segunda-feira, 16 de julho de 2007

Infarmed alerta para os riscos das tatuagens temporárias com hena

O Infarmed lançou hoje uma nota de alerta sobre os riscos das tatuagens temporárias de cor negra que contenham hena, pois estas podem originar reacções alérgicas, mais ou menos graves, podendo mesmo ser necessária intervenção médica urgente e até hospitalização.

A nota de alerta foi emitida depois de o Infarmed ter tido acesso a informações da autoridade francesa (AFSSAPS), que indicavam os perigos do uso de hena incorporada com uma substância química proibida (parafenilenodiamina ou PPD), que serve para acentuar a cor negra e prolongar o efeito.

A PPD é uma substância autorizada na composição de produtos cosméticos, mas apenas permitida nas tintas capilares (até um máximo de seis por cento), sendo também utilizada na indústria têxtil.

O eczema de contacto, que se manifesta alguns dias ou semanas depois da realização de tatuagens temporárias, é um dos principais sintomas alérgicos a este produto, podendo surgir na zona tatuada, em redor da mesma ou por todo o corpo.

Os danos causados têm um “carácter irreversível”, causando por vezes uma “polisensibilização, nomeadamente a borracha, tintas do vestuário e tintas capilares”, o que pode comprometer não só a vida quotidiana dos consumidores, como também o seu desempenho profissional, alerta o Infarmed.

Apesar do alerta, não foi ainda registado qualquer caso em Portugal, no entanto, a nota solicita ainda que qualquer reacção alérgica a um produto cosmético ou de higiene corporal, deverá ser comunicada ao Infarmed.

Inês de Matos

Fonte: Sol
Laboratórios Abbott divulga estudo no «Journal of Pediatrics»
Synagis reduz sibilâncias recorrentes nos bebés


Um estudo divulgado na edição deste mês da revista «Journal of Pediatrics» atesta que a profilaxia com o Synagis (palivizumab), produzido e comercializado pela firma farmacêutica Abbott, poderia reduzir para cerca de metade a ocorrência recorrente de sibilâncias – ruídos resultantes da passagem do ar pelas vias respiratórias, pos causa de inflamações ou espasmos musculares – nos bebés prematuros.

De acordo com os dados da investigação desenvolvida por especialistas do serviço de Neonatologia do Hospital Clínico de Barcelona, as crianças prematuras nascidas sem doença pulmonar crónica a quem foi administrado aquele fármaco da Abbott revelaram uma incidência de sibilâncias 49 por cento inferior à dos bebés que não receberam o Synagis. O ensaio clínico, que teve dois anos de duração, aferiu ainda que a detecção daquele problema pelo médico assistente desce 51 por cento nas crianças sujeitas ao tratamento com o medicamento.
Normalmente o diagóstico desta doença exige várias consultas e exames até que o seu médico perceba a razão das sibilâncias nos bebés. Xavier Carbonell, director do serviço de Neonatologia do Hospital Clínico de Barcelona e vice-presidente da Sociedade Espanhola de Neonatologia, que coordenou este estudo, explicou que esta “é uma patologia que pode ter manifestações muito leves ou muito graves”, e que nos casos mais extremos pode mesmo obrigar ao internamento do doente para receber ventilação assistida e ao uso de broncodilatadores inalados.
O Synagis consiste numa terapia biológica que integra a família dos anticorpos monoclonais que se administra mensalmente nos bebés prematuros, visando a prevenção do surgimento de infecções do tracto respiratório. A Organização Mundial de Saúde estima que o problema afecte 64 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, das quais 160 mil acabam por morrer devido à infecção.

Carla Teixeira
Fonte: PM Farma

DGS prevê realização de 20 mil abortos por ano

De acordo com cálculos da Direcção-Geral de Saúde deverão realizar-se, em Portugal, 20 mil interrupções voluntárias da gravidez (IVG) por ano, número que as autoridades pretendem reduzir para o mínimo possível dentro de cinco anos.

Em conferência de imprensa, o director-geral de Saúde, Francisco Jorge, afirmou que as previsões apontam para a realização de 20 mil abortos a pedido da mulher, por ano, garantindo que os responsáveis irão trabalhar para reduzir esse número sem, no entanto, estabelecer uma meta específica. Para que isso possa acontecer, salientou, são necessárias análises a realizar durante a aplicação de um novo programa de planeamento familiar.

Na mesma ocasião, Francisco Jorge disse ainda que há 38 hospitais públicos e duas clínicas privadas, no Continente, prontos para realizar IVG’s. Na lista de excluídos estão o hospital da Guarda, o de Matosinhos, o de Évora e o São Francisco Xavier, em Lisboa. Esta é, porém, uma “rede flexível”, capaz de sofrer alterações mediante a disponibilidade dos hospitais, salientou o responsável.

No caso dos Açores, o hospital do Faial é o único das três unidades que está preparado para realizar a interrupção da gravidez a pedido da mulher. De fora fica a Região Autónoma da Madeira, onde a lei não será aplicada, uma vez que o governo regional decidiu esperar que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre o diploma. Este é, segundo Francisco Jorge, um problema que “só pode ser resolvido politicamente”, já que o director regional da Madeira se escusou a participar nas reuniões preparatórias do processo de aplicação da IVG até às 10 semanas.

Lista de estabelecimentos públicos oficiais credenciados para realizar a IVG

Norte:

• H S Marcos (Braga)
• C H Alto Ave (Braga)
• C H Médio Ave (Braga)
• C H Nordeste (Bragança)
• H G S António (Porto)
• C H V N Gaia / Espinho (Porto)
• H S João (Porto)
• M Júlio Dinis (Porto)
• H Vale Sousa (Porto)
• C H Póvoa Varzim / Vila Conde (Porto)
• C H Trás os Montes e Alto Douro (Vila Real)

Centro

• H Infante D Pedro (Aveiro)
• H S Sebastião / S Maria da Feira (Aveiro)
• H S Miguel / Oliveira Azeméis (Aveiro)
• H Amato Lusitano (Castelo Branco)
• C H Cova da Beira / Covilhã (Castelo Branco)
• HUC / M Daniel de Matos (Coimbra)
• C H Coimbra / M Bissaya Barreto (Coimbra)
• H D Figueira da Foz (Coimbra)
• H S André (Leiria)
• C H Caldas da Rainha (Leiria)
• H S Teotónio (Viseu)

Lisboa e Vale do Tejo

• C H Lisboa Central / H D Estefânia (Lisboa)
• M Dr. Alfredo da Costa (Lisboa)
• H S Maria (Lisboa)
• H Fernando da Fonseca (Lisboa)
• C H Cascais (Lisboa)
• H Reynaldo dos Santos (Lisboa)
• H D Torres Vedras (Lisboa)
• C H Médio Tejo (Santarém)
• H D Santarém (Santarém)
• H N S do Rosário (Setúbal)
• H S Bernardo (Setúbal)
• H Garcia de Orta (Setúbal)

Alentejo

• C H Baixo Alentejo (Beja)
• H Dr. José Maria Grande (Portalegre)

Algarve

• H Central de Faro (Faro)
• C H Barlavento Algarvio (Faro)

Açores

• Hospital do Faial

Lista de clínicas privadas credenciadas para realizar a IVG

• Clínica dos Arcos, em Lisboa
• Clínica de Oiã, em Aveiro

Marta Bilro

Fonte: Diário Digital, TSF, SIC online, Direcção-Geral da Saúde.

Almirall compra Hermal por 376 milhões de euros

O laboratório espanhol Almirall anunciou a aquisição da empresa alemã Hermal, uma subsidiária da Reckitt & Benckiser especializada em tratamentos dermatológicos, por 376,4 milhões de euros.

Num comunicado divulgado hoje (16 de Julho), a farmacêutica catalã salienta que a compra se enquadra nas suas ambições no âmbito da expansão internacional, algo que permitirá fortalecer a presença da empresa em importantes mercados europeus.

A Hermal, com sede na Alemanha, possuí representações em 14 países, tendo registado, em 2006, um volume de negócios na ordem dos 102 milhões de euros. Por sua vez, a Almirall está presente em 80 nações, entre as quais Portugal. Parte da operação será financiada com uma emissão de dívida, falta agora a aprovação das autoridades alemãs para a aquisição da Hermal, algo que deverá acontecer até ao final de Agosto.

Marta Bilro

Fonte: Dinheiro Digital, Hemscott, Reuters.

Valorização da rupia leva farmacêuticas indianas a diversificar estratégias

As empresas farmacêuticas indianas estão a apostar no desenvolvimento de novas estratégias que lhes permitam contrabalançar a rigorosa quebra nas margens de lucros, imposta pela sobrevalorização da rupia ao longo dos últimos seis meses. Enquanto as produtoras de genéricos preferiram adoptar planos restritos no mercado de câmbios internacional, as produtoras a contracto e empresas que realizam ensaios clínicos optaram por acordos contratuais sobre uma taxa fixa para neutralizar as flutuações das taxas de câmbio.

A Ranbaxy está a reduzir as exportações directas da Índia, fornecendo o mercado global através de localizações no estrangeiro. A Ohm Labs, unidade da Ranbaxy nos Estados Unidos da América, abastece o mercado norte-americano; a Terapia, na Roménia, disponibiliza os produtos para a Europa; a Be-Tabs Pharmaceuticals fornece a região do Sul de África e a unidade chinesa oferece provisões aos mercados vizinhos.

“A valorização da rupia não tem tido impactos notáveis nos ganhos da Ranbaxy relativamente às exportações”, uma vez que a empresa tem combatido as perdas através de medidas de compensação dos preços, afirmou um representante da farmacêutica indiana. Para além disso, “a Ranbaxy possui unidades de produção em 10 países estrangeiros que provisionam vários mercados mundiais, o que, por si só, funciona também como uma auto-defesa automática, que recusa qualquer possível impacto nos ganhos da empresa”, acrescentou o mesmo responsável.

A rupia foi apreciada em cerca de 8,5 por cento face ao dólar nos últimos seis meses, aproximadamente 5,6 por cento face à libra e cerca de 5,07 por cento relativamente ao euro. Muitas empresas farmacêuticas estão a compensar a exposição ao mercado cambial internacional combatendo as perdas através da compensação de preços. Quaisquer perdas nas exportações causadas pela valorização da rupia são equilibradas pelos ganhos das importações, onde a compra de matérias-primas se torna mais barata, especialmente para determinados compostos farmacêuticos activos adquiridos a partir da China.

Até a escala de implicação das valorizações e depreciações na competitividade das exportações depende dos padrões de facturação das exportações. Assim, o facto de cerca de 80 por cento das exportações dos compostos farmacêuticos activos da Índia serem facturadas em dólares indica que os dados do jogo estão, por enquanto, contra os exportadores indianos, sublinham os especialistas.

A maioria das farmacêuticas do país tem grandes quantidades de capital associado ao dólar norte-americano que foi adquirido na forma de empréstimos comerciais em moeda estrangeira, o que fará com que, em parte, consigam contrabalançar a quebra nas operações que deverão enfrentar devido à valorização da rupia. Entre as maiores emissoras de capital adquirido através de empréstimos comerciais em moeda estrangeira estão a Ranbaxy (319 milhões de euros), a Sun Pharma (254 milhões de euros), a Aurobindo (199,5 milhões de euros) ou a Strides (145 milhões de euros).

Marta Bilro

Fonte: The Times of India.

FDA defende Aspartame

A FDA, agência que controla alimentos e remédios nos Estados Unidos, põe um ponto final na polémica e assegura consumidores que o adoçante artificial é seguro para a saúde.
Este posicionamento oficial surge após a divulgação da análise dos resultados do estudo conduzido na Europa pela Fundação Ramazzini, da Itália.
Divulgados em 2005, esses dados associavam o consumo do edulcorante ao desenvolvimento de cancro. A nutricionista Gisele Rossi Goveia, da Preventa Consultaria em Saúde e da Sociedade Brasileira de Diabetes, endossa confirma que "A pesquisa europeia apresenta falhas metodológicas, não tem base científica e os seus resultados são inconsistentes".

Sandra Cunha

Fontes: revista saúde
Novos casos de BSE encontrados no conselho de Vila nova de Famalicão

Apesar de prever que surgem novos casos em Portugal, o neurologista Cortez Pimentel acredita que esta nova versão humana da BSE vai desaparecer.

Na sexta-feira, o Hospital de S. João, no Porto, enviou à Direcção-Geral de Saúde um relatório a confirmar que a nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jacob (a versão humana da BSE) foi a causa da morte de um rapaz de Famalicão em Abril.
Isto torna-se alarmante visto que há um segundo caso provável da nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jacob (DCJ), detectado numa rapariga de 14 anos também da zona de Famalicão.Este dado ainda não está confirmado, uma vez que o diagnóstico definitivo só é conseguido por autópsia.
Para Cortez Pimentel,neurologista e antigo coordenador do Programa de Vigilância de Doenças Humanas Por Priões, a explicação para os dois únicos casos suspeitos em Portugal serem da zona de Famalicão pode ser a grande incidência que a BSE teve na região do Douro e Minho.
O neurologista afirma ser "natural que nessa zona apareçam mais casos, porque foi uma zona que era fonte de contaminação, uma vez que mais de metade dos casos de BSE em Portugal apareceu na zona de Entre Douro e Minho".
Cortez Pimentel alertou ainda que Portugal "está em cima de um período de incubação" da doença, prevendo que mais casos vão aparecer, apesar de não adiantar qualquer estimativa.
Todavia, o médico acredita que a nova variante da DCJ "é uma doença que vai morrer", muito devido às medidas que foram aplicadas para o controlo da BSE, "que se revelaram eficazes".
O médico salientou que até em Inglaterra,onde surgiu a BSE,"Há cada vez menos casos detectados todos os anos. Se não se deu uma epidemia até agora, como se chegou a prever, acho que a doença vai acabar por morrer", justificou.
O Reino Unido é o país com mais casos diagnosticados da nova versão da DCJ, com mais de 150 pessoas atingidas, seguindo-se a França, com mais de uma dezena de casos.
O neurologista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, sublinhou que o importante é "os médicos estarem de sobreaviso" para a possibilidade de surgirem casos.
"Não sei qual será a capacidade de os nossos clínicos pensarem nesta doença. Não sei se essa capacidade é ou não grande. Mas devem estar de sobreaviso", comentou à Lusa.
"Caso surja qualquer pessoa com menos de 50 ou 40 anos com quadro neurológico progressivo para o qual não temos um diagnóstico devemos pensar nessa possibilidade", insistiu.
Apesar de ser unanimemente aceite a relação entre a nova variante da DCJ e a BSE, os meios de transmissão não estão totalmente esclarecidos aos olhos dos cientistas.
Cortez Pimentel adiantou que as transfusões de sangue e a contaminação por instrumentos cirúrgicos são outras possibilidades de transmissão.
Uma das certezas da comunidade científica é que a realização da autópsia é determinante para o diagnóstico, ainda que seja possível em vida identificar clinicamente a nova variante da DCJ.
Entre a nova variante e a tradicional DCJ há muitas diferenças, que vão desde os sintomas ao tempo de incubação.
A DCJ clássica, que nada tem a ver com o consumo de carne de vaca, leva à morte em menos de um ano, afecta pessoas entre os 70 e os 80 anos e caracteriza-se por uma demência que progride muito rapidamente.
Já a nova variante começa nos primeiros meses a caracterizar-se por estados depressivos, ansiosos e esquizofrénicos, associados a dores em várias partes do corpo.
Depois, surgem em catadupa vários sintomas neurológicos, como descoordenação motora ou a realização de movimentos involuntários.
A demência progressiva faz parte do quadro final da doença, que tem um período de incubação que pode ir dos seis aos 15 anos.


Sandra Cunha

Fonte:Lusa
V Simpósio sobre Reabilitação da Criança Surda no Porto
Debater problemas actuais e soluções de futuro


A Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto recebe na próxima sexta-feira a quinta edição do Simpósio sobre Reabilitação da Criança Surda. O arranque dos trabalhos está agendado para as 15 horas. O evento tem entrada livre e visa debater os problemas actuais e as soluções de futuro para os surdos. Serão apresentados os resultados de um estudo da FMUP sobre implantes cocleares, pequenos aparelhos que permitem aos surdos ouvir pequenos sons.

Organizado pelo serviço de Bioética e Ética Médica da FMUP, em parceria com a Associação Portuguesa de Bioética e a Associação de Surdos do Porto, o encontro tem como objectivo debater as diferentes perspectivas da reabilitação das crianças surdas, discutir os seus direitos, as suas perspectivas de futuro e a necessidade de implementação do rastreio neo-natal nas unidades hospitalares portuguesas, entre outros pontos. O simpósio será conduzido por Rui Nunes, director do serviço de Bioética da FMUP e presidente da APB, e terá tradução simultânea para a língua gestual portuguesa.

Carla Teixeira
Fonte: Jasfarma

Prempro obriga Wyeth a regressar a tribunal

A farmacêutica norte-americana Wyeth enfrenta hoje mais um julgamento num caso que volta a envolver o Prempro, uma combinação de estrogénio e acetato de medroxiprogesterona, utilizado como substituição hormonal pós-menopausa.

Depois de se submeter ao tratamento com Prempro, e com Premarin, durante sete anos, Ellen Deutsch, terá sido diagnosticada com cancro da mama. A queixosa teria 55 anos de idade na altura em que o cancro foi detectado.

Os advogados de Ellen Deutsh deverão alegar que o laboratório promoveu, durante várias décadas, a utilização prolongada do tratamento de substituição hormonal, como algo indicado para aliviar os sintomas da menopausa, porém, não realizou estudos suficientes sobre os medicamentos. Para além disso, posteriormente alterou as suas alegações quando um estudo financiado pelo governo relacionou os fármacos ao risco de desenvolver cancro e de sofrer ataques cardíacos.

Até ao momento, a Wyeth saiu vencedora em quatro de seis processos judiciais que envolveram o tratamento. No entanto, estão ainda por resolver 4 mil queixas.

Fonte: Nj.com, Pharmalot.com, Prempro.com.

Merck paga 5 milhões de euros à NicOx para iniciar ensaio clínico

A NicOx, empresa francesa de biotecnologia, anunciou ter recebido 5 milhões de euros pagos pela farmacêutica Merck depois de esta ter dado início a um ensaio clínico que envolve o primeiro candidato a medicamento, seleccionado a partir do acordo de cooperação estabelecido entre as duas empresas. O objectivo é desenvolver novos agentes anti-hipertensores dadores de óxido nítrico, através de propriedades tecnológicas da NiCox.

Este procedimento surge após a submissão à Administração Norte-Americana de Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration - FDA) de uma autorização de pesquisa e investigação exploratória para este candidato a fármaco. Incluindo o pagamento de 5 milhões de euros recentemente efectuado, segundo com os termos do acordo com a Merck, a NicOx deverá receber um total de 19,2 milhões de euros.

Para além disso, a NicOx habilita-se ainda a receber um pagamento adicional de 269 milhões de euros, assim como os royalties das vendas do produto que resultam do acordo. O principal objectivo do ensaio clínico é avaliar a segurança, tolerabilidade e farmacocinética de doses orais únicas, de forma a seleccionar as doses e o regime de dosagens para utilizar em estudos posteriores, referiu a NicOx.

“Acreditamos que este candidato possui um potencial considerável enquanto agente anto-hipertensor melhorado, com base nas suas propriedades de dador de óxido nítrico”, afirmou Jacques Djian, responsável pela área cardiometabólica da NicOx. O especialista salienta que existem provas “de que o óxido nítrico endotelial desempenha um papel importante na regulação da pressão sanguínea” podendo, por isso, satisfazer necessidades médicas que ainda não estão preenchidas.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, NicOx, CNN Money.

Febre de dengue afecta mais de 23 mil tailandeses

Mais de 23 mil tailandeses já foram, este ano, afectados pela febre de dengue, entre os quais 21 acabaram por falecer devido à doença. As estatísticas são do Ministério da Saúde Pública da Tailândia que está a avaliar as medidas que podem ser tomadas para travar o aumento dos casos.

De acordo com Morakot Kornkasem, ministro da Saúde Pública, até ao dia 7 de Julho foram contabilizados 23.653 casos de dengue, número que não deverá estancar, uma vez que, a época das chuvas ainda está longe do final. “Os casos de febre de dengue mantêm-se numa situação crítica porque a doença tende a alastrar ainda mais durante a época das chuvas”, afirmou Morakot.

A medida preventiva mais eficaz, de acordo com o ministro, passa por tentar eliminar os mosquitos através da drenagem da água que se acumula em volta de muitas habitações, até porque, 8 por cento dos doentes foram contaminados nas próprias casas.

A época mais propícia ao aparecimento da doença é o mês de Julho, porém a antecipação da chegada da chuva fez com que a dengue se tornasse numa preocupação séria para as autoridades de saúde. Se não houver uma cooperação eficaz por parte da população nos próximos dois meses, a situação poderá piorar, alertou Morakot.

Transmitida por mosquitos, a dengue manifesta-se por febre, inflamação dos gânglios linfáticos e hemorragia. Causa dores articulares e musculares intensas, pelo que recebe o nome de febre «quebra-ossos», podendo ser mortal.

Marta Bilro

Fonte: People’s Daily Online, ETNA, Bangkok Post.

FDA alerta para riscos das compras online
Medicamentos para doenças graves à venda na internet


A Food and Drug Administration, autoridade para o sector do medicamento nos Estados Unidos, reiterou o alerta relativo aos perigos da compra de medicamentos na internet. De acordo com a FDA, há sites que oferecem fármacos destinados ao tratamento de doenças graves sem exigir a respectiva receita médica. No momento em que o negócio da contrafacção de produtos farmacêuticos a nível mundial está a florescer, a entidade reguladora norte-americana dá sinais de preocupação...

Lembrando o caso recente do Panamá, onde mais de 100 pessoas morreram após terem usado um fármaco para a gripe, a FDA renova as advertências relativas aos perigos da compra de medicamentos na internet, na mesma semana em que uma associação de médicos deu também início à publicação e actualização semanal de uma lista negra de farmácias online que já terão vendido produtos falsos, ou que de algum outro modo traíram a confiança dos seus clientes. Num comunicado agora divulgado a FDA lembra que a compra de fármacos online é um comportamento de risco no que toca à saúde pública, visto que a toma de quaisquer medicamentos à revelia de acompanhamento médico pode ter consequências graves e até fatais para os doentes.
De acordo com a agência norte-americana, os frequentadores das farmácias online procuram muitas vezes poupar algum dinheiro na compra dos medicamentos de que necessitam, mas são também frequentes as encomendas feitas por doentes que preferem arriscar um diagnóstico próprio, e desta forma incorrer nos riscos da automedicação, do que visitar o seu médico. O facto de muitos sites permitirem a compra anónima e sem receita de medicamentos que são de prescrição obrigatória nos consultórios médicos e nas farmácias comuns parece ser outra das razões por que as farmácias online são tão atractivas aos cidadãos.
Enviados em embalagens diferentes das originais e sem o habitual folheto incluso, com as indicações terapêuticas do medicamento, os fármacos comprados online revelam-se muitas vezes perigosos, porque são frequentemente adulterados, não contêm qualquer princípio activo, ou são vendidos em doses inferiores às normais e indicadas para os tratamentos em questão. Um cenário que coloca em risco a saúde de quem os consome, mas que representa também um perigo acrescido em termos de saúde pública.

Carla Teixeira
Fonte: Correo Farmaceutico

Um em cada quatro britânicos tem doença alérgica

O estilo de vida actual pode estar a impulsionar o crescimento da taxa de doentes alérgicos no Reino Unido, que aumentou 25 por cento só nos últimos quatro anos, revela um estudo realizado pela Universidade de Nottingham.

O Eczema e a asma encontram-se no topo da tabela das queixas mais frequentes, embora o maior aumento se tenha observado nas alergias aos amendoins, que, em casos raros, se revelaram fatais. Se em 2001 um em cada cinco pacientes tinha uma doença alérgica, em 2005 um em cada quatro são portadores de uma alergia.

O relatório, entregue ao Departamento de Saúde britânico, envolveu a análise de 422 cirurgias registadas na base de dados electrónica da Universidade e demonstrou que em 25 por cento dos pacientes foi identificada pelo menos uma doença alérgica, um aumento de 19 por cento face a 2001. “Não há dúvida que o moderno estilo de vida ocidental conduz a um aumento das alergias, uma vez que as habitações com carpetes e aquecimento central podem permitir que os alergénios, como as pequenas quantidades de pó, tendam a prosperar”, frisou Stephen Durham, presidente da Sociedade Britânica de Alergia e Imunologia Clínica.

A investigação sugere que a maioria destes casos está relacionada com o eczema e a asma, o que poderá significar que existem cerca de 5,8 milhões de pacientes com este tipo de problemas. Segundo o relatório, em 2005, estima-se que 12,2 milhões de pessoas tenham sido diagnosticadas com algum tipo de alergia. “É uma epidemia em massa e a falta de provisões é assustadora. Os médicos de clínica geral não estão bem informados acerca das alergias, mas particularmente acerca das alergias alimentares e isso acontece porque não estão treinados nesse aspecto”, considera Pam Ewan, uma especialista em alergologia no Hospital Addenbrookes, em Cambridge, citada pelo próprio relatório.

Apesar do Reino Unido ter uma tas taxas mais elevadas de doentes alérgicos a nível mundial, existem apenas 29 especialistas com formação adequada no Serviço Nacional de Saúde Britânico.

Marta Bilro

Fonte: Daily Mail, StaffNurse.com

Nova pista pode abrir caminho a novos tratamentos
Identificado quinto gene implicado no desenvolvimento da diabetes de tipo I


Uma equipa de investigadores da Universidade de Filadélfia, nos Estados Unidos, e da Universidade de McGill, em Toronto, no Canadá, abriu caminho ao que pode vir a ser o futuro na prevenção da diabetes de tipo I (a chamada insulino-dependente ou juvenil, já que surge normalmente em indivíduos com menos de 30 anos, e que afecta 10 a 15 por cento dos diabéticos), ao identificar um gene ligado ao processo de desenvolvimento da doença.

De acordo com os dados de um estudo publicado na edição deste mês da revista científica britânica «Nature Genetics», os cientistas norte-americanos, liderados por Hakon Hakonarson, acompanharam mais de 500 pessoas que sofriam de diabetes, tendo confirmado o papel de diversos genes no desencadear da maior propensão para aquela doença, enquanto os especialistas canadianos examinaram o genoma de 1046 crianças que estavam a ser seguidas nas consultas do Hospital Pediátrico de Filadélfia e em quatro cidades do Canadá. Constantin Polychronakos, director da unidade de endocrinologia da Universidade McGill e um dos responsáveis por este estudo, disse que “o melhor conhecimento dos genes que predispõem para a diabetes de tipo I poderá permitir aos médicos, num futuro próximo, proteger os recém-nascidos, ao assinalar as crianças que correm um maior risco de contrair a doença.
A investigação agora divulgada adiciona novas informações ao conhecimento que já existia, relativo a quatro outros genes ligados ao desenvolvimento da diabetes insulino-dependente, em que o sistema imunitário destrói as células produtoras de insulina no pâncreas, obrigando o diabético a submeter-se a injecções frequentes daquela substância, a fim de manter controlada a quantidade de açúcar no sangue. De acordo com o artigo publicado na «Nature», os cientistas esperam descobrir, à medida que o estudo avança, novos genes implicados no processo, estimando que haja uns 15 a 20 ainda por identificar, e que poderão interagir entre si. Os cientistas confirmaram as informações de que já dispunham relativamente à localização dos quatro genes ligados à diabetes, e identificaram o KIAA0350, um gene alojado no cromossoma 16 e que actua sobretudo nas células imunes.
A diabetes de tipo I é uma doença auto-imune, o que significa que, nos indivíduos doentes, é o seu próprio organismo que ataca as células encarregadas de produzir a insulina, levando à incapacidade de assimilar correctamente o açúcar, que acaba por se acumular, em quantidade excessiva, no fluxo sanguíneo. Se o pâncreas não for capaz de produzir a quantidade suficiente de insulina para inverter a situação, surge a diabetes de tipo I, que aparentemente tem origem genética e que, quase sempre, se desenvolve na infância ou na adolescência, como resultado de uma destruição parcial do pâncreas. A diabetes é uma das doenças mais disseminadas nos países desenvolvidos, afectando largos milhões de pessoas em todo o mundo.

Carla Teixeira
Fonte: Ciência Hoje, PR Newswire, El Mundo

domingo, 15 de julho de 2007

Consumo de tabaco acelera declínio cognitivo

Um estudo holandês, publicado na revista científica Neurology, revela que o consumo de tabaco provoca um efeito acelerador no declínio das funções cerebrais, mostrando que a taxa de declínio cerebral dos idosos fumadores é cinco vezes mais elevada do que a daqueles que nunca fumaram.

O estudo, desenvolvido pelo Centro Médico Erasmus, em Roterdão, na Holanda, revelou também que este efeito é mais significativo nos fumadores do que nos antigos dependentes, já que no caso dos fumadores que deixaram o vício o declínio cognitivo abrandou bastante.

Os investigadores analisaram as funções cerebrais de 9209 dinamarqueses, franceses e holandeses, com 65 ou mais anos, através de um mini exame ao estado mental (MMSE), cujo resultado máximo são 30 pontos, sendo que um resultado inferior a 24 pode traduzir demência num estado inicial.

Os resultados do exame foram reveladores. Os idosos fumadores registaram um declínio cerebral de 0.16 pontos por ano, enquanto que a diminuição da função cognitiva dos idosos que nunca fumaram na vida ficou apenas pelos 0.03 pontos. De realçar foi também o resultados daqueles que já foram fumadores, mas que deixaram o vicio, que registaram um declínio cognitivo de 0.06 pontos, muito inferior ao resultado dos fumadores e ainda assim superior aqueles que nunca fumaram.

Facto assente é que o número de cigarros fumados e a longevidade do período de consumo, determina a progressão do declínio das funções cerebrais, pois quantos mais cigarros forem consumidos e o período de consumo prolongado, mais rapidamente se processa a perda destas funções.

O declínio cognitivo é apenas uma das muitas patologias associadas ao consumo de tabaco, como a aterosclerose e a hipertensão, aumentando o risco de ataque cardíaco e cancro do pulmão.

Inês de Matos

Fonte: Sol

“Colesterol bom” previne doença de Alzheimer

Fomentar os níveis de “colesterol bom” no organismo pode ajudar a prevenir o desenvolvimento da doença de Alzheimer, revela um estudo australiano apresentado no Congresso Mundial de Nurociência, em Melbourne.

A lipoproteína de alta densidade, ou HDL-colesterol, é vulgarmente denominada como "colesterol bom", por se acreditar que elimina o “colesterol mau” do sangue. Especialistas da Universidade Edith Cowan e da Fundação para a Investigação da Doença de Alzheimer observaram que as pessoas com uma presença elevada no organismo de HDL-colesterol têm tendência a possuir níveis mais reduzidos de uma proteína fortemente relacionada com a doença de Alzheimer.

A equipa de cientistas analisou, durante oito anos, as ligações entre o “colesterol bom” e esta forma de demência. O estudo examinou a memória e outras aptidões em 200 pessoas com funções cognitivas normais, com o objectivo de estabelecer uma relação entre o HDL-colesterol e as proteínas beta-amilóides, cujo excesso de libertação propicia o desenvolvimento de placas senis que, por sua vez, aumentam a probabilidade de desenvolver a doença.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que este colesterol tinha capacidade para remover o LDL colesterol, ou “colesterol mau”, cujo excesso pode estar na origem de doenças cardíacas. Esta nova investigação sugere que aumentar os níveis de HDL-colesterol, o que pode ser feito através de exercício físico, da ingestão de vinho tinto e chocolate amargo, pode também ajudar na prevenção contra a demência senil.

A versão completa dos resultados desta investigação deverá ser publicada antes do final do ano, porém, Kristyn Bates, uma das responsáveis pelo estudo, afirmou que a pesquisa terá revelado que as pessoas com mais HDL colesterol, menos gordura corporal e melhor densidade óssea tinham melhores resultados nos testes cognitivos indicadores da doença. “O colesterol bom pode eliminar do corpo estas proteínas, por isso quanto mais elevado for o nível de HDL, menor é a probabilidade de ter beta-amilóides no sangue”, concluiu a investigadora.

Marta Bilro

Fonte: Herald Sun, The Australian, Pfizer, Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer.

Reportagem

Genéricos biotecnológicos mais perto do mercado norte-americano

Se é certo que os grandes laboratórios farmacêuticos, produtores de medicamentos de marca, há já algum tempo se defrontam com a introdução no mercado de semelhantes genéricos, as empresas de biotecnologia têm estado isentas dessa concorrência. Porém, a ausência de preocupações não deverá prolongar-se por muito mais tempo, uma vez que o Congresso norte-americano se prepara para autorizar a produção de versões genéricas de medicamentos biotecnológicos.

Os fármacos desenvolvidos pelas empresas biotecnológicas representam uma fracção do mercado farmacêutico em constante crescimento, o que significa que o valor que se poderia poupar com versões mais baratas é cada vez maior, alegam os produtores de genéricos. Algumas dessas empresas começaram por vender cópias de medicamentos biotecnológicos em países em vias de desenvolvimento, onde as patentes sobre as versões originais expiraram, ou nos quais a protecção das patentes é inexistente. No entanto, muitas das produtoras biotecnológicas que deverão ser mais afectadas pela medida encontram-se na Califórnia, entre as quais estão a Amgen e a Genentech, as duas maiores empresas biotecnológicas a nível mundial.

Alguns dos produtos de topo da indústria verão as patentes expirar dentro de sete ou oito anos, sublinham os analistas. Entre os principais exemplos estão o Aranesp (Darbepoetina alfa), da Amgen, utilizado no tratamento da anemia associada à insuficiência renal crónica, ou da anemia sintomática em doentes oncológicos, e o Rituxan (Rituximab), da Genentech, para tratar doentes com Linfoma não-Hodgkin.

Actualmente, os fabricantes de genéricos não podem comercializar cópias de produtos biotecnológicos nos Estados Unidos da América (EUA) por não existir qualquer processo de regulação específico da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration - FDA) através do qual os genéricos possam ser aprovados. Para além disso, os medicamentos biotecnológicos são derivados de células vivas e normalmente dependem de um processo de produção com proteínas e moléculas biológicas complexas, cujas cópias representam um grande desafio tecnológico.

Esta é uma das armas utilizada pela indústria biotecnológica junto da FDA, afirmando que os pacientes poderão ser colocados em risco caso sejam autorizadas imitações imprecisas de medicamentos biotecnológicos que venham substituir os fármacos de marca. A indústria diz também que as empresas de biotecnologia precisam de garantir períodos de tempo livres de concorrência superiores aos cinco anos concedidos aos produtores de medicamentos convencionais, uma vez que o desenvolvimento de substâncias biotecnológicas envolve riscos mais elevados. Já para não falar do ritmo a que são feitas as novas descobertas, que poderia sofrer um grande abrandamento caso as empresas e os seus financiadores tivessem menos tempo para recuperar o investimento, considera a Organização da Indústria de Biotecnologia.

De acordo com dados da empresa de consultadoria IMS Health, as vendas de medicamentos biotecnológicos renderam, em 2006, mais de 29 mil milhões de euros, de um total de 199,45 mil milhões de euros gastos em medicamentos nos EUA.

A Genentech mostra-se disposta a apoiar os procedimentos da FDA caso sejam requisitados os testes necessários aos produtores de genéricos e fornecidos incentivos às empresas que desenvolvem novos fármacos, afirmou Walter Moore, vice-presidente do departamento de assuntos governamentais da empresa. Isto porque, por norma, não é exigido aos produtores de genéricos que repitam os ensaios clínicos realizados pelos produtores de medicamentos de marca, assumindo-se que estes vão funcionar com a mesma eficácia.

Neste momento, o debate está concentrado numa proposta de lei do Senado recentemente apresentada por um comité. A Competição do Preço de Biológicos e do Acto de Inovação 2007 é um compromisso bipartido entre os democratas Edward Kennedy do Massachusetts e Hillary Clinton de Nova Iorque, e os republicanos Orrin Hatch do Utah e Michael Enzi do Wyoming. A proposta de lei recebeu aplausos e críticas de ambos os lados. Se a lei que rege a produção de medicamentos convencionais garante a esses produtores direitos exclusivos de comercialização durante cinco anos, esta proposta de lei garantiria às empresas de biotecnologia 12 anos de exclusividade de mercado. Ainda assim, a indústria defende que o ideal seriam 14 anos.

Por sua vez, a Generic Pharmaceuticals Association, um grupo de vendas que trabalha para os produtores de genéricos, considera que a proposta de concessão de 12 anos de exclusividade é “arbitrária e excessiva”. Ao mesmo tempo, alguns dos defensores dos genéricos reconhecem que os medicamentos biológicos são mais difíceis de desenvolver do que os fármacos convencionais.

As empresas de biotecnologia mantêm a sua opinião salientando que as imitações de medicamentos biotecnológicos nunca poderão ser idênticas às substâncias de marca, que são produzidas através de bactérias ou células de mamíferos que foram geneticamente manipuladas para obter a molécula desejada. Algo a que os produtores de genéricos nunca terão acesso, referiu Rob Garnick, um executivo da Genentech responsável pelo controlo de qualidade de produção. Segundo o especialista, as empresas concorrentes poderão desenvolver as suas próprias linhas de células, mas a genética nunca será igual. É por isso que defendem que os produtores de genéricos deveriam ser obrigados a realizar ensaios clínicos para determinar a segurança e eficácia dos seus produtos para cada doença cuja indicação desejam que seja aprovada.

Esta é uma opção tida em conta na proposta de lei apresentada pelo Senado mas que, ao mesmo tempo, permite à FDA dispensar esse requisito. A administração Bush avisou o Congresso de que deveriam ser evitadas provisões que permitam que os biológicos genéricos sejam utilizados de forma a substituírem progressivamente os biotecnológicos de marca sem aconselhamento médico. Durante as próximas semanas, os membros de um comité de conferências do congresso deverão tentar elaborar uma nova proposta de lei no seguimento da anterior que tanto o senado, como a Casa Branca, possam aceitar.

Marta Bilro

Fonte: San Francisco Chronicle, The Wall Street Journal, Infarmed.

Família de Nogueira Prista doou espólio
Secção Regional do Porto inaugura biblioteca


A Secção do Porto da Ordem dos Farmacêuticos inaugura, na próxima quarta-feira, a sua biblioteca. A cerimónia oficial de abertura do novo equipamento, aberta aos profissionais do sector farmacêutico de todo o País, está agendada para cerca das 18 horas, nas instalações da secção regional.

A criação daquele espaço só foi possível graças ao generoso contributo da família de Luís Vasco Nogueira Prista, uma eminente figura da área farmacêutica, falecido em 2004, que doou todo o espólio que compõe a nova biblioteca. Nogueira Prista, nascido em 1925 no seio de uma família de Lisboa que deu origem a diferentes gerações de farmacêuticos, dedicou mais de 50 anos da sua vida à profissão. Após o bacharelato em Farmácia na antiga Escola Superior, na capital, rumou ao Porto, onde em 1948 se licenciou. Mais tarde concluiu o mestrado e ainda desempenhou as funções de presidente do Conselho Científico da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e da Comissão de Farmacopeia Portuguesa.

Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos
Na sequência das eleições de 21 de Junho...
Colégios de Especialidade tomam posse na terça-feira


Os presidentes dos quatro Colégios de Especialidade da Ordem dos Farmacêuticos reeleitos na sequência do desejo expresso pela maioria dos farmacêuticos no voto depositado em urna no passado dia 21 de Junho tomam possa nesta terça-feira. A cerimónia está agendada para as 10 horas no Salão Nobre da sede da Ordem dos Farmacêuticos, em Lisboa.

As eleições do mês passado – que opuseram na corrida à liderança da Ordem dos Farmacêuticos Irene Silveira e Filomena Cabeça, acabando a primeira por se tornar a primeira bastonária –, ditaram, no que diz respeito aos colégios de especialidade, a manutenção dos mesmos rostos à frente das mesmas equipas: Franklim Marques continua assim na presidência do Colégio de Análises Clínicas, enquanto Manuela Machado prossegue na liderança do Colégio de Assuntos Regulamentares, Olga Freitas mantém-se à frente do Colégio de Farmácia Hospitalar, e Nuno Moreira garante continuidade no Colégio de Indústria Farmacêutica.

Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos

Tinta ajuda cirurgiões a identificar células cancerígenas

Uma tinta de tumores desenvolvida por investigadores do Instituto de Pesquisa do Hospital de Crianças de Seattle e do Centro de Investigação de Cancro Fred Hutchinson promete ser uma ferramenta crucial para ajudar os cientistas a identificar, com precisão, o local onde começa e acaba cada tumor, iluminando as células cancerígenas.

A tinta, criada a partir da clorotoxina, uma propriedade presente no veneno de escorpião, pode melhorar o tratamento de muitos cancros, afirmam os especialistas. De acordo com o estudo publicado pelo “Cancer Research”, a tinta ajuda os cirurgiões a distinguirem as células cancerígenas e os tecidos saudáveis do cérebro, mesmo quando o número de células afectadas não ultrapassa as escassas centenas.

A clorotoxina Cy5.5 é um sinal molecular fluorescente que emite fótons num espectro de infra-vermelhos. Este método permitirá assegurar que os tecidos saudáveis não são danificados ou que algumas células cancerígenas não são deixadas no organismo durante a cirurgia, o que propicia a reincidência dos tumores. Esta descoberta é especialmente relevante no caso do cérebro, onde há 80 por cento de reincidência de tumores malignos.

No entanto, os especialistas advertem que são necessárias mais pesquisas para perceber porque é que a molécula apenas adere especificamente às células tumorais e para assegurar que não apresenta toxicidade para os seres humanos. A injecção da tinta em ratos permitiu aos investigadores identificar tumores no cérebro com apenas 1 milímetro de diâmetro sem que os tecidos cerebrais normais circundantes fossem iluminados pela substância. Este método é muito útil porque, actualmente, os cirurgiões têm que se concentrar na cor, na textura e no fornecimento de sangue para avaliar quais as células cancerígenas, e essas características podem ser muito subtis.

“Ao permitir que os cirurgiões identifiquem cancro que seria indetectável através de outros meios, podemos oferecer aos doentes melhores resultados”, salientou James Olsen, um dos autores da investigação. A maior ambição dos cientistas é tornar possível a utilização desta tinta num prazo de 18 meses. A tecnologia actualmente utilizada, como é o caso da ressonância magnética, permite distinguir os tumores dos tecidos saudáveis apenas na presença de mais de um milhão de células cancerígenas. Por sua vez, a Cy5.5 consegue identificar tumores com pouco menos de duas mil células cancerígenas, tornando-se 500 vezes mais eficaz que a ressonância magnética.

Marta Bilro

Fonte: BBC News, Channel4, PR Newswire.

Utilização simultânea do diafragma e preservativo não beneficia prevenção do HIV

Uma equipa de investigadores concluiu que a utilização do diafragma não provoca uma diminuição do risco da mulher poder contrair HIV, comparativamente aos casos em que apenas é utilizado o preservativo por parte do seu parceiro. Esta é mais uma desilusão numa longa lista de testes de prevenção do vírus que não têm sido bem sucedidos.

Um ensaio clínico aleatório, realizado em três locais de África, revelou que a taxa de infecção por HIV era a mesma quer a mulher usasse o diafragma e um gel ao mesmo tempo que o seu parceiro utilizava preservativo, ou quando a prevenção era feita só com o preservativo, refere o estudo orientado por Nancy Padian, da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

Este ensaio, que procura métodos para melhorar a saúde reprodutiva em África, surge como uma tentativa de encontrar formas de prevenir a transmissão do HIV que, para além do preservativo, possam ser controladas pelas mulheres. Os investigadores acreditavam que os diafragmas poderiam ser uma mais-valia, uma vez que podem ser inseridos discretamente e também porque há alguns indícios de que eles impedem que o HIV atinja os tecidos especialmente vulneráveis do cervix.

O estudo analisou 4.928 mulheres HIV-negativas e sexualmente activas, às quais foi fornecido aconselhamento, antes e depois do ensaio clínico, acerca do HIV e das doenças sexualmente transmissíveis, sobre os testes de HIV, o tratamento das DST e aconselhamento intensivo sobre redução de riscos. Foi ensinado a todas as voluntárias o método de utilização do diafragma e do gel e distribuídos preservativos por ambos os grupos. Porém, 21 meses depois, da taxa de incidência de HIV era de 4,1 por cento no grupo de mulheres que tinham utilizado o diafragma, comparativamente aos 3,9 por cento do grupo que apenas utilizava preservativos.

Os cientistas salientam que o insucesso dos testes não deve desencorajar outras análises que permitam descobrir novos métodos de prevenção. “Os métodos femininos de controlo do HVI são urgentemente necessários”, destacam os especialistas, porque os únicos actualmente conhecidos e eficazes, a utilização do preservativo e a circuncisão, estão sob o controlo masculino. A investigação foi publicada na edição online do “The Lancet”.

Marta Bilro

Fonte: Med Page Today

Para garantir os direitos dos utentes
Médicos americanos fiscalizam farmácias online

A Associação Médica Americana (NMA na sigla em inglês, para National Medical Association) está a proceder a um acompanhamento rigoroso da actividade das farmácias online existentes nos Estados Unidos, publicando uma lista semanal de estabelecimentos virtuais cuja prática comercial e ética levanta dúvidas.

À luz das informações constantes num comunicado enviado ao farmacia.com.pt, a NMA disponibiliza semanalmente no seu site, em http://www.us-nma.com/, os resultados da ronda efectuada pelos seus especialistas, denunciando os causos de fraude e recomendando aos utentes que, antes de efectuarem qualquer compra através da internet, consultem o referido endereço electrónico, a fim de terem a noção exacta do tipo de farmácias virtuais que não devem visitar.
Na mesma nota a associação médica esclarece ainda que as formas mais comuns de fraude na venda de medicamentos online passam pela entrega de quantidades menores do fármaco ou de medicamentos contrafeitos, por atrasos consideráveis na satisfação das encomendas (de acordo com a NMA, há atrasos que chegam aos dois ou três meses), pela obtenção dos números e informações relativas a cartões de crédito sem qualquer envio posterior de medicamentos, pela venda de produtos não autorizados pelas entidades reguladoras e sobre os quais se sabe ainda muito pouco, ou pela ausência de licença de actividade.

Carla Teixeira
Fonte: Associação Médica Americana
Substâncias ototóxicas responsáveis por graves lesões
Automedicação pode causar surdez


A utilização indiscriminada de medicamentos e o recurso à automedicação, tão vulgarizados nas modernas sociedades, podem afinal encerrar riscos graves para a saúde dos doentes. O alerta parte de uma comissão de especialistas da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e dá conta da presença de substâncias ototóxicas em cerca de 60 fármacos, entre analgésicos, antibióticos e diuréticos, capazes de provocar tonturas, zumbidos e, nos casos mais graves, surdez total e permanente.

De acordo com Andréa Pires de Mello, perita do Comité de Doenças Ocupacionais daquela entidade, a administração prolongada de determinados medicamentos, em altas doses e sem prescrição e acompanhamento médicos, poderá provocar graves lesões, na maior parte das vezes irreversíveis, à cóclea e ao vestíbulo, as partes do ouvido humano que asseguram, respectivamente, a audição e o equilíbrio. A maior recomendação dos especialistas vai no sentido de evitar uma das práticas que está mais disseminada nas sociedades actuais: a automedicação.
Em grande parte dos países civilizados, os cidadãos tendem a tomar determinados medicamentos sem aconselhamento do seu médico ou de um farmacêutico, o que faz com que muitas vezes tomem comprimidos de embalagens antigas que tinham em casa, ou sigam os conselhos de familiares ou amigos que, numa dada altura, terão sofrido da mesma sintomatologia. Andréa Pires de Mello salienta que “o uso de antibióticos, por exemplo, deve ser restrito às infecções mais graves”. Apesar de a otoxicidade obedecer normalmente a uma predisposição genética, e de muitas vezes também não ser possível alterar a medicação de um doente na sequência do conjunto de sintomas que apresenta, a médica aconselha os cidadãos a evitar o recurso à automedicação.
O ácido acetilsalicílico, provavelmente o analgésico mais difundido a nível mundial, é um dos fármacos ototóxicos. O seu uso difundido e indiscriminado pode, por isso, suscitar o surgimento de surdez, embora neste caso o risco de perda auditiva seja quase sempre reversível e os efeitos colaterais se extingam nas 72 horas seguintes à sua toma. O mesmo não acontece, porém, com os antibióticos aminoglicosídeos, usados na prevenção e tratamento de infecções pós-operatórias, que podem trazer danos irreversíveis.

Carla Teixeira
Fonte: Terra.es

sábado, 14 de julho de 2007

Médicos mais simpáticos no contacto com doentes

Administração Regional de Saúde do Norte relembra regras de bom atendimento

Preocupada com o bom atendimento e cortesia dos médicos e profissionais de saúde, a Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN), emitiu uma circular interna sobre informática e humanização, onde estabelece algumas regras e recomendações que os profissionais de saúde deverão seguir no contacto com os doentes.

A questão surgiu quando se percebeu que "uma boa parte das queixas no livro de reclamações dos centros de saúde e hospitais é precisamente sobre aspectos de relacionamento". Mas o principal causador das queixas é o computador.

Há quem se queixe que a informatização das consultas colocou uma barreira no contacto directo com o doente e desviou os olhos do médico. O computador terá causado a desumanização e despersonalização das consultas, o que levou a ARSN a lembrar os médicos que o computador é um auxiliar precioso, mas não tanto quanto o doente.

De acordo com a ARSN "todo o atendimento começa por uma saudação e uma postura de atenção personalizada", sendo que os adultos deverão ser tratados “pelo nome da sua preferência precedido de senhor ou dona", ou pelo titulo que possuam, como os engenheiros e doutores. "O tratamento por tu está limitado a crianças ou jovens de acordo com as regras gerais da etiqueta".

Todos os doentes devem ser atendidos com um sorriso, porque este, "longe de ser obrigatório, é um elemento crucial para prevenir ou atenuar desacordos", tudo em nome da cortesia, que a ARSN classifica como “a arte de lidar com o outro". Mas nem oito nem oitenta, a circular recomenda também que os médicos devem evitar "tratamentos pretensamente carinhosos como avozinho, querida ou minha filha".

Depois de tanta regra, é então altura de perguntar, será que era mesmo necessário pôr por escrito algo que passa principalmente pelo bom senso e boa educação dos indivíduos?

Rosalvo de Almeida, do Gabinete do Utente da ARSN acredita que sim, que a circular é justificada pelo número de queixas de frieza no atendimento informatizado que foram chegando ao serviço, explicando que a ideia foi lembrar que o pc "não pode estar no meio, mas um bocadinho ao lado".

Rosalvo Almeida contou cerca de quatro mil reclamações no Norte num semestre, que correspondem a menos de 1% dos milhões de contactos nas instituições, sendo que a maioria se prende com questões de relacionamento, principalmente reclama-se da "arrogância” do médico, dai que nunca seja demais recordar regras de atendimentos, para prevenir futuras queixas.

Posição contrária manifesta Rui Nogueira, da Associação de Médicos de Clínica Geral, que considera “ridículo” e “deselegante” o comportamento da ARSN, apesar de admitir que a actual informatização é um processo difícil, em que o próprio computador, pela dificuldade inerente à utilização de aplicações novas, pode atrapalhar.

Contudo, o clínico considera que "os médicos sabem comportar-se", mas com "mais de 30 milhões de consultas por ano nos centros de saúde, é natural que haja alguns episódios que não correm da melhor maneira".


Inês de Matos

Fonte: Jornal de Noticias

Dieta ocidental aumenta risco de cancro da mama

Um novo estudo publicado na revista Cancer Epidemiology revelou que a dieta ocidental, rica em gorduras, açucar e carne, pode aumentar até 60 por cento o risco de cancro da mama em mulheres na menopausa.

O estudo comparou a dieta ocidental com a oriental e confirmou uma relação que estudos posteriores já tinham estabelecido entre o consumo de carne e de refeições com alto teor de gordura e o risco de cancro, doenças cardíacas e diabetes.

A incidência de cancro da mama em mulheres asiáticas que mudaram a sua dieta alimentar e passaram a seguir o estilo ocidental, alertou os investigadores do Centro Oncológico Fox Chase de Filadélfia, nos EUA, que decidiram seguir de perto o fenómeno.

Durante o estudo foram observados os hábitos alimentares de 3 mil mulheres de Xangai, das quais 1500 sofriam de cancro da mama. Os resultados foram esclarecedores, como realça Marilyn Tseng, do Fox Chase, existe “um efeito evidente quando observamos mulheres após a menopausa e com excesso de peso. Parece que existe uma interacção entre a dieta de carne e açúcar e o sobrepeso”.

O professor de saúde e nutrição na Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, Lawrence Cheskin, sublinha a importância da alimentação, essencialmente no período da menopausa, considerando que o estudo agora publicado, “é mais uma prova de que a dieta praticada pelas mulheres está relacionada com o aparecimento de cancro”.

Inês de Matos

Fonte: Jornal Universitário de Coimbra
Estudo de enzima pode aclarar origem de várias doenças
Brasil vai exportar anticorpos para os Estados Unidos


O estudo da enzima Eopa – descoberta há mais de quatro décadas no Brasil e que tem papel fundamental na formação do cérebro e de todo o sistema nervoso central – permitirá aferir da sua eventual ligação a uma série de disturbios neurológicos, de entre os quais se destacam a esquizofrenia ou a menos conhecida lissencefalia, a “doença do cérebro liso”.

Dois pequenos frascos contendo 10ml de anticorpos vão nos próximos dias deixar os laboratórios do Instituto Butantã, no Brasil, em direcção à empresa Millipore, nos Estados Unidos, titular dos direitos de comercialização do produto naquele país. O acordo foi firmado entre aquela companhia e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou os estudos no Centro de Toxinologia Aplicada do Butantã. Os anticorpos foram desenvolvidos laboratorialmente para se ligarem à Eopa, com vista a aferir da implicação da enzima no desenvolvimento de algumas doenças do cérebro. A Eopa foi descoberta acidentalmente no âmbito de pesquisas relacionadas com veneno de cobra que levariam ao desenvolvimento do captoril, um dos medicamentos de maior sucesso a nível mundial no tratamento da hipertensão. O cientista António Carlos Martins de Camargo, autor da descoberta, investigava enzimas capazes de degradar a bradicina, um neurotransmissor com efeito anti-hipertensivo accionado por veneno de cobra.

Carla Teixeira
Fonte: «O Estado de São Paulo»

Descoberto processo de reparação do ADN celular

Uma equipa de investigadores suecos do Instituto Karolinska desvendou o mecanismo através do qual é possível explicar a forma como é reparado o ADN danificado nas células do organismo. A descoberta, divulgada pela revista Science, pode ser uma ajuda vital para solucionar muitos dos enigmas relacionados com o cancro.

As conclusões do estudo referem que o processo envolve um fenómeno denominado “aderência”, segundo o qual duas cópias de um cromossoma no núcleo da célula são mantidas em agregação de uma forma muito forte, por um complexo de proteína denominado coesina. “Ao perceber o funcionamento de uma célula saudável torna-se também mais fácil compreender o que está errado numa célula cancerígena”, frisou Camilla Sjögren, a principal responsável pela investigação.

A coesina representa uma função muito importante durante o processo de divisão celular, altura em que os cromossomas recém-copiados, as cromátides, têm que se manter juntas até ao momento correcto de separação. Se as cromátides se separam demasiado cedo, há o risco das células copiadas receberem o número errado de cromossomas, algo que ocorre com frequência nas células tumorais.

Os investigadores suecos demonstraram que a coesina é também importante na reparação das cadeias de ADN danificadas, contradizendo o processo de compreensão anteriormente avançado pelos cientistas. Para além disso, a coesina é utilizada para reparar lesões em cromátides-irmãs. O conhecimento do processo de reparação das próprias células pode ser um passo importante no desenvolvimento de medicamentos anticancerígenos. De acordo com os cientistas, esta análise demonstra que tanto as funções da segregação de cromossomas, como a regeneração do ADN, dependem do mesmo fenómeno. “Agora sabemos que a coesina é importante para restaurar o ADN danificado, o próximo passo é pesquisar mais detalhadamente qual é a propriedade que nas proteínas e enzimas influencia a produção de coesina”, afirmou Sjörgen.

Porém a compreensão dos constituintes da coesina é relevante noutras áreas para além do cancro. Os defeitos cromossomáticos são a causa de várias patologias, entre as quais o Síndrome de Down. “No que diz respeito a esta doença genética, “ela depende de uma distribuição incorrecta dos cromossomas, e sabemos que a coesina é importante para assegurar que essa distribuição é correcta”, explicou a especialista.

Marta Bilro

Fonte: Daily India, The Local, United Press International.

Estudo sobre riscos do Avandia faz disparar relatos de efeitos secundários

Depois da publicação de uma investigação que dava conta do aumento dos riscos de ataque cardíaco provocados pela toma do Avandia (Rosiglitazona), triplicaram os relatos de efeitos secundários associados ao medicamento. Os registos de ataques cardíacos possivelmente relacionados com o medicamento subiram de 5 para 90, após a divulgação da análise no “New England Journal of Medicine”.

Nos 35 dias que se seguiram à publicação das conclusões da investigação registou-se um surto de relatos de ataques cardíacos, mortes e hospitalizações. De acordo com os especialistas, este pode ser um sinal de que os médicos, provavelmente, não estariam conscientes dos riscos que o fármaco representava ao nível dos problemas de coração, o que os levava a não reportarem muitos casos anteriores.

“Agora, os doentes e os seus médicos estão muito mais conscientes de uma possível relação entre o Avandia e as doenças cardiovasculares. Isto vai ajudar-nos a determinar se este medicamento é ou não seguro”, refere Alvin C. Powers, especialista em diabetes da Universidade Vanderbilt. Este é também, segundo afirmam os peritos, um indício de que existem falhas no sistema de detecção de segurança, sugerindo que uma melhor vigilância poderia ter denunciado o potencial problema antes de o medicamento ter sido colocado no mercado há oito anos.

O relatório, que dava conta de um aumento de 43 por cento do risco de ataque cardíaco associado à ingestão de Avandia, foi publicado no dia 21 de Maio. Nos 35 dias que antecederam a divulgação do estudo, a Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (Food and Drugs Administration - FDA) recebeu cinco relatos de ataques cardíacos possivelmente relacionados com a substância, comparativamente aos 90 registados nos 35 dias que precederam essa divulgação.

O mesmo aconteceu com as hospitalizações relacionadas com problemas cardíacos que aumentaram de 11 para 126, revela a Associated Press. As queixas envolvem a Rosiglitazona comercializada nos Estados Unidos da América como Avandia ou Avandamet. Ainda assim, não é possível obter uma conclusão mais precisa, uma vez que o sistema de queixas da FDA é totalmente voluntário. O Avandia, comercializado pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, é utilizado no tratamento da diabetes tipo 2. A segurança do medicamento ao nível cardiovascular será reavaliada por um painel de conselheiros da FDA no dia 30 de Julho. O laboratório continua a defender que o medicamento é seguro e eficaz.

Marta Bilro

Fonte: Boston.com, Forbes, Wired Science.

Argentina testa nova vacina contra meningite bacteriana e pneumonia

Especialistas argentinos estão a realizar um ensaio clínico para avaliar a eficácia de uma nova vacina contra a bactéria do pneumococo em 17 mil crianças. A bactéria representa a principal causa de meningite bacteriana e de pneumonias adquiridas na comunidade por crianças menores de 5 anos de idade.

Caso se comprovem os benefícios, esta substância oferecerá protecção contra 10 serotipos do pneumococo, o que representa uma vantagem face à actual vacina, que apenas protege contra sete serotipos. “Estamos a criar uma vacina feita à medida das nossas crianças a partir de estudos sanitários realizados no país”, afirmou Miguel Tregnaghi, director do Centro de Desenvolvimento de Projectos Avançados e o principal responsável pela investigação.

De acordo com os especialistas, esta vacina previne não só a infecção por pneumococo mas também contra as otites médicas causadas pela bactéria Haemophilus influenzae não tipificável. “Isto acontece porque a vacina contém uma proteína do Haemophilus influenzae não tipificável, pelo que potencialmente oferecerá protecção contra esta bactéria”, explicou Ricardo Rüttimann, director de investigações clínicas da GlaxoSmithKline, farmacêutica responsável pelo desenvolvimento da vacina. “Estudos clínicos demonstraram que o uso da vacina foi associado a uma redução de 34 por cento da otite média”, salientou.

O Haemophilus influenzae não tipificável é um agente causador da otite média para o qual, actualmente, não existe vacina, uma vez que a que actualmente integra o calendário de vacinação protege apenas contra a estirpe do tipo B. Os ensaios clínicos de fase III irão realizar-se na Argentina, e no Panamá, em 17 mil e 7 mil crianças, respectivamente, durante um período de três anos.

Marta Bilro

Fonte: La Nacion

Sida afecta quase um milhão de pessoas no Malawi
Teste abre caminho a anti-retrovirais gratuitos


O governo do Malawi, um dos países mais seriamente devastados pela pandemia de sida em todo o mundo – contando mais de 930 mil infectados – apelou a todos os cidadãos sexualmente activos que façam o teste de despistagem do VIH, com a promessa de que os casos mais urgentes terão garantido o acesso a anti-retrovirais gratuitos.

Em vésperas do arranque de uma campanha nacional de luta contra o vírus da sida no país, prevista para a próxima semana, as autoridades pediram aos cerca de seis milhões de cidadãos locais sexualmente activos que efectuem o teste, lamentando, em comunicado, que até ao momento apenas uma franja de 15 por cento daquela população se tenha apresentado voluntariamente no seu centro de saúde, a fim de se submeter ao exame. “Só esses 15 por cento conhecem o seu estado”, explicou o governo na nota.
O vírus da sida, tema-tabu no Malawi, afecta quase um milhão de pessoas no país, sendo responsável por 78 mil óbitos anuais, directa ou indirectamente relacionados com aquela patologia. São dados da ONUSIDA, agência das Nações Unidas para a área do VIH, dois anos depois de o presidente Bingu wa Mutharika ter lançado um primeiro repto à realização do teste de despistagem, assegurando a dispensa de medicamentos anti-retrovirais gratuitos aos infectados em estado mais avançado.

Carla Teixeira
Fonte: Angop
Legislação e política de comparticipação de medicamentos
Poupar agora é gastar mais tarde


As sucessivas alterações introduzidas nos últimos anos pelo Governo na política do medicamento poderão, a médio e longo prazo, ter efeitos contraproducentes, que se traduzirão num aumento das despesas com a medicina terapêutica. A eventual poupança conseguida no imediato, através de vários cortes na comparticipação dos fármacos, evidenciará no futuro um encarecimento daqueles produtos, que resulta directa e necessariamente na dificuldade económica na sua aquisição. Estudos que têm vindo a ser divulgados na Comunicação Social atestam que a comparticipação dos fármacos por preços de referência, que entrou em vigor em Março, levará os doentes a quem não forem prescritos genéricos a gastar mais 4,9 milhões de euros do que gastariam na vigência do anterior modelo.

Num artigo de opinião publicado na edição de Julho da revista «O Advogado», Luís Cardoso Rocha analisa as mais recentes evoluções ocorridas em Portugal na área da legislação e da política de comparticipação de medicamentos, para concluir que “os requisitos tradicionais que norteavam a aprovação de novos fármacos para comparticipação, como a segurança, a eficácia e a elevada qualidade, estão agora aliados ao requisito do custo/efectividade”. O Governo justificou as várias medidas que foi implementando nesta área com o argumento da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, materializado na racionalização e adequação do esquema de comparticipações, de modo a garantir uma mais efectiva democratização do acesso aos medicamentos por parte dos cidadãos.
No que diz respeito ao regime jurídico da comparticipação, estão regulamentados os critérios que podem ser decisivos para a exclusão da ajuda estatal na compra de medicamentos, tendo o Ministério da Saúde papel determinante, uma vez que é ao gabinete do ministro que compete a definição das listas de produtos farmacêuticos comparticipáveis, cujo elenco deve assentar na exclusão dos fármacos que tenham custo excessivo, duvidosa eficácia terapêutica ou excessivamente onerosa face às alternativas, ou resultados menos expressivos do que os fármacos que tenham sido reclassificados como medicamentos não sujeitos a receita médica. Em Março deste ano entrou em vigor um novo sistema de comparticipação que, de acordo com Luís Cardoso Rocha, poderá representar um aumento da despesa futura, camuflado por um primeiro momento de poupança para os cofres do Estado.
Segundo explica o advogado, o novo esquema de apoio estatal para a aquisição de medicamentos “determina que a percentagem de comparticipação do Estado deixa de ser definida pelo preço de venda ao público daquele produto, para passar a ser calculada a partir de um valor de referência”, correspondente ao custo do genérico mais caro disponível no mercado para a mesma sintomatologia, visando o uso do medicamento terapeuticamente equivalente com menor custo. No entanto, citando estudos recentemente divulgados pelos meios de Comunicação Social, o cronista explica que os doentes a quem não forem prescritos medicamentos genéricos – e ainda são muitos os médicos que se recusam a prescrevê-los – representarão uma despesa anual superior em 4,9 milhões de euros à que teriam no período em que vigorava o anterior regime.
Por este motivo, o advogado aconselha a tutela a “equacionar se as políticas de comparticipação de medicamentos foram efectivamente atingidas”, e de que forma os pensionistas foram afectados, avisando que as várias leis entretanto aprovadas permitem “um jogo de preços, comparticipações e exclusões que podem penalizar seriamente o pensionista ou consumidor final” dos produtos vendidos nas farmácias portuguesas. Considerando que as intenções do Estado serão à partida positivas, nomeadamente em relação aos cidadãos mais carenciados, Luís Cardoso Rocha é da opinião de que “o sistema está bem longe de ser perfeito”, e considera que “um Estado que poupa a curto prazo na comparticipação é necessariamente um Estado que, a médio e longo prazo, vai gastar mais na medicina terapêutica”.

Carla Teixeira
Fonte: «O Advogado», Ministério da Saúde, Associação Nacional de Farmácias
Workshop agendado para o final deste mês
Medicamentos e plantas em análise na Madeira


A Universidade da Madeira acolhe, entre os dias 26 e 28 deste mês, no Colégio dos Jesuítas, no Funchal, um workshop de produtos naturais com a chancela do NatLab – Laboratório de Química Orgânica e Produtos Naturais. A iniciativa integra-se no projecto «Biopolis – construindo uma bioregião europeia», e deverá contar com as presenças de vários especialistas nacionais e internacionais naquela área. Um dos painéis, a cargo de António Proença da Cunha, da Universidade de Coimbra, debruça-se sobre a temática das «Novas perspectivas para os medicamentos à base de plantas».

De acordo com o que o farmacia.com.pt conseguiu apurar, o evento deverá centrar-se na discussão de temas como o isolamento dos metabolitos secundários, a obtenção de compostos bioactivos a partir de precursores naturais, a química analítica e estrutural dos metabolitos, a sua aplicação biomédica e farmacológica, a química farmacêutica de produtos naturais, a modelação molecular (desenho de fármacos), a síntese de análogos bioactivos e a engenharia de processos. Entre os convidados avultam nomes como Gordon Cragg, do National Cancer Institute dos Estados Unidos, Esther del Olmo, da espanhola Universidade de Salamanca, e o português António Proença da Cunha, da Universidade de Coimbra, já referido. A entrada é livre. Para mais informações pode ser consultada a organização do evento, através do e-mail natlab07@gmail.com.

Carla Teixeira
Fonte: Departamento de Química da Universidade da Madeira

REPORTAGEM

Mifepristona, metotrexato e prostaglandina
Fármacos abortivos só nos hospitais

Estimativas internacionais apontam a probabilidade de 43 por cento das mulheres de todo o mundo virem a fazer um aborto antes dos 45 anos de idade, e prevêem igualmente que 47 por cento das que efectivamente abortem não estarão a fazê-lo pela primeira vez. Em Portugal entra amanhã em vigor a lei que, na sequência da consulta popular feita em referendo, viabiliza, em moldes legais, a interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas. O aborto cirúrgico e o medicamentoso são as duas hipóteses oferecidas às mulheres lusitanas. Os fármacos utilizados na segunda opção estão disponíveis apenas nos hospitais.

O aborto provocado poderá ser descrito como a morte prematura e medicamente induzida de um embrião ou feto dentro do ventre materno. Há vários métodos que concorrem para esse desfecho, desde os chamados “micro-abortos”, ocorridos na primeira semana, por acção de algumas substâncias químicas (contraceptivos) e alguns aparelhos intra-uterinos. Nas semanas seguintes, quando o ovo do zigoto já se instalou no útero, existem os abortos não-clínicos induzidos com fármacos como o RU-486 (mifepristona), administrada entre as cinco e as sete semanas de gestação, e o metotrexato, administrado em mulheres grávidas entre as cinco e as nove semanas, em combinação com a prostaglandina.
A mifepristona – medicamento inicialmente concebido para responder ao quadro sintomático de indisposição gástrica – é hoje utilizado sobretudo com o objectivo de induzir o aborto. Administrado por via oral quando a mulher se apercebe da ausência do período menstrual e constata que poderá estar grávida, e pode ser tomado até ao segundo mês de gravidez. Actua bloqueando a progesterona, uma hormona com papel crucial no desenvolvimento de uma gravidez, sem a qual o revestimento uterino não fornece alimento, fluidos e oxigénio ao feto, que naquele cenário acaba por não conseguir sobreviver. Numa segunda etapa deste método abortivo, a mulher ingere a prostaglandina, que estimulará a contracção do útero, para que o feto seja expelido.

Mifepristona
A RU-486 regista sucesso em 60 a 80 por cento das tentativas de aborto, e tem como efeitos secundários comuns náuseas, vómitos, cãimbras, dores, abortos incompletos, ruptura uterina e hemorragias, às vezes tão intensas que tornam necessário o recurso a transfusões de sangue. Em França, por exemplo, todas as clínicas que realizam interrupções voluntárias da gravidez são obrigadas por lei a ter equipamento adequado para a realização de electrocardiogramas, bem como material intra-venoso e desfibrilhador para responder à eventualidade de ataques cardíacos nas mulheres intervencionadas, em consequência da toma daqueles medicamentos. Procedimento que normalmente não se encontra disponível nos hospitais dos países em desenvolvimento, levando a que as hemorragias agudas e os ataques cardíacos sejam, nesse contexto, causa provável de morte.
Ao contrário da ideia de senso comum de que o aborto medicamentoso consiste apenas na toma de comprimidos, e que em poucos minutos resolverá a questão, devolvendo a mulher ao seu quotidiano, a administração da mifepristona obriga normalmente a um processo que dura alguns dias. Na primeira consulta é feita a análise do historial clínico da grávida, um exame físico e análises ao sangue, já que nos casos em que a mulher sofra de anemia, hipertensão, problemas renais, asma ou infecções vaginais, se fumar ou tiver mais de 35 anos, este método não poderá ser utilizado. É depois determinado o tempo de gestação, e a mulher assina o termo de responsabilidade para a realização do aborto, tendo em alguns países de esperar uns dias até à sua consumação.
A segunda consulta é aquela em que normalmente tem lugar a administração da mifepristona, e na terceira é utilizada a prostaglandina, que induz o trabalho de parto e a expulsão do feto, quase sempre no mesmo dia. A quarta consulta é de controlo da situação, sendo que, se a mulher ainda não tiver abortado ou ainda sangrar, terá de realizar uma ecografia para determinar se o útero está vazio e, em caso negativo, submeter-se a um método abortivo invasivo.

Metotrexato
Tal como a mifepristona, o metotrexato não surgiu com o objectivo de facilitar um aborto. Toxina celular que tem sido usada no combate às células cancerígenas, é um antagonista do ácido fólico que interfere na síntese do ADN, e que mata o feto quando o seu coração já bate. Tem um tempo de acção muito semelhante ao da mifepristona, mas actua de modo diverso: enquanto a RU-486 provoca a morte do feto por fome, este medicamento funciona como um veneno, que tem acção directa no feto em desenvolvimento, matando-o. A dose administrada é suficiente para matar o bebé, mas não para causar lesões à mãe, ainda que a sua ingestão possa causar estomatites e úlceras na cavidade bucal.
Tal como a mifepristona, o metotrexato só produz o efeito desejado se combinado com a prostaglandina, tomada uns dias depois da injecção do primeiro fármaco, a fim de provocar a expulsão do feto, pressupondo a realização de três consultas para completar o procedimento. Um estudo internacional realizado para examinar os resultados da administração dos fármacos abortivos a adolescentes apurou que em 96 por cento dos casos os abortos tinham sido bem sucedidos, apesar de algumas mulheres terem relatado episódios de dor e sangramento acima do que inicialmente esperavam, havendo inclusivamente algumas que se arrependeram de ter recorrido a este método.

Só nos hospitais
Em Portugal a lei do aborto, que entra amanhã em vigor, obrigou à importação da mifepristona, que não era de uso legal no nosso país. Tal como o farmacia.com.pt oportunamente noticiou, o Infarmed autorizou a comercialização da mifepristona, também conhecida como “pílula abortiva”, que poderá ser adquirida directamente pelos hospitais à MediRex Pharma, a única empresa nacional que foi autorizada por aquela entidade a introduzir o produto no mercado farmacêutico nacional. De acordo com um comunicado da autoridade nacional do medicamento emitido na altura, e de que o Portal da Farmácia e do Medicamento deu conta, a MediRex Pharma recebeu, a título excepcional, autorização para "comercializar, exclusivamente em meio hospitalar" a substância abortiva.
Fonte interna do Infarmed esclareceu que 25 hospitais portugueses tinham já diligenciado no sentido de adquirir aquele fármaco no estrangeiro, procedimento habitual para a sua obtenção antes da autorização excepcional, enquanto outras duas dezenas de unidades hospitalares já o fizeram no âmbito destas novas regras, dotando-se dos necessários meios para dar resposta às mulheres que, a partir de amanhã, procurem os seus serviços.

Carla Teixeira
Fonte: Alguns médicos do Hospital de São João, Infarmed, tudosobreoaborto.com
Paulo Sousa, presidente da Delegação da OF na Madeira
Governo tem prejudicado as farmácias


O presidente da Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Farmacêuticos, reeleito na votação do passado dia 21 de Junho, considera que a aprovação da lei que altera a regulamentação do sector, designadamente no que concerne a anulação da reserva de propriedade das farmácias para farmacêuticos, “inviabilizou qualquer conversação sobre o assunto”.

Paulo Sousa aponta o perigo de uma concentração de estabelecimentos de dispensa de medicamentos na mão dos grandes grupos económicos, e considera que, uma vez que a legislação vai no sentido de desvalorizar a profissão, cabe aos farmacêuticos valorizá-la e demonstrar a importância do trabalho que desenvolvem. Essa deverá ser, segundo aquele responsável, a principal linha de orientação do mandato de três anos que agora tem início a nível nacional e local. Paulo Sousa refere que a valorização da profissão e a aposta na formação e na qualificação dos seus activos deverão ser as traves mestras da actuação da delegação regional.
Considerando que todas as medidas tomadas recentemente pelo Governo “são a favor dos grandes interesses económicos”, refere que “é importante valorizar o potencial de aconselhamento do farmacêutico”, já que nas grandes superfícies, por exemplo, apesar de agora serem vendidos medicamentos, dificilmente o utente encontrará alguém com a necessária qualificação técnica para prestar esclarecimentos relativos a medicamentos e à sua mais correcta administração. Nesta linha de pensamento, Paulo Sousa diz, num comentário ao último relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde – que acusa o Ministério da Saúde de “falta de sensibilidade social –, que “todas as medidas que têm sido tomadas em relação ao sector têm sido de facto prejudiciais às farmácias”.

Carla Teixeira
Fonte: Tribuna da Madeira

Novartis e Idenix suspendem desenvolvimento da valopicitabina para a hepatite C

A Idenix Pharmaceuticals, Inc. anunciou que, após deliberações da FDA, o desenvolvimento do programa da valopicitabina (NM283), para o tratamento da hepatite C, foi colocado em espera nos Estados Unidos. A decisão teve por base o perfil geral de riscos e benefícios observados até à data nos ensaios clínicos. Os reguladores norte-americanos ordenaram à Novartis AG e à Idenix Pharmaceuticals Inc. que parassem de trabalhar no fármaco experimental devido aos efeitos secundários.

Os dados recentes levantam questões sobre a segurança e sobre a modesta actividade antiviral. A FDA, devido aos problemas relacionados com efeitos secundários e potência ténue, considera que num contexto de múltiplas escolhas, outra opção irá aparecer que será mais atractiva. Segundo a Idenix, os riscos associados ao fármaco incluíam náuseas e vómitos, estando na segunda das três fases de testes, geralmente exigidas para aprovação nos Estados Unidos.

O porta-voz da Idenix, Teri Dahlman, disse que acreditam que os resultados do ensaio de combinação tripla demonstrou eficácia e um bom perfil de segurança, contudo a avaliação da FDA foi diferente da da farmacêutica.

O presidente da Idenix, Jean- Pierre Sommadossi, afirmou que se encontram desapontados com a perspectiva da FDA, em relação ao programa, e estão a trabalhar com a Novartis na avaliação das opções para a valopicitabina, acrescentado que esta decisão pode fazer com que as companhias abandonem o tratamento.

A valopicitabina está delineada para bloquear a proteína polimerase. A Roche também tem um fármaco experimental para a hepatite C que atinge a proteína polimerase. O fármaco para a hepatite C da Vertex, a telaprevir, bloqueia a enzima protease que o vírus precisa para se reproduzir.

A Novartis e a Idenix estão entre, pelo menos, meia dúzia de companhias que concorrem pela produção do primeiro fármaco da década para tratar a hepatite C, a causa do cancro do fígado. As companhias a desenvolver novos medicamentos para a hepatite C incluem a Vertex Pharmaceuticals Inc., a Roche Holding AG, a Pfizer Inc. e a Human Genome Sciences Inc. Os recentes fármacos experimentais atacam a hepatite C de maneira semelhante à dos fármacos da SIDA que atacam o VIH, ao bloquear as proteínas que os vírus utilizam para se reproduzir.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire, Bloomberg, www.abcmoney.co.uk

Investigadores descobrem novo teste para detectar cancro do pulmão

Um grupo de investigadores americanos acredita ter descoberto uma nova forma de detecção do cancro do pulmão, através de um pequeno aparelho que analisa os componentes do ar expirado.

O aparelho de análise consegue detectar os compostos orgânicos voláteis libertados durante a respiração dos pacientes, recorrendo para tal a 36 sensores que mudam de cor, quando entram em contacto com essas partículas.

O principal objectivo do estudo, publicado no jornal médico Thorax, era estabelecer um padrão de cores, que permitisse detectar com exactidão o cancro do pulmão.

De forma a alcançar o objectivo estabelecido, os investigadores procederam à observação de 143 pacientes, dos quais 49 sofriam de cancro do pulmão e 73 de outras doenças respiratórias, sendo os restantes 21 indivíduos perfeitamente saudáveis.

A alteração na cor dos sensores que se verificou em 70 por cento dos indivíduos, foi utilizada pelos investigadores para determinar um padrão de cores que identifica o cancro no pulmão. Os restantes 30 por cento dos indivíduos foram então analisados já de acordo com o padrão estabelecido.

O padrão estabelecido pelos investigadores mostrou-se eficaz na detecção de 73 por cento dos casos cancerígenos. Todavia, o padrão identificou incorrectamente 28 por cento das doenças respiratórias não malignas, como cancro do pulmão.

Para o investigador Peter J. Mazzone, da clínica de Cleveland, Ohio, é preciso “trabalhar mais para esclarecer a natureza dos vários componentes da respiração”.

Apesar do nível significativo de erro, os investigadores acreditam que este estudo constitui um importante contributo para a compreensão da disposição dos sensores e do sistema respiratório, maximizado a exactidão do diagnóstico.

Inês de Matos

Fonte: Reuters

Instituto alemão desenvolve bioadesivos à base de secreções do mexilhão

Investigadores de um departamento do Instituto Fraunhofer (IFAM), em Bremen, estão a desenvolver um produto à base das propriedades adesivas da secreção produzida pelos mexilhões, que se revelaram ideais para ajudar a cicatrizar feridas abertas e ossos partidos. Na fase actual da investigação, os cientistas estão a reproduzir em laboratório as características das proteínas com propriedades adesivas. O objectivo é produzir posteriormente um material adesivo que também tenha a capacidade de acelerar a cicatrização.

A pesquisa, que está agora numa segunda fase, tem sido desenvolvida para a criação de um composto idêntico, capaz de ser produzido artificialmente, pois a produção sintética tornará viáveis as diversas aplicações médicas, uma vez que, por métodos naturais, se tornaria excessivamente dispendioso generalizar a sua utilização na medicina, além de que seriam precisos dez mil moluscos para obter um grama desta substância aderente.

Os organismos marinhos, como os mexilhões ou as cracas, desenvolveram formas de aderir a diferentes superfícies num ambiente de água salgada. As glândulas do mexilhão produzem uma cola única, que permite a aderência a quase todos os tipos de superfícies, não só a rochas, como a vidro, madeira, metal e mesmo a revestimentos teflon. Tais componentes aderentes são tão robustos que são capazes de resistir às correntes marítimas mais fortes. As questões de maior interesse para a pesquisa são os organismos marinhos que, quando é necessário, são capazes de libertar adesivo de contacto em segundos.

Os componentes principais dos adesivos naturais foram identificados como pertencendo à categoria das proteínas. Estas macromoléculas, formadas por cadeias de aminoácidos, realizam diferentes funções, dependendo da sua composição. Além do mais, as proteínas não só formam a base da adesão direccionada de um organismo, mas também permitem a coesão das células vivas umas entre as outras. Com base nestes mecanismos de aderência, o IFAM está agora a trabalhar na estruturação e síntese de adesivos baseados nestas proteínas. Os possíveis campos de aplicação surgem não só na área da adesão debaixo de água, mas especialmente na medicina, como por exemplo, na cicatrização de feridas. Os investigadores do Instituto alemão Fraunhofer estão a analisar as características aderentes e estão a estudar a possibilidade deste tipo de material substituir os agrafos e os pontos cirúrgicos, de forma eficaz e vantajosa. A resistência da substância também será indicada para o caso de fractura de ossos, fixação de próteses dentárias e mesmo nas operações à retina.

Actualmente, os materiais adesivos utilizados em medicina para ligar e cicatrizar tecidos têm algumas limitações e inconvenientes, visto que podem libertar substâncias tóxicas como o formaldeído. Os investigadores alemães já averiguaram que a substância adesiva proveniente do mexilhão é bem tolerada pelo organismo humano.

De destacar que o Instituto Fraunhofer estabeleceu uma parceria com a Universidade do Porto, e será instalado junto à mesma. A decisão foi tomada após um período de análise das propostas recebidas para a localização do Instituto Fraunhofer Portugal e de visitas de representantes da Sociedade Fraunhofer (Fraunhofer-Gesellschaft) às instituições proponentes. O âmbito desta parceria diz respeito não à área dos materiais de colagem, mas às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A Sociedade Fraunhofer envolve mais de 12 mil pessoas em 56 institutos e, para além da investigação, dedica-se ainda à formação.

Isabel Marques

Fontes: Jornal de Notícias, Ciência Hoje, www.ifam.fraunhofer.de

Autopsia Confirma: Nova variante da doença de Creutzfeldt-Jacob causa primeira morte em Portugal

A autopsia ao cérebro de um rapaz de Famalicão, falecido no passado mês de Abril, confirmou que o óbito foi causado pela nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jacob (DCJ), de acordo com o relatório enviado hoje pelo Hospital S.João, Porto, à Direcção-Geral de Saúde (DGS).

A DGS pediu ao Hospital S.João que procedesse à análise do cérebro do rapaz, logo após a sua morte, de forma a esclarecer as suspeitas que existiam havia já dois anos, altura em que as autoridades anunciaram a existência do primeiro caso provável em Portugal da nova variante da DCJ. A resposta chegou hoje e foi positiva.

"Enviámos hoje à Direcção-Geral de Saúde e ao Hospital S. Marcos (Braga), onde o rapaz estava, o relatório que nos foi pedido, que confirma a morte com a nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jacob", referiu uma fonte hospitalar, em declarações à Lusa.

Entretanto, aumentam as suspeitas quanto ao caso de uma rapariga de 14 anos, também da zona de Famalicão, que apresenta sintomas idênticos aos do rapaz. Aliás, a DGS, apoiada em evidências laboratoriais, havia já anunciado, em Fevereiro, a forte probabilidade de um segundo caso de variante da Doença de Creutzfeldt-Jacob (DCJ), ainda que não tenha sido adiantada mais informação, para além de referir que se tratava de uma jovem portuguesa residente no Continente.

Contudo, a mesma fonte adianta que “no caso da menina, que ainda está viva, não está 100 por cento confirmado que seja a variante da DCJ".

O comunicado da DGS, emitido a 20 de Fevereiro para além de adiantar a possibilidade de existência de um segundo caso, salientava que não existem perigos de contágio, uma vez que a doença não se transmite de pessoa a pessoa.

O director-geral de Saúde, Francisco George explica que é necessário distinguir entre a Creutzfeldt-Jacob geralmente diagnosticada em pessoas de idade e a nova variante da doença, que aparece em pessoas de idade jovem e tem uma relação com o consumo de carne de bovino.

Todos os anos são diagnosticados em Portugal, uma média de 10 novos casos de Creutzfeldt-Jacob tradicional, uma doença que tem um “período de incubação longo e traduz um problema que terá havido há já uns anos”, acrescenta Francisco George.

A BSE é uma doença degenerativa que afecta progressivamente o cérebro dos bovinos e que pode ser transmitida ao homem. O número de casos detectados tem vindo a diminuir e no ano passado registaram-se apenas 31 casos de animais afectados, o número mais baixo desde 1999.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Ácido fólico nas farinhas diminui risco de deficiências congénitas em 46%


A adição de ácido fólico à farinha provoca uma diminuição de 46 por cento da incidência de anomalias congénitas do tubo neural dos bebés, principalmente da ocorrência de anencefalias e espinha bífida, revela um estudo da Universidade Laval, no Canadá.

Os defeitos abertos do tubo neural (DTN), anomalias congénitas da espinha ou do cérebro do bebé, são frequentemente causados pela carência de ácido fólico, podendo resultar em malformações do cérebro ou da espinal medula e dos seus revestimentos. Este problema ocorre quando a coluna vertebral do feto não se encerra adequadamente nos primeiros 28 dias após a concepção.

O ácido fólico (ácido peteroilglutâmico), pertencente ao grupo das vitaminas do complexo B, encontra-se na composição dos vegetais verdes, da fruta, dos cereais completos ou da carne. Porém, mesmo uma dieta equilibrada não fornece a quantidade suficiente de ácido fólico necessário às grávidas e ao bebé, explica Philippe De Wals, um dos autores do estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

Conscientes da relevância desta vitamina, as autoridades canadianas decidiram “adicionar ácido fólico a todas as farinhas produzidas no país, uma vez que a formação do tubo neural dos embriões é particularmente intensa durante as primeiras quatro semanas de gravidez, altura em que muitas das mulheres ainda não sabem que estão grávidas”, afirmou De Wals. Metade das gravidezes no Canadá não são planeadas e o corpo humano não tem capacidade para armazenar ácido fólico suficiente, sendo, por isso, importante integrá-lo na cadeia alimentar em vez de tomar exclusivamente suplementos vitamínicos, destaca a investigação.

Os especialistas compararam a incidência das deformações no tubo neural em mais de 2 milhões de nascimentos no Canadá, antes e depois de serem introduzidas no mercado as farinhas enriquecidas com ácido fólico. Entre 1993 e 1997, a incidência de malformações situava-se nos 1,58 por cento por cada 1.000 nascimentos. Por sua vez, entre 2000 e 2002, a taxa sofreu uma diminuição de 46 por cento para os 0,86 pontos percentuais por cada 1.000 nascimentos. Actualmente, a adição de ácido fólico às farinhas é uma realidade disponível apenas para os cidadãos dos Estados Unidos da América, Canadá e Chile.

Espinha bífida, quais as consequências?

A espinha bífida é uma afecção pertencente a um conjunto de alterações conhecido como defeitos do tubo neural. Nos casos mais graves, a criança pode apresentar fraqueza muscular ou mesmo paralisia abaixo do nível do não encerramento completo da coluna, perda de sensibilidade e incapacidade de controlar os esfíncteres anal e/ou vesical. Para além disto, há ainda a possibilidade do líquido cefalo-raquidiano (LCR), líquido que envolve o cérebro e a medula, poder acumular-se no cérebro, originando uma condição conhecida como hidrocéfalo, que se não for tratada pode levar a lesões cerebrais, com cegueira e convulsões.

Porém, os sintomas não são apenas físicos, sendo que, por vezes surgem também problemas de aprendizagem, entre os quais se destacam as dificuldades de atenção, expressão e compreensão da linguagem falada, dificuldades de leitura, de compreensão dos conceitos matemáticos ou ao nível da organização da informação. Entre as condições mais frequentes apresentadas pelas pessoas com espinha bífida estão ainda as tendinites, os problemas cutâneos, gastrointestinais, a obesidade e a depressão.

De acordo com dados do Instituto Médico de Radiologia Clínica, nascem cerca de 1 a 2 bebés em cada 1000 com DTN. A maioria (95 por cento) surge em famílias sem história anterior de DTN. Todos os anos, são registados cerca de 200 mil casos de espinha bífida e anencefalia a nível mundial. Os resultados deste estudo sugerem que a adição de ácido fólico aos alimentos poderia reduzir esse número para metade.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, United Press International, Science Daily, Bayer, Administração Regional de Saúde do Centro, Instituto Médico de Radiologia Clínica.