quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Vírus pode desencadear cancro

Estudo norte-americano sugere que cancro nasce de células mortas; investigadores chamam-lhe “Paradigma de Fénix”

À luz de um estudo publicado (na edição de quarta-feira) da revista «PLoS One», da Public Library of Science, os vírus podem contribuir para o desenvolvimento de cancro. A teoria é sustentada pelos cientistas com base na morte excessiva das células normais, revertendo-se no crescimento de células sobreviventes com características cancerígenas.

De acordo com os investigadores, da Universidade de Pittsburgh, nos EUA,
os vírus podem agir como forças de selecção natural ao eliminar células normais, que suportam a replicação viral e deixar para trás as células que adquiriram defeitos ao longo do seu percurso. “Quando este processo é repetido, incessantemente, pode desenvolver-se cancro”, frisou o coordenador do estudo, Preet Chaudhary.

A relação (vírus/cancro) tem alavancado várias investigações e são diversos os mecanismos de ligação sugeridos pela comunidade científica. Uma hipótese conhecida é a de que o material genético do vírus alteraria a célula ao infectá-la, levando-a a crescer descontroladamente e, eventualmente, provocando cancro.

Sabe-se, também, que a infecção com vírus tem sido associada a diversas formas de cancro em humanos, incluindo os linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin, sarcomas (tumores malignos do tecido conjuntivo) e cancro de garganta e de fígado. Outra das hipóteses avançadas sugere que alguns vírus promovem o cancro ao causar inflamação crónica.

No entanto, para a equipa de Pittsburgh, os vírus conduzem ao cancro, mas de uma maneira menos directa: "Achamos que possa estar em jogo um mecanismo separado, de modo que um dano celular - tal como uma infecção viral - selecciona alguns clones mutantes preexistentes e promove o seu posterior crescimento e multiplicação, originado, eventualmente, a emergência de células plenamente cancerígenas", relatou Preet Chaudhary à «PLoS One».

Segundo explicou o investigador à PLoS One, “à semelhança da influência da selecção natural durante a evolução, o excesso de células mortas - e não a sua ausência - pode ser uma força decisiva para o aparecimento inicial do cancro”, acrescentando que chamam a este processo “Paradigma de Fénix, no qual o cancro, teoricamente, nasce das cinzas das células mortas", sustentou Chaudhary.

Estudo do gene K13

Os investigadores desenvolveram o estudo com base em células infectadas com o vírus Herpes - associado ao sarcoma de Kaposi (KSHV) - e examinaram um gene conhecido como o K13, o qual activa um caminho previamente implicado no desenvolvimento de cancro.

De acordo com os resultados divulgados, as células com baixa expressão de K13 permitiram a replicação do KSHV tendo morrido logo a seguir e as células com expressão mais alta de K13 emergiram depois da replicação do KSHV e mostraram expressão defectiva de duas proteínas-chave conhecidas como promotoras de cancro.

Chaudhary não deixou de realçar que “caso o paradigma seja validado em estudos futuros, terá implicações não apenas para o melhor conhecimento dos processos envolvidos no cancro, mas também, para o desenvolvimento de estratégias efectivas para a sua prevenção e tratamento."

Raquel Pacheco

Fonte: PLoS One/ CBCNews

Investigação lipídica pode «dar luz» a tratamentos

Químico holandês destaca importância da sinalização celular dos lípidos na investigação de doenças e ao serviço da saúde

Trazer novas soluções (terapias) para velhos problemas (doenças) através do estudo dos lípidos foi o desafio lançado, no Porto, pelo químico Gerrit Van Meer da Universidade de Utrecht, na Holanda.

O investigador falava no âmbito do «V Simpósio Internacional da Sociedade Portuguesa de Doenças Metabólicas» - que decorreu, esta semana, no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) - onde destacou a importância da biologia lipídica (cellular lipidomics) na descoberta de respostas.

Ao considerar que “ainda há muito a saber” face à importância da sinalização celular dos lípidos, Van Meer exemplificou: "Depois de 40 anos de investigação e de uns quantos Prémios Nobel ainda não sabemos exactamente onde o colesterol está na membrana celular e como se move" sublinhando que "a doença de Alzheimer tem uma componente ligada ao colesterol (um esteróide).”

Reforçando que “o estudo lipídico tem um papel fundamental ao nível da investigação em doenças”, o químico holandês defendeu “um maior investimento no desenvolvimento de tecnologias capazes de estudar nessa área” e “fortalecer as ligações entre quem desenvolve essas tecnologias e a comunidade que investiga os lípidos.”

Para Gerrit Van Meer, é também de extrema importância "harmonizar todas as práticas ao nível da lipídica na União Europeia, de forma a conseguir uma padronização dos métodos de análises lipídicas", acrescentando que urge, igualmente, criar de uma rede de centros de investigação em lipídica “para que o conhecimento detido por cada um seja mais facilmente acessível e disponível”, sustentou.

Na opinião do especialista, “não basta formar pessoas boas em genómica, em investigação ou em lipídica”, advogando, por isso, o investimento em capital humano, “pessoas que saibam quais são as necessidades de clínicos, das indústrias e da academia," frisou.

Lipídica (ou lipidómica) é um subgrupo da metabolómica que quantifica e caracteriza todos os lípidos existentes nas células e nos organismos com o objectivo de determinar os mecanismos moleculares pelos quais os lípidos actuam.

Dos oito tipos de lípidos já identificados, destacam-se três classes principais: os glicerolípidos (65% de todos os lípidos que compõem as membranas), esfingolípidos (cerca de 10% de todos os lípidos constituintes nas membranas) e os esteróides (25%).

Relativamente aos esfingolípidos, Jairaj Acharya, do Instituto Nacional do Cancro de Frederick, nos Estados Unidos, esclareceu que são componentes estruturais do plasma e da membrana. Afectam processos de secreção de proteínas e de endocitose (processo de transporte de macromoléculas para o interior das células eucarióticas).

Raquel Pacheco

J&J e Galapagos juntas para desenvolver fármacos para artrite reumatóide

A norte-americana Johnson & Johnson e a companhia biotecnológica belga Galapagos assinaram um acordo mundial para descobrir, desenvolver e comercializar terapêuticas orais de pequenas moléculas para a artrite reumatóide (AR). A Galapagos pode vir a ganhar até mil milhões de dólares com este negócio.

Segundo o acordo, a J&J poderá escolher até 12 programas dos alvos de AR internamente identificados da Galapagos. A companhia belga será responsável por descobrir produtos candidatos dos alvos seleccionados pela J&J, e irá desenvolvê-los através de testes de Fase IIa. A J&J irá depois ter uma opção de licenciar exclusivamente estes compostos, e irá assumir todos os desenvolvimentos posteriores e as responsabilidades de comercialização.

A J&J irá efectuar pagamentos iniciais de 17 milhões de euros (24,2 milhões de dólares) à Galapagos, que também poderá receber até 73 milhões de euros (104 milhões de dólares) em pagamentos quando forem atingidos objectivos de descoberta, desenvolvimento, reguladores e de vendas, por cada composto licenciado à J&J. A companhia belga será elegível para receber regalias sobre as vendas mundiais de qualquer dos produtos aprovados.

Em destaque incluem-se mais de 430 milhões de euros em pagamentos quando forem atingidos objectivos de desenvolvimento e reguladores caso seja lançado mais do que um produto, e até pagamentos de 346 milhões de euros quando forem atingidos objectivos de vendas, assim como quantias de dois dígitos em regalias.

Adicionalmente, a companhia norte-americana obteve uma opção para licenciar os produtos candidatos da Galapagos provenientes de outros programas de AR internos, incluindo o programa mais avançado da companhia baseado no alvo da quinase GT418.

Segundo o CEO da Galapagos, Onno van de Stolpe, esta é provavelmente a maior aliança de investigação do mundo centralizada na artrite reumatóide. A companhia espera ter três fármacos candidatos em ensaios clínicos para a artrite reumatóide em 2009. O CEO da companhia sublinhou ainda que a J&J está claramente à procura de uma nova geração de fármacos para substituir o Remicade, que é uma injecção e que os pacientes não gostam, sendo que somente 30 por cento respondem à terapia. O fármaco proveniente da aliança com a Galapagos poderá ser em forma de comprimido. Van de Stolpe acrescentou ainda que o objectivo da aliança é ter um tratamento no mercado entre 2012 e 2013.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, First Word, Reuters

Despedimentos no sector farmacêutico agravam-se em 2007

O cenário de contenção e competitividade financeira que tem caracterizado a indústria farmacêutica e biotecnológica nos últimos tempos levou a uma série de cortes no número de postos de emprego. Entre demissões, reestruturações, cortes ou acções de reorganização, o processo tem vindo a agravar-se e 2007 está a revelar-se particularmente crítico para o sector.

As preocupações relacionadas com o término de patentes, o falhanço nas vendas de alguns produtos devido a preocupações de segurança e as constantes aquisições são alguns dos motivos que justificam as reduções de postos de trabalho levadas a cabo por algumas farmacêuticas. O portal “Fierce Biotech” elaborou uma lista das cinco empresas farmacêuticas e biotecnológicas com cortes mais significativos à qual o “Pharmalot” acrescentou alguns nomes:

1. Pfizer – 10.000 postos de trabalho;
2. AstraZeneca – 7.600 postos de trabalho;
3. Bayer – 6.100 postos de trabalho;
4. Johnson & Johnson – 5.000 postos de trabalho;
5. Amgen – 2.600 postos de trabalho;
6.
GlaxoSmithKline – 1.650 postos de trabalho (inclui apenas os EUA e Porto Rico)
7. Novartis – 1.260 postos de trabalho;
8. Abbott – 200 postos de trabalho (diz respeito apenas ao sector de investigação).

Marta Bilro

Fonte: Fierce Biotech, Pharmalot.

Medicamentos personalizados preocupam população

Estudo revela que há quem prefira ignorar predisposições genéticas

A possibilidade dos medicamentos virem a ser prescritos de forma personalizada está a causar preocupações junto da população. Um estudo financiado pelo Conselho de Investigação Social e Económica do Reino Unido (ESRC na sigla inglesa) revela que há quem prefira manter-se na ignorância relativamente às suas susceptibilidades genéticas ou mesmo à probabilidade de vir a desenvolver determinada doença, como o cancro.

Brian Wynne, professor e director associado do Cesagen, um dos três centros de investigação da Rede de Genómicos do ESRC, realizou um inquérito para determinar a opinião do público acerca da utilização dos testes genéticos com vista à prescrição e desenvolvimento de fármacos. Wynne e Elisa Pieri concentraram-se em questionar camadas da população cuja opinião é por vezes difícil de obter, como os idosos, os jovens e os pais com crianças pequenas, bem como os membros de comunidades étnicas.

Os resultados salientam as fortes preocupações, incómodos e responsabilidades a que poderiam estar sujeitas as pessoas face à possibilidade de descobrirem o que o futuro lhes reserva em termos genéticos.

“Contrariamente ao que muitas vezes se escreve acerca dos medicamentos personalizados, os membros da população frisaram o quanto essas opções provocariam impacto e tensão no seio das famílias, ao mesmo tempo que poderiam conduzir à estigmatização”, afirmou Wynne. De acordo com o investigador, os inquiridos receiam também que tal hipótese venha a barrar-lhes o acesso a serviços chave, como os seguros, hipotecas, cobertura médica e oportunidades de emprego.

A possibilidade de avaliar as predisposições genéticas de um indivíduo para uma determinada doença é, sem dúvida, algo de positivo. O que o estudo sublinha é que, na prática, esta possibilidade pode vir a levantar problemas de carácter ético.

O termo “medicamentos personalizados” não se refere apenas aos testes de predisposição genética mas também à utilização de informação genética para a prescrição de medicamentos, ou combinação de fármacos que vão mais eficazes no tratamento da doença de um paciente específico.

Vários fármacos actualmente comercializados vêm já acompanhados de testes de diagnóstico para verificar se o doente está apto à administração dos mesmos, é o caso do Herceptin (trastuzumab), produzido pela Genentech.

Apesar da hipótese agradar a muitas pessoas, há ainda quem tenha dúvidas e os resultados demonstram que a indústria farmacêutica e os cientistas têm um logo caminho a percorrer para assegurar que os testes genéticos possam ser utilizados de acordo com os preceitos éticos de forma a garantir à população que os devem realizar.

Ainda que as suspeitas de estigmatização associadas a este procedimento sejam postas de parte, permanece ainda a questão dos custos. Os participantes deste inquérito consideram que a condição social e financeira de cada indivíduo terá relevância na concretização efectiva das alterações aos estilos de vida e ao tratamento sugeridos pelos testes.

Marta Bilro

Fonte: OutSourcing-Pharma.com, Politics.co.uk.

GlaxoSmithKline regista quebra de 5,8% nos lucros do terceiro trimestre

A GlaxoSmithKline anunciou uma quebra de 5,8 por cento nos lucros do terceiro trimestre deste ano relativamente ao período homólogo de 2006. Os resultados vão obrigar a maior farmacêutica europeia a um corte nos postos de trabalho de forma a melhorar a sua performance num ambiente de negócios cada vez mais exigente.

O laboratório britânico registou um lucro de 1,9 mil milhões de euros entre Julho e Setembro de 2007, menos 5,8 por cento do que os 2,1 mil milhões de euros registados no terceiro trimestre de 2006.

A competitividade dos genéricos e uma redução de 38 por cento nas vendas do Avandia (maleato de rosiglitazona), para os 323,5 milhões de euros no trimestre em análise, são as principais causas apontadas para esta descida nos lucros.

Apesar de enfrentar alguns “desafios significativos”, o director executivo da empresa, Jean-Pierre Garnier, considera que “a GlaxoSmithKline continua no caminho certo para conseguir alcançar os resultados estipulados para este ano”.

A empresa tem agora planos para proceder a um corte de 2,15 mil milhões de euros nos custos, uma medida que prevê o desenvolvimento de uma produção mais eficiente, alterações ao modelo de vendas, melhorias na eficácia e redução dos postos de trabalho.

JP Garnier escusou-se a revelar o número de empregos que serão suprimidos, afirmando que a empresa vai ainda proceder a conversações com os funcionários.

Marta Bilro

Fonte: Market Watch, Diário Económico, Dinheiro Digital, Globo Online.

OMS prevê aumento da capacidade de produção de vacinas contra gripe pandémica

4,5 mil milhões de vacinas até 2010

A Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que, até 2010, poderão ser produzidas anualmente a nível global 4,5 mil milhões de vacinas contra uma possível pandemia de gripe, um aumento que fica a dever-se às mais recentes descobertas científicas.

"Com a capacidade de produção de vacinas anti-gripe a aumentar, começaremos a ficar melhor posicionados para tratar de uma pandemia de gripe", afirmou Marie-Paule Kieny, directora da iniciativa da OMS para a pesquisa de vacinas. Isto porque o desenvolvimento de uma fórmula mais eficiente permitiu que as farmacêuticas conseguissem produzir mais vacinas contra a gripe do que o que estava anteriormente previsto.

De acordo com Kieny, os grandes grupos farmacêuticos, como a Novartis, a GlaxoSmithKline e a Sanofi-Pasteur, conseguiram este ano desenvolver a sua produção de vacinas contra a gripe, passado de 350 milhões de doses, em 2006, para 565 milhões. Em 2010, os laboratórios terão capacidade para produzir mil milhões de doses de vacinas sazonais, por ano, acrescentou a responsável.

Esta nova estimativa vem aliviar as preocupações da OMS e da maioria dos especialistas em saúde que acreditam que o mundo não está preparado para o surgimento de uma pandemia de gripe. Este tipo de epidemias globais surge, em média, três vezes em cada século, sempre que emerge uma nova estirpe de gripe para a qual os humanos ainda não estão imunizados.

A gripe pandémica afecta gravemente três a cinco milhões de pessoas a cada ano, sendo responsável por 250 mil a 500 mil mortes, principalmente entre a população idosa e os doentes crónicos.

Marta Bilro

Fonte: Folha Online, Reuters, Medical News, Today.

Ministério da Saúde esclarece atribuição de novas farmácias

“Não existe qualquer dispositivo de preferência a não farmacêuticos”

Num esclarecimento enviado à Ordem dos Farmacêuticos, o Ministério da Saúde refere que a informação veiculada na imprensa acerca do concurso para atribuição de novas farmácias “carece de fundamento”, garantindo que não se propõe que seja dada preferência a não farmacêuticos. Em causa está uma notícia avançada pelo DN esta quarta-feira que afirmava que o Ministério da Saúde pretendia dar preferência aos não farmacêuticos na abertura de novas farmácias.

O Ministério afirma que “nos projectos de diploma regulamentares da propriedade das farmácias de oficina, actualmente em preparação, não existe qualquer dispositivo de preferência a não farmacêuticos nos concursos para novas farmácias”.

O que consta da proposta é o estabelecimento de “uma graduação dos concorrentes em função do número de farmácias, detidas, exploradas ou geridas, sendo graduado em primeiro lugar, em caso de igualdade, o concorrente com menor número de farmácias”.

Neste sentido, um farmacêutico que não detenha a propriedade de qualquer farmácia não será preterido por qualquer outro membro da população que pretenda entrar no negócio. A regra aplica-se apenas aos farmacêuticos que já possuem um estabelecimento do género, com a intenção de evitar a concentração.

Marta Bilro

Fonte: Ordem dos Farmacêuticos, Diário Económico.

Sorteio elege proprietários de novas farmácias

É a sorte que vai ditar o vencedor de um concurso público para a abertura de uma nova farmácia. De acordo com o Ministério da Saúde, o sorteio é o “único modo” equitativo, transparente e objectivo” para escolher a quem atribuir a exploração destes estabelecimentos à luz da nova lei, refere a edição desta quinta-feira do Diário de Notícias.

O método vai ser aplicado aos que ficarem empatados em primeiro lugar. Sendo que, o “critério decisivo” para garantir o primeiro lugar é o concorrente não estar ligado a nenhuma farmácia existente.

O projecto de portaria, ao qual o jornal teve acesso, determina que os proprietários de actuais farmácias - ou farmacêuticos que não sejam donos mas que estejam já ligados a um estabelecimento com funções de gestão - são preteridos em relação aos outros interessados que entram de novo no negócio. O importante, por isso, é ser novo no ramo.

"Impõe-se como critério decisivo para a graduação o menor número de farmácias detidas, exploradas ou geridas pelo concorrente", lê-se no documento do Ministério da Saúde. O objectivo é limitar a concentração da propriedade que, segundo a nova lei, não pode ultrapassar os quatro estabelecimentos por pessoa ou sociedade.

Para simplificar o processo e uma vez que a lei que enquadra o sector já salvaguarda “os requisitos para o funcionamento de uma farmácia que satisfazem o interesse público” a portaria do ministério não estabelece mais critérios. Nesse sentido, diz o documento, não é razoável «basear a escolha em critérios artificiais».

A Ordem dos Farmacêuticos e a Associação Nacional de Farmácias (ANF) já reagiram ao projecto de portaria através da emissão de pareceres. A bastonária, Irene Silveira, refere que já mandou "sugestões para flexibilizar" os documentos. Por sua vez, a ANF alertou para o facto deste método não ter em consideração a qualidade das propostas. "Aparentemente, deixa de importar ao Estado a qualidade da assistência farmacêutica que cada um dos candidatos se propõe prestar".

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias, Diário Digital.

Não farmacêuticos vão ter prioridade para abrir novas farmácias

O Ministério da Saúde pretende dar preferência aos não farmacêuticos na abertura de novas farmácias. Os licenciados em farmácia não ficam excluídos da possibilidade de se candidatarem, porém, serão ultrapassados pelo resto da população que queira entrar neste negócio pela primeira vez, avança a edição desta quarta-feira do Diário de Notícias.

O novo regime jurídico da propriedade das farmácias, que entra em vigor no dia 1 de Novembro, retira aos farmacêuticos a exclusividade sobre a propriedade destes estabelecimentos. As normas que vão reger a candidatura às cerca de 350 novas farmácias que aguardam para ser abertas são um ponto que ainda está por regulamentar, algo que deverá acontecer depois de serem consultados os parceiros.

O presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), João Cordeiro, está descontente com o rumo das medidas previstas para o sector que constam do compromisso assinado entre esta associação e o Governo. Durante o durante o colóquio sobre a actividade farmacêutica, que decorreu terça-feira na Assembleia da República, o responsável acusou novamente o Ministério de avançar apenas com a parte do acordo que lhe interessa e de "adiar sucessivamente e sem justificação" a prescrição por princípio activo (DCI), a venda de medicamentos até aqui só dos hospitais e o alargamento de novos serviços nas farmácias. "Temo que o compromisso não seja integralmente cumprido, ou que avance com aspectos restritivos", afirmou aos jornalistas.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias, Fábrica de Conteúdos.

Medida inclui corte de postos de trabalho
GlaxoSmithKline em redução de custos


A companhia farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, a segunda maior do mundo e a mais importante na Europa, confirmou nesta quarta-feira uma quebra de 5,8 por cento nos seus lucros líquidos relativos ao terceiro semestre deste ano, por comparação com o mesmo período de 2006, e anunciou a implementação de um plano de redução de custos que inclui o corte de alguns empregos.

Segundo informações avançadas pela imprensa internacional, os resultados trimestrais da companhia, de 11,02 milhões de dólares (menos 2,68 milhões do que no período homólogo de 2006), não são animadores, e impulsionaram o objectivo de uma poupança de até 3,1 milhões, que incluirá o corte de alguns postos de trabalho na área das vendas, acompanhada de uma revisão nas operações em curso em algumas unidades fabris da companhia. Uma retracção de sete pontos percentuais nas vendas no mercado norte-americano, onde a competição dos medicamentos genéricos terá originado uma queda de 38 por cento nas vendas dos medicamentos da família Avandia, poderá justificar parte destes resultados, segundo afirma a companhia.

Carla Teixeira
Fonte: InvestNews

Acordo internacional para combater falsificações

CE preocupada com produtos farmacêuticos falsificados

A União Europeia (UE), Estados Unidos, Japão e outras nações vão negociar um novo Acordo contra a Falsificação Comercial (Anti-Counterfeiting Trade Agreement, ACTA) que tem como objectivo combater a cópia e produção não autorizada de produtos registados, e a contrafacção em todo o mundo. A Comissão Europeia (CE) está principalmente preocupada com a crescente incidência de produtos farmacêuticos falsificados a entrar no mercado.

A CE e o Gabinete do Representante do Comércio Externo dos EUA (Office of the United States Trade Representative, USTR) anunciaram planos para o novo pacto, vendo-o como a forma de fortalecer os esforços para proteger os direitos de propriedade intelectual a nível mundial, e proteger os consumidores de falsificações fracas e potencialmente perigosas. A Comissão Europeia está à procura da autorização dos 27 Estados-Membros da UE para negociar o novo acordo com grandes parceiros de negócios, no qual também estão incluídos Coreia do Sul, México, Nova Zelândia, Canadá e Suiça.

Enquanto que o novo acordo está preparado para abranger todos os aspectos das infracções à propriedade intelectual (desde cosméticos falsificados a partes de aviões contrafeitas), a CE expressou uma preocupação particular relativamente à crescente incidência de produtos farmacêuticos falsificados que chegam ao mercado. Na verdade, a situação mais preocupante é o aumento estrondoso do tráfico de medicamentos contrafeitos dos quais mais de 2,7 milhões foram interceptados nas fronteiras da UE em 2006, e que estão reconhecidos como estando na base de 10 por cento do comércio mundial de medicamentos. A maior parte destes fármacos falsificados vão para os países mais pobres do mundo.

Os dados da UE, lançados em Junho, revelam um grave aumento dos medicamentos contrafeitos em 2006, provenientes originariamente da Índia, China e dos Emirados Árabes Unidos. Este rápido aumento de fármacos falsificados, nos últimos anos, levou a CE a colocar especial ênfase em lidar com medicamentos contrafeitos, e com os efeitos perigosos, potencialmente fatais, que podem ter nos consumidores.

Deste modo, a Comissão recentemente solicitou que fosse iniciado um estudo para poder ter uma ideia mais clara do problema da contrafacção, especificamente nos produtos farmacêuticos. O estudo europeu iniciou há alguns meses, procurando identificar de onde provêem os fármacos falsificados, que tipo de produtos são e que canais são utilizados para a sua distribuição ilegal.

O porta-voz da CE, Ton van Lierop, declarou que a Comissão quer ter uma visão global da extensão dos medicamentos contrafeitos. Os resultados do estudo são esperados durante a primeira metade do próximo ano, e espera-se que forneçam alguns esclarecimentos daquilo que se está a tornar crescentemente num problema premente em todo o mundo.

O acordo ACTA espera juntar a comunidade internacional para criar uma frente unida para combater a praga de contrafacções que afecta todas as indústrias, e reforçar os direitos globais de propriedade intelectual. Os pontos-chave do pacto focam a cooperação internacional para harmonizar padrões e melhorar a comunicação, estabelecer práticas para promover uma protecção mais forte da propriedade intelectual, e a criação de uma estrutura legal robusta, moderna, que reflecte a natureza mutável do roubo da propriedade intelectual na economia global.

Isabel Marques

Fontes: www.outsourcing-pharma.com, Bloomberg, www.euractiv.com, www.siliconrepublic.com

Estudo italiano analisou qualidade de vida dos doentes
Diabéticos preferem bomba de insulina


Um estudo realizado em Itália analisou a qualidade de vida de 1341 diabéticos de tipo I e concluiu que os doentes submetidos à terapia com bomba de insulina vivem com menos restrições motivadas pela diabetes do que aqueles que têm de sujeitar-se às injecções diárias. Os resultados obtidos no estudo Equality I são muito semelhantes à realidade portuguesa.

A análise italiana aferiu que as restrições normalmente associadas à diabetes, designadamente em termos de regime alimentar e dos episódios de hipoglicemia (40 por cento inferior nos doentes que se submeteram à terapia com a bomba de insulina), concorrem para a insatisfação dos doentes diabéticos, e que no caso dos que utilizam o novo método o descontentamento em relação ao tratamento é 70 por cento menos incisivo. No âmbito do estudo foram constituídos dois grupos de doentes: 481 receberam tratamento com a bomba e 860 foram tratados com as múltiplas injecções diárias.
Antonio Nicolucci, médico director do Laboratório de Epidemiologia Clínica de Diabetes e Cancro do Instituto Mario Negri Sud de Chieti, em Itália, declarou, a propósito destes dados, que “a terapia com a bomba de insulina resultou numa redução do número de episódios hipoglicémicos, produzindo um efeito positivo sobre a qualidade de vida dos doentes, e mesmo aqueles que têm diabetes complicadas e difíceis de controlar ficaram satisfeitos quando utilizaram a bomba de insulina”. De acordo com os dados mais recentes da Federação Internacional da Diabetes, que o farmacia.com.pt já ventilou num artigo publicado há dias, actualmente haverá, à escala mundial, cerca de 246 milhões de pessoas, prevendo-se que o número de diabéticos possa atingir os 380 milhões em 2025. Todos os dias são diagnosticados 200 novos casos de crianças com diabetes de tipo I e estima-se que mais de 440 mil jovens com menos de 14 anos têm aquela doença. Em Portugal existem cerca de 650 mil portugueses diagnosticados com a doença, 10 por cento dos quais com a sua forma mais grave, para a qual não existe prevenção.

Carla Teixeira
Fonte: Comunicado de imprensa da Hill and Knowlton Portugal

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Exame ao sangue pode prever Alzheimer

Descoberta pode ser forte contributo no diagnóstico e tratamento precoce
Cientistas norte-americanos desenvolveram um exame sanguíneo que poderá ajudar a determinar - até seis anos de antecipação - o surgimento da doença de Alzheimer, permitindo, assim, a planificação de um tratamento precoce.

“O exame é seguro em 100 por cento dos casos, por isso, pode ser um forte contributo no diagnóstico e tratamento deste tipo degenerativo de demência senil mais propagado pelo mundo”, garantiu a equipa de investigadores da University School of Medicine, na Califórnia (Estados Unidos) que conduziu o estudo divulgado na revista «Nature Medicine».

Até agora, uma das maiores dificuldades existentes era determinar se as falhas de memória de carácter leve são indicativos de uma deterioração mental severa. Segundo informaram os cientistas, o exame em questão permite identificar certas transformações num grupo de proteínas no sangue que servem para transportar as mensagens: "Do mesmo modo que um psiquiatra pode deduzir muitas coisas ouvindo as palavras de um paciente, "escutando" diferentes proteínas podemos verificar que algo não funciona com as células", clarificou um dos autores do estudo, Tony Wyss-Coray.

"É excitante. Julgo que a descoberta tem um potencial enorme", considerou, por seu turno, o diretor do Gladstone Institute of Neurological Disease da Universidade da Califórnia, Lennart Mucke.

De acordo com a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos da Doença de Alzheimer (APFADA), a doença afecta mais de 70 mil pessoas. Um número que, segundo a associação, agravar-se-á, uma vez que, “as pessoas vivem mais e, por isso, crescem as probabilidades de a patologia se desenvolver.”

Raquel Pacheco

Fonte: Agência EFE/«Nature Medicine»/farmacia.com.pt

Brasil: Medicamentos responsáveis por 40% das intoxicações

Uso indiscriminado ed fármacos ocupa o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações em todo mundo, diz OMS

Os medicamentos são responsáveis por 40% dos casos de intoxicação, concluiu um levantamento inédito feito, no Brasil, pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.

Segundo a pesquisa, divulgada este mês, cerca de 90% das intoxicações por fármacos aconteceram por via oral e, em 85% dos casos, ocorrem em casa.

Os resultados do estudo evidenciaram, também, que o problema acontece na maioria dos casos com pessoas do sexo feminino (59%); com crianças até aos 5 anos (34%) e com adolescentes (17,6%).

Os fármacos antidepressivos e os analgésicos lideram a frequência dos casos de intoxicação, apurou ainda aquela entidade de saúde brasileira numa pesquisa que foi feita a partir de dados levantados durante dez anos em onze Centros de Assistência Toxicológica (Ceatox).

No sentido de evitar estes episódios, Margareth José Dias, farmacêutica da Vigilância Sanitária, referiu que “é fundamental que os medicamentos fiquem longe do alcance das crianças, que é a faixa mais exposta a acidentes”, acrescentando que, “igualmente importante é ler sempre a bula, para evitar possíveis efeitos colaterais.”

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), também ressalta que o consumo inadequado de fármacos, nomeadamente, através da automedicação representa um cenário de grande risco e efeitos colaterais.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso indiscriminado de medicamentos ocupa o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações. Além disso, a percentagem de internamentos hospitalares provocadas por RAM (Reacções Adversas a Medicamentos) ultrapassa 10%.

Raquel Pacheco

Fonte: Folha Online/Notícias Terra/OMS

ImClone Systems manifesta interesse na Biogen Idec

Empresa de biotecnologia norte-americana continua à venda

A Biogen Idec, que produz os medicamentos contra esclerose múltipla - Avonex (Interferão beta-1a) e Tysabri (Natalizumab)- informou continuar sem comprador.

A empresa no ramo da biotecnologia - que tem uma capitalização de mercado de 19,3 bilhões de dólares - afirmou ter contratado o Goldman Sachs e a Merrill Lynch para ajudar a encontrar um comprador, adiantando já ter recebido "expressões de interesse".

Um dos interessados - revelou a Biogen em comunicado de imprensa - é o investidor bilionário Carl Icahn que, recentemente, assumiu o controle da empresa de biotecnologia ImClone Systems.

Na opinião do analista da Morningstar, Damien Conover, "potenciais interessados vão ser, provavelmente, as grandes farmacêuticas, bem como, aquelas que já têm parcerias com a Biogen."

Recentemente, - tal como noticiou o farmacia.com.pt – a empresa anunciou que a administração foi autorizada a avaliar se terceiros teriam interesse em adquirir a companhia por um preço e termos que representem um melhor valor para seus accionistas do que a farmacêutica continuar a executar sua estratégia numa base autónoma e dedicada.

Lucro abaixo do previsto

Ontem, a Biogen Idec divulgou que os lucros caíram 24% no terceiro trimestre e confirmou a meta de resultados para o ano. A companhia norte-americana registrou lucros líquidos de 119,4 milhões de dólares (0,41 por acção), sendo que, no período homólogo do ano anterior, os ganhos foram de 156,6 milhões, (0,45 por acção).

Parceria com Biocant Park

Recorde-se que, este mês, a empresa norte-americana Biogen Idec associou-se ao Biocant Park, em Cantanhede, numa parceria para dar corpo a um projecto de investigação que visa encontrar marcadores moleculares para um diagnóstico mais preciso e uma melhor caracterização da esclerose múltipla.

Raquel Pacheco

Fonte: Globo Online/ Morningstar/ monitormercantil.com

Aborto negligente é pandemia global

Especialistas mundiais defendem acesso universal a um atendimento que permita uma segura interrupção da gravidez

Alertar para a pandemia em que se tornou o aborto feito sob risco, negligente ou clandestino foi o tema que esteve na agenda da pioneira «Conferência Global sobre Aborto Seguro» que decorreu, esta semana, em Londres. Ampliar o acesso ao aborto seguro no mundo inteiro foi o repto lançado.

Numa demonstração sem precedentes de preocupação global, perto de 800 especialistas de saúde pública, representantes governamentais e defensores da saúde das mulheres de todo o mundo estiveram reunidos, em Londres. O objectivo foi estabelecer um ímpeto na redução do alarmante ónus causado por abortos inseguros na saúde e na vida das mulheres.

Organizada pelas Organizações Não-Governamentais (ONGs) Marie Stopes International (MSI) e Ipas and Abortion Rights – entidades que promovem a saúde e os direitos das mulheres – a «Conferência Global sobre Aborto Seguro» reconheceu o direito das mulheres à autodeterminação no exercício de suas opções reprodutivas e incentivou esforços em prol de uma reforma jurídica segura.

"Pediram-me para discursar durante 15 minutos, mas neste período de tempo, duas mulheres, provavelmente no mundo em desenvolvimento e provavelmente jovens, estão a morrer”, afirmou com veemência Mark Lowcock, Diretor-Geral de Políticas e da Divisão Internacional do Departamento Britânico de Desenvolvimento Internacional.

O responsável – que falava na sessão de abertura do certame – frisou que, pelo menos, “66 mil mulheres morrem anualmente como resultado directo de abortos inseguros", acrescentando que “a tragédia é ainda maior porque nós temos a tecnologia para prevenir quase todas essas mortes e continua-se a varrer esse problema para baixo do tapete."

De referir que, a publicação médica «The Lancet» considerou o aborto inseguro um dos problemas de saúde mais neglicenciados de nossa época. Um problema controverso que foi debatido durante dois dias à escala mundial por representantes de quase 60 países.

Um maior acesso a serviços de aborto seguro foi o apelo que saiu daquela que foi a primeira conferência global de todas desse género.

Portugal: 3000 abortos em três meses

Em Portugal, registaram-se três mil abortos em três meses de vigência da nova lei. Contudo, há uma região que mantém o registo zero em matéria de interrupções voluntárias da gravidez - a ilha da Madeira. "Até ao momento, não se registou na Madeira nenhum pedido de aborto dentro do novo enquadramento jurídico, nem casos com complicações pós-aborto. O que significa que a região autónoma é líder no planeamento familiar", declarou ao «Diário de Notícias» o secretário regional dos Assuntos Sociais, Jardim Ramos.

Apesar dos dados oficiais, é difícil acreditar que, de um dia para o outro, as mulheres madeirenses tenham deixado de fazer interrupções de gravidez sem sair da região. Segundo refere o DN, “há clínicas no Funchal que, há anos, praticam a IVG, com internamento e acompanhamento médico.”

Raquel Pacheco
Fonte: PRNewswire/DN/The Lancet
Simpósio «Prevenção, foto-educação e diagnóstico precoce»
Prevenir e tratar o cancro de pele


A Liga Portuguesa Contra o Cancro promove nesta quinta-feira, pelas 14h30, no auditório do Núcleo Regional do Norte, no Porto, um simpósio subordinado ao tema «Prevenção, foto-educação e diagnóstico precoce», que se insere num ciclo de conferências essencialmente destinado aos técnicos de saúde – médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, farmacêuticos e outros –, mas também a voluntários e à sociedade.

De acordo com informações avançadas ao farmacia.com.pt por fonte da organização do evento, a sessão pretende “alertar para os sintomas e as causas” do melanoma, focando também os aspectos do diagnóstico e do tratamento e prevenção. Nesta conferência intervêm diversos especialistas em cancro de pele, dermatologistas e cirurgiões. Vítor Veloso, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, faz as honras na sessão de abertura do simpósio, passando depois a palavra a Fernando Ribas, dermatologista e vice-presidente da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo. A cargo do dermatologista José Carlos Domingues, do IPO do Porto, estará o tema «Precancerosas, cutâneas e mucosas», com a sessão final a ser entregue a Cristina Vasconcelos, da Clínica de Dermatologia Derma-Hightech, que falará sobre «Tumores cutâneos benignos e epiteliais malignos».
À luz do comunicado enviado ao farmacia.com.pt, a incidência de casos de cancro da pele tem vindo a sofrer uma tendência de aumento ao longo dos últimos anos, podendo esse progressivo crescimento corresponder a uma subida real do número de casos ou a uma maior taxa de diagnósticos precoces da doença, resultante de um possível estado de maior alerta por parte dos cidadãos. Embora reconheçam que a situação em Portugal não é dramática, os médicos consideram-na “preocupante”, e é nessa medida que avisam da importância de uma consulta após o Verão, altura em que “o sol é responsável por cerca de 90 por cento dos cancros de pele”, pelo que, insistem, “é preciso manter a prevenção, condicionar alguns hábitos e estar alerta para alguns sinais típicos da doença”.

Carla Teixeira
Fonte: Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Norte
Estudo em andamento não revelou efeitos colaterais graves
Medicamento experimental renova esperança contra o cancro


A Mersana Therapeutics, companhia farmacêutica especializada em terapias contra o cancro, anunciou os resultados preliminares de um estudo de fase I de um fármaco experimental, o XMT-1001, que de acordo com a experiência em curso, que acompanha 12 pacientes com tumores sólidos avançados, parece demonstrar a ausência de efeitos colaterais graves.

Edward A. Sausville, médico, professor de Medicina e responsável pela área de Pesquisa Clínica do Centro Greenebaum de Cancro da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, apresentou estes dados no âmbito de uma conferência internacional subordinada ao problema dos alvos moleculares e terapêuticas, realizado na cidade de São Francisco, na Califórnia. O estudo de fase I pretendia aferir dos níveis de segurança, tolerância e farmacocinética do XMT-1001 intravenoso em doentes com tumores sólidos em estado avançado. O medicamento experimental da Mersana Therapeutics tem como substância activa a camptotecina, e é um inibidor da topoisomerase I com potente actividade antitumoral.
Comentando os resultados agora divulgados, o executivo-chefe da Mersana Therapeutics, Robert Fram, afirmou que os dados relativos ao ensaio clínico de fase I “demonstram que, em seres humanos, a camptotecina é libertada de forma gradual da plataforma Fleximer” (um novo material biodegradável e bio-inerte passível de ser ligado quimicamente a moléculas pequenas e a medicamentos biológicos), de modo a evitar os problemas comuns de segurança associados a medicamentos desta classe. Até agora – garantiu o médico – “não detectámos qualquer evidência de graves efeitos colaterais ligados ao medicamento, e o estudo está em andamento”.
Até ao momento, de acordo com o médico, “o XMT-1001 tem sido bem tolerado pelos pacientes”. Os resultados preliminares, frisou, “demonstram um perfil farmacocinético favorável, com baixos níveis de camptotecina, totais ou livres, recuperados na urina”. Segundo um comunicado emitido pela companhia farmacêutica, “o XMT-1001 é o mais avançado medicamento candidato baseado na plataforma Fleximer da Mersana”. Em estudos pré-clínicos foi bem tolerado e mais eficaz do que a camptotecina ou o irinotecan, segundo refere a empresa.

Carla Teixeira
Fonte: Mersana Therapeutics, PRNewswire
Laboratórios e associação de genéricos contra alterações
Brasil pondera mexer na lei das patentes


A Comissão de Desenvolvimento Económico, Indústria e Comércio do Brasil promoveu nesta quarta-feira uma audiência pública com o objectivo de discutir a lei de patentes e o desenvolvimento do sector farmacêutico no país. Laboratórios e associação de genéricos foram unânimes na recusa de alterações, designadamente no que toca à diminuição do tempo de vigência das patentes.

Em nome da Interfarma – Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, o presidente do conselho consultivo daquela entidade foi ao debate dizer que diminuir o tempo da patente dos medicamentos é “impedir o desenvolvimento da indústria farmacêutica no Brasil”, já que, segundo argumentou Jorge Raimundo, “em menos de 10 anos não é possível desenvolver um medicamento”. Na opinião daquele responsável, o Estado não pode dar aos laboratórios prerrogativas para desrespeitar a lei, frisando que, “no mundo inteiro, o que existe é a ideia de que o Estado tem o direito de requerer o uso exclusivo de produtos patenteados em caso de emergência nacional”.
No mesmo encontro, realizado no parlamento brasileiro, também o vice-presidente da Associação Pró-Genéricos afirmou que, ao longo dos 11 anos de vigência da actual lei de patentes no país, nunca as empresas que produzem medicamentos genéricos incorreram em qualquer tipo de incumprimento. Odnir Finotti explicou que o actual diploma legal “é respeitado, porque a inovação tecnológica é muito importante para o sector”, acrescentando que, “se a lei actual está a funcionar não há motivos para a alterar”. O objectivo do debate que foi dinamizado pela comissão é o de ponderar eventuais mudanças na Lei 9.279/96, que regulamenta a propriedade intelectual no país, principalmente no que diz respeito à possível redução do prazo de vigência das patentes, que actualmente varia entre os 15 e os 20 anos no Brasil.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Câmara

Painel da FDA recomenda FluMist para crianças entre os 2 e os 4 anos

Um painel de consultores da FDA recomendou a aprovação do FluMist, vacina em spray nasal contra a gripe, da AstraZeneca Plc, para crianças entre os 2 e os 4 anos.

O comité consultivo de práticas de imunização do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) dos Estados Unidos votou para alargar a recomendação do FluMist, que foi recomendado para pessoas saudáveis entre os 5 e os 49 anos. As crianças com asma, pieira (chiadeira) e outos distúrbios respiratórios foram desaconselhadas a utilizar a vacina em spray.

A MedImmune, que desenvolveu o FluMist e foi adquirida pela AstraZeneca em Junho, submeteu estudos à FDA demonstrando que a vacina evoca uma resposta imune mais protectora em crianças, do que as injecções tradicionais contra a gripe fabricadas pela Sanofi-Aventis SA, GlaxoSmithKline Plc e Novartis AG. Os estudos recentes demonstraram ainda que o FluMist é seguro e efectivo em crianças com 2 anos. As recomendações do painel são normalmente aceites pelos reguladores norte-americanos.

O spray nasal utiliza um vírus da gripe vivo e enfraquecido, e alguns peritos em saúde dizem que esta tecnologia oferece vantagens sobre as inoculações contra a gripe, que contêm pedaços de vírus mortos, uma vez que os vírus inteiros crescem mais rapidamente e produzem uma resposta imune mais forte.

As vendas do FluMist cresceram 71 por cento atingindo os 36 milhões de dólares no ano passado. Quando o produto foi aprovado em Junho de 2003, a MedImmune afirmou que o produto tinha o potencial de gerar vendas anuais até mil milhões de dólares.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Bloomberg, The Associated Press
Novas embalagens em conformidade com a legislação
Cêgripe reintroduzido no mercado

A Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) anunciou nesta quarta-feira, num comunicado com carácter “urgente” assinado por Hélder Mota Filipe, vice-presidente do conselho directivo da estrutura, a decisão de reintrodução no mercado de vários lotes do medicamento Cêgripe.

Na nota, divulgada com conhecimento do Departamento de Inspecção do Infarmed, a entidade reguladora nacional explica que foi autorizada a reintrodução no circuito de distribuição de vários lotes do medicamento Cêgripe, depois de terem sido enviados, no passado dia 24 de Setembro e já no dia 1 deste mês, os respectivos relatórios de reprocessamento das embalagens recolhidas referentes àqueles lotes (substituição do folheto informativo e acondicionamento secundário). A nota agora divulgada informa que a conformidade das embalagens a reintroduzir no mercado com a legislação em vigor foi atestada por declaração da direcção técnica do fabricante Lusomedicamenta – Sociedade Técnica Farmacêutica SA, tendo sido adicionada aos novos lotes a letra A, por razões de rastreabilidade face ao lote inicial.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

GSK entra em acordo com a Tolerx por anticorpo monoclonal para a diabetes

A britânica GlaxoSmithKline (GSK) e a companhia biotecnológica privada norte-americana Tolerx, Inc. entraram num acordo global para desenvolver e comercializar o anticorpo monoclonal anti-CD3, otelixizumab, para a diabetes tipo 1 e outras indicações auto-imunes, da companhia norte-americana. A Tolerx poderá arrecadar cerca de 760 milhões de dólares com este acordo.

Segundo os termos do acordo, a Tolerx irá receber financiamentos de Investigação e Desenvolvimento (I&D), equidade e um pagamento inicial no total de 70 milhões de dólares. A companhia norte-americana irá também ser elegível para receber 15 milhões de dólares em custos de desenvolvimentos do fármaco, e poderá auferir pagamentos, quando forem atingidos objectivos, até 525 milhões de dólares, caso o tratamento seja aprovado para a diabetes tipo 1 e indicações adicionais. A GSK poderá ainda fazer um investimento na ordem dos 10 milhões de dólares no stock Tolerx, como parte do acordo.

O otelixizumab foi testado em dois estudos de Fase II em pacientes com diabetes tipo 1, e o acordo estipula que a Tolerx seja responsável pelo desenvolvimento de última fase do anticorpo monoclonal anti-CD3 para estes pacientes, incluindo os requerimentos às entidades reguladores. A Tolerx tem a opção de co-comercializar o fármaco nos Estrados Unidos, enquanto que a GSK terá direitos exclusivos de desenvolvimento e comercialização no resto do mundo. A companhia britânica também obtém os direitos de desenvolvimento do fármaco para a diabetes tipo 1 pediátrica nos Estados Unidos, sob os termos do acordo.

Nos ensaios clínicos, o otelixizumab demonstrou preservar a função das células beta que produzem insulina no pâncreas de pacientes com diabetes tipo 1, reduzindo a quantidade de insulina administrada necessária para controlar os níveis de glucose no sangue.

O otelixizumab também foi avaliado em dois ensaios de fase I como tratamento para a psoríase.

O fármaco irá expandir a pipeline biofarmacêutica da GSK. Esta é uma área chave de crescimento futuro e de investimento para a GSK e, como novo tratamento para muitas doenças mediadas por células T, o potencial do otelixizumab é significativo.

Os anticorpos como o otelixizumab são a resposta do sistema imunitário às infecções e outras doenças, e as farmacêuticas estão a tentar aproveitar o seu poder para combater doenças.

Isabel Marques

Fontes: First Word, www.rttnews.com, Bloomberg
Sida, tuberculose e malária são os pontos da agenda
Farmacêuticos africanos reúnem-se em Marrocos


«Juntos, construamos a saúde em África». Este será o lema de um encontro de farmacêuticos africanos agendado para o próximo dia 2 de Novembro na cidade de Casablanca, em Marrocos. Da ordem de trabalhos consta a discussão das novidades científicas relativas ao tratamento de doenças como a sida, a tuberculose e a malária, que naquele continente continuam a afectar milhões de pessoas. Outro ponto da agenda será a questão do desenvolvimento e da utilização de antibióticos, bem como a situação da indústria farmacêutica em território africano. Neste encontro em Casablanca, patrocinado pelo ministro da Saúde de Marrocos, é aguardada também a presença de vários profissionais de Farmácia europeus. A sida, a tuberculose e a malária constituem um triângulo dramático em África, cujas brutais consequências os especialistas querem ajudar a combater.

Carla Teixeira
Fonte: Angola Press

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Roche viola 11 licenças da Amgen

Justiça norte-americana decide contra laboratório suíço no caso da patente do Mircera

Chegou ao fim um dos casos mais mediáticos de 2007 que envolve patentes da indústria farmacêutica: um tribunal de Boston (Estados Unidos) pronunciou-se a favor do grupo norte-americano de biotecnologia Amgen contra o laboratório suíço Roche por violação de patente.

Segundo informa a Amgen em comunicado de imprensa, o júri avaliou o medicamento contra a anemia - o Mricera - produzido pelo laboratório suíço, sentenciando que a Roche viola 11 licenças da Amgen - relativas à composição da hormona EPO (eritropoietina) - dos fármacos Epogen (darbepoetina) e do Aranesp (darbepoetina alfa).

Dias antes da sentença, William Burns, dirigente da Roche disse que a companhia farmacêutica não tinha intenção de lançar o produto no mercado norte-americano sob risco de prevalecer a acusação da gigante em biotecnologia californiana. O certo é que, com o caso ganho, a Amgen assegurou-se do bloqueio da Roche para lançar o medicamento, confirmando, aliás, decisões anteriores de instâncias inferiores.

"A Amgen está satisfeita com o veredicto do júri e tentará obter uma outra decisão da justiça para proibir a Roche de comercializar (o Mircera) nos Estados Unidos" concluiu o laboratório.

Recorde-se que, no passado dia 30 de Agosto, a justiça norte-americana já havia dado razão à Amgen ao deliberar que o produto rival da farmacêutica suíça infringia a patente de um medicamento do grupo. No entanto, a Roche manteve-se firme e não desistiu.

Raquel Pacheco
Fonte: Networkmedica.com/AFP/www.amgen.com

Psoríase pode desencadear obesidade

Estudo norte-americano relaciona doença de pele com aumento de peso, problemas cardiovasculares, hipertensão, colesterol e ataque cardíaco

À luz de um artigo publicado, este mês, na revista Britsh Journal of Dermatology (BJD) a psoríase pode estar associada à obesidade. A relação foi feita com base na recolha de depoimentos médicos e especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque e do Instituto de Pesquisas Baylor, no Texas.

De acordo com os autores do estudo, doentes com psoríase - uma doença de pele auto-imune - apresentam um risco maior de desenvolverem obesidade e doenças cardiovasculares, inclusive, sofrer um ataque cardíaco.

Embora não seja novidade o facto de as pessoas mais, severamente, acometidas por doenças inflamatórias - com reflexo no sistema imunitário - estarem mais predispostas ao surgimento de problemas cardiovasculares, houve um resultado que ressaltou à atenção dos investigadores: “Contrariamente à artrite reumatóide, nota-se uma tendência maior dos pacientes com psoríase desenvolverem obesidade e as suas consequências - hipertensão, níveis alterados de colesterol e triglicerídeos, assim como, a resistência à insulina”, divulga a BJD.

A causa da relação entre psoríase e obesidade não foi apontada em concreto, contudo, os especialistas sugerem a possibilidade de estarem relacionados “múltiplos factores”, atribuindo um papel de revelo ao próprio tratamento que envolve o uso de corticosteróides.

Neste sentido, os autores advertem para a relação e defendem que os profissionais de saúde que atendem doentes com psoríase “devem prestar extrema atenção e cautela e devem tratar, de forma multidisciplinar, todos os problemas envolvidos, procurando aumentar a taxa de sobrevivência dessas pessoas.”

Portugal: 2% de psoriáticos

A psoríase é uma doença crónica e inflamatória da pele que se caracteriza por manchas cobertas de escamas e por prurido variável, por isso, diz-se que é uma doença eritemática e escamativa. A sua origem é multifactorial, o que significa que não existe apenas um factor que a causa, mas vários.
No que respeita à artrite psoriática, calcula-se que 10% das pessoas desenvolvam esta forma de psoríase que é, em alguns casos, incapacitante. Cerca de dois por cento da população portuguesa são afectados por esta doença, que atinge os dois géneros de forma quase similar (havendo uma ligeira predominância no feminino), entre os 10 e os 30 anos. Embora seja menos frequente, pode também afectar bebés e idosos.

Esperança: genes e fármaco injectável

Existe uma variedade de tratamentos para a psoríase, mas não existe cura. Os tratamentos são, então, elaborados para: atenuar ou suspender o desenvolvimento dos sintomas, promover um maior bem-estar ao doente face a si próprio e prevenir infecções secundárias.Os tratamentos podem ser de três tipos: medicamentos sistémicos que actuam a partir do interior do corpo, os medicamentos de aplicação local e a fototerapia.

Assim, a esperança dos psoriáticos reside na descodificação do genoma humano. Espera-se que, finalmente, se faça luz sobre qual ou quais os genes responsáveis, para que se possa, depois, trabalhar na cura.
No entanto, tal como noticicou oportunamente o farmacia.com.pt, um fármaco experimental ABT-874 para a psoríase, da Abbott Laboratories, continuou a ser efectivo após os pacientes terem parado com o tratamento.
A Abbott planeia iniciar, no final deste ano, a última fase de testes do ABT-874, tratamento injectável, que atinge duas proteínas ligadas à inflamação na psoríase, a Interleucina-12 e Interleucina-23, e para outros distúrbios, nos quais o sistema imunitário ataca o próprio organismo. O fármaco poderá ser comercializado em 2010.

Raquel Pacheco

Fonte: British Journal of Dermatology (Outubro)/ psoriase.web.pt/CiênciaViva.pt/farmacia.com.pt

CHMP recomenda aprovação do MabCampath para a leucemia

O Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP), da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), emitiu um parecer positivo relativamente ao fármaco para a leucemia MabCampath (alemtuzumab), da Bayer e da Genzyme Corp, para pacientes para quem a combinação de quimioterapia de fludarabina não é apropriada.

Caso a Comissão Europeia (CE) siga a recomendação do comité, o MabCampath, denominado Campath nos Estados Unidos e no Canadá, poderá ser prescrito como tratamento de primeira linha nos países da União Europeia (UE) para pacientes com leucemia linfocítica crónica das células B (LLC-B).

O fármaco já está aprovado para o tratamento da LLC-B em pacientes que foram anteriormente tratados com agentes alkylating, e que não responderam à terapia com fludarabina.

A opinião positiva do CHMP baseou-se nos dados de um ensaio clínico internacional aberto de Fase III, que comparou o MabCampath com o clorambucil em pacientes com LLC-B que não receberam tratamento anteriormente, que demonstraram que o fármaco da Bayer/Genzyme revelou uma sobrevivência livre de progressão superior e reduziu o risco de progressão da doença ou morte em 42 por cento. Os pacientes que receberam MabCampath mostraram taxas gerais e de resposta completa mais elevadas, com um perfil de segurança controlável, em comparação aos pacientes tratados com clorambucil, e também atingiram um intervalo livre de tratamento extenso, com um período médio de dois anos antes de requerer terapia adicional.

As recomendações do CHMP são normalmente apoiadas pela Comissão Europeia dentro de alguns meses. A Bayer espera receber a autorização de comercialização para todos os estados-membros da UE para esta indicação no final deste ano. No mês passado, a FDA autorizou as companhias a comercializar o Campath como tratamento de primeira linha para a LLC-B.
Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, CNNMoney, www.pharmatimes.com

Farmácias vão dispensar medicamentos para doenças crónicas

Preparação da medida está já “em fase adiantada”

As farmácias poderão, em breve, vir a disponibilizar medicamentos para doenças crónicas, substâncias que actualmente só são distribuídas pelos hospitais. A garantia foi dada pelo ministro da saúde, Correia de Campos, durante o colóquio sobre a actividade farmacêutica, que decorreu esta terça-feira na Assembleia da República.

“Encontra-se em fase adiantada a preparação da dispensa pelas farmácias de alguns produtos farmacêuticos, até aqui, de fornecimento exclusivamente hospitalar, os quais serão acessíveis a doentes crónicos mediante acordo, caso a caso, entre hospital e farmácia”, afirmou Correia de Campos, citado pela Rádio Renascença. O ministro não quis, porém, adiantar a lista de fármacos em causa.

A medida insere-se no “Compromisso com a Saúde” um protocolo assinado entre o Governo e a Associação Nacional das Farmácias (ANF), a 26 de Maio de 2006, tendo em vista a liberalização da propriedade das farmácias e a melhoria do acesso dos cidadãos aos medicamentos.

Esta solução beneficiaria, por exemplo, o acesso de alguns doentes oncológicos às respectivas terapias. Entre os medicamentos cuja despensa é actualmente exclusiva dos hospitais encontram-se os antineoplásicos, imunosupressores, tuberculoestáticos ou anti-retrovirais.

Despesa do Estado com fármacos

Ainda durante fórum que decorreu no Parlamento, Correia de Campos apresentou os números que traduzem a evolução da despesa do estado com fármacos, que considera muito positivos.

“A despesa continua controlada. No acumulado de Janeiro a Setembro, temos menos 1,7 por cento de crescimento nas farmácias, e nos primeiros seis meses, na comparação dos hospitais que representam 91 por cento das camas, temos mais 3,1 por cento. Resultados muitíssimos importantes”, referiu Correia de Campos.

Marta Bilro

Fonte: Rádio Renascença, Infarmed, Ordem dos Médicos Secção Regional do Norte.

Sun Pharmaceutical vai comercializar genérico do Exelon nos EUA

A farmacêutica indiana Sun Pharmaceutical Industries obteve aprovação da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) para comercializar uma versão genérica do Exelon (Rivastigmina).

O medicamento, desenvolvido pela Novartis, é utilizado no tratamento da demência de Alzheimer e da demência ligeira a moderadamente grave em doentes com doença de Parkinson. O laboratório garantiu também a exclusividade de comercialização do fármaco no mercado norte-americano por um período de 180 dias.

O parecer da FDA aplica-se às cápsulas com dosagem de 1.5 mg, 3mg, 4.5mg e 6mg do medicamento. As vendas anuais do Exelon nos Estados Unidos da América para estas dosagens ascendem aos 140,4 milhões de euros.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Market Watch, The Economic Times.

Ministro da Saúde: 400 farmácias tinham proprietários simulados

Cerca de 400 farmácias portuguesas tinham proprietários simulados, uma manobra que lhes permitia contornar a legislação que exigia um farmacêutico à frente desses estabelecimentos. As estimativas foram apresentadas pelo ministro da saúde, Correia de Campos, durante um colóquio que se realizou esta terça-feira no Parlamento sob o tema do “enquadramento da actividade farmacêutica”. A autoridade do sector afirma não ter conhecimento destes dados.

A existência de farmácias de propriedade simulada contraria o “aparente rigor legislativo sobre a exclusividade de propriedade por farmacêuticos”, afirmou Correia de Campos, justificando que a aplicação da nova legislação, segundo a qual a exclusividade da propriedade das farmácias deixa de pertencer aos farmacêuticos, vai pôr termo a estas situações.

Já o presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), Vasco Maria, diz “desconhecer se são 400 ou 200 farmácias” nesta situação, garantindo que nos “poucos casos” provados no passado, o Infarmed agiu em conformidade.

“Não tenho noção de quantas existem. Não tenho conhecimento concreto de que existam ou de um número concreto porque são situações difíceis de demonstrar. Penso que o que o ministro quis dizer é que há suspeitas de que possam existir situações destas e eu não nego que existam, mas não tenho conhecimento”, explicou.

A Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Irene Silveira, deu a conhecer o seu testemunho pessoal acerca de um destes casos que ocorreu há cerca de seis anos, na altura em que dirigia a secção regional de Coimbra. Conforme relatou, o caso culminou com a atribuição de uma punição à “jovem farmacêutica” depois desta se ter auto-denunciado como falsa proprietária.

“Por isso pedimos na altura aos notários que informassem a Ordem acerca destes negócios. As situações que agora são ilegais vão passar a ser lícitas e não haverá punições para os anteriores verdadeiros proprietários”, sublinhou Irene Silveira.

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) reagiu em tom de crítica às declarações proferidas pelo ministro. O presidente da ANF, também presente no colóquio, lamentou que o Ministério da Saúde não tenha actuado ao tomar conhecimento de casos de infracção, uma vez que é a esta entidade que cabe “fazer cumprir a lei”.

“Daqui a quatro ou cinco anos vem outro ministro falar em mais 400 farmácias mascaradas com uma propriedade de mais de quatro farmácias (limite máximo por proprietário definido por lei) e continuará a existir uma lógica sucessiva de incumprimento da lei e beneficio do infractor”, acrescentou.

O novo regime jurídico foi aprovado pelo Governo em Julho de 2007 e entra em vigor no dia 1 de Novembro.

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa.

Inovações da Abbot galardoadas pela terceira vez

Laboratório premiado pelo instrumento molecular de diagnóstico m2000 e teste da carga viral do HIV-1

A Abbott recebeu o Prémio Inovação Chicago 2007 pelo seu instrumento molecular de diagnóstico m2000 e pelo teste da carga viral do HIV-1 da Abbott RealTime. Trata-se do teste mais sensível do seu género capaz de detectar e medir com precisão todas as estirpes do vírus da imunodeficiência humana (HIV).

O Teste do HIV-1 da Abbott RealTime, aprovado para uso nos Estados Unidos, em Maio de 2007 e que funciona no sistema m2000, é o único teste de carga viral do seu género que pode detectar e medir todos os efeitos dos grupos M, grupo N e grupo O de HIV-1 bem como subtipos não-B do vírus. Os produtos oferecem aos médicos um método de teste rápido e altamente preciso que ajuda a garantir que os doentes recebem o tratamento mais eficaz.

Esta é a terceira vez, em cinco anos, que a Abbott foi seleccionada para um Prémio Inovação de Chicago. Foi galardoada, em 2005, com o teste de cancro de mama da empresa PathVysion(TM) e, em 2003, o prémio foi ganho pela HUMIRA(TM), o primeiro medicamento de anticorpo monoclónico para a artrite reumatóide.

Miles D. White, presidente da Abbott, apontou como objectivo da empresa
“melhorar a vida e muitas vezes salvar vidas”, frisando que “é uma motivação importante para implementar a inovação.”

“Os doentes contam connosco para terem novos e melhores medicamentos, diagnósticos e produtos nutricionais e isso inspira os nossos cientistas todos os dias”, reforçou o representante da White, concretizando que o m2000 e o teste da carga viral de HIV-1, a PathVysion e a HUMIRA “são apenas alguns exemplos do calibre da investigação levada a cabo na Abbott para encontrar soluções para necessidades clínicas ainda sem resposta.”

Patrocinados pela Kuczmarski and Associates e o Chicago Sun-Times os Prémios Inovação de Chicago destinam-se a criar reconhecimento do contributo das empresas da região de Chicago para desenvolverem produtos inovadores que mudem o mundo.

Sobre a Abbott

A Abbott é uma empresa de cuidados de saúde global e de base alargada dedicada à descoberta, desenvolvimento, fabricação e comercialização de produtos farmacêuticos e médicos, incluindo nutricionais, dispositivos e de diagnóstico. A empresa emprega 65 mil pessoas e comercializa os seus produtos em mais de 130 países.

Raquel Pacheco

Dodot e UNICEF colaboram para eliminar tétano materno

Para melhorar as condições de saúde de mães e recém-nascidos em todo o mundo, a Dodot e a Unicef assinaram um acordo de colaboração que visa a defesa e a protecção das crianças. Durante os próximos três anos, para além de cooperar em acções de divulgação sobre o trabalho levado a cabo pela UNICEF, a Dodot vai participar activamente na recolha de fundos destinados à eliminação do tétano materno e neonatal.

Para garantir que todas as mulheres grávidas sejam vacinadas como prática de rotina, na venda de cada embalagem de fraldas e toalhitas, a Dodot doará à UNICEF o montante correspondente a uma vacina contra o tétano. “Os fundos recolhidos através desta campanha destinam-se à compra de vacinas contra o tétano materno e neonatal para os países em que os níveis de cobertura de imunização contra a doença são mais baixos”, refere a Unicef num comunicado enviado ao Farmacia.com.pt.

“Através deste acordo propomo-nos contribuir com a nossa pequena ajuda para o cumprimento dos direitos das crianças, especialmente o direito à saúde”, frisou a directora de comunicação da Dodot, Gloria Codinas. Por sua vez, Madalena Marçal Grilo, directora executiva da Unicef, aplaudiu o “empenho” da Dodot em dar um contributo para a “aplicação de medidas essenciais para a sobrevivência e protecção das crianças desde os primeiros dias de vida”.

De acordo com a Unicef, as infecções neonatais, como o tétano, são uma das principais causas de morte de crianças, maioritariamente nos países em desenvolvimento. Anualmente, morrem cerca de 30 mil mães e 257 mil bebés recém-nascidos devido a esta doença, que pode ser evitada através da vacinação.

O tétano é uma doença causada pela bactéria Clostridum tetani que existe no solo, no esterco e nos dejectos de animais, e que está presente em todo o mundo. A bactéria produz uma toxina que ataca o sistema nervoso central e que é fatal em mais de 70 por cento dos casos.

Os partos realizados sem condições de higiene são os principais responsáveis pela contaminação dos bebés e das mães. Um recém-nascido pode ser infectado pelo tétano devido ao corte do cordão umbilical com instrumentos não esterilizados ou pelo uso de produtos contaminados. A situação que pode ser minimizada através da vacina contra o tétano que, quando administrada às mães em cinco doses garante imunização para o resto da vida, uma protecção que é extensiva ao bebé durante os primeiros meses de vida.

Marta Bilro

Fonte: E-mail Farmacia-press, Portal do Cidadão.

Monóxido de carbono pode ter aplicações terapêuticas

Cientistas britânicos acreditam que pequenas doses de CO injectáveis ou soluvéis em água são benéficas para tratar doentes transplantados ou casos de artrite reumatóide e hipertensão pulmonar

Investigadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, desenvolveram um método - com base na administração de pequenas doses de monóxido de carbono (CO) no organismo - que pode ajudar na recuperação de doentes sujeitos a cirurgias de transplantes de órgãos.

Pode parecer surpreendente porque o CO é reconhecido como um gás letal se administrado em volumes elevados. No entanto, os cientistas garantem que, “pequenas doses de CO são benéficas” e podem provocar “uma ampla gama de efeitos biológicos que podem ser usados em muitas aplicações terapêuticas”, concretizando que “ajuda a dilatar vasos sanguíneos e diminuir inflamações.”

Brian Mann, autor do estudo, explicou que “o sistema consiste em injectar no organismo ou tomar moléculas solúveis em água que liberam CO” (CORM, na sigla em inglês). Ao dissolverem-se – acrescentou - “podem ser produzidas de forma líquida, permitindo que elas se incorporem rapidamente na corrente sanguínea.”

Reforçando que podem também ser administradas através de injecções, o cientista asseverou que ambas as formas “são muito mais seguras” do que a maneira convencional (inalação do monóxido de carbono) que traria um risco elevado para doentes e médicos expostos ao gás.

Minimizar risco de rejeição

Segundo esclareceu Brian Mann, as moléculas podem ser "programadas para se concentrarem num lugar específico do corpo”, sublinhando que, no caso de doentes em recuperação de transplantes, “o órgão doado poderia ser tratado para minimizar o risco de rejeição.”

A equipa britânica acredita que este método inovador poderá ainda ser aplicado na cura de doenças inflamatórias, como a artrite reumatóide e a hipertensão pulmonar.

De acordo com os investigadores, o tratamento - que utilizará CO por meio de moléculas capazes de transportar o gás – “poderá começar a ser aplicado em 2010.”

Raquel Pacheco
Fonte: BBC

Venda de medicamentos a prestações é ilegal

Vacina contra cancro do colo do útero não pode ser vendida a crédito

Apesar das boas intenções de uma farmácia do Porto, que decidiu abdicar da sua margem de lucro na venda da vacina contra o cancro do colo do útero, permitindo também a sua aquisição em prestações recorrendo a uma empresa de crédito ao consumo, a edição desta terça-feira do Diário De notícias lembra que a solução é ilegal. Isto porque a legislação portuguesa impede que se proceda à venda de medicamentos a crédito, ou mesmo a prestações.

Há mais de um mês que a Farmácia de Santa Catarina, na baixa portuense, está a comercializar o Gardasil a preço de fábrica, abdicando da margem de lucro, numa tentativa de tornar mais abrangente o acesso à imunização. Desta forma, cada dose da vacina contra o vírus do papiloma humano passou a custar 130 euros, em vez dos 160,45 marcados na embalagem. Com o lançamento no mercado segunda vacina, o Cervarix, a farmácia decidiu equiparar o preço à anterior, descendo dos 144,41 euros para os 130 euros por dose.

De acordo com a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) a lei não se opõe ao facto de uma farmácia abdicar das margens de lucro de um medicamento, desde que não entre no valor da comparticipação do Estado e estas vacinas nem sequer beneficiam de comparticipação nenhuma. Por outro lado, no que diz respeito à venda a crédito, “face à lei actualmente em vigor não é permitida”, referiu o Infarmed.

Para o director técnico da Farmácia de Santa Catarina, Carlos Almeida, trata-se de “ajudar as pessoas mais desfavorecidas» que, «de outra forma, não teriam acesso” à vacina que protege contra o vírus na origem do cancro no colo do útero, o HPV. O também proprietário da farmácia garante que não procura protagonismo ou publicidade, mas antes possibilitar o acesso à vacina por parte de mais famílias, uma vez que para completar a imunização são necessárias três doses da vacina, cujo preço, sem desconto, ascende aos 480 euros.

Ao que tudo indica, a iniciativa já começou a dar frutos. Segundo avançou Carlos Almeida em declarações àquele jornal, a procura da vacina contra o HPV na Farmácia de Santa Catarina tornou-se "três ou quatro vezes maior".

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias, Diário Digital, Lusa, Farmacia.com.pt.

Cancro da mama: 40% das mulheres ignoram rastreio

Numa altura em que se detectam 11 novos casos de cancro da mama por dia, as estatísticas indicam de entre as mulheres convocadas para um rastreio do cancro da mama pela Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), 40 por cento não realizam o exame.

Mesmo sabendo que o diagnóstico precoce contribui para a redução da mortalidade, apenas 62,8 por cento das mulheres que recebem a convocatória fazem o rastreio, o que coloca Portugal ao nível da média europeia, avançou Vítor Rodrigues, coordenador nacional do Programa de Rastreio da LPCC. “Estamos infelizmente ao nível da média, e digo infelizmente porque a média é relativamente baixa”, afirmou o responsável em declarações à agência Lusa.

Ainda assim os números já são significativos, uma vez que, de acordo com os estudos europeus, uma taxa de participação nos rastreios de 60 por cento reduz a mortalidade em cerca de um terço.

Não se conhecem os motivos que levam à ausência de duas em cada cinco mulheres nos exames de rastreio, porém, a Liga adianta algumas hipóteses, como o facto de algumas mulheres já terem feito mamografias num médico particular, já se encontrarem em tratamento oncológico ou simplesmente não estarem interessadas em fazê-lo.

Numa tentativa de melhorar a qualidade do exame e de estar ao nível dos padrões publicados pela União Europeia, a LPCC investiu 4 milhões de euros para substituir a tecnologia mamográfica analógica pela digital.

A mamografia passa assim a ser visualizada directamente através do computador, permitindo pôr fim às películas habitualmente utilizadas e armazenar os exames em disco rígido. A principal vantagem do método digital reside no facto de permitir reduzir o número de mulheres que são chamadas a uma consulta clínica. Isto porque o radiologista passa a ter a capacidade de manipular a imagem no computador, diminuindo os casos em que surge uma dúvida e a mulher é chamada ao médico ou a repetir o exame.

O novo sistema vai também possibilitar o aumento do número de mamografias realizadas diariamente, porque a tecnologia digital faz com que o exame seja mais rápido.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Portugal Diário, Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Lucro da Merck cresceu 63% no terceiro trimestre

Os resultados líquidos da farmacêutica norte-americana Merck aumentaram 63 por cento no terceiro trimestre do ano, uma subida impulsionada pelas vendas da vacina contra o cancro do colo do útero, Gardasil, e do Januvia (Sitagliptina), um fármaco utilizado no tratamento da diabetes.

De acordo com um comunicado divulgado pela empresa, o seu lucro líquido atingiu os 1,1 mil milhões de euros, ou 49,2 cêntimos por acção, face aos 662 milhões de euros, ou 30,3 cêntimos por acção, alcançados em igual período do ano anterior.

Entre Julho e Setembro de 2007 as receitas da Merck cresceram 12 por cento, para os 4,3 mil milhões de euros, relativamente aos mesmos meses de 2006.

Excluindo os encargos extraordinários associados a medidas de reestruturação, a farmacêutica obteve um ganho de 52,8 cêntimos por acção, um valor que ultrapassa as previsões dos analistas da Bloomberg que apontavam para um lucro de 49,3 cêntimos por título.

Para Richard T. Clark, presidente e director-executivo da empresa, os resultados líquidos do terceiro trimestre são o reflexo do progresso continuado que a Merck tem feito de acordo com a estratégia que adoptou.

“Não restam dúvidas, Dick Clark transformou esta empresa fazendo-a passar de um local cujo futuro suscitava dúvidas para um local onde as pessoas querem trabalhar”, salientou Tony Butler, analista da Lehman Brothers Holdings, em Nova Iorque, citado pela Bloomberg.

As perdas da empresa foram compensadas nas vendas de medicamentos genéricos mais baratos, sendo que o laboratório se concentrou nos novos produtos e na redução de postos de trabalho para reduzir custos. Os bons resultados no sector das vacinas são também destacados pela empresa, com as vendas a atingirem um valor recorde de 844,7 milhões de euros no terceiro trimestre de 2007.

A nota divulgada pela Merck faz ainda uma actualização ao número de processos judiciais pendentes relacionados com o anti-inflamatório Vioxx (Rofecoxib), que no final do mês de Setembro ascendia aos 26,6 mil, menos 350 do que no trimestre anterior.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Diário Económico, Gazeta Mercantil, Folha Online.

Página dedicada a clientes, parceiros e fornecedores
Laboratório de Estudos Farmacêuticos tem novo site


Já se encontra disponível, no endereço http://www.lef.pt/, o novo site do Laboratório de Estudos Farmacêuticos, uma estrutura independente criada em finais de 1992 e subsidiada por profissionais portugueses na área das farmácias de oficina, com apoio da Associação Nacional de Farmácias. A nova página é essencialmente dirigida a clientes, parceiros e fornecedores do LEF.

O Laboratório de Estudos Farmacêuticos desenvolve actividade na área da investigação aplicada e também na prestação de serviços a farmácias de oficina, à indústria farmacêutica, aos estabelecimentos e farmácias hospitalares e às instituições de I&D, de nacionalidade portuguesa ou estrangeira, e dispõe de meios que visam facilitar a consulta, por parte daqueles profissionais, da lista de serviços que são disponibilizados pela empresa, tendo o novo site o objectivo de “dar a conhecer a capacidade instalada no que respeita a recursos humanos e tecnológicos” do laboratório.
No novo site os visitantes poderão também “conhecer a produção científica realizada no LEF, os resultados de estudos realizados em produtos farmacêuticos e os diversos trabalhos de investigação que vão sendo apresentados pela estrutura em conferências nacionais e internacionais”. Tendo em conta as diferentes actividades levadas a cabo no laboratório (estudos e desenvolvimento de novos produtos, testes analíticos e libertação de lotes), o LEF opera de acordo com um sistema de qualidade certificado pela Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), sendo também um laboratório acreditado pelo Instituto Português da Qualidade.

Carla Teixeira
Fonte: Saúde na Internet, Associação Nacional de Farmácias, LEF
Expofarma – Feira Nacional de Farmácia 2007
Farmacêuticos com encontro marcado em Lisboa


Arranca já no próximo dia 8 de Novembro, e prolonga-se pelos dois dias seguintes, a edição deste ano da Expofarma – Feira Nacional de Farmácia. O evento tem lugar no Pavilhão 2 da FIL, ao Parque das Nações, em Lisboa, e tem como lema «Bem-vindos ao mundo das farmácias».

Pretendendo alavancar a movimentação dos diversos agentes do sector farmacêutico nacional em torno da promoção dos negócios e da partilha de conhecimentos e boas práticas, conceitos essenciais ao desejado aumento da produtividade, o certame, que desde a sua primeira edição tem vindo a consolidar prestígio, tem como principal objectivo a reunião, num mesmo espaço, exposições das melhores empresas do sector, promovendo e facilitando o desenvolvimento de contactos e o estabelecimento de parcerias comerciais entre os profissionais da indústria farmacêutica e as empresas que operam na área dos equipamentos e dos serviços de Farmácia.
Única no seu género, a Expofarma – Feira Nacional de Farmácia é, segundo a organização, um ponto de encontro de profissionais que visa “proporcionar aos seus visitantes um impacto inovador no que diz respeito às várias oportunidades de negócio” que ali encontrarão de certeza. Além da exposição das várias empresas farmacêuticas presentes, que procurarão chamar a atenção dos participantes para os seus produtos e serviços, a edição 2007 da Expofarma aposta também numa nova valência: “um ciclo contínuo de conferências de carácter científico e institucional”, que ao longo dos três dias em que decorre a feira reforça o seu papel formativo e de debate.
O seminário de abertura do encontro deverá girar em torno do tema «Mercado Ibérico do Medicamento: uma perspectiva multisectorial», visando sobretudo “apresentar as perspectivas” dos mais relevantes agentes do mercado farmacêutico de Portugal e de Espanha face às condições actuais e às tendências de futuro. Mais informações sobre a Expofarma disponíveis no site do evento, em www.expofarma.pt.

Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos, Expofarma

Accionistas da Bioenvision aprovam aquisição pela Genzyme

Os accionistas da Bioenvision Inc aprovaram a aquisição da companhia pela Genzyme Corporation, num acordo que envolveu 345 milhões de dólares, 5,60 dólares por acção, ignorando assim os argumentos dos investidores que afirmavam que o preço era demasiado baixo.

Esta aquisição faz parte da estratégia da Genzyme para incrementar o seu negócio oncológico, após ter adquirido a Ilex Oncology em 2004. A Genzyme, que já é o maior proprietário da Bioenvision, ganha assim direitos exclusivos do fármaco clofarabina para a leucemia.

A clofarabina é comercializada pela Genzyme como Clolar nos Estados Unidos e no Canadá, para pacientes pediátricos com leucemia linfoblástica aguda (LLA) refractários e reincidentes. Na Europa, as companhias co-desenvolveram a clofarabina, e a Bioenvision comercializa actualmente o produto sob o nome Evoltra, também para a mesma indicação. A Genzyme também já detém os direitos para comercializar o produto na América do Norte.

As companhias têm vindo a desenvolver o fármaco para indicações mais abrangentes, incluindo a sua utilização como terapia de primeira linha para o tratamento da leucemia mielóide aguda (LMA) em adultos. Foi concedido o estatuto de medicamento órfão à clofarabina para a LLA e para a LMA, tanto nos Estados Unidos como na Europa. A Bioenvision solicitou aos reguladores europeus a aprovação para comercializar o tratamento para pacientes adultos com LMA. Caso seja aprovado, o fármaco pode atingir vendas de 600 milhões de dólares por ano, segundo o CEO da Genzyme, Henri Termeer.

A Genzyme é a terceira maior companhia biotecnológica do mundo listada por vendas em 2006, a seguir à Amgen Inc. e à Genentech Inc.

Isabel Marques

Fontes: Reuters, Bloomberg, CNNMoney

Tabaqueira Altadis divulga lista de aditivos do tabaco

Açucares e cacau entre os 289 aditivos usados para aumentar a dependência

A tabaqueira Altadis - que comercializa marcas como Gauloises, Ducados e Fortuna e atingiu um volume de vendas de 1938 milhões de euros no primeiro semestre deste ano - publicou a lista completa de todos os aditivos utilizados na confecção de cigarros. No total, esta tabaqueira multinacional adiciona 289 substâncias ao tabaco, entre as quais se encontra o cacau e açucares, utilizados para criar dependência.

A lista de aditivos da Altadis foi publicada segunda-feira no diário espanhol “El Pais” e surge na sequência da obrigação imposta às tabaqueiras pelo Ministério da Saúde espanhol de comunicareme as substâncias usadas nos cigarros.

Perante os 289 aditivos usados nos cigarros, um perito do Laboratório Agroalimentar da Junta de Andaluzia, concluiu ao diário espanhol que "os cigarros são uma obra de engenharia para aumentar a dependência. As tabacarias estão anos à nossa frente e, apesar de afirmarem que a maioria dos compostos são aroma, na realidade têm outras funções, muitas das quais desconhecemos".

Michael Rabinoff, professor da universidade da Califórnia e autor de um estudo sobre aditivos do tabaco, vai mais longe. "Cerca de 90% de cada cigarro é tabaco, já de si criador de dependência e cancerígeno, mas 10% são aditivos, compostos químicos de que sabemos muito pouco e cuja segurança ninguém avaliou. As tabaqueiras estão a efectuar um ensaio científico em grande escala com milhões de pessoas".

Entre os 289 produtos adicionados ao tabaco encontram-se os açucares, mais de 4% do cigarro que ao queimar produz acetaldeído, aumentando o efeito da nicotina, os derivados do cacau, cujo sabor é adocicado e actuam como broncodilatadores facilitando a chegada da nicotina aos alvéolos, o mentol e o ácido acetilsalicílico, que evitam a irritação da garganta, e a lactona, que inibe a enzima que metaboliza a nicotina, permitindo que esta fique mais tempo no sangue e aumente a dependência.

As marcas declaram uma dada quantidade de nicotina, mas o efeito dos aditivos - através da acidez e do bloqueio de enzimas que destroem a nicotina - acaba por aumentar substancialmente a concentração da substância no sangue. Aumenta-se a dependência e, pela mesma via, disfarçam-se os efeitos mais desagradáveis do cigarro, como a tosse e o sabor, recorrendo a aromas.

A prova de que funciona é que quando a Philip Morris introduziu os aditivos, nos anos 70, as vendas da Marlboro dispararam.

Inês de Matos

Fonte: Jornal de Noticias