://www.alfama.com.pt/ /DE/Público/TVCiência/farmacia.com.pt

domingo, 28 de outubro de 2007

Malvinder Singh, CEO da companhia farmacêutica Ranbaxy
“Indústria dos genéricos vai continuar a crescer”


Por detrás do grande império da companhia farmacêutica indiana Ranbaxy, uma das maiores empresas na área do desenvolvimento de genéricos a nível mundial, há um homem que crê que a quota de mercado dos medicamentos sem marca vai continuar a crescer no mercado português, onde a Ranbaxy acaba de entrar. Malvinder Singh, CEO da firma indiana, esteve em Portugal.

Numa entrevista ao jornal «Médico de Família», o responsável pela Ranbaxy recordou que o mercado farmacêutico nacional evidenciou uma subida da quota de mercado dos medicamentos de um para 17 por cento, fenómeno que considerou “reflexo óbvio da receptividade crescente” dos portugueses aos medicamentos sem marca, embora esse não seja ainda, na sua opinião, um crescimento suficiente, na medida em que a quota de mercado dos genéricos deveria atingir no nosso país os 40 ou 50 por cento que já atinge em tantos outros países europeus.
Vincando a ideia de que a qualidade dos medicamentos genéricos é exactamente igual à dos compostos químicos comercializados pelas grandes multinacionais, Malvinder Singh afirmou que acredita que “a indústria dos genéricos vai continuar a crescer em Portugal”, mas acrescentou que, para isso acontecer, é importante que os médicos dêem o seu contributo, e “que continuem a apoiar a prescrição de produtos genéricos” ou, em alternativa, “permitam que as farmácias substituam os medicamentos prescritos, quando tal fizer sentido”, em termos de vantagens para o doente.
No seguimento de um período de 18 meses em que a companhia farmacêutica indiana concluiu 12 processos de aquisição de outras empresas, integrou a maior companhia independente de genéricos da Roménia, assumiu o controlo dos negócios daquela área no seio da GlaxoSmithKline em Espanha e Itália e tomou conta de uma firma importante no mercado do Benelux, o CEO da Ranbaxy disse que a empresa está atenta a novas oportunidades de negócio no espaço europeu, considerando que, “a nível global, a posição da Ranbaxy no mercado dos genéricos está consolidada: estamos no top das 10 maiores empresas do mundo e somos a maior empresa sediada num mercado de relevo, como é o indiano”.

Carla Teixeira
Fonte: «Médico de Família»
Pio Abreu, psiquiatra dos Hospitais Universitários de Coimbra
“Medicamentos bons estão a desaparecer”


Se é verdade que a Psiquiatria ainda vive muito na dependência do medicamento, segundo o psiquiatra dos Hospitais Universitários de Coimbra o “grande drama” daquela especialidade médica é mesmo o preconceito contra os fármacos mais antigos, eficazes mas mais baratos. Pio Abreu defende que “se os medicamentos forem baratos ninguém os vende, o Estado não assegura que continuem a existir, e o Infarmed muito menos”.

“É paradoxal e é uma tolice”, asseverou o clínico, numa entrevista publicada nesta semana pelo «Diário de Coimbra», em que disserta sobre muitas e diversas realidades ligadas à doença mental e às políticas de saúde no nosso país. Na opinião de Pio Abreu, essa dependência da Psiquiatria face ao medicamento “não tem de ser, necessariamente, um obstáculo, se os médicos souberem utilizar bem os medicamentos”. O problema – atesta – reside no facto de que “os medicamentos bons, os que já são antigos e muito baratos, estão a desaparecer”. No entanto, e apesar de serem alternativas “extremamente caras”, aponta a existência das psicoterapias e das reabilitações, que “implicam muitos recursos humanos”. Contudo, explica, “existem agora novas psicoterapias breves, coisas ligadas à hipnose ou aos movimentos oculares, por exemplo, eficazes e com menor custo”.

Carla Teixeira
Fonte: «Diário de Coimbra»
Semana do Diabético acontece de 7 a 14 de Novembro
Campanha solidária para sensibilizar os jovens


Numa antecipação de um conjunto de iniciativas que visa assinalar a Semana do Diabético, que tem lugar entre 7 e 14 de Novembro e culmina, na última daquelas datas, com o Dia Mundial da Diabetes, a Associação de Jovens Diabéticos de Portugal está a promover uma campanha de solidariedade para angariação de donativos que tem como mote a sensibilização dos mais novos e a desmistificação da diabetes de tipo 1 como doença incapacitante.

Em comunicado de imprensa enviado ao farmacia.com.pt, Paulo Madureira, doente diabético que preside à AJDP, alerta para o facto de a diabetes de tipo 1 ser actualmente “uma das doenças crónicas mais comuns entre os jovens”, e que, por não poder ser prevenida, na medida em que não tem relação directa com os hábitos de cada pessoa, pressupõe, quando é diagnosticada em crianças ou jovens, que estes estejam informados e aprendam a controlá-la. Segundo o responsável pela associação, “é fundamental que os jovens saibam que a doença não vai torná-los diferentes, mas compreendendo que terão de aprender a adoptar novas rotinas, de modo a continuarem a ser livres”.
A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal, que em 2005 criou o inovador conceito da Semana do Diabético, é uma instituição de solidariedade social sem fins lucrativos que assume como principal missão a desmistificação da diabetes de tipo 1 como uma doença incapacitante. Para cumprir esse objectivo, e contando sempre com o apoio de várias entidades, a AJDP organiza diversas actividades – como campos de férias ou a recente Expedição Atlas 2007, em que um grupo de doentes escalou o Monte Toubkal, em Marrocos –, sempre com a finalidade de contribuir para uma maior integração do diabético na sociedade.
No âmbito da nova campanha de solidariedade a associação dispõe de uma conta, com o NIB 003300000001796753318, para onde os interessados em apoiar esta causa poderão desde já canalizar os seus donativos. A ideia da Semana do Diabético surgiu em 2005, na reacção à ideia generalizada no seio da AJDP de que era preciso fazer com que os jovens e a sociedade em geral tomassem consciência da realidade da diabetes em Portugal (estima-se que a doença afecte actualmente cerca de 650 mil cidadãos portugueses, entre os quais haverá cerca de 10 por cento de crianças e jovens). “Formar, informar, esclarecer, desmistificar e promover o convívio e o desporto, a par de uma alimentação saudável, são apenas alguns dos objectivos da AJDP durante as comemorações deste programa, que é único em todo o mundo”, refere a associação.
Nas duas edições anteriores, em 2005 e 2006, a iniciativa permitiu a promoção de várias actividades, como rastreios para a população, jogos de paintball para jovens diabéticos, lançamento do livro «No pico da liberdade», caminhadas familiares, exposição de fotografias das actividades da associação e as Jornadas Viver a Diabetes, que este ano cumprirão também a sua terceira edição. Para este ano a AJDP promete “muitas surpresas”, abrindo o seu site, no endereço http://www.ajdp.org/, a todos os interessados em colaborar no projecto ou em sugerir ideias para um melhor resultado.

Sobre a diabetes
Tal como o farmacia.com.pt tem vindo a noticiar, os últimos dados da Federação Internacional da Diabetes apontam para a existência de cerca de 246 milhões de diabéticos em todo o mundo, prevendo-se que esse número possa ultrapassar os 380 milhões já em 2025. Todos os dias são diagnosticados 200 novos casos de diabetes de tipo 1 em crianças e jovems, havendo actualmente mais de 440 mil doentes com menos de 14 anos à escala global. Em Portugal serão cerca de 650 mil os diagnosticados com a doença, 10 por cento dos quais na sua forma mais grave.
Segundo explica a AJDP, “a diabetes é uma doença endócrina que se caracteriza pela fraca ou inexistente produção de insulina no pâncreas ou pela resistência à mesma, que conduz a um aumento de concentração de açúcar no sangue (glicemia). Essencialmente há dois tipos de diabetes: o tipo 1, ou diabetes mellitus, em que o pâncreas cessa de vez a produção de insulina, tornando necessária a sua administração por outra via (injecções diárias ou inalação), e o tipo 2, mais comum nos países mais avançados, em que o corpo apresenta resistência à absorção da insulina, apesar de ela circular no sangue do paciente”.
Ainda segundo a Associação de Jovens Diabéticos de Portugal, o segundo tipo de diabetes pode ter vários tratamentos: uma dieta um pouco mais rigorosa, comprimidos que visam diminuir a resistência à insulina ou, nos casos mais acentuados, a administração daquela substância, sendo sempre “essencial a prática de exercício físico”. Num último cenário, é ainda possível uma diabetes temporária, que é relativamente comum durante a gravidez (diabetes gestacional), ou no seguimento de uma outra doença.

Carla Teixeira
Fonte: AJDP, Comunicado de imprensa da Hill & Knowlton Portugal, farmacia.com.pt

sábado, 27 de outubro de 2007

Benefícios da cessação tabágica aparecem em apenas 20 minutos

Bastam 20 minutos sem fumar para a tensão arterial de um fumador descer, mas para que o risco de enfarte diminua são precisas 24 horas sem consumir qualquer cigarro, de acordo com a Associação Portuguesa de Pneumologia (APP).

A APP avisa também que a tosse e o cansaço, provocados pelo consumo continuado de tabaco, levam de um a nove meses a desaparecer e apenas 12 meses sem tabaco conseguem reduzir para metade o risco de contrair doença coronária.

Um fumador tem uma maior probabilidade de vir a sofrer de doenças cardiovasculares, do que alguém que nunca fumou, e só passados 10 a 15 anos é que o risco de ter doenças do coração fica igual ao de um não fumador.

Para reduzir para um terço o risco de enfarte e de morte é necessário passar um ano e esse risco só fica equivalente a um não fumador após três ou quatro anos. Contudo, para reduzir em 50 por cento o risco de acidente vascular cerebral é necessário que passem cinco anos depois de abandonado o vício do tabaco.

Os dados referentes aos benefícios da cessação tabágica indicam que só depois de 10 anos sem fumar é que se consegue diminuir o risco de cancro do pulmão, mas que, por mais tempo que passe, o órgão não volta ao normal, como o pulmão de um não fumador.

Relativamente à gravidez, deixar de fumar antes da gestação permite às mulheres terem crianças com o mesmo peso dos bebés nascidos de mães não fumadoras. Mesmo que a mulher continue a fumar até à 30ª semana, o peso do bebé será, ainda assim, superior aos filhos de quem fuma durante toda a gestação.

Durante a gravidez cerca de 30 por cento das mulheres optam por deixar de fumar, mas 80 por cento delas acaba por ter uma recaída depois do parto.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Lucro da Schering-Plough duplica

Aumento suportado por medicamentos contra o colesterol - Vytorin e Zetia

O lucro da Schering-Plough - companhia norte-americana de química e farmacêutica - duplicou no terceiro trimestre deste ano. A suportar o aumento estiveram as vendas dos seus medicamentos contra o colesterol: Vytorin e Zetia.

De acordo com a Bloomberg, o resultado líquido da Schering-Plough aumentou para os 750 milhões de dólares, ou 45 cêntimos por acção, no terceiro trimestre de 2007 face aos homólogos 309 milhões de dólares, ou 19 cêntimos por acção. O valor dos resultados ficou, no entanto, 2 cêntimos abaixo do esperado pelos analistas.

Para Barbara Ryan, analista do Deutsche Bank Securities, "a empresa apresentou resultados que ficaram abaixo das estimativas, o que surpreendeu, uma vez que, era esperado que beneficiassem da fraqueza do dólar face ao euro. A companhia está numa fase de transição com a compra da Organon", considerou.

Segundo o «Diário Económico», as acções da Schering-Plough seguem a perder 2,67 dólares, ou 8,2%, para os 30,04 dólares na abertura da sessão (segunda-feira). Os títulos do grupo já valorizam 38% desde o início do ano.

Raquel Pacheco

Fonte: Bloomberg/DE

Medicamentos para cancro e sida em breve nas farmácias

Infarmed anunciou que fármacos poderão ser dispensados nos próximos meses

As farmácias vão passar a vender medicamentos para o cancro e para a sida, revelou o Infarmed. Até agora, só os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) disponibilizavam estes fármacos. Embora prevista, a medida divide opiniões - ora agrada, ora continua a levantar vozes de discórdia…

É uma promessa antiga assumida pelo Governo e subscrita no «Compromisso com a Saúde» - tendo em vista a liberalização da propriedade das farmácias e a melhoria do acesso dos cidadãos aos medicamentos – assinado, dia 26 de Maio de 2006, entre a tutela e a Associação Nacional de Farmácias (ANF). Esta semana, finalmente, chegou a garantia de que o processo se encontra “em fase avançada”.

De acordo com o «Diário Económico» o anúncio foi feito pelo presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), Vasco Maria, depois de o ministro da Saúde ter asseverado que o processo de venda destes medicamentos fora dos hospitais está avançado.

“Está em fase adiantada a preparação da dispensa pelas farmácias de fármacos para o cancro e sida”, disse Correia de Campos, levando o presidente do Infarmed a revelar que “os medicamentos chegam às farmácias nos próximos meses.”

"Perigo para a Saúde Pública"

A medida já suscitou reacções e, segundo os especialistas ouvidos pelo DE, a venda de medicamentos para o cancro e para a sida nas farmácias “pode ser um grande perigo para a saúde pública.”

Recorde-se que, em 2006, quando Correia de Campos anunciou a preparação desta medida que permite às farmácias a administração de medicamentos altamente "agressivos e dispendiosos" - nas palavras do ministro - a doentes com patologias como cancro, sida e doenças hematológicas, a Ordem dos Médicos (OM) rejeitou liminarmente a possibilidade.

Evocando constituir "um enorme risco para a saúde pública", o bastonário da OM, Pedro Nunes, argumentou (na altura) que “a toma de anti-retrovirais por doentes com sida fora do quadro da rigorosa vigilância médica actualmente seguida acarretaria o risco do surgimento de vírus resistentes aos medicamentos", sublinhando que "isso já aconteceu com o bacilo da tuberculose e poderá acontecer, também, com o vírus da sida."

Raquel Pacheco

Fonte: DE/OM

Fármaco para hepatite C crónica recebe estatuto fast track

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) concedeu o estatuto fast track ao tratamento experimental da hepatite C crónica, o R7128, desenvolvido pela companhia biofarmacêutica norte-americana Pharmasset Inc. e pela suíça Roche. O fármaco poderá ser um concorrente do Telaprevir, da Vertex, e do Boceprevir, da Schering-Plough.

O R7128 é um pró-fármaco, uma forma química modificada, do PSI-6130, inibidor oral da polimerase, nucleosídeo análogo da citidina do vírus da hepatite C (VHC), que está a ser desenvolvido pelas duas companhias. O fármaco está delineado para aumentar a absorção, distribuição e propriedades metabólicas do PSI-6130, que inibe o vírus da hepatite C de se reproduzir.

Foi concedido o estatuto fast track ao R7128 principalmente devido à necessidade de tratamentos do VHC com novos mecanismos de acção, administração oral, perfis de resistência diferentes e melhor segurança e eficácia do que os padrões de cuidados de saúde existentes, tanto para tratamento de pacientes naive, como para o tratamento de pacientes experientes.

A Pharmasset está actualmente a inscrever um ensaio inicial para avaliar o R7128 em combinação com as terapias correntes para a hepatite C, Pegasys (interferão peguilado) e Copegus (ribavirina), da Roche.

Um analista da Stifel Nicolaus, Edward Nash, comentou que não espera que o R7128 seja aprovado antes de 2012, projectando a primeira parte dos lucros do fármaco em 65,4 milhões de dólares em 2012.

Em situações especiais, a FDA autoriza que o processo de pesquisa e registo de um novo fármaco seja feito num tempo mais reduzido. Os fármacos experimentais à procura de aprovação por parte da FDA recebem a designação de fast track quando são intencionados para o tratamento de doenças graves e potencialmente fatais, e que demonstram o potencial de ir ao encontro de necessidades ainda não atendidas para essas doenças.

A hepatite C é uma doença infecciosa de origem sanguínea que afecta o fígado, e é a principal causa da doença hepática crónica e de transplante do fígado. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que perto de 180 milhões de pessoas em todo o mundo, ou aproximadamente 3 por cento da população mundial, estão infectadas com o vírus da hepatite C.

A Pharmasset também está a desenvolver o Clevudine, que se direcciona para o vírus da hepatite B, e o Racivir, uma terapia para o VIH para ser utilizado em combinação com outros fármacos aprovados para o VIH.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, CNNMoney

Excisão de amígdalas pode piorar qualidade de sono infantil

Investigadores analisaram sono de 55 crianças nas 5 noites antes e 5 noites após a cirurgia

Retirar as amígdalas pode piorar a qualidade do sono das crianças. A conclusão saiu de um estudo norte-americano publicado na revista «Journal of Pediatric Psychology».

De acordo com os investigadores da Yale School of Medicine, os resultados apontam para uma queda importante na qualidade do sono das crianças, após a excisão das amígdalas. “Pelo menos um terço dos participantes (55 crianças) manifestou redução da eficiência do sono após a cirurgia”, anunciou a equipa norte-americana.

Neste um terço, constataram ainda que, as mais predispostas à diminuição da qualidade do sono "incorreram em maior magnitude de dor pós-operatória e revelaram ser crianças com pior relacionamento social e ansiosas.”

Os cientistas da Yale analisaram as modificações no padrão de sono de 55 crianças, com idades entre 6 e 12 anos, as quais foram acompanhadas nas 5 noites antes e 5 noites após a cirurgia.

As amígdalas - massa de tecido linfóide, em forma oval, que se situa na garganta - fazem parte do sistema imunitário. No entanto, se por um lado, podem proteger contra as infecções do tracto respiratório superior (bactérias e vírus), por outro lado, podem ser foco de obstruções e infecções de repetição, abrindo caminho a problemas de audição e respiração. Perante este quadro, sofrem um crescimento excessivo sendo a excisão, em muitos casos, a solução a seguir.

Raquel Pacheco

Fonte: Journal of Pediatric Psychology

Vacina experimental para o cancro da Antigenics mostra-se promissora

A companhia biotecnológica norte-americana Antigenics Inc. revelou que a vacina experimental Oncophage (vitespen), uma terapia estimuladora do sistema imunitário, demonstrou efectividade em pacientes com cancro do cérebro recorrente.

Os dados de fase intermédia, de um pequeno estudo realizado em 12 pacientes com glioma de alto grau, revelaram que 11 dos pacientes que receberam Oncophage aumentaram a sobrevivência por mais 6,5 meses, desde a altura da recorrência. O glioma é um tipo de cancro que afecta o sistema nervoso central que começa nas células gliais, isto é, nos tecidos conectivos que envolvem e suportam as células nervosas.

O estudo também revelou que todos os pacientes demonstraram uma resposta imune significativa específica de tumores, após a vacinação com o Oncophage. Além disso, os pacientes com doença residual mínima, na altura da primeira vacinação, mostraram mais probabilidades de sobreviver para além de nove meses, em comparação com pacientes com doença residual significativa. Os investigadores não identificaram qualquer efeito adverso ou toxicidade que possam ser atribuídos à vacina.

O Oncophage, copiado do tumor individual de cada paciente, está delineado para programar o sistema imunitário para atingir as células cancerígenas desse mesmo paciente. O Oncophage foi associado a um bom perfil de segurança, e foi-lhe concedido pela FDA as designações de “fast track”, em situações especiais a FDA autoriza que o processo de pesquisa e registro de um novo fármaco seja feito num tempo mais reduzido, e de fármaco órfão, tanto no melanoma metastizado, como no carcinoma das células renais.

A Antigenics recentemente submeteu um pedido ao Ministério de Saúde Pública russo para receber autorização de comercialização do Oncophage como tratamento adjuvante para pacientes com cancro dos rins de risco intermédio.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, Forbes, www.antigenics.com

Siemens aumenta sistema de pesquisa e monitorização do HIV-1

Aperfeiçoamento traz maior rendimento e flexibilidade aos laboratórios

O Kit de Genótipo de HIV-1 (Trugene) e o Sistema OpenGene de Sequenciamento Aberto de DNA contam, agora, com o suporte do iMac OSX, sistema operacional da Apple, anunciou a Siemens Medical Solutions Diagnostics.

Segundo explicou David Okrongly, vice-presidente da Siemens Medical Solutions Diagnostics, “o sistema Trugene, baseado no iMac OSX, permite que os laboratórios tenham melhor rendimento e flexibilidade durante a pesquisa e monitoração do HIV-1."

O também director de Diagnósticos Moleculares da empresa alemã acrescentou que o produto “é uma solução integrada composta de hardware, software e produtos químicos para identificação de mutações de resistência relevantes no HIV que é agora aperfeiçoada com o sistema iMac OSX”, frisando que “os usuários observarão mais eficiência com o novo software OpenGene 4.0, uma melhor gestão de dados e capacidades simplificadas de interconexão.”

David Okrongly destacou que a Siemens “tem o compromisso de oferecer soluções de sequenciamento clinicamente validadas e comprovadas para os nossos clientes de diagnóstico molecular que permitem que os médicos personalizem o tratamento do paciente."

O sistema está disponível na Europa, região Ásia-Pacífico, Canadá, América do Sul e América Latina como um produto com a marcação CE (Conformidade Europeia).

Raquel Pacheco

Fonte: PRNewswire/www.siemens.com/diagnostics

Kosan e Roche terminam parceria para novo anticancerígeno

A Kosan Biosciences Inc e a farmacêutica Roche vão por termo ao acordo de colaboração estabelecido entre as duas empresas com vista ao desenvolvimento e comercialização do epothilone e que deveria dar origem a um novo medicamento destinado ao tratamento do cancro.

A Kosan, que iniciou a parceria com a Roche em Setembro de 2002, diz agora que, após um período transitório, irá readquirir os direitos mundiais de desenvolvimento do KOS-1584 e de outros produtos candidatos com base no epothilone.

Tendo em consideração “as nossas conversações com a Roche acreditamos que o fim da colaboração do epothilone foi provocado por uma reorganização das prioridades de pesquisa e desenvolvimento do grupo Roche e não pelo valor do programa do epothilone”, afirmou o presidente e director executivo da Kosan, Robert G. Johnson.

A substância pertence a uma nova classe de medicamentos que actuam impedindo a divisão adequada das células e, desta forma, inibindo a propagação da doença.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, PR Newswire, CNN Money.

Wyeth quer aprovação para utilizar Tygacil no tratamento da pneumonia

A farmacêutica Wyeth submeteu uma candidatura de aprovação suplementar à Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) para comercializar o Tygacil (Tigeciclina) enquanto tratamento para a pneumonia. O antibiótico é actualmente utilizado em pacientes com infecções complicadas da pele e tecidos moles e infecções complicadas intra-abdominais.

De acordo com o laboratório a candidatura já foi aceite pela FDA que vai analisar a nova indicação proposta pela Wyeth para utilizar o Tygacil em pacientes que sofrem de pneumonia adquirida na comunidade, uma infecção pulmonar grave com risco de morte significativo.

Dois ensaios clínicos que envolveram a participação de 846 doentes demonstraram que o medicamento curou cerca de 90 por cento dos pacientes hospitalizados com pneumonia adquirida na comunidade. A taxa de sucesso para o Levaquin (levofloxacina), o tratamento habitualmente utilizado nestes casos, situa-se nos 86 por cento, afirmou a Wyeth.

O fármaco insere-se na classe das glicilciclinas, antibióticos que são eficazes no combate a algumas bactérias que desenvolveram resistência a outros antibióticos.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, CNN Money, Infarmed, Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Descoberta molécula que bloqueia multiplicação do HIV

Um grupo de investigadores do Instituto de Genética Molecular de Montpellier, França, desenvolveu um protótipo de medicamento capaz de bloquear a multiplicação do vírus da sida, revela um artigo publicado na revista norte-americana Plos Pathogens.

A molécula química, desenvolvida em testes laboratoriais, ataca os mecanismos celulares que usam o VIH (vírus da imunodeficiência humana) para se multiplicar, enquanto os actuais fármacos tentam atingir os próprios mecanismos do vírus.

“Em vez de atacar os componentes que o vírus transporta consigo, nós pretendemos atingir aqueles que são usados na célula”, afirmou Jamal Tazi, investigador do Instituto Genético e Molecular, citado pela agência France Press.

De acordo com os responsáveis pelo estudo, a descoberta pode abrir portas a “uma nova estratégia para desenvolver uma classe inovadora de medicamentos ani-HIV” que permitam evitar que o vírus, ao longo de mutações e adaptações sucessivas, encontre uma forma de resistir à acção do medicamento.

Os vírus assemelham-se a"envelopes" de proteínas carregados de material genético e que necessitam de entrar em células vivas para se reproduzirem. Ao infectar uma célula imunitária, o VIH introduz o seu próprio material genético no ADN e desvia o mecanismo celular em seu proveito para produzir novamente o vírus. Numa das primeiras fases, é necessária a produção de ARN (ácido ribonucleico), espécie de intermediário do ADN, que serve para fabricar proteínas virais.

A molécula química (ICD16) descoberta pelos cientistas do Instituto de Genética Molecular e da Universidade de Montpellier tem capacidade para impedir a maturação dos ARN do vírus. A partir de um «ARN pré-mensageiro», a maquinaria celular produz uma espécie de trabalho de reconstrução: as enzimas retiram as partes consideradas intrusas e voltam a colar os pedaços restantes para constituir o ARN mensageiro. Este processo é bloqueado graças a uma molécula química testada, que é eficaz tanto nos vírus criados em laboratório como nos vírus isolados em pacientes.

No entanto, são ainda necessários testes laboratoriais exaustivos levados a cabo em animais e ensaios clínicos com seres humanos para que se possa garantir a segurança e eficácia da molécula descoberta, um processo que deverá demorar ainda alguns anos.

Marta Bilro

Fonte: AFP, Diário Digital, Lusa.

FDA reavalia genérico do Wellbutrin XL

Doentes queixam-se de dores de cabeça e ansiedade provocadas pelo Budeprion XL

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) está a investigar um conjunto de queixas associadas a uma versão genérica do antidepressivo Wellbutrin XL (Bupropiom). Os utentes terão reportado a ocorrência de dores de cabeça, ansiedade e outras indisposições depois de tomarem o medicamento.

O FDA está também a reavaliar a fórmula científica do fármaco, denominado Budeprion XL, depois de um grupo de consumidores ter publicado os resultados de um estudo que demonstravam diferenças chave entre este medicamento e o original de marca.

Os testes, levados a cabo pelo ConsumerLab.com, surgiram depois dos doentes que estavam a ser tratados com o Budeprion XL começarem a queixar-se de que o medicamento provocava dores de cabeça severas, problemas digestivos, ansiedade, tremores e insónia. Depois disso, um outro portal, o peoplespharmacy.com, afirmou que mais de 250 pessoas se teriam queixado do fármaco.

O Budeprion XL é produzido nos Estados Unidos da América pela Impax Laboratories Inc. e comercializado pela farmacêutica israelita Teva Pharmaceutical Industries Ltd. O director financeiro da Impax, Arthur Koch, disse que a empresa está a estudar os resultados apresentados pelo ConsumerLab, salientando que o fármaco foi sujeito a uma avaliação científica completa.

De acordo com os ensaios divulgados pelo ConsumerLab, o Budeprion XL de toma diária única libertou 34 por cento do seu ingrediente activo duas horas depois da sua ingestão, comparativamente a 8 por cento para o medicamento original. “Tem sido um abrir de olhos para todos”, comentou Tod Cooperman, presidente do ConsumerLab.com em declarações à Associated Press. “Faz-nos questionar se os genéricos serão sempre equivalentes ao produto original. Se [o ingrediente activo] é libertado em escalas tão diferentes é difícil acreditar que actuarão da mesma forma no organismo”, acrescentou.

A FDA disse não poder disponibilizar dados que corroborassem a descoberta divulgada pelo ConsumerLab. “A FDA não pode fornecer exemplos nos quais os genéricos revelaram não actuar da forma esperada. A FDA tem muitos anos de experiencia em reavaliações de medicamentos genéricos e tem muita confiança na qualidade e equivalência dos medicamentos genéricos”, afirmou a entidade reguladora.

O Wellbutrin XL, comercializado em Portugal com o mesmo nome, não tem nenhum equivalente genérico no nosso país.

Marta Bilro

Fonte: Associated Press, International Herald Tribune, Pharmalot.

Discussão online sobre direitos de propriedade intelectual
Em defesa da inovação e da saúde pública


Foi lançado nesta quinta-feira, por um grupo de “opinion makers” de nível internacional, um fórum online que pretende fomentar o debate de questões relacionadas com a propriedade intelectual, a inovação na indústria farmacêutica, a protecção por patentes e a investigação na área da saúde pública. O debate está instalado no endereço electrónico http://www.essentialinnovation.org/.


Trata-se de um novo recurso global que se centra no diálogo sobre o papel dos direitos de propriedade intelectual na área da pesquisa e da inovação, onde também estarão disponíveis os comentários e as análises dos especialistas que tenham em conta a importância da inovação contínua e dos direitos de propriedade, bem como as consequências potencialmente nefastas de um enfraquecimento desses direitos em termos da saúde pública mundial. É um fórum sem precedentes na história da indústria farmacêutica mundial, que demonstra um elevado grau de cooperação entre investigadores, académicos, médicos e inventores de bens e produtos que visam salvar ou melhorar a vida dos seres humanos.
O novo site surge num momento em que tem sido crescente a onda de ataques à propriedade intelectual no desenvolvimento de novos fármacos, em que a organização Médicos sem Fronteiras francesa veio a público defender que “as patentes não constituem um factor relevante no estímulo da investigação e do desenvolvimento de novos produtos, enquanto a Tailândia e o Brasil violaram a lei, a coberto de um esquema que pretendia “mascarar” uma acção irregular de uma oferta de medicamentos mais baratos aos doentes, e a própria Organização Mundial de Saúde se prepara para, já no próximo mês, considerar a introdução de novas políticas que, de acordo com os especialistas, “enfraquecem significativamente a protecção intelectual de quem concebe e produz medicamentos.

Carla Teixeira
Fonte: PRNewswire

Atribuição de novas farmácias vai evitar concentração de propriedade

Ministério da Saúde nega que seja dada preferência a não farmacêuticos

Não existe qualquer dispositivo de preferência a não farmacêuticos nos concursos para novas farmácias”, a garantia foi dada esta quinta-feira pelo Ministério da Saúde através de um comunicado no qual desmente uma notícia publicada pelo Diário de Notícias que alegava que os não farmacêuticos seriam privilegiados nos concursos para abertura de novas farmácias. O que se pretende, segundo o ministério, é evitar a concentração da propriedade destes estabelecimentos.

Em causa estão as normas que vão reger a candidatura às cerca de 350 novas farmácias que aguardam para ser abertas, um ponto integrante do novo regime jurídico da propriedade das farmácias, mas que ainda está por regulamentar e que depende da consulta dos parceiros.

A intenção, refere o ministério, é evitar a concentração da propriedade. Nesse sentido, a proposta prevê “uma graduação dos concorrentes em função do número de farmácias, detidas, exploradas ou geridas, sendo graduado em primeiro lugar, em caso de igualdade, o concorrente com menor número de farmácias”.

O projecto de portaria determina que os proprietários de actuais farmácias - ou farmacêuticos que não sejam donos mas que estejam já ligados a um estabelecimento com funções de gestão - são preteridos em relação aos outros interessados que entram de novo no negócio. O importante, por isso, é ser novo no ramo, independentemente de ser ou não licenciado em farmácia.

Assim, um farmacêutico que não detenha a propriedade de qualquer farmácia não será preterido por qualquer outro membro da população que pretenda entrar no negócio. A regra aplica-se apenas aos farmacêuticos que já possuem um estabelecimento do género, com a intenção de evitar a concentração.

Atribuição por sorteio

Caso ambos os candidatos à abertura de novas farmácias se enquadrarem no “critério decisivo” para garantir o primeiro lugar, isto é, não tenham ligação a qualquer farmácia existente, é a sorte que vai ditar o vencedor.

De acordo com o Ministério da Saúde, o sorteio é o “único modo” equitativo, transparente e objectivo” para escolher a quem atribuir a exploração destes estabelecimentos à luz da nova lei que estabelece o regime jurídico da propriedade das farmácias e que entra em vigor no dia 1 de Novembro.

"Impõe-se como critério decisivo para a graduação o menor número de farmácias detidas, exploradas ou geridas pelo concorrente", lê-se no documento do Ministério da Saúde. O objectivo é limitar a concentração da propriedade que, segundo a nova lei, não pode ultrapassar os quatro estabelecimentos por pessoa ou sociedade.

A Ordem dos Farmacêuticos e a Associação Nacional de Farmácias (ANF) já reagiram ao projecto de portaria através da emissão de pareceres. A bastonária, Irene Silveira, refere que já mandou "sugestões para flexibilizar" os documentos. Por sua vez, a ANF alertou para o facto deste método não ter em consideração a qualidade das propostas. "Aparentemente, deixa de importar ao Estado a qualidade da assistência farmacêutica que cada um dos candidatos se propõe prestar".

Estas medidas inserem-se no “Compromisso com a Saúde” um protocolo assinado entre o Governo e a Associação Nacional das Farmácias (ANF), a 26 de Maio de 2006, tendo em vista a liberalização da propriedade das farmácias e a melhoria do acesso dos cidadãos aos medicamentos.

No entanto, o presidente da ANF, João Cordeiro, está descontente com o rumo das medidas previstas para o sector no âmbito deste compromisso. Durante o colóquio sobre a actividade farmacêutica, que decorreu terça-feira na Assembleia da República, o responsável acusou novamente o Ministério de avançar apenas com a parte do acordo que lhe interessa e de "adiar sucessivamente e sem justificação" a prescrição por princípio activo (DCI), a venda de medicamentos até aqui só dos hospitais e o alargamento de novos serviços nas farmácias. "Temo que o compromisso não seja integralmente cumprido, ou que avance com aspectos restritivos", afirmou aos jornalistas.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias, Diário Digital, Fábrica de Conteúdos, Ordem dos Farmacêuticos, Diário Económico.