terça-feira, 4 de setembro de 2007
Problemas mentais afectam 2,3 milhões de portugueses
Francisco George, director-geral da Saúde considera que, de facto “os problemas de saúde mental assumem proporções epidémicas”, relembrando as estimativas da Direcção-Geral da Saúde, que apontam para “que cerca de 20 por cento dos frequentadores dos centros de saúde tenham um problema de foro mental”. Contudo, na opinião do médico, é preciso diferenciar esses casos “das situações de foro psiquiátrico mais graves”.
Numa visão à escala global, cerca de 30 por cento da população mundial sofre de uma doença mental, refere um relatório, que contou com a contribuição de 39 especialistas internacionais e que deverá ser publicado pela revista ‘The Lancet’.
António Leuschner, director do Hospital Magalhães Lemos, no Porto, corrobora a opinião de George e revela que em 2008 talvez seja possível obter um retrato fiel da realidade, pois está já a ser realizado um inquérito exaustivo em Portugal sobre saúde mental. Quanto aos números avançados pelo estudo internacional, Leuschner não se mostra preocupado, pois considera que são apenas “projecções de estudos feitos numa escala menor que depois são aplicados a Portugal”.
O artigo que a 'The Lancet' vai publicar chama também a atenção para a falta de tratamento destas doenças, que nos países em desenvolvimento se aproxima dos 90 por cento, o que não espanta António Leuschner, pois só com um maior “acesso e um número de serviços de saúde mental” mais alargado, será possível inverter a tendência registada.
Inês de Matos
Fonte: Correio da Manhã
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Kits do programa de troca de seringas vão ter dois novos utensílios
Até agora os kits eram compostos por duas seringas, dois toalhetes, desinfectantes com álcool, um preservativo, uma ampola de água bidestilada, um filtro e um folheto informativo. No entanto, as recomendações da Organização Mundial de Saúde apontavam há já alguns anos, para a necessidade de introduzir novos utensílios nos kits, tal como revelou um estudo piloto realizado em 2004 em Lisboa, Porto e Algarve, que considerou "indispensável" o seu fornecimento.
O programa de troca de seringas encontra-se em funcionamento desde 1993 e no final do ano passado faziam parte deste programa 1.341 farmácias e 35 entidades governamentais e não governamentais que levam para o terreno os kits aos utilizadores de droga. Desde a sua criação até Dezembro do ano passado, foram já recolhidas mais de 38 milhões de seringas.
Em 2002, a Associação Nacional de Farmácias apresentou uma estimativa acerca das vantagens do programa, segundo a qual a troca de seringas evita sete mil novos casos de sida por cada 10 mil utilizadores de drogas injectáveis, o que permitiu ao Estado poupar entre 400 a 1.700 milhões de euros, desde o lançamento do programa.
Inês de Matos
Fonte: Lusa e Sol
Jovens diabéticos à conquista do monte Toubkal
Segundo Paulo Madureira, jovem diabético e presidente da AJDP, “o principal objectivo desta iniciativa é alertar contra o sedentarismo (uma das principais causas da diabetes do tipo 2), promovendo também a prática de exercício físico como forma de ter uma vida mais saudável e evitar eventuais complicações na saúde que muitas vezes surgem devido a uma má gestão da saúde”.
A montanha Toubkal tem mais de quatro mil metros de altura e encontra-se situada em território marroquino. A iniciativa reúne um total de 35 pessoas, 25 jovens portadores de diabetes do tipo 1 e tipo 2 e ainda dez profissionais de saúde.
O projecto da AJDP será oficialmente apresentado no próximo dia 10, pelas 16 horas, no Hotel Altis, em Lisboa, onde estará também presente João Garcia, padrinho da iniciativa.
A diabetes afecta 194 milhões pessoas em todo o mundo e em Portugal estima-se que o número de doentes se situe na ordem das 650 mil pessoas.
Inês de Matos
Fonte: Associação de Jovens Diabéticos de Portugal
Farmacêuticas indianas apostam no mercado dermatológico dos EUA
Porém, estas não são as únicas movimentações no ramo. De acordo com o “The Economic Times”, o laboratório Dr Reddy terá feito uma proposta não vinculativa com vista à aquisição da Bradley Pharmaceuticals, empresa com uma forte presença no segmento dermatológico, possibilidade que, aliás, já tinha sido avançada pelo Farmacia.com.pt num artigo publicado no dia 28 de Agosto de 2007.
“O mercado dermatológico é um segmento em crescimento nos EUA” afirma o director executivo e director de operações da Ranbaxy, Atul Sobti citado pelo jornal indiano. Para além disso, os fármacos dermatológicos têm um amplo espectro terapêutico, “a competição é escassa, existem poucos dermatologistas e estes medicamentos fornecem uma boa margem”, acrescenta o responsável.
Esta é uma mais-valia da qual o director de operações financeiras da Dr Reddy, Saumen Chakrabarty, pretende retirar contrapartidas, até porque “quanto menor é o número de investidores no sector, menor é a competição”, afirma.
O mercado de produtos dermatológicos nos EUA está estimado em 7,3 mil milhões de euros, apresentando um crescimento anual de 10 por cento, um número que ganha ainda mais expressividade quando comparado com os 5 a 6 por cento de expansão anual do restante sector farmacêutico norte-americano. Muitos dos produtos cosméticos e para os cuidados da pele são de venda livre, uma ramificação do mercado também em ascensão.
O desenvolvimento de uma presença sólida neste segmento vai permitir que estas empresas ampliem o portfolio de produtos disponíveis no mercado norte-americano. No caso da Sun Pharma, uma possível aquisição da Taro permitir-lhe-á começar a investir no sector dermatológico norte-americano. Este não é o caso da Ranbaxy, que conta já com uma representação significativa no ramo dos produtos para a acne nos EUA, onde o Sotret Isotretinoin ocupa 36 por cento do share de mercado no segmento das Isotretinoínas.
Marta Bilro
Fonte: The Ecomonic Times, Infarmed, Farmacia.com.pt.
Portugueses utilizam pouco o preservativo
É preciso incentivar a utilização do preservativo, um método contraceptivo que, em Portugal, não tem ganho novos adeptos, defendem os especialistas. Apresar da implementação das aulas de educação sexual e dos avanços ao nível do planeamento familiar, a percentagem de utilizadores deste método de contracepção manteve-se, na última década, praticamente inalterada, rondando os escassos 14 por cento.
A taxa de utilização sofreu mesmo uma ligeira quebra nos últimos anos. De acordo com os dados do 4.º Inquérito Nacional de Saúde (INS) recentemente divulgados, a percentagem de utilizadores situa-se nos 13,4 por cento, quando no último inquérito à Fecundidade e Família, realizado em 1997, era de 14 por cento.
Ao contrário dos espanhóis, que elegem este método como favorito, em Portugal “não houve grandes avanços ao longo da última década”, admite Duarte Vilar, da Associação para o Planeamento da Família.
Em 2005 venderam-se em Portugal 16,1 milhões de preservativos, mais 2,48 por cento do que em 2004, um número ainda assim muito distante “dos 129,5 milhões de preservativos vendidos em Espanha para o mesmo período”, refere o jornal Público citando o último relatório de actividades da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida. O que se traduz num "consumo anual médio per capita de 3,1 em Espanha e 1,6 em Portugal".
Embora os dois estudos mencionados não sejam estritamente comparáveis, uma vez que o Inquérito de Saúde não exclui os casos de mulheres sem actividade sexual, grávidas ou inférteis, é explicito o facto da pílula continuar a ser o método contraceptivo de eleição em território nacional. A percentagem de utilizadoras deste método contraceptivo manteve-se quase inalterada, com 67 por cento em 1997, face aos 65,9 do último INS.
O preço parece ser uma das principais justificações para a exclusão do preservativo por parte de muitos portugueses admite Henrique Barros, responsável pela Coordenação Nacional para a InfecçãoVIH/Sida. Porém, o problema pode estar prestes a ser resolvido com a chegada, em 2008, dos preservativos de marcas brancas, cujo preço não deverá ultrapassar os 25 cêntimos, tal como foi noticiado pelo Farmacia.com.pt, no dia 1 de Agosto de 2007.
Para além dos riscos de uma gravidez indesejada é preciso ter em conta as DST salienta obstetra Miguel Oliveira e Silva. Um dos exemplos é a elevada taxa de cancro do colo do útero existente em Portugal, que acaba por ser um dos piores reflexos deste comportamento dos portugueses. Em declarações àquela publicação, o especialista defende que "em vez de colocarmos toda a ênfase na vacina contra esta doença, deveríamos investir em campanhas do uso do preservativo".
Marta Bilro
Fonte: Público, Farmacia.com.pt.
Novo composto da Eli Lilly benéfico no tratamento da esquizofrenia
Contrariamente a outros medicamentos para o tratamento da esquizofrenia que actualmente se encontram no mercado, a nova substância não tem como alvo a dopamina. O LY2140023, designação atribuída ao fármaco, afecta o glutamato, um neurotransmissor excitatório responsável pela memória e aprendizagem.
Um ensaio clínico de fase II demonstrou que o medicamento é tão eficaz como o Zyprexa na redução de sintomas como as alucinações ou o afastamento social. Para além disso, o fármaco não deu origem a movimentos involuntários, rigidez muscular ou aumento de peso, efeitos adversos inerentes a tratamento habitual da doença.
De acordo com a empresa, este será o primeiro candidato a fármaco para o tratamento da esquizofrenia que interfere com os glutamatos. O Zyprexa, com vendas 3,2 mil milhões de euros em 2006, verá a patente expirar em 2011.
De acordo com Steven Paul, vice-presidente do departamento de ciência e tecnologia da Eli Lilly, são ainda necessários “estudos adicionais para confirmar e aprofundar esta descoberta”. No entanto, acrescenta, “os dados sugerem que [o medicamento] pode representar uma nova alternativa” para o tratamento desta patologia.
A descoberta poderá ajudar a farmacêutica norte-americana a fazer frente ao Risperdal Consta (risperidona), um medicamento injectável produzido pela Johnson & Johnson, que num estudo recente, demonstrou mais benefícios no tratamento da esquizofrenia do que o Zyprexa.
O novo composto da Eli Lilly vai ainda competir com o bifeprunox, um medicamento da Wyeth em fase experimental, que também não provoca aumento de peso. A aprovação do medicamento foi recentemente rejeitada pela Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA) que o considerou ineficaz requisitando mais informações sobre a actuação do medicamento no metabolismo humano.
Marta Bilro
Fonte: Reuters, Bloomberg, Infarmed, Farmacia.com.pt.
Fomentar a comunicação médico/paciente diminui risco de doenças cardiovasculares
O estudo prospectivo, no qual foram analisados 1.100 pacientes de nove países europeus, demonstra que uma avaliação, implementada pelo médico e focada no paciente, acerca da evolução do risco de doença coronária, bem como a aplicação de um programa de comunicação, diminuíram significativamente o risco de doença cardiovascular em 11,7 por cento dos pacientes, comparativamente aos cuidados habituais.
O ensaio clínico distribuiu aleatoriamente os médicos em dois grupos. Utilizando um calculador de risco, os clínicos inseridos no grupo de comunicação forneceram aos pacientes informações sobre a avaliação do risco, esclareceram-nos acerca dos resultados e informaram-nos sobre estratégias de controlo dos riscos durante um período de seis meses. Por sua vez, os médicos no grupo de controlo não informaram os pacientes acerca dos riscos que correm, nem lhes forneceram uma avaliação do risco, sendo que os pacientes receberam os cuidados habituais. Durante o estudo, todos os doentes foram medicados de acordo com a avaliação clínica da sua situação feita pelo médico.
“Estes resultados sugerem que quando os médicos informam os pacientes acerca dos riscos cardiovasculares como parte da administração do tratamento para a doença, o risco de problemas cardiovasculares pode ser significativamente reduzido”, afirma o director médico da Pfizer, Jan Buch. No entanto, adverte o especialista, “a redução de 11,7 por cento não normaliza o risco do paciente, pelo que, são necessárias medidas adicionais para melhorar a terapia”.
Marta Bilro
Fonte: Market Watch.
Actavis formaliza actividade em Portugal
A companhia farmacêutica islandesa Actavis, uma das empresas de liderança mundial na área dos medicamentos genéricos, anunciou a aquisição do negócio da Alpharma e a formalização da sua presença em Portugal. O mercado nacional passa assim a contar com mais uma empresa de grande revelância à escala planetária.Fundada em 1956 e consolidada entretanto como uma das cinco maiores empresas de desenvolvimento, produção e comercialização de fármacos sem marca mais importantes do mundo, a Actavis conta actualmente mais de 11 mil colaboradores, espalhados por unidades de laboração que se distribuem por quatro dezenas de países. Na sua página na internet a companhia farmacêutica garante disponibilizar “um dos maiores portfolios de medicamentos genéricos” e “uma grande variedade de produtos em desenvolvimento e processo de registo, de forma a oferecer aos seus clientes uma grande variedade de fármacos de qualidade”. No âmbito do seu estruturado plano de expansão, a aActavis já protagonizou mais de 20 aquisições desde 1999, perpetuando uma contínua tendência de forte crescimento. Em 2006 teve um volume de vendas de aproximadamente 1.4 mil milhões de euros, estimando para este ano atingir os 1.6 mil milhões.
É no âmbito desse programa de expansão que a Actavis chega finalmente a Portugal. A empresa tem como onjectivo criar valor no mercado farmacêutico nacional, quer para os seus colaboradores, mediante a oferta de projectos ambiciosos e novos desafios, e para os seus clientes e para os utentes dos seus produtos, disponibilizando medicamentos genéricos de qualidade. A aquisição dos negócios da Alpharma, cujos produtos passam agora a assumir o logotipo da Actavis, inscreve-se nessa estratégia de alargamento da marca, que passa a totalizar 38 medicamentos (30 dos quais genéricos em várias áreas terapêuticas e 21 apresentações de produtos OTC e dermocosméticos) no mercado luso da Farmácia.
Carla Teixeira
Fonte: Actavis, MediaHealth Portugal, Médicos de Portugal
Merck quer alargar aplicação do Erbitux
A Merck KGaA submeteu um pedido de aprovação à Agência Europeia do Medicamento para alargar as indicações de utilização do Erbitux (cetuximab). A farmacêutica alemã pretende que o medicamento seja aplicado enquanto terapia de primeira linha no tratamento do cancro colo-rectal metastático, revela a empresa num comunicado divulgado esta segunda-feira.
O medicamento, utilizado em Portugal desde 2004, é indicado no tratamento de doentes com cancro colo-rectal metastático em associação com irinotecano. “Caso seja aprovada, a utilização do Erbitux enquanto tratamento de primeira linha vai proporcionar uma maior esperança de cura para esses pacientes”, afirma o vice-presidente executivo do departamento de oncologia da Merck Serono, Wolfgang Wein.
A candidatura vai ser avaliada pelo Comité de Especialidades Farmacêuticas para Uso Humano da Agência Europeia do Medicamento (CHMP) e, se receber parecer positivo, o fármaco pode começar a ser utilizado como terapia de primeira linha ainda no segundo semestre do ano, refere o mesmo documento.
As pretensões do laboratório são sustentadas pelo estudo Crystal que demonstrou que, quando associado à quimioterapia comum com irinotecano em primeira linha, o Erbitux aumenta significativamente a taxa de sobrevivência, resposta e reacção.
A Merck comprou à ImClone Systems os direitos do fármaco na Europa e noutros mercados chave.
Marta Bilro
Fonte: Merck, Reuters.
REPORTAGEM
Medicamentos na internet e ao domicílio
Começou a falar-se no assunto em Março, quando o Governo anunciou a sua intenção de, a breve trecho, proceder à liberalização do sector da farmácia, designadamente no que toca à propriedade e ao esquema de funcionamento daqueles estabelecimentos. No seguimento das primeiras medidas, que despojaram os farmacêuticos da exclusividade da venda de genéricos e medicamentos sem receita, o Executivo de José Sócrates está agora a preparar a venda de medicamentos na internet e ao domicílio. Há anos que a Associação Nacional de Farmácias tem em marcha o Farma 24...
De acordo com o que o farmacia.com.pt conseguiu apurar junto de diversas fontes do sector farmacêutico e da própria Associação Nacional de Farmácias, o serviço Farma 24 consiste exactamente na entrega de medicamentos ao domicílio e funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano. O doente pode accionar o serviço por telefone, directamente para a farmácia da sua zona de residência ou para o número nacional 808262728 (chamada local), e duas a três horas depois de feito o pedido recebe comodamente, em sua casa, os fármacos e produtos dermofarmacêuticos de que necessita, mediante pagamento de uma taxa. O Farma 24 está disponível desde 2004, inicialmente numa área geográfica muito limitada, mas que depois se foi expandido, devendo ascender actualmente a um número muito próximo das mil farmácias. No Norte, por exemplo, há já muitas farmácias aderentes ao projecto na zona do Grande Porto, que além da metrópole inclui concelhos como Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Póvoa do Varzim, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia.
Nas palavras dos responsáveis da ANF, o Farma 24 foi “concebido para dar apoio aos utentes e ajudá-los a ultrapassar eventuais dificuldades com a deslocação à farmácia”. O serviço assenta num bem desenvolvido esquema informático e reforça o contacto dos utentes com os farmacêuticos, sendo a coordenação das entregas processada através de um serviço próprio, especificamente criado para o efeito. O pagamento é realizado no momento da entrega da encomenda, podendo o utente optar por liquidação em dinheiro, cheque ou multibanco, uma vez que o operador estará sempre munido de um terminal de pagamento por aquela via. O Governo parece agora ter-se inspirado nesta medida da Associação Nacional de Farmácias para anunciar que, dentro de pouco tempo, todos os portugueses poderão optar por fazer as suas compras de farmácia ao domicílio ou, em alternativa, na cada vez mais presente internet.
À luz da nova lei da liberalização das farmácias, que deverá entrar em vigor no dia 30 de Outubro, por essa altura já deverá ser possível encomendar determinados produtos pela internet, desde que não se trate de medicamentos sujeitos a receita médica, alargando o âmbito da comercialização dos produtos que actualmente já são vendidos em farmácias, parafarmácias e supermercados. “É preciso garantir que os doentes terão a informação necessária para poderem comprar medicamentos sem apoio de um farmacêutico”, disse em Março, em declarações ao «Diário de Notícias», António Faria Vaz, administrador da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), salientando que “comprar medicamentos através da internet não é muito diferente de comprá-los no supermercado”. De acordo com aquele técnico, “se 40 por cento da população compra medicamentos no supermercado, por que não online?”.
Medidas polémicas
Com a entrada em vigor destas novas regras, Portugal deverá aproximar-se de países como o Reino Unido, a Alemanha, a Holanda e a Irlanda, onde já é possível comprar produtos farmacêuticos na internet, contrastando com Espanha e Bélgica, cada vez mais isoladas da “vertente farmacêutica europeia”. Também de acordo com a nova lei, deverá passar a ser possível nas farmácias a administração de vacinas e a prestação de outros serviços de saúde (que o diploma ainda não especifica), que se encontravam previstos já no chamado «Compromisso para a Saúde», que a tutela e a Associação Nacional de Farmácias assinaram há alguns meses, e que no seu ponto 13 refere que “as farmácias podem evoluir para unidades prestadoras de serviços farmacêuticos, para além da dispensa de medicamentos e, nessa medida, deve ser actualizado e ampliado o objecto da sua actividade”.
No mesmo ponto, um dos mais polémicos daquele acordo, lê-se ainda que, “para além da dispensa de medicamentos, passam a constituir objecto da actividade da farmácia os produtos e serviços seguintes: serviços farmacêuticos, designadamente domiciliários, em especial para apoio àterceira idade; produtos naturais; produtos veterinários; produtos de saúde e conforto; vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação da Direcção-Geral de Saúde, administração de medicamentos e primeiros socorros; meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica; campanhas de informação e programas de cuidados farmacêuticos”.
São vários entre os 28 pontos do «Compromisso para a Saúde» os que suscitaram viva polémica desde o momento em que foram enunciados, e que entroncou logo na alegada impossibilidade de os farmacêuticos realizarem exames complementares de diagnóstico e prestarem primeiros socorros. O ponto 13 é, no âmbito daquele protocolo, o que mais desagradou aos médicos, que solicitaram a intervenção do Provedor de Justiça, dando conta do que definiram como uma “colisão de competências profissionais”. Nascimento Rodrigues foi instado a apreciar o documento e a enviar a sua posição aos órgãos de soberania, com o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos a avisar que “meios complementares de diagnóstico podem ser muita coisa, desde uma análise laboratorial a uma radiografia”, frisando por esse motivo a necessidade de “que seja bem claro o que é possível realizar nas farmácias, por questões técnicas, e porque cada uma dessas práticas exige profissionais especializados, desde médicos a técnicos de diagnóstico e terapêutica, que não foram sequer ouvidos”, justificou José Pedro Moreira da Silva, asseverando que, nos moldes em que foi concebido, o «Compromisso para a Saúde» “é ilegal”.
Carla Teixeira
Fonte: «Diário Económico», Associação Nacional de Farmácias, «Compromisso para a Saúde», discurso do ministro da Saúde na apresentação da nova proposta de lei
domingo, 2 de setembro de 2007
PlayStation contra a obesidade infantil
O estudo, intitulado “Impacto dos vídeo-jogos com a tecnologia Matching Motion na actividade física de adolescentes obesos”, consiste na utilização do “Eye-Toy”, um dispositivo da Playstation com tecnologia “Matching Motion”, que possibilita uma maior movimentação. Na investigação participaram 15 adolescentes que frequentavam a consulta de Obesidade Adolescente, do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria e que como tal, necessitavam aumentar a sua actividade física.
“O número de participantes era reduzido porque só os adolescentes que fossem recomendados pelo Hospital Santa Maria é que podiam participar no estudo. Assim, podíamos ter a certeza que esta era a população mais necessitada”, explica António Palmeira, coordenador do Centro de Exercício e Saúde, e responsável pelo estudo.
Os adolescentes, cujas idades oscilavam entre os 13 e os 14 anos, mostravam resistência à prática de exercício. “A forma como estes jovens gostavam mais de passar o seu tempo era em frente ao computador, a jogar, ou a ver televisão”, adianta o investigador. A ideia era pôr os jovens a mexer por vontade própria e o “Eye-Toy” parecia a solução mais adequada.
Cada participante tinha à sua disposição uma playstation a tempo integral, para que pudessem jogar sempre que quisessem. O resultado não deixou dúvidas, a diminuição do sedentarismo foi-se registando ao longo das semanas, culminando numa perca calórica de 30 por cento, comparativamente ao que era registado antes dos participantes começarem a ter acesso ao jogo.
“O objectivo inicial era que estes jovens começassem a praticar mais actividade física, e esse foi cumprido”, declara António Palmeira, ainda que com o passar do tempo os jovens tenham começado a manifestar um menor interesse pelo equipamento. No entanto, o estudo foi manifestamente positivo, uma vez que “a perda de peso nesta idade é difícil de verificar porque é nesta altura da adolescência que se dão as maiores transformações no corpo”, conclui o especialista.
A equipa pretende dar continuação ao estudo, de forma a analisar qual a perda de massa gorda destes jovens e a conhecer até que ponto estes jogos aumentam o interesse dos adolescentes pela prática de exercício físico. Os efeitos deste jogos na personalidade dos jovens é outra problemática que interessa à equipa e que mais tarde deverá ser também abordada.
Inês de Matos
Fonte: Portugal Dário
Poucas horas de sono podem comprometer o desenvolvimento infantil
A investigação canadiana centrou-se em crianças até aos três anos e meio de idade, enquanto que a pesquisa inglesa abordou jovens entre os 12 e os 16 anos, mas os resultados que ambas registaram apontam que a falta de sono pode realmente representar um atraso no desenvolvimento das crianças, podendo também originar problemas de tiróide ou depressão, aumentando ainda o risco de obesidade.
No caso das crianças até aos três anos e meio, cujo sono nocturno é inferior a 10 horas, existe uma séria probabilidade de virem a sofrer de problemas cognitivos e de comportamento quando entram para a escola, mesmo que normalizem os seus padrões de sono, pelo menos é esta a convicção do responsável pelo estudo, Jacques Montplaisir, do Centro de Doença do Sono, do Canadá.
O estudo desenvolvido no Canadá observou 1492 crianças, desde os cinco meses até aos seis anos, que foram divididas em quatro grupos: as crianças que dormem "persistentemente pouco", menos de 10 horas, as que "dormem pouco mas progressivamente mais", as "constantes nas 10 horas" e as "constantes nas 11 horas", de acordo com a informação obtida através de questionários realizados às mães.
As crianças foram submetidas a testes de vocabulário, de capacidades visuais, espaciais e motoras, sendo que os dois primeiros grupos apresentaram resultados mais negativos. Os investigadores perceberam também que a falta de sono pode conduzir à hiperactividade e impulsividade das crianças.
A investigação realizada no Reino Unido baseou-se em mil entrevistas realizadas a adolescentes, entre os 12 e os 16 anos, dois quais 33% disseram dormir apenas entre quatro a sete horas por noite e 40% admitiu sentir-se cansado durante o dia, ainda que não atribuam muita importância à duração e qualidade do sono.
"Estamos a ver surgir o sono junk, que não tem a duração e a qualidade que deveria para alimentar o cérebro com o descanso que precisa", alertam os investigadores ingleses do Sleep Council, realçando ainda a importância de reeducar para o sono de qualidade, cujo mínimo recomendado é de oito horas, sob pena de um mau sono conduzir ao aumento da obesidade, dos problemas de tiróide e das depressões.
Inês de Matos
Fonte: Jornal de Noticias
Anti-hipertensor reduz em 14% mortes de diabéticos
De acordo com o estudo ADVANCE (Action in Diabetes and Vascular Disease), desenvolvido pelo Instituto George para a Saúde Internacional (Sidney), a utilização sistemática de um medicamento para a hipertensão arterial, constituído pelas substâncias activas perindopril/indapamida, diminui o risco de morte e evita problemas renais e cardíacos a diabéticos tipo 2.
A investigação, apresentada como a maior de sempre envolvendo diabéticos de tipo 2, analisou mais de 11 mil indivíduos em 20 países, incluindo doentes hipertensos e com pressão arterial normal, estando a totalidade já medicada para a sua situação clínica. Nestas condições, a administração de perindopril e indapamida, e independentemente do valor da pressão arterial, demonstrou a redução em 14 por cento da mortalidade global e em 18 por cento da mortalidade devido a problemas cardiovasculares, como enfarte agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.
Para além disso, foi observada uma redução em 12 por cento do risco de problemas coronários e em 21 por cento a possibilidade de desenvolvimento de doenças renais. “Este tratamento reduz para quase um quinto a probabilidade de morrer de complicações da diabetes, sem efeitos secundários”, salientou Stephen MacMahon, um dos coordenadores do estudo. John Chalmers, outro dos investigadores, acredita que “se os benefícios demonstrados forem aplicados a apenas metade da população mundial de diabéticos, pode evitar-se mais de um milhão de mortes a cinco anos”.
Existem, em todo o mundo, perto de 246 milhões de diabéticos, a maioria dos quais poderá morrer ou ficar incapacitada devido a complicações da doença, sendo a causa de morte mais comum a doença cardiovascular (50 a 80%). A diabetes tipo 2 é a forma mais comum da doença, representando entre 90 a 95 por cento dos casos.
Calcula-se que, em Portugal, a diabetes afecte entre 900 mil e um milhão de pessoas, incluindo os casos não diagnosticados. Os dados do último Inquérito Nacional de Saúde apontam para uma incidência da doença em Portugal de 6,5 por cento, entre 2005 e 2006, sendo que em 1998/9 a diabetes afectava apenas 4,7 por cento da população. A subida do número de casos está estreitamente relacionada com o crescimento da obesidade e do sedentarismo, uma vez que 90 por cento dos doentes que desenvolvem a doença apresentam um peso 120 por cento superior ao considerado normal.
Num pessoa não diabética, a pressão arterial deve situar-se abaixo dos valores 140/90. Já no caso dos doentes diabéticos os valores não devem ultrapassar os 130/80.
Marta Bilro
Fonte: Lusa, Diário Digital, Portugal Diário.
Vacina contra a gripe à venda em Outubro
A vacina contra a gripe sazonal para a época 2007/2008 deverá ser disponibilizada no mercado farmacêutico português no próximo dia 1 de Outubro. Neste ano o Ministério da Saúde traça como objectivo o aumento da taxa de cobertura daquela imunização, pelo que as receitas médicas emitidas desde o passado dia 1 vão manter-se válidas até final do corrente ano.A população de maior risco, constituída essencialmente por idosos e doentes crónicos, está na linha da frente das preocupações da Direcção-Geral de Saúde, que numa nota emitida há dias apontou como objectivo o aumento da taxa de cobertura da vacina nos grupos de risco, tendência que já se vinha verificando em anos anteriores. Na época gripal 2006/2007 notou-se “um aumento significativo da taxa de vacinação no grupo” da população nacional com mais 65 anos, atingindo mais de 50 por cento daquela faixa de cidadãos, segundo um documento divulgado pelo Observatório da Saúde do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.
No entanto, e à luz do mesmo documento, quando é tida em conta a população geral, houve um decréscimo da taxa de vacinação de 19,1 pontos percentuais em 2006, que se fixou nos 14,3 por cento. A fim de evitar constrangimentos no que diz respeito ao funcionamento dos serviços, o secretário de Estado da Saúde fez divulgar um despacho em que procede ao alargamento do prazo de validade do receituário médico, de modo a permitir a prescrição antecipada da imunização. “As receitas médicas em que seja feita a prescrição exclusiva de vacinas contra a gripe para a época gripal 2007/2008, emitidas a partir do dia 1 de Setembro, são válidas até 31 de Dezembro do corrente ano”, refere o despacho do governante.
A vacina contra a gripe deverá ser administrada preferencialmente durante os meses de Outubro ou Novembro, mas pode ser aplicada ao longo de todo o período de Outono e Inverno. Até agora, a Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) deu autorização para a comercialização de sete tipos diferentes de vacinas contra a gripe sazonal em Portugal. Anualmente a doença atinge cerca de um milhão de cidadãos portugueses.
Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa
sábado, 1 de setembro de 2007
103 portugueses morreram à espera de rim em 2006
Apesar de existirem em Portugal oito centros com valências para transplante de rim, a espera continua a ser uma das mais elevadas entre os vários órgãos, sendo calculada num mínimo de três anos. O número de transplantes renais tem vindo a crescer, ainda assim mantém-se abaixo dos dados de 1996.
Em declarações ao jornal, Eduardo Barroso, presidente da Autoridade para os Serviços de Sangue e de Transplantação (ASST), explica que “nem todos são vítimas de insuficiência renal, podendo falecer na sequência de doença ou de outras causas”.
Portugal tem 20,1 dadores por milhão de habitantes, mas luta para se aproximar dos níveis espanhóis (33,8 dadores). No ano passado, os transplantes de rim ascenderam a quase 40 por milhão de habitantes, a maior parte dos quais (35,8) a partir de um dador cadáver. No entanto, a melhor hipótese para reduzir a lista de espera está nos dadores vivos.
Publicada há dois meses, a lei que permite a dádiva de órgãos em vida a casais e amigos é uma das ferramentas essenciais para aumentar o número de órgãos disponíveis. Segundo afirmou o presidente da ASST, a lei já está pronta, estando apenas dependente da regulamentação. A directiva está agora a ser analisada pelos administradores hospitalares, sendo de esperar que seja publicada a partir de Setembro.
Maria João Aguiar, coordenadora nacional de colheitas da ASST, lembra que o número de dadores no país está estacionário desde há dez anos. Houve apenas uma alteração no que diz respeito ao número de transplantes realizados, com excepção do transplante de rim com dador cadáver. Há 10 anos, apenas se faziam 0,3 transplantes renais por milhão de habitantes, com dador vivo, quando hoje estamos próximos de 4.
No ano passado, realizaram-se 94.500 transplantes a nível mundial. A média de doações de órgãos na União Europeia ascendeu aos 17,8 por milhão de habitantes. A Espanha lidera a colheita, com 33,8 dadores por milhão, e no transplante de vários órgãos. Entre os países com piores indicadores europeus estão a Roménia e outras nações de leste.
Marta Bilro
Fonte: Diário de Notícias, Lusa, Diário Digital.
Vinho tinto reduz risco de desenvolver cancro da próstata
Ao alimentarem ratos com resveratrol, um composto presente no vinho tinto, os investigadores observaram que estes se tornavam 87 por cento menos propensos a desenvolver o tipo mais letal de cancro da próstata.
A equipa de cientistas descobriu também que entre a percentagem de ratos que consumiram resveratrol - mas também sofreram de cancro – os tumores desenvolvidos eram menos sérios e apresentavam 48 por cento mais hipótese de não crescer ou desacelerar esse crescimento, relativamente aos animais que não o consumiram.
“O consumo de resveratrol, por meio do vinho tinto, tem poderosas propriedades de quimioprofilaxia, além de seus aparentes benefícios para o coração”, salienta o orientador do estudo, Coral Lamartinière, do Departamento de Farmacologia e Toxicologia da UAB.
Uma investigação anterior, levada a cabo pela mesma universidade, revelou que os machos não são os únicos a serem beneficiados. As cobaias fêmeas que consumiram resveratrol demonstraram um risco muito inferior de desenvolver cancro da mama.
O único problema reside na quantidade de resveratrol consumida pelos ratinhos machos para a realização do estudo da próstata que, em humanos, seria o equivalente ao consumo de uma garrafa de vinho por dia.
Marta Bilro
Fonte: Lusa, Diário Digital, Associação Regional de Saúde do Centro.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Takeda avança o desenvolvimento do fármaco experimental para a hipertensão
Espera-se que o TAK-536 apresente uma acção anti-hipertensora mais forte, e que seja também mais efectivo a combater a resistência à insulina e a proteger os rins, em comparação com outros bloqueadores do receptor de angiotensina existentes no mercado.
A Takeda avança assim a possibilidade de uma substituição para o tratamento da hipertensão mais vendido, o Blopress, que apresentou vendas de 55,4 mil milhões de ienes (480 milhões de dólares) nos três meses até ao dia 30 de Junho, 5 por cento mais do que no ano anterior.
Masaomi Miyamoto, gestor geral da divisão de desenvolvimento farmacêutico da Takeda, disse que a companhia está satisfeita com o progresso do TAK-536 para a Fase 2 dos ensaios clínicos, uma vez que este composto deve suceder o Blopress (candesartan cilexetil), que é um ABR e um dos produtos internacionais estratégicos da companhia, e é também um dos produtos líderes anti-hipertensivos no Japão. A Takeda está a tentar acelerar acentuadamente o desenvolvimento do TAK-536 para ser lançado o mais rapidamente possível, para posteriormente aumentar o franchise nesta área terapêutica.
Isabel Marques
FDA adia decisão acerca do fármaco experimental para a fibrilhação auricular
A FDA pediu esta informação como preparação para o encontro de consultores externos (Cardiovascular and Renal Drugs Advisory Committee), programado para os dias 11 e 12 de Dezembro, para rever terapias para a conversão aguda de arritmias cardíacas. Mais especificamente, a FDA requereu dados sobre a segurança e a eficácia do ensaio ACT 2 do fármaco, uma forma intravenosa do hidrocloreto de vernakalant, que estava a decorrer quando foi apresentada a candidatura no final de Dezembro passado. Esta foi a segunda tentativa das companhias, pois a FDA rejeitou a candidatura anterior invocando inconsistências e omissões nos dados.
O analista da UBS Investment Research, Jeff Elliott, sublinhou que este adiamento até tem um lado positivo, uma vez que as companhias terão, assim, a possibilidade de realçar os dados muito fortes acerca do fármaco, e poderão ganhar tempo para adquirir a aprovação para uma indicação adicional pós-cirurgia.
A Cardiome concedeu à Astellas uma licença exclusiva em 2003 para desenvolver e comercializar o fármaco na América do Norte. O fármaco pertence à classe dos bloqueadores dos canais de cálcio e é direccionado ao batimento cardíaco rápido nas câmaras superiores do coração, ou aurículas, sem perturbar as câmaras inferiores. Este é um de dois tratamentos em etapas avançadas de desenvolvimento na Cardiome.
Isabel Marques
Fontes: First Word, Bloomberg
Sessões informativas «Memórias à quarta»
No âmbito do calendário de eventos destinados a assinalar o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, que se cumpre no próximo dia 21, a Associação Alzheimer Portugal vai promover, nas quatro quartas-feiras do mês, sessões informativas sobre a doença neurodegenerativa progressiva que afecta cerca de 60 mil portugueses.
Numa nota de imprensa enviada ao farmacia.com.pt, a associação dá conta de que os encontros do ciclo «Memórias à quarta», todos marcados para as 17h30, terão lugar nas «Lojas do Avô» de Almada, Funchal, Lisboa e Porto e terão entrada livre, destinando-se essencialmente a cuidadores formais e informais, profissionais de saúde e familiares dos doentes, bem como a todas as pessoas que, por qualquer motivo, tenham interesse em acompanhar o tema. A presidente da Associação Alzheimer Portugal, Maria do Rosário Zincke dos Reis, explica que “em cada quarta-feira do mês a associação vai abordar um tema diferente, com o objectivo de informar sobre a doença e apresentar às pessoas com Alzheimer e aos seus cuidadores soluções de apoio e diferentes perspectivas de cuidados que muitos podem não conhecer”.
A primeira sessão informativa, que será essencialmente subordinada à apresentação do leque de serviços, recursos e objectivos da associação, está agendada para o próximo dia 5 na Loja do Avô de Almada (tel. 212744427). Segue-se, na quarta-feira seguinte, na Loja do Avô do Funchal (Tel. 291203170) no dia 12, a sessão «Diagnosticar para não rotular», em que será feita uma chamada de atenção para a importância do diagnóstico precoce, fornecendo dados sobre como e a quem devem dirigir-se os interessados quando surgirem os primeiros sinais de alarme, acentuando que “nem tudo o que atinge os mais idosos é Alzheimer”.
A terceira sessão, intitulada «A abordagem centrada na pessoa com demência», está prevista para o dia 19 na Loja do Avô de Lisboa (Tel. 213579040), e terá como objectivo fundamental a apresentação de uma estratégia de acompanhamento do doente que se centra na necessidade de “olhar para o indivíduo com demência de forma diferente”. Por fim, o calendário encerra no dia 26, na Loja do Avô do Porto (Tel. 225093022), com o encontro «A segurança da pessoa com demência», em que os técnicos da associação darão a conhecer os dispositivos e fornecerão dicas com vista a garantir uma maior segurança em casa e na rua.
Carla Teixeira
Fonte: press-release da Hill & Knowlton, http://www.ajudas.com/, http://www.latiendadelabuelo.com/
Eli Lilly e Takeda terminam co-desenvolvimento do mesilato de ruboxistaurina
As companhias explicaram que esta decisão foi tomada após a revelação dos dados da Fase II dos ensaios clínicos do fármaco, para o tratamento da neuropatia diabética periférica e do edema macular diabético, que falharam ao não cumprir os critérios pré-determinados para prosseguir o desenvolvimento para a Fase III dos estudos. A Takeda e a Eli Lilly tinham assinado o acordo de co-desenvolvimento em 2003.
Isabel Marques
Fontes: First Word, www.takeda.com
Publicado novo regime jurídico das farmácias
Foi publicado esta sexta-feira (31 de Agosto), em Diário da República, o Decreto-Lei n.º 307/2007, que estabelece o regime jurídico das farmácias de oficina. Com o novo diploma a propriedade das farmácias deixa de estar limitada exclusivamente a farmacêuticos, sendo que esta passa a estar também reservada a pessoas singulares e a sociedades comerciais, numa concentração máxima de quatro estabelecimentos.
O texto, que entra em vigor dentro de 60 dias, reforça o regime de incompatibilidades em relação à propriedade, exploração e gestão de farmácias, quer directa quer indirectamente. De forma a garantir a igualdade fiscal com as demais farmácias, as instituições particulares de solidariedade social que detêm farmácias deverão constituir-se em sociedades comerciais.
No que toca à direcção técnica da farmácia, é exigida a permanência e exclusividade de um farmacêutico sujeito a regras deontológicas próprias e exigentes, para garantir e promover a qualidade e melhoria contínua dos serviços prestados aos utentes. Por sua vez, o papel do director técnico ganha relevo, atendendo à dissociação entre propriedade da farmácia e titularidade por farmacêutico.
No âmbito da valorização das regras deontológicas, o controlo dos deveres deste funcionário pode ser efectuado pela Ordem dos Farmacêuticos. Ao vincular juridicamente o director técnico ao cumprimento das disposições gerais do diploma pretende-se reflectir o interesse público que caracteriza a actividade. Exemplo disso é a promoção do uso racional do medicamento e os deveres de colaboração e de farmacovigilância que lhe são atribuídos.
De acordo com a nova legislação, cada farmácia fica agora obrigada a dispor de dois farmacêuticos, de forma a garantir que as ausências do director técnico sejam colmatadas pela presença de um farmacêutico que o substitua. O novo regime jurídico continua a prever a atribuição de novas farmácias através de concurso público. A regulação do licenciamento será objecto de diploma próprio.
A dispensa de medicamentos não sujeitos a receita médica poderá ser efectuada pelos locais de venda através da internet e ao domicílio. Uma novidade que pretende beneficiar os utentes impossibilitados de se deslocarem, sendo que o serviço poderá motivar a cobrança de um valor adicional. As farmácias ficam também autorizadas a adquirirem medicamentos através de concurso, situação proibida pela legislação revogada.
Segundo o novo regime jurídico, os consumidores vão também poder reclamar dos atendimentos nas farmácias no site da Internet da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed). Para além de terem à disposição livros de reclamações nas farmácias, será também disponibilizada uma área própria no site do Infarmed.
Conforme noticiou o Farmacia.com.pt, o diploma foi aprovado pelo Governo em Julho de 2007, um ano depois de ter chegado a acordo com Associação Nacional de Farmácias, sobre o denominado “Compromisso com a Saúde”.
Marta Bilro
Fonte: Ministério da Saúde, Portugal Diário, Farmacia.com.pt.
Indústria farmacêutica: Um retrato das transformações do mercado
São necessárias alterações porque a repetição do modelo existente tende a não funcionar. Os fármacos mais bem sucedidos do mercado estão prestes a perder a protecção da patente e há poucos produtos actualmente em desenvolvimento devido à falta de inovação fundamental, ao aumento das vendas e despesas de marketing ou à subida dos custos de regulamentação. Para além disso, a controvérsia que envolve alguns medicamentos tem provocado um certo descrédito e falta de confiança na indústria.
As consequências traduzem-se ao nível financeiro. De acordo com um artigo publicado na “Genetic Engineering & biotechnology News” (GEN), o retorno sobre os stocks farmacêuticos tem-se atrasado em relação a outras indústrias – durante os últimos seis anos, o índex mundial do Dow Jones (bolsa de valores de Nova Iorque) subiu 34,9 por cento, enquanto o índex farmacêutico global FTSE cresceu apenas 1,3 por cento. A indústria está financeiramente mais débil e não consegue responder aos desafios que enfrenta através da simples injecção de capital, pode ler-se na mesma publicação.
Ainda assim, o futuro da indústria é mais promissor do que aquilo que aparenta, já que as estimativas indicam que o mercado farmacêutico global deverá duplicar o seu valor até 2020, atingindo vendas anuais no valor de 949 mil milhões de euros. A procura deverá ser estimulada, maioritariamente, pelo crescimento da camada de população idosa e cada vez mais sedentária, especialmente dos novos mercados nos países em vias de desenvolvimento.
A estes factores acresce a incidência de algumas doenças existentes, em parte devido às alterações climáticas, que alargam o espectro geográfico de doenças infecciosas tropicais e semi-tropicais. As doenças crónicas do foro respiratório estão também a alastrar, à medida que as novas fábricas e os automóveis fazem disparar os níveis de poluição nos países em vias de desenvolvimento. Para além disso, há que ter em conta as novas doenças, muitas delas resistentes às terapias existentes.
Enquanto a indústria farmacêutica procura fazer frente aos obstáculos e agarrar oportunidades estratégicas, há 10 desafios transformacionais que, segundo a GEN, se colocam ao sector até 2020:
- A confiança da indústria nos chamados medicamentos de sucesso deverá diminuir. Em vez disso, o sector vai centrar atenções no desenvolvimento de fármacos com um alcance mais alargado. Prevê-se também uma alteração nas vendas e no marketing, sendo que as grandes equipas de venda actuais deverão ser substituídas por grupos mais pequenos que negoceiam preços com base nos benefícios comprovados.
- A indústria farmacêutica vai diversificar-se cada vez mais, com algumas empresas a tornarem-se especializadas em certos nichos de mercado; outras vão optar pelos genéricos, centrando-se no volume de vendas e nas receitas. Há hipótese de serem bem sucedidas em ambos os ramos mas terão que optar por um dos caminhos.
- Os resultados reais vão ser cruciais para o sucesso do produto. Os produtos terão que gerar lucro e as empresas vão lucrar com a inovação e não com as réplicas de terapias já existentes.
- Vai haver um novo foco na adesão dos pacientes ao tratamento. Há doentes que muitas vezes não tomam os medicamentos prescritos ou interrompem a terapia. As empresas farmacêuticas vão desenvolver novas tecnologias personalizadas de monitorização e técnicas que assegurem que os pacientes tomam a medicação, melhorando os resultados e a segurança, ao mesmo tempo que são gerados mais 22 mil milhões de euros anuais em novas vendas.
- A prevenção será tão importante quanto o tratamento. A indústria farmacêutica está há muito centrada no tratamento de doenças mas será financeiramente mais eficaz prevenir uma doença do que curá-la. Haverá também um apoio do sector aos programas de bem-estar, vacinação e monitorização de fidelidade aos tratamentos.
- A tecnologia vai imprimir transformações na investigação e desenvolvimento. Novas tecnologias moleculares deverão ajudar a cumprir a promessa da pesquisa gonómica, e o crescimento da sofisticação dos aparelhos médicos, frequentemente associado aos medicamentos, irá melhorar a eficácia das terapias, ao mesmo tempo que são reduzidos os riscos.
- O processo de ensaios clínicos deverá tornar-se mais flexível, impulsionado pela partilha de dados e uma maior colaboração entre as empresas farmacêuticas e as entidades reguladoras.
- O processo de regulamentação tornar-se-á global. À medida que os mercados internacionais ganham relevância, as empresas farmacêuticas vão estimular uma maior cooperação entre os reguladores nacionais para dar origem a produtos que salvam vidas, acelerar a comercialização e reduzir os custos das obrigações de regulamentação.
- As cadeias de fornecimento vão tornar-se uma fonte de receitas. A aplicação de sistemas de produção e entrega momentâneos, utilizados noutras indústrias, vai permitir às empresas farmacêuticas desenvolver produtos à medida dos pedidos dos clientes, criando novos canais de comercialização de produtos.
- Os retalhistas vão ser substituídos pela distribuição directa ao consumidor. À medida que o mercado de medicamentos de venda livre cresce e as novas tecnologias permitem a distribuição directa ao consumidor, a confiança nos retalhistas vai diminuir, com mais prescrições a serem aviadas automaticamente.
O sucesso futuro da indústria reside, por isso, na capacidade de adaptação às novas realidades e o prémio de sucesso deverá ser atribuído às empresas com visão, flexibilidade e coragem para começar a mudar de imediato.
Marta Bilro
Fonte: Genetic Engineering & biotechnology News, Farmacia.com.pt.
Risco de arritmia num caso em cada milhão
Na reacção à retirada mundial do Silomat, a Boehringer Ingelheim garantiu que o risco de arritmia associado ao medicamento para a tosse seca é de um caso num milhão, explicando que foi voluntariamente e por prevenção que optou por suspender a sua venda.
Em 2006 foram vendidas em Portugal 320 mil unidades do Silomat, no valor de 1,2 milhões de euros. O director médico da empresa, Carlos Trabulo, sublinhou a ausência de registo de casos fatais devido à toma do medicamento, e explicou que o risco de arritmias cardíacas só existe durante a acção do fármaco, que “é eliminado da circulação em 24 horas”. O teste com electrocardiogramas em adultos saudáveis foi feito depois de a base de dados de farmovigilância ter registado o aumento dos relatos de efeitos secundários, e demonstrou um risco de um caso num milhão de doentes.
Carlos Trabulo reiterou ainda que, “face aos resultados inesperados de alteração da relação risco/beneficio do fármaco, a Boehringer Ingelheim tomou a iniciativa, como medida de precaução, de o retirar voluntariamente do mercado, na defesa do interesse da segurança dos doentes”. Em 46 anos de comercialização a nível mundial o Silomat registou 200 milhões de administrações. Em 1992 deixou de estar sujeito a receita médica, classificação que pesou na decisão de retirada do mercado, segundo o laboratório, que pediu aos consumidores que suspendessem o seu uso e consultassem o médico ou farmacêutico para mais informações.
Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa
Silomat retirado do mercado mundial
Alterações inéditas registadas em electrocardiogramas de um grupo de pessoas submetidas a um ensaio clínico ao Silomat ditaram a recolha imediata do fármaco em todo o mundo. Trata-se de uma medida preventiva, por se desconhecer ainda a relevância clínica da sua toma…
Entidades reguladoras do sector do medicamento em todo o mundo estão desde ontem a proceder à retirada do mercado farmacêutico de todas as embalagens e de todos os lotes do Silomat, indicado para tratamento da tosse seca. Na origem da decisão, de acordo com o exposto num comunicado classificado como “muito urgente” emitido pelo Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), a que o farmacia.com.pt teve acesso, está a detecção, em electrocardiogramas de um grupo de adultos saudáveis que participaram num ensaio clínico com o medicamento, de alterações inéditas cuja relevância clínica é ainda desconhecida.
Na sequência dos resultados preliminares do estudo, no que o Infarmed diz ser uma medida de prevenção, o fármaco, que tem como princípio activo o clobutinol e é desenvolvido e comercializado pelo laboratório alemão Boehringer Ingelheim International – em Portugal representado pela União Internacional Laboratórios Farmacêuticos Lda. (Unilfarma) – está então a ser retirado dos estabelecimentos de dispensa de medicamentos de todo o mundo (farmácias e parafarmácias, visto que se trata de um medicamento não sujeito a receita médica), tendo o regulador português ordenado a suspensão imediata da sua comercialização, exortando os doentes que estejam a fazer tratamento com o Silomat a interromper de imediato a sua administração, garantindo que está a acompanhar a situação, através do seu departamento de Farmacologia.
Disponível em xarope, solução oral e comprimido revestido, o Silomat é usado no tratamento da tosse seca, nomeadamente em crianças. O Infarmed saudou, por isso, a decisão do laboratório de recolher voluntariamente o fármaco, até estarem disponíveis mais dados sobre o seu princípio activo. Segundo a nota emitida pelo Infarmed, o clobutinol, autorizado em Portugal desde 1962, é um antitússico não opiáceo, activo por via oral e com acção central, estando especialmente indicado para o tratamento sintomático da tosse irritativa não produtiva. No nosso país é o único composto químico desenvolvido a partir daquela substância, não havendo quaisquer relatos de episódios fatais das reacções adversas agora descritas nos doentes submetidos ao ensaio clínico, terminado há dias. Encontra-se igualmente disponível em diversos países da Europa e do mundo, na maioria dos casos sem estar sujeito a receituário.
Carla Teixeira
Fonte: Infarmed
Sanofi e Actelion irão controlar o mercado de fármacos para a insónia em 2016
De acordo com o recente relatório da Pharmacor, a eplivanserina antagonista dos receptores serotoninérgicos de tipo 2 (5-HT2) e o ACT-078573 antagonista do receptor da orexina estão entre as 11 terapias emergentes para a insónia, que irão entrar no mercado na próxima década. Entre estas terapias emergentes encontram-se os lançamentos, fora dos Estados Unidos, do Lunesta (eszopiclona) da Sepracor e o ramelteon da Takeda, estando previsto que ambos sejam lançados na Europa em 2008 e no Japão em 2010. Os peritos pensam que o facto da insónia ser cada vez mais reconhecida como um distúrbio tratável, tanto por parte dos médicos, como dos pacientes, irá ajudar ao crescimento do mercado nos Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido.
O relatório revela ainda que o crescimento progressivo das taxas de diagnóstico e de fármacos de tratamento, combinado com uma população de 140 milhões de pacientes, fazem com que o mercado da insónia seja um dos poucos com potencial de expansão. Todavia, a disponibilidade do genérico Ambien (zolpidem), combinado com o aumento da inspecção em termos reguladores para as terapias da insónia, irão limitar as vendas do mercado global.
Segundo a analista da Decision Resources, Natalie Taylor, a insónia requer agentes que são mais claramente diferenciados em relação aos fármacos correntes do que outros grandes mercados psiquiátricos. Os fármacos com dados de ensaios clínicos em que esteja estabelecida a eficácia em várias populações com insónia – tais como os que sofrem de distúrbios psicológicos, os idosos, e pacientes com insónia crónica – irão apresentar o maior potencial comercial.
Isabel Marques
Fontes: PMFarma, www.decisionresources.com
Creon recebe carta de aprovação da FDA
O Creon é o medicamento de enzimas pancreáticas mais prescrito nos Estados Unidos e tem sido comercializado há 20 anos. A Solvay remeteu o fármaco para aprovação da agência norte-americana que regula medicamentos (FDA) para cumprir os seus regulamentos, uma vez que esta publicou a 28 de Abril de 2004 um aviso de registo federal (Federal Register Notice) que requer que todos os fabricantes de produtos à base de enzimas pancreáticas obtenham um registo de um novo medicamento (NDA, sigla em inglês).
O presidente da Solvay Pharmaceuticals, Laurence Downey, afirmou que a companhia está confiante de que o trabalho que está a ser realizado, e que foi iniciado antes de ter recebido esta carta, irá cumprir o requisito da FDA. O Dr. Downey acrescentou ainda que o Creon ajuda a suprir uma necessidade médica crítica para milhares de pacientes que sofrem de fibrose cística e insuficiência pancreática. A Solvay irá continuar a trabalhar com a FDA para garantir a aprovação para este fármaco.
Isabel Marques
Cirurgião desenvolve novo método para tratar apneia do sono
O Sindroma de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é um problema respiratório do sono que se caracteriza por episódios repetidos de interrupção da respiração, apesar de continuar a desenvolver-se esforço para respirar. A apneia obstrutiva dá origem à cessação completa da passagem do ar pelo nariz e pela boca, durante 10 segundos ou mais, sendo que, um doente típico terá cinco ou mais apneias por hora de sono. Com o passar do tempo, o problema pode provocar hipertensão arterial, ataques cardíacos, ou mesmo a morte em casos mais graves.
A cirurgia comum, eficaz em cerca de 68 por cento dos casos, consiste na remoção das amígdalas e adenóides, pólipos ou outras causas de obstrução, ou mesmo do excesso de tecido mole na parte posterior da orofaringe. No entanto, esse procedimento não alarga a abertura da garganta, afirmou Pang em declarações ao periódico de Singapura.
O método aplicado por este especialista também prevê a remoção das amígdalas e de parte do palato mole. Os músculos da garganta ao fundo da cavidade bucal são puxados para cima e para a frente, e depois suturados no palato mole que estica os músculos e expande a abertura da garganta, refere o relatório.
Tan Wee Teck, um dos primeiros pacientes de Pang, submetido ao procedimento em Singapura, em 2005, confessa-se bastante satisfeito com os resultados. “Depois da cirurgia, tenho dormido melhor e sinto-me mais enérgico durante o dia”, referiu.
Marta Bilro
Fonte: The Earth Times, Saúde na Internet.
São Paulo recebe I Congresso Internacional de Uro-Oncologia
O Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês (IEP), em São Paulo, no Brasil, recebe, entre os dias 14 a 16 de Setembro, I Congresso Internacional de Uro-Oncologia. Durante o evento, que conta com a participação de 600 urologistas, radiologistas e oncologistas, do Brasil e do exterior, serão abordados os principais desenvolvimentos no tratamento de casos de cancro da próstata, rim e bexiga.
Relativamente ao cancro da próstata, um dos mais frequentes no homem, representando uma importante causa de morte, será feita numa abordagem ao papel da radioterapia no tratamento do tumor, especialmente do novo IGRT (Radioterapia de 4ª Dimensão), que proporciona maior segurança e preservação dos tecidos sãos próximos à região tumoral.
Haverá também espaço para falar das inovações, com é o caso das cirurgias que preservam a erecção, dos tratamentos para a incontinência urinária pós-cirurgia do tumor, e dos estudos com opções terapêuticas já aplicadas com sucesso na terapia-alvo contra tumores colo-rectais e da mama, além da utilização da vitamina D em alta dose.
No tempo reservado à análise dos tumores renais, serão discutidos os novos fármacos inibidores da vascularização do tumor e os mecanismos específicos de proliferação e crescimento da doença. Está ainda preparada uma demonstração das novas técnicas cirúrgicas, onde se inclui a preservação do rim e o uso da crioterapia e radiofrequência no tratamento.
O cancro da bexiga, o segundo tumor urológico mais frequente, vai também estar em análise, visto que, o avanço na precisão do diagnóstico permite novas cirurgias capazes de preservar a bexiga. Os interessados poderão inscrever-se e aceder ao programa completo do congresso através do portal do Hospital Sírio Libanês, em www.hospitalsiriolibanes.org.br.
Marta Bilro
Fonte: Midiacon, Hospital Sírio Libanês.
Sanofi-Aventis processada por assédio sexual
Quatro funcionárias da Sanofi-Aventis US, unidade norte-americana do grupo farmacêutico francês, apresentaram queixa na justiça acusando o grupo de discriminação sexual e assédio. As queixosas exigem o pagamento de uma indemnização no valor de 220 milhões de euros.
Karen Bellifemine, uma representante de vendas da empresa, apresentou, em Março, a primeira queixa contra a empresa. Agora, outras três empregadas do sector das vendas recorrem aos tribunais. A acusação alega que, apesar do seu desempenho profissional, as mulheres foram impedidas de ser promovidas e recebiam pagamentos inferiores aos dos seus colegas de trabalho do sexo masculino.
Há ainda a descrição de situações de assédio sexual por parte dos respectivos chefes, incluindo alguns casos de perseguição por estas terem apresentado queixa junto da direcção. A situação acabou por conduzir ao abandono da empresa por parte de três das funcionárias envolvidas. Karen Bellifemine, que integrava a empresa há mais de 12 anos, alega que a promoção lhe foi negada por duas vezes a atribuída a colegas do sexo masculino. “A empresa não repreende os gerentes e outros empregados quando estes descriminam as colegas do sexo feminino ou criam um local de trabalho hostil face à presença de mulheres”, afirma Bellifemine.
Um porta-voz da Sanofi-Aventis em Paris afirmou que a empresa está confiante de que “a queixa não tem fundamento”, uma vez que “todos os funcionários são tratados da mesma maneira em respeito às leis federais, e de cada Estado, aplicáveis nos EUA”.
A Novartis enfrenta um processo semelhante na justiça norte-americana que envolve 19 funcionárias da empresa. A queixa obteve estatuto de acção colectiva e exige o pagamento de 146 milhões de euros por danos.
Marta Bilro
Fonte: First Word, Forbes, Invertia.
Comissão brasileira aprova venda obrigatória em unidose
A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio do Brasil aprovou, esta quarta-feira (29 de Agosto), o projecto de lei que permite a venda de medicamentos fraccionados aos consumidores. Quando tudo previa que tal não acontecesse, devido às pressões da indústria farmacêutica sobre o Congresso, o texto foi realmente aceite e obriga o sector a disponibilizar fármacos em unidose.
Os laboratórios farmacêuticos ficam assim comprometidos a adaptar as embalagens de forma a permitir a comercialização dos medicamentos em lotes específicos, de acordo com a necessidade do consumidor prescrita pelo médico, algo que não acontece actualmente.
Integrada no projecto original da autoria do Executivo, esta exigência foi retirada no primeiro substitutivo aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor, bem como no da autoria do deputado Albano Franco, o relator designado para este projecto na Comissão de Desenvolvimento Económico. O substitutivo apresentado por Franco, que delegava nas empresas a decisão de produzir medicamentos fraccionáveis, foi rejeitado durante a votação, em detrimento do de Miguel Corrêa Jr. agora aprovado.
A obrigatoriedade é dispensada apenas se a embalagem contiver a quantidade de comprimidos indicados pelo médico e necessários ao tratamento. Ainda assim, a autorização terá que ser concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O Executivo está convencido de que a venda de fármacos em unidose contribui para a redução dos custos com medicamentos e da automedicação, uma vez que o consumidor adquire apenas a quantidade necessária para o tratamento que lhe foi prescrito naquela ocasião.
Marta Bilro
Fonte: Câmara dos Deputados.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Donuts mais saudáveis chegam em Outubro
A decisão da Dunkin’ Donuts surge na sequência da proibição de uso, em restaurantes e outros estabelecimentos, de azeites ou produtos com este tipo de gorduras, aprovada a 05 de Dezembro de 2006, pela Junta de Saúde de Nova Iorque.
A partir de Janeiro, a eliminação de gorduras hidrogenadas será também aplicada aos produtos comercializados pela cadeia de geladarias Baskin-Robbins que, tal como a Dunkin' Donuts, pertence à empresa Dunkin' Brands.
Questionada sobre uma possível adopção de uma medida similar, a Panrico, empresa responsável pela comercialização em Portugal de produtos idênticos aos da Dunkin' Donuts, como os Manhãzitos, Donuts e Bollycao, preferiu não fazer qualquer declaração.
Inês de Matos
Fonte: Lusa
Hospitais-empresa apresentaram prejuízos de 128 milhões de euros no último semestre
Durante os últimos seis meses, apenas oito Hospitais Entidades Públicas Empresariais (EPE) obtiveram lucros, surgindo no topo da lista o hospital de São João, no Porto, com lucros de cerca de 9 milhões de euros. Os maiores prejuízos registaram-se no centro hospitalar de Lisboa e na unidade local de saúde do Norte Alentejano, com um prejuízo na ordem dos 23 milhões de euros.
De acordo com os dados revelados pelo ministério, 20 instituições de saúde conseguiram reduzir os prejuízos, porém não conseguiram ainda apresentar resultados positivos e seis dessas unidades agravaram ainda mais os prejuízos.
A par do hospital de São João, no Porto, encontra-se o Instituto Português de Oncologia, também do Porto, com lucros de 9,6 milhões de euros e 9,1 milhões de euros, respectivamente. O Centro Hospitalar de Lisboa Oriental, o Hospital Santa Maria (Lisboa), e o Hospital de São Teotónio (Porto) conseguiram também resultados positivos, face ao período homólogo, em que os resultados haviam sido negativos.
A divulgação destes resultados surge pouco dias depois de o Ministério da Saúde ter comunicado às administrações dos Hospitais EPE o objectivo de, dentro de dois anos, 25 das 35 unidades apresentarem resultados positivos.
Inês de Matos
Fonte: TSF
AstraZeneca vai utilizar ARNi na produção de fármacos
A companhia farmacêutica AstraZeneca pretende, a breve trecho, iniciar a utilização do ácido ribonucleico de interferência (ARNi), a tecnologia galardoada com o Prémio Nobel da Medicina 2006, no desenvolvimento de novos medicamentos. O ARNi consiste numa estratégia inovadora para anular de forma selectiva os genes que causam determinadas doenças, e que nessa medida representa actualmente uma das áreas de maior potencial no desenvolvimento de novos fármacos.
Para dar corpo a essa pretensão a AstraZeneca acaba de formalizar um protocolo com a Silence Therapeutics, companhia especializada em ARNi, estabelecendo um período de colaboração de três anos, ao longo dos quais os seus especialistas tentarão descobrir e desenvolver moléculas patenteáveis na área das doenças respiratórias. Posteriormente, a empresa admite alargar o âmbito do acordo, mas essa deverá ser, numa primeira fase, a aposta da colaboração agora anunciada entre as duas companhias farmacêuticas. A descoberta do RNAi abriu um novo campo de investigação na área da terapia genética e das estratégias para concepção de novos tratamentos, oferecendo novas abordagens de patologias como o cancro e as doenças infecciosas, que em muitos casos revelaram resistência a anteriores medicamentos, tendo por isso sido consideradas incuráveis.
Carla Teixeira
Fonte: AZPrensa
Remoção de ovários aumenta risco de demência
Uma equipa de investigadores da Mayo Clinic, no Minnesota, observou mulheres durante cerca de 30 anos e realizou perto de 3000 entrevistas. Este procedimento permitiu-lhes verificar que as mulheres sujeitas à remoção de um ou dois ovários antes da menopausa por razões não relacionadas com cancro (casos dos quistos, endometriose ou prevenção de tumores) têm mais possibilidade de desenvolver problemas cognitivos ou de demência do que mulheres mais velhas, submetidas ao mesmo tipo de operação.
O estudo demonstrou que a remoção de um ovário antes da menopausa está claramente relacionada a um aumento da perda de memória e mesmo à demência. A doença de Parkinson tem também mais probabilidades de surgir em mulheres que foram operadas durante a idade fértil.
Uma das principais funções dos ovários, para além do armazenamento e distribuição dos óvulos, consiste na produção de estrogénio, uma hormona sexual feminina. Algumas mulheres submetidas à remoção de um ou dos dois ovários são medicadas com uma terapia de substituição hormonal, porém, a maioria não recebe o tratamento, ou apenas tem acesso ao mesmo depois dos 50 anos de idade, afirmam os investigadores.
“É possível que o estrogénio tenha um efeito protector no cérebro, pelo que, a falta do mesmo, devido à remoção de um ovário pode aumentar o risco da mulher sofrer problemas de memória”, refere Walter Rocca, o principal autor do estudo. O responsável aconselha, por isso, que os médicos pensem cuidadosamente nas consequências desta cirurgia antes de a levar a cabo em mulheres jovens.
Marta Bilro
Fonte: BBC News, Expresso.
Dr Reddy na corrida aos biosimilares
O mercado dos biosimilares começa a ganhar terreno no sector farmacêutico e há quem não queira atrasar-se na corrida. É o caso do laboratório indiano Dr Reddy que se prepara para lançar, anualmente, uma versão genérica de um biofármaco durante os próximos anos, noticia a imprensa local.
Em declarações ao jornal indiano “The Business Standard”, a empresa afirma ter em mãos oito biosimilares que sucedem a outros tantos fármacos biológicos. Para além disso, a Dr Reddy tem planos para investir mais de 22 milhões de euros na construção de uma unidade de produção de biofármacos em Haiderabade, no sul da Índia, que deverá estar concluída em 2009.
A segunda empresa líder ao nível de vendas no mercado farmacêutico indiano diz ainda estar em conversações com a entidade reguladora europeia para lançar no mercado comunitário o Reditux, um uma versão biosimilar do Mabthera (Rituximab). O fármaco, utilizado no tratamento do Linfoma não-Hodgkin, é comercializado na Europa pela Roche.
O Reditux, um anticorpo monoclonal quimérico, foi lançado na Índia, em Maio, e caso seja aprovado na União Europeia deverá competir com o Mabthera. Porém, “são necessários pelo menos dois anos para que possamos familiarizar-nos com os diversos requisitos legais para os biosimilares na Europa e aguardar que os EUA criem um enquadramento regulador claro para as versões genéricas dos biológicos”, afirmou um porta-voz da Dr Reddy numa entrevista anterior concedida ao portal Biopharma-Reporter.com.
O Reditux é o segundo biosimilar lançado pela unidade de biológicos da farmacêutica indiana. Na mesma linha, a empresa comercializa ainda o Grafeel (Filgrastim), um tratamento que fomenta a produção de glóbulos brancos. O Filgrastim é comercializado na Europa pela Amgen como Neupogen.
De acordo com um outro periódico indiano, a empresa pretende também lançar o Grafeel no mercado europeu. Segundo afirma o director de operações da empresa, Satish Reddy, na edição desta quarta-feira (29 de Agosto) do “The Economic Times”, as negociações para colocar o Grafeel no mercado europeu já foram iniciadas.
Os biofármacos têm-se mantido alheios à concorrência dos genéricos porém a chegada dos biosimilares torna-se inevitável e previsível à medida que muitas das patentes começam a perder os direitos de protecção. Tal como noticiou o Farmacia.com.pt, num artigo publicado no dia 17 de Julho de 2007, alguns dos produtos de topo da indústria verão as patentes expirar dentro de sete ou oito anos e o Rituxan está entre os principais exemplos.
É certo que o desenvolvimento de biogenéricos envolve grandes recursos financeiros, bastante superiores aos que são requeridos para produzir os genéricos comuns, uma vez que o processo é complexo e implica testes mais exaustivos e difíceis procedimentos de aprovação. No entanto, várias empresas indianas, como é o caso da Dr Reddy, estão a desenvolver capacidade para produzir biofármacos complexos e versões biosimilares de medicamentos de topo e, posteriormente, de as vender a preços inferiores. Até agora o mercado indiano tem sido o único receptor desses produtos mas a Europa parece ser o próximo alvo.
Marta Bilro
Fonte: Bio-PharmaReporter.com, Infarmed.
Estudo revela novos efeitos do Viagra
Um novo estudo realizado pela Universidade Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, revelou que o Viagra, para além de melhorar o desempenho sexual dos homens, pode também torná-los mais carinhosos.
Os investigadores recorreram a ratos de laboratório e verificaram que o sildenafil, nome genérico para o Viagra, provoca uma maior libertação de oxitocina no cérebro, também conhecida como a "hormona do amor".
Durante a investigação, os especialistas administraram sildenafi em alguns ratos e observaram que estes responderam a estímulos libertando três vezes mais oxitocina do que aqueles a quem não tinha sido administrada a substância.
De acordo com os investigadores, os resultados permitem concluir que o Viagra parece ter "efeitos físicos, além do de permitir um maior fluxo sanguíneo para os órgãos sexuais".
A oxitocina é uma hormona determinante para a interacção social, aparecendo durante a amamentação para criar a ligação especial entre a mãe e o filho, tal como acontece nos casais apaixonados.
Inês de Matos
Fonte: Jornal de Noticias
Fumar provoca danos genéticos irreversíveis
O consumo de tabaco provoca danos irreversíveis mesmo naqueles que abandonaram o hábito de fumar. Um estudo canadiano demonstra que, após a cessação tabágica, há alguns genes que nunca mais voltam a funcionar correctamente. Os investigadores afirmam, por isso, que os ex-fumadores mantêm um risco de sofrer cancro do pulmão relativamente às pessoas que nunca fumaram.
Desenvolvido por uma equipa de cientistas do British Columbia Cancer Research, o estudo analisou amostras de células de tecidos do pulmão de oito fumadores, doze ex-fumadores e de quatro pessoas que nunca fumaram. O objectivo era identificar determinados genes e perceber se a expressão dos mesmos sofria alterações ao longo do tempo, entre os vários participantes da investigação, e após a cessação tabágica.
Os resultados demonstraram que a expressão de alguns dos genes era reversível depois do indivíduo deixar de fumar, mas noutros as alterações causadas pelo fumo do tabaco permanecem mesmo alguns anos depois do abandono do hábito de fumar.
De acordo com os autores da investigação, publicada no jornal científico BMC Genomics, “os níveis de expressão de alguns dos genes relacionados com o fumo do tabaco voltaram a níveis semelhantes aos das pessoas que nunca fumaram após a cessação tabágica, enquanto que, a expressão de outros parece estar permanentemente alterada apesar da longa cessação”.
Entre os genes analisados, “as expressões aumentadas do TFF3, CABYR e ENTPD8 descobriram-se ser reversíveis após a cessação tabágica”, sendo que “a expressão do GSK3B que regula a expressão do COX2 foi irreversivelmente diminuída”, e a “expressão do MUC5AC foi apenas parcialmente reversível”, referem os responsáveis.
Apesar da cessação tabágica, “estas alterações irreversíveis podem contribuir para o risco persistente do cancro do pulmão”, sublinham os cientistas. No entanto, o facto dos riscos de desenvolvimento de cancro no pulmão não desaparecerem por completo nos ex-fumadores, este não deve ser um motivo para que se desista de deixar de fumar, até porque, só por si, essa atitude já diminui significativamente o risco de desenvolvimento de cancro no pulmão comparativamente com os fumadores activos.
Marta Bilro
Fonte: TV Ciência.
Cirurgia abdominal pode eliminar diabetes, diz estudo
A equipa de cientistas brasileiros, italianos e franceses observou que, em 98 por cento dos diabéticos submetidos a uma cirurgia abdominal, a diabetes dissipava-se rapidamente, algo que não poderia ter acontecido unicamente devido à perda de peso.
Para proceder à realização do estudo, a equipa de investigadores realizou um desvio gástrico em sete pessoas com diabetes tipo 2, e cujo peso se encontrava entre o normal e o moderadamente obeso. Nove meses depois da cirurgia, os dois primeiros pacientes sujeitos à intervenção deixaram de receber medicação contra a diabetes, dado que, em apenas um mês, os níveis de açúcar no sangue e insulina apresentaram uma redução drástica.
Durante uma cirurgia abdominal é removido o duodeno, parte superior do intestino delgado. O orientador do estudo, Francesco Rubino, da Universidade Católica de Roma, especula que o duodeno poderia ser a causa da resistência à insulina, responsável pela diabetes. A confirmarem-se estas suspeitas, a solução pode estar na realização de um "desvio" gástrico, que elimine a resistência à insulina e restabeleça o balanço normal entre os níveis de insulina e de açúcar.
A descoberta é significativamente importante face ao célere avanço da doença nos países desenvolvidos. A diabetes tipo 2 é a mais frequente, sendo representativa de 90 por cento dos casos. Estima-se que, em Portugal, existam entre 250 mil a 500 mil diabéticos, muitos deles, ainda por diagnosticar.
Marta Bilro
Fonte: Último Segundo, Saúde na Internet, Portal da Saúde.
CE aprova nova fórmula de Rebif
A nova fórmula do medicamento, que deve ser lançada no próximo mês, foi desenvolvida para aumentar os benefícios do tratamento e pensada para melhorar a tolerabilidade da terapia quando injectada, refere a Merck num comunicado emitido esta quinta-feira (30 de Agosto).
A aprovação europeia é “um passo importante” nos esforços da empresa para “continuar a fornecer soluções terapêuticas melhoradas aos doentes com esclerose múltipla”, afirmou o chefe de operações europeias da empresa, Roberto Gradnik, numa nota a que o Farmacia.com.pt teve acesso.
De acordo com a Merck, a autorização de comercialização aplica-se a todos os 27 países da União Europeia, bem como à Noruega, Islândia e Liechtenstein.
Marta Bilro
Fonte: Merck, Forbes, Reuters.
Dona Estefânia promove 1asJ ornadas de Neuro-Genética
O evento, que terá lugar na sala de conferências do HDE, prevê a realização de vários debates com a participação de especialistas. No primeiro painel de discussão, subordinado ao tema dos aspectos organizacionais da neurogenética, têm lugar três exposições temáticas que abordam a “Estruturação dos Serviços de Genética Médica”, os “Custos/ benefícios dos testes genéticos” e a “Uniformização dos testes genéticos-perspectiva do Geneticista”.
Para analisar as “Doenças Genéticas no período pré-natal” vão estar reunidas a geneticista clínica Maria de Jesus Feijó, a cardiologista pediátrica Graça Nogueira e o citogeneticista Sérgio Castedo, num debate moderado por Maximina Pinto, Eufémia Ribeiro e Ivone Dias. Clara Barbot e Leonor Bastos participarão num debate sobre “Ataxias hereditárias: aspectos neurológicos na criança”. Ainda no primeiro dia deverão ser discutidos os aspectos genéticos, clínicos e neurológicos associados à doença de Huntington, sessão que termina com uma exposição de Margarida Reis Lima sobre a “ORPHANET Portugal - Base de Dados de Doenças Raras – divulgar e estimular o seu uso na prática clínica”.
Para o último dia foi reservado o debate sobre “Genética e Epilepsia”, com uma exposição oral de Ana Isabel Dias sobre a “Clínica das epilepsias geneticamente determinadas”; de Conceição Robalo e Lina Ramos sobre o “Diagnóstico genético das epilepsias: o estado da arte”; e de José Pedro Vieira sobre “Epilepsia: abordagem terapêutica baseada na Genética”.
As “Malformações do SNC (Brain malformations)” são o tema que encerra estas jornadas, com debates sobre “Clínica e diagnóstico molecular”, “Diagnóstico ecográfico prenatal” e “Diagnóstico neuroradiológico”. Os interessados em participar podem entrar em contacto com Serviço Genética do Hospital D. Estefânia, através do e-mail jneurogenetica@gmail.com.
Marta Bilro
Fonte: e-mail do Farmacia-press, Raríssimas.
Roche proibida de publicitar o Xenical
Um tribunal australiano deu razão a um grupo de especialistas que em Fevereiro tinha votado a favor da interdição da campanha publicitária ao medicamento Xenical (orlistat), fabricado e comercializado pela Roche, e proibiu a companhia farmacêutica suíça de fazer publicidade àquele fármaco. Em causa está o apelo que os anúncios teriam sobre os mais jovens, que os peritos consideraram inadequado, mas a polémica em torno do fármaco é bem mais antiga, e tem a ver com efeitos secundários muito sérios.
Inicialmente os especialistas tinham defendido publicamente a não comercialização do medicamento pelas farmácias, apesar de o Xenical estar devidamente autorizado pelas autoridades locais do sector. Considerando que os adolescentes seriam o alvo principal da campanha (em Portugal não está em marcha qualquer tipo de estratégia publicitária a este produto), os peritos defenderam o fim da publicidade ao medicamento, tendo a Roche interposto um recurso, por entender que o corte atentava contra o interesse público na área da saúde. O tribunal indeferiu o pedido, e ainda condenou a empresa a pagar as despesas jurídicas do comité de especialistas.
O Xenical surgiu no mercado farmacêutico mundial na década de 1990 e foi “aclamado” como uma panaceia para o tratamento da obesidade, tais eram as esperanças que nele se depositavam. O modo de agir diferente do da maioria dos inibidores de apetite – por não mexer com o sistema nervoso nem causar habituação e dependência – terá sido a sua grande mais-valia, sabendo-se que o medicamento foi submetido a rigorosos testes até ter sido aprovado na Europa e nos Estados Unidos, e que a sua utilização depende de prescrição médica. Um artigo publicado na revista científica «Lancet» relatou então os efeitos positivos do fármaco em pessoas que tinham tomado três cápsulas diárias de 120mg, em associação com uma dieta de baixas calorias, e que tinham perdido 70 por cento do peso excessivo anterior ao início da toma do Xenical, conseguindo manter o peso até dois anos depois de terem interrompido o tratamento.

No entanto, nem tudo são rosas na história do orlistat, e entre os efeitos secundários de maior relevância relatados por doentes que o consumiram constam quebras no sistema imunitário, eczema, urticária crónica, alergia a determinados alimentos, cosméticos e champôs (que antes do tratamento tinham sido consumidos sem problemas), comichão, vermelhidão na pele, elevada pressão sanguínea e palpitações. Carita Ovelius (na foto) ficou conhecida por ter vindo a público divulgar os problemas que o Xenical lhe causou, e que persistiam, segundo disse na altura, mesmo depois de volvidos dois anos sobre o fim da administração do fármaco.
Antes de iniciar o tratamento, a utente entrou em contacto com a agência reguladora do sector do medicamento na Suíça, que lhe garantiu que os efeitos adversos do Xenical só surgiriam se ela consumisse alimentos muito gordos. Actualmente a Roche admite que “raros” efeitos secundários, como prurido, reacções cutâneas, urticária e edema poderão surgir. Carita avisa que não serão assim tão raros os efeitos negativos do medicamento, e deixa que as suas imagens circulem na internet, exactamente para o provar...
Carla Teixeira
Fonte: InvestNews, Editora Saraiva, Drugs.com, SecondOpinion.co.uk