quinta-feira, 14 de junho de 2007

Comparticipação da morfina pode ascender aos 95 por cento

O Inframed pretende apresentar uma proposta para aumentar a comparticipação da morfina “de 40 para 95 por cento” revelou José Castro Lopes, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) em declarações ao DN. A utilização de analgésicos entre a população portuguesa é muito frequente, porém, opióides como a morfina, mais eficazes no tratamento da dor, são por vezes associados de forma errada às drogas e pouco comparticipados em relação a outros países.

O facto de em Portugal o consumo a administração de morfina ser muito reduzido espelha a falha cultural e a ignorância do país, considera o chefe da Unidade de Dor do Hospital de São João do Porto, José Correia. Para além dos preconceitos existentes em relação ao fármaco, a reduzida taxa de comparticipação contribui para que "muitas pessoas, especialmente com dores mais fortes, não o possam adquirir", acrescentou Castro Lopes.

De acordo com este especialista, "em alguns países, a comparticipação deste medicamento chega a 100 por cento, mas cá é de 40 por cento”. Para combater essa situação “o Infarmed vai apresentar ma proposta para elevar a comparticipação ao máximo, que em Portugal é de 95%”, referiu o mesmo responsável.

Segundo notícia o Diário de Notícias, o Infarmed não fez qualquer comentário a esta afirmação, porém admitiu que “o problema está a ser analisado”.

Ainda assim, José Correia salienta que na sua unidade no Porto já há uma elevada administração de opiáceos. Em casos de dor do foro oncológico “todos têm de os tomar e fora desta tipologia já há 10 a 15 por cento dos doentes a tomá-los”, revelou.

Se bem que a tendência seja o começo com doses ligeiras de analgésicos cujas quantidades vão sendo aumentadas, nem sempre o tratamento passa pelos opióides. Os especialistas lembram que os anti-inflamatórios, os relaxantes musculares, os tratamentos por radiofrequência, por bombas de perfuração e a aplicação da toxina botulínica (botox) também podem ser utilizados. Para além disso, a fisioterapia tem uma utilidade fulcral nalguns casos quando combinada com outros tratamentos.

Os contornos da dor

A definição da International Association for the Study of Pain caracteriza a dor como “uma experiência multidimensional desagradável, envolvendo não só um componente sensorial mas também um componente emocional, e que se associa a uma lesão tecidular concreta ou potencial, ou é descrita em função dessa lesão”.

A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor explica que a dor não é apenas uma sensação mas sim um fenómeno complexo que envolve emoções e outros componentes que lhe estão associados, devendo ser encarada segundo um modelo biopsicossocial. Cada pessoa sente a dor à sua maneira e não existem ainda marcadores biológicos que a permitam caracterizar de forma objectiva.

Não existe relação directa entre a causa e a dor, isto é, uma mesma lesão pode causar diferentes tipos de dores em indivíduos distintos ou num mesmo indivíduo em momentos diferentes. Nem sempre é possível enquadrar a dor com a existência de uma lesão física que lhe dê origem.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias, Associação Portuguesa para o Estudo da Dor

GSK doa 50 milhões de vacinas contra o H5N1

A farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) anunciou a doação de 50 milhões de doses da sua vacina contra a gripe das aves à Organização Mundial de Saúde (OMS), quantidade suficiente para vacinar 25 milhões de pessoas em países sub-desenvolvidos. A Baxter International resolveu seguir o exemplo e prometeu igualmente a doação de vacinas. De acordo com a OMS é possível que a Sanofi-Aventis e a húngara Omnivest façam o mesmo.


A entrega será feita pela GlaxoSmithKline ao longo de três anos e os fármacos serão armazenados pela OMS para serem distribuídos no caso de ocorrer uma pandemia causada pelo vírus H5N1. Estudos clínicos já comprovaram a eficácia da vacina desenvolvida pela GlaxoSmithKline na prevenção e resistência a vários tipos de estirpes do vírus H5N1. Embora não possa ser prevista a próxima estirpe a causar uma pandemia de gripe, o H5N1, frequente nas populações aviarias da Ásia e Europa, é um forte candidato.

A vacina desenvolvida pela GlaxoSmithKline, que contém um agente utilizado nos medicamentos para ampliar o seu efeito, tem como alvo o vírus H5N1 que já matou cerca de 190 pessoas entre 300 casos detectados desde 2003.

O laboratório britânico está também em negociações com vários governos de forma a tornar a compra da vacina acessível ao público. No entanto, o director executivo da empresa, Jean Pierre Garnier, afirmou que há vários países europeus que ainda não tomaram uma decisão final acerca dos planos de preparação. “Seria preferível se estes países tornassem públicas as suas decisões sobre o armazenamento de stocks”, disse o mesmo responsável, salientando que a OMS está a recomendar aos governos que armazenem vacinas pré-pandémicas.

Por sua vez a Baxter emitiu um comunicado onde anunciou que “pretende apoiar este programa através da OMS fornecendo uma doação durante vários anos da sua vacina da gripe”. A empresa acredita que as doações “vão ajudar a aumentar o acesso às vacinas essenciais nos países mais pobres em caso de ocorrência de uma pandemia. Assegurar que as vacinas para o H5N1 são disponibilizadas de forma rápida e ampla em caso de pandemia é uma das formas que a OMS tem de coordenar um plano de acção global”, acrescenta o mesmo documento.

O laboratório francês Sanofi-Aventis já avançou que também está preparado para fornecer à OMS um número significante de doses. “Uma grande parte deste fornecimento poderá ser disponibilizado imediatamente”, afirmou a empresa.

Apesar de não poder ser transmitido entre seres humanos, os especialistas temem que se o vírus sofrer uma mutação possa espalhar-se repentinamente por todo o globo. Uma vez que a estirpe seria nova, o sistema imunitário da maioria das pessoas não estaria preparado, o que daria origem a um elevado número de mortes.

Outra das acções que a OMS está a tentar levar a cabo prende-se com o desenvolvimento de linhas de acção de saúde pública, tais como quarentenas, de forma a acabar com as pandemias.

“Este é mais um passo importante em direcção à criação de um recurso global para ajudar o mundo e especialmente para ajudar os países em vias de desenvolvimento no caso de ocorrer um grande surto de gripe aviária”, sublinhou a directora-geral da OMS; Margaret Chan.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, Reuters, Market Watch, Chicago Tribune.


Cientistas descodificam 1% do genoma humano

No estudo foram seleccionadas 44 regiões distintas (partes dos cromossomas) do genoma humano o que corresponde a 1% de toda a sequência. Esta é maior descoberta desde 2003, quando foi decifrado o código genético humano.

Investigadores de todo o mundo estão envolvidos nesta descoberta, que faz parte do projecto Encode («Encyclopedia of DNA Elements»). Só através da reunião de informação de 80 organizações de todo o mundo (28 estudos no total) foi possível observar «uma extensão tão considerável do genoma», explica Roderic Guigó, membro do Centro de Regulação Genética (CRG), e um dos responsáveis pelo trabalho.

O objectivo do estudo foi elaborar um mapa de localização dos genes e da sua constituição, uma vez que eles podem ter inúmeras formas. «Um mesmo gene pode dar origem a proteínas distintas, dependendo de como sejam combinadas as diferentes regiões", detalhou o cientista em declarações à agência espanhola Efe.
O passo seguinte é «localizar as regiões funcionais do genoma humano, as partes com influência na determinação das características biológicas dos seres vivos (altura, cor de olhos, cabelo sexo por exemplo)».

O trabalho não é totalmente revelador uma vez que os investigadores «não sabem muito bem quais as regiões do genoma que realmente codificam estas instruções, mas já é possível pelo menos analisar em detalhe 1% do genoma humano», acrescenta Guigó.

Por outro lado, os resultados foram muito satisfatórios porque revelaram que muitas regiões do genoma são activas, ainda que desconheçam a sua função. Assim está colocada de parte a teoria de que grande parte do ADN era «inútil», sem qualquer função.

«Agora sabemos que a maior parte do genoma é transcrito em RNA, que é a primeira função do ADN», comentou o cientista.

Durante o trabalho foi ainda possível verificar que os genes estão interligados. Até agora, os cientistas acreditavam que as fronteiras entre eles eram bem definidas e delimitadas. Com esta informação, os cientitas compreendem porque é difícil distinguir uns genes de outros. Eles sobrepõem-se e podem mesmo formar conjuntos.

O estudo vai ser publicado na revista Nature.

Sara Pelicano

Fontes: UOL, BBC, EFE

Governo responsabilizado por morte de mulher

O município alentejano de Vendas Novas responsabilizou o governo pela morte de uma mulher de 51 anos, vítima de uma paragem cardio-respiratória devido “à ausência de assistência médica necessária e em tempo útil”, isto acontece após o fecho das urgências da cidade.
A edição do Correio da Manhã, a mulher morava perto das urgências de Vendas Novas, mas morreu a caminho do Hospital de Évora, a cerca de 50 quilómetros de distância de Vendas Novas, embora os bombeiros tivessem feito de tudo para conseguir que a mulher sobrevivesse.
Em comunicado divulgado, a autarquia responsabiliza politicamente o governo e o ministro da Saúde pela morte da mulher, devido ao encerramento das urgências no centro de saúde da cidade a 28 de Maio último.
Contactada pela agência Lusa, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, através do porta-voz, Mário Simões, lamentou a morte da mulher e contesta o “aproveitamento de uma situação dramática para os mais diversos fins”.
“A ARS reserva-se o direito de responsabilizar o presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas pelas afirmações demagógicas que tem vindo a proferir”, referiu o mesmo porta-voz.
Mário Simões disse ainda que “não se deve associar este infeliz acontecimento” com o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP), isto porque a morte da mulher “ocorreu no período de funcionamento do centro de saúde”.


Juliana Pereira
Fonte: Diário Digital / Lusa

Ucraniana deu à luz três gémeas

Uma mulher de nacionalidade ucraniana, deu ontem à luz, após 29 semanas e meia de gestação,três meninas na Maternidade Daniel de Matos (MDM), em Coimbra, disse à agência Lusa uma fonte da instituição.
A pediatra Mabilda Brito fez saber que as bebés nasceram de cesariana, entre as 10:25 e as 10:30, na sequência de uma gravidez espontânea, estão agora ligadas ao ventilador as meninas pesam 1300, 1235, 686 gramas e fez questão de lembrar que este tipo de casos, geralmente acontecem após procriação assistida.
A mãe já tinha sido internada a 18 de Maio, devido ao baixo peso das meninas e por ser a primeira gradivez deste jovem ucaraniana de 27 anos, que passava uma gravidez de risco.
”A situação é estável”, disse a especialista, ao final da tarde, como representante da directora do serviço de Neonatologia da Maternidade Daniel de Matos, Rosa Ramalho, que não se encontrava no local.
“A menina com menor peso já não tinha praticamente líquido amniótico a protegê-la e, na opinião dos médicos, seria mais seguro fazê-las nascer já hoje”, explicam amigas dos pais, no blog criado por elas «astresmeninasgemeas.blogspot.com», através do qual lançaram uma campanha pública de ajuda ao casal, que não tem familiares em Portugal e vive com dificuldades.
As amigas afirmam que “a mãe teve que deixar de trabalhar por causa da gravidez de risco e o vencimento do pai é limitado para tantas despesas que se avizinham”. Este grupo para além da abertura de uma conta bancária de solidariedade, para recolher donativos, já reunirãm diversos artigos de bebé, incluindo roupas e produtos de higiene.

Juliana Pereira
Fonte: Diário Digital / Lusa

Infarmed promove Simpósio sobre genéricos

«Medicamentos Genéricos em Protugal e na Europa» é o nome do Simpósio organizado pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

O evento terá lugar no próximo dia 21 de Junho no Centro de Congressos do Estoril e é creditado pela Ordem dos Farmac~euticos com 0,55 créditos.

No site do Infarmed tem acesso à ficha de inscrição e ao programa do Simpósio.

Sara Pelicano

Fontes: Infarmed

Farmoz faz publicidade aos genéricos

«Espaço» é o nome da campanha que tem como objectivo antecipar as necessidades dos deontes e dos profissionais de saúde através dos medicamentos genéricos para todas as áreas terapêuticas.

A Farmoz é uma empresa portuguesa, do grupo Tecnimede, dedicada aos medicamentos genéricos. A campanha visa também consolidar o seu trabalho de investigação e desenvolvimento desta área farmacêutica.

A publicidade vai passar na televisão, rádio e imprensa especializada a partir de hoje, dia 14.


Sara Pelicano

Fontes: Meios e Publicidade

Autarquias do Médio Tejo divididas

A reorganização das urgências no Centro Hospitalar do Médio Tejo não consegue unir os autarcas, com Abrantes a considerar “inaceitáveis” negociações do Ministério da Saúde com Tomar e Torres Novas, e estes apenas lamentam esta tomada de posição.
A proposta apresentada em Outubro, pelo Ministério da Saúde para a reestruturação das urgências hospitalares, faria com que o hospital de Abrantes ficasse com uma Urgência Médico-Cirúrgica e os de Torres Novas e Tomar de uma Unidade Básica de Urgência (UBU).
O presidente do Conselho de Administração da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), António Branco, disse à Lusa que os municípios de Tomar e Torres Novas desconfiaram deste documento e pediram esclarecimentos.
António Branco, no entanto, acredita que os autarcas deveriam era ficar preocupados com o facto de não existir uma unidade de cuidados intensivos e que por outro lado “os hospitais de Tomar e Torres Novas terão novas respostas na área das cirurgias”.
“O que é mais pesado em termos de tecnologia fica em Abrantes, o que não quer dizer que os outros não respondam a algumas situações e que outras sejam desconcentradas”, disse António Branco, dando falando da especialidade de otorrino, que deverá passar a funcionar também em Tomar, ”porque a capacidade cirúrgica de Abrantes não se tem revelado suficiente”.



Juliana Pereira
Fonte: Diário Digital / Lusa

Descoberta molécula da obesidade

Baixo índices da molécula Bsx no corpo traduzem-se numa redução de fome e da vontade de praticar exercício físico. O estudo foi publicado na revista Cell Metabolism.

«As diferentes formas da molécula Bsx agir no corpo podem ajudar a explicar porque algumas pessoas engordam mais do que outras, quando têm a mesma dieta alimentar», explica a investigadora Maria Sakkou.

Os testes feitos em ratos demonstram que os animais com baixos valores de Bsx eram menos espontâneos na prática de exercícios, tinham índices de concentração mais baixos e uma redução de apetite.

Os investigadores acreditam que o Bsx é hereditário e tem um papel importante no controlo do peso humano.

O estudo foi feito por Scientists from the European Molecular Biology Laboratory (EMBL), o German Institute for Nutrition (DIFE) e a University of Cincinnat.

Sara Pelicano
Fonte: Reuteurs

ENTREVISTA

Filomena Cabeça em entrevista ao «Farmácia e Medicamento»
“Liberalização não será a Ota da Saúde”

Lidera a lista A na corrida ao cargo de bastonária da Ordem dos Farmacêuticos que no dia 21 se decide nas urnas. Aponta como prioridades a dignificação e a coesão profissional, e considera ter “todas as condições” para “puxar a Ordem para cima” e valorizar o papel do farmacêutico. A meio de um périplo “fisicamente esgotante mas emocionalmente compensador” pelo país, Filomena Cabeça mostra-se optimista na vitória e diz “acreditar no bom-senso do Governo” para, através do diálogo, resolver o diferendo relativo à lei de liberalização da propriedade das farmácias.

FM – Porquê uma candidatura à liderança da Ordem dos Farmacêuticos nesta altura?
FC – Candidatei-me porque acho que os desafios que estão a desenhar-se na área da Saúde em geral e na área farmacêutica em particular são motivadores. Já tenho uma longa experiência profissional como farmacêutica hospitalar e estou ligada ao associativismo há mais de 12 anos. Estou consciente das dificuldades e dos muitos desafios, mas senti que esta candidatura é a aposta de uma equipa de profissionais que se revêem nos mesmos objectivos e princípios. Chegou por isso o momento de dar um passo em frente…

FM – De que forma pretende então dar esse passo em frente? Quais são os grandes objectivos da Lista A? Como será a «sua» Ordem dos Farmacêuticos?
FC – A solidez científica da nossa profissão e o nosso grande dinamismo conferem uma garantia de qualidade ao serviço que prestamos. Elegemos, no âmbito desta candidatura, vários pontos fundamentais: a coesão profissional, o reconhecimento da competência no exercício farmacêutico, a regulação da profissão, o papel da Ordem na representação da classe, a diferenciação profissional e a aposta forte nos jovens quadros são os temas mais prementes no actual contexto.

FM – A proposta de lei para a liberalização da propriedade das farmácias é o tema quente em cima da mesa actualmente. Que comentário lhe merece esta intenção do Governo de permitir a qualquer cidadão ser proprietário de um espaço que é de saúde?
FC – Não há dúvidas de que estamos perante um novo paradigma na área da Saúde e na nossa profissão. A salvaguarda do pendor farmacêutico no âmbito da farmácia comunitária não pode, no entanto, ser posto em causa. A reserva de propriedade do farmacêutico tem de prevalecer, qualquer que seja o modelo de farmácia a adoptar no futuro. O profissional de Farmácia é um facilitador do acesso à saúde e tem a confiança dos cidadãos. Defenderemos sempre acerrimamente a reserva de propriedade exclusiva do farmacêutico, e não abdicaremos das nossas convicções nessa matéria. Preconizamos a independência e a autonomia dos farmacêuticos, contra quaisquer interferências na ética e na deontologia destes profissionais.

FM – De que forma é que isso poderá ser feito, estando o Governo tão decidido a avançar com a liberalização? Ainda há tempo para travar o processo?
FC – Temos estudos científicos objectivos e pareceres de especialistas que dizem que a reserva de propriedade do farmacêutico é uma mais-valia para a saúde pública. São provas científicas que pretendemos continuar a demonstrar. Estou perfeitamente convicta do bom-senso do nosso governo. Temos um exemplo bem recente da abertura do poder político. A liberalização da propriedade das farmácias não será a Ota da Saúde. Não queremos que se transforme nisso. Noutras áreas o Governo deu provas de sensibilidade, de que há condições para um diálogo franco e aberto…

FM – Está então convicta de que ainda é possível reverter a intenção da tutela?
FC – Estou absolutamente convicta do bom-senso do Governo e de que é possível reverter a situação, pela via do diálogo e da negociação.

FM – Outro ponto do seu programa eleitoral tem a ver com a captação dos jovens farmacêuticos. Como pretende atraí-los?
FC – A Ordem dos Farmacêuticos é de todos os profissionais da classe. Queremos que, através do que defendemos nas diferentes plataformas de diálogo entre todas as áreas de actividade, seja facilitado a cooperação a todos os níveis. Queremos falar todos a uma só voz, em sede própria, que é a Ordem. Para isso temos de encontrar pontos e realizar acções que tornem reconhecida a importância da OF para os profissionais. A nossa profissão é muito jovem – a média de idades dos farmacêuticos portugueses anda à volta dos 40 anos –, mas os mais jovens é que são os farmacêuticos do futuro, e é preciso ouvi-los e integrá-los, para que sintam que, quando forem chamados a tomar o nosso lugar, estão motivados para a nossa luta.

FM – No programa eleitoral da lista que lidera é apontado um projecto concreto: o «Farmacêuticos 2020». Pode concretizar melhor o que é este projecto, e quais os seus objectivos essenciais?
FC – É um projecto para o futuro, planificando aquilo que queremos que seja a nossa profissão. No fundo é procurar elencar os objectivos para os próximos anos no âmbito da actividade farmacêutica, tendo em conta a miscelânea de idades e de experiências que encontramos nas diversas áreas de actividade do nosso sector.

FM – A candidata da Lista B, Irene Silveira, defende a revisão do actual processo de revalidação da carteira profissional, que considera injusto e inadequado. Não é da mesma opinião…
FC – Temos um contrato-programa que vamos assumir com os farmacêuticos que votarem em nós, numa primeira instância, e depois com todos os outros. O nosso programa defende a diferenciação profissional. Entendemos que a revalidação da carteira profissional deve dar a garantia do reforço de competências dos nossos quadros e do empenho contínuo na busca da confiança dos nossos utentes. Nesta área a evolução científica é constante, e os farmacêuticos têm de actualizar os seus conhecimentos permanentemente. A formação contínua é, nessa medida, um aspecto essencial, e a revalidação da carteira profissional pode demonstrar isso mesmo, aferindo, a cada cinco anos, que estamos empenhados na melhoria dos serviços que prestamos à sociedade. Há três anos que desenvolvemos um projecto de formação com três ciclos: há 6625 colegas em processo de revalidação, e foram já realizadas 9983 acções creditadas. Noventa por cento dos 1604 formandos que estão actualmente no primeiro ciclo têm pelo menos uma actividade creditada. Têm cinco anos para apresentar os seus créditos, e nós apontamos como média três por ano.

FM – Como encara as críticas a esse novo processo de revalidação?
FC – É um processo novo, como diz, e nessa medida é natural alguma resistência à mudança, mas as pessoas vão aderindo a este processo de formação contínua e de aquisição de competências. É um processo inclusivo, com o qual entendemos que será possível puxar a Ordem para cima e mostrar à sociedade o empenho da nossa classe na constante evolução profissional. Com base neste esquema, a OF poderá afirmar a qualquer momento a competência e actualização de todos os seus membros. Obviamente todas as medidas têm alturas de implementação, de avaliação e de melhoria, e depois de algum tempo de aplicação deste processo está na hora de procedermos a essa avaliação. Para isso contamos com as críticas e as sugestões de todos os colegas. É nessa medida que estamos a percorrer o país e a ouvir os profissionais. Visitamo-los e chamamo-los a reuniões para debater os problemas e as soluções.

FM – Está convicta da vitória no dia 21?
FC – Estou. Se assim não fosse não me teria candidatado. Estou certa da justeza do projecto da equipa que lidero, que apresentou ideias concretas e que queremos assumir. Assumimos um compromisso com os membros da OF, de que poderão pedir-nos responsabilidades mais tarde. No que diz respeito à equipa e ao projecto, estão reunidas todas as condições para vencermos e melhorarmos a nossa Ordem.

Carla Teixeira
Fonte: entrevista à candidata
Imagem: «Farmácia e Medicamento»

Ruanda recebe conferência internacional sobre HIV/Sida

A capital do Ruanda, Kigali, recebe hoje (14 de Junho) uma conferência internacional sobre as pesquisas em curso na luta contra o HIV/Sida e o tratamento da doença. São esperados cerca de cinco mil especialistas, provenientes de 100 países, para participar no evento.

De acordo com Innocent Nyaruhirira, Secretário de Estado para a Luta contra o HIV e outras pandemias, o Ruanda foi o local eleito para esta reunião devido à vontade política demonstrada pelo país e manifestada através das campanhas de luta contra a doença.

Pretende-se que os participantes troquem experiências “dos seus respectivos países em termos de estratégias a fim de garantir uma distribuição racional e equitativa dos medicamentos aos doentes da sida sem esquecer as consequências desta pandemia”, referiu o responsável.

Os participantes vão ainda ter oportunidade de assistir à apresentação do relatório elaborado pelo Banco Mundial sobre o "Programa Plurinacional de Luta contra o HIV/Sida para África 2000-2006: resultados da acção lançada pelo BM em resposta a uma crise de desenvolvimento".

O conteúdo do relatório aborda principalmente as transformações que estão em curso e refere que a progressão da doença parece estar a diminuir em alguns países da África Subsariana, entre os quais o Uganda, o Quénia ou Zimbabwe, para além de algumas províncias urbanas como a Etiópia, o Ruanda, o Burundi, o Malawi e a Zâmbia.

Marta Bilro

Fonte: Panapress, Angola Press.

Força mecânica nos estudo dos receptores das células

Cientistas medem a força que existe na superfície das células e assim podem verificar como cada molécula se junta e separa na superfície da célula. Deste modo, chegar aos receptores fica mais fácil, o que pode permitir tratamentos, por exemplo de cancro, directamente nas células receptoras.

A técnica de utilização da força permite aos investigadores visualizar a interacção entre as moléculas. Este movimento molecular tem um papel importante porque dá a conhecer o crescimento das células, a sua proliferação e as diferenças entre elas. Eles apercebem-se das mudanças que por exemplo os químicos fazem no ambiente onde se localiza a célula devido ao número e tipo de moléculas que ali se encontram.

«Este trabalho é um desafio porque a superfície das células diferem muito entre si, o que as torna quimicamente diferentes», explica Van Vliet, um dos autores do programa Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os receptores das células permitem que estas se mantenham em constante comunicação com o ambiente que as rodeia, assim as moléculas, que estão à superfície, transmitem-lhe as informações necessárias para que o receptor desenvolva as funções necessárias. No estudo, foi observado mais atentamente o receptor da célula vascular que é importante tranmissor de células vasculares através do sangue.

Antes desta técnica de força mecânica, os investigadores conseguiam através do microscópio de luz visualizar apenas as estruturas maiores e os núcleos, mas não as minúsculas moléculas que vivem à superfície das células.

O método dá ainda a possibilidade de estudar a membrana dura das células. Sobrepondo as imagens das membranas e dos receptores os investigadores chegam à maioria dos receptores. «Estas correlações suportama a teoria actual de que a função do receptor está ligada a outras proteínas da superfície da célula, que transmitem forças mecânicas para a parte externa das células», explica Van Vliet.

A investigação foi feita National Science Foundation Nanoscale Exploratory Research, o Center for the Integration of Medicine and Innovative Technology, o Hugh Hampton Young Memorial Foundation e o Beckman Foundation Young Investigators Program.

Sara Pelicano
Fontes: MIT

Roche reafirma estratégia de aquisições para 2007

O director executivo da farmacêutica suíça Roche, Franz Humer, confirmou as previsões do laboratório para 2007 e o interesse em proceder a determinadas aquisições para complementar o portfolio da empresa. Porém, garante que não estão interessados em mega-fusões ou mega-aquisições. “Não temos nem vamos ter uma presença no mercado dos genéricos”, asseverou.

Numa conferência de imprensa em Paris, o responsável salientou o “excelente” arranque de 2007 e afirmou que a estratégia da empresa é “gerar frutos”. As vendas da Roche aumentaram 16 por cento no primeiro trimestre deste ano e Humer mostrou-se confiante de que os lucros obtidos por acção vão crescer mais rapidamente do que o volume de vendas.

A empresa farmacêutica deverá continuar a apostar no desenvolvimento de fármacos patenteados e revelou que irá pedir à entidade europeia e norte-americana de controlo de medicamentos para que, no final do ano, reveja a autorização do Actemra, um medicamento em fase de experimentação destinado ao tratamento da artrite reumatóide. Isto porque, segundo afirmou Humer, a Roche espera introduzir o medicamento no mercado no final de 2008 ou início de 2009.

Para além disso, o mesmo responsável adiantou ainda que o laboratório suíço não tem quaisquer intenções de alterar os 56 por cento que detém na Genetech Inc., a empresa de biotecnologia sedeada na Califórnia que foi responsável pela criação do Avastin e do Herceptin. “Estamos muito satisfeitos com a forma como a nossa relação com a Genetech se tem desenvolvido e não temos intenção de alterá-la”, afirmou.

Segundo Humer, a empresa não põe de parte a possibilidade de estabelecer alianças idênticas à que já tem com a Genetech. “Se surgir a oportunidade de criar uma estrutura similar o grupo irá certamente fazê-lo”, revelou. O director-executivo reafirmou também o interesse numa aliança com a Transgene, uma empresa francesa de biotecnologia. Os dois grupos estão a cooperar no desenvolvimento de vacinas contra o vírus do papiloma humano, relacionado ao desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas.

Deixando as preocupações de lado, Humer referiu que os dados apresentados este ano na reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla inglesa), onde foram anunciados os avanços de medicamentos rivais, não oferecem qualquer ameaça ao seu lugar de topo no mercado oncológico.

“Pelo que vi na ASCO não estou preocupado com a concorrência”, afirmou, acrescentando que “os obstáculos que se colocam aos novos investidores são muito maiores do que os que tivemos que enfrentar quando entrámos no mercado”, já que eles precisam mostrar que os benefícios dos seus produtos vão além dos da Roche e da Genetech.

Marta Bilro

Fonte: First World, Bloomberg, Forbes.

Medicamento sem receita para a obesidade
Glaxo lança Alli nos Estados Unidos


A GlaxoSmithKline anunciou para esta semana o lançamento, nos Estados Unidos, do Alli (orlistat), um medicamento para o tratamento da obesidade que não precisa de prescrição médica. Na Europa o início da distribuição do novo produto deverá ocorrer até final do ano, de acordo com a empresa britânica, sendo ainda esperada a sua aprovação no Canadá, na Nova Zelândia, na China e na América Latina.

O Alli corresponde a uma versão de baixa dosagem de orlistat, o princípio activo do medicamento Xenical da Roche, que tem de ser prescrito pelo médico para poder ser administrado, e que é já distribuído em todo o mundo à excepção do Japão. O novo medicamento da empresa britânica, a segundo maior fabricante de fármacos a nível mundial, deverá chegar às farmácias norte-americanas durante esta semana, onde está previsto um fornecimento inicial de 400 mil embalagens, que deverão estar totalmente distribuídas e disponíveis no mercado a partir de amanhã, dia 15.
Fonte da farmacêutica adiantou que este deverá ser um dos maiores lançamentos de sempre da Glaxo e provavelmente um dos maiores lançamentos de fármacos sem necessidade de prescrição médica alguma vez realizados em todo o mundo. De acordo com a companhia britânica, a conjugação do Alli com um regime para perder peso e a prática de exercício físico regular permitirão aos seus utilizadores uma perda de peso 50 por cento superior à que conseguiriam unicamente através da dieta e da prática de exercício, já que o fármaco actua bloqueando cerca de 25 por cento da gordura presente nos alimentos, reduzindo o volume de calorias que é absorvido pelo organismo.

Obesidade epidémica
Actualmente estima-se em cerca de 140 milhões o número de adultos obesos nos Estados Unidos. Os números globais são ainda mais avassaladores: mil milhões de pessoas com excesso de peso e 300 milhões de obesos em todo o mundo fazem da obesidade uma das doenças mais prevalentes à escala mundial, já catalogada pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia do século XXI. Em Portugal a incidência do problema está calculada em 13 por cento da população masculina e 15 por cento da população feminina. A Direcção-Geral de Saúde avisa que, se não forem tomadas medidas para travar o processo, metade dos portugueses sofrerá de obesidade em 2025.

Carla Teixeira
Fontes: First Word, JornalismoPortoNet, Bloomberg, Organização Mundial de Saúde e Financial Times

Novo software acelera a identificação de variações genéticas


A Applied Biosystems anunciou o lançamento de uma nova aplicação de software concebida para acelerar a análise de dados de variações genéticas.

O novo “Variant Reporter Software” reduz o tempo da revisão manual destes dados ao detectar automaticamente as variações genéticas, agilizando o processo de análise de dados. A Applied Biosystems espera que o software possa reduzir para até metade do tempo que actualmente é necessário para avaliar dados de variação genética gerados durante projectos de sequenciação clínica.

A sequenciação clínica é geralmente utilizada para identificar variações genéticas em populações de amostra. Esta técnica de análise é crucial para compreender as causas genéticas de doenças e a resposta individual aos medicamentos. Tecnologias de sequenciaçao automática de DNA tornaram possível aos investigadores executar estudos de detecção e monitorização de variações genéticas em grandes amostras de população. Estes projectos de grande escala estão a gerar conjuntos substanciais de dados que requerem ferramentas bioinformáticas robustas que possam facilitar a rápida análise e gestão desses dados.

Espera-se que as características deste software permitam aos investigadores estudar mais eficientemente doenças complexas cruzando múltiplos genes e conjuntos de dados maiores do que as actuais aplicações de software conseguem gerir. A possibilidade de avaliar rapidamente dados re-sequenciados pode fazer avançar significativamente a pesquisa focada na base molecular da doença ou numa potencial resposta de um indivíduo a um medicamento. O “Variant Reporter Software” resolve os problemas de acumulação de dados que existem actualmente neste processo, disponibilizando uma melhor maneira de avaliar rapidamente os dados de variações e identificando pontos de interesse. Isto pode economizar centenas de horas gastos na avaliação destes grandes conjuntos de dados.

Isabel Marques

Fontes: BusinessWire.com e www2.appliedbiosystems.com

Lisboa e Vale do Tejo com maior capacidade hospitalar

O Ministério da Saúde garante que o crescimento da capacidade hospitalar do Serviço Nacional de Saúde (SNS), na região de Lisboa e Vale do Tejo, será ainda superior ao esperado para o sector privado.

Em comunicado, o gabinete do ministro da saúde, Correia de Campos, fez saber que “estão em concurso parcerias público-privadas que vão significar um aumento líquido de 530 camas”, provando desta forma que o aparecimento de novas unidades de saúde privadas, em Lisboa, não afectou o SNS.

Manuel Delgado, presidente da Associação de Administradores Hospitalares, não se surpreende com os número apresentados pelo governo, concordando que a médio prazo, o aparecimento destas novas unidades privadas, levará a uma reestruturação no sector.

“O sector privado em termos de oferta de internamento vivia à volta de pequenas clínicas com uma dimensão na ordem das 20/30 camas. Essa dinâmica está a ser posta em causa pelo investimento de grupos económicos. Isso vai necessariamente, a médio prazo, obrigar – não direi a fusões – mas à eliminação de pequenas clínicas em beneficio destas instituições com uma dimensão maior e com uma oferta mais confiável para os doentes”, acrescentou.

Inês de Matos

Fonte: Renascença

Nova vacina para gripe, Optaflu, da Novartis, aprovada pela UE

O grupo farmacêutico suíço, Novartis AG, anunciou na quarta-feira, dia 13 de Junho, que a União Europeia (UE) concedeu a aprovação para a vacina da gripe Optaflu. Esta é a primeira vacina da gripe que usa uma nova tecnologia de cultura de células, propriedade da Novartis, para produzir componentes de antigene viral, que oferece independência dos tradicionais ovos de galinha utilizados para a produção de vacinas.

Esta vacina pode ser produzida em massa mais rapidamente no caso de uma pandemia, que poderia ser despoletada, por exemplo, pela gripe das aves. A Optaflu é a primeira grande inovação na produção de vacinas para a gripe em mais de 50 anos. Os peritos têm encorajado os fabricantes de fármacos a desenvolverem métodos mais modernos para o desenvolvimento de vacinas para a gripe, que permitiria uma produção mais rápida e eficaz.

Durante o programa de avaliação clínica da segurança e imunogeneticidade da vacina, mais de 3400 pessoas receberam a Optaflu. Estes dados mostraram que a Optaflu cumpriu todos os critérios de avaliação clínica da União Europeia.

Espera-se que esta nova vacina esteja disponível em Portugal a partir de 2008.

Paulo Frutuoso
Fontes: Medscape, Novartis, Reuteurs

Defeito genético pode ser a causa de doença respiratória e doença cardíaca congénita

O mesmo defeito genético que provoca uma doença respiratória rara pode também causar doença cardíaca congénita, segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

A ligação entre as duas doenças começa nas células ciliadas, finas estruturas semelhantes a pêlos, cujos movimentos ajudam a eliminar as partículas e as mucosidades das vias aéreas inferiores. Os investigadores notaram inicialmente a relação em crianças com uma doença respiratória que afecta estas células, a discinesia ciliar primária. Uma mutação genética que prejudica o movimento das células ciliadas causa a doença. Algumas crianças que foram tratadas à discinesia ciliar na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill também tinham heterotaxia – um posicionamento anormal do coração e dos pulmões associado a doença cardíaca congénita.

A equipa de investigadores interrogou-se se a discinesia ciliar primária e a heterotaxia estariam relacionadas, uma vez que se sabe que outros tipos de células ciliadas desenpenham um papel na organização e direccionamento dos órgãos num embrião em desenvolvimento. Contudo, os resultados do novo estudo demonstram que estão relacionadas.

O estudo descobriu que a prevalência de heterotaxia e anomalias cardíacas congénitas era 200 vezes maior em pessoas com discinesia ciliar primária do que na população geral (um em 50 versus um em dez mil).

Segundo um dos investigadores, Dr. Michael Knowles, estes resultados devem incentivar os médicos que tratam pacientes com doença cardíaca congénita a serem mais vigilantes, no que se refere a testar e tratar anomalias respiratórias.
Crianças com heterotaxia e doença cardíaca congénita geralmente são submetidas a cirurgias para reparar os defeitos do coração, e caso tenham complicações respiratórias no pós-operatório, normalmente assume-se que os problemas foram causados pelos problemas cardíacos, acrescenta o Dr. Knowles. Mas o estudo indica que estes problemas respiratórios das crianças podem ter uma causa genética subjacente.

Os investigadores esperam que estas associações entre a função ciliar, os defeitos do coração e a organização dos órgãos no interior do peito e abdómen levem a uma melhor compreensão de como estes defeitos evoluem.

Isabel Marques

Fontes: NewsMax.com e Manual Merck

Relatório aponta insustentabilidade da indústria farmacêutica

O modelo de negócio da indústria farmacêutica é “economicamente insustentável”, refere um relatório divulgado na quinta-feira pela consultora PricewaterhouseCoopers. O estudo sugere que a forte aposta das empresas farmacêuticas num núcleo reduzido de medicamentos, na esperança de obterem um grande volume de vendas, é um reflexo da sua “incapacidade operacional” para agirem de forma suficientemente rápida na produção de tratamentos inovadores, exigidos pelos mercados globais.

Steve Arlington, o principal responsável pela investigação, considera que as empresas farmacêuticas gastam o dobro do tempo necessário para levar a cabo uma investigação comparativamente com o tempo gasto há 10 anos. No entanto, a produção dos medicamentos foi reduzida a metade: entre 40 e 45 por cento dos ensaios clínicos realizados em fármacos na fase 3 falham.

As acções das empresas farmacêuticas não obtiveram bons resultados, as vendas e os custos publicitários aumentaram, assim como as restrições legais e regulamentares, a reputação da indústria têm sido manchada por casos mediáticos como o do Vioxx, o analgésico da Merck que já foi alvo de milhares de processos judiciais.

As entidades que prestam cuidados de saúde e os utentes estão ansiosos para reduzir os gastos com tratamentos. As pessoas vivem mais tempo mas não necessariamente de forma mais saudável. Este facto conduz a previsões que indicam que, em 2020, o mercado farmacêutico global deverá obter mais do dobro da sua facturação, ascendendo aos 9,76 biliões de euros (1.3 biliões de dólares norte-americanos).

Os responsáveis pelo estudo aconselham a indústria farmacêutica a mudar para tirar partido destas novas oportunidades, direccionando os seus investimentos mais para a investigação e menos para as vendas e marketing. “A indústria farmacêutica deve concentrar-se principalmente no desenvolvimento de medicamentos para a prevenção ou cura. De qualquer forma, os fármacos terão que demonstrar benefícios reais e lidar com as necessidades médicas ainda não preenchidas”, salienta Arlington.

O relatório elaborado pela PricewaterhouseCoopers vai mais além ao afirmar que a indústria farmacêutica precisa de se unir a outros “parceiros de peso” – governos, pacientes e investidores – para discutir a melhor forma de seguir em frente.

Steve Arlington sugere, por isso, que a protecção sobre as patentes dos medicamentos, que actualmente vigoram por 20 anos, sejam prolongadas por um período mais extenso de forma a incentivar as empresas a produzirem mais fármacos inovadores e a vendê-los a um preço mais reduzido.

Uma das sugestões apresentadas pelo especialista é a expansão do campo de escolhas das pesquisas preliminares para a Ásia, por exemplo, onde a investigação é menos dispendiosa. Outra das hipóteses passa por aumentar a colaboração com académicos.

Ainda assim, existem alguns indícios de que as empresas farmacêuticas estão a começar a mudar os seus modelos de pesquisa. A GlaxoSmithKline, por exemplo, inaugurou recentemente uma clínica de imagiologia no valor de 74 milhões de euros (50 milhões de libras), no Hammersmith Hospital, em cooperação com o Imperial College e o Conselho de Pesquisa Médica. O objectivo é utilizar o novo complexo como plataforma de troca de conhecimentos entre académicos na utilização dos últimos avanços em imagiologia de forma a perceber melhor as doenças e como tratá-las, acelerando o desenvolvimento de novos fármacos.

Para que as mudanças sejam exequíveis, a indústria tem que se movimentar rapidamente ou enfrentar uma nova ronda de fusões e aquisições por parte das empresas líderes de mercado, caindo nas mãos dos privados.

O mesmo relatório diz ainda que há sete países que poderão ser responsáveis por um quinto da receita global de medicamentos até 2020, relativamente aos oito por cento registados em 2004: Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia. A China sozinha poderá ser o segundo ou terceiro maior mercado do mundo, previu a consultora responsável pelo estudo.

Os proprietários e as patentes

Em 2012, altura em que expiram algumas das patentes mais importantes, as principais empresas farmacêuticas deverão perder entre 14 e 41 por cento das receitas actuais. A Pfizer terá que enfrentar o fim da exclusividade sobre a patente do Viagra e do Lipitor, o medicamento mais vendido no mundo, o que se traduzirá na perda de 41 por cento das suas receitas. Por sua vez a AstraZeneca deverá perder 38 por cento das suas vendas, enquanto que a GlaxoSmithKline vê expirar, em 2012, as patentes dos seus dois fármacos mais bem sucedidos, o Advair (comercializado em Portugal com o nome Eustidil) e o Avandia, estando previstas quebras nas receitas na ordem dos 23 por cento.

Marta Bilro

Fonte: Prime Newswire, The Guardian Unlimited, Financial Times, MSN Money, msnbc.com

Dia Mundial do Dador de Sangue - “Sangue Seguro para uma Maternidade Segura”

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Dador de Sangue. Iniciado em 2004, é um evento anual designado oficialmente pela Assembleia Mundial de Saúde, para reconhecer e agradecer os milhões de pessoas que, em todo mundo, doam o seu sangue, voluntária e altruisticamente, sem remuneração, para ajudar a salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de outros. Espera-se que este dia venha a encorajar mais pessoas a tornarem-se dadores de sangue voluntariamente, evidenciando, igualmente, a importância da doação regular para prevenir falta de sangue nos bancos. Irá também demonstrar um compromisso renovado entre os profissionais de saúde e outros profissionais intervenientes, de modo a trabalharem para tornar a transfusão segura de sangue disponível para todos os necessitados.

Este ano, o tema do Dia Mundial do Dador de Sangue é “Sangue Seguro para uma Maternidade Segura”, para enaltecer o papel salvador de vidas de uma transfusão de sangue durante os cuidados maternais e perinatais. Irá também introduzir uma nova iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), com vista a melhorar a disponibilidade temporal de sangue seguro em instalações de saúde que providenciam cuidados obstétricos de emergência, particularmente em países com altas taxas de mortalidade maternal; e medidas para reduzir transfusões desnecessárias.

No mundo inteiro existem mais de 500 mil mortes maternas por ano, 99% das quais nos países em desenvolvimento. Destas, cerca de 44% sucedem em África, 31% na Ásia e mais de 21% na América Latina e nas Caraíbas, sendo atribuídas a hemorragias e ao risco de desenvolvimento de complicações. As hemorragias severas são mais frequentes em mulheres grávidas com problemas de saúde, tais como anemia, sépsis, malária, HIV/SIDA e mutilação genital feminina.

Pelo mundo fora, o Dia Mundial do Dador de Sangue será o foco de actividades especiais para homenagearem os milhões de pessoas que, generosamente, doam sangue para salvar vidas. Para doar sangue é necessário estar em bom estado de saúde, possuir hábitos de vida saudáveis, peso igual ou superior a 50kg e idade compreendida entre os 18 e os 65 anos. Para uma primeira dádiva, o limite de idade é aos 60 anos. Os homens podem dar sangue de 3 em 3 meses (4 vezes/ano) e as mulheres de 4 em 4 meses (3 vezes/ano) sem qualquer prejuízo para si próprios.

Para mais informações contacte o Serviço de Promoção da Dádiva de Sangue do Instituto Português do Sangue:
Parque de Saúde de Lisboa
Av. do Brasil, nº 53 – Pav. 17
1749-005 Lisboa
Telef: 217 921 020
Fax: 217 956 492
E-mail:
dadiva@ips.min-saude.pt

Paulo Frutuoso
Fontes: OMS, Instituto Português do Sangue

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Industria farmacêutica duplica facturação até 2020

A consultora PricewaterhouseCoopers, divulgou esta quarta-feira um novo estudo, onde prevê a duplicação da facturação da indústria farmacêutica, até 2020.

Em 2020, um quinto das vendas mundiais deste sector deverão estar concentradas em sete países: Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia, de acordo com o estudo agora publicado.

Este forte crescimento, deverá atingir os 974,2 milhões de dólares, como consequência do aumento da procura mundial por medicamentos e tratamentos preventivos.

Inês de Matos

Fonte: Diário Digital

Praias fluviais do Barreiro continuam interditas

O Centro Regional de Saúde Pública de Lisboa e Vale do Tejo (CRSP) decidiu manter a interdição a banhos, nas praias fluviais do concelho do Barreiro, depois de as análises à água continuarem a revelar má qualidade.

De acordo com um comunicado da autarquia do Barreiro, as praias do Clube Naval, Barra-a-Barra e Mexilhoeiro, irão continuar interditas, estando mesmo em causa uma situação de risco para a saúde pública.

Para este Verão está previsto o inicio da construção de uma ETAR, na região Barreiro/Moita, o que poderá representar uma solução para a descontaminação do estuário do Tejo.

Estas praias encontram-se excluídas do Programa de Vigilância Sanitária das Zonas Balneares, desde Março de 2001, como consequência de sucessivas análises realizadas à água e cujos resultados revelaram sempre má qualidade.

A Câmara Municipal do Barreiro desaconselha vivamente os banhos nestas zonas fluviais e como tal, colocou já cartazes informando sobre o risco para a saúde pública que estas águas representam, caso algum cidadão insista em não cumprir o concelho.

Inês de Matos

Fonte: Diário Digital

Centro de Genética Clínica comemora 15 anos de actividade laboratorial

O CGC, Centro de Genética Clínica e Patologia Prof. Amândio S. Tavares, primeiro laboratório privado de Genética Médica em Portugal, iniciou a sua actividade laboratorial em 1992 e está a comemorar 15 anos de existência.

O CGC, liderado por Purificação Tavares, para além do departamento clínico, dispõe de cinco médicos especialistas em Genética Médica, de cinco laboratórios distintos (Biotecnologia, Biologia Molecular, Citogenética, Anatomia-Patológica e Ratreio Pré-Natal) que disponibilizam mais de mil testes genéticos diferentes e processam 3600 análises por mês, a partir de amostras recebidas do país e do estrangeiro.

Ao longo destes 15 anos de existência, o CGC tem vindo a especializar-se em diferentes áreas médicas, consequência da interdisciplinaridade dos seus laboratórios, da sua capacidade para desenvolver novos testes e do departamento clínico. O CGC tornou-se referência em diferentes campos de investigação nacional e internacional como o diagnóstico pré-natal, a oncogenética e as doenças raras.

O CGC tem investido em excelentes profissionais, desde o seu início, contando, actualmente, com 70 colaboradores, incluindo 8 doutorados e 57 licenciados; está equipado com tecnologia sofisticada numa crescente aposta em I&DT, e tem conseguido aumentar e melhorar a oferta dos serviços numa perspectiva de crescimento sustentado.

A evolução constante no conhecimento genético abriu novas perspectivas na saúde, tornando a Genética Médica uma das áreas médicas mais requisitadas na actualidade. De referir ainda que a importância crescente das solicitações da comunidade médica em Espanha, levou que a CGC reforçasse a sua actividade em Espanha, com o Centro Genética Clínica España, SL, com sede em Pontevedra.

Paulo Frutuoso
Fontes: CGC -Centro de Genética Clinica, Ciência hoje

Nova terapêutica cancerígena pode substituir quimioterapia


Mini-bactérias atingem cancros sem danificar outros órgãos



Cientistas australianos estão a estudar uma nova terapêutica cancerígena que pode vir a substituir a quimioterapia. A tecnologia inovadora – que será ainda, este ano, testada em humanos – permite a destruição de cancros sem danificar outras células e órgãos circundantes.

Os efeitos secundários nos pacientes que se submetem à quimioterapia, constituem o principal entrave desta terapêutica cancerígena.
No entanto, segundo avançou o «Cancer Cell», uma cura inovadora que atinge os cancros de forma segura está a ser testada.

De acordo com aquele jornal científico, os investigadores de uma empresa de biotecnologia na Austrália – a EnGeneIC –, anunciaram um meio inovador de transporte de múltiplos medicamentos anti-cancerígenos, que demonstrou ser “preciso e inócuo” em ratos de laboratório, cães, macacos e porcos. Os especialistas esperam testar a segurança e eficácia da nova terapêutica em humanos já no final de 2007.

Em declarações ao «Cancer Cell», os cientistas asseguram que o meio de entrega de medicamentos em tecidos cancerígenos é feito sem danos para outros órgãos, revelando que se tratam de mini-células produzidas a partir de bactérias: “Os Veículos de Entrega EnGeneIC (EDVs) são fáceis de produzir e pouco dispendiosos já que são desenvolvidos a partir de bactérias e têm uma dimensão nanometrica, ou seja, um quinto do tamanho de uma célula normal (400 nanometros).”

O facto de os cientistas obrigarem a bactéria a dividir-se na extremidade (invés de se dividir na sua zona central) – de forma a produzir pequenos rebentos de citoplasma de vez em vez, – foi o que marcou a diferença desta investigação da equipa australiana, para as pesquisas de outros cientistas.

Os investigadores da EnGeneIC explicaram ao jornal que “o alvo das mini-células através de anticorpos específicos a receptores de membranas de células cancerígenas resultam em endocitose, degradação intra celular e libertação do medicamento”, concretizando que o mecanismo “afecta grandemente a inibição e regressão de tumores em crescimento em ratos com xenografos e casos de estudo de linfoma em cães, apesar da administração de pequenas quantidades de medicamentos e anticorpos.”

Jennifer MacDiarmid, cientista envolvida no estudo, esclareceu à revista on-line «New Scientist» que “parecem com uma bactéria mas, não têm cromossomas e não estão vivos”, acrescentando que “os EDVs têm uma membrana rígida não se quebram quando são injectados, por isso, conseguem carregar a carga ao local alvo.”

Os EDVs podem transportar múltiplos medicamentos e, desta forma, atingir os mais diversificados tecidos cancerígenos como, por exemplo, do cancro da mama, útero ou leucemias.

Raquel Pacheco
Fonte: Cancer Cell/New Scientist

Conselhos farmacêuticos impedem ida ao médico

De acordo com um estudo pedido pela Ordem dos Farmacêuticos, conclui-se que nos últimos 6 meses, metade dos utentes que pedem conselhos na farmácia evitam pelo menos uma visita ao médico.

Os investigadores do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, avaliaram a dimensão social da identidade das farmácias portuguesas e salientam que este estudo não mostra até que ponto são visíveis as melhorias do doente, com os conselhos dados pelo farmacêutico, assim como, a alteração nos planos do utente em consular um médico.

A verdade é que, a qualidade do serviço das farmácias tem vindo a ser, cada vez mais, um ponto crucial em relação a outros estabelecimentos, como centros de saúde, hospitais ou consultórios. Os utentes encontram-se satisfeitos e garantem que em muitos casos os conselhos dados impedem muitas visitas ao médico.

Uma forte confiança no farmacêutico faz com que cada vez mais, os utentes procuram os primeiros conselhos na farmácia.

Liliana Duarte

Fonte: Jornal Dica da Semana

Ritalina: um fenómeno geracional?

O metilfenidato, nome químico da Ritalina, tem sido o fármaco de eleição nos últimos 40 anos para tratar crianças que sofrem de Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA).


O medicamento começou por ser prescrito a pessoas adultas com patologias depressivas, fadiga crónica e narcolepsia. No inicio dos anos 60, a utilização desta substância passou a ser recomendada em crianças hiperactivas, principalmente por aumentar o tempo que estas se conseguem concentrar numa mesma actividade.

Por volta de 1980, registou-se uma escalada na prescrição deste fármaco a crianças. O mesmo se verificou no Canadá durante os anos 90 o que resultou num aumento de prescrições de cerca de 500 por cento relativamente à década anterior.

Os pediatras começaram a reparar nesta prescrição galopante do metilfenidato e no ano 2000 alertaram que o medicamento só deveria ser recomendado em circunstâncias limite, e mesmo nesses casos, apenas durante o tempo estritamente necessário.

Cerca de 75 por cento das prescrições mundiais de Ritalina destinam-se a crianças, quatro vezes mais a rapazes do que a raparigas.

De acordo com Adriana Campos, psicóloga especializada na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e em Psicopatologia do Desenvolvimento, o grande aumento no consumo destas substâncias verificou-se em 2004, quando a venda destes medicamentos deixou de pertencer ao domínio das farmácias de certos hospitais e passou a fazer-se em qualquer farmácia.

Os estudos realizados sobre o assunto descrevem a PHDA como uma perturbação do desenvolvimento infantil com base neurobiológica. Esta patologia verifica-se quando os lobos frontais, responsáveis por funções executivas, tais como a atenção, a capacidade de antecipar situações e organizar tarefas, apresentam certas alterações. “Estas alterações estão associadas ao facto de a dopamina, que é um neurotransmissor, apresentar níveis inferiores aos normais, o que dificulta a comunicação entre as células”, esclarece Adriana Campos.

O que se pretende com a administração de Ritalina é o aumento dos níveis de dopamina e consequentemente, a obtenção de progressos no grau de funcionalidade dos lobos frontais. Esta melhoria resulta no aumento da atenção e na diminuição da impulsividade e hiperactividade em doentes com PHDA.

Os dados divulgados pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIn) indicam que esta patologia atinge cerca de 5 por cento da população escolar e é mais frequente em rapazes. Nas raparigas o diagnóstico é mais difícil, uma vez que a dificuldade de concentração “torna-as 'sonhadoras', 'cabeças no ar', sem o aumento da actividade que incomoda professores e família. Nas aulas tornam-se invisíveis”.

A psicóloga Adriana Campos acredita que actualmente não se verifica um aumento no aparecimento de casos de PHDA, já que esta é uma perturbação com uma componente biológica. “O que aumentou foi a capacidade de diagnóstico desta patologia”, refere.

Para além disso, a grande quantidade de informação que tem sido divulgada acerca deste assunto “conduz a um maior conhecimento e sensibilidade por parte das pessoas em geral e dos técnicos em particular para a sua identificação”, considera a responsável. Ainda assim, Adriana Campos sublinha que é preciso perceber que o excesso de informação poderá gerar falsos diagnósticos. Nesse sentido, a especialista salienta que “só é possível efectuar um diagnóstico preciso quando vários sintomas persistirem por mais de seis meses, em diferentes contextos: familiar, escolar e extra-escolar”.

A edição de Maio da Revista Pais&Filhos refere dados do jornal americano Health Afairs que indicam que a prescrição de medicamentos para tratar a PHDA aumentou, em todo o mundo, 274 por cento, entre 1993 e 2003. “Em Portugal, calcula-se que entre seis e oito mil crianças e adolescentes estejam a tomar este tipo de medicação (números de 2006, com base nas vendas). Em 2004, estimava-se que três mil crianças tomassem medicamentos para PHDA, enquanto que em 2003 eram apenas 400", pode ler-se na mesma publicação.

Marta Bilro

Fonte: educare.pt, globeandmail.com, Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil.

ENTREVISTA


Irene Silveira em entrevista ao «Farmácia e Medicamento»
Resgatar o prestígio da classe

Quiseram lançá-la na corrida à liderança da Ordem dos Farmacêuticos há seis anos, mas nessa altura o cargo de vice-reitora da Universidade de Coimbra impediu-a de dar o passo que ousa dar agora, consciente de que a sua experiência profissional, académica e até política poderá impulsionar a busca do prestígio que a classe vem perdendo. Dizendo-se “uma mulher positiva” e que não foge à luta Irene Silveira parte “com esperança” para as eleições de dia 21: um duelo no feminino…

FM – Por que motivo decidiu avançar neste momento para uma corrida ao cargo de bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, num duelo feminino pelo exercício de um lugar nunca antes atribuído a uma mulher?
IS – Avancei agora, porque só agora encontrei disponibilidade para isso. A verdade é que já nas anteriores eleições, em que foi eleito Aranda da Silva, fui incentivada a candidatar-me, mas nessa altura era vice-reitora na Universidade de Coimbra e não tinha possibilidade de desempenhar as funções de bastonária. No entanto, o apoio e o estímulo dos colegas, por quem nutro consideração e respeito, e o facto de eles continuarem a insistir para que me candidatasse e renovasse a Ordem, fizeram-me pensar nisso agora.

FM – Recentemente teceu algumas críticas quanto ao modo como a actual Ordem tem gerido alguns dossiers, designadamente o silêncio do bastonário em funções no que diz respeito à liberalização da propriedade das farmácias. O que teria feito nesse capítulo se fosse bastonária?
IS – Sou uma mulher positiva e de “enfrentamentos”. Como bastonária teria tomado outra posição nessa matéria. Acho incompreensível que no processo de produção de uma lei que altera as regras da propriedade das farmácias o bastonário da OF não tenha sido ouvido. Nessa e noutras matérias, a actual Ordem poderia ter feito mais, digo eu e dizem todos os farmacêuticos. Há um estatuto da OF que confere determinadas atribuições à estrutura representativa da classe farmacêutica, e uma dessas atribuições é justamente a de dialogar com o poder político e intervir nas políticas de saúde.

FM – Que proposta concreta tem para a questão da liberalização da propriedade das farmácias, agora que esse assunto está em cima da mesa e que o Governo se concedeu apenas seis meses para legislar sobre o assunto?
IS – Proponho fazer o que dizem os estatutos: através de um diálogo construtivo e respeitador, interpelar o poder político, que foi eleito democraticamente para o lugar que desempenha, pelo que as decisões que toma são legítimas. Enquanto Ordem dos Farmacêuticos, eu teria seguido os estatutos e enveredado pela via do diálogo actuante e interventivo, negociando e explorando essa forma de entendimento com o poder político. A liberalização da propriedade das farmácias terá consequências que não serão, de todo, as melhores para a saúde pública, com uma degradação progressiva da qualidade dos serviços prestados.

FM – Acredita que a confiança dos utentes das farmácias poderá perder-se quando atrás do balcão estiver a atendê-los alguém que não é um farmacêutico?
IS – Isso não pode acontecer. Temos de estar atentos aos ganhos em saúde, porque o nosso país é um país pequeno em que o factor económico é importante, mas não podemos pautar-nos apenas por esse aspecto. A regulamentação da propriedade das farmácias tem de ser negociada com o poder político, no sentido de produzir as mínimas consequências para os utentes das farmácias, e de forma a evidenciar a qualidade e a importância do farmacêutico e da sua qualificação processo de acompanhamento e aconselhamento dos doentes. Outras pessoas que se ponham atrás do balcão não terão estas capacidades, que decorrem de anos de formação. É imprescindível salientar, junto das instâncias superiores do poder político a importância do papel do farmacêutico na promoção da saúde, e eu terei, se for eleita, a preocupação de garantir essa intervenção do farmacêutico.

FM – A revisão da actual forma de revalidação da carteira profissional é a grande bandeira da sua campanha. O que importa mudar nesta matéria?
IS – Importa mudar tudo! Desde 1983 que pertenço a um grupo de formadores de farmacêuticos. Estou totalmente de acordo com a necessidade de formação. As pessoas que saem das universidades saem normalmente muito bem preparadas, mas a Ciência evolui a grande velocidade, e preconizo que a formação contínua é muito importante. O que não preconizo, de modo algum, é a frequência de acções de formação que atribuem créditos de um modo arbitrário. É preciso valorizar a experiência diária dos farmacêuticos. As pessoas têm de saber que competências têm de desenvolver e voluntariamente decidir adquirir essas competências. Não pode haver uma obrigatoriedade, por uma questão de créditos, de os profissionais terem de frequentar determinadas acções de formação, que nem sempre são as que melhor servem os seus interesses e os interesses dos doentes. A revalidação da carteira profissional não pode estar veiculada a este sistema.

FM – Alterar o actual esquema de revalidação é, portanto, a grande prioridade?
IS – A qualificação é uma das minhas prioridades, mas não da forma que hoje está considerada. É minha prioridade absoluta reformular o actual sistema, porque esta plêiade de cursos de formação não traz nada de positivo. Outra prioridade da lista B, que encabeço, é a descentralização da Ordem dos Farmacêuticos e o aumento da sua representatividade. Dou um exemplo: não faz sentido que, ao fim de um dia de trabalho, um colega de Castelo Branco tenha de vir frequentar uma acção de formação a Coimbra. É preciso repensar o tipo de cursos, a sua localização e os seus horários. Queremos mudar a Ordem, mas sempre ouvindo os farmacêuticos e reflectindo com eles sobre o que precisa de ser alterado.

FM – Defende também, talvez devido à sua carreira docente, um maior diálogo da Ordem dos Farmacêuticos com as faculdades…
IS – Fui coordenadora do processo de implementação das regras de Bolonha na Universidade de Coimbra. Sei, também por isso, que o diálogo com os estudantes deve ser intenso e muito claro. É muito importante que as pós-graduações e os vários cursos de formação contínua vão ao encontro das necessidades de formação dos profissionais. O ensino e a investigação devem estar ligados com o exercício da actividade profissional do farmacêutico.

FM – Está optimista quanto aos resultados das eleições do próximo dia 21?
IS – Sou uma mulher positiva. Muitos colegas, jovens e menos jovens, decidiram dar-me o seu apoio porque entenderam que tenho competência como docente e como profissional. Reúno a componente teórica com a experiência prática do que é o sector farmacêutico, e tenho tido responsabilidades bastante grandes. Tenho uma enorme ligação ao sector, de quase 25 anos, e tenho o perfil adequado para tratar dos problemas actuais da classe. Além disso, nunca trabalharei sozinha. Há uma vasta equipa que me apoia e espero, se for eleita bastonária, poder contar com todos os ramos de actividade do sector na luta para que a Ordem tenha uma nova visibilidade e uma nova excelência, dando a conhecer e enaltecendo o papel do farmacêutico no âmbito do plano nacional de saúde. É essa a imagem que quero que a Ordem dos Farmacêuticos dê da classe profissional que representa.

Carla Teixeira
Fonte: entrevista à candidata
Imagem: Site da campanha

Sector das Farmácias não conhece concorrência

O governo discute a liberalização das farmácias, mas em Portugal este continua a ser um negócio fechado.


Em Portugal, o sector das farmácias é fechado e lucrativo, protegido por um enquadramento legal antiquado, que o abriga da concorrência. Pelo menos é esta a conclusão de um estudo efectuado pelo Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Universidade Católica, cujo relatório final foi entregue à Autoridade da Concorrência (AdC), no final de 2005.

O sector dos estabelecimentos farmacêuticos, em Portugal, é dominado pela influente Associação Nacional das Farmácias (ANF), liderada por João Cordeiro.

De acordo com este relatório, "o enquadramento normativo que regula a actividade das farmácias tem as abrigado do processo concorrencial e, inequivocamente, tem lhes permitido a obtenção de lucros supra-normais muito consideráveis".

Patente neste relatório, está também o facto de a maioria destes estabelecimentos se localizarem nas áreas predominantemente urbanas, nomeadamente na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se situam 36,9% das 2663 farmácias existentes em Portugal, no final de 2004, ano em que o estudo se baseou.

Por outro lado, a região Norte conta com pouco mais de um terço das farmácias nacionais, com 28,8%, enquanto que em toda a região centro verifica-se a existência de apenas 24,6% dos estabelecimentos.

Na análise por concelhos, a predominância da localização urbana torna-se ainda mais evidente, uma vez que os concelhos de Lisboa e Porto são os únicos a registar mais de 50 farmácias, enquanto que na maioria dos concelhos do interior do país, o número de farmácias desce drasticamente, para menos de cinco estabelecimentos.

Em Portugal, existe uma farmácia para 3.761 utentes, contrariamente ao que acontece no pais vizinho ou na Bélgica, onde cada farmácia serve 2.099 e 1.825 utentes, respectivamente. A Alemanha, o Reino Unido e a Holanda destacam-se pelo motivo oposto, já que nestes países existe uma farmácia para 3.858 pessoas, no caso da Alemanha, 4.604 no Reino Unido ou 10.000 na Holanda.

As farmácias portuguesas são tendencialmente estabelecimentos comerciais de dimensões reduzidas, cujo volume anual de vendas se situa, em média, nos 1.2 milhões de euros e o resultado líquido atinge os 84.500 euros, em 2003.

Cada farmácias emprega, normalmente, dois farmacêuticos, de acordo com dados da Ordem dos Farmacêuticos, que em 2004 registava a inscrição de 9.912 profissionais.

No final de 2005, o número de farmácias em Portugal cresceu atingindo os 2782 estabelecimentos, contrariamente à tendência verificada nos anos anteriores, onde o crescimento era muito lento e fechado, o que acontecia já desde o Estado Novo.


Inês de Matos

Fonte: Diário de Noticias

Cérebro com capacidade autocorrectora


Investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) afirmam ter identificado duas funções do cérebro que desenvolvem um processo de aprendizagem até agora desconhecido.

O “ruído” potencia o desenvolvimento da capacidade autocorrectora do cérebro, sendo que, este processo de autocorrecção aprofunda o conhecimento neurológico, concluíram os cientistas norte-americanos do MIT.

Segundo revelou o principal autor do estudo, Uri Ronki, “uma é a função “ruído” que confunde e modifica as representações neurais – modificações biológicas criadas por aprendizagem num circuito de neurónios – e a outra, é a função correctora, que encontra automaticamente soluções sempre que detecta um erro.”

Este investigador do Instituto Médico Howard Hughes que trabalhou em colaboração com a equipa do MIT, evidenciou como as duas funções interagem: “Quando pensamos numa frase, o ‘ruído’ do cérebro pode mudar aleatoriamente as palavras mas a sua função correctora corrige continuamente o texto para este fazer sempre sentido.”

De acordo com a explicação dos cientistas, no processo de aprendizagem do cérebro coexistem dois ‘agentes’, o ‘professor’ e o ‘reparador’ ou mecanismo de reparação que correspondem ao sinal de aprendizagem (corrector) e ao ruído, respectivamente. “O ‘reparador’ (ruído) pode mudar a frase «John é casado» para «John é solteiro» e o ‘professor’ (corrector) corrige para, «John não é solteiro»”, exemplificou Uri Ronki.

A tese dos especialistas parte do conceito de redundância, defendendo, por isso, que “as representações neurais estão em constante mutação, mesmo quando se executa uma tarefa familiar.”

Deste modo, os investigadores acreditam que o desempenho da actividade cerebral melhora através de modificações repetidas, ou seja, através da repetição de uma acção o cérebro pode explorar vários caminhos para atingir um único fim.

Uri Ronki reforçou que “mesmo que a representação neural mude, o comportamento mantém-se fixo. Achamos que o reparador, ou seja o ‘ruído’, não é meramente um incómodo para o ‘professor’, mas sim, uma ajuda para que este possa explorar novas possibilidades que não considerou.”

Para Sebastian Seung, professor de Física e Ciência Neurológica Computacional do MIT, “a novidade foi verificar que a representação neural de um movimento parece mudar, mesmo quando o comportamento não muda. O cérebro revela um grau surpreendente de instabilidade na representação do mundo.”


A conclusão dos investigadores norte-americanos teve por base simulações realizadas em macacos, com a ajuda de um modelo matemático de rede cortical redundante que controla o movimento, utilizado para simular experiências de aprendizagem.

“Numa primeira experiência, ensinámos primatas a mover um cursor num ecrã até atingirem um alvo. Numa fase posterior, num ambiente controlado, os macacos tentaram sozinhos atingir esse mesmo alvo”, justificaram os autores do estudo.

Após determinadas simulações, os cientistas do MIT concluíram, então, que “a aprendizagem das ligações entre os neurónios, através deste modelo, pode ser um processo bastante ruidoso.”

Na opinião de Uri Ronki, “os conceitos de rede redundante e ‘aprendizagem ruidosa’ podem ser importantes para o estudo da Neurobiologia.”

De frisar que, a serem transferidos para os humanos, os resultados poderão vir a melhorar o conhecimento neurológico, como por exemplo, na produção de próteses neurais ou outros dispositivos externos.

Raquel Pacheco
Fonte: MIT

Principais medidas no Compromisso com a Saúde do Governo ainda estão por cumprir

Segundo avançou o Diário de Notícias, a maioria das principais medidas previstas no Compromisso com a Saúde do Governo ainda estão por cumprir ou estão à espera de regulamentação.

Do documento negociado pelo secretário de estado adjunto do primeiro-ministro, Filipe Baptista, e o líder da Associação Nacional de Farmácias (ANF), João Cordeiro, a 26 de Maio de 2006, tendo em vista a liberalização da propriedade das farmácias e a melhoria do acesso dos cidadãos aos medicamentos, apenas duas das principais medidas estão em curso. A eliminação da reserva de propriedade da farmácia por farmacêuticos, por exemplo, só esta terça-feira é que recebeu a autorização legislativa por parte da Assembleia da República. O futuro decreto-lei irá alterar o número de farmácias por proprietário de um para quatro; alterar o regime de incompatibilidades, fixar condições de acesso, de venda e cedência de licenças.

Segundo as contas do Ministério da Saúde, apenas cinco medidas do Compromisso estão por concretizar. No entanto, algumas das medidas que o Ministério considera estarem cumpridas, ainda estão dependentes de regulamentação para entrarem efectivamente em vigor.

A medida mais importante que já está no terreno tem a ver com o alargamento do horário das farmácias para 55 horas e o fim das taxas moderadoras em receitas urgentes. Outra das medidas mais importantes do plano prende-se com a generalização da prescrição de medicamentos pela Denominação Comum Internacional (DCI), isto é, pelo princípio activo, e não pela marca do laboratório.

Fonte do Ministério garante que 70% das prescrições nos centros de saúde já são feitas por DCI, mas, segundo o DN, vários farmacêuticos foram contactados e negaram, categoricamente, esta percentagem: "Nem pensar nisso. A maioria das prescrições continuam a ser feitas por marca", dizem.

Outra das medidas importantes, a dispensa de medicamentos por unidose em ambulatório, continua por cumprir. Segundo um porta-voz do Ministério, "Continua em estudo". Em relação à venda de medicamentos distribuídos pelo hospital nas farmácias (casos de terapêuticas dispendiosas como a oncológica), o ministério refere, uma vez mais, que a melhor forma de implementar a medida está em estudo. Também a venda de medicamentos à distância (Internet e entrega ao domicílio), aguarda a sua regulamentação.

Paulo Frutuoso
Fonte: DN

Bradley lança Elestrin para o tratamento dos sintomas da menopausa

A farmacêutica Bradley anunciou hoje o lançamento do medicamento Elestrin (gel de estradiol 0.06%). O Elestrin, aprovado pela agência norte-americana que regula medicamentos (FDA), em Dezembro de 2006, é uma terapia transdermal efectiva com uma dose baixa de estrogénio para o tratamento de sintomas vasomotores moderados a graves (afrontamentos) associados à menopausa.

O Elestrin irá entrar no mercado como uma terapia com uma dose baixa de estrogénio que segue as doses recomendadas (pequenas doses de estrogénio) pela FDA e pelas principais organizações de saúde femininas, tais como a Associação Americana de Obstretas e Ginecologistas (ACOG) e a Sociedade Norte-Americana de Menopausa (NAMS) .

O Elestrin é um gel de rápida absorção composto por uma fórmula bioidêntica de estradiol, o mesmo estrogénio produzido naturalmente pela mulher. O Elestrin foi desenvolvido para ser absorvido pela pele após uma aplicação tópica na zona superior do braço, e administra, de forma regular, estradiol na corrente sanguínea de maneira não irritante e indolor.

As mulheres têm vindo a procurar alternativas, após um estudo, da Iniciativa para a Saúde das Mulheres, em Julho de 2002, ter detalhado potenciais riscos para a saúde associados às terapias de estrogénio. O regime de baixa dose do Elestrin oferece aos médicos uma opção nova e diferente para o tratamento das pacientes que sofrem de sintomas climatéricos da menopausa.

Os resultados dos testes experimentais do Elestrin mostraram uma clara resposta na redução do número e gravidade dos afrontamentos nas doses testadas. A dose mais baixa estudada de Elestrin produz níveis de estradiol muito baixos no sangue e mostra um perfil seguro. Mais de 80 por cento das mulheres que usaram Elestrin apresentaram resultados elevados ou moderados na diminuição dos sintomas da menopausa.

Isabel Marques

Fontes: PRNewswire e www.drugs.com

Sangue do cordão umbilical permite obter células musculares cardíacas

Um grupo de investigadores japoneses conseguiu obter células musculares cardíacas funcionais a partir de células mesenquimais do sangue do cordão umbilical. Estas células estão presentes no sangue do cordão umbilical e poderão dar origem a células musculares, ósseas ou outras.

Os autores do estudo, publicado pela revista Stem Cells, sugerem que a população de células mesenquimais existentes no sangue do cordão umbilical possui potencial cardiomiogénico.

O potencial terapêutico das células de sangue do cordão umbilical em situações de isquémia cardíaca e na regeneração cardíaca após enfarte do miocárdio já foi anteriormente demonstrado em diversos estudos levados a cabo em modelos animais Esta nova investigação vem confirmar os efeitos benéficos do sangue do cordão umbilical enquanto fonte de células para a terapia celular em cardiologia.


Marta Bilro

Fonte: Cienciapt.net, Crioestaminal.

Cientistas criam 'roupa inteligente' que avalia saúde dos pacientes

Segundo a revista especializada Britânica "The Engineer", cientistas europeus estão a desenvolver roupas que, segundo eles, serão capazes de avaliar a saúde de quem está a usar os tecidos. Estes "tecidos inteligentes" contêm sensores embutidos projectados para avaliar fluidos corporais como o sangue e suor.

O objectivo será usar as roupas para fazer exames em grupos como pacientes de hospitais em fase de recuperação, pessoas com doenças crónicas e atletas que apresentem contusões. Um protótipo deste tecido com sensores está quase pronto, sendo o próximo passo o teste do tecido experimental em voluntários.

O programa Biotex, que envolve esta investigação, é custeado em parte pela União Europeia, e está a ser desenvolvido por pesquisadores de oito instituições. Os cientistas esperam que a tecnologia seja igualmente capaz de avaliar os sinais vitais do corpo, analisar o progresso na cura de ferimentos e detectar doenças e infecções ainda no estágio inicial, apontando anormalidades no metabolismo.

O coordenador do projecto, Jean Luprano, da companhia de tecnologia suíça CSEM, destaca que a tecnologia não tem o objectivo de substituir os métodos tradicionais de diagnóstico médico. Mas, segundo o cientista, quando o paciente está longe de uma clínica, estes métodos geralmente não são os mais práticos para a recolha de informações. "Nestes casos, sistemas de avaliação que possam ser usados, mesmo sendo menos precisos, poderão ajudar os médicos a conseguir mais informações, que não teriam se o paciente estivesse fora do hospital", afirmou.

Mark Outhwaite, presidente de um grupo especializado da Sociedade Britânica de Computação, que trabalha com informática e medicina à distância, diz que estes sensores serão úteis aos médicos apenas se fornecerem informação confiável e muito precisa, já que, o que está em causa é a avaliação de informação para importantes decisões médicas.

Paulo Frutuoso
Fontes: BBC, The Enginner

Tratamento da disfunção eréctil beneficia vida conjugal

Um estudo baseado na aplicação de Vardenafil concluiu que a utilização desta substância provoca um impacto positivo na vida sexual de um casal afectado pela disfunção eréctil. Em Portugal o fármaco é comercializado pela Bayer com o nome Levitra.

A investigação, que envolveu 788 casais, foi levada a cabo pelo “New England Research Institutes” em conjunto com outros centros de pesquisa. Os especialistas constataram que a substância devolve a erecção ao homem e aumenta a satisfação sexual não só do paciente mas também da sua parceira, de forma proporcional e significativa. O estudo foi publicado no “British Journal of Urology”.

Durante três meses foram avaliados 788 homens, que sofriam de disfunção eréctil ligeira, e as suas parceiras, tendo sido divididos em dois grupos. O primeiro foi tratado com Vardenafil e o segundo com um placebo. Os resultados foram avaliados com base no “Treatment Satisfaction Scale”, um questionário internacional que avalia o grau de satisfação do paciente ao tratamento a que foi submetido, e revelaram que a qualidade da vida sexual do casal sofreu melhorias.

Um dos aspectos analisados pretendeu avaliar a percepção do homem em relação à facilidade de manter a erecção. A administração de Vardenafil deu origem a um aumento de 32.9 pontos para 60.9, face a um amento de 31.6 para 37.5 no grupo de pacientes a quem foi administrado o placebo. A mesma situação, analisada do ponto de vista das parceiras deu conta de um aumento de 31.1 para 58.9 pontos. De acordo com os especialistas, os benefícios no tratamento são comprovados pelo facto de os níveis de percepção da mulher estarem muito próximos dos do homem.

No que diz respeito ao prazer sentido durante actividade sexual, nos homens foi registado um aumento de 41.2 para 64.6 pontos, face a um aumento de 37.3 para 41.6 nos pacientes que receberam o placebo. No caso das mulheres, o número subiu de 42.7 para 62.0, relativamente a uma diminuição de 40.7 para 38.3 no grupo administrado com um placebo.

Para Charles Rosenblatt, urologista do Hospital Albert Einstein, no Brasil, estes resultados comprovam “que o tratamento da disfunção eréctil com Levitra não é importante apenas para o homem, que recupera a saúde física para o acto sexual mas também para o casal”, acrescenta, já que “a mulher também sofre com o impacto da disfunção eréctil, e manter o prazer da actividade sexual é garantir qualidade de vida ao relacionamento conjugal”.

Relativamente à satisfação com a função eréctil, os homens tratados com Vardenafil reportaram um aumento de 72 por cento. No caso das mulheres, cerca de 57 por cento relataram melhorias na função eréctil do parceiro. A mesma pesquisa concluiu que entre os homens que atingiram o orgasmo, 51 por cento sentiu uma maior satisfação, o mesmo aconteceu com 37 por cento das mulheres. O aumento da confiança para completar o acto sexual foi outro dos factores que registou benefícios com o tratamento com Vardenafil.

De acordo com a explicação do Portal do Cidadão com Deficiência, a disfunção eréctil consiste na incapacidade total ou parcial em atingir ou manter uma erecção. Como consequência existe uma impossibilidade do acto sexual vaginal, introdução do pénis dentro da vagina (ou do intercurso anal), pois é necessária uma erecção no mínimo moderada para tal. Esta disfunção pode igualmente estar acompanhada ou surgir como perda da erecção antes da ejaculação. A disfunção eréctil pode não conduzir à perda de excitação e prazer psicológico.

Os dados da Decision Resources, divulgados pelo portal Vive Bem, referem que há cerca de 150 milhões de homens em todo o mundo que são afectados pela disfunção eréctil. Em Portugal, o número ascende aos 500 mil, revela a Sociedade Portuguesa de Andrologia.

O “Massachusetts Male Aging Study” indica que mais de 50 por cento dos homens na faixa etária entre os 40 e os 70 anos têm probabilidade de sofrer desta patologia.

Marta Bilro

Fonte: Viver Bem, SEGS, Portal do Cidadão com Deficiência.

Debates sobre desafios do sector das toxicodependências no Centro Cultutal de Belém

A Dianova Internacional reúne no Centro Cultural de Belém (CCB) em Lisboa, dia 21 de Junho, especialistas nacionais e internacionais para debater os principais desafios que se colocam ao sector das toxicodependências.

Os participantes na conferência internacional sob o tema «Rede, Cooperação e Inovação no Terceiro Secto», especialistas das áreas da Sociologia, da Justiça, e da Política Nacional e Internacional, irão analisar e debater o sector das toxicodependências e a importância que as redes colaborativas desempenham no incremento da eficiência e da eficácia das intervenções junto desta problemática.

A importância das redes, da qual fazem parte agentes que baseiam muita da sua actuação nos princípios da associação e da cooperação, é vital para as ONG (Organizações Não Governamentais) cujas origens e operações estão alinhadas com as dimensões chave do capital social: redes, relações e confiança e visão partilhada e normas.

Organizações do tipo da Dianova lidam com numerosas redes internas e externas – desde os colaboradores, utentes e famílias, comunidades locais, às redes de assistência social, reguladores e comunidades financeira e empresarial – através das quais desenvolvem relações e edificam a confiança que irão beneficiar em última instância os próprios Utentes da Dianova e permitir a este tipo de organizações poderem eficazmente prosseguir a sua missão.

O evento irá terminar com a assinatura do Convénio Internacional Dianova, tendo em vista o reforço da cooperação entre os membros da rede.

Nuno Oliveira Jorge

Fonte: Ministério da Saúde

Recolha voluntária de solução de limpeza de lentes de contacto

Em comunicado da Advanced Medical Optics Portugal, à Infarmed que a realização da recolha imediata do mercado nacional do produto Complete MoisturePlus (líquido multifunções para limpeza e manutenção de lentes de contacto).

A empresa Advanced Medical Optics Portugal, comunicou na presente data ao INFARMED a realização da recolha imediata do mercado nacional do produto Complete MoisturePlus (líquido multifunções para limpeza e manutenção de lentes de contacto), recomendando a devolução do referido produto ao local onde foi adquirido e a troca por outra solução de manutenção de lentes de contacto.

Eis o comunicado:

Esta acção preconizada pelo fabricante é uma medida de precaução na sequência da notificação de casos raros de infecções oculares graves (queratites causadas por parasitas do género Acanthamoeba) investigados pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC). O INFARMED não recebeu, até à data, qualquer notificação de incidentes relacionados com este dispositivo.

«Advertem-se os utilizadores de lentes de contacto para a importância das boas práticas de higiene e manutenção na utilização destes dispositivos tendo em vista a prevenção de infecções:• Remover as lentes de contacto antes de iniciar qualquer actividade que envolva o contacto com água, incluindo duche, banho de imersão e natação;•
Ler com atenção as instruções de uso, limpeza e substituição recomendadas pelo fabricante das lentes e dos produtos de limpeza;•
Lavar as mãos antes de manusear as lentes de contacto;•
Utilizar produtos esterilizados adequados para a limpeza e desinfecção das suas lentes de contacto;•
Não reutilizar produtos de manutenção de lentes de contacto. Só desta forma poderá assegurar uma limpeza e desinfecção adequadas.Caso algum utilizador apresente sintomas oculares como vermelhidão, dor, lacrimejar, aumento da sensibilidade à luz e visão distorcida aconselha-se a remoção imediata das lentes de contacto e, no caso da persistência dos sintomas, a consulta do seu médico assistente».

Qualquer situação grave e/ou inesperada relacionada com dispositivos médicos deve ser notificado ao INFARMED para os seguintes contactos:Departamento de Vigilância de Produtos de Saúde do INFARMEDParque de Saúde de Lisboa, Av. do Brasil, 53, Pav. 17A, 1749-004 LISBOATel: +351 21 798 71 45 Fax: +351 21 798 7367 E-mail: dvps@infarmed.pt Mais informações, modelos para notificação de incidentes e legislação sobre dispostivos médicos estão disponíveis em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MONITORIZACAO_DO_MERCADO/VIGILANCIA_DE_DISPOSITIVOS_MEDICOS

Nuno Oliveira Jorge

Fonte: INFARMED