segunda-feira, 15 de outubro de 2007

FDA reavalia administração de Tamiflu em crianças

O Comité de Aconselhamento Pediátrico da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) vai reavaliar a segurança do tratamento com Tamiflu (Oseltamivir) em crianças. A reunião está marcada para o dia 27 de Novembro, quase dois anos depois do medicamento ter sido associado à morte de pelo menos uma dúzia de crianças japonesas.

De acordo com uma nota informativa publicada no portal da FDA, o comité de especialistas deverá analisar os efeitos secundários neurológicos e comportamentais provocados pelo fármaco em crianças às quais o mesmo foi administrado. O Tamiflu está sujeito a uma avaliação anual desde que, em 2005, foram relatados casos de suicídio, alucinações e lesões auto-infligidas em pacientes que receberam o tratamento.

O ano passado, o comité de aconselhamento recomendou à Roche uma actualização à rotulagem da substância de forma a alertar para potenciais comportamentos irregulares em pacientes que estejam a receber o tratamento.

Recorde-se que, em Julho deste ano, uma família japonesa processou o ministério da saúde nipónico pela morte do filho que alegavam ter acontecido na sequência da ingestão de Tamiflu. De acordo com os familiares o rapaz terá saído de casa descalço quando foi atropelado por um veículo pesado, cerca de duas horas depois de tomar o medicamento.

Conforme foi noticiado pelo Farmacia.com.pt, o caso surgiu alguns meses depois das autoridades de saúde japonesas terem emitido avisos sobre a utilização do fármaco, indicando aos médicos que não o prescrevessem a doentes na faixa etária entre os 10 e os 19 anos, devido à detecção de dezenas de casos de mortes e ferimentos entre adolescentes aos quais este tinha sido administrado. A Roche negou qualquer relação entre a ingestão do medicamento e a ocorrência comportamentos fora do padrão normal.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, First Word, Farmacia.com.pt.

FDA aprova Isentress

Novo tratamento anti-HIV disponível nos EUA

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) deu luz verde ao Isentress (raltegravir), o novo tratamento da Merck contra o HIV e o primeiro na classe dos medicamentos anti-retrovirais denominados inibidores da integrase, que bloqueiam a intromissão do ADN do HIV no ADN humano. Fica assim disponível uma nova opção para os pacientes cujo vírus já desenvolveu resistência a outros medicamentos.

De acordo com a farmacêutica norte-americana, a FDA aprovou a utilização do Isentress em associação com outros anti-retrovirais no tratamento de pacientes com HIV-1, já submetidos a outras terapias anti-HIV, que demonstrem actividade do vírus mesmo depois de lhes terem sido administrados outros anti-retrovirais.

O Isentress é a primeira terapia anti-HIV desenvolvida pela Merck desde 1999. As estimativas dos analistas indicam que as vendas do fármaco poderão gerar mais de 700 milhões de euros, por ano, a nível mundial. Actualmente, cerca de 150 mil pacientes nos Estados Unidos da América poderão beneficiar do Isentreess, que deverá chegar ao mercado daquele país dentro de suas semanas, avançou o vice-presidente do departamento de doenças infecciosas e produtos hospitalares da Merck.

Os custos do tratamento deverão rondar os 18,96 euros por dia ou 7.000 euros anuais (27 dólares norte-americanos por dia ou 10.000 dólares por ano), um preço semelhante ao que é cobrado por outros fármacos anti-HIV recentemente desenvolvidos, revelou Amy Rose, porta-voz da empresa.

“Parece muito seguro, comparativamente a outras substâncias”, comentou Homayoon Khanlou, director de medicina na “AIDS Healthcare Foundation” e um dos investigadores envolvidos nos ensaios clínicos. “É muito forte em termos de supressão viral”, salientou o mesmo responsável. A aplicação do tratamento em pacientes órfãos está também a ser analisada pela Merck.

Esta é a segunda nova categoria de fármacos anti-HIV a chegar ao mercado durante este ano. O Selzentry, da Pfizer, recebeu recentemente aprovação da FDA e da Comissão Europeia e é o primeiro medicamento que actua através do bloqueio do CCRC, co-receptor que funciona como porta de entrada principal para o vírus nas células imunitárias humanas.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, First Word, Farmacia.com.pt.

Rinite alérgica afecta 21% das crianças em idade pré-escolar

Doença está “sub-diagnosticada e sub-tratada” alerta a SPAIC

A rinite alérgica afecta 21 por cento das crianças em idade pré-escolar, revela o primeiro estudo português que avaliou a prevalência de doenças alérgicas em crianças entre os 3 e os 5 anos de idade. Os resultados do ARPA KIDS, realizado pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), vão ser apresentados esta quarta-feira, às 10 horas, no Museu das Crianças, no Jardim Zoológico de Lisboa.

A SPAIC avaliou a prevalência da rinite alérgica e de sintomas de asma em mais de 5000 crianças. Os resultados demonstram que a doença “está sub-diagnosticada e sub-tratada, não recebendo cuidados médicos num número significativo de casos”, referem os responsáveis.

A asma poderá atingir um quarto desta faixa etária da população, sendo que apenas um quinto tinha o diagnóstico já estabelecido. Confirma-se, por isso, “que a alergia começa na infância, pelo que a prevenção deve acompanhar esta tendência”, refere um comunicado da SPAIC enviado ao Farmacia.com.pt.

Entre as queixas de rinite, o nariz congestionado por mais de uma hora seguida foi o principal sintoma citado, sendo que 25 por cento das crianças teve pelo menos uma crise de falta de ar no último ano. Os sintomas são “crónicos” e “muito perturbadores da qualidade de vida das crianças em idade pré-escolar”, alerta a SPAIC.

A rinite é uma inflamação da mucosa nasal e constitui uma patologia muito frequente na população, sendo que a sua principal causa são os alergénios, como os ácaros, fungos, pólens, faneras de animais e látex.

Os sintomas típicos são caracterizados por crises de espirros, congestão e obstrução nasal, corrimento aquoso e sensação de pressão na cabeça. A comichão nasal é muito frequente podendo envolver, também a garganta, ouvidos e olhos.

No tratamento farmacológico da rinite alérgica podem ser aplicados anti-hístamínicos orais (Buclizina, Dexclorofeniramina, Cetirizina, Ebastina), anti-Inflamatórios (corticosteroides intranasais e anti-Ieucotrienos) ou descongestionantes nasais (Efedrina, Fenilefrina, Nafazolina). Pode também optar-se pela imunoterapia específica através da aplicação da vacinação anti-alérgica.

Marta Bilro

Fonte: E-mail do Farmacia-Press, SPAIC.com, Médico Assistente online, Farmácia Técnica.

Revista Idade Maior é apresentada esta quarta-feira

Publicação salienta a importância de viver com saúde depois dos 55 anos

A pensar nos interesses e na saúde dos adultos com mais de 55 anos de idade vai ser apresentada, esta quarta-feira, a Revista Idade Maior, uma publicação gratuita e especialmente dirigida àquela camada de público, que surge agora num novo formato. A exibição vai decorrer na Universidade de Lisboa Para a Terceira Idade, às 10h30, e conta com a presença de vários oradores que alertam para as questões de saúde a partir dos 55 anos.

“Viver com saúde depois dos 55” é o mote para a palestra que será ministrada pelo geriatra João Gorjão Clara, Coordenador do Grupo de Investigação e Tratamento do Doente Idoso e Director do Serviço de Medicina Interna II do Hospital Pulido Valente, que vai abordar a temática dos cuidados de saúde na Idade Maior. Para salientar a importância da actividade física em todas as idades estará presente o fisisatra Manuel Martins. Por sua vez, a apresentadora Luísa Castel-Branco vai destacar a necessidade de enfrentar a doença de forma positiva.

Fruto de uma parceria entre a farmacêutica Pfizer, a Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa e a Direcção-Geral de Saúde, a iniciativa integra-se no projecto Idade Maior, iniciado em 2005 com o objectivo incentivar comportamentos saudáveis e educar para a gestão da doença junto dos adultos de idade maior (maiores de 55 anos).

O novo formato da publicação centra-se cada vez mais na saúde, uma questão prioritária nesta faixa etária, sem esquecer a vertente mais lúdica que oferece também passatempos ao leitor. A revista pode ser encontrada nos Centros de Saúde de todo o País e ainda nas Câmaras Municipais, Centros de Dia, Sociedades Recreativas, Universidades da Terceira Idade e outros locais de interesse público.

Emília Barradas de Noronha, Directora da Universidade de Lisboa para a Terceira Idade, será a anfitriã deste evento, no qual participa também Carlos Macedo, Director de Assuntos Governamentais e Públicos da Pfizer.

Marta Bilro

Fonte: E-mail do Farmacia-press, Pfizer.

Encontros bimestrais em Lisboa
Farmacêuticos debatem regulamentação


Hélder Mota Filipe, vice-presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) preside no dia 8 de Novembro, em Lisboa, ao primeiro de uma série de encontros bimestrais promovidos pelo Colégio da Especialidade em Assuntos Regulamentares da Ordem dos Farmacêuticos para debater temas relevantes naquela área.

Segundo avança a OF na sua página online, a conferência deste ciclo tem como título «Responsabilidade farmacêutica no âmbito dos Assuntos Regulamentares», e deverá decorrer nas instalações do Hotel Dom Pedro Palace, na capital, a partir das 18h30, visando proporcionar aos profissionais de Farmácia uma oportunidade única para analisarem e debaterem, com diversos especialistas na área, o papel da classe no contexto da regulamentação do sector, que fruto da iminente aplicação de nova legislação anunciada pelo Governo – que concretiza, entre outros aspectos relevantes, a liberalização da propriedade das farmácias – atravessa uma fase de mudança e de consequente adaptação a novas regras.
Neste primeiro encontro dinamizado pelo Colégio de Especialidade em Assuntos Regulamentares da Ordem dos Farmacêuticos deverá ser tida em conta, para discussão, a questão da responsabilidade dos profissionais do sector, bem como as competências adicionais que lhe serão exigidas e o impacto que essas novas normas terão nas organizações em que desempenham funções. Nesta reunião e nas que hão-de seguir-se no âmbito deste ciclo, poderão participar todos os farmacêuticos especialistas em Assuntos Regulamentares interessados, bastando para tal comunicar a sua presença através do e-mail colegios@ordemfarmaceuticos.pt.

Perfil
Nascido em Mafra no dia 8 de Outubro de 1965, Hélder Dias Mota Filipe concluiu a sua licenciatura em Ciências Farmacêuticas em 1990, pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Na mesma altura iniciou actividade docente, na qualidade de professor assistente estagiário e investigador. Em 1996, na mesma academia, obteve o grau de doutor em Farmacologia, tendo concluído o seu pós-doutoramento em 1999 no William Harvey Research Institute, em Londres. Enquanto investigador esteve ligado à Comissão de Avaliação de Medicamentos, à Comissão Nacional de Ética para a Investigação Clínica e à equipa de peritos da Agência Europeia do Medicamento, tendo também feito parte da direcção da Sociedade Portuguesa de Farmacologia, entre outras actividades de índole internacional.
Segundo adianta o Infarmed na sua página online, ao longo da sua carreira Hélder Mota Filipe terá sido “autor de mais de uma centena de comunicações a reuniões científicas e de mais de 40 artigos em diversas publicações internacionais nas áreas da Farmacologia e da Medicina Experimental”. Actualmente exerce a missão de professor associado de Farmacologia e Imunofarmacologia, e em simultâneo é investigador da Unidade de Farmacologia e Farmacotoxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Desde 2005 acumula ainda, em parceria com Luísa Carvalho, a vice-presidência da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde.

Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos, Infarmed

domingo, 14 de outubro de 2007

Reduzir impacto das embalagens de medicamentos
Prémio Valormed formalmente criado

Foi formalmente criado, na passada sexta-feira, o Prémio Valormed, que tem a chancela da empresa homónima, que trabalha na área da gestão dos resíduos de embalagens e de medicamentos fora de uso. O galardão, cuja criação surge enquadrada num protocolo firmado entre a Valormed e a Universidade Nova de Lisboa, pretende acima de tudo incentivar o desenvolvimento de trabalhos científicos ou de projectos que minimizem o impacto ambiental daquele tipo de lixo.

José Carapeto, director-geral da Valormed, disse, em declarações ao portal Ambiente Online (www.ambienteonline.pt) que "a formação, a educação e a sensibilização ambiental junto do público" constituem uma "característica fundamental" da acção da empresa. O protocolo com a UNL dá, na opinião daquele responsável, um passo mais além na prossecução desses objectivos, pretendendo funcionar como um "incentivo à comunidade científica e empresarial para que apresente estudos e projectos tendentes a minimizar o impacto ambiental dos produtos colocados no mercado pelo sector farmacêutico". A fim de monitorizar a apresentação desses projectos a empresa pretende criar uma comissão que coordenará e acompanhará as actividades desenvolvidas. Desse órgão farão parte elementos representantes das duas entidades signatárias do acordo.
De acordo com informações avançadas pela Valormed, 98 por cento das farmácias portuguesas integram o projecto ambiental de recolha de resíduos de embalagens e medicamentos fora de uso concebido e implementado pela empresa. A notoriedade alcançada por aquele projecto permitiu, já no ano passado, que a Valormed celebrasse um protocolo com a Universidade de Coimbra, tendo igualmente como objectivo a promoção, em parceria com a academia universitária, de iniciativas para sensibilização da sociedade nas áreas da educação ambiental em saúde pública e do desenvolvimento sustentável.

Carla Teixeira
Fonte: Ambiente Online, Valormed
Defende o coordenador do programa nacional contra a sida
Preço dos anti-retrovirais deve baixar


Os medicamentos utilizados no tratamento da infecção causada pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) são muito caros e pouco acessíveis aos doentes que mais necessitam deles. Quem o diz é o coordenador do programa nacional de luta contra a sida, Henrique de Barros, que preconiza a adopção de “medidas urgentes”, a fim de “garantir a saúde das populações”.

De acordo com aquele responsável, é evidente a necessidade de baixar “verdadeiramente” o preço dos medicamentos para combate às infecções causadas pelo HIV, bem como a adopção de medidas que garantam a igualdade no acesso ao tratamento para indivíduos migrantes e autóctones das zonas onde esse cuidado é requerido. “Há mais pessoas que se infectam por cada dia que passa do que as que têm acesso à medicação, e os fármacos são excessivamente caros”, disse Henrique de Barros à margem da reunião internacional de coordenadores dos programas contra o HIV, realizada em Lisboa neste sábado, sustentando igualmente que “há diversas dificuldades a superar para garantir a saúde das populações”.
Para facilitar o acesso aos medicamentos, o coordenador nacional defende o fim de “falsas barreiras", a fim de impedir que se ergam muros no que dis respeito ao acesso ao tratamento, publicitando os caminhos que as pessoas carenciadas desse cuidado podem seguir para chegarem àquilo de que precisam”. Dados do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge revelam que em Junho passado havia em Portugal 31.677 casos notificados de sida (mais 2.216 do que em igual período do ano passado). A principal via de infecção é, à luz do mesmo estudo, a via venosa, associada à toxicodependência, que representa 44,4 por cento das 14.061 notificações então registadas. A segunda via mais comum de transmissão da sida é actualmente o contágio sexual entre indivíduos heterossexuais (38,9 por cento), e a terceira a transmissão entre homossexuais, que abrange 11,9 por cento dos casos.
Ainda de acordo com Henrique de Barros, as taxas de utilização do preservativo em Portugal são ainda "tão baixas" que é preciso dar continuidade às campanhas de sensibilização cuja mensagem se centra exactamente nesse aspecto. Segundo aquele responsável, "é fundamental modificar a situação", já que só "quando atingirmos os níveis dos melhores países europeus poderemos começar a dirigir esforços também para outros aspectos". O actual coordenador do programa nacional de luta contra a sida é um epidemiologista da Universidade do Porto e assumiu aquelas funções no mês de Julho de 2005, na sequência da demissão de António Meliço-Silvestre da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida, alegadamente por falta de apoio do Governo, e depois de o ministro da Saúde, Correia de Campos, ter decidido efectuar uma alteração naquela estrutura, que passou pela extinção da comissão e pela afectação do combate à sida ao Alto Comissariado da Saúde.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, Portugal Diário, Serviço de Higiene e Epidemiologia da Faculdade de Medicina do Porto

sábado, 13 de outubro de 2007

Infarmed deixa medicamentos sem vigilância

Despedimento da directora de Farmacovigilância terá originado a paragem do serviço há já duas semanas

Está parada, há duas semanas, a vigilância sobre a segurança e as reacções adversas dos medicamentos (RAM). A notícia foi ventilada pelo semanário «Sol» e terá sido refutada pelo Infarmed, entidade nacional responsável pela farmacovigilância.

Segundo as informações avançadas por aquele semanário, o serviço terá deixado de funcionar na sequência do despedimento, em Setembro, da directora do departamento de Farmacovigilância.

O «Sol» divulga ainda que, num acto de “solidariedade” para com a directora despedida, “a maioria dos médicos que colaboravam com aquele sector decidiu demitir-se.”

A farmacovigilância é um serviço público da responsabilidade da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed). No sentido de obter uma reacção do Infarmed, o farmacia.com.pt contactou fonte daquela entidade, mas a tentativa revelou-se infrutífera. No entanto, em declarações àquele jornal, o Infamed terá asseverado que “o serviço continua a funcionar normalmente.”

Raquel Pacheco
Fonte: Sol

Recolha do Lauroderme creme

Infarmed ordena a suspensão imediata da comercialização do medicamento

A Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) emitiu um comunicado “urgente” em que alerta para a decisão tomada voluntariamente pela firma Farmoquímica Baldacci, S.A., de proceder à recolha dos lotes n.º 05006, val: 03/2011 e n.º 26605, val: 12/2010 do medicamento Lauroderme creme, com registo de AIM n.º 3395993.

Assinada por Hélder Mota Filipe, do conselho directivo do Infarmed, a circular informativa esclarece que na origem da decisão estão as análises laboratoriais realizadas na Direcção de Comprovação de Qualidade do Infarmed I.P., onde se verificou que os lotes de medicamento supramencionados se encontram “fora de especificações no que respeita ao parâmetro “espalmabilidade”, uma vez que o creme apresenta grumos e provoca sensação de granulosidade ao tacto.”

Em virtude desta situação, o departamento de Inspecção Infarmed ordenou a suspensão imediata da comercialização dos referidos lotes de medicamento.

Raquel Pacheco
Fonte: Infarmed

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Em 2010, apenas um terço dos infectados com VIH terá acesso a tratamento

A estratégia global de combate ao VIH/Sida não convence o director da ONUSIDA, Michel Sidibe, que defendeu sexta-feira em Lisboa que, ao ritmo actual, apenas um terço das pessoas infectadas terão acesso a tratamento em 2010.

“O ritmo da nossa acção é muito lento e, vamos ser realistas, se continuarmos a este ritmo, em 2010 teremos apenas 4,6 milhões de pessoas a receberem tratamento, o que representa apenas um terço dos 13 milhões de pessoas que precisam de tratamento”, disse Michel Sidibe.

O responsável da ONU expressou a sua preocupação para com o futuro do combate à doença, no discurso que proferiu na sessão de abertura da reunião de coordenadores de programas nacionais de infecção VIH/Sida, realizada no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia e que reúne no Centro Cultural de Belém representantes de cerca de 50 países.

Sidibe lembrou também que, em 2006, mais de 135 países estabeleceram o acesso universal ao tratamento com anti-retrovirais como meta para o final da década. Contudo, o contributo da União Europeia será “fundamental” para a adopção de um compromisso político sobre a sida, é preciso agora que os países-membros assumam a “grande responsabilidade de transformar as palavras em acções”, considera Sidibe.

“Temos que liderar pelo exemplo e se queremos assegurar acesso universal à prevenção, tratamento e apoio em 2010 temos que estar preparados para agir e traduzir palavras por actos. Sabemos o que fazer é tempo de agir”, defendeu.

No entanto, para o responsável da ONUSIDA o desafio não passa apenas pelo acesso universal ao tratamento, já que por cada pessoa que inicia o tratamento há seis que são infectadas, é preciso reconhecer também o carácter “vital da prevenção”.

Michel Sidibe destacou ainda a vulnerabilidade à doença dos migrantes, lembrando que em muitos países não existe acesso aos cuidados básicos de saúde. “Quando estão muito tempo longe das famílias os migrantes tornam-se vulneráveis e é mais provável que tenham sexo ocasional. É extremamente importante que tenham acesso a serviços de prevenção e tratamento do HIV/sida, mas frequentemente encontram-se nas margens da sociedade, onde não acedem aos cuidados que precisam”, sublinhou.

Nesta matéria, Sidibe considera que Portugal é um bom exemplo, pois fornece cuidados de saúde aos imigrantes infectados pelo HIV/sida e implantou o programa de troca de seringas, que se tem revelado eficaz na prevenção da doença.Também presente na abertura da reunião esteve o ministro português da Saúde, Correia de Campos, que reafirmou que a sida “está na agenda política” da União Europeia, depois de ter sido assumida como uma prioridade pela presidência alemã da UE.

Para Correia de Campos, é necessário fomentar a colaboração entre as autoridades nacionais, regionais e locais e entre estas e a industria farmacêutica e as organizações da sociedade civil, no sentido de promover o acesso universal ao tratamento da doença com mais medicamentos e mais baratos.

Segundo o ministro, uma luta conjunta contra a epidemia traria benefícios para todos os países, mas para tal seria necessário criar um “mecanismo formal” que permita aos coordenadores nacionais da sida reunirem-se pelo menos cada dois anos.

Correia de Campos considerou ainda que a questão da sida tem sido negligenciada e que é preciso dar maior atenção à cooperação entre governos e ONG’s, envolvendo também a sociedade civil.

Calcula-se que no mundo existam 45 milhões de pessoas infectadas com o HIV/Sida, por dia são infectadas mais de 15 mil pessoas e todos os anos registam-se cerca de 3 milhões de mortes devido à doença.

Inês de Matos

Fontes: Lusa, Diário Digital, www.sida.pt

Farmacêutica lusa distinguida com «VPP Star»

Padrões de segurança no trabalho valeram galardão norte-americano à empresa portuguesa

“Mais uma prova que deste jardim à beira-mar plantado (Portugal) nasce do melhor que há.” Foi assim que reagiu Guy Villax, administrador-delegado da farmacêutica portuguesa Hovione (com filial nos EUA) que foi distinguida com a insígnia «VPP Star». Um galardão norte-americano que premeia os altos padrões de segurança no trabalho.

A Hovione Nova Jérsia, fundada em 2001, em East Windor, Nova Jérsia, é uma filial da Hovione FarmaCiência, em Loures, Portugal, uma fábrica de ingredientes farmacêuticos activos, usados para a criação de novos fármacos.

Em comunicado distribuído pela Hovione, Guy Villax disse sentir “muito orgulho em apenas seis anos de laboração, ter conseguido este reconhecimento pelas autoridades americanas.” A insígnia VVP Star é atribuída a uma empresa quando esta é incluída no exigente Programa de Protecção Voluntária daquela divisão do Departamento do Trabalho do governo federal norte-americano.

Para alcançarem este galardão, as empresas têm de apresentar registos de pelo menos três anos de laboração com perfeito cumprimento das normas de segurança e de higiene no trabalho.

A Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à saúde humana, especializada no desenvolvimento e fabrico de substâncias activas farmacêuticas. A empresa emprega 600 pessoas a nível de grupo, tem presença a nível mundial e exporta os seus produtos para os mercados mais exigentes do mundo.

A filial norte-americana é responsável por 60 por cento das vendas da Hovione, que tem fábricas em Loures e Macau e um centro tecnológico em Nova Jérsia, nos Estados Unidos, empregando cerca de 600 pessoas em todo o mundo.

Fundada em Portugal em 1959, a Hovione teve em 2006 uma receita de 81.4 milhões de dólares. O maior investimento da companhia continua a ser, contudo, a investigação, a que dedica oito por cento do seu volume de vendas.


Raquel Pacheco
Fontes: Lusa/Hovione

Cientistas estudam células estaminais adultas para reconstrução de ossos

ECBio é o único parceiro português do projecto científico europeu debatido em Carcavelos

Os nove parceiros do Projecto Europeu Osteocord (financiado pela Comissão Europeia) estiveram reunidos, em Carcavelos, com o objectivo de discutir os últimos avanços científicos sobre a obtenção – a partir do sangue do cordão umbilical - de osteoblastos. Estas são células responsáveis pela produção de tecido ósseo. O grande objectivo dos especialistas é de chegar a uma fase em que seja possível a sua aplicação clínica em casos de reconstrução óssea.

“Há uma porção de células mais raras presentes no cordão umbilical que podem ser diferenciadas em células osteoblastos - importantes para doenças como a osteoporose ou em casos de traumatismos por acidentes. Os grupos de trabalho presentes no encontro têm interesses variados complementares e estão a trabalhar para conseguirem métodos de produção de osteoblastos para a fase clínica", explicou à Agência Lusa Hélder Cruz, da empresa ECBio (o único parceiro português do projecto).

O representante português destacou ainda como vantagem na produção destas células o facto de não serem rejeitadas pelos organismos, “pelo que é possível a qualquer organismo usar osteoblastos diferenciados do sangue de qualquer cordão umbilical”, assegurou.

A ECBio é uma empresa de biotecnologia que desenvolve actividades de investigação e desenvolvimento na área das células estaminais adultas, com a missão de elaborar o protocolo de isolamento e de cultura em laboratório.

“Nós conseguimos isolar estas células a partir do sangue cordão umbilical, são separadas das outras e temos meios para optimizar esta cultura in vitro", realçou Hélder Cruz, ressalvando que todo este processo “ainda está em fase de laboratório.” No entanto, o responsável revelou que, uma empresa britânica (presente no encontro) “já condições com qualidade certificada e o conhecimento para fazer a fase clínica.”

Vincando o aspecto de as células usadas não serem embrionárias, o representante luso concretizou que “uma boa parte do Projecto Osteocord é dedicado a questões éticas e a questões sociais, que abordam a expectativa que as pessoas têm no funcionamento destas descobertas científicas."

Dos nove parceiros do projecto, que tem um orçamento de 3,2 milhões de euros, seis são instituições e três empresas.

Raquel Pacheco
Fonte: Agência Lusa

Farmácias algarvias promovem rastreios gratuitos à osteoporose

Durante a segunda quinzena deste mês, cinco farmácias algarvias vão promover rastreios à osteoporose. A iniciativa insere-se numa campanha nacional – que decorre com o total apoio da empresa farmacêutica Ratiopharm - iniciada em Outubro do ano passado, e que termina no final deste ano.

Compete ao profissional farmacêutico analisar alguns dos hábitos de cada pessoa, seguindo-se um breve exame de medição de densitometria óssea, cujos resultados serão anexados ao questionário, documentos que os examinados poderão depois levar ao seu médico assistente. Estes rastreios pretendem avaliar o risco de osteoporose por parte do indivíduo, sendo que o diagnóstico final será sempre elaborado pelo médico de família.

O programa dos rastreios no Algarve: Farmácia Martins, em Loulé, dias 15 e 16 de Outubro; Farmácia Penha, Faro, 17 e 18; Farmácia Rosa Nunes, Portimão, 18 e 19; Farmácia Pinto, Loulé, 25 e 26; e Farmácia Arade, Portimão, 29 e 30.

O objectivo dos laboratórios Ratiopharm é avaliar o risco de incidência de patologias como a osteoporose, doenças da próstata e coronárias, disponibilizando, assim, recursos humanos e materiais necessários aos exames.

Raquel Pacheco
Fonte: Ratiopharm

Bioject e Merck Serono fixam acordo de fornecimento

A Bioject Medical Technologies, empresa especializada no desenvolvimento de mecanismos de distribuição de fármacos, estabeleceu uma parceria com a Merck Serono que deverá prologar-se por três anos.

O acordo prevê o fornecimento dos seus produtos de tecnologia sem agulha, cool.click e Serojet, que serão utilizados pela Merck Serono nos seus medicamentos recombinantes da hormona de crescimento humana.

“Estamos satisfeitos por fixar este novo acordo com a Merck Serono que representa a continuação da nossa relação de sucesso”, afirmou o presidente e director executivo da Bioject, Ralph Makar. “A Merck Serono tem sido uma parceira excelente e nós apreciamos a confiança que a empresa tem na nossa tecnologia sem agulhas”, acrescentou.

Marta Bilro

Fonte: PR-inside.com, Trading Markets, RTT News, Bioject.com.

Bayer sob suspeita de negociar preço da Aspirina

Autoridade da concorrência alemã investiga farmacêutica

A farmacêutica Bayer está a ser investigada pela autoridade da concorrência alemã por suspeitas de fixação ilegal do preço da Aspirina (ácido acetilsalicílico). De acordo com uma porta-voz da entidade reguladora, a Bayer Vital, uma subsidiária da Bayer, terá tentado influenciar as farmácias a inflacionarem o preço deste medicamento de venda livre.

“De acordo com as leis da concorrência nacionais e europeias é ilegal os produtores controlarem os preços de venda dos produtos e tal poderá ser punido com multas”, afirmou Silke Kaul, porta-voz da autoridade da concorrência.

De acordo com a revista alemã “Stern”, o laboratório é suspeito de ter movido influências na fixação dos preços de medicamentos de venda livre em mais de 11 mil farmácias na Alemanha.

A Bayer terá alegadamente proposto às farmácias um desconto até 3 por cento, caso estas concordassem em comercializar o fármaco e outros medicamentos não sujeitos a receita médica com um desconto de venda não superior a 20 por cento, durante não mais de quatro semanas.

Um porta-voz da Bayer afirmou, esta quinta-feira, que a empresa não tolerou a fixação de preços e que está a apoiar a investigação da autoridade da concorrência.

Conforme afirmou um porta-voz da entidade reguladora da União Europeia em Bruxelas a Comissão Europeia não está a participar na investigação. “De acordo com o meu conhecimento não estamos envolvidos nesta investigação”, disse Jonathan Todd em declarações ao “Dow Jones Newswires”.

Marta Bilro

Fonte: International Herald Tribune, CNN Money, Reuters.

Síndrome metabólica afecta 10% das crianças portuguesas

Os maus hábitos alimentares e o sedentarismo, que já conduziram à obesidade de 30 por cento das crianças, estão agora a dar origem a problemas mais graves. Uma em cada dez crianças dos sete aos nove anos de idade sofre de síndrome metabólica, uma patologia caracterizada pela acumulação de vários factores de risco simultâneo, como a hipertensão, obesidade abdominal ou açúcar e gorduras em excesso e que triplica o risco de doença cardiovascular.

O estudo coordenado por Carla Pedrosa e que contou com a participação de três mil crianças de Aveiro entre os sete e os nove anos de idade, mostrou que "10 por cento já têm um conjunto de factores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, perímetro abdominal acima da média, colesterol alto, stress, glicemia elevada (diabetes)" ou triglicerídeos em altos níveis, explicou Maria Daniel Vaz de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação, em declarações ao jornal Diário de Notícias.

A responsável acredita que os números espelham a realidade de todo o país, "já que os hábitos alimentares não serão muito diferentes dos de Aveiro" e revelam que "as crianças começam a ter problemas típicos dos adultos, como a obesidade, diabetes ou hipertensão". Para não correr o risco dos problemas cardiovasculares, como o AVC ou enfarte do miocárdio, começarem a aparecer cada vez mais cedo, é urgente combater o problema desde a infância, salienta Maria Daniel Vaz de Almeida.

O estudo foi apresentado esta quinta-feira no Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação, que decorreu no Porto. Durante o mesmo encontro foram também expostos outros trabalhos, como é o caso do Lipgene, que envolveu seis países, incluindo Portugal, o pior classificado “com 13% dos inquiridos a reportar pelo menos três sintomas relacionados com a síndrome metabólica”, revelou a presidente da Sociedade.

O stress foi referido por 28 por cento dos inquiridos em Portugal, logo seguido do perímetro abdominal elevado (99 cm nos homens e 94 nas mulheres) e colesterol alto. "As mulheres, pessoas com mais de 55 anos e com escolaridade ao nível do ensino secundário são as mais afectadas", refere. Há, no entanto, vontade de mudar, referiu a responsável, sendo que o principal obstáculo mencionado se prende com a falta de tempo para comer ou fazer refeições saudáveis.

Os dados da Direcção-Geral da Saúde indicam que estas doenças são responsáveis por 40 por cento dos óbitos em Portugal. O país gasta anualmente 550 milhões de euros com a obesidade.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias, Portal da Obesidade, Farmacia.com.pt.

Boehringer Ingelheim elimina 220 postos de trabalho no Reino Unido

A farmacêutica alemã Boehringer Ingelheim anunciou que vai eliminar 220 postos de trabalho na sua unidade de produção em Bracknell, no condado de Berkshire, no Reino Unido, como parte de um processo de encerramento desta fábrica.

A unidade local fabrica produtos respiratórios e o encerramento da mesma é justificado pela empresa com a decisão de cessar a produção deste tipo de produtos em Bracknell. De acordo com a Boehringer Ingelheim, durante dois anos os funcionários não deverão ser afectados pelos cortes nos postos de trabalho, até 2010, altura em que a fábrica encerra definitivamente.

Actualmente a unidade britânica da Boehringer Ingelheim emprega cerca de 1.000 funcionários no Reino Unido. “A razão pela qual foi tomada a decisão de eliminar a produção prende-se com o facto de que no futuro vão haver novos produtos em formato de doses unitárias a sair da linha de investigação da Boehringer Ingelheim e as atenções centram-se agora nos novos dispositivos tecnológicos para produtos respiratórios”, afirmou um porta-voz da empresa.

“A zona de Bracknell é uma das que tem maior empregabilidade e a empresa acredita que os funcionários afectados possam ser reintegrados na Boehringer Ingelheim ou conseguirão encontrar outra alternativa de emprego”, acrescentou a mesma fonte.

O grupo Boehringer Ingelheim detém actualmente 137 afiliados a operar a nível global em 47 países e emprega 38.400 funcionários. Em 2006, as vendas da empresa alcançaram os 10.6 mil milhões de euros.

Marta Bilro

Fonte: BBC News.

Schering-Plough recebe aprovação europeia para comprar Organon

A Schering-Plough recebeu aprovação da União Europeia para adquirir a Organon, a maior das três unidades do grupo farmacêutico Akzo Nobel. A decisão obriga a empresa norte-americana a abdicar da posse de alguns produtos veterinários na Europa.

A Comissão Europeia, entidade que responsável pela avaliação do processo, considerou que a transacção proposta inicialmente iria dar lugar a preocupações competitivas em 12 áreas de produtos e em mais de 30 mercados relevantes.

No enatanto, a Schering-Plough “dispôs-se a abdicar de algumas actividades sobrepostas em todos os mercados em que se levantavam sérias dúvidas”, o que permitiu validar a operação, referiu a comissão.

A empresa norte-americana garante que o facto de se ter desapossado de alguns produtos não vai afectar os resultados financeiros e assegura que não abdicou de nenhum produto de uso humano.

A aquisição aguarda agora aprovação da autoridade da concorrência norte-americana. A Schering-Plough anunciou em Março ter chegado a acordo para a compra da Organon por 10,2 mil milhões de euros. As empresas esperam que o negócio possa estar concluído até ao final do ano corrente.

Sedeada na Nova Jérsia, a Schering-Plough emprega actualmente 33.500 funcionários e registou resultados líquidos no valor de 7,6 mil milhões de euros em 2006.

As vendas Organon renderam, no ano passado, 1,8 mil milhões de euros. A empresa holandesa empresa cerca de 13.700 funcionários.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Market Watch, Farmacia.com.pt.

Estudo contesta eficácia de fármaco amplamente prescrito
Taxol não cura todos os cancros da mama


O Taxol (paclitaxel), medicamento produzido e comercializado pela Bristol-Myers Squibb e que é amplamente prescrito, em associação com a quimioterapia, no tratamento de mulheres que sofrem com o cancro da mama, não é afinal eficaz num grande número daquelas pacientes, à luz dos dados resultantes de um estudo divulgado pelo «New England Journal of Medicine».

De acordo com os especialistas, que se debruçaram na análise ao efeito do medicamento, o tratamento mais comum com recurso ao Taxol, que inclui aquele fármaco num cocktail de substâncias para limitar o reaparecimento do carcinoma mamário, só revela eficácia nas mulheres com um tumor específico (HER2 positivo), situação que corresponde apenas a cerca de 20 por cento dos casos. Nas doentes portadoras de outros tipos de cancro, o Taxol não tem um efeito significativo, a julgar pelos dados agora obtidos. No entanto, os especialistas avisam que os resultados deste estudo são ainda preliminares, considerando que seria prematuro para as pacientes optarem já por abandonar a terapia com o Taxol. No caso de estudos posteriores derem como comprovados os dados agora divulgados, os investigadores acreditam que será mais fácil a concentração do tratamento combinado de Taxol e quimioterapia nas pacientes que demonstrarem ser mais susceptíveis de obter dele um benefício real, como explicou, em declarações à Agence France-Presse, o director da clínica oncológica da Universidade do Norte do Michigan, Daniel Hayes.

Carla Teixeira
Fonte: AFP

Boehringer-Ingelheim é a melhor empresa empregadora do sector farmacêutico

A Boehringer-Ingelheim é a melhor empresa empregadora no sector farmacêutico e biofarmacêutico. A classificação foi atribuída pela revista “Science” depois do laboratório alemão ter obtido as melhores pontuações num conjunto de cerca de 24 critérios importantes, trocando assim de lugar com a Genentech (2º lugar) no ranking anual.

“Pela primeira vez em seis anos de existência, o questionário da Science não elegeu a Genentech como a melhor empresa empregadora do sector biofarmacêutico, farmacêutico e indústrias relacionadas”, salienta a análise aos resultados publicada pela revista.

Entre o total de categorias avaliadas, há seis em que a Boehringer-Ingelheim obteve classificação máxima: fazer investigação importante de qualidade; ter visão clara para o futuro; ser um líder inovador; tratar os empregados com respeito; ter valores de cultura de trabalho aliados a valores pessoais; ter empregados leais e ser socialmente responsável.

A votação decorreu entre os dias 2 de Maio e 6 de Junho e foram obtidas 3.517 respostas. Foi pedido aos participantes que classificassem as empresas com base na resistência financeira, facilidade de adaptação à mudança e ambiente direccionado para a investigação. No final, os resultados demonstraram que 63 por cento votaram no seu próprio empregador como o melhor da tabela. Por outro lado, perto de um terço dos inquiridos responderam que muito provavelmente, no espaço de um ano, iriam procurar um novo emprego.

A lista abaixo mostra as 20 empresas empregadoras de topo:

1 - Boehringer Ingelheim
2 – Genentech
3 – Amgen
4 - Schering-Plough
5 – Genzyme
6 – Novartis
7 – DuPont
8 – Monsanto
9 – AstraZeneca
10 - Johnson & Johnson
11 - Eli Lilly
12 – GlaxoSmithKline
13 – Millenium
14 – Merck
15 – Wyeth
16 – Gilead
17 - Biogen Idec
18 – Roche
19 – Abbott
20 - Bristol-Myers Squibb

Marta Bilro

Fonte: Pharmalot, www.sciencecareers.org.

Exames genéticos em cardiologia
BioCodex reforça presença no mercado ibérico


A Genetest, empresa do grupo BioCodex pioneira na realização de exames genéticos na área da Cardiologia em Portugal, vai alargar a sua área de actividade ao país vizinho. No âmbito da estratégia de internacionalização do grupo, a BioCodex adquiriu a Climesa, um conceituado laboratório de Madrid.

Na sequência daquela compra, que visou sobretudo abrir caminho à implementação do negócio dos testes genéticos, para alargar a faixa de penetração do grupo no mercado ibérico, a Genetest vai passar a realizar aqueles exames também em Espanha, permitindo ao grupo BioCodex transferir know-how daquela área de trabalho para o país vizinho, ganhando assim maior competitividade naquele mercado e aumentando a sua área de influência e negócio, até agora suportada quase exclusivamente pela criopreservação de células estaminais do cordão umbilical. Tendo em conta o sucesso alcançado em Espanha pela Bioteca, actualmente o maior laboratório de criopreservação da Península Ibérica, a BioCodex espera poder consumar um volume de negócios de quatro milhões de euros neste ano, que no conjunto dos dois países deverá ascender aos seis milhões de euros.

Carla Teixeira
Fonte: Portugal Digital
Combate às epidemias de sida e malária
Fábrica de medicamentos no Uganda


Foi inaugurado na última terça-feira no Uganda, país do continente africano, o primeiro laboratório para produção de medicamentos anti-retrovirais, cumprindo o objectivo de endurecer a luta contra a sida e a malária, duas doenças que assolam toda a África e comprometem seriamente a qualidade de vida das populações.

Resultante de um acordo firmado entre o governo de Kampala e as companhias farmacêuticas Quality Quemicals Industries, com sede no Uganda, e a Cipla, a maior produtora mundial de genéricos, que tem sede na Índia, e aprovado há cerca de dois anos, o laboratório deverá começar a ganhar forma nos próximos meses, contando com a mais sofisticada tecnologia para o desenvolvimento de todos os fármacos necessários ao tratamento integral dos doentes infectados com o vírus da sida ou que sofrem com a evolução da malária. De acordo com uma notícia avançada pela Rádio Vaticano, o facto de o novo laboratório poder produzir aqueles medicamentos permitirá que eles cheguem aos doentes a preços bastante reduzidos, facilitando o acesso ao tratamento a cerca de 300 mil pessoas.

Carla Teixeira
Fonte: Rádio Vaticano
Roche e Hospital de Santo António apoiam iniciativa
ICBAS quer estimular investigação clínica


É uma iniciativa inédita em Portugal, e pretende dar aos estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar a possibilidade de concorrerem a bolsas de investigação clínica. Numa medida que conta com o apoio da companhia farmacêutica Roche e do Hospital Geral de Santo António, o ICBAS apresentou na quinta-feira a nova disciplina de Iniciação à Investigação Científica.

Disciplina opcional a que poderiam ter acedido os novos alunos de Medicina do ICBAS (as inscrições estiveram abertas até ao passado dia 4), a nova cadeira poderá, num futuro mais ou menos próximo, evoluir para o formato de programa de doutoramento, integrado em internatos médicos de especialidade. Para já terá lugar a selecção dos projectos, tendo o instituto disponível um total de 40 mil euros para financiar as propostas vencedoras. Sousa Pereira, presidente do Conselho Directivo do ICBAS, explicou que a nova disciplina é o resultado de um esforço da instituição no sentido da "reestruturação do curriculum", e enalteceu a colaboração de entidades externas ao instituto, designadamente a farmacêutica suíça.
José Tavares de Castro, director médico da Roche, asseverou que a empresa "associa-se com muita alegria a esta iniciativa", afirmando que "este projecto encontra-se alinhado com a cultura da empresa, e a Roche reconhece como sendo um dever seu o de colaborar com os parceiros". Na óptica daquele responsável, e tendo em conta que a inovação é o vector dominante da actividade da companhia suíça, este é "um projecto ganhador", porque "em nenhuma escola do país há uma cadeira destas, o que nos surpreende". Tavares de Castro é da opinião de que a ideia é "original e votada ao sucesso", que conta com o "prestígio muito bem formado" do ICBAS e do Hospital Geral de Santo António, que criaram uma associação fortemente sinérgica, o que não é muito frequente".

Carla Teixeira
Fonte: «O Primeiro de Janeiro»

Stent coronário da Medtronic recebe opinião positiva

O Stent coronário experimental, Endeavor (zotarolimus), da Medtronic Inc. revelou ser seguro e efectivo, devendo por isso ser aprovado nos Estados Unidos, segundo conclusões de um painel de peritos da FDA.

Peritos de aconselhamento externo da FDA votaram unanimemente para recomendar que o stent Endeavor seja aprovado para comercialização. O painel também recomendou que a Medtronic mantenha o registo de, pelo menos, 5 mil pacientes durante cinco anos para determinar a efectividade do stent, e para se certificar se o aparelho revestido com fármaco causa coágulos sanguíneos potencialmente fatais, que se poderão desenvolver ao longo do tempo.

A Medtronic acredita que o Endeavor fornece uma combinação óptima de segurança, eficácia e distribuição, afirmou o presidente da unidade cardiovascular da companhia, Scott Ward. A companhia espera uma decisão da FDA no final do ano. A FDA normalmente segue os conselhos dos seus painéis de consultores, apesar não ser obrigatório que o faça.

Os stents são pequenos tubos metálicos em forma de rede revestidos com fármaco para prevenir a obstrução das artérias, a sua utilização caiu, no ano passado, após estudos os terem associado a coágulos que apareceram meses ou anos após o aparelho ter sido implantado.

Os novos stents são revestidos com polímeros químicos e fármacos para prevenir que os tecidos cresçam dentro dos aparelhos e voltem a bloquear a artéria, uma das principais complicações dos modelos antigos de metal. Os fármacos são tão potentes que impedem que o organismo sare à volta do metal exposto.

O Endeavor está a concorrer com o Xience, da Abbott Laboratories, para se tornar o primeiro, de uma nova geração de stents, a ganhar a aprovação no mercado norte-americano avaliado em 3 mil milhões de dólares. Caso seja aprovado, o Endeavor irá juntar-se ao Taxus (paclitaxel), da Boston Scientific Corp., e ao Cypher, da Johnson & Johnson, como o terceiro stent revestido com fármaco a ser comercializado nos Estados Unidos.

Segundo um analista da JP Morgan, Michael Weinstein, como no espaço de três anos e meio não houve nenhum novo stent revestido aprovado, os cirurgiões podem estar à procura de uma opção mais fácil de utilizar. Weinstein prevê que o Endeavor possa assegurar 18 por cento do mercado norte-americano de stets revestidos em 2008.

Isabel Marques

Fontes: Bloomberg, Reuters, www.pharmatimes.com

Medicamentos antigripais de venda livre para crianças retirados do mercado norte-americano

Algumas companhias farmacêuticas, incluindo a Johnson & Johnson, a Novartis e a Wyeth, retiraram voluntariamente do mercado norte-americano, pelo menos, 14 fármacos de venda livre, ou OTC (“over the counter”), para a tosse e constipações para crianças, após alguns pediatras terem relatado que os produtos são ineficazes e perigosos.

A Novartis e a Prestige Brands Holdings, por exemplo, estão a recolher os seus fármacos para a tosse e para constipações, porque dados demonstraram que quando estes fármacos não são utilizados correctamente podem levar a uma overdose, especialmente em crianças com menos de dois anos.

O Dimetapp Decongestant Infant Drops (rebuçados descongestionantes para crianças), da Wyeth, e o Tylenol Concentrated Infants' Drops (rebuçados concentrados para crianças), da J&J, fazem parte dos fármacos retirados do mercado, uma semana antes da FDA rever a sua efectividade e segurança. A decisão somente abarca produtos para crianças com menos de dois anos.

Os descongestionantes e os anti-histamínicos têm sido relacionados com a morte de 123 crianças, principalmente menores de dois anos, 54 delas relacionadas com descongestionantes e 69 com anti-histamínicos, entre 1969 e 2006, de acordo com dados da FDA. A overdose e a toxicidade dos fármacos estão entre os casos mais relatados. A agência reguladora iniciou as investigações de segurança deste tipo de medicamentos no ano passado. Diversos médicos, liderados pelo representante do Departamento de Saúde de Baltimore, Joshua Sharfstein, insistiram através petição datada de 1 de Março que a FDA agisse, solicitando que fosse banida a comercialização de medicamentos gripais para menores de seis anos.

Sharfstein afirmou que não há duvidas que existem graves eventos adversos associados com este tipo de fármacos, incluindo a morte, mesmo quando são utilizados de acordo com as indicações. Segundo Sharfstein, a FDA deve requerer que os restantes produtos para a tosse e constipações para crianças tenham de ter um aviso, referindo que somente devem ser administrados a crianças maiores de seis anos. Sharfstein acrescentou ainda que devem ser banidas quaisquer imagens de bebés ou crianças pequenas das embalagens.

Os produtos que estão a ser retirados incluem variedades do Triaminic Infant & Toddler Thin Strips, da Novartis AG, Little Colds, da Prestige Brands Holdings Inc., PediaCare Infant Drops, da J&J, e Robitussin Infant Cough DM Drops, da Wyeth.

As vendas, nos Estados Unidos, de medicamentos não sujeitos a receita médica para crianças aumentaram 20 por cento, no ano que terminou a 8 de Setembro, atingindo os 311 milhões de dólares, de acordo com a firma de estudos de mercado, AC Nielsen.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Bloomberg, Reuters

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Tromboembolismo Venoso mata mais que sida

TEV mata cerca de 543 mil pessoas por ano, na Europa; ENDORSE é hoje apresentado em Viana do Castelo

O Tromboembolismo Venoso (TEV) mata mais do que a sida, o cancro da próstata e os acidentes de carro. A conclusão saiu de um estudo denominado ENDORSE e que é hoje (sexta-feira) apresentado durante as III Jornadas de Actualização em Doença Vascular Pulmonar, que decorrem em Viana do Castelo.

O TEV é um fenómeno que ocorre com a formação de coágulos – trombos – que quando atingem uma certa dimensão, soltam-se da parede das veias e migram até ao coração e depois até aos pulmões provocando as embolias pulmonares e morte súbita.

Na Europa, por ano, morrem vítimas de TEV cerca de 543 mil pessoas. O estudo envolveu 68.183 doentes em 358 hospitais de 32 países, dos quais 1.787 doentes e nove hospitais em Portugal.

"Verificamos que por VIH/Sida morrem, anualmente, na Europa 5.860 doentes, com cancro da mama 86.831, com cancro da próstata 63.000, e por acidentes rodoviários 53.500", antecipou à Agência Lusa, Ana França,
coordenadora nacional do estudo, frisando que somados todos estes parâmetros (totaliza-se 210 mil mortos) “menos de metade das pessoas que morrem por TEV na Europa."

Revelando que, até ao momento, não havia, a nível europeu, “uma consciência tão concreta do que isto representa”, Ana França confessou que o cenário “deixa-nos completamente aterrados.”

Segundo anunciou a responsável, em Portugal, a investigação apurou que um por cento dos doentes hospitalizados são internados em consequência de Tromboembolismo Venoso. “Mais de metade dos doentes hospitalizados está em risco de TEV, mas as medidas de prevenção são aplicadas em apenas cerca de 58 por cento do universo de risco”, desvendou.

De acordo com Ana França, o objectivo do estudo foi “determinar quantos indivíduos estão em risco e recebem tratamento preventivo e alertar para a necessidade urgente de prevenção em doentes hospitalizados”, acrescentando que a embolia pulmonar (consequência grave do TEV) é responsável por “cerca de 10 por cento das mortes ocorridas em hospitais.”

Considerando “preocupante” a posição de Portugal “porque há ainda 40 por cento que precisamos de ter atenção”, a coordenadora sublinhou que, no contexto europeu, “não somos dos países que tem maior risco."

Vitamina E reduz risco

Recentemente, um estudo publicado na revista «Circulation», da American Heart Association, associou os suplementos de vitamina E com a prevenção e redução do risco da formação de coágulos sanguíneos em mulheres.

"Os dados indicam que, em geral, as mulheres que tomam vitamina E têm um risco 21% menor de desenvolver coágulos sanguíneos", refere o relatório.

Raquel Pacheco
Fonte: Agência Lusa
Belga Daniel Brasseur acaba de ser eleito
Comité de Pediatria da EMEA já tem presidente


A Agência Europeia do Medicamento (EMEA, na sigla em inglês) anunciou nesta quinta-feira a eleição do belga Daniel Brasseur e do francês Gerard Pons para os lugares de presidente e vice-presidente do seu Comité de Pediatria.

Trata-se de uma estrutura recentemente criada no âmbito da EMEA, e que surge no seguimento da entrada em vigor, no passado mês de Janeiro, da nova regulamentação da Medicina Pediátrica no contexto europeu. Os dois elementos agora eleitos cumprirão um mandato de três anos, tendo como missão adaptar o funcionamento do comité às novas regras, concebidas e implementadas de modo a fornecer um estímulo à investigação e ao desenvolvimento de medicamentos que têm como destino a administração em crianças, garantindo que esse tipo de produtos é devidamente testado e autorizado, melhorando a informação disponível sobre esses fármacos e, por consequência, o seu grau de fiabilidade.

Carla Teixeira
Fonte: Orphanews Europe

Ensaios clínicos em regiões emergentes: desafios à escolha do melhor local

Os ensaios clínicos são um dos principais reptos que se colocam à actual evolução da indústria farmacêutica. Os progressos ao nível da partilha de dados e o aumento da colaboração entre as empresas farmacêuticas e as entidades reguladoras tendem a tornar o processo mais flexível. Porém, existe ainda alguma confusão relativamente à atracção competitiva das quatro maiores regiões emergentes para a realização de ensaios clínicos.

A Ásia tem vindo a revelar-se um pólo de atracção cada vez mais relevante no que toca ao desenvolvimento rápido e menos dispendioso de medicamentos e onde a realização de ensaios clínicos de Fase I é uma realidade cada vez mais frequente.

A China, com uma população de 1,5 mil milhões de habitantes, encaixa com bastante perfeição nos estudos que requerem a participação de população mongol, afirmou DA Prasanna, vice-presidente e director de operações da Manipal Acunova, organização de investigação clínica número um na Índia, durante uma apresentação no CPhI Worldwide, o maior certame internacional vocacionado para o sector farmacêutico, que decorreu em Milão.

O país é também bastante útil para a realização de estudos com cidadãos japoneses, uma vez que as duas nações partilham o mesmo fuso horário. Outro dos benefícios, segundo Prasanna, é o facto da China ser um só país, de grandes dimensões, e com apenas uma entidade reguladora, com a contrapartida da língua que exigirá sempre tradução.

No caso da América Latina, a “grande vantagem”, considera Prasanna, reside no facto de 50 por cento da população viver em duas cidades principais, para além de que o fuso horário coincide com o norte-americano. Em situação semelhante está a Europa de Leste que pertence à mesma zona horária e se encontra em estreita proximidade com o resto da Europa. No entanto, acrescenta Prasanna, ambas as regiões têm populações de apenas 200 a 300 milhões de habitantes e a diversidade de idiomas e entidades reguladoras envolvidas podem representar barreiras difíceis de transpor.

Para o responsável, é a Índia que apresenta um maior aglomerado de vantagens. Apesar do seu mercado ser inferior quando comparado com outras regiões emergentes, o país apresenta um melhor padrão de cuidados de saúde do que a China, salienta Prasanna. Para além disso, tem uma população de 1,1 mil milhões de habitantes e apenas uma entidade reguladora e o inglês é uma das línguas oficiais, o que significa que o país pode superar algumas das actuais regiões emergentes dentro dos próximos quatro a cinco anos.

Neste caso, os grandes inconvenientes são a distância e a zona horária relativamente ao ocidente, para além das dificuldades em conseguir fazer chegar à Índia material clínico e de o entregar num local, e dos desafio que representam a recolha e manutenção de dados clínicos, laboratoriais e medicamentos fiáveis, afirmou Prasanna.

Marta Bilro

Fonte: BioPharma-Reporter.com, CenterWatch.com, Farmacia.com.pt

Relatório prevê modificações no sector das terapias anti-HIV

GlaxoSmithKline deverá perder liderança da quota de mercado

O sector dos fármacos anti-HIV, actualmente avaliado em 8,1 mil milhões de euros, vai sofrer transformações significativas ao longo dos próximos nove anos, à medida que forem expirando as patentes de vários medicamentos chave, indica um relatório elaborado pela “Report Buyer”, uma empresa britânica de pesquisas de mercado. Na origem destas alterações deverá estar o lançamento de novas substâncias que vão revolucionar o tratamento da doença.

A GlaxoSmithKline, detentora de grande parte da quota de mercado no sector do HIV, deverá ressentir-se ao ver o seu portfolio de medicamentos anti-HIV perder a protecção das patentes, referem os autores do estudo. A empresa retém a maior porção de mercado de fármacos para o tratamento do HIV desde o lançamento, em 1997, do Retrovir (Zidovudina). Porém, em 2006, notou-se já alguma tendência de modificação no mercado, uma vez que 30 por cento do total de vendas de anti-retrovirais reverteram para a farmacêutica britânica, o que já representa uma ligeira quebra face ao ano anterior em que as vendas atingiram os 33 pontos percentuais.

Oito dos principais fármacos nesta categoria pertencem à GlaxoSmithKline, refere o relatório, no entanto, cinco deverão perder a protecção da patente em 2014. Para além disso, a maioria dos produtos são relativamente antigos. Tendo em conta estes factores, os autores do estudo prevêem que a quota de mercado da GSK possa sofrer uma quebra brusca, a não ser que o laboratório descubra novos produtos de sucesso.

O sector, no seu todo, está preparado para se expandir, dizem os analistas, e que há outras empresas decididas a angariar quota de mercado. O lançamento de novos produtos irá alterar a administração terapia anti-retroviral altamente activa, ou HAART, quer no estado inicial ou avançado. Estas inovações irão simplificar as linhas de tratamento inicial e proporcionar calendários de dosagem mais convenientes, reduzindo o elevado número de comprimidos de que dependem os pacientes e melhorando a qualidade de vida dos mesmos.

Por sua vez, a Gilead e a Bristol-Myers Squibb, que actualmente ocupam a segunda e terceira posições no que diz respeito às quotas de mercado de terapias anti-HIV, deverão enfrentar um futuro promissor. As duas empresas colaboraram na primeira combinação de doses entre fármacos de diferentes classes, o Atripla, que resulta da associação entre o Sustiva (Efavirenz), o Viread (Tenofovir) e a Emtriva (Emtricitabina). O fármaco combina três componentes da terapia HAART – dois inibidores não competitivos da transcriptase reversa e um inibidor da transcriptase reversa não nucleósido – em apenas um comprimido de toma diária única.

No primeiro ano de vendas nos Estados Unidos da América, o Atripla rendeu 122 milhões de euros. As previsões dos analistas indicam que o medicamento deverá ser lançado na Europa ainda este ano e ocupar a liderança enquanto tratamento de primeira linha, gerando lucros significativos para a Gilead e para a Bristol-Myers Squibb.

Marta Bilro

Fonte: Newswire Today, Infarmed, Farmacia.com.pt.

Doenças reumáticas afectam mais de 25% dos portugueses

Mais de um quarto da população portuguesa sofre de algum tipo de problema reumático, sendo que as mulheres são significativamente mais afectadas do que os homens. Os dados foram divulgados pela Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas e mostram também que entre as doenças mais frequentes estão a osteoartrose, doenças de coluna, osteoporose, fibromialgia, artrite reumatóide ou tendinites.

Estes cálculos englobam todos aqueles que tenham uma queixa do foro reumático, como uma dor articular, que obrigue a consultas médicas, e não apenas as pessoas que necessitam de ser seguidas pelo especialista.

Actualmente, 2,7 milhões de portugueses sofrem de algum tipo de queixas reumáticas, que atingem 1,7 mil mulheres e 970 mil homens. Para estes doentes, as mais simples tarefas do dia-a-dia, como sair da cama, vestir-se ou usar o computador, representam um “verdadeiro desafio”. Os números foram divulgados a propósito do Dia Internacional das Doenças Reumáticas, que se assinala esta sexta-feira.

Conforme referiu Jorge Branco, presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas, a prevalência da doença entre as mulheres é comum na globalidade dos países, porém as causas para este facto não estão ainda esclarecidas. Os factores de origem genética, hormonal e ambiental são apontados como algumas das causas prováveis para a doença.

Sendo as mais frequentes na raça humana, as doenças reumáticas vão, provavelmente, manter essa posição no futuro, referem os especialistas, uma vez que a população mundial não pára de crescer e, sobretudo, de envelhecer. Por poderem decorrer muitos anos sem sintomas, estas doenças são muitas vezes ignoradas por quem as sofre.

Para além disso, os novos medicamentos para as doenças reumáticas, que são “mais caros, mas também muito mais eficazes”, não estão a chegar a todos os doentes que deles precisam, refere o responsável. “Ainda há pouca prescrição destes novos fármacos”, sintetizou.

As conclusões de um inquérito europeu realizado este ano a doentes reumáticos revelaram que 92 por cento destes pacientes têm dificuldade em subir escadas no trabalho, 75 por cento têm problemas em subir para comboios, para 78 por cento vestir-se é um desafio e 72 por cento têm dificuldades em abrir torneiras.

É, por isso, lamentável que, em Portugal, os doentes reumáticos sejam tratados como “os parentes pobres das patologias”, afirmou Jorge Branco, fazendo um apelo à necessidade de respeitar estas doenças, tanto ao nível das autoridades de saúde como ao nível da população em geral.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa, Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas.

Wyeth condenada a pagar indemnização

Tribunal acusa farmacêutica de ocultar riscos do Prempro e Premarin

O júri de um tribunal norte-americano do condado de Washoe deu razão a três mulheres do Nevada que alegavam ter desenvolvido cancro da mama depois terem sido medicadas com Prempro e Premarin, tratamentos de substituição hormonal da farmacêutica Wyeth.

O veredicto refere que o laboratório norte-americano foi negligente, produziu um medicamento defeituoso e ocultou factos sobre a segurança do mesmo. Cada uma das queixosas deverá receber uma indemnização no valor de 5,3 milhões de euros por danos passados. Para além deste montante, duas das mulheres receberam ainda 25,3 milhões de dólares relativos a danos futuros e à terceira foi atribuída uma compensação de 28,2 milhões de dólares.

Jeraldine Scofield, Arlene Rowatt e Pamela Forrester estavam a ser medicadas com Premarin, um tratamento de substituição de estrogénio, e Prempro, uma combinação de estrogénio e acetato de medroxiprogesterona, utilizados como substituição hormonal pós-menopausa, mas foram retiradas do tratamento depois de desenvolverem cancro da mama.

No processo, as queixosas alegaram que a Wyeth produziu e comercializou um produto perigoso, não realizou estudos adequados nem forneceu avisos acerca da relação entre os fármacos e o cancro.

Por sua vez, a defesa argumentou que a Wyeth participou ou financiou um conjunto de estudos para perceber os riscos inerentes à toma dos medicamentos, e informou sobre os mesmos na rotulagem dos produtos. Os advogados da farmacêutica disseram ainda que o tratamento não é perigoso, foi aprovado pela Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos e continua disponível no mercado.

Este não é o único caso judicial a envolver o Prempro e o Premarin. Em Julho a Wyeth conseguiu chegar a acordo, ainda antes do julgamento, num processo em que os medicamentos eram apontados como responsáveis pelo desenvolvimento de cancro da mama numa paciente que se submeteu ao tratamento hormonal. Até ao momento, a farmacêutica saiu vencedora na maioria dos processos, no entanto, continuam por resolver cerca de quatro mil queixas.

Marta Bilro

Fonte: Reno Gazette Journal, KoloTV.com.

Decisão judicial do estado norte-americano de Delaware
Normas da FDA prevalecem sobre leis estatais


As normas aplicadas pela Food and Drug Administration, entidade reguladora do sector do medicamento nos Estados Unidos, no que diz respeito à publicidade a fármacos deverão doravante sobrepor-se às leis de defesa do consumidor vigentes no estado norte-americano de Delaware. Uma decisão que deixou em alerta os advogados que trabalham para aquelas entidades, que dizem temer um crescimento desregrado da propaganda aos produtos de saúde.

De acordo com a decisão judicial agora anunciada, que diz respeito a um caso concreto que envolve a companhia farmacêutica Astra Zeneca, terá sido entendido pela Corte de Apelações do Distrito de Delaware que aquela empresa não poderia ser punida na sequência de um processo que lhe tinha sido movido tendo por base as leis estaduais de defesa do consumidor, porque a publicidade a medicamentos é, nos Estados Unidos, regida de acordo com as normas definidas pela FDA, e não tem como elemento orientador qualquer outro tipo de lei de âmbito distrital ou nacional.
Em causa está um processo que opôs o Pennsylvania Employees Benefit Trust Fund e a companhia farmacêutica, no âmbito do qual os consumidores acusavam a Zeneca de publicidade enganosa com o medicamento Nexium (esomeprazole), ao assegurar, por exemplo, que aquele fármaco era mais eficaz do que o Prilosec (omeprazole), já existente no mercado farmacêutico e de que o novo medicamento é derivado. Não obstante a polémica que envolveu o caso, a Justiça do Estado de Delaware entendeu não dar provimento ao pedido do grupo de consumidores, inviabilizando a sua pretensão de impedir a continuidade da publicidade que vinha sendo feita pela Astra Zeneca ao medicamento em questão.
Patente expirada
Os queixosos neste processo alegaram que a empresa farmacêutica fazia publicidade enganosa ao comparar, favorecendo o Nexium, os dois medicamentos para tratamento de situações de refluxo ácido e de azia frequente. Ambos os fármacos são produzidos pela Zeneca e o Prilosec foi sempre um produto lucrativo para a marca, com um volume de vendas que atingiu os seis mil milhões de dólares no ano 2000. No entanto, a quebra da patente do Prilosec, a partir da qual o medicamento poderia passar a ser vendido como genérico, estava prevista para o ano seguinte, e nessa altura, em Fevereiro de 2001, o laboratório anunciou o Nexium, demonstrando, com dados obtidos em ensaios clínicos comparativos, que uma dose de 40mg do novo fármaco constituía, "estatisticamente", uma taxa de cura significativa. O estudo foi aprovado pela FDA, que desde então deu o seu aval à introdução do Nexium no mercado. Agora, conhecida a decisão do tribunal de Delaware, a acusação entende que a Justiça "interpretou mal o processo", alegando que "a Food and Drug Administration não está a dar a sua aprovação à veracidade efectiva da publicidade aos medicamentos, e certamente não aprovou formalmente, na análise específica a este caso, o conteúdo dessa publicidade".

Carla Teixeira
Fonte: «Expresso da Notícia»

Director executivo da Total desmente contacto com a Pfizer

O director executivo da Total, Christophe de Margerie, desmente qualquer contacto com a farmacêutica norte-americana Pfizer ou com o laboratório francês Sanofi-Aventis com o intuito de vender a sua quota de acções na Sanofi.

“Não tivemos qualquer contacto com a Pfizer ou com a Sanofi”, afirmou o responsável em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência de imprensa sobre petróleo.

De Mergerie diz mesmo que “se não tivesse lido no jornal” não tinha tido conhecimento dos rumores que dão conta de um possível interesse da Pfizer em comprar os cerca de 10 por cento de acções que a Total detém na Sanofi-Aventis.

Recorde-se que, recentemente surgiram relatos na imprensa acerca da possibilidade da Pfizer ter intenções de adquirir uma parte da Sanofi-Aventis, situação que deu origem a uma subida do preço das acções da empresa francesa.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money, Reuters.

Esclerose Múltipla: Cientistas conseguiram reparar lesões neurológicas

Uma equipa de investigadores norte-americanos conseguiu reparar os danos neurológicos causados pela debilitação da esclerose múltipla em ratos. Os resultados, divulgados durante um encontro da “American Neurological Association”, levam os investigadores a acreditar na possibilidade de serem descobertos novos tratamentos para a doença.

A esclerose múltipla é uma doença caracterizada por zonas isoladas de desmielinização e degeneração do sistema nervoso central que interfere com a capacidade em controlar funções como a visão, a locomoção, e o equilíbrio. A doença ocorre quando o sistema imunitário do organismo começa a produzir anticorpos contra a sua própria mielina, o que dá origem à inflamação e a lesão da bainha de mielina que cobre os nervos do cérebro e da medula espinal.

Os cientistas da clínica Mayo, no Minnesota, utilizaram um anticorpo humano para reconstruir a mielina em ratos com a forma progressiva da doença e observaram que o anticorpo se agregou à mielina e à superfície das células do cérebro e da medula espinal, desencadeando um processo de reparação, denominado remielinação.

Os testes realizados pelos investigadores demonstraram também que o anticorpo funcionou mesmo quando associado ao tratamento com esteróides, habitualmente administrado aos pacientes que sofrem desta patologia. Esta é uma observação importante uma vez que os primeiros doentes com esclerose múltipla a receberem a terapia de anticorpos terão que ser primeiro tratados com metilprednisolona, uma substância corticosteróide

“O conceito de utilizar anticorpos humanos para tratar doenças deste tipo ainda não foi testado em seres humanos, mas estas descobertas são muito promissoras”, afirmou Moses Rodriguez, neurologista e um dos autores do estudo. Apesar de se encontrarem ainda em fase inicial, as investigações poderão conduzir “a novos tratamentos que podem limitar as deficiências permanentes" causadas pela esclerose múltipla, salientou Arthur Warrington, membro da equipa de investigação.

Os dados da Associação Nacional de Esclerose Múltipla indicam que a doença afecta mais de um milhão de pessoas em todo o mundo. Os estudos epidemiológicos apontam para a existência de 450 mil pessoas com esclerose múltipla só na Europa, sendo a incidência maior nos países nórdicos. Estima-se que o número de doentes em Portugal seja da ordem dos 5000.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, BBC Brasil, Manual Merck, Associação Nacional de Esclerose Múltipla.

Crianças de sete e oito anos terão dentista gracioso
Vacina contra VPH gratuita em Espanha

O Conselho Inter-territorial de Saúde de Espanha acaba de aprovar um plano sanitário que, entre outras medidas, prevê a administração gratuita da vacina contra o vírus do papiloma humano (responsável pelo cancro do útero), através da sua inclusão no programa nacional de vacinação.

Concretamente em relação à nova vacina, o plano estabelece que as regiões autónomas espanholas terão a seu cargo a determinação da idade em que aquele medicamento deverá começar a ser utilizado, e a decisão sobre a data de arranque local do programa, tendo em conta que o mesmo terá de ser universalizado em todo o país até ao ano de 2010. De acordo com fonte oficial do país vizinho, os custos destas iniciativas serão divididos, em partes iguais, pelo Orçamento Geral do Estado e por cada uma das comunidades autónomas que se forem associando à medida.
Saúde dentária
O programa sanitário aprovado pelo Conselho Inter-territorial de Saúde espanhol estabeleceu ainda que as crianças entre os sete e os oito anos de idade que residam em qualquer parte do território de Espanha vão passar a usufruir de consultas gratuitas no dentista, já a partir de 2008, no âmbito de um programa igualmente negociado entre o governo central e as comunidades autónomas. Bernat Soria, ministro da Saúde e do Consumo do país vizinho, disse, numa curta declaração feita nesta quarta-feira, que a intenção da tutela é a de que, até 2012, todas as crianças espanholas com idade inferior a 15 anos estejam abrangidas por este programa, que inclui, segundo a Agência Lusa, revisões periódicas no dentista, instruções relativas à dieta mais adequada e sobre a saúde da boca, a aplicação tópica de flúor e a avaliação regular das cáries.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa

FDA aprova testes para identificação de bactérias resistentes

A FDA autorizou a Dade Behring Inc., que produz instrumentos para diagnósticos clínicos, a comercializar os testes para uma rápida identificação de bactérias Gram+ resistentes a antibióticos. A agência norte-americana aprovou o produto MicroScan Synergies Plus Gram Positivo que identifica bactérias em duas horas, e fornece resultados, no próprio dia, para estirpes que causam graves ameaçam para a saúde nos hospitais.

O novo teste da Dade Behring pode detectar alguns dos mais perigosos germes resistentes a fármacos, tais como os staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA). O teste também detecta staphylococcus aureus resistentes à vancomicina (VRSA), e enterococcus resistentes à vancomicina (VRE). A resistência aos antibióticos prolonga a doença nos pacientes e coloca-os num grande risco de morrer.

Segundo o “Centers for Disease Control and Prevention” (CDC), dos Estados Unidos, a resistência aos antibióticos é uma das situações mais preocupantes da saúde pública. Segundo estadísticas, em 1971 apenas existiam 2 por cento de pessoas com MRSA, aumentando para 22 por cento em 1995, e para 63 por cento em 2004. A utilização excessiva da vancomicina está a provocar resistência por parte dos estafilococos e dos enterococos. As infecções por bactérias resistentes aos medicamentos adoecem 2 milhões de pessoas por ano, e têm custos de 20 mil milhões de dólares para o tratamento a nível nacional, segundo o CDC.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Bloomberg, Reuters, Forbes

Vodka salva vida de paciente envenenado

Um turista italiano envenenado com etilenoglicol foi salvo pela vodka, é que os médicos australianos que o atenderam não tiveram outra alternativa perante a ruptura do stock de álcool farmacêutico, que funciona como um antídoto para o etilenoglicol.

O turista italiano de 24 anos foi levado ao Hospital Mackay Base, no norte do Estado de Queensland, na Austrália, depois de ter ingerido uma grande quantidade de etilenoglicol, um componente de aditivos de radiador de automóveis, numa suposta tentativa de suicídio.

Quando chegou ao hospital, o italiano estava inconsciente e de imediato foi iniciado o tratamento com álcool farmacêutico, mas os suprimentos de álcool farmacêutico do hospital de Queensland acabaram e foi preciso recorrer a outra solução.

“Rapidamente usámos todos os frascos disponíveis e decidimos que havia outra opção: fornecer álcool ao paciente através de bebidas alcoólicas colocadas na sua sonda nasogástrica” , disse o médico Pascal Gelperowicz, que liderou a equipa de tratamento em conjunto com Todd Fraser, ao jornal The Australian.

O paciente foi então alimentado com vodka durante três dias, por via intravenosa, um tratamento que, segundo Todd Fraser, pode não ser convencional, mas foi bem sucedido, pois o paciente recuperou totalmente.

“O paciente recebeu o equivalente a três doses comuns a cada hora, durante três dias, enquanto permaneceu na unidade de terapia intensiva” , afirmou Fraser.

O etilenoglicol pode paralisar o funcionamento dos rins e é fatal.

Inês de Matos

Fonte: Sol

25 por cento dos portugueses sofrem de depressão

A depressão afecta já cerca de 25 por cento dos portugueses, uma doença com tendência a aumentar, embora passe muitas vezes desapercebida. O alerta é do presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), Adriano Vaz Serra, que falou esta quarta-feira aos jornalistas, durante as comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental.

A depressão uma doença mental "recorrente e incapacitante", afectando desta forma a vida pessoal, familiar e profissional dos doentes. Vaz Serra advertiu ainda que "é provável que a depressão venha a ultrapassar a gripe no século XXI", pois apesar de ser actualmente melhor reconhecida, esta doença mental é recorrente e, como a longevidade é cada vez é maior, tem tendência a aumentar.

Na opinião do presidente da SPPSM, uma doença psíquica não é localizada, pois é um transtorno do próprio cérebro que impede o funcionamento normal das pessoas, devendo caber aos responsáveis pelos cuidados primários de saúde detectá-las. Deste modo, "os clínicos gerais são os psiquiatras de vanguarda", pois "um doente [mental] não se queixa do que tem mas do que pensa ter".

"A identificação de uma doença mental, em especial da depressão, deve ser feita por um clínico, embora haja muitas depressões que passam desapercebidas, acabando a pessoa por não receber qualquer tipo de tratamento", salientou Vaz Serra.

Deste modo, o presidente da SPPSM defende que é "essencial manter um Serviço Nacional de Saúde adequado" que permita o tratamento a todas as pessoas que sofrem de uma doença mental. Contudo, em sua opinião, o SNS "falha muito" porque a identificação das situações é, muitas vezes, tardia e os tratamentos são "feitos de forma muito lenta".

“Os transtornos mentais são uma das causas mais proeminentes no suicídio”, lembra Vaz Serra, adiantando ainda que "cerca de 800 mil pessoas por ano, no Mundo, suicidam-se”.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

GlaxoSmithKline adquire fármaco experimental para o melanoma avançado

A britânica GlaxoSmithKline Plc (GSK) adquiriu os direitos de licenciamento do fármaco experimental, na Fase III do estudo, para o tratamento do melanoma avançado, o STA-4783, da Synta Pharmaceuticals Corp, num acordo que pode render à companhia biotecnológica norte-americana mais de mil milhões de dólares (712 milhões de euros).

A Synta irá receber um pagamento inicial de 80 milhões de dólares, e pode receber, posteriormente, mais 885 milhões de dólares, se o fármaco atingir os objectivos relativos ao desenvolvimento, regulamentação e vendas. A GSK pode ainda adquirir até 45 milhões do stock da Synta.

Este acordo pelo fármaco, que está agora a iniciar a Fase III de um ensaio global com 600 pacientes, marca um passo em frente da GSK para impulsionar a sua pipeline através de alianças externas. A GSK, a maior farmacêutica da Europa, colocou os fármacos oncológicos numa área prioritária de desenvolvimento. Este acordo fortalece a pipeline de fármacos para o cancro em estádios avançados de testes, em que actualmente se incluem 10 programas de Fase III, segundo revelou o responsável pela investigação e desenvolvimento da GSK, Moncef Slaoui.

O fármaco injectável, o STA-4783, tem um novo mecanismo de acção que produz substâncias que matam as células cancerígenas, através do aumento dos níveis de oxigénio até ao ponto de ruptura, activando a morte programada destas células, sem danificar as células normais, pois estas têm uma tolerância mais elevada ao oxigénio.

Na Fase II do estudo, os pacientes com melanoma em estado avançado que tomaram o fármaco da Synta mais um agente comum de quimioterapia apresentaram uma sobrevivência média de 12 meses, em comparação com os 5,6 meses da quimioterapia sozinha. A sobrevivência livre de progressão mais que duplicou, 35 por cento contra 15 por cento, em seis meses. A Synta antecipa que também possa funcionar numa variedade de outros tipos de tumores, podendo também ser testado para a leucemia, cancro dos ovários e cancro pancreático.

Segundo o acordo, a Synta irá financiar todo o desenvolvimento do STA-4783 para o melanoma metastizado, a forma mais mortal de cancro da pele. As companhias irão partilhar os custos relacionados com desenvolvimento e comercialização do STA-4783 nos Estados Unidos, e a GSK irá ter direitos exclusivos em todos os outros sítios. Actualmente, existem poucos fármacos disponíveis para pessoas com cancro da pele avançado, que mata cerca de 70 por cento dos pacientes num ano.

Isabel Marques

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

MNSRM: 90% elege farmácia como local de compra

Portugueses apontam tradição e confiança no atendimento do profissional farmacêutico

Tradição e confiança são os motivos que movem 90% dos portugueses a comprar Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) numa farmácia. Notoriamente à margem, fica a aquisição em supermercados e noutras lojas, com 7% e 3%, respectivamente. A conclusão saiu de um inquérito online feito pela DecoProteste.

Quais os locais onde costumavam comprar os seus medicamentos, foi a pergunta lançada aos consumidores cibernautas - entre os dias 30 de Julho e 10 de Agosto - através do canal «Prioridade à Saúde», no site da Proteste.

Segundo a edição deste mês da revista «Teste Saúde», “a tradição e a confiança no atendimento profissional farmacêutico são os principais responsáveis por esta realidade”, divulgando que “num total de 1.046 respostas, a maioria, 90%, elege a farmácia.”

A revista revela ainda que a “comodidade” e, também, a “impossibilidade” de adquirir MNSRM em certas regiões do país (noutros locais que não a farmácia) foram outros dos factores apontados no inquérito.

Raquel Pacheco
Fontes: «Teste Saúde»/FarmaNews

Exame colo-rectal: HUC utilizam pela primeira vez cápsula com câmaras integradas

Uma cápsula para examinar o cólon, de dimensões idênticas à de uma cápsula de vitaminas, munida com duas câmaras que filmam o interior do intestino, captando ao longo do percurso cerca de 150 mil imagens, vai ser pela primeira vez usada em Portugal, na próxima sexta-feira, pelos Hospitais da Universidade de Coimbra.

De acordo com o médico Hermano Gouveia, do Serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), que vai aplicar a técnica pioneira, a cápsula endoscópica é ingerida de manhã pelo doente e a partir daí, pode fazer a sua vida normal, pois o filme é registado, ao longo das oito ou nove horas seguintes, num aparelho do tamanho de um telemóvel, que o doente transporta e depois deixa no hospital para os resultados serem analisados pelos especialistas.

Esta técnica tem-se revelado uma mais valia face às restantes técnicas de análise dos intestinos e do cólon, pois evita o desconforto que a colonoscopia tradicional provoca e que muitas vezes afasta os pacientes da realização do exame.

"É uma arma importante no rastreio do cancro colo-rectal. A colonoscopia tradicional tem vantagens e continua a ser a pedra de toque na terapêutica, na biopsia e na ressecção de póliplos, mas a cápsula endoscópica, por não causar desconforto, tem a vantagem de trazer pessoas para o rastreio", sublinhou o médico.

"Até aqui, para vermos o cólon tínhamos de introduzir o colonoscópio [um tubo flexível com cerca de 1,30 metros], sendo por vezes necessária anestesia. Agora, sem nenhum desconforto, obtemos a visão do cólon através de uma técnica fiável e confortável", disse o também vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia.

Este novo método representa "uma mudança completa" no diagnóstico das patologias do cólon e encontra-se já a ser utilizado neste serviço dos Hospitais da Universidade de Coimbra para examinar o intestino delgado.

A cápsula é fabricada em Israel, com custos que rondam os 1.500 euros e deverá começar a ser comercializada até ao final do ano.

O cancro do cólon e do recto é já o tipo de cancro mais frequente nos homens, embora, neste mesmo grupo, seja a quarta causa de morte oncológica. Já nas mulheres é o segundo tipo de cancro bem como a segunda causa de morte oncológica. Todos os anos surgem em Portugal cerca de cinco mil novos casos de cancro colo-rectal.

Uma alimentação equilibrada, peso controlado e a prática regular de exercício físico são alguns dos cuidados que podem evitar o aparecimento da doença.

Inês de Matos

Fontes: Lusa, Portal da Saúde

DecoProteste estuda «Farmácia Caseira»

A DecoProteste está a deslocar-se, durante este mês, a casa das famílias portuguesas para apurar que fármacos têm em casa, onde e como os guardam. Obter um retrato mais fiel possível dos hábitos dos consumidores é o objectivo do estudo intitulado «Farmácia Caseira».

A visita – que pode ser marcada em http://www.deco.proteste.pt/ – servirá “para ver que cuidados têm com os medicamentos, como prazos de validade, exposição à humidade ou ao sol, se estão alcance das crianças ou se guardam o folheto”, informa a associação de defesa do consumidor, ressalvando que os testemunhos são anónimos.

Raquel Pacheco
Fonte: DecoProteste