segunda-feira, 3 de setembro de 2007

REPORTAGEM

Princípio incluído na lei para a liberalização das farmácias
Medicamentos na internet e ao domicílio


Começou a falar-se no assunto em Março, quando o Governo anunciou a sua intenção de, a breve trecho, proceder à liberalização do sector da farmácia, designadamente no que toca à propriedade e ao esquema de funcionamento daqueles estabelecimentos. No seguimento das primeiras medidas, que despojaram os farmacêuticos da exclusividade da venda de genéricos e medicamentos sem receita, o Executivo de José Sócrates está agora a preparar a venda de medicamentos na internet e ao domicílio. Há anos que a Associação Nacional de Farmácias tem em marcha o Farma 24...

De acordo com o que o farmacia.com.pt conseguiu apurar junto de diversas fontes do sector farmacêutico e da própria Associação Nacional de Farmácias, o serviço Farma 24 consiste exactamente na entrega de medicamentos ao domicílio e funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano. O doente pode accionar o serviço por telefone, directamente para a farmácia da sua zona de residência ou para o número nacional 808262728 (chamada local), e duas a três horas depois de feito o pedido recebe comodamente, em sua casa, os fármacos e produtos dermofarmacêuticos de que necessita, mediante pagamento de uma taxa. O Farma 24 está disponível desde 2004, inicialmente numa área geográfica muito limitada, mas que depois se foi expandido, devendo ascender actualmente a um número muito próximo das mil farmácias. No Norte, por exemplo, há já muitas farmácias aderentes ao projecto na zona do Grande Porto, que além da metrópole inclui concelhos como Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Póvoa do Varzim, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia.
Nas palavras dos responsáveis da ANF, o Farma 24 foi “concebido para dar apoio aos utentes e ajudá-los a ultrapassar eventuais dificuldades com a deslocação à farmácia”. O serviço assenta num bem desenvolvido esquema informático e reforça o contacto dos utentes com os farmacêuticos, sendo a coordenação das entregas processada através de um serviço próprio, especificamente criado para o efeito. O pagamento é realizado no momento da entrega da encomenda, podendo o utente optar por liquidação em dinheiro, cheque ou multibanco, uma vez que o operador estará sempre munido de um terminal de pagamento por aquela via. O Governo parece agora ter-se inspirado nesta medida da Associação Nacional de Farmácias para anunciar que, dentro de pouco tempo, todos os portugueses poderão optar por fazer as suas compras de farmácia ao domicílio ou, em alternativa, na cada vez mais presente internet.
À luz da nova lei da liberalização das farmácias, que deverá entrar em vigor no dia 30 de Outubro, por essa altura já deverá ser possível encomendar determinados produtos pela internet, desde que não se trate de medicamentos sujeitos a receita médica, alargando o âmbito da comercialização dos produtos que actualmente já são vendidos em farmácias, parafarmácias e supermercados. “É preciso garantir que os doentes terão a informação necessária para poderem comprar medicamentos sem apoio de um farmacêutico”, disse em Março, em declarações ao «Diário de Notícias», António Faria Vaz, administrador da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), salientando que “comprar medicamentos através da internet não é muito diferente de comprá-los no supermercado”. De acordo com aquele técnico, “se 40 por cento da população compra medicamentos no supermercado, por que não online?”.

Medidas polémicas
Com a entrada em vigor destas novas regras, Portugal deverá aproximar-se de países como o Reino Unido, a Alemanha, a Holanda e a Irlanda, onde já é possível comprar produtos farmacêuticos na internet, contrastando com Espanha e Bélgica, cada vez mais isoladas da “vertente farmacêutica europeia”. Também de acordo com a nova lei, deverá passar a ser possível nas farmácias a administração de vacinas e a prestação de outros serviços de saúde (que o diploma ainda não especifica), que se encontravam previstos já no chamado «Compromisso para a Saúde», que a tutela e a Associação Nacional de Farmácias assinaram há alguns meses, e que no seu ponto 13 refere que “as farmácias podem evoluir para unidades prestadoras de serviços farmacêuticos, para além da dispensa de medicamentos e, nessa medida, deve ser actualizado e ampliado o objecto da sua actividade”.
No mesmo ponto, um dos mais polémicos daquele acordo, lê-se ainda que, “para além da dispensa de medicamentos, passam a constituir objecto da actividade da farmácia os produtos e serviços seguintes: serviços farmacêuticos, designadamente domiciliários, em especial para apoio àterceira idade; produtos naturais; produtos veterinários; produtos de saúde e conforto; vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação da Direcção-Geral de Saúde, administração de medicamentos e primeiros socorros; meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica; campanhas de informação e programas de cuidados farmacêuticos”.
São vários entre os 28 pontos do «Compromisso para a Saúde» os que suscitaram viva polémica desde o momento em que foram enunciados, e que entroncou logo na alegada impossibilidade de os farmacêuticos realizarem exames complementares de diagnóstico e prestarem primeiros socorros. O ponto 13 é, no âmbito daquele protocolo, o que mais desagradou aos médicos, que solicitaram a intervenção do Provedor de Justiça, dando conta do que definiram como uma “colisão de competências profissionais”. Nascimento Rodrigues foi instado a apreciar o documento e a enviar a sua posição aos órgãos de soberania, com o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos a avisar que “meios complementares de diagnóstico podem ser muita coisa, desde uma análise laboratorial a uma radiografia”, frisando por esse motivo a necessidade de “que seja bem claro o que é possível realizar nas farmácias, por questões técnicas, e porque cada uma dessas práticas exige profissionais especializados, desde médicos a técnicos de diagnóstico e terapêutica, que não foram sequer ouvidos”, justificou José Pedro Moreira da Silva, asseverando que, nos moldes em que foi concebido, o «Compromisso para a Saúde» “é ilegal”.

Carla Teixeira
Fonte: «Diário Económico», Associação Nacional de Farmácias, «Compromisso para a Saúde», discurso do ministro da Saúde na apresentação da nova proposta de lei

domingo, 2 de setembro de 2007

PlayStation contra a obesidade infantil

Uma equipa de investigadores portugueses do Centro de Exercício e Saúde, da Universidade Lusófona, decidida a motivar os adolescentes a praticar mais exercício físico, levou a cabo um estudo acerca da evolução dos vídeo-jogos e da sua consequente interferência com a actividade física dos adolescentes. Antigamente vistos como inimigos do exercício físico, a verdade é que estes jogos de vídeo sofreram uma grande evolução e permitem agora uma maior interactividade do jogador.

O estudo, intitulado “Impacto dos vídeo-jogos com a tecnologia Matching Motion na actividade física de adolescentes obesos”, consiste na utilização do “Eye-Toy”, um dispositivo da Playstation com tecnologia “Matching Motion”, que possibilita uma maior movimentação. Na investigação participaram 15 adolescentes que frequentavam a consulta de Obesidade Adolescente, do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria e que como tal, necessitavam aumentar a sua actividade física.

“O número de participantes era reduzido porque só os adolescentes que fossem recomendados pelo Hospital Santa Maria é que podiam participar no estudo. Assim, podíamos ter a certeza que esta era a população mais necessitada”, explica António Palmeira, coordenador do Centro de Exercício e Saúde, e responsável pelo estudo.

Os adolescentes, cujas idades oscilavam entre os 13 e os 14 anos, mostravam resistência à prática de exercício. “A forma como estes jovens gostavam mais de passar o seu tempo era em frente ao computador, a jogar, ou a ver televisão”, adianta o investigador. A ideia era pôr os jovens a mexer por vontade própria e o “Eye-Toy” parecia a solução mais adequada.

Cada participante tinha à sua disposição uma playstation a tempo integral, para que pudessem jogar sempre que quisessem. O resultado não deixou dúvidas, a diminuição do sedentarismo foi-se registando ao longo das semanas, culminando numa perca calórica de 30 por cento, comparativamente ao que era registado antes dos participantes começarem a ter acesso ao jogo.

“O objectivo inicial era que estes jovens começassem a praticar mais actividade física, e esse foi cumprido”, declara António Palmeira, ainda que com o passar do tempo os jovens tenham começado a manifestar um menor interesse pelo equipamento. No entanto, o estudo foi manifestamente positivo, uma vez que “a perda de peso nesta idade é difícil de verificar porque é nesta altura da adolescência que se dão as maiores transformações no corpo”, conclui o especialista.

A equipa pretende dar continuação ao estudo, de forma a analisar qual a perda de massa gorda destes jovens e a conhecer até que ponto estes jogos aumentam o interesse dos adolescentes pela prática de exercício físico. Os efeitos deste jogos na personalidade dos jovens é outra problemática que interessa à equipa e que mais tarde deverá ser também abordada.

Inês de Matos

Fonte: Portugal Dário

Poucas horas de sono podem comprometer o desenvolvimento infantil

Crianças que dormem pouco podem vir a desenvolver problemas de crescimento, com limitações ao nível cognitivo e comportamental. O alerta surge das conclusões de dois estudos recentemente concluídos, um de origem canadiana e outro realizado em Inglaterra, que tiveram como objecto de estudo a problemática do sono infantil.

A investigação canadiana centrou-se em crianças até aos três anos e meio de idade, enquanto que a pesquisa inglesa abordou jovens entre os 12 e os 16 anos, mas os resultados que ambas registaram apontam que a falta de sono pode realmente representar um atraso no desenvolvimento das crianças, podendo também originar problemas de tiróide ou depressão, aumentando ainda o risco de obesidade.

No caso das crianças até aos três anos e meio, cujo sono nocturno é inferior a 10 horas, existe uma séria probabilidade de virem a sofrer de problemas cognitivos e de comportamento quando entram para a escola, mesmo que normalizem os seus padrões de sono, pelo menos é esta a convicção do responsável pelo estudo, Jacques Montplaisir, do Centro de Doença do Sono, do Canadá.

O estudo desenvolvido no Canadá observou 1492 crianças, desde os cinco meses até aos seis anos, que foram divididas em quatro grupos: as crianças que dormem "persistentemente pouco", menos de 10 horas, as que "dormem pouco mas progressivamente mais", as "constantes nas 10 horas" e as "constantes nas 11 horas", de acordo com a informação obtida através de questionários realizados às mães.

As crianças foram submetidas a testes de vocabulário, de capacidades visuais, espaciais e motoras, sendo que os dois primeiros grupos apresentaram resultados mais negativos. Os investigadores perceberam também que a falta de sono pode conduzir à hiperactividade e impulsividade das crianças.

A investigação realizada no Reino Unido baseou-se em mil entrevistas realizadas a adolescentes, entre os 12 e os 16 anos, dois quais 33% disseram dormir apenas entre quatro a sete horas por noite e 40% admitiu sentir-se cansado durante o dia, ainda que não atribuam muita importância à duração e qualidade do sono.

"Estamos a ver surgir o sono junk, que não tem a duração e a qualidade que deveria para alimentar o cérebro com o descanso que precisa", alertam os investigadores ingleses do Sleep Council, realçando ainda a importância de reeducar para o sono de qualidade, cujo mínimo recomendado é de oito horas, sob pena de um mau sono conduzir ao aumento da obesidade, dos problemas de tiróide e das depressões.

Inês de Matos
Fonte: Jornal de Noticias

Anti-hipertensor reduz em 14% mortes de diabéticos

O controlo da pressão arterial pode evitar a morte de um em cada 79 doentes diabéticos num espaço de cinco anos. O segredo está na utilização de um medicamento para o tratamento da hipertensão arterial que contém na sua composição perindopril/indapamida em associação com a habitual terapêutica para a diabetes, revela um estudo apresentado este domingo (2 de Setembro) durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Viena.

De acordo com o estudo ADVANCE (Action in Diabetes and Vascular Disease), desenvolvido pelo Instituto George para a Saúde Internacional (Sidney), a utilização sistemática de um medicamento para a hipertensão arterial, constituído pelas substâncias activas perindopril/indapamida, diminui o risco de morte e evita problemas renais e cardíacos a diabéticos tipo 2.

A investigação, apresentada como a maior de sempre envolvendo diabéticos de tipo 2, analisou mais de 11 mil indivíduos em 20 países, incluindo doentes hipertensos e com pressão arterial normal, estando a totalidade já medicada para a sua situação clínica. Nestas condições, a administração de perindopril e indapamida, e independentemente do valor da pressão arterial, demonstrou a redução em 14 por cento da mortalidade global e em 18 por cento da mortalidade devido a problemas cardiovasculares, como enfarte agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

Para além disso, foi observada uma redução em 12 por cento do risco de problemas coronários e em 21 por cento a possibilidade de desenvolvimento de doenças renais. “Este tratamento reduz para quase um quinto a probabilidade de morrer de complicações da diabetes, sem efeitos secundários”, salientou Stephen MacMahon, um dos coordenadores do estudo. John Chalmers, outro dos investigadores, acredita que “se os benefícios demonstrados forem aplicados a apenas metade da população mundial de diabéticos, pode evitar-se mais de um milhão de mortes a cinco anos”.

Existem, em todo o mundo, perto de 246 milhões de diabéticos, a maioria dos quais poderá morrer ou ficar incapacitada devido a complicações da doença, sendo a causa de morte mais comum a doença cardiovascular (50 a 80%). A diabetes tipo 2 é a forma mais comum da doença, representando entre 90 a 95 por cento dos casos.

Calcula-se que, em Portugal, a diabetes afecte entre 900 mil e um milhão de pessoas, incluindo os casos não diagnosticados. Os dados do último Inquérito Nacional de Saúde apontam para uma incidência da doença em Portugal de 6,5 por cento, entre 2005 e 2006, sendo que em 1998/9 a diabetes afectava apenas 4,7 por cento da população. A subida do número de casos está estreitamente relacionada com o crescimento da obesidade e do sedentarismo, uma vez que 90 por cento dos doentes que desenvolvem a doença apresentam um peso 120 por cento superior ao considerado normal.

Num pessoa não diabética, a pressão arterial deve situar-se abaixo dos valores 140/90. Já no caso dos doentes diabéticos os valores não devem ultrapassar os 130/80.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Portugal Diário.

Ministério da Saúde pretende aumentar taxa de imunização
Vacina contra a gripe à venda em Outubro


A vacina contra a gripe sazonal para a época 2007/2008 deverá ser disponibilizada no mercado farmacêutico português no próximo dia 1 de Outubro. Neste ano o Ministério da Saúde traça como objectivo o aumento da taxa de cobertura daquela imunização, pelo que as receitas médicas emitidas desde o passado dia 1 vão manter-se válidas até final do corrente ano.

A população de maior risco, constituída essencialmente por idosos e doentes crónicos, está na linha da frente das preocupações da Direcção-Geral de Saúde, que numa nota emitida há dias apontou como objectivo o aumento da taxa de cobertura da vacina nos grupos de risco, tendência que já se vinha verificando em anos anteriores. Na época gripal 2006/2007 notou-se “um aumento significativo da taxa de vacinação no grupo” da população nacional com mais 65 anos, atingindo mais de 50 por cento daquela faixa de cidadãos, segundo um documento divulgado pelo Observatório da Saúde do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.
No entanto, e à luz do mesmo documento, quando é tida em conta a população geral, houve um decréscimo da taxa de vacinação de 19,1 pontos percentuais em 2006, que se fixou nos 14,3 por cento. A fim de evitar constrangimentos no que diz respeito ao funcionamento dos serviços, o secretário de Estado da Saúde fez divulgar um despacho em que procede ao alargamento do prazo de validade do receituário médico, de modo a permitir a prescrição antecipada da imunização. “As receitas médicas em que seja feita a prescrição exclusiva de vacinas contra a gripe para a época gripal 2007/2008, emitidas a partir do dia 1 de Setembro, são válidas até 31 de Dezembro do corrente ano”, refere o despacho do governante.
A vacina contra a gripe deverá ser administrada preferencialmente durante os meses de Outubro ou Novembro, mas pode ser aplicada ao longo de todo o período de Outono e Inverno. Até agora, a Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) deu autorização para a comercialização de sete tipos diferentes de vacinas contra a gripe sazonal em Portugal. Anualmente a doença atinge cerca de um milhão de cidadãos portugueses.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa

sábado, 1 de setembro de 2007

103 portugueses morreram à espera de rim em 2006

Em 2006 morreram 103 portugueses enquanto aguardavam um transplante de rim, numa lista de espera composta por 2293 doentes, 595 dos quais entraram no ano passado. Os números foram publicados este sábado pelo Diário de Notícias. De acordo com os dados da Comissão de Transplantes do Conselho da Europa acerca da realidade portuguesa, o problema reside nos constrangimentos na colheita e não na ausência de centros de transplante.

Apesar de existirem em Portugal oito centros com valências para transplante de rim, a espera continua a ser uma das mais elevadas entre os vários órgãos, sendo calculada num mínimo de três anos. O número de transplantes renais tem vindo a crescer, ainda assim mantém-se abaixo dos dados de 1996.

Em declarações ao jornal, Eduardo Barroso, presidente da Autoridade para os Serviços de Sangue e de Transplantação (ASST), explica que “nem todos são vítimas de insuficiência renal, podendo falecer na sequência de doença ou de outras causas”.

Portugal tem 20,1 dadores por milhão de habitantes, mas luta para se aproximar dos níveis espanhóis (33,8 dadores). No ano passado, os transplantes de rim ascenderam a quase 40 por milhão de habitantes, a maior parte dos quais (35,8) a partir de um dador cadáver. No entanto, a melhor hipótese para reduzir a lista de espera está nos dadores vivos.

Publicada há dois meses, a lei que permite a dádiva de órgãos em vida a casais e amigos é uma das ferramentas essenciais para aumentar o número de órgãos disponíveis. Segundo afirmou o presidente da ASST, a lei já está pronta, estando apenas dependente da regulamentação. A directiva está agora a ser analisada pelos administradores hospitalares, sendo de esperar que seja publicada a partir de Setembro.

Maria João Aguiar, coordenadora nacional de colheitas da ASST, lembra que o número de dadores no país está estacionário desde há dez anos. Houve apenas uma alteração no que diz respeito ao número de transplantes realizados, com excepção do transplante de rim com dador cadáver. Há 10 anos, apenas se faziam 0,3 transplantes renais por milhão de habitantes, com dador vivo, quando hoje estamos próximos de 4.

No ano passado, realizaram-se 94.500 transplantes a nível mundial. A média de doações de órgãos na União Europeia ascendeu aos 17,8 por milhão de habitantes. A Espanha lidera a colheita, com 33,8 dadores por milhão, e no transplante de vários órgãos. Entre os países com piores indicadores europeus estão a Roménia e outras nações de leste.

Marta Bilro

Fonte: Diário de Notícias, Lusa, Diário Digital.

Vinho tinto reduz risco de desenvolver cancro da próstata

Beber diariamente uma ou duas taças de vinho tinto ajuda a diminuir o risco de desenvolver cancro da próstata, o cancro mais comum nos homens nos países desenvolvidos. A conclusão é de um estudo norte-americano da Universidade do Alabama, em Birmingham (UAB).

Ao alimentarem ratos com resveratrol, um composto presente no vinho tinto, os investigadores observaram que estes se tornavam 87 por cento menos propensos a desenvolver o tipo mais letal de cancro da próstata.

A equipa de cientistas descobriu também que entre a percentagem de ratos que consumiram resveratrol - mas também sofreram de cancro – os tumores desenvolvidos eram menos sérios e apresentavam 48 por cento mais hipótese de não crescer ou desacelerar esse crescimento, relativamente aos animais que não o consumiram.

“O consumo de resveratrol, por meio do vinho tinto, tem poderosas propriedades de quimioprofilaxia, além de seus aparentes benefícios para o coração”, salienta o orientador do estudo, Coral Lamartinière, do Departamento de Farmacologia e Toxicologia da UAB.

Uma investigação anterior, levada a cabo pela mesma universidade, revelou que os machos não são os únicos a serem beneficiados. As cobaias fêmeas que consumiram resveratrol demonstraram um risco muito inferior de desenvolver cancro da mama.

O único problema reside na quantidade de resveratrol consumida pelos ratinhos machos para a realização do estudo da próstata que, em humanos, seria o equivalente ao consumo de uma garrafa de vinho por dia.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Associação Regional de Saúde do Centro.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Takeda avança o desenvolvimento do fármaco experimental para a hipertensão

A Takeda Pharmaceutical Co. anunciou que o composto experimental TAK-536 entrou na Fase 2 do ensaio clínico, no Japão. Este composto é um bloqueador do receptor de angiotensina (ARB, sigla em inglês) descoberto pela Takeda. O seu mecanismo de acção consiste em baixar a pressão sanguínea ao aliviar a constrição dos vasos sanguíneos, através da inibição da acção de uma hormona vasopressina, a angiotensina II.

Espera-se que o TAK-536 apresente uma acção anti-hipertensora mais forte, e que seja também mais efectivo a combater a resistência à insulina e a proteger os rins, em comparação com outros bloqueadores do receptor de angiotensina existentes no mercado.

A Takeda avança assim a possibilidade de uma substituição para o tratamento da hipertensão mais vendido, o Blopress, que apresentou vendas de 55,4 mil milhões de ienes (480 milhões de dólares) nos três meses até ao dia 30 de Junho, 5 por cento mais do que no ano anterior.

Masaomi Miyamoto, gestor geral da divisão de desenvolvimento farmacêutico da Takeda, disse que a companhia está satisfeita com o progresso do TAK-536 para a Fase 2 dos ensaios clínicos, uma vez que este composto deve suceder o Blopress (candesartan cilexetil), que é um ABR e um dos produtos internacionais estratégicos da companhia, e é também um dos produtos líderes anti-hipertensivos no Japão. A Takeda está a tentar acelerar acentuadamente o desenvolvimento do TAK-536 para ser lançado o mais rapidamente possível, para posteriormente aumentar o franchise nesta área terapêutica.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg, www.takeda.com

FDA adia decisão acerca do fármaco experimental para a fibrilhação auricular

A FDA pediu informação adicional à Astellas Pharma Inc. e à Cardiome Pharma Corp. relativamente ao tratamento experimental, o vernakalant, para o batimento cardíaco irregular, ou seja, a fibrilhação auricular. As companhias declararam que este pedido irá adiar a decisão da FDA por três meses, até 19 de Janeiro, em relação à aprovação do tratamento intravenoso.

A FDA pediu esta informação como preparação para o encontro de consultores externos (Cardiovascular and Renal Drugs Advisory Committee), programado para os dias 11 e 12 de Dezembro, para rever terapias para a conversão aguda de arritmias cardíacas. Mais especificamente, a FDA requereu dados sobre a segurança e a eficácia do ensaio ACT 2 do fármaco, uma forma intravenosa do hidrocloreto de vernakalant, que estava a decorrer quando foi apresentada a candidatura no final de Dezembro passado. Esta foi a segunda tentativa das companhias, pois a FDA rejeitou a candidatura anterior invocando inconsistências e omissões nos dados.

O analista da UBS Investment Research, Jeff Elliott, sublinhou que este adiamento até tem um lado positivo, uma vez que as companhias terão, assim, a possibilidade de realçar os dados muito fortes acerca do fármaco, e poderão ganhar tempo para adquirir a aprovação para uma indicação adicional pós-cirurgia.

A Cardiome concedeu à Astellas uma licença exclusiva em 2003 para desenvolver e comercializar o fármaco na América do Norte. O fármaco pertence à classe dos bloqueadores dos canais de cálcio e é direccionado ao batimento cardíaco rápido nas câmaras superiores do coração, ou aurículas, sem perturbar as câmaras inferiores. Este é um de dois tratamentos em etapas avançadas de desenvolvimento na Cardiome.

Isabel Marques

Fontes: First Word, Bloomberg
21 de Setembro: Dia Mundial do Doente de Alzheimer
Sessões informativas «Memórias à quarta»


No âmbito do calendário de eventos destinados a assinalar o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, que se cumpre no próximo dia 21, a Associação Alzheimer Portugal vai promover, nas quatro quartas-feiras do mês, sessões informativas sobre a doença neurodegenerativa progressiva que afecta cerca de 60 mil portugueses.

Numa nota de imprensa enviada ao farmacia.com.pt, a associação dá conta de que os encontros do ciclo «Memórias à quarta», todos marcados para as 17h30, terão lugar nas «Lojas do Avô» de Almada, Funchal, Lisboa e Porto e terão entrada livre, destinando-se essencialmente a cuidadores formais e informais, profissionais de saúde e familiares dos doentes, bem como a todas as pessoas que, por qualquer motivo, tenham interesse em acompanhar o tema. A presidente da Associação Alzheimer Portugal, Maria do Rosário Zincke dos Reis, explica que “em cada quarta-feira do mês a associação vai abordar um tema diferente, com o objectivo de informar sobre a doença e apresentar às pessoas com Alzheimer e aos seus cuidadores soluções de apoio e diferentes perspectivas de cuidados que muitos podem não conhecer”.
A primeira sessão informativa, que será essencialmente subordinada à apresentação do leque de serviços, recursos e objectivos da associação, está agendada para o próximo dia 5 na Loja do Avô de Almada (tel. 212744427). Segue-se, na quarta-feira seguinte, na Loja do Avô do Funchal (Tel. 291203170) no dia 12, a sessão «Diagnosticar para não rotular», em que será feita uma chamada de atenção para a importância do diagnóstico precoce, fornecendo dados sobre como e a quem devem dirigir-se os interessados quando surgirem os primeiros sinais de alarme, acentuando que “nem tudo o que atinge os mais idosos é Alzheimer”.
A terceira sessão, intitulada «A abordagem centrada na pessoa com demência», está prevista para o dia 19 na Loja do Avô de Lisboa (Tel. 213579040), e terá como objectivo fundamental a apresentação de uma estratégia de acompanhamento do doente que se centra na necessidade de “olhar para o indivíduo com demência de forma diferente”. Por fim, o calendário encerra no dia 26, na Loja do Avô do Porto (Tel. 225093022), com o encontro «A segurança da pessoa com demência», em que os técnicos da associação darão a conhecer os dispositivos e fornecerão dicas com vista a garantir uma maior segurança em casa e na rua.

Carla Teixeira
Fonte: press-release da Hill & Knowlton, http://www.ajudas.com/, http://www.latiendadelabuelo.com/

Eli Lilly e Takeda terminam co-desenvolvimento do mesilato de ruboxistaurina

A Eli Lilly e a Takeda terminaram o acordo conjunto de desenvolvimento e comercialização do composto experimental de mesilato de ruboxistaurina (inibidor da PKCβ, LY333531) no Japão. Este agente é um composto experimental descoberto e desenvolvido pela Eli Lilly e estava a ser estudado para o tratamento de complicações microvasculares decorrentes da diabetes.

As companhias explicaram que esta decisão foi tomada após a revelação dos dados da Fase II dos ensaios clínicos do fármaco, para o tratamento da neuropatia diabética periférica e do edema macular diabético, que falharam ao não cumprir os critérios pré-determinados para prosseguir o desenvolvimento para a Fase III dos estudos. A Takeda e a Eli Lilly tinham assinado o acordo de co-desenvolvimento em 2003.

Isabel Marques

Fontes: First Word, www.takeda.com

Publicado novo regime jurídico das farmácias

Diploma que liberaliza propriedade das farmácias entra em vigor dentro de 60 dias

Foi publicado esta sexta-feira (31 de Agosto), em Diário da República, o Decreto-Lei n.º 307/2007, que estabelece o regime jurídico das farmácias de oficina. Com o novo diploma a propriedade das farmácias deixa de estar limitada exclusivamente a farmacêuticos, sendo que esta passa a estar também reservada a pessoas singulares e a sociedades comerciais, numa concentração máxima de quatro estabelecimentos.

O texto, que entra em vigor dentro de 60 dias, reforça o regime de incompatibilidades em relação à propriedade, exploração e gestão de farmácias, quer directa quer indirectamente. De forma a garantir a igualdade fiscal com as demais farmácias, as instituições particulares de solidariedade social que detêm farmácias deverão constituir-se em sociedades comerciais.

No que toca à direcção técnica da farmácia, é exigida a permanência e exclusividade de um farmacêutico sujeito a regras deontológicas próprias e exigentes, para garantir e promover a qualidade e melhoria contínua dos serviços prestados aos utentes. Por sua vez, o papel do director técnico ganha relevo, atendendo à dissociação entre propriedade da farmácia e titularidade por farmacêutico.

No âmbito da valorização das regras deontológicas, o controlo dos deveres deste funcionário pode ser efectuado pela Ordem dos Farmacêuticos. Ao vincular juridicamente o director técnico ao cumprimento das disposições gerais do diploma pretende-se reflectir o interesse público que caracteriza a actividade. Exemplo disso é a promoção do uso racional do medicamento e os deveres de colaboração e de farmacovigilância que lhe são atribuídos.

De acordo com a nova legislação, cada farmácia fica agora obrigada a dispor de dois farmacêuticos, de forma a garantir que as ausências do director técnico sejam colmatadas pela presença de um farmacêutico que o substitua. O novo regime jurídico continua a prever a atribuição de novas farmácias através de concurso público. A regulação do licenciamento será objecto de diploma próprio.

A dispensa de medicamentos não sujeitos a receita médica poderá ser efectuada pelos locais de venda através da internet e ao domicílio. Uma novidade que pretende beneficiar os utentes impossibilitados de se deslocarem, sendo que o serviço poderá motivar a cobrança de um valor adicional. As farmácias ficam também autorizadas a adquirirem medicamentos através de concurso, situação proibida pela legislação revogada.

Segundo o novo regime jurídico, os consumidores vão também poder reclamar dos atendimentos nas farmácias no site da Internet da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed). Para além de terem à disposição livros de reclamações nas farmácias, será também disponibilizada uma área própria no site do Infarmed.

Conforme noticiou o Farmacia.com.pt, o diploma foi aprovado pelo Governo em Julho de 2007, um ano depois de ter chegado a acordo com Associação Nacional de Farmácias, sobre o denominado “Compromisso com a Saúde”.

Marta Bilro

Fonte: Ministério da Saúde, Portugal Diário, Farmacia.com.pt.

Indústria farmacêutica: Um retrato das transformações do mercado

Apesar da indústria farmacêutica ter duplicado os investimentos no ramo da investigação e desenvolvimento durante a última década, o número de novos produtos que realmente chegaram ao mercado não passou de metade. Consequentemente, o modelo de negócios que consistia na criação de alguns medicamentos com êxito de mercado e na sua comercialização junto dos fornecedores deixou de ser sustentável. É, por isso, urgente inovar e tentar criar novas respostas.

São necessárias alterações porque a repetição do modelo existente tende a não funcionar. Os fármacos mais bem sucedidos do mercado estão prestes a perder a protecção da patente e há poucos produtos actualmente em desenvolvimento devido à falta de inovação fundamental, ao aumento das vendas e despesas de marketing ou à subida dos custos de regulamentação. Para além disso, a controvérsia que envolve alguns medicamentos tem provocado um certo descrédito e falta de confiança na indústria.

As consequências traduzem-se ao nível financeiro. De acordo com um artigo publicado na “Genetic Engineering & biotechnology News” (GEN), o retorno sobre os stocks farmacêuticos tem-se atrasado em relação a outras indústrias – durante os últimos seis anos, o índex mundial do Dow Jones (bolsa de valores de Nova Iorque) subiu 34,9 por cento, enquanto o índex farmacêutico global FTSE cresceu apenas 1,3 por cento. A indústria está financeiramente mais débil e não consegue responder aos desafios que enfrenta através da simples injecção de capital, pode ler-se na mesma publicação.

Ainda assim, o futuro da indústria é mais promissor do que aquilo que aparenta, já que as estimativas indicam que o mercado farmacêutico global deverá duplicar o seu valor até 2020, atingindo vendas anuais no valor de 949 mil milhões de euros. A procura deverá ser estimulada, maioritariamente, pelo crescimento da camada de população idosa e cada vez mais sedentária, especialmente dos novos mercados nos países em vias de desenvolvimento.

A estes factores acresce a incidência de algumas doenças existentes, em parte devido às alterações climáticas, que alargam o espectro geográfico de doenças infecciosas tropicais e semi-tropicais. As doenças crónicas do foro respiratório estão também a alastrar, à medida que as novas fábricas e os automóveis fazem disparar os níveis de poluição nos países em vias de desenvolvimento. Para além disso, há que ter em conta as novas doenças, muitas delas resistentes às terapias existentes.

Enquanto a indústria farmacêutica procura fazer frente aos obstáculos e agarrar oportunidades estratégicas, há 10 desafios transformacionais que, segundo a GEN, se colocam ao sector até 2020:

- A confiança da indústria nos chamados medicamentos de sucesso deverá diminuir. Em vez disso, o sector vai centrar atenções no desenvolvimento de fármacos com um alcance mais alargado. Prevê-se também uma alteração nas vendas e no marketing, sendo que as grandes equipas de venda actuais deverão ser substituídas por grupos mais pequenos que negoceiam preços com base nos benefícios comprovados.

- A indústria farmacêutica vai diversificar-se cada vez mais, com algumas empresas a tornarem-se especializadas em certos nichos de mercado; outras vão optar pelos genéricos, centrando-se no volume de vendas e nas receitas. Há hipótese de serem bem sucedidas em ambos os ramos mas terão que optar por um dos caminhos.

- Os resultados reais vão ser cruciais para o sucesso do produto. Os produtos terão que gerar lucro e as empresas vão lucrar com a inovação e não com as réplicas de terapias já existentes.

- Vai haver um novo foco na adesão dos pacientes ao tratamento. Há doentes que muitas vezes não tomam os medicamentos prescritos ou interrompem a terapia. As empresas farmacêuticas vão desenvolver novas tecnologias personalizadas de monitorização e técnicas que assegurem que os pacientes tomam a medicação, melhorando os resultados e a segurança, ao mesmo tempo que são gerados mais 22 mil milhões de euros anuais em novas vendas.

- A prevenção será tão importante quanto o tratamento. A indústria farmacêutica está há muito centrada no tratamento de doenças mas será financeiramente mais eficaz prevenir uma doença do que curá-la. Haverá também um apoio do sector aos programas de bem-estar, vacinação e monitorização de fidelidade aos tratamentos.

- A tecnologia vai imprimir transformações na investigação e desenvolvimento. Novas tecnologias moleculares deverão ajudar a cumprir a promessa da pesquisa gonómica, e o crescimento da sofisticação dos aparelhos médicos, frequentemente associado aos medicamentos, irá melhorar a eficácia das terapias, ao mesmo tempo que são reduzidos os riscos.

- O processo de ensaios clínicos deverá tornar-se mais flexível, impulsionado pela partilha de dados e uma maior colaboração entre as empresas farmacêuticas e as entidades reguladoras.

- O processo de regulamentação tornar-se-á global. À medida que os mercados internacionais ganham relevância, as empresas farmacêuticas vão estimular uma maior cooperação entre os reguladores nacionais para dar origem a produtos que salvam vidas, acelerar a comercialização e reduzir os custos das obrigações de regulamentação.

- As cadeias de fornecimento vão tornar-se uma fonte de receitas. A aplicação de sistemas de produção e entrega momentâneos, utilizados noutras indústrias, vai permitir às empresas farmacêuticas desenvolver produtos à medida dos pedidos dos clientes, criando novos canais de comercialização de produtos.

- Os retalhistas vão ser substituídos pela distribuição directa ao consumidor. À medida que o mercado de medicamentos de venda livre cresce e as novas tecnologias permitem a distribuição directa ao consumidor, a confiança nos retalhistas vai diminuir, com mais prescrições a serem aviadas automaticamente.

O sucesso futuro da indústria reside, por isso, na capacidade de adaptação às novas realidades e o prémio de sucesso deverá ser atribuído às empresas com visão, flexibilidade e coragem para começar a mudar de imediato.

Marta Bilro

Fonte: Genetic Engineering & biotechnology News, Farmacia.com.pt.

Garantia da Boehringer Ingelheim em Portugal
Risco de arritmia num caso em cada milhão

Na reacção à retirada mundial do Silomat, a Boehringer Ingelheim garantiu que o risco de arritmia associado ao medicamento para a tosse seca é de um caso num milhão, explicando que foi voluntariamente e por prevenção que optou por suspender a sua venda.

Em 2006 foram vendidas em Portugal 320 mil unidades do Silomat, no valor de 1,2 milhões de euros. O director médico da empresa, Carlos Trabulo, sublinhou a ausência de registo de casos fatais devido à toma do medicamento, e explicou que o risco de arritmias cardíacas só existe durante a acção do fármaco, que “é eliminado da circulação em 24 horas”. O teste com electrocardiogramas em adultos saudáveis foi feito depois de a base de dados de farmovigilância ter registado o aumento dos relatos de efeitos secundários, e demonstrou um risco de um caso num milhão de doentes.
Carlos Trabulo reiterou ainda que, “face aos resultados inesperados de alteração da relação risco/beneficio do fármaco, a Boehringer Ingelheim tomou a iniciativa, como medida de precaução, de o retirar voluntariamente do mercado, na defesa do interesse da segurança dos doentes”. Em 46 anos de comercialização a nível mundial o Silomat registou 200 milhões de administrações. Em 1992 deixou de estar sujeito a receita médica, classificação que pesou na decisão de retirada do mercado, segundo o laboratório, que pediu aos consumidores que suspendessem o seu uso e consultassem o médico ou farmacêutico para mais informações.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa
Infarmed está a acompanhar situação em Portugal
Silomat retirado do mercado mundial


Alterações inéditas registadas em electrocardiogramas de um grupo de pessoas submetidas a um ensaio clínico ao Silomat ditaram a recolha imediata do fármaco em todo o mundo. Trata-se de uma medida preventiva, por se desconhecer ainda a relevância clínica da sua toma…

Entidades reguladoras do sector do medicamento em todo o mundo estão desde ontem a proceder à retirada do mercado farmacêutico de todas as embalagens e de todos os lotes do Silomat, indicado para tratamento da tosse seca. Na origem da decisão, de acordo com o exposto num comunicado classificado como “muito urgente” emitido pelo Conselho Directivo da Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed), a que o farmacia.com.pt teve acesso, está a detecção, em electrocardiogramas de um grupo de adultos saudáveis que participaram num ensaio clínico com o medicamento, de alterações inéditas cuja relevância clínica é ainda desconhecida.
Na sequência dos resultados preliminares do estudo, no que o Infarmed diz ser uma medida de prevenção, o fármaco, que tem como princípio activo o clobutinol e é desenvolvido e comercializado pelo laboratório alemão Boehringer Ingelheim International – em Portugal representado pela União Internacional Laboratórios Farmacêuticos Lda. (Unilfarma) – está então a ser retirado dos estabelecimentos de dispensa de medicamentos de todo o mundo (farmácias e parafarmácias, visto que se trata de um medicamento não sujeito a receita médica), tendo o regulador português ordenado a suspensão imediata da sua comercialização, exortando os doentes que estejam a fazer tratamento com o Silomat a interromper de imediato a sua administração, garantindo que está a acompanhar a situação, através do seu departamento de Farmacologia.
Disponível em xarope, solução oral e comprimido revestido, o Silomat é usado no tratamento da tosse seca, nomeadamente em crianças. O Infarmed saudou, por isso, a decisão do laboratório de recolher voluntariamente o fármaco, até estarem disponíveis mais dados sobre o seu princípio activo. Segundo a nota emitida pelo Infarmed, o clobutinol, autorizado em Portugal desde 1962, é um antitússico não opiáceo, activo por via oral e com acção central, estando especialmente indicado para o tratamento sintomático da tosse irritativa não produtiva. No nosso país é o único composto químico desenvolvido a partir daquela substância, não havendo quaisquer relatos de episódios fatais das reacções adversas agora descritas nos doentes submetidos ao ensaio clínico, terminado há dias. Encontra-se igualmente disponível em diversos países da Europa e do mundo, na maioria dos casos sem estar sujeito a receituário.

Carla Teixeira
Fonte: Infarmed

Sanofi e Actelion irão controlar o mercado de fármacos para a insónia em 2016

A eplivanserina da Sanofi-Aventis e o ACT-078573 da Actelion serão líderes de mercado, no que diz respeito aos fármacos para a insónia, por volta do ano de 2016. Contudo, não é provável que este mercado sustente diversos fármacos semelhantes que não apresentem vantagens definidas de eficácia e de segurança, segundo o estudo da Decision Resources.

De acordo com o recente relatório da Pharmacor, a eplivanserina antagonista dos receptores serotoninérgicos de tipo 2 (5-HT2) e o ACT-078573 antagonista do receptor da orexina estão entre as 11 terapias emergentes para a insónia, que irão entrar no mercado na próxima década. Entre estas terapias emergentes encontram-se os lançamentos, fora dos Estados Unidos, do Lunesta (eszopiclona) da Sepracor e o ramelteon da Takeda, estando previsto que ambos sejam lançados na Europa em 2008 e no Japão em 2010. Os peritos pensam que o facto da insónia ser cada vez mais reconhecida como um distúrbio tratável, tanto por parte dos médicos, como dos pacientes, irá ajudar ao crescimento do mercado nos Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido.

O relatório revela ainda que o crescimento progressivo das taxas de diagnóstico e de fármacos de tratamento, combinado com uma população de 140 milhões de pacientes, fazem com que o mercado da insónia seja um dos poucos com potencial de expansão. Todavia, a disponibilidade do genérico Ambien (zolpidem), combinado com o aumento da inspecção em termos reguladores para as terapias da insónia, irão limitar as vendas do mercado global.

Segundo a analista da Decision Resources, Natalie Taylor, a insónia requer agentes que são mais claramente diferenciados em relação aos fármacos correntes do que outros grandes mercados psiquiátricos. Os fármacos com dados de ensaios clínicos em que esteja estabelecida a eficácia em várias populações com insónia – tais como os que sofrem de distúrbios psicológicos, os idosos, e pacientes com insónia crónica – irão apresentar o maior potencial comercial.

Isabel Marques

Fontes: PMFarma, www.decisionresources.com

Creon recebe carta de aprovação da FDA

A Solvay Pharmaceuticals recebeu uma carta de aprovação por parte da FDA para o Creon (cápsulas de libertação prolongada de pancrelipase), relativamente ao registo de um novo medicamento. O Creon é uma enzima pancreática para o tratamento da Insuficiência Pancreática Exócrina, que é frequentemente associada com a fibrose cística e pancreatite crónica. Contudo, a Solvay necessita ainda apresentar à FDA dados clínicos adicionais e informação química, de elaboração e de controlo, antes da aprovação.

O Creon é o medicamento de enzimas pancreáticas mais prescrito nos Estados Unidos e tem sido comercializado há 20 anos. A Solvay remeteu o fármaco para aprovação da agência norte-americana que regula medicamentos (FDA) para cumprir os seus regulamentos, uma vez que esta publicou a 28 de Abril de 2004 um aviso de registo federal (Federal Register Notice) que requer que todos os fabricantes de produtos à base de enzimas pancreáticas obtenham um registo de um novo medicamento (NDA, sigla em inglês).

O presidente da Solvay Pharmaceuticals, Laurence Downey, afirmou que a companhia está confiante de que o trabalho que está a ser realizado, e que foi iniciado antes de ter recebido esta carta, irá cumprir o requisito da FDA. O Dr. Downey acrescentou ainda que o Creon ajuda a suprir uma necessidade médica crítica para milhares de pacientes que sofrem de fibrose cística e insuficiência pancreática. A Solvay irá continuar a trabalhar com a FDA para garantir a aprovação para este fármaco.

Isabel Marques

Cirurgião desenvolve novo método para tratar apneia do sono

Um cirurgião singapuriano desenvolveu um método aperfeiçoado para tratar a apneia do sono com uma taxa de sucesso que atinge os 86 por cento, revela uma notícia publicada esta sexta-feira pelo The Straits Times. Kenny Pang, director do “Pacific Sleep Centre”, que viajou até ao Vietname, à Malásia e à Indonésia para difundir a nova técnica, foi agora convidado pela Academia Americana de Otorrinolaringologia para levar a Washington os seus conhecimentos.

O Sindroma de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é um problema respiratório do sono que se caracteriza por episódios repetidos de interrupção da respiração, apesar de continuar a desenvolver-se esforço para respirar. A apneia obstrutiva dá origem à cessação completa da passagem do ar pelo nariz e pela boca, durante 10 segundos ou mais, sendo que, um doente típico terá cinco ou mais apneias por hora de sono. Com o passar do tempo, o problema pode provocar hipertensão arterial, ataques cardíacos, ou mesmo a morte em casos mais graves.

A cirurgia comum, eficaz em cerca de 68 por cento dos casos, consiste na remoção das amígdalas e adenóides, pólipos ou outras causas de obstrução, ou mesmo do excesso de tecido mole na parte posterior da orofaringe. No entanto, esse procedimento não alarga a abertura da garganta, afirmou Pang em declarações ao periódico de Singapura.

O método aplicado por este especialista também prevê a remoção das amígdalas e de parte do palato mole. Os músculos da garganta ao fundo da cavidade bucal são puxados para cima e para a frente, e depois suturados no palato mole que estica os músculos e expande a abertura da garganta, refere o relatório.

Tan Wee Teck, um dos primeiros pacientes de Pang, submetido ao procedimento em Singapura, em 2005, confessa-se bastante satisfeito com os resultados. “Depois da cirurgia, tenho dormido melhor e sinto-me mais enérgico durante o dia”, referiu.

Marta Bilro

Fonte: The Earth Times, Saúde na Internet.

São Paulo recebe I Congresso Internacional de Uro-Oncologia

Evento conta com a participação de 600 especialistas

O Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês (IEP), em São Paulo, no Brasil, recebe, entre os dias 14 a 16 de Setembro, I Congresso Internacional de Uro-Oncologia. Durante o evento, que conta com a participação de 600 urologistas, radiologistas e oncologistas, do Brasil e do exterior, serão abordados os principais desenvolvimentos no tratamento de casos de cancro da próstata, rim e bexiga.

Relativamente ao cancro da próstata, um dos mais frequentes no homem, representando uma importante causa de morte, será feita numa abordagem ao papel da radioterapia no tratamento do tumor, especialmente do novo IGRT (Radioterapia de 4ª Dimensão), que proporciona maior segurança e preservação dos tecidos sãos próximos à região tumoral.

Haverá também espaço para falar das inovações, com é o caso das cirurgias que preservam a erecção, dos tratamentos para a incontinência urinária pós-cirurgia do tumor, e dos estudos com opções terapêuticas já aplicadas com sucesso na terapia-alvo contra tumores colo-rectais e da mama, além da utilização da vitamina D em alta dose.

No tempo reservado à análise dos tumores renais, serão discutidos os novos fármacos inibidores da vascularização do tumor e os mecanismos específicos de proliferação e crescimento da doença. Está ainda preparada uma demonstração das novas técnicas cirúrgicas, onde se inclui a preservação do rim e o uso da crioterapia e radiofrequência no tratamento.

O cancro da bexiga, o segundo tumor urológico mais frequente, vai também estar em análise, visto que, o avanço na precisão do diagnóstico permite novas cirurgias capazes de preservar a bexiga. Os interessados poderão inscrever-se e aceder ao programa completo do congresso através do portal do Hospital Sírio Libanês, em www.hospitalsiriolibanes.org.br.

Marta Bilro

Fonte: Midiacon, Hospital Sírio Libanês.

Sanofi-Aventis processada por assédio sexual

Funcionárias exigem indemnização de 220 milhões de euros

Quatro funcionárias da Sanofi-Aventis US, unidade norte-americana do grupo farmacêutico francês, apresentaram queixa na justiça acusando o grupo de discriminação sexual e assédio. As queixosas exigem o pagamento de uma indemnização no valor de 220 milhões de euros.

Karen Bellifemine, uma representante de vendas da empresa, apresentou, em Março, a primeira queixa contra a empresa. Agora, outras três empregadas do sector das vendas recorrem aos tribunais. A acusação alega que, apesar do seu desempenho profissional, as mulheres foram impedidas de ser promovidas e recebiam pagamentos inferiores aos dos seus colegas de trabalho do sexo masculino.

Há ainda a descrição de situações de assédio sexual por parte dos respectivos chefes, incluindo alguns casos de perseguição por estas terem apresentado queixa junto da direcção. A situação acabou por conduzir ao abandono da empresa por parte de três das funcionárias envolvidas. Karen Bellifemine, que integrava a empresa há mais de 12 anos, alega que a promoção lhe foi negada por duas vezes a atribuída a colegas do sexo masculino. “A empresa não repreende os gerentes e outros empregados quando estes descriminam as colegas do sexo feminino ou criam um local de trabalho hostil face à presença de mulheres”, afirma Bellifemine.

Um porta-voz da Sanofi-Aventis em Paris afirmou que a empresa está confiante de que “a queixa não tem fundamento”, uma vez que “todos os funcionários são tratados da mesma maneira em respeito às leis federais, e de cada Estado, aplicáveis nos EUA”.

A Novartis enfrenta um processo semelhante na justiça norte-americana que envolve 19 funcionárias da empresa. A queixa obteve estatuto de acção colectiva e exige o pagamento de 146 milhões de euros por danos.

Marta Bilro

Fonte: First Word, Forbes, Invertia.

Comissão brasileira aprova venda obrigatória em unidose

Texto que tornava facultativa a venda fraccionada foi rejeitado

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio do Brasil aprovou, esta quarta-feira (29 de Agosto), o projecto de lei que permite a venda de medicamentos fraccionados aos consumidores. Quando tudo previa que tal não acontecesse, devido às pressões da indústria farmacêutica sobre o Congresso, o texto foi realmente aceite e obriga o sector a disponibilizar fármacos em unidose.

Os laboratórios farmacêuticos ficam assim comprometidos a adaptar as embalagens de forma a permitir a comercialização dos medicamentos em lotes específicos, de acordo com a necessidade do consumidor prescrita pelo médico, algo que não acontece actualmente.

Integrada no projecto original da autoria do Executivo, esta exigência foi retirada no primeiro substitutivo aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor, bem como no da autoria do deputado Albano Franco, o relator designado para este projecto na Comissão de Desenvolvimento Económico. O substitutivo apresentado por Franco, que delegava nas empresas a decisão de produzir medicamentos fraccionáveis, foi rejeitado durante a votação, em detrimento do de Miguel Corrêa Jr. agora aprovado.

A obrigatoriedade é dispensada apenas se a embalagem contiver a quantidade de comprimidos indicados pelo médico e necessários ao tratamento. Ainda assim, a autorização terá que ser concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Executivo está convencido de que a venda de fármacos em unidose contribui para a redução dos custos com medicamentos e da automedicação, uma vez que o consumidor adquire apenas a quantidade necessária para o tratamento que lhe foi prescrito naquela ocasião.

Marta Bilro

Fonte: Câmara dos Deputados.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Donuts mais saudáveis chegam em Outubro

A cadeia norte-americana Dunkin' Donuts anunciou que a partir de 15 Outubro, todos os seus produtos comercializados nos EUA deixarão de conter gorduras hidrogenadas, associadas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e a problemas de obesidade.

A decisão da Dunkin’ Donuts surge na sequência da proibição de uso, em restaurantes e outros estabelecimentos, de azeites ou produtos com este tipo de gorduras, aprovada a 05 de Dezembro de 2006, pela Junta de Saúde de Nova Iorque.

A partir de Janeiro, a eliminação de gorduras hidrogenadas será também aplicada aos produtos comercializados pela cadeia de geladarias Baskin-Robbins que, tal como a Dunkin' Donuts, pertence à empresa Dunkin' Brands.

Questionada sobre uma possível adopção de uma medida similar, a Panrico, empresa responsável pela comercialização em Portugal de produtos idênticos aos da Dunkin' Donuts, como os Manhãzitos, Donuts e Bollycao, preferiu não fazer qualquer declaração.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Hospitais-empresa apresentaram prejuízos de 128 milhões de euros no último semestre

O Ministério da Saúde anunciou hoje que, no último semestre, os 35 hospitais-empresa existentes em território nacional diminuíram prejuízo em 57,4 por cento, relativamente ao mesmo período do ano passado, apresentando ainda assim prejuízos na ordem dos 128 milhões de euros.

Durante os últimos seis meses, apenas oito Hospitais Entidades Públicas Empresariais (EPE) obtiveram lucros, surgindo no topo da lista o hospital de São João, no Porto, com lucros de cerca de 9 milhões de euros. Os maiores prejuízos registaram-se no centro hospitalar de Lisboa e na unidade local de saúde do Norte Alentejano, com um prejuízo na ordem dos 23 milhões de euros.

De acordo com os dados revelados pelo ministério, 20 instituições de saúde conseguiram reduzir os prejuízos, porém não conseguiram ainda apresentar resultados positivos e seis dessas unidades agravaram ainda mais os prejuízos.

A par do hospital de São João, no Porto, encontra-se o Instituto Português de Oncologia, também do Porto, com lucros de 9,6 milhões de euros e 9,1 milhões de euros, respectivamente. O Centro Hospitalar de Lisboa Oriental, o Hospital Santa Maria (Lisboa), e o Hospital de São Teotónio (Porto) conseguiram também resultados positivos, face ao período homólogo, em que os resultados haviam sido negativos.

A divulgação destes resultados surge pouco dias depois de o Ministério da Saúde ter comunicado às administrações dos Hospitais EPE o objectivo de, dentro de dois anos, 25 das 35 unidades apresentarem resultados positivos.

Inês de Matos

Fonte: TSF
Tecnologia vencedora do Prémio Nobel do ano passado
AstraZeneca vai utilizar ARNi na produção de fármacos


A companhia farmacêutica AstraZeneca pretende, a breve trecho, iniciar a utilização do ácido ribonucleico de interferência (ARNi), a tecnologia galardoada com o Prémio Nobel da Medicina 2006, no desenvolvimento de novos medicamentos. O ARNi consiste numa estratégia inovadora para anular de forma selectiva os genes que causam determinadas doenças, e que nessa medida representa actualmente uma das áreas de maior potencial no desenvolvimento de novos fármacos.

Para dar corpo a essa pretensão a AstraZeneca acaba de formalizar um protocolo com a Silence Therapeutics, companhia especializada em ARNi, estabelecendo um período de colaboração de três anos, ao longo dos quais os seus especialistas tentarão descobrir e desenvolver moléculas patenteáveis na área das doenças respiratórias. Posteriormente, a empresa admite alargar o âmbito do acordo, mas essa deverá ser, numa primeira fase, a aposta da colaboração agora anunciada entre as duas companhias farmacêuticas. A descoberta do RNAi abriu um novo campo de investigação na área da terapia genética e das estratégias para concepção de novos tratamentos, oferecendo novas abordagens de patologias como o cancro e as doenças infecciosas, que em muitos casos revelaram resistência a anteriores medicamentos, tendo por isso sido consideradas incuráveis.

Carla Teixeira
Fonte: AZPrensa

Remoção de ovários aumenta risco de demência

As mulheres submetidas a uma cirurgia de remoção de ovários em idade fértil podem ver aumentado o risco de desenvolver a doença de Parkinson e problemas de memória, revela um estudo publicado no jornal norte-americano 'Neurology'. A falta da produção de estrogénio é apontada como a principal causa para este fenómeno.

Uma equipa de investigadores da Mayo Clinic, no Minnesota, observou mulheres durante cerca de 30 anos e realizou perto de 3000 entrevistas. Este procedimento permitiu-lhes verificar que as mulheres sujeitas à remoção de um ou dois ovários antes da menopausa por razões não relacionadas com cancro (casos dos quistos, endometriose ou prevenção de tumores) têm mais possibilidade de desenvolver problemas cognitivos ou de demência do que mulheres mais velhas, submetidas ao mesmo tipo de operação.

O estudo demonstrou que a remoção de um ovário antes da menopausa está claramente relacionada a um aumento da perda de memória e mesmo à demência. A doença de Parkinson tem também mais probabilidades de surgir em mulheres que foram operadas durante a idade fértil.

Uma das principais funções dos ovários, para além do armazenamento e distribuição dos óvulos, consiste na produção de estrogénio, uma hormona sexual feminina. Algumas mulheres submetidas à remoção de um ou dos dois ovários são medicadas com uma terapia de substituição hormonal, porém, a maioria não recebe o tratamento, ou apenas tem acesso ao mesmo depois dos 50 anos de idade, afirmam os investigadores.

“É possível que o estrogénio tenha um efeito protector no cérebro, pelo que, a falta do mesmo, devido à remoção de um ovário pode aumentar o risco da mulher sofrer problemas de memória”, refere Walter Rocca, o principal autor do estudo. O responsável aconselha, por isso, que os médicos pensem cuidadosamente nas consequências desta cirurgia antes de a levar a cabo em mulheres jovens.

Marta Bilro

Fonte: BBC News, Expresso.

Dr Reddy na corrida aos biosimilares

Empresa quer lançar um biofármaco genérico por ano

O mercado dos biosimilares começa a ganhar terreno no sector farmacêutico e há quem não queira atrasar-se na corrida. É o caso do laboratório indiano Dr Reddy que se prepara para lançar, anualmente, uma versão genérica de um biofármaco durante os próximos anos, noticia a imprensa local.

Em declarações ao jornal indiano “The Business Standard”, a empresa afirma ter em mãos oito biosimilares que sucedem a outros tantos fármacos biológicos. Para além disso, a Dr Reddy tem planos para investir mais de 22 milhões de euros na construção de uma unidade de produção de biofármacos em Haiderabade, no sul da Índia, que deverá estar concluída em 2009.

A segunda empresa líder ao nível de vendas no mercado farmacêutico indiano diz ainda estar em conversações com a entidade reguladora europeia para lançar no mercado comunitário o Reditux, um uma versão biosimilar do Mabthera (Rituximab). O fármaco, utilizado no tratamento do Linfoma não-Hodgkin, é comercializado na Europa pela Roche.

O Reditux, um anticorpo monoclonal quimérico, foi lançado na Índia, em Maio, e caso seja aprovado na União Europeia deverá competir com o Mabthera. Porém, “são necessários pelo menos dois anos para que possamos familiarizar-nos com os diversos requisitos legais para os biosimilares na Europa e aguardar que os EUA criem um enquadramento regulador claro para as versões genéricas dos biológicos”, afirmou um porta-voz da Dr Reddy numa entrevista anterior concedida ao portal Biopharma-Reporter.com.

O Reditux é o segundo biosimilar lançado pela unidade de biológicos da farmacêutica indiana. Na mesma linha, a empresa comercializa ainda o Grafeel (Filgrastim), um tratamento que fomenta a produção de glóbulos brancos. O Filgrastim é comercializado na Europa pela Amgen como Neupogen.

De acordo com um outro periódico indiano, a empresa pretende também lançar o Grafeel no mercado europeu. Segundo afirma o director de operações da empresa, Satish Reddy, na edição desta quarta-feira (29 de Agosto) do “The Economic Times”, as negociações para colocar o Grafeel no mercado europeu já foram iniciadas.

Os biofármacos têm-se mantido alheios à concorrência dos genéricos porém a chegada dos biosimilares torna-se inevitável e previsível à medida que muitas das patentes começam a perder os direitos de protecção. Tal como noticiou o Farmacia.com.pt, num artigo publicado no dia 17 de Julho de 2007, alguns dos produtos de topo da indústria verão as patentes expirar dentro de sete ou oito anos e o Rituxan está entre os principais exemplos.

É certo que o desenvolvimento de biogenéricos envolve grandes recursos financeiros, bastante superiores aos que são requeridos para produzir os genéricos comuns, uma vez que o processo é complexo e implica testes mais exaustivos e difíceis procedimentos de aprovação. No entanto, várias empresas indianas, como é o caso da Dr Reddy, estão a desenvolver capacidade para produzir biofármacos complexos e versões biosimilares de medicamentos de topo e, posteriormente, de as vender a preços inferiores. Até agora o mercado indiano tem sido o único receptor desses produtos mas a Europa parece ser o próximo alvo.

Marta Bilro

Fonte: Bio-PharmaReporter.com, Infarmed.

Estudo revela novos efeitos do Viagra

Medicamento torna os homens mais carinhosos

Um novo estudo realizado pela Universidade Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, revelou que o Viagra, para além de melhorar o desempenho sexual dos homens, pode também torná-los mais carinhosos.

Os investigadores recorreram a ratos de laboratório e verificaram que o sildenafil, nome genérico para o Viagra, provoca uma maior libertação de oxitocina no cérebro, também conhecida como a "hormona do amor".

Durante a investigação, os especialistas administraram sildenafi em alguns ratos e observaram que estes responderam a estímulos libertando três vezes mais oxitocina do que aqueles a quem não tinha sido administrada a substância.

De acordo com os investigadores, os resultados permitem concluir que o Viagra parece ter "efeitos físicos, além do de permitir um maior fluxo sanguíneo para os órgãos sexuais".

A oxitocina é uma hormona determinante para a interacção social, aparecendo durante a amamentação para criar a ligação especial entre a mãe e o filho, tal como acontece nos casais apaixonados.

Inês de Matos

Fonte: Jornal de Noticias

Fumar provoca danos genéticos irreversíveis

Ex-fumadores mantêm risco de sofrer cancro do pulmão

O consumo de tabaco provoca danos irreversíveis mesmo naqueles que abandonaram o hábito de fumar. Um estudo canadiano demonstra que, após a cessação tabágica, há alguns genes que nunca mais voltam a funcionar correctamente. Os investigadores afirmam, por isso, que os ex-fumadores mantêm um risco de sofrer cancro do pulmão relativamente às pessoas que nunca fumaram.

Desenvolvido por uma equipa de cientistas do British Columbia Cancer Research, o estudo analisou amostras de células de tecidos do pulmão de oito fumadores, doze ex-fumadores e de quatro pessoas que nunca fumaram. O objectivo era identificar determinados genes e perceber se a expressão dos mesmos sofria alterações ao longo do tempo, entre os vários participantes da investigação, e após a cessação tabágica.

Os resultados demonstraram que a expressão de alguns dos genes era reversível depois do indivíduo deixar de fumar, mas noutros as alterações causadas pelo fumo do tabaco permanecem mesmo alguns anos depois do abandono do hábito de fumar.

De acordo com os autores da investigação, publicada no jornal científico BMC Genomics, “os níveis de expressão de alguns dos genes relacionados com o fumo do tabaco voltaram a níveis semelhantes aos das pessoas que nunca fumaram após a cessação tabágica, enquanto que, a expressão de outros parece estar permanentemente alterada apesar da longa cessação”.

Entre os genes analisados, “as expressões aumentadas do TFF3, CABYR e ENTPD8 descobriram-se ser reversíveis após a cessação tabágica”, sendo que “a expressão do GSK3B que regula a expressão do COX2 foi irreversivelmente diminuída”, e a “expressão do MUC5AC foi apenas parcialmente reversível”, referem os responsáveis.

Apesar da cessação tabágica, “estas alterações irreversíveis podem contribuir para o risco persistente do cancro do pulmão”, sublinham os cientistas. No entanto, o facto dos riscos de desenvolvimento de cancro no pulmão não desaparecerem por completo nos ex-fumadores, este não deve ser um motivo para que se desista de deixar de fumar, até porque, só por si, essa atitude já diminui significativamente o risco de desenvolvimento de cancro no pulmão comparativamente com os fumadores activos.

Marta Bilro

Fonte: TV Ciência.

Cirurgia abdominal pode eliminar diabetes, diz estudo

A cirurgia abdominal, utilizada no tratamento da obesidade, pode também ser benéfica na eliminação da diabetes, revela um estudo publicado na revista britânica "New Scientist".

A equipa de cientistas brasileiros, italianos e franceses observou que, em 98 por cento dos diabéticos submetidos a uma cirurgia abdominal, a diabetes dissipava-se rapidamente, algo que não poderia ter acontecido unicamente devido à perda de peso.

Para proceder à realização do estudo, a equipa de investigadores realizou um desvio gástrico em sete pessoas com diabetes tipo 2, e cujo peso se encontrava entre o normal e o moderadamente obeso. Nove meses depois da cirurgia, os dois primeiros pacientes sujeitos à intervenção deixaram de receber medicação contra a diabetes, dado que, em apenas um mês, os níveis de açúcar no sangue e insulina apresentaram uma redução drástica.

Durante uma cirurgia abdominal é removido o duodeno, parte superior do intestino delgado. O orientador do estudo, Francesco Rubino, da Universidade Católica de Roma, especula que o duodeno poderia ser a causa da resistência à insulina, responsável pela diabetes. A confirmarem-se estas suspeitas, a solução pode estar na realização de um "desvio" gástrico, que elimine a resistência à insulina e restabeleça o balanço normal entre os níveis de insulina e de açúcar.

A descoberta é significativamente importante face ao célere avanço da doença nos países desenvolvidos. A diabetes tipo 2 é a mais frequente, sendo representativa de 90 por cento dos casos. Estima-se que, em Portugal, existam entre 250 mil a 500 mil diabéticos, muitos deles, ainda por diagnosticar.

Marta Bilro

Fonte: Último Segundo, Saúde na Internet, Portal da Saúde.

CE aprova nova fórmula de Rebif

A Merck Serono, unidade da farmacêutica alemã Merck KGaA, recebeu aprovação da Comissão Europeia para comercializar uma nova fórmula do Rebif (Interferão beta-1a), um medicamento utilizado no tratamento da esclerose múltipla recidivante.

A nova fórmula do medicamento, que deve ser lançada no próximo mês, foi desenvolvida para aumentar os benefícios do tratamento e pensada para melhorar a tolerabilidade da terapia quando injectada, refere a Merck num comunicado emitido esta quinta-feira (30 de Agosto).

A aprovação europeia é “um passo importante” nos esforços da empresa para “continuar a fornecer soluções terapêuticas melhoradas aos doentes com esclerose múltipla”, afirmou o chefe de operações europeias da empresa, Roberto Gradnik, numa nota a que o Farmacia.com.pt teve acesso.

De acordo com a Merck, a autorização de comercialização aplica-se a todos os 27 países da União Europeia, bem como à Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Marta Bilro

Fonte: Merck, Forbes, Reuters.

Dona Estefânia promove 1asJ ornadas de Neuro-Genética

O Hospital de Dona Estefânia (HDE) promove, nos dias 21 e 22 de Setembro, as 1asJ ornadas de Neuro-Genética. O evento vai centrar-se na abordagem de alguns aspectos organizacionais relacionados com a temática principal e as consultas de neurogenética, não esquecendo as doenças raras, assunto que estará em discussão no final do primeiro dia de jornadas.

O evento, que terá lugar na sala de conferências do HDE, prevê a realização de vários debates com a participação de especialistas. No primeiro painel de discussão, subordinado ao tema dos aspectos organizacionais da neurogenética, têm lugar três exposições temáticas que abordam a “Estruturação dos Serviços de Genética Médica”, os “Custos/ benefícios dos testes genéticos” e a “Uniformização dos testes genéticos-perspectiva do Geneticista”.

Para analisar as “Doenças Genéticas no período pré-natal” vão estar reunidas a geneticista clínica Maria de Jesus Feijó, a cardiologista pediátrica Graça Nogueira e o citogeneticista Sérgio Castedo, num debate moderado por Maximina Pinto, Eufémia Ribeiro e Ivone Dias. Clara Barbot e Leonor Bastos participarão num debate sobre “Ataxias hereditárias: aspectos neurológicos na criança”. Ainda no primeiro dia deverão ser discutidos os aspectos genéticos, clínicos e neurológicos associados à doença de Huntington, sessão que termina com uma exposição de Margarida Reis Lima sobre a “ORPHANET Portugal - Base de Dados de Doenças Raras – divulgar e estimular o seu uso na prática clínica”.

Para o último dia foi reservado o debate sobre “Genética e Epilepsia”, com uma exposição oral de Ana Isabel Dias sobre a “Clínica das epilepsias geneticamente determinadas”; de Conceição Robalo e Lina Ramos sobre o “Diagnóstico genético das epilepsias: o estado da arte”; e de José Pedro Vieira sobre “Epilepsia: abordagem terapêutica baseada na Genética”.

As “Malformações do SNC (Brain malformations)” são o tema que encerra estas jornadas, com debates sobre “Clínica e diagnóstico molecular”, “Diagnóstico ecográfico prenatal” e “Diagnóstico neuroradiológico”. Os interessados em participar podem entrar em contacto com Serviço Genética do Hospital D. Estefânia, através do e-mail jneurogenetica@gmail.com.

Marta Bilro

Fonte: e-mail do Farmacia-press, Raríssimas.

Pretensão da farmacêutica derrotada em tribunal
Roche proibida de publicitar o Xenical


Um tribunal australiano deu razão a um grupo de especialistas que em Fevereiro tinha votado a favor da interdição da campanha publicitária ao medicamento Xenical (orlistat), fabricado e comercializado pela Roche, e proibiu a companhia farmacêutica suíça de fazer publicidade àquele fármaco. Em causa está o apelo que os anúncios teriam sobre os mais jovens, que os peritos consideraram inadequado, mas a polémica em torno do fármaco é bem mais antiga, e tem a ver com efeitos secundários muito sérios.

Inicialmente os especialistas tinham defendido publicamente a não comercialização do medicamento pelas farmácias, apesar de o Xenical estar devidamente autorizado pelas autoridades locais do sector. Considerando que os adolescentes seriam o alvo principal da campanha (em Portugal não está em marcha qualquer tipo de estratégia publicitária a este produto), os peritos defenderam o fim da publicidade ao medicamento, tendo a Roche interposto um recurso, por entender que o corte atentava contra o interesse público na área da saúde. O tribunal indeferiu o pedido, e ainda condenou a empresa a pagar as despesas jurídicas do comité de especialistas.
O Xenical surgiu no mercado farmacêutico mundial na década de 1990 e foi “aclamado” como uma panaceia para o tratamento da obesidade, tais eram as esperanças que nele se depositavam. O modo de agir diferente do da maioria dos inibidores de apetite – por não mexer com o sistema nervoso nem causar habituação e dependência – terá sido a sua grande mais-valia, sabendo-se que o medicamento foi submetido a rigorosos testes até ter sido aprovado na Europa e nos Estados Unidos, e que a sua utilização depende de prescrição médica. Um artigo publicado na revista científica «Lancet» relatou então os efeitos positivos do fármaco em pessoas que tinham tomado três cápsulas diárias de 120mg, em associação com uma dieta de baixas calorias, e que tinham perdido 70 por cento do peso excessivo anterior ao início da toma do Xenical, conseguindo manter o peso até dois anos depois de terem interrompido o tratamento.


No entanto, nem tudo são rosas na história do orlistat, e entre os efeitos secundários de maior relevância relatados por doentes que o consumiram constam quebras no sistema imunitário, eczema, urticária crónica, alergia a determinados alimentos, cosméticos e champôs (que antes do tratamento tinham sido consumidos sem problemas), comichão, vermelhidão na pele, elevada pressão sanguínea e palpitações. Carita Ovelius (na foto) ficou conhecida por ter vindo a público divulgar os problemas que o Xenical lhe causou, e que persistiam, segundo disse na altura, mesmo depois de volvidos dois anos sobre o fim da administração do fármaco.
Antes de iniciar o tratamento, a utente entrou em contacto com a agência reguladora do sector do medicamento na Suíça, que lhe garantiu que os efeitos adversos do Xenical só surgiriam se ela consumisse alimentos muito gordos. Actualmente a Roche admite que “raros” efeitos secundários, como prurido, reacções cutâneas, urticária e edema poderão surgir. Carita avisa que não serão assim tão raros os efeitos negativos do medicamento, e deixa que as suas imagens circulem na internet, exactamente para o provar...

Carla Teixeira
Fonte: InvestNews, Editora Saraiva, Drugs.com, SecondOpinion.co.uk
Estudo indicia relação de causalidade...
Remoção de ovários ligada a doenças neurológicas


As mulheres a quem foram removidos os ovários antes da menopausa correm maior risco de desenvolver problemas de memória, demência e dificuldades de movimento como o parkinsonismo, revelam dois estudos publicados no jornal da academia norte-americana de Neurologia.

Depois de seguirem mulheres durante 30 anos e realizado perto de três mil entrevistas no maior estudo do género até agora, investigadores da Clínica Mayo, em Rochester, no Minnesota, verificaram que as mulheres sujeitas à remoção de um ou dois ovários antes da menopausa por razões não relacionadas com cancro enfrentam maior risco de a longo termo terem problemas cognitivos ou demência, se comparadas com as mulheres que mais tardiamente foram submetidas à remoção dos ovários. Porém, salienta o estudo, as mulheres que, apesar de terem retirado ambos os ovários, são tratadas com estrogénio até pelo menos aos 50 anos não viram esse risco aumentado.
A investigação ajuda a clarificar o papel do estrogénio na saúde antes da idade natural da menopausa e a sua “habilidade” para proteger o funcionamento do cérebro. “É possível que o estrogénio tenha efeito protector no cérebro, e que a sua falta devido à remoção dos ovários possa aumentar o risco de problemas de memória”, disse Walter Rocca, neurologista da Clínica Mayo, autor principal do estudo. Muitas das participantes foram também incluídas num estudo mais vasto que descobriu que as mulheres que tiveram um ou mais ovários removidos antes da menopausa tinham duas vezes mais hipóteses de desenvolver parkinsonismo, síndroma que envolve tremor, rigidez muscular e lentidão de movimentos. O risco do parkinsonismo aumenta com a remoção precoce dos ovários.
Em declarações ao «Expresso», o director do Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria, e também professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, disse que os resultados do estudo norte-americano agora divulgado, aconselham “prudência” no que diz respeito à remoção dos ovários no período anterior à menopausa, tendo justamente em conta a ideia de que essa remoção poderá desencadear problemas neurológicos graves. De acordo com José Ferro, esta investigação chegou ainda à conclusão de que as pacientes que, depois da cirurgia extractiva, e antes dos 50 anos, receberam tratamentos farmacológicos à base de estrogénio revelaram menor propensão para o surgimento de doenças do foro neurológico em fases posteriores da sua vida. Aquele médico do Hospital Santa Maria considera que “nas mulheres em idade fértil o estrogénio tem efeito neuroprotector”.

Carla Teixeira
Fonte: Agência Lusa, «Expresso»

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

França contesta qualidade dos produtos alimentares chineses

O prestigiado jornal francês Le Monde publicou hoje um estudo da revista L'Expansion, onde são postos em causa diversos produtos de origem chinesa. A par dos brinquedos, pastas de dentes, comida para cães e gatos nos Estados Unidos e produtos com ervas medicinais no Canadá, é agora a vez dos produtos alimentares importados da China serem rotulados como perigosos para a saúde dos consumidores.

Na origem do alerta estão os corantes proibidos encontrados em molhos e bolos de arroz, os fungos cancerígenos descobertos em frutos secos, os resíduos de antibióticos detectados em frascos de mel e os vestígios de mercúrio em enguias, além das massas com componentes geneticamente modificados. No entanto, o risco ultrapassa os próprios alimentos, pois também os utensílios de cozinha provenientes da China são contestados por alegadamente conterem vestígios de níquel, de manganês ou de crómio susceptíveis de contaminar os alimentos.

De acordo com Gilles Martin, proprietário do laboratório Eurofins, a funcionar na China, neste pais existe uma "inacreditável falta de formação e de educação sobre os perigos de contaminação e sobre as boas práticas a adoptar para garantir a segurança dos consumidores".

A par da falta de formação, a falsificação de produtos alimentares na China é outro dos problemas apontados pelo estudo, uma vez que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que "em dois milhões de produtos alimentares contrafeitos registados em 2006, entre 16 e 20 por cento” eram oriundos daquele pais.

Em 2006, os produtos alimentares importados da China foram objecto de um número recorde de alertas em solo europeu, tendo-se registado 263 notificações relativas a produtos retirados do mercado ou bloqueados nas alfândegas. Desde o inicio do ano, foram já contabilizadas 209 ocorrências, dai que se preveja um agravamento da situação, que até ao final de 2007 deverá atingir um novo recorde.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Novo surto de febre hemorrágica matou já mais de cem pessoas no Congo

Em Mweka, uma área remota da República Democrática do Congo, registaram-se já mais de cem mortes por febre hemorrágica, causada por um vírus que ataca o sistema nervoso central, dando origem a hemorragias dos olhos, ouvidos e outras partes do corpo.

Nesta região africana, os familiares têm por tradição lavar os cadáveres, o que na opinião de Jean-Constatin Kanow, inspector de saúde da província, terá levado à contaminação de mais de 217 pessoas, das quais 103 morreram (cem adultos e três crianças). As mortes começaram a acontecer depois dos funerais de dois chefes de aldeia, vitimando alguns dos acompanhantes desses funerais.

A República Democrática do Congo tem já um largo historial de surtos de febres hemorrágicas, responsáveis por milhares de vitimas mortais, como sucedeu aquando dos surtos de Ébola e de Marburgo.

Inês de Matos

Fonte: Lusa

Amgen vence batalha judicial contra a Roche

Farmacêutica suíça não desiste de lançar Mircera nos EUA

A justiça norte-americana deu razão à Amgen ao deliberar que um produto rival da farmacêutica suíça Roche infringe a patente de um medicamento do grupo, destinado ao tratamento da anemia. Ainda assim, a Roche mantém-se firme face à decisão e não desiste de lançar o fármaco naquele mercado.

De acordo com a sentença, o Mircera (Metoxi polietilenoglicol-epoetina beta), produzido pela Roche, infringe a patente número 5,955,422 do composto farmacêutico detida pela Amgen. No entanto, a Roche continua decidida a comercializar o medicamento, algo que deverá acontecer logo que seja emitida uma aprovação por parte da Administração Norte-Americana dos Alimentos e Fármacos (FDA).

O laboratório suíço reafirma que a actuação do Mircera tem uma duração mais prolongada do que outros fármacos para a anemia e que a substância não viola qualquer patente. Por sua vez, a Amgen diz ter provas convincentes de que o fármaco infringe seis das patentes da empresa e não apresenta quaisquer benefícios que superem os do Epogen (Darbepoetina) e do Aranesp (Darbepoetina alfa).

Conforme noticiou o Farmacia.com.pt, num artigo publicado no dia 27 de Julho, o Mircera foi aprovado pela Comissão Europeia no final do mês de Julho no tratamento da anemia associada à doença renal crónica.

Marta Bilro

Fonte: Forbes, CNN Money, Farmacia.com.pt.

Identificado papel-cheve de gene da metástase do cancro colo-rectal

Investigadores israelitas descobriram o papel-chave desempenhado por um determinado gene na metástase do cancro colo-rectal, aquele que é um dos tipos de cancro mais comuns no mundo ocidental e a segunda causa de morte mais frequente.

A maioria dos casos de cancro colo-rectal tem inicio em alterações numa proteína-chave, denominada beta-catenin, cuja função é entrar no núcleo das células e activar a expressão de um gene. Porém, ao acumular-se em excesso nas células, acaba por activar os genes inapropriadamente, conduzindo ao cancro. Avri Ben-Ze´ev e Nancy Gavert, do Departamento de Biologia Molecular e Celular do Weizmann Institute, em Rehovot, Israel, e os principais autores do estudo, revelam os resultados da investigação num artigo publicado no jornal “Cancer Research”.

Conforme explicam os investigadores, um dos genes activado pela beta-catenin - que já tinha sido previamente identificado pela equipa de Ben-Ze´ev como presente no cancro colo-rectal - codifica um receptor chamado L1-CAM. Este receptor é uma proteína usualmente encontrada nas células nervosas, desempenhando o papel de reconhecimento e mobilidade das mesmas.

Em pesquisas anteriores, Ben-Ze´ev tinha já observado que o gene L1-CAM poderia ter um papel importante na metástase, uma vez que aparece expresso em determinadas células situadas na frente invasiva do tecido do tumor. A nova investigação revelou que as células do cancro colo-rectal concebidas para expressar o gene L1-CAM se espalharam até ao fígado, o que não aconteceu com as células às quais faltava o L1-CAM.

Foi então que os cientistas resolveram comprar a expressão dos genes induzidos pelo L1-CAM em células cancerosas de 170 amostras de cancro colo-rectal (removido de pacientes) e em 40 amostras de tecido do cólon normal. Dos cerca de 160 genes induzidos pelo L1-CAM, perto de 60 estavam expressos no tecido canceroso, mas não no tecido normal. Ben-Ze´ev tem planos para conduzir mais pesquisas sobre a função destes genes.

Dados da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva indicam que em Portugal, morrem por ano cerca de 3000 indivíduos com cancro colo-rectal. Na Europa surgem, anualmente, 300 mil novos casos, 50 por cento dos quais morrerão em cinco anos.

A alimentação pobre em vegetais, legumes, frutas e cereais, consumo excessivo de gorduras, obesidade, sedentarismo, presença de pólipos (pequenas massas de tecido) no intestino grosso e casos de doença em familiares próximos são apontados como os principais factores que contribuem para o aparecimento da doença, que tende a surgir maioritariamente depois dos 50 anos de idade.

Marta Bilro

Fonte: Lusa, Diário Digital, Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva.

Brasil desiste da venda obrigatória em unidose

Caíram por terra as tentativas do governo brasileiro para colocar no mercado medicamentos fraccionados. As autoridades do país pretendiam forçar a indústria farmacêutica a comercializar fármacos em unidose, porém, a pressão do sector no Congresso está a limitar essa possibilidade.

O projecto de lei do Ministério da Saúde brasileiro foi eliminado, no final de 2006, durante uma comissão da Câmara, tendo sido substituído por um documento que tornaria facultativa a venda em unidose. Apesar das críticas das associações de defesa do consumidor, o novo texto, que torna opcional a venda fraccionada, deverá ser votado esta quarta-feira (29 de Agosto) e tudo indica que seja aprovado.

O Ministério da Saúde foi obrigado a adoptar uma solução intermédia depois de ter concluído que não conseguiria vencer o lobby farmacêutico. Assim, o Governo desistiu do fraccionamento obrigatório com a condição de que as empresas colocassem no mercado um mesmo medicamento com embalagens de diversas quantidades de comprimidos. Esta foi a forma encontrada para sair “do impasse”, considera José Miguel do Nascimento Jr., coordenador de Assistência Farmacêutica Básica.

De acordo com o mesmo responsável, o Ministério da Saúde reuniu com vários deputados da Comissão de Desenvolvimento Económico para expor sua nova proposta.

Em Portugal, o primeiro-ministro José Sócrates anunciou, no Parlamento, no inicio de 2006, a intenção de implementar a distribuição de medicamentos em unidose, medida que continua por cumprir.

Marta Bilro

Fonte: Estadao.co.br, Farmacia.com.pt.

Organização de farmacêuticos lança guia de boas práticas para indústria biotecnológica

A chegada ao mercado de medicamentos biotecnológicos genéricos parece estar cada vez mais iminente. Entre as revisões da legislação e o término da protecção de algumas patentes, o tempo é cada vez mais escasso. Tendo em vista algumas dessas questões e a crescente tensão entre os produtores de medicamentos de marca e os de genéricos, a Sociedade Internacional de Engenheiros Farmacêuticos (ISPE) publicou um guia de boas práticas para o sector.

De acordo com os responsáveis da ISPE, o guia “vai ter em conta os assuntos mais importantes com que se depara uma empresa biofarmacêutica no transporte de produtos de terapia biológica do laboratório para os ensaios clínicos e além disso”. A publicação engloba um largo espectro de áreas no sector da produção biofarmacêutica, incluindo o processo de desenvolvimento dos produtos, a produção, a cadeia de gestão investigacional de fornecimento de produtos, o controlo e garantias de qualidade e os requisitos de regulação globais.

O documento centra-se, principalmente, na gestão e planeamento de projectos; estudos de relação e compatibilidade, processo de desenvolvimento dos compostos farmacêuticos activos, medicamentos, produtos e placebos; produção pré-clínica, clínica e fases comerciais dos produtos; processo de validação, gestão da cadeia de fornecimento, controlo de qualidade/considerações de requisitos de qualidade, refere o ISPE.

Foram também tidas em conta durante a elaboração deste guia todas as indicações e regulamentações dos Estados Unidos da América, União Europeia, Canadá, Japão, e da Conferência Internacional de Harmonização (ICH), afirmaram os responsáveis. Há, no entanto, algumas exclusões, é o caso das terapias celulares e de genes.

O guia, intitulado “Desenvolvimento dos Produtos de Terapia Biológica Investigacional”, surge numa altura em que o mercado se movimenta a passos largos, com previsões que indicam que os biológicos podem vir a representar 60 por cento das receitas das empresas farmacêuticas já em 2010. Actualmente, o mercado está já avaliado em mais de 41 mil milhões de euros.

“Com o aumento do número de produtos biológicos a serem aprovados no mercado global, colocam-se novos desafios a muitas empresas farmacêuticas, especialmente durante o processo crítico das fases de desenvolvimento e produção dos produtos”, salienta o ISPE.

Marta Bilro

Fonte: Us-Pharmatechnologist.com

Uma aposta na segurança dos medicamentos

Indústria quer prever falhas de toxicidade no início do processo de desenvolvimento

A segurança dos medicamentos tem sido, desde sempre, uma questão chave na investigação. Porém, desde que, em 2004, a Merck foi forçada a retirar do mercado o anti-inflamatório Vioxx, por se ter verificado que o fármaco aumentava o risco de acidentes cardiovasculares, o tema está frequentemente debaixo da atenção pública.

Os erros do passado parecem ter funcionado como um caderno de falhas a não repetir e contribuíram para que as farmacêuticas melhorassem a sua capacidade para prever antecipadamente, a toxicidade de uma substância durante o processo de desenvolvimento.

Dimitri Mikhailov, responsável pela equipa norte-americana de software de informática para pesquisa e descoberta de novos medicamentos, no Instituto para Investigação Biomédica da Novartis, explicou como é que a empresa organiza o processo que lhe permite prever a segurança dos candidatos a fármacos.

Embora estejam comercialmente disponíveis diversas ferramentas de previsão da toxicidade que se têm revelado uma boa base para a pesquisa, elas não incluem conhecimento científico interno, explicou Mikhailov numa conferência recente sobre Descoberta e Desenvolvimento de Terapias inovadoras, em Boston, nos Estados Unidos da América.

Há um rol infinito de razões que podem justificam os problemas de segurança de um medicamento. Entre elas estão factores como as propriedades das moléculas (absorção, distribuição, metabolismo e excreção); o género das espécies e o fenótipo; o estado da doença, o estilo de vida e a idade; a interacção com outros medicamentos; e também a toxicidade idiossincrática.

Em 2003, a Novartis começou a desenvolver o ToxCheck, o seu próprio programa computacional para ajudar a prever alguns destes problemas. Esta é uma ferramenta que fornece dados excelentes mas que se tornam inúteis nas mãos dos utilizadores não especializados, visto que, estes não sabem interpretar as informações obtidas. Nesse sentido, referiu Mikhailov, o principal objectivo é garantir que os investigadores da Novartis consigam utilizar esses resultados.

“A segurança clínica e a toxicologia representam cerca de 30 por cento das falhas no desenvolvimento de medicamentos, isto porque, apesar dos modelos de toxicidade serem frequentemente fáceis de utilizar, podem ser difíceis de interpretar”, salientou o mesmo responsável.

A empresa dedicou-se então ao desenvolvimento de um programa capaz de ser acedido a partir de qualquer ambiente de trabalho de um computador, fácil de interpretar, rápido e interactivo. Algo que poderia representar uma parte fundamental na decisão do processo de produção a todos os níveis. Através da utilização de dados públicos e internos acerca de milhares de compostos, a farmacêutica suíça desenvolveu um sistema que consegue correlacionar a estrutura de um composto com as potenciais propriedades tóxicas, como a cardiotoxicidade e a genotoxicidade. A informação foi posteriormente utilizada para desenvolver alertas baseados em perto de 160 substruturas de moléculas que a Novartis acredita serem capazes de provocar problemas ao nível da segurança dos medicamentos.

Ainda assim, esta parecia não ser a solução perfeita para o problema. A empresa começou, por isso, a proceder a uma actualização do software. Foram criados e introduzidos, em modelos computacionais, um índice de reacções adversas e dados sobre o perfil in vitro, de acordo com as propriedades químicas já mencionadas. Estes estão agora a ser utilizados para prever efeitos secundários e combinações não detectadas.

Conforme explicou Mikhailov, relacionando as previsões com as características estruturais, mesmo que uma molécula esteja identificada por um alerta tóxico, há a hipótese dos cientistas da Novartis conseguirem alterar essa parte da molécula e resolver o problema, ao mesmo tempo que é mantido o potencial terapêutico.

Com as preocupações de segurança a crescerem de dia para dia, o sector aumenta a procura para assegurar aos consumidores que tudo está a ser feito para assegurar que os medicamentos são seguros quando chegam ao mercado. Para além disso, é urgente começar a reduzir os custos com as substâncias falhadas, especialmente em fase final de desenvolvimento. Uma das melhores formas de o fazer passa por aperfeiçoar a capacidade dos cientistas para antecipar os problemas o mais cedo possível. Associar a ultima tecnologia informática à experiencia científica permite que isto aconteça durante a fase de optimização, antes do fármaco ser testado em animais ou humanos.

Marta Bilro

Fonte: In-Pharmatechnologist.com.