terça-feira, 31 de julho de 2007

Zambon cresce 23% no 1º semestre

Lucro do laboratório europeu está acima do mercado farmacêutico no Brasil

Enquanto o mercado farmacêutico brasileiro cresceu cerca de 10% no 1º semestre de 2007, a Zambon - farmacêutica com sede em Itália - viu a sua actuação aumentar em 23% no mercado nacional (Brasil) em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o presidente daquele laboratório, Waldir Eschberger Jr., "diversos factores contribuíram para o resultado, entre eles, o lançamento de Fluimare, medicamento indicado para alívio da congestão nasal, a aquisição de Novaderm, adquirido do Farmasa, e também o crescimento das vendas dos produtos Monuril e Spidufen."

O representante da Zambon esclareceu que, “todas estas acções fazem parte da campanha Desafio Tutti 30 - instituída desde o segundo semestre de 2005 - que envolve todos os setores da empresa e tem como obcjetivo duplicar o lucro de 2005 e atingir a 30.ª posição no mercado farmacêutico, até o final de 2008”, frisando que, “quando o Tutti 30 começou, o Zambon estava na 45ª posição. Hoje, o laboratório já ocupa o 40º lugar.”

Zambon

O Grupo Zambon é uma empresa farmacêutica internacional de origem europeia com sede em Itália. A empresa tem presença nos principais mercados da Europa, Ásia e América, onde emprega mais de 2.400 pessoas, dos quais 230 se dedicam à investigação, aspecto ao qual a Zambon dedica 10% da sua facturação. Em Portugal, conta com 31 colaboradores.
Há 49 anos no Brasil, os laboratórios Zambon foram responsáveis por introduzir no país (Brasil) fármacos de sucesso, como Spidufen, Monuril e Fluimucil. As três principais áreas de actuação da farmacêutica são a respiratória, saúde feminina e dor, esta última englobando as especialidades de reumatologia e hepatologia.

O Zambon Group, que acaba de completar 100 anos, está presente em 16 países e é a maior indústria farmacêutica italiana no Brasil. A sede em São Paulo tem capacidade para produzir 13 milhões de unidades/ano. O lucro global do laboratório, em 2006, foi de 500 milhões de euros.

Raquel Pacheco

Fonte: Guia da Farmácia/Zambon.pt

Doença Incapacitante: Apoio psicológico no diagnóstico

Investigadores portugueses alcançam redução da ansiedade e depressão durante testes pré-sintomáticos

O acompanhamento psicológico de doentes sujeitos a testes pré-sintomáticos para descobrir se sofrem de Ataxia Espinocerebelar tipo II (uma doença neurodegenerativa incapacitante) diminui a ansiedade e depressão associadas à realização destes testes, sugere um estudo científico que envolve investigadores portugueses.

Este trabalho foi publicado no «Journal of Genetic Counseling» e foi desenvolvido, em Cuba, por cientistas do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), do Porto, em parceria com investigadores de Holguín (província cubana).

A Ataxia Espinocerebelar tipo II (SAC2) é uma doença hereditária e incapacitante que se manifesta de forma gradual, causando limitações como descoordenação motora, dificuldade na articulação das palavras, imprecisão nos movimentos e desorientação espacial.

De acordo com o estudo, para esta doença não existe tratamento, “apenas a possibilidade de ser diagnosticada ainda antes de aparecerem os primeiros sintomas, através de testes genéticos pré-sintomáticos, que começaram a ser feitos, há cinco anos, em Cuba”.

No entanto, os investigadores analisaram o impacto psicológico dos resultados dos testes em 150 pessoas com 50% de risco de vir a desenvolver a SAC2. Segundo revela o Journal of Genetic Counseling», para este trabalho “foram utilizados instrumentos psicológicos e avaliados os níveis de ansiedade, depressão e dinâmica familiar antes da realização dos testes e um ano depois de conhecidos os resultados.”

“Com acompanhamento, ao fim de um ano, os níveis de ansiedade e de depressão tinham diminuído tanto nos portadores como nos não portadores, embora a redução da ansiedade tenha sido mais significativa precisamente nos pacientes que apresentavam a doença e em pessoas com famílias disfuncionais”, concluiu a equipa de investigadores portugueses e cubanos.

Raquel Pacheco

Fontes: «Journal of Genetic Counseling»/Público

Novo passo rumo ao fim dos testes em animais

Teste "in vitro" informa se substância química produz irritações cutâneas

Uma etapa significativa na eliminação dos testes em animais foi alcançada por investigadores franceses graças a um teste “in vitro” capaz de informar se uma substância química produz ou não irritações cutâneas.

Este teste acaba de ser homologado pelo Centro Europeu para a Validação dos Métodos Alternativos (ECVAM), tendo sido aperfeiçoado pelo centro de bio-engenharia Episkin de L’Oréal, sedeado em Lyon, França.

De acordo com o ECVAM, o teste foi realizado em amostras de pele humana reconstruída em colagénio e permite “substituir completamente os testes” em animais.

Esta inovação é resultado de mais de vinte anos de pesquisas sobre a reconstrução da pele humana. Segundo as estimativas, cerca de vinte mil animais, na sua maioria coelhos, são utilizados anualmente na Europa para testar a toxicidade das substâncias químicas.

Raquel Pacheco

Fonte: Agência Lusa
Multinacional acusada da morte de 11 crianças
Tribunal nigeriano adia julgamento da Pfizer


O tribunal encarregado de julgar o processo interposto pelas autoridades da Nigéria contra a multinacional farmacêutica Pfizer, acusada de ter realizado testes não autorizados de um medicamento experimental em 200 crianças nigerianas, das quais 11 morreram e outras sofreram sequelas irreversíveis, adiou o julgamento para Outubro. Os advogados do governo pediram tempo para analisar a defesa da Pfizer, que põe em causa a jurisdição do tribunal, visto não ser uma empresa nigeriana.

Tal como o farmacia.com.pt tem vindo a noticiar, sobre a firma farmacêutica pende a grave acusação de ter afectado cerca de duas centenas de crianças da região nigeriana de Kano, às quais foi administrado o Trovan Floxacin, em fase experimental e anterior à sua homologação, durante uma epidemia de meningite. As autoridades locais e os pais das crianças – 11 morreram, mas dezenas de outras sofreram severas complicações graves e permanentes, como surdez, paralisia, transtornos da fala, lesões cerebrais e cegueira – exigem uma avultada indemnização. Os advogados do governo pediram ao tribunal algum tempo para analisar os argumentos da defesa, que questiona a legitimidade do sistema de justiça nigeriano para julgar uma empresa que não tem sede no país. Contudo, em 2005 também um tribunal federal norte-americano se recusou a julgar o caso, considerando que essa deveria ser uma competência dos tribunais da Nigéria.
O caso remonta a 1996. A acusação alega que, em Abril daquele ano, altura em que grassava no país uma epidemia de meningite bacteriana, sarampo e cólera que assombrou particularmente a região de Kano, a Pfizer terá “engendrado um esquema” para “deformar e esconder as suas principais intenções”, e usando como pretexto o desejo de ajudar no apoio às vítimas, testar os efeitos do fármaco. No documento apresentado a tribunal lê-se que a empresa farmacêutica “nunca revelou que tinha intenção de realizar experiências com as vítimas vulneráveis ou qualquer teste clínico sem a aprovação das agências reguladoras da Nigéria”, afirmando sempre que “pretendia fornecer ajuda humanitária”.
A Pfizer, por seu turno, rejeitou sempre, e liminarmente, qualquer alegação de erros éticos, recusando responsabilidades desde que o escândalo estourou, em 2000, e assegurando, pelo contrário, que a administração da “trovafloxacina permitiu salvar vidas”. O laboratório garante que, “naquela altura, a trovafloxacina estava na última fase de desenvolvimento clínico” e “tinha já sido avaliada em cinco mil pacientes”, e assegura que os jovens pacientes concordaram com a realização dos testes, que foram explicados aos pais em inglês e haussá, línguas faladas na região. Uma afirmação desmentida por Hassan Sani, pai de uma menina que foi submetida aos testes, que asseverou “nunca ter suspeitado de que as crianças estavam a ser usadas numa experiência”.

Carla Teixeira
Fonte: Euronews, BBC News, Jornal de Angola, Último Segundo

Variação acentuada de peso da mãe pode colocar bebé em risco

Médicos defendem peso saudável, antes, durante e após gravidez

Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ) sugere que as mulheres que engordam ou emagrecem muito entre uma gravidez e outra podem colocar a vida dos bebés em risco.

Segundo um artigo de dois médicos irlandeses publicado naquele jornal britânico, “ao perder muito peso num curto espaço de tempo - como muitas mães fazem actualmente logo depois de dar à luz -, estarão a prejudicar a saúde do seu próximo bebé.” No entanto, os especialistas advertem, também, que um ganho acentuado de peso, logo depois de ter um filho, também é nocivo para o desenvolvimento de um outro feto.

De acordo com o artigo do BMJ, “partos com o bebé morto, nascimentos prematuros, abortos espontâneos e pressão alta estão entre os possíveis efeitos de uma variação exagerada no corpo da mãe.”

Jennifer Walsh, da divisão de um hospital especializado na saúde da mulher em Dublin, na Irlanda, e Deirdre Murphy, professor de obstetrícia da Universidade de Dublin são os mentores do artigo. Ambos defendem que “as mulheres têm de tentar manter um peso saudável antes, durante e depois da gestação para dar às suas crianças um começo de vida com saúde.”

Os médicos alertaram para o facto de as mulheres (em idade reprodutiva) serem “bombardeadas com mensagens sobre dietas, peso e imagem corporal", sublinhando que “a gravidez é um dos períodos mais exigentes da vida de uma mulher do ponto de vista nutricional e que a oferta adequada de nutrientes é essencial para sustentar o bem-estar e o crescimento do feto.”

Dois estudos
Para sustentar a tese, os especialistas irlandeses citaram dois estudos: o primeiro, feito na Suécia, consistiu em acompanhar mais de 200 mil mulheres, entre 1992 e 2001, a fim de avaliar os impactos de mudanças no índice de massa corpórea (BMI, na sigla em inglês) na saúde da mãe e do bebé. As mulheres que participaram do estudo foram acompanhadas do início da primeira gestação ao início da segunda.

A conclusão foi que o aumento de apenas uma ou duas unidades no BMI acarreta "taxas significativamente maiores" de pre-eclampsia, condição ligada à pressão alta durante a gravidez; aumento nos índices de diabetes entre as mães e maior risco de um bebé nascer com um peso acima do recomendável. Uma pessoa com BMI superior a 25 é considerada "acima do peso"; quem tem mais de 30 já é considerado "obeso".

Um outro estudo, publicado no American Journal of Obstetrics and Gynaecology (Revista Americana de Obstetrícia e Ginecologia), concluiu que mulheres que emagreciam muito entre um filho e outro tinham mais hipóteses de dar à luz prematuramente do que mulheres que aumentaram ou mantiveram seu peso.
A principal mensagem que querem passar, disseram os médicos, é que mulheres de peso médio devem evitar ganhar peso entre uma gravidez e outra.

Raquel Pacheco
Fonte: BMJ

Aprovada comercialização de fármaco inovador para anemia renal

Mircera da Roche permite tratamento com simples dose mensal

A Comissão Europeia aprovou o uso do Mircera (betaepoetina-metoxipolietilenoglicol) medicamento inovador no tratamento da anemia associada à doença renal crónica (DRC), confirmou, ontem, a farmacêutica Roche.

A aprovação do Mircera (betaepoetina-metoxipolietilenoglicol) resulta na autorização de comercialização do medicamento, que será válida em todos os 27 países membros da União Europeia (UE). O parecer favorável foi emitido, em Maio, pelo Comité de Produtos Medicinais para Uso Humano (CHMP), que recomendava a autorização de venda do produto, pelo que, a Comissão Europeia confirmou agora a decisão.

De acordo com o comunicado da Roche, o Mircera é um "activador contínuo do receptor da eritropoietina" (hormona responsável por estimular a produção de glóbulos vermelhos do sangue) e usada no tratamento de insuficiência renal crónica.

“Este fármaco é o primeiro de uma nova classe de agentes quimicamente sintetizados e de acção prolongada que melhor se aproxima dos processos fisiológicos do organismo e representa um avanço no cuidado da anemia renal, promovendo um esquema único de dosagem mensal”, destaca o laboratório suíço no comunicado.

Indicado para pacientes em pré-diálise e diálise, a fórmula estrutural do Mircera (betaepoetina-metoxipolietilenoglicol) “mantém uma menor aderência aos receptores da eritropoietina, o que permite uma degradação mais lenta e contínua do hormona, traduzindo-se, deste modo, numa significativa redução do número de aplicações no tratamento da anemia relacionada à doença renal crónica”, esclareceu a Roche, concretizando que este fármaco “substitui uma quantidade de injecções que pode chegar a 144 aplicações ao ano nos tratamentos actualmente disponíveis por apenas 12 aplicações anuais (uma vez ao mês).”

A aprovação de foi baseada em resultados de segurança e eficácia do maior programa clínico já realizado para um medicamento voltado ao tratamento da DRC. O programa foi composto por 10 estudos globais que envolveram 2.737 pacientes em 29 países. A base de dados incluiu 1.789 indivíduos tratados com Mircera e 948 com algum outro agente estimulador da eritropoiesi.

Reacções adversas: 6%

O grupo Roche estima que apenas cerca de 6% dos doentes que venham a utilizar este novo medicamento apresentem reacções adversas, sendo a hipertensão a mais apontada.

A farmacêutica sedeada na Suiça destacou ainda que o Mircera “é o primeiro agente estimulador da produção de glóbulos vermelhos aprovado na UE a oferecer um conveniente esquema de dosagem para corrigir a anemia em doentes que não receberam tratamento prévio. O medicamento é também o pioneiro na conversão directa de todos os pacientes tratados anteriormente com algum outro agente a um esquema de dose mensal única.”

DRC atinge 500 milhões

Mais de 500 milhões de pessoas, ou aproximadamente 1 em cada 10 da população em geral, apresentam um certo grau de DRC. Os doentes sofrem uma progressiva deterioração da função renal, geralmente durante um período de vários anos, até que seja necessária uma terapia para a substituição de rim. Os rins apresentam falência e não conseguem secretar eritropoietina, uma proteína produzida pelos rins e que estimula a produção de glóbulos vermelhos na medula óssea.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), em Portugal, “são cerca de 800 mil as pessoas que sofrem desta doença e o País regista, anualmente, 2200 novos casos de insuficiência crónica terminal, fase em que a doença conduz à falência do órgão, existindo actualmente 14 mil doentes dependentes de diálise ou de transplante renal.” Para a SPN, a DRC “constitui um grave problema de saúde pública”, frisando que “a actual epidemia de diabetes e a obesidade poderão contribuir para números mais elevados no futuro.”

Raquel Pacheco
Fonte: Roche/SPN

Terapêutica biológica reduz efeitos da esclerose múltipla
Natalizumab já disponível em Portugal

Encontra-se disponível no mercado farmacêutico português desde o dia 1 de Junho o Tysabri (natalizumab), produzido e comercializado pelas empresas Biogen Idec e Elan Pharmaceuticals. É o único medicamento biológico indicado para o tratamento de doentes com esclerose múltipla muito activa em monoterapia, e não está isento de polémica – foi retirado do mercado em 2005, cerca de um ano depois de ter sido introduzido, em virtude do surgimento de três episódios fatais de leucoencefalopatia multifocal progressiva em doentes tratados com o fármaco.

Um ano depois do regresso ao mercado nos Estados Unidos, e da reintrodução em alguns países europeus, a reunião de lançamento em Portugal está agendada para o dia 29 de Setembro. Neste momento, no entanto, a Biogen Inc. estima que cerca de 14 mil pessoas em todo o mundo estejam já a ser tratadas com o natalizumab, entre as quais os participantes de novos ensaios clínicos. Mais de metade daqueles doentes (8600) vive nos Estados Unidos, onde 1800 médicos já prescreveram o medicamento, enquanto na União Europeia serão mais de 5300 os novos utentes do Tysabri. Howard Rossman, director clínico do Centro de Esclerose Múltipla do Instituto para Desordens Neurológicas em Farmington Hills, no estado do Michigan, declarou que “passado um ano (da retirada do mercado), vejo os meus doentes a beneficiar significativamente com o Tysabri. Como se esperava, de acordo com os resultados dos ensaios clínicos, o medicamento tem tido impacto positivo na vida das pessoas com esclerose múltipla, já que a sua eficácia consistente lhes dá uma nova esperança na gestão da doença”.
A esclerose múltipla é uma doença crónica do sistema nervoso central. Afecta mais de um milhão de pessoas em todo o mundo e cerca de cinco mil portugueses. Tem maior prevalência no sexo feminino, com o primeiro surto a ocorrer, em regra, entre os 20 e os 40 anos. Os sintomas clínicos podem incluir problemas de visão, perda de equilíbrio, dormência, dificuldades na locomoção e mesmo paralisia. O Tysabri está aprovado em regime de monoterapia nos Estados Unidos e na União Europeia para o tratamento da esclerose múltipla recidivante remitente muito activa. À luz de dados publicados no «New England Journal of Medicine», o natalizumab neutraliza o risco relativo de progressão da incapacidade entre 42 a 54 por cento, e apresenta também uma redução relativa da taxa anualizada de surtos de 68 por cento quando comparado com um placebo.

A «novela» do natalizumab...
Introduzido no mercado farmacêutico mundial em 2004, não demorou muito até que o natalizumab revelasse problemas. De facto, volvido cerca de um ano do início da sua utilização, o surgimento de três casos mortais de leucoencefalopatia multifocal progressiva em doentes de Crohn e esclerose múltipla que estavam a ser tratados com o fármaco deram o mote para a sua retirada do mercado norte-americano, em Fevereiro de 2005. As mortes ocorreram em pacientes que se tinham submetido a estudos experimentais do medicamento, sendo que dois deles acumulavam a toma do Tysabri com o Avonex.
Numa reacção aos nefastos acontecimentos, o comité consultivo da Food and Drug Administration promoveu uma reunião de trabalho, que teve como objectivo fazer a avaliação da possibilidade de o natalizumab voltar a ser introzido no mercado com garantias de segurança para os seus utilizadores. Os especialistas reviram toda a literatura disponível sobre o assunto, os efeitos secundários e eficácia do fármaco, analisaram a proposta de gestão do risco desenvolvida e apresentada pelas duas companhias farmacêuticas fabricantes do Tysabri, ouviram testemunhos de grupos de doentes e cidadãos interessados, e chegou a anunciar a data de reintrodução no mercado – 15 de Março de 2006 –, que no entanto não chegou a concretizar-se, tendo a FDA aprazado para Junho uma resposta.
Em Outubro do mesmo ano uma segunda avaliação aferiu a não existência de mais casos confirmados de leucoencefalopatia multifocal progressiva além dos três que inicialmente tinham sido reportados, e submeteu à FDA uma licença de aplicação biológica suplementar. Entretanto, bem antes disso, em Maio, a Comissão de Medicamentos para Uso Humano da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) emitiu uma recomendação positiva, autorizando a reintrodução do natalizumab no mercado como terapia única em pacientes com exacerbações muito activas, e que não responderam ao tratamento com um beta-interferon, bem como em doentes que evoluíram rapidamente para exacerbações graves. É no seguimento dessa recomendação da EMEA que o Tysabri regressou no passado dia 1 de Junho às farmácias portuguesas.

Carla Teixeira
Fontes: E-mail do farmacia.press, FDA, MS International Federation, Médicos na Internet, Esclerosemultipla.wordpress.com, Associação Nacional de Esclerose Múltipla
Novo tratamento para pacientes com cancro da próstata, hormono-resistentes

AstraZeneca inicia Fase III do estudo do ZD4054

A AstraZeneca vai iniciar a Fase III do desenvolvimento do novo agente oral ZD4054 em homens com cancro da próstata, hormono-resistentes, uma doença que afecta, somente nos Estados Unidos, cerca de 60.000 novos pacientes por ano. O programa de ensaios de Fase III começará antes do fim de 2007.

O programa clínico de Fase III do ZD4054, um antagonista selectivo dos receptores da endotelina A (ETA), investigará o papel deste agente como monoterapia em pacientes com cancro da próstata, metastizado e não metastizado, hormono-resistentes. O programa de desenvolvimento também averiguará o ZD4054 em combinação com docetaxel (Taxotere) em pacientes com cancro da próstata metastizado, hormono-resistentes.

O ZD4054 actua ao bloquear de forma específica o receptor ETA, que pode levar à inibição de múltiplos processos do cancro, como a proliferação das células tumorais, a sobrevivência da célula tumoral, a angiogénese do tumor e a patofisiologia das metástases ósseas. O ZD4054 leva a cabo esta acção sem bloquear o receptor ETB, que pode proporcionar efeitos biológicos benéficos em termos de estimular a apoptose, a morte de células doentes.

A decisão da companhia de iniciar a Fase III baseia-se nos dados de sobrevivência promissores de um estudo aleatório de Fase II com o ZD4054. Os dados do estudo “Endotelina, uma prova de conceito” (EPOC, sigla em inglês) serão apresentados no 14º Congresso de Oncologia Clínica(ECCO 14), que decorrerá entre os dias 23 e 27 de Setembro, em Barcelona.

O pilar base do tratamento do cancro da próstata, um cancro causado pelas hormonas naturais masculinas, é o tratamento hormonal, sublinhou o director executivo de desenvolvimento da AstraZeneca, John Patterson. Ainda que esta terapia proporcione um grande benefício para muitos homens, a maioria dos pacientes tornar-se-á resistente aos tratamentos hormonais. Para estes homens actualmente existem poucas opções além da quimioterapia e o prognóstico é mau. O ZD4054 oferece assim uma nova possibilidade de tratamento, acrescentou ainda Patterson.

Isabel Marques

Fontes: PMFarma

Principais utentes da Linha Saúde 24 são mulheres com filhos pequenos

A Linha Saúde 24 (S24), um serviço telefónico do Ministério da Saúde, em funcionamento desde Abril e que serve para aconselhar o público em caso de acidente ou de doença súbita, já recebeu quase 100 mil contactos telefónicos, maioritariamente efectuados por mulheres, 74 por cento das quais, mães de filhos pequenos, segundo dados estatísticos recolhidos entre dia 1 de Maio a 25 de Julho, revelados por este serviço.

De facto, entre os principais sintomas mencionados nas chamadas para esta linha surgem o vómito e a febre, a dor abdominal e a diarreia, registados em crianças dos zero aos quatro anos, enquanto que os sintomas descritos em adultos prendem-se maioritariamente com cefaleias (enxaquecas) ou lesões na cabeça, congestão nasal e problemas de garganta.

Até dia 25 deste mês, 89 por cento dos telefonemas foram motivados por dúvidas ou pedidos de ajuda e de aconselhamento ao nível do foro clínico, dos quais a esmagadora maioria consistiu na triagem, aconselhamento e encaminhamento dos casos para o serviço adequado aos sintomas relatados.

A gravidade dos casos distribui-se de forma variada, os mais graves são encaminhados para os serviços de urgência hospitalar, enquanto que em casos de gravidade ligeira o paciente é aconselhado ao "auto-cuidado", medicando-se ou tratando-se a si próprio em casa, sem ser necessária a intervenção de um profissional de saúde.

Em 17 por cento dos pedidos de ajuda recebidos pela S24 foi aconselhado ao utente que se dirigisse à urgência de uma unidade hospitalar, encarregando-se o serviço da referenciação dos casos, de acordo com a informação clínica relevante que o utente fornece aos técnicos em funções na Linha, facilitando assim a elaboração do diagnóstico.

A grande maioria das chamadas foram feitas por utentes residentes na região de Lisboa e Vale do Tejo, essencialmente mulheres, que em todos os escalões etários registaram uma maior utilização do serviço do que os homens, excepto entre os adolescentes, o que evidência que são geralmente elas a cuidar da saúde do familiares.

Inês de Matos

Fonte: Jornal de Noticias

Fumar um charro faz tanto mal como fumar 2,5 a 5 cigarros de uma vez

Estudo neozelandês compara efeitos da 'cannabis' aos do tabaco

Um novo estudo sobre saúde respiratória, realizado na Nova Zelândia e publicado pela revista Thorax, revelou que o acto de fumar um único charro de 'cannabis' provoca efeitos tão nefastos nos pulmões como o consumo de 2,5 a cinco cigarros de uma só vez.

De forma a comparar os efeitos da 'cannabis' com os do tabaco, os investigadores do Instituto de Investigação Médica da Nova Zelândia-Wellington observaram 330 adultos, divididos em quatro grupos: os que fumavam unicamente 'cannabis', os que fumavam só tabaco, os que fumavam ambos e os que não fumavam. Todos os participantes foram submetidos a testes respiratórios e a exames de tomodensitometria aos pulmões, um tipo de scanner de raios x assistido por computador.

"A principal descoberta é que um charro de 'cannabis' é semelhante a 2,5 a 5 cigarros em termos de obstrução respiratória", sublinham os investigadores, explicando que a equivalência é coerente com os níveis de carboxihemoglobina (monóxido de carbono presente na hemoglobina) e de alcatrão, que são três a cinco vezes mais elevados num charro do que num cigarro.

A duração do consumo é também determinante para os danos causados nos pulmões, pois quanto mais longo for o consumo, maior é a probabilidade de os fumadores de 'cannabis' virem a sofrer de pieira, tosse, dificuldades respiratórias e expectoração, para além do mau funcionamento dos brônquios, com obstrução respiratória, associado ao consumo desta substância e que exige um maior esforço aos pulmões.

Por outro lado, o estudo mostrou também que o enfisema, uma doença dos pulmões que pode evoluir para uma insuficiência respiratória crónica, atinge quase exclusivamente os fumadores de tabaco e de tabaco em associação com a 'cannabis'.

Os efeitos do consumo de 'cannabis' estão ligados à maneira como se fuma, filtrado e a temperaturas mais elevadas, com inalações de fumo mais profundas, de forma a retê-lo durante mais tempo, causando graves lesões nos pulmões.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Fármaco experimental anti-inflamatório apresenta resultados promissores

Um novo fármaco anti-inflamatório experimental tem produzido resultados promissores em estudos científicos em animais, como terapia de controlo da artrite. Este novo fármaco é um composto registado desenvolvido pela Novogen Limited a partir da sua plataforma de tecnologia fenólica.

O fármaco faz parte da família de novas terapêuticas anti-inflamatórias descobertas pela Novogen, conhecida como moléculas de flavonóides anti-inflamatórias (FAIM, sigla em inglês). Um dos principais investigadores, o professor Michael James, disse que o conceito FAIM envolve uma nova abordagem ao tratamento da artrite e outras doenças inflamatórias. O professor acrescentou ainda que os resultados são encorajadores e sugerem que o conceito FAIM é válido e pode levar a uma nova classe de fármacos anti-inflamatórios que se espera que não tenham os problemas de segurança dos actuais agentes anti-inflamatórios.

O efeito do novo fármaco foi examinado utilizando um modelo bem estabelecido de artrite em ratos, que mimetiza as inflamações das articulações encontradas na artrite humana. Foi determinada uma “pontuação” das articulações baseada no grau de inchaço e vermelhidão, assim como no número de articulações envolvidas. No estudo da Novogen, a anotação da pontuação foi feita por um operador que desconhecia o tipo de tratamento que os ratos recebiam. Um grupo de oito ratos que recebeu o fármaco na comida demonstrou uma pontuação mais baixa, em comparação com a de outro grupo de oito ratos que não recebeu tratamento.

As FAIM englobam uma família de terapêuticas que apresentam um novo método de tratar a inflamação. Estes compostos possuem uma actividade anti-inflamatória robusta in vitro e, como demonstrado agora, também in vivo, e são delineados para evitar efeitos secundários do tipo cardiovascular, gastrointestinal e renal, podendo ainda ser cardioprotectores.

Actualmente, a inflamação e a dor são habitualmente tratadas com fármacos não-esteróides e anti-inflamatórios (NSAID, sigla em inglês). Contudo, estes estão associados a efeitos secundários indesejados, incluindo hemorragias gastrointestinais e úlceras, assim como danos nos rins. Recentemente, também tem sido realçado que estes agentes, particularmente os inibidores selectivos de COX-2, estão associados a um aumento de ataques cardíacos e outros eventos cardiovasculares adversos. Todos estes problemas ocorrem porque todos os NSAID actuam na inibição da enzima COX.

O mecanismo de acção para o efeito anti-inflamatório destas FAIM foi agora estabelecido através do programa de investigação da Novogen e tem sido conseguido através de outros mecanismos que não a inibição da COX, segundo a Dra. Catherine Walker, líder do programa de investigação de fármacos anti-inflamatórios e cardiovasculares. A Dra. Walker acrescentou ainda que isto significa que estes fármacos não devem ter os efeitos secundários dos NSAID nem dos inibidores selectivos da COX-2.

Ainda segundo a Dra. Walker, este resultado vem reforçar a ideia de que o conceito FAIM deve ser continuado em estudos clínicos humanos. A intenção da Novogen é determinar se serão efectivas no tratamento da artrite, dores nas costas e outras doenças inflamatórias.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive

Caliper desenvolve sistema personalizado de transfecção para a Boehringer Ingelheim

A Caliper Life Sciences, Inc., líder estabelecido no campo da robótica, está a trabalhar com a indústria farmacêutica para desenvolver sistemas robóticos personalizados de transfecção para a expressão de proteínas. A Caliper criou recentemente uma solução única para a Boehringer Ingelheim que automatiza aspectos da expressão do baculovírus.

Para desenvolver o sistema para a Boehringer Ingelheim, o Grupo de Sistemas Integrados da Caliper trabalhou directamente com investigadores para perceber as necessidades específicas da companhia para cada etapa do processo de expressão do baculovírus. A Caliper utilizou depois a sua especialidade no campo da automação e robótica de laboratórios para integrar o manipulador de líquidos Sciclone, juntamente com tecnologia de outros fornecedores, para criar um sistema de laboratório Staccato que seja de confiança, efectivo e individualizado.

A capacidade de desenvolver sistemas integrados altamente fiáveis ilustra a entrega da Caliper à automação e robótica de laboratórios, e ao fornecimento à indústria farmacêutica de ferramentas de pesquisa inovadoras que vão de encontro a necessidades únicas, afirmou Kevin Keras, gestor da unidade de negócio, de Sistemas Integrados, da Caliper Life Sciences. A Caliper está dedicada a melhorar o fluxo de trabalho para a descoberta e desenvolvimento de fármacos, e percebe um valor enorme na parceria com fornecedores líderes de sistemas para criar soluções que incorporam um leque abrangente de capacidades.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive

Rastreio capilar assinala os primeiros 100 transplantes

A clínica CM2C, especialista em tratamentos capilares, vai promover rastreios gratuitos para verificar a saúde do cabelo. A inicitiva tem lugar nos proximos dias 21 e 22 de Agosto entre as 10:00 horas e as 19:30 horas.

A acção tem como principal objectivo comemorar os 100 primeiros transplantes capilares feitos, mas a clínica quer também sensibilizar os portugueses para os cuidados a ter com o cabelo e a necessidade de exames para evitar situações mais graves.

A CM2C faz transplantes capilares através da técnica de que implica o tranplante de unidades foliculares. Este método é indolor e permite extrair raízes do cabelo dos doentes sem recorrer a cortes e posteriores cicatrizes. No final, o paciente tem um cabelo natural.

«Dos 100 transplantes realizados, 20 por cento foram efectuados em mulheres e 15 por cento dos casos foram reparações de transplantes feitos noutras clínicas que deixaram os clientes insatisfeitos com os resultados», informa o director da clínica, Carlos Silva.

Os rastreios gratuitos podem ser marcados através da internet, pelo endereço info@cm2c.pt e pelo número de telefone 217 209 030. A CM2C está localizada na Rua Basílio Teles 35, 9º, em Lisboa.

sara pelicano

fontes: press release e site da clínica

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Medicamentos contra a diabetes aumentam risco de paragem cardíaca

Os medicamentos "Avantia" e "Actos", utilizados no tratamento da diabetes do tipo 2, podem aumentar para o dobro o risco de problemas cardíacos, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, Estados Unidos, publicado na Revista "Diabetes Cares".

O estudo revelou que o risco de paragem cardíaca pode aumentar até 100 por cento nas pessoas que tomam "thiazolinediones", uma substância presente nos medicamentos em questão e que se destina a aumentar a sensibilidade à insulina.

Os investigadores observaram 78.000 doentes com o objectivo estabelecer a ligação entre os dois medicamentos referenciados e as paragens cardíacas e concluíram que o risco de paragem cardíaca é superior nas pessoas com mais idade, no entanto, em cerca de 25 por cento dos casos foi também registada uma reacção em homens e mulheres com menos de 60 anos.

“Estes medicamentos são utilizados por mais de 3 milhões de diabéticos só nos Estados Unidos, o que significa que pode haver milhões de pessoas afectadas", afirmou Sonai Singh, profesor de medicina interna da Universidade Wake Forest.

As suspeitas sobre os riscos do “Avantia” haviam já sido levantadas por um estudo apresentado no inicio do presente ano, onde o medicamento aparece indicado como um dos fármacos associados ao aumento de ataques cardíacos e à morte por problemas cardiovasculares. A confirmação surge agora, uma vez que os dados recolhidos levam os investigadores a afirmar que o "thiazolinediones" pode mesmo causar retenção de líquidos e activar a paragem cardíaca, em pessoas com problemas do foro cardíaco.

Os principais sintomas associados ao risco de paragens cardíaca caracterizam-se pela falta de ar e pela dificuldade em percorrer curtas distâncias e verificam-se essencialmente em pessoas de idade.

Inês de Matos

Fonte: Lusa
Segunda fase da investigação vai incidir em seres humanos
Vacina terapêutica contra a sida em estudo


O próximo mês de Novembro é o prazo-limite para o arranque da segunda etapa da fase clínica de um estudo que está a dar muito que falar no Brasil. Depois de ter conseguido obter reduções de até 80 por cento na quantidade de VIH no sangue dos voluntários que participaram na primeira fase de testes, há dois anos, a investigação para encontrar uma vacina terapêutica para a sida entrará, até Novembro, num segundo momento, utilizando seres humanos.

No II Encontro Nordestino de Vacinas Anti-VIH, realizado em meados deste mês, foram debatidos os resultados alcançados até agora no âmbito deste trabalho. O investigador e professor da Universidade Federal de Pernambuco Luiz Cláudio Arraes, disse naquela reunião que a nova etapa do projecto tem como objectivo “verificar a toxidade da vacina e o efeito dose/dependência nos voluntários”. Será também “possível entender por que motivo alguns pacientes respondem bem à vacina e outros não”, explicou. Arraes disse que a imunização em estudo é designada como “vacina terapêutica” pelo facto de, ao contrário do que acontece com os medicamentos, que actuam sobre o vírus, a vacina deverá actuar directamente no sistema imunitário do paciente, ajudando-o a combater a subsistência e proliferação do vírus.
De acordo com o especialista brasileiro, a vacina deverá actuar nas células dendríticas – assim chamadas por terem a forma de dedos –, responsáveis pelo reconhecimento dos agentes estranhos ao organismo, e cuja quantidade e performance o vírus consegue diminui significativamente. A acção da vacina consistirá na recolha daquelas células, na fase em que ainda são jovens e não foram atingidas pela sida, maturando-as depois em laboratório. Depois é extraído do paciente o vírus, e imediatamente inactivado. A fase seguinte consiste na junção das células maduras com os vírus atenuados, de modo que o sistema imunitário possa reconhecer as células infectadas e fazer frente à progressão da doença, passando então a ter capacidade para produzir os marcadores biológicos necessários para combater o vírus.
Luiz Cláudio Arraes explicou, no entanto, que a nova vacina terapêutica não será capaz de eliminar a sida, mas apenas de diminuir a carga viral dos pacientes, que pode variar entre a presença quase indetectável de vírus e um milhão por cada mililitro de sangue. “Se a vacina não for efectiva no combate ao VIH, talvez possa usar-se esse caminho para os doentes que já são resistentes a toda uma gama de medicamentos”, já que em muitos casos os anti-retrovirais são tomados durante anos, o que tende a gradualmente ir reduzindo a sua eficácia, aumentando, por outro lado, a resistência dos vírus.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Brasil, Agência Lusa

Pfizer usou Portway para lançar Champix

Indústria farmacêutica prioriza «targeting»

As pesquisas «targeting» – utilizadas para definir o público-alvo no mercado – são comuns entre as indústrias farmacêuticas, um segmento que prioriza as acções que antecedem as iniciativas de marketing. Um programa desenvolvido pela empresa brasileira Portway facilitou a implementação de um fármaco da Pfizer.

A Portway desenvolveu em apenas 30 dias – tempo considerado quase um recorde –, um programa de software que antecedeu o lançamento de Champix, o novo medicamento de prescrição da Pfizer desenvolvido para ajudar as pessoas a deixar de fumar.

Os dados foram recolhidos via piam e enviados electronicamente para a empresa, permitindo uma maior rapidez e um maior controlo sobre o andamento do estudo. O dispositivo permitiu a realização de um trabalho que analisou junto aos médicos a opinião sobre o tabagismo.

“Através do nosso programa, a Pfizer recolheu os dados e conseguiu segmentar as informações”, afirmou Marcelo Assumpção, director executivo da Portway. Na opinião de Pedro Paiva, gerente de sistemas de informações da Pfizer “a ferramenta é simples e, ao mesmo tempo, eficiente.”

Pela Portway, a Pfizer acompanhou e analisou os resultados obtidos em todo o país, tendo as informações facilitado a definição das estratégias de marketing para cada segmento do mercado. “Por ser um lançamento, recebemos as perguntas e desenvolvemos o sistema num tempo quase impossível, mas uma parte da equipa é especialista em indústria farmacêutica e isso fez toda a diferença. Aliás, já tínhamos desenvolvido outro trabalho semelhante para a empresa GlaxoSmithKline”, explicou Marcelo Assumpção.

Segundo anunciou o Farmacia.com.pt no dia 27 de Julho, o Champix passou a ser financiado pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, após recomendação da NICE.

Raquel Pacheco
Fonte: Portway

Cientistas questionam funcionamento do VIH

Estudo indica que afinal processo de rarefacção das células é lento

A forma como o vírus da sida destrói o sistema imunitário foi colocada em causa por cientistas britânicos e americanos, revela um estudo publicado na revista mensal americana «PLoS Medicine».

O vírus da imunodeficiência humana (VIH) reproduz-se destruindo alguns dos glóbulos brancos que desempenham o papel de chefes de orquestra do sistema imunitário.

A comunidade científica pensava que as células infectadas produziam novas partículas de VIH, provocando a activação de novas células que, à sua volta, eram infectadas e destruídas, fragilizando assim gradualmente o sistema de defesa do corpo humano.

No entanto, as investigações conduzidas por cientistas americanos e britânicos, vêem agora demonstrar que se esta hipótese fosse correcta, as células infectadas deveriam ser destruídas muito mais rapidamente do que o são na realidade.

De acordo com os investigadores, existe um “processo lento” na rarefacção destas células e a identificação desse processo “fornecerá um resumo essencial da natureza do VIH e permitirá potenciais novas abordagens em matéria de terapêutica.”

Raquel Pacheco

Fonte: «PLoS Medicine»

Vitamina A ajuda a reduzir os sinais de envelhecimento

O resultado de investigações conduzidas por cientistas da Universidade de Michigan (EUA), confirma que os cremes que contêm vitamina A ajudam a reduzir os sinais de envelhecimento da pele.

O estudo norte-americano, publicado na «Archives of Dermatology», incidiu sobre 36 voluntários com uma idade média de 87 anos, que usaram um creme com vitamina A debaixo de um dos braços e um creme sem nenhum componente activo debaixo do outro.

A avaliação feita, depois de 24 semanas, revelou que o retinol, a forma pura da vitamina A, não apenas reduziu as rugas na grande maioria dos voluntários, mas também aumentou os níveis de substâncias químicas importantes na regeneração da pele, ajudou a pele a reter mais água, e menos susceptível a lesões cutâneas, um problema comum em pessoas mais velhas.

Raquel Pacheco

Fonte: «Archives of Dermatology»

Medicamentos sujeitos a receita médica tornam-se protagonistas de TV

Numa altura em que as séries de televisão ganham cada vez mais adeptos, os medicamentos sujeitos a receita médica estão a tornar-se estrelas famosas. Segundo noticia o The Indianapolis Star, no último ano foram registadas 462 menções televisivas a fármacos prescritos, mais do dobro das contabilizadas dois anos antes. Embora algumas possam representar propaganda financiada, o facto é que esta é uma forma discreta de marketing, principalmente para os medicamentos exclusivos.

Ao contrário do que se pensa, os produtores de medicamentos representam uma pequena parte na colocação de produtos no mercado e nem sequer se encontram entre os dez primeiros, refere a “Nielsen Product Placement”. Os dados da PQ Media indicam que as empresas pagaram 2,46 mil milhões de euros a nível global, em 2006, para colocarem os seus produtos na televisão, em filmes e noutros meios de comunicação social, o que representa um aumento de 37 por cento face ao ano anterior.

No primeiro semestre deste ano, os produtos da farmacêutica norte-americana Eli Lilly foram referidos 28 vezes nas séries televisivas e programas de TV, quase o triplo quando comparado com igual período do ano anterior. No entanto, a Eli Lilly afirma que não paga tal publicidade. “Vemo-los quando estamos em casa, sentados no sofá, como qualquer outra pessoa”, salientou Judy Kay Moore, porta-voz do laboratório. A responsável garante que não existe nenhuma parceria secreta entre a empresa e os argumentistas. “Não lhes pagamos. Se acontece é por mero acaso”, acrescenta.

Por sua vez, a Organon reconhece ter efectuado pagamentos por referências televisivas na série “Scrubs”, na qual o logótipo do contraceptivo hormonal Nuvaring (Etinilestradiol + Etonogestrel) aparece 11 vezes, a maioria delas em cartazes de fundo.

Lista dos medicamentos mais citados em programas televisivos durante 2006:

Botox (Toxina botulínica A) da Allergan - 72 vezes;
Vicodin (Hidrocodona) da Abbott - 56 vezes;
Viagra (Sildenafil) da Pfizer - 54 vezes;
Rohypnol (Flunitrazepam) da Roche - 50 vezes;
NuvaRing (Etinilestradiol + Etonogestrel) da Organon - 36 vezes;
Ritalina (Metilfenidato) da Novartis - 22 vezes;
Valium (Diazepam) da Roche - 17 vezes;
Prozac (Fluoxetina) da Lilly - 16 vezes;
Xanax (Alprazolam) da Pfizer - 14 vezes;
Cipro (ciprofloxacina) da Bayer - 12 vezes;

Programas televisivos com mais menções a fármacos de marca em 2007 (até 10 de Julho):

• “Médicos e Estagiários” (“Scrubs”) – 78
• “House” – 41
• “Anatomia de Grey” (“Grey’s Anatomy”) – 33
• “Lei e Ordem – Unidade Especial” (“Law & Order SVU”) – 25
• “Serviço de Urgência” (“ER”) – 16

Marta Bilro

Fonte: Pharmalot, The Indianapolis Star.

Perda de tecido cerebral associada à doença bipolar

Os doentes bipolares sofrem de uma rápida diminuição do tamanho do cérebro, descobriram investigadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

Pela primeira vez, um estudo demonstra que a doença bipolar - caracterizada por períodos de depressão e períodos de mania - está associada à diminuição de tecido cerebral, sendo que a alteração vai piorando sempre que existe uma crise.

De acordo com o site da Universidade de Edimburgo, foram examinados os cérebros de 20 doentes com perturbação bipolar e outros tantos de voluntários sem a doença. A descoberta comprovou concentração de perda de massa cinzenta em zonas do cérebro responsáveis pelo controlo da memória, reconhecimento facial e coordenação.

Andrew McIntosh, líder da investigação, afirmou à BBC que “a descoberta tem implicações não só na forma como pesquisamos a doença, mas também como será tratada. Pela primeira vez, demonstrámos que, à medida que as pessoas com doença bipolar vão envelhecendo, perdem-se pequenas parcelas do cérebro associadas à memória e coordenação de pensamentos e acções”, explicando que “a quantidade de tecido cerebral que se perde é maior em pessoas com múltiplos episódios da doença e está associada ao declínio de algumas áreas da capacidade mental.”

Recorde-se que a perturbação bipolar é caracterizada pela alternância entre períodos de depressão e euforia. Se, por um lado, os repetidos episódios podem afectar o cérebro e levar ao enfraquecimento das funções cerebrais, por outro, segundo a pesquisa, o stress e os factores genéticos provocam episódios mais frequentes e perda de cérebro.

Raquel Pacheco

Fonte: BBCNews/Netscape/Nature/site da Universidade de Edimburgo

Na sequência do processo de fusão com a Valentis
Urigen Pharmaceuticals anuncia mudanças

A Urigen Pharmaceuticals, companhia farmacêutica cuja actividade se centra no desenvolvimento de medicamentos para as desordens do aparelho urológico, anunciou ontem a concretização de mais um passo na sua bem sucedida fusão com a Valentis.

Em comunicado difundido hoje a empresa refere que adopta o nome de Urigen Pharmaceuticals e anuncia a intenção de iniciar o processo de comercialização dos medicamentos não sujeitos a receita médica produzidos nos seus laboratórios com um novo símbolo. A alteração entra em vigor imediatamente. Bill Garner, presidente da companhia, explicou que a designação Urigen Pharmaceuticals "descreve de uma forma bem conseguida a nossa missão de desenvolver fármacos com preocupações éticas para as pessoas que sofrem de distúrbios de tipo urológico".

Carla Teixeira
Fonte: Urigen Pharmaceuticals

Lucros da Aurobindo devem crescer 86% no segundo semestre

O laboratório farmacêutico indiano Aurobindo deverá registar um aumento de 86 por cento nos lucros líquidos, no período entre Abril e Junho de 2007, prevêem os analistas. Este crescimento é sustentado pelos ganhos com as taxas de juro internacionais e pela subida das vendas da penicilina-G e dos fármacos anti-HIV.

De acordo com a opinião dos analistas citados pela Reuters, a empresa deverá registar lucros líquidos superiores a 12 milhões euros (674 milhões de rupias). No que toca às receitas, o aumento deverá rondar os 22,5 por cento, para os 97,4 milhões de euros (5,37 mil milhões de rupias). Os resultados oficiais deverão ser divulgados pela empresa na terça-feira.

Marta Bilro

Fonte: Reuters

Cientistas portugueses descobrem tratamento inovador para cancro da mama

Cientistas portugueses e israelitas são responsáveis pela descoberta de uma forma para melhorar o tratamento dos casos mais agressivos de cancro da mama. O carcinoma de tipo basal, uma forma não hereditária da doença, representa 10 a 15 pode cento dos cancros da mama diagnosticados.

Conforme noticia a edição de hoje do jornal Público, as conclusões do estudo, publicado na edição on-line da revista "Nature Cell Biology", referem que os investigadores conseguiram demonstrar a forma como a molécula EGFR (sigla que, em português, significa "receptor do factor de crescimento epidérmico") se relaciona com os agressivos carcinomas de tipo basal.

"Estes resultados são muitíssimo animadores, pois mostram que estamos muito próximos de poder bloquear a capacidade metastática deste tipo de cancro e deste modo aumentar substancialmente a sobrevida dos doentes", referem os investigadores do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) e do Instituto Weizmann, de Israel. Contrariamente aos carcinomas, que possuem receptores de estrogénio, permitindo-lhes responder à terapêutica hormonal com Tamoxifeno ou Trastuzumab (Herceptin), os tumores de tipo basal não têm um alvo terapêutico.

Segundo explicou Fernando Shmitt, investigador do Ipatimup, já era conhecido que “nestes casos havia uma amplificação do EFGR”, o que faltava perceber era a forma como se relacionava com a agressividade do carcinoma. Ao estimular “o EFGR dentro da célula, a expressão da molécula chamada cten aumenta e assim aumenta também a capacidade de migração de células malignas [metástases]”, acrescentou o especialista.

Posteriormente, nos 300 doentes estudados, observaram-se grandes quantidades de cten nos cancros com metástases. Ao aplicar um tratamento com inibidores de EFGR em tumores em estado avançado verificou-se que "quando o receptor era bloqueado, a molécula cten quase desaparecia e a capacidade de metastização diminuía muito", referiu. A descoberta é principalmente importante para os casos de cancro com metástases pulmonares e cerebrais.

Marta Bilro

Fonte: Público.

Médicos em protesto contra custos de medicamento

Os médicos britânicos ameaçam administrar, aos pacientes com degenerescência macular relacionada com a idade (DMI), um medicamento que não possui autorização de comercialização com essa indicação, como forma de protesto contra o custo do fármaco licenciado e indicado para o efeito que consideram abusivo.

O preço elevado do Lucentis (ranibizumab), medicamento indicado para o tratamento da DMI, está a fazer com que alguns fundos de cuidados primários permitam aos médicos do Serviço Nacional de Saúde Britânico (NHS) utilizar pequenas doses de Avastin (Bevacizumab). Este fármaco, destinado ao tratamento de doentes com carcinoma metastizado do cólon, é frequentemente utilizado no tratamento de doenças oculares tanto nos Estados Unidos da América como no Reino Unido.

A anterior secretária da Saúde, Patricia Hewitt, fez pressão para que fossem realizados ensaios clínicos que avaliassem a actuação do Avastin no tratamento da DMI, porém os seus apelos foram ignorados. Agora o NHS está a financiar um ensaio clínico que compara directamente o Avastin e o Lucentis, ambos produzidos pela Genentech.

Este é o primeiro desafio real que o Reino Unido coloca ao elevado preço dos medicamentos estabelecido pelas empresas farmacêuticas. O crescente desconforto relativamente aos valores elevados que são cobrados pelos novos fármacos tem conduzido à eliminação ou racionamento de algumas substâncias por parte do NHS. Os laboratórios alegam que precisam de muitos milhões de dólares em vendas para recuperar os gastos com a investigação e desenvolvimento, no entanto os críticos acusam-nos de especulação.

A DMI é uma das principais causas de incapacidade nos idosos e a maior responsável pela perda de visão nos adultos. Relaciona-se com frequência ao envelhecimento e resulta de um crescimento anormal dos vasos sanguíneos sob a retina, especificamente sob o tecido coróide. À medida que progride, deixa apenas a visão periférica que mostra uma realidade desfocada. O Lucentis pode ajudar a prevenir a cegueira e a melhorar a visão mas o custo do tratamento faz com que seja apenas utilizado nos casos mais graves.

Marta Bilro

Fonte: Guardian Unlimited, Thelegraph.co.uk

Administrado directamente na placa peniana
Verapamil trava Doença de Peyronie

A injecção de verapamil directamente no pénis de homens afectados pela Doença de Peyronie poderá resultar numa diminuição de 18 por cento na curvatura do pénis e em até 60 por cento de estabilização da progressão da patologia, de acordo com dados de um novo estudo.

Descoberta no século XVIII pelo médico francês Francois Gigot de la Peyronie, que lhe deu o nome, esta é uma doença inflamatória que se caracteriza pela existência de uma zona dura nos corpos cavernosos, descrita pelos doentes como um "calo", em virtude da área fibrótica. A doença afecta 0,4 a 3,5 por cento dos homens adultos, embora haja estudos feitos post mortem que avançam números muito maiores no que toca à prevalência desta patologia. Sem causa conhecida, poderá dever-se a factores genéticos predisponentes em certos homens ou a pequenos traumatismos sofridos durante o acto sexual, que não terão sido tratados da forma mais correcta. A doença é progressiva, e em 10 por cento dos casos regride espontaneamente.
A dificuldade na concretização de relações sexuais, pelas dores que a erecção e a interacção com a parceira provocam, constitui, na grande parte dos casos, a razão por que os doentes pedem ajuda ao médico. A detecção de uma placa peniana no corpo cavernoso, que poderá ou não ser acompanhada de uma curvatura do órgão sexual masculino (que nos casos mais graves chega a impedir a penetração vaginal), é o cenário de que dão conta ao profissional de saúde, de acordo com a Associação Americana de Urologia.
Normalmente tratada com medicação oral e injecções locais durante os primeiros meses, sendo a intervenção cirúrgica o procedimento a seguir nas situações em que os fármacos não funcionam, a Doença de Peyronie poderá agora ter resposta mais rápida e adequada do ponto de vista terapêutico.Um estudo publicado no jornal «Urology» atesta que uma equipa de investigadores da Weill Medical College da Universidade de Cornell, em Nova Iorque, analisou o efeito de injecções de verapamil – um medicamento usado no tratamento de batimentos cardíacos irregulares, pressão sanguínea elevada e angina de peito – administradas directamente na placa peniana de 94 homens doentes, e concluiu que, ao fim de pouco mais de cinco semanas após terem sido tratados, 18 por cento dos doentes tinham menor curvatura do pénis e 60 por cento não verificara qualquer progressão da doença.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Reuters, ABC da Saúde, MercMedicus

ABT-560 garante pagamento à Neurosearch

A farmacêutica dinamarquesa Neurosearch recebeu da Abbott um pagamento pelo cumprimento de um objectivo no âmbito da parceria de licenciamento entre as duas empresas. O montante, que não foi especificado, refere-se ao inicio de um ensaio clínico de Fase I que envolve o ABT-560, um medicamento com potencial de tratamento de várias doenças do sistema nervoso.

Caso o fármaco chegue ao mercado, a Neurosearch deverá receber vários pagamentos por objectivos, bem como os royalties das vendas globais da Abbott referentes ao medicamento.

O laboratório norte-americano detém os direitos sobre a substância e é responsável pelo pagamento dos custos relativos ao seu desenvolvimento e comercialização.

Marta Bilro

Fonte: Forbes

Novas disposições entram em vigor nesta quarta-feira
Infarmed tem nova lei orgânica e estatutos

O primeiro dia de Agosto traz à Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) uma nova lei orgânica e novos estatutos. As novas disposições foram publicados há dias em «Diário da República», e configuram um novo ordenamento do sector, depois da conclusão do processo de regulamentação dos organismos que funcionam na dependência do Ministério da Saúde.

O Decreto-Lei n.º 269/2007, que estabelece a missão e as atribuições da agência nacional do medicamento, e a Portaria 810/2007, que vem determinar a sua nova organização interna, através da aprovação dos novos estatutos, estão conformes ao Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado e com a Lei Orgânica do Ministério da Saúde, publicada em Outubro de 2006. Os documentos – a que o farmacia.com.pt teve acesso – estabelecem uma nova orgânica para o Infarmed, assente em "três ordens de factores: o ambiente nacional e comunitário, a necessidade de dotar o instituto público de orgânica e instrumentos que lhe permitam regular e supervisionar os sectores dos medicamentos e dos produtos de saúde, e a maior eficácia do esquema de funcionamento" do Infarmed.
Em meados do ano passado o presidente do Infarmed anunciava, numa entrevista ao «Diário Económico», uma nova lei orgânica para aquela entidade, que entraria em vigor até final de 2006. Volvido quase um ano sobre o prazo estimado por Vasco Maria, está confirmada para amanhã a concretização das novas regras da agência nacional do medicamento, que conhece também novos estatutos. Como então explicou aquele responsável, o objectivo que presidiu à "profunda reestruturação" foi o de lutar contra "alguma falta de rigor, laxismo e despreocupação que existia", devendo a nova lei orgânica “reorganizar a estrutura", no sentido de a tornar "mais ágil e horizontal”, designadamente através da criação de "um sistema de gestão de informação que facilite a interligação entre diferentes sectores".

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed, Ordem dos Farmacêuticos, Diário da República, Diário Económico
Nova direcção da OF reuniu-se com Jaime Gama
Ordem na Assembleia da República

A nova direcção nacional da Ordem dos Farmacêuticos, legitimada pelas eleições do passado dia 21 de Junho, foi recebida por Jaime Gama, presidente da Assembleia da República. A bastonária, Irene Silveira, fez-se acompanhar na deslocação ao Parlamento por dois vogais da direcção, Elisabete Faria e Pedro Barosa, e pelos líderes das secções regionais do Porto e de Coimbra, Franklim Marques e Francisco Batel Marques.

No encontro, que serviu também para as apresentações formais da nova direcção, e para o primeiro contacto dos novos representantes da classe com o poder político, foram abordados vários assuntos e clarificada a posição da Ordem relativamente a diversos aspectos, com destaque para as "preocupações" do sector face à decisão do Governo de introduzir uma nova regulamentação do regime jurídico das farmácias de oficina, cuja premissa mais polémica se prende com a abolição da reserva de propriedade das farmácias existente até aqui para os farmacêuticos.A equipa de Irene Silveira reiterou a sua oposição à liberalização do sector, preconizando a ideia de que manter a obrigatoriedade de um vínculo dos farmacêuticos à propriedade – sugerindo como mínimo os 51 por cento, um número bem acima dos actuais cinco por cento dos estabelecimentos de dispensa de medicamentos que, à luz da lei actual, têm de ser detidos por um farmacêutico –, frisando que esse aspecto serve o interesse público das populações.
A direcção da OF sugeriu ainda a adopção de "um novo instrumento legislativo que, de forma eficaz, consequente e moderna, dote o ordenamento jurídico português de disposições elementares face à actividade e ao conjunto de deveres assacáveis aos farmacêuticos".No que diz respeito à carreira, a OF alertou o líder da Assembleia da República para algo que considera "crucial" – "uma definição que valorize o contributo da intervenção farmacêutica no sistema de saúde, e em particular no âmbito das instituições prestadoras de cuidados de saúde" – e abordou ainda a proposta legislativa feita pelo grupo parlamentar do PS, visando a regulação da criação e do funcionamento de associações públicas profissionais, que a Ordem dos Farmacêuticos encara como "uma injustificada afectação dos princípios de independência e de autoregulação".

Carla Teixeira
Fonte: Ordem dos Farmacêuticos

Crucell e Wyeth Pharmaceuticals instituem parceria

O Crucell, grupo holandês de biotecnologia, estabeleceu um acordo de licenciamento exclusivo com a Wyeth Pharmaceuticals, uma divisão da farmacêutica norte-americana Wyeth, que prevê a utilização das suas tecnologias PER.C6 e Advac.

O comunicado divulgado pela Crucell não revela os detalhes envolvidos nesta parceria mas adianta que a empresa deverá receber um pagamento adiantado, pagamentos por objectivos, taxas anuais de manutenção e royalties relativos às vendas líquidas dos produtos.

Marta Bilro

Fonte: CNN Money, Hemscott.

Ranbaxy comercializa Isoptin SR no mercado norte-americano

A farmacêutica indiana Ranbaxy anunciou a comercialização do seu primeiro produto genérico autorizado no mercado norte-americano. A venda do Isoptin SR (Verapamilo) ficará a cargo a sua subsidiária Ranbaxy Pharmaceuticals Inc. depois de ter sido estabelecido um acordo com o FSC Laboratories.

“A comercialização do Isoptin SR abre portas à Ranbaxy no sector dos genéricos autorizados”, afirmou o vice-presidente e director regional da empresa na América do Norte, K Venkatachalam. Para além disso, permitirá ao laboratório melhorar a capacidade do sistema de distribuição de novos fármacos, bem como impulsionar o empenho noutras moléculas, de forma a aumentar a fiabilidade dos doentes ao tratamento, considera o responsável.

O Verapamilo é um antagonista do cálcio, que inibe a entrada das correntes transmembranosas dos iões cálcio nas células musculares lisas das artérias e do miocárdio. A substância é indicada no tratamento da hipertensão e angina.

Marta Bilro

Fonte: EquityBulls.com

AstraZeneca processa Onion por violação de patentes

A farmacêutica AstraZeneca processou o laboratório finlandês Orion Corp. por alegada infracção das patentes de produção de dois dos seus medicamentos principais.

A Onion é acusada de comercializar, no mercado finlandês, versões genéricas com 40 por cento de desconto do antipsicótico Seroquel (Quetiapina) e do Casodex (Bicalutamida), um antiandrogénio indicado em doentes com cancro da próstata avançado.

“Temos patentes válidas [destes medicamentos] ”, afirmou o director executivo da unidade finlandesa da AstraZeneca, Lasse Savonen, acrescentado que o intuito deste processo jurídico é descobrir os métodos utilizados pela Orion para produzir os fármacos.

De acordo com o jornal finlandês Helsingin Sanomat, até ao momento, o tribunal recusou todos os pedidos da AstraZeneca para impedir a venda dos fármacos e pediu mais informações à Orion.

Em 2006, as vendas do Seroquel atingiram os 20 milhões de euros, já as do Casodex não ultrapassaram os 11 milhões de euros.

Marta Bilro

Fonte: Reuters, Hemscott.

FDA decide futuro do Avandia

Um comité de especialistas da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) reúne hoje (30 de Julho) para analisar a segurança do Avandia (maleato de rosiglitazona). O painel de conselheiros deverá decidir se aumenta as advertências acerca da substância ou mesmo se esta deverá ser retirada do mercado. Caso a última hipótese se confirme, a GlaxoSmithKline (GSK) pode ver as suas receitas anuais reduzidas em mais de 1,7 mil milhões de euros.

O fármaco, destinado ao tratamento da diabetes, é suspeito de aumentar o risco de ataque cardíaco, alegações que surgiram depois da publicação de um estudo no “New England Journal of Medicine”. Peter Cartwright, analista do sector farmacêutico na Evolution Securities, considera que o mais provável é que seja requerida a inclusão de mais avisos no folheto informativo do medicamento.

O parecer emitido por este comité independente não será vinculante para a FDA que, por norma, acaba por seguir as suas recomendações. Caso os especialistas defendam a recolha do Avandia do mercado norte-americano, a GSK deverá sofrer uma diminuição de 6 por cento nos lucros projectados para 2008 que se aproximam do 30 mil milhões de euros, uma quebra superior a 1,7 mil milhões de euros, indicam as previsões de Cartwright. De acordo com o analista, se a FDA retirar o medicamento nos Estados Unidos da América, a GSK poderá ser obrigada a suprimir o fármaco globalmente. No entanto, a inclusão de avisos mais rígidos pode também reprimir as vendas, encorajando os médicos a prescreverem alternativas.

Os membros deste comité irão votar em dois aspectos distintos. Por um lado devem referir se acreditam que o Avandia aumenta o risco de sofrer ataques cardíacos, por outro, se os benefícios superam os riscos justificando que o medicamento se mantenha no mercado. A GSK tem vindo a preparar a defesa do Avandia e levantou várias questões acerca da metodologia utilizada no estudo publicado no “New England Journal of Medicine”. O laboratório britânico pretende ainda apresentar novos dados que, segundo afirma, comprovam que o perfil de segurança do medicamento não difere do de outras substâncias da mesma classe, como é o caso do Actos, da japonesa Takeda.

Desde o seu lançamento em 1999, mais de seis milhões de pessoas em todo o mundo já tomaram Avandia. Nos EUA, existem cerca de 20 milhões de diabéticos, quase 7 por cento da população, cujos tratamentos representam entre 10 a 15 por cento das despesas de saúde norte-americanas, referiu Larry Deeb da Associação Americana da Diabetes. “Se o número de diabéticos volta a aumentar, tal como prevemos que aconteça, o sistema de saúde irá à bancarrota”, acrescentou o responsável.

Marta Bilro

Fonte: Elmundo.es, Times Online.

Doença afecta cerca de um terço da população mundial
Nova vacina contra tuberculose em testes


A primeira vacina contra a tuberculose desenvolvida nos últimos 80 anos entrou em fase de testes clínicos, prevendo-se que, se o resultado dos ensaios for positivo, a nova imunização possa começar a ser comercializada dentro de oito anos. Peritos da Universidade de Oxford citados pela Agência ANSA alegam que o medicamento poderá salvar da morte milhões de pessoas por ano. Para a tuberculose latente há previsões de uma nova vacina em 2012.

Numa altura em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que um terço da população mundial esteja infectado pela doença, e que mais de dois milhões por ano não consigam, devido à tuberculose, fugir ao espectro da morte nos países em desenvolvimento, a única vacina disponível é a BCG, que apenas protege contra as variantes mais severas e não confere imunidade aos adultos. Um panorama pouco animador, a que a nova vacina, desenvolvida por Helen McShane, investigadora da Universidade de Oxford, quer pôr termo. A nova imunização actua em conjunto com a vacina BCG, utilizando uma proteína existente em todas as variantes da doença, para aumentar o número de células imunes. A cientista britânica, cujo trabalho tem sido financiado pelo Wellcome Trust, considera que a nova vacina ganha estatuto de “essencial” em virtude do aumento da resistência do bacilo causador da doença a muitos dos antibióticos usados no seu tratamento, lembrando também o cada vez maior número de infectados pela tuberculose em associação com a sida.

Tuberculose latente
Igualmente em estudo, e com a previsão de poder vir a ser aplicada aos doentes já em 2012, encontra-se a primeira vacina contra a tuberculose latente. Apesar de ser uma variante assintomática e não contagiosa da doença, já que os bacilos estão no organismo, mas não se manifestam, a tuberculose latente poderá também evoluir para a forma activa da patologia, nomeadamente nos doentes seropositivos, cujo sistema imunitário se encontra debilitado e não pode defender-se da multiplicação dos vírus. A primeira imunização para a variante latente da tuberculose encontra-se em estudo há vários anos, e de acordo com Pere-Joan Cardona, o investigador que dirige a investigação para seu o desenvolvimento, “a vacina estará pronta em 2012 e poderá ser administrada a um terço da humanidade, a população que se calcula estar infectada pelo bacilo da tuberculose”.
O desenvolvimento da chamada RUTI constitui um marco mundial, porque não há qualquer vacina terapêutica para a forma latente da tuberculose além do tratamento de nove meses à base de isoniazida, que devido à sua elevada toxicidade não é administrada a muitos dos infactados. Segundo Pere-Joan Cardona, inicialmente o tratamento está dirigido a pessoas com maiores necessidades, como seropositivos infectados pela tuberculose latente, “combinação mortal” que constitui um caso de sida, de acordo com os especialistas. “Um tratamento com antibióticos que tenha a duração de nove meses também não é fácil de seguir, nomeadamente quando não há qualquer sintoma da doença”, refere, concretizando a ideia de que, “por isso, a principal vantagem da nova vacina é o facto de ela estimular a resposta imune e de a sua administração poder reduzir para um mês o tratamento com antibióticos.

Carla Teixeira
Fonte: ANSA, Agência Lusa, Jornal Digital, AidsPortugal.com, AstraZeneca
Conquista colectiva de investigadores de vários países
Genes aumentam risco de esclerose múltipla


Vários grupos de investigadores de diversos países acabam de anunciar a mesma descoberta: a existência de factores genéticos associados ao desenvolvimento da esclerose múltipla. Os vários trabalhos, unânimes na sugestão de que haverá uma relação entre aquela e outras doenças auto-imunes, foram publicados nas revistas científicas «Nature Genetics» e «New England Journal of Medicine». Mais de 20 mil pessoas, nos Estados Unidos e na Europa, foram acompanhadas no âmbito destes estudos.

A análise do ADN daqueles pacientes permitiu confirmar que os genes do sistema imunológico são alterados nos indivíduos diagnosticados com esclerose múltipla, e destacaram os mecanismos que potencialmente desencadeiam aquela doença inflamatória, crónica e degenerativa, que se manifesta a partir da combinação de factores genéticos e ambientais. Os estudos agora divulgados foram os primeiros a incidir na análise da base genética da patologia. Os dois grupos de investigadores responsáveis pelos trabalhos apresentados na «Nature Genetics» – elementos do Centro Médico da Universidade de Vanderbilt, liderados por Jonathan Haines, e do Instituto Karolinska, na Suécia, coordenados por Jan Hillert – confluíram na aferição de que as variantes do gene IL7R (receptor de interleucina 7) são mais comuns em indivíduos com esclerose múltipla, prevendo que uma alteração nos níveis relativos das duas formas do gene possa alterar a actividade do sistema imunológico e fazer com que pessoas que tenham a variante desenvolvam mais facilmente a esclerose múltipla.
Também as pesquisas relatadas no «New England Journal of Medicine» foram ao encontro dos mesmos dados. Os cientistas da Escola Médica da Universidade de Harvard conduzidos por David Hafler confirmaram a associação entre o IL7R e a doença, através da análise dos polimorfismos de nucleotídeos únicos (pequenas diferenças na sequência de ADN que representam as variações genéticas comuns entre indivíduos). Para confirmar os resultados, a equipa norte-americana cruzou os dados com uma nova análise em diferentes famílias, em casos isolados e num grupo de controlo, combinando os dados para uma análise final, com uma amostra total de mais de 12 mil pessoas.
Salientando que esta descoberta só se tornou possível graças aos mais recentes avanços em matéria de tecnologias genómicas, os investigadores lembraram que “há mais de três décadas” buscavam a explicação para o envolvimento dos genes no desenvolvimento da esclerose múltipla, mas “essa explicação não poderia ter sido encontrada antes de o genoma humano ter sido sequenciado”, disse Hafler, ao mesmo tempo que Adrian Ivinson, responsável pelo Centro de Neurodegeneração e Reparo de Harvard, atestou que “estes estudos mostram o poder da colaboração” internacional. Já para Stephen Hauser, investigador da Universidade da Califórnia em São Francisco, “isto tudo é apenas o começo, pois a colaboração internacional já está a planear explorações ainda maiores e mais detalhadas no cenário genético da esclerose múltipla”.
A participação de vários genes no desenvolvimento desta doença tinha sido aferida nos anos 70, no sexto cromossoma. No entanto, os resultados dos trabalhos agora divulgados representam um novo grande avanço na teorização das causas daquela patologia. Nos doentes que sofrem de esclerose múltipla o sistema imunitário ataca a bainha de mielina, um dispositivo responsável pelo revestimento e isolamento das fibras nervosas. A destruição daquele mecanismo provoca uma espécie de “curto-circuito”, obstruindo a passagem do fluxo nervoso e causando problemas ao nível da motricidade, do equilíbrio, da fala e da visão. A esclerose múltipla afecta mais de um milhão de pessoas em todo o mundo. Estudos epidemiológicos apontam para a existência de cerca de 450 mil doentes só na Europa, sendo a incidência maior nos países nórdicos. Em Portugal estima-se que haja à volta de cinco mil pacientes.

Carla Teixeira
Fonte: «Nature Genetics», «New England Journal of Medicine», AFP, Jornal «O Povo», Globo Online, Último Segundo, Terra, Revista Pesquisa, Associação Nacional de Esclerose Múltipla
Estudo desmente informações anteriores
Legumes não previnem cancro da mama


Ao contrário do que até aqui vinha sendo defendido pela comunidade científica e pela classe médica, o consumo de legumes parece não ter implicação significativa no risco ou na prevenção do cancro da mama. Uma investigação agora publicado no «Journal of the American Medical Association» atesta que nem mesmo o dobro da quantidade recomendada de frutas e legumes parece influir na predisposição e no desenvolvimento daquela doença oncológica.

O estudo, levado a cabo por especialistas do Centro de Prevenção do Cancro da Universidade de Stanford, na Califórnia, acompanhou, entre 1995 e 2000, mais de três mil mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos, que depois foram seguidas pela equipa de investigadores até 2006. Todas tinham recebido tratamento a cancros da mama em estádio inicial de desenvolvimento. Metade das pacientes seguiu uma dieta rica em legumes e frutas, duplicando as quantidades recomendadas pelos médicos e reduzindo a ingestão de matérias gordas; a outra metade seguiu uma dieta normal, que incluía frutas e legumes.
Segundo avança a mais recente edição do «JAMA», os investigadores esperavam “que a duplicação da dieta recomendada de frutos e legumes, juntamente com um aumento da ingestão de fibras e a redução das gorduras fizesse uma diferença nas taxas de reaparecimento do cancro da mama”. No entanto, de acordo com Marcia Stefanick, professora de Medicina daquele centro, citada pelo jornal americano, os resultados não foram de encontro às expectativas: a taxa de reaparecimento da doença foi de cerca de 17 por cento nos dois grupos. Embora menos elevada do que os 30 por cento esperados pelos cientistas para o grupo de controlo, as taxas aferidas não revelaram qualquer diferença significativa no que toca aos efeitos da ingestão de frutas e legumes.
Informações anteriormente divulgadas suscitaram na comunidade científica e entre os médicos a convicção de que a prática de uma alimentação rica em produtos de origem vegetal, com particular incidência de frutos, legumes e leguminosas, assim como a ingestão de produtos amiláceos e cerealíferos pouco processados, a par do aumento de outros alimentos fornecedores de amido (pão, massas, batatas ou arroz), facilitariam o combate ao cancro da mama. Era recomendado às mulheres o consumo diário de 400 a 800 gramas de vegetais verdes, cenouras, tomate e citrinos, que se acreditava serem capazes de diminuir em 20 por cento o risco de desenvolvimento do cancro. Uma crença que o estudo agora divulgado veio atirar por terra…

Carla Teixeira
Fontes: JAMA, Agência Lusa, Saúde na Internet

domingo, 29 de julho de 2007

MerckMedicus é um novo site de apoio à prática clínica
Um cabaz de recursos gratuitos

A versão sempre actualizada da edição profissional do prestigiado «Manual Merck», um guia de bolso de testes de diagnóstico (com informação sobre selecção e interpretação de mais de 350 exames laboratoriais, imagiológicos e microbiológicos), e a aplicação de leitura fácil do «Harrison’s Practice: answers on demand», a “aquisição” mais recente do Mobile MerckMedicus, são os grandes argumentos do novo site MerckMedicus, que tem como objectivo facultar o acesso a recursos de apoio à prática clínica.


Os interessados nesta ajuda têm apenas de entrar no site (em www.merckmedicus.com) e fazer a sua subscrição gratuita do serviço, que permite o acesso a recursos muito úteis para a prática clínica, e que em alguns casos podem ser instalados em PDA ou Pocket PC, tornando mais fácil a consulta de dados em qualquer altura, independentemente do local em que se encontre o profissional. Os dados são actualizados constantemente e as respostas são seguras e concisas, mas o MerckMedicus permite ainda outros recursos, que poderão ser muito úteis também aos farmacêuticos.
Entre estes serviços avultam informações disponibilizadas sobre assuntos de interesse para os profissionais de saúde, como o Reuters Medical News, o RSS News Feeds (notícias da Food and Drug Administration, da Organização Mundial de Saúde e das autoridades sanitárias de vários países), do «Medline Journal Abstracts» (onde podem ser seleccionadas as revistas e as áreas de maior interesse do utilizador), e o Medline Search (pesquisa na Medline «encomendada» através do PDA e realizada aquando da sincronização do aparelho à internet). Apenas para consulta online o programa oferece acesso a livros como «Cecil Textbook of Medicine» ou «Harrison’s Online», iniciativas de formação médica contínua, informação para os utentes, e páginas da especialidade de interesse do utilizador, que reúne os recursos mais adequados.

Carla Teixeira
Fonte: MerckMedicus, Revista Portuguesa de Clínica Geral, Sílvia Henriques, do Centro de Saúde São João (Porto)
Recurso destinado aos médicos pode ser útil aos farmacêuticos
Apoio gratuito à prescrição de medicamentos


Porque as dúvidas de médicos e farmacêuticos chamados a prescrever medicamentos são frequentes, designadamente no que toca à adequação de determinados fármacos a doentes em circunstâncias especiais – em termos de contra-indicações, interacções com outros produtos ou possíveis efeitos sobre a gravidez e lactação – está agora disponível online um novo serviço de apoio à prescrição. A consulta de dados sobre mais de 3300 compostos químicos e princípios activos é rápida, fiável e gratuita.

O ePocrates Rx, disponível em http://www.epocrates.com/products/rx/, num computador, PDA ou Pocket PC, é um novo programa informático permite a médicos e farmacêuticos encontrar resposta para um amplo conjunto de perguntas relacionadas com a segurança da prescrição de determinados fármacos. Abrindo caminho a uma ampla base de dados, em que pontificam mais de 3300 medicamentos e substâncias activas, informa sobre as indicações terapêuticas de cada produto, a posologia indicada para crianças e adultos, o eventual ajuste das doses em doentes insuficientes renais ou hepáticos, as reacções adversas mais graves e frequentes, as possíveis interacções medicamentosas, os “black box warnings (perfis de segurança), os efeitos sobre a gravidez e a lactação, notas de farmacologia e do utilizador.
No caso particular de pacientes polimedicados poderá ser útil a consulta do MultiCheck, uma ferramenta que permite detectar interacções entre vários fármacos seleccionados pelo utilizador (30 no máximo). Outra possibilidade oferecida pelo programa online é o MedMath, serviço que permite obter o cálculo das doses pediátricas dos medicamentos, clearance da creatinina e os índices de massa corporal e de colesterol LDL, entre outros indicadores. Já o MedTools converte analgésicos opióides e estima as equivalências de corticóides. São recursos quase infindáveis que estão agora ao dispor dos profissionais de saúde, e que possibilitam uma prescrição mais acertada e segura dos medicamentos mais indicados para casa doente.

Carla Teixeira
Fonte: ePocrates Rx, Revista Portuguesa de Clínica Geral, Sílvia Henriques, do Centro de Saúde São João (Porto)
Para tratamento do sarcoma de tecidos moles
Um medicamento no fundo do mar


E do fundo do mar veio finalmente a esperança. Depois de uma primeira tentativa falhada, no final de Junho passado, quando a Agência Europeia de Medicamentos chumbou o primeiro pedido de autorização do Yondelis (trabectedina), o consórcio PharmaMar/Johnson & Johnson obteve o parecer favorável da entidade reguladora espanhola. Designado pela Comissão Europeia e pela norte-americana FDA como medicamento órfão para o tratamento do sarcoma de tecidos moles e do cancro do ovário, o novo fármaco será agora comercializado na Europa pela PharmaMar, nos Estados Unidos pela Ortho Biotech Products, e no resto do mundo pela Janssen-Cilag.

O Yondelis (trabectedina) é um agente antitumoral e destina-se essencialmente ao tratamento do sarcoma de tecidos moles, aqueles que sustêm o organismo. Obtém-se de forma sintética, em laboratório, e representa o culminar de uma investigação de 20 anos no fundo do oceano, que poderá, brevemente, chegar aos doentes que sofrem daquela patologia (cerca de nove mil novos diagnósticos todos os anos em Espanha). A empresa farmacêutica PharmaMar – subsidiária da espanhola Zeltia –, na génese desta novidade, diz não ter dúvidas de que “o mar dará, no decurso deste século, uma excelente colecção de medicamentos”. Extraído do invertebrado ecteinascidia turbinata, o Yondelis é o resultado de uma longa aventura marinha, que teve início no momento em que a pequena PharmaMar ousou ir onde jamais alguma companhia farmacêutica tinha ido, e “mergulhou” a fundo no projecto para o desenvolvimento de novas respostas terapêuticas.
A ousadia dos espanhóis não apanhou de surpresa Helena Gervásio, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, que em declarações ao «Correio da Manhã» explicou que “procurar novas moléculas que têm a sua base e a sua essência em produtos naturais tem sido comum”, havendo “sempre novidades a encontrar neste campo, e que podem dar origem a novos medicamentos”. Ao cabo de longos anos de estudo (a composição química do medicamento foi concluída em 1990), o novo Yondelis está finalmente pronto para entrar no mercado. Na bagagem traz já uma capacidade comprovada para duplicar a esperança média de vida dos doentes do sarcoma de tecidos moles, que, com os tratamentos actuais não vai normalmente além dos sete meses.
Há mesmo casos, entre os pacientes acompanhados no âmbito destas baterias de estudos, que conseguiram ultrapassar os quatro anos de sobrevida àquele cancro, e esse terá sido o argumento de peso a convencer a EMEA a autorizar a introdução do medicamento no mercado farmacêutico europeu. Uma vitória arrancada a ferros pela companhia farmacêutica espanhola, que ainda no mês passado se vira diante da recusa da agência, mas que já motivou o anúncio de que as descobertas não deverão ficar por aqui. Há anos que a pesquisa espanhola no fundo do mar incide também na busca de tratamentos inovadores para outros tumores, como o cancro do ovário, da mama e da próstata.

Percalço
No passado dia 25 de Junho os executivos da PharmaMar saíram de uma reunião com a EMEA muito esperançados na aprovação do novo medicamento, mas essa pretensão viria a ser negada pela agência, que não se deixou convencer, naquela primeira abordagem, pelas qualidades do Yondelis, anunciando que não apoiaria a sua utilização, embora aprazasse uma decisão final para esta altura. Foi “um balde de água fria” para os investigadores, para a companhia e para os muitos pacientes, diante do eventual adiamento do arranque da comercialização do fármaco. Porém, mesmo depois de a EMEA ter dado conta de tamanha hesitação, a documentação que não parecia suficiente teve de ser complementada com nova entrevista, em que a direcção da Zeltia se fez acompanhar de três especialistas em sarcomas da Organização Europeia de Investigação e Tratamento do Cancro. Tinha assim início a mudança nas opiniões dos peritos da EMEA, que não tinha qualquer especialista naquela matéria.
O sarcoma de tecidos moles é um tipo de tumor maligno que pode desenvolver-se nos tecidos adiposos musculares, nervosos, articulares, vasculares e cutâneos. Há pelo menos 80 géneros de sarcomas, mas ainda assim está é uma forma bastante rara de cancro, representando menos de um por cento de todos os novos casos anuais. O tratamento actual consiste em radioterapia e quimioterapia (a que cerca de 60 por cento dos doentes não responde), que podem ser usadas antes de uma cirurgia, para reduzir o tamanho do tumor, ou depois da intervenção cirúrgica, para destruir as células cancerígenas residuais. O Yondelis surge como opção para uma faixa de aproximadamente 30 por cento dos doentes, detendo, segundo os estudos já realizados, a progressão do tumor.

Carla Teixeira
Fonte: El Mundo, Correio da Manhã, PharmaMar

Medicamentos para a diabetes aumentam risco de falha cardíaca

Uma classe de medicamentos utilizados habitualmente para tratar a diabetes tipo 2 pode duplicar o risco de falha cardíaca, segundo uma nova análise feita por investigadores da Wake Forest University School of Medicine.

Baseado numa revisão de estudos de pesquisa e relatórios de casos envolvendo mais de 78.000 pacientes, os autores concluíram que o risco de falha cardíaca pode ser até 100 por cento mais elevada em pacientes a tomar tiazolinedionas (o que inclui o Avandia e o Actos). Estes medicamentos são conhecidos por aumentar a sensibilidade à insulina. Os autores estimam que um paciente adicional com diabetes tipo 2 irá desenvolver uma falha cardíaca por cada 50 pacientes a tomar os fármacos por um período superior a 26 meses. Os autores põem a hipótese de que a retenção de fluidos causada pelos fármacos possa despoletar uma falha cardíaca nas pessoas mais susceptíveis.

O autor principal e professor assistente de medicina interna em Wake Forest, Dr. Sonal Singh, referiu que estes fármacos, só nos Estados Unidos, estão a ser utilizados actualmente por mais de três milhões de pacientes diabéticos, sugerindo que vários milhares poderão ser prejudicados.

No início deste ano, um dos fármacos desta classe, o Avandia, foi relacionado a um aumento do risco de ataques cardíacos e morte devido a causas cardiovasculares, como foi referido no farmacia.com.pt no artigo “Avandia aumenta risco de morte”, publicado no dia 22 de Maio.

A actual análise focou-se numa potencial relação entre os fármacos e a falha cardíaca, que é uma doença comum nas pessoas idosas e uma das mais dispendiosas para a sociedade. Os sintomas mais comuns incluem falta de ar e a incapacidade de fazer exercício, em alguns casos mesmo a dificuldade de andar pequenas distâncias.

Nesta análise, verificou-se que a falha cardíaca ocorreu igualmente tanto com doses baixas como elevadas destes medicamentos. De facto, a falha cardíaca ocorreu até em alguns pacientes que estavam a tomar doses abaixo das normalmente prescritas. O tempo médio para o início de ocorrências de falha cardíaca foi de 24 semanas após ter começado a terapia. A ocorrência de falha cardíaca vários meses após a iniciação do tratamento sugere um efeito de longo prazo dos fármacos, o que pode não ser evitado com doses baixas no início, afirmou o Dr. Singh. A reacção adversa não foi limitada aos mais idosos, um quarto dos casos ocorreu em pacientes com menos de 60 anos, tendo a falha cardíaca ocorrido igualmente em homens e mulheres.

A rotulagem de ambos os fármacos adverte contra o uso em pacientes com casos mais graves de falha cardíaca, prevenindo ainda acerca do aumento do risco de falha cardíaca se utilizado em combinação com insulina. Contudo, a actual análise descobriu que o risco não estava confinado somente aos pacientes a tomar insulina, e que ocorreu até mesmo em pacientes sem quaisquer factores de risco de falha cardíaca. Segundo o co-investigador, Dr. Curt Furberg, as descobertas sustentam os esforços da FDA para adicionar um aviso, chamado caixa negra (black box), à rotulagem destes agentes.

Os autores pediram uma pesquisa adicional para avaliar se existem diferenças entre os fármacos da classe e como gerir da melhor maneira os pacientes que sofreram falha cardíaca enquanto tomavam os fármacos.

Estes resultados foram publicados online em Maio de 2007 pela Diabetes Care e irão ser publicados em papel na edição de Agosto.

Isabel Marques

Fontes: Pharmalive