terça-feira, 4 de dezembro de 2007

FDA: Estatuto fast-track para fármaco para a distrofia muscular de Duchenne

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) concedeu o estatuto fast-track ao fármaco experimental AVI-4658, da companhia biotecnológica norte-americana AVI BioPharma Inc, para o tratamento da distrofia muscular de Duchenne (DMD), um distúrbio genético fatal que afecta as crianças.

O fármaco candidato utiliza a tecnologia “Exon Skipping PreRNA”, ou ESPRIT, da companhia, para beneficiar potencialmente os pacientes com DMD que têm mutações no exon 51 do gene da distrofina. Em modelos animais, esta tecnologia demonstrou a capacidade de contornar selectivamente os exons defeituosos, assim restaurando os níveis quase normais da produção de distrofina. A companhia acredita que ao utilizar o AVI 4658 para transpor o exon 51, podem ser produzidos níveis clinicamente relevantes de distrofina, limitando a posterior piora da função muscular em alguns pacientes.

A companhia planeia iniciar o ensaio clínico do fármaco, que recentemente recebeu o estatuto de medicamento órfão, em meados de 2008, para avaliar a sua segurança e potencial eficácia em pacientes ambulatórios com DMD.

A distrofia muscular de Duchenne é o distúrbio genético fatal mais comum que afecta as crianças em todo o mundo. É uma doença devastadora e incurável que desgasta os músculos, causada pela mutação no gene da distrofina, uma proteína que tem um papel estrutural importante nas fibras musculares. Quando a distrofina está em falta ou não funciona o resultado é a perda de membrana e danos na fibra, levando à degeneração e morte da fibra muscular.

A designação fast-track é concedida para facilitar o desenvolvimento e para acelerar a revisão dos fármacos para doenças graves e potencialmente fatais, de modo a que estes cheguem ao mercado mais rapidamente. O estatuto significa que a companhia pode submeter dados à FDA à medida que ficam disponíveis e recebe o feedback da agência, em vez de ter de esperar e entregar tudo ao mesmo tempo.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, CNNMoney, www.businesswire.com

Decifrado receptor que pode ajudar a produzir novos medicamentos

Cientistas acreditam que proteína descodificada tem grande potencial para criar fármacos mais eficazes

Investigadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e do Laboratório de Biologia Molecular de Cambridge, no Reino Unido, conseguiram decifrar uma membrana proteínica específica, que terá um grande potencial para fabricar medicamentos.

“Este tipo de membranas é responsável por algumas doenças do corpo humano e pode ser utilizado para produzir novos fármacos e mais eficazes para o futuro”, afirmou o norte-americano e líder do estudo, Brian Kobilka.

Salientando que mais de metade dos medicamentos dados aos doentes funcionam porque têm como objectivo um determinado receptor das células do corpo, para curar uma doença, os cientistas revelaram que a investigação permitiu decifrar um destes receptores.

“A maioria destas hormonas e neurotransmissores funcionam através destes receptores. Todos eles estão estruturalmente relacionados, o que significa que, sabendo mais de um receptor específico, serão possíveis avanços em relação a todos”, explicou Brian Kobilka.

De acordo com o investigador norte-americano, o receptor decifrado tem “um papel importante em doenças do coração, regulação da pressão sanguínea, inflamação e desordens psicológicas”, concretizando que “são candidatos ideais para terapias de vários tipos de doenças.”

Raquel Pacheco

Fonte: Medscape/ http://www2.mrc-lmb.cam.ac.uk/ www.stanford.edu/

Congestão nasal afecta mais de 450 mil portugueses

Primeiro estudo sobre prevalência da sintomatologia revela que 18% da população tem problemas crónicos com a respiração pelo nariz

Mais de 450 mil portugueses, com mais de 15 anos de idade, sofre de congestão nasal grave, sendo que, a maior incidência recai sobre as mulheres. Os resultados saíram do primeiro estudo português sobre a prevalência desta sintomatologia.

Desenvolvido pelas Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e pela Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia (SPO), o estudo teve por objectivo “caracterizar a população no que diz respeito à prevalência da congestão nasal em Portugal Continental”, informam em comunicado enviado ao farmacia.com.pt.

Na nota, as entidades destacam ainda que, com este estudo “foi possível também construir de um modo pioneiro um índice de congestão nasal que pode levar, se muito elevado, a procurar ajuda médica para diagnóstico e tratamento do problema.”

De acordo com os resultados divulgados, 19% dos inquiridos relataram nariz entupido ou congestionado, 16% mencionou o corrimento nasal ou o pingo no nariz e 15% disse acordar de manhã com o nariz tapado, ou seja, congestionado.

“Se 4,6% da população refere sintomas muito graves de congestão nasal, mais 13,3% refere esta sintomatologia com características moderadas, o que aproximará dos 18% a percentagem dos habitantes adultos que têm problemas crónicos com a respiração pelo nariz”, concluíram.

Sintomas

A congestão nasal é um sintoma que, para além da sua relação com as infecções respiratórias, está muito associado a outras patologias crónicas tais como a rinite alérgica ou a rinossinusite.

Segundo a SPAIC, os sintomas mais frequentes são “nariz entupido, pressão nos seios nasais, respirar pela boca, dificuldades em ter cheiro e dificuldades em descongestionar o nariz, corrimento nasal (pingo do nariz) e dificuldades em trabalhar ou estudar.”

Raquel Pacheco

Fontes: farmacia-press/SPAIC

APDP promove V Congresso de Educadores em Diabetes

Relação entre os profissionais de saúde e o doente é o tema central

A pensar nos profissionais de saúde que no dia-a-dia lidam directamente com a diabetes e com o doente diabético, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) promove, nos próximos dia 6 e 7 de Dezembro, em Lisboa, o V Congresso de Educadores em Diabetes.

“É objectivo deste encontro aprender com a troca experiências das equipas de educação, mas também, associar num mesmo tempo de formação os vários elementos que as compões: médicos, enfermeiros, nutricionistas, dietistas, psicólogos, pedagogos e pessoas com diabetes”, esclarece a APDP em comunicado de imprensa enviado ao farmacia.com.pt.

De acordo com a nota, o congresso - que decorrerá durante dois dias no Hotel Altis - conta com cerca de 400 participantes. “São profissionais de saúde que irão reunir-se em grupos de trabalho e trocar experiências diversas que tocam temas tão diversos como a atitude do próprio formador, as estratégias para a decisão, a gestão de tempo, as metodologias de ensino inseridas na educação em grupo até aos cuidados a ter com o pé ou a contagem de hidratos de carbono.”

A importância da relação entre os profissionais de saúde e o doente é o tema central que girará em torno das sessões. Durante o programa serão, também, abordados “temas teóricos que versam a actividade educativa, bem como actividades práticas orientadas por especialistas nas várias áreas ligadas à diabetes”, informa a associação.

Destacando a consulta como o ponto basilar e o cerne para “a constituição de um bom relacionamento”, a APDP considera tratar-se de “um momento crucial para o conhecimento mútuo, para a construção de uma relação de confiança e de compreensão partilhada, razão por que todos os aspectos que a envolvem devem ser analisados em pormenor”, frisou.


“Educação do doente é elemento terapêutico”

Para o director clínico da APDP e coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Diabetes, José Manuel Boavida, “a educação do doente deve ser entendida por todos como um elemento terapêutico fundamental para o controlo metabólico, prevenção das complicações tardias e integração social da pessoa com diabetes.”

Raquel Pacheco

Fonte: APDP/farmacia-press

Pé Diabético: Cooprofar promove curso

A cada 30 segundo é amputado um membro em todo o mundo

Dotar os formandos de conhecimentos específicos sobre a doença do pé diabético - patologia, diagnósticos e tratamentos – é o objectivo de mais um curso promovido pela Cooprofar (Cooperativa dos Proprietários de Farmácia) que, desde 1975, dedica-se à distribuição de produtos farmacêuticos em Portugal.

O pé diabético traduz-se numa perda da sensibilidade dos membros inferiores. Submetidos a excessos de pressão, os pés ganham lesões que, se não forem tratadas a tempo, poderão levar a uma amputação. Em muitos dos casos, não são tratados, porque não são sentidos. Outra dificuldade detectada refere-se aos diabéticos obesos ou aqueles cuja doença já provocou cegueira, não conseguindo, assim, ver os pés.

Em todo o mundo, a cada 30 segundos é amputado um membro devido ao pé diabético. A realidade de um cenário alarmante moveu a Cooprofar a fomentar junto dos associados, profissionais de saúde e do público em geral um curso que decorre, hoje e no próximo dia 6, no Hotel Mélia Ria, em Aveiro.

De acordo com fonte da empresa, o conteúdo programático focalizará a Epidemiologia do pé diabético; Fisiopatologia do pé diabético; Etiologia da ferida no pé diabético; Tratamento da ferida no pé diabético; Aconselhamento ao diabético na prevenção e após ferida e o papel da Medicina Hiperbárica no tratamento de pé diabético.

Com a duração de oito horas (das 19h00 às 23h30) a formação será ministrada por profissionais de saúde na área da enfermagem que desempenham funções no Hospital Pedro Hispano: Manuel Lopes, Filipe Alvarilhão e Edgar Cachada.

Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a diabetes é a terceira causa de morte no mundo, onde 7,6 por cento da população sofre da doença. A OMS prevê que os índices de mortalidade aumentem 25% na próxima década, caso não sejam tomadas as medidas necessárias para travar o avanço da epidemia, pondo em causa a actual esperança média de vida. Em Portugal, estima-se que existam já mais de 700 mil diabéticos.

Raquel Pacheco

Fonte: Cooprofar/OMS/farmacia.com.pt

Sida: Fiocruz vai produzir novo fármaco antiretroviral

Os laboratórios da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil, vão começar a produzir um dos novos medicamentos usados na terapêutica antiretroviral, anunciou o director da Farmanguinhos, Eduardo de Azeredo Costa.

Congratulando-se com o facto de o laboratório ter provado que tinha condições de produzir o medicamento com o mesmo princípio activo dentro do Brasil, o dirigente da Farmanguinhos considerou que "é sempre bom reforçar e lembrar que a atitude da prevenção é a mais importante. Ninguém pode relaxar o factor prevenção e pensar que há medicamentos bons, pois não é porque nós produzimos fármacos que podemos pensar que o problema da sida se resolverá assim. Ajuda, trata, mas não mata o vírus”, frisou.

Uma ideia que foi concretizada pelo coordenador da Associação Brasileira Interdisciplinar de Sida (Abia), Veriano Terto: "Ainda não existe uma vacina ou um fármaco que seja capaz de retirar o vírus do corpo da pessoa infectada. A prevenção ainda é o melhor remédio. Não é porque existe o tratamento para a sida que o problema está resolvido, o tratamento não significa a cura", reforçou.

De acordo com os dados da Organização das Nações Unidas (ONU) há, em todo o mundo, 33 milhões de doentes com sida. Só no Brasil, em 2007, já foram registados cerca de 13 mil casos.
Raquel Pacheco

Fonte: Agência Brasil/Reuters

FDA vai avaliar efeitos colaterais de medicamento antitabágico

Casos relatados associam início da toma com ideias suicidas e sonolência…

A entidade reguladora dos alimentos e fármacos, nos Estados Unidos, (Food and Drug Administration – FDA) garante que irá averiguar o relato de efeitos colaterais feito por doentes administrados com Champix (tartarato de vareniclina) - medicamento antitabágico produzido pelos laboratórios Pfizer.

Depressão, pensamento e comportamento suicidas, pesadelos, tonturas, fadiga, sonolência, dores de cabeça, insónia, náuseas e vómito são alguns dos efeitos adversos descritos. Neste sentido, a FDA – juntamente com a MHRA (Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency) – já asseverou que está a analisar "todos efeitos secundários possíveis e previstos na bula do fármaco."

Contudo, segundo revela uma avaliação preliminar, muitos dos casos narrados reflectem “uma associação entre o início do tratamento (de alguns dias a semanas) do Champix com a concepção de ideias suicidas e alteração de humor."

No entanto, nestes casos, o papel do fármaco não está totalmente esclarecido pois sabe-se que a cessação do fumo - com ou sem tratamento - aparece associada a sintomas de retirada da nicotina e à exacerbação de doenças psiquiátricas subjacentes. Porém, nem todos os intervenientes (dos casos relatados) tinham uma história de doença psiquiátrica pré-existente e, nem todos, tinham parado de fumar.

Face a estes episódios, a FDA destacou a sua atenção, ressalvando, porém, que ainda não chegou a uma conclusão se esta informação requer alguma acção regulatória e se irá actualizar o documento quando houver informações ou análises viáveis.

De referir que, segundo os testes realizados com o medicamento - e divulgados oportunamente pelo farmacia.com.pt - , 44% dos tabagistas terão deixado de fumar depois do tratamento, comparativamente com os 18% que receberam um placebo e os 30% que tomaram outro fármaco - bupropiona (genérico do Zyban).

Raquel Pacheco

Fontes: FDA/Medicines and Healthcare products Regulatory Agency/PharmaNews

Medcenter e Medscape lançam juntos novo portal









Em Portugal, Espanha e na América Latina

A Medcenter, empresa multinacional de educação médica e serviços de marketing especializada no sector farmacêutico, e a WebMD, empresa líder mundial no sector de informação em saúde e proprietária do Medscape (maior portal médico mundial) anunciaram, ontem, uma parceria que resultou num novo portal para médicos.

Acessível através do endereço - www.medcenter.com/medscape - o novo portal vai oferecer desde notícias médicas, informações sobre as principais doenças, até à cobertura dos principais congressos médicos internacionais e educação médica continuada.

Wayne Gattinella, presidente da WebMD considera que a expansão para Portugal, Espanha e América Latina “vai permitir capitalizar as oportunidades nestes importantes mercados e oferecer aos médicos informação médica actualizada para melhorar o seu conhecimento e prática clínica", anunciando que “está ainda a ser potencializada a rede de médicos e o relacionamento com as comunidades científicas da Medcenter nestas regiões, com o intuito de trazer o conteúdo médico relevante e actualizado do Medscape para estes importantes mercados."

Neste sentido, foi dada a garantia de que o novo portal oferecerá aos médicos o melhor do Medscape e da Medcenter. “O Medscape fornece o conteúdo médico original para clínicos gerais e especialistas, além de outros profissionais de saúde. A Medcenter oferece soluções nas áreas de educação médica, serviços de marketing e pesquisa de mercado”, esclareceu.

“Melhor canal de comunicação com médicos”

Carlos Eduardo Reis, presidente da Medcenter, subscreveu a satisfação relativa à parceria, reforçando a convicção de que “a credibilidade, experiência e a base de médicos usuários dos nossos serviços, na Europa e na América Latina, associados à marca e à extraordinária quantidade de conteúdo de qualidade da Medscape, permitirão a Medcenter oferecer aos nossos clientes da indústria farmacêutica o melhor canal de comunicação com os médicos."

Segundo explicou o responsável, o portal trará as versões em português e espanhol do extenso conteúdo Medscape e será divulgado pela Medcenter para os mais de 250 milmédicos usuários de seus serviços e para toda a comunidade médica através das sociedades científicas que certificam as actividades de educação médica da Medcenter, realizadas na Europa e na América Latina.

Raquel Pacheco

Fonte : PRNewswire / http://www.corp.medcenter.com

“Cocktails” de fármacos para a sida podem preservar cérebro

Os “cocktails” de fármacos para a sida podem restringir as lesões cerebrais associadas ao HIV-1, sugere um estudo sueco publicado no jornal «Neurology».

À luz de uma investigação conduzida por uma equipa da Universidade Goteborg, na Suécia, - que envolveu 53 doentes com HIV de ambos os sexos - o tipo de tratamento analiasado parece parar o processo neurodegenerativo causado pelo vírus.

De acordo com Asa Mellgren, professora que coordenou o estudo, o HIV pode atacar o cérebro e os nervos para provocar danos no sistema imunitário. “Antes da introdução dos ‘cocktails’ de fármacos – designados como terapêutica antiretroviral altamente eficaz (HAART na sigla em ingês) - cerca de 20% dos doentes desenvolviam demência”, informou, ressalvando que, “nem todos os fármacos usados nestas combinações penetram no cérebro, logo, não se sabe muito bem o quanto a HAART ajudou.”

Segundo explicou a investigadora, “foi testado o líquido cefalorraquidiano dos doentes” (também designado de fluido cerebrospinal, apresenta um aspecto límpido e transparente e localiza-se ao nível do sistema nervoso central) e “foi-lhes administrada HAART durante um ano”, rematando que “antes do tratamento, 21 doentes tinham elevados níveis de proteína leve dos neurofilamentos, que se julga indicar os danos cerebrais.”

Desta feita, os cientistas suecos revelaram que, três meses após o tratamento com HAART, “os níveis elevados da proteína baixaram para valores normais em quase metade dos doentes e, após um ano, apenas quarto doentes tinham ainda níveis elevados da proteína leve dos neurifilamentos.”

Perante os resultados, Asa Mellgren disse acreditar que este tipo de tratamento “parece parar o processo neurodegenerativo causado pelo HIV", destacando que o estudo “confirma que a proteína leve dos neurifilamentos é útil como marcador para a monitorização dos danos cerebrais em indivíduos com HIV e para avaliar a eficiência da HAART."

Raquel Pacheco

Fontes: http://www.neurology.org/Reuters

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Exercício pode aumentar produção de antidepressivo natural no cérebro

Investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale em New Haven, nos Estados Unidos, descobriram uma molécula com propriedades antidepressivas que é produzida pelo cérebro como resultado do exercício físico. As conclusões da investigação foram publicadas na edição digital da revista “Nature Medicine”, apontando novas formas para tratar a depressão.

Segundo relataram os investigadores norte-americanos, o exercício parece aumentar a produção de um químico que ocorre naturalmente no cérebro com efeitos antidepressivos em ratos.

Estudos têm descoberto que o exercício pode ajudar a aliviar os sintomas da depressão, mas as razões para este benefício ainda não tinham sido clarificadas. Para o novo estudo, os cientistas, dirigidos pelo Dr. Ronald Duman, utilizaram uma ferramenta chamada “microarray”, microchips de ADN, para examinar a forma como o exercício alterou a actividade dos genes nos cérebros dos ratos, e para identificar os genes cuja expressão muda. Os investigadores focaram-se numa região do cérebro, o hipotálamo, que tem sido implicado na regulação do humor e na resposta do cérebro à medicação antidepressiva.

Os cientistas descobriram que os ratos que tinham tido uma semana cheia de exercícios numa roda giratória demonstraram actividade alterada num total de 33 genes, a maioria dos quais nunca tinha sido identificada antes. Em particular, o exercício aumentou a actividade no gene que codifica um factor de crescimento do nervo, conhecido por VGF. Os factores de crescimento do nervo são pequenas proteínas importantes no desenvolvimento e manutenção das células nervosas.

Além disso, quando os autores administraram uma versão sintética do VGF no cérebro dos ratos, este produziu um efeito antidepressivo robusto em testes estandardizados em animais colocados em situações de stress.

As descobertas apontam o VGF como alvo para novos fármacos antidepressivos, segundo Duman e os seus colegas. Este tipo de medicamentos iriam actuar através de um mecanismo completamente diferente em relação aos antidepressivos existentes, que são efectivos para cerca de 65 por centos dos pacientes, sublinharam os investigadores.

Segundo o principal investigador, a maior descoberta é ter sido identificado um factor chave que está por detrás dos efeitos antidepressivos do exercício, uma informação que pode ser utilizada para o desenvolvimento de novos agentes terapêuticos.

Isabel Marques

Fontes: AZPrensa, Reuters Índia

FDA concede revisão prioritária ao Treanda para a Leucemia Linfocítica Crónica

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) concedeu o estatuto de revisão prioritária ao Treanda (hidrocloreto de bendamustina), da companhia biotecnológica Cephalon Inc, para o tratamento de primeira linha da Leucemia Linfocítica Crónica (LLC).

O Treanda é um análogo de purina/alquilante híbrido. Os dados pré-clínicos demonstram que este híbrido actua em duas formas para matar as células cancerígenas. O Treanda danifica o ADN nas células cancerígenas, o que leva ao modo normal da morte das células, “apoptose”, ou morte celular programada. Também impede que estas células se dividam para criar novas células cancerígenas. Esta acção dupla do fármaco pode ser atribuída ao seu desenho químico único.

A agência concedeu o estatuto de medicamento órfão ao Treanda para o tratamento da LLC em Agosto de 2007, o que poderá resultar em sete anos de comercialização exclusiva para esta indicação, caso seja aprovado. A Cephalon apresentou a candidatura do Treanda para o tratamento da LLC em Setembro de 2007, e a FDA irá tomar uma decisão no final de Março de 2008.

A FDA concede o estatuto de revisão prioritária a fármacos que, caso sejam aprovados, irão fornecer grandes avanços nos tratamentos, ou que poderão proporcionar um tratamento aos pacientes quando não existe uma terapia adequada. Quando um fármaco recebe o estatuto de revisão prioritária significa que a FDA irá avaliar e decidir se o aprova em seis meses, em vez dos habituais dez ou mais meses.

A companhia também está a estudar o fármaco para o tratamento do Linfoma de Não- Hodgkin.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, CNNMoney

Merck & Co e Addex desenvolvem fármacos para Parkinson

A norte-americana Merck & Co Inc, através da sua filial Merck Sharp & Dohme Research Ltd, entrou num acordo de colaboração com a companhia biotecnológica suíça Addex Pharmaceuticals para o desenvolvimento de uma nova classe de fármacos disponíveis oralmente para tratar a doença de Parkinson, e para outras doenças, num negócio que poderá render à companhia helvética mais de 170 milhões de dólares.

O acordo entre as duas companhias visa descobrir e desenvolver moduladores alostéricos positivos que atingem o receptor de glutamato metabotrópico ou mGluR4. O glutamato é um neurotransmissor chave no cérebro humano, uma importante molécula sinalizadora envolvida no controlo de múltiplas funções cerebrais, desde o controlo motor ao humor.

Crê-se que a activação selectiva do mGluR4 é uma forma de contornar o sistema de dopamina e que pode corrigir os circuitos que regulam a excitabilidade motora. Isto tem o potencial de fornecer benefícios paliativos significativos na doença de Parkinson. A Addex apontou que os investigadores da Merck ajudaram a definir o potencial terapêutico de atingir o mGluR4 para tratar a doença de Parkinson.

A Merck e a Addex irão colaborar no desenvolvimento pré-clínico, e a Merck irá assumir independentemente o desenvolvimento clínico. A Addex tem a opçao de co-promoção em determinados países da União Europeia, e irá participar num comité conjunto de supervisão para o desenvolvimento clínico.

A Merck & Co irá efectuar um pagamento inicial à Addex no valor de 3 milhões de dólares, e será elegível para pagamentos de investigação, desenvolvimento e reguladores quando forem atingidos objectivos, na ordem dos 106,5 milhões de dólares para o primeiro produto desenvolvido para múltiplas indicações.

Outros pagamentos por objectivos até 61 milhões de dólares poderão ser efectuados caso sejam desenvolvidos mais um ou dois fármacos. A Addex irá ainda ser elegível para receber regalias sobre as vendas de qualquer produto resultante desta colaboração, contudos estes valores não foram revelados.

A doença de Parkinson é um distúrbio do movimento debilitante devido à morte ou danificação de determinadas células nervosas no cérebro que produzem moléculas sinalizadoras, conhecidas como dopaminas. A maior parte dos sintomas associados à doença de Parkinson, como tremores, rigidez e lentidão são causados pela falta de dopamina.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, CNNMoney, www.rttnews.com

Antidiabético Avandia aumenta risco de fractura óssea

Medicamento estimula acção de células que degradam ossos

O Avandia (maleato de rosiglitazona), um medicamento da GlaxoSmithKline destinado ao tratamento da diabetes, estimula a actividade de uma célula que conduz ao processo normal de reabsorção dos ossos, tornando-os mais dispostos a fracturas. A conclusão resulta de um novo estudo publicado na revista “Nature Medicine”.

Alguns estudos anteriores tinham já sugerido a existência de um risco acrescido de fracturas ósseas entre as mulheres medicadas com Avandia. Esta nova análise vem agora oferecer uma explicação.

O risco de fractura era inicialmente atribuído à acção do medicamento para inibir um determinado tipo de células, os osteoblastos, responsáveis pela construção do osso. O novo estudo, elaborado em ratos, revelou que o medicamento pode também enfraquecer o osso ao impulsionar a acção dos osteoclastos, células que degradam o osso naturalmente.

Os ossos do corpo são saudáveis quando se mantém o equilíbrio entre os osteoclastos e os osteoblastos, as células que constroem os ossos. Se alguma destas células sofre alterações de número, os ossos tornam-se mais finos, mais frágeis e mais aptos à ocorrência de fracturas.

“O nosso estudo sugere que a utilização da rosiglitazona a longo prazo no tratamento da diabetes tipo II pode causar osteoporose devido à reabsorção do osso e à diminuição de formação óssea. Uma vez que o Avandia é eficaz no controlo da glucose e na reestruturação do equilíbrio da insulina no organismo, não recomendamos que os pacientes parem o tratamento. Devem-se equilibrar os benefícios e as complicações”, afirmou Ron Evans, professor no “Salk Institute for Biological Studies”, em La Jolla, na Califórnia, e autor do estudo.

O Avandia e e outros quatro fármacos da mesma classe foram associados a um aumento do risco de ocorrência de ataque cardíaco. A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos resolveu acrescentar novas advertências às características do medicamento, mas não suspendeu a sua comercialização.

Situação semelhante ocorreu na Europa, onde o antidiabético permanece no mercado. Depois de avaliar a segurança cardíaca do fármaco, a Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) concluiu que os benefícios são superiores aos riscos.

Esta descoberta poderá agora contribuir para uma melhor compreensão dos efeitos secundários de medicamento, fornecendo uma base para o desenvolvimento de um novo fármaco que os possa eliminar.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, eFluxMedia, USnews.com.

Novartis fixa acordo com MorphoSys para aceder a anti-corpos humanos

A farmacêutica suíça Novartis prepara-se para fazer um pagamento no valor de 409 milhões de euros à empresa de biotecnologia alemã MorphoSys como parte de um acordo para o desenvolvimento de fármacos baseados em anti-corpos humanos.

O montante total envolvido na parceria, que deverá prolongar-se durante 10 anos, poderá ser superior a 680 milhões de euros, dependendo dos pagamentos por objectivos inerentes ao sucesso de desenvolvimento clínico e às aprovações de comercialização dos produtos.

De acordo com um comunicado divulgado este Domingo pelas duas empresas, a Novartis poderá dispor de acesso quase exclusivo à biblioteca de anticorpos humanos da MorphoSys e a quaisquer avanços futuros alcançados durante a colaboração.

O acordo surge na sequência de uma colaboração já existente, que tinha sido suspensa em 2004. A Novartis reserva a opção de prolongar o acordo por mais dois anos, ou de lhe pôr termo passados sete anos caso se verifiquem determinadas circunstâncias, adiantou a MorphoSys.

“Este é um acordo transformador para a MorphoSys”, afirmou o director executivo da empresa Simon Moroney. “Esta aliança proclama um novo capítulo no nosso desenvolvimento corporativo”, acrescentou.

Os anticorpos terapêuticos inteiramente humanos evitam a utilização de matéria animal para reduzir o risco de reacções adversas nos pacientes. Os medicamentos de anticorpos actualmente comercializados permitiram revolucionar o tratamento de doenças como a artrite reumatóide ou determinados cancros, porém a sua utilização é limitada devido ao seu tamanho molecular.

Marta Bilro

Fonte: Guardian Unlimited, Reuters.

Lacunas no funcionamento da FDA põem cidadãos em risco

Relatório alerta para incapacidades logísticas e falta de funcionários

A Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) tem falta de financiamento para poder acompanhar os avanços científicos, uma lacuna que pode estar a pôr em perigo a vida dos cidadãos, alertam os conselheiros da entidade reguladora dos Estados Unidos da América.

A FDA sofre de uma “pletora de incapacidades”, incluindo uma taxa de inspectores de alimentos “extremamente baixa” e uma falta de cientistas que compreendam as novas tecnologias, afirma o relatório elaborado pelo subcomité de um painel externo. As conclusões vão ser discutidas esta segunda-feira, noticia a Bloomberg.

De acordo com a análise destes especialistas, a FDA precisa de mais fundos monetários e melhores sistemas informáticos. Para além disso, deveria ser reestruturada para integrar um líder científico. A autoridade reguladora norte-americana dispõe de um orçamento superior a 1,3 mil milhões de euros e fiscaliza, anualmente, a comercialização de mais de 1 bilião de produtos, incluindo alimentos, medicamentos, cosméticos e dispositivos médicos.

“Sem um aumento substancial de recursos, a agência não tem poder para melhorar o seu desempenho” tornando-se incapaz de ir ao encontro das expectativas dos consumidores norte-americanos, salienta o relatório. Esta situação “vai prejudicar não só a saúde da população dos EUA, mas também a saúde da nossa economia”, acrescentam os responsáveis pelo estudo.

O relatório descreve ainda vários avanços científicos em áreas como o genoma ou a nenotecnologia, frisando que a FDA não pode monitorizar os produtos adequadamente uma vez que não consegue acompanhar a ciência. A FDA sofre de “sérias deficiências científicas”, conclui o documento.

Ao longo da última década a FDA tem vindo a recebe cada vez mais relatórios sobre efeitos secundários associados a medicamentos prescritos e não houve um aumento de funcionários que pudessem revê-los, refere o estudo que acusa também o Congresso de exigir que a FDA assuma mais responsabilidades sem lhe providenciar os devidos financiamentos para contratar funcionários.

Marta Bilro

Fonte: Bloomberg, Azstarnet.com, Tennessean.com.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Recolha voluntária de lote de Tardyferon Fol

A Pierre Fabre Médicament Portugal, Lda está a proceder à recolha voluntária de um lote de Tardyferon Fol (Sulfato ferroso + Ácido fólico), um medicamento utilizado na prevenção dos défices em ferro e ácido fólico durante a gravidez e lactação. A medida foi desencadeada por um erro de impressão respeitante ao prazo de validade e à indicação incorrecta de um dos excipientes.

De acordo com uma nota informativa de carácter “urgente”, divulgada pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), em causa está o lote n.º G00305, val: 11/2009, do medicamento Tardyferon Fol 60 comprimidos revestidos.

A recolha surge na sequência da detecção de um erro de impressão nos materiais de embalagem primária, secundária e no folheto informativo, respeitante ao prazo de validade, uma vez que, onde se lê “Novembro de 2009” dever-se-ia ler “Novembro de 2007”. Para além desta irregularidade, foi ainda detectada uma incorrecção relativamente à indicação de um dos excipientes, dibutylphtalato, quando o correcto seria triethylcitrato.

A detecção destas anomalias levou o Conselho Directivo do Infarmed a ordenar a suspensão imediata da comercialização deste lote de medicamento.

Marta Bilro

Fonte: Infarmed.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Sanofi-Aventis e Regeneron desenvolvem anticorpos terapêuticos humanos

A francesa Sanofi-Aventis SA e a biotecnológica norte-americana Regeneron Pharmaceuticals Inc entraram num acordo global e estratégico de colaboração para desenvolver e comercializar anticorpos terapêuticos totalmente humanos, utilizando a tecnologia registada da Regeneron, VelociSuite (incluindo a VelocImmune).

Adicionalmente, a Sanofi-Aventis irá aumentar o seu investimento na companhia norte-americana de quatro por cento para 19 por cento, através da compra de 12 milhões de novas acções num total de 312 milhões de dólares.

O representante da área de investigação da Sanofi-Aventis, Jean-Claude Muller, declarou que o acordo irá ajudar a companhia a atingir o objectivo de avançar 20 potenciais novos fármacos para desenvolvimento anualmente. Um anticorpo que atinge o receptor de interleucina-6 (IL-6) já iniciou ensaios para a artrite reumatóide, enquanto um segundo anticorpo que atinge a ligando-4 similar a Delta está planeado para iniciar o desenvolvimento clínico em 2008.

Os anticorpos terapêuticos totalmente humanos evitam a utilização de material animal para reduzir o risco de qualquer tipo de reacção adversa nos pacientes.

Como parte da colaboração, a Sanofi-Aventis irá fazer um pagamento inicial de 85 milhões de dólares à Regeneron, e irá fornecer cerca de 475 milhões de dólares em financiamentos durante os próximos cinco anos. Em troca, a Sanofi-Aventis irá garantir uma opção exclusiva para co-desenvolver cada candidato do portfólio da colaboração.

A Regeneron irá ter o direito de co-comercializar todos os fármacos da colaboração numa base global, caso estes sejam aprovados, e dividir metade dos lucros dos produtos vendidos nos Estados Unidos. Fora do país, a Sanofi-Aventis terá o direito a lucros entre os 55 por cento e os 65 por cento dos fármacos comercializados.

As duas companhias já estão a desenvolver um fármaco oncológico experimental denominado aflibercept, que pertence à mesma classe do blockbuster Avastin, da Genentech Inc e da Roche Holding AG.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Reuters, Regeneron

Antidepressivo Lexapro apresenta resultados positivos em adolescentes

A norte-americana Forest Laboratories Inc e a Lundbeck apresentaram dados preliminares positivos de um ensaio de Fase III do antidepressivo Lexapro/Cipralex (oxalato de escitalopram) em adolescentes. A companhia norte-americana antecipou que irá apresentar um pedido de aprovação do fármaco à agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) durante 2008.

Os resultados demonstraram que os pacientes com idades compreendidas entre os 12 e 17 anos com episódios depressivos major que receberam o fármaco experimentaram uma melhora significativa nos sintomas da depressão, em comparação com aqueles que tomaram placebo. Espera-se que sejam divulgados dados adicionais do estudo em 2008.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, First Word

Estudo identifica alergias alimentares e medicamentosas em crianças

Iniciativa da Universidade de Aveiro envolve 600 participantes

Os problemas alérgicos são uma preocupação frequente para muitos cidadãos e a sua prevalência continua a aumentar em Portugal. Através de um projecto que envolve perto de 600 crianças, do distrito de Aveiro, com idades compreendidas entre os 0 e os 10 anos de idade, a Universidade de Aveiro espera identificar cerca de 25 por cento das crianças com problemas alérgicos, derivados de alergias alimentares, medicamentosas ou de outro tipo.

A iniciativa, que pretende identificar crianças com doenças alérgicas que pela sua patologia possam correr risco de vida, conta com a participação de dezanove escolas do ensino público e privado e desenvolve-se em três fases, ao longo deste ano lectivo. O projecto é da responsabilidade dos departamentos de Ciências da Educação e Didáctica e Tecnologia Educativa da Universidade de Aveiro, em parceria com a Associação Ambiente e Alergias para a Promoção e Protecção da Saúde – Infantasma.

Numa primeira fase será aplicado um inquérito aos encarregados de educação que permitirá detectar a existência de casos de alergia. Num plano posterior serão aprofundadas as causas, recorrendo a consultas e testes gratuitos e, por último, serão ministrados workshops e actividades de formação a todos os elementos da comunidade escolar. No final, a Infantasma irá apetrechar as escolas com um kit composto pelos medicamentos necessários a administrar em caso de choque anafiláctico.

Um dos principais objectivo passa por assegurar que todos os que rodeiam as crianças estejam preparados para reagir face a qualquer situação urgência alergológica, nomeadamente uma alergia alimentar, medicamentosa, uma alergia venenosa ou crises de asma.

Os responsáveis pelo projecto esperam assim identificar cerca de 25 por cento das crianças com problemas alérgicos, das quais 1 a 2 por cento sofrerão de problemas graves, com origem em alergias alimentares, medicamentosas ou de outro tipo.

Um estudo recente realizado pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) revelou que entre as crianças em idade pré-escolar, 21,5 por cento apresentavam queixas de rinite no último ano, mas destas apenas 35,8 por cento estavam diagnosticadas e 36,5 por cento medicadas. Os últimos dados estatísticos indicam que cerca de 40 por cento da população jovem portuguesa sofre de rinite alérgica e 12 por cento de asma.

Marta Bilro

Fonte: Educare.pt, CienciaPT, UA Online, Diário Digital.

Pfizer expande investigação e desenvolvimento na Ásia

A farmacêutica norte-americana Pfizer quer expandir o seu sector de investigação e desenvolvimento em direcção à Ásia. Entre os principais alvos da empresa estão a China, Índia, Japão e Coreia do Sul.

O maior laboratório farmacêutico mundial instalou um centro de investigação em Xangai, em 2005, e tem planos para alargar as suas actividades de pesquisa clínica a nível global. De acordo com Martin Mackay, presidente do departamento de investigação e desenvolvimento global, a Ásia é o trunfo da empresa uma vez que o mercado farmacêutico naquele continente deverá crescer para os 136 mil milhões de euros em 2017.

“A China vai ser muito importante para nós, o centro de Xangai será excepcionalmente relevante”, afirmou Mackay em declarações à Reuters. “Estamos de olho na Coreia, Índia e outros países”, acrescentou o mesmo responsável.

Mackay não adiantou pormenores quanto ao plano de expansão da Pfizer mas disse que a empresa está bastante satisfeita com os progressos feitos no centro de investigação e desenvolvimento de Xangai, desde a sua abertura, há dois anos.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Market Watch.

Investigadores revertem envelhecimento da pele do rato

Uma equipa de cientistas da Universidade Stanford, nos Estados Unidos da América, conseguiu reverter o processo de envelhecimento da pele do rato através do bloqueio da actividade de uma proteína produzida por um único gene.

“Este gene torna-se cada vez maia activo com a idade”, mas “não existe para nos envelhecer. É activo em vários processos, incluindo no sistema imunitário e na inflamação”, explicou Howard Chang, professor assistente de dermatologia na Universidade Stanford e responsável pela investigação.

De acordo do Cheng, o gene em questão, responsável pela produção da proteína denominada NF-kappa-B, não será utilizado enquanto “fonte de juventude” num futuro próximo. A proteína tem uma variedade de funções, algumas envolvidas no cancro, e os efeitos secundários ainda desconhecidos devem ser explorados antes de se avaliar a sua segurança. No entanto, uma das aplicações possíveis poderá ser a de ajudar a sarar ferimentos mais rapidamente em pessoas idosas, referiu o investigador.

O mais emocionante nesta descoberta é o facto do gene poder ter um efeito imediato nas células envelhecidas, salientou Chang. “As pessoas sabem que se pode interferir no processo de envelhecimento através de intervenções drásticas, como a restrição das calorias. Agora estamos a falar de um único gene que, se bloqueado num indivíduo que já é velho, pode devolver às células um estado rejuvenescido, pelo menos temporariamente”.

Os investigadores depararam-se com a NF-kappa-B ao procurarem dados existentes sobre os genes que se tornam mais ou menos activos à medida que as pessoas envelhecem. Durante esse processo, descobriram que a actividade de alguns desses genes é reguladas pela proteína.

Posteriormente utilizaram um modelo de rato geneticamente desenvolvido para testar o efeito provocado pela inibição da actividade da NF-kappa-B numa amostra de células da pele. Duas semanas depois, uma amostra de pele pertencente a um rato com 2 anos de idade e submetida ao tratamento não só apresentava a mesma actividade genética de um animal recém-nascido mas também aparentava mais juventude, com mais divisão de células.

A descoberta vem fundamentar a teoria de que o envelhecimento não é um simples processo de desgaste mas antes o resultado de alterações genéticas específicas, disse Chang. Para além disso, demonstra que pelo menos a nível local e temporário, essas alterações podem ser travadas, acrescentou. Ainda assim, advertiu o cientista, é preciso ter em conta que o manuseamento do gene tem que ser feito com precaução devido ao envolvimento da NF-kappa-B numa grande quantidade de processos distintos no organismo.

O próximo passo é perceber qual o efeito, a longo prazo, de bloquear o processo de envelhecimento durante algum tempo. “Será que o tecido vai envelher novamente de forma rápida depois de parado o tratamento, ou irá demorar muito mais tempo a envelhecer? É importante desvendar estas questões”, concluiu Chang.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, Forbes.

Merck investe 200 milhões de euros em fábrica de vacinas na Irlanda

A farmacêutica Merck vai investir 200 milhões de euros na construção de uma nova unidade de produção no sul da Irlanda destinada ao desenvolvimento de vacinas e medicamentos biológicos. Esta será a terceira representação do laboratório norte-americano no país.

O anúncio foi feito pela Agência para o Desenvolvimento Industrial da Irlanda (IDA) que considerou que a iniciativa representa “uma consolidação muito importante do elevado perfil da Irlanda enquanto localização de sucesso para investimentos globais substanciais na área da biotecnologia”.

A empresa disponibilizou 200 milhões de euros para aceder ao terreno de construção no Parque de Negócios e Tecnologia da IDA, em Carlow, onde pretende edificar a nova fábrica. De acordo com a IDA, a Merck tem também planos para explorar o cenário académico irlandês em busca de oportunidades no sector dos biológicos.

O projecto deverá estar concluído e a funcionar em 2011, empregando 170 pessoas distribuídas pelos sectores da produção, investigação e desenvolvimento, controlo de qualidade, gestão e administração.

A Merck não é a única empresa farmacêutica a investir na Irlanda. A Abbott, por exemplo, tem sete unidades de produção no país, a Johnson & Johnson seis, a Pfizer cinco e a Schering Plough e a GlaxoSmithKline têm ambas quatro. A Irlanda tem-se tornado um ponto fulcral para a indústria, estabelecendo-se como o destino mais popular para o desenvolvimento e produção fora dos Estados Unidos da América, salienta a IDA.

Marta Bilro

Fonte: In-PharmaTechnologist.com

ONU: Mundo sem preparação suficiente para possível pandemia de gripe

Os progressos registados no último ano, no que diz respeito à prevenção da gripe das aves, não foram suficientes para permitir preparar o mundo para uma possível pandemia. A conclusão resulta de um relatório divulgado esta quinta-feira pela ONU e pelo Banco Mundial que alerta para o facto de persistir o risco de uma mutação do vírus H5N1 numa forma facilmente transmissível ao homem.

A verificar-se esta possibilidade, a mutação “teria o potencial de provocar uma pandemia de gripe» à escala mundial, alerta o relatório. “A ameaça pandémica levou a maior parte dos governos a melhorar as suas técnicas de detecção, controlo e reacção aos agentes patogénicos. No entanto, numerosos planos nacionais não são suficientemente operacionais e a coordenação destes planos entre os países exige maior atenção”, sublinha o mesmo documento.

A maior mobilidade das pessoas e dos bens, assim como as mudanças que se verificam no ecossistema são factores chave na probabilidade de movimentação dos agentes patogénicos, explicou David Navarro, coordenador da luta contra a gripe na ONU e co-autor do relatório, citado pelo Diário Digital. Nesse sentido, “a segurança a longo prazo da humanidade exige que todos os países se preparem em conjunto para enfrentar” tal situação, advertiu.

A permanência do vírus

A difusão do vírus nos últimos três anos aconteceu muito rapidamente na Ásia oriental, depois na África do Norte e do Oeste, na Europa central e mesmo no Reino Unido, lembra o relatório, baseado em dados fornecidos por 143 países. Apenas durante o mês de Novembro, novos focos de gripe das aves foram detectados na Arábia Saudita, Birmânia, Reino Unido e Roménia.

Em 2005 o vírus foi detectado em 16 países, em 2006 o número de países subiu para 55 e este ano serão 60, de acordo com o relatório.

Apesar das técnicas de reacção rápida desenvolvidas por vários países, que lhes permitem conter e depois controlar os novos focos detectados, seis nações constituem ainda casos preocupantes, isto porque, entre eles o vírus H5N1 é considerado enzoótico, o que significa que continua a alastrar-se entre as aves domésticas e selvagens.

A Indonésia representa o caso mais grave, sendo que a situação prevalece em todo o país. O vírus é também enzoótico em algumas regiões do Bangladesh, China, Egipto, Nigéria e Vietname

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, Lusa.

Farmácias: "Novas competências afastam utentes dos hospitais”

Sindicato abre «guerra» contra medida da tutela alegando: “violação da lei, irresponsabilidade, consumismo, falta de controlo e qualidade”…

No início deste mês, o Ministério da Saúde atribuiu às farmácias competências nas áreas de diagnóstico e terapêutica. Contra a medida levantou-se a voz do Sindicato das Ciências e Tecnologias da Saúde (SCTS) para acusar a tutela de “irresponsabilidade” e vaticinar a futura prestação destes serviços das farmácias “sem controlo e qualidade”.

Desde o dia 2 de Novembro – data em que foi publicada a Portaria N.º1429/2007 – o Governo autorizou às farmácias a prestação em áreas especializadas de diagnóstico e terapêutica, nomeadamente, fazer rastreios da diabetes, cancro da próstata e de doenças cardiovasculares.

O certo é que, a medida catapultou ondas de desagrado no sector, especificamente, no SCTS que - em comunicado enviado ao farmacia.com.pt (intitulado «Farmácias Podem Prestar Serviços Sem Controlo e Qualidade») – manifesta, veementemente, uma posição de indignação, argumentando que os diagnósticos nas farmácias “vão afastar os cidadãos dos hospitais, atirando-os para consumismos em saúde.”

“Com esta medida, o Ministro da Saúde violou o regime jurídico das farmácias de oficina, contido no Decreto-Lei nº 307/2007, de 31 de Agosto, dado não estar previsto, neste diploma, qualquer competência das farmácias nas áreas de diagnóstico e terapêutica, nem tão pouco do Infarmed, enquanto entidade reguladora do sector”, afirma a direcção nacional na nota.

Catalogando como “grosseira a violação da lei e do papel das farmácias na prestação de serviços e cuidados de saúde”, o SCTS considera que a situação gerada pela tutela “reveste-se de uma grande gravidade e irresponsabilidade”, sustentando que “para além de colocar as farmácias fora de qualquer controlo em matéria de exames de diagnóstico e terapêutica, permite uma concorrência desleal com os laboratórios e clínicas de diagnóstico e terapêutica, sujeitas a regras específicas de licenciamento, fiscalização e qualificação de recursos humanos.”

A equacionar à situação que define como, por si só, de “grave”, o sindicato denuncia a “inexistência de mecanismos de controlo das actividades referentes a eventuais check-ups, efectuados sem equipamento fiável, pessoal qualificado”, vaticinando que os resultados a obter serão “grosseiros e susceptíveis de posterior esclarecimento médico e novos exames pagos pelos utentes.”

No entanto, a medida do Ministério da Saúde é ainda encarada pelos dirigentes sindicais como “não ingénua”, justificando que, assim, “a tutela desresponsabiliza-se da prevenção e esvazia os Centros de Saúde das acções que deveriam desenvolver, designadamente, nos rastreios do cancro, da diabetes, das doenças cardiovasculares, da obesidade e da osteoporose” e como “pior” - apontou o SCTS – “atiram os utentes para consumismos em saúde, agravando a factura e os custos particulares.”

Face ao cenário traçado e às preocupações expressas, fonte da direcção nacional (no Porto) anunciou que já expôs a situação à Autoridade da Concorrência e à Entidade Reguladora da Saúde, encontrando-se a aguardar o parecer de ambas.

Entretanto, segundo conseguiu apurar o farmacia.com.pt, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) já reagiu às acusações do SCTS asseverando que “as farmácias cumprem a lei, disponibilizando condições, instalações e equipamentos adequados.”

A ANF não deixou de sublinhar ainda que as farmácias são “estabelecimentos licenciados e fiscalizados pelo Infarmed e que darão um contributo positivo na área de diagnóstico.”

Raquel Pacheco

Fonte: Comunicado da delegação Norte do SCTS

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

UCB pede aprovação da lacosamida para epilepsia e dor neuropática diabética

O grupo farmacêutico belga UCB apresentou um pedido de registo de um novo medicamento à agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) para o fármaco lacosamida, para o tratamento da epilepsia e da dor neuropática diabética.

O fármaco, que se virá a chamar Vimpat, foi apresentado como terapia adjuvante no tratamento de ataques parciais iniciais em adultos com epilepsia e inclui três formulações: comprimidos, xarope e injecção intravenosa.

A UCB também fez um pedido semelhante à Agência Europeia dos Medicamentos (EMEA), no início deste ano, que está a ser revisto.

A companhia belga também requereu a aprovação do fármaco, por parte da FDA, para tratar adultos com dor neuropática diabética, na formulação de comprimidos, tendo também apresentado pedido semelhante à EMEA este ano.

O pedido de registo da lacosamida para a epilepsia foi baseado nos dados de três ensaios clínicos com um total aproximado de 1 300 adultos com ataques parciais não controlado, apesar de tomarem um a três fármacos antiepiléticos. Nestes estudos, foi observada uma taxa de resposta elevada e redução na frequência média dos ataques, em comparação com o placebo.

Nos ensaios clínicos controlados por placebo, com mais de 800 pessoas com dor neuropática diabética, com a lacosamida foi observada uma redução significativa e sustentada dos valores da dor.

A lacosamida tem um modo de actuação novo e dual: aumenta selectivamente a diminuição da inactivação dos canais de sódio e interage com o alvo relevante de neuroplasticidade – a proteína-2 mediadora da resposta à colapsina (CRMP-2).

O fármaco competirá directamente com o Lyrica (pregabalina), da Pfizer, e o Cymbalta (duloxetina), da Eli Lilly, dois dos fármacos mais vendidos de ambas as companhias farmacêuticas norte-americanas.

Isabel Marques

FDA: Fármacos para a asma Serevent e Advair necessitam advertências pediátricas

Um painel de peritos da agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) recomendou o reforço dos avisos de segurança pediátricos dos fármacos da GlaxoSmithKline Plc para a asma, Serevent (xinafoato de salmeterol) e Advair (propionato de fluticasona), os mais vendidos pela companhia britânica, devido a novos relatórios de mortes de crianças que tomaram o fármaco.

O painel de peritos em fármacos para crianças reviu nove novos relatórios de efeitos adversos em crianças que tomaram o tratamento inalável, incluindo cinco mortes num período de um ano, entre outros estudos que descobriram um aumento das hospitalizações e mortes relacionadas com a asma em crianças.

Segundo um epidemiologista da Universidade da Califórnia, e membro do painel, Thomas Newman, os dados são perturbadores, porque tanto o aumento das hospitalizações, como da mortalidade são muito diferentes do que aquilo que os médicos pensam.

Pelo menos dois membros do painel afirmaram que os dados eram tão convincentes que o Serevent devia ser retirado do mercado. A FDA declarou que irá considerar a segurança de todos os fármacos da classe, denominados de beta-agonistas de longa acção, numa futura reunião.

O Advair contém Serevent mais um esteróide. Uma teoria sugere que o esteróide fornece um efeito protector contra o impacto negativo do Serevent, mas os membros do painel rejeitaram essa ideia. Segundo a FDA, não existem provas de que o esteróide diminui o risco de mortes relacionadas com a asma. Mas determinou que os fármacos devem permanecer no mercado, pois são altamente efectivos no tratamento da asma apesar dos riscos.

Além da recomendação de um rótulo que mostra mais proeminentemente os riscos de mortes relacionadas com a asma, o grupo revelou que a rotulagem necessita de salientar mais que o fármaco é recomendado somente quando outros tratamentos falham.

Ambos os fármacos já têm avisos em caixa negra, os mais graves que um fármaco pode ter, indicando que aumentam o risco de morte relacionada com a asma. Todavia, o painel disse à FDA que esses avisos devem detalhar especificamente os riscos para as crianças. A FDA normalmente aceita as recomendações destes painéis.

A GSK apresentou o seu próprio conjunto de dados refutando qualquer sugestão de tendências negativas quando o salmeterol é utilizado correctamente.

A vice-presidente da área de desenvolvimento clínico respiratório, Kathy Rickard, disse que a GSK acredita que os dados demonstram um não aumento do risco de hospitalizações e mortalidade do Advair, e que não está a par de uma reunião pendente da FDA sobre o assunto.

Em Portugal, o Serevent foi aprovado pelo Infarmed a 4 de Julho de 2007, com a classificação Farmacoterapêutica: 5.1.1. Agonistas adrenérgicos beta.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, www.bizjournals.com, CNNMoney

OF alerta para 400 farmácias em risco de fecho

Ordem dos Farmacêuticos contra abertura de farmácias hospitalares alegando “violações à lei da concorrência”; estudo confirma cenário de centenas de encerramentos

Estão em risco de fecharem portas cerca de 400 farmácias. Quem o diz é a Ordem dos Farmacêuticos (OF) apontando como causa da crise que adivinha para o sector - a abertura de farmácias de venda ao público nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O alerta da OF surge na sequência da aprovação da legislação que regulamenta a instalação de farmácias de venda ao público nos Hospitais do SNS, que funcionarão 24 horas por dia e 365 dias por ano e que já espoletou na Ordem a entrega de um pedido de pronúncia sobre a conformidade da legislação na Autoridade da Concorrência (AdC).

“A previsão de abertura de 70 farmácias, colocará em causa o funcionamento das farmácias que fiquem próximas desses hospitais porque não conseguirão concorrer com o modo de funcionamento das farmácias hospitalares” afirmou, peremptoriamente, em conferência de imprensa, o presidente da secção regional de Coimbra da OF, Batel Marques.

Segundo avançou o dirigente da região Centro, - a Ordem receia que possam ser cerca de 400 os estabelecimentos em rico de fechar, esclarecendo que este é um número obtido através de uma simulação feita com base em estudos encomendados pela OF à Universidade de Coimbra, dados sobre centros de saúde do ex-Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde e dados dos relatórios dos Hospitais, nomeadamente os EPE (Entidades Públicas Empresariais).

"Estes são dados com base nas receitas emitidas, com base na oferta e na procura das farmácias medidas pelo número de lotes aviados, com base na proximidade geográfica, a haver uma afectação o impacto desse número de prescrições emitidas poderemos chegar a esse valor, mas é uma simulação porque nos faltam dados validados, (...) veremos na altura qual é o impacto que vai ter", explicou Batel Marques.

Ao que o farmacia.com.pt conseguiu apurar, a exposição da OF contra as farmácias hospitalares foi ainda fundamentada pelo presidente da secção regional de Coimbra da OF “na localização privilegiada junto de um público alvo vasto, que inclui não só doentes, como aos seus familiares e amigos e, até funcionários dos hospitais, o horário sem limite de funcionamento, que levará por exemplo os cidadãos a deixarem de recorrer a farmácias de serviço”, argumentou.

Batel Marques considerou ainda que a indução de compra de medicamentos no local onde acontece a prescrição médica e o funcionamento permanente destes locais "induz a um efeito indirecto e a posteriori" que poderá resultar “na falência das farmácias da rede comunitária e, em especial, aquelas localizadas nas proximidades dos hospitais”, reforçou.

Lamentando que estes efeitos possam "limitar a acessibilidade dos cidadãos aos medicamentos e a comodidade", o dirigente da OF/Coimbra sustentou que, “ao comprometer-se a rede comunitária de farmácias, os pacientes serão obrigados a recorrer às farmácias hospitalares, mesmo com prescrições passadas fora desses locais".

Outro factor de preocupação para a Ordem refere-se à ausência de limitações de propriedade nas farmácias hospitalares, cenário inverso ao que ocorre nas de oficinas em que, inclusivamente, está previsto um número máximo de quatro estabelecimentos por indivíduo. "Nas farmácias hospitalares não há limitação e a mesma entidade pode ser concessionária de todos os concursos que forem abertos para atribuição da exploração da farmácia", realçou Batel Marques, exemplificando que, “94 por cento dos medicamentos não sujeitos a receita médica são vendidos nas farmácias e seis por cento fora e que destes, 34 por cento das vendas estão concentradas na mesma entidade.”

Novas farmácias: 25% do mercado ambulatório

De acordo com o presidente da secção regional de Coimbra da OF, há também "alguma dificuldade" em mensurar a imputação de custos ao SNS decorrentes das prescrições emitidas nos hospitais, “quer elas provenham das urgências, quer das consultas externas”, concretizando que, não obstante, “a OF estima - com base no dados do Boletim Estatística do Infarmed - que essas 70 farmácias venham a deter 25 por cento do mercado ambulatório.”

De referir que, em 2005, foram processados cerca de 1,6 milhões de lotes de prescrições médicas emitidas pelo SNS, pelo que, o número médio de receitas aviadas por farmácia foi de 20,910, à média de 57,3 receitas por dia.Segundo revelou a Agência Lusa, nos cadernos de encargos dos seis concursos públicos já lançados, relativos a números de receitas emitidas diariamente, os dados variaram entre as 420 no Hospital de Santo André e as 1141 do Hospital de São João.

O número total de 3.940 prescrições por dia emitidas pelos seis hospitais, traduz 1.438.100 receitas/por ano, o que equivale ao das receitas aviadas em média por 69 farmácias.Neste sentido, alegando "a existência de violações à lei da concorrência", por considerar que haverá uma "posição dominante no mercado" por parte das farmácias hospitalares, a OF solicitou à Autoridade da Concorrência (AdC) um parecer sobre esta matéria.

Na voz de Batel Marques, ouviu-se ainda a garantia de que a OF não irá desarmar numa luta pela “garantia e salvaguarda da qualidade da cobertura medicamentosa e da assistência farmacêutica, da segurança dos doentes e da manutenção da Saúde Pública", admitindo accionar uma jornada de acções "umas na sequência e outras independentemente da avaliação da AdC", concluiu.

Raquel Pacheco

Fonte: Agência Lusa/ OF/Coimbra

“Espuma” pode revolucionar mercado dos xaropes

A administração de xaropes a crianças poderá, em breve, deixar de ser uma preocupação para os pais, isto porque, a “Dow Chemical Company” está a trabalhar numa nova tecnologia de distribuição de fármacos que promete pôr fim às fórmulas demasiado líquidas.

“Os pais podem administrar o fármaco à criança sem se preocuparem em derramar ou provocar nódoas normalmente associadas aos medicamentos líquidos coloridos. O mesmo se aplica aos idosos ou aos animais de estimação que precisam de medicamentos”, afirmou Paul Sheskey, director de serviços técnicos da “Dow Chemical Company”, em declarações ao portal In-PharmaTechnologist.com.

“Espuma-numa-colher” (foam-on-a-spoon, ou FOAS, em inglês), é desta forma que os responsáveis descrevem a fórmula que foi desenvolvida para facilitar a administração de preparados líquidos e que surgiu quando “os cientistas procuravam um sistema de distribuição de medicamentos de rápida dissolução que fosse mais fácil de administrar às pessoas com dificuldade em tomar cápsulas ou comprimidos”.

A tecnologia funciona através da incorporação de ar numa fórmula líquida utilizando um dispensador de espuma. Segundo explicou Sheskey, “quando uma fórmula de espuma é distribuída numa colher, esta faz com que o líquido obtenha um significativo poder anti-derrame”.

A empresa utiliza um dispensador produzido pela “Rexam Airspray”, que é frequentemente utilizado em várias aplicações, nomeadamente para produtos capilares, dermatológicos, sabonetes e protectores solares. O agente espessante é a metilcelulose, uma substância que pode ser encontrado nas pastas de dentes, nos champôs, nos lápis de cera ou no papel de parede.

Até ao momento a “Dow Chemical Company” desenvolveu três protótipos utilizando três ingredientes activos: acetaminofen, hidrocloreto de difenidramina e bromidrato de dextrometorfano. No entanto, de acordo com Sheskey, qualquer ingrediente farmacêutico activo solúvel num líquido poderá ser distribuído desta forma.

Marta Bilro

Fonte: In-PharmaTechnologist.com, Pharmalot.

Risco tromboembólico e cardiovascular obriga a alterações nas bulas das epoetinas

O aumento do risco de eventos tromboembólicos em doentes oncológicos, e de ocorrência de problemas cardiovasculares em doentes renais, associados às epoetinas levou o Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP) e o Grupo Europeu de Farmacovigilância (PhVWP) da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) a recomendar alterações no resumo das características destes medicamentos. De acordo com a apreciação dos especialistas, os benefícios de utilização dos fármacos continuam a ser superiores aos riscos, porém a sua aplicação deve sofrer algumas restrições.

A avaliação das epoetinas, utilizadas no tratamento da anemia em doentes com insuficiência renal crónica e em doentes oncológicos, foi desencadeada pelos resultados de ensaios clínicos recentes, que revelaram um excesso de mortalidade inexplicável, em doentes oncológicos com anemia tratados com epoetinas. Adicionalmente, os resultados de dois estudos e uma meta-análise sugeriram que a administração de epoetinas para tratar a anemia em doentes com insuficiência renal crónica está associada a um aumento do risco de mortalidade e morbilidade cardiovascular, revela uma circular informativa divulgada pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

Depois de rever os dados disponíveis, o CHMP e o PhVWP decidiram recomendar algumas alterações à bula dos medicamentos, nomeadamente a indicação de que as epoetinas só devem ser usadas no tratamento de anemia se os doentes tiverem sintomas ou a alteração dos intervalos de valores da hemoglobina atingir (10 g/dl-12 g/dl).

No que diz respeito às propriedades farmacodinâmicas deverá também ser incluída uma nova informação “sobre os resultados dos ensaios clínicos que mostraram excesso de mortalidade significativo em doentes com diversos tipos de cancro e anemia que foram tratados com epoetinas em comparação com os que não foram tratados com epoetinas”, indica o Infarmed.

Para além disso, as conclusões demonstraram também que será necessário aumentar o conhecimento sobre os efeitos das epoetinas, tendo sido solicitado aos titulares das Autorizações de Introdução no Mercado, que disponibilizem dados adicionais e confirmem “a conclusão anteriormente aceite de que os doentes com anemia a fazerem quimioterapia não mostraram evidência de impacto negativo na sobrevida”, refere o mesmo comunicado.

Marta Bilro

Fonte: Infarmed.

Portadores de doenças raras sentem-se rejeitados

A baixa prevalência das doenças raras faz com que, muitas vezes, o seu diagnóstico seja negligenciado. O mesmo acontece com grande parte dos portadores destas patologias que dizem sentir-se rejeitados pelos próprios profissionais de saúde, revela um estudo realizado pela European Organisation for Rare Diseases (EURORDIS) em 23 países europeus e apresentado na IV Conferência Europeia sobre Doenças Raras 2007 que terminou esta quarta-feira em Lisboa.

Entre os cerca de 6000 doentes entrevistados no âmbito desta pesquisa, 69 por cento referiram que é a complexidade da própria patologia que os faz sentir rejeitados pelos profissionais de saúde, noticia o jornal Público. O estudo diz ainda que é nas mulheres que o sentimento de discriminação é mais abundante.

Inserido no Projecto de Solidariedade para as Pessoas com Doenças Raras (RAPSODY), o terceiro inquérito aos doentes do programa EurordisCare foi lançado em Maio de 2006 e contou com a participação de 116 associações de doentes e 12 500 doentes contactados, dos quais 6000 responderam.

De acordo com a edição desta quarta-feira do jornal Público, as conclusões do inquérito revelaram que em 26 por cento dos casos foi difícil ou impossível para os doentes acederem aos serviços médicos mais necessários. Entre as principais justificações para a dificuldade na obtenção de respostas médicas encontram-se a falta de coordenação e referenciação, às quais se seguem a indisponibilidade dos serviços e das listas de espera.

A insatisfação perante os serviços médicos garantidos foi manifestada por 20 por cento dos inquiridos e 11 por cento afirmaram não ter tido sequer acesso a estes cuidados. No que respeita ao apoio social, este foi difícil ou impossível de conseguir por parte de 32 por cento dos entrevistados, sendo que, os resultados demonstraram que esta assistência demora, em média, cinco anos até chegar ao doente.

“Quando questionados sobre a importância da partilha de informação entre profissionais de saúde, 95 por cento dos doentes consideraram este aspecto fulcral”, adianta um comunicado, citado pelo jornal. Para além disso, 92 por cento frisaram a necessidade de formação a nível local, evitando as deslocações ao estrangeiro.

Quanto aos cuidados multidisciplinares, as conclusões do estudo não deixam margem para dúvidas, uma vez que “falar de doenças raras é falar de equipas constituídas por profissionais com diferentes competências, onde a assistência social tem um papel essencial”.

A disponibilização de informação e ajuda através de linhas de apoio, de ferramentas para diminuir o seu isolamento, actividades de lazer, serviços acolhimento temporário, programas para ajudar o currículo escolar, e organização da transição da prestação de cuidados médicos e tratamento da infância para a vida adulta, são algumas das sugestões propostas pelo RAPSODY para melhorar a vida dos doentes e familiares.

Durante dois dias, a IV Conferência Europeia sobre Doenças Raras 2007 reuniu em Lisboa, mais de 400 pessoas, provenientes de 35 países.

Marta Bilro

Fonte: Público.

CE aprova medicamento para tratar envenenamento por cianeto

A Comissão Europeia aprovou a comercialização do Hydroxocobalamin, um medicamento desenvolvido pela Merck, destinado ao tratamento do envenenamento por cianeto em pacientes adultos e crianças. O envenenamento por cianeto, que deriva principalmente da inalação de fumo, impede as células de usarem o oxigénio na conversão de energia, causando asfixia.

De acordo com Roberto Gradnik, director de operações europeias da Merck Serono, o fármaco permitirá “tratar de imediato um envenenamento por cianeto, quer num cenário de incêndio, num acidente ou no hospital”, uma vez que pode ser administrado no local.

“Esperamos que a disponibilização do Hydroxocobalamin na Europa provoque impacto na sobrevivência e prevenção de danos neurológicos irreversíveis como o que são provocados pelo envenenamento por cianeto”, acrescentou o mesmo responsável

O fármaco é utilizado nos Estados Unidos da América desde Dezembro de 2006 e obteve também autorização de comercialização por parte da autoridade reguladora japonesa em Setembro de 2007.

Marta Bilro

Fonte: Merck, CNN Money, Reuters.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

FDA: Myfortic aumenta riscos de malformações no feto e abortos espontâneos

A agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) informou que o fármaco imunossupressor para prevenir a rejeição de órgãos Myfortic (ácido micofenólico), da Novartis AG, foi associado ao aumento do risco de aborto espontâneo e malformações do feto nos primeiros três meses de gestação.

A FDA afirmou que o alerta resulta de dados recolhidos a partir do National Transplantation Pregnancy Registry dos Estados Unidos, assim como de dados de pós-comercialização recolhidos de mulheres que tomaram o fármaco durante a gravidez.

A Novartis declarou numa carta dirigida aos profissionais de saúde que o fármaco irá ter um novo aviso de segurança sublinhando o risco aumentado de aborto espontâneo e de malformações congénitas no ouvido externo e na face, tais como fendas do lábio e palato.

Segundo a FDA, as mulheres que estão a planear uma gravidez não devem utilizar o Myfortic, a não ser que o tratamento não seja bem sucedido com outros fármacos imunossupressores. As pacientes em idade fértil devem receber aconselhamento sobre contracepção e devem utilizar métodos contraceptivos enquanto tomarem o Myfortic.

A agência também alertou, no mês passado, para o facto do fármaco contra a rejeição de órgãos CellCept (micofenolato de mofetil), da Roche Holding AG, aumentar o risco de aborto no primeiro trimestre e malformações congénitas.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters

CE aprova Tasigna para leucemia mielóide crónica

A Comissão Europeia (CE) aprovou o Tasigna (nilotinib), da Novartis AG, para o tratamento de pacientes com leucemia mielóide crónica que não respondem ao Glivec/Gleevec (mesilato de imatinib), o fármaco líder no seu segmento e o segundo mais vendido da companhia suíça.

A aprovação baseou-se em dados que demonstraram que o Tasigna produziu uma resposta positiva em 49 por cento dos pacientes com leucemia mielóide crónica. A maioria dos pacientes atingiu esta resposta em três meses após o início do tratamento com o fármaco. O Tasigna actua em aproximadamente metade dos pacientes que desenvolveram resistência ao Glivec.

A aprovação europeia do Tasigna já era esperada, após o fármaco ter sido recomendado por um painel da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA). A decisão é válida em todos os 27 Estados-Membros da União Europeia, e ainda na Noruega e na Islândia. O Tasigna já está aprovado nos Estados Unidos e na Suiça, e foi apresentado aos reguladores japoneses em Junho.

O Tasigna inibe a produção de células cancerígenas ao direccionar-se à proteína Bcr-Abl. Esta proteína, produzida pelas células que contêm um cromossoma anormal, denominado Filadélfia, é reconhecida como sendo o elemento chave na superprodução de glóbulos brancos que causam cancro nos pacientes com leucemia mielóide crónica.

O fármaco teve um caminho rápido até chegar ao mercado, tendo sido criado apenas em Agosto de 2002, um ano após o lançamento do Glivec. O Tasigna, que atingiu vendas de 2,6 mil milhões de dólares no ano passado, irá competir com o Sprycel (dasatinib), da Bristol-Myers Squibb Co.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, MarketWatch, CNNMoney

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Impulsos magnéticos podem tratar depressão

Investigadores acreditam que resultados superam tratamentos com antidepressivos

Estimular o cérebro com pequenos impulsos magnéticos é um modo seguro e eficiente de tratar a depressão profunda, garante um estudo divulgado nos Estados Unidos. Para os investigadores, os resultados superaram, inclusive, os tratamentos com antidepressivos.

De acordo com a notícia ventilada pela France Presse, o método “consiste em enviar rápidas descargas de energia magnética ao cérebro, por meio de um dispositivo fixado no couro cabeludo.”

Segundo explicou Philip Janicak, professor de Psiquiatria do Rush Universitary Medical Center, em Chicago, nos Estados Unidos, “os impulsos fazem com que os neurónios de uma pequena área do cérebro se ‘acendam’, isto é, estes neurónios enviam sinais a zonas mais profundas do cérebro que controlam o apetite e estão relacionadas com a depressão”, clarificou.

Revelando que os índices de melhora entre os pacientes que receberam o tratamento “foi o dobro em relação aos que experimentaram apenas uma simulação do método”, o investigador sublinhou que esta técnica “é uma alternativa para 20% a 40% das vítimas de depressão profunda, que não respondem a antidepressivos e ou à psicoterapia e, ainda, para os que querem evitar o uso de químicos.”

Ao considerar a descoberta “particularmente significativa”, Philip Janicak destacou que “os resultados superaram, inclusive, os tratamentos com antidepressivos”, argumentando que “a maior parte dos doentes submetida ao tratamento não reagia aos antidepressivos.”

John Krystal, editor da revista «Biological Psychiatry» - que publicará a pesquisa no dia 1 de Dezembro – considerou, também, que o estudo “lança uma nova luz sobre a eficiência da estimulação magnética transcraniana como tratamento para a depressão.”

"O resultado é particularmente importante para os pacientes que não toleram antidepressivos e para os que não reagem a tratamentos alternativos", sustentou.

A pesquisa envolveu 325 pacientes nos Estados Unidos, Canadá e Austrália que sofriam de depressão profunda. Os efeitos colaterais relatados foram dores de cabeça e feridas no couro cabeludo.

Raquel Pacheco

Fonte: Agência France Press/Folha Online

Síndrome das pernas inquietas reduz qualidade do sono

Estudo norte-americano surte advertência: investigar e tratar melhor a doença
À luz de um estudo norte-americano conduzido por investigadores da Universidade da Pensilvânia, a síndrome das pernas inquietas está associada, directamente, à menor qualidade do sono e duração do descanso nocturno, bem como, à maior sonolência no dia seguinte.

De acordo com o estudo publicado na revista médica «Journal of the American Geriatrics Society», a equipa de especialistas analisou o impacto da Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) sobre a qualidade de vida de 39 indivíduos idosos (com idade superior a 65 anos) todos com diagnóstico firmado da doença e com sintomas, pelo menos, três vezes por semana.

Segundo os resultados divulgados, a síndrome interfere, directamente, no sono (reduzindo a qualidade), na duração do descanso nocturno (menor) e, ainda, na sonolência no dia seguinte (aumenta).

“Os idosos, com sintomas graves, apresentaram uma probabilidade de uso de medicação 5,3 vezes superior à observada naqueles com doença leve”, explicaram os autores do estudo, concluindo que a síndrome das pernas inquietas “afecta não apenas o sono dos idosos, mas também, reflecte-se no impacto negativo da qualidade de vida.”

A SPI é um distúrbio do sono caracterizado pela presença de sensações esquisitas nos membros inferiores, as quais conduzem a uma irresistível vontade de movimentá-los constantemente. Tais movimentos ocorrem, frequentemente, durante a noite, facto que leva a vários acordares, e consequentemente, encurta a duração do sono.

Neste sentido, os investigadores norte-americanos defenderam que a doença “merece ser adequadamente investigada e tratada.”

Tratamento


Não há um medicamento aprovado especialmente para o tratamento da SPI, contudo, são utilizados outros fármacos administrados para outras doenças, nomeadamente: agonistas dopaminérgicos, sedativos, medicações para dor e anticonvulsivantes. Cada substância tem os seus benefícios, limitações e efeitos colaterais, por isso, a escolha da medicação depende da gravidade dos sintomas.
A primeira escolha para tratar SPI são os agonistas dopaminérgicos, entre eles o pramipexol. Embora esta classe de medicamentos seja utilizada para tratamento da Doença de Parkinson, a SPI não é uma forma de parkinson.

Raquel Pacheco

Fonte: «Journal of the American Geriatrics Society»/ www.sindromedaspernasinquietas.com.br/

Chá pode proteger contra osteoporose

Estudo revelou que ingestão reduz cerca de 2,5% a taxa de perda de cálcio pelos ossos

O consumo regular de chá pode actuar como factor de protecção contra a osteoporose, sugere um estudo australiano publicado na revista «American Journal of Clinical Nutrition».

Segundo informou a equipa da University of Western (Austrália), a investigação envolveu 1.500 mulheres, entre 70 e 85 anos, as quais receberam acompanhamento durante cinco anos, revelando que
os resultados demonstraram que “a quantidade de cálcio nos ossos, das participantes que ingeriram chá regularmente foi 2,8% maior, em comparação com aquelas que não cultivavam o hábito de consumir esta bebida de infusão.”

Os cientistas australianos destacaram ainda que, a equacionar à observação anterior, “constatou-se também (após 4 anos de acompanhamento) que a ingestão de chá reduz, cerca de 2,5%, a taxa de perda de cálcio pelos ossos.”

Deste modo, os investigadores acreditam que o consumo regular de chá “actua como factor de protecção contra a osteoporose, concretamente, na diminuição da ocorrência de doença nas mulheres idosas.”

De referir que, a osteoporose é uma doença que atinge maiores taxas de ocorrência na população idosa. O surgimento está associado a um complexo e dinâmico desequilíbrio entre as quantidades de vitaminas e minerais no organismo, particularmente, o cálcio.


Raquel Pacheco

Fonte: American Journal of Clinical Nutrition

GSK adquire direitos de venda livre do Mevacor da Merck & Co.

A GlaxoSmithKline Plc adquiriu os direitos exclusivos para comercializar o fármaco para o colesterol Mevacor (lovastatina), da Merck & Co. Inc, sem prescrição médica, nos Estados Unidos.

Como parte do acordo, a Merck irá receber pagamentos quando forem atingidos objectivos e regalias sobre as vendas do fármaco não sujeito a receita médica, ou OTC (“over the counter”), no país, dependendo ainda da aprovação da entidade reguladora. Os restantes termos do acordo não foram divulgados.

Está agendada uma reunião de um painel de revisão da agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA), para o dia 13 de Dezembro, para ponderar o recente pedido de aprovação da Merck para a versão OTC do Mevacor.

A agência até agora já recusou dois pedidos para aprovar a venda livre do produto, e um porta-voz da companhia sublinhou que a Merck espera apresentar novos dados na reunião para responder às preocupações iniciais de que os consumidores não iriam tomar o fármaco correctamente.

A Merck está à procura da aprovação OTC do Mevacor 20 miligramas para toma única diária para ajudar a baixar o colesterol. A utilização está planeada para mulheres com 55 anos ou mais, e para homens com 45 anos ou mais com colesterol moderadamente elevado e com um ou mais factores de risco de ataque cardíaco.

O porta-voz acrescentou ainda que a Merck irá tratar da reunião, mas a GSK irá assumir a responsabilidade pelas vendas do produto, caso o composto receba autorização de comercialização. Espera-se uma decisão final por parte da FDA no primeiro trimestre do próximo ano.

Permitir que o Mevacor seja vendido sem prescrição médica será uma grande mudança, uma vez que os medicamentos não sujeitos a receita médica normalmente tratam condições temporárias com sintomas facilmente reconhecíveis, tais como dores de cabeça, enquanto que o colesterol elevado só pode ser detectado através de um teste sanguíneo.

A Grã-Bretanha tornou-se o primeiro país no mundo a aprovar um fármaco para reduzir o colesterol, ou estatina, de venda livre em 2004.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Reuters

OncoMethylome e GSK desenvolvem biomarcadores de ADN para tratamentos oncológicos

A companhia biotecnológica belga OncoMethylome Sciences e a britânica GlaxoSmithKline (GSK) Biologicals entraram num acordo de colaboração para o desenvolvimento de biomarcadores de ADN, para a identificação de fármacos para imunoterapias oncológicas.

O objectivo desta colaboração é desenvolver biomarcadores de metilação do ADN para serem utilizados na personalização do tratamento do cancro, com determinadas imunoterapias que estão a ser desenvolvidas pela GSK Biologicals.

A colaboração é suportada por uma bolsa de investigação Wallonia (BioWin) que foi anunciada em Abril deste ano. Os restantes detalhes financeiros do acordo não foram revelados.

Metilação e biomarcadores de metilação

A metilação é um mecanismo de controlo natural que regula a expressão dos genes no ADN. A metilação anormal de certos genes pode silenciar a expressão do gene, e está associada ao desenvolvimento do cancro e à resposta à terapia oncológica. Os genes cuja metilação está ligada ao cancro são geralmente denominados de biomarcadores de metilação. Os biomarcadores de metilação delineados para serem utilizados em diagnósticos de acompanhamento estão associados à resposta à terapia com fármacos oncológicos.

Isabel Marques

Fontes: www.networkmedica.com, Reuters, www.abnnewswire.net

CE aprova Torisel para cancro do rim avançado

A Comissão Europeia (CE) autorizou a comercialização do Torisel (temsirolimus), da Wyeth, como tratamento de primeira linha para pacientes com carcinoma de células renais em estado avançado que apresentam, pelo menos, três de seis factores de risco. A companhia acrescentou que o tratamento é o único fármaco oncológico aprovado que inibe especificamente a quinase mTOR (alvo da rapamicina), um importante regulador da proliferação, crescimento e sobrevivência das células.

O Torisel nos ensaios clínicos tem demonstrado prolongar a sobrevivência, em comparação com os tratamentos normalmente utilizados de interferão alfa. O fármaco recebeu a aprovação por parte da agência norte-americana que regula os medicamentos (FDA) para o cancro de rim avançado em Maio.

O carcinoma de células renais representa aproximadamente 85 por cento dos estimados 85 mil novos casos de cancro do rim diagnosticados na Europa anualmente.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Reuters, Wyeth